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			<description>Universidade Federal de Santa Maria</description>
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	<title>UFSM</title>
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						<item>
				<title>Observatório ligado à UFSM publica orientações de comunicação de risco, preparação e resposta ao El Niño</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2026/07/06/observatorio-ligado-a-ufsm-publica-orientacoes-de-comunicacao-de-risco-preparacao-e-resposta-ao-el-nino</link>
				<pubDate>Mon, 06 Jul 2026 15:02:17 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[alertas de emergência]]></category>
		<category><![CDATA[comunicação de crise]]></category>
		<category><![CDATA[el niño]]></category>
		<category><![CDATA[mudanças climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[obcc]]></category>

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						<description><![CDATA[Material reforça atuação do cidadão, do poder público e da mídia]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
<p><span style="font-weight: 400">O Projeto de desenvolvimento institucional<a href="https://www.ufsm.br/projetos/institucional/observatorio-crise"> Observatório Brasileiro de Comunicação e Crise (OBCC)</a> publicou orientações de comunicação de risco, prepração e resposta ao El Niño. O projeto da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) tem parceria com a Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Pontíficia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e Fundação Osvaldo Cruz (Fio Cruz). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Com mais de 3 anos de atuação, é considerado um dispositivo inédito no país e inovador na área o qual visa fomentar, a partir da perspectiva comunicacional, a cultura de prevenção e da gestão de riscos e de crises no Brasil.  </span><span style="font-weight: 400">Acesse o </span><span style="font-weight: 400"> e saiba mais sobre a atuação e a contribuição do projeto para a área.</span></p>
<p> </p>
<h3><b>O El Niño</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400">Teve início em junho de 2026 o El Niño, fenômeno natural que se caracteriza pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico na faixa equatorial. Na interação com as mudanças climáticas, a exemplo do aquecimento global, os efeitos da sua atuação em todo o mundo tendem a ser mais intensos. A previsão é de que o El Niño atue no Brasil entre junho de 2026 e fevereiro de 2027, com potencial de ser o mais forte da história.</span></p>
<p> </p>
<h3><b>Cenário de atenção ampliada</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400">As projeções disponíveis indicam um cenário de atenção ampliada. Ainda que existam incertezas quanto à intensidade final do fenômeno e à distribuição regional dos impactos, há possibilidade de que este episódio esteja entre os eventos mais intensos já registrados. Esse cenário exige preparação antecipada, monitoramento contínuo e comunicação pública clara, coordenada e baseada em evidências.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Nesse contexto, as orientações à sociedade não devem ser tratadas apenas como um alerta pontual, mas como parte de um processo permanente de preparação, resposta, atualização de informações e redução de riscos, considerando a evolução do fenômeno e seus efeitos combinados com as mudanças climáticas.</span></p>
<p> </p>
<h3><b>Aumento dos riscos</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400">O cenário sugere aumento nos riscos relacionados a incêndios na Amazônia e no Pantanal, altas temperaturas nas Regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, tendência de aumento dos riscos de desastres de origem hidrológica e geológica na Região Sul, associados ao excesso de chuva, além de episódios de secas e alta probabilidade de incêndios de vegetação nas Regiões Norte e Nordeste do país. Tendo em vista este panorama, o OBCC elencou algumas orientações para preparação e resposta aos impactos do El Niño.</span></p>
<p> </p>
<h3><b>Orientações de comunicação de risco, preparação e resposta </b></h3>
<p><span style="font-weight: 400"><img class="alignnone size-full wp-image-73465 alignleft" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/07/Orientacoes-OBCC-El-Nino-portal.jpg" alt="Card em formato próximo ao quadrado com fundo escuro e texto em vermelho e branco: El Niño 2026-27 - orientações para sociedade (pode público, imprensa e população)" width="1920" height="1610" />As orientações a seguir partem de uma perspectiva comunicacional e levam em conta uma visão interdisciplinar, visto que a gestão de riscos e de crises é um processo complexo que exige atuação conjunta e gestão integrada de múltiplas áreas especializadas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Tais sugestões são voltadas à população, ao Poder Público e à Imprensa a fim de contribuir na preparação e resposta em casos de tempestades com granizo, incêndios florestais, rajadas de vento, deslizamentos de encostas, tornados, ciclones, inundações e enchentes.</span></p>
<p> </p>
<p><b>População</b></p>
<p><span style="font-weight: 400">– </span><b>Cadastrar-se nos sistemas de alerta da Defesa Civil</b><span style="font-weight: 400"> (SMS: enviar o CEP para 40199 por SMS, Telegram: pesquisar o contato Defesa Civil Alertas, Whatsapp: cadastrar o nº 6120344611 e interagir com o robô informando CEP);</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">– </span><b>Ter em mãos um kit de emergência para 72h</b><span style="font-weight: 400"> com itens de primeira necessidade, sobrevivência ou de importância para identificação: mochila contendo RG/CPF, chaves de casa, roupa extra, agasalho, dinheiro, óculos de grau, remédios, apito, sacolas plásticas, curativos, lanterna carregada ou com pilhas, água e itens de higiene básica;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">– </span><b>Informar-se pelos canais de comunicação oficiais</b><span style="font-weight: 400"> dos governos e de outros órgãos oficiais envolvidos: Defesa Civil, Bombeiros, INMET, Cemaden, empresas de distribuição de energia elétrica, água e esgoto;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">– </span><b>Informar-se a partir de publicações de veículos de comunicação reconhecidos</b><span style="font-weight: 400"> pela prática jornalística (impresso, digital, radiofônico, televisivo);</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">– </span><b>Informar-se pelos canais oficiais de comunicação dos governos a fim de evitar cair em golpes de criminosos</b><span style="font-weight: 400"> (informação de dados pessoais, depósitos em contas bancárias, entre outros);</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">– </span><b>Não compartilhar informações inverídicas</b><span style="font-weight: 400">, sem checagem e sem apuração;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">– </span><b>Não compartilhar informações que não contribuam</b><span style="font-weight: 400"> para ajudar as vítimas e as equipes de resgate e assistência;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">– </span><b>Compartilhar alertas oficiais para que as pessoas saiam das áreas de risco</b><span style="font-weight: 400"> a fim de diminuir o número de resgates e concentrar os esforços das equipes;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">– </span><b>A população deve evitar registrar e postar imagens </b><span style="font-weight: 400">em redes sociais digitais apenas por entretenimento ou em busca de seguidores e curtidas, principalmente se houver crianças e idosos nas fotografias e vídeos;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">– </span><b>Seguir as orientações emitidas pelos órgãos oficiais</b><span style="font-weight: 400">, a exemplo da Defesa Civil.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400"> </span></p>
<p><b>Poder Público</b></p>
<p><span style="font-weight: 400">– </span><b>Instalar sala/gabinete de situação/crise</b><span style="font-weight: 400"> a fim de coordenar os esforços de forma organizada e integrada entre governos federais, estaduais e municipais;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">– </span><b>Monitorar continuamente situações de risco </b><span style="font-weight: 400">para identificação, mapeamento e acompanhamento em tempo real;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">– </span><b>Coordenar a identificação de rotas de fuga e definir locais seguros,</b><span style="font-weight: 400"> a exemplo de pontos de encontro ou abrigos temporários;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">– </span><b>Organizar abrigo(s) temporário(s)</b><span style="font-weight: 400"> para receber com dignidade as pessoas atingidas (segurança, água potável, energia elétrica, alimentação, banheiro, cobertores), principalmente para crianças, mulheres, pessoas com deficiência e idosos;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">– </span><b>Acionar rede de voluntários e servidores</b><span style="font-weight: 400"> previamente treinados e capacitados para situações de crises;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">– </span><b>Dispor de sistema de alertas</b><span style="font-weight: 400"> eficiente e acessível, com informações claras e breves, em diversos dispositivos (TV aberta, TV por assinatura, SMS, rádios, aplicativos, redes sociais digitais);</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">– </span><b>Emitir alertas em tempo hábil</b><span style="font-weight: 400"> para que a população possa agir, indicando o que fazer, para onde ir e o que levar;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">– </span><b>Comunicar a população antecipadamente</b><span style="font-weight: 400"> sobre rotas de fuga, pontos de encontro e abrigos temporários em caso de desastres;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">– </span><b>Seguir plano de contingência</b><span style="font-weight: 400"> com as ações de resposta delineadas para casos de emergência;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">– </span><b>Designar porta-vozes</b><span style="font-weight: 400"> para situações críticas, sejam eles prefeitos, secretários, assessores, governadores, presidente da República, ministros de Estado;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">– </span><b>Atender à imprensa</b><span style="font-weight: 400">, ao repassar informações e responder a questionamentos que contribuam para a cobertura da situação;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">– </span><b>Acionar líderes comunitários, sistemas de alto-falantes, sirenes, carros de som e rádio</b><span style="font-weight: 400"> para alertar/avisar a população sobre algum risco iminente como alternativa à internet e outros meios que necessitam de energia elétrica.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400"> </span></p>
<p><b>Imprensa</b></p>
<p><span style="font-weight: 400">– </span><b>Estar atenta às notas e aos comunicados emitidos</b><span style="font-weight: 400"> pela Sala de Situação e/ou Gabinete de Crise dos governos;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">– </span><b>Não compartilhar informações inverídicas</b><span style="font-weight: 400">, sem checagem e sem apuração;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">– </span><b>Compartilhar alertas oficiais</b><span style="font-weight: 400"> para que as pessoas saiam das áreas de risco a fim de diminuir o número de resgates e concentrar os esforços das equipes;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">– </span><b>Auxiliar na verificação de <em>fake news</em> </b><span style="font-weight: 400">disseminadas na sociedade, a fim de contribuir no combate ao processo de desinformação; </span></p>
<p><span style="font-weight: 400">– </span><b>Relacionar e problematizar a cobertura jornalística</b><span style="font-weight: 400"> levando em conta as mudanças climáticas, suas causas e consequências;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">– </span><b>Produzir conteúdo que informe e esclareça a população</b><span style="font-weight: 400">, a fim de evitar medo, boatos e dúvidas, facilitando a ação das pessoas em caso de necessidade de evacuação de áreas de risco;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">– </span><b>Abordar o desastre de forma responsável</b><span style="font-weight: 400">, evitando sensacionalismo, relativização ou espetacularização.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400"> </span><span style="font-weight: 400">As orientações anteriores não contemplam ações de restabelecimento e recuperação visto que eventos climáticos decorrentes do El Niño já estão sendo registrados nos Estados brasileiros – a exemplo de chuvas em excesso, tempestades e altas temperaturas.</span></p>
<p><b>Importante: intensidade do El Niño não significa impacto proporcional em todos os territórios</b></p>
<p><span style="font-weight: 400">A intensidade do aquecimento das águas do Pacífico Equatorial é um indicador relevante, mas não determina, de forma automática e proporcional, a gravidade dos impactos em cada região. Os efeitos observados dependem também da interação com outros fatores atmosféricos e oceânicos, como a temperatura do Atlântico, frentes frias, bloqueios atmosféricos, correntes de jato, ciclones, frentes estacionárias, Oscilação Antártica, Oscilação de Madden-Julian e outros sistemas de variabilidade climática.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Por isso, recomenda-se evitar mensagens alarmistas ou deterministas. A comunicação de risco deve reconhecer a gravidade do cenário, mas também explicar que os impactos concretos dependem do monitoramento contínuo e da atualização permanente das previsões de curto, médio e longo prazo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400"> </span></p>
<p><b>Atenção por região e período crítico</b></p>
<p><span style="font-weight: 400">A preparação para o El Niño 2026/2027 deve considerar os diferentes </span>riscos regionais e seus possíveis períodos de maior atenção<span style="font-weight: 400">. A regionalização das orientações permite que governos, comunidades, imprensa, instituições, produtores rurais, empresas e organizações da sociedade civil adotem medidas proporcionais aos riscos de cada território.</span></p>
<p><b>Norte e Nordeste</b></p>
<p><span style="font-weight: 400">Entre julho e dezembro de 2026, com atualização conforme os boletins oficiais, recomenda-se atenção especial à possibilidade de redução de chuvas, aumento das temperaturas, secas, pressão sobre o abastecimento de água, impactos na agropecuária e maior risco de incêndios de vegetação e queimadas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">As ações de comunicação devem priorizar orientações sobre uso seguro da água, prevenção de incêndios, cuidados com a saúde em períodos de calor extremo, proteção de populações vulneráveis e acompanhamento dos alertas oficiais.</span></p>
<p><b>Sul</b></p>
<p><span style="font-weight: 400">Entre setembro de 2026 e fevereiro de 2027, com atenção especial ao período de maior intensidade do fenômeno, recomenda-se monitoramento ampliado para chuvas intensas, inundações, enchentes, enxurradas, deslizamentos, vendavais, granizo, ciclones, tornados e outros eventos extremos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">As ações de comunicação devem priorizar alertas antecipados, rotas de fuga, pontos de encontro, abrigos temporários, evacuação preventiva de áreas de risco, comunicação comunitária e orientações claras sobre o que fazer antes, durante e depois dos eventos.</span></p>
<p><b>Sudeste e Centro-Oeste</b></p>
<p><span style="font-weight: 400">No segundo semestre de 2026 e no verão 2026/2027, recomenda-se atenção para episódios de calor extremo, tempestades severas, incêndios de vegetação, impactos urbanos, interrupções no fornecimento de energia elétrica, pressão sobre serviços de saúde e alterações no abastecimento de água.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">As ações de comunicação devem priorizar cuidados com a saúde no calor, prevenção de queimadas, atenção a temporais, proteção de crianças, idosos, pessoas com deficiência, pessoas em situação de rua e demais grupos vulnerabilizados.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400"> </span></p>
<p><b>Monitoramento contínuo e comunicação baseada em evidências</b></p>
<p><span style="font-weight: 400">Além do acompanhamento do El Niño, recomenda-se que órgãos públicos, imprensa e instituições envolvidas na gestão de riscos acompanhem continuamente boletins, alertas e notas técnicas emitidos por instituições oficiais, como Defesa Civil, INMET, Cemaden, INPE, Censipam, Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, órgãos estaduais de meteorologia, universidades e centros de pesquisa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">O monitoramento do El Niño deve considerar não apenas o aquecimento das águas do Pacífico Equatorial, mas também fatores complementares que podem amenizar ou agravar seus impactos em cada região. Entre eles, destacam-se a temperatura do Atlântico Tropical e do Atlântico Sul, correntes de jato, bloqueios atmosféricos, ciclones, frentes estacionárias, Oscilação Antártica e Oscilação de Madden-Julian.</span></p>
<p>A comunicação à sociedade deve ser atualizada conforme a evolução dos riscos<span style="font-weight: 400">, com atenção especial a mudanças no padrão de chuvas, ondas de calor, estiagens, incêndios de vegetação, vendavais, granizo, ciclones, inundações, enxurradas e deslizamentos.</span></p>
<p><b>Sempre que possível, os alertas devem indicar com clareza:</b></p>
<ul>
<li style="font-weight: 400"><b>o que </b><span style="font-weight: 400">pode acontecer;</span></li>
<li style="font-weight: 400"><b>onde</b><span style="font-weight: 400"> pode acontecer;</span></li>
<li style="font-weight: 400"><b>quando</b><span style="font-weight: 400"> pode acontecer;</span></li>
<li style="font-weight: 400"><b>quem</b><span style="font-weight: 400"> está mais vulnerável;</span></li>
<li style="font-weight: 400"><b>o que fazer</b><span style="font-weight: 400">;</span></li>
<li style="font-weight: 400"><b>para onde ir;</b></li>
<li style="font-weight: 400"><b>o que levar;</b></li>
<li style="font-weight: 400"><b>quais canais oficiais</b><span style="font-weight: 400"> acompanhar.</span></li>
</ul>
<p><span style="font-weight: 400"> </span><b>Para mais alertas, informações e orientações, acesse:</b></p>
<p><a href="https://www.gov.br/mdr/pt-br/assuntos/protecao-e-defesa-civil/defesa-civil-alerta"><span style="font-weight: 400">Defesa Civil Nacional – Defesa Civil Alerta</span></a></p>
<p><a href="https://defesacivil.rs.gov.br/avisos-e-alertas"><span style="font-weight: 400">Defesa Civil RS – Avisos e alertas </span></a></p>
<p><a href="https://metsul.com/"><span style="font-weight: 400">MetSul Meteorologia</span></a></p>
<p><a href="https://portal.inmet.gov.br/notasTecnicas"><span style="font-weight: 400">Instituto Nacional de Meteorologia – Notas técnicas</span></a></p>
<p><a href="https://earlywarningsforall.org/site/early-warnings-all"><span style="font-weight: 400">Organização Meteorológica Mundial – Avisos antecipados para todos </span></a></p>
<p><a href="https://www.gov.br/cemaden/pt-br/assuntos/noticias-cemaden/copy2_of_SEI_MCTI13770843NotaTcnica.pdf?fbclid=PAZXh0bgNhZW0CMTEAc3J0YwZhcHBfaWQMMjU2MjgxMDQwNTU4AAGny3ePSDjAEcLrmQuErG9RGu0ZY6RpFuHW7jz2an224p5lYmdsf7GfO-srqV0_aem_3i8g45wIyRxMxHOz6TVx4g"><span style="font-weight: 400">Cemaden – Nota Técnica Nº 627/2026: El Niño 2026/2027 e impactos esperados no Brasil  </span></a></p>
<p> </p>
<p> </p>
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													</item>
						<item>
				<title>Observatório ligado à UFSM publica orientações de comunicação de risco, preparação e resposta ao El Niño</title>
				<link>https://www.ufsm.br/unidades-universitarias/frederico-westphalen/2026/07/03/observatorio-ligado-a-ufsm-publica-orientacoes-de-comunicacao-de-risco-preparacao-e-resposta-ao-el-nino</link>
				<pubDate>Fri, 03 Jul 2026 17:27:47 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[comunicação-de-risco]]></category>
		<category><![CDATA[el niño]]></category>

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						<description><![CDATA[O El Niño Teve início em junho de 2026 o El Niño, fenômeno natural que se caracteriza pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico na faixa equatorial. Na interação com as mudanças climáticas, a exemplo do aquecimento global, os efeitos da sua atuação em todo o mundo tendem a ser mais intensos. A previsão [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <h3>O El Niño</h3><p>Teve início em junho de 2026 o El Niño, fenômeno natural que se caracteriza pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico na faixa equatorial. Na interação com as mudanças climáticas, a exemplo do aquecimento global, os efeitos da sua atuação em todo o mundo tendem a ser mais intensos. A previsão é de que o El Niño atue no Brasil entre junho de 2026 e fevereiro de 2027, com potencial de ser o mais forte da história.</p><h3>Cenário de atenção ampliada</h3><p>As projeções disponíveis indicam um cenário de atenção ampliada. Ainda que existam incertezas quanto à intensidade final do fenômeno e à distribuição regional dos impactos, há possibilidade de que este episódio esteja entre os eventos mais intensos já registrados. Esse cenário exige preparação antecipada, monitoramento contínuo e comunicação pública clara, coordenada e baseada em evidências.</p><p>Nesse contexto, as orientações à sociedade não devem ser tratadas apenas como um alerta pontual, mas como parte de um processo permanente de preparação, resposta, atualização de informações e redução de riscos, considerando a evolução do fenômeno e seus efeitos combinados com as mudanças climáticas.</p><h3>Aumento dos riscos</h3><p>O cenário sugere aumento nos riscos relacionados a incêndios na Amazônia e no Pantanal, altas temperaturas nas Regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, tendência de aumento dos riscos de desastres de origem hidrológica e geológica na Região Sul, associados ao excesso de chuva, além de episódios de secas e alta probabilidade de incêndios de vegetação nas Regiões Norte e Nordeste do país. Tendo em vista este panorama, o <strong>Observatório Brasileiro de Comunicação e Crise</strong> (OBCC), projeto ligado à UFSM elencou algumas <strong>orientações para preparação e resposta aos impactos do El Niño</strong>.</p><p><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/377/2026/07/Orientacoes-OBCC-El-Nino-portal-1024x859.jpg" alt="" width="1024" height="859" /></p><h3>Orientações de comunicação de risco, preparação e resposta</h3><p>As <a href="https://www.ufsm.br/projetos/institucional/observatorio-crise/2026/07/03/el-nino-2026-2027-comunicacao-de-risco-preparacao-e-resposta" target="_blank" rel="noopener">orientações podem ser consultadas aqui.</a> As mesmas partem de uma perspectiva comunicacional e levam em conta uma visão interdisciplinar, visto que a gestão de riscos e de crises é um processo complexo que exige atuação conjunta e gestão integrada de múltiplas áreas especializadas.</p><p>Tais sugestões são voltadas à população, ao Poder Público e à Imprensa a fim de contribuir na preparação e resposta em casos de tempestades com granizo, incêndios florestais, rajadas de vento, deslizamentos de encostas, tornados, ciclones, inundações e enchentes.</p><h3>Importante: intensidade do El Niño não significa impacto proporcional em todos os territórios</h3><p>A intensidade do aquecimento das águas do Pacífico Equatorial é um indicador relevante, mas não determina, de forma automática e proporcional, a gravidade dos impactos em cada região. Os efeitos observados dependem também da interação com outros fatores atmosféricos e oceânicos, como a temperatura do Atlântico, frentes frias, bloqueios atmosféricos, correntes de jato, ciclones, frentes estacionárias, Oscilação Antártica, Oscilação de Madden-Julian e outros sistemas de variabilidade climática.</p><p>Por isso, recomenda-se evitar mensagens alarmistas ou deterministas. A comunicação de risco deve reconhecer a gravidade do cenário, mas também explicar que os impactos concretos dependem do monitoramento contínuo e da atualização permanente das previsões de curto, médio e longo prazo.</p><h3>Atenção por região e período crítico</h3><p>A preparação para o El Niño 2026/2027 deve considerar os diferentes riscos regionais e seus possíveis períodos de maior atenção. A regionalização das orientações permite que governos, comunidades, imprensa, instituições, produtores rurais, empresas e organizações da sociedade civil adotem medidas proporcionais aos riscos de cada território.</p><h4>Norte e Nordeste</h4><p>Entre julho e dezembro de 2026, com atualização conforme os boletins oficiais, recomenda-se atenção especial à possibilidade de redução de chuvas, aumento das temperaturas, secas, pressão sobre o abastecimento de água, impactos na agropecuária e maior risco de incêndios de vegetação e queimadas.</p><p>As ações de comunicação devem priorizar orientações sobre uso seguro da água, prevenção de incêndios, cuidados com a saúde em períodos de calor extremo, proteção de populações vulneráveis e acompanhamento dos alertas oficiais.</p><h4>Sul</h4><p>Entre setembro de 2026 e fevereiro de 2027, com atenção especial ao período de maior intensidade do fenômeno, recomenda-se monitoramento ampliado para chuvas intensas, inundações, enchentes, enxurradas, deslizamentos, vendavais, granizo, ciclones, tornados e outros eventos extremos.</p><p>As ações de comunicação devem priorizar alertas antecipados, rotas de fuga, pontos de encontro, abrigos temporários, evacuação preventiva de áreas de risco, comunicação comunitária e orientações claras sobre o que fazer antes, durante e depois dos eventos.</p><h4>Sudeste e Centro-Oeste</h4><p>No segundo semestre de 2026 e no verão 2026/2027, recomenda-se atenção para episódios de calor extremo, tempestades severas, incêndios de vegetação, impactos urbanos, interrupções no fornecimento de energia elétrica, pressão sobre serviços de saúde e alterações no abastecimento de água.</p><p>As ações de comunicação devem priorizar cuidados com a saúde no calor, prevenção de queimadas, atenção a temporais, proteção de crianças, idosos, pessoas com deficiência, pessoas em situação de rua e demais grupos vulnerabilizados.</p><h3>Monitoramento contínuo e comunicação baseada em evidências</h3><p>Além do acompanhamento do El Niño, recomenda-se que órgãos públicos, imprensa e instituições envolvidas na gestão de riscos acompanhem continuamente boletins, alertas e notas técnicas emitidos por instituições oficiais, como Defesa Civil, INMET, Cemaden, INPE, Censipam, Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, órgãos estaduais de meteorologia, universidades e centros de pesquisa.</p><p>O monitoramento do El Niño deve considerar não apenas o aquecimento das águas do Pacífico Equatorial, mas também fatores complementares que podem amenizar ou agravar seus impactos em cada região. Entre eles, destacam-se a temperatura do Atlântico Tropical e do Atlântico Sul, correntes de jato, bloqueios atmosféricos, ciclones, frentes estacionárias, Oscilação Antártica e Oscilação de Madden-Julian.</p><p>A comunicação à sociedade deve ser atualizada conforme a evolução dos riscos, com atenção especial a mudanças no padrão de chuvas, ondas de calor, estiagens, incêndios de vegetação, vendavais, granizo, ciclones, inundações, enxurradas e deslizamentos.</p><h3>O Observatório Brasileiro de Comunicação e Crise (OBCC)</h3><p>Projeto de desenvolvimento institucional da UFSM em parceria com a USP, a UFRGS, a PUCRS e a Fiocruz. Com mais de 3 anos de atuação, é considerado um dispositivo inédito no país e inovador na área o qual visa fomentar, a partir da perspectiva comunicacional, a cultura de prevenção e da gestão de riscos e de crises no Brasil.</p><p>Acesse o <a href="https://www.ufsm.br/projetos/institucional/observatorio-crise/2024/07/18/eventos-climaticos-extremos-atualizacao">portal do OBCC</a> e saiba mais sobre a atuação e a contribuição do projeto para a área.</p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>O que aprendemos com as enchentes de 2024 para enfrentar novos eventos extremos </title>
				<link>https://www.ufsm.br/2026/06/10/o-que-aprendemos-com-as-enchentes-de-2024-para-enfrentar-novos-eventos-extremos</link>
				<pubDate>Wed, 10 Jun 2026 13:26:33 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[comunicação de proximidade]]></category>
		<category><![CDATA[el niño]]></category>
		<category><![CDATA[Enchentes 2024]]></category>
		<category><![CDATA[extensao]]></category>
		<category><![CDATA[hub.doc]]></category>
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		<category><![CDATA[Santa Maria]]></category>
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		<category><![CDATA[TransDoc]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/?p=73187</guid>
						<description><![CDATA[Pesquisas e projetos desenvolvidos na UFSM ajudam a compreender os impactos do desastre e a preparar respostas para futuras crises climáticas]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
<p><span style="font-weight: 400">Há dois anos, as enchentes históricas que atingiram o Rio Grande do Sul impulsionaram pesquisas em diferentes áreas da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Enquanto o Estado lidava com as consequências da catástrofe, pesquisadores, extensionistas e estudantes voltavam seus esforços para compreender os impactos das chuvas extremas e produzir conhecimento capaz de orientar ações de recuperação, adaptação e prevenção. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Do estudo das áreas de risco à restauração ambiental, passando pela comunicação em situações de crise e pelo planejamento territorial, a tragédia impulsionou pesquisas e reforçou iniciativas que hoje ajudam a compreender os desafios impostos pelas mudanças climáticas. Nesta última reportagem da série especial sobre o El Niño, a Agência de Notícias da UFSM apresenta algumas das contribuições da ciência produzida na universidade a partir da tragédia de 2024. </span></p>
<p> </p>
<h3><b>Hub.doc vira paradigma na recuperação dos arquivos afetados pelas enchentes</b></h3>
<p> </p>
[caption id="attachment_73194" align="alignnone" width="921"]<img class=" wp-image-73194" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/06/IC3A8750-300x200.jpg" alt="Foto colorida na horizontal mostra uma mão com luva branca, manuseando cuidadosamente um livro de registros danificado pelas enchentes. O documento apresenta páginas amareladas, manchas de umidade, sujeira e sinais de deterioração. Na folha aberta, é possível identificar campos preenchidos à mão e a inscrição “Banco Central do Brasil”. A cena registra uma etapa do trabalho de recuperação e preservação de documentos realizado pelo projeto Hub Doc. Ao fundo, desfocado, aparecem materiais e superfícies utilizados no processo de conservação do acervo." width="921" height="614" /> Documentos históricos passam por tratamento após as enchentes (Foto: Jéssica Mocellin)[/caption]
<p><span style="font-weight: 400">O </span><a href="https://www.ufsm.br/orgaos-suplementares/dag/hubdoc"><span style="font-weight: 400">Hub Transdisciplinar de Pesquisa e Inovação em Arquivos</span></a><span style="font-weight: 400"> (Hub.doc) nasceu a partir de uma tragédia que colocou em risco parte da história da UFSM. Em 30 de abril de 2024, as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul inundaram o subsolo da Reitoria, onde estavam armazenadas cerca de 12 mil caixas de documentos permanentes da instituição. O acervo reunia registros administrativos, acadêmicos e funcionais produzidos ao longo de mais de seis décadas e considerados fundamentais para a preservação da memória universitária. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400">A resposta começou ainda durante a emergência. Coordenada pela arquivista Débora Flores, diretora do Departamento de Arquivo Geral (DAG), a </span><a href="https://www.ufsm.br/orgaos-suplementares/dag/operacao-recupera-acervo-ufsm"><span style="font-weight: 400">Operação Recupera Acervo </span></a><span style="font-weight: 400">mobilizou servidores, estudantes, voluntários, militares e especialistas de diferentes áreas para retirar, estabilizar e recuperar os documentos atingidos pela água. “Era uma sensação total de impotência. A nossa missão é proteger a informação e a memória da instituição”, lembra Débora.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Ao longo dos meses seguintes, aproximadamente 300 pessoas participaram da operação, que precisou enfrentar desafios logísticos inéditos, como a falta de energia, dificuldades de transporte e escassez de insumos em meio ao cenário de calamidade vivido pelo Estado. Entre as soluções adotadas, o congelamento dos documentos tornou-se a principal estratégia para interromper a deterioração causada pela umidade e pela proliferação de fungos. No começo, a operação utilizou freezers disponíveis na Universidade. Hoje, o projeto conta com quatro contêineres refrigerados instalados no campus sede da UFSM. O volume de material armazenado transformou a iniciativa em uma das maiores experiências de congelamento de documentos já registradas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Ao mesmo tempo, a equipe passou a registrar detalhadamente cada etapa do processo. Relatórios, experimentos, fotografias e registros audiovisuais produziram uma base inédita de dados sobre recuperação documental em situações de emergência. O conhecimento acumulado passou a subsidiar orientações do Arquivo Nacional e despertou o interesse de instituições brasileiras e estrangeiras que enfrentaram problemas semelhantes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Com a conclusão da etapa emergencial, a estrutura criada para recuperar os documentos da UFSM começou a atender outras instituições. A partir de solicitações do Arquivo Nacional e de órgãos públicos afetados pelas enchentes em Porto Alegre, a Universidade ampliou sua atuação e passou a receber acervos de diferentes entidades para tratamento e recuperação. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Hoje, o Hub.doc se consolidou como a primeira estrutura brasileira dedicada ao resgate emergencial e à preservação de grandes volumes documentais. Coordenada pela UFSM, com participação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e do Instituto Federal do Rio Grande do Sul e orientação técnica do Arquivo Nacional, a iniciativa reúne pesquisadores de diferentes áreas, projetos financiados por órgãos públicos e parcerias nacionais e internacionais. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Além de recuperar documentos atingidos por desastres, o grupo produz conhecimento sobre preservação digital, gestão documental e resposta a emergências, transformando a experiência das enchentes em pesquisa, inovação e cooperação para auxiliar instituições que enfrentam situações semelhantes. “Hoje sabemos que essa estrutura está preparada para receber novos desafios e auxiliar outras instituições”, afirma Débora.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Dois anos após as enchentes, o trabalho de recuperação documental segue em andamento. Mais de 36 mil caixas de documentos ainda passam pelos processos de tratamento e preservação realizados pelo Hub.doc. Em maio de 2026, a iniciativa alcançou um marco importante com o esvaziamento completo de um dos quatro contêineres utilizados para armazenar os documentos congelados, resultado que representa a recuperação de aproximadamente 25% do acervo sob sua responsabilidade. </span></p>
<p> </p>
<h3><b>O Plano Municipal de Redução de Riscos de Santa Maria</b></h3>
<p> </p>
[caption id="attachment_73193" align="alignnone" width="1024"]<a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/06/pmrr.jpeg"><img class="size-large wp-image-73193" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/06/pmrr-1024x768.jpeg" alt="Foto colorida na horizontal que exibe uma rua de chão batido, quatro pessoas caminham de costas em direção ao fundo da via. À direita, há uma casa em reforma, com janelas vazadas e com parte das paredes demolidas, além de um muro de tijolos aparentes em construção. Ao redor, árvores densas cobrem uma encosta, enquanto postes e fios elétricos acompanham a rua. O céu está limpo e azul, e a luz do sol ilumina a cena, projetando sombras no chão. " width="1024" height="768" /></a> Equipe do Lageolam realizando trabalho de campo (Foto: Andrea Nummer)[/caption]
<p><span style="font-weight: 400">Embora tenha sido concluído após as enchentes de 2024, o </span><a href="https://www.ufsm.br/laboratorios/lageolam/relatorios-pmrr-santa-maria-rs"><span style="font-weight: 400">Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR)</span></a><span style="font-weight: 400"> de Santa Maria começou a ser desenvolvido em 2023 como um novo plano e com diferente metodologia e abordagem. Coordenado pela professora Andrea Valli Nummer, do Departamento de Geociências da UFSM e pesquisadora do Laboratório de Geologia Ambiental (Lageolam), o trabalho teve como objetivo identificar áreas sujeitas a riscos geológicos e hidrológicos e propor medidas para reduzir os impactos desses eventos. O projeto contou com o apoio do Comitê Gestor de Redução de Risco de Desastres (CGRRD).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">O estudo mapeou 16 vilas distribuídas em nove bairros de Santa Maria. Segundo Andrea, a seleção priorizou comunidades mais vulneráveis. “Começamos o mapeamento em 2024, escolhendo as áreas em Santa Maria que seriam as prioridades. Nessa seleção, precisava que houvesse comunidades envolvidas no risco para avaliar a vulnerabilidade”, explica.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Um dos diferenciais do projeto foi a participação dos moradores no processo de mapeamento. Por meio da cartografia colaborativa, a população ajudou a identificar áreas atingidas por inundações e deslizamentos. “Eles ajudaram a mostrar até onde ia a água, o que escorregou, o que eles pensavam que podia ser uma solução”, relata a pesquisadora.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Entre os principais resultados, o PMRR apontou que os maiores problemas de Santa Maria estão relacionados às inundações e aos processos erosivos nas margens dos arroios. Ao todo, foram identificadas 396 edificações em áreas de alto risco e 245 em áreas de risco muito alto. O Morro do Cechella foi classificado como a área de maior risco geológico do município.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Além de diagnosticar os problemas, o plano apresentou propostas de intervenções. “Junto com o mapeamento foram indicadas propostas de obras com um custo aproximado para mitigar o risco”, afirma Andrea.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">O PMRR foi entregue ao Executivo Municipal em outubro de 2025 e as informações produzidas pelo estudo já vêm sendo utilizadas pelo poder público. Um dos desdobramentos do trabalho foi a utilização dos dados do plano na construção de uma proposta para captação de recursos por meio do PAC Drenagem, que destinou R$39 milhões para obras de redução de riscos no entorno do Arroio Cadena. Após as enchentes, a equipe também realizou um estudo complementar na Vila Santa Tereza, solicitado pela Prefeitura devido a novos processos de escorregamento registrados na região.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Com a conclusão do plano em Santa Maria, os pesquisadores iniciaram uma nova etapa de trabalho. Andrea coordena atualmente a elaboração do primeiro Plano Municipal de Redução de Riscos de Cachoeira do Sul, desenvolvido em parceria com o Governo Federal e com entrega prevista para 2027.</span></p>
<p> </p>
<h3><b>Projeto ‘Reflora’ no resgate genético para recuperar a biodiversidade</b></h3>
<p> </p>
[caption id="attachment_73192" align="alignnone" width="1024"]<a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/06/WhatsApp-Image-2025-08-21-at-19.54.47-3.jpeg"><img class="size-large wp-image-73192" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/06/WhatsApp-Image-2025-08-21-at-19.54.47-3-1024x576.jpeg" alt="Fotografia horizontal colorida feita durante o dia ao ar livre. Em uma clareira gramada cercada por árvores de médio e grande porte, cerca de vinte pessoas estão reunidas em semicírculo. No centro da imagem, de costas, uma pessoa conduzindo uma explicação ao grupo. Os participantes estão espalhados pelo gramado, alguns com os braços cruzados e outros observando atentamente. À direita, há pessoas usando roupas de trabalho e equipamentos de proteção, como capacetes brancos. No chão, próximo ao grupo, encontram-se uma caixa térmica vermelha, uma garrafa de água e algumas ferramentas compridas apoiadas sobre a grama." width="1024" height="576" /></a> Professores e alunos da Engenharia Florestal participaram do curso de escalada de árvores nativas (Foto: arquivo pessoal)[/caption]
<p><span style="font-weight: 400">Criado após os eventos climáticos extremos de 2024, o projeto Reflora busca recuperar áreas degradadas por meio do resgate genético de espécies arbóreas nativas. A iniciativa é uma união liderada pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul em parceria com a empresa de celulose CMPC e com o apoio institucional da Embrapii. O desenvolvimento científico e a aplicação prática da tecnologia de restauração ambiental ficam a cargo de grandes instituições de ensino, unindo a Universidade Federal de Viçosa (UFV) às universidades gaúchas UFSM, UFRGS, PUCRS e Unisc.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Segundo o coordenador do projeto Reflora na UFSM, Jorge Farias, a proposta surgiu da necessidade de preservar a biodiversidade ameaçada pelas enchentes, deslizamentos e processos erosivos. Diferentemente de outras ações de restauração, o Reflora prioriza a conservação do patrimônio genético das espécies nativas. “O projeto foca na técnica de resgatar os materiais genéticos e em trabalhar com a manutenção e restabelecimento da biodiversidade arbórea”, explica.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Durante as primeiras etapas do trabalho, os pesquisadores identificaram áreas com perda de vegetação e passaram a selecionar espécies em risco, além de indivíduos considerados resilientes. “A gente identifica as áreas, o risco de perder esse material genético e também identifica árvores que foram extremamente resilientes”, afirma Farias. A partir desses exemplares, são coletados galhos para a produção de mudas por multiplicação vegetativa, técnica desenvolvida pela UFV após o desastre de Brumadinho. O método permite preservar características genéticas importantes para a adaptação das espécies às condições ambientais da região.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Além de contribuir para a recomposição da vegetação nativa, o projeto pode ajudar a reduzir os impactos de futuros eventos extremos. Ao restaurar matas ciliares e recuperar espécies adaptadas ao território gaúcho, a iniciativa favorece os ecossistemas e processos naturais que aumentam a resiliência ambiental. Segundo Farias, a técnica também acelera o retorno da fauna nativa. “Ela vai atrair polinizadores e a biodiversidade. Então atrai os animais que se alimentam das flores, e aí depois vêm os frutos”, explica.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Atualmente, o Reflora está na fase de estruturação da infraestrutura e identificação dos materiais genéticos que serão resgatados. A equipe também realiza </span><a href="https://ufsm.br/r-1-70240"><span style="font-weight: 400">visitas de campo</span></a><span style="font-weight: 400"> e prepara laboratórios e casas de vegetação para a produção das mudas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Com duração prevista de três anos, o projeto pretende produzir pelo menos seis mil mudas de espécies nativas. A expectativa é que as primeiras sejam apresentadas ainda neste ano e que os materiais genéticos estejam disponíveis para plantio a partir do inverno de 2027. Para Farias, o principal legado da iniciativa será a valorização da biodiversidade regional. “Precisamos ter material genético preservado. A biodiversidade é o material genético que nós temos aqui.”</span></p>
<p> </p>
<h3><strong>Comunicação de proximidade transforma memória em prevenção</strong></h3>
<p> </p>
[caption id="attachment_73191" align="alignnone" width="1024"]<a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/06/comunicacao-de-proximmidade.jpeg"><img class="size-large wp-image-73191" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/06/comunicacao-de-proximmidade-1024x576.jpeg" alt="Foto colorida na horizontal. Em primeiro plano, um grupo de oito pessoas sorri para a câmera durante uma atividade de campo do projeto &quot;Comunicação de Proximidade&quot;. À direita, a coordenadora Aline registra a imagem em formato de selfie. Ao centro, estudantes e pesquisadores estão reunidos em uma calçada, alguns segurando pastas azuis utilizadas para a aplicação de questionários. Ao fundo, aparecem árvores, uma praça e edificações históricas da região central de Silveira Martins. " width="1024" height="576" /></a> Equipe realiza aplicação de questionários em Silveira Martins (Foto: Aline Dalmolin)[/caption]
<p><span style="font-weight: 400">O projeto “Comunicação de proximidade: memória, resiliência e adaptação social a riscos climáticos e catástrofes naturais na Quarta Colônia” surgiu durante as enchentes. A partir da participação de professores e estudantes da Universidade em ações de apoio às comunidades afetadas, eles passaram a discutir como a comunicação poderia contribuir para reduzir os impactos de futuros desastres. “Pensamos como a gente poderia atuar de uma forma mais direcionada, mais efetiva do que apenas distribuindo coisas, tendo uma ação mais focada naquilo que a comunicação poderia oferecer”, explica a coordenadora, Aline Roes Dalmolin.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Contemplado por um edital do Proext-PG, o projeto da Comunicação Social reuniu pesquisadores de cinco programas de pós-graduação da UFSM para investigar como moradores, rádios comunitárias, escolas, igrejas, associações e órgãos públicos se informam em situações de risco. Entre os principais resultados, o grupo identificou que o rádio segue sendo uma das principais fontes de informação dos habitantes da área. “A maioria da população de qualquer faixa etária segue ouvindo rádio todos os dias”, afirma Aline. Os levantamentos também apontaram o crescimento do uso de meios digitais e reforçaram a necessidade de integrar diferentes canais em estratégias de alerta e comunicação de risco.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">A iniciativa contribui para a preparação das comunidades diante de novos eventos extremos ao fortalecer a circulação de informações, ampliar a educação sobre mudanças climáticas e preservar a memória coletiva dos desastres. Um dos principais produtos do projeto é a série documental </span><i><span style="font-weight: 400">Marcas da Chuva</span></i><span style="font-weight: 400">, lançada em 2026, que reúne relatos de moradores da Quarta Colônia sobre as enchentes. Para a coordenadora, registrar essas experiências é uma forma de evitar que elas se percam ao longo do tempo. “Uma das coisas mais importantes que nós temos que cuidar nesse momento é trabalhar para que esses registros sejam feitos agora, assim eles não caem no esquecimento”, destaca.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Atualmente, o projeto está na fase final. Além da publicação dos últimos episódios da série documental, a equipe elabora cartilhas educativas e documentos com orientações para escolas, associações comunitárias e gestores públicos sobre comunicação em situações de risco.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Entre os próximos passos está a finalização de um plano de comunicação para o município de Silveira Martins, desenvolvido em parceria com a prefeitura e que poderá servir de referência para outras cidades da região. Embora o ciclo atual se encerre neste ano, a expectativa é de continuidade por meio de novas pesquisas e parcerias. “A gente vê esse projeto como um primeiro passo, ele não termina agora de forma alguma”, afirma Aline.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Acesse o perfil oficial do projeto para assistir à série </span><i><span style="font-weight: 400">Marcas da Chuva</span></i><span style="font-weight: 400">: </span><a href="https://www.instagram.com/comunicacaodeproximidade"><span style="font-weight: 400">@comunicacaodeproximidade</span></a></p>
<h3> </h3>
<h3><b>Pesquisas orientam recuperação de áreas atingidas pelas enchentes</b></h3>
<p> </p>
[caption id="attachment_73190" align="alignnone" width="828"]<a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/06/neprade.jpeg"><img class="size-full wp-image-73190" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/06/neprade.jpeg" alt="Foto colorida na vertical. Em uma área de campo aberta, cerca de dez pessoas participam de uma atividade de restauração ecológica. Os participantes estão reunidos ao redor de uma estrutura formada por três postes de madeira cruzados no topo, utilizada como poleiro artificial para atração de aves. Algumas pessoas seguram ferramentas e realizam o plantio no solo coberto por vegetação seca. Ao fundo, há montanhas, árvores e um curso d’água, sob céu azul e sem nuvens. A atividade ocorre durante o dia e integra ações de recuperação ambiental em área rural. " width="828" height="874" /></a> Participantes da oficina de restauração ecológica em área de recuperação ambiental em Agudo. (Foto: arquivo pessoal)[/caption]
<p><span style="font-weight: 400">Com mais de 15 anos de atuação, especialmente no Corredor Ecológico da Quarta Colônia, uma das regiões mais afetadas pelas enchentes de 2024, o </span><a href="https://www.ufsm.br/grupos/neprade"><span style="font-weight: 400">Núcleo de Estudos e Pesquisas em Recuperação de Áreas Degradadas (Neprade)</span></a><span style="font-weight: 400">, da UFSM, direcionou seus esforços para compreender os impactos do desastre e produzir informações capazes de orientar a recuperação ambiental da região.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Atualmente, o núcleo desenvolve três projetos voltados ao monitoramento das áreas atingidas, à restauração ecológica e à avaliação da eficiência das estratégias testadas para o retorno dos serviços ecossistêmicos. Os estudos são realizados em parceria com instituições como o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBIO), a Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Infraestrutura, a empresa Taesa S.A., a Fapergs e a Fundação Araucária.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">As pesquisas revelaram que as enchentes provocaram transformações profundas na paisagem da Quarta Colônia. “Nosso primeiro impacto foi observar a amplitude dos efeitos. A paisagem foi totalmente remodelada, o que nos mostrou que esse pode ser considerado um evento que atingiu proporção de evento de formação geológica”, afirma a coordenadora do Neprade, Ana Paula Moreira Rovedder. Os levantamentos identificaram remoção de solos, deposição de grandes volumes de sedimentos e alterações significativas em rios e encostas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Os pesquisadores também identificaram impactos menos visíveis. Análises dos sedimentos deixados pela enxurrada apontaram perdas importantes de nutrientes do solo. “Constatamos uma quantidade muito alta de alguns macronutrientes em depósito de sedimentos arenosos, como o potássio. Esses nutrientes vêm das lavouras atingidas”, explica Ana Paula. Além disso, o monitoramento registrou o avanço de espécies invasoras em áreas degradadas, fator que pode dificultar a regeneração da vegetação nativa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Apesar dos danos, os estudos apontam sinais de recuperação ambiental. Desde fevereiro de 2025, equipes acompanham áreas de matas ciliares e encostas em municípios da região e já observam o retorno gradual da vegetação arbórea. “Inicialmente nós tínhamos observado muito mais espécies rústicas, herbáceas, espécies que nós chamamos de ruderais.  Agora já registramos regeneração de espécies arbóreas”, relata a pesquisadora.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Além de documentar os impactos do desastre, o trabalho busca contribuir para reduzir os efeitos de futuros eventos extremos. Os dados produzidos permitem identificar áreas com maior potencial de regeneração natural, definir técnicas de restauração mais adequadas para cada ambiente, reduzindo custos de recuperação, e fortalecer a resiliência climática da região. “Nós temos que criar resiliência climática através da adequação ambiental das propriedades rurais, o que significa atuarmos nas áreas produtivas e nas áreas de preservação permanente, entendendo que cada uma tem a sua função na paisagem”, destaca Ana Paula.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Atualmente, os projetos seguem em fase de monitoramento e análise dos dados coletados. Nos próximos anos, o Neprade pretende ampliar as ações de extensão junto às comunidades locais, implantar novas áreas de restauração produtiva com sistemas agroflorestais, recuperar matas ciliares degradadas e concluir o plano de recuperação para a Quarta Colônia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400">A expectativa é que os resultados sirvam de referência para outras regiões do Rio Grande do Sul afetadas por eventos climáticos extremos. “O legado que esses trabalhos deixam é um legado de alerta, mas também de esperança, que nós temos como melhorar, nós não precisamos ficar de braços cruzados”, conclui a pesquisadora.</span></p>
<p> </p>
<h3><b>Laboratórios monitoram contaminação ambiental após enchentes no Rio Grande do Sul</b></h3>
<p> </p>
[caption id="attachment_73189" align="alignnone" width="730"]<a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/06/departamento-de-quimica.jpeg"><img class="size-large wp-image-73189" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/06/departamento-de-quimica-730x1024.jpeg" alt="Foto colorida na vertical. Em um laboratório, uma pessoa vestindo jaleco branco e luvas azuis segura um tubo de ensaio contendo uma amostra líquida amarelada. Sobre a bancada, aparecem outros recipientes utilizados em análises químicas, incluindo frascos de vidro e tubos de coleta organizados em um suporte laranja. Ao fundo, há equipamentos laboratoriais usados em procedimentos de pesquisa. A imagem registra uma etapa de análise de amostras de água e solo realizadas por pesquisadores da UFSM para investigar possíveis contaminações ambientais após as enchentes no Rio Grande do Sul. " width="730" height="1024" /></a> Estudantes do departamento de Química analisam amostras para monitorar possíveis contaminantes ambientais. (Foto: Osmar Prestes)[/caption]
<p><span style="font-weight: 400">As enchentes também levantaram preocupações sobre possíveis impactos ambientais causados pela dispersão de resíduos, produtos químicos e outras substâncias transportadas pela água. Para investigar esses efeitos, pesquisadores do Departamento de Química da UFSM aprovaram o projeto “Estabelecer um programa de monitoramento de contaminantes em água e solo nos ambientes afetados pelas enchentes que ocorreram no estado do Rio Grande do Sul”, financiado e desenvolvido em parceria com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">A iniciativa conta com a participação do </span><a href="https://www.ufsm.br/laboratorios/larp"><span style="font-weight: 400">Laboratório de Análises de Resíduos de Pesticidas (LARP)</span></a><span style="font-weight: 400"> e do </span><a href="https://www.ufsm.br/laboratorios/laqia"><span style="font-weight: 400">Laboratório de Análises Químicas Industriais e Ambientais (LAQIA)</span></a><span style="font-weight: 400">. O projeto é coordenado pelo professor Osmar Damian Prestes e conta com a participação de oito pesquisadores e diversos alunos vinculados ao Programa de Pós-Graduação em Química da UFSM. De acordo com o coordenador, surgiu uma necessidade de monitorar possíveis contaminações ambientais após a enchente. “Agora com a questão da enchente, o Ibama precisava de laboratórios aqui do Estado para realizar essas análises e fizeram contato conosco”, explica Osmar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Desde 2024, amostras de água e solo coletadas em diferentes regiões atingidas são analisadas na UFSM. Os pesquisadores investigam a presença de contaminantes químicos, como herbicidas, inseticidas, fungicidas e outros compostos utilizados na agricultura, além de elementos inorgânicos potencialmente associados à contaminação ambiental.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Os resultados ainda não foram divulgados, pois seguem em fase de análise e interpretação pelo Ibama. Apesar disso, o projeto já contribui para a compreensão dos impactos ambientais do desastre ao produzir informações que poderão subsidiar futuras ações de monitoramento e gestão de riscos. “Uma das principais contribuições vai ser a geração de informação qualificada, a partir dos dados analíticos das regiões onde essas amostras estão sendo coletadas”, afirma Prestes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">O conhecimento gerado pela pesquisa poderá auxiliar órgãos ambientais a identificar áreas mais vulneráveis e planejar ações para reduzir os impactos de futuros eventos extremos. Os dados também servirão para monitorar a qualidade ambiental das regiões afetadas ao longo do tempo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Atualmente, o projeto está na fase final de execução e os resultados devem ser divulgados no próximo semestre. Como próximo passo, os laboratórios e o Ibama discutem a renovação da parceria para novas pesquisas na área de toxicologia ambiental, ampliando o monitoramento dos impactos ambientais no RS e em outras regiões do país.</span></p>
<h3><strong>Série especial sobre El Niño</strong></h3>
<p><span style="font-weight: 400">Dois anos após o evento extremo, parte das respostas para compreender o que aconteceu e o que ainda pode acontecer, está sendo construída nos laboratórios, grupos de pesquisa e projetos de extensão da UFSM. As iniciativas apresentadas nesta reportagem mostram como diferentes áreas do conhecimento se mobilizaram para investigar os impactos do desastre, produzir dados inéditos e transformar experiências vividas durante a crise em conhecimento científico e memória. Em comum, os projetos reforçam o papel da universidade na geração de informações que ajudam a compreender as transformações ambientais em curso no Rio Grande do Sul.</span></p>
<p>Confira mais informações nas reportagens anteriores da série produzida pela Agência de Notícias:</p>
<ul>
<li style="font-weight: 400"><a href="https://ufsm.br/r-1-72801"><i><span style="font-weight: 400">El Niño volta ao radar no RS: especialistas da UFSM explicam o que esperar nos próximos meses</span></i></a><i><span style="font-weight: 400"> </span></i></li>
</ul>
<ul>
<li style="font-weight: 400"><a href="https://ufsm.br/r-1-72925"><i><span style="font-weight: 400">Dois anos após as enchentes históricas no RS, como o campo gaúcho está se adaptando às mudanças climáticas </span></i></a></li>
</ul>
<ul>
<li style="font-weight: 400"><a href="https://ufsm.br/r-1-73043"><i><span style="font-weight: 400">Quais são os desafios das cidades frente ao El Niño? </span></i></a></li>
</ul>
<p><i><span style="font-weight: 400"><br />Texto: Giovanna Felkl, estudante de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias<br /></span></i><i><span style="font-weight: 400">Arte gráfica: Daniel Michelon De Carli<br /></span></i><i><span style="font-weight: 400">Fotos: Banco de imagens da Agência de Notícias UFSM e registros dos projetos <br /></span></i><i><span style="font-weight: 400">Edição: João Ricardo Gazzaneo</span></i></p>
<p> </p>
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<!-- /wp:tadv/classic-paragraph -->]]></content:encoded>
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				<title>Quais são os desafios das cidades frente ao El Niño?</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2026/05/29/quais-sao-os-desafios-das-cidades-frente-ao-el-nino</link>
				<pubDate>Fri, 29 May 2026 21:36:11 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[el niño]]></category>
		<category><![CDATA[enchentes]]></category>
		<category><![CDATA[Engenharia Ambiental e Sanitária]]></category>
		<category><![CDATA[Engenharia Civil]]></category>
		<category><![CDATA[geografia]]></category>
		<category><![CDATA[Geologia]]></category>
		<category><![CDATA[Meteorologia]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/?p=73043</guid>
						<description><![CDATA[Entenda por que a preparação para eventos climáticos vai muito além das obras de concreto]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  Depois de <a href="https://www.ufsm.br/2026/05/14/el-nino" target="_blank" rel="noopener">explicar o funcionamento do fenômeno El Niño</a> e projetar o nível de alerta para 2026 na primeira reportagem, e de <a href="https://www.ufsm.br/2026/05/22/el-nino-campo" target="_blank" rel="noopener">cruzar as histórias de produtores rurais</a> para entender os desafios e a recuperação do campo gaúcho na semana passada, a série especial da Agência de Notícias da UFSM volta seus olhos para o perímetro urbano.

Para cientistas da UFSM, as inundações urbanas escancaram que o desastre possui uma raiz profundamente social. O professor Daniel Gustavo Allasia Piccilli, do <a href="https://www.ufsm.br/cursos/pos-graduacao/santa-maria/ppgecam" target="_blank" rel="noopener">Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil e Ambiental (PPGECAM) da UFSM</a>, estuda inundações urbanas há anos e monitora o fenômeno de maneira contínua através do <a href="https://www.instagram.com/ecotecnologias_ufsm" target="_blank" rel="noopener">Grupo de Pesquisas em Modelagem Hidroambiental e Ecotecnologias</a>. “A confirmação do El Niño automaticamente não significa que teremos enchentes e inundações na mesma proporção”, esclarece o professor.

O alerta ganhou corpo em uma nota técnica elaborada em conjunto pelo PPGECAM e pelo Programa de Pós-Graduação em Meteorologia (PPGMET) da UFSM. Diante de chances de até 90% de ocorrência do fenômeno nos próximos meses, a pergunta que desafia os gestores públicos é: dois anos após a maior tragédia climática do estado, as cidades gaúchas estão preparadas?
<h3><b>Será que as cidades mudaram de lá para cá?</b></h3>
A resposta para a prontidão dos municípios gaúchos varia conforme o setor observado. Por um lado, houve avanços forçados pela destruição em 2024. Por outro, a lentidão estrutural permanece.

“Será que as cidades mudaram de lá para cá? Eu diria que a infraestrutura viária está melhor preparada hoje porque as pontes antigas caíram. As novas levaram em conta condicionantes climáticas: são mais altas, robustas e firmes. Se chegar um evento extremo, as cidades não devem ficar tão incomunicáveis”, avalia Allasia.

No entanto, o expert em inundações urbanas pondera que a adaptação profunda esbarra em uma gangorra de extremos meteorológicos emergentes no estado, a qual ele denomina como câmbio climático. “Desde 2019, estamos vivendo uma sequência severa de secas e cheias intercaladas. Estamos andando em extremos”, detalha.

Segundo ele, adaptar a drenagem das cidades a essa realidade exige tempo e planejamento, mudando desde a arquitetura das casas até a escolha da vegetação nas ruas, já que o plantio de espécies erradas pode resultar em árvores caídas durante vendavais.
<h3><b>Preparação de “baixo arrependimento”</b></h3>
Como a intensidade definitiva do El Niño só costuma ser confirmada cientificamente com cerca de dois meses de antecedência, Allasia defende que os gestores adotem uma postura preventiva baseada em medidas de “baixo arrependimento”: ações rápidas, de custo quase zero, mas que salvam vidas.

“A recomendação agora é focar em logística: organizar plantões da Defesa Civil para finais de semana e feriados, testar canais de comunicação e limpar calhas. São medidas simples que não impactam o orçamento, mas mudam o cenário no momento da crise”, defende o professor.

O pesquisador da UFSM recomenda um <i>checklist</i> de ações imediatas que as prefeituras devem adotar:

• <b>Limpeza preventiva:</b> retirada de galhos e lixo de bueiros, galerias pluviais e arroios

• <b>Escalas de plantão:</b> organização prévia de equipes de emergência para recessos e feriados

• <b>Antecipação burocrática:</b> abertura antecipada de licitações para contratação ou manutenção de maquinários (como retroescavadeiras), evitando a escassez do mercado no pico da crise

• <b>Comunicação direcionada:</b> Criação de protocolos de alerta direto com os moradores de áreas vulneráveis

[caption id="attachment_73045" align="aligncenter" width="1098"]<a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/infografico-1-2.jpg"><img class=" wp-image-73045" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/infografico-1-2-1024x576.jpg" alt="" width="1098" height="618" /></a> Arte gráfica: Daniel De Carli[/caption]

Para o professor Daniel Allasia, os avisos de evacuação não podem ser genéricos, mas sim direcionados aos moradores de áreas de risco através de canais diretos como o WhatsApp. Em consonância com o cientista da universidade, a Defesa Civil de Santa Maria realizou nesta semana uma força-tarefa multidisciplinar de <a href="https://www.santamaria.rs.gov.br/noticias/30711-defesa-civil-do-municipio-mapeia-risco-de-inundacoes-e-cadastra-mais-200-pessoas-no-passo-verde" target="_blank" rel="noopener">cadastramento de moradores no distrito de Passo do Verde</a>, área com alta suscetibilidade a inundações.

Em dois dias de trabalho de campo, equipes formadas por agentes públicos, geólogo, engenheiro florestal e assistente social analisaram o padrão das residências, identificaram 243 imóveis e cadastraram 206 pessoas. Os dados coletados revelam a complexidade humana por trás de um plano de evacuação:

• <b>Perfil de vulnerabilidade:</b> Dos cadastrados, 101 são idosos e 9 são pessoas com deficiência (PcD), grupos que exigem maior agilidade em resgates. Além disso, 37 famílias dependem do Cadastro Único para Programas Sociais.

• <b>Famílias multiespécie:</b> O levantamento contabilizou 202 animais de estimação na área, entre cães, gatos e aves. O fator é considerado crucial pela Defesa Civil para o planejamento de abrigos, já que muitas famílias se recusam a evacuar se precisarem abandonar seus animais.
<h3><b>O abismo entre os municípios</b></h3>
Se cidades maiores conseguem articular essas forças-tarefas, o interior enfrenta um isolamento técnico e financeiro. Allasia cita o caso de São João do Polêsine – município de apenas 2.649 habitantes, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – que passou bem por uma cheia de 150 milímetros em dezembro após receber consultoria gratuita da UFSM para desobstruir canais e remover açudes irregulares. O oposto ocorre na vizinha Ivorá, que por ficar em um vale cercado de montanhas, exige projetos de engenharia e obras hidráulicas.

O grande entrave é que a maioria das pequenas prefeituras tem equipes reduzidas, ficando sem braço técnico até mesmo para pedir socorro financeiro. Allasia revela um bastidor crítico sobre como a falta de registros prejudicou a captação de recursos públicos em Brasília. “Quando sofremos o pior da cheia na região central em maio de 2024, o satélite só via nuvens. Não há registro visual de satélite das nossas enchentes, as imagens limpas só começaram a aparecer quando a água chegou a Porto Alegre”, revela o professor.

“Isso afetou o interior na hora de pedir recursos federais, porque o técnico em Brasília exige provas. É aí que a engenharia precisa do jornalismo para documentar o desastre em pastas estruturadas. Muitas prefeituras pequenas ficaram sem verbas simplesmente porque não tinham pernas para montar essa documentação”, complementa Allasia.
<h3><b>Plano Municipal de Redução de Riscos</b></h3>
[caption id="attachment_73046" align="alignright" width="563"]<a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/mapa-distribuicao-espacial-de-risco-santa-tereza.jpg"><img class=" wp-image-73046" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/mapa-distribuicao-espacial-de-risco-santa-tereza.jpg" alt="" width="563" height="852" /></a> Mapa da distribuição espacial de risco na Vila Santa Tereza[/caption]

Se faltam braços na administração pública do interior, a ciência local tem feito o mapeamento minucioso dos gargalos. Santa Maria conta com uma ferramenta crucial: o <a href="https://www.ufsm.br/laboratorios/lageolam/relatorios-pmrr-santa-maria-rs" target="_blank" rel="noopener">Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR)</a>. Na UFSM, o projeto foi coordenado pela professora Andrea Valli Nummer, do Departamento de Geociências e pesquisadora do <a href="https://www.ufsm.br/laboratorios/lageolam" target="_blank" rel="noopener">Laboratório de Geologia Ambiental (Lageolam)</a>.

“A ciência já sabe praticamente tudo sobre as áreas de risco. Nós só estamos evoluindo na técnica. Sabemos que é importante mapear a inundação, o alagamento, o escorregamento, o movimento de massa. Antes andávamos a pé, hoje usamos drone. Temos a meteorologia para nos ajudar com dados”, explica a professora Andrea. “O que precisa é que cada vez mais municípios possam ter esses planos. Para ter um documento de planejamento urbano, de gestão de risco. Isso é importante. E se apropriar desse documento, manter esse documento atualizado e utilizá-lo mesmo para a captação de recurso.”

O plano de Santa Maria começou a ser desenhado no segundo semestre de 2023, focando em seis regiões que concentram habitações informais e populações vulneráveis:

• <b>Região Sul:</b> vilas Urlândia e Santos

• <b>Região Oeste:</b> vilas Babilônia, Lídia, Chaminé e Arco-Íris

• <b>Região Centro-Oeste:</b> Vila Beco do Guarani

• <b>Região Nordeste:</b> vilas Schirmer e Km 3

• <b>Região Norte:</b> vilas Bilibio e Favarin

• <b>Região Leste:</b> vilas Canário, Bela Vista, Bürger e Churupa

“Nós escolhemos e estudamos essas áreas entre 2023 e o início de 2024, antes dos eventos extremos acontecerem”, ressalta a doutora em Geotecnia. A pedido da prefeitura, os pesquisadores do Lageolam também realizaram um mapeamento suplementar voluntário na Vila Santa Tereza (no bairro Chácara das Flores), após o local sofrer um processo de abatimento de terra.

O sucesso metodológico expandiu as fronteiras da pesquisa. A partir da próxima semana, a professora Andrea assume a coordenação do primeiro PMRR de Cachoeira do Sul, em parceria com o Governo Federal, com previsão de entrega para o próximo ano. “Antes, a metodologia focava apenas nos graus de risco ‘alto’ e ‘muito alto’. Agora, o Governo Federal incluiu também o risco ‘médio’. Vai dar muito mais trabalho para a equipe de acadêmicos, mas será um novo e interessante desafio”, destaca a geóloga.
<h3><b>O dilema da “teia social” e as soluções a longo prazo</b></h3>
Quando os mapas apontam uma residência em área de alto risco, a remoção das famílias parece ser a resposta imediata. Contudo, o PMRR adota uma diretriz humanizada: a retirada definitiva deve ser o último recurso.

“Evita-se ao máximo a remoção porque essas populações construíram uma ‘teia social’. Há uma relação profunda de vizinhança, o vínculo com o emprego, a escola dos filhos. A recomendação do plano, alinhada ao Governo Federal, é que as famílias permaneçam e o poder público faça obras de mitigação, como contenção de encostas e melhoria nas margens dos rios. A remoção definitiva só deve ocorrer quando há risco iminente à vida”, esclarece a coordenadora do PMRR.

Para além das ações emergenciais de curto prazo, o professor Daniel Allasia enfatiza que as cidades precisam implementar a drenagem urbana sustentável no longo prazo, através de um Plano Diretor de Drenagem Urbana. “Não se trata apenas de obras cinzas e estruturas rígidas de concreto. É preciso trabalhar junto com a vegetação e com a própria água, auxiliando a infiltrá-la no solo e a armazená-la. Isso não substitui os canais e reservatórios tradicionais, mas deixa as cidades muito mais resilientes.”
<h3><b>Baixa capacidade técnica e burocrática</b></h3>
Se a ciência desenvolve os mapas e a engenharia projeta as soluções, as cidades esbarram na engrenagem política de captação de recursos. A professora Andrea Nummer lembra que a prevenção climática exige proatividade e preparo burocrático das prefeituras. “Município e estado funcionam exatamente como uma universidade. Ninguém bate aqui na minha porta para me oferecer dinheiro”, desabafa a pesquisadora. “Aparece um edital público e eu tenho que estar com a minha proposta pronta, porque ele fica aberto por pouco tempo, às vezes apenas um mês”, completa.

Para Andrea, a falta de um corpo técnico qualificado na maioria das cidades pequenas para caçar esses editais e estruturar projetos complexos em tempo recorde é, atualmente, um dos grandes empecilhos para a prevenção de desastres no Estado. O El Niño traz a chuva, mas é a capacidade técnica, burocrática e social das cidades que dita o tamanho do seu impacto.

<i>Texto: Marina Brignol, estudante de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias</i>

<em>Arte gráfica da capa: Daniel De Carli</em>

<i>Edição: Lucas Casali</i>]]></content:encoded>
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				<title>Dois anos após as enchentes históricas no RS, como o campo gaúcho está se adaptando às mudanças climáticas</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2026/05/22/el-nino-campo</link>
				<pubDate>Fri, 22 May 2026 20:08:55 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Agricultura]]></category>
		<category><![CDATA[campo bom]]></category>
		<category><![CDATA[el niño]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/?p=72925</guid>
						<description><![CDATA[Agricultores ainda enfrentam os impactos no solo, na produção e na economia diante da possibilidade de um novo El Niño em 2026]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p><img width="1024" height="649" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-21-at-20.05.43-1024x649.jpeg" alt="Ilustração colorida com fundo vermelho escuro e traços brancos formando o mapa do RS, com gotas de chuva e plantas dentro do mapa" /></p>

<!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
<p>Após a divulgação de uma <a href="https://sict.rs.gov.br/upload/arquivos/202605/08132327-nota-tecnica-n-3-el-nino-2026-27-evolucao-e-possiveis-impactos-no-estado-do.pdf">nota técnica</a> do Comitê Científico de Adaptação e Resiliência Climática do Rio Grande do Sul alertando para a possibilidade de um novo episódio do fenômeno El Niño em 2026, o Estado voltou a acompanhar com preocupação as previsões de chuvas acima da média para a primavera. O alerta reacende o debate sobre os impactos provocados pelos eventos extremos de 2024, que deixaram cerca de 206 mil propriedades afetadas, segundo dados da EMATER/RS-Ascar e do governo estadual. Apenas no agronegócio, os prejuízos imediatos ultrapassaram R$ 3 bilhões, com perdas severas em lavouras, infraestrutura, maquinários e capacidade produtiva.&nbsp;&nbsp;</p>
<p>Dois anos após as imagens de cidades inundadas dominarem o noticiário, as marcas da maior tragédia climática do Estado ainda estão presentes no campo gaúcho. Irene Thais Weber, agricultora da área de fruticultura, e Moisés Augusto Prochnow, produtor de arroz, não se conhecem, mas compartilham a mesma experiência. A longa jornada para recuperar as propriedades e os impactos econômicos provocados pelas enchentes que atingiram o estado em maio de 2024.</p>
<p>Nesta segunda reportagem da <a href="https://www.ufsm.br/2026/05/14/el-nino">série especial sobre o El Niño</a> da Agência de Notícias da UFSM, cruzamos as histórias de quem perdeu a produção para entender quais são as demandas atuais, os desafios na recuperação do solo e como o campo gaúcho está se adaptando às mudanças climáticas. Nas próximas semanas, abordaremos os impactos nas cidades, na infraestrutura logística e na ciência produzida pela UFSM a partir das enchentes.</p>
<h2>O custo do recomeço nos pomares do Vale do Caí</h2>
<h2><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-20-at-14.43.32-225x300.jpeg" alt="" width="378" height="504"></h2>
<p>Irene e seu marido, Ricardo Weber, são agricultores de Montenegro, no Vale do Caí. Há quase quatro décadas, eles trabalham com a produção de bergamotas em uma pequena propriedade de sete hectares, onde cultivam frutas de forma orgânica. Na propriedade, cinco hectares seguem em plena produção, mas outros dois precisaram ser replantados após a cheia de 2024.</p>
<p>O trabalho é conduzido pelo casal, que tem sua fonte de renda vinda exclusivamente da citricultura. Ricardo, aos 56 anos, conta que cresceu acompanhando o pai no cultivo de citros e afirma que a família sempre conviveu com enchentes provocadas pelo Arroio Maratá, que corta a região. Acostumados com cheias sazonais, os produtores relembram que os eventos de 2024 ultrapassaram qualquer situação já vivenciada.&nbsp;</p>
<p>Na ocasião, a água permaneceu por cerca de 48 horas sobre os pomares, causando a perda de aproximadamente 80% da safra de bergamotas. O prejuízo direto passou dos R$ 80 mil. “A água não chegou na nossa casa, mas perdemos a maior parte da safra”, resume o produtor.</p>
<p>Segundo o professor Gustavo Brunetto, do curso de Fruticultura da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), alagamento prolongado deixou sequelas na plantação. “Quando o solo permanece alagado por muito tempo, a planta sofre estresse porque falta oxigênio para as raízes. Isso prejudica a absorção de nutrientes e compromete o desenvolvimento da produção”, explica.&nbsp;</p>
<p>Duas safras depois, o desafio dos produtores tem sido justamente devolver o vigor às plantas que sobreviveram ao sufocamento radicular. Apesar das perdas econômicas com as frutas, a família conseguiu preservar a estrutura física da propriedade. Ricardo destaca que o manejo orgânico, com cobertura vegetal e pouca intervenção no solo, foi o que salvou o patrimônio da família a longo prazo. “Perdemos a safra, mas mantivemos o solo”, afirma.</p>
<p>A avaliação do produtor é reforçada pelo professor Brunetto. De acordo com o pesquisador, propriedades que mantêm cobertura vegetal e práticas de conservação do solo tendem a sofrer menos impactos durante eventos extremos de chuva. A vegetação ajuda a reduzir a força da água sobre o solo, diminuindo processos erosivos e a perda de nutrientes. “A planta de cobertura dissipa a energia da gota da chuva e ajuda a preservar a estrutura do solo”, explica.&nbsp;</p>
<p>Mesmo com a recuperação gradual do pomar em 2026, o receio de novas enchentes acompanha o casal. “A gente pensava que uma enchente maior que essa [de setembro de 2023] vai levar 50 anos. E não levou um ano e pouco, já deu uma maior ainda”, relata Ricardo.&nbsp;</p>
<h2>O impacto no solo&nbsp;</h2>
[caption id="attachment_72933" align="aligncenter" width="701"]<a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-18-at-17.23.02.jpeg"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-18-at-17.23.02-300x169.jpeg" alt="Imagem colorida em formato horizontal mostra uma lavoura de arroz devastada após as enchentes. O solo aparece tomado por erosões profundas e marcas deixadas pela força da água. Ao fundo, é possível ver o rio, áreas de mata e montanhas sob um céu nublado." width="701" height="395"></a> Propriedade em Dona Francisca teve seu solo impactado pelas chuvas de maio de 2024[/caption]
<p>Diferente da propriedade do casal Weber, diversas áreas rurais do Rio Grande do Sul não contavam com cobertura vegetal suficiente no solo e acabaram sendo fortemente impactadas pela catástrofe climática de 2024. Com o grande volume de chuva em um curto período de tempo, a água passou a escoar rapidamente pela superfície, provocando erosão e carregando junto a camada mais fértil do solo. Nesse processo, nutrientes, matéria orgânica, fertilizantes e sedimentos foram arrastados pela enxurrada, reduzindo a capacidade produtiva das áreas agrícolas e aumentando os prejuízos para os produtores.</p>
<p>Na avaliação do professor Jean Minella, docente do programa de Pós-Graduação em Ciência do Solo&nbsp; da UFSM, a ausência de práticas de conservação intensifica os danos causados por eventos extremos. “A água passa a percorrer a superfície com muita velocidade e energia, causando erosão e degradação”, explica. O pesquisador destaca que a cobertura vegetal intensifica a infiltração da água e ajuda a preservar nutrientes e matéria orgânica essenciais para a produção agrícola.</p>
<h2>A reconstrução às margens do Jacuí&nbsp;</h2>
[caption id="attachment_72934" align="aligncenter" width="700"]<a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/IC3A4500.jpeg"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/IC3A4500-300x200.jpeg" alt="Foto horizontal e colorida de um homem branco de meia-idade usando boné preto, que cobre os cabelos grisalhos, e casaco verde com detalhes em azul. Ao fundo, uma floresta verde aparece desfocada, atravessada por raios de sol." width="700" height="467"></a> O agricultor Moisés Prochnow ainda está reconstruindo sua propriedade após a enchente de 2024[/caption]
<p>O agricultor Moisés caminha pela plantação de arroz sem defensivos químicos na cidade de Dona Francisca, relembrando as perdas da enchente de 2024. Sua propriedade fica ao lado do rio Jacuí. Na época da enchente o produtor estava na cidade de Agudo e teve que atravessar o rio de barco para chegar à propriedade. Ao chegar, encontrou um rio totalmente diferente do que existia quando ele partiu. “Ele sai pelas várzeas e vai empurrando tudo o que encontra pela frente. E a água não tem volta”, relata. Para o agricultor, a força da correnteza redesenhou o território, abrindo novos caminhos e levando embora partes inteiras da lavoura.&nbsp; Na propriedade, a força do rio foi tanta que chegou a criar crateras no meio do terreno.&nbsp;</p>
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<p><a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-18-at-17.23.14.jpeg" data-elementor-open-lightbox="yes" data-elementor-lightbox-title="Propriedade do agricultor Moisés Prochnow na cidade de Dona Francisca foi severamente atingida pelo evento climático extremo de maio de 2024" data-e-action-hash="#elementor-action%3Aaction%3Dlightbox%26settings%3DeyJpZCI6IjcyOTMwIiwidXJsIjoiaHR0cHM6XC9cL3d3dy51ZnNtLmJyXC9hcHBcL3VwbG9hZHNcLzIwMjZcLzA1XC9XaGF0c0FwcC1JbWFnZS0yMDI2LTA1LTE4LWF0LTE3LjIzLjE0LmpwZWcifQ%3D%3D"><br />
							<img width="1024" height="576" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-18-at-17.23.14-1024x576.jpeg" alt="Foto horizontal colorida mostra uma área de plantação de arroz destruída pela força da água após enchentes. O solo aparece profundamente erodido, com grandes crateras preenchidas por água barrenta no centro da imagem. Ao fundo, é possível ver vegetação, árvores e montanhas sob um céu azul." />								</a><br />
														<a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-18-at-17.23.04.jpeg" data-elementor-open-lightbox="yes" data-elementor-lightbox-title="Propriedade do agricultor Moisés Prochnow na cidade de Dona Francisca foi severamente atingida pelo evento climático extremo de maio de 2024" data-e-action-hash="#elementor-action%3Aaction%3Dlightbox%26settings%3DeyJpZCI6IjcyOTMyIiwidXJsIjoiaHR0cHM6XC9cL3d3dy51ZnNtLmJyXC9hcHBcL3VwbG9hZHNcLzIwMjZcLzA1XC9XaGF0c0FwcC1JbWFnZS0yMDI2LTA1LTE4LWF0LTE3LjIzLjA0LmpwZWcifQ%3D%3D"><br />
							<img width="1024" height="768" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-18-at-17.23.04-1024x768.jpeg" alt="Foto horizontal colorida mostra uma forte correnteza de água barrenta avançando sobre uma plantação de arroz destruída pela enchente. A força da água abriu uma grande erosão na margem da lavoura, deixando o solo desmoronado e exposto. Ao fundo, aparecem morros cobertos por vegetação e um céu carregado de nuvens escuras." />								</a><br />
														<a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-18-at-17.23.07-1.jpeg" data-elementor-open-lightbox="yes" data-elementor-lightbox-title="Propriedade do agricultor Moisés Prochnow na cidade de Dona Francisca foi severamente atingida pelo evento climático extremo de maio de 2024" data-e-action-hash="#elementor-action%3Aaction%3Dlightbox%26settings%3DeyJpZCI6IjcyOTMxIiwidXJsIjoiaHR0cHM6XC9cL3d3dy51ZnNtLmJyXC9hcHBcL3VwbG9hZHNcLzIwMjZcLzA1XC9XaGF0c0FwcC1JbWFnZS0yMDI2LTA1LTE4LWF0LTE3LjIzLjA3LTEuanBlZyJ9"><br />
							<img width="1024" height="768" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-18-at-17.23.07-1-1024x768.jpeg" alt="Foto horizontal colorida mostra os estragos causados por uma enchente em uma área rural. Troncos de árvores arrancados pela força da água estão espalhados sobre estruturas destruídas de alvenaria e tubulações parcialmente soterradas pela lama." />								</a></p>
<p style="text-align: center"><em>Propriedade do agricultor Moisés Prochnow na cidade de Dona Francisca foi severamente atingida pelo evento climático extremo de maio de 2024</em></p>
<p>A sequência de eventos extremos mudou a rotina do agricultor. Primeiro vieram as estiagens, depois, as chuvas intensas e as enchentes. O excesso de água atrasou o plantio, comprometeu o manejo da lavoura e obrigou o agricultor a utilizar defensivos agrícolas na lavoura, prática que não fazia parte da sua rotina de cultivo, além disso, parte da área precisou ser abandonada. “Cada ano tu tem alguma coisa”, diz. Mesmo trabalhando em uma cultura adaptada à água, como o arroz irrigado, Moisés explica que o problema está no volume e na velocidade da enchente. Quando o Rio Jacuí transborda, a água invade as áreas de produção com força suficiente para arrancar barrancos, abrir valas e carregar embora sementes, insumos e solo fértil. </p>
<p>Moisés calcula ter perdido cerca de R$100 mil apenas com a destruição da produção durante as enchentes, mas diz ter “perdido as contas” do valor gasto com a reconstrução da propriedade. O agricultor conta que recebeu ajuda pontual de vizinhos e amigos de outras regiões, que doaram sementes e óleo diesel para que ele conseguisse retomar a produção. </p>
<p>Para Moisés as políticas públicas não chegaram na velocidade necessária. “Faz dois anos e ainda tem coisa que nem saiu do papel”, critica. Mesmo diante da previsão de um possível novo episódio de El Niño em 2026, ele afirma que não há orientação efetiva ou planejamento junto aos produtores rurais. “A única coisa que a gente faz é torcer”, resume. </p>
<p>[caption id="attachment_72935" align="aligncenter" width="700"]<a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/IC3A4614.jpeg"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/IC3A4614-300x200.jpeg" alt="Foto horizontal colorida mostra uma lavoura de arroz após a colheita, com marcas de pneus e pequenos canais de água atravessando o solo. Ao fundo, aparecem montanhas cobertas por vegetação sob um céu azul claro com poucas nuvens." width="700" height="466" /></a> Dois anos depois das enchentes a lavoura de arroz ainda se recupera dos impactos[/caption]</p>
<p>Mesmo com as perdas sucessivas e as dificuldades financeiras, desistir da agricultura ainda não parece uma possibilidade simples. Filho e neto de agricultores, Moisés cresceu dentro da lavoura e hoje administra sozinho a propriedade da família, conciliando o trabalho no campo com os desafios pessoais e familiares acumulados nos últimos anos. “Isso aqui é que nem cachaça”, brinca, ao tentar explicar a relação com a terra. </p>
<p>Apesar dos riscos, o doutor em Agronomia e professor da UFSM, Alencar Zanon, destaca que os anos de El Niño costumam favorecer a produção agrícola gaúcha devido ao aumento das chuvas, especialmente para culturas como soja e milho. O problema ocorre quando essas precipitações se concentram em períodos curtos e intensos, como aconteceu em 2024. “Os últimos seis anos foram marcados por grandes secas e por uma grande enchente. Isso reduz significativamente a produtividade das lavouras e faz com que muitos produtores acumulem dívidas gigantescas”, afirma. </p>
<h2>Como o campo pode se adaptar às mudanças climáticas?</h2>
<p>Diante da possibilidade de um novo episódio de El Niño em 2026, pesquisadores alertam que os agricultores precisam se preparar desde já para reduzir os impactos das chuvas extremas. Para o professor Jean Minella, o principal desafio é impedir que o excesso de água continue degradando o solo. Entre as principais recomendações, estão a necessidade de conservar o solo com práticas que reduzam a velocidade da água e aumentem a infiltração. </p>
<p>O pesquisador defende o uso de plantas de cobertura, manutenção da vegetação entre as lavouras e adoção de terraços agrícolas, estruturas de terra construídas em terrenos inclinados que funcionam como degraus diminuindo a velocidade da água da chuva. “O agricultor precisa entender que o solo perdido não volta mais. É um dano permanente. Por isso, a prioridade deve ser evitar essa perda antes que ela aconteça”, afirma.</p>
<p>Na área da Fruticultura, o professor Gustavo Brunetto, reforça que produtores de regiões mais suscetíveis às enchentes precisam investir em estratégias preventivas. Como o uso de resíduos orgânicos e manejo adequado da adubação para fortalecer a estrutura do solo e aumentar sua resistência aos eventos climáticos extremos. Já na produção de grãos, o pesquisador Alencar Zanon chama atenção para o impacto do excesso de chuva no calendário agrícola. Segundo ele, o principal problema do El Niño para culturas como arroz, soja e milho é o atraso da semeadura. “Quanto mais tarde o produtor consegue plantar, menor é o potencial produtivo da lavoura”, destaca. </p>
<p>Para minimizar os danos, Alencar recomenda que os produtores acompanhem constantemente as previsões climáticas e priorizem sistemas de plantio direto, sem revolvimento do solo. “Quando o produtor revolve o solo e vem muita água, ela leva tudo embora. O que foi construído durante décadas acaba se perdendo”, afirma. Em comum, os pesquisadores defendem que adaptação climática, conservação do solo e planejamento rural serão fundamentais para enfrentar os próximos anos no campo gaúcho. </p>
<p><em>Texto: João Victor Souza, estudante de jornalismo e estagiário na Agência de Notícias</em><br /><em>Fotos: Arquivo pessoal dos entrevistados e Jessica Mocellin, estudante de jornalismo e bolsista na Agência de Notícias</em><br /><em>Arte gráfica: Daniel Michelon de Carli, designer </em><br /><em>Edição: João Ricardo Gazzaneo, jornalista</em></p>

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													</item>
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				<title>El Niño volta ao radar no RS: especialistas da UFSM explicam o que esperar nos próximos meses</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2026/05/14/el-nino</link>
				<pubDate>Thu, 14 May 2026 19:06:45 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[desastres climáticos]]></category>
		<category><![CDATA[el niño]]></category>
		<category><![CDATA[Meteorologia]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/?p=72801</guid>
						<description><![CDATA[Pesquisadores esclarecem riscos, previsões e o real nível de preocupação]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  [caption id="attachment_72804" align="alignleft" width="531"]<img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/murilo-lopes-1018x1024.jpeg" alt="Foto colorida, horizontal. À esquerda, está Murilo Lopes, um homem de cabelos escuros e cacheados, usando blazer azul escuro, camisa escura e calça cinza. Ele aparece em pé sobre o palco segurando um microfone e fazendo uma apresentação. Ao fundo, há um grande painel de projeção. No centro do painel está escrito: “REDE VOLUNTÁRIA DE OBSERVADORES DE TEMPESTADES E ANÁLISE DE DANOS”. Abaixo, aparece o nome “Murilo Machado Lopes” e, em letras menores, “Meteorologia, Departamento de Física, Universidade Federal de Santa Maria”." width="531" height="535" /> Meteorologista da UFSM, Murilo Lopes apresenta a palestra “Rede Voluntária de Observadores de Tempestades e Análise de Danos”. (Foto: arquivo pessoal de Murilo Lopes)[/caption]<p>Dois anos após as enchentes históricas que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024, o debate sobre eventos climáticos extremos voltou ao centro das discussões pela expectativa de um novo El Niño. A partir de hoje, e nas próximas três semanas, a Agência de Notícias da UFSM apresenta uma série especial de reportagens sobre o fenômeno El Niño e suas perspectivas para os próximos meses, em especial para o Rio Grande do Sul. Nesta primeira reportagem, apresentamos as perspectivas pelo olhar da Meteorologia. Nas próximas semanas, abordaremos os impactos no campo, nas cidades, na infraestrutura logística e a ciência produzida pela UFSM a partir das enchentes, com foco em como devemos nos preparar.</p><h3>Resiliência climática em pauta</h3><p>No último dia 6 de maio, representantes do curso de Meteorologia da Universidade Federal de Santa Maria se reuniram em um encontro do “Comitê Científico de Adaptação e Resiliência Climática” do “Plano Rio Grande”, realizado no Centro Administrativo Fernando Ferrari (CAFF), em Porto Alegre.</p><p>A atividade integrou a Semana Estadual de Prevenção aos Desastres Socioambientais, promovida em alusão aos dois anos das enchentes de 2024, e foi dividida em dois painéis temáticos: “Tempestades severas e seus impactos” e “Avaliação de danos, treinamentos e mitigação”. O encontro reuniu pesquisadores, especialistas e gestores públicos para discutir os desafios climáticos enfrentados pelo Estado e as perspectivas para os próximos meses.</p><p>Entre os participantes esteve o meteorologista e professor da UFSM, Vagner Anabor, integrante do comitê científico. Pesquisador da área de eventos extremos, Anabor atuou como mediador do evento e destacou que a principal motivação da atividade foi ampliar o debate sobre eventos meteorológicos severos entre os gestores públicos.</p><p>Segundo o professor, ainda existe a percepção equivocada de que fenômenos extremos são raros ou recentes. No entanto, ele ressalta que tempestades severas fazem parte da dinâmica climática da região Sul do Brasil, especialmente no território gaúcho, e que compreender esse cenário é essencial para fortalecer estratégias de prevenção e adaptação.</p><p>Após o encontro, foi divulgada uma nota técnica elaborada por 14 especialistas ligados ao Comitê Científico de Adaptação e Resiliência Climática, reunindo análises e projeções sobre o comportamento climático no Rio Grande do Sul nos próximos meses. Entre os autores, estão os meteorologistas da UFSM Vagner Anabor e Murilo Machado Lopes, além da professora do Departamento de Física da universidade, Nathalie Tissot Boiaski, que contribuíram para a construção das avaliações sobre eventos extremos e seus possíveis impactos no estado.</p><h3>Entenda o fenômeno El Niño</h3>[caption id="attachment_72805" align="alignright" width="511"]<img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/vagner-anabor-1024x768.jpeg" alt="Foto colorida, horizontal. A imagem mostra um palco com cinco participantes sentados em cadeiras. A primeira é uma mulher de cabelos escuros, usando blusa clara, calça vinho e sapatos pretos, olhando para um celular. Ao lado, dois homens sentados usam trajes sociais; um veste paletó escuro com gravata e o outro usa colete em tons escuros e alaranjados sobre camisa clara. Mais à direita, uma mulher de cabelos claros usa roupas em tons escuros com detalhes alaranjados. Ao final da fila, um homem de camisa clara está sentado com as pernas cruzadas, observando a apresentação. À direita, em pé, Vagner Anabor segura um microfone e fala ao público, gesticulando com uma das mãos. Ele veste terno escuro, camisa clara e aparece à frente dos demais participantes. Ao fundo, um grande painel exibe imagens de tempestades e textos relacionados ao evento." width="511" height="383" /> O professor Vagner Anabor foi o mediador do evento e faz parte do Comitê Científico. (Foto: arquivo pessoal de Murilo Lopes)[/caption]<p>Apesar de ter ganhado maior visibilidade nos últimos anos, o El Niño não é um fenômeno recente. A partir da década de 1980, pesquisadores da climatologia, área responsável pelo estudo dos fenômenos climáticos, passaram a investigar com mais profundidade os impactos do evento e as regiões do mundo onde ele ocorre com maior frequência, entre elas, o Rio Grande do Sul.</p><p>De forma breve, o meteorologista e professor da UFSM, Vagner Anabor, explica que o El Niño é “um fenômeno marcado pelo aquecimento anômalo das águas do Oceano Pacífico na região equatorial”. Segundo o pesquisador, esse aquecimento provoca alterações na circulação atmosférica, modificando a distribuição de calor e umidade em diferentes regiões do planeta. Normalmente, ocorre a cada dois a sete anos e dura de nove a 12 meses. </p><p>No Brasil, os efeitos podem ser percebidos de formas distintas entre as regiões do país. Conforme Anabor, a região Sul tende a ficar mais suscetível a episódios de chuva intensa e temporais. Enquanto isso, áreas do Norte e Nordeste costumam registrar períodos mais secos durante a atuação do fenômeno. O professor também destaca que esses impactos podem variar de intensidade. Isso depende da força com que o El Niño se manifesta em cada período. </p><p>As enchentes de 2024 ocorreram em um período em que o El Niño já apresentava sinais de enfraquecimento. Por isso, segundo os especialistas, a tragédia não pode ser atribuída exclusivamente ao fenômeno climático, mas sim à combinação de diferentes fatores atmosféricos que contribuíram para a intensificação das chuvas no Rio Grande do Sul. </p><p>Em pesquisa desenvolvida em conjunto com pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Meteorologia da UFSM, o professor Anabor explica que um dos fatores esteve ligado a eventos ocorridos do outro lado do oceano. “A ocorrência de grandes tempestades na costa da África produziu perturbações que se propagaram até a América do Sul e modificaram as condições de tempo na região”, afirma. </p><p>De acordo com o pesquisador, essas perturbações atmosféricas acabaram bloqueando o fluxo de ar, favorecendo a permanência das tempestades sobre o Estado por um período mais prolongado, o que aumentou o volume de chuva e agravou os impactos da catástrofe climática. </p><h3>A vulnerabilidade climática do Rio Grande do Sul</h3>		
										<figure>
											<a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/infografico-1.jpg" data-elementor-open-lightbox="yes" data-elementor-lightbox-title="infográfico 1" data-e-action-hash="#elementor-action%3Aaction%3Dlightbox%26settings%3DeyJpZCI6IjcyODAyIiwidXJsIjoiaHR0cHM6XC9cL3d3dy51ZnNtLmJyXC9hcHBcL3VwbG9hZHNcLzIwMjZcLzA1XC9pbmZvZ3JhZmljby0xLmpwZyJ9">
							<img width="1024" height="576" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/infografico-1-1024x576.jpg" alt="Infográfico colorido, em formato horizontal, sobre a evolução de um evento típico de El Niño e seus impactos na chuva e na temperatura da América do Sul. Na parte superior aparece o título: “Evolução de um evento típico de El Niño e seu impacto na chuva e temperatura da América do Sul”. O conteúdo apresenta oito mapas da América do Sul organizados em quatro períodos sazonais: inverno JJA (0), primavera SON (0), verão DJF (+1) e outono MAM (+1). Para cada estação há dois mapas: um sobre anomalias de chuva e outro sobre anomalias de temperatura. Escalas abaixo dos mapas indicam as variações observadas: nos mapas de chuva, tons marrons representam redução e tons azuis aumento; nos mapas de temperatura, tons frios indicam temperaturas abaixo da média e tons quentes representam aquecimento. De acordo com a análise baseada em eventos passados de El Niño, a primavera, identificada como SON (0), apresenta o principal sinal de aumento das chuvas, com valores entre 20% e 60% acima da média. Nesse período ocorre o pico dos impactos do fenômeno, e toda a Região Sul apresenta resposta semelhante. No verão, DJF (+1), os efeitos continuam com ocorrência de eventos extremos e chuvas intensas de curta duração entre 10% e 40% acima do normal. No outono, MAM (+1), os efeitos persistem de forma mais variável, com volumes entre 5% e 25% acima da média e sinal mais fraco. No inverno, JJA (0), o comportamento apresenta sinal fraco ou misto, com leve aumento das chuvas no Rio Grande do Sul. Na parte inferior há uma borda azul com ilustrações relacionadas ao clima, logotipos institucionais da Agência de Notícias, da Coordenadoria de Comunicação da UFSM e uma logo escrito “UFSM Divulga Ciência” e créditos informando que o gráfico foi elaborado a partir de estudo publicado por Cai et al., em 2020, e posteriormente utilizado em material do Comitê Científico de Adaptação e Resiliência Climática do Rio Grande do Sul." />								</a>
											<figcaption>Como acontece a evolução do El Niño e os impactos na chuva e temperatura na América do Sul </figcaption>
										</figure>
		<p>A localização geográfica do Rio Grande do Sul também contribui para que o Estado seja mais vulnerável à ocorrência de eventos climáticos extremos. Segundo Murilo Lopes, doutor em Meteorologia pela Universidade Federal de Santa Maria, a região recebe diferentes massas de ar ao longo do ano, especialmente durante as estações de transição, como outono e primavera. Além disso, a umidade vinda da região Amazônica, transportada por correntes de vento, favorece a formação de tempestades e episódios de chuva intensa no Estado.</p><p>Murilo explica que a localização geográfica do Sul do Brasil favorece a formação de tempestades severas. “Estamos em uma faixa de latitude do globo que favorece a aproximação tanto de massas de ar mais aquecidas, que vêm da região equatorial, quanto de massas de ar mais frias, que vêm da região polar”, explica. O encontro dessas diferentes massas de ar contribuem para alterações na velocidade dos ventos em diferentes níveis da atmosfera. Esse cenário favorece a formação de tempestades mais intensas e duradouras, capazes de atingir áreas mais amplas e provocar fenômenos como granizo de grande porte, vendavais e até tornados.</p><p>Entre os fatores atmosféricos que resultaram nas enchentes de 2024, Murilo destaca o grande volume de umidade transportado da Amazônia e do Oceano Atlântico, somado a uma condição de bloqueio atmosférico que impediu o deslocamento das tempestades. “Nós tivemos chuvas bastante intensas sobre a mesma região no período de 72 horas”, destaca.</p><p>Para realizar previsões e compreender o comportamento das tempestades severas no Rio Grande do Sul, os meteorologistas costumam utilizar paralelos com os sistemas atmosféricos observados nos Estados Unidos. Isso ocorre porque a região sul apresenta condições climáticas semelhantes às registradas em algumas regiões do país norte-americano, especialmente no que diz respeito à formação de fenômenos extremos.</p><p>Murilo explica ainda que o chamado “tempo severo” está associado a tempestades caracterizadas por nuvens com intensa atividade elétrica, grande volume de chuva e potencial para provocar inundações repentinas. Entre os fenômenos que fazem parte dessa classificação, ele cita as rajadas de vento superiores a 90 km/h, ou capazes de causar danos significativos, a ocorrência de granizo com mais de dois centímetros de diâmetro e os tornados, considerados mais raros, mas com elevado potencial destrutivo. </p><h3>O que indicam os modelos climáticos </h3><p>Através do documento formulado pelos membros do Comitê Científico de Adaptação e Resiliência Climática do Rio Grande do Sul entre abril e maio de 2026, foi apontada a possibilidade de um novo episódio de El Niño ainda neste ano. No entanto, até o momento, não há evidências de que o fenômeno alcance a mesma intensidade registrada entre 2023 e 2024. Nesse cenário, Murilo reforça que a presença do fenômeno, por si só, não significa a repetição de eventos como os registrados nos últimos anos. “Tudo indica um novo El Niño em 2026, possivelmente forte, mas isso não significa uma nova tragédia. Eventos extremos dependem da combinação de diversos fatores”, afirma.</p><p>As previsões mais recentes da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), apontam para uma alta probabilidade de formação de um novo episódio de El Niño entre julho e agosto de 2026. De acordo com os modelos climáticos analisados, a chance de ocorrência do fenômeno está em torno de 80% e, em alguns cenários, pode alcançar 90% ao longo do segundo semestre do ano. Há ainda a possibilidade de o evento se prolongar até o fim de 2026.</p><p>A previsão mais recente do Instituto Internacional de Pesquisa sobre Clima e Sociedade (IRI), da Escola do Clima da Universidade Columbia, aponta uma probabilidade de 70% para o desenvolvimento do El Niño entre abril e junho de 2026. Além disso, também indicam que o fenômeno deve permanecer atuando ao longo do restante do ano, com chances elevadas de permanência, variando entre 88% e 94%. Com base no comportamento registrado em episódios anteriores de El Niño, a tendência é de tempestades e episódios de chuva intensa durante a primavera de 2026 e temperaturas mais elevadas no inverno.</p>		
										<figure>
											<a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/infografico-2-1.jpg" data-elementor-open-lightbox="yes" data-elementor-lightbox-title="infográfico 2" data-e-action-hash="#elementor-action%3Aaction%3Dlightbox%26settings%3DeyJpZCI6IjcyODAzIiwidXJsIjoiaHR0cHM6XC9cL3d3dy51ZnNtLmJyXC9hcHBcL3VwbG9hZHNcLzIwMjZcLzA1XC9pbmZvZ3JhZmljby0yLTEuanBnIn0%3D">
							<img width="1024" height="576" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/infografico-2-1-1024x576.jpg" alt="Infográfico colorido, em formato horizontal, sobre a previsão probabilística de ocorrência do fenômeno El Niño e sua intensidade ao longo do trimestre. Na parte superior direita aparece o título: “Previsão probabilística de ocorrência. El Niño–Oscilação Sul e intensidade”. Logo abaixo, está a identificação “El Niño–Oscilação Sul (ENOS) – IRI/CPC”. O material apresenta um gráfico de barras empilhadas que relaciona a probabilidade de ocorrência do fenômeno, em porcentagem, com diferentes períodos trimestrais. No eixo vertical está a indicação “Probabilidade (%)”, com escala de 0% a 100%. No eixo horizontal aparece “Trimestre”, dividido nos períodos AMJ, MJJ, JJA, JAS, ASO, SON e OND. Acima do gráfico há caixas com percentuais que resumem as probabilidades previstas para diferentes condições climáticas, como fase neutra e El Niño. AMJ = abril, maio e junho MJJ = maio, junho e julho JJA = junho, julho e agosto JAS = julho, agosto e setembro ASO = agosto, setembro e outubro SON = setembro, outubro e novembro OND = outubro, novembro e dezembro As barras utilizam diferentes cores para representar níveis de intensidade do El Niño: cinza para condição neutra, rosa claro para fraco, tons mais escuros de vermelho para moderado, forte e muito forte. Nos primeiros trimestres, predominam condições neutras, enquanto ao longo dos períodos seguintes cresce a participação de cenários associados ao El Niño em diferentes intensidades. De acordo com as informações apresentadas, no período entre novembro de 2026 e janeiro de 2027, representado pelo trimestre OND, há probabilidades semelhantes para diferentes intensidades do fenômeno. Os cenários de El Niño moderado, forte e muito forte apresentam chances próximas entre si, em torno de 25% de probabilidade de ocorrência, indicando incerteza quanto à intensidade predominante do evento. Na parte inferior há uma borda azul com ilustrações relacionadas ao clima, logotipos institucionais e créditos. O gráfico informa que foi adaptado a partir de dados do Instituto Internacional de Pesquisa sobre Clima e Sociedade (IRI), da Escola do Clima da Universidade Columbia, utilizados em material do Comitê Científico de Adaptação e Resiliência Climática." />								</a>
											<figcaption>Previsão indica cerca de 25% de chance para um El Niño moderado, forte e muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027</figcaption>
										</figure>
		<p>Como mostra o gráfico, entre novembro de 2026 e janeiro de 2027, os cenários avaliados indicam probabilidades semelhantes para diferentes intensidades do fenômeno, com cerca de 25% de chance para episódios classificados como moderados, fortes ou muito fortes. Apesar disso, o documento ressalta que ainda existe um elevado grau de incerteza em relação à intensidade do El Niño, principalmente devido à longa antecedência das projeções. Em seu boletim mais recente, a NOAA também destaca a possibilidade de um episódio moderado a forte nesse período, mas reforça que ainda não é possível definir com segurança qual será a intensidade do fenômeno durante a primavera de 2026.</p><p>Para 2027, porém, ainda é cedo para estabelecer previsões mais precisas sobre o comportamento climático. Anabor ressalta ainda que os modelos climáticos trabalham com probabilidades e tendências, não com previsões exatas.</p><p>Ainda não é possível ter certeza se os impactos do El Nino 2026-27 serão menores, similares ou maiores do que em 2023-24. Mas sabe-se, certamente, que ocorrerá algum tipo de impacto para a população e atividades no Estado do Rio Grande do Sul. Segundo os professores, o momento exige atenção qualificada, e não medo. O acompanhamento das previsões sazonais e dos alertas meteorológicos serão fundamentais nos próximos meses.</p><h3>Ações de prevenção</h3>[caption id="attachment_72823" align="alignright" width="503"]<img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/IC3A0036-1-1024x683.jpg" alt=" Foto na horizontal colorida mostra o bosque da UFSM, na parte da trilha de chão de terra e coberto por folhas secas em meio a uma floresta de árvores altas e troncos retos. No centro da imagem, duas pessoas caminham de costas lado a lado pela passagem: um homem de camiseta listrada e bermuda escura, e uma mulher de blusa vermelha e calça preta. A vegetação ocupa as laterais do caminho, com arbustos e folhagens em diferentes tons de verde. À esquerda há um banco azul escuro. A luz natural atravessa discretamente o topo das árvores" width="503" height="335" /> O documento do comitê ressalta a importância de uma comunicação acessível para comunicar a população sobre os riscos[/caption]<p>Eventos extremos não são sinônimos de desastres naturais, mas fenômenos meteorológicos que podem desencadear situações de desastre, dependendo da intensidade e dos impactos causados sobre a população e o território. Nesse contexto, a ocorrência do El Niño não significa, necessariamente, a previsão de uma catástrofe específica, mas indica uma maior probabilidade de episódios de chuva extrema no Sul do Brasil. </p><p>Entre os impactos mais comuns associados ao fenômeno estão inundações, enxurradas, movimentos de massa, alagamentos urbanos, danos à infraestrutura e perdas agrícolas, especialmente em culturas como soja, milho e arroz.</p><p>O documento também destaca a importância da preparação prévia dos órgãos públicos, da Defesa Civil e dos setores produtivos diante da possibilidade de consolidação do fenômeno climático. Entre as medidas apontadas estão a revisão de planos de contingência e o fortalecimento da infraestrutura voltada à manutenção de serviços essenciais para a população, especialmente em cenários de eventos hidrometeorológicos extremos.</p><p>Além das ações operacionais, o relatório ressalta a necessidade de ampliar a comunicação com a população de forma clara e acessível. A proposta é que a sociedade tenha maior conhecimento sobre os planos de contingência, os riscos associados aos eventos extremos e os procedimentos recomendados em situações de emergência, contribuindo para a redução de danos e para o fortalecimento da capacidade de resposta coletiva.</p><p>Em áreas mais vulneráveis, essas condições podem favorecer ocorrências de alagamentos, inundações, enxurradas e movimentos de massa, além de outros impactos associados a fenômenos geo-hidro-meteorológicos, que envolvem a movimentação de terra (geológicos), a dinâmica da água (hidrológicos) e eventos climáticos intensos (meteorológicos). Apesar disso, o documento destaca que ainda é cedo para prever o comportamento das chuvas no verão e no outono de 2027.</p><h3>A ciência da UFSM no monitoramento climático </h3>[caption id="attachment_72806" align="alignleft" width="512"]<img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/meteorologia-1024x683.jpg" alt="Foto na horizontal colorida mostra uma bancada de laboratório com computadores da área de Meteorologia da UFSM. Ao longo da parede clara, quatro monitores estão alinhados lado a lado acima da mesa. As telas exibem gráficos, mapas, dados meteorológicos e imagens técnicas. No primeiro monitor à esquerda, aparece uma estação meteorológica virtual com indicadores de temperatura, umidade, pressão do ar e velocidade do vento. Sobre a bancada cinza, há teclados, mouses e cabos conectados às tomadas." width="512" height="341" /> A UFSM contribui para a meteorologia com pesquisa, monitoramento climático e formação de profissionais na área[/caption]<p>Para garantir previsões meteorológicas mais precisas e detalhadas, são necessários investimentos em equipamentos e estruturas capazes de monitorar continuamente a atmosfera. Entre os recursos utilizados nesse acompanhamento estão satélites meteorológicos calibrados e os chamados supercomputadores, responsáveis pelo processamento de modelos atmosféricos em alta resolução. Esses requisitos seguem protocolos estabelecidos pela World Meteorological Organization (WMO) e são fundamentais para ampliar a capacidade de previsão e monitoramento de eventos extremos. </p><p>O trabalho do meteorologista responsável por estudar e divulgar as condições climáticas envolve uma combinação de formação especializada, pesquisa científica e tecnologia de alta complexidade. Segundo o professor Vagner Anabor, “para a gente ter essas previsões com altíssima qualidade e resolução, é preciso ter redes de observação de excelência e com alta distribuição espacial”.</p><p>Anabor destaca ainda que o avanço tecnológico transformou a capacidade de observação atmosférica e fortaleceu a qualidade das previsões meteorológicas. “Com a chegada dos satélites, tivemos um aumento nas observações e, hoje, contamos também com radares meteorológicos, como os da UFSM e outros distribuídos pelo Estado. Essas ferramentas permitem ao meteorologista treinado fazer excelentes previsões do tempo”, afirma.</p><p>Nesse contexto, a ciência produzida dentro da Universidade Federal de Santa Maria, por meio das pesquisas em Meteorologia, também cumpre um papel fundamental ao aproximar o conhecimento científico da população em temas que impactam diretamente a cidade, a agricultura e a rotina dos gaúchos.</p><p>Acesse a <a href="https://admin.planoriogrande.rs.gov.br/upload/arquivos/202605/08094346-nota-tecnica-el-nino.pdf">nota técnica</a> <strong>completa elaborada pelo Comitê Científico de Adaptação e Resiliência Climática</strong></p><p><em>Texto: Giovanna Felkl, estudante de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias<br />Artes infográficas: Daniel Michelon De Carli<br />Fotos: Banco de Imagens da Agência de Notícias UFSM e registros de Murilo Lopes<br />Edição: João Ricardo Gazzaneo, jornalista</em></p>]]></content:encoded>
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				<title>Curso de Agronomia da UFSM/FW prepara profissionais para enfrentar desafios climáticos no campo</title>
				<link>https://www.ufsm.br/unidades-universitarias/frederico-westphalen/2026/05/14/curso-de-agronomia-da-ufsm-fw-prepara-profissionais-para-enfrentar-desafios-climaticos-no-campo</link>
				<pubDate>Thu, 14 May 2026 12:59:41 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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		<category><![CDATA[Agricultura]]></category>
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						<description><![CDATA[Diante da possibilidade de um novo El Niño, práticas sustentáveis desenvolvidas pela Universidade contribuem para a adaptação da agricultura frente à crise climática]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p>A ocorrência de um novo El Niño nos próximos meses reacende discussões sobre os impactos da emergência climática na agricultura brasileira, especialmente nas regiões Sul do país. Nesse contexto, o <a href="https://www.ufsm.br/cursos/graduacao/frederico-westphalen/agronomia" target="_blank" rel="noopener">curso de Agronomia</a> do Campus da Universidade Federal de Santa Maria em Frederico Westphalen (UFSM/FW) desenvolve ações de ensino, pesquisa e orientação voltadas à adaptação das culturas agrícolas, à conservação dos recursos naturais e ao fortalecimento de práticas sustentáveis no campo.</p><p>Segundo dados da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA), a probabilidade de ocorrência do fenômeno aumenta ao longo de 2026. Em abril, o Oceano Pacífico já apresentou sinais concretos do El Niño.</p><h2>O que é o El Niño?</h2><p>O fenômeno climático é caracterizado pelo aquecimento maior ou igual a 0,5°C das águas do Oceano Pacífico. Para que ele seja oficialmente identificado, é preciso que a temperatura da superfície do mar permaneça acima da média por várias semanas, provocando alterações na circulação atmosférica. No Brasil, os efeitos variam conforme a região, enquanto o Sul costuma registrar aumento no volume de chuvas, outras regiões podem enfrentar períodos de estiagem. No Rio Grande do Sul, os impactos estão frequentemente associados ao excesso de umidade e dificuldades na produção agrícola.</p><p>A professora do curso de Agronomia da UFSM/FW, Gizelli Moiano de Paula, explica que compreender esses fenômenos climáticos faz parte da formação dos estudantes e também da atuação da universidade junto à comunidade regional. “Preparamos os estudantes sobre esses conceitos, sobre o que o El Niño nos traz e os impactos que ele provoca no Rio Grande do Sul. Também orientamos sobre a importância de buscar previsões e prognósticos em fontes confiáveis”, afirma.</p><h2>Impactos na agricultura</h2><p>A agricultura está entre os setores mais afetados pelos eventos climáticos extremos. O excesso de chuvas pode comprometer o desenvolvimento das culturas, dificultar o plantio e favorecer o surgimento de doenças nas plantas devido à alta umidade. Além disso, áreas sem manejo adequado podem sofrer processos de erosão e degradação do solo, causando prejuízos ambientais e econômicos.</p><p>Conforme a docente, situações semelhantes já foram observadas no estado. “Quando o El Niño vem com bastante intensidade, ele promove degradação do solo, especialmente em áreas sem cobertura adequada. Foi o que aconteceu em grande parte do Rio Grande do Sul entre 2023 e 2024, quando a água levou parte importante da camada superficial do solo”, destaca. Os impactos também atingem outras áreas da produção agropecuária, como a pecuária leiteira e a produção de carne, além de culturas hortícolas e frutíferas, que podem apresentar redução na produtividade.</p>[caption id="attachment_14209" align="aligncenter" width="1024"]<img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/377/2026/05/prejuizo-plantacoes-foto-emater-rs-prefeitura-erechim-2.jpg" alt="" width="1024" height="683" /> Foto: Emater/RS - Prefeitura de Erechim[/caption]<h2>Manejo e práticas sustentáveis</h2><p>Diante desse cenário, práticas de manejo e conservação do solo tornam-se fundamentais para minimizar os impactos causados pelas mudanças climáticas. Entre as estratégias recomendadas estão a rotação de culturas, o acompanhamento do zoneamento agrícola, o cuidado com a época de semeadura e a manutenção da cobertura do solo.</p><p>De acordo com Gizelli, a adoção dessas práticas contribui não apenas para preservar a produtividade, mas também para fortalecer a sustentabilidade no campo. “Quando o solo fica descoberto, há perda de nutrientes, de umidade e de partículas importantes. Por isso, práticas de manejo e conservação são essenciais ", explica. A professora ainda destaca o sistema de plantio direto como uma alternativa importante para reduzir impactos ambientais. A prática auxilia na conservação do solo e contribui para a diminuição da emissão de gases de efeito estufa.</p><h2>Emergência climática e adaptação</h2><p>Para a docente, os fenômenos climáticos extremos, provocados pela ação humana no meio ambiente, estão diretamente relacionados ao atual contexto de emergência climática, que é marcado pelo aumento das temperaturas globais. A professora ressalta que “hoje nós já estamos em um processo de alerta, que é o que chamamos de emergência climática. Precisamos mudar algumas práticas, inclusive na agricultura, porque esses fenômenos tendem a ocorrer com mais frequência e intensidade”.</p><p>Nesse contexto, a universidade desempenha papel importante na produção de conhecimento e no desenvolvimento de soluções voltadas à adaptação climática. Além de formação profissional, o curso de Agronomia da UFSM/FW desenvolve pesquisas e ações que incentivam o uso sustentável dos recursos naturais e o fortalecimento da agricultura regional.</p><p>“O curso de Agronomia da UFSM/FW preza por um futuro sustentável no campo. As diferentes disciplinas e pesquisas são desenvolvidas pensando em produzir com sustentabilidade e em fortalecer práticas que contribuam para o clima e para o planeta”, conclui a professora.</p><p><em>Texto: Sabrina Santana Lins, Bosista da Assessoria de Comunicação da UFSM/FW</em></p><p><em>Revisão: Cristina Guerini, Produtora Cultural</em></p>]]></content:encoded>
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				<title>Mudanças no clima: em Santa Maria, a primavera chegou mais cedo esse ano</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2023/09/11/mudancas-no-clima-em-santa-maria-a-primavera-chegou-mais-cedo-esse-ano</link>
				<pubDate>Mon, 11 Sep 2023 13:40:42 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Clima]]></category>
		<category><![CDATA[el niño]]></category>
		<category><![CDATA[Meteorologia]]></category>
		<category><![CDATA[tvcampus]]></category>

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							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
<p>Pelo campus, flores coloridas já dão sinais da primavera, e olha que setembro está apenas começando. Vários fatores contribuíram para que a floração se antecipasse e alguns fenômenos característicos, como o calor, também se manifestasse mais cedo neste ano. A TV Campus conversou com especialistas para entender as causas dessa antecipação e o que isso afeta na nossa saúde e no meio ambiente. E também, o que esperar dos próximos meses com a influência do fenômeno <em>El Niño</em>. </p>
<p><em>Assista à reportagem:</em></p>
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