{"id":1229,"date":"2018-03-09T17:07:18","date_gmt":"2018-03-09T20:07:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/ct\/2018\/03\/09\/professora-e-pesquisadora-do-ct-fala-dos-desafios-e-conquistas-das-mulheres-na-ciencia-e-na-sociedade\/"},"modified":"2018-03-09T17:07:18","modified_gmt":"2018-03-09T20:07:18","slug":"professora-e-pesquisadora-do-ct-fala-dos-desafios-e-conquistas-das-mulheres-na-ciencia-e-na-sociedade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/ct\/2018\/03\/09\/professora-e-pesquisadora-do-ct-fala-dos-desafios-e-conquistas-das-mulheres-na-ciencia-e-na-sociedade","title":{"rendered":"Professora e pesquisadora do CT fala dos desafios e conquistas das mulheres na ci\u00eancia e na sociedade"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: 10pt;\">A ci&ecirc;ncia &eacute; pilar central para a evolu&ccedil;&atilde;o social e tecnol&oacute;gica de toda a humanidade. As mulheres, que por muito tempo foram mantidas longe do meio cient&iacute;fico, v&ecirc;m garantindo, aos poucos, espa&ccedil;o de destaque em importantes pesquisas desenvolvidas no mundo &ndash; e na UFSM n&atilde;o &eacute; diferente. Um exemplo disso &eacute; a professora Luciane Canha, do Departamento de Eletromec&acirc;nica e Sistemas de Pot&ecirc;ncia, da Engenharia El&eacute;trica.&nbsp;<a href=\"http:\/\/coral.ufsm.br\/arco\/sitenovo\/?p=3019\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ela &eacute; uma das 13 pesquisadoras da Universidade que alcan&ccedil;aram o n&iacute;vel 1 de Produtividade em Pesquisa (PQ)<\/a>, segundo o Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico (CNPq). Conhe&ccedil;a, na entrevista a seguir, o caminho trilhado pela docente, os desafios enfrentados por ela em um ambiente historicamente masculino como o Centro de Tecnologia, e como ela percebe a inser&ccedil;&atilde;o das mulheres no mundo cient&iacute;fico.<\/span><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/coral.ufsm.br\/arco\/sitenovo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/UFSM.2018.003.009.RA-2-1024x683.jpg\" alt=\"\" height=\"630\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"font-size: 10pt;\">Qual foi o seu primeiro incentivo para trabalhar na ci&ecirc;ncia e como voc&ecirc; chegou ao cargo que ocupa hoje?<\/span><\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">LUCIANE:&nbsp;Sempre pensei em trabalhar com Engenharia El&eacute;trica por gostar de matem&aacute;tica e f&iacute;sica. Na minha fam&iacute;lia, nunca houve preconceito em rela&ccedil;&atilde;o a isso. Eu era aconselhada a fazer o que eu achasse melhor e sempre tive apoio, o que me ajudou e incentivou bastante.&nbsp;Entrei na UFSM como professora de Engenharia El&eacute;trica em 1997, na &eacute;poca somente com mestrado. Conclu&iacute; o doutorado em 2004, imediatamente assumindo como orientadora de alunos da p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o. A partir disso, desenvolvemos uma linha de pesquisa que at&eacute; ent&atilde;o n&atilde;o vinha sendo explorada, na &aacute;rea de sistemas el&eacute;tricos de pot&ecirc;ncia, a qual abrange distribui&ccedil;&atilde;o, gera&ccedil;&atilde;o e transmiss&atilde;o de energia el&eacute;trica. Cerca de quatro anos depois, passei a ser pesquisadora &ldquo;PQ2&rdquo; no CNPq, e h&aacute; tr&ecirc;s anos passei para a categoria &ldquo;1D&rdquo;, sempre desenvolvendo pesquisas na &aacute;rea de energias renov&aacute;veis, gera&ccedil;&atilde;o distribu&iacute;da e redes el&eacute;tricas inteligentes.<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"font-size: 10pt;\">Voc&ecirc; acredita que enfrentou mais problemas na sua carreira pelo fato de voc&ecirc; ser mulher?<\/span><\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">LUCIANE:&nbsp;Acredito que sim. N&atilde;o &eacute; uma &aacute;rea f&aacute;cil de atuar sendo mulher. Na minha gera&ccedil;&atilde;o, as meninas brincavam de boneca ou de casinha, enquanto os meninos acompanhavam seus pais trocando a bateria do carro ou mexendo na instala&ccedil;&atilde;o el&eacute;trica da resid&ecirc;ncia, na pintura da casa&hellip; As meninas n&atilde;o faziam isso. Hoje as coisas est&atilde;o mudando. Eu creio que a gera&ccedil;&atilde;o da minha filha, por exemplo, vai sofrer bem menos com esse preconceito. Para mim, a exig&ecirc;ncia sobre o trabalho desempenhado pela mulher na &aacute;rea t&eacute;cnica &eacute; maior: n&oacute;s precisamos trabalhar quase em dobro para mostrarmos que sabemos fazer, pois, em geral, existem restri&ccedil;&otilde;es do tipo &ldquo;ser&aacute; que ela sabe mesmo?&rdquo;, &ldquo;ser&aacute; que ela n&atilde;o vai ficar com dor de cabe&ccedil;a e voltar para casa?&rdquo;, &ldquo;ser&aacute; que ela n&atilde;o vai ter que sair correndo para cuidar dos filhos?&rdquo;. Por outro lado, na parte de aprova&ccedil;&atilde;o de projetos de pesquisa, nunca houve nenhuma restri&ccedil;&atilde;o, j&aacute; que a licita&ccedil;&atilde;o &eacute; lisa e n&atilde;o considera o g&ecirc;nero. Eu tenho sucesso em praticamente todos os projetos que envio. Nesse caso, existe certa igualdade. J&aacute; a sala de aula tamb&eacute;m pode ser dif&iacute;cil, dependendo da condu&ccedil;&atilde;o dada. Eu comecei a dar aula aos 26 anos, em uma turma onde cerca de 90% dos alunos eram homens. &Eacute; necess&aacute;rio impor certa din&acirc;mica para que eles saibam que uma professora tem as mesmas condi&ccedil;&otilde;es de ensinar do que algu&eacute;m do sexo masculino.<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"font-size: 10pt;\">A partir da sua experi&ecirc;ncia, como &eacute; conciliar as atividades cient&iacute;ficas com as tarefas dom&eacute;sticas, que geralmente s&atilde;o atribu&iacute;das &agrave;s mulheres?<\/span><\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">LUCIANE:&nbsp;&Eacute; dif&iacute;cil. Eu tenho a sorte de ter o trabalho com o qual eu sempre sonhei. Eu trabalho com o que eu gosto e isso me motiva, mas &eacute; um desafio. Na minha &aacute;rea de pesquisa n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel desenvolver o trabalho em casa, pois eu preciso do laborat&oacute;rio e dos equipamentos, al&eacute;m de estar nas empresas. &Eacute; um grande desafio conciliar esse trabalho com a vida dom&eacute;stica. O que eu tenho &eacute; um conjunto de pessoas que me ajudam com isso. Eu e meu marido dividimos igualmente as tarefas. Temos duas filhas, e quando preciso viajar, ele fica com elas. Meus pais tamb&eacute;m me ajudam, eventualmente. Na &aacute;rea de pesquisa, para mim, o desafio &eacute; ainda maior. &Eacute; preciso dedica&ccedil;&atilde;o total a todo momento. &Eacute; necess&aacute;rio que tudo funcione bem para que as coisas deem certo.<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"font-size: 10pt;\">Como voc&ecirc; v&ecirc; o ambiente do Centro de Tecnologia com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; desigualdade de g&ecirc;nero?<\/span><\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">LUCIANE:&nbsp;Numericamente, a diferen&ccedil;a &eacute; grande. &Eacute;ramos tr&ecirc;s professoras quando eu entrei na Engenharia El&eacute;trica, em 2004, e hoje s&atilde;o quatro. Por esse lado, &eacute; bem desigual, mas percebo certa evolu&ccedil;&atilde;o. Nas salas de aula vejo bem mais meninas do que antes. A propor&ccedil;&atilde;o ainda &eacute; pequena &ndash; cerca de &frac14; dos alunos s&atilde;o meninas. Mas na quest&atilde;o de respeito, ao menos aqui no Centro de Tecnologia, eu nunca tive problemas. Ocorrem, &agrave;s vezes, situa&ccedil;&otilde;es pontuais, mas, em geral, o ambiente &eacute; bom.<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"font-size: 10pt;\">Para voc&ecirc;, a conquista da igualdade de g&ecirc;nero na ci&ecirc;ncia se dar&aacute; a curto ou a longo prazo?<\/span><\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">LUCIANE:&nbsp;A curva de evolu&ccedil;&atilde;o est&aacute; cada vez mais positiva. A gera&ccedil;&atilde;o atual oferece bem mais condi&ccedil;&otilde;es para as mulheres assumirem esse tipo de cargo. A tend&ecirc;ncia &eacute; aumentar, cada vez mais, o n&uacute;mero de mulheres na ci&ecirc;ncia.Percebo uma mudan&ccedil;a na sociedade. Estamos tentando mostrar que n&atilde;o existe diferen&ccedil;a de g&ecirc;nero. &Eacute; um momento em que a sociedade est&aacute; percebendo que as mulheres e os homens precisam dividir as tarefas dom&eacute;sticas. N&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel existirem situa&ccedil;&otilde;es do tipo &ldquo;eu n&atilde;o limpo o banheiro, porque sou homem&rdquo;, &ldquo;eu n&atilde;o troco a fralda, porque sou homem&rdquo;. &Eacute; preciso dividir as tarefas para n&atilde;o ficar pesado para nenhum dos dois. A partir disso, a sociedade vai ver que essas tarefas n&atilde;o cabem exclusivamente &agrave; mulher, e elas ser&atilde;o mais respeitadas nesse meio.<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"font-size: 10pt;\">Como incentivar as mulheres a trabalharem na ci&ecirc;ncia?<\/span><\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">LUCIANE:&nbsp;&Eacute; preciso certificar as mulheres de que elas ter&atilde;o apoio da sociedade, com sal&aacute;rios iguais, oferta de creches, ajuda da fam&iacute;lia quando necess&aacute;rio, e por a&iacute; vai. &Eacute; preciso que a sociedade mude mais do que tem mudado na quest&atilde;o de respeito, seguran&ccedil;a e condi&ccedil;&otilde;es de trabalho. A partir disso, n&atilde;o existem limites para as mulheres.<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div style=\"color: #666666; font-family: Helvetica, Arial, sans-serif; font-size: 13px;\"><span style=\"font-size: 8pt;\"><em>Rep&oacute;rter: Lucas Gutierres, do&nbsp;N&uacute;cleo de Divulga&ccedil;&atilde;o Institucional do Centro de Tecnologia da UFSM<\/em><\/span><\/div>\n<div style=\"color: #666666; font-family: Helvetica, Arial, sans-serif; font-size: 13px;\"><span style=\"font-size: 8pt;\"><em>Revis&atilde;o:&nbsp;Luciane Treulieb, editora-chefe da&nbsp;<a href=\"http:\/\/coral.ufsm.br\/arco\/sitenovo\/\" target=\"_blank\" style=\"background: 0px 0px; color: #4782b2;\">Arco UFSM &#8211; revista de jornalismo cient&iacute;fico e cultural<\/a><\/em><\/span><\/div>\n<div style=\"color: #666666; font-family: Helvetica, Arial, sans-serif; font-size: 13px;\"><span style=\"font-size: 8pt;\"><em>Fotografias: Rafael Happke<\/em><\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ci&ecirc;ncia &eacute; pilar central para a evolu&ccedil;&atilde;o social e tecnol&oacute;gica de toda a humanidade. 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