{"id":908,"date":"2017-10-16T17:58:25","date_gmt":"2017-10-16T19:58:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/ccsh\/2017\/10\/16\/professor-do-departamento-de-ciencias-sociais-lanca-livro-no-dia-28\/"},"modified":"2017-10-16T17:58:25","modified_gmt":"2017-10-16T19:58:25","slug":"professor-do-departamento-de-ciencias-sociais-lanca-livro-no-dia-28","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/ccsh\/2017\/10\/16\/professor-do-departamento-de-ciencias-sociais-lanca-livro-no-dia-28","title":{"rendered":"Professor do Departamento de Ci\u00eancias Sociais lan\u00e7a livro no dia 28"},"content":{"rendered":"<p>Ministrante de palestras sobre temas como \u00e9tica, pol\u00edtica e p\u00f3s-modernidade, o professor Dejalma&nbsp;Cremonese, do Departamento de Ci\u00eancia Sociais na UFSM, se prepara para o lan\u00e7amento de&nbsp;mais um livro em sua carreira. Intitulado \u201c\u00c9tica e felicidade: li\u00e7\u00f5es da filosofia antiga para uma vida&nbsp;boa\u201d, o livro aborda os temas da \u00e9tica e da felicidade sob a perspectiva da argumenta\u00e7\u00e3o&nbsp;filos\u00f3fica. Al\u00e9m dessas tem\u00e1ticas, Dejalma tamb\u00e9m possui experi\u00eancias nas \u00e1reas de Ci\u00eancia&nbsp;Humanas e Sociais, com \u00eanfase em Filosofia e Teoria Pol\u00edticas.<\/p>\n<p>O livro ser\u00e1 lan\u00e7ado no dia 28 de outubro, na Cesma, a partir das 10h.<\/p>\n<p><em>Confira a entrevista&nbsp;realizada com o professor Dejalma Cremonese:<\/em><\/p>\n<p><strong>No seu livro, o senhor transita entre autores da mitologia e da filosofia antiga, como&nbsp;S\u00f3crates, Plat\u00e3o e Arist\u00f3teles, at\u00e9 os autores mais contempor\u00e2neos, como Jean-Paul&nbsp;Vernart e Joseph Campbell, para trazer li\u00e7\u00f5es de uma vida boa e tranquila. Quais seriam&nbsp;essas li\u00e7\u00f5es da filosofia como modo de vida? Elas s\u00e3o seguidas atualmente?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Dejalma Cremonese<\/strong>: Na verdade este trabalho \u00e9 fruto de uma investiga\u00e7\u00e3o dos \u00faltimos seis&nbsp;anos da minha vida acad\u00eamica. Sempre tive curiosidade de adentrar no mundo da mitologia e&nbsp;da filosofia grega da Antiguidade. Minha forma\u00e7\u00e3o toda ela foi na \u00e1rea das humanas:&nbsp;gradua\u00e7\u00e3o e mestrado em Filosofia. Depois transitei pelas Ci\u00eancias Sociais, quando fiz o&nbsp;doutorado em Ci\u00eancia Pol\u00edtica. Nos \u00faltimos anos me voltei um pouco na pesquisa da Filosofia&nbsp;cl\u00e1ssica, inspirado na leitura de Pierre Hadot, um fil\u00f3sofo e fil\u00f3logo franc\u00eas contempor\u00e2neo de&nbsp;Michel Foucault, que entende a filosofia antiga como um modo de vida, um exerc\u00edcio espiritual.&nbsp;Hadot percebe a coer\u00eancia dos fil\u00f3sofos cl\u00e1ssicos na forma de pensar e viver. H\u00e1 um esfor\u00e7o&nbsp;de viver filosoficamente, enquanto que a filosofia moderna e contempor\u00e2nea, sem fazer&nbsp;nenhum ju\u00edzo de valor, \u00e9 bem mais acad\u00eamica, sistem\u00e1tica e abstrata. Talvez sejamos, hoje,&nbsp;mais professores de filosofia do que fil\u00f3sofos propriamente ditos.&nbsp;Em um mundo em que apresenta uma s\u00e9rie de mudan\u00e7as, onde os paradigmas&nbsp;passam por diferentes crises, \u00e9 pertinente buscar na filosofia cl\u00e1ssica os ensinamentos para&nbsp;uma vida mais reflexiva, boa e tranquila. Para sermos mais felizes \u00e9 preciso viver uma vida&nbsp;mais frugal, moderada, \u00e9tica, reflexiva e eudaim\u00f4nica, ouvindo a voz interior. Essas s\u00e3o&nbsp;algumas li\u00e7\u00f5es que podemos aprender dos pensadores antigos e comentadores&nbsp;contempor\u00e2neos, como Campbell e Vernant.<\/p>\n<p><strong>Qual a liga\u00e7\u00e3o entre a \u00e9tica e a felicidade e quais os caminhos que elas podem apontar&nbsp;para uma vida mais feliz?<\/strong><\/p>\n<p><strong>D. C.<\/strong>: H\u00e1 certa dificuldade em traduzir a palavra \u201c\u00e9tica\u201d, mas podemos afirmar que ela \u00e9 de&nbsp;origem grega (<em>ethos<\/em>) e, no campo filos\u00f3fico, pode ser traduzida pelas ideias de \u201clugar\u201d,&nbsp;\u201cresid\u00eancia\u201d, \u201cambiente\u201d e, por extens\u00e3o, tamb\u00e9m como \u201ccar\u00e1ter\u201d, \u201cdistin\u00e7\u00e3o\u201d, \u201cmodo\u201d e&nbsp;\u201cnatureza\u201d. A \u00e9tica pode ser tratada como fundamento para uma vida boa, mais feliz, portanto.&nbsp;Quanto mais \u00e9ticas forem as nossas a\u00e7\u00f5es, mais sentido damos \u00e0 nossa exist\u00eancia.&nbsp;A partir de Arist\u00f3teles entendemos a \u00e9tica como a forma\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter (<em>ethos<\/em>) da&nbsp;pessoa, que requer, igualmente, boas leis e bons defensores dessas mesmas leis. Dessa&nbsp;maneira entendemos a \u00e9tica como valores universais que s\u00e3o regidos por regras capazes de&nbsp;nortear a conduta do ser humano. A \u00e9tica sempre tem um fim em si mesmo: fazer com que a&nbsp;comunidade humana possa conviver em harmonia e ser mais feliz.<\/p>\n<p><strong>Existe algum pa\u00eds que possa servir de exemplo por apresentar uma vida de acordo com&nbsp;os ensinamentos da filosofia?<\/strong><\/p>\n<p><strong>D. C.<\/strong>: N\u00e3o creio que haja um pa\u00eds em especial que coloque os ensinamentos filos\u00f3ficos como&nbsp;par\u00e2metro para uma vida feliz. Talvez o But\u00e3o seja um exemplo que n\u00e3o mede sua riqueza&nbsp;pelo aspecto material e econ\u00f4mico \u2013 PIB (Produto Interno Bruto), mas mensura o bem-estar de&nbsp;seu povo pelo PIF (Produto Interno de Felicidade). Me parece um belo exemplo de&nbsp;comportamento e viv\u00eancia. O Estado deve apoiar o estudo sobre os pensadores e os valores&nbsp;que a filosofia traz consigo. Filosofia n\u00e3o tem um fim pragm\u00e1tico, nem instrumental. Conto no&nbsp;livro que durante as minhas aulas, alguns alunos j\u00e1 fizeram a seguinte pergunta: \u201cPara queserve a filosofia?\u201d Respondo em tom de brincadeira, mas com um sentido reflexivo, da seguinte&nbsp;forma: Se ela n\u00e3o servir para nada j\u00e1 est\u00e1 servindo para alguma coisa. Parafraseando&nbsp;Arist\u00f3teles, a filosofia n\u00e3o tem utilidade, ela est\u00e1 acima do mero conhecimento t\u00e9cnico. A&nbsp;filosofia \u00e9 conhecimento puro. Mais brilhante \u00e9 o argumento do fil\u00f3sofo estoico S\u00eaneca: \u201c[&#8230;] a&nbsp;filosofia se ocupa n\u00e3o no adestramento das m\u00e3os, mas em instruir o esp\u00edrito.<\/p>\n<p><strong>O senhor acha que, antigamente, as pessoas eram mais felizes?<\/strong><\/p>\n<p><strong>D. C.:<\/strong>. Sim, eram felizes do jeito deles. Bem diferente do entendimento que n\u00f3s temos de&nbsp;felicidade em nossos dias. Atrav\u00e9s da filosofia eles buscavam viver uma vida simples,&nbsp;harm\u00f4nica e serena. Eles chamavam de \u201cataraxia\u201d, serenidade de esp\u00edrito. Cultuavam a&nbsp;educa\u00e7\u00e3o para a harmonia do corpo e da alma \u2013 a verdadeira paideia. Afirmo no livro que os&nbsp;gregos partiam da ideia do universo c\u00f3smico ordenado e finito. Todas as coisas teriam um lugar&nbsp;natural, com finalidades pr\u00f3prias. Para viver bem dever-se-ia viver no lugar certo, fazendo a&nbsp;coisa certa, \u201cachar o seu lugar natural\u201d para se realizar e ser feliz, o que eles chamavam de&nbsp;\u201ceudaimonia\u201d: uma concep\u00e7\u00e3o de que a felicidade \u00e9 a finalidade da vida \u2013 vida soberana, vida&nbsp;que n\u00e3o precisa de outra para se justificar. Felicidade para os antigos advinha de uma&nbsp;disciplina do corpo e da alma. Talvez o que chamamos de felicidade hoje (consumo, viagens,&nbsp;aparecer em redes sociais) n\u00e3o deixam de ser apenas sensa\u00e7\u00f5es localizadas de prazer.&nbsp;Felicidade para os gregos antigos \u00e9 algo constante e duradouro, pois, como diz Arist\u00f3teles:&nbsp;\u201cporquanto uma andorinha n\u00e3o faz ver\u00e3o, nem um dia tampouco; e, da mesma forma, um dia&nbsp;ou um momento n\u00e3o faz um homem feliz e virtuoso\u201d. Assim, o homem feliz, ele o ser\u00e1 pela vida&nbsp;inteira.<\/p>\n<p><strong>Qual o seu pensamento a respeito das redes sociais? Elas atrapalham os seres humanos&nbsp;na busca por essa vida mais tranquila, serena e feliz?<\/strong><\/p>\n<p><strong>D. C.<\/strong>: Primeiramente \u00e9 importante dizer que a internet talvez seja uma das maiores cria\u00e7\u00f5es&nbsp;dos \u00faltimos mil\u00eanios para o bem e para o mal. N\u00e3o \u00e9 a internet e as redes sociais que s\u00e3o boas&nbsp;ou m\u00e1s em si, mas o bom ou mal uso que fizemos delas.&nbsp;Infelizmente vivemos a era \u201cfake\u201d. H\u00e1 um distanciamento significativo entre o que&nbsp;mostramos na vida virtual e o que somos na vida real. Concordo com o pensador Fernando&nbsp;Muniz, que diz que \u201cn\u00e3o \u00e9 surpresa que a era dos rostos sorridentes seja tamb\u00e9m a era dos&nbsp;antidepressivos. O sujeito depressivo animado com um sorriso no rosto \u00e9 a outra face da&nbsp;excita\u00e7\u00e3o vazia\u201d. Continua o autor: \u201c\u00c9 como o depressivo sorrir nas redes sociais (Twitter e&nbsp;Facebook) enquanto planeja em sil\u00eancio a pr\u00f3pria morte\u201d. A celebridade que \u201cum dia antes&nbsp;posta uma foto euf\u00f3rica durante a noite \u00e9 a mesma que \u00e9 encontrada enforcada com sua&nbsp;echarpe\u201d. Transparecemos e compartilhamos o que n\u00e3o somos para milhares de amigos&nbsp;virtuais e somos incapazes de termos amigos reais, vivendo mais fora do que dentro de n\u00f3s&nbsp;mesmos.<\/p>\n<p><em>Texto: Ag\u00eancia de Not\u00edcias<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ministrante de palestras sobre temas como \u00e9tica, pol\u00edtica e p\u00f3s-modernidade, o professor Dejalma&nbsp;Cremonese, do Departamento de Ci\u00eancia Sociais na UFSM, se prepara para o lan\u00e7amento de&nbsp;mais um livro em sua carreira. 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