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				<title>Arco entrevista Átila Da-Rosa: nome de fóssil descoberto recentemente na região homenageia o docente da UFSM</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/arco-entrevista-atila-da-rosa-nome-de-fossil-descoberto-recentemente-na-regiao-homenageia-o-docente-da-ufsm</link>
				<pubDate>Thu, 07 Mar 2024 12:48:43 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[arco entrevista]]></category>
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		<category><![CDATA[paleontologia]]></category>

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						<description><![CDATA[Kwatisuchus rosai foi encontrado em 2022 por equipe da Unipampa]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph /-->

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<p><img class="size-large wp-image-9948 aligncenter" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2024/03/IMG_9518-1024x683.jpg" alt="" width="1024" height="683" /></p>
<p><span style="font-weight: 400"> Em janeiro deste ano, Átila Da-Rosa, docente do </span><span style="font-weight: 400">Departamento de Geociências </span><span style="font-weight: 400">da UFSM, recebeu uma homenagem inesperada: </span><a href="https://unipampa.edu.br/saogabriel/descoberta-anfibio-gigante-mais-antigo-que-dinossauros-e-encontrado-no-rio-grande-do-sul"><span style="font-weight: 400">um fóssil descoberto</span></a><span style="font-weight: 400"> pela equipe do </span><span style="font-weight: 400">Laboratório de Paleobiologia do Campus São Gabriel da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) recebeu o seu nome. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400">O fóssil </span><i><span style="font-weight: 400">Kwatisuchus rosai</span></i><span style="font-weight: 400">, encontrado em 2022 em uma fazenda no município de Rosário do Sul, apresenta características inusitadas. O anfíbio possui semelhanças com fósseis encontrados na região que hoje é conhecida como Rússia, o que desafia os limites do conhecimento sobre a Pangeia (o supercontinente, que existiu há cerca de 300 milhões de anos) já que, mesmo com a ligação das regiões, barreiras como cadeias montanhosas bloqueariam o acesso das espécies. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400">O nome do bicho faz referência ao termo tupi “Kwati”, que significa “focinho comprido”, e “rosai”, em homenagem a Átila. O professor da Unipampa e líder do grupo  responsável pela descoberta, Felipe Pinheiro, conta que a ideia da homenagem surgiu de forma natural, pois o trabalho de Átila abriu caminho para que chegassem a esse resultado.</span> <span style="font-weight: 400">“O Átila pavimentou a estrada que seguimos em nossas pesquisas desde 2015. Em anos anteriores, ele foi protagonista no reconhecimento, descrição e coleta de fósseis em sítios fossilíferos do início do Triássico. Seu trabalho permitiu a descoberta do </span><i><span style="font-weight: 400">Kwatisuchus</span></i><span style="font-weight: 400"> e de inúmeros outros fósseis que a equipe da Unipampa recuperou e estudou nos últimos anos”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400">O encontro de Felipe com Átila aconteceu em meados de 2008, ano em que Felipe finalizou a graduação na </span><span style="font-weight: 400">Universidade Federal do Ceará (UFC),</span> <span style="font-weight: 400">mas ele conta que</span><span style="font-weight: 400"> já admirava a relevância do professor da UFSM para a Paleontologia antes disso: “Suas contribuições sobre a geologia e Paleontologia do Rio Grande do Sul já eram familiares para mim antes de conhecê-lo pessoalmente”. Outros integrantes do grupo da Unipampa também foram impactados pelo trabalho dele, como Arielli Machado, pesquisadora da Unipampa, que foi aluna de Átila na UFSM, e os pesquisadores Voltaire Paes Neto e Estevan Eltink, que já colaboraram com ele em outros projetos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Em 25 anos de atuação como docente na UFSM, Átila continua a construir seu legado na pesquisa, mas já se consolidou como um dos grandes nomes da Paleontologia por meio de sua contribuição nos estudos voltados, principalmente, ao Rio Grande do Sul. “</span><span style="font-weight: 400">Poucos contribuíram como o Átila na compreensão holística de como era a região onde hoje fica Santa Maria durante o período Triássico. Isto é, na integração da informação obtida pelos fósseis e aquela proveniente das rochas. Sua pesquisa paleontológica com um forte viés geológico nos ensina a jamais ignorar as pistas deixadas pelas rochas, as únicas testemunhas dos ambientes do passado”, destaca Felipe.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Em homenagem ao dia do paleontólogo, a equipe da Arco conversou com Átila sobre questões que vão desde os desafios encontrados em mais de duas décadas de dedicação à pesquisa até sua percepção sobre a área de atuação e a motivação para continuar formando novos cientistas. Confira o que ele disse:</span></p>
<p><b>Arco- O que o motivou a escolher a Paleontologia como carreira?</b></p>
<p><b>Átila Da-Rosa - </b><span style="font-weight: 400">Na infância,  queria ser astronauta ou piloto de Fórmula 1. Na cidade onde eu morava, Bagé, vi uma "pedra da Lua" (meteorito) em exposição, doada pela Nasa, e aquilo me fascinou, tanto pela parte científica quanto pela exploração do espaço. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Já na adolescência, sabia que não queria seguir a área do Direito, em que toda a família trabalhava. Queria um trabalho no campo. Um dia, um geólogo deu uma palestra no meu colégio, e eu me encantei pelo assunto. Feito o vestibular para geologia, no primeiro semestre já sabia que faria isso pelo resto da vida. No final do curso, já tentava me espelhar nos grandes professores que tive, e escolhi ser um professor/pesquisador, na interface entre a Geologia e a Paleontologia. Assim, fiz mestrado e doutorado na área, e depois concurso público para a UFSM, onde trabalho há 25 anos.</span></p>
<p><b>Arco- Como você descreveria o papel da Paleontologia para a sociedade?</b></p>
<p><b>Átila Da-Rosa - </b><span style="font-weight: 400">Essa é uma pergunta difícil, e não corriqueira, mas importante. Em primeiro lugar, penso que a ciência deve sempre procurar a evolução da Humanidade, para que possamos aprender com o passado e melhorar nossas previsões para o futuro. Em segundo lugar, a Paleontologia, por si só, já atrai a atenção da população, que tem muita curiosidade pela vida no passado. Nosso papel então está em promover a tradução dessas informações,  para que saibam que nosso planeta é único em Biodiversidade, e que sua manutenção depende de uma série de fatores, positivos ou negativos para nós, ao longo do tempo geológico.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Penso que o paleontólogo, como qualquer cientista, deve buscar não apenas a excelência em sua área de atuação, mas incluir nisso a extensão, como uma forma de retorno do conhecimento às comunidades envolvidas.</span></p>
<p><b>Arco- Qual a melhor e a pior parte de ser um pesquisador e atuar na área?</b></p>
<p><b>Átila Da-Rosa- </b><span style="font-weight: 400">Fazer ciência no Brasil ainda é difícil, apesar dos anos de ouro em investimentos na Educação, Ciência e Tecnologia nos anos 2000. Nossos pesquisadores são bem reconhecidos em diversas partes do mundo, para onde geralmente vão quando não há vagas, bolsas ou recursos por aqui. Essa "fuga de cérebros" é talvez a coisa mais frustrante para um pesquisador. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Na Paleontologia, a melhor parte é poder acompanhar todo o processo, desde a coleta em campo ao preparo em laboratório, e posterior publicação em um periódico científico e também a repercussão na mídia local.</span></p>
<p><b>Arco- Recentemente, você recebeu uma homenagem com a nomenclatura do fóssil anfíbio encontrado no Rio Grande do Sul. O que isso representou para você?</b></p>
<p><b>Átila Da-Rosa- </b><span style="font-weight: 400">Uma grande honra! Diz o poeta cubano José Martí que uma pessoa deveria plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro para se sentir completa. Receber uma homenagem dessas é muito mais do que isso! É ser eternizado na ciência por colegas muito queridos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Eles pediram uma reunião online comigo, alegando que precisavam conversar sobre um artigo. Achei que queriam ajuda na parte geológica. Comecei a ler atentamente, então perguntaram se eu tinha gostado do nome. "Nome?!", pensei, e corri para a descrição do fóssil. Fiquei tão emocionado, que comecei a chorar. E só consegui dizer, "muito, muito, muito obrigado, me deixaram sem palavras!"</span></p>
[caption id="attachment_9947" align="alignnone" width="1024"]<img class="wp-image-9947 size-large" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2024/03/IMG_9514-1024x683.jpg" alt="" width="1024" height="683" /> <em>Imagem do Kwatisuchus rosai, cujo fóssil foi encontrado em 2022 e homenageia Átila Da-Rosa</em>[/caption]
<p><b>Arco- A homenagem foi graças ao seu trabalho pioneiro na localização de sítios fossilíferos que remetem ao período Triássico, incluindo no local em que o </b><b><i>Kwatisuchus rosai</i></b><b> foi encontrado. O que essas descobertas representam para o estudo paleontológico da região?</b></p>
<p><b>Átila Da-Rosa- </b><span style="font-weight: 400">A Formação Sanga do Cabral foi definida formalmente em 1980, e dela sempre se conheceu fósseis fragmentários, encontrados em poucos afloramentos. Minha preocupação sempre foi a de encontrar novos sítios, para todas as formações geológicas com que trabalho. Isso seguramente ajuda a ampliar o conhecimento sobre os ambientes, climas e biotas [conjunto de organismos que habitam ou habitaram em um determinado ambiente] do passado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">No caso da descoberta do </span><i><span style="font-weight: 400">Kwatisuchus</span></i><span style="font-weight: 400">, três coisas chamam a atenção: a) a presença de anfíbios compartilhando o papel de predadores topo de cadeia, com répteis arcossauromorfos, b) a identificação de ambientes de planícies, com rios rasos, temporários e de alta energia, com raríssimos registros lacustres, c) a semelhança desses fósseis com representantes da parte norte da Pangeia, trazendo perguntas intrigantes sobre sua evolução.</span></p>
<p><b>Arco- Como foi desenvolvido o trabalho que resultou nessas descobertas?</b></p>
<p><b>Átila Da-Rosa- </b><span style="font-weight: 400">O Felipe Pinheiro, desde que assumiu o cargo na Unipampa Campus São Gabriel, vem revisitando os sítios conhecidos, e buscando novos, bem como alguns "esquecidos" pela Paleontologia. Neste sítio em particular, a Granja Palmeira, eu e um colega, o professor Sérgio Dias da Silva, tínhamos descrito sua geologia e alguns fósseis. O Felipe continuou procurando fósseis lá, até que encontraram esse belíssimo exemplar. Depois foram para o laboratório, preparar o material e comparar com as formas conhecidas no mundo todo, com a grata surpresa de ser semelhante a formas russas.</span></p>
<p><b>Arco- Quais são as características dessas localidades?</b></p>
<p><b>Átila Da-Rosa- </b><span style="font-weight: 400">Cada formação geológica é caracterizada a partir de suas diferenças quanto ao tipo e cor do sedimento, estruturas e fósseis existentes em relação a outras formações. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400">A Formação Sanga do Cabral é caracterizada por arenito finos alaranjados, contendo concreções carbonáticas [nódulos mineralizados por carbonato de cálcio, gerados pela infiltração de água em solos] e níveis com conglomerados e arenito mais grossos, com estratificação cruzada. Essas feições são bem visíveis nos cortes de estrada (rodovias e ferrovias), ou em ravinas formadas pela erosão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400"> <img class="alignright  wp-image-9946" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2024/03/IMG_9511-1024x683.jpg" alt="" width="553" height="369" /></span></p>
<p><b>Arco- Você se dedica, principalmente, ao estudo do período Triássico. Quais são as especificidades desse período e o que desperta seu interesse nele?</b></p>
<p><b>Átila Da-Rosa- </b><span style="font-weight: 400">O Triássico é o </span><a href="https://www.ufsm.br/midias/arco/post463"><span style="font-weight: 400">primeiro período da Era Mesozoica</span></a><span style="font-weight: 400">, também conhecida como "Era dos dinossauros" ou "Era dos grandes répteis". Tudo o que aconteceu nesse período remete ao processo de reorganização da vida e dos ambientes, logo após o principal evento de extinção em massa de nosso planeta. Assim, o estudo da Formação Sanga do Cabral se reveste de importância única, pois é um dos poucos lugares do mundo onde se preservam rochas e fósseis desse período.</span></p>
<p><b>Arco- O que te motiva a continuar formando novos profissionais da área?</b></p>
<p><b>Átila Da-Rosa- </b><span style="font-weight: 400">A finitude das coisas. A ciência se mantém pelo aprendizado, pela formação de recursos humanos. Sempre haverá fósseis para cavar e estudar, mas é preciso sempre formar pessoas para essa continuidade.</span></p>
<p><b>Arco- Qual mensagem você deixaria para quem tem interesse na área ou está em período de formação?</b></p>
<p><b>Átila Da-Rosa- </b><span style="font-weight: 400">Qualquer profissão a ser escolhida deve sempre ser algo que te dê vontade de estar ali todo dia, o "brilho no olho", e um retorno financeiro mínimo.  Para isso, é preciso estudar e se preparar, e preferencialmente fazer algum estágio num laboratório de Paleontologia. Perto de sua cidade sempre pode ter um laboratório,  um professor e fósseis esperando por você!<br /><br /><b style="font-weight: 400"><i>Reportagem:</i></b><i style="font-weight: 400"> Júlia Weber, estudante de jornalismo e estagiária da Agência de Notícias<br /></i><i>Fotografia: <em>Ana Alicia Flores, acadêmica de Desenho Industrial, bolsista da Agência de Notícias</em><br /></i><b style="font-weight: 400"><i>Edição:</i></b><i style="font-weight: 400"> Luciane Treulieb, jornalista</i><br /></span></p>
<p><br /><br /></p>
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													</item>
						<item>
				<title>Dossiê Mudanças Climáticas: Segurança alimentar em xeque</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/seguranca-alimentar-em-xeque</link>
				<pubDate>Thu, 29 Feb 2024 13:02:11 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[13ª Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Dossiê UFSM]]></category>
		<category><![CDATA[destaque arco]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[dossie-arco-13-materia]]></category>
		<category><![CDATA[mudanças climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[produção de alimentos]]></category>

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						<description><![CDATA[Eventos climáticos extremos mais frequentes e intensos afetam a produção mundial de comida e intensificam a insegurança alimentar em comunidades locais]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  Milho, soja, feijão, arroz, leite, carne bovina e frango tiveram aumento significativo de preços em 2022. Além da crise econômica, os eventos climáticos extremos que atingiram o Brasil em 2021 e 2022 também são motivos do maior custo dos alimentos. Bahia, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro registraram enchentes com centenas de mortos, de acordo com o Sistema Integrado de Informações sobre Desastres do Ministério do Desenvolvimento Regional (S2ID/MDR). Além disso, no sudeste e sul do país, principalmente em São Paulo e no Rio Grande do Sul, a ausência de chuvas provocou uma estiagem severa que, no estado gaúcho, é a segunda maior já registrada, de acordo com o Monitor de Secas do Brasil, da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). Tanto o excesso quanto a falta de água afetam a produção de alimentos: a agricultura funciona por meio de ciclos e de cadeias de produtividade e, caso haja desequilíbrios em alguma etapa, a safra pode ser prejudicada. De acordo com o relatório de 2021 do Painel Intergovernamental sobre o Clima (IPCC), da Organização das Nações Unidas (ONU), com a intensificação dos fenômenos das mudanças climáticas, a produção de alimentos brasileira será menor, principalmente em função da maior frequência dos eventos climáticos extremos, como secas, enchentes e incêndios.

<img width="1920" height="1080" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/09/Interior-Materia-Seguranca-alimentar-em-xeque.jpg" alt="" loading="lazy">

Para Dilson Bisognin, professor no Departamento de Fitotecnia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), o aumento da temperatura impacta todas as populações de plantas, inclusive no crescimento de patógenos - como bactérias, fungos e vírus - e plantas daninhas mais resistentes, além de afetar os animais.&nbsp;“Qualquer mudança no ambiente vai afetar a vida do planeta. Mínimas mudanças têm um enorme efeito nas populações. Por exemplo, em 2022, os meses de restrição hídrica tiveram um enorme impacto nas plantas e microorganismos”, explica o docente. Segundo o relatório "Mudanças Climáticas e Eventos Extremos no Brasil", da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS), durante os últimos 50 anos, a América do Sul teve ampliação de intensidade e frequência dos eventos climáticos extremos. Isso aumenta os custos econômicos e sociais e impacta principalmente os setores da agricultura, da geração de hidroeletricidade, os centros urbanos e a biodiversidade.
<h3>4 pilares</h3>
A segurança alimentar se baseia em quatro pilares: disponibilidade, utilização, estabilidade e acesso.

<em>Com base em dados do relatório do IPCC 2020 - 2021.</em>
<h4>DISPONIBILIDADE</h4>
Resultado dos processos de produção, armazenamento, processamento, distribuição e troca de alimentos. Se a produção é afetada, as outras etapas também serão. Em uma estiagem, a ausência de água na produção pode acarretar, por exemplo, a falta de tomate na prateleira do supermercado.
<h4>UTILIZAÇÃO</h4>
Modo como se utilizam os alimentos (envolve a composição nutricional, a preparação e a qualidade). As mudanças climáticas influenciam o modo como os alimentos serão consumidos. Na safra de tomate prejudicada pela estiagem, a pouca disponibilidade eleva os preços, o que impacta a capacidade de compra das pessoas, que deixam de consumir o alimento.
<h4>ESTABILIDADE</h4>
Capacidade das pessoas em acessar e usar alimentos diariamente. Em um cenário de aumento do preço dos alimentos, que é intensificado pelos eventos climáticos extremos, uma família de média ou baixa renda pode não ter dinheiro para comprar comida de qualidade todos os dias.
<h4>ACESSO</h4>
Capacidade de obter comida com preços acessíveis. Os itens mais afetados com o aumento de preços costumam ser os cereais e produtos de origem animal. O acesso influencia a estabilidade alimentar.
<h3>Sistemas produtivos</h3>
Os últimos relatórios do IPCC, inclusive o de 2022, apontam que as mudanças climáticas podem afetar diferentes sistemas produtivos, como a pecuária, a polinização, a aquicultura e a agricultura familiar (veja detalhes na próxima página). Além disso, são os locais mais vulneráveis que têm maior possibilidade de serem atingidos pelos efeitos de eventos climáticos extremos. “Os alimentos, nos últimos tempos, têm sido encarados enquanto mercadoria e não são produzidos com a finalidade de consumo e de alimentar as pessoas”, argumenta Cleder Fontana, docente no Departamento de Geociências da UFSM e líder do Núcleo de Estudos em Geografia, Agricultura e Alimentação (NUGAAL). Ou seja, a produção de commodities - em grande escala, como os grãos - deve continuar crescendo globalmente e gerar riscos à segurança alimentar, devido à conversão de áreas produtoras de alimentos em áreas produtoras de matéria-prima para os agrocombustíveis.
<h3>Efeito cascata</h3>
De acordo com Juliano Barin, docente no Departamento de Tecnologia e Ciência dos Alimentos da UFSM, elementos como os insumos, a água, o solo e o trabalho humano também são parte integrante dos sistemas produtivos alimentares. “São cadeias que estão interligadas. Por exemplo, o milho é muito usado para ração animal. Então, se tiver uma quebra na produção do milho, o preço da carne vai aumentar, especialmente a de frango. Qualquer alteração climática que tenha uma quebra na produção vai impactar em efeito cascata”, explica.

<img width="126" height="120" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/09/Trigo.jpg" alt="" loading="lazy">

1. Quando há estiagem, a safra de milho é prejudicada (tanto para a colheita do grão quanto para o corte da planta).

<img width="126" height="120" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/09/Animais.jpg" alt="" loading="lazy">

2. Para o gado, a ração e a silagem (milho picado e fermentado) tem custo maior e menos qualidade. O frango também é afetado, a ração, que é a base da alimentação, é feita de milho, cujo custo fica maior.

<img width="126" height="120" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/09/Leite.jpg" alt="" loading="lazy">

3. Com isso, os preços do leite, dos ovos, da carne de gado e de frango aumentam. Nos supermercados, nem todas as pessoas conseguem adquirir estes e outros itens básicos da alimentação.
<h3>Insegurança alimentar e fome</h3>
Somente no Brasil, são mais de 33 milhões de pessoas que passam fome, de acordo com dados do 2º inquérito sobre insegurança alimentar produzido pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Penssan). Conduzida em 2022,
a pesquisa mostra que só quatro a cada dez famílias têm acesso pleno à alimentação. Os números altos mostram um cenário preocupante. Os relatórios do IPCC alertam que a insegurança alimentar e a fome podem aumentar com o cenário de maior frequência
e intensidade dos eventos climáticos extremos. No entanto, para Cleder Fontana, é preciso cautela na análise, uma vez que a fome não é causada apenas pelas mudanças climáticas. “Temos que pensar que a fome é um problema, sobretudo, político. E quando fazemos a relação de mudanças climáticas, aquecimento global e fome, corremos o risco de dar uma explicação simplista, de que a fome é um problema que deriva de uma condição natural, apesar de que os dois problemas guardam similaridades, pois ambos são sociais”, alerta. O docente reforça que abordar outros aspectos que causam a fome e a insegurança alimentar não vão contra o consenso científico da existência das mudanças climáticas e seus efeitos.

Mesmo assim, de acordo com estudos da Organização&nbsp;das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura&nbsp;(FAO), as mudanças climáticas vão impactar,&nbsp;de forma negativa, os pilares da segurança alimentar.&nbsp;De acordo com o IPCC e a Convenção das Nações&nbsp;Unidas para o Combate à Desertificação (UNCDD),&nbsp;os mais afetados serão os produtores e consumidores&nbsp;de baixa renda, principalmente por conta da ausência&nbsp;de recursos que possibilitem o investimento em&nbsp;adaptações, tanto em sistemas produtivos quanto no&nbsp;consumo. “Com certeza pode afetar as populações&nbsp;e produções locais, que abastecem as pessoas com&nbsp;alimentos, especialmente no contexto em que as&nbsp;pessoas não têm recursos financeiros para comprar”,&nbsp;afirma Cleder.
<h3>Insegurança alimentar e fome</h3>
Com base em dados do relatório do IPCC 2020 - 2021.

<img width="126" height="120" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/09/Vaca-1.jpg" alt="" loading="lazy">

PECUÁRIA: impactado pela combinação de temperaturas mais altas, a variação da precipitação, a concentração de
dióxido de carbono atmosférico (CO₂) e a disponibilidade da água. Consequências são a diminuição da oferta e o aumento do preço de carnes, problemas na reprodução, na saúde animal e na qualidade das pastagens, além do aumento de doenças.

<img width="126" height="120" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/09/Agricultor.jpg" alt="" loading="lazy">

AGRICULTURA FAMILIAR: eventos&nbsp;como estiagens e inundações, principalmente,&nbsp;impedem a produção de&nbsp;alimentos que, muitas vezes, são, além&nbsp;da única fonte de renda, também a&nbsp;fonte alimentar das famílias do campo.

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POLINIZAÇÃO: afetado, principalmente,&nbsp;pelo aumento de patógenos mais virulentos,&nbsp;como o fungo Nosema cerana,&nbsp;que se prolifera em temperaturas mais&nbsp;altas.

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AQUICULTURA: inundações trazem&nbsp;perda na produção, mais risco de doenças,&nbsp;algas tóxicas e parasitas, aumenta&nbsp;o risco de eutrofização (ausência de&nbsp;oxigênio na água, que leva à morte de&nbsp;plantas e animais) e pode provocar a&nbsp;escassez das sementes silvestres.

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<h3>Insegurança alimentar e fome</h3>
Em documento de 2021, o IPCC alerta que ao menos um terço da produção de alimentos está em risco como resultado do aquecimento
global. Apesar de a agricultura familiar figurar como a mais afetada pelas mudanças climáticas, o agronegócio não fica de fora. Dilson Bisognin concorda com essa afirmação e alerta que, uma vez que há alterações em pragas e doenças de plantas, que se tornam mais resistentes, cultivares mais adequadas devem ser desenvolvidas, tanto para cenários de temperaturas mais altas quanto para o enfrentamento dos patógenos. O docente ainda afirma que o cenário brasileiro é preocupante, uma vez que houve redução e restrição de recursos para a ciência e o desenvolvimento tecnológico. “Nós vamos ter que ter uma preparação a longo prazo, e nós não temos uma preocupação a longo prazo. Vamos ter muita dificuldade em ter pessoas qualificadas, tecnologia e ciência para dar resposta a isso. A partir
do momento que se tira recurso da ciência e da tecnologia, está atrasando toda a resposta”, evidencia Dilson.

Um exemplo de como os eventos climáticos extremos afetam&nbsp;o agronegócio está na estimativa feita pela Associação das Empresas&nbsp;Cerealistas do Estado do Rio Grande do Sul (Acergs) em maio&nbsp;de 2022: 65% da safra de milho do ano foi comprometida, o que&nbsp;corresponde a uma perda de quatro milhões de toneladas e R$ 6,3&nbsp;bilhões. Na soja, a redução da produção no mesmo período é de&nbsp;48,7% (10,2 milhões de toneladas ou R$ 32,4 bilhões), de acordo&nbsp;com a Rede Técnica Cooperativa (RTC), filiada à Cooperativa&nbsp;Central Gaúcha Ltda (CCGL). No entanto, o setor do agronegócio&nbsp;tem mais recursos para lidar com o cenário, principalmente&nbsp;por meio do uso e desenvolvimento de tecnologias. Para Dilson,&nbsp;apesar de ser fundamental, a tecnologia não pode ser a única&nbsp;solução para a problemática. “A tecnologia é excludente, e as&nbsp;mudanças climáticas vão favorecer e justificar novas tecnologias”,&nbsp;afirma. Para o docente, a agricultura familiar é mais afetada&nbsp;pelos eventos climáticos extremos já que tem menos recursos&nbsp;financeiros para investir em tecnologia.&nbsp;

Em 2010, Dilson coordenou um estudo no Departamento de&nbsp;Fitotecnia sobre os efeitos da evolução das temperaturas no cultivo&nbsp;de batatas. Na época, a conclusão da pesquisa já apontava que&nbsp;o aumento do CO₂ e de temperatura resulta em consequências&nbsp;para este cultivo, como o menor crescimento da planta, redução&nbsp;do ciclo de desenvolvimento, menor produtividade&nbsp;e mais risco de doenças. “A grande resposta desses&nbsp;estudos é mostrar qual é o impacto que pode ter&nbsp;uma alteração muito pequena de temperatura, que&nbsp;vai causar grandes consequências, porque ela afeta&nbsp;todas as populações de seres vivos. Vão surgir novos&nbsp;patógenos, cada vez mais difíceis de serem controlados&nbsp;porque eles vão chegar em um ambiente que está&nbsp;em desequilíbrio”, destaca Dilson. O docente também&nbsp;afirma que hoje, mais de dez anos depois, o cenário&nbsp;é diferente e que, na época em que desenvolveu a&nbsp;pesquisa, havia mais possibilidades e condições de&nbsp;remediação das consequências. “Estamos muito atrasados”,&nbsp;pontua.

Outro estudo que mede esses impactos foi desenvolvido no campus da UFSM de Cachoeira do Sul. Com as estimativas de crescimento de temperatura de 1º a 1,5º, a produção leiteira no Rio Grande do Sul pode diminuir até cinco litros por dia. “À medida que aumenta a temperatura, vai aumentar o calor e o estresse calórico e, no verão, vai ter muito prejuízo na produção de leite”, afirma Zanandra Boff de Oliveira, docente do curso de Engenharia Agrícola na UFSM Cachoeira do Sul.

Para a pesquisadora, apesar de ter uma cadeia mais&nbsp;desafiadora, a produção não vai diminuir: “Vamos&nbsp;conseguir avançar para encontrar a melhor forma de&nbsp;produzir diante desse contexto. Talvez com aumento&nbsp;de custo, mas não um desequilíbrio. Não acredito que&nbsp;vai faltar produto. Vamos evoluir junto com o problema”.&nbsp;Soluções possíveis seriam sistemas de pastoreio&nbsp;com mais sombras ou galpões de alimentação com&nbsp;ventilação para a redução do estresse corporal, tipo&nbsp;de construção que demanda investimento.

<strong>Reportagem: </strong>Samara Wobetto
<strong>Diagramação:</strong> Evandro Bertol
<strong>Ilustrração:</strong> Noam Wurzel.]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>UFSM lança podcast sobre teoria quântica e desinformação</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2024/02/29/ufsm-lanca-podcast-sobre-teoria-quantica-e-desinformacao</link>
				<pubDate>Thu, 29 Feb 2024 12:42:35 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[destaque arco]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
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		<category><![CDATA[Física]]></category>
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		<category><![CDATA[podcast]]></category>
		<category><![CDATA[Revista Arco]]></category>
		<category><![CDATA[teoria quântica]]></category>

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						<description><![CDATA[Parceria entre pesquisadores e jornalistas estreia nesta quinta, 29 de fevereiro, nos principais tocadores de podcast]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p>A teoria quântica e o combate à desinformação científica são o foco do podcast <i>O Q Quântico,</i> lançado nesta quinta-feira, dia 29 de fevereiro. <i>O Q Quântico é</i> uma produção da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) em parceria com a Universidade de Düsseldorf, da Alemanha. O podcast tem como objetivo discutir teoria quântica e suas possíveis relações com falas pseudocientíficas, abordando desde tecnologias atuais até curas milagrosas. </p><p>Para um dos idealizadores do projeto, o pesquisador da teoria quântica e professor do Departamento de Matemática da UFSM, Leonardo Guerini, o período da pandemia despertou a convicção de que a comunidade científica precisa fazer um esforço maior para divulgar os conhecimentos que produz. “Olhando para a nossa área de pesquisa, a gente foi se dando conta de que poderia usar os conteúdos pseudocientíficos que estão presentes na internet, como saúde quântica, coaching quântico e vários produtos que se dizem quânticos, como um ponto de partida para discutir o que eles têm a ver (ou não) com os conceitos científicos da quântica”, destaca.<br /></p>		
													<img width="768" height="616" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2024/02/logo-o-q-quantico-768x616.png" alt="" />													
		<p>Pesquisadora de criptografia quântica na Universidade de Düsseldorf e também idealizadora do projeto, Gláucia Murta é ouvinte assídua de podcasts, que acompanham suas tarefas diárias, principalmente quando cozinha. “Eu acho que a importância de trazer a teoria quântica em um podcast é poder tratar de um tema que muitas vezes é visto como complexo e inacessível usando uma mídia que tem uma relação tão íntima com o ouvinte”, enfatiza a cientista. Para ela, o fato de a mídia sonora falar diretamente com o ouvinte é uma forma de aproximação que permite que o conteúdo se torne mais acessível. Luciane Treulieb, jornalista da UFSM que apresenta o programa ao lado dos cientistas, reforça o cuidado que a equipe teve ao adequar a linguagem para que pessoas que não são da área conseguissem entender mais sobre o assunto. “Meu papel no podcast é representar o público leigo, fazendo perguntas que o ouvinte faria e, sempre que possível, buscando aproximar a teoria quântica do dia a dia das pessoas”, ressalta. Para ajudar nessa tarefa, os roteiros d’O Q Quântico contaram com a consultoria da equipe do podcast <a style="font-size: 1rem;font-weight: var( --e-global-typography-text-font-weight );text-align: var(--bs-body-text-align)" href="https://www.cienciasuja.com.br/">Ciência Suja</a>. </p><p>O podcast O Q Quântico terá sete episódios, com lançamentos quinzenais, que vão confrontar questões da pseudociência com conceitos científicos como superposição, emaranhamento, dualidade onda-partícula, decoerência e consciência.</p><h3>Sobre o podcast</h3>		
													<img width="768" height="768" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2024/02/ep01_v3-768x768.jpg" alt="" />													
		<p>Os episódios d’O Q Quântico estarão disponíveis em tocadores de podcasts como <a href="https://open.spotify.com/show/6FEX7HQ5g8niPTY1l9PeiZ?si=818436a1fc524805">Spotify</a>, <a href="https://deezer.com/show/1000663962">Deezer</a>, <a href="https://music.amazon.com/es-us/podcasts/f97a1d5e-b1fd-4034-b8e5-20bc1b3afd69/o-q-qu%C3%A2ntico">Amazon Music</a> e também no <a href="https://www.youtube.com/playlist?list=PLbdzl8doRAYMspbRCDUjq1U8YlDsx2Ryq">YouTube.</a> Mais informações sobre os episódios e conteúdos extras podem ser conferidos no <a href="https://www.ufsm.br/midias/arco/o-q-quantico">site</a> e no <a href="https://www.instagram.com/oqquantico/">Instagram</a>. </p><p><b>Confira o teaser </b><a href="https://open.spotify.com/episode/3l9h4raSAFJHSivduwbRxi?si=bc39384acce749f5"><b>aqui</b></a></p><p><b>Escute o primeiro episódio </b><a href="https://open.spotify.com/episode/4RlT8csnfudX7de5xhu96G?si=89458fe12d1440fa"><b>aqui </b></a></p><h3>Sobre a equipe</h3><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">O podcast é produzido por uma equipe multidisciplinar de pesquisadores e jornalistas.</p>		
										<figure>
										<img width="768" height="512" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2024/02/equipe-o-q-quantico-768x512.jpg" alt="" />											<figcaption>Equipe do podcast, da esquerda para direita: José Vitor, Luciane, Leonardo, Samara e Gláucia.</figcaption>
										</figure>
		<p><b>Gláucia Murta:</b> Física e pesquisadora em teoria da informação quântica e criptografia quântica na Universidade de Düsseldorf (Alemanha) e investigadora principal do cluster de excelência Matter and Light for Quantum Computing (ML4Q). Possui graduação, mestrado e doutorado em física pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com doutorado sanduíche no Quantum Information Center in Gdańsk (KCIK) na Polônia. Também trabalhou como pós-doutoranda no QuTech na Delft University of Technology na Holanda.</p><p><b>Leonardo Guerini: </b>Matemático e pesquisador de fundamentos da teoria da informação quântica. É professor no Departamento de Matemática da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Tem graduação e mestrado em Matemática pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), doutorado em Matemática pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e doutorado em Fotônica pelo Institut de Ciències Fotòniques (ICFO), vinculado à Universitat Politècnica de Catalunya. Também foi bolsista Serrapilheira de pós-doutorado na Universidade Federal do Rio de Janeiro e bolsista FAPESP de pós-doutorado no International Centre for Theoretical Physics – South American Institute for Fundamental Research (ICTP-SAIFR) em São Paulo.</p><p><b>Luciane Treulieb:</b> Jornalista na UFSM, criadora e editora-chefe da Revista Arco, de jornalismo científico e cultural. Tem especialização em Divulgação e Popularização da Ciência pela Fiocruz, na qual estudou aspectos do jornalismo narrativo e ciência a partir da análise do podcast 37 graus. Também tem mestrados em Periodismo Documental, pela Universidad Nacional de Tres de Febrero (Argentina), e em Inovação na Comunicação de Interesse Público, pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul. Dirigiu o documentário “Depois daquele dia”, sobre a tragédia da Boate Kiss.</p><p><b>Samara Wobeto:</b> Jornalista formada pela UFSM e mestranda em Comunicação no Poscom/UFSM, na linha de Estratégias Comunicacionais, com ênfase no estudo da acessibilidade no jornalismo. Faz parte do Grupo de Pesquisa Circulação Midiática e Estratégias Comunicacionais (Cimid/UFSM). Foi repórter bolsista na<a href="https://www.ufsm.br/midias/arco"> Revista Arco</a>, e estagiária na<a href="https://www.youtube.com/watch?v=QgZUO94mEMg&amp;list=PLBB5c0vb8B4Fhffb4bmLdqjphkwxI6OUs"> TV Campus</a>. Participou da 2ª turma do<a href="https://abori.com.br/infovacina/infovacina-trainee/"> Programa InfoVacina</a>, para reportar temáticas de saúde e vacinação. Fez os podcasts<a href="https://open.spotify.com/show/1qJrGZz0QwA3q2zAa06VWJ"> FuraBolha</a> e<a href="https://open.spotify.com/show/6lKWLinrZzAHvSy95di2xR"> Abaixo do Nível</a>, além de participar do primeiro episódio do podcast<a href="https://open.spotify.com/show/5TdR4lUhXKZdrZbpGPSZuB"> Nossos passos vêm de longe</a>. </p><p><b>José Vitor Goulart Zuccolo:</b> Jornalista recém-formado pela UFSM. Foi bolsista na função de social media no projeto<a href="https://www.instagram.com/c.integra.odonto/"> C.Integra!</a>, vinculado ao curso de odontologia/UFSM e bolsista do projeto O Q Quântico. Participou do programa<a href="https://open.spotify.com/show/4GdtcFhJOu2EGOxyjHQ1bV"> Radar Esportivo</a>, como produtor e apresentador, vinculado à Rádio Universidade, e que tem sua versão em podcast. </p><p>Também contribuem para o projeto:</p><p>Mixagem: Felipe Barbosa</p><p>Suporte de gravação: Pablo Ruan</p><p>Música original: Pedro Leal David</p><p>Identidade visual e ilustrações de capa: Augusto Zambonato</p><p>Mídias sociais: Milene Eichelberger</p><p>Desenvolvimento do site: Daniel de Carli</p><h3>Contato</h3><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Site:  <a style="text-decoration: none" href="https://www.ufsm.br/midias/arco/o-q-quantico">https://www.ufsm.br/midias/arco/o-q-quantico</a></p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Instagram: <a style="text-decoration: none" href="https://www.instagram.com/oqquantico/">https://www.instagram.com/oqquantico/</a> </p><p>E-mail: <a href="https://www.ufsm.br/midias/arco/oqquantico@gmail.com">oqquantico@gmail.com</a></p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>O passado continua vivo nas lembranças</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/o-passado-continuavivo-nas-lembrancas</link>
				<pubDate>Wed, 07 Feb 2024 11:57:49 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[13ª Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Diário de campo]]></category>
		<category><![CDATA[ciências sociais]]></category>
		<category><![CDATA[destaque arco]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[Diário de Campo]]></category>
		<category><![CDATA[imigração]]></category>
		<category><![CDATA[quarta colônia]]></category>

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						<description><![CDATA[Pesquisa etnográfica com descendentes de imigrantes italianos no Brasil e na Itália mostra a importância das narrativas]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  Para contadores de história, descobrir objetos, lugares e costumes de antepassados é manter tradições e memórias vivas. A nostalgia de um tempo em que não se viveu permite ao narrador ter o sentimento de pertencimento a um lugar no mundo, mesmo que de forma subjetiva.

<img width="1024" height="576" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/09/12-O-passado-continua-1024x576.jpg" alt="" loading="lazy">

A migração italiana no Brasil começou no período da República, no final do século 19. No Rio Grande do Sul, iniciou com mais intensidade em 1875, para as colônias de Conde D’Eu (hoje a cidade de Garibaldi), Dona Isabel (Bento Gonçalves) e Caxias (Caxias do Sul). Já na região central do Estado, o movimento ocorreu a partir de 1877.

A presença italiana no sul do Brasil pode ser percebida em diversos elementos, como o cultivo da uva; a culinária (pratos como nhoque, capeletti e ravióli); e o catolicismo (manifestado na construção de grutas e monumentos erguidos em homenagem a santos).

Diante disso, a professora Maria Catarina Chitolina, do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), realizou uma pesquisa etnográfica com descendentes de imigrantes italianos no Brasil, onde pesquisa desde 1997, e na Itália, onde realiza o trabalho desde 2012. O objetivo é analisar a importância do papel desempenhado pelas narrativas, objetos e lugares em relação ao pertencimento do “mundo italiano” por meio desses descendentes.

Ao longo dos anos de estudo, a pesquisadora entrou em contato com fotografias, livretos de orações, bilhete de viagem ilegível, documento apagado e incompreensível, crochê da nonna, cadernos de receitas, imagens que estavam digitalizadas nas telas dos computadores e celulares ou revitalizadas em molduras. Algumas vezes, eram objetos que não podiam ser tocados devido à importância sentimental.

Além dos objetos materiais, locais também evocam sentimentos de pertencimento, como estações de trem, livrarias, restaurantes, avenidas e cafés. Para os descendentes, tanto no Brasil quanto na Itália, a narrativa relacionada aos antepassados por meio de artefatos e lugares é a maneira de imortalizar, em cada palavra, um tempo que não volta mais.

As pesquisas centraram-se na região do Lázio e Vêneto, na Itália; no Brasil, foram focadas na região Central do Rio Grande do Sul, como no distrito de Vale Vêneto. As investigações originaram diversos trabalhos da pesquisadora Maria Catarina, entre eles o artigo do qual extraímos alguns trechos para compor este Diário de Campo: “Eu ficava ali, olhando o céu: Narrativas, imagens, objetos, personagens e lugares em pesquisas etnográficas com descendentes de imigrantes italianos no Brasil e na Itália". O texto foi publicado em 2020, no livro Entre a Itália e o Brasil Meridional - História oral e narrativa de imigrantes.
<h3>“Uma pausa para olhar o céu e a paisagem”</h3>
A maior parte das entrevistas na Itália foi efetuada em locais considerados especiais para os entrevistados: em Roma, pude conhecer estações de trem e metrô, locais históricos, ruas e avenidas, cafés, monumentos, livrarias, restaurantes, mercados, lojas, feiras, igrejas, casas, partes da cidade que traziam memórias e algum vínculo de pertencimento para os ítalo-brasileiros que lá estavam habitando.

Fui apresentada a alguns destes cenários da metrópole urbana como lugares repletos de significados. Aquele café, no qual se ficava um pouco, na saída de uma estação de metrô, entre o trabalho da manhã e o trabalho da tarde, quando se tinha um pouco de tempo e uma pausa para olhar o céu e a paisagem.

Depois de algumas entrevistas, era comum me convidarem para passear por determinados lugares, salientando a importância que tiveram em seu processo “migratório” e na nova vida na Itália. Seja de metrô, de ônibus, de carro ou a pé, fiz muitos passeios na Itália com meus entrevistados.
<h3>“Eu visitei seu passado pelas ruas de Roma”</h3>
Se no Brasil eu era convidada a conhecer jardins, hortas, galpões, mobílias, pedaços de terra, capitéis e casas, na Itália também fui convidada a fazer passeios por paisagens exteriores e interiores dos descendentes de imigrantes italianos. Nos entrecruzamentos entre exterioridades e interioridades, as narrativas se tornam possíveis ou mais absorvíveis, por vezes.

Em Roma, uma entrevistada (ítalo-brasileira) me levou para o local no qual começou sua estadia na cidade, décadas atrás, em tempos que, para ela, foram muito difíceis e me mostrou os lugares nos quais caminhava nos horários de folga do trabalho, quando saía para estar um pouco “consigo mesma”. Não eram locais de consumo, mas de passeio contemplativo. Andamos bastante pela cidade e pude compreender, por meio da narrativa e da caminhada, como teria sido sua experiência de ítalo-brasileira na Itália.

Anos narrados em palavras, compreensíveis e agora também, reflexivamente, olhados pela interlocutora. Eu visitei seu passado pelas ruas de Roma e ela também. Fizemos juntas. E esta possibilidade do encontro etnográfico é sempre surpreendente.

Assim, pelas ruas de Roma, conheci um pouco dos ciclos de vida de uma ítalo-brasileira, relatados como fatos da juventude (no passado) e fatos da maturidade (no presente da narrativa).
<h3>“Evocação ao vivido e experienciado”</h3>
Muitos dos objetos, lugares e imagens que conheci durante as pesquisas são por mim compreendidos como portadores de “mana” - valor mágico, valor religioso, até mesmo valor social - de uma energia especial, de uma força e poder simbólico imenso e potencializador de narrativas e pertencimentos [...] A vida de gerações sendo ali narradas e décadas de história familiar e individual também.

O bilhete de viagem já ilegível, o documento apagado e incompreensível, o pano de louça encardido pelo tempo, mas com o crochê da nonna, a tigela quebrada, a panela sem tampa, o sapatinho usado pelos filhos quando bebês, enfim, objetos que, para os narradores, eram potencialmente repletos de sentimentos e plenos em si mesmos.

Algumas vezes havia objetos que estavam guardados em caixas simples (mas especiais), muito bem cuidados, aguardando o momento de serem novamente manuseados e narrados. Eram uma evocação ao vivido e experienciado, seja dos próprios descendentes ou das narrativas acerca dos antepassados, das origens, da família, de acontecimentos ou ciclos de vida.
<h3>“construções das memórias e das narrativas”</h3>
E, nas situações por mim presenciadas, do importante papel das origens familiares, da família como importante valor e das narrativas acerca do pertencimento do “mundo italiano” advindo do processo migratório dos antepassados.

E, entre os ítalo-brasileiros na Itália, pude conhecer o poder das imagens e das novas tecnologias de comunicação nos processos de identificação e nos pertencimentos, especialmente na manutenção de vínculos afetivos, familiares e nas construções das memórias e das narrativas.

Cada fotografia compartilhada virtualmente, cada imagem, áudio ou vídeo era recebido pelos descendentes que lá estavam com muita emoção e narrativas. Conheci muitas famílias extensas ao longo dos anos de pesquisa [...].

Os cenários, os personagens, a vida que se expressava por meio destas trocas virtuais era algo muito significativo para os descendentes (ítalo-brasileiros) que estavam habitando na Itália. Da saudade de casa (brasileira), da família, dos amigos, dos lugares e sentidos, das comidas, as imagens e áudios via aplicativos (Facebook, Instagram, WhatsApp e outros), emails e outras novas tecnologias de comunicação, possibilitavam a noção de estar/ser em tempos e espaços diferentes.
<h3>“Represálias, prisões ou perseguições”</h3>
E muitas foram as narrativas que tive acerca deste período (a Segunda Guerra Mundial) e dos procedimentos que cada família teve para se proteger, esconder ou destruir objetos com receio de represálias, prisões ou perseguições. Estas ofensivas foram mais comuns na zona urbana, contudo, em muitas localidades rurais também estiveram presentes.
<h3>“Tive pudor e algo de estranhamento”</h3>
Mas o que muito me marcou foi, certa vez, quando fui apresentada a roupas íntimas femininas das antepassadas que eram guardadas e muito bem cuidadas por uma senhora e tudo o que isto provocou em mim. Ao olhar uma roupa íntima usada no passado, muito limpa e bem zelada e apresentada a mim com naturalidade, senti que eu estava entrando no domínio da intimidade.

Tive pudor e algo de estranhamento, o que me fez pensar o quanto não estamos, às vezes, preparados para algumas situações. Era um dom da entrevistada para comigo. E me senti responsável por tudo o que aprendi sobre o mundo das “antigas”.

Por antigas se entende a geração considerada pela senhora como distante temporalmente da sua, no tempo presente. Aqui falava de sua mãe e de sua avó, mais especificamente. Como estas produziam suas roupas, como se cuidavam, como cuidavam do corpo. Enfim, por meio de uma roupa íntima ingressei no mundo narrativo das mulheres do passado.
<h3>“O ritual, a sociabilidade”</h3>
Na região do Vêneto italiano e seus interiores, fui apresentada a casas, espaços de trabalho, paisagens encantadoras e a cenários diversos, em diálogos nos quais muitas vezes eu era alertada acerca da semelhança entre o Rio Grande do Sul e aquele pedaço da Itália, especialmente.

Na casa dos ítalo-brasileiros, um dos objetos mostrados eram a cuia e a bomba para chimarrão, hábito que tinham no Brasil, especialmente os descendentes provindos do sul. E me mostravam porque, como também sou originária do sul do Brasil, talvez esperassem que eu compreendesse o ritual, a sociabilidade e demais elementos que estão presentes na prática de “beber o chimarrão” e da falta que sentiam deste hábito cotidianamente.

Em minhas viagens do Brasil para a Itália, quase sempre levei com muito gosto erva-mate para chimarrão e outros produtos que me eram solicitados. Compreendia que era um gesto de retribuição e carinho pelo tempo que minhas perguntas de pesquisa tomavam das pessoas, sempre sobrecarregadas com muito trabalho e afazeres.

Também era interessante observar as redes de comunicação que se estabeleciam virtualmente para saber onde encontrar, na Itália, a erva mate, o feijão preto, a farofa e outros elementos considerados típicos da “comida brasileira”.
<h3>“Para que as Pessoas que ali passassem pudessem fazer alguma prece”</h3>
Visitei casas nas quais havia imagens de santos católicos convivendo em harmonia no espaço com objetos do budismo ou de religiões afro-brasileiras. Durante as pesquisas, pude também conhecer lugares considerados sagrados por alguns descendentes, como a gruta da Nossa Senhora de Lourdes em Vale Vêneto (Rio Grande do Sul).

Depois de saber de sua importância para muitos descendentes e também da beleza do lugar, eu a tornei um passeio obrigatório quando apresentava a região para pessoas vindas de outros lugares. Também eu hoje tenho muitas memórias sobre a gruta e os passeios e preces que pude lá fazer.

Conheci, igualmente, alguns capitéis, que eram pequenas capelas que os imigrantes e seus descendentes construíam nas estradas ou nos caminhos entre propriedades para que eles mesmos ou as pessoas que ali passassem pudessem fazer alguma prece.
<h3>“Ser e estar no mundo”</h3>
Por entre fotografias, objetos variados e narrativas, pude entrar e conhecer muitas casas em seus interiores, muita mobília antiga, muita vida presente nestes espaços. O espaço é habitado também pelo tempo e por personagens, por meio do que ali está, sejam objetos materiais ou imaterialidades também. Alguns destes objetos também se relacionam com as pessoas (algumas vivas, outras já falecidas), com suas temporalidades, processos de identificação e com noções de ser/estar no mundo.

<strong>Reportagem:</strong> Eduarda Paz
<strong>Ilustração e diagramação:</strong> Luiz Figueiró]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Da custódia à penitência: como surgiram as prisões</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/da-custodia-a-penitencia-como-surgiram-as-prisoes</link>
				<pubDate>Fri, 05 Jan 2024 11:40:46 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[13ª Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Como Surgiu]]></category>
		<category><![CDATA[destaque arco]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/arco/?p=9790</guid>
						<description><![CDATA[A prisão como forma de punir indivíduos surgiu na Idade Média, quando padres eram obrigados a se recolher em celas por não cumprirem suas obrigações]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p>Detenção, reclusão, encarceramento. Na história da humanidade, o sistema de punições sempre existiu, tanto na forma de castigos corporais como de privação da liberdade. Atualmente, segundo dados do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), são mais de 830 mil pessoas no sistema carcerário brasileiro, composto por prisões federais e estaduais, masculinas e femininas.</p>
<p><!-- wp:tadv/classic-paragraph /--></p>		
												<img width="1024" height="576" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/09/10-Como-surgiram-as-prisoes-1024x576.jpg" alt="" loading="lazy" />														
			<h3>A privação de liberdade</h3>		
		<p>Segundo Michel Foucault, os povos primitivos utilizavam a privação da liberdade para aplicar medidas punitivas. Os castigos repressivos eram baseados nas mais variadas formas de vingança (como a tortura). A maneira de punir indivíduos por atos cometidos variava de acordo com a cultura e a civilização, até o surgimento das primeiras prisões.</p>		
			<h3>Primeiros cativeiros</h3>		
		<p>Os cativeiros existem desde 1700 a.C. no Egito. Esses locais serviam para manter os escravos sob a custódia dos egípcios. Porém, segundo Foucault, até o século 15, o encarceramento não era visto como uma forma de pena, mas de custódia, ou seja, o indivíduo era privado da sua liberdade até receber a punição referente ao ato cometido.</p>		
			<h3>Idade Média</h3>		
		<p>O conceito de prisão como forma de punir os indivíduos surgiu na Idade Média, quando os membros do clérigo (padres e sacerdotes) eram forçados a se recolherem em suas celas quando não realizavam suas atividades de forma correta. Lá eles ficavam para meditar e se arrepender dos seus atos. O Hospício de San Michel, em Roma, foi a primeira instituição penal construída no mundo. O local era destinado ao encarceramento dos jovens que tinham condutas condenadas pela sociedade, chamados de "meninos incorrigíveis".</p>		
			<h3>House of Correction</h3>		
		<p>A escritora Elizabeth Misciasci explica que a primeira prisão com a proposta de recolher criminosos foi criada em 1550, em Londres, com o nome de House of Correction (Casa da Correção, em português). Mas a privação da liberdade como pena foi aplicada no Direito somente em 1596, na Holanda, quando foi construído o Rasphuis – uma prisão para jovens do sexo masculino que praticavam atos criminosos. Com o surgimento das prisões, a pena de morte foi cada vez menos usada como punição. Dessa forma, a privação da liberdade se tornou uma medida repressiva com caráter punitivo. Esse foi o início de uma nova era para as prisões.</p>		
			<h3>Prisões no Brasil</h3>		
		<p>O sistema penitenciário brasileiro iniciou com a criação da Carta Régia de 8 de julho de 1796. O documento determinava a construção da Casa de Correção da Corte. Porém, foi apenas em 1834 que iniciaram as construções da instituição no Rio de Janeiro – na época, capital do país. No dia 6 de julho de 1850, aconteceu a inauguração desta que foi considerada a primeira prisão do Brasil.</p>		
			<h3>Transformação das prisões</h3>		
		<p>Os primeiros locais brasileiros com celas individuais surgiram no século 19. Por ser uma colônia portuguesa, o Brasil ainda não tinha um Código Penal e se submetia às Ordenações das Filipinas – um conjunto de normas instituídas por Portugal ainda no século 17. A Constituição de 1824 determinou que os espaços destinados à reclusão separassem os apenados por tipo de crime. O mesmo documento exigia que a estrutura fosse adaptada para que os detentos pudessem trabalhar enquanto cumpriam o regime. Em 1828, com a precariedade dos locais destinados à reclusão, a Lei Imperial organizou uma comissão para visitar esses locais e realizar um estudo. Essa comissão deveria relatar os problemas e articular as melhorias a serem feitas.</p>		
			<h3>Primeiro Código Penal</h3>		
		<p>O primeiro Código Penal brasileiro, instalado em 1830, fazia distinção entre negros escravizados e cidadãos livres, mesmo que os crimes cometidos fossem os mesmos. O Código Penal de 1890 possibilitou o estabelecimento de novas modalidades de prisão, considerando que não haveria mais penas perpétuas, e com limite de pena de trinta anos. No século 21, a privação de liberdade é a mais comum de todas as penas adotadas no mundo. O Brasil conta com 1.381 presídios em todo o território nacional, segundo o Depen. O Código utilizado hoje no país foi criado em 1940, no governo do presidente Getúlio Vargas.</p>		
			<h3>Projetos sociais na UFSM</h3>		
		<p>A UFSM tem projetos que visam que os estudantes conheçam a realidade dos presídios e das pessoas inseridas nesse sistema. O Projeto Práxis - Coletivo de Educação Popular realiza ações para levar educação a presídios da região. As atividades são realizadas por educadores que buscam a ressocialização por meio da leitura e da discussão de diferentes temáticas. Segundo Esther Farias, educadora de Literatura do Práxis, o projeto surgiu com a ideia de incentivar a leitura: a cada livro lido, três dias de pena eram reduzidos. Em razão da pandemia, as atividades nos presídios foram suspensas, mas retornaram em julho de 2022.</p>
<p>O projeto “A escuta do inimigo na prisão e as prisões da escuta: narrativas diante dos enredos aprisionantes do sentido”, que atuou nos anos de 2020 e 2021, tinha o objetivo de construir uma narrativa sobre a história do Presídio de Júlio de Castilhos. O projeto também possibilitou a criação de espaços para reflexão e conversa com os presos.</p>
<p>Outra iniciativa, surgida com o avanço da Covid-19, envolveu pesquisadores da UFSM que se interessaram pela discussão sobre medidas sanitárias em presídios. O projeto “Covid-19 no sistema prisional brasileiro: consequências das medidas tomadas para evitar o avanço da epidemia nas prisões” analisou as medidas adotadas nas prisões regionais e investigou a quantidade de detentos infectados pela doença – tanto em regime fechado quanto em prisão domiciliar.</p><p><em>*As informações desse texto foram retiradas das obras: A Primeira Prisão e Como Surgiram os Presídios, de Elizabeth Misciasci; Vigiar e Punir: nascimento da prisão, de Michel Foucault; História das Prisões no Brasil, de Clarissa Nunes Maia; Constituição de 1824.</em></p><p><strong>Reportagem:</strong> Tayline Alves Manganeli <br /><strong>Ilustração e diagramação:</strong> Cristielle Luise</p>]]></content:encoded>
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				<title>VOCÊ SABIA? É VERDADE QUE…?</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/voce-sabia-e-verdade-quevoce-sabia</link>
				<pubDate>Tue, 02 Jan 2024 10:08:31 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[13ª Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Curiosidades]]></category>
		<category><![CDATA[curiosade]]></category>
		<category><![CDATA[destaque arco]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[gatos]]></category>

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						<description><![CDATA[A cada edição, a seção Curiosidades responde àquelas questões que você sempre quis saber se eram mitos ou verdades e conta histórias singulares sobre a UFSM.]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <img width="1720" height="540" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/09/13a-topo-curiosidade-1.jpg" alt="" loading="lazy" />														
			<h3>Por que os gatos ronronam?</h3>		
												<img width="1024" height="975" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/09/13a-Gato-Ronronam-1-1024x975.jpg" alt="" loading="lazy" />														
		<p style="text-align: left">Da mesma forma que sorrimos ou choramos para expressar emoções, os gatos também têm formas de comunicação.  companhado do miado, o ronronar é uma maneira de os felinos demonstrarem alegria ou tristeza. Segundo a médica veterinária Ana Paula da Silva, o ruído é produzido na laringe, região da garganta que acompanha a musculatura do diafragma e vibra quando fecha a glote - o espaço entre as cordas vocais. Essa contração, que gera o som do ronrom, é impulsionada pelo sistema nervoso.</p><p style="text-align: left">A primeira explicação para o som é a sensação de aconchego, calor ou felicidade. Os gatos também ronronam em situações de muito estresse ou dor, como uma visita ao veterinário ou ao dar à luz. Por outro lado, as vibrações podem auxiliar na recuperação, como analgésicos, ou no fortalecimento dos músculos. O ronronar também serve para ajudar o felino a conseguir o que ele quer. Os gatos adquirem a capacidade de produzir esse som aos dois dias de vida, para chamar a atenção da mãe e pedir comida.</p>		
			<h3>Você sabe como se dá a numeração de fósseis?
</h3>		
		<p>Após coletados, os fósseis são estudados, avaliados, adicionados ao livro tombo e, então, começam a fazer parte da coleção científica da instituição responsável pela descoberta. Cada fóssil recebe um código, que costuma usar a sigla da instituição, seguida de uma numeração específica. No caso da Universidade Federal de Santa Maria, usa-se a sigla 'UFSM': isso significa que o material pertence à coleção do Laboratório de Estratigrafia e Paleobiologia (LEP) da Universidade. Junto a essa sigla está o número 11, que trata da seção da coleção que lida com animais fósseis. Já o restante da numeração é em relação à ordem em que o material foi numerado. Por exemplo, o primeiro fóssil coletado pelo LEP foi tombado como ‘UFSM 11001’. Já os que vão para a coleção do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia recebem o código 'CAPPA/UFSM', seguido da ordem numérica. Em julho de 2023, 383 fósseis estavam registrados no livro tombo do CAPPA.</p>		
												<img width="1024" height="1024" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/09/Fossil-1024x1024.png" alt="" loading="lazy" />														
			<h3>Você sabia que o curso de Educação Especial a distância da UFSM foi pioneiro no Brasil?</h3>		
												<img width="300" height="300" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/09/Computador-ead-300x300.png" alt="" loading="lazy" />														
		<p>Em julho de 2005, a UFSM divulgou seu primeiro curso de graduação a distância. A instituição foi pioneira no país na modalidade com um curso em Educação Especial. No vestibular, foram oferecidas 120 vagas, divididas nos polos de Bagé, Santana do Livramento e Uruguaiana.</p><p>As aulas eram no ambiente de aprendizagem a distância e-ProInfo. O currículo e a duração das modalidades presencial e a distância eram quase os mesmos. Em ambas, a graduação formava o educador para atuar com pessoas com déficit cognitivo, surdez e problemas de aprendizagem. </p><p>De acordo com o professor José Luiz Padilha Damilano, coordenador do curso até hoje, depois de 2005, outras turmas foram criadas nos anos de 2010, 2012, 2014 e 2017, em cidades como Foz do Iguaçu (PR), Três Passos, Livramento, Sobradinho, Novo Hamburgo, Balneário Pinhal, Santa Vitória do Palmar, Agudo, Porto Alegre, Vila Flores e Santo Antônio da Patrulha. Atualmente, o curso é ofertado em cinco regiões: Cachoeira do Sul, Cerro Largo, Cruz Alta, Gramado e Tapejara.</p><p><b>Reportagem:</b> Eloize Moraes; Gustavo Salin Nuh; Tayline Alves&nbsp;Manganeli&nbsp;</p>
<p><b>Ilustração e diagramação (impressa): </b>Luiz Figueiró<br></p>
<p><b>Diagramação site:</b> Daniel Michelon De Carli</p>]]></content:encoded>
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						<item>
				<title>Palhaças na universidade</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/palhacas-na-universidade</link>
				<pubDate>Fri, 22 Dec 2023 10:47:04 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[13ª Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Editora UFSM]]></category>
		<category><![CDATA[Artes Cênicas]]></category>
		<category><![CDATA[destaque arco]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>

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						<description><![CDATA[Livro da Editora UFSM traz pesquisas
sobre palhaçaria feita por mulheres]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p>“Os textos destas pesquisadoras trançam com delicadeza e precisão os tempos do passado, do presente e do futuro, para retratar o universo em expansão das mulheres palhaças”. Essas palavras são de Maria Brígida de Miranda, professora da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), e fazem parte do prefácio da obra Palhaças na Universidade - Pesquisas sobre palhaçaria feita por mulheres e as práticas feministas em âmbitos acadêmicos, artísticos e sociais. A organização do livro, que tem quinze capítulos, foi proposta em 2018 na mesa de debates ‘Mulheres na academia’, no festival internacional ‘Esse monte de mulher palhaça’. Ana Wuo, professora do curso de Teatro da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), e Daiani Brum, doutora em Teatro pela Udesc, ficaram responsáveis por reunir pesquisas que abordassem a atuação de mulheres como palhaças, artistas e pesquisadoras.</p>		
												<img width="1920" height="1080" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/09/Destaque-Palhacas-na-universidade.jpg" alt="" loading="lazy" />														
		<p>Afinidade com a temática não faltou para as organizadoras. Ana Wuo começou a fazer cursos de palhaçaria durante o período de graduação na Unicamp, na década de 1990. Daiani Brum teve seu primeiro contato com a arte palhacesca durante o bacharelado<br />em Artes Cênicas (2012) pela UFSM. Para Ana Wuo, a palhaçaria não é só a arte do fazer rir ou do rir de si, mas também é uma profissão que possibilita trabalhar com as ingenuidades, fragilidades e inadequações do ser humano frente à vida. Além disso, Wuo destaca que esse livro “possibilita abrir um espaço para que as práticas feministas possam ser divulgadas tanto no âmbito acadêmico quanto no artístico".</p><p>Daiani Brum identifica a palhaçaria como “um espaço em que muitas corporeidades têm a possibilidade de estabelecer suas narrativas e sua comicidade”. A ideia da obra é discutir ainda mais sobre esse tipo de riso: não somente o que se dirige a outra pessoa e se utiliza de fragilidades, mas que também enaltece a força das pessoas e traz uma melhor convivência com o ser diferente. A existência do Palhaças na Universidade está atrelada a esses fatores e almeja romper a invisibilidade e as dificuldades de exercer o protagonismo da mulher na profissão.</p>		
			<h2>Mulher, negra e palhaça</h2>		
		<p>O artigo “Palhaça Negra: palhaçaria como hackeamento dos racismos e ruptura de grilhões”, escrito por Adriana Patrícia dos Santos, é o texto que abre a obra Palhaças na Universidade. A pesquisa apresenta uma perspectiva fundamentada nas experiências da autora enquanto palhaça negra. Santos afirma que “falar de palhaçaria feminina e/ou da mulher palhaça se faz cada vez mais urgente nos<br />dias atuais, e falar de palhaça negra é uma intersecção fundamental nesse debate”. Ela também destaca que as discussões sobre as diversas expressões da mulher palhaça se intensificaram e com isso há a ressignificação dos legados da prática palhacesca, “sobretudo criando recentes abordagens cômicas a partir da demanda de seus próprios corpos e experiências”</p><p><strong>Reportagem:</strong> Gustavo Salin Nuh<br /><strong>Ilustração e diagramação:</strong> Luiz Figueiró</p>]]></content:encoded>
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						<item>
				<title>Representatividade negra na arte gaúcha</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/representatividade-negra-na-arte-gaucha</link>
				<pubDate>Mon, 18 Dec 2023 12:55:05 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[13ª Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Ensaio]]></category>
		<category><![CDATA[#destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[CAL]]></category>
		<category><![CDATA[destaque arco]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[negros]]></category>
		<category><![CDATA[pintura]]></category>
		<category><![CDATA[representatividade negra]]></category>

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						<description><![CDATA[Cultura rio-grandense é ressignificada por meio da pintura em trabalho de conclusão de curso na UFSM]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p>Ao imaginar uma pessoa gaúcha, é comum que se pense em um indivíduo cisgênero, heterossexual e branco. Essa representação normativa perturbou o artista Márcio Cardozo, que passou a vida tentando se encontrar em cenas do seu cotidiano, ora no Centro de Tradições Gaúchas (CTG), ora na arte e, infelizmente, nunca com sucesso.</p><p>A partir da angústia de não se sentir representado nos espaços que ocupava, Márcio propôs uma reconstrução artística para preencher lacunas existentes na imagem de peões e prendas. O pintor utilizou-se da tela de algodão e da tinta a óleo de linhaça para criar corpos negros gaúchos com expressividade e irreverência.</p><p>A intenção de Márcio com seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) em Artes Visuais, intitulado Representatividade Pictórica Negra: Ressignificações de Cenas Características da Cultura Gaúcha, foi a de fazer uma provocação e incitar um novo olhar sobre a cultura gaúcha. Para atingir esses objetivos, ele criou uma narrativa repleta de personagens negros intelectuais, famílias pretas bem estruturadas (rompendo com o estereótipo de família preta brasileira sem estruturas) e cenas típicas do pampa sul-riograndense.</p><p> </p>		
												<img width="760" height="1024" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/09/Representatividade-negra-na-arte-gaucha-1-760x1024.jpg" alt="" loading="lazy" />														
												<img width="1024" height="688" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/09/Representatividade-negra-na-arte-gaucha-2-1024x688.jpg" alt="" loading="lazy" />														
												<img width="739" height="633" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/09/Representatividade-negra-na-arte-gaucha-3.jpg" alt="" loading="lazy" />														
		<p>Para eliminar a marginalização de pessoas negras e trazer o elemento do intelecto às suas obras, Márcio buscou retratar nas pinturas o jornal O Exemplo, um noticiário pós-abolicionista gaúcho financiado por pessoas negras e antirracistas. “A arte é uma válvula para recontar a história com uma potência transformadora que possibilita uma nova postura e reflexão”, pontua Márcio sobre os elementos que compuseram sua criação artística.</p><p>Além disso, ele foi responsável por fabricar grande parte do material de pintura durante a criação das telas. Como vegano, ele não utilizou nenhum utensílio que prejudicasse animais, fez uso de tintas naturais, madeira, algodão cru e pincéis de fibra. Confira algumas das obras resultantes do trabalho de Márcio neste Ensaio.</p>		
												<img width="537" height="668" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/09/Representatividade-negra-na-arte-gaucha-4.jpg" alt="" loading="lazy" />														
												<img width="690" height="668" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/09/Representatividade-negra-na-arte-gaucha-5.jpg" alt="" loading="lazy" />														
												<img width="1920" height="1424" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/09/Representatividade-negra-na-arte-gaucha-6-1.jpg" alt="" loading="lazy" />														
		<p><strong>Reportagem:</strong> Isadora Pellegrini<br /><strong>Diagramação:</strong> Noam Wurzel</p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Sobre espelhos</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/sobre-espelhos</link>
				<pubDate>Thu, 14 Dec 2023 13:09:51 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[13ª Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Escritos]]></category>
		<category><![CDATA[destaque arco]]></category>

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						<description><![CDATA[Por Nikelen Witter*]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p>O menino entrou na sala de espelhos numa tarde branca de inverno. Perseguia uma bola multicor e os guardas o acharam tão gracioso que não puderam evitar um pouco de sorriso. A sala de espelhos é enorme. Quase um salão, mas não tão grande. Quase uma galeria, mas não tão comprida. É coberta de espelhos em três paredes. Naquela em que é possível olhar para fora, para os jardins, há um espelho entre cada vão de janela. É uma sala linda de se ver, mas poucos gostam de entrar nela, menos ainda de entrar sozinhos. Só as crianças pequenas não têm essas<br />inquietações. É sinal de estar crescendo recear ir à sala de espelhos e de amadurecimento esconder isso de todos os outros.</p>		
												<img width="1920" height="1080" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/09/Destaque-Escritos_13.jpg" alt="" loading="lazy" />														
		<p>Só quando a luz começou a diminuir foi que os guardas lembraram. Ninguém vira o menino voltar pela porta em que entrou. Não, com toda a certeza, o menino não saíra da sala de espelhos. Os guardas procuraram, por lá e por toda parte. Nada, nem de menino, nem de bola colorida. A brincadeira virou susto, que virou desespero e, depois, tristeza. Nunca mais se soube do menino. Um riso seu talvez tenha ficado dentro da sala. Sei de muitas pessoas que disseram ter ouvido o menino por lá. Alguém, numa festa, jurou ver o menino refletido, olhando os homens de<br />peruca e as mulheres de saia quadrada com um riso nos lábios. Divertia-se o menino. O que era aquela criança no meio dos adultos, perguntou uma dama que ignorava o ocorrido. Mas não havia criança. Não na sala, como ela julgara. Só nos espelhos.</p><p>Então, quando não era festa, já ninguém entrava na sala, fosse sozinho ou acompanhado. Até mesmo cortesãos, que nunca admitiram o pânico que as festas entre os espelhos começavam a causar, resolveram que os jardins seriam melhores no verão e as salas com altos lambris de madeira muito mais quentes nas noites de inverno.</p><p>A sala de espelhos foi ficando sozinha. Há quem diga que foi o abandono que transformou o menino em peixe. Porque peixes de cauda longa podem nadar sob a superfície dos espelhos d’água e o menino já não se satisfazia apenas com a sala de espelhos. Nem mesmo a revolução conseguiu voltar a encher a sala. Porém, foi nesse dia que o peixe-menino fugiu.</p><p>Ele se grudou no espelho de uma espada e saiu para o mundo. Foi navegando de reflexo em reflexo, indo a todo lugar, ficando mais nuns que em outros. O melhor de tudo é que os peixes são muito mais difíceis de ver do que os meninos. O ruim é que alma de menino não pode virar peixe e disso se pode saber com certeza.</p><p>Há quem diga que quando os espelhos bruxuleiam como a superfície dos lagos, fingindo que é a luz que falha sobre eles, é o peixe-menino vindo à tona em busca de um amigo. Sob a superfície, dizem, é possível ver o olhar do menino-peixe convidando para brincar.</p><p>*Nikelen Witter é escritora e professora do Departamento de História da Universidade Federal de Santa Maria</p><p><b>Ilustração e diagramação:</b> Noam Wurzel</p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>O que fazer ao encontrar um filhote de pássaro fora do ninho?</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/filhote-de-passaro-fora-do-ninho</link>
				<pubDate>Wed, 06 Dec 2023 17:59:35 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[CCR]]></category>
		<category><![CDATA[destaque arco]]></category>
		<category><![CDATA[pássaros]]></category>
		<category><![CDATA[Zootecnia]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/arco/?p=9901</guid>
						<description><![CDATA[Confira indicações de especialistas ao lidar com pequenas aves longe dos pais]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
<p><span style="font-weight: 400"><img class="alignleft wp-image-9904 " src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/12/Ilustracao-revisada-1-2.jpeg" alt="" width="798" height="449" />Com a primavera e o aumento da reprodução de aves, é comum encontrar um número considerável de filhotes de pássaros que caem do ninho e ficam indefesos. Ao deparar-se com essa situação, muito frequente no próprio campus da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), é natural que as pessoas tentem ajudar e, geralmente, acabam resgatando o filhote para cuidá-lo em casa. Mas será que essa atitude é recomendada por profissionais da área?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">De acordo com o professor do departamento de Zootecnia da UFSM e criador do Projeto Olha o Passarinho, Everton Rodolfo Behr, a mortalidade de filhotes de aves é muito alta e pode ultrapassar 50% em relação ao percentual de nascimentos em algumas espécies. “Os óbitos podem acontecer mesmo no ninho, por predação de cobras, aves maiores e mamíferos, com variações conforme a espécie, ano, local e demais condições”, relata Behr. Ele aponta ainda que a alta criação de gatos domésticos, por serem animais caçadores, pode influenciar muito na mortalidade dos filhotes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Apesar do alto índice de mortalidade, a principal orientação do professor ao encontrar um filhote de pássaro fora do ninho, caso não haja nenhuma ameaça iminente, é não interferir no ciclo natural da espécie. Ele explica que, muitas vezes, os pais estão por perto observando o filhote: “os pais investiram uma grande quantidade de tempo e energia na vida do filhote, com o ovo, produção do ninho e obtenção de alimento, então não é nessa fase que irão abandoná-lo.”</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">O professor alerta que </span>configura crime ambiental<span style="font-weight: 400"> manter um animal silvestre em casa. Além da questão jurídica, o professor lembra que existem muitas especificidades em relação ao que cada espécie necessita e os cidadãos não estão capacitados para lidar com tais necessidades. “Cada espécie de pássaro se alimenta de uma forma distinta, e por isso, não é recomendado investir no cuidado em casa”, ele explica.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">“Existem espécies, como a pomba-de-bando, que estão com excedente populacional, então nesse e em outros casos, a mortalidade de filhotes não é uma preocupação no ponto de vista de conservação da espécie”, analisa Everton. Ele afirma que deve-se ter um maior cuidado com espécies mais exóticas e ameaçadas de extinção, como o Macucu, a Curruíra e o Papa-moscas, mas que a baixa efetividade reprodutiva das espécies é algo relativamente comum na natureza.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Em convergência com Behr, o mestre em Medicina Veterinária pela UFSM, Helton Santos, aponta que não há problema em deixar que a natureza tome seu próprio rumo e permitir que outro animal predador se alimente do filhote, pois é assim que funciona a cadeia alimentar. Por outro lado, Everton indica que, caso haja ameaças perto do pássaro, é possível posicionar o filhote em um local onde os predadores não tenham fácil acesso, como em cima de uma árvore. Os especialistas concordam, porém, que a manipulação das aves por pessoas despreparadas não é segura e pode levar à contaminação por zoonoses, como a salmonela. Por isso, para manusear as aves, é recomendado utilizar luvas de proteção para evitar a transmissão de doenças.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">De acordo com o professor, outro ponto de atenção é observar se o filhote está ferido. “Se ele não está muito debilitado e fraco é sinal de que recebeu comida há pouco tempo”, aponta Behr. Caso o animal esteja com ferimentos visíveis, é indicado acionar os órgãos ambientais locais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Na cidade de Santa Maria, um órgão da UFSM que se responsabiliza pelo cuidado de aves em situação de risco é o </span><a href="https://www.ufsm.br/laboratorios/lcdpa/contato"><span style="font-weight: 400">Núcleo de Estudos e Pesquisas de Animais Silvestres (NEPAS), do Laboratório Central de Diagnóstico de Patologias Aviárias (LCDPA)</span></a><span style="font-weight: 400">. Helton Santos é o coordenador do projeto e do Laboratório e conta que, principalmente durante o período do início da primavera, muitas pessoas recorrem ao NEPAS com filhotes de pássaros perdidos. Ele acrescenta que algumas das espécies mais recorrentes são a pomba, o João-de-barro, o bem-te-vi, a andorinha e a coruja.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">De acordo com o especialista, o cuidado com os passarinhos é realizado em etapas:</span></p>
<p><b>1) Identificação da espécie:</b><span style="font-weight: 400"> a identificação da espécie é extremamente importante para poder direcionar os cuidados específicos a cada animal. Isso ocorre pois há espécies que são insetívoras - que se alimentam de insetos - , como a andorinha, e outras que são granívoras - que se alimentam de grãos -, como o canário.</span></p>
<p><b>2) Realização dos primeiros atendimentos e exames clínicos:</b><span style="font-weight: 400"> após a identificação, é essencial realizar um primeiro diagnóstico para entender quais são as necessidades da ave. Essa etapa consiste em aplicar exames com o intuito de verificar se o animal possui alguma enfermidade ou fraturas.</span></p>
<p><b>3) Reabilitação:</b><span style="font-weight: 400"> A última etapa é focada em fornecer ao filhote o que ele necessita para que possa ser novamente encaminhado para a natureza. No Laboratório, ele recebe hidratação, nutrição e os cuidados necessários para que possa se reinserir no seu hábitat natural.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Apesar de todo o esforço, Santos relata que a mortalidade dos filhotes, mesmo com o suporte do órgão, é alta, já que é muito difícil reproduzir sua alimentação em cativeiro. O médico veterinária ainda acrescenta que outra causa de morte comum para esses animais é a hipotermia (queda da temperatura do corpo).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">O NEPAS realiza os primeiros socorros e procedimentos das aves e de outros animais silvestres de forma voluntária. Helton conta que o laboratório recebe doações voluntárias em valor monetário ou medicamentos e alimentação para os pássaros, o que muitas vezes ocorre quando uma pessoa encaminha a ave para o serviço.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Além disso, o coordenador garante que os filhotes que chegam no NEPAS não são utilizados para nenhum teste laboratorial. Por outro lado, os relatórios são muito úteis para aprofundar o conhecimento em relação às espécies. “Muitas vezes os relatos de casos dos filhotes são utilizados para pesquisas, por exemplo quando uma dieta específica funciona para uma espécie”, explica Santos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Outros órgãos oficiais que podem ser acionados na cidade de Santa Maria para o resgate de filhotes de pássaros em situação de risco são a </span><a href="https://www.brigadamilitar.rs.gov.br/2babm"><span style="font-weight: 400">Patrulha Ambiental</span></a><span style="font-weight: 400"> e o </span><a href="https://www.facebook.com/saobrazsm/?locale=pt_BR"><span style="font-weight: 400">Mantenedouro São Braz</span></a><span style="font-weight: 400">.</span></p>
<p><em>Texto: Isadora Pellegrini Marques, estudante de jornalismo<br />Arte: Lucas Zanella, estudante de desenho industrial</em><br /><em>Edição: Luciane Treulieb, jornalista</em></p>
<!-- /wp:tadv/classic-paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Foi um rio que passou em minha vida</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/foi-um-rio-que-passou-em-minha-vida</link>
				<pubDate>Thu, 30 Nov 2023 17:03:00 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[13ª Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Quadrinhos]]></category>
		<category><![CDATA[canoagem]]></category>
		<category><![CDATA[CEFD]]></category>
		<category><![CDATA[destaque arco]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[destaque-ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[história em quadrinhos]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/arco/?p=9868</guid>
						<description><![CDATA[Reportagem: Caroline de Souza SilvaIlustração e diagramação: Luiz Figueiró]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <img width="1359" height="1831" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/09/Foi-um-rio-que-passou-em-minha-vida-parte-1-2.jpg" alt="" loading="lazy" />														
												<img width="1359" height="1831" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/09/Foi-um-rio-que-passou-em-minha-vida-parte-2.jpg" alt="" loading="lazy" />														
		<p><strong>Reportagem:</strong> Caroline de Souza Silva<br /><strong>Ilustração e diagramação:</strong> Luiz Figueiró</p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Inovação no cultivo de morangos</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/inovacao-no-cultivo-demorangos-morangos</link>
				<pubDate>Fri, 24 Nov 2023 10:05:00 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[13ª Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Nossas Invenções]]></category>
		<category><![CDATA[CCR]]></category>
		<category><![CDATA[destaque arco]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[inovação]]></category>
		<category><![CDATA[tecnologia]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/arco/?p=9779</guid>
						<description><![CDATA[Tecnologia patenteada pela UFSM possibilita produção de mudas de morango com torrão]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <img width="1270" height="502" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/09/Topo-materia-08-Inovacao-no-cultivo-de-morangos.jpg" alt="" loading="lazy" />														
		<p>Em 2006, o grupo de pesquisa liderado pelo professor Dilson Bisognin, do Departamento de Fitotecnia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), fez uma constatação: a cadeia produtiva de morangos no Brasil dependia  e mudas importadas, principalmente de países como Argentina e Chile. Tais mudas, segundo o docente,  presentam uma série de problemas: são de raiz nua (sem terra), pois são manipuladas, lavadas e congeladas e precisam viajar vários dias até chegar ao destino. Além disso, nem sempre estão disponíveis na época mais adequada de plantio.</p>
<p>Dilson é especializado em genética e melhoramento de plantas e viu a oportunidade de desenvolver formas inovadoras para qualificar a produção de morango no Brasil. Surgiu, então, a tecnologia de produção de mudas de morango com torrão: “É uma tecnologia totalmente diferenciada. Se você importar uma muda, não sabe como foi a produção dela. Nós oferecemos uma rastreabilidade muito confiável do processo. Você tem a origem garantida”, ressalta o docente. O agrônomo Marino Lovato explica que as mudas chegam ao produtor com o torrão (terra) e a raiz e, por isso, sofrem menos impacto e estresse do que as mudas importadas, pois a terra aumenta a uniformidade do cultivo e facilita a aplicação das práticas de manejo. Além disso, a muda com torrão não demanda processo intermediário aos agricultores: pode ser plantada assim que é adquirida.</p>
<p style="color: #000000;font-size: 16px"> </p><h4>Como as mudas são produzidas?</h4>
<ol>
<li>Definição das cultivares: Albion e PRA Estiva</li>
<li>Produção da planta matriz em laboratório e aclimatização em casa de vegetação</li>
<li>Estabelecimento dos jardins clonais em casa de vegetação Coleta precoce da ponta de estolão (propágulo) e enraizamento em ambiente controlado*</li>
<li>Aclimatização e rustificação das mudas em ambientes apropriados Mudas com torrão e prontas para o plantio são distribuídas para os produtores/clientes</li>
</ol>
<hr />
<p><em>*A tecnologia da patente está nesse ponto do processo. Vantagens: possibilita maior taxa de multiplicação, elimina os riscos de contaminação das raízes das plantas por patógenos de solo e facilita o manejo, dispensando o uso de produtos químicos.</em></p><p><strong>Inovação ➔ Patente ➔ Empresa</strong></p>
<p>A tecnologia, que começou a ser delineada em 2006, foi depositada em 2011 e teve sua patente concedida em 2019: “Usando a linguagem de industrial, essa é uma patente disruptiva, ou seja, nós demos um enorme salto tecnológico em relação ao que existia na época em termos de propagação de morango”, afirma Dilson. Em abril de 2020, foi criada a empresa QP Mudas, com o objetivo de colocar no mercado a tecnologia da produção de mudas com torrão. A QP Mudas foi a primeira empresa incubada na UFSM a explorar tecnologia patenteada desenvolvida na própria Universidade.</p>
<p>QP vem de Qualidade e Produtividade, pois, como explica o professor, a produtividade depende da qualidade da muda: “O sistema desenvolvido para a utilização da patente licenciada pela Universidade vai proporcionar uma muda de altíssima qualidade. Isso vai dar uma possibilidade maior de produtividade de frutos de excelente qualidade”. Márcia Dumke, que trabalha na área há 18 anos, é um exemplo de produtora de morangos que passou a adquirir as mudas da QP devido à qualidade</p>
<p>e procedência: “Comprei as mudas da empresa por terem à pronta-entrega, poder plantar na época certa e também por serem produtivas. Como elas vêm enraizadas, posso começar a adubar a<br />planta mais cedo, o que dá uma melhor produção“, relata a cliente.</p>
<p>Marino Lovato é o responsável técnico pela produção das mudas da QP e conta que, do primeiro para o segundo ano da empresa, a produção e a comercialização aumentaram quatro vezes. Ele ambiciona, nos próximos dois anos, chegar a quinhentas mil mudas comercializadas. O alcance proporcionado pelo comércio online surpreendeu: “Os principais clientes da empresa são produtores de outros estados, como Paraná, São Paulo e Santa Catarina”, comemora o agrônomo.</p><!-- wp:tadv/classic-paragraph /--><p><strong>Reportagem:</strong> Karoline Silveira Rosa<br /><strong>Ilustração e diagramação:</strong> Cristielle Luise<br /><strong>Diagramação matéria no site:</strong> Daniel Michelon De Carli</p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Piloto mais que automático</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/piloto-mais-que-automatico</link>
				<pubDate>Thu, 21 Sep 2023 12:53:58 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[13ª Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>
		<category><![CDATA[Cachoeira do Sul]]></category>
		<category><![CDATA[destaque arco]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[engenharia de transportes e logística]]></category>
		<category><![CDATA[tecnologia]]></category>
		<category><![CDATA[veículos autônomos]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/arco/?p=9798</guid>
						<description><![CDATA[UFSM realiza pesquisa pioneira com veículos autônomos em miniatura]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <img width="1920" height="355" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/09/Interior-Materia-Topo-Piloto-mais-que-automatico-1.png" alt="" loading="lazy" />

Quem cresceu assistindo a filmes futuristas e imaginava que, em 2030, já haveria carros voadores, terá que esperar mais um pouco. Mas há boas notícias em relação ao desenvolvimento de veículos autônomos, ou seja, sem motorista: um em cada dez carros não precisará de condutor até o início da próxima década, de acordo com estimativas da Statista, empresa alemã especializada em dados de mercado.

Com o objetivo de compreender&nbsp;os impactos dos veículos autônomos no trânsito, está em andamento na&nbsp;Universidade Federal de Santa Maria&nbsp;(UFSM), Campus de Cachoeira do Sul,&nbsp;uma pesquisa realizada pelo Laboratório&nbsp;de Mobilidade e Logística (LAMOT),&nbsp;do curso de Engenharia de Transportes&nbsp;e Logística. O diferencial do projeto&nbsp;é o uso de miniaturas em pesquisas&nbsp;sobre veículos autônomos, considerado&nbsp;inédito pelos pesquisadores. “Existem&nbsp;muitas competições de corrida com&nbsp;veículos em miniatura, mas pesquisas sobre mobilidade urbana com esses veículos não existem em nenhum&nbsp;lugar do mundo. Nós vamos ser os&nbsp;pioneiros”, destaca Felipe Caleffi, professor&nbsp;do curso de Engenharia de Transportes e&nbsp;idealizador do projeto. O professor explica&nbsp;que a opção por veículos em miniatura&nbsp;se deu tanto por fatores jurídicos, quanto&nbsp;pelo aspecto financeiro. “Não poderíamos começar com um veículo de tamanho real,&nbsp;porque a legislação brasileira não prevê&nbsp;ainda carros autônomos. Além disso, fica&nbsp;bem mais barato começar o projeto com&nbsp;miniaturas”, detalha.

O grupo de 24 integrantes liderado&nbsp;pelo professor irá construir quatro veículos. Destes, dois carros serão programados paraseguir todas as regras do Código Brasileiro&nbsp;de Trânsito, enquanto os outros dois vão&nbsp;representar o comportamento de motoristas humanos que cometem infrações. O objetivo&nbsp;é avaliar como os veículos autônomos&nbsp;reagem a esses comportamentos. O “cérebro”&nbsp;do carro será um microcomputador produzido&nbsp;pela Nvidia, empresa americana de computação,&nbsp;que armazenará as instruções por meio&nbsp;da linguagem de programação Python. Seus&nbsp;"olhos" são duas câmeras: uma que emula&nbsp;a capacidade do olho humano de medir&nbsp;profundidade e distância; outra, comum, que&nbsp;identifica cores e objetos. Um sensor infravermelho&nbsp;instalado sobre o teto garantirá um&nbsp;mapeamento de 360º ao redor do veículo.

O custo total de cada miniatura é de R$&nbsp;12,5 mil, o que torna o valor a ser investido&nbsp;a maior dificuldade para a realização do&nbsp;projeto, de acordo com o professor de engenharia.&nbsp;Segundo Caleffi, ele tem a ideia de&nbsp;trabalhar com miniaturas autônomas desde&nbsp;2019 e, somente em 2022, recebeu recursos&nbsp;para colocá-la em prática. A pista de testes&nbsp;dos veículos será uma maquete baseada nos&nbsp;pontos mais movimentados de Cachoeira do&nbsp;Sul. Para sua construção, os alunos coletarão&nbsp;dados por meio de fotos, vídeos e medições&nbsp;da via. Dentro da maquete, serão adicionados&nbsp;obstáculos já habituais para os motoristas&nbsp;brasileiros. “Não temos certeza&nbsp;se o veículo vai conseguir dirigir bem&nbsp;aqui, por conta da pavimentação e&nbsp;sinalização ruins, além dos motoristas&nbsp;agressivos. Vamos simular todos&nbsp;esses problemas para ver se o carro&nbsp;vai conseguir reconhecê-los e tomar&nbsp;uma decisão”, explica Caleffi.

Caso o estudo aponte que os veículos&nbsp;não são capazes de circular com&nbsp;segurança, alunos do curso de Arquitetura,&nbsp;que colaboram com a pesquisa,&nbsp;ficarão responsáveis por pensar&nbsp;os ajustes necessários para garantir&nbsp;a trafegabilidade. Para os próximos&nbsp;passos do projeto, o grupo aguarda a&nbsp;chegada de uma impressora 3D especializada&nbsp;na impressão de grandes&nbsp;objetos, por conta da escala 1/10 em&nbsp;que a maquete e o veículo serão construídos,&nbsp;o que significa que todos os elementos&nbsp;do projeto terão 10% do seu tamanho real.&nbsp;O professor estima que os veículos vão ser&nbsp;construídos e comecem a andar até o final&nbsp;de 2023. Quando os veículos autônomos&nbsp;em miniatura estiverem consolidados, o&nbsp;passo seguinte do projeto será construir um&nbsp;veículo autônomo em tamanho real e solicitar&nbsp;permissão dos legisladores para realizar&nbsp;testes pelas ruas da cidade de Cachoeira do&nbsp;Sul.

<img width="1920" height="449" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/09/Interior-Materia-base-Piloto-mais-que-automatico-copiar.png" alt="" loading="lazy" />

<strong>Reportagem:</strong> Bernardo Silva
<strong>Ilustração e diagramação: </strong>Cristielle Luise]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Resquícios dos manicômios nas mãos do Estado</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/resquicios-dos-manicomios-nas-maos-do-estado</link>
				<pubDate>Wed, 13 Sep 2023 14:44:33 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[destaque arco]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[judiciário]]></category>
		<category><![CDATA[manicômios]]></category>
		<category><![CDATA[psiquiatria]]></category>
		<category><![CDATA[saúde mental]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/arco/?p=9803</guid>
						<description><![CDATA[Instituições precisam fechar até 2024; ainda não há estimativa de para onde vão pacientes sem subsídio familiar]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
<p><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/09/Destaque-Hospitais-de-custodia.jpg" alt="" width="600" height="338" />Nos manicômios judiciários os dias parecem se repetir. Carlos (*nome fictício*) geralmente acorda cedo. Ele sabe que entre 8h e 8h30min, precisa estar na fila para pegar seus remédios. Próximo ao meio dia, o almoço é servido. Depois desses compromissos, ele pode tomar banho, descansar, passear no pátio ou fazer outras atividades na hora que deseja. À noite, geralmente se reúne com os colegas para jogar cartas. Essa é a rotina de Carlos e de algumas das outras 193 pessoas que vivem no Instituto Psiquiátrico Forense (IPF), em Porto Alegre.</p>
<p>Mas nem todo dia é de paz. Alguns destes pacientes, com doenças ou transtornos mentais, ainda têm surtos, dificuldades e precisam de atenção psiquiátrica profissional. Amparo que, nem sempre, os três médicos que atuam no local conseguem dar conta pela sobrecarga de atividades. Agora, imagine estes mesmos indivíduos, com as mesmas necessidades, sem os cuidados de ninguém. </p>
<p>A situação pode se tornar real até maio de 2024. Este é o prazo que o <a href="https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/4960"><b>Conselho Nacional de Justiça (CNJ)</b></a> determinou para a interdição total e o fechamento dos Hospitais de Custódia e Tratamento Psiquiátrico em todo o país. A determinação põe fim ao sistema de internação manicomial. A problemática é: não há um planejamento efetivo de para onde vão as pessoas que ainda precisam de tratamento e estão no IPF, único manicômio ainda ativo no Rio Grande do Sul.</p>
<p style="text-align: center"><strong>Dados nacionais e estaduais</strong></p>
<p><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/09/Infografico-Hospital-de-custodia-100.jpg" alt="" width="603" height="309" /></p>
<p>Desde de setembro de 2023, médicos realizam a perícia de cessação de periculosidade dos pacientes que atualmente estão no IPF, ou seja, uma avaliação da evolução do tratamento de saúde mental, para que possam ser desinternados. Nessa decisão, a maioria dos pacientes encontram uma oportunidade de recomeçar a vida fora dos campos do estado. Mas, um desafio também é imposto ao poder público: entender para onde vão os pacientes que ainda precisam de tratamento ou que não têm subsídio familiar fora dos muros do IPF. O judiciário ainda não tem essa resposta.</p>
<p>“Um dos pacientes está com a desinternação desde 2013. A medida de segurança já foi extinta. Só que ele não tem para onde ir. Ele requer cuidados, tem que fazer um tratamento. O IPF é a única alternativa que tenho para ele. Já houve ação judicial contra o Estado, município, para que comprassem vaga em residencial terapêutico. Até hoje a ação não foi cumprida”, exemplifica Alexandre Pacheco, juiz da Vara de Execução de Penas e Medidas Alternativas da Comarca de Porto Alegre (VEPMA), que toda sexta-feira vai até o local e conversa com os pacientes sobre suas situações.</p>
<!-- /wp:tadv/classic-paragraph -->https://www.youtube.com/watch?v=zWAfGmBmZDA&#038;feature=youtu.be&#038;ab_channel=UniversidadeFederaldeSantaMariaUFSM<p>O juiz explica que o Instituto segue ativo no estado, mas com menos investimento público do que precisaria. Com isso, estruturas antigas e falta de profissionais dificultam a residência dos pacientes antes mesmo do prazo determinado pelo CNJ. “São três médicos (clínico e peritos) que trabalham apenas no turno da manhã. Se o paciente tem um surto agora de tarde, só vai ser atendido amanhã de manhã”, revela.</p>
<p>Além da defasagem de médicos, não há uma equipe multidisciplinar, como neurologistas, educadores físicos e terapeutas educacionais. Atualmente, três psicólogos e assistentes sociais trabalham no local. Para os cuidados de higiene, cinco enfermeiros e técnicos assistem aos pacientes.</p>		
							“Haverá momentos em que não vai haver ninguém. Essa defasagem faz com que muitos pacientes que não têm autonomia, não consigam tomar banho sozinhos. Ficam sem banhos, higiene pessoal e outras questões. Então vai se tendo um ambiente, que eu diria, violador de preceitos e direitos fundamentais”.
							<img width="999" height="675" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/09/juiz-alexandre-e1695424340266.jpeg" alt="" loading="lazy" />						
														Alexandre Pacheco
																						 juiz da VEPMA
		<p>Por conta da falta de estrutura adequada, antes da resolução do CNJ, o Poder Judiciário do Rio Grande do Sul já havia determinado uma ampliação da interdição do IPF. Desde junho de 2023, não entram novos pacientes no local. </p><p style="text-align: center"><strong>Rotina no IPF</strong></p>		
			<figure class='gallery-item'>
				<a data-elementor-open-lightbox="yes" data-elementor-lightbox-slideshow="dd95eb1" data-elementor-lightbox-title="Fachada do IPF" data-e-action-hash="#elementor-action%3Aaction%3Dlightbox%26settings%3DeyJpZCI6OTgxMiwidXJsIjoiaHR0cHM6XC9cL3d3dy51ZnNtLmJyXC9hcHBcL3VwbG9hZHNcL3NpdGVzXC82MDFcLzIwMjNcLzA5XC9JTUFHRU0tNi5qcGciLCJzbGlkZXNob3ciOiJkZDk1ZWIxIn0%3D" href='https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/09/IMAGEM-6.jpg'><img width="300" height="200" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/09/IMAGEM-6-300x200.jpg" alt="" loading="lazy" aria-describedby="gallery-3-9812" /></a>
				<figcaption class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-3-9812'>
				Fachada do IPF
				</figcaption></figure><figure class='gallery-item'>
				<a data-elementor-open-lightbox="yes" data-elementor-lightbox-slideshow="dd95eb1" data-elementor-lightbox-title="Entrada de um dos dormitórios" data-e-action-hash="#elementor-action%3Aaction%3Dlightbox%26settings%3DeyJpZCI6OTgxMywidXJsIjoiaHR0cHM6XC9cL3d3dy51ZnNtLmJyXC9hcHBcL3VwbG9hZHNcL3NpdGVzXC82MDFcLzIwMjNcLzA5XC9JTUFHRU0tNy5qcGciLCJzbGlkZXNob3ciOiJkZDk1ZWIxIn0%3D" href='https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/09/IMAGEM-7.jpg'><img width="300" height="200" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/09/IMAGEM-7-300x200.jpg" alt="" loading="lazy" aria-describedby="gallery-3-9813" /></a>
				<figcaption class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-3-9813'>
				Entrada de um dos dormitórios
				</figcaption></figure><figure class='gallery-item'>
				<a data-elementor-open-lightbox="yes" data-elementor-lightbox-slideshow="dd95eb1" data-elementor-lightbox-title="Um dos dormitórios" data-e-action-hash="#elementor-action%3Aaction%3Dlightbox%26settings%3DeyJpZCI6OTgxMSwidXJsIjoiaHR0cHM6XC9cL3d3dy51ZnNtLmJyXC9hcHBcL3VwbG9hZHNcL3NpdGVzXC82MDFcLzIwMjNcLzA5XC9JTUFHRU0tOC5qcGciLCJzbGlkZXNob3ciOiJkZDk1ZWIxIn0%3D" href='https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/09/IMAGEM-8.jpg'><img width="300" height="200" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/09/IMAGEM-8-300x200.jpg" alt="" loading="lazy" aria-describedby="gallery-3-9811" /></a>
				<figcaption class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-3-9811'>
				Um dos dormitórios
				</figcaption></figure><figure class='gallery-item'>
				<a data-elementor-open-lightbox="yes" data-elementor-lightbox-slideshow="dd95eb1" data-elementor-lightbox-title="Janela de um dos dormitórios" data-e-action-hash="#elementor-action%3Aaction%3Dlightbox%26settings%3DeyJpZCI6OTgxMCwidXJsIjoiaHR0cHM6XC9cL3d3dy51ZnNtLmJyXC9hcHBcL3VwbG9hZHNcL3NpdGVzXC82MDFcLzIwMjNcLzA5XC9JTUFHRU0tOS5qcGciLCJzbGlkZXNob3ciOiJkZDk1ZWIxIn0%3D" href='https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/09/IMAGEM-9.jpg'><img width="300" height="200" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/09/IMAGEM-9-300x200.jpg" alt="" loading="lazy" aria-describedby="gallery-3-9810" /></a>
				<figcaption class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-3-9810'>
				 Janela de um dos dormitórios
				</figcaption></figure><figure class='gallery-item'>
				<a data-elementor-open-lightbox="yes" data-elementor-lightbox-slideshow="dd95eb1" data-elementor-lightbox-title="Paciente em regime fechado" data-e-action-hash="#elementor-action%3Aaction%3Dlightbox%26settings%3DeyJpZCI6OTgxNCwidXJsIjoiaHR0cHM6XC9cL3d3dy51ZnNtLmJyXC9hcHBcL3VwbG9hZHNcL3NpdGVzXC82MDFcLzIwMjNcLzA5XC9JTUFHRU0tMTAuanBnIiwic2xpZGVzaG93IjoiZGQ5NWViMSJ9" href='https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/09/IMAGEM-10.jpg'><img width="300" height="200" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/09/IMAGEM-10-300x200.jpg" alt="" loading="lazy" aria-describedby="gallery-3-9814" /></a>
				<figcaption class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-3-9814'>
				Paciente em regime fechado
				</figcaption></figure><figure class='gallery-item'>
				<a data-elementor-open-lightbox="yes" data-elementor-lightbox-slideshow="dd95eb1" data-elementor-lightbox-title="Pacientes no pátio do IPF" data-e-action-hash="#elementor-action%3Aaction%3Dlightbox%26settings%3DeyJpZCI6OTgxOCwidXJsIjoiaHR0cHM6XC9cL3d3dy51ZnNtLmJyXC9hcHBcL3VwbG9hZHNcL3NpdGVzXC82MDFcLzIwMjNcLzA5XC9JTUFHRU0tNS5qcGciLCJzbGlkZXNob3ciOiJkZDk1ZWIxIn0%3D" href='https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/09/IMAGEM-5.jpg'><img width="300" height="200" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/09/IMAGEM-5-300x200.jpg" alt="" loading="lazy" aria-describedby="gallery-3-9818" /></a>
				<figcaption class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-3-9818'>
				Pacientes no pátio do IPF
				</figcaption></figure><figure class='gallery-item'>
				<a data-elementor-open-lightbox="yes" data-elementor-lightbox-slideshow="dd95eb1" data-elementor-lightbox-title="Pacientes na área externa" data-e-action-hash="#elementor-action%3Aaction%3Dlightbox%26settings%3DeyJpZCI6OTgwNiwidXJsIjoiaHR0cHM6XC9cL3d3dy51ZnNtLmJyXC9hcHBcL3VwbG9hZHNcL3NpdGVzXC82MDFcLzIwMjNcLzA5XC9JTUFHRU0tNC5qcGciLCJzbGlkZXNob3ciOiJkZDk1ZWIxIn0%3D" href='https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/09/IMAGEM-4.jpg'><img width="300" height="200" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/09/IMAGEM-4-300x200.jpg" alt="" loading="lazy" aria-describedby="gallery-3-9806" /></a>
				<figcaption class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-3-9806'>
				Pacientes na área externa
				</figcaption></figure><figure class='gallery-item'>
				<a data-elementor-open-lightbox="yes" data-elementor-lightbox-slideshow="dd95eb1" data-elementor-lightbox-title="Quarto de triagem, hoje desativado" data-e-action-hash="#elementor-action%3Aaction%3Dlightbox%26settings%3DeyJpZCI6OTgxNSwidXJsIjoiaHR0cHM6XC9cL3d3dy51ZnNtLmJyXC9hcHBcL3VwbG9hZHNcL3NpdGVzXC82MDFcLzIwMjNcLzA5XC9JTUFHRU0tMTEuanBnIiwic2xpZGVzaG93IjoiZGQ5NWViMSJ9" href='https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/09/IMAGEM-11.jpg'><img width="300" height="200" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/09/IMAGEM-11-300x200.jpg" alt="" loading="lazy" aria-describedby="gallery-3-9815" /></a>
				<figcaption class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-3-9815'>
				Quarto de triagem, hoje desativado
				</figcaption></figure>
		<h3>Lei da Reforma Psiquiátrica </h3>
<p>A resolução do CNJ cria novos amparos para o cumprimento do que foi ordenado na <a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/leis_2001/l10216.htm#:~:text=LEI%20No%2010.216%2C%20DE,Art."><b>Lei 10.216</b></a>, de 2001. Conhecida como Lei da Reforma Psiquiátrica, ela transformou a discussão sobre o funcionamento dos manicômios no campo jurídico e determinou o fechamento gradual dos institutos manicomiais no Brasil.</p>		
												<img width="600" height="246" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/09/Box-quem-vai-para-o-manicomio.jpg" alt="" loading="lazy" />														
		<p>“Significou retirar as pessoas de estabelecimentos de privação de liberdade e encaminhá-las para a rede de saúde pública. Trata-se de uma mudança de compreensão com as pessoas em medida de segurança. Elas são sujeitos que exigem assistência social e de saúde, e não de privação de liberdade, afastamento de pessoas e subtração de direito”, comenta a professora da Universidade Federal de Santa Maria, Fernanda Martins, doutora em Ciências Criminais.</p>
<p>Além disso, a lei reconhece a ineficácia de uma internação vitalícia. Desde 2001, o prazo máximo para cumprimento da medida de segurança é equivalente ao descrito na lei para o crime. Por exemplo, se o delito cometido foi um furto qualificado (pena máxima de oito anos), o paciente permanece na instituição da medida em até oito anos. Depois, não precisa mais da intervenção estatal. A liberação não significa uma cura da condição, mas que o sujeito não precisa mais do Estado acompanhando seu tratamento.</p>
[caption id="attachment_9816" align="alignleft" width="501"]<img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/09/IMAGEM-1.jpg" alt="" width="501" height="334" /> Cadeado em grade[/caption]
<p>A reforma foi proposta em 1989. Mas o movimento que lutava pelos direitos das pessoas em manicômios, chamado de Luta Antimanicomial, teve início décadas antes. </p>
<p>Sandra Maria Sales Fagundes, psicanalista e mentaleira do Fórum Gaúcho de Saúde Mental explica que o movimento ganhou força na década de 1970, durante um encontro de trabalhadores de saúde mental realizado em Bauru (SP) que discutiu mudanças para o sistema psiquiátrico brasileiro. A inclusão de uma equipe multiprofissional foi uma das pautas importantes nesse progresso. “É preciso pensar que existe uma experiência sobre a doença e não somente um diagnóstico – precisa de muita escuta e respeito à construção do sujeito”, conta a profissional. </p>
<p>Mesmo após a Reforma Psiquiátrica, a luta antimanicomial segue ativa e protagonizada por profissionais de saúde e usuários do sistema psiquiátrico brasileiro. Sandra Fagundes argumenta que a divulgação do movimento não deve parar, mesmo com a ordenação formal de fechamento dos manicômios: “A lei não é o objetivo último. E todos nós sabemos que a lei pode ser morta, um papel morto. Porque ela precisa propor vida e ser aplicada. A luta pela destitucionalização do sofrimento e pelo cuidado e amparo na cidade é viva.”</p>
<p>O dia 18 de maio foi definido como Dia Nacional da Luta Antimanicomial e oportuniza que as entidades sociais reforcem o movimento. As atividades, como as promovidas pelo Fórum Gaúcho de Saúde Mental, são uma forma de manter na memória da população as violações vividas pelos pacientes e para garantir que não se repitam. </p>
<p>É importante reforçar que a luta não é contra os profissionais que ocupam posições dentro dos manicômios restantes. É imprescindível que médicos e enfermeiros éticos estejam nestes locais e inviabilizem, cada vez mais, o antigo método de desrespeito que se desenvolveu dentro das instituições ao longo da história.</p>
<h3>Manicômios no passado: uma marca da falha humana</h3>
<p>Geralmente marcados por isolamento do paciente do meio familiar e social, aprisionamento sem prazo e baixa preocupação com a individualização dos tratamentos, os manicômios violavam os direitos humanos e não eram eficazes no exercício da sua função. O método manicomial não estava atrelado necessariamente a um tipo de instituição. Também estava presente em hospitais psiquiátricos que não tinham entrada judicial.</p>
[caption id="attachment_9817" align="alignright" width="499"]<img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/09/IMAGEM-3.jpg" alt="" width="499" height="333" /> Os pacientes possuem enfermeiros e medicamentos caso sintam desconfortos[/caption]
<p>População pobre, ex-escravizados, migrantes e mulheres costumavam ser o perfil desses locais, conforme explica Sandra Fagundes. "Eram recolhidas pessoas que não tinham onde morar e por isso entravam em crise psíquica. Por exemplo, escravos que migravam para as cidades, estrangeiros que não conseguiam se comunicar e mulheres que saiam dos padrões definidos pela sociedade." </p>
<p>Em meados dos anos 1980 e 1990, “ser louco” serviu como justificativa para anular esses indivíduos da sociedade e não oferecer espaço para tratamento. A psicanalista afirma que, nessa época, a maioria dos diagnósticos ainda não existia e diferentes doenças e transtornos mentais eram tratados da mesma forma. </p>
<p>“Medicamentos eram um método para conter as pessoas e não para entendê-las. O louco funcionou como um sugador e exterminador da subjetividade”. Sandra Fagundes conclui que vê esses procedimentos como uma forma de pôr a doença entre parênteses e impedir que os pacientes se reintegrarem na sociedade.</p>
<p>O termo “descaso” resume a experiência de Solange Gonçalves Luciano no Hospital Psiquiátrico São Pedro (HPSP), em Porto Alegre. A mulher de 54 anos foi internada três vezes. Após passagens por instituições psiquiátricas e hospitalares, ela não recorda o ano e nem quanto tempo ficou no local em cada internação. Na primeira vez, com 20 e poucos anos, acordou no local sem saber como havia chegado.</p>
<p>Embora a missão da instituição seja divulgada como a de “cuidar do doente mental e a de formar recursos humanos para esta finalidade”, Solange guarda traumas do período em que viveu lá “Eu tenho uma arte que acho muito significativa, onde eu estou no São Pedro de pernas pra cima numa maca contida e sendo medicada. Escrevi a frase ‘Nos ajude a tratar todo e qualquer lugar no qual nos tratamos’”.</p>
<p>Em 2010, uma amiga da área da saúde que atuava no Fórum Gaúcho de Saúde Mental conseguiu tirá-la de lá. Hoje, com memórias de aflição, é militante da luta antimanicomial e se denomina uma ‘sobrevivente dos escombros manicomiais’. Solange encontrou na arte uma forma de compartilhar sua história e seguir na conscientização do tema para novas gerações.</p>
<p>A Oficina de Criatividade, um espaço de reabilitação psicossocial do SUS, que acontece na antiga estrutura do HPSP (hoje com área de internação desativada), proporciona o desenvolvimento de habilidades artísticas, como música, desenho e fotografia de Solange, que até pouco tempo atrás não a permitiam descobrir.</p>
<p>Durante a conversa, a sobrevivente contou a paixão pelo desenho que descobriu em 2014 e compartilhou uma música autoral com a reportagem da Agência de Notícias. Na letra, ela conta das suas vivências enquanto paciente da instituição. Escute abaixo um trecho:</p>https://www.youtube.com/watch?v=s7XftGfkVm0&#038;ab_channel=UniversidadeFederaldeSantaMariaUFSM<p>Solange também destacou que mesmo nas dificuldades vividas, encontrou muitos profissionais no caminho que a ajudaram a não perder a esperança. “Tem muitos bons… 90% maltratam, mas também aqueles 10% que se tu consegue chegar perto, te acolhem e te ouvem… faz a diferença. Eu costumo dizer que são as ‘mãos azuis’ que quebram as regras da instituição manicomial e conseguem nos alcançar.”</p>
<p><em>Texto: Paula Appolinario e Thais Immig, estudantes de jornalismo<br />Edição: Luciane Treulieb e Mariana Henriques, jornalistas<br />Fotos: Guilherme Machado, estudante de Relações Públicas<br />lustrações: Lucas Zanella, estudante de desenho industrial e Daniel Michelon De Carli, designer </em></p>]]></content:encoded>
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				<title>Não é só agosto o “Mês do Cachorro Louco”</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/mes-do-cachorro-louco</link>
				<pubDate>Thu, 31 Aug 2023 16:35:21 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Curiosidades]]></category>
		<category><![CDATA[curiosidade]]></category>
		<category><![CDATA[destaque arco]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[hvu]]></category>
		<category><![CDATA[veterinária]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/arco/?p=9755</guid>
						<description><![CDATA[Professores da UFSM falam sobre a importância de prevenção à raiva, doença com quase 100% de mortalidade]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
<p><span style="font-weight: 400"><img class="alignright wp-image-9756 " src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/08/Destaque-1-2.jpg" alt="" width="702" height="447" />O fim do mês bate à porta. E, com ele, talvez seja a hora de colocar um fim em certos mitos. Será que agosto é mesmo o “Mês do Cachorro Louco”? Se, até este momento do mês, o seu cachorro não apresentou nenhum comportamento anormal, você já deve desconfiar sobre qual é a resposta dessa pergunta. Mas então, por que agosto é conhecido assim?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">William Schoenau, professor de Bem-Estar animal no curso de Medicina Veterinária e vice-diretor do Centro de Ciências da Saúde (CCS), explica que há maior </span><b>possibilidade </b><span style="font-weight: 400">de casos de raiva neste mês, já que ele apresenta condições climáticas favoráveis para que as fêmeas iniciem o seu período reprodutivo, o que aumentaria as disputas entre machos para conquistá-las. Caso um dos “pretendentes” já tenha o vírus, ele pode ser transmitido aos outros cães por meio de brigas. No entanto, </span><b>não há evidência</b><span style="font-weight: 400"> científica do aumento de casos durante o oitavo mês do ano.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Outra “injustiça” é insistir em chamar o melhor amigo do homem de louco por conta do vírus da raiva, já que ele não tem sido o animal mais afetado pela doença nos últimos anos. Em 2022, o </span><a href="https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/r/raiva/raiva-animal#:~:text=No%20ano%20de%202021%20(Tabela,foi%20poss%C3%ADvel%20sequenciar%20a%20variante."><span style="font-weight: 400">Ministério da Saúde registrou 16 casos de raiva em animais domésticos - nove gatos e sete cães.</span></a><span style="font-weight: 400"> Metade desses casos foi transmitido por morcegos, e outros três por canídeos silvestres (cachorro-do-mato, lobo-guará, raposas, etc.) que, desde 2016, são os dois únicos agentes transmissores da doença.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">A fama de agosto ser o “Mês do Cachorro Louco” é um elemento particular da cultura brasileira. No calendário internacional, o Dia Mundial da Luta Contra a Raiva é celebrado em 28 de setembro. Os “costumes” dos tutores também são responsáveis por facilitar o desenvolvimento de doenças, como não fazer as vacinações de calendário, não realizar castração e deixar os cães soltos, o que pode facilitar a propagação de doenças.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">No Hemisfério Norte há outro tipo de ligação entre cachorros e o mês de agosto, os </span><i><span style="font-weight: 400">dogs days</span></i><span style="font-weight: 400">, explica o vice-diretor do CCS. O termo se refere aos dias mais quentes e abafados do verão no norte do planeta que ocorrem depois que a estrela Sirius, também conhecida como “estrela do cachorro” fica visível no horizonte antes do nascer do sol, fenômeno que ocorre uma vez por ano.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Sirius, além de ser a estrela mais brilhante da noite a olho nu, é o principal corpo celeste da constelação de Cão Maior (</span><i><span style="font-weight: 400">Canis Major</span></i><span style="font-weight: 400">). Além do calor, ela ficou conhecida por civilizações milenares como a estrela responsável por trazer doenças, azar e loucura, para cães e também para os homens. </span></p>
<h3>O mês pode ser mito, mas a doença continua real</h3>
<p><span style="font-weight: 400">O professor Saulo Filho, docente de Clínica de Pequenos animais, também do curso de Medicina Veterinária, enfatiza que o aumento da divulgação das campanhas de vacinação, muitas intensificadas em agosto para se apropriar da “fama” de “Mês do Cachorro Louco”, são para auxiliar na prevenção contra a raiva. Em 2002, por exemplo, o Ministério da Saúde registrou</span><a href="https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/r/raiva/raiva-animal#:~:text=No%20ano%20de%202021%20(Tabela,foi%20poss%C3%ADvel%20sequenciar%20a%20variante."><span style="font-weight: 400"> 635 casos de raiva em cães e 85 em gatos</span></a><span style="font-weight: 400">. “A raiva urbana praticamente desapareceu”, destaca Saulo. “A grande preocupação hoje é a raiva silvestre e no meio rural”, complementa Schoenau.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">O vírus da raiva tem três ciclos de transmissão: urbano, rural e silvestre. Os dois últimos foram os responsáveis pelos dois casos da doença registrados no país em humanos este ano. Ambos os pacientes faleceram. Os professores destacam que o homem cada vez mais invade o habitat e entra em contato com animais silvestres. Essa aproximação pode ser perigosa, uma vez que todos os mamíferos podem contrair o vírus e transmiti-lo para o ser humano. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Sem vacinação, a doença tem taxa de letalidade de quase 100%, o que inclui a raiva humana que deixa sequelas severas em seus raros sobreviventes. Para que a doença continue sob controle nos centros urbanos, o professor de Fisiologia Animal lembra que é preciso uma cobertura vacinal de 80% da população canina, de acordo com as orientações do Ministério da Saúde. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400">No entanto, a taxa atual de cobertura pode estar significativamente abaixo deste nível. De acordo com os dados do próprio ministério, a </span><a href="https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/r/raiva/cobertura-vacinal-de-caes-e-gatos#:~:text=Com%20base%20nesses%20dados%2C%20o,Brasil%2C%202021*"><span style="font-weight: 400">cobertura vacinal de cães e gatos era de 60,4% em 2021</span></a><span style="font-weight: 400"> (último ano disponível). Essa média se aplica a menos da metade do país, já que apenas 12 das 27 unidades federativas enviaram seus índices de vacinação para o levantamento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Além de letal, a enfermidade que afeta o sistema nervoso evolui de forma dolorosa.  “Em cães, ela termina por atingir o nervo faríngeo, o que os impede de beber e se alimentar. Por isso, quando um animal é diagnosticado com raiva, o protocolo indicado é a eutanásia”, descreve o professor Saulo. A doença pode se manifestar de diferentes formas, a depender de onde o animal foi mordido. Ferimentos próximos à medula podem resultar em raiva paralítica, na qual o cão fica quieto e triste, com sinais de paralisia. Há também a raiva muda, ou atípica, que traz alguns sintomas semelhantes à raiva paralítica, mas menos intensos e que podem passar despercebidos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">O vírus é transmitido pela saliva, o que significa que, além das mordidas, é possível contrair raiva pela lambedura de um animal infectado e, em alguns casos, também pela arranhadura. De acordo com o professor da disciplina Clínica de Pequenos animais, os principais sintomas da doença em cães são: agressividade, ansiedade, desconfiança, mordedura, lambedura, medo, depressão, salivação excessiva, paralisia, desorientação, convulsões, aversão à água - cão fica desorientado e não reconhecimento do proprietário.</span></p>
<h3>Propaganda enganosa, mas com boas intenções </h3>
<p><span style="font-weight: 400"><img class="wp-image-9757  alignright" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/08/Informacoes-Utilidade-Publica-1.jpg" alt="" width="429" height="763" />Por ter um efeito direto no ser humano, a raiva é a doença canina mais conhecida, mas, atualmente, há outras patologias que são mais letais para os cães. A parvovirose é uma doença que afeta filhotes com até um ano de idade, enquanto a cinomose pode afetar o cão durante toda a vida, em especial durante os primeiros meses de vida do animal. Ambas as doenças possuem alta taxa de letalidade sem vacinação. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400">A leptospirose também é uma doença animal que pode ser contraída pelo ser humano (zoonose). Geralmente associada a ratos, a infecção também afeta cães, que são a principal fonte de transmissão para o homem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">As três doses da vacina polivalente compõem o esquema vacinal básico em filhotes e protegem contra essas enfermidades. O ciclo da imunização polivalente inicia entre os primeiros 45 e 60 dias de vida e vai até a sexta ou oitava semana de idade. A vacina contra a raiva pode ser aplicada em um intervalo mínimo de 21 a 30 dias após o esquema vacinal básico, quando o cão está entre quatro e cinco meses de idade. É possível vacinar o cachorro contra a raiva mesmo sem o esquema vacinal básico, desde que ele tenha idade compatível com a imunização. As vacinas para raiva, cinomose e leptospirose devem ser reforçadas anualmente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">“Propaganda é a alma do negócio.  Mas, em termos de vacinação, depende do calendário vacinal de cada animal. Se quiser vacinar em agosto, vacine. Melhor vacinar do que não vacinar, mas é possível fazer isso em qualquer época do ano”, finalizam os professores que não se opõem à fama de “Mês do Cachorro Louco” carregada por agosto, desde que ela seja utilizada para que cães e humanos fiquem sãos e salvos.</span></p>
<p><b><i>Reportagem:</i></b><i> <span style="font-weight: 400">Bernardo Silva, estudante de jornalismo e bolsista de Agência de Notícias</span><br /></i><b><i>Ilustração:</i></b><i> Daniel Michelon De Carli, Unidade de Comunicação Integrada;</i><i><br /></i><b><i>Edição:</i></b><i> Luciane Treulieb e Mariana Henriques, jornalistas.</i></p>
<!-- /wp:tadv/classic-paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Desafios da separação: a busca pelo equilíbrio da parentalidade na guarda compartilhada</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/desafios-da-separacao</link>
				<pubDate>Thu, 17 Aug 2023 11:32:00 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[destaque arco]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[parentalidade]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/arco/?p=9738</guid>
						<description><![CDATA[Após o divórcio, conflitos entre o ex-casal podem afetar o bem-estar dos filhos]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
<p><span style="font-weight: 400">O processo de separação de um casal com filhos pode representar uma fase conturbada, na qual a estrutura e as dinâmicas da família são reconstruídas. O grande número de divórcios no Brasil indica um aumento no número de famílias em processo de readaptação de suas dinâmicas e enfrentamento de conflitos. Apenas em 2022, os cartórios brasileiros registraram 68,7 mil divórcios, segundo o Colégio Notarial do Brasil (CNB). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400"><img class="wp-image-9748  alignleft" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/07/Imagem-Materia-01_Prancheta-1.jpg" alt="" width="500" height="508" />Os conflitos do fim de um relacionamento afetam não apenas o casal envolvido no término, mas também o desenvolvimento e bem-estar dos seus filhos. </span><a href="https://psycnet.apa.org/record/2003-10770-006"><span style="font-weight: 400">Um estudo</span></a><span style="font-weight: 400">, focado em compreender a relação entre a qualidade da coparentalidade e a qualidade de vida dos filhos, observou que sintomas de ansiedade e depressão dos filhos estavam diretamente ligados ao comportamento dos pais.</span></p>
<p><a href="https://www.scielo.br/j/pcp/a/nxSFH5djGgNccLPsJpCs6Zg/abstract/?lang=pt"><span style="font-weight: 400">Em uma pesquisa conjunta</span></a><span style="font-weight: 400"> realizada pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul,</span> <span style="font-weight: 400">as autoras observam a dificuldade de ex-casais em dissociarem os conflitos conjugais do exercício da coparentalidade. Isso acontece em razão de um despreparo dos adultos em lidar com os seus conflitos sem envolver os filhos, sendo muitas vezes a continuação dos desentendimentos que levaram ao divórcio e que estiveram presentes também durante o casamento. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Com o objetivo de promover o equilíbrio do exercício da parentalidade por ambos os pais após a separação, a </span><a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11698.htm#:~:text=LEI%20N%C2%BA%2011.698%2C%20DE%2013%20DE%20JUNHO%20DE%202008.&amp;text=Altera%20os%20arts.,Art."><span style="font-weight: 400">lei da guarda compartilhada</span></a><span style="font-weight: 400">, </span><span style="font-weight: 400">sancionada em 2008, foi planejada de forma a integrar os filhos nas decisões dos pais e mantê-los no foco da nova (re)estruturação da família. Para além da legislação, pesquisadores da área da psicologia têm buscado considerar a coparentalidade e o desenvolvimento equilibrado da mesma nos contextos de cuidados de saúde após divórcios. De acordo com a psicóloga Andréia Sorensen Weber, uma das autoras da pesquisa, o tema é emergente e a abordagem sobre famílias divorciadas em estudos da área ainda é escassa.</span></p>
<h3>Psicoterapia como agente mediador</h3>
<p><span style="font-weight: 400"><img class="wp-image-9747  alignright" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/07/Imagem-Materia-02_Prancheta-1.jpg" alt="" width="500" height="508" />Segundo Andréia Sorensen Weber, psicóloga integrante do projeto Enlaces – Intervenções Clínicas Familiares no Contexto da Separação Conjugal: uma Ação em prol da Saúde Emocional, do curso de Psicologia da UFSM, priorizar o bem-estar das crianças ao longo do processo de separação é essencial. Por isso, o acompanhamento psicológico não apenas dos filhos, mas também dos pais durante o pós-divórcio é uma das principais soluções apontadas pela especialista. Para ela, “as consequências dos conflitos entre os pais na saúde mental das crianças seriam amenizadas se a rede pública oferecesse atendimento [psicológico] direto ao casal que procura o fórum para fazer a separação ou para estipular a guarda compartilhada para tratar e mediar esses conflitos”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400">A mediação dos conflitos a partir da psicoterapia viria interligada à responsabilização individual e ao tratamento de feridas e traumas individuais dos pais. Andréia explica que, com essa responsabilização, o processo psicoterapêutico individual para a mediação dos conflitos possibilitaria que a criança envolvida na separação dos pais pudesse se desenvolver de forma saudável.</span></p>
<h3>Como falar sobre o divórcio para uma criança?</h3>
<p><span style="font-weight: 400">Outro ponto importante na consideração do bem-estar dos filhos no processo da separação é a comunicação do divórcio para eles. É necessário levar em conta que as mudanças na rotina trazidas pela separação impactam diretamente os filhos. Por essa razão, a abordagem do divórcio deve ser pensada de acordo com a idade da criança. Andréia informa que, na primeira infância - que vai do nascimento aos seis anos -, essa comunicação acontece de uma maneira lúdica. Já no caso de crianças mais velhas, é possível realizar um diálogo honesto sobre a situação, pois ela possui uma maior compreensão do que está acontecendo: “olhar nos olhos, explicar que os pais não vão mais morar na mesma casa, que o amor e sentimento pela criança não mudam e que a separação é dos pais e não deles com o filho”, sugere Andréia.</span></p>
<h3>Os pilares fundamentais para o exercício equilibrado da coparentalidade</h3>
<p><span style="font-weight: 400"><img class="alignleft wp-image-9749 " src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/07/Imagem-Materia-03_Prancheta-1.jpg" alt="" width="500" height="508" />Respeito, compreensão, prática e diálogo: esses são alguns dos pilares apontados como sustentadores de uma parentalidade com cooperação e responsabilidade para com os filhos. A pesquisa de Andréia Weber e Mônica Sperb Machado foi realizada a partir de um estudo de casos coletivos com três casais heterossexuais (três mães e três pais), residentes no interior do Rio Grande do Sul e com pelo menos um(a) filho(a) com até 11 anos. Os casais estavam separados há no mínimo seis meses e possuíam guarda compartilhada do(s) filho(s). Ao analisar os relatos compartilhados pelos casais estudados, as autoras destacam queixas centradas nas categorias: divisão das responsabilidades, tarefas de cuidado e tempo com os filhos; Comunicação; Apoio/Solidariedade x Antagonismo/Dissonância. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400">A divisão das responsabilidades e tarefas de cuidado entre os pais e o desenvolvimento de uma comunicação que priorize as necessidades dos filhos são fundamentais para o bem-estar de todos na relação familiar. Os relatos obtidos na pesquisa apontam para uma maior sobrecarga das tarefas de cuidado sobre as mães, que acabam responsabilizadas por grande parte das tarefas de criação. “Eu acho que assim como eu sou mãe ele também é pai, assim como ele precisa dum tempo eu também preciso! Minha rotina é casa e serviço, do serviço pra casa. Eu não tenho a minha vida, entendeu?”, conta uma das mães entrevistadas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Andréia explica que, no processo da formação de uma família, o homem e a mulher - no caso dos casais observados - passam a assumir e representar outros papéis sociais, os quais trazem novas responsabilidades. “Eles seguem homem e mulher, seguem tendo uma relação que são deles, mas se soma a isso a parentalidade. Porque somado à função de esposa está a função de mãe, somado à função de homem está também a de pai”, salienta. A parentalidade vira coparentalidade a partir da divisão das tarefas de pai e mãe, na qual se procura equilibrar as responsabilidades de forma a não sobrecarregar nenhum dos pais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Compreender os pais como indivíduos com limites e desejos abre espaço para que ambos possam colocar as suas necessidades e, a partir daí, dialogar e negociar as decisões da parentalidade. A dificuldade em manter uma comunicação entre os pais foi relatada e reconhecida pelos casais como algo prejudicial para os filhos. “A gente tenta de vez em quando meio que conversar, mas não tem conversa, é simplesmente nós discutindo direto!”, relatou um dos pais entrevistados.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">O objetivo principal no desenvolvimento da coparentalidade é fazer com que, apesar da ruptura da relação, os pais consigam compartilhar entre si os assuntos relacionados aos filhos, deixando de lado os conflitos pessoais. “A tomada de decisões, por exemplo, de onde o filho vai estudar, qual é a melhor escola para as crianças, são exemplos de situações nas quais o pai e a mãe devem sentar e dialogar. Não necessariamente sobre outros assuntos, mas que os assuntos relacionados à criança sejam todos compartilhados”, salienta Andréia Weber.</span></p>
<p><b><i>Reportagem:</i></b><i><span style="font-weight: 400"> Camilly Barros e Nathália Brum, acadêmicas de Jornalismo<br /></span></i><b><i>Ilustração:</i></b><i><span style="font-weight: 400"> Vinícius Gumisson, bolsista de Desenho Industrial;<br /></span></i><b><i>Edição de Produção:</i></b><i><span style="font-weight: 400"> Samara Wobeto, acadêmica do Programa de Pós-Graduação em Comunição;<br /></span></i><b><i>Edição geral:</i></b><i><span style="font-weight: 400"> Luciane Treulieb e Mariana Henriques, jornalistas.</span></i></p>
<!-- /wp:tadv/classic-paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Compartilhar vivências é refúgio e forma de permanência para estudante indígena da UFSM</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/compartilhar-vivencias-e-refugio-e-forma-de-permanencia-para-estudante-indigena-da-ufsm</link>
				<pubDate>Wed, 09 Aug 2023 13:18:42 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[Caipora]]></category>
		<category><![CDATA[destaque arco]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[povos indígenas]]></category>
		<category><![CDATA[povos originários]]></category>
		<category><![CDATA[Yandê]]></category>

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						<description><![CDATA[A universidade conta com mais de 26 mil estudantes e apenas 159 são alunos indígenas, matriculados em cursos de graduação, pós-graduação e técnicos]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p><!-- wp:tadv/classic-paragraph --></p>
[caption id="attachment_9752" align="alignleft" width="600"]<img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/08/rayane-2.jpg" alt="" width="600" height="620" /> A estudante de Relações Internacionais, Rayane Xipaya, é a única aluna indígena no curso da UFSM. (Foto: Pangaia CBD)[/caption]
<p>O dia 09 de agosto é reconhecido como Dia Internacional dos Povos Indígenas. A data, criada pela Organização das Nações Unidas (ONU), visa reconhecer as tradições dos povos indígenas e promover a conscientização sobre a inclusão dos povos originários na sociedade.  </p>
<p>No Brasil, nos últimos 10 anos, ocorreu um aumento significativo do número de estudantes indígenas no Ensino Superior. Segundo dados de 2022 do Instituto Brasileiro de Pesquisa e Estatística (IBGE), as matrículas aumentaram em 374%, na última década. Contudo, os povos originários universitários representam apenas 3,3% dos mais de 1,4 milhão de pessoas que se identificam como indígenas no país. Em relação ao número total de alunos na graduação, representam 0,5%. A estudante de Relações Internacionais (RI) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) Rayane Xipaya, 21 anos, está no oitavo semestre do curso e é uma entre os 159 indígenas da Instituição, além disso, é a única no curso de RI, de acordo com dados da Subdivisão de Ações Afirmativas Sociais, Étnico-Raciais e Indígenas da UFSM.</p>
<p><a href="https://static.poder360.com.br/2023/04/alunos-indigenas-ensino-superior-abr2023.pdf">Um levantamento do Instituto Semesp (Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo)</a> mostrou que, em 2010, havia, no Brasil, 896 mil pessoas que se declaravam ou se consideravam indígenas. Desses, 572 mil (63,8%) viviam na área rural e 325 mil (36,2%), na área urbana. Em 2022, a autodeclaração indígena saltou para mais de 1,4 milhão, conforme balanço parcial do Censo 2022, mostrando um aumento de 66%. </p>
<p>A pesquisa revelou também que a participação de povos indígenas no ensino superior brasileiro aumentou 374% entre os anos 2011 e 2021, enquanto o crescimento dessas populações no país foi de 66%. Sendo a rede privada responsável por 63,7% desses estudantes e a modalidade presencial por 70,8%. O levantamento registrou, também, que 55,6% dos alunos indígenas são do sexo feminino, embora a presença masculina seja predominante dentro das Terras Indígenas (51,6%). O Instituto Semesp considerou as bases de dados do Censo Demográfico 2010 e do balanço parcial do Censo 2022, do IBGE, e também do Censo da Educação Superior, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).</p>
<h3>Início do Ensino Superior </h3>
[caption id="attachment_9754" align="alignright" width="599"]<img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/08/rayane-3.jpg" alt="" width="599" height="679" /> A estudante no hall do Restaurante Universitário da UFSM. (Foto: Arquivo Pessoal)[/caption]
<p>A UFSM tem a única casa de estudante indígena construída e planejada dentro de uma universidade no Brasil. A Casa do Estudante Indígena (CEI) Augusto Ópẽ da Silva, lar da Rayane desde 2021 até maio de 2023, foi inaugurada em 2018. Atualmente, abriga 60 estudantes de 15 etnias. Um dos motivos da estudante de Relações Internacionais ter vindo do Pará para o Rio Grande do Sul foi pelas ações afirmativas da Universidade, como a CEI.</p>
<p>Segundo o levantamento da Semesp, as áreas do conhecimento com maior número de alunos indígenas são Educação e Saúde e Bem-Estar, que somam 52,7% das matrículas. Entre os cursos presenciais, os que têm maior procura são Direito (10,6%), Enfermagem (6,7%) e Pedagogia (5,7%). </p>
<p>Na mesma linha do cenário nacional, na comunidade Apïrinã, do povo Xipaya, além de Rayane, têm outros estudantes no Ensino Superior, nos cursos de Direito, Odontologia, Engenharia Florestal, Biologia e Medicina. Todos esses são estudantes da Universidade Federal do Pará. </p>
<h3>Escolha do curso</h3>
<p>Para Rayane, as questões de segurança e de bem-estar foram levadas em conta na escolha da instituição de ensino. Mas, o mais conturbado mesmo foi sair da sua região: o médio Xingu, em Altamira, no norte do país, no estado do Pará. Ela veio para o oposto do país e ficou longe do povo Xipaya, da comunidade Apïrinã: “teve um choque cultural no início. Foi difícil me adaptar à alimentação, ao clima. Levei tudo como uma forma de conhecer outras realidades e ter essa vivência com os povos indígenas do estado. A convivência me abriu muito espaço de conhecimento”, relata Rayane. </p>
<p>A ideia de cursar RI surgiu por todas as questões que as comunidades indígenas, principalmente da região amazônica, enfrentam. A estudante conta que um dos motivos de se interessar pela área foi por conta do processo de criação da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. As negociações com outros países e a falta de informação para a população local são motivos que a levaram a cursar Relações Internacionais, objetivando ajudar a sua comunidade. “Os moradores foram e são ingênuos em relação a esse tipo de conhecimento, muito em decorrência do idioma. A população urbana, rural, povos indígenas e ribeirinhos da região foram diretamente afetados por não terem ninguém para conceber um auxílio e conhecer, de fato, do que iria se tratar o projeto”, reflete a estudante.</p>
<p>Por isso, RI se tornou uma área possível, dado o conhecimento fornecido sobre acordos internacionais, legislações e a possibilidade de entender o contexto histórico, político, social e econômico do país. “O aprendizado adquirido na universidade pode contribuir para levar o conhecimento necessário para as pessoas que realmente são impactadas e que deveriam ser as primeiras a serem ouvidas em projetos como a Usina de Belo Monte”, afirma Rayane.</p>
<p>Para o Trabalho de Conclusão de Curso, a temática escolhida é em relação ao Direito Internacional do Reconhecimento e a política indigenista do governo Bolsonaro. O direito internacional trata sobre questões de gênero, identidade, além de abarcar assuntos relacionados a povos originários e outras maiorias minorizadas. </p>
<p>Rayane explica que a linha de pesquisa é uma abordagem crítica que pretende dar ênfase aos povos originários. “Vou trazer para o âmbito doméstico, como o país desenvolveu as convenções e instrumentos jurídicos dentro da legislação. Por isso, começo a partir de 1988, passo pelos presidentes, desde Fernando Henrique Cardoso até o Lula. Depois, vou fazer uma análise da política indigenista do Bolsonaro”.</p>
<h3>Resistência no meio acadêmico</h3>
[caption id="attachment_9753" align="alignleft" width="599"]<img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/08/capa-1.jpg" alt="" width="599" height="398" /> Para a estudante, não é fácil estar longe de casa, mas o contato com colegas de diferentes etnias é muito enriquecedor (Foto: Liga Indígena Acadêmica)[/caption]
<p>Rayane conta que ter contato com mais de 15 povos originários é algo essencial para entender os processos históricos que aconteceram com cada um e como isso reflete na cosmovisão dessas comunidades. A Casa Indígena é uma forma de resistir e permanecer no meio acadêmico. “Algumas questões psicológicas têm me bloqueado bastante. É complicado nesse sentido de produção acadêmica. Também demorei para entrar em grupos de pesquisa, porque achava meus colegas que participavam muito inteligentes e tinha receio. Além disso, a academia é muito racista”, reflete a graduanda. </p>
<p>No início deste ano, a estudante aceitou o convite do professor do Departamento de Economia e Relações Internacionais, Ademar Pozzatti Júnior, para ingressar no <a href="https://www.ufsm.br/grupos/nppdi">Núcleo de Pesquisa e Práticas em Direito Internacional (NPPDI)</a>. Rayane explica que um dos motivos de enfrentar as inseguranças e aceitar participar do grupo tem muito a ver com a identificação pela metodologia do docente e com a possibilidade de realizar um mestrado. </p>
<p>Ao ser questionada se pretende realizar o mestrado na UFSM, Rayane comenta que é uma das possibilidades, e pensa em continuar com a linha de pesquisa do Direito Internacional do Reconhecimento, mas precisa analisar muitas questões. “Está chegando o momento que eu vou ter que decidir. Estou acostumada aqui com a região, gosto da forma que a universidade trabalha e aborda as questões de RI, de um modo mais social e filosófico. Estou pensando, também é doloroso ficar longe de casa”, conta a estudante. </p>
<p>A graduanda também participa, desde o início de 2023, do programa de extensão Gênero, Interseccionalidade e Direitos Humanos (Gidh).</p>
<h3>Cenário da pós-graduação</h3>
<p>De acordo com dados do <a href="https://portal.ufsm.br/ufsm-em-numeros/publico/index.html">UFSM em Números</a>, a Universidade tem 26.233 estudantes e 275 cursos. Conforme as informações da Subdivisão de Ações Afirmativas Sociais, Étnico-Raciais e Indígenas da Instituição, apenas 27 cursos de graduação e cinco cursos técnicos têm estudantes indígenas matriculados. A licenciatura em Educação Indígena EAD conta com 35 estudantes. Ao todo, são 159 alunos indígenas matriculados na Universidade. Atualmente, na pós-graduação, a instituição conta com uma aluna no curso de Residência Médica-Oncologia Clínica. Contudo, segundo os dados disponibilizados, a UFSM não tem nenhum aluno indígena formado pela pós-graduação. </p>
<p>De acordo com artigo <a href="https://www.scielo.br/j/rbeped/a/dx8gDkg34fWLQw7DvCbjhyz/#">“Estudantes indígenas em universidades brasileiras: um estudo das políticas de acesso e permanência</a>”, a política de ações afirmativas nas instituições federais de Ensino Superior, de modo especial para os povos indígenas, vem se consolidando enquanto política de estado. No entanto, os desafios não se restringem aos espaços dessas instituições. Segundo as autoras do estudo, é preciso estender a política de cotas para os espaços de trabalho em que os futuros profissionais atuarão, bem como para o ensino de pós-graduação, com a reserva de vagas para candidatos indígenas em cursos de mestrado e doutorado, por exemplo.</p>
<h3>Acolhimento por meio de projetos</h3>
<h4>Yandê</h4>
<p>Além dos grupos de pesquisa, o projeto que a graduanda de RI participa há quase dois anos é a <a href="https://www.instagram.com/yandeufsm/">Liga Acadêmica de Assuntos Indígenas - Yandê</a>, vinculado ao Centro de Ciências da Saúde (CCS). “Agora, por meio da Liga, a gente conseguiu uma DCG (Disciplinas Complementares de Graduação) que fala de povos indígenas e ela já vai começar a ser ministrada no CCS, mas aberta para outros cursos. Vamos ver como vai funcionar o processo, mas já é um grande passo: uma DCG que fale de povos originários!”, comemora Rayane. </p>
<p>Na Yandê ocorre muita troca, por meio de projetos de extensão e pesquisas. Os participantes do grupo aprendem, mas ensinam os educadores, também. Para ela, é como se fosse um refúgio dentro da universidade. “Sou a única estudante indigena de RI da UFSM e pelo que sei a primeira a me formar nessa área. Então, nos outros grupos às vezes fico mais reclusa. Por isso, gosto muito da Liga”. </p>
<h4>Projeto Caipora</h4>
<p>A estudante também faz parte do Projeto Caipora, de extensão da universidade. O projeto ainda é recente, mas Rayane está bem ansiosa para começar a colocar a mão na massa. O objetivo é desenvolver uma etnomídia, a partir da voz dos povos indígenas. Ela explica que serão eles mesmo contando sobre processos históricos que não foram escritos por eles, com foco na região sul do país. Tudo isso é para ser divulgado em forma de podcasts, vídeos, redes sociais e, até mesmo, em um jornal. O grupo ainda não tem previsão de quando vai começar a divulgação pelas redes sociais, mas os interessados já podem acompanhar na página do Instagram  <a href="https://www.instagram.com/caiporaetnomidia/">@caiporaetnomidia</a>. Até o momento, os integrantes começaram a fazer formação de mídia com alguns integrantes e o próximo passo é expandir para as aldeias de Santa Maria. </p>
<p>Para este 09 de agosto, Dia Internacional dos Povos Indígenas, o grupo, através da autoria de Rayane, divulgou um texto falando sobre a data e contextualizando vivências dos povos originários. </p>
<p>Leia abaixo:</p>
<p> </p>
<p><!-- /wp:tadv/classic-paragraph --></p><p style="text-align: center"><em><strong>DIA INTERNACIONAL DOS POVOS INDÍGENAS 09/08</strong></em></p>
<p style="text-align: center"><i>O Dia Internacional dos Povos Indígenas foi instituído no calendário mundial em 1994 pela resolução 49/214 da Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), e é comemorado desde o dia 09 de Agosto de 1995, tal qual, segundo a ONU, a data faz alusão a primeira reunião com os povos indígenas em Genebra em 1982. Traduzido originalmente de “International Day of the World’s Indigenous Peoples”, o dia conscientiza e evidencia a luta, resistência e existência dos mais de 476 milhões de indígenas que ainda vivem em aproximadamente 90 países, representam cerca de 5 mil culturas, e mantém viva mais de 7 mil línguas nativas.</i></p>
<p style="text-align: center"><i>Todavia, apesar do quantitativo relativamente exuberante, em termos comparativos de população, os povos originários não chegam a 7% da população mundial, e devido a diversas questões históricas, sociais, econômicas, que envolvem genocídio de corpos, culturas, memoricídio que ocorreram e ainda ocorrem contra os povos originários, em números gerais, esta população também faz parte dos 15% mais pobres do mundo de acordo com a ONU. </i></p>
<p style="text-align: center"><i>Dentre as diversas violências sofridas durante o período colonial e pós colonial, se enraizaram estereótipos e estigmas que fomentam preconceitos dentro das estruturas sociais dos Estados, e estes, por sua vez, viabilizaram e ainda viabilizam a marginalização, violação de corpos e territórios, e apagamento histórico que enfraquece as nossas narrativas sobre nossos próprios processos ao longo da história.</i></p>
<p style="text-align: center"><i>Portanto, de acordo com algumas dentre as várias narrativas impostas, indígenas são “caras vermelhas, com cabelos pretos e lisos, que não podem falar corretamente o idioma - oficial - de seu respectivo país, tampouco utilizar roupas, ou quaisquer tecnologia, tem naturalmente capacidades mentais inferiores e devem viver em completo isolamento no meio da natureza” e assim, somente assim, poderão ser validados com tal identidade. Este pensamento é por si só violento, e não reconhece as diversidades culturais, históricas, geográficas e fenotípicas de cada povo, excluindo veementemente indígenas que não correspondem com tais características, invalidando seu histórico, identidade e ancestralidade. </i></p>
<p style="text-align: center"><i>Certamente, há processos que fortalecem estes estigmas, bem como a política de embranquecimento, este, que teve como principal propulsor a miscigenação de raças, mas que também está diretamente atrelado ao embranquecimento do conhecimento tradicional, sendo parte do genocídio cultural que as populações indígenas enfrentaram. Se faz importante enfatizar também a romantização das estórias escritas, isto é, a ideia de que a miscigenação ocorreu por conta de uma paixão correspondida entre indígenas e não indígenas, encobrindo o estupro de crianças e mulheres indígenas e o assassinato de seus pais, parceiros e protetores. </i></p>
<p style="text-align: center"><i>No Brasil, estes processos culminaram na raça e identificação de “pardo”, gerando até mesmo sub raças para abrangê-los, bem como caboclos que seria a junção entre brancos e indígenas, e cafuzos, que seria a de negros e indígenas, tudo isso sendo parte do plano de embranquecimento da população, os colocando como “indigentes” diante do direito internacional e doméstico. Para além disso, o embranquecimento destas populações se deu também pela não aceitação de registros com nomes ou sobrenomes indígenas, sendo reconhecidos somente recentemente para uso legal em registro. </i></p>
<p style="text-align: center"><i>São inúmeras as violências sofridas e ainda impostas contra os povos indígenas, a ideia de população não civilizada, ou selvagens, nos coloca em uma posição desumana, desvalidando e desvalorizando os nossos conhecimentos, nosso modo de vida, nossa ancestralidade; nos coloca em uma subalternização social, histórica e econômica, por apenas sermos quem somos. </i></p>
<p style="text-align: center"><i>Nos aprisiona em um padrão de civilização que não é nosso. Nos mataram, estupraram, prenderam, torturaram, e no fim nos obrigaram a vestir, e usar suas roupas e sapatos, a falar a língua que não era nossa, a usar a tecnologia que não era nossa, a rezar para um deus que não era nosso, e nos impuseram um conhecimento que não era nosso. Mas quando falamos sobre ancestralidade e resistência, falamos sobre o fato de que aprendemos a ser como vocês são, sem deixar de ser quem nós somos e a maior prova disso está no primeiro parágrafo deste texto. </i></p>
<p style="text-align: center"><i>Nós não morremos, não deixamos nossa cultura e ancestralidade morrer, estamos utilizando tudo isso a nosso favor, as roupas de vocês, a tecnologia de vocês, a língua de vocês e o conhecimento de vocês para acessar todos os lugares possíveis e demarcá-los também, lutar para que mais nenhum povo seja dizimado, nenhuma cultura seja esquecida e que nossas histórias sejam escritas e narradas por nós mesmos. Estamos nos territórios demarcados ou não, cidades, hospitais, escolas, universidades, jornais, governos, convenções nacionais e internacionais, nós estamos negociando com os colonizadores, construindo as nossas leis e garantindo a nossa existência. </i></p>
<p style="text-align: center"><i>A todos os povos nativos em resistência do continente Americano, Africano, Europeu, Ásiatico e Oceania, SOMOS RESISTÊNCIA! e não garantimos somente nossa existência, pois mesmo compondo menos de 7% da população mundial, de acordo com a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) somos responsáveis por proteger mais de 80% da biodiversidade mundial, garantindo a vida de bilhões de seres vivos, inclusive dos colonizadores ou seus descendentes. Inclusive a vida daqueles que nos assassinam diariamente e daqueles que não sabem que ainda existimos. Estamos aqui, reescrevendo nossa história, quebrando nossas correntes e nos libertando dos estigmas que nos prendiam em padrões dos outros. Porque a nossa ancestralidade não morre com tiros ou facas, e são os nossos corpos vivos quem são o pulmão do mundo.</i></p>
<p style="text-align: center"><em>Viva os Povos Indígenas de todo o mundo! </em></p>		
							<img width="782" height="808" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/08/rayane-2.jpg" alt="" loading="lazy" />						
														Rayane Xipaya
																						Estudante de Relações Internacionais UFSM - Bolsista Caipora Etnomídia
		<p><strong><em>Expediente:</em></strong></p>
<p><em><strong>Reportagem:</strong> Eduarda Medeiros Paz, acadêmica de Jornalismo;<br /></em><em><strong>Edição:</strong> Luciane Treulieb e Mariana Henriques, jornalistas</em></p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Volta de doenças controladas ameaça saúde das crianças brasileiras</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/volta-de-doencas-controladas</link>
				<pubDate>Thu, 27 Jul 2023 11:46:00 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[destaque arco]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[doenças controladas]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/arco/?p=9735</guid>
						<description><![CDATA[Doenças como poliomielite e sarampo já foram eliminadas no país, mas podem voltar pela falta de vacinação]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p align="justify" style="font-size: 16px">Desde 2016, o Brasil sofre uma queda nos índices de vacinação e, desde 2020, a cobertura vacinal total da população não chega a 70%, de acordo com o DataSUS. Estes dados são alarmantes, visto que o objetivo do Ministério da Saúde é manter as taxas em 95%. Dentre os índices afetados, estão os das vacinas que evitam doenças infantis como a poliomielite e o sarampo, ambas abaixo da meta. Essas doenças já foram eliminadas ou controladas no país, no entanto, o constante declínio da cobertura vacinal aumenta o risco de retorno dessas enfermidades.</p>
<p align="justify" style="font-size: 16px">A poliomielite, por exemplo, foi erradicada do território nacional em 1994, então são quase 30 anos sem casos detectados. Porém, o país tem alto risco de reintrodução da doença. Em apenas 10 anos a cobertura vacinal da poliomielite foi de 96,5% em 2012 para 77% em 2022, uma queda de aproximadamente 20%.</p>
<p align="justify" style="font-size: 16px">O sarampo também é uma doença que ameaça voltar. As campanhas de vacinação levaram o Brasil a conquistar o certificado de eliminação da doença em 2016, mas três anos depois, em 2019, o país perdeu o reconhecimento. Naquele ano, o país registrou 81,5% de cobertura vacinal, mas desde então os índices caíram e em 2022 a cobertura foi de apenas 53% conforme dados do DataSUS.</p>
<p>												<img width="768" height="442" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/07/Infografico_Prancheta-1-768x442.jpg" alt="" loading="lazy">														</p>
<p></p>

<!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
</p>
<p align="justify">Para a infectologista pediátrica do Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM), Maria Clara Valadão, o cenário é preocupante. A médica relata que nos últimos anos se tornou comum atender pacientes com o calendário vacinal incompleto. “Às vezes não é a total falta da vacinação, mas a falta dos reforços, a falta de completar o calendário, muitas vezes a criança não tomou todas as doses necessárias. Estamos sempre atentos para essas velhas patologias que a gente não vê mais e estamos temendo a volta, pois com os índices baixos é só uma questão de tempo” afirma.</p>
<p align="justify">De acordo com o <a href="https://www.unicef.org/reports/state-worlds-children-2023"><u>relatório</u></a> “Situação Mundial da Infância 2023: Para cada criança, vacinação” lançado pelo UNICEF em abril deste ano, 1,6 milhão de crianças brasileiras não receberam nem a primeira das três doses da vacina contra a pólio entre 2019 e 2021. </p>
<h3 align="justify">Por que as doenças voltam?</h3>
<p align="justify">O médico epidemiologista e professor de Saúde Coletiva da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Marcos Lobato, explica que a eliminação é diferente da erradicação. Para uma doença ser considerada erradicada é preciso que ela desapareça no mundo todo, já a eliminação diz respeito a um local específico onde não têm mais relatos de casos. “Quando a gente tem a eliminação de uma doença num território, num país, ele recebe um certificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Essa certificação significa que aquele local não tem mais casos de uma doença específica, mas isso não quer dizer que ela não pode voltar, pois ela não foi erradicada” explica o professor. </p>
<p align="justify">Por isso, as baixas taxas de imunização acendem um alerta para o risco de novos surtos e reinserção de doenças que já haviam sido eliminadas no Brasil. Além disso, Lobato destaca que a poliomielite e o sarampo são as mais preocupantes, mas outras doenças também podem voltar. </p>
<p align="justify">“A gente pode ter um aumento de outras doenças exantemáticas, que são doenças infecciosas comuns de aparecerem na infância e causam irritação na pele como a rubéola, por exemplo. Também podemos ter um aumento de difteria, coqueluche e das meningites. Todas essas doenças, que têm vacinas, tiveram uma queda da cobertura vacinal”, comenta o médico. </p>
<p align="justify">A pediatra Maria Clara destaca que a volta de doenças eliminadas vai impactar muito o Sistema Único de Saúde (SUS) e os hospitais públicos. “Praticamente todos os hospitais públicos do nosso país sofrem com a deficiência de leitos de UTI e de UTI pediátrica. A nossa UTI está sempre superlotada e isso gera muitos problemas também de infecção hospitalar. No momento já estamos com dificuldades, então se várias doenças que não eram mais nossas preocupações voltarem, a situação vai ficar ainda pior” ressalta. </p>
<h3 align="justify">Poliomielite</h3>
<p align="justify">Conforme o <a href="https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/p/poliomielite#:~:text=Poliomielite%20(paralisia%20infantil)%20%C3%A9%20uma,cinco%20anos%20devem%20ser%20vacinadas."><u>Ministério da Saúde</u></a> a poliomielite, também conhecida como paralisia infantil, é uma doença contagiosa causada pelo vírus poliovírus que, apesar de infectar crianças com maior frequência, também pode atingir adultos. A maior parte das infecções apresenta nenhum ou poucos sintomas que podem ser febre, dor de garganta, náusea, vômito e dor abdominal. De acordo com a <a href="https://www.bio.fiocruz.br/index.php/br/poliomielite-sintomas-transmissao-e-prevencao"><u>Fiocruz</u></a>, cerca de 1% dos infectados pelo vírus podem desenvolver a forma paralítica da doença, que pode causar sequelas permanentes, insuficiência respiratória e, em alguns casos, levar à morte.</p>
<p align="justify">“Poliomielite é uma doença bastante grave, pode causar graves sequelas motoras, pode levar os pacientes a ficarem paraplégicos ou até mesmo levar à morte quando o quadro é muito intenso. Então é muito importante vacinar as crianças contra a pólio”, confirma a pediatra Maria Clara. </p>
<p align="justify">A pólio ainda não foi erradicada e permanece em dois países, no Afeganistão e Paquistão, com registro de 05 casos em 2021. Por isso, existe a preocupação com o seu retorno, pois mesmo que a distância geográfica seja grande os vírus se propagam com facilidade.</p>
<p align="justify">Atualmente, não existe tratamento específico para a doença e a vacinação é sua única forma de prevenção. Todas as crianças menores de cinco anos devem ser vacinadas conforme o calendário vacinal. </p>
<p align="justify">Ainda segundo a Fiocruz, a imunização contra a poliomielite deve ser iniciada a partir dos 2 meses de vida, com mais duas doses aos 4 e 6 meses, além dos reforços entre 15 e 18 meses e aos 5 anos de idade. A imunização é feita de duas formas: a aplicação VIP (vacina inativada injetável) com seringa e a VOP (vacina atenuada oral) que são as gotinhas.</p>
<p align="justify"><a href="https://www.bio.fiocruz.br/index.php/br/produtos/vacinas/poliomielite-inativada"><b>VIP </b></a>– É aplicada na rotina de vacinação infantil, aos 2, 4 e 6 meses, com reforços entre 15 e 18 meses e entre 4 e 5 anos de idade. </p>
<p align="justify"><a href="https://www.bio.fiocruz.br/index.php/br/produtos/vacinas/poliomielite"><b>VOP</b></a> – Na rede pública as doses, a partir de um ano de idade, são feitas com VOP. Na rotina de vacinação infantil contra pólio nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), é aplicada nas doses de reforço dos 15 meses e dos 4 anos de idade e em campanhas de vacinação para crianças de 1 a 4 anos.</p>
<p>Em junho deste ano o Ministério da Saúde anunciou que a vacinação em gotas será gradualmente substituída pela injetável a partir de 2024. De acordo com o órgão, “as estratégias de vacinação adotadas no Brasil, assim como os imunizantes indicados para cada público, levam em conta o avanço tecnológico do setor e novas evidências científicas”.</p>
<h3 align="justify">Sarampo</h3>
<p align="justify">De acordo com a <a href="https://www.bio.fiocruz.br/index.php/br/sarampo-sintomas-transmissao-e-prevencao"><u>Fiocruz</u></a>, o sarampo é uma doença infecciosa viral, extremamente contagiosa e muito comum na infância. Os sintomas iniciais são febre acompanhada de tosse persistente, irritação ocular e corrimento do nariz. Após estes sintomas, geralmente há o aparecimento de manchas avermelhadas no rosto, que progridem em direção aos pés. </p>
<p align="justify">Além disso, pode causar infecção nos ouvidos, pneumonia, ataques (convulsões e olhar fixo), lesão cerebral e morte. Posteriormente, o vírus pode atingir as vias respiratórias, causar diarréias e até infecções no encéfalo, centro do sistema nervoso humano. Sua transmissão ocorre quando o doente tosse, fala, espirra ou respira próximo de outras pessoas. </p>
<p align="justify">A maneira mais efetiva de evitar o sarampo também é pela vacinação. As crianças devem tomar duas doses da vacina combinada contra rubéola, sarampo e caxumba, chamada de tríplice viral. A primeira dose, com um ano de idade e a segunda, entre quatro e seis anos. Confira abaixo o <a href="http://pni.datasus.gov.br/calendario_vacina_Infantil.asp"><u>calendário vacinal</u></a> completo para crianças:</p>
<p>
<!-- /wp:tadv/classic-paragraph -->

<p></p>
<p>												<img width="870" height="616" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/07/calendario-vacinal.png" alt="" loading="lazy"><br>
												<img width="1920" height="193" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/07/Infografico_Prancheta-1-4.jpg" alt="" loading="lazy"><br>
												<img width="1024" height="1024" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/07/Infografico_Prancheta-1-1-1024x1024.jpg" alt="" loading="lazy"><br>
												<img width="1024" height="1024" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/07/Infografico_Prancheta-1-2-1-1024x1024.jpg" alt="" loading="lazy">														</p>
<h3 align="justify">Por que os índices caíram e como aumentá-los?</h3>
<p align="justify">Para a pediatra Maria Clara um dos fatores da queda dos índices de imunização é a própria eficácia das vacinas, pois como os casos diminuem as pessoas tendem a esquecer da existência de algumas doenças e de como elas podem ser graves. Além disso, para a médica, o movimento antivacina e a desinformação também contribuíram para esse cenário.</p>
<p align="justify">“O negacionismo contribuiu para que as pessoas começassem a desconfiar do processo vacinal que é extremamente seguro. Ele influenciou na decisão de várias famílias de não vacinar ou adiar as imunizações. Outro fator é a desinformação, eu tenho atendido muitas famílias que não levaram a criança para vacinar porque ela estava resfriada e isso não é uma contra indicação para a imunização”, relata a infectologista.</p>
<p align="justify">O professor Lobato destaca que problemas na gestão da saúde pública também contribuíram para a queda dos índices. Entre eles a aprovação do teto de gastos em 2016 e o congelamento nos investimentos e gastos com saúde pelo governo federal.</p>
<p align="justify">O especialista acredita que agora é preciso retomar as campanhas de educação para a saúde e conscientizar as crianças sobre a importância da vacina. Por exemplo, o médico relembra o sucesso de personagens como o “Zé Gotinha” para aumentar os índices vacinais.</p>
<p align="justify">“As pessoas devem cuidar do calendário vacinal. As vacinas são a tecnologia mais avançada que a humanidade já desenvolveu para prevenir doenças. Precisamos voltar a fazer propaganda de vacinação nas mídias e dizer que a vacina é muito boa e que ela protege a população inteira. A vacina é muito segura e é milhares de vezes mais segura para o usuário do que ele ter uma doença” afirma o médico.</p>
<p align="justify">
</p><p align="justify"><i><b>Reportagem:&nbsp;</b></i><i>Rebeca Villaça Kroll</i><i><b>&nbsp;</b></i><i>acadêmica de Jornalismo da UFSM<br></i><i><b>Edição:&nbsp;</b></i><i>Laura Strelow Storch, docente do curso de Jornalismo da UFSM<br><strong>Edição Geral:</strong>&nbsp;Luciane Treulieb e Mariana Henriques, jornalistas<br><b>Artes:</b>&nbsp;</i><i>Vinicius Gumisson Motta, estagiário de Desenho Industrial da&nbsp;</i><i style="color: #000000;font-size: 1rem;font-weight: var( --e-global-typography-text-font-weight );text-align: var(--bs-body-text-align)">Unicom, com informações do DataSUS</i></p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>A transfobia permanece mesmo após a morte de pessoas trans e travestis</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/transfobia-apos-a-morte</link>
				<pubDate>Wed, 28 Jun 2023 18:44:01 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[destaque arco]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[LGBTQIAPN+]]></category>
		<category><![CDATA[Pesquisa]]></category>
		<category><![CDATA[transfobia]]></category>

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						<description><![CDATA[O Brasil é o país que mais mata pessoas trans e travestis]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p>De acordo com a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra),&nbsp;<a href="https://antrabrasil.files.wordpress.com/2023/01/dossieantra2023.pdf" style="font-size: 16px">o Brasil é, pelo 14° ano consecutivo, o país que mais mata pessoas trans e travestis</a>. A frase “que descanse em paz”, dita após o falecimento de alguém, parece não valer para pessoas trans e travestis brasileiras. Em vida, elas sofrem com violências físicas e emocionais causadas pelo preconceito. Mas a transfobia não acaba quando elas morrem: o desrespeito com pronomes, nomes e gênero continua mesmo depois do óbito. Muitas delas são designadas em lápides, noticiários e certidão de óbito com os nomes que tinham antes da transição e com pronomes que não condizem com o gênero com o qual elas se identificavam, elemento que constitui um dispositivo de normalização pós-morte e que atua contra o desejo final das travestis ao lhes negar uma morte digna, de acordo com o estudo&nbsp;<a href="https://www.scielo.br/j/csp/a/YkWjhdbRtDcjhGT44sXqRNQ/abstract/?lang=pt" style="font-size: 16px">“Violência pós-morte contra travestis de Santa Maria”,&nbsp;</a>&nbsp;publicado nos Cadernos de Saúde Pública.<a href="https://www.scielo.br/j/csp/a/YkWjhdbRtDcjhGT44sXqRNQ/abstract/?lang=pt" style="font-size: 16px">&nbsp;</a><br></p>		
												<img width="768" height="432" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/06/Destaque-site-768x432.jpg" alt="" loading="lazy" />														
		<p><!-- wp:tadv/classic-paragraph --></p>
<p>A intenção da pesquisa foi descrever e analisar essas violências que são vivenciadas pelas travestis e que, muitas vezes, culminaram em seus homicídios. A partir do método etnográfico e da coleta de relatos das próprias travestis, a pesquisa compreende o período entre o final de 2019 e o início de 2020, quando a cidade de Santa Maria viu acontecer os homicídios de cinco travestis. Por isso, também apresenta relatos das mulheres assassinadas, algumas vezes poucos dias antes dos acontecimentos.</p>
<p><em>A primeira inquietação quando ocorre a morte de uma travesti é a de que a família a reconheça como feminino, vestindo roupas e acessórios de mulheres. Na ocasião do assassinato de Nilda, Inês salientou: “Enterrar uma travesti com roupas femininas faz parte da luta. Para garantir que Nilda fosse enterrada como mulher, corremos no necrotério levando um belo vestido, ainda sem uso e um par de sapatos novos. Ao menos ela seria enterrada como gostaria de ter vivido sempre, linda e mulher”. - Trecho do artigo.</em></p>
<p>Para Martha Helena Teixeira de Souza, uma das autoras do artigo, a transfobia está presente quando uma pessoa trans que não era aceita ou não tinha contato com seus parentes é velada de acordo com as crenças e as vontades da família. É nesses casos que o gênero, a trajetória e a existência daquele indivíduo são desrespeitados e, até mesmo, negados pelos seus familiares. “[No caso de uma travesti], a família, em muitos casos, veste de homem, coloca o nome masculino e se refere à travesti com pronomes masculinos. Família essa que, por nunca ter aceitado a transição, sequer convivia com a travesti e só aparece no funeral”, relata Martha.</p>
<h3>O nome na lápide</h3>
<p>De acordo com a pesquisa, duas das cinco travestis assassinadas foram identificadas em suas lápides com os nomes masculinos que tinham antes da transição.</p>
<p>“<i>Já vimos outros casos assim. Na hora da morte aproveitam que a pessoa não pode mais reclamar e vestem como homem e chamam como homem.</i> (...) <i>Colocam o nome masculino na pedra. Eu já avisei para todas que não deixem fazer isso comigo</i>”. Assim, o nome masculino que havia deixado de existir, quando gravado na lápide atua como a reiteração das normas sociais que atuam contra o desejo da pessoa morta. -  Trecho do artigo.</p>
<h3>O desacreditar da narrativa</h3>
<p>Martha comenta que as amigas de uma das vítimas, que estavam com ela na hora de seu assassinato, tiveram a preocupação de garantir que a violência tinha sido gravada pois sabiam que, caso não tivessem provas, poderiam acabar culpadas: “Em infinitas vezes elas sofrem violência nas ruas e sequer denunciam, porque elas sabem que ninguém acredita em travesti. Então precisamos acreditar nessas pessoas. Precisamos ouvir elas”, afirma a pesquisadora.</p>
<p>Quando algumas travestis chegaram ao local do assassinato, outras preocupações surgiram. Glória (26 anos, profissional do sexo, branca, com o primário concluído), explicou o motivo: “<i>Ficamos ansiosas com a chegada da polícia, pois sabemos que é difícil acreditarem em nós. Poderiam pensar que teríamos tentado roubar o cara e tantas outras coisas. Foi um alívio quando soubemos que tinha câmera que gravava tudo na rua, pois assim ficaria provado que ela não tinha feito nada</i>”. - Trecho do artigo.</p>
<h3>O apagamento da transfobia</h3>
<p>Em casos em que a morte de pessoas trans é consequência da violência motivada pelo preconceito, existe o medo de que o assassinato seja tratado por qualquer outro motivo que não a transfobia. Gabriela Quartiero, integrante do <a href="https://www.instagram.com/coletivovoe/">coletivo Voe</a> - formado por estudantes, pesquisadores e ativistas reunidos em prol da defesa da diversidade sexual e de gênero -,  esteve presente nas manifestações após a morte das cinco travestis. Ela comenta que, em alguns casos, há uma lentidão para a chegada de ajuda no local da violência: “A gente sabe que demora para chegar policias, por ser um local de prostituição, isso é muito negligente”, pontua. </p>
<p>Segundo dados de 2020 da Associação Nacional de Transexuais e Travestis  (Antra ), 90% da população trans feminina trabalham na prostituição, e apenas 4% está em empregos formais. Gabriela entende que a sociedade coloca essas pessoas nesse lugar por não aceitarem elas no ocupando os mesmos espaços. </p>
<p><i>Há questões como nome civil e nome social que impactam negativamente, limitando o acesso a serviços, escolas, trabalho formal. Ser identificada como travesti propicia manifestações preconceituosas e discriminações. Para muitas, como fonte de trabalho e renda, resta a prostituição. -</i> Trecho artigo</p>
<h3>A culpa da sociedade</h3>
<p>Antes de pensar na transfobia que acontece após a morte de pessoas trans e travestis, é importante relembrar que essas pessoas convivem com a transfobia desde o momento em que se reconhecem. "Desde o momento que essa travesti se reconhece lá na infância ou pré-adolescência, geralmente quando está frequentando o colégio, a professora faz de conta que não vê, ou tenta encaixar nos padrões [cis]heteronormativos. Muitas vezes por violências vivenciadas no banheiro, que elas até evitam ir para não serem abusadas, acabam saindo da escola. Fica difícil conseguir um emprego sem escolaridade”, relata Martha.</p>
<p>Os discursos transfóbicos estão inseridos na sociedade de uma forma que marginaliza e exclui corpos trans desde a sua infância. As mesmas falas transfóbicas que foram disseminadas nas redes sociais após as mortes das travestis na cidade são as falas que, para Gabriela, colocam e mantêm elas no lugar de vulnerabilidade em que estão, além de dificultar a inserção delas na sociedade.</p>
<p>“A família muitas vezes abandona e elas acabam indo morar com outras travestis. E aí que vem a rua. Elas vão se prostituir para sobrevivência. Nesse momento aumentam as violências. Então, quem joga elas nesse mundo é essa sociedade. Que é hipócrita, que faz discurso moralista, de família, de Deus, de pátria, de tudo. E depois chega na hora e joga essas pessoas lá", comenta Martha.</p>
<h3>Verônica: a mãe loira de Santa Maria </h3>
<p>Verônica é uma das cinco travestis que foram assassinadas em Santa Maria no período estudado. Ela foi morta com uma facada em dezembro de 2019. Conhecida como “mãe loira”, Verônica foi responsável por criar e manter o Verônica Alojamento, espaço que acolhia mulheres trans e LGBT+ desde 2006 e era uma das poucas casas de acolhimento para pessoas transexuais no Brasil. Ela era conhecida e servia de inspiração para muitas mulheres trans e travestis da cidade e <a href="https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2019/12/12/mulher-trans-e-morta-com-uma-facada-no-peito-em-santa-maria.ghtml">foi coroada madrinha da 5ª Parada LGBT Alternativa,</a> que ocorreu no início de dezembro de 2019 - onze dias antes de seu assassinato -, como forma de homenagear o que ela significava para Santa Maria. Na ocasião, o mote da homenagem foi a frase: “Que bom te ter viva”.</p>
<p>“A Verônica era como se fosse a indestrutível, que nada iria acontecer. Terem matado ela foi muito marcante. Não era qualquer uma, era a mulher que sustentava e amparava outras mulheres trans (...) ver ela em uma situação de vulnerabilidade, sendo esfaqueada, foi terrível”, relata Gabriela. </p>
<p>Verônica é uma das mulheres trans que  teve seu nome e pronome respeitados após a morte. Para Gabriela, <a href="https://www.trf4.jus.br/trf4/controlador.php?acao=pagina_visualizar&amp;id_pagina=2207#:~:text=%C3%89%20a%20forma%20pela%20qual,direito%20de%20todas%20as%20pessoas.">a alteração dos documentos</a>, que ela já tinha feito, foi importante neste processo. Mesmo assim, pessoas próximas ficaram atentas para ter certeza que não haveria qualquer desrespeito. Martha, que esteve presente na identificação do corpo de Verônica, comenta: “Eu estava no reconhecimento do corpo e eu lembro de o rapaz do Instituto Médico Legal chamar nome masculino e eu ter que chamar atenção”, relembra. </p>
<p>A transfobia pós-morte com a Mãe Loira veio em comentários pelo Facebook. Pela importância que ela tinha para a comunidade LGBT+, coletivos e ativistas lutaram para que ela fosse velada na Câmara de Vereadores santa-mariense, o que mexeu com o conservadorismo presente na cidade. "A Verônica ser velada na Câmara atingiu os limites da sociedade conservadora. Por isso que a morte dela chamou mais atenção, porque ela mexeu muito mais com as estruturas da sociedade”, conta Gabriela.</p>
<p>Para as entrevistadas, o velório de Verônica ser na Câmara de Vereadores escancarou a transfobia da comunidade de Santa Maria, mas também mostrou a força da comunidade LGBT+ da cidade.  “Não tem como a gente se conformar com uma morte causada pela transfobia, mas tem como a gente utilizar da nossa força reivindicar. A morte da Verônica trouxe a Casa Verônica para a UFSM, isso é uma coisa histórica. Transformar essa sensação de injustiça e dor em luta. É dessa forma que a gente vai ressignificar a morte dessas pessoas”, comenta Gabriela.</p>
<p>Verônica ganhou um documentário produzido pela TV Ovo, o <a href="https://www.youtube.com/watch?v=dsYEfqx7h2Q%20%20A%20Casa%20Ver%C3%B4nica">trailer </a>já está disponível. </p>
<h3>A Casa Verônica</h3>
<p>Na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), a partir da <a href="https://www.ufsm.br/pro-reitorias/proplan/resolucao-ufsm-n-064-2021">resolução UFSM N. 064</a>, que instituiu a Política de Igualdade de Gênero na Instituição, foi definido que a Universidade possuiria um espaço de acolhimento às pessoas em situação de violência de gênero. Para dar conta dessa demanda, foi criada a <a href="https://www.ufsm.br/pro-reitorias/pre/observatorio-de-direitos-humanos/casa-veronica">Casa Verônica</a>. O nome do ambiente foi escolhido a partir de uma consulta com a comunidade. De 1500 votos, 39% escolheram o nome de Verônica como forma de homenagear e manter sua memória viva. </p>
<p>De acordo com a coordenadora da Casa, Bruna Loureiro Denkin, "A política de Igualdade de Gênero foi uma conquista da comunidade acadêmica da UFSM e comunidade externa, após mais de 5 anos de discussões e reivindicações. Então, o Espaço Multiprofissional Casa Verônica pretende ser um espaço de acolhimento a pessoas em situação de violência de gênero dentro da universidade, não excluindo o acolhimento em outros âmbitos”. </p>
<p>As atividades propostas pelo projeto se baseiam em três eixos: Eixo 1 - Promoção da Igualdade de Gênero; Eixo 2 - Enfrentamento e Responsabilização em Casos de Violência; e Eixo 3 - Assistência. Como previsto, a assistência deve ser feita por três profissionais, uma psicóloga, um advogado e um assistente social. As ações podem ser acompanhadas na página no I<a style="font-size: 1rem;font-weight: var( --e-global-typography-text-font-weight );text-align: var(--bs-body-text-align)" href="https://www.instagram.com/casaveronicaufsm/">nstagram</a>.</p>
<p>Bruna entende que pela Universidade estar inserida em uma sociedade ainda estruturada pelo racismo, machismo, lgbtfobia e outros preconceitos,  essas questões também precisam ser enfrentadas dentro da comunidade acadêmica. “Por estar em um espaço de educação de formação, nos cabe enquanto instituição e enquanto servidores, propor e executar políticas públicas de enfrentamento às múltiplas violências e desigualdades, bem como promover a mudança cultural para o desenvolvimento de uma sociedade mais justa e igualitária. É um caminho ainda recente que precisa ser feito, mas também acredito ser muito importante a articulação das universidades com vistas a somar esforços para o enfrentamento e combate às violências, pois é um caminho que não se percorre sozinho, se faz necessário contar com parcerias, apoio e ações estratégicas", finaliza.</p>
<p><strong><em>Expediente:</em></strong></p>
<p><em><strong>Reportagem:</strong> Gabriel Escobar, acadêmico de Jornalismo;<br /></em><em><strong>Design gráfico:</strong> Vinicius Gumisson Motta e Lucas Zanella, estagiários de Desenho Industrial<br /></em><em style="color: #000000;font-size: 16px">Edição de Produção: Samara Wobeto;</em><em><br /></em><em><strong>Edição geral:</strong> Luciane Treulieb e Mariana Henriques, jornalistas</em></p>
<p><!-- /wp:tadv/classic-paragraph --></p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>O passado no futuro: aplicativo criado por doutorando da UFSM ajuda a valorizar a história local</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/aplicativo-sao-sepe</link>
				<pubDate>Thu, 01 Jun 2023 11:35:31 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[app]]></category>
		<category><![CDATA[destaque arco]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[tecnologia]]></category>

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						<description><![CDATA[Ideia que partiu de uma pesquisa sobre a história de São Sepé foi parar na telinha dos smartphones]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
<p><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/04/Arte-Final-App-Patrimonio-Sao-Sepe.jpg" alt="" width="600" height="450">“Antes de sermos do mundo, temos que ser regionais”, já dizia o poeta gaúcho Anomar Danúbio Vieira. A frase representa os objetivos que Felipe Rios Pereira buscou no seu projeto de doutorado. Historiador há sete anos, Felipe ingressou no Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) motivado a trazer novos meios de difundir informações históricas para a comunidade, especialmente as de sua terra natal: São Sepé.</p>
<p>A ideia era clara: transformar uma pesquisa sobre a história de um município do interior do Rio Grande do Sul em um aplicativo. São Sepé tem cerca de 23 mil habitantes, segundo o último <a href="https://cidades.ibge.gov.br/brasil/rs/sao-sepe">Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE</a>), e foi fundada em 1876. O município está a 266 quilômetros de distância da capital do Estado, Porto Alegre. Segundo Felipe, são raros os arquivos ou livros que falam da história sepeense. Ele conta que, em 2016, quando lecionou pela primeira vez em uma escola municipal, notou a dificuldade de encontrar materiais para ensinar os alunos. Os poucos que encontrava haviam sido feitos por memorialistas, advogados ou antigos médicos da cidade que relatavam fragmentos da história ou eventos importantes.&nbsp;</p>
<p>Foi com a aprovação em um edital da Faculdade Antonio Meneghetti, que liberou recursos para pesquisas, que Felipe decidiu pôr em prática seu projeto. A primeira ideia foi escrever um livro e narrar a história da construção de São Sepé. As pesquisas começaram, no início de 2021, com base nos arquivos da Fundação Cultural de São Sepé. Como o material era escasso, foi preciso que o autor buscasse o Arquivo Público do Estado e o Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul. O segundo passo da pesquisa incluiu entrevistas orais com pessoas da comunidade local, especialmente as mais idosas. “Foi muito bacana esse contato, geralmente eles me mostravam fotos, objetos, e tudo ajudava a construir uma linha narrativa”, diz Felipe. Em oito meses, o livro “Histórias de São Sepé” foi lançado na Feira do Livro do município, que contou com a presença de autoridades locais.</p>
[caption id="attachment_9700" align="alignleft" width="601"]<img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/04/livro-historia-sao-sepe.jpg" alt="" width="601" height="344"> Lançamento na Feira do Livro de São Sepé[/caption]
<p>Em 2022, veio a aprovação para o doutorado na UFSM e a esperança de expandir o projeto. Felipe decidiu levar para o ambiente acadêmico a ideia de pesquisar novos meios que pudessem divulgar a história local. O objetivo era que o conteúdo chegasse até a comunidade leiga e, especialmente, às crianças e aos jovens das escolas. “Foi pensando no principal meio de comunicação usado atualmente, o celular, que surgiu a ideia de desenvolver um aplicativo com a pesquisa que já estava no livro”, conta o doutorando.</p>
<p>Felipe levou os rascunhos do projeto para um antigo amigo, que havia conhecido na Casa do Estudante da UFSM, o desenvolvedor de software Maicon Luiz Anschau. Após algumas reuniões, estava pronto o primeiro esboço de um aplicativo que viria a se concretizar em dezembro de 2022.</p>
<p>Maicon conta que foram necessários sete meses para a construção do produto. <a href="https://play.google.com/store/apps/details?id=com.testnav&amp;pli=1">O aplicativo</a> foi lançado oficialmente em uma cerimônia no dia 22 de dezembro, no Museu Municipal de São Sepé.</p>
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<p><a data-elementor-open-lightbox="yes" data-elementor-lightbox-slideshow="a494d7c" href="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/05/Screenshot_2022-12-20-18-40-28-354_com.testnav-1.jpg"></a></p>
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<h3>Perspectivas</h3>
<p>Felipe acredita que o estudo histórico desempenha um papel importante, na medida em que contempla pesquisa e reflexão da relação construída socialmente e da relação estabelecida entre indivíduo, grupo e o mundo social. Por isso, para 2023, os planos continuam. Felipe idealiza a implantação de&nbsp;<i>QR Codes</i>&nbsp;em espaços públicos e históricos de São Sepé. A proposta é que o aplicativo possa ter acesso à câmera do usuário e capturar o código. O link vai direcionar a uma página com informações sobre a história do local ou objeto. O historiador menciona que a realidade virtual pode ser uma grande aliada da História, pois consegue unir o passado e o presente.</p>
<p><strong><em>Expediente:</em></strong></p>
<p><em><strong>Reportagem:</strong> Tayline Alvez Manganeli, acadêmica de Jornalismo;<br></em><em><strong>Design gráfico:</strong>&nbsp;Lucas Zanella, estagiário de Desenho Industrial</em><em><br></em><em><strong>Edição geral:</strong>&nbsp;Luciane Treulieb e Mariana Henriques, jornalistas</em></p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>10 curiosidades sobre o câncer de boca</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/10-curiosidades-sobre-o-cancer-de-boca</link>
				<pubDate>Thu, 25 May 2023 15:13:30 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[câncer de boca]]></category>
		<category><![CDATA[ccs]]></category>
		<category><![CDATA[destaque arco]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[meio vermelho]]></category>
		<category><![CDATA[Odontologia]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/arco/?p=9730</guid>
						<description><![CDATA[O mês de conscientização sobre o câncer bucal, Maio Vermelho, busca alertar a população sobre possíveis sinais de lesões na região da boca]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p style="color: #000000;font-size: 16px">Em referência a 31 de maio, instituído pela <a style="color: #204c90" href="http://www.al.rs.gov.br/filerepository/repLegis/arquivos/12.535.pdf">Lei Estadual 12 535/06</a> como Dia de Luta Contra o Câncer Bucal, este mês é marcado por campanhas que visam aumentar a discussão acerca desta doença, que afeta mais de 15 mil brasileiros e resulta em mais de 6 mil óbitos por ano, de acordo com o <a style="color: #204c90" href="https://www.gov.br/inca/pt-br">Instituto Nacional de Câncer (INCA)</a>. </p>
<p style="color: #000000;font-size: 16px">Para colaborar com a disseminação de conhecimento sobre o assunto, a Liga Acadêmica de Patologia Oral e Maxilofacial, do curso de Odontologia, da Universidade Federal de Santa Maria listou algumas dúvidas sobre o câncer de boca. </p>		
												<img width="768" height="432" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/05/Destaque-Cancer-de-boca-768x432.jpg" alt="" loading="lazy" />														
		<p><!-- wp:tadv/classic-paragraph --></p>
<h3>1. O que é câncer de boca?</h3>
<p>O câncer de boca está entre os mais prevalentes no Brasil e no mundo. Pode ser definido como um conjunto de tumores malignos que afetam diversas áreas bucais, como lábio, língua, gengiva, bochecha, assoalho da boca, palato duro, dentre outras. A língua e o lábio inferior são as regiões mais acometidas, e o carcinoma de células escamosas (CCE) é o tipo de tumor mais frequente, correspondendo a cerca de 95% dos casos. </p>
<p>É uma doença agressiva com uma taxa de sobrevivência de apenas 50% ao longo de 5 anos. As pessoas que sobrevivem apresentam sequelas severas do tratamento, que limitam ou comprometem as atividades profissionais, sociais e também familiares.</p>
<h3>2. Quais são os principais fatores que podem levar a pessoa a ter câncer de boca?</h3>
<p>O câncer bucal é uma doença potencialmente fatal que pode afetar pessoas de todas as idades, inclusive jovens, ainda que seja mais comum em homens tabagistas acima de 40 anos. Além do fumo, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas pode aumentar as chances de desenvolver o câncer. Por outro lado, as lesões pré-câncer (lesões com potencial de malignidade), são mais comuns em mulheres que não fumam e não bebem.</p>
<p>Somado a isso, outros fatores podem levar ao desdobramento da doença, como a exposição solar sem proteção, que é o principal fator de risco para o desenvolvimento de câncer de lábio, assim como a alimentação pobre em frutas, legumes e verduras. A infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV) pode também estar relacionada à ocorrência desse câncer.</p>
<h3>3. Quais os principais sinais de alerta para o câncer de boca?</h3>
<ul>
<li style="font-weight: 400">Feridas nos lábios e na boca que não cicatrizam por mais de 15 dias; </li>
<li style="font-weight: 400">Manchas ou placas vermelhas ou esbranquiçadas na boca; </li>
<li style="font-weight: 400">Sangramentos sem causa conhecida em qualquer região da boca; </li>
<li style="font-weight: 400">Nódulos (caroços) no pescoço;</li>
<li style="font-weight: 400">Rouquidão persistente;</li>
<li style="font-weight: 400">Em fases mais avançadas da doença, a pessoa pode apresentar dificuldade para falar, mastigar ou engolir.</li>
</ul>
<p>No entanto, apenas esses sinais podem não se confirmar como câncer de boca e precisam ser investigados por um profissional de saúde. </p>
<h3>4. Trauma causa câncer de boca?</h3>
<p>As evidências científicas disponíveis não comprovam o trauma crônico como uma possível causa de câncer, como o potencial trauma que é gerado pelo chimarrão, por exemplo. No entanto, alguns estudos indicam que traumas crônicos causados por prótese dentária mal adaptada e a má higiene da cavidade bucal ou da prótese podem ser fatores de lesões de câncer na boca pela recorrência.</p>
<h3>5. Como descobrir o câncer de boca?</h3>
<p>Por meio do exame clínico da boca, realizado por dentista ou médico, em qualquer unidade de saúde. O exame bucal é um procedimento simples de observação que não requer instrumentos especiais, podendo ser feito nas consultas odontológicas ou médicas. Com esse exame é possível visualizar lesões suspeitas e diagnosticar o câncer de boca ainda no início.</p>
<h3>6. O que fazer para diminuir o risco do câncer de boca?</h3>
<ul>
<li style="font-weight: 400">Não fumar; </li>
<li style="font-weight: 400">Evitar o consumo de bebidas alcoólicas; </li>
<li style="font-weight: 400">Ter uma alimentação rica em frutas, verduras e legumes; </li>
<li style="font-weight: 400">Usar preservativo (camisinha), inclusive durante a prática do sexo oral;</li>
<li style="font-weight: 400">Cuidar da higiene oral.</li>
</ul>
<p>Lembre-se, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento gratuito para quem deseja parar de fumar.</p>
<h3>7. Como é feito o tratamento?</h3>
<p>Na grande maioria das vezes é cirúrgico, tanto para lesões menores, com cirurgias mais simples, como para tumores maiores. O cirurgião de Cabeça e Pescoço é o profissional que vai avaliar o estágio da doença. Essa avaliação, associada a exames complementares, determinará o tratamento mais indicado. </p>
<p>A cirurgia normalmente consiste na retirada da área afetada pelo tumor associada à remoção dos linfonodos do pescoço e algum tipo de reconstrução quando necessário. Nas lesões mais simples, muitas vezes é necessário apenas a retirada da lesão.</p>
<p>Nos casos mais complexos, além do tratamento cirúrgico, é necessária a realização de radioterapia para complementar o tratamento e obter melhor resultado curativo. A radioterapia e a quimioterapia são indicadas, também, quando a cirurgia não é possível ou quando o tratamento cirúrgico pode trazer sequelas funcionais importantes e complicadas para a reabilitação funcional e a qualidade de vida do paciente. </p>
<p>Em todas as etapas do tratamento é importante o aspecto interdisciplinar (com a participação de vários profissionais de saúde) visando prevenir complicações e sequelas.</p>
<h3>8. Tem cura e risco de morrer?</h3>
<p>O câncer de boca tem cura, principalmente se diagnosticado e tratado nas fases iniciais. No entanto, se o diagnóstico e o tratamento são feitos quando a situação está avançada, aumenta a chance de se disseminar para outras regiões e, consequentemente, cresce o risco de morte e a qualidade de vida pode ser comprometida.</p>
<p>O problema é que, em estágio inicial, a lesão pode passar despercebida, uma vez que costuma ser assintomática. Os sintomas só são experimentados quando os pacientes estão em estágios avançados, quando já há comprometimento de outras estruturas. </p>
<p>A falta de conhecimento acerca da existência da doença e a dificuldade dos profissionais em identificar lesões resulta em atraso para referenciar os pacientes a realizarem diagnósticos e tratamentos, consequentemente, isso faz com que as taxas de mortalidade sejam altas no Brasil. Conforme o <a href="https://www.inca.gov.br/sites/ufu.sti.inca.local/files//media/document//livro-diagnostico-precoce-cancer-boca-2022.pdf">INCA</a>, o país apresenta a maior taxa de incidência da América do Sul, de 3,6 casos por 100 mil habitantes, e a segunda maior taxa de mortalidade, de 1,5 morte por 100 mil habitantes.</p>
<h3>9. O que objetiva o Projeto Maio Vermelho?</h3>
<p>A ideia de ampliar as ações de prevenção ao câncer bucal resultou na criação do Maio Vermelho, que surgiu nas reuniões do Comitê das Entidades de Classe do RS (CECO/RS), em 2011. Na ocasião, representantes da odontologia gaúcha trabalharam em conjunto para dar forma ao projeto e, anualmente, seguem atuando para alcançar os objetivos traçados, que incluem:</p>
<ul>
<li> Complementar e ampliar a formação de profissionais de saúde acerca de doenças que se manifestam na boca, com foco principal nas lesões malignas ou com potencial de malignização, assim como seus fatores de risco;</li>
<li> Unir os profissionais da saúde na campanha de prevenção ao câncer bucal para que seja contínua e reconhecida por informar e orientar a população através de diferentes meios de comunicação;</li>
<li> Oferecer oportunidade de exame clínico profissional para a população, tanto em campanhas específicas quanto nas unidades de saúde da rede pública e outros locais de assistência, para que os pacientes com necessidades sejam identificados e encaminhados aos serviços especializados para diagnóstico definitivo e tratamento;</li>
<li> Promover a saúde bucal da população, alcançando os 497 municípios do Rio Grande do Sul, com extensão para outros estados.</li>
</ul>
<h3>10. O que significa a logo do projeto?</h3>
<p>A flor da boca, símbolo da luta contra o câncer bucal, foi inspirada na peça “O homem com a flor na boca!” do dramaturgo italiano Luigi Pirandello. Nesta obra, um homem recebe a flor da morte sobre os lábios como símbolo do câncer, propondo uma reflexão sobre o sentido da vida. A flor, usada sobre o peito, busca sensibilizar a todos para a importância dessa luta. A gérbera, flor escolhida pelo Projeto, representa a positividade e a beleza da vida.</p>
<p><strong><em>Expediente:<br /></em></strong><em><strong>Texto: </strong>Gabriela da Luz Machado e Gabriela Bernardon Peixoto Silva</em><em><br /><strong>Edição de Produção:</strong> Laurent Keller<br /></em><em><strong>Edição geral:</strong> Luciane Treulieb e Mariana Henriques, jornalistas</em></p>
<p><!-- /wp:tadv/classic-paragraph --></p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Uso de insetos na nutrição animal: caminhos para inovação e sustentabilidade</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/uso-de-insetos-na-nutricao-animal</link>
				<pubDate>Thu, 11 May 2023 16:13:14 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[ciencias biologicas]]></category>
		<category><![CDATA[destaque arco]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[tenébrio]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/arco/?p=9716</guid>
						<description><![CDATA[Uma parceria entre laboratórios do campus da UFSM em Palmeira das Missões mostra a eficácia do tenébrio como ingrediente da ração de peixes]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p><!-- wp:tadv/classic-paragraph --></p>
<p><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/05/Destaque-Tenebrio.jpg" alt="" width="800" height="450" />Em 2019, Rodrigo Borille fez uma compra inusitada na internet: adquiriu algumas larvas de tenébrio, a fase jovem de uma espécie de besouro que possui alto valor proteico. Mal sabia ele que, a partir dali, aquelas larvinhas direcionariam suas pesquisas realizadas no Departamento de Zootecnia e Ciências Biológicas do campus de Palmeira das Missões, na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Desde então, Rodrigo começou a estudar os insetos como alternativas inovadoras e sustentáveis para a nutrição animal. Anos antes, ele percebeu que a produção de diversas espécies para fins comerciais estava ganhando força na Europa. Em 2011, <a href="https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2013/05/onu-sugere-comer-insetos-pra-reduzir-fome-no-mundo.html">a Organização das Nações Unidas tinha lançado um programa para incentivar a criação de insetos</a>: os pequenos animais poderiam ser uma resposta para a luta contra a fome no mundo, já que têm proteínas de alta qualidade na sua composição e são um ingrediente barato. Diante desse cenário, resolveu pesquisar esse ingrediente alternativo - mesmo que nunca tivesse criado um inseto antes: “a não ser aqueles que ficam embaixo dos nossos móveis, não é?”, brinca.</p>
<p> “Eu decidi trazer algo novo para o Brasil. Poucas instituições pesquisam insetos no país e a minha meta é tornar Palmeira das Missões uma referência nesse quesito”, revela o pesquisador. A espécie escolhida foi o <i>Tenebrio molitor,</i> uma larva que se refere à fase jovem de um besouro. Com o objetivo traçado e a espécie estabelecida, Rodrigo comprou larvas do tenébrio na internet, montou um grupo de estudos sobre insetos alimentícios e deu início à pesquisa que busca gerar um produto de alta qualidade para ser introduzido na nutrição de animais. </p>
<p>O tenébrio se alimenta essencialmente de trigo (e seus derivados), que é um ingrediente nobre de produção sazonal, ou seja, acontece apenas em determinadas épocas do ano. Então, no momento em que há menos oferta, o preço sobe. Por isso, a pesquisa liderada por Rodrigo procura sair da dependência exclusiva do farelo de trigo e introduzir ingredientes alternativos como resíduo de cervejaria (composto pela cevada), borra de café, sobra de frutas e bagaço de oliva - que são descartados após o uso. O objetivo é transformar esses componentes em uma proteína boa por meio da bioconversão feita pelo tenébrio - processo em que se utiliza matéria orgânica como fonte de energia. Assim, o estudo verifica o crescimento das larvas e a capacidade de incorporar essas substâncias na alimentação do tenébrio.</p>
[caption id="attachment_9729" align="alignnone" width="1024"]<img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/05/DSC0090-1024x683.jpg" alt="" width="1024" height="683" /> Larvas do tenébrio utilizadas nos testes da pesquisa[/caption]
<p> </p>
<p>Rodrigo destaca que o foco da pesquisa é encontrar a alimentação ideal e mais barata possível para enriquecer o tenébrio com mais nutrientes. “O uso de ingredientes alternativos, como a borra do café, barateia o processo produtivo. E ao transformar a espécie em uma proteína de alto valor biológico, eu faço um serviço ambiental ao reciclar materiais que iriam para aterros sanitários ou virariam adubo na lavoura”, afirma. O professor explica que as larvas têm a habilidade de transformar resíduos de baixa qualidade em alimentos de alta qualidade, ricos em energia, proteína e gordura. A borra do café, por exemplo, enriquece a farinha do tenébrio com ácidos graxos poli-insaturados - ricos em ômega 3 e ômega 6, ácidos graxos importantes para a nutrição humana e animal. </p>
<p>Até o momento, um dos resultados da pesquisa realizada no Laboratório de Nutrição Animal mostrou que a introdução de 10% de borra de café na alimentação do tenébrio resultou em um importante ganho nutricional à farinha feita a partir das larvas do tenébrio. “O bom de estudar o tenébrio é que ele se modela conforme a nutrição. Por isso, a gente tem um potencial muito forte de estudo. Podem-se encontrar no tenébrio os nutrientes necessários para a alimentação de várias espécies perto de nós, a partir da sua criação”, completa.</p>
[caption id="attachment_9728" align="aligncenter" width="500"]<img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/05/DSC0133-1024x683.jpg" alt="" width="500" height="333" /> Os testes são realizados no Laboratório de Nutrição Animal, localizado no campus de Palmeira das Missões[/caption]
[caption id="attachment_9727" align="aligncenter" width="500"]<img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/05/DSC0167-300x200.jpg" alt="" width="500" height="333" /> Uma das etapas da pesquisa consiste no acasalamento dos besouros (machos e fêmeas) em que os ovos são depositados no fundo da bandeja[/caption]
<p> </p>
<p> </p>
<h3>Produção em larga escala</h3>
<p>Paralelamente a isso, o grupo desenvolve uma fórmula de produção de tenébrios em larga escala. Ou seja, estuda-se cada fase específica do ciclo de vida da espécie para tornar o processo mais eficiente, veloz e econômico. Para isso, foram desenvolvidos métodos de reprodução com um casal de besouros, observados o número de ovos gerados, formas de acelerar o processo de postura dos ovos e analisar qual é o melhor ambiente para que os ovos se transformem em larvas e cresçam até o momento da colheita. Esta se refere à fase da pesquisa em que as larvas são coletadas e transformadas em farinha.</p>
<p>Parte do tempo do grupo também é dedicado à produção de equipamentos como aquecedores, umidificadores e ventiladores, essenciais para o cultivo do tenébrio - que precisa de 65% a 70% de umidade relativa do ar, além de cerca de 27 graus de temperatura ambiente. “São nossas gambiarras produtivas”, comenta Rodrigo. O professor ainda revela que busca incentivar os alunos no desenvolvimento de startups, pois é uma área inovadora no Brasil e ainda pouco explorada no mercado. “Eu estou ensinando um método de produção que tem potencial, seja qual for o foco. Assim, os alunos podem ser beneficiados porque têm a oportunidade de montar negócios em cima disso”, completa.</p>
<p><!-- /wp:tadv/classic-paragraph --></p>		
									<figure>
										<img width="768" height="586" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/05/IMG_0582-1-768x586.jpg" alt="" loading="lazy" />											<figcaption>Ciclo do vida do tenébrio</figcaption>
										</figure>
		<h3>Testes em Ração de Peixe&nbsp;</h3>
<p>Próximo ao Laboratório de Nutrição Animal, onde atua Rodrigo, fica o Laboratório de Piscicultura - também localizado no campus de Palmeira das Missões. Nele, a pesquisa sobre o uso do tenébrio entra em nova fase: os testes em ração de peixe. O estudo é coordenado pelo docente do Programa de Pós-Graduação em Agronegócios, Rafael Lazzari, e tem como objetivo usar o tenébrio como fonte alimentar para peixes a partir das rações. A iniciativa também é resultado da&nbsp;<a href="https://repositorio.ufsm.br/handle/1/25316">pesquisa da zootecnista Joziane Soares de Lima para o mestrado em Produção Animal</a>&nbsp;que foi concluído em 2022.</p>
<p>Conforme o último levantamento divulgado pela&nbsp;<a href="https://www.peixebr.com.br/">Associação Brasileira da Piscicultura (PeixeBR)</a>, o Brasil produziu, em 2021, aproximadamente 850 mil toneladas de peixes nativos e exóticos, o que representa um aumento de 4,7% em relação ao ano anterior. Diante desse cenário, o estudo da UFSM busca oferecer alternativas para a produção de peixes com o uso do tenébrio na ração, reduzindo a utilização de ingredientes mais caros como o farelo de soja e mantendo o crescimento do peixe em condições adequadas.&nbsp;</p>
<p>A espécie pesquisada foi o jundiá, que há anos é trabalhada na UFSM como uma espécie nativa prioritária e que apresenta grande potencial na região central do Rio Grande do Sul. “Nessas rações, costumamos usar fontes tradicionais como soja, milho e trigo. E o tenébrio é uma opção mais sustentável e que, ao mesmo tempo, apresenta uma boa composição nutricional”, destaca Rafael.&nbsp;</p>
<p>A obtenção da farinha das larvas do tenébrio é a primeira fase realizada pela pesquisa. Nesta etapa, realiza-se a secagem das larvas e, em seguida, o processamento é realizado para obter a farinha - que ainda passa por uma técnica de desengorduramento até estar pronta para a fase de testes. Essa fase da pesquisa, com duração de 49 dias, consiste em adicionar a farinha em cinco rações diferentes. Uma é a ração controle com a fórmula tradicional feita de cereais. E o restante das rações contém a adição de 10%, 20%, 30% e 40% da farinha do tenébrio. “É como se fosse uma dieta. Na medida em que vamos aumentando a quantidade de farinha de tenébrio, o percentual dos ingredientes tradicionais da ração foi diminuindo”, explica o professor Rafael.&nbsp;</p>
<p>Assim, foi possível comparar o crescimento dos peixes a partir de diferentes fórmulas em relação à ração controle. Com o uso de parâmetros de crescimento como peso final, comprimento total e ganho de peso, o estudo comprovou um caminho possível para inovação e sustentabilidade na nutrição animal: ao final dos testes, a farinha de tenébrio se mostrou um ingrediente de alta qualidade. A pesquisa revelou que, independentemente da porcentagem de farinha adicionada, os peixes crescem da mesma forma. “Em todas as rações que testamos, o crescimento foi exatamente igual. Na prática, significa o seguinte: o professor Rodrigo e eu provamos para a indústria que usar tenébrio em fórmulas de ração é uma boa alternativa, especialmente pela qualidade nutricional”, completa Rafael. Com o estudo aprovado, e que deu o título de mestra a Joziane, o objetivo é expandir a pesquisa, mas dessa vez trabalhando com a espécie de peixe tilápia.&nbsp;</p>
<h3>Ingrediente do futuro</h3>
<p>Para os professores Rodrigo e Rafael, o ingrediente do futuro tem nome:&nbsp;<i>Tenebrio molitor</i>. Essa perspectiva se dá a partir de características como baixo custo de produção e&nbsp; sustentabilidade. Isso porque os insetos apresentam vantagens nutricionais associadas a um menor impacto ambiental, o que introduz sustentabilidade à cadeia produtiva. Além disso, a produção do tenébrio faz pouco uso de água em seu processo e há menor emissão de gases de efeito estufa. “É como se fosse uma reciclagem daquilo que a gente não usa, de produtos que a gente não dá valor, que o tenébrio converte em alimentos de alta qualidade”, observa Rodrigo.</p>
<p>Segundo projeções elaboradas pela&nbsp;<a href="https://www.fao.org/brasil/pt/">Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO)</a>, agência que trabalha no combate à fome, o mundo terá cerca de 9 bilhões de pessoas em 2050 e, para alimentá-las, a produção de alimentos precisará dobrar. Em consequência disso, o mesmo relatório aponta que alimentar as populações futuras vai exigir o desenvolvimento de fontes alternativas de proteína como algas, feijões, fungos e insetos.</p>
[caption id="attachment_9726" align="alignnone" width="1024"]<img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/05/DSC0120-1024x683.jpg" alt="" width="1024" height="683"> Cuidados em relação à temperatura e ao controle da umidade também estão presentes na rotina dos pesquisadores[/caption]
<p>Na Europa, o uso de insetos já tem sido usado na alimentação humana. Em 2021, a&nbsp;<a href="https://www.efsa.europa.eu/pt">Agência Europeia de Segurança Alimentar (EFSA)</a>&nbsp;aprovou a larva do besouro&nbsp;<i>Tenebrio molitor</i>&nbsp;como o primeiro inseto seguro para o consumo humano no continente. No Brasil, ainda não há legislação para o uso, mas, para o professor Rodrigo Borille, há chances de ser autorizado no futuro. “E, quando for possível o uso do tenébrio na alimentação humana, já vamos ter estudos como esse desenvolvido na UFSM, com produtos ricos em nutrientes para a saúde”, completa.&nbsp;</p>
<p>Para que o uso do tenébrio e outros insetos possa ser visto como o ingrediente do futuro também no Brasil, Rodrigo afirma que o primeiro passo é a quebra de preconceitos. “Precisamos desconstruir a imagem que os inseticidas criaram de temos que “ser totalmente contra os insetos”. Todos eles têm um papel no planeta e alguns podem servir como alimentos”, afirma.&nbsp;</p>
<p></p>
<p><strong><em>Expediente:</em></strong></p>
<p><em><strong>Reportagem:</strong>&nbsp;Thais Immig, acadêmica de Jornalismo;</em></p>
<p><em><strong>Design gráfico:</strong>&nbsp;Lucas Zanella, estagiário de Desenho Industrial</em></p>
<p><em><strong>Fotografias:</strong> Isabel Malheiros/Assessoria de Comunicação UFSM-PM</em></p>
<p><em><strong>Edição geral:</strong>&nbsp;Luciane Treulieb, jornalista</em></p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Dinossauros em cenários reais são destaques nas redes sociais</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/dinossauros-em-cenarios-reais</link>
				<pubDate>Thu, 04 May 2023 13:06:00 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Dinos na Arco]]></category>
		<category><![CDATA[Cappa]]></category>
		<category><![CDATA[destaque arco]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[divulgação cientifica]]></category>
		<category><![CDATA[paleontologia]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/arco/?p=9703</guid>
						<description><![CDATA[Pesquisador do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica (Cappa) utiliza o Twitter para  divulgação científica]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p>Já parou para pensar como seria nosso planeta se animais que existiram há milhões de anos ainda estivessem vivos? Quais seriam os hábitos deles? Qual a diferença de tamanho de um humano perto de um animal pré-histórico? Em março de 2022, o geógrafo Jossano de Rosso Morais, mestrando em Biodiversidade Animal pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e pesquisador no&nbsp;<a href="https://www.instagram.com/cappaufsm/">Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica (Cappa)</a>, começou a escrever<i>&nbsp;threads&nbsp;</i>no&nbsp;<i>Twitter&nbsp;</i>para tentar responder algumas dessas questões e divulgar ciência de forma acessível.</p>
<p>O movimento de disseminar conteúdos científicos nas redes sociais inspirou o pesquisador a começar a escrever os próprios materiais. No início, os assuntos eram voltados para o&nbsp;<a href="https://www.ufsm.br/midias/arco/post466">período Triássico -</a>&nbsp;surgimento dos primeiros dinossauros e mamíferos, por exemplo - e para as pesquisas do Cappa. “Agora estou fazendo&nbsp;<i>threads</i>&nbsp;de diversas notícias que leio e gosto, porque assim consigo aprender mais sobre outros temas também. Não tem um padrão de assunto, é mais aleatório agora”, comenta Jossano.&nbsp;</p>
<p>Entre os conteúdos que o geógrafo produziu que mais repercutiram está uma curiosidade que Jossano mesmo tinha:&nbsp;<a href="https://twitter.com/jossano_morais/status/1588288072323502080">“como seria o mundo se vários animais extintos ainda vivessem no nosso tempo?”</a>. Ele explica que a escolha das montagens desses animais é feita com base no cenário. “Para fazer cada montagem, eu seleciono a ilustração que mais vai se encaixar no cenário escolhido. Os animais precisam ficar adequados à luz e ao tamanho do cenário”. Há uma “liberdade artística” na composição dessas imagens, pois nem sempre o animal retratado viveu na localidade da fotografia.&nbsp; A partir da&nbsp;<i>thread&nbsp;</i>e de uma conversa com o mestrando, a Arco apresenta curiosidades de dois animais extintos: a Preguiça-Gigante e o&nbsp;<i>Parasaurolophus</i>. Confira:&nbsp;</p>
<p><b>Animais extintos: onde habitavam e como viviam?&nbsp;</b></p>
<ul>
<li><b>Preguiça-Gigante</b></li>
</ul>
<figure>
										<img width="768" height="768" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/05/preguica-gigante-1-768x768.jpg" alt="" loading="lazy"><figcaption>O local da fotografia é o município de São João do Polêsine. Preguiça-Gigante realizada por Matheus Gadelha. Montagem: Jossano de Rosso Morais</figcaption></figure>
<p><b>Período</b></p>
<ul>
<li style="font-weight: 400">O <i>Megatherium </i>- nome científico da Preguiça-Gigante - é um mamífero que viveu na Era Cenozoica, no período quartenário - após a extinção dos dinossauros</li>
<li style="font-weight: 400">O Cenozoico iniciou-se há cerca de 65 milhões de anos&nbsp;</li>
<li style="font-weight: 400">A extinção da Preguiça Gigante ocorreu aproximadamente há 10 mil anos&nbsp;</li>
<li style="font-weight: 400">São originárias da América do Sul</li>
<li style="font-weight: 400">Já existia seres humanos neste continente&nbsp;</li>
</ul>
<p><b>Características</b></p>
<ul>
<li style="font-weight: 400">São parentes das preguiças atuais</li>
<li style="font-weight: 400">Podiam chegar até seis metros de comprimento e pesar quatro toneladas</li>
<li style="font-weight: 400">Eram animais terrestres e herbívoros - alimentação baseada em plantas e folhagens</li>
<li style="font-weight: 400">Não subiam em árvores devido ao tamanho</li>
<li style="font-weight: 400">Muito provavelmente não viviam em bandos, por serem animais gigantes</li>
</ul>
<p><b>Curiosidades</b></p>
<ul>
<li style="font-weight: 400">O geógrafo relata que é muito provável que a espécie tenha vivido na Região Central do Rio Grande do Sul, porque já foi <a href="https://www.ufsm.br/2019/04/25/pesquisadores-da-ufsm-descobrem-fossil-de-preguica-gigante-em-cacapava-do-sul">encontrado fóssil em Caçapava do Sul </a>&nbsp;</li>
<li style="font-weight: 400">O fóssil encontrado era da espécie <i>Lestodon armatus. </i>Antes já tinham sido achados das espécies <i>Megatherium americanum </i>e <i>Eremotherium laurillardi&nbsp;</i></li>
<li style="font-weight: 400">No campus de Caçapava do Sul da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) foi <a href="https://unipampa.edu.br/portal/campus-cacapava-do-sul-recebe-escultura-de-preguica-gigante">construída uma escultura</a> desse animal extinto&nbsp;</li>
<li style="font-weight: 400">Podem ter sido extintas devido às mudanças climáticas, na vegetação, no ambiente e também o fator humano pode ter sido uma das causas&nbsp;</li>
<li style="font-weight: 400">A Preguiça Gigante usava as <a href="https://twitter.com/jossano_morais/status/1609709338691600385">paleotocas</a> como abrigo.</li>
</ul>
<figure>
										<img width="768" height="578" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/05/paleotoca-da-preguica-gigante-768x578.jpg" alt="" loading="lazy">											<p></p>
<figcaption>O geógrafo Jossano Morais em frente a uma paleotoca na cidade de Santa Cruz do Sul. Arte da Preguiça-Gigante feita por Rob Brunette. Montagem: Jossano de Rosso Morais</figcaption>
</figure>
<p>Paleotocas são cavernas ou grutas cavadas na própria rocha. Em janeiro de 2023, Jossano&nbsp;<a href="https://twitter.com/jossano_morais/status/1609709338691600385">escreveu no Twitter&nbsp;</a>sobre sua visita a uma paleotoca no interior do Rio Grande do Sul e explicou sobre essas cavernas. Confira o texto escrito pelo pesquisador:</p>
<p>“Visitando uma Paleotoca de Preguiça-gigante</p>
<p>No Interior do RS, em Santa Cruz do Sul, fica essa caverna, ela é bem grande, são vários compartimentos e até hoje é conhecida na cidade como gruta dos Índios, um equívoco como vocês vão ver agora.</p>
<p>A caverna tem cerca de 30 metros de comprimento e 21 de largura, sua descoberta é pouco documentada, mas a região onde ela fica foi ocupada por volta de 1908, desde então o espaço é aberto para o público e muitas vezes tristemente vandalizada.</p>
<p><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/05/paleotoca-2.jpg" alt="" width="746" height="562"></p>
<p>Durante os anos 1980, um estudo encontrou vestígios de povos indígenas que viveram nas redondezas, só que nada na caverna que indicasse que haviam habitado lá, no entanto o nome pegou e ficou conhecida como Gruta dos Índios, só por volta de 2008 que isso iria mudar.</p>
<p><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/05/paleotoca-3.jpg" alt="" width="746" height="562"></p>
<p>O Geólogo Heinrich Frank, que estuda essas formações, esteve no local e encontraram possíveis&nbsp; marcas de garras de preguiças, juntamente com outras evidências, como a localização próximo a cursos d'água e de outras formações feitas por esses animais terem feições muito parecidas.</p>
<p>Outro ponto é a ausência de outros fatores geológicos que poderiam ter formado essa estrutura, assim como o fato dos indígenas não terem o costume, nem ferramentas adequadas para sua construção.</p>
<p>A parte triste desse fato incrível ter sido construída por animais gigantes que viveram milhares de anos atrás é a falta de estrutura e investimento no local para informar os visitantes sobre a formação e a importância do local. O que espero que algum dia venha a acontecer.</p>
<p>Ainda não foram publicados estudos sobre o local, mas segue as entrevistas do geólogo que fez as análises: <a href="http://www.blog.gpme.org.br/?p=2558">http://www.blog.gpme.org.br/?p=2558</a>”</p>
<p></p>

<!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
</p>
<ul>
<li><b> </b><b><i>Parasaurolophus</i></b></li>
</ul>
<p>
<!-- /wp:tadv/classic-paragraph -->

<p></p>
<figure>
										<img width="768" height="1024" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/05/parasaurolophus-768x1024.jpg" alt="" loading="lazy"><figcaption>O local da fotografia é o município de Cerro Branco, no Rio Grande do Sul. Arte do dinossauro de Jacob Baardse. Montagem: Jossano de Rosso Morais</figcaption></figure>
<p><b>Período</b></p>
<ul>
<li>O dinossauro&nbsp;<i>Parasaurolophus&nbsp;</i>viveu na&nbsp;<a href="https://www.ufsm.br/midias/arco/post466">Era Mesozoica</a>, no período Cretáceo, entre 80 e 70 milhões de anos atrás.</li>
<li>Viveu apenas na América do Norte, onde hoje estão localizados os Estados Unidos e o Canadá.</li>
</ul>
<p>[caption id="attachment_9709" align="aligncenter" width="746"]<img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/05/Parasaurolophus-2.jpg" alt="" width="746" height="560"> O local da foto é o município de Vila Nova do Sul, no Rio Grande do Sul. Arte do Parasaurolophus por Napon Suzuki. Montagem: Jossano de Rosso Morais[/caption]</p>
<p><b>Características</b></p>
<ul>
<li>Eram animais muito grandes, de até 10 metros de comprimento, e de quatro a cinco metros de altura.</li>
<li>Eram herbívoros.</li>
<li>Andavam tanto como bípedes - em duas patas -, como quadrúpedes - nas quatro patas.</li>
<li>Viviam em bandos.</li>
</ul>
<p><b>Curiosidades</b></p>
<ul>
<li>Até hoje analisa-se a função da famosa crista do&nbsp;<i>Parasaurolophus.&nbsp;</i>Jossano explica que provavelmente a estrutura ajudava a produzir um tipo de som.</li>
<li>Em uma cena do filme Jurassic Park: Mundo Perdido de 1997,&nbsp;<a href="https://www.youtube.com/watch?v=A1xr8YQpzf0&amp;ab_channel=ShinGoji">o dinossauro aparece emitindo um som</a>.</li>
</ul>
<p><strong><em>Expediente:</em></strong></p>
<p><em><strong>Reportagem:</strong> Eduarda Medeiros Paz, acadêmico de Jornalismo;<br></em><em><strong>Edição de Produção:</strong>&nbsp;Samara Wobeto;<br></em><em><strong>Edição geral:</strong> Luciane Treulieb</em></p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Agroflorestas estimulam a proteção do meio ambiente e a relação saudável entre o homem e a natureza</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/agroflorestas</link>
				<pubDate>Thu, 20 Apr 2023 14:17:44 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Agrofloresta]]></category>
		<category><![CDATA[destaque arco]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[jardim botânico]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/arco/?p=9697</guid>
						<description><![CDATA[ Lugares como o Jardim Botânico e o Residencial Dom Ivo Lorscheiter são exemplos do sistema agroflorestal em Santa Maria]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p>Os Sistemas Agroflorestais (SAFs) são modelos de produção de alimentos que têm origem na tradição dos povos originários. Segundo o instituto de pesquisa World Resources Institute (<a href="https://www.wribrasil.org.br/" style="font-size: 16px">WRI Brasil</a>), as agroflorestas visam à plantação e ao cultivo de árvores e de produtos agrícolas na mesma área. De acordo com o WRI, a implantação deste tipo de sistema tem ganhado força em alguns estados do país, como São Paulo e Paraná, por trazer benefícios tanto para a economia quanto para o meio ambiente.</p>
<p>												<img width="1024" height="576" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/04/Capa-materia-site-1-1024x576.jpeg" alt="" loading="lazy"></p>

<!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
<p>Os modelos de agroflorestas permitem a plantação e o cultivo de árvores, como as seringueiras, em conjunto com produtos agrícolas como o café. Essa união dá a possibilidade do que foi plantado trabalhar em conjunto com o que já existia no local, sem a necessidade de retirar árvores. Por isso, o modelo traz benefícios ambientais, pois evita o desmatamento e a retirada de plantas dos espaços.</p>
<h3>Agrofloresta no Jardim Botânico</h3>
<p>Na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), o professor de Ciências Biológicas e ex-diretor do Jardim Botânico Renato Záchia, juntamente com um grupo de alunos, realizou a inserção da agrofloresta no Jardim. O primeiro contato do professor com os sistemas agroflorestais ocorreu quando ele estudava as culturas dos povos indígenas: “Eu nem sabia que existia a palavra ‘agrofloresta’ na época. Minha relação com a temática começa a partir do contato com a cosmologia indígena, dos povos originários, de perceber a maneira como eles se vinculam com a natureza”, relata Záchia.</p>
<p>A ideia de uma agrofloresta na Universidade surgiu a partir de uma proposta dos estudantes, que queriam começar o cultivo de árvores na instituição. Záchia, então, propôs um novo modelo: “A agrofloresta surge da ideia de plantar árvores, mas trabalha dentro de uma compreensão didático-pedagógica. Ela não trata uma árvore separada. Se plantar uma árvore, eu tenho que trazer a família dela, que é o sistema em que ela vive”.&nbsp;</p>
<p>A agrofloresta do Jardim Botânico valoriza, principalmente, a colaboração entre as pessoas e depende delas para que continue em funcionamento. É cuidada por alunos e, segundo Záchia,&nbsp; é por causa deles que a área pode ser mantida. Alimentos como alface, mostarda e couve podem ser encontrados na agrofloresta e estão disponíveis para consumo tanto para quem cuida do espaço quanto para quem é visitante.&nbsp;</p>
<p>Os SAFs não são apenas um modelo de agricultura, portanto, visar apenas o lucro não faz parte de quem estabelece e segue esse tipo de sistema. A ideia da construção de uma agrofloresta é reunir agricultura,&nbsp; natureza,&nbsp; questões sociais e entender que tudo isso faz parte de um único espaço. A Agrofloresta do Jardim Botânico funciona quando tem a colaboração das pessoas. Záchia comenta que ali também são trabalhadas questões sociais, já que depende das pessoas para existir, e, por isso, esse modelo é o conceito inverso de competição.&nbsp;</p>
<p>Atualmente, poucas pessoas trabalham na Agrofloresta do Jardim Botânico. Como o sistema só funciona com a ajuda da comunidade municipal e acadêmica, as plantas correm o risco de ficar sem os cuidados adequados, caso os responsáveis não possam se dedicar às tarefas. A mandioca é um exemplo disso: como não havia ninguém que pudesse fazer a plantação na época correta ela acabou sendo deixada de lado. Apesar disso, esse sistema tem grande importância para a Universidade. “Ter uma agrofloresta dá a possibilidade de as pessoas enxergarem que, em um mesmo espaço, podem coexistir plantas não convencionais e a fauna, sem precisar matar nenhuma planta”, destaca Záchia.&nbsp;</p>
<h3>Agrofloresta no Residencial Dom Ivo Lorscheiter</h3>
<p>Santa Maria também tem uma Agrofloresta no Residencial Dom Ivo Lorscheiter, localizado no bairro Diácono João Luiz Pozzobon. O presidente do Residencial, Luiz Antônio, também conhecido como Mestre Militar Capoeira, conta que a agrofloresta daquele local surgiu com o intuito de recuperar uma área que era usada como lixão pelos moradores. As pessoas deixavam garrafas, móveis, alimentos e até pneus. “O que antes era um lixão, hoje é um local em que são produzidos alimentos para as famílias da comunidade”, relata Luiz.&nbsp;</p>
<p>Apesar de ter sido um processo lento, a comunidade do Residencial Dom Ivo Lorscheiter tem se envolvido para manter a agrofloresta em boas condições. Mesmo que algumas pessoas não tenham apoiado a criação de um SAF naquela área, hoje os moradores plantam, cuidam e desfrutam dos benefícios do sistema.</p>
<p>Luiz é mestre da associação da capoeira e aproveita sua liderança na comunidade para envolver os moradores e passar o modelo de agrofloresta adiante. Ele relata sua preocupação com o futuro, por isso aproveita de sua presidência na capoeira para influenciar os jovens e seus familiares, deixando novas lideranças para o futuro. “Eu envolvo as crianças, os adolescentes e os pais. Isso vai fazendo com que eles aceitem a ideia, assim, futuramente, novas lideranças vão manter a agrofloresta. Digamos que eu vá embora: quem vai cuidar da agrofloresta? A gente forma novas lideranças para seguir esse mesmo trabalho”, conta Luiz.</p>
<h3>Meio Ambiente&nbsp;</h3>
<p>O professor Renato Záchia comenta que, além de proporcionar alimentos para as pessoas, a agrofloresta tem a possibilidade de cultivar a terra sem causar três grandes prejuízos: “a perda de água potável no planeta, a perda da biodiversidade e a perda do solo. Eles acontecem devido à maneira como as pessoas estão se relacionando com o meio ambiente”.&nbsp;</p>
<p>O efeito do sistema agroflorestal não só auxilia o meio ambiente em grande escala como também nas mudanças dentro de casa. Luiz conta que, desde a implantação do sistema no Residencial Dom Ivo Lorscheiter, os moradores já mudaram alguns hábitos, como a separação do lixo: os resíduos orgânicos são separados e levados para a agrofloresta.&nbsp;<br><br><strong><em>Expediente:</em></strong></p>
<p><em><strong>Reportagem:</strong> Gabriel Escobar, acadêmico de Jornalismo;<br></em><em><strong>Design gráfico:</strong> Lucas Zanella, estagiário de Desenho Industrial<br></em><em><strong>Edição de Produção:</strong> Samara Wobeto;<br></em><em><strong>Edição geral:</strong>&nbsp;Luciane Treulieb e Mariana Henriques, jornalistas.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<!-- /wp:tadv/classic-paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Egressa da UFSM é a única pesquisadora da América Latina entre as 12 vencedoras de prêmio internacional de Química</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/egressa-ufsm-vencedora-de-premio-internacional-de-quimica</link>
				<pubDate>Thu, 06 Apr 2023 11:06:19 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[destaque arco]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[Egressos]]></category>
		<category><![CDATA[Pesquisa]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/arco/?p=9693</guid>
						<description><![CDATA[Mestre e doutora em Química Analítica pela Universidade Federal de Santa Maria, Márcia Mesko é a terceira brasileira a receber honraria]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p>Entre as&nbsp;<a href="https://iupac.org/iupac-2023-distinguished-women/">12 mulheres premiadas por sua atuação na Química pela União Internacional de Química Pura e Aplicada</a>&nbsp;(IUPAC), a única representante da América Latina é brasileira e ex-aluna da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Mestre e doutora em Química analítica pela Instituição, Márcia Mesko recebeu o&nbsp;<i>IUPAC 2023 distinguished Women in Chemistry or Chemical Engineering</i>, uma premiação criada em 2011 com o objetivo dar visibilidade e reconhecimento ao trabalho de mulheres no meio científico. A solenidade de entrega da honraria será realizada em agosto, na Holanda.&nbsp;</p>
<figure>
										<img width="768" height="592" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/04/card-Marcia-Mesko-768x592.jpeg" alt="" loading="lazy"><figcaption>Márcia conta que foi durante a sua pós-graduação na UFSM que definiu linha de pesquisa que a levou a ser reconhecida internacionalmente</figcaption></figure>
<p></p>

<!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
</p>
[caption id="attachment_9694" align="alignleft" width="600"]<a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/04/Marcia-tabela-periodica.jpg"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/04/Marcia-tabela-periodica.jpg" alt="" width="600" height="302" /></a> Na tabela periódica, Marcia representa o elemento Bromo[/caption]
<p>Criada há 104 anos, a IUPAC regula os padrões para a denominação dos compostos e elementos químicos. Um exemplo que todos têm contato nas aulas de Química é a tabela periódica, que foi padronizada pelo órgão. Para comemorar o centenário da entidade, em 2019, a IUPAC criou uma tabela periódica especial com o rosto de 108 jovens cientistas. Márcia também teve destaque nessa ação, e foi escolhida para <a href="https://iupac.org/100/pt-of-chemist/">representar o elemento Bromo</a>, 35º elemento da tabela.</p>
<p>Antes disso, a docente já figurava como referência em sua área. Em 2012, a pesquisadora venceu o prêmio L’Oréal-Unesco- Academia Brasileira de Ciência para Mulheres na Ciência, além de outras distinções. Ela também foi a primeira latino-americana a receber o prêmio de Pesquisador Emergente concedido pela Real Sociedade de Química Britânica e pelo Jornal de Espectrometria Atômica Analítica, em 2018. Em 2019, ela apareceu na lista <a href="https://pubs.rsc.org/en/journals/articlecollectionlanding?sercode=mh&amp;themeid=ba1666f0-eaa2-4fcd-b56b-4568f71993aa"><i>Celebrating Excellence in Research: 100 Women of Chemistry</i></a>, também realizada pela Real Sociedade de Química. No âmbito acadêmico, ela já publicou mais de 120 artigos em revistas de renome nacional e internacional.</p>
<p>A docente também integra associações como a Sociedade Brasileira de Química, a Academia Brasileira de Ciências e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs), da qual é coordenadora do Comitê Interdisciplinar. Sua trajetória na Química teve início aos treze anos em sua cidade natal, Pelotas, quando iniciou o curso técnico em Química. Mais tarde, se graduou em Química pela Universidade Federal de Pelotas (UFPeL), onde, agora, atua profissionalmente como docente.</p>
<p>Em entrevista à Revista Arco, Márcia conta sobre a sua carreira dedicada à pesquisa e o ensino da Química e a importância da UFSM em sua trajetória. Ela também fala a respeito das dificuldades que as mulheres enfrentam no meio acadêmico e os desafios de fazer ciência fora dos grandes centros.</p>
<p><b>Arco: Poderia explicar para os leitores o que é a IUPAC e a importância desse prêmio? </b></p>
<p><b>Márcia Mesko:</b> A IUPAC é uma organização não governamental internacional que, desde 1919, reúne pesquisadores em prol do desenvolvimento da Química mundial. Ela é bastante conhecida por ter padronizado a tabela periódica e normatizações de nomenclaturas das fórmulas Químicas. Então, todos que já passaram pelo ensino médio tiveram contato com o trabalho da IUPAC. </p>
<p>Sobre a premiação, toda vez que a gente tem um trabalho reconhecido por uma instituição com a relevância da IUPAC, nos lembramos de toda a nossa história, de tudo que fizemos e o que ainda podemos fazer, além de mostrar que é possível produzir ciência de qualidade fora dos grandes centros, basta incentivar os pesquisadores, principalmente os que estão em início de carreira.</p>
<p>Quando eu vejo alguém da minha cidade, do meu estado, da minha universidade conquistando alguma coisa, parece que a gente conquista junto, então espero que a premiação possa motivar os futuros pesquisadores a não desistirem da ciência. Sabemos que já passamos por momentos muito difíceis, mas também sabemos da importância da ciência, por isso não podemos desanimar. Mas precisamos que os nossos governantes entendam o quão importante é a formação de profissionais qualificados em todas as áreas. Esse é o caminho  que leva ao desenvolvimento do país.</p>
<p><b>Arco: Qual é a importância dessa premiação para o reconhecimento do trabalho das mulheres na ciência e o incentivo para que essa participação feminina aumente? Como é a presença feminina na Química, chega perto da equidade?</b></p>
<p><b>Márcia Mesko: </b>Segundo estudos de revistas internacionais, as mulheres correspondem a 33% dos cientistas em cargos de liderança. Mas, quando olhamos para a sala de aula, por vezes, as mulheres são maioria. O meu grupo de pesquisa é composto quase que totalmente por mulheres e não há vagas reservadas especialmente para elas. Mas quando vamos para congressos, percebemos que os espaços de discussão e de fala ainda são muito restritos para as mulheres. Através da luta pela equidade de gênero, as coisas têm melhorado, já é possível ver maior presença das mulheres em posições de destaque nesses eventos, mas não é o mais comum. </p>
<p>As premiações internacionais ajudam a mostrar que no mundo todo há muitas pesquisadoras realizando ações relevantes. Além disso, elas trazem credibilidade, pois parece que as pessoas não acreditam na capacidade das mulheres em liderar projetos, eu mesma enfrentei resistência para seguir com a minha linha de pesquisa. Então às vezes tu não és reconhecida na tua própria instituição, mas um comitê internacional reconhece a tua competência, e são pessoas que a gente não conhece, então elas enxergam apenas o nosso trabalho.</p>
<p><b>Arco: Conte um pouco sobre a sua área de atuação e linha de pesquisa?</b></p>
<p><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/04/marcia-laboratorio.jpg" alt="" width="580" height="374" />A minha área é a Química analítica e ela está muito presente no nosso dia a dia. Todos os produtos que nós utilizamos passam por um processo de análise Química antes de serem comercializados. O que eu faço é desenvolver métodos de análise para medicamentos, cosméticos e alimentos que sejam mais rápidos, precisos e amigáveis, tanto para o meio ambiente quanto para os pesquisadores, ao gerar menos resíduos químicos. Nós também desenvolvemos métodos para transformar as amostras em soluções a serem analisadas. Para determinar a presença de elementos tóxicos no batom, por exemplo, é preciso transformá-lo em uma solução líquida. </p>
<p>Com o uso de equipamentos de microondas e ultrassom, que são novas tecnologias, a precisão e velocidade de análise aumentaram muito. Enquanto métodos antigos levam horas de preparo para determinar um elemento por vez, o equipamento de microondas faz a mesma análise em 30 minutos e consegue determinar 10, 15 elementos. Hoje nós recebemos solicitações de grupos de pesquisa da Europa para realizar análises em parceria porque eles não conseguem realizar o trabalho que nós fazemos aqui. </p>
<p><b>Arco: Quando começou o seu interesse nesta temática?</b></p>
<p><b>Márcia Mesko: </b>Foi durante a minha pós-graduação na UFSM que os meus horizontes começaram a se ampliar. Eu sabia que queria seguir na área de Química analítica, mas foi quando eu conheci o grupo do <a href="https://www.ufsm.br/midias/arco/arco-entrevista-erico-flores-primeiro-pesquisador-latino-americano-a-receber-a-medalha-ioannes-marcus-marci">professor Érico Flores</a>, que já era referência na área, e começamos a fazer análises de medicamentos e outros elementos que eu fui gostando cada vez mais e defini minha linha de pesquisa. Durante o doutorado, eu migrei da determinação de metais para determinação de halogênios [grupo de elementos que formam sais - flúor, cloro, bromo, iodo, astato e tenesso]. A minha tese de doutorado foi a primeira do grupo a trabalhar com halogênios e foi <a href="https://pubs.acs.org/doi/10.1021/ac8000836">publicada em uma revista muito conceituada de Química Analítica</a> e premiada na Áustria. Então eu passei a me especializar cada vez mais nesse grupo da tabela periódica.</p>
<p>A pós-graduação tem esse papel de ampliar os nossos horizontes, então me envolvi em todas as oportunidades que tive. Trabalhei com alimentos, medicamentos, petróleo, liga metálica para o setor industrial e, assim, entendia, cada vez mais, a importância da determinação de elementos, porque a presença de 0,001 % de contaminante pode impactar muito a qualidade dos produtos.</p>
<p><b>Arco: Como a UFSM contribuiu com a trajetória que te levou até essa premiação?</b></p>
<p><b>Márcia Mesko: </b>É uma contribuição difícil de dimensionar porque a minha formação profissional foi totalmente lapidada pela UFSM. Foi ela que me proporcionou a oportunidade de participar de projetos junto à Petrobras e à Anvisa e isso me trouxe muitos aprendizados. A UFSM não só foi, como é importante até hoje para mim, já que tenho muitos projetos em conjunto com o grupo de pesquisa no qual eu atuava. Vários dos trabalhos que desenvolvo com meus alunos aqui, têm as análises realizadas na UFSM, porque o <a href="https://www.ufsm.br/laboratorios/laqia">LAQIA</a> e <a href="https://www.ufsm.br/2012/05/11/cepetro-consolidando-a-parceria-entre-a-ufsm-e-a-petrobras">Cepetro</a> são  um dos laboratórios mais bem equipados da América Latina na área, então temos uma troca muito grande.</p>
<p>Além disso, a UFSM é uma universidade muito acolhedora. Quando eu vim morar aqui, a única pessoa que eu conhecia em Santa Maria era a minha tia, que foi quem me motivou a fazer a seleção para o mestrado. Ela fazia propaganda da Universidade, mas também não conhecia ninguém (risos). Cheguei totalmente perdida e o grupo me acolheu muito bem, me entrosei em pouco tempo. Então ela teve esse papel de me receber muito bem e proporcionar as oportunidades que eu sonhava, não só no meu curso, mas também no aspecto cultural. Vivi a UFSM intensamente nos anos que estive aí e acho que ela sempre vai fazer parte de mim, assim como a UFPeL.</p>
<p><b>A</b><b>rco: Atualmente, percebemos que as mulheres têm grande presença nos cursos de Química da UFSM. Go</b><b>staria de saber se era assim na tua época de estudante e se essa presença (ou ausência) feminina teve alguma influência durante a sua formação?</b></p>
<p><b>Márcia Mesko: </b>Na minha época não era assim, havia muito mais homens do que mulheres, principalmente no doutorado. Nunca tivemos atritos por isso e mantenho convívio com os meus colegas até hoje, mas acho que a representatividade é muito importante porque ajuda a quebrar certos paradigmas, pois, quando há mais mulheres, nós nos sentimos mais confortáveis, apoiamos umas às outras, identificamos potenciais e saímos daquele lugar de fragilidade, sentimento de incapacidade, em que fomos criadas para estar e que nos faz naturalizar muitas dificuldades que enfrentamos para nos impor.</p>
<p>Esse panorama já mudou um pouco e tenho certeza que isso vai fazer diferença na carreira das novas cientistas, porque elas já naturalizam a presença de mulheres nesse espaço. Mas é preciso mudar ainda mais. Por mais que eu me sinta confortável na sala de aula, no laboratório, quando eu olho para quem ocupa as posições de prestígio no meio científico, me sinto minoria novamente.</p>
<p><b>Arco: Você foi a única pesquisadora latino-americana a ser premiada este ano e a terceira brasileira na história. Qual é a sensação de representar não só um país, mas uma região de tamanho continental que recebe pouca visibilidade?</b></p>
<p><b>Márcia Mesko: </b>O primeiro sentimento é de distinção. As outras brasileiras que receberam o prêmio, as professoras Vanderlan Bolzani e Ivone Mascarenhas, são referências para mim, para as mulheres e também para os homens, por conta dos seus trabalhos. Fico feliz por ajudar a mostrar que a América Latina tem potencial, produz ciência de qualidade e mulheres que se destacam na carreira científica. O outro sentimento é o desejo de que mais pesquisadoras latinas sejam reconhecidas. Entre as doze nomeadas, há mais de uma europeia, mais de uma norte-americana, então vemos que ainda temos que conquistar espaço.</p>
<p>Eu venho de uma instituição [UFPel] que não fica dentro dos grandes centros de pesquisa do país, não fica em uma capital e onde a Química não é uma área tradicional. Isso mostra que não se trata de uma questão de capacidade ou disposição, mas sim de investimento na ciência, porque muitas outras pesquisadoras poderiam estar comigo ou no meu lugar. Imagino que elas, ao me verem nesse local, fiquem felizes porque se sentem representadas e capazes de estar lá também.</p>
<p><b>Arco: E você tem a UFSM como inspiração para tornar a Química cada vez mais reconhecida na sua universidade?</b></p>
<p><b>Márcia Mesko: </b>Com certeza. Tenho a Química da UFSM como exemplo de excelência, competência e dedicação profissional. Uma das coisas que aprendi em Santa Maria foi que ninguém cresce por sorte, é preciso muita dedicação. Quando os alunos iam trabalhar nos finais de semana, os professores também estavam lá. Acompanhar hoje os grupos de pesquisa da UFSM alcançarem prestígio nacional e internacional reforça essa referência. Na UFPeL, nós temos muitos professores formados na UFSM e na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e percebemos que a região necessita se desenvolver na área da Química. Meu sonho é que, com o tempo, a Química daqui atinja os mesmos patamares da UFSM.</p>
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<p><em><b>Expediente<br /></b><b>Entrevista:</b> Bernardo Silva, acadêmico de jornalismo<br /><b>Fotos:</b> Arquivo Pessoal de Márcia Mesko<br /><strong>Arte:</strong> Daniel Michelon de Carli, design <br /><b>Edição:</b> Luciane Treulieb e Mariana Henriques, jornalistas.</em></p>
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