A Universidade Federal de Santa Maria Campus Frederico Westphalen (UFSM/FW) sediou o Workshop de Manejo de Plantas Forrageiras. Com o objetivo de aproximar os produtores rurais dos princípios da forragicultura, o evento foi realizado pelo Departamento de Ciências Agronômicas e Ambientais (DCAA) através do grupo de pesquisa Temas Emergentes em Zootecnia. A atividade foi organizada pelas bolsistas do Fundo de Incentivo à Extensão (FIEX) e do projeto de extensão Zootecnia em Campo, Amanda Schuch e Esther Castanho.
Importância das plantas forrageiras
Inicialmente o evento trouxe a palestra Fundamentos do Manejo das Plantas Forrageiras, ministrada pela coordenadora do projeto, Ana Carolina Klinger. Durante a conversa, a professora destacou que as plantas forrageiras devem ser percebidas como uma lavoura cultivada a ser colhida. Segundo a docente, “o uso do termo ‘colhida’ é de extrema importância por remeter diretamente à lavoura, consolidando a ideia de que esse recurso foi cultivado pelo ser humano e, consequentemente, precisa ser colhido”, tanto por animais quanto pelo homem.
Conforme demonstrado, existe uma falsa percepção de que a pastagem é um recurso de pouco valor, levando à falta de medições na propriedade e consequentemente ao desperdício e ao prejuízo financeiro. Portanto, alerta a professora, entender a forragem como um patrimônio a ser colhido de forma planejada é o primeiro passo para o sucesso da atividade no campo.
Manejo inteligente
O ponto central do debate foi o manejo prático baseado em técnicas científicas. Deixar o gado pastar em uma área muito rebaixada, no chamado “pasto rapado”, explica a pesquisadora, prejudica a capacidade de tornar a crescer da planta e dificulta a alimentação do próprio animal. Por outro lado, deixar a planta crescer demais resulta no “pasto passado”, em que o capim envelhece e perde grande parte do seu valor nutritivo.
Para melhorar o desempenho da plantação, Ana Carolina detalhou técnicas que ajudam a evitar os problemas, como o pastejo rotacionado, que consiste em dividir a pastagem em piquetes menores. Enquanto o método tradicional de deixar os animais soltos na mesma área o ano todo, conhecido como pastejo contínuo, aproveita apenas 25% do material produzido, o sistema rotacionado bem manejado pode alcançar uma eficiência de colheita de até 70%.
Produtividade e sustentabilidade no campo
No segundo momento, os cursistas visitaram a área experimental do Curso de Agronomia. Na ocasião, o professor Antônio Luis Santi ministrou a palestra Manejo do Solo e Avaliação de Forrageiras em Campo. O docente reforçou a importância das culturas forrageiras para preencher os vazios de outono e inverno, além de socializar informações dos estudos que estão em andamento no Laboratório de Agricultura de Precisão do Sul, na UFSM/FW.
O evento ainda apresentou outra alternativa para elevar a produtividade: o cultivo consorciado. Uma prática que combina diferentes espécies de forrageiras, como, gramíneas com leguminosas. Essa ação aumenta naturalmente o aporte de nitrogênio no solo, reduz a dependência de fertilizantes químicos caros, melhora a qualidade da dieta do rebanho e garante a produção de carne e leite mesmo nos períodos mais secos ou de transição entre as estações. Nesse sentido, os acadêmicos Mateus Sangiovo e Rian Mello apresentaram uma mescla de vegetais com seis espécies diferentes, dentre Gramíneas, Leguminosas e Brassicaceae [família de plantas herbáceas].
Plantas forrageiras e rotação de cultura: aliadas no cuidado do solo
Com um importante papel na segurança alimentar dos ruminantes, as plantas forrageiras também têm relevante função na preservação e saúde dos solos. Elas evitam a perda de nutrientes e processos erosivos, aumentam a matéria orgânica no entressafras e algumas espécies ainda armazenam nitrogênio para a próxima cultura.
O Workshop também destacou que a rotação de culturas com as forrageiras mantém a terra fértil e produtiva, pois atua como um sistema de recuperação natural do solo. Entre os benefícios associados à prática, está a descompactação biológica, a ciclagem de nutrientes, a quebra de pragas e de doenças e servem como uma espécie de adubo verde.
A equipe do grupo de pesquisa preparou um Caderno de Campo, para quem quiser entender mais como aplicar as técnicas. Acesse a íntegra aqui.