<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>		<rss version="2.0"
			xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
			xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
			xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
			xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
			xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
			xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
					>

		<channel>
			<title>UFSM - Feed Customizado RSS</title>
			<atom:link href="https://www.ufsm.br/busca?rss=true&#038;tags=cotas" rel="self" type="application/rss+xml" />
			<link>https://www.ufsm.br</link>
			<description>Universidade Federal de Santa Maria</description>
			<lastBuildDate>Tue, 09 Jun 2026 21:44:07 +0000</lastBuildDate>
			<language>pt-BR</language>
			<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
			<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
			<generator>https://wordpress.org/?v=6.9</generator>

<image>
	<url>/app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico</url>
	<title>UFSM</title>
	<link>https://www.ufsm.br</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
						<item>
				<title>Novo Edital para Bolsas Ações Afirmativas</title>
				<link>https://www.ufsm.br/pro-reitorias/prpgp/2023/04/19/novo-edital-para-bolsas-acoes-afirmativas</link>
				<pubDate>Wed, 19 Apr 2023 16:56:18 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[#bolsa]]></category>
		<category><![CDATA[#bolsas]]></category>
		<category><![CDATA[ações afirmativas]]></category>
		<category><![CDATA[cotas]]></category>
		<category><![CDATA[Edital]]></category>
		<category><![CDATA[PRPGP]]></category>
		<category><![CDATA[seleção]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/pro-reitorias/prpgp/?p=13435</guid>
						<description><![CDATA[A Pró-reitoria de Pós-graduação e Pesquisa (PRPGP); o Observatório de Direitos Humanos (ODH) e o Núcleo de Estudos Afro-brasileiros (NEABI) da Pró-reitoria de Extensão (PRE) têm a satisfação de disponibilizar à comunidade universitária o Edital de Bolsas de Iniciação Científica &#8211; Ações Afirmativas &#8211; ICAF 2023. Este edital pretende atender uma demanda importante, apresentada pelo [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
<p>A Pró-reitoria de Pós-graduação e Pesquisa (PRPGP); o Observatório de Direitos Humanos (ODH) e o Núcleo de Estudos Afro-brasileiros (NEABI) da Pró-reitoria de Extensão (PRE) têm a satisfação de disponibilizar à comunidade universitária o Edital de Bolsas de Iniciação Científica - Ações Afirmativas - ICAF 2023.</p>
<div>Este edital pretende atender uma demanda importante, apresentada pelo NEABI e ODH, de apoiar, prioritariamente, projetos de pesquisa voltados aos temas que envolvem a população negra, população indígena, pessoas com deficiência e/ou com grupos imigrantes e refugiados. Além dos temas de pesquisa específicos, as bolsas dos projetos contemplados serão ocupadas exclusivamente por alunos ingressos na UFSM pelo sistema de cotas, como auto-declarados negros, pardos ou indígenas, cotas L2 e L6, ou como pessoa com deficiência, cotas L9, L10, L13 e L14. </div>
<div> </div>
<div>Os recursos para atender o programa são advindos do orçamento interno da UFSM, através de Ação Estratégica da Pró-reitoria de Pós-graduação e Pesquisa. Está integrada também com a formação de recursos humanos que possam se relacionar com a aplicação da Resolução UFSM N. 068, de 29 de novembro de 2021 que "dispõe sobre a Política de Ações Afirmativas e Inclusão nos Programas de Pós-Graduação da Universidade Federal de Santa Maria".</div>
<div> </div>
<div>Este projeto piloto atenderá em 2023 a 6 (seis) cotas de bolsas, pagas de junho até dezembro, com valor individual de R$ 500,00 (quinhentos reais). </div>
<div>O <a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/345/2023/04/Edital-012_2023-ICAF.pdf" target="_blank" rel="noopener" data-saferedirecturl="https://www.google.com/url?q=https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/345/2023/04/Edital-012_2023-ICAF.pdf&amp;source=gmail&amp;ust=1682000884753000&amp;usg=AOvVaw0LJQlZZPBblqTtJS70R70M">Edital 012/2023</a> - ICAF está disponível na página da PRPGP.</div>
<div>O período destinado à solicitações é de 19 de abril até 03 de maio. </div>
<!-- /wp:tadv/classic-paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Reunião que votaria regulamentação de novas formas de ingresso na UFSM é suspensa</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2023/03/30/reuniao-que-votaria-regulamentacao-de-novas-formas-de-ingresso-na-ufsm-e-suspensa</link>
				<pubDate>Thu, 30 Mar 2023 17:18:49 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[cepe]]></category>
		<category><![CDATA[cotas]]></category>
		<category><![CDATA[Processo Seletivo Seriado]]></category>
		<category><![CDATA[sala dos conselhos]]></category>
		<category><![CDATA[Sisu]]></category>
		<category><![CDATA[Vestibular]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/?p=61698</guid>
						<description><![CDATA[Ainda não há previsão de retomada pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
[caption id="attachment_61701" align="alignright" width="681"]<a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/2023/03/WhatsApp-Image-2023-03-30-at-12.31.33.jpeg"><img class="wp-image-61701" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2023/03/WhatsApp-Image-2023-03-30-at-12.31.33.jpeg" alt="foto colorida horizontal com pessoas, a maioria de costas, em pé, em um ambiente amplo, com mesas brancas" width="681" height="383" /></a> Reunião foi suspensa após entrada dos manifestantes[/caption]
<p><span style="font-size: large">A reunião em que o Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) votaria a resolução que regulamenta novas formas de ingresso aos cursos de graduação da UFSM foi suspensa no final da manhã desta quinta-feira (30), após manifestantes ocuparem a Sala dos Conselhos, no 9º andar do prédio da Reitoria. </span></p>
<p><span style="font-size: large">A nova resolução propõe que, além do Sistema de Seleção Unificado (SiSU) e de outras formas de ingresso já tradicionais, a Universidade passe a adotar o Processo Seletivo Seriado e o vestibular presencial. Se aprovada, também haverá processos seletivos específicos para ingresso de pessoas de comunidades quilombolas; com 60 anos ou mais; atletas de alto rendimento; estudantes medalhistas em competições de conhecimento; pessoas transgênero; pessoas com deficiência; refugiados e imigrantes em situação de vulnerabilidade; indígenas, entre outros. </span></p>
<div>
<p>A mudança nas formas de ingresso começou a ser debatida pelo Cepe em reunião no dia 26 de janeiro. Na ocasião, houve pedido de vistas do processo, visando ampliar a discussão sobre as mudanças propostas. Na reunião desta quinta, foi lido o parecer de vista, que propôs a <span style="font-size: large">aprovação parcial da proposta, preservando a oferta de vagas para atletas de alto rendimento, estudantes medalhistas em competições de conhecimento, pessoas de comunidades quilombolas, pessoas com deficiência que realizaram o Ensino Médio em escolas privadas, pessoas com 60 anos ou mais e também para transgêneros, excluindo o Processo Seletivo Seriado e o vestibular. A justificativa é de que a proposta </span>se baseia em "argumentações e premissas frágeis, aliado a um processo pouco democrático em sua discussão junto à comunidade acadêmica".</p>
<p><span style="font-size: large">Na sequência, houve a leitura do parecer da Comissão de Legislação e Normas (CLN) do Cepe, pela aprovação da proposta, considerando que a ampliação das formas de ingresso não modificará a garantia das cotas vigentes nem a assistência estudantil. Tanto a CLN quanto </span>a Comissão de Ensino, Pesquisa e Extensão (Comepe) destacaram a necessidade de um trabalho contínuo de avaliação das novas formas de ingresso, preenchimento de vagas e evasão. </p>
<p><span style="font-size: large">O pró-reitor de Graduação, Jerônimo Tybusch, explicou a resolução, fazendo uma contextualização da UFSM enquanto referência em ações afirmativas próprias, mais intensamente a partir de 2007, antes mesmo da Lei de Cotas. Após a implementação do SiSU, a Universidade adotou formas de ingresso específicas para grupos como indígenas e migrantes e refugiados. A proposta, segundo ele, não exclui o SiSU do processo, mas abre outras possibilidades de ingresso, visando aumentar o preenchimento de vagas - neste semestre, a estimativa é de que mais de 20% das vagas fiquem ociosas na UFSM.</span></p>
<p><span style="font-size: large">Na sequência, houve manifestações dos conselheiros, apresentando <a href="https://www.ufsm.br/2023/02/09/debate-formas-de-ingresso-na-ufsm">opiniões favoráveis e contrárias</a> à resolução. Antes de encaminhar a votação, o reitor, Luciano Schuch, citou universidades do país que pretendem adotar vestibular seriado conjuntamente com o SiSU. "Como sistema único o SiSU seria perfeito, mas não pode ser opção", disse. Também destacou a importância das cotas, que seguiriam asseguradas com a aprovação da proposta. "Queremos ter sistemas para poder compará-los, verificar qual o melhor", afirmou o reitor.</span></p>
<p><span style="font-size: large">Antes de o parecer de vista ser colocado em votação, manifestantes que ocupavam o hall do 9º andar do prédio da Reitoria entraram na Sala dos Conselhos pedindo para que o projeto fosse retirado de pauta. Após alguns minutos de manifestação de estudantes e servidores, os conselheiros se retiraram. A reunião, que teve <a href="https://www.youtube.com/watch?v=fLYKFy6-1es" target="_blank" rel="noopener">transmissão pelo YouTube</a>, foi suspensa e não há data para ser retomada.</span></p>
</div>
<!-- /wp:tadv/classic-paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Das cotas à assistência estudantil: a luta pela educação</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2021/08/27/das-cotas-a-assistencia-estudantil-a-luta-pela-educacao</link>
				<pubDate>Sat, 28 Aug 2021 00:25:22 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[26ª Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Comunidade]]></category>
		<category><![CDATA[Página Inicial]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[assistencia estudantil]]></category>
		<category><![CDATA[cotas]]></category>
		<category><![CDATA[ed26]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[política de cotas]]></category>
		<category><![CDATA[UFSM]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?p=3528</guid>
						<description><![CDATA[Igualdade, segundo o dicionário, é a ausência de diferença, quando todas as partes estão nas mesmas condições, possuem igual valor ou são interpretadas a partir de um único ponto de vista. Ao utilizar esse conceito para analisar a realidade socioeconômica da população brasileira, percebe-se que a tal ‘igualdade’ é algo ainda distante. Ao se falar [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:paragraph -->
<p>Igualdade, segundo o dicionário, é a ausência de diferença, quando todas as partes estão nas mesmas condições, possuem igual valor ou são interpretadas a partir de um único ponto de vista. Ao utilizar esse conceito para analisar a realidade socioeconômica da população brasileira, percebe-se que a tal ‘igualdade’ é algo ainda distante. Ao se falar de educação, vê-se que nem todos frequentam escolas semelhantes, arcam com os custos de um cursinho, dedicam-se exclusivamente a estudar ou possuem materiais para isso, logo, utilizar uma única prova com critérios idênticos para avaliar a todos está longe de ser justo.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A implementação da política de cotas na Universidade Federal de Santa Maria aconteceu cercada de debates em torno da temática, que evidenciou, ao longo dos anos, ser promissora e necessária. Com a pandemia de Covid-19, observa-se como as cotas impediram uma desigualdade ainda maior no acesso à Universidade e como o apoio e a assistência estudantil se tornaram ainda mais relevantes nesse período.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Uma política pública pela igualdade</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Depois de um extenso percurso de lutas, a UFSM adotou um sistema de ações afirmativas em 2007, com expressiva participação do Movimento Negro. Em 2003, o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (NEAB) realizou o “I Seminário Internacional Negritude na Escola”, evento onde debateu-se a importância de ações afirmativas na Universidade. A UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) já havia adotado um sistema de cotas em 2001 e a UnB (Universidade de Brasília) em 2004, tornando-se pioneira entre as universidades federais.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Após debates dentro e fora da academia, com intensa participação da comunidade acadêmica e de públicos externos, em agosto foi aprovado um plano institucional denominado ‘Programa de Ações Afirmativas de Inclusão Racial e Social’, por meio da <a href="https://www.ufsm.br/orgaos-executivos/caed/wp-content/uploads/sites/391/2018/10/Resolu%C3%A7%C3%A3o_011-07.pdf">resolução 11/2007</a>. O tema foi pauta da 704ª Sessão Plenária do CEPE (Comissão de Ensino, Pesquisa e Extensão), onde foi aprovada por apenas um voto de diferença, 19 a favor e 18 contrários.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Essa proposta estabelecia a oferta, por um período de dez anos, de 15% das vagas para afro-brasileiros em cada um dos cursos de graduação, 20% para estudantes oriundos de escolas públicas, 5% para estudantes com deficiência e 5 para serem disputadas exclusivamente por acadêmicos indígenas residentes no território nacional. No vestibular de 2008 não houve uma diferenciação nas notas de corte para as cotas,&nbsp; o que só ocorreu a partir de 2009.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Como consequência da aprovação da resolução, o Observatório de Ações Afirmativas para Acesso e Permanência nas Universidades Públicas da América do Sul (Afirme), criado em 2006,&nbsp; passa a ter como objetivos avaliar a implementação da política, elencar pontos negativos e positivos, sugerir melhorias e promover apoio aos acadêmicos cotistas da instituição. Em abril de 2012, depois de muito debate na sociedade civil e em entidades ligadas à educação, uma lei nacional sobre a política de cotas foi considerada constitucional pelo STF (Supremo Tribunal Federal).&nbsp; Em agosto do mesmo ano, o Senado aprova a <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12711.htm">Lei nº 12.711</a>, que define a obrigatoriedade de 50% das vagas em universidades federais para cotas raciais e sociais.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Foi em maio de 2014 que a UFSM aumentou para 50% a reserva das vagas para as cotas, ao aderir como forma de ingresso ao Sisu (Sistema de Seleção Unificado), do Ministério da Educação, e extinguir o vestibular próprio. No entanto, até 2016, a universidade ainda realizou o Processo Seletivo Seriado - PS2 e PS3.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><p>A pesquisadora e doutora em Educação pela UFSM, Maria Rita Py Dutra,&nbsp; juntamente ao Movimento Negro, participou ativamente dos debates sobre a implementação das cotas na Universidade, relata: “Para os estudantes, no início era até meio assustador ser cotista, alguns pediam sigilo. Depois, no entanto, iam entendendo a importância desse movimento, passavam a lutar com orgulho e defender as cotas”. Sobre a reação da população acerca da aprovação no Senado, ela comenta: "No país todo, em 2012, tivemos o 'exército anti-cotas’, em geral eram alunos de escolas particulares e cursinhos pré-vestibular, que questionavam a legitimidade da lei. Então, o DCE, o SEDUFSM e a ASSUFSM organizaram uma aula pública a favor das cotas, chamada ‘Vamos falar sobre cotas?’”. Maria Rita conta que, nessa aula, percebeu que muitos estudantes não conheciam e entendiam a política de cotas, por isso os convidaram para debater sobre o assunto.</p>
[caption id="attachment_3551" align="aligncenter" width="1024"]<img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2021/08/WhatsApp-Image-2021-07-27-at-21.03.10-1024x681.jpg" alt="Foto de 11 pessoas na rua, em pé, nove mulheres e dois homens, a grande maioria jovens. Mais ao centro da foto, uma mulher negra mais velha, de cabelos grisalhos amarrados atrás da cabeça, gesticula, mostrando que está conversando com os demais. Ao fundo, prédios da cidade, árvores e postes de luz." width="1024" height="681"> Maria Rita e integrantes do Movimento Negro conversam com manifestantes anti-cotas. Foto: arquivo pessoal Maria Rita Py Dutra.[/caption]</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A UFSM, que adotou um sistema de cotas antes da aprovação da lei nacional, realizou adaptações ao longo dos anos, como em 2014, além da que ocorreu em função da <a href="https://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/2016/lei-13409-28-dezembro-2016-784149-publicacaooriginal-151756-pl.html">Lei 13.409, de 2016</a>, responsável por regulamentar o ingresso de alunos com deficiência. Atualmente, a <a href="https://www.ufsm.br/orgaos-executivos/caed/wp-content/uploads/sites/391/2018/10/Resolu%C3%A7%C3%A3o_002-2018.pdf">resolução 002/2018</a> é a mais recente sobre o tema.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>[caption id="attachment_3530" align="aligncenter" width="1024"]<img style="width: 1080px" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2021/08/total-de-vagas-100-7-1024x580.jpg" alt="" width="1024" height="580"> Simulação da distribuição de vagas com cotas[/caption]</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Pandemia e ingresso no ensino superior: desafios para além das aulas online</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>&nbsp;Escolas fechadas, adaptação para o ensino remoto e inseguranças em relação ao futuro, estudar para o Enem em condições comuns já não é tarefa fácil, mas foi dificultada com a pandemia de Covid-19. Os estudantes tiveram de lidar com uma rotina totalmente diferente dentro de suas casas, que esbarra em inúmeras outras questões, como moradias sem acesso à internet, falta de aparelhos eletrônicos adequados para acompanhar as aulas e, muitas vezes, a necessidade de trabalhar para ajudar no sustento da família.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Educação, realizada pelo IBGE em 2019 e publicada em 2020, 10,1 milhões de jovens entre 14 e 29 anos abandonaram a escola - o principal motivo foi a necessidade de trabalhar. De acordo com um relatório da Unicef publicado em janeiro deste ano, 5,5 milhões de crianças e adolescentes com idades entre 6 e 17 anos não estudavam em 2020. Desse número, 4,12 milhões de alunos estavam matriculados, mas não receberam nenhuma atividade escolar, por conta das dificuldades de adaptação para as aulas online.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Dados coletados do IBGE e do Inep e compilados pela <a href="https://piaui.folha.uol.com.br/sem-internet-nem-aprendizagem/">Revista Piauí</a>,&nbsp; mostram que, em 2020, apenas 6,6% das escolas públicas forneceram internet para que os alunos pudessem continuar acompanhando as aulas. Em 2019, aproximadamente 4,3 milhões de estudantes brasileiros, com 10 anos ou mais, não possuíam acesso à internet, desses, 4,1 milhões estavam matriculados na rede pública. Além disso, um terço das escolas públicas não oferece aulas à distância durante a pandemia, o que equivale a 36%, já entre as particulares, o índice corresponde a 12%.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Natan Daniel da Silva, 23 anos, ingressou no curso de Psicologia na UFSM em 2021, depois de ter estudado em casa durante o ano de 2020 para se preparar para o Enem. Filho de agricultores, é morador de Arroio do Tigre, cidade de aproximadamente 13 mil habitantes na região central do estado. Silva cresceu inserido numa realidade de trabalho do campo, ajudando os pais na plantação de tabaco, mas sempre teve por objetivo estudar em uma universidade federal. Ao ser questionado sobre como foi estudar em casa para as provas, apontou a dificuldade de se preparar, uma vez que elas estavam sujeitas a alterações de última hora, por conta da pandemia: “a prova do Enem foi adiada, não tínhamos um cronograma certo, o que atrapalhava os estudos e a programação para ir fazer a prova, já que no meu caso tenho de me deslocar para outra cidade, além de gerar inseguranças, medo.”.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>O acadêmico também relata as dificuldades na sua rotina ao conciliar estudos e trabalho: “Eu trabalhava de dia e estudava à noite, foi bem cansativo. Havia noites que eu não conseguia estudar, aí tentava recuperar no fim de semana, estudando mais. Eu sabia que seria assim, me preparei para estudar dessa forma e sabia que seria difícil”. Além disso, também comenta sobre o acesso à internet em sua casa: "Havia dias que a conexão estava muito ruim, não era possível utilizar a rede, esse foi um fator que gerava muita agonia, pois não tinha o que fazer, apenas esperar a conexão ser restabelecida.”.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>O aluno do sexto semestre de Direito e coordenador do Diretório Central dos Estudantes da UFSM (DCE), Luiz Eduardo Boneti Barbosa, analisa as dificuldades para ingresso na universidade agora na pandemia: “Para você continuar estudando em casa durante a pandemia, é necessário ter acesso à internet, você precisa ter ao menos um aparelho para se conectar, seja celular, tablet, notebook, isso é mínimo, mas falamos de um país onde um em cada quatro brasileiros não têm acesso a internet.”.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Sobre a importância da política de cotas na diminuição das desigualdades de acesso neste período de pandemia, Barbosa ressalta: “As cotas sem dúvidas ajudaram para que não tivéssemos uma desigualdade ainda maior. Infelizmente, sabemos que muitos estudantes negros, principalmente jovens, não conseguirão ingressar na universidade, porque não tem dinheiro para pagar a taxa de inscrição, porque não tem acesso a meios para estudar de casa, porque é a população negra e pobre a que mais está morrendo na pandemia.”. A luta e mobilização do movimento estudantil, adaptada neste período de pandemia, continua intensa, coletiva e, acima de tudo, necessária.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><p><strong>A assistência estudantil e a permanência na graduação&nbsp;</strong></p>
[caption id="attachment_3552" align="aligncenter" width="1024"]<img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2021/08/DSC_0005-2-1024x683.jpg" alt="Fotografia horizontal de um prédio de três pavimentos na cor branca. Ele tem detalhes na cor azul no terceiro e primeiro pavimento. Na frente, uma rua, pavimentada em paralelepípedos, encontra o prédio e segue para a esquerda. Algumas das janelas estão abertas, outras fechadas. Há árvores em ambos os lados da rua e uma placa de ‘PARE’ na calçada à direita." width="1024" height="683"> A Casa do Estudante Universitário (CEU) contribui fortemente para a permanência dos alunos na Universidade. Foto: Pedro Souza[/caption]</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Depois de ingressar no ensino superior, o graduando passa a enfrentar outra dificuldade, a permanência. Sobre as perspectivas de retorno presencial, Silva expôs como o Benefício Socioeconômico (BSE), concedido aos estudantes com renda igual ou inferior a 1,5 salário mínimo per capita, é importante: “Sem o BSE e a possibilidade de entrar na Casa do Estudante eu não conseguiria cursar a graduação, não teria condições econômicas de permanecer no curso.”.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>O diretor de assistência estudantil da União Nacional dos Estudantes (UNE), jornalista e aluno de Relações Públicas na UFSM - campus FW, Lucas Reinehr, pontua como a pandemia mexeu com a rotina da Universidade e trouxe novos desafios para a assistência estudantil, uma vez que atividades essenciais, como o restaurante universitário, tiveram de ser paralisadas e substituídas por outros auxílios. Sobre os benefícios para a inclusão digital, disponibilizados pela Universidade no formato de valor em dinheiro para pagamento à empresa provedora de internet ou para compra de equipamentos eletrônicos, ressalta que, para além de se possuir um equipamento para estudar, todo um conjunto é necessário para que os alunos possam desempenhar suas atividades da melhor forma possível. Trata-se de&nbsp; um olhar mais amplo: para a infraestrutura, para a qualidade desse acesso à internet e a capacidade desse equipamento suprir o que é solicitado pelas disciplinas.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Ainda, sobre as perspectivas para o futuro, Reinehr aponta que diálogos são realizados pelos movimentos estudantis junto a órgãos responsáveis, como a Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino), na busca por oferecer melhores condições para os graduandos nesse período de aulas remotas e já com possibilidade para o retorno presencial. Para o ‘pós-pandemia’, espera-se uma busca ainda maior pela assistência estudantil, uma vez que esse período afetou a renda das famílias e deixou muitas em situação de vulnerabilidade. A demanda deve abranger diferentes setores: moradia, alimentação e atendimento psicossocial.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A subdivisão de Ações Afirmativas Sociais, Étnico-Raciais e Indígenas, da Coordenadoria de Ações Educacionais (CAED), atua no desenvolvimento de ações para acompanhar e apoiar alunos cotistas da instituição. Dentre as atividades desenvolvidas, como informa a coordenadora, a professora Rosane Brum Mello, há monitorias indígena, de apoio à leitura de textos acadêmicos, de português como língua de acolhimento e de apoio para o uso de tecnologias digitais.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Na pandemia surgiram novos impasses, como a impossibilidade de divulgar o vestibular indígena nas aldeias, o que levou o Núcleo a se adaptar. As palestras e rodas de conversa agora são realizadas em uma plataforma online e, mesmo sem o calor do encontro presencial, o diálogo com os estudantes para saber suas dificuldades e buscar supri-las, continua.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A política de cotas, que, como previsto na legislação, passará por uma reavaliação no próximo ano, foi e ainda é extremamente importante para a UFSM, uma instituição pública que colabora fortemente para o desenvolvimento de Santa Maria, da região, do estado e do país e que deve ser acessível. Falar em políticas de cotas também é abordar a democratização da educação, é permitir que mais alunos sonhem e possam alcançar o ensino superior.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph {"align":"right"} -->
<p class="has-text-align-right"><p><em>Reportagem: Milene Aparecida Eichelberger</em></p></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph {"align":"right"} -->
<p class="has-text-align-right"><p><em>Contato: </em><a href="mailto:milene.eichelberger@acad.ufsm.br"><em>milene.eichelberger@acad.ufsm.br</em></a><em>; @milene.eichelberger</em></p></p>
<!-- /wp:paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>UFSM desenvolve simulador de cotas interativo para o Sisu</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2021/03/18/ufsm-desenvolve-simulador-de-cotas-interativo-para-o-sisu</link>
				<pubDate>Thu, 18 Mar 2021 16:10:19 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[cotas]]></category>
		<category><![CDATA[graduação]]></category>
		<category><![CDATA[Ingresso]]></category>
		<category><![CDATA[simulador de cotas]]></category>
		<category><![CDATA[Sisu]]></category>
		<category><![CDATA[sisu 2021-1]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/?p=55342</guid>
						<description><![CDATA[A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) desenvolveu um simulador interativo para ajudar quem pretende se inscrever por cotas no Sistema de Seleção Unificada (Sisu). No site, o candidato responde a quatro perguntas objetivas e, automaticamente, a nova ferramenta indica todas as possibilidades de cotas de acordo com as respostas. O sistema é gratuito e [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
<p><span style="font-weight: 400">A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) desenvolveu um <a href="https://www.ufsm.br/pro-reitorias/prograd/sisu/simulador-de-cotas/"><strong>simulador</strong></a> interativo para ajudar quem pretende se inscrever por <strong>cotas</strong> no <strong>Sistema de Seleção Unificada (Sisu)</strong>. No site, o candidato responde a quatro perguntas objetivas e, automaticamente, a nova ferramenta indica todas as possibilidades de cotas de acordo com as respostas. O sistema é gratuito e pode ser utilizado por estudantes de todo o país, que pretendem se inscrever em qualquer universidade ou instituto federal de ensino superior.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Conforme explica o pró-reitor de Graduação da UFSM, Jerônimo Tybusch, a ferramenta é de fácil uso e bastante intuitiva. Ao acessar a </span><a href="https://www.ufsm.br/pro-reitorias/prograd/sisu/simulador-de-cotas/"><span style="font-weight: 400">página do simulador</span></a><span style="font-weight: 400"> no site da Universidade, o estudante encontra um espaço interativo, no qual deve responder às quatro questões designadas: se estudou os três anos do Ensino Médio em escola pública; se é autodeclarado preto, pardo ou indígena; se tem renda per capita menor ou igual a 1,5 salário mínimo e se é uma pessoa com deficiência. Ao marcar cada uma das respostas, o sistema já indicará a cota (ou as cotas) em que a pessoa pode concorrer.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Apresentadas as possibilidades, cabe ao estudante escolher em qual deve se inscrever. O simulador indicará, se for o caso, mais de uma cota, mas a inscrição só será realizada em uma delas. “Essa é uma estratégia pessoal de cada candidato, ao analisar o número de vagas por cota ou a documentação que ele precisa entregar”, explica a relações públicas da UFSM e integrante da Comissão de Ingresso Acadêmico, Julia Cervo. “Se o candidato é preto, pardo ou indígena, por exemplo, mas não quiser se inscrever em cotas que utilizem a autodeclaração, ele pode. É possível se inscrever em A0 (ampla concorrência) ou L5 (escola pública), e não obrigatoriamente ou necessariamente em opções que envolvam a sua autodeclaração”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Além da ampla concorrência, existem oito diferentes tipos de cotas, cada uma com determinadas condições e exigência de documentação específica. A equipe responsável pelo ingresso via Sisu na UFSM identificou ao longo dos últimos anos que sempre houve dúvidas por parte dos candidatos sobre as cotas. Para Julia Cervo, o simulador é uma forma de auxiliar os candidatos para que evitem inscrições erradas, que serão indeferidas no momento da confirmação de vaga. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Conforme destaca o professor Tybusch, é fundamental que o candidato tenha certeza de que está se inscrevendo na cota certa, sendo que, feita a inscrição, não é possível mudá-la. “Se uma pessoa se inscrever erroneamente em uma cota de autodeclaração, por exemplo, é impossível mudar após o término das inscrições do Sisu. Nesse caso, porque não é possível comprovar a situação, ela perde a vaga”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400">O Simulador de Cotas foi desenvolvido com uso do Power BI, ferramenta já utilizada na instituição para elaboração de painéis interativos, e foram utilizadas medidas dinâmicas para que as opções aparecessem a cada resposta. O projeto é uma parceria entre Pró-reitoria de Graduação (Prograd), Coordenadoria de Planejamento Informacional da Pró-reitoria de Planejamento (Coplin/Proplan), do Centro de Processamento de Dados (CPD), Núcleo de Divulgação Institucional do campus Frederico Westphalen (NDI-FW) e Unidade de Comunicação Integrada (Unicom).</span></p>
<p> </p>
<p><b>Sobre as cotas no Sisu</b></p>
<p><span style="font-weight: 400">As cotas na UFSM são definidas a partir da Política de Cotas expressa na Lei no 12.711/2012 do Governo Federal, a qual define que 50% das vagas em cursos das universidades federais devem ser reservadas a estudantes que fizeram os três anos do Ensino Médio em escola pública. Dentro desses 50% para escolas públicas, existem as outras cotas: renda, autodeclaração e pessoa com deficiência. Ou seja, quem cursou o Ensino Médio em escola particular <strong>não</strong> tem direito às cotas. Confira as possibilidades de conta presentes no Termo e Adesão da UFSM ao SISU:</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">A0: Ampla concorrência L1: Candidatos com renda familiar bruta per capita igual ou inferior a 1,5 salário mínimo que tenham cursado integralmente o ensino médio em escolas públicas (Lei no 12.711/2012).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">L2: Candidatos autodeclarados pretos, pardos ou indígenas, com renda familiar bruta per capita igual ou inferior a 1,5 salário mínimo e que tenham cursado integralmente o ensino médio em escolas públicas (Lei no 12.711/2012).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">L5: Candidatos que, independentemente da renda (art. 14, II, Portaria Normativa no 18/2012), tenham cursado integralmente o ensino médio em escolas públicas (Lei no 12.711/2012).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">L6: Candidatos autodeclarados pretos, pardos ou indígenas que, independentemente da renda (art. 14, II, Portaria Normativa no 18/2012), tenham cursado integralmente o ensino médio em escolas públicas (Lei no 12.711/2012).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">L9: Candidatos com deficiência que tenham renda familiar bruta per capita igual ou inferior a 1,5 salário mínimo e que tenham cursado integralmente o ensino médio em escolas públicas (Lei no 12.711/2012).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">L10: Candidatos com deficiência autodeclarados pretos, pardos ou indígenas, que tenham renda familiar bruta per capita igual ou inferior a 1,5 salário mínimo e que tenham cursado integralmente o ensino médio em escolas públicas (Lei no 12.711/2012).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">L13: Candidatos com deficiência que, independentemente da renda (art. 14, II, Portaria Normativa no 18/2012), tenham cursado integralmente o ensino médio em escolas públicas (Lei no 12.711/2012).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">L14: Candidatos com deficiência autodeclarados pretos, pardos ou indígenas que, independentemente da renda (art. 14, II, Portaria Normativa no 18/2012), tenham cursado integralmente o ensino médio em escolas públicas (Lei no 12.711/2012).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Cada cota exige uma documentação específica para a confirmação da vaga. Os documentos para cada uma das cotas estarão disponíveis no edital, que poderá ser acessado na página </span><a href="http://ufsm.br/sisu"><span style="font-weight: 400">ufsm.br/sisu</span></a><span style="font-weight: 400">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400">A UFSM disponibiliza aos(às) candidatos(as) um </span><a href="https://www.ufsm.br/pro-reitorias/prograd/sisu/guia-sisu-ufsm/"><span style="font-weight: 400">Guia</span></a><span style="font-weight: 400"> com as principais informações sobre o SiSU. Dúvidas também podem ser encaminhadas ao email </span><span style="font-weight: 400">copa.sisu@ufsm.br</span><span style="font-weight: 400">, à página </span><a href="https://www.facebook.com/confirmacaodevagaUFSM/"><span style="font-weight: 400">Confirmação de Vaga UFSM</span></a><span style="font-weight: 400"> no Facebook e ao plantão </span><a href="https://sisu.mec.gov.br/#/#duvidas"><span style="font-weight: 400">Tira-Dúvidas</span></a><span style="font-weight: 400"> no site SiSU/MEC.</span></p>
<!-- /wp:tadv/classic-paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Diário de um cotista</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/diario-de-um-cotista</link>
				<pubDate>Tue, 27 Nov 2018 19:17:25 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Dossiê Consciência Negra]]></category>
		<category><![CDATA[cotas]]></category>
		<category><![CDATA[desafios]]></category>
		<category><![CDATA[negros]]></category>
		<category><![CDATA[novembro negro]]></category>

				<guid isPermaLink="false">http://coral.ufsm.br/arco/sitenovo/?p=4946</guid>
						<description><![CDATA[Tese evidencia as adversidades enfrentadas por estudantes negros a partir de relatos pessoais]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <span style="font-weight: 400">Na tese <em>Cotistas negros da UFSM e o mundo do trabalho,</em> apresentada por Maria Rita Py Dutra no Programa de Pós-Graduação em Educação, são levantadas também as percepções sobre o mundo de trabalho, acesso e permanência na Universidade - desde o ingresso até a formatura. A narrativa é construída a partir de relatos pessoais de 11 estudantes que se graduaram na UFSM, sendo 4 homens e 7 mulheres. Na pesquisa, todos os entrevistados são identificados com nomes fictícios de origem africana ou de personagens dos livros infantis da <em>Coleção Histórias da Vó Preta</em>, de autoria de Maria Rita. </span>

<b>Primeiras percepções da Universidade</b>

<span style="font-weight: 400">A entrada na universidade é uma experiência particular à cada pessoa. <span style="color: #000000">Alcançar o êxito no vestibular</span> é motivo de felicidade para qualquer candidato, mas para os estudantes negros, geralmente, vem acompanhado de significados e de desafios ainda maiores. Maria Rita destaca em sua tese que “tais estudantes terão seus atributos categorizados”, a partir do estereótipo do grupo hegemônico. Segundo ela, "são colocadas sobre o estudante cotista uma série de expectativas”. O cotista passa a ser considerado, frente aos demais, como “menos desejável”, alguém que carrega consigo um forte estigma.</span>

<span style="font-weight: 400">Ao iniciar a vida acadêmica - com idade mais avançada - Idia, estudante de Sociologia, se preocupava em como se apresentar frente aos colegas, como se vestir, consciente de que participava de outro campo social. O processo de desconstrução desse estereótipo foi se dando aos poucos e teve forte influência da ação dos professores em sala de aula:</span>
<p style="text-align: center"><b><i>“Como uma mulher muito pobre, eu sempre pensava: como eu vou chegar na Universidade? Eu não tenho roupa, eu não tenho calçado, eu não tenho dinheiro para as passagens. Eu trabalho. Eu saio do município (escola), pego faxina, saio das faxinas, vou pra Universidade. Chegando lá, eu me deparava com as minhas colegas alemãs, descendentes de alemães, descendentes de italianos, de chinelo, de crocs, mas por que eu não posso? Uma negra de chinelo é empregada doméstica, uma italiana, uma alemã, descendente de alemãs, de italiana, é uma filha de colono? É filha de empresário (...). E</i></b> <b><i>daí eu vi de que nós não precisamos... Não é a roupa que nos faz, não são os calçados, mas sim o nosso conhecimento e a maneira como nos tratamos.” (Idia, Sociologia)</i></b></p>


<span style="font-weight: 400">Para se referir ao posicionamento dos professores no âmbito acadêmico, Maria Rita cria duas categorias: o “professor empático” e o “professor inconformado”. No relato mais aprofundado de Idia, a pesquisadora Maria Rita identifica a presença de ambos. Uma que tomou postura empática e estimulou a estudante a não desistir e a enfrentar as dificuldades inerentes aos estudos e, ao mesmo tempo, um “professor inconformado”, que após o fracasso da estudante na primeira prova, classificou-a como "não detentora de pensamento lógico, sem qualquer análise mais aprofundada”. Frente ao segundo caso, Maria Rita reflete: “O que leva um professor afirmar à aluna negra, de idade superior a 40 anos, que o lugar dela não é na Federal, por ela não ter raciocínio lógico? Sou forçada a afirmar que é o racismo que faz isso; é o fato de o negro ocupar espaços que até então eram interditos para ele.” </span>

<span style="font-weight: 400">Em outra entrevista - com a estudante Jamila, que ingressou na UFSM em 2010 no curso de Serviço Social-, Maria Rita também descreve certa atitude de um professor, enquadrando-o como “professor inconformado”, umas vez que demonstra inabilidade de trabalhar com estudantes com outro nível étnico. O episódio descrito em um relato se referia ao discurso proferido contrário às cotas, logo na primeira aula por um professor que se deparava com cinco estudantes cotistas negros na turma. </span>

<span style="font-weight: 400">Enquanto isso, Anaya, formada em Medicina Veterinária, relata não ter vivenciado situações de racismo no período da graduação, mas sim, depois, já no mestrado. Ao presenciar o posicionamento de um professor que discorria sobre procedimentos veterinários, o mesmo alertava aos estudantes para agirem corretamente: "pessoal, a gente tem que fazer a coisa certa, tem que fazer coisa de gente branca.”</span>
<p style="text-align: center"><b><i>“(...) não adianta ser fluente em várias línguas, ser pós-doutor e tratar as pessoas dessa forma, e ter esse tipo de pensamento que não cabe numa academia. Me passava pela cabeça que eu tenho irmãos que vão passar por isso, que os meus pais se orgulham de eu estar aqui, que minha mãe como uma mulher negra se orgulha de eu estar aqui e espera que eu seja tratada com respeito. Então isso foi o que mais me chocou.” (Anaya,  Medicina Veterinária)</i></b></p>


<span style="font-weight: 400">Além disso, um desafio a ser adquirido por estudantes negros é o capital cultural, isto é, o acúmulo de riqueza cultural erudita de cultura escolar - que pode influenciar diretamente no desempenho acadêmico do estudante. Isso diz respeito também ao ambiente familiar ao qual o estudante está acostumado. Entre as mães dos entrevistados, por exemplo, apenas uma cursou ensino superior incompleto e duas, o ensino superior completo; enquanto que entre os pais, somente um cursou o ensino superior completo. Ao destacar as pesquisas de importantes estudiosos na área, Maria Rita aponta que existem uma relação entre o nível cultural das famílias e o sucesso dos filhos na vida escolar. No entanto, é um erro afirmar que a renda familiar e o diploma dos pais são fatores cruciais para condenar filhos de famílias pobres ao fracasso. A pesquisadora ressalta que “há como reverter essa situação, sendo a atuação do professor empático decisiva, pois o estudante necessitará de orientação.”</span>

<b>Estudante-trabalhador</b>

<span style="font-weight: 400">De acordo com a pesquisadora, a condição de estudante- trabalhador desafia o estudante cotista a estabelecer novas metas, pois além de ter que dar conta dos estudos, precisará atender às exigências do trabalho. Na pesquisa, todos os entrevistados, em algum momento, trabalharam, e apenas Kadija e Mulalo não foram bolsistas durante a graduação. </span>
<p style="text-align: center"><b><i>“Um turno eu estava trabalhando, o outro turno eu estava com ele completo de aula. Quando ficava alguma cadeira pra trás, eu tinha que deixar a cadeira, porque eu tinha um turno inteiro pelo trabalho e um turno só pra estudar, e na Medicina Veterinária tu tens um turno de manhã, com disciplinas e outro turno de tarde. Então quando virava o semestre, que viravam os horários, eu ficava com choque de horários, e eu fui segurando algumas cadeiras, né. Então teve um semestre que eu fiz só as DCG’s, e segurei um pouco as cadeiras, por isso eu demorei um pouco mais, também pra me formar, não é, pra conseguir continuar trabalhando.</i></b><b>”(Anaya, Medicina Veterinária)</b></p>


<span style="font-weight: 400">Entre os entrevistados, apenas cinco homens e uma mulher relataram terem ingressado no mercado de trabalho somente depois do ingresso na faculdade. As demais mulheres afirmaram ter começado a trabalhar ainda no período escolar - sendo duas delas, no trabalho doméstico. Após a formatura, dois permaneceram apenas trabalhando (o enfermeiro e o comerciário do setor moveleiro), os demais investiram na formação acadêmica, continuando a cursar uma nova graduação, especialização ou pós-graduação. Três fazem doutorado: em Medicina Veterinária, Sociologia e História; Ayo (relações públicas) faz mestrado em Patrimônio Cultural; Alíca cursa Pedagogia - mantendo-se com uma bolsa e fazendo tranças - e Kadija cursa Sociologia. </span>

<b>As cotas e a permanência na Universidade</b>

<span style="font-weight: 400">A </span><a href="http://coral.ufsm.br/arco/sitenovo/?p=4854"><span style="font-weight: 400">política de cotas</span></a><span style="font-weight: 400"> foi implementada na UFSM em 2012, com o objetivo de erradicar desigualdades sociais e étnico-raciais e democratizar o acesso ao ensino superior. Maria Rita ressalta que, apesar de ser um instrumento legítimo de validação do ingresso na Universidade, a vitimização é uma acusação frequentemente atribuída aos negros, em especial nas redes sociais. Esse discurso é evidenciado em algumas das entrevistas:</span>
<p style="text-align: center"><b><i>“Tinha colegas (...) que o discurso deles era: - Tu não precisou de cota para entrar aqui no Colégio Militar, tu não precisas de cotas agora. Quando eu falava que ia prestar vestibular e que eu achava importante prestar com cotas, (ouvia:) tá, mas tu não precisas, tu podes passar sem cotas (...). Foi nesse período, no final do Ensino Médio, que veio toda a discussão da inclusão das cotas na UFSM, e no Brasil.. Eu passei por situações assim, né. Dos próprios colegas falarem: - Não, a Anaya é negra, mas é como se ela fosse... (...) aquilo foi me marcando, e eu digo: nossa! eu vou prestar vestibular com cota, eu acho, sim, que a gente precisa, porque a gente passa mesmo por isso. Tá na nossa luta diária. Então esse enfrentamento diário, assim (...).  Me inscrevi então em Medicina Veterinária e consegui entrar, com o programa de cotas.” (Anaya, Mecidina Veterinária)</i></b></p>


<span style="font-weight: 400">Da mesma forma como Anaya observa a necessidade e importância da política de cotas, segue o discurso de outra entrevistada que afirma ter orgulho de ser cotista:</span>
<p style="text-align: center"><b><i>“(...) eu sempre, aonde vou, levo a questão de ser cotista, porque pra mim é um orgulho, é uma bandeira, é uma luta que representa tudo isso. Cada cotista da universidade acho que tem que difundir isso, para que as pessoas introjetem isso, para que na sociedade não seja diferente ser cotista, pra legitimar! (...) Tem que ter orgulho de ser cotista e tem que ter toda uma luta, saber que isso foi uma luta, uma bandeira." (Jamila, Serviço Social)</i></b></p>


<span style="font-weight: 400">A tese de Maria Rita também evidencia a necessidade de melhorias da política de permanência dos alunos na Universidade. Segundo ela, não basta criar mecanismos de acesso, se não são levadas em conta as dificuldades enfrentadas pelos alunos cotistas durante a graduação, até alcançar o Benefício Socioeconômico. A entrevista com Atinuké revelou a burocracia do processo que acabou por adiar o direito ao seu benefício por um semestre.</span>
<p style="text-align: center"><b>“</b><b><i>Eu consegui naquele momento, era uma burocracia, o Benefício Socioeconômico, eu não sei como é que está agora. No ano que eu entrei, no primeiro semestre foi negado, porque eu não tinha como comprovar a escritura de onde eu morava. Eu moro numa ocupação, a gente não tem escritura. (...) Só no segundo semestre eu consegui comprovar, e eles aceitaram (...) Precisam conhecer a realidade dos alunos que estão chegando na Universidade! (...) Tem limites para todos, imagina para nós, que viemos de uma realidade difícil, todo o contexto de acessar. (...) Pra mim foi muito positivo, do ponto de vista da inclusão. Aqui na Vila agora tu vês inúmeros alunos cotistas. A minha irmã é uma aluna cotista. O meu irmão é um aluno cotista. Meu irmão está quase se formando, está no 7º semestre da Administração e a minha irmã está indo para o terceiro semestre da Enfermagem. Então uma geração de cotistas, só aqui nessa casa. Vários alunos cotistas aqui na volta. Coisa que não se tinha acesso há um tempo atrás (Atinuké, Sociologia).</i></b></p>


<b>Falta de referências negras nos espaços acadêmicos</b>

<span style="font-weight: 400">Dentre os relatos de vida dos entrevistados, destacam-se outros  pontos considerados como dificuldades para os cotistas negros: o tema a ser abordado no trabalho de conclusão de curso, a falta de referências e bibliografias negras e a ausência ou invisibilidade de professores negros na Universidade. </span>
<p style="text-align: center"><b><i>“Eu não vou dizer que sofri um preconceito direto, por parte de professores, mas eu me senti extremamente negligenciado. Diretamente do curso, uma das minhas maiores dificuldades antes de eu encontrar meu orientador foi que eu sempre quis entender a minha religiosidade, só que de fato, ninguém trabalhava com religião de matriz africana. Eu não tinha uma fonte, eu não tinha alguém que me orientasse. (...) Durante todos os meus anos de  formação de Ensino Fundamental e Médio, eu não tive nenhum professor negro”. (Odé, História)</i></b></p>


<span style="font-weight: 400">Maria Rita destaca que, como o acesso dos estudantes negros se deu em ampla maioria após a aprovação da política de cotas na universidade, “brevemente estaremos assistindo a defesas de teses dos nossos primeiros intelectuais negros da recente leva que, após prestarem concursos públicos, poderão ingressar em programas de Pós-Graduação.” A formação de novos pesquisadores, conhecedores da causa negra, desta forma, deve ampliar o conhecimento sobre a temática afro - questões relativas à religiosidade de matriz africana; do genocídio da juventude negra; sobre a mulher negra e sexualidade; e questões que envolvam o racismo, a justiça e a violência e criminalidade.</span>

<span style="font-weight: 400">Formado em Enfermagem, Agotime - um dos entrevistados - falou sobre a falta de referências negras durante a graduação e sua passagem pelo Hospital Universitário de Santa Maria, nas práticas acadêmicas. Agotime revelou que que foi gratificante, por fim, encontrar no trabalho uma enfermeira negra, em Pelotas. Ele afirma que se sentiu “protegido” por ela.</span>
<p style="text-align: center"><b><i>“Porque tu acaba te enxergando ali. Tu acaba só te enxergando e tu sabes que quando fores trabalhar, aquela inspiração pode servir para uma outra pessoa. Eu não sei. Não tem um sentimento que explique, mas a gente acaba assim. Por exemplo, eu e essa enfermeira, nossa relação acaba assim, mesmo sem falar, ela sabe que é uma referência pra mim. Sei que ela sabe. É uma troca mútua assim, que só no conversar, a gente vai conversando, eu acabo me apegando nela e ela acaba te protegendo de certa forma.” (Agotime, Enfermagem).</i></b></p>


<b>O cotista no mundo do trabalho  </b>

<span style="font-weight: 400">Findada a experiência acadêmica, a entrada no mercado é relatada de diversas maneiras pelos entrevistados. No caso de Kadja, formada em Ciências Sociais, as cotas não contribuíram para que acessasse o mundo do trabalho. A cientista social já trabalhava em um escritório de contabilidade, mas confessa que ter estudado em uma instituição pública fez um grande diferencial em seu ambiente de trabalho. Após ter ingressado no ensino superior, percebeu que alguns clientes passaram a tratá-la com mais consideração e passaram a cumprimentá-la, coisa que não acontecia antes. Por sua vez, Agotime, formado em Enfermagem, pontua que as ações afirmativas ajudaram tanto para ingresso no ensino, como no mundo do trabalho:</span>
<p style="text-align: center"><b>“Foi a porta que me abriu para o mundo. Não só ali na entrada, na Universidade, como a entrada no mercado de trabalho, agora. As cotas foram um divisor de águas na minha vida. Não tem como definir como outra coisa assim, porque realmente foi minha entrada na Universidade através das cotas e depois, a entrada no mercado de trabalho, pelas cotas.” (Agotime, Enfermagem)</b></p>


<span style="font-weight: 400">Para Jamila, formada em Serviço Social, as cotas abriram novos caminhos, e acha que as pessoas precisam divulgar que foram cotistas. Jamila procura sempre declarar que foi estudante cotista da UFSM e acredita que isso é necessário para que haja uma cultura de reconhecimento e pertencimento da luta pela igualdade racial.</span>
<p style="text-align: center"><b> “Porque muitas pessoas se utilizam das cotas, até tem negros que não se afirmam, não tem uma identidade negra, mas na hora das cotas: Vou nas cotas”! Tanto é que pro meu filho, agora no ENEM, quando ele foi colocar, ele disse: - “Mãe, por onde eu me inscrevo? Eu disse: - o que é que a tua identidade, que tanto a gente fala, te diz? Ele me disse, assim: - Eu acho que sou legitimo pra cotista! Eu disse: - Então te inscreva! Ele ficou em primeiro lugar, enquanto cotista, e eu fiquei muito feliz. Eu acho que a gente está perpetuando, tá passando de geração a geração." (Jamila, Serviço Social)</b></p>


<b>Reportagem: </b><span style="font-weight: 400">Tainara Liesenfeld, acadêmica de Jornalismo</span>

<b>Edição</b><span style="font-weight: 400">: Andressa Motter, acadêmica de Jornalismo</span>

<b>Ilustração da capa:</b><span style="font-weight: 400"> Noam Wurzel, acadêmico de Desenho Industrial – A inspiração são as obras de Jean-Michel Basquiat, artista norte-americano que se dedicou às artes das ruas, como grafite, piche e colagens. As questões raciais e a população negra dos Estados Unidos perpassam grande parte da produção do artista, que é negro.</span>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>"A Universidade se pinta de povo”</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/a-universidade-se-pinta-de-povo</link>
				<pubDate>Tue, 13 Nov 2018 19:40:36 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Dossiê Consciência Negra]]></category>
		<category><![CDATA[Consciência Negra]]></category>
		<category><![CDATA[cotas]]></category>
		<category><![CDATA[negras]]></category>
		<category><![CDATA[negros]]></category>
		<category><![CDATA[novembro negro]]></category>
		<category><![CDATA[raça]]></category>

				<guid isPermaLink="false">http://coral.ufsm.br/arco/sitenovo/?p=4854</guid>
						<description><![CDATA[Maria Rita Py Dutra, uma das primeiras mulheres negras a se tornar doutora no Centro de Educação da UFSM, fala sobre cotas, racismo e igualdade
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <em>*Esta matéria foi atualizada em 21/11/2018, às 14:37.</em>

<span style="font-weight: 400">Dos 205,5 milhões de habitantes do Brasil, 46,7% se autodeclaram pardos e 8,2%, pretos. Apesar de, juntas, formarem a parcela majoritária da população nacional, essas pessoas raramente são vistas em comerciais de TV ou revistas, no atendimento de bancos, ocupando cargos de chefia em empresas e, até pouco tempo atrás, nas salas de aula das universidades.</span>

<span style="font-weight: 400">A luta contra a invisibilidade e as desigualdades faz parte da trajetória de Maria Rita Py Dutra, terceira </span><span style="font-weight: 400">mulher negra a se tornar doutora no Programa de Pós-Graduação do Centro de Educação da UFSM. A tese </span><i><span style="font-weight: 400">Cotistas negros da UFSM e o mundo do trabalho</span></i><span style="font-weight: 400">, defendida pela professora em agosto de 2018, discute as situações e condições que influenciam os cotistas negros desde a formação na UFSM até a inserção, ou não, no mercado de trabalho.</span>

<span style="font-weight: 400">Para isso, Maria Rita ouviu relatos de experiências e analisou o universo que está por detrás da problemática, como a desigualdade nos âmbitos econômico e de acesso, o apanhado histórico, a construção de identidades e o conflito de interesses. </span><span style="font-weight: 400">Foram entrevistados formandos dos cursos de Ciências Sociais, Enfermagem, Fisioterapia, Relações Públicas, Medicina Veterinária, Serviço Social, Educação Especial e História Licenciatura.</span>

<span style="font-weight: 400">Como resultado, Maria Rita aponta que, para os estudantes entrevistados, a  política de cotas representou um divisor de águas, mudando totalmente suas vidas. “</span><span style="font-weight: 400">Foram as cotas que abriram um mundo de possibilidades para esses estudantes, em que o ingresso e a superação do discurso racista foi necessária para a conclusão do curso. Na maioria dos casos, o primeiro diploma de ensino superior na família”, comenta Maria Rita, que celebra: </span><span style="font-weight: 400">“A universidade se pinta de povo”.</span>

<span style="font-weight: 400">A pesquisadora entende</span><span style="font-weight: 400"> que uma s</span><span style="font-weight: 400">ociedade igualitária e justa é construída e orientada nos bancos escolares. “Faz parte disso possibilitar que excluídos ingressem no espaço acadêmico, mas que, para além, a estrutura acadêmica seja repensada para que ocorram mudanças radicais em busca da igualdade”, afirma Maria Rita no decorrer da pesquisa. Ela compreende, ainda, que olhar para a conclusão do curso e a entrada no mundo do trabalho “fornece informações importantes para pensarmos em resultados na educação e reavaliarmos, por exemplo, as barreiras que cotistas enfrentam”.</span>

<span style="font-weight: 400">Na tese, Maria Rita compartilha que estudar as ações afirmativas e o racismo fez com que ela refletisse </span><span style="font-weight: 400">sobre questões que a marcaram de forma indelével nos quase 30 anos de carreira no magistério público estadual, sobre as quais ainda carrega marcas e dores não removidas</span><span style="font-weight: 400">.</span> <span style="font-weight: 400"> </span>

<img class="aligncenter size-large wp-image-4861" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/11/DSC_1643_ed-1024x732.jpg" alt="" width="1024" height="732" />

<b>Política de cotas no Brasil e na UFSM</b>

<span style="font-weight: 400">O debate sobre as ações afirmativas reverberou no Brasil após a participação do país, em 2001, na III Conferência contra o Racismo e a Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerância Correlata. Em 2003, foi pautado na UFSM pelo Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (Neab), e definiu-se como </span><i><span style="font-weight: 400">Programa de Ações Afirmativas de Inclusão Racial e Social</span></i><span style="font-weight: 400">. O sistema inclui o ingresso de afro-brasileiros, pessoas com deficiências, alunos de escolas públicas e indígenas no ensino superior.</span>

<span style="font-weight: 400">Em 2012, a presidenta Dilma Rousseff sancionou a Lei das Cotas (nº 12.711/2012), que estabeleceu o sistema de cotas sociais e raciais para ingresso em universidades e institutos federais de todo o país. A legislação prevê a reserva de, no mínimo, 50% de vagas, por curso e turno, para estudantes oriundos de escolas públicas, além de destinar vagas para estudantes negros, pardos e indígenas, de acordo com o percentual populacional local dessas etnias.</span>

<span style="font-weight: 400">Perante a aprovação, surgiram várias perguntas quanto à legitimidade constitucional da política de cotas, às quais o Supremo Tribunal Federal (STF) respondeu, entendendo que a política fazia parte de um processo de correção das desigualdades sociais, inclusive daquelas baseadas na cor da pele.</span>

<span style="font-weight: 400">Atualmente, a UFSM não dispõe de uma política de acompanhamento e avaliação do processo de permanência dos cotistas negros. Segundo Maria Rita, essa questão ainda não despertou interesse nos pesquisadores por haver poucas referências de estudos sobre.</span>

<span style="font-weight: 400">Em sua tese, a professora salienta que a presença de alunos afro-brasileiros, indígenas, portadores de deficiência e provenientes de escolas públicas é asseguradora da diversidade e da democracia nas universidades públicas brasileiras. “A política afirmativa é necessária para reparar os aspectos discriminatórios que impedem o acesso de pessoas pertencentes a diversos grupos sociais às mais diferentes oportunidades”, pontua.</span>

<b>Trajetória de Maria Rita</b>

<span style="font-weight: 400">Professora desde 1967, quando concluiu o Curso Normal, passou 30 anos ensinando e se especializando em diferentes áreas, como química, pedagogia, história, ciências sociais. Desde 1988, seu trabalho envolve a temática étnico-racial e o racismo. Na intenção de romper barreiras, Maria Rita fez parte do projeto </span><i><span style="font-weight: 400">Combatendo o Racismo através da Literatura Infantil</span></i><span style="font-weight: 400"> entre 2003 e 2008, criado por um grupo de estudantes do curso de Museologia da Universidade Franciscana. Ali, contava histórias de questões raciais, além de ministrar oficinas e cursos a estudantes e professores no Museu Treze de Maio.  </span>

<span style="font-weight: 400">A experiência gerou </span><a href="http://coral.ufsm.br/arco/sitenovo/?p=436"><span style="font-weight: 400">frutos literários</span></a><span style="font-weight: 400">, como </span><i><span style="font-weight: 400">O Aniversário de Aziza</span></i><span style="font-weight: 400"> e </span><i><span style="font-weight: 400">Dia dos Negros</span></i><span style="font-weight: 400">. Na UFSM, Maria Rita participa do grupo </span><i><span style="font-weight: 400">Negros e</span></i> <i><span style="font-weight: 400">o Movimento Social Negro</span></i><span style="font-weight: 400"> (MN), que trata sobre direitos e igualdades, buscando contribuir para o aperfeiçoamento das políticas de cotas na Universidade.</span>

<span style="font-weight: 400">Pelo que ela representa, organizadores e coletivos que construíram a programação das atividades do mês da Consciência Negra em 2018 na UFSM homenageiam Maria Rita como a primeira patronesse da data. O momento marca, ainda, uma década de política de ações afirmativas na Universidade.</span>

<b>Reportagem:</b><span style="font-weight: 400"> Bibiana Pinheiro, acadêmica de Jornalismo</span>

<b>Edição: </b><span style="font-weight: 400">Andressa Motter, acadêmica de Jornalismo</span>

<b>Fotografia:</b><span style="font-weight: 400"> Dartanhan Baldez Figueiredo</span>

<b>Ilustração da capa:</b><span style="font-weight: 400"> Noam Wurzel, acadêmico de Desenho Industrial - A inspiração são as obras de </span><span style="font-weight: 400">Jean-Michel Basquiat, artista norte-americano que </span><span style="font-weight: 400">se dedicou às artes das ruas, como grafite, piche e colagens. As questões raciais e a população negra dos Estados Unidos perpassam grande parte da produção do artista, que é negro.</span>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Luta e visibilidade trans</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/luta-e-visibilidade-trans</link>
				<pubDate>Thu, 28 Jun 2018 22:09:26 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[#visibilidade]]></category>
		<category><![CDATA[cirurgia de transcendentalização]]></category>
		<category><![CDATA[cotas]]></category>
		<category><![CDATA[LGBT]]></category>
		<category><![CDATA[nome social]]></category>
		<category><![CDATA[OMS]]></category>
		<category><![CDATA[trans]]></category>
		<category><![CDATA[transexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[transfobia]]></category>

				<guid isPermaLink="false">http://coral.ufsm.br/arco/sitenovo/?p=3867</guid>
						<description><![CDATA[No mês do orgulho LGBT+, transexuais comemoram avanços, porém ainda enfrentam preconceitos]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <img class="alignright size-medium wp-image-3871" src="https://www.ufsm.br/midias/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/06/CapaLGBT_Site-Arco-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" />

<span style="font-weight: 400">Dia 28 de junho é o Dia Internacional do Orgulho LGBTQ+ (gays, lésbicas, bissexuais, transexuais e intersexuais). A escolha da data remete a 1969, em função de acontecimentos ocorridos em um bar que existia em Nova York. Na época, não eram permitidos espaços para convivência das pessoas LGBTQ+. O local era uma espécie de ponto de encontro informal deste grupo - que chegava a pagar propina aos proprietários para que permanecesse em funcionamento. Ainda assim, eram comuns batidas policiais e agressões aos frequentadores do bar. Até que, em 28 de junho daquele ano, a comunidade LGBTQ+ resolveu se insurgir com protestos e mobilizações.</span>

<span style="font-weight: 400">Nos anos que se seguiram, nesta mesma data, as ruas da cidade eram tomadas pela Parada do Orgulho, com o intuito de incentivar a discussão sobre a visibilidade e a importância do combate à homofobia e da busca por direitos. De lá para cá, os</span> <a href="https://www.ufsm.br/midias/arco/2016/06/08/o-espaco-tambem-e-deles/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-weight: 400">locais para convivênci</span><span style="font-weight: 400">a LGBT</span><span style="font-weight: 400">+</span></a><span style="font-weight: 400"> foram sendo diversificados. Ainda que se notem avanços, alguns entraves ainda são apontados na construção de uma sociedade livre de preconceitos e mais igualitária.</span>

<strong>Visibilidade trans</strong>

<span style="font-weight: 400">A sigla LGBTQ+ abriga identidades distintas e com demandas específicas e, portanto, se destina a promover a diversidade das culturas baseadas e</span><span style="font-weight: 400">m </span><span style="font-weight: 400">identidade sexual e de gênero</span><span style="font-weight: 400">.</span><span style="font-weight: 400"> A letra “T”</span> <span style="font-weight: 400">refere-se à uma identidade de gênero. Neste sentido, a transexualidade refere-se à </span><span style="font-weight: 400">condição do indivíduo cujo gênero pelo qual se identifica é diferente do sexo biológico.  </span>

<span style="font-weight: 400">Até junho de 2018, </span><span style="font-weight: 400">as pessoas que não se identificavam com o sexo que lhes foi atribuído ao nascer eram consideradas com transtornos mentais, segundo a classificação da Organização Mundial da Saúde (OMS). A mudança veio com a alteração na Classificação Internacional de Doenças (CID): </span><span style="font-weight: 400">os diagnósticos de “transexualismo” e “travestismo” foram substituídos pela noção de </span><i><span style="font-weight: 400">incongruência de gênero</span></i><span style="font-weight: 400">. Com a transexualidade ainda compondo a CID, mantém-se amparado o direito por cobertura pelos sistemas de saúde.</span>

<b>Cirurgia de redesignação sexual  </b>

<span style="font-weight: 400">A pesquisa</span> <a href="https://periodicos.ufsm.br/revistadireito/article/view/18583/pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><i><span style="font-weight: 400">Transexualidade e Dignidade da Pessoa Humana</span></i></a><span style="font-weight: 400">, </span><span style="font-weight: 400">realizada por</span> <span style="font-weight: 400">Edwirges Rodrigues e Maria Amália Alvarenga</span> <span style="font-weight: 400">e divulgada em 2015 pela Revista Eletrônica do curso de Direito da UFSM, busca fazer uma investigação sobre a transexualidade no Brasil. O texto, já na introdução, enfatiza que “os indivíduos transexuais enfrentam inúmeros preconceitos e dificuldades ao longo de suas vidas, podendo-se afirmar que, para alcançar sua completude, o transexual necessita reconhecer-se como titular do sexo oposto em todos os sentidos: médico (adequação do sexo biológico ao sexo psicológico), social (inclusão social deste indivíduo, para que seja aceito pela sociedade) e jurídico (perante a lei)”.</span>

<span style="font-weight: 400">Até 1997, a cirurgia de redesignação sexual ou de transgenitalização - adequação dos genitais ao gênero com o qual a pessoa se identifica - era proibida no Brasil. O processo de transformação corporal, que engloba as cirurgias de redesignação sexual, a plástica mamária reconstrutiva (incluindo próteses de silicone) e mastectomia (retirada de mama), só começou a ser ofertado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em 2008.</span>

<span style="font-weight: 400">A regulamentação da cirurgia é responsabilidade do Conselho Federal de Medicina, ditada através da</span><span style="font-weight: 400"> Resolução n° 1.955 de 2010</span><b>. </b><span style="font-weight: 400">De acordo com as pesquisadoras, o procedimento é bastante discutido no ordenamento jurídico, já que pode ser caracterizado como de caráter mutilante ou de caráter corretivo. As autoras defendem como mais adequada esta última, tendo em vista a finalidade terapêutica da cirurgia: “Torna-se admissível a disposição do direito à integridade física para autorizar a cirurgia de adequação sexual, na medida em que corresponde à realização do direito à saúde e a garantia da dignidade da pessoa humana, possibilitando o livre desenvolvimento da personalidade do indivíduo”, explicam na pesquisa.</span>

<span style="font-weight: 400">No país, há cinco hospitais, todos universitários, habilitados para as cirurgias pelo SUS, de acordo com o Ministério da Saúde: o Hospital das Clínicas (HC) de Porto Alegre, HC de Goiânia, HC de Recife, HC de São Paulo e o Hospital Universitário Pedro Ernesto do Rio de Janeiro.</span>

<b>Nome social</b>

<span style="font-weight: 400">Em março de 2018, foi definido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) que “todo cidadão tem o direito de escolher a forma que deseja ser chamado”. Foi reconhecido, por unanimidade, que pessoas trans podem alterar seu nome e sexo, em cartório, mesmo sem terem realizado a cirurgia de redesignação sexual. </span><span style="font-weight: 400">A autorização sobre a modificação do registro civil parte, atualmente, da declaração sobre a preponderância do sexo psicológico e/ou social sobre o sexo biológico. </span><span style="font-weight: 400">Essa conquista era uma das reivindicações mais importantes de transexuais desde 2016.</span>

<span style="font-weight: 400">Na UFSM, a possibilidade de alteração do nome social por pessoas trans e travestis foi</span><a href="https://www.ufsm.br/orgaos-executivos/caed/wp-content/uploads/sites/391/2018/10/resolu%C3%A7%C3%A3o_010-2015_Nome_Social.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-weight: 400"> aprovada em 2015</span></a><span style="font-weight: 400">. Desde então, 14 pessoas adotaram o nome social, sendo nove mulheres transgênero e cinco homens transgênero.</span>

<b>Cotas para transgêneros</b>

<span style="font-weight: 400">Algumas universidades começaram a inserir pessoas trans no ambiente acadêmico, neste ano. A Universidade do Sul da Bahia (UFSB) foi a primeira a reservar vagas para as pessoas trans ou travestis nos mesmos moldes que para indígenas e quilombolas. A Universidade Federal do ABC (UFABC), em São Paulo, também abriu seis vagas para pessoas trans na Escola Preparatória. Já na Universidade Federal Fluminense, foram abertas duas vagas para autodeclarados transgêneros em pós-graduação em Sociologia. A partir de setembro, </span><span style="font-weight: 400">a Universidade Federal de Cariri (UFCA), no Ceará, será a primeira de todo o estado a reservar vagas nos editais de programas de pós-graduação para pessoas transgênero. </span>

<b>Transfobia </b>

<span style="font-weight: 400">De acordo com dados divulgados pela Organização Não Governamental (ONG) </span><a href="http://transrespect.org/wp-content/uploads/2016/11/TvT-PS-Vol14-2016.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><b>Transgender Europe</b></a> <span style="font-weight: 400">(TGEu), em novembro de</span><span style="font-weight: 400"> 2</span><span style="font-weight: 400">016, o Brasil estava no topo do ranking de países com mais registros de homicídios de pessoas transgênero. O relatório descreve a violência de ódio transfóbico como “qualquer incidente que seja motivado por preconceito, hostilidade ou ódio contra </span><span style="font-weight: 400">contra pessoas ou grupos que transgridem ou não se conformam com o expectativas e normas de gênero”.</span>

<span style="font-weight: 400">Em 2018, a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), divulgou que o </span><a href="https://www.google.com/maps/d/u/0/viewer?mid=1O4mvhh3OTAFp61U4sUb5hArN4r5uEYBX&amp;ll=-12.817286845466187%2C-47.43337159999999&amp;z=5" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-weight: 400">número de assassinatos</span></a><span style="font-weight: 400"> é crescente no país. Até o dia 29 de março deste ano, o Brasil havia registrado um aumento 20% (10 casos) no número de assassinatos em relação ao mesmo período de 2017.</span>

<span style="font-weight: 400">O artigo </span><a href="http://www.ucs.br/etc/revistas/index.php/conexao/article/view/4769/3032" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><i><span style="font-weight: 400">Narrativas jornalísticas e possibilidades de resistência acerca do acontecimento #SomosTodasVerônica: mídia, transfobia e violência</span></i></a><span style="font-weight: 400">, escrito por Viviane Borelli, Alisson Machado e Marlon Santa Maria Dias, do Departamento de Ciências da Comunicação da UFSM, explica que, no Brasil, a transfobia letal incide principalmente sobre a população de travestis negras ou pardas, com pouco acesso a recursos econômicos e sociais.</span>

<span style="font-weight: 400">A Constituição Brasileira não possui nenhuma lei específica a respeito da transfobia. O Projeto de Lei nº 122/2006 (</span><a href="https://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/79604" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-weight: 400">PL 122</span></a><span style="font-weight: 400">), apresentado em 2006 na</span> <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%A2mara_dos_Deputados_do_Brasil" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-weight: 400">Câmara dos Deputados do Brasil</span></a><span style="font-weight: 400">, tem como objetivo criminalizar a discriminação motivada pela orientação sexual ou pela identidade de gênero da pessoa discriminada. Em 2014, o PL foi arquivado.</span>

<span style="font-weight: 400">No Rio Grande do Sul, existe um Conselho Estadual LGBT - vinculado à Secretaria da Justiça e dos Direitos Humanos - onde os agentes  recebem capacitação no atendimento de grupos vulneráveis. O estado contabiliza dados de transfobia por meio de um Observatório de Violência LGBT. No entanto, não existem delegacias especializadas em crimes de LGBTfobia. As denúncias podem ser feitas pelo 190 e pelo Disque 100. </span>

<span style="font-weight: 400"><strong>Reportagem:</strong> Andressa Motter, Mirella Joels e Tainara Liesenfeld
</span><span style="font-weight: 400"><strong>Fotografia:</strong> Yannis Papanastasopoulos/ Unsplash</span>]]></content:encoded>
													</item>
					</channel>
        </rss>
        