{"id":7579,"date":"2022-10-07T12:38:07","date_gmt":"2022-10-07T15:38:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/ctism\/?p=7579"},"modified":"2022-10-07T12:44:18","modified_gmt":"2022-10-07T15:44:18","slug":"disciplina-do-curso-de-eletronica-industrial-do-ctism-promove-encontro-entreestudantes-do-curso-e-indigenas-graduandos-em-direito-da-ufsm","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/ctism\/2022\/10\/07\/disciplina-do-curso-de-eletronica-industrial-do-ctism-promove-encontro-entreestudantes-do-curso-e-indigenas-graduandos-em-direito-da-ufsm","title":{"rendered":"Disciplina do curso de Eletr\u00f4nica Industrial do CTISM promove encontro entre estudantes do curso e ind\u00edgenas graduandos em Direito da UFSM"},"content":{"rendered":"\n<p>Conhecer, debater e refletir sobre as diversas etnias que comp\u00f5em o mosaico identit\u00e1rio brasileiro, especialmente as ind\u00edgenas, afro-brasileiras e africanas, s\u00e3o mais do que uma necessidade para compreender a diversidade cultural constitutiva de nosso pa\u00eds. Desde 2003 , e depois, em 2008, leis foram criadas e ampliadas (Leis n\u00ba 10.639\/2003 e n\u00ba 11.645\/2008, respectivamente) para que a hist\u00f3ria e cultura desses povos sejam alvo de estudos na educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica.<\/p>\n<p>Mais recentemente, o Parecer n\u00ba 14\/2015, da Conselheira e Relatora ind\u00edgena da etnia Potiguara, Rita do Nascimento, estabelece que o ensino da hist\u00f3ria e cultura dos povos ind\u00edgenas, africanos e afro-brasileiros deva ser realizado em todas as modalidades de educa\u00e7\u00e3o, o que inclui o ensino superior. Nessa modalidade de ensino, a disciplina Aspectos Gerais da Cultura Africana, Afro- brasileira e Ind\u00edgena tem sido ofertada como uma Disciplina Complementar de Gradua\u00e7\u00e3o no Curso Superior de Tecnologia em Eletr\u00f4nica Industrial do CTISM.<\/p>\n<p>Desde 2018, a disciplina tem buscado oportunizar a seus estudantes a possibilidade n\u00e3o apenas de conhecer e refletir sobre a hist\u00f3ria, a cultura e as valorosas contribui\u00e7\u00f5es desses povos para a constru\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, mas tamb\u00e9m de problematizar representa\u00e7\u00f5es hegem\u00f4nicas que s\u00e3o difundidas sobre os diferentes grupos \u00e9tnicos estudados.<\/p>\n<p>S\u00e3o representa\u00e7\u00f5es que negam ou omitem as diferen\u00e7as socioculturais entre as diversas etnias ind\u00edgenas, por exemplo, e que geralmente constroem uma imagem de \u201c\u00edndio\u201d a partir de um vi\u00e9s romantizado ou de cunho folcl\u00f3rico somente. Essas representa\u00e7\u00f5es acabam tamb\u00e9m disfar\u00e7ando o processo de viol\u00eancia a que os povos ind\u00edgenas brasileiros t\u00eam sido submetidos e contra o qual t\u00eam lutado e resistido por 522 anos. Uma das atividades propostas pela disciplina foi a realiza\u00e7\u00e3o de um encontro com estudantes ind\u00edgenas do Curso de Direito da UFSM. Bruno Pitaguary, da etnia Pitaguary (estado do Cear\u00e1), Francinete Xakriab\u00e1 e Fabr\u00edcia Xakriab\u00e1, da etnia Xakriab\u00e1 (estado de Minas Gerais), estiveram na tarde de 04 de outubro conversando com estudantes e professoras ministrantes da disciplina sobre a hist\u00f3ria, as l\u00ednguas e cultura de suas etnias.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, compartilharam com a turma os desafios que seus povos t\u00eam enfrentado para seguir existindo a partir de suas formas particulares de se colocarem no mundo, de se relacionarem entre si e com os demais seres e elementos da natureza &#8211; formas estas, ali\u00e1s, asseguradas pela Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988.<\/p>\n<p>Os diversos desafios enfrentados por esses povos t\u00eam sido uma das motiva\u00e7\u00f5es para sua escolha pelo curso de Direito na UFSM. Bruno Pitaguary, cuja etnia, conforme explicado por ele, \u00e9 proveniente da composi\u00e7\u00e3o \u00e9tnica entre duas outras, os Potiguaras e os Tupinamb\u00e1s, \u00e9 l\u00edder ind\u00edgena jovem de seu territ\u00f3rio. Sua l\u00edngua, o Tupi, do tronco lingu\u00edstico Tupi, \u00e9 falado em seu territ\u00f3rio, que tem cerca de seis mil ind\u00edgenas. O territ\u00f3rio Xakriab\u00e1, de onde Francinete e Fabr\u00edcia Xakriab\u00e1 s\u00e3o provenientes, conta com cerca de 18 mil ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Sua l\u00edngua, infelizmente, est\u00e1 quase extinta, segundo Fabr\u00edcia. Quando os primeiros colonizadores portugueses chegaram a Pindorama (nome com o qual os Tupinamb\u00e1s se referiam ao territ\u00f3rio que viria a se chamar Brasil), havia cerca de seis milh\u00f5es de ind\u00edgenas, de diferentes na\u00e7\u00f5es, que falavam aproximadamente 1770 l\u00ednguas. De acordo com o \u00faltimo censo demogr\u00e1fico do IBGE (2010), estes hoje n\u00e3o chegam a 900 mil. S\u00e3o mais de 500 anos de luta e resist\u00eancia.<\/p>\n<p>S\u00e3o mais de 500 anos que, nas palavras do ativista ind\u00edgena Ailton Krenak, esses povos n\u00e3o fazem mais do que \u201ccair, cair, cair\u201d, mas a diferen\u00e7a \u00e9 que a queda tem se dado, ainda em suas palavras, com \u201cparaquedas coloridos\u201d, isto \u00e9, expandindo suas subjetividades, n\u00e3o aceitando a ideia de que s\u00e3o todos iguais, homog\u00eaneos, uniformizados.<\/p>\n<p>Esses tr\u00eas ind\u00edgenas afirmam vir para a universidade para aprender conosco conhecimentos que, mais tarde, ser\u00e3o fundamentais para seguirem a sua luta pela demarca\u00e7\u00e3o das terras ind\u00edgenas. Mas al\u00e9m de buscarem conhecimentos, \u00e9 importante que reconhe\u00e7amos a necessidade que n\u00f3s, n\u00e3o ind\u00edgenas, temos de aprender com eles tamb\u00e9m: o respeito \u00e0 terra, a ideia de coletividade e de solidariedade s\u00e3o exemplos de alguns dos conhecimentos e formas de (re)exist\u00eancia que precisamos e podemos aprender com eles.<\/p>\n<p>Por fim, gostar\u00edamos de registrar nosso agradecimento p\u00fablico \u00e0 (re)sist\u00eancia dos estudantes ind\u00edgenas da UFSM frente aos constantes desafios enfrentados e, especialmente, nossa gratid\u00e3o em compartilharem, durante duas horas, suas percep\u00e7\u00f5es de mundos conosco.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: center\">Foto 1: Professora Roselene Pommer (ao fundo). \u00c0 esquerda: Bruno Pitaguary, Francinete<br \/>Xakriab\u00e1, Fabr\u00edcia Xacriab\u00e1. Estudantes do curso de Eletr\u00f4nica Industrial (Vitor Toebe e Conrado Marques). Foto: Raquel Bevilaqua<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-7580 size-full\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/360\/2022\/10\/Foto-1.jpeg\" alt=\"\" width=\"1040\" height=\"780\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/360\/2022\/10\/Foto-1.jpeg 1040w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/360\/2022\/10\/Foto-1-300x225.jpeg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/360\/2022\/10\/Foto-1-1024x768.jpeg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/360\/2022\/10\/Foto-1-768x576.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 1040px) 100vw, 1040px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center\">Foto 2: \u00c0 direita: Bruno Pitaguary, Francinete Xakriab\u00e1, Fabr\u00edcia Xacriab\u00e1. Ao fundo, estudantes<br \/>do curso de Eletr\u00f4nica Industrial (Vitor Toebe e Conrado Marques) e estudante de Engenharia de<br \/>Automa\u00e7\u00e3o e Controle (Alison Medina). \u00c0 esquerda, professora Raquel Bevilaqua . Foto: Roselene Pommer<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-7581 size-full\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/360\/2022\/10\/Foto-2.jpeg\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"960\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/360\/2022\/10\/Foto-2.jpeg 1280w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/360\/2022\/10\/Foto-2-300x225.jpeg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/360\/2022\/10\/Foto-2-1024x768.jpeg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/360\/2022\/10\/Foto-2-768x576.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conhecer, debater e refletir sobre as diversas etnias que comp\u00f5em o mosaico identit\u00e1rio brasileiro, especialmente as ind\u00edgenas, afro-brasileiras e africanas, s\u00e3o mais do que uma necessidade para compreender a diversidade cultural constitutiva de nosso pa\u00eds. Desde 2003 , e depois, em 2008, leis foram criadas e ampliadas (Leis n\u00ba 10.639\/2003 e n\u00ba 11.645\/2008, respectivamente) para [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5614,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-7579","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/ctism\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7579","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/ctism\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/ctism\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/ctism\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5614"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/ctism\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7579"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/ctism\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7579\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/ctism\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7579"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/ctism\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7579"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/ctism\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7579"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}