{"id":7760,"date":"2022-11-10T13:18:35","date_gmt":"2022-11-10T16:18:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/ctism\/?p=7760"},"modified":"2022-11-10T13:18:37","modified_gmt":"2022-11-10T16:18:37","slug":"estudantes-da-ufsm-visitam-aldeia-indigena","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/ctism\/2022\/11\/10\/estudantes-da-ufsm-visitam-aldeia-indigena","title":{"rendered":"Estudantes da UFSM visitam aldeia ind\u00edgena"},"content":{"rendered":"\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Na tarde do dia 01 de novembro de 2022, estudantes dos cursos de Eletr\u00f4nica Industrial (CTISM-UFSM) e Engenharia de Controle e Automa\u00e7\u00e3o (CT-UFSM) visitaram a aldeia ind\u00edgena <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Tekoa Guaviraty Por\u00e3<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, da etnia Mbya Guarani. A visita foi parte das atividades pedag\u00f3gicas da Disciplina Complementar de Gradua\u00e7\u00e3o, Aspectos Gerais das Culturas Africana, Afro-brasileira e Ind\u00edgena, ministrada desde 2018 pela professora Roselene Pommer e, neste ano, tamb\u00e9m com a participa\u00e7\u00e3o da professora Raquel Bevilaqua.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Na ocasi\u00e3o, os estudantes puderam conhecer parte da aldeia e conversar com o ind\u00edgena Valdecir Tim\u00f3teo, que estava representando o cacique Silvio Pereira. Localizada pr\u00f3ximo ao Distrito Industrial de Santa Maria, a aldeia foi inaugurada em junho de 2012, quando foi entregue aos ind\u00edgenas o termo de posse do terreno de cerca de 118 hectares. Antes disso, os Mbya Guarani estavam acampados \u00e0s margens da BR-392 em condi\u00e7\u00f5es bastante prec\u00e1rias.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Conforme Valdecir, a aldeia \u00e9 composta por 36 fam\u00edlias que plantam diversos alimentos, como feij\u00e3o, milho e melancia. As \u00e1reas de plantio pertencem a todos os habitantes da aldeia e os alimentos s\u00e3o divididos entre as fam\u00edlias, o que salienta o senso de coletividade como um tra\u00e7o constitutivo da cultura dos povos origin\u00e1rios. Al\u00e9m do plantio de alimentos para consumo pr\u00f3prio, os ind\u00edgenas comercializam artesanatos que chegam a levar para a regi\u00e3o das Miss\u00f5es, como explica Valdecir.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Um posto de sa\u00fade e uma escola tamb\u00e9m comp\u00f5em a aldeia. A escola estadual \u00e9 bil\u00edngue, e conta com professores pertencentes ao quadro de funcion\u00e1rios do estado do RS e tr\u00eas professores ind\u00edgenas que garantem o ensino da l\u00edngua guarani, da fam\u00edlia lingu\u00edstica Tupi-Guarani. Aprender e manter a l\u00edngua \u00e9 um fator fundamental para a garantia de sobreviv\u00eancia da cultura entre as gera\u00e7\u00f5es mais novas. A situa\u00e7\u00e3o de multilinguismo n\u00e3o \u00e9 novidade para os ind\u00edgenas, j\u00e1 que muitos s\u00e3o poliglotas. Valdecir, por exemplo, tendo vivido em diferentes regi\u00f5es do Brasil e em pa\u00edses vizinhos, fala tr\u00eas l\u00ednguas, Portugu\u00eas, Espanhol e Guarani, incluindo o dialeto guarani falado na Argentina. Segundo ele, as crian\u00e7as da aldeia aprendem o guarani como l\u00edngua materna e n\u00e3o o portugu\u00eas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">De acordo com dados de 2016 do Programa Povos Ind\u00edgenas do Brasil, a popula\u00e7\u00e3o guarani habita diferentes estados brasileiros e tamb\u00e9m os pa\u00edses Argentina, Bol\u00edvia e Paraguai. Neste \u00faltimo, o guarani \u00e9 uma l\u00edngua oficial de estado, assim como o espanhol. No Brasil, embora haja munic\u00edpios que reconhecem como oficiais l\u00ednguas ind\u00edgenas (S\u00e3o Gabriel da Cachoeira, no extremo norte, \u00e9 um exemplo de oficializa\u00e7\u00e3o municipal de m\u00faltiplas l\u00ednguas ind\u00edgenas), nossa l\u00edngua oficial em termos de territ\u00f3rio nacional \u00e9 o portugu\u00eas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\"> No entanto, a Constitui\u00e7\u00e3o Federal, em seu artigo 231\u00ba, garante aos povos ind\u00edgenas o <\/span><span style=\"font-weight: 400\">respeito \u00e0 sua organiza\u00e7\u00e3o social, costumes, l\u00ednguas, cren\u00e7as e tradi\u00e7\u00f5es. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Isso significa tamb\u00e9m o reconhecimento do direito \u00e0 diferen\u00e7a. Neste sentido, foi interessante constatar como o terreno em que hoje habitam os Mbya Guarani destaca-se da paisagem circundante. Ladeando a aldeia, duas extensas lavouras de soja s\u00e3o um lembrete constante de que pensar e se relacionar com a terra de um modo diferente \u00e9 um desafio. Valdecir conta que, apesar de ter sido parte de seus costumes, a ca\u00e7a n\u00e3o tem sido mais realizada pelos membros da aldeia. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A pouca vegeta\u00e7\u00e3o que cede lugar a lavouras vizinhas tem afugentado os animais. Os escassos tatuzinhos que pela aldeia passam s\u00e3o poupados da ca\u00e7a, afirma Valdecir, que completa dizendo sentir falta do rio para poder pescar. Os Guarani viviam tamb\u00e9m da ca\u00e7a e da pesca fartas, como lembra Valdecir ao contar sobre os tempos de seu pai. Pela aldeia, passa apenas um pequeno, e quase seco, c\u00f3rrego.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em uma sociedade cujos valores, cren\u00e7as e l\u00edngua buscam impor-se hegemonicamente, a partir da l\u00f3gica de monocultura, talvez um dos maiores desafios que n\u00f3s, n\u00e3o ind\u00edgenas, precisamos enfrentar seja o de conviver e aceitar diferentes formas de ser e estar no mundo. E isso sob pena de tornarmos o planeta um lugar muito mais hostil climaticamente falando. No livro \u201cA queda do c\u00e9u\u201d, o xam\u00e3 Yanomami, Davi Kopenawa, constata: \u201cOs brancos nos chamam de ignorantes apenas porque somos gente diferente deles. Na verdade, e\u0301 o pensamento deles que se mostra curto e obscuro. Na\u0303o consegue se expandir e se elevar, porque eles querem ignorar a morte.\u201d\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A comunidade estudantil do CTISM ter\u00e1 a oportunidade de refletir sobre esses e outros desafios que s\u00e3o apontados pelas diferentes concep\u00e7\u00f5es de mundo apresentadas pelos povos origin\u00e1rios na pr\u00f3xima ter\u00e7a-feira, dia 08\/11, quando a UFSM receber\u00e1 o xam\u00e3 e l\u00edder pol\u00edtico do povo Yanomami Davi Kopenawa, bem como demais autoridades ind\u00edgenas para a confer\u00eancia principal do evento &#8220;<\/span><b>Brasil, Terra Ind\u00edgena: 522 anos de resist\u00eancia&#8221;. <\/b><span style=\"font-weight: 400\">O evento ocorrer\u00e1<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">a partir das 19h, no centro de conven\u00e7\u00f5es da UFSM.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-7761\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/360\/2022\/11\/Foto-1.jpeg\" alt=\"\" width=\"1600\" height=\"1200\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/360\/2022\/11\/Foto-1.jpeg 1600w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/360\/2022\/11\/Foto-1-300x225.jpeg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/360\/2022\/11\/Foto-1-1024x768.jpeg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/360\/2022\/11\/Foto-1-768x576.jpeg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/360\/2022\/11\/Foto-1-1536x1152.jpeg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1600px) 100vw, 1600px\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Foto 1: Professora Roselene Pommer e Valdecir Tim\u00f3teo (\u00e0 direita) e estudantes \u00e0 esquerda. Foto: Raquel Bevilaqua<\/span><\/p>\n<p><br \/><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-7762\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/360\/2022\/11\/Foto-2.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1440\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/360\/2022\/11\/Foto-2.jpg 1920w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/360\/2022\/11\/Foto-2-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/360\/2022\/11\/Foto-2-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/360\/2022\/11\/Foto-2-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/360\/2022\/11\/Foto-2-1536x1152.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Foto 2: Valdecir Tim\u00f3teo risca, no solo, o cumprimento \u201cBoa tarde\u201d em Guarani. Diferentemente da l\u00edngua portuguesa, o cumprimento tem em si um senso de coletividade expresso, como explica Valdecir, pela palavra <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Nhande<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, cujo significado mais pr\u00f3ximo seria o de \u2018n\u00f3s\u2019. Assim, o cumprimento guarani <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Nhande Ka\u2019arujo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> equivaleria a \u2018<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">n\u00f3s<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> desejamos uma boa tarde\u2019. Foto: Vitor Toebe.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na tarde do dia 01 de novembro de 2022, estudantes dos cursos de Eletr\u00f4nica Industrial (CTISM-UFSM) e Engenharia de Controle e Automa\u00e7\u00e3o (CT-UFSM) visitaram a aldeia ind\u00edgena Tekoa Guaviraty Por\u00e3, da etnia Mbya Guarani. 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