{"id":4449,"date":"2026-07-06T13:31:53","date_gmt":"2026-07-06T16:31:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/ipeamarelo\/?p=4449"},"modified":"2026-07-06T13:33:18","modified_gmt":"2026-07-06T16:33:18","slug":"um-tempo-de-espera-um-tempo-de-infancia-extensao-universitaria-que-acolhe-brinca-humaniza-e-transforma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/ipeamarelo\/2026\/07\/06\/um-tempo-de-espera-um-tempo-de-infancia-extensao-universitaria-que-acolhe-brinca-humaniza-e-transforma","title":{"rendered":"Um tempo de espera, um tempo de inf\u00e2ncia: extens\u00e3o universit\u00e1ria que acolhe, brinca, humaniza e transforma"},"content":{"rendered":"\n<p><span style=\"font-weight: 400\"><br \/>Na manh\u00e3 gelada do quarto s\u00e1bado de junho,\u00a0 da Penitenci\u00e1ria Estadual de Santa Maria (PESM), sob um c\u00e9u inicialmente nublado, o frio foi sendo suavizado pela presen\u00e7a curiosa das crian\u00e7as, pelos olhares atentos e pelas descobertas compartilhadas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Realizada mensalmente durante o hor\u00e1rio de visita de crian\u00e7as a seus familiares privados de liberdade, essa a\u00e7\u00e3o \u00e9 idealizada pelo Observat\u00f3rio de Direitos Humanos (ODH\/UFSM) e reafirma o compromisso da universidade com a defesa dos direitos das crian\u00e7as.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00c9 nesse contexto que, mensalmente, durante o hor\u00e1rio de visita de crian\u00e7as a seus familiares privados de liberdade na Penitenci\u00e1ria Estadual de Santa Maria (PESM), acontece uma a\u00e7\u00e3o idealizada pelo Observat\u00f3rio de Direitos Humanos da Universidade Federal de Santa Maria (ODH\/UFSM). Mais do que uma a\u00e7\u00e3o extensionista, trata-se de um compromisso \u00e9tico da universidade com a promo\u00e7\u00e3o dos direitos das crian\u00e7as, com a defesa da dignidade humana e com a constru\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas que reconhecem as inf\u00e2ncias em sua pot\u00eancia, sensibilidade e capacidade de produzir cultura.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ao longo dos meses, aquele espa\u00e7o de espera deixou de ser apenas um local de passagem. Tornou-se um territ\u00f3rio de inf\u00e2ncia. Um lugar onde o tempo ganha outro significado, onde a ansiedade da espera \u00e9 delicadamente atravessada pelo brincar, pela literatura, pela imagina\u00e7\u00e3o, pela arte e pelas rela\u00e7\u00f5es que se constroem entre crian\u00e7as, entre crian\u00e7as e extensionistas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Essa a\u00e7\u00e3o \u00e9 fortalecida pelo envolvimento de projetos de extens\u00e3o fomentados ou incentivados pelo ODH, entre eles Experi\u00eancias Liter\u00e1rias com Beb\u00eas e Crian\u00e7as Bem Pequenas, desenvolvido pela Unidade de Educa\u00e7\u00e3o Ip\u00ea Amarelo (UEIA)com apoio do FIEX, e Materiais que se Transformam em Brinquedos, tamb\u00e9m vinculado \u00e0 Unidade e apoiado pelo Observat\u00f3rio. Juntos, os projetos constroem experi\u00eancias que reconhecem o brincar como linguagem, a literatura como direito e a escuta das crian\u00e7as como princ\u00edpio educativo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Durante aproximadamente tr\u00eas horas, beb\u00eas, crian\u00e7as bem pequenas, crian\u00e7as e adolescentes encontram um ambiente cuidadosamente preparado para acolh\u00ea-los em sua integralidade.\u00a0 N\u00e3o se trata apenas de oferecer atividades para ocupar o tempo. Trata-se de reconhecer que aquele tempo tamb\u00e9m lhes pertence e que a inf\u00e2ncia n\u00e3o pode ser suspensa, mesmo quando atravessada por contextos de grande complexidade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">As aprendizagens acontecem em gestos aparentemente simples, mas profundamente significativos. Surgem nas hip\u00f3teses constru\u00eddas durante as brincadeiras, no olhar curioso que investiga cada material, nas m\u00e3os pequenas que exploram o brilho e o som do celofane, nos rostos que ganham novos personagens por meio da pintura facial e nas in\u00fameras possibilidades criadas com blocos de madeira, canos de PVC, cilindros e outros materiais naturais e de largo alcance.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Cada material disponibilizado carrega um convite silencioso para explorar o mundo. As m\u00e3os pequenas deslizam pelo brilho e pela textura do celofane, observam a transpar\u00eancia das cores, experimentam sons e movimentos. Os canos de PVC deixam de ser apenas tubos e transformam-se em\u00a0 pontes, t\u00faneis ou instrumentos musicais. Os blocos de madeira tornam-se casas,\u00a0 estradas e mundos imagin\u00e1rios. As materialidade ganham novas fun\u00e7\u00f5es a cada olhar infantil, despertam hip\u00f3teses, perguntas e narrativas que somente as crian\u00e7as s\u00e3o capazes de inventar.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Tamb\u00e9m h\u00e1 espa\u00e7o para as hist\u00f3rias compartilhadas, para a pintura facial que transforma rostos em personagens, para os livros que circulam de colo em colo e para os di\u00e1logos que nascem espontaneamente entre uma brincadeira e outra. S\u00e3o pequenos acontecimentos que revelam a pot\u00eancia da inf\u00e2ncia e a extraordin\u00e1ria capacidade das crian\u00e7as de reinventarem os espa\u00e7os que habitam.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ali, a espera deixa de ser apenas espera. Ela se converte em experi\u00eancia. Em possibilidade. Em encontro. Mais do que oferecer materialidades, esse espa\u00e7o reafirma a dignidade das inf\u00e2ncias. Reconhece beb\u00eas e crian\u00e7as como sujeitos de direitos, produtores de cultura, capazes de interpretar o mundo, construir conhecimentos, estabelecer v\u00ednculos, criar hip\u00f3teses, elaborar sentimentos e atribuir novos significados \u00e0s experi\u00eancias que vivem.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A cada encontro, tamb\u00e9m os adultos s\u00e3o transformados. Quem participa da a\u00e7\u00e3o extensionista aprende que acolher uma inf\u00e2ncia \u00e9 muito mais do que organizar materiais ou propor brincadeiras. \u00c9 disponibilizar presen\u00e7a. \u00c9 oferecer tempo. \u00c9 olhar nos olhos, escutar com sensibilidade e compreender que cada sorriso, cada gesto, cada sil\u00eancio e cada descoberta carregam hist\u00f3rias que merecem respeito.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00c9 imposs\u00edvel permanecer o mesmo depois de testemunhar o brilho nos olhos de uma crian\u00e7a ao encontrar um livro que desperta sua curiosidade, ao observar a delicadeza com que m\u00e3os pequenas transformam objetos simples em brinquedos ou ao perceber que, por algumas horas, aquele espa\u00e7o deixa de ser marcado pela espera e passa a ser ocupado pela alegria de ser crian\u00e7a. O sorriso espont\u00e2neo diante de uma hist\u00f3ria compartilhada ou a delicadeza de m\u00e3os pequenas que, ao tocar um objeto, parecem reinventar n\u00e3o apenas aquele material, mas tamb\u00e9m o pr\u00f3prio mundo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Talvez seja essa uma das maiores contribui\u00e7\u00f5es da extens\u00e3o universit\u00e1ria: construir pontes entre a universidade e a comunidade, aproximando o conhecimento acad\u00eamico das realidades sociais e produzindo experi\u00eancias que transformam a todos os envolvidos. N\u00e3o apenas porque ensinam, mas porque sensibilizam; aprendem com as hist\u00f3rias, os afetos e as formas de existir de cada crian\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Estar com as inf\u00e2ncias na PESM \u00e9 reafirmar, a cada encontro, que o direito de brincar, imaginar, criar, ler, explorar e ser acolhido n\u00e3o conhece muros. \u00c9 reconhecer que toda crian\u00e7a merece viver experi\u00eancias de cuidado, pertencimento e dignidade, independentemente do contexto em que se encontre. Porque a inf\u00e2ncia continua existindo mesmo nos lugares de espera. E quando encontra adultos dispostos a acolh\u00ea-la com respeito, sensibilidade e compromisso, transforma n\u00e3o apenas o tempo, mas tamb\u00e9m as pessoas e os espa\u00e7os que habita.<\/span><\/p>\n\n\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"217\" height=\"292\" data-id=\"4452\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/359\/2026\/07\/Carrossel-Noticia-4.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4452\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"302\" height=\"302\" data-id=\"4456\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/359\/2026\/07\/Carrossel-Noticia-3-edited.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4456\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/359\/2026\/07\/Carrossel-Noticia-3-edited.jpeg 302w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/359\/2026\/07\/Carrossel-Noticia-3-edited-300x300.jpeg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/359\/2026\/07\/Carrossel-Noticia-3-edited-150x150.jpeg 150w\" sizes=\"(max-width: 302px) 100vw, 302px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"427\" height=\"272\" data-id=\"4454\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/359\/2026\/07\/Carrossel-Noticia-2.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4454\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/359\/2026\/07\/Carrossel-Noticia-2.jpeg 427w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/359\/2026\/07\/Carrossel-Noticia-2-300x191.jpeg 300w\" sizes=\"(max-width: 427px) 100vw, 427px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"509\" height=\"267\" data-id=\"4455\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/359\/2026\/07\/Carrossel-Noticia-1.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4455\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/359\/2026\/07\/Carrossel-Noticia-1.jpeg 509w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/359\/2026\/07\/Carrossel-Noticia-1-300x157.jpeg 300w\" sizes=\"(max-width: 509px) 100vw, 509px\" \/><\/figure>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><b>Fonte das imagens:<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> Acervo dos projetos de extens\u00e3o Experi\u00eancias Liter\u00e1rias com Beb\u00eas e Crian\u00e7as bem pequenas (FIEX\/UFSM) e Materiais que se Transformam em Brinquedos (ODH\/UFSM).<\/span><\/p>\n\n\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na manh\u00e3 gelada do quarto s\u00e1bado de junho,\u00a0 da Penitenci\u00e1ria Estadual de Santa Maria (PESM), sob um c\u00e9u inicialmente nublado, o frio foi sendo suavizado pela presen\u00e7a curiosa das crian\u00e7as, pelos olhares atentos e pelas descobertas compartilhadas. 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