{"id":14295,"date":"2026-06-08T16:01:58","date_gmt":"2026-06-08T19:01:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/frederico-westphalen\/?p=14295"},"modified":"2026-06-08T16:24:30","modified_gmt":"2026-06-08T19:24:30","slug":"egressa-da-ufsm-fw-e-uma-das-pesquisadoras-que-encontrou-superbacteria-no-guaiba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/frederico-westphalen\/2026\/06\/08\/egressa-da-ufsm-fw-e-uma-das-pesquisadoras-que-encontrou-superbacteria-no-guaiba","title":{"rendered":"Egressa da UFSM\/FW \u00e9 uma das pesquisadoras que encontrou superbact\u00e9ria no Gua\u00edba"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"14295\" class=\"elementor elementor-14295\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-f1f5e55 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"f1f5e55\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-f78e54c\" data-id=\"f78e54c\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-348e01a elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"348e01a\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"image.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<figure class=\"wp-caption\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"572\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/377\/2026\/06\/08_06_gabriela_anzanello_foto_paula_mazzonetto_edit.jpg\" class=\"attachment-large size-large wp-image-14300\" alt=\"Gabriela Anzanello no campus da UFSM\/FW | Foto: Paula Mazzonetto\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/377\/2026\/06\/08_06_gabriela_anzanello_foto_paula_mazzonetto_edit.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/377\/2026\/06\/08_06_gabriela_anzanello_foto_paula_mazzonetto_edit-300x168.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/377\/2026\/06\/08_06_gabriela_anzanello_foto_paula_mazzonetto_edit-768x429.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<figcaption class=\"widget-image-caption wp-caption-text\">Gabriela Anzanello no campus da UFSM\/FW | Foto: Paula Mazzonetto<\/figcaption>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/figure>\n\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-18fba79 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"18fba79\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-51567ae\" data-id=\"51567ae\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-d6de05d elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"d6de05d\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<p>Por meio do projeto <strong>ClimaRes WaSH<\/strong> (CW), do<strong> Instituto de Pesquisas Hidr\u00e1ulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul<\/strong> (<strong>IPH<\/strong>\/<strong>UFRGS<\/strong>), em maio de 2026, pesquisadores encontraram a superbact\u00e9ria <em>Acinetobacter baumannii<\/em> em quatro pontos do Rio Gua\u00edba: nas praias do Lami e de Ipanema, pr\u00f3ximo \u00e0 foz do arroio Dil\u00favio e pr\u00f3ximo \u00e0 EBAP Menino Deus. Entre os nomes que trabalham no estudo est\u00e1 <strong>Gabriela Anzanello Rodrigues<\/strong>, egressa do curso de Engenharia Ambiental e Sanit\u00e1ria do Campus da Universidade Federal de Santa Maria em Frederico Westphalen (UFSM\/FW).<\/p>\n<p>Em conversa com a UFSM\/FW, Gabriela comentou sobre a import\u00e2ncia desse achado cient\u00edfico. \u201c<em>A. baumannii<\/em> \u00e9 uma esp\u00e9cie de grande relev\u00e2ncia cl\u00ednica, especialmente quando associada a perfis de resist\u00eancia a antimicrobianos\u201d, destaca. \u201cEncontrar essa bact\u00e9ria em ambiente aqu\u00e1tico natural refor\u00e7a um alerta sobre a necessidade de ampliar e melhorar o tratamento de efluentes como um todo\u201d, explica.<\/p>\n<p>Atualmente doutoranda no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Recursos H\u00eddricos e Saneamento Ambiental do IPH, a cientista ressalta que a superbact\u00e9ria foi listada pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) em 2024 como uma das mais perigosas do mundo por sua resist\u00eancia a diferentes tipos de antibi\u00f3ticos. \u201cTrata-se de uma bact\u00e9ria considerada priorit\u00e1ria pela OMS quando associada \u00e0 resist\u00eancia a determinados antimicrobianos\u201d, pontua. \u201cA pr\u00f3pria OMS considera <em>Acinetobacter baumannii<\/em> resistente a carbapen\u00eamicos como um pat\u00f3geno de prioridade cr\u00edtica para sa\u00fade p\u00fablica, justamente pela dificuldade de tratamento e pela necessidade de novas estrat\u00e9gias de controle e preven\u00e7\u00e3o\u201d, complementa.<\/p>\n<p>Gabriela tamb\u00e9m participa do CLIMASANO, um programa de pesquisa focado em resposta de saneamento e sa\u00fade em emerg\u00eancias clim\u00e1ticas no Rio Grande do Sul. Com a pesquisa ainda em andamento, a engenheira n\u00e3o adianta os resultados, mas j\u00e1 sinaliza sobre as primeiras impress\u00f5es. \u201cOs eventos clim\u00e1ticos extremos afetam diretamente as infraestruturas de saneamento. Chuvas intensas, enchentes e alagamentos podem sobrecarregar redes coletoras, esta\u00e7\u00f5es elevat\u00f3rias e esta\u00e7\u00f5es de tratamento de esgoto\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>Ao longo da conversa, Gabriela tamb\u00e9m comentou sobre a import\u00e2ncia das Solu\u00e7\u00f5es Baseadas na Natureza (SBN) e como esta e outras \u201csolu\u00e7\u00f5es podem ser combinadas para tornar o saneamento mais resiliente frente \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u201d. Al\u00e9m disso, evidenciou o valor gerado pelo ensino superior p\u00fablico para o interior do pa\u00eds. \u201cLevar o ensino superior de qualidade e gratuito para o interior do estado \u00e9 imprescind\u00edvel. A excel\u00eancia da UFSM\/FW e sua proximidade com o interior do estado faz com que a educa\u00e7\u00e3o superior seja acess\u00edvel a grupos que antes n\u00e3o era\u201d, finaliza.<\/p>\n<p><strong>Gabriela Anzanello Rodrigues<\/strong> \u00e9 doutoranda no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Recursos H\u00eddricos e Saneamento Ambiental (IPH\/UFRGS). Mestre pelo Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancia e Tecnologia Ambiental (UFSM) na linha de Tecnologias Aplicadas ao Meio Ambiente (2025). Graduada em Engenharia Ambiental e Sanit\u00e1ria pela UFSM\/FW (2022). Desenvolve pesquisas e projetos nas \u00e1reas de Solu\u00e7\u00f5es baseadas na Natureza e tratamento de \u00e1gua e efluentes, com foco em resist\u00eancia antimicrobiana, sistemas descentralizados, gest\u00e3o do saneamento, <em>wetlands constru\u00eddos<\/em>, entre outros.<\/p>\n<p><strong>Leia a entrevista na \u00edntegra a seguir<\/strong>:<\/p>\n<p><strong>UFSM\/FW &#8211; O que significa encontrar a <em>Acinetobacter baumannii<\/em> no Gua\u00edba? <\/strong><br \/><br \/><strong>Gabriela Anzanello \u2014<\/strong> \u00c9 um achado de grande import\u00e2ncia ambiental e sanit\u00e1ria. Embora bact\u00e9rias do g\u00eanero <em>Acinetobacter<\/em> possam ocorrer no ambiente, <em>A. baumannii<\/em> \u00e9 uma esp\u00e9cie de grande relev\u00e2ncia cl\u00ednica, especialmente quando associada a perfis de resist\u00eancia a antimicrobianos. Encontrar essa bact\u00e9ria em ambiente aqu\u00e1tico natural refor\u00e7a um alerta sobre a necessidade de ampliar e melhorar o tratamento de efluentes como um todo, pois possivelmente a rota de entrada em corpos h\u00eddricos desta e de outras bact\u00e9rias de import\u00e2ncia cl\u00ednica \u00e9 o esgoto.<\/p>\n<p><strong>UFSM\/FW \u2014 Quais perigos est\u00e3o relacionados a esta bact\u00e9ria? <\/strong><br \/><br \/><strong>Gabriela Anzanello \u2014<\/strong> A. baumannii \u00e9 uma bact\u00e9ria de grande relev\u00e2ncia cl\u00ednica porque pode causar infec\u00e7\u00f5es graves, principalmente em ambientes hospitalares e em pacientes mais vulner\u00e1veis, como pessoas internadas em UTI e imunocomprometidas, por exemplo. O grande problema \u00e9 que essa esp\u00e9cie pode apresentar resist\u00eancia a diversas classes de antimicrobianos, o que torna o tratamento das infec\u00e7\u00f5es muito mais dif\u00edcil. No caso do nosso achado, n\u00e3o queremos gerar alarme para a popula\u00e7\u00e3o, mas sim destacar [a import\u00e2ncia] de encontrar uma bact\u00e9ria desse tipo, com perfil multirresistente, em ambiente aqu\u00e1tico natural. A pr\u00f3pria OMS considera <em>Acinetobacter baumannii<\/em> resistente a carbapen\u00eamicos [antibi\u00f3ticos com o maior espectro de a\u00e7\u00e3o e pot\u00eancia dispon\u00edveis] como um pat\u00f3geno de prioridade cr\u00edtica para sa\u00fade p\u00fablica, justamente pela dificuldade de tratamento e pela necessidade de novas estrat\u00e9gias de controle e preven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>UFSM\/FW \u2014 H\u00e1 riscos de contamina\u00e7\u00e3o para a popula\u00e7\u00e3o, mesmo ap\u00f3s o tratamento da \u00e1gua? De que forma as pessoas podem ser contaminadas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Gabriela Anzanello \u2014<\/strong> Este estudo n\u00e3o avaliou \u00e1gua tratada da rede p\u00fablica, e o achado n\u00e3o indica problema de potabilidade, pois a \u00e1gua que chega nas torneiras da popula\u00e7\u00e3o passa por rigoroso processo de tratamento, que inativa as bact\u00e9rias presentes. Por outro lado, a contamina\u00e7\u00e3o dos seres humanos em \u00e1guas naturais, para diversos pat\u00f3genos, depende de uma s\u00e9rie de fatores. O recomendado \u00e9 seguir as regras de balneabilidade e evitar o contato com \u00e1guas naturais as quais n\u00e3o s\u00e3o pr\u00f3prias para banho, evitando principalmente o contato com mucosas e com aten\u00e7\u00e3o especial a pessoas imunocomprometidas ou com algum ferimento.<\/p>\n<p><strong>UFSM\/FW \u2014 Como foi a descoberta da superbact\u00e9ria?<\/strong><br \/><br \/><strong>Gabriela Anzanello \u2014<\/strong> A bact\u00e9ria n\u00e3o era exatamente o \u201calvo\u201d inicial da nossa pesquisa; ela foi encontrada durante a rotina de laborat\u00f3rio. Uma das frentes incorporadas ao projeto ClimaRes WaSH envolve o estudo de bact\u00e9rias com resist\u00eancia a antimicrobianos, que tamb\u00e9m \u00e9 tema da minha tese. No projeto, nosso objetivo \u00e9 monitorar diferentes grupos de bact\u00e9rias, principalmente aquelas de import\u00e2ncia cl\u00ednica e sanit\u00e1ria, com um foco mais amplo, buscando conhecer a popula\u00e7\u00e3o bacteriana dos 17 pontos de coleta avaliados na capital. Para nossa surpresa, al\u00e9m de diversas outras esp\u00e9cies, encontramos <em>Acinetobacter baumannii<\/em> em quatro pontos, uma bact\u00e9ria considerada priorit\u00e1ria pela OMS quando associada \u00e0 resist\u00eancia a determinados antimicrobianos.<\/p>\n<p><strong>UFSM\/FW \u2014 Qual seu papel nesta descoberta? <\/strong><br \/><br \/><strong>Gabriela Anzanello \u2014<\/strong> No meu doutorado, o foco inicial eram as bact\u00e9rias com resist\u00eancia a antimicrobianos, mas em diferentes sistemas de tratamento de esgoto no sul do Brasil. Com a aprova\u00e7\u00e3o do ClimaRes WaSH, eu e meu orientador, professor Fernando Magalh\u00e3es, que coordena tamb\u00e9m o projeto, pensamos em expandir para entender o comportamento desses microrganismos em n\u00edvel de bacia hidrogr\u00e1fica, investigando tamb\u00e9m os ambientes naturais que recebem esgoto tratado. Assim, com a parceria com o ICBS\/UFRGS, na figura da professora Ana Paula Guedes Frazzon, minha coorientadora, iniciamos as investiga\u00e7\u00f5es, com o apoio da bolsista do projeto, Daniela Figueir\u00f3. Por se tratar de um projeto amplo e pela rotina de laborat\u00f3rio ser bastante extensa, Daniela e eu trabalhamos juntas nessas an\u00e1lises, desde o preparo para a coleta at\u00e9 os testes de suscetibilidade a antimicrobianos. <br \/>UFSM\/FW \u2014 Do que se trata a pesquisa no IPH na qual voc\u00ea \u00e9 participante?<\/p>\n<p>Gabriela Anzanello \u2014 O projeto ClimaRes WaSH, que como comentei \u00e9 coordenado pelo professor Magalh\u00e3es, e tem como vice coordenador o professor Salatiel Wohlmuth, tamb\u00e9m meu coorientador, abrange diferentes frentes relacionadas \u00e0 \u00e1gua, saneamento e sa\u00fade no contexto da resili\u00eancia clim\u00e1tica. A minha atua\u00e7\u00e3o neste projeto e em outros vinculados ao IPH, como o CLIMASANO e o INCT SbN (Instituto Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia em Solu\u00e7\u00f5es baseadas na Natureza), \u00e9 monitoramento de diversas Esta\u00e7\u00f5es de Tratamento de Efluentes (ETE).<\/p>\n<p>Buscamos avaliar como as ETEs com Solu\u00e7\u00f5es baseadas na Natureza, como a ETE da CEU, na UFSM\/FW, se comparam \u00e0s ETEs de infraestrutura cinza tradicional, entendendo a din\u00e2mica entre efici\u00eancia de tratamento, fatores clim\u00e1ticos e, sobretudo, a presen\u00e7a e remo\u00e7\u00e3o de bact\u00e9rias resistentes a antibi\u00f3ticos e genes de resist\u00eancia antimicrobiana. Na pr\u00e1tica, queremos entender n\u00e3o apenas se uma esta\u00e7\u00e3o remove mat\u00e9ria org\u00e2nica, nitrog\u00eanio ou f\u00f3sforo, mas tamb\u00e9m como esses sistemas se comportam diante de contaminantes de preocupa\u00e7\u00e3o emergente, incluindo microrganismos de import\u00e2ncia cl\u00ednica e sanit\u00e1ria.<\/p>\n<p><strong>UFSM\/FW \u2014 Do que se trata o projeto ClimaRes WaSH A\u00e7\u00f5es integradoras de Gest\u00e3o, Governan\u00e7a e Solu\u00e7\u00f5es baseadas na Natureza para \u00c1gua, que voc\u00ea integra?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Gabriela Anzanello \u2014<\/strong> O ClimaRes WaSH \u00e9 um projeto voltado ao fortalecimento da resili\u00eancia clim\u00e1tica em \u00e1gua, saneamento e sa\u00fade. Ele busca integrar pesquisa, inova\u00e7\u00e3o, gest\u00e3o e governan\u00e7a para compreender os riscos associados \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e propor caminhos mais sustent\u00e1veis para o setor de saneamento. O pr\u00f3prio projeto se apresenta como uma iniciativa que une institui\u00e7\u00f5es de ensino e pesquisa, ag\u00eancias reguladoras e empresas, aproximando ci\u00eancia, gest\u00e3o p\u00fablica e setor produtivo para apoiar a\u00e7\u00f5es de adapta\u00e7\u00e3o e mitiga\u00e7\u00e3o, especialmente no contexto do Rio Grande do Sul e do Brasil.<\/p>\n<p>Trata-se de um projeto bastante amplo e interdisciplinar, que envolve diferentes institui\u00e7\u00f5es e pesquisadores. Dentro dele, o N\u00facleo UFSM\/FW tem um papel muito importante, especialmente pela atua\u00e7\u00e3o da professora Samara Decezaro e do doutor em Qu\u00edmica Bryan Menezes, que contribuem com a experi\u00eancia em saneamento, tratamento de efluentes e Solu\u00e7\u00f5es baseadas na Natureza, agora atuando com mais for\u00e7a em polimento de efluentes, buscando por meio de Processos Oxidativos Avan\u00e7ados atenuar bact\u00e9rias de import\u00e2ncia cl\u00ednica e ambiental.<\/p>\n<p>Um dos pontos que considero mais interessante do ClimaRes WaSH \u00e9 justamente a possibilidade de integrar diferentes olhares: engenharia, microbiologia, sa\u00fade p\u00fablica, mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, governan\u00e7a e gest\u00e3o. O achado da Acinetobacter baumannii entra nesse contexto, porque mostra como os ambientes aqu\u00e1ticos urbanos tamb\u00e9m precisam ser monitorados quando falamos em sa\u00fade, saneamento e clima.<\/p>\n<p><strong>UFSM\/FW \u2014 Atualmente, entre outros, voc\u00ea tamb\u00e9m participa do projeto de pesquisa da CLIMASANO, sobre a Resposta Integrada de Saneamento e Sa\u00fade em Emerg\u00eancias Clim\u00e1ticas. \u00c9 poss\u00edvel adiantar alguma estimativa\/pr\u00e9-conclus\u00e3o de que maneira os eventos clim\u00e1ticos extremos afetam \u00e0s infraestruturas de saneamento?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Gabriela Anzanello \u2014<\/strong> Ainda estamos em fase de avalia\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o \u00e9 importante ter cuidado ao falar em conclus\u00f5es definitivas. Mas o que j\u00e1 \u00e9 muito claro, tanto pela literatura quanto pela realidade observada em eventos recentes, \u00e9 que os eventos clim\u00e1ticos extremos afetam diretamente as infraestruturas de saneamento. Chuvas intensas, enchentes e alagamentos podem sobrecarregar redes coletoras, esta\u00e7\u00f5es elevat\u00f3rias e esta\u00e7\u00f5es de tratamento de esgoto.<\/p>\n<p>Esse impacto \u00e9 ainda maior em sistemas mais antigos ou em locais onde h\u00e1 contribui\u00e7\u00e3o de \u00e1gua da chuva na rede de esgoto, como os sistemas de coleta mista. Quando um sistema recebe uma vaz\u00e3o muito maior do que aquela para a qual foi projetado, o tratamento pode perder efici\u00eancia, pode haver extravasamento de esgoto, dilui\u00e7\u00e3o excessiva do efluente e at\u00e9 interrup\u00e7\u00e3o operacional. Isso aumenta o risco de lan\u00e7amento de carga org\u00e2nica, nutrientes, microrganismos e contaminantes em corpos h\u00eddricos. N\u00f3s percebemos isso com muita clareza durante as enchentes de 2024.<\/p>\n<p>Algo interessante \u00e9 comparar os diferentes tipos de infraestrutura. As infraestruturas cinzas tradicionais s\u00e3o de extrema import\u00e2ncia no Brasil, sem d\u00favidas, mas muitas vezes s\u00e3o mais r\u00edgidas e dependem fortemente de bombeamento, energia e controle operacional. J\u00e1 as Solu\u00e7\u00f5es Baseadas na Natureza, como wetlands constru\u00eddos [sistemas alagados constru\u00eddos s\u00e3o esta\u00e7\u00f5es de tratamento ecol\u00f3gicas que simulam ecossistemas de brejos naturais para purificar \u00e1guas e efluentes], podem oferecer maior capacidade de amortecimento, reten\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o, desde que sejam bem projetadas e bem operadas. Vimos isso nos eventos de 2024, em que algumas ETEs com SbN monitoradas pelo grupo ficaram totalmente submersas, mas logo que o n\u00edvel da \u00e1gua baixou, voltaram a operar normalmente. N\u00e3o se trata de dizer que uma substitui completamente a outra, mas sim de entender como essas solu\u00e7\u00f5es podem ser combinadas para tornar o saneamento mais resiliente frente \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p><strong>UFSM\/FW \u2014 Quando e onde voc\u00ea come\u00e7ou a pesquisar o tratamento de efluentes e o saneamento? De onde surgiu seu interesse por esse tema?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Gabriela Anzanello \u2014<\/strong> Quando eu ingressei no curso de Engenharia Ambiental e Sanit\u00e1ria na UFSM\/FW, meu foco era claro: usar minha profiss\u00e3o para melhorar a qualidade de vida das pessoas. Com o passar do tempo e com a participa\u00e7\u00e3o de projetos como Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica, comecei a trabalhar com a professora Samara Decezaro e com o professor Raphael Medeiros, que agora est\u00e1 na UTFPR. Foram estes dois professores que me apresentaram o mundo do saneamento e tomei muito gosto principalmente pelo tratamento de efluentes, que ainda \u00e9 uma grande lacuna no nosso pa\u00eds. J\u00e1 faz oito anos que iniciei na pesquisa voltada \u00e0 otimiza\u00e7\u00e3o de sistemas de tratamento, sobretudo \u00e0s SbN para Tratamento de Efluentes e desde o mestrado esta abordagem mais ampla, focada nas rela\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e temas de preocupa\u00e7\u00e3o emergente, como a resist\u00eancia antimicrobiana.<\/p>\n<p><strong>UFSM\/FW \u2014 Voc\u00ea se formou em uma universidade interiorizada, a UFSM no campus de Frederico Westphalen. Na sua avalia\u00e7\u00e3o, qual a import\u00e2ncia dessas institui\u00e7\u00f5es no interior do Brasil? De que forma elas contribuem para o desenvolvimento de pesquisas que ajudam a solucionar problemas complexos?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Gabriela Anzanello \u2014<\/strong> Sempre digo para todos que a UFSM em Frederico Westphalen mudou minha vida. Mesmo vindo da segunda maior cidade do estado, estudar no interior foi uma experi\u00eancia muito enriquecedora, que abriu muitos horizontes. Levar o ensino superior de qualidade e gratuito para o interior do estado \u00e9 imprescind\u00edvel. A excel\u00eancia da UFSM\/FW e sua proximidade com o interior do estado faz com que a educa\u00e7\u00e3o superior seja acess\u00edvel a grupos que antes n\u00e3o eram. Por estar inserida no dia a dia da regi\u00e3o, a UFSM\/FW consegue entender quais s\u00e3o as demandas locais, desenvolvendo pesquisa de ponta para necessidades espec\u00edficas.<\/p>\n<p><strong>UFSM\/FW \u2014 Deseja acrescentar algo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Gabriela Anzanello \u2014<\/strong> Gostaria de agradecer aos \u00f3rg\u00e3os de fomento, em especial \u00e0 FAPERGS, ao CNPq e \u00e0 CAPES, que tornam poss\u00edvel a realiza\u00e7\u00e3o de pesquisas como esta. Tamb\u00e9m agrade\u00e7o a todo o time de professores, pesquisadores e bolsistas do ClimaRes WaSH e do NESA, grupo de estudos do qual fa\u00e7o parte no IPH\/UFRGS. E deixo o convite para que acompanhem nossas redes sociais: @nesa_ufrgs, @climareswashbrasil e @inctsbn.<\/p>\n<p>Por: Cristina Guerini<br \/>Foto em destaque: Pixabay\/CC<\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gabriela Anzanello esteve no Campus e comentou sobre a amostra coletada em Porto Alegre, que se mostrou imune a 14 antibi\u00f3ticos e \u00e9 considerada super perigosa pela OMS<\/p>\n","protected":false},"author":9646,"featured_media":14297,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[202,196,1],"tags":[345,339,334,342,335,347,343,344,340,338,346,216,336],"class_list":["post-14295","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque","category-destaques","category-noticias","tag-antibiotico","tag-bacteria","tag-climares-wash","tag-guaiba","tag-iph","tag-poluicao-de-agua","tag-porto-alegre","tag-reisatencia-antimicrobiana","tag-resistencia-a-antibiooticos","tag-super-bacteria","tag-tratamento-de-agua","tag-ufsm-fw","tag-urfgs"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/frederico-westphalen\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14295","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/frederico-westphalen\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/frederico-westphalen\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/frederico-westphalen\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9646"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/frederico-westphalen\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14295"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/frederico-westphalen\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14295\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/frederico-westphalen\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14297"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/frederico-westphalen\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14295"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/frederico-westphalen\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14295"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/frederico-westphalen\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14295"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}