{"id":3040,"date":"2021-10-14T13:47:51","date_gmt":"2021-10-14T16:47:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/ccsh\/?p=3040"},"modified":"2021-10-14T13:47:54","modified_gmt":"2021-10-14T16:47:54","slug":"entrevista-universidade-e-migracoes-em-tempos-de-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/ccsh\/2021\/10\/14\/entrevista-universidade-e-migracoes-em-tempos-de-pandemia","title":{"rendered":"Entrevista: Universidade e migra\u00e7\u00f5es em tempos de pandemia"},"content":{"rendered":"\n<header class=\"entry-header\">\n<div class=\"entry-meta row\">\n<div class=\"col-lg-12 text-center\">\n<div class=\"col-12\">\n<h2 class=\"text-start text-muted text-break h4 mb-0\">Grupo Migraidh mobiliza atores e a\u00e7\u00f5es multidisciplinares no acolhimento, na assist\u00eancia e na luta pelos direitos da popula\u00e7\u00e3o migrante e refugiada em Santa Maria.<\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"col-12 col-lg-1 order-lg-5 justify-content-around justify-content-lg-start  align-items-center mt-3 flex-row flex-lg-column d-flex mt-lg-5 pt-lg-5\">\u00a0<\/div>\n<div class=\"col-lg-11\">\u00a0<\/div>\n<span class=\"posted-on text-muted\">14\/10\/2021, 8h20<\/span><\/div>\n<\/div>\n<hr \/><\/header>\n<div class=\"entry-content noticia-conteudo\">\n<p>\u00a0<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><a href=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/2021\/10\/1.jpeg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-56883\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/2021\/10\/1-1024x682.jpeg\" alt=\"\" width=\"950\" height=\"633\" \/><\/a>\n<figcaption>Acolhimento da primeira turma de estudantes ingressantes pela Resolu\u00e7\u00e3o 041\/2016<\/figcaption>\n<\/figure>\n<\/div>\n<p>Compreender a realidade enfrentada por migrantes e refugiados \u00e9 um grande desafio. Por\u00e9m, mais do que isso, o projeto<a href=\"https:\/\/www.ufsm.br\/grupos\/migraidh\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/www.ufsm.br\/grupos\/migraidh\/\">\u00a0Migraidh\u00a0<\/a>da UFSM, busca a prote\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o de direitos humanos destas popula\u00e7\u00f5es. O Migraidh \u00e9 um Grupo de Pesquisa, Ensino e Extens\u00e3o dos Direitos Humanos e Mobilidade Humana Internacional da UFSM, com atua\u00e7\u00e3o desde 2013. Por meio dele s\u00e3o realizadas a\u00e7\u00f5es dirigidas \u00e0 prote\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o de direitos humanos, ao acesso \u00e0 direitos, ao combate \u00e0 xenofobia, ao desenvolvimento de processos legislativos e pol\u00edticas p\u00fablicas e de integra\u00e7\u00e3o local da popula\u00e7\u00e3o migrante e refugiada, principalmente aquela estruturalmente vulner\u00e1vel.\u00a0<\/p>\n<p>Reunindo participantes de diversas \u00e1reas do conhecimento interessados na tem\u00e1tica da migra\u00e7\u00e3o e direitos humanos, o programa de extens\u00e3o trabalha em assessoria a Migrantes e Refugiados. Isso ocorre por meio das seis linhas de pesquisa que o projeto possui, nas \u00e1reas do Direito, Ci\u00eancias Sociais, Comunica\u00e7\u00e3o Social, Letras e Psicologia da UFSM, liderado pela professora Giuliana Redin, coordenadora do projeto.<\/p>\n<p>Conversamos com a professora Giuliana a fim de ampliar o espa\u00e7o de conhecimento de um projeto de desmedida import\u00e2ncia social, principalmente, relacionado a sua import\u00e2ncia em um cen\u00e1rio de restri\u00e7\u00f5es pand\u00eamicas.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia de Not\u00edcias \u2013 O Migraidh \u00e9 um projeto que une diversos cursos da UFSM em prol de melhores condi\u00e7\u00f5es para os imigrantes. Sendo assim, quais s\u00e3o as a\u00e7\u00f5es em desenvolvimento pelo Programa de Extens\u00e3o nesse momento?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Giuliana Redin<\/strong>\u00a0\u2013 Desde a pandemia, o Programa de Extens\u00e3o do Migraidh,\u00a0<em>Assessoria a Imigrantes e Refugiados<\/em>, mant\u00e9m suas atividades adaptadas aos protocolos sanit\u00e1rios e mais intensamente realizadas de forma remota. Contudo, essas atividades nunca foram suspensas, pois est\u00e3o ligadas \u00e0 aten\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o migrante e refugiada, ainda mais vulner\u00e1vel no contexto da pandemia. Ent\u00e3o foram estruturadas as Mesas de Informa\u00e7\u00f5es, um projeto que conta com o apoio direto do ACNUR, Ag\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Refugiados, para o atendimento por canal de WhatsApp nos eixos da assessoria jur\u00eddica e documental, atendimento cl\u00ednico psicol\u00f3gico, que \u00e9 feito pelo conv\u00eanio do Migraidh com o N\u00facleo de Psican\u00e1lise da UFSM, acesso aos servi\u00e7os p\u00fablicos e assist\u00eancia social, oferta de rodas de conversa para o ensino do portugu\u00eas como l\u00edngua de acolhimento e apoio e acolhimento. Muitas dessas a\u00e7\u00f5es requerem o acompanhamento presencial, nestas situa\u00e7\u00f5es a equipe de extensionistas atua com rigorosa observ\u00e2ncia dos protocolos sanit\u00e1rios. O contexto da pandemia agravou a situa\u00e7\u00e3o de muitos imigrantes relativamente \u00e0 regulariza\u00e7\u00e3o migrat\u00f3ria e seguran\u00e7a alimentar: por mais de um ano, perduraram os efeitos de sucessivas portarias do governo federal de fechamento de fronteiras \u00e0s migra\u00e7\u00f5es por raz\u00e3o humanit\u00e1ria, em viola\u00e7\u00e3o aos direitos fundamentais assegurados na Lei de Migra\u00e7\u00e3o e Lei do Ref\u00fagio, como o direito de regulariza\u00e7\u00e3o documental, de solicitar ref\u00fagio e n\u00e3o sofrer deporta\u00e7\u00e3o sum\u00e1ria, que \u00e9 uma Pol\u00edtica de Estado; na pr\u00e1tica essas portarias n\u00e3o impediram o acesso dos imigrantes no territ\u00f3rio nacional, mas os deixaram sem acesso ao direito de documenta\u00e7\u00e3o; a maior dificuldade do acesso a trabalho e renda, situa\u00e7\u00e3o agravada pelo fato de que muitos imigrantes estavam em situa\u00e7\u00e3o de indocumenta\u00e7\u00e3o e encontravam ainda maior dificuldade de inser\u00e7\u00e3o no mercado formal de trabalho. Atuamos no enfrentamento a essas situa\u00e7\u00f5es, n\u00e3o apenas pela incid\u00eancia junto aos Poderes Legislativo e Executivo, de forma colaborativa e em conjunto com outras organiza\u00e7\u00f5es e espa\u00e7os coletivos, como o F\u00f3rum Permanente de Mobilidade Humana do Rio Grande do Sul e a RAC, Rede Advocacy Colaborativo, como tamb\u00e9m nas redes de aten\u00e7\u00e3o \u00e0 agenda da seguran\u00e7a alimentar, de forma mais pontual.\u00a0<\/p>\n<p>Neste ano, abrimos edital para novos\/as participantes nas seis linhas de pesquisa nas \u00e1reas do Direito, Ci\u00eancias Sociais, Comunica\u00e7\u00e3o Social, Letras e Psicologia com participa\u00e7\u00e3o concomitante no Programa de Extens\u00e3o. Estamos fortalecendo projeto estrat\u00e9gicos, a exemplo a oferta de mais uma edi\u00e7\u00e3o do Curso de Capacita\u00e7\u00e3o para Servidores P\u00fablicos e Atores Sociais em Direitos Humanos, voltado ao atendimento, acolhimento e integra\u00e7\u00e3o de migrantes e refugiados e a confec\u00e7\u00e3o de material informativo para acesso da popula\u00e7\u00e3o migrante aos servi\u00e7os p\u00fablicos e tamb\u00e9m de orienta\u00e7\u00e3o a servidores e atores sociais. O desenvolvimento do trabalho cotidiano do Migraidh tamb\u00e9m conta no ano de 2021 com bolsas do Observat\u00f3rio de Direitos Humanos da UFSM e das A\u00e7\u00f5es do COREDE Centro da Pr\u00f3-Reitoria de Extens\u00e3o da UFSM e s\u00e3o as seguintes: Atendimento e assessoria jur\u00eddica individualizada e coletiva, tamb\u00e9m colaborativa com \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos, por meio de peticionamentos e pareceres; Apoio psicossocial e atendimento psicol\u00f3gico, este prestado por meio do conv\u00eanio interno firmado com o N\u00facleo de Psican\u00e1lise do Curso de Psicologia da UFSM; Apoio para o acesso a servi\u00e7os p\u00fablicos; Ensino do portugu\u00eas como l\u00edngua de acolhimento no \u00e2mbito das Rodas de Conversa; A\u00e7\u00f5es de integra\u00e7\u00e3o local da popula\u00e7\u00e3o migrante e refugiada; Fortalecimento de redes voltadas ao acolhimento, atendimento e inser\u00e7\u00e3o laboral da popula\u00e7\u00e3o migrante e refugiada; Media\u00e7\u00e3o junto ao Executivo e Legislativo municipais para as agendas de pol\u00edticas p\u00fablicas para a popula\u00e7\u00e3o migrante e refugiada; Atua\u00e7\u00e3o em\u00a0<em>advocacy:<\/em>\u00a0iniciativa e proposi\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas e incid\u00eancia em processos legislativos e administrativos relativos \u00e0 agenda das migra\u00e7\u00f5es; Apoio t\u00e9cnico \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o da\u00a0<a href=\"https:\/\/portal.ufsm.br\/documentos\/publico\/documento.html?id=8112043\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/portal.ufsm.br\/documentos\/publico\/documento.html?id=8112043\">Resolu\u00e7\u00e3o 41\/2016 (art. 8\u00ba)<\/a>, que institui a Pol\u00edtica de Ingresso de Migrantes e Refugiados na UFSM, e desenvolvimento das pr\u00e1ticas de acolhida e perman\u00eancia de estudantes imigrantes e refugiados na universidade; Ativismo na promo\u00e7\u00e3o dos direitos humanos da popula\u00e7\u00e3o migrante e refugiada por meio de a\u00e7\u00f5es de combate \u00e0 xenofobia e todas as formas de discrimina\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia de Not\u00edcias<\/strong>\u00a0\u2013\u00a0<strong>Quais os principais desafios que j\u00e1 eram enfrentados anteriormente por imigrantes e refugiados que optam pelo Brasil como pa\u00eds de destino? E quais s\u00e3o os principais desafios agora em meio a pandemia?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Giuliana Redin<\/strong>\u00a0\u2013 Migrantes internacionais est\u00e3o sujeitos a vulnerabilidades decorrentes da condi\u00e7\u00e3o jur\u00eddica frente ao Estado, como a documental, a diferen\u00e7a cultural e lingu\u00edstica, a xenofobia estrutural, as condi\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas e ps\u00edquicas que decorrem dos deslocamentos humanos. S\u00e3o dimens\u00f5es da exclus\u00e3o estrutural, tanto em rela\u00e7\u00e3o ao Estado, no campo pol\u00edtico-jur\u00eddico, como diante da sociedade de acolhida e da subjetividade do sujeito em mobilidade. A agenda das migra\u00e7\u00f5es \u00e9 altamente atravessada por uma l\u00f3gica de securitiza\u00e7\u00e3o, que faz recair sobre o estrangeiro a estigmatiza\u00e7\u00e3o e que refor\u00e7am a discrimina\u00e7\u00e3o e rela\u00e7\u00f5es de sujei\u00e7\u00e3o. Na pandemia, como referido na primeira quest\u00e3o, o fechamento de fronteiras aos migrantes por raz\u00e3o humanit\u00e1ria e refugiados foi um desastre do ponto de vista dos direitos humanos, porque sujeitou migrantes e refugiados \u00e0 rotas de migra\u00e7\u00e3o inseguras, os exp\u00f4s ainda mais a situa\u00e7\u00f5es de explora\u00e7\u00e3o, impedindo-os de acessarem o direito fundamental \u00e0 regulariza\u00e7\u00e3o documental e solicita\u00e7\u00e3o de ref\u00fagio, e, com isso, estabeleceu um clima de deportabilidade no pa\u00eds, implicando na impossibilidade de fato de acessarem outros direitos, a exemplo, o trabalho.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-large is-resized\"><a href=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/2021\/10\/3.jpeg\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-56885\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/2021\/10\/3-1024x682.jpeg\" alt=\"\" width=\"683\" height=\"455\" \/><\/a>\n<figcaption>Celebra\u00e7\u00e3o do Grand Magal, manifesta\u00e7\u00e3o religiosa senegalesa, em Santa Maria.<\/figcaption>\n<\/figure>\n<\/div>\n<p><strong>Ag\u00eancia de Not\u00edcias<\/strong>\u00a0\u2013\u00a0<strong>Como promover um di\u00e1logo intercultural eficiente entre o meio acad\u00eamico, a sociedade geral e os imigrantes em um momento com tantas restri\u00e7\u00f5es?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Giuliana Redin<\/strong>\u00a0\u2013 Esse di\u00e1logo \u00e9 sempre desafiador, porque o meio acad\u00eamico espelha a pr\u00f3pria sociedade, o racismo estrutural e a xenofobia arraigada na ideia de identidade nacional, que trata diferente o imigrante europeu em rela\u00e7\u00e3o ao imigrante do Sul Global. Ent\u00e3o, em qualquer tempo, os esfor\u00e7os est\u00e3o voltados \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os de promo\u00e7\u00e3o da interculturalidade. Um bom exemplo s\u00e3o as Rodas de Conversa para o ensino do portugu\u00eas como l\u00edngua de acolhimento, que atualmente est\u00e3o sendo ofertadas de forma remota. Esse espa\u00e7o associa a aprendizagem da l\u00edngua portuguesa \u00e0 integra\u00e7\u00e3o local de migrantes e \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de uma consci\u00eancia intercultural, de respeito \u00e0 singularidade e \u00e0 diferen\u00e7a. \u00c9 um espa\u00e7o constru\u00eddo pelos imigrantes, principais difusores e interlocutores, como oportunidade de inser\u00e7\u00e3o do migrante no la\u00e7o social da comunidade, fortalecimento das redes de informa\u00e7\u00e3o para acessibilidade ao trabalho e renda, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, necessidades cotidianas e socializa\u00e7\u00e3o de viv\u00eancias, motiva\u00e7\u00f5es e dificuldades. Ainda de forma remota, oferecem intera\u00e7\u00e3o, aproxima\u00e7\u00e3o e apoio. Outras atividades tamb\u00e9m est\u00e3o sendo realizadas neste momento, como os di\u00e1logos interculturais promovidos com o apoio do Laborat\u00f3rio EntreL\u00ednguas da UFSM, para o desenvolvimento de materiais voltados ao atendimento das necessidades lingu\u00edsticas dos imigrantes estudantes na universidade. As restri\u00e7\u00f5es da pandemia implicaram na impossibilidade de realiza\u00e7\u00e3o do Grand Magal, organizado pela comunidade senegalesa de Santa Maria, em 2020, evento de significativa import\u00e2ncia na integra\u00e7\u00e3o e para a diversidade cultural.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia de Not\u00edcias \u2013<\/strong>\u00a0<strong>Ainda sem a possibilidade de encontros presenciais, como est\u00e3o sendo feitas as a\u00e7\u00f5es e encontros de ensino, pesquisa e extens\u00e3o desenvolvidas pelo Migraidh? E como est\u00e1 sendo o apoio da Universidade ao projeto?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Giuliana Redin<\/strong>\u00a0\u2013 As atividades s\u00e3o realizadas prioritariamente de forma remota, com encontros semanais do coletivo, n\u00e3o apenas de planejamento das a\u00e7\u00f5es, que est\u00e3o organizadas em Grupos de Trabalho, mas tamb\u00e9m relativas aos grupos de estudos das linhas de pesquisa. As a\u00e7\u00f5es de atendimento a migrantes e refugiados s\u00e3o desenvolvidas diariamente de forma remota ou presencial, a depender da demanda, pelas a\u00e7\u00f5es das\/os bolsistas. S\u00e3o bolsas custeadas pelo Observat\u00f3rio de Direitos Humanos e pela Pr\u00f3-Reitoria de Extens\u00e3o, referente ao edital das a\u00e7\u00f5es voltadas ao COREDE Central, Conselho de Desenvolvimento Regional de Desenvolvimento do estado do Rio Grande do Sul. O espa\u00e7o f\u00edsico das a\u00e7\u00f5es do Migraidh \u00e9 alocado no pr\u00e9dio da Antiga Reitoria, no centro de Santa Maria, e ser\u00e1 mantido ali com as demais iniciativas que compor\u00e3o o Espa\u00e7o de A\u00e7\u00f5es Comunit\u00e1rias e Empreendedoras que est\u00e1 em implanta\u00e7\u00e3o no referido pr\u00e9dio. Isso \u00e9 muito importante, pois o Migraidh manter\u00e1 sua atua\u00e7\u00e3o no territ\u00f3rio, no centro da cidade, permitindo assim uma maior aproxima\u00e7\u00e3o e acesso por parte da popula\u00e7\u00e3o migrante e refugiada que vive em Santa Maria.\u00a0<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia de Not\u00edcias \u2013<\/strong>\u00a0<strong>E a assist\u00eancia direta aos imigrantes nesse per\u00edodo pand\u00eamico, como est\u00e1 acontecendo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Giuliana Redin<\/strong>\u00a0\u2013 Preferencialmente de forma remota. As Mesas de Informa\u00e7\u00f5es envolvem uma equipe de bolsistas e volunt\u00e1rios de diversas \u00e1reas que realizam atendimento pelo canal de WhatsApp nos eixos da assessoria jur\u00eddica e documental, atendimento cl\u00ednico psicol\u00f3gico, acesso aos servi\u00e7os p\u00fablicos e assist\u00eancia social e ensino do portugu\u00eas como l\u00edngua de acolhimento. Alguns atendimentos presenciais s\u00e3o necess\u00e1rios para que a resposta \u00e0 demanda seja poss\u00edvel, ocasi\u00e3o em que todos os protocolos sanit\u00e1rios s\u00e3o respeitados.\u00a0<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia de Not\u00edcias \u2013<\/strong>\u00a0<strong>Em fun\u00e7\u00e3o das atividades remotas propostas, nesse ano os encontros do projeto tiveram a participa\u00e7\u00e3o de pesquisadores, profissionais e representantes da sociedade civil de diferentes partes do Brasil. Qual a import\u00e2ncia dessa participa\u00e7\u00e3o e, principalmente, de integrantes, para al\u00e9m da academia, no projeto?<\/strong><\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignright size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-56887\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/2021\/10\/2-1024x682.jpeg\" alt=\"\" width=\"637\" height=\"424\" \/><\/figure>\n<\/div>\n<p><strong>Giuliana Redin<\/strong>\u00a0\u2013 As possibilidades de desenvolvimento de atividades remotas, encontros, reuni\u00f5es, confer\u00eancias, potencializaram muito a intera\u00e7\u00e3o de atores sociais envolvidos com a tem\u00e1tica, no \u00e2mbito acad\u00eamico, poderes p\u00fablicos e sociedade civil, bem como a pr\u00f3pria participa\u00e7\u00e3o do Migraidh em reuni\u00f5es de redes, que at\u00e9 ent\u00e3o, eram presenciais. Um exemplo, foi a participa\u00e7\u00e3o nos espa\u00e7os do F\u00f3rum Permanente de Mobilidade Humana do Rio Grande do Sul, a principal inst\u00e2ncia de articula\u00e7\u00e3o de sociedade civil, bem como na Rede Advocacy Colaborativo, que atua na incid\u00eancia nos processos legislativos e junto ao Poder Executivo em Bras\u00edlia. Apenas a modalidade remota poderia permitir essa intera\u00e7\u00e3o, que tem gerado muitos resultados em a\u00e7\u00f5es integradas ligadas \u00e0 agenda. No ingresso de novo\/as participantes no Migraidh de 2021, o grupo passou a contar com a participa\u00e7\u00e3o de pessoas de v\u00e1rios estados do Brasil e ligadas a diversas universidades e outros coletivos, o que \u00e9 extremamente rico do ponto de vista do interc\u00e2mbio e fortalecimento de redes. Atualmente, participam do grupo 43 integrantes, dentre docentes, estudantes de gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e profissionais volunt\u00e1rios.\u00a0<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia de Not\u00edcias \u2013<\/strong>\u00a0<strong>Muitos alunos neste momento encontram dificuldades para acompanhar as aulas e atividades acad\u00eamicas devido \u00e0 falta de acesso \u00e0s tecnologias. Essa tamb\u00e9m \u00e9 uma realidade para alunos imigrantes? O Migraidh possui a\u00e7\u00f5es que auxiliam nessa quest\u00e3o e no aux\u00edlio da inser\u00e7\u00e3o dos imigrantes na universidade?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Giuliana Redin<\/strong>\u00a0\u2013 As dificuldades de acesso \u00e0s tecnologias para aulas e atividades acad\u00eamicas remotas agravadas pela situa\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica s\u00e3o as mesmas para imigrantes e estudantes nacionais que necessitam da assist\u00eancia estudantil. O Migraidh n\u00e3o conta com fonte de financiamento pr\u00f3pria, mas atua no apoio para acesso aos editais da UFSM. Especificamente em decorr\u00eancia da pandemia, do ensino no \u00e2mbito do REDE e do distanciamento social, os imigrantes moradores da casa do estudante, a grande maioria, por n\u00e3o possu\u00edrem fam\u00edlia no Brasil, mantiveram-se nas depend\u00eancias da casa. Nesse contexto, o Migraidh atuou oferecendo Rodas de Conversa de promo\u00e7\u00e3o de cuidado em sa\u00fade mental, com\u00a0 participantes do coletivo e estudantes migrantes e refugiados da UFSM. Um espa\u00e7o de escuta, di\u00e1logo, aproxima\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o de sa\u00fade, muitos foram os temas abordados que permitiram conv\u00edvio e intera\u00e7\u00e3o em tempos de maior distanciamento social.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia de Not\u00edcias \u2013<\/strong>\u00a0<strong>Que papel voc\u00ea acredita que a Universidade deve assumir na promo\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas eficientes voltadas para os imigrantes que chegam at\u00e9 aqui?<\/strong><\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-56890\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/2021\/10\/Imagem1.jpg\" alt=\"\" width=\"393\" height=\"556\" \/><\/figure>\n<\/div>\n<p><strong>Giuliana Redin<\/strong>\u00a0\u2013 Em dezembro 2016, pela autonomia da universidade, conquistamos na UFSM a Pol\u00edtica de Ingresso para Migrantes e Refugiados. A Resolu\u00e7\u00e3o 041\/2016, cuja proposi\u00e7\u00e3o foi de iniciativa do Migraidh, prev\u00ea crit\u00e9rios diferenciados para o acesso dessa popula\u00e7\u00e3o ao ensino, como uma modalidade de a\u00e7\u00e3o afirmativa, baseada na igualdade de oportunidades. Apesar da import\u00e2ncia desta a\u00e7\u00e3o afirmativa \u2013 inserida em uma realidade potencial de exclus\u00e3o deste grupo social do acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o superior, j\u00e1 que, conforme dados do ACNUR, apenas 3% dos refugiados conseguem acessar a educa\u00e7\u00e3o superior, em um comparativo com 37% da popula\u00e7\u00e3o em geral que acessa a educa\u00e7\u00e3o superior no mundo -, foram abertos apenas dois editais nos anos de 2017 e 2018. Neste momento, a nossa luta \u00e9 pela retomada desta importante pol\u00edtica na universidade, n\u00e3o apenas pelo que representa do ponto de vista da inclus\u00e3o social e democratiza\u00e7\u00e3o da universidade, mas tamb\u00e9m por promover internacionaliza\u00e7\u00e3o do conhecimento e o fortalecimento dos processos educacionais, sociais e humanos, pela riqueza da diversidade cultural que a imigra\u00e7\u00e3o oportuniza. Essa pol\u00edtica, institu\u00edda pela autonomia universit\u00e1ria, reconhece o direito \u00e0 igualdade e \u00e0 integra\u00e7\u00e3o, est\u00e1 baseada no compromisso da universidade afirmado no Plano de Desenvolvimento Institucional com a inclus\u00e3o social, com os direitos humanos e a democratiza\u00e7\u00e3o do ensino, assim como no conv\u00eanio firmado com a Ag\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Refugiados, que instituiu na UFSM a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.acnur.org\/portugues\/catedra-sergio-vieira-de-mello\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">C\u00e1tedra S\u00e9rgio Vieira de Mello<\/a>, a qual o Migraidh \u00e9 respons\u00e1vel t\u00e9cnico, al\u00e9m dos princ\u00edpios constitucionais, tratados internacionais e direitos consagrados Pol\u00edtica de Estado para migrantes e refugiados.\u00a0<\/p>\n<p>\u00c9 importante destacar que se trata de pol\u00edtica p\u00fablica no \u00e2mbito da autonomia da universidade, portanto institui direitos e n\u00e3o pode ser encarada como \u201ccaridade\u201d, ideia que pode ser associada a uma desvaloriza\u00e7\u00e3o objetiva e social do diferente. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pol\u00edticas de perman\u00eancia na universidade, para al\u00e9m do acesso aos benef\u00edcios da assist\u00eancia estudantil em igualdade de condi\u00e7\u00f5es aos nacionais, tamb\u00e9m \u00e9 fundamental que possamos avan\u00e7ar nas nas a\u00e7\u00f5es baseadas no reconhecimento das especificidades que decorrem das migra\u00e7\u00f5es internacionais, como a l\u00edngua, a cultura, a forma\u00e7\u00e3o educacional. Em 2019 e agora em 2021, a universidade lan\u00e7ou editais de bolsas para os estudantes migrantes e refugiados participarem em projetos de pesquisa, ensino e extens\u00e3o, o que \u00e9 significativo do ponto de vista da possibilidade de inser\u00e7\u00e3o deste grupo, que traz a riqueza da diversidade cultural na constru\u00e7\u00e3o dos processos educacionais. A autonomia universit\u00e1ria tamb\u00e9m pode promover integra\u00e7\u00e3o por meio da desburocratiza\u00e7\u00e3o e facilita\u00e7\u00e3o documental no que concerne a revalida\u00e7\u00e3o e reconhecimento de diplomas universit\u00e1rios. O Migraidh atua neste momento nesta demanda.<\/p>\n<p>Com as a\u00e7\u00f5es desenvolvidas pelo Migraidh e C\u00e1tedra S\u00e9rgio Vieira de Mello, a universidade atua no local, para al\u00e9m dos muros, prestando atendimento e contribuindo para a integra\u00e7\u00e3o de migrantes e refugiados, no escopo de suas a\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m disso, colabora com o processo de formula\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas a migrantes e refugiados e fortalecimento da coopera\u00e7\u00e3o com os poderes p\u00fablicos e sociedade civil. Exemplo desta atua\u00e7\u00e3o, foi a Mo\u00e7\u00e3o de Apoio concedida em 2017 pela C\u00e2mara de Vereadores \u00e0 Carta de Santa Maria sobre Pol\u00edticas P\u00fablicas para Migrantes e Refugiados. Neste ano, o Migraidh promover\u00e1 uma confer\u00eancia preparat\u00f3ria \u00e0 Confer\u00eancia Municipal de Sa\u00fade Mental do Munic\u00edpio de Santa Maria.\u00a0<\/p>\n<p><strong>Mais informa\u00e7\u00f5es sobre o Migraidh<\/strong><\/p>\n<p>E-mail:\u00a0<a class=\"notranslate\" href=\"mailto:migraidh@gmail.com\">migraidh@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><em><strong>Entrevista<\/strong>: Katiana Campeol, estudante e estagi\u00e1ria de Jornalismo<br \/><strong>Fotos<\/strong>: Alessandra Jungs de Almeida, acervo do Migraidh<br \/><strong>Edi\u00e7\u00e3o<\/strong>: Davi Pereira, jornalista<\/em><\/p>\n<p><em><strong>Ag\u00eancia de Not\u00edcias UFSM<\/strong><\/em><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Grupo Migraidh mobiliza atores e a\u00e7\u00f5es multidisciplinares no acolhimento, na assist\u00eancia e na luta pelos direitos da popula\u00e7\u00e3o migrante e refugiada em Santa Maria. \u00a0 \u00a0 14\/10\/2021, 8h20 \u00a0 Acolhimento da primeira turma de estudantes ingressantes pela Resolu\u00e7\u00e3o 041\/2016 Compreender a realidade enfrentada por migrantes e refugiados \u00e9 um grande desafio. 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