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Uma homenagem ao professor João Paulo Vizzoto



“O COLÉGIO INDUSTRIAL É A MINHA CASA” 

Esta foi a primeira frase do professor João Paulo Vizzoto em uma entrevista em outubro de 2016 em que foi convidado a falar de sua trajetória no CTISM. Já aposentado, o professor Vizzoto, como era carinhosamente conhecido, me encantou pela sua história entrelaçada a do CTISM. Conhecia cada detalhe e demonstrava grande amor pelo nosso Colégio. Gostaria de deixar aqui nossa homenagem a este professor que dedicou a maior parte da sua vida ao CTISM. Obrigada professor, vá com Deus e continue olhando para sua grande família: CTISM.

A seguir trechos da entrevista que o professor Vizzoto concedeu pela passagem das comemorações do cinquentenário do colégio: 

Sua história e o CTISM 

“Eu considero o Colégio Industrial a minha casa, porque eu vivi grande parte da minha vida aqui dentro. Comecei em março de 1970 na cadeira de Mecânica, da parte de Usinagem. Antigamente, não tínhamos uma disciplina definida. Quando faltava professor, nós o substituíamos. Depois eu assumi a cadeira de Usinagem e permaneci até o final. Trabalhei aqui até 1994. Naquela época, era permitido fazer concurso e regressar à escola. Foi o que eu fiz: passei dois anos fora, fiz concurso novamente e voltei em 1996. A partir daí foram mais 15 anos de trabalho.

Também, dei muitos cursos do PRONATEC aqui dentro da Escola, posterior à aposentadoria. Há pouco, fui convidado pelo Prof. Colusso para dar aula no EaD. Mas como exigia a assinatura de um contrato e eu sempre fui muito responsável com meus compromissos, optei por não, para poder viajar um pouco e aproveitar, enfim, a aposentadoria.

Quando começamos aqui, em 1970, a escola era bem pobre e nem orçamento tinha. Vivia em função de migalhas do curso de engenharia e do Colégio Agrícola. Na época, nem salário recebíamos, ganhávamos por hora de aula ministrada. Em 1971, fui o primeiro professor a receber salário. A gente pegou uma época difícil. Nós éramos 36 pessoas, contando os administrativos, cultura geral, cultura técnica, e todo mundo pegava junto,  todo mundo assumia, todo mundo trabalhava. Nas férias, nós vivíamos aqui dentro, nós praticamente tirávamos 1 mês de férias e o resto nós ficávamos aqui dentro. Nós éramos pau para toda obra, transportávamos laboratório de um lado para o outro, para poder instalar e poder trabalhar. Eu lembro que eu dava aula de mecânica. Eu ia nas salas das usinas mecânicas e  pedia sucata para eles, como uma mola, uma ponta de eixo… E o que acontecia? Nós trazíamos esse material e projetávamos o trabalho em função do material que nós ganhávamos. Às vezes, até vaquinha fazíamos.

E tem mais uma particularidade: nossa escola foi criada com um carinho todo especial pelo Doutor Mariano, ele gostava da escola como gostava da menina dos olhos dele. À tardinha, ele saía da reitoria e parava o carro aqui na frente, não falava com ninguém. Descia, dava uma volta aqui por dentro, caminhava, caminhava e depois voltava, pegava o carro e ia embora. Basta dizer que, depois, os filhos deles foram nossos alunos.

Com o tempo, o colégio foi evoluindo, evoluindo e, hoje, o colégio tem essa intensidade. Eu peguei fases ruins… Entretanto, veio a fase da fartura, diversos equipamentos foram adquiridos, o colégio foi crescendo e hoje é uma das escolas mais bem equipadas do Brasil.”

“Uma trajetória linda” 

Foi assim que o professor Vizzoto definiu sua trajetória no CTISM – “Eu considero uma trajetória muito linda. Apesar de começar pequena, tínhamos um crédito muito grande dentro das empresas, os alunos eram muito bem preparados, saíam e davam conta. Foi aí que o colégio começou a crescer. Eu vejo a minha trajetória aqui dentro como uma trajetória dentro de uma família, porque eu me sinto ainda muito vinculado ao colégio, já que grande parte dos professores, como o professor Luciano, o Marcelo, o Pavani, entre outros, foram meus alunos.

Então, todos passaram pela gente e temos a grata satisfação de ver como cresceram, deram-se bem e estão aí. Quer dizer que alguma coisa de bom a gente fez para que eles chegassem aí.” 

Viagens 

Professor Vizzoto relembrou as viagens com os alunos e como eram bem recebidos nas empresas – “Eu viajava muito, levando os alunos a visitas técnicas. Naquela época, tínhamos a programação de 3 a 4 viagens ao ano, inclusive visitas de uma semana inteira. Nós saíamos daqui a São Paulo, íamos a Santa Catarina e Paraná, fazendo visitas. Uma vez quando visitávamos a WEG, um dos donos nos fez o seguinte elogio:  “Tu estás de parabéns, e pode dizer lá na sua direção que todos os alunos que se formarem podem vir aqui para nossa empresa. Serão recebidos de braços abertos”.

Lembranças 

Ao lembrar das dificuldades do início do colégio o professor Vizzoto relembrou que o professor Mariano comprou uma frota de ônibus para trazer os professores – “essa era uma das dificuldades, o transporte. Não havia empresas de ônibus em Santa Maria que fizessem esse trajeto. Então ele comprou uma frota muito grande de ônibus, os quais trafegavam intensamente entre o centro de Santa Maria e Camobi.

 Professores, funcionários e alunos, todos utilizavam esse transorte. É que a universidade não era o que é hoje, não era tão grande. Para terem uma ideia, há alguns anos podia chegar a hora que chegasse que tinha estacionamento aqui na frente do colégio. Hoje, você chega aqui e não tem. O mesmo ocorre no campus inteiro.  E as obras da universidade eram um terror, porque o professor Mariano sempre se preocupou com uma coisa, edificar e não acabar, porque, não acabando, ele conseguiria verba para continuar. Esses prédios que estão aí eram sem reboco por fora, não tinha nada. Depois é que foram finalizados. Tempos atrás, eu vim receber uma medalha lá no gabinete do Vice-Reitor, no prédio da reitoria. Olhei para fora e me apavorei e disse assim: “Barbaridade, hein?”. Era o Felipe ainda o reitor, aí ele disse: “Mas tu não viu nada, tem mais de 70 prédios em construção. Só no CTISM foram 7.”

Desafios da educação profissional hoje no CTISM 

Para o professor VizzotoUns dos grandes desafios da escola e essa já era uma grande preocupação antes de eu sair, é formar técnicos que queiram trabalhar como técnicos. Então, a escola está se tornando apenas um trampolim. Naquela época, logo no início do CTISM, você não podia fazer vestibular ou curso superior se tivesse estudado aqui, eles fizeram uma cláusula lá que você tinha que ter, não lembro bem, acho que era o estágio. Para quem dá aula em laboratório, hoje, é um sofrimento quando o pessoal não quer aprender. Você quer que o aluno se dedique, que o aluno vá botar a mão na massa, que ele vá tentar fazer uma pesquisa e ver o porquê de cada coisa. Então, eu acho que esse seria um desafio muito grande de fazer com que esses alunos voltassem um pouco às bases que tínhamos uns anos atrás.”

Mensagem para os 50 anos do CTISM 

O que eu desejo é que o CTISM continue em progresso, trabalhando, fazendo o que ele vem fazendo e bem feito:  preparando esses meninos para vida com toda a dedicação. Esse é o meu maior objetivo e que eu gostaria que continuasse, vendo essa evolução do Colégio. Muitos alunos da escola são empresários lá fora. E é isso que a gente quer, que o Colégio faça isso, que venham mais empreendedores, mais alunos e que tenham sucesso na vida, porque para o professor, não existe maior pagamento do que ver o seu aluno vencendo na vida.”

Ao professor Vizzoto nossa homenagem e reconhecimento 

Lamentamos muito a partida do professor Vizzoto e registramos nossa homenagem por toda dedicação e carinho ao nosso colégio.

Em nome de todos os colegas e ex-alunos convidamos o professor Luciano Caldeira Villanova e o professor Claudio Rodrigues do Nascimento para deixar uma mensagem ao nosso querido professor Vizzoto:

 

Lamento muito a perda do Prof. Vizzotto, meu professor, meu colega e um amigo. Ele fazia parte do seleto grupo de professores que nos poucos mais de 50 anos de história do CTISM viveram-na completamente. Nosso curso de mecânica sempre manteve uma forte característica na área de fabricação mecânica em especial a área de usinagem e não tenho dúvidas de que o principal motivo para isso sempre foi a dedicação e a experiência que o professor Vizzotto depositava em seu trabalho aqui no CTISM. Mesmo com o grande crescimento da Instituição nos últimos anos, ele sempre costumava atribuir estas conquistas ao trabalho dos novos colegas que foram se agregando pelo caminho. Mas tenho certeza, que a história de fundo se apoia sobre a influência que ele, talvez mesmo sem saber, exerceu sobre cada um de nós. Receba nossa homenagem nesta triste data. Bom descanso meu amigo! 

 

Eu tive o privilégio de conviver com o Professor João Paulo Vizzotto; quando cheguei ao CTISM (1988/1989) como estagiário e profº substituto. Ele era o Vice-Diretor da Escola.

Ele foi uma pessoa simples, que estava sempre buscando a melhoria dos laboratórios, realizando manutenção dos equipamentos e preocupado com as condições da aprendizagem técnica no CTISM.

Com certeza, participou decisivamente na transformação e no engajamento de centenas de jovens e adultos no ramo da Mecânica e Eletromecânica. Foi um professor presente nos laboratórios, vibrante com o aprendizado dos estudantes nas áreas dos tornos, máquinas e ferramentas, CNCs e mais recentemente, engajado em conhecer e dominar a técnica dos novos equipamentos embarcados com a eletrônica / automação industrial.

Acredito que tenha trabalhado por mais de trinta anos no CTISM e recordo da sua alegria, já no seu retorno a docência, quando a Escola estava recebendo os equipamentos oriundos dos projetos / investimentos do REUNI e da SETEC MEC, entre 2008 e 2010, durante a expansão do Ensino Profissional e Tecnológico.

Participou de inúmeros projetos, de cursos, de visitas técnicas e viagens de estudo a centenas de empresas e industrias no RS, SC, PR e SP, acompanhando aos estudantes e repassando a experiência de docente e profissional da área de Mecânica. 

Nesta sua viagem, parte com os nossos sentimentos, rodeado da admiração e no pensamento de centenas de ex-alunos, colegas e amigos que tiveram o privilégio de conviver com o Professor Vizzotto.                                          

Entrevista realizada e organizada pela professora Mariglei Severo Maraschin



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