{"id":10846,"date":"2025-12-05T10:51:56","date_gmt":"2025-12-05T13:51:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/politecnico\/?p=10846"},"modified":"2025-12-05T10:51:57","modified_gmt":"2025-12-05T13:51:57","slug":"polifeira-e-tema-de-tese-de-doutorado-sobre-direito-a-nao-agrointoxicacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/politecnico\/2025\/12\/05\/polifeira-e-tema-de-tese-de-doutorado-sobre-direito-a-nao-agrointoxicacao","title":{"rendered":"PoliFeira \u00e9 tema de tese de doutorado sobre direito a n\u00e3o agrointoxica\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p>Ap\u00f3s anos como frequentadora ass\u00eddua da feira, a advogada Francieli Izolani defendeu sua tese de doutorado sobre o direito \u00e0 n\u00e3o agrointoxica\u00e7\u00e3o e \u00e0 soberania alimentar tendo a PoliFeira do Agricultor, projeto de extens\u00e3o da Universidade Federal de Santa Maria, como principal objeto de estudo.<\/p>\n<p>A atual doutora, titulada pela Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Miss\u00f5es, transformou o v\u00ednculo em uma pesquisa que investiga as potencialidades da PoliFeira como um exemplo aplicado da Teoria do Comunitarismo Responsivo no Brasil. O estudo ainda analisa como a iniciativa contribui para a concretiza\u00e7\u00e3o do direito \u00e0 soberania alimentar, ao mesmo tempo em que amplia a renda dos agricultores e oferece alternativas ao uso de agrot\u00f3xicos.<\/p>\n<p>Na entrevista abaixo, Francieli explica os principais achados do estudo e comenta sobre os desafios enfrentados no processo, entre outros pontos.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:50px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery aligncenter has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"390\" height=\"441\" data-id=\"10848\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/405\/2025\/12\/02.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-10848\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/405\/2025\/12\/02.jpg 390w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/405\/2025\/12\/02-265x300.jpg 265w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"390\" height=\"441\" data-id=\"10847\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/405\/2025\/12\/01.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-10847\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/405\/2025\/12\/01.jpg 390w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/405\/2025\/12\/01-265x300.jpg 265w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Franciele durante o per\u00edodo de entrevista com os feirantes da PoliFeira<\/figcaption><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:50px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><em>Leia abaixo os principais trechos da entrevista: <\/em><\/p>\n<p><strong>POLIFEIRA DO AGRICULTOR &#8211; Como surgiu a ideia de fazer uma pesquisa sobre a PoliFeira?<\/strong><\/p>\n<p><strong>FRANCIELI IZOLANI<\/strong> <strong>&#8211;<\/strong> A ideia de pesquisar a PoliFeira surgiu da minha pr\u00f3pria experi\u00eancia como frequentadora. Eu me considero uma polif\u00e3, eu morei em Santa Maria at\u00e9 a metade deste ano, e acompanho a feira quase desde o in\u00edcio. Assim que ouvi falar da PoliFeira, comecei a frequentar e me encantei com o projeto.<\/p>\n<p>Em 2019, quando iniciei o mestrado na UFSM, eu j\u00e1 tinha o desejo de transformar esse v\u00ednculo em pesquisa. Eu queria divulgar a PoliFeira e relacion\u00e1-la ao direito \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o, \u00e0 sociobiodiversidade, \u00e0 seguran\u00e7a e \u00e0 soberania alimentar, temas que ultrapassam o campo jur\u00eddico, mas que dialogam com ele de forma muito profunda.<\/p>\n<p>Sempre achei extraordin\u00e1rio ver um projeto de extens\u00e3o unir universidade e comunidade, exatamente como se espera do ensino p\u00fablico. Foi dessa combina\u00e7\u00e3o entre viv\u00eancia pessoal e interesse acad\u00eamico que nasceu a vontade de estudar a feira de forma mais aprofundada.<\/p>\n<p><strong>POLIFEIRA DO AGRICULTOR &#8211; E como foi o processo da realiza\u00e7\u00e3o da tua pesquisa?<\/strong><\/p>\n<p><strong>FRANCIELI &#8211; <\/strong>Quando cheguei ao mestrado, eu tinha muita vontade de fazer uma pesquisa de campo sobre a PoliFeira. Mas, com a pandemia, tudo ficou mais dif\u00edcil e precisei mudar os rumos: na disserta\u00e7\u00e3o, acabei mencionando a PoliFeira apenas de forma mais documental, sem conseguir aprofundar. Ent\u00e3o, quando comecei o doutorado, j\u00e1 decidi que agora a pesquisa de campo iria acontecer. Conversei com o professor Gustavo e com o Cristiano, que apoiaram totalmente a ideia, e como eu j\u00e1 tinha um contato direto com os agricultores, tudo se encaixou.<\/p>\n<p>A coleta de dados aconteceu nos dias e turnos em que a Polifeira funcionava, na Roraima e no campus, ao lado do Planet\u00e1rio durante cerca de tr\u00eas ou quatro semanas. Mesmo assim, ainda tivemos outro desafio: as enchentes. Muitos agricultores perderam tudo, ent\u00e3o foi um momento complicado. Minha vontade era tamb\u00e9m ir at\u00e9 os locais de plantio para entender mais profundamente o processo deles, mas isso n\u00e3o foi poss\u00edvel por causa dos estragos. No final da pesquisa, o seu Andr\u00e9 que \u00e9 um dos agricultores que encabe\u00e7ou o movimento junto com o professor Gustavo at\u00e9 me convidou para ir \u00e0 propriedade dele, porque ele j\u00e1 estava retomando o plantio. Mas essa etapa acabou n\u00e3o entrando na pesquisa como eu havia planejado.<\/p>\n<p><strong>POLIFEIRA DO AGRICULTOR &#8211; O que \u00e9 a teoria do comunitarismo responsivo e como voc\u00ea usou ela na sua pesquisa?<\/strong><\/p>\n<p><strong>FRANCIELI &#8211; <\/strong>A teoria do comunitarismo responsivo foi a base da minha hip\u00f3tese: eu queria entender se a Polifeira poderia ser um exemplo pr\u00e1tico dessa teoria no Brasil. Essa perspectiva, desenvolvida pelo Amitai Etzioni, prop\u00f5e que a comunidade, o Estado e a economia atuem juntos para resolver problemas sociais e ambientais\u00a0 e que a comunidade tenha um papel central, porque quando ela assume suas responsabilidades, as coisas avan\u00e7am muito mais do que quando esperamos a\u00e7\u00f5es isoladas do Estado ou do mercado.<\/p>\n<p>Na minha pesquisa, eu apliquei essa teoria entendendo a universidade como representante do eixo estatal, a Polifeira como a express\u00e3o da comunidade e os consumidores e produtores como parte da din\u00e2mica econ\u00f4mica. Assim, busquei mostrar como esses tr\u00eas elementos se articulam de forma sin\u00e9rgica, equilibrando interesses econ\u00f4micos com quest\u00f5es sociais e ambientais. A Polifeira ilustra bem isso: \u00e9 um espa\u00e7o onde h\u00e1 lucro porque vivemos numa economia capitalista, mas ele aparece como consequ\u00eancia, n\u00e3o como finalidade principal, permitindo que outras dimens\u00f5es tamb\u00e9m tenham prioridade.<\/p>\n<p><strong>POLIFEIRA DO AGRICULTOR &#8211; Como a PoliFeira se encaixa como um agente promotor da Soberania Alimentar?<\/strong><\/p>\n<p><strong>FRANCIELI &#8211; <\/strong>A soberania alimentar vai al\u00e9m da seguran\u00e7a alimentar, porque n\u00e3o trata s\u00f3 de garantir comida saud\u00e1vel e sem agrot\u00f3xicos, mas de permitir que o pr\u00f3prio povo escolha como produzir e consumir seus alimentos. E, no Brasil, isso \u00e9 complexo, porque seguimos uma l\u00f3gica de \u201cSul Global\u201d, como diz Boaventura de Sousa Santos, em que o pa\u00eds n\u00e3o decide o que plantar: produzimos principalmente commodities, como a soja, ditadas pelo mercado externo. Ent\u00e3o, hoje, a soberania alimentar praticamente n\u00e3o existe e n\u00e3o vai ser uma simples mudan\u00e7a de legisla\u00e7\u00e3o que vai resolver isso.<\/p>\n<p>Por isso, as a\u00e7\u00f5es locais ganham tanta import\u00e2ncia. A partir de autores como An\u00edbal Quijano, defendo que a transforma\u00e7\u00e3o precisa vir do territ\u00f3rio, das comunidades. A PoliFeira \u00e9 exatamente esse tipo de rea\u00e7\u00e3o local: um espa\u00e7o onde agricultores e consumidores criam rela\u00e7\u00f5es que rompem, mesmo que parcialmente, com a l\u00f3gica colonial de produ\u00e7\u00e3o. Ela mostra que \u00e9 poss\u00edvel construir caminhos pr\u00f3prios, fortalecendo pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis, escolhas aut\u00f4nomas e v\u00ednculos diretos. Se iniciativas como a PoliFeira se multiplicarem, podemos come\u00e7ar a avan\u00e7ar, pouco a pouco, em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 soberania alimentar no Brasil.<\/p>\n<p><strong>POLIFEIRA DO AGRICULTOR &#8211; E quais foram os principais resultados da pesquisa?<\/strong><\/p>\n<p><strong>FRANCIELI &#8211; <\/strong>Os principais resultados confirmaram a minha hip\u00f3tese inicial: a PoliFeira realmente se encaixa como um exemplo concreto de aplica\u00e7\u00e3o da teoria do comunitarismo responsivo no Brasil. Ao analisar as entrevistas e organizar tudo nos tr\u00eas eixos da teoria, Estado, comunidade e economia, ficou evidente que a feira representa um movimento emancipat\u00f3rio local, capaz de romper com o padr\u00e3o colonial que sempre pautou a produ\u00e7\u00e3o agroalimentar brasileira. Tamb\u00e9m ficou claro que a PoliFeira promove, na pr\u00e1tica, valores ligados \u00e0 soberania alimentar, mostrando que \u00e9 poss\u00edvel produzir e abastecer o mercado interno sem colocar o lucro acima da sa\u00fade coletiva e do meio ambiente.<\/p>\n<p><strong>POLIFEIRA DO AGRICULTOR &#8211; E agora com a tese j\u00e1 defendida e aprovada qual \u00e9 o futuro desta pesquisa?<\/strong><\/p>\n<p><strong>FRANCIELI &#8211; <\/strong>Meu pr\u00f3ximo passo \u00e9 transformar esse trabalho em um livro. Eu j\u00e1 estou em processo de publica\u00e7\u00e3o: escolhi uma editora com projeto social, que destina parte das vendas para a educa\u00e7\u00e3o infantil, justamente para manter coer\u00eancia com os valores que defendo. Acredito que em dezembro o e-book j\u00e1 esteja dispon\u00edvel, e, assim que tiver a vers\u00e3o finalizada, pretendo divulgar amplamente para que a pesquisa chegue a mais comunidades, estados e regi\u00f5es, inspirando outras iniciativas semelhantes \u00e0 PoliFeira.<\/p>\n<p><strong>Onde encontrar a PoliFeira:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Ter\u00e7a-feira, das 7h \u00e0s 12h30 \u2013 <em>Avenida Roraima (entre a faixa nova e faixa velha)<\/em><\/li>\n<li>Quarta-feira, das 7h \u00e0s 13h30 \u2013 <em>Pr\u00e9dio 26 A \u2013 CCS (pr\u00f3ximo ao estacionamento do HUSM)<\/em><\/li>\n<li>Quinta-feira, das 12h \u00e0s 18h \u2013 <em>Largo do Planet\u00e1rio<\/em><\/li>\n<li>Domingo \u2013 <em>Campus Sede UFSM<\/em><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Texto<\/strong>: Jo\u00e3o Victor Souza, estudante de Jornalismo e bolsista de comunica\u00e7\u00e3o da PoliFeira do Agricultor<br \/><strong>Fotos<\/strong>: Francieli Izolani\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa evidencia o projeto como instrumento de efetiva\u00e7\u00e3o do direito \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o adequada e de combate \u00e0 agrointoxica\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":6741,"featured_media":10849,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[271],"class_list":["post-10846","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-destaques-politecnico"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/politecnico\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10846","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/politecnico\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/politecnico\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/politecnico\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6741"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/politecnico\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10846"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/politecnico\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10846\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/politecnico\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10849"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/politecnico\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10846"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/politecnico\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10846"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/politecnico\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10846"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}