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Alunas do curso de Gestão Ambiental do Politécnico participam de Conferência Internacional sobre Interpretação, no Rio de Janeiro



Imagem: ICMBio.

Promovido pela Associação Nacional de Interpretação dos Estados Unidos (NAI), organização sem fins lucrativos que conta com apoiadores dos Estados Unidos, Canadá e mais de trinta outros países, a Conferência Internacional sobre Interpretação foi realizada pela primeira vez na América do Sul entre os dias 20 e 24 de maio. O evento ocorreu no Rio de Janeiro, reunindo organizações e profissionais em torno do tema “Agir Localmente, Conectar Globalmente”. A NAI descreve a interpretação ambiental como “um processo de comunicação baseado na missão de estabelecer conexões emocionais e intelectuais entre os interesses do público e os significados inerentes ao recurso”. Ou seja, trata-se da conexão afetiva entre pessoas e recursos naturais, pautada em uma sensibilização perante o patrimônio como uma técnica de preservação.

As alunas Carolina Barbieri e Stefania da Silva Gorski, do curso de Gestão Ambiental do Colégio Politécnico, participaram da edição de 2019 da Conferência Internacional sobre Interpretação com o trabalho “Reservas Privadas e a valorização dos sabores da Floresta do Sul do Brasil”. As estudantes fazem parte do Núcleo de Estudos em Áreas Protegidas (NEAP) da Universidade Federal de Santa Maria, formado por acadêmicos de graduação dos cursos de Engenharia Florestal e Gestão Ambiental da UFSM, com coordenação da Professora Doutora Suzane Bevilaqcua Marcuzzo. Um dos objetivos do NEAP é o incentivo à criação das Reservas Particulares de Patrimônio Natural (RPPNs), tema que embasou o trabalho apresentado pelas alunas durante a Conferência. Carolina e Stefania explicam que o enfoque da pesquisa se deu em compreender de que forma poderiam incentivar pequenos proprietários a implementarem a RPPN e explorarem os chamados Sabores da Floresta das suas próprias propriedades.

Foto: NEAP.

Durante a apresentação do trabalho, as alunas explicaram a relação entre a agropecuária e o intenso plantio da soja do estado e os pequenos fragmentos florestais que ainda podem ser encontrados no Rio Grande do Sul. O objetivo da pesquisa se dá, então, em estimular os produtores a preservarem e valorizarem esses pequenos fragmentos de floresta em pé através da adoção da RPPN, uma vez que essa categoria de unidade de preservação é de caráter privado, dependendo da iniciativa dos donos das áreas.

Como forma de estabelecer um contato com esses pequenos produtores, as estudantes estabeleceram como estratégia a apresentação dos sabores da floresta, iniciativa baseada na criação de produtos a partir de frutíferas nativas. Durante o evento, Stefania e Carolina demonstraram algumas dessas frutíferas e suas propriedades medicinais, como a uvaia, a gabiroba, o jaracatiá, a aroeira vermelha e a bananinha-do-mato. Algumas dessas frutíferas nativas foram exploradas durante um dia de oficinas realizado anteriormente em São João do Polêsine, na Casa de Retiros Nossa Senhora de Lourdes. No EcoCaFé, como foi chamada a atividade, foram apresentados diferentes tipos de biscoitos, geleias, queijos, sucos e outros produtos feitos a partir das frutíferas – que podem se tornar uma fonte de renda para pequenos agricultores também in natura.

O evento serviu de base, ainda, para a criação do livro de receitas “Ricettario: Cozinhando e valorizando os sabores da floresta”, disponível para download na página do NEAP no Facebook. Uma das dicas de receita do livro, o biscoito de aroeira vermelha (também conhecida como pimenta-rosa), foi levado para a Conferência Internacional sobre Interpretação para degustações. Desse modo, as alunas puderam demonstrar na prática como os sabores da floresta podem ser melhor utilizados.

Foto: NEAP.

“A gente tem muita coisa que acaba não sendo valorizada, das quais os pequenos produtores podem se beneficiar. Eles acabam tendo que ter uma outra fonte de renda, então é importante nós levarmos esse conhecimento até eles”, comenta Carolina. “Se em outros estados existe essa valorização do produto nativo, como na Amazônia, por exemplo, em que eles fazem plantações de castanha e outras coisas da floresta nativa, por que não trazer isso pro Rio Grande do Sul, se existe todo esse potencial? As pessoas vêm de fora para estudar o que a gente tem e valorizar o que é nosso”, complementa Stefania.



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