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				<title>Corrida a favor do tempo</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2025/11/11/corrida-a-favor-do-tempo</link>
				<pubDate>Tue, 11 Nov 2025 18:24:15 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[30ª Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Perfil]]></category>
		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
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		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

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						<description><![CDATA[Campeã sul-americana de atletismo, Jaqueline Beatriz Weber divide a vida entre o esporte e a ciência.
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							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:audio {"id":4121} -->
<figure class="wp-block-audio"><audio controls src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/11/audio-perfil.mp3"></audio></figure>
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<!-- wp:paragraph -->
<p>Natural de Teutônia, interior do Rio Grande do Sul, Jaqueline Beatriz Weber, 30, demonstrou cedo o interesse e a aptidão pelo esporte. Ainda na escola, seu talento no atletismo chamou a atenção e lhe rendeu medalhas e convocações para as seleções brasileiras de base. Aos 17 anos, mudou-se para Santa Cruz do Sul, decidida a ir atrás do sonho de ser atleta profissional. A velocidade com que despontou contrastava com a lentidão na valorização de seu esporte no país, desafio enfrentado desde o início de sua trajetória.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>De lá pra cá, entre glórias e frustrações, 13 anos se passaram, e uma rotina de 12 treinos por semana, resiliência e muita dedicação colocaram a gaúcha entre as melhores do país nas corridas de meio-fundo (provas de 800m a 3000m).&nbsp; Entre 2023 e 2025, foi campeã sul-americana Indoor, categoria disputada em estádios fechados, representou o Brasil nos Jogos Pan-Americanos, no Mundial de Atletismo e no Mundial de Corrida de Rua. Feitos relevantes, mas que segundo a atleta não afastaram as contestações: ‘’já me perguntaram se eu trabalho além de correr, então eu digo que correr é o meu trabalho. No início foi difícil lidar com isso, mas usei como combustível para provar para todo mundo que fiz a escolha certa’’, comenta Jaqueline.&nbsp;&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:image {"id":4125,"width":"1133px","height":"auto","sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/11/Site-2-1-1024x1024.jpeg" alt="" class="wp-image-4125" style="width:1133px;height:auto" /></figure>
<!-- /wp:image -->

<!-- wp:heading -->
<h2 class="wp-block-heading"><strong>Entre pistas e pesquisas </strong></h2>
<!-- /wp:heading -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Apesar das conquistas, as incertezas de uma jornada como atleta profissional no Brasil, que em geral estende-se por apenas um terço da vida dos competidores, fizeram com que Jaqueline investisse seu tempo também nos estudos. Nas palavras dela, ‘’os atletas ganham os holofotes e contam com suporte financeiro de instituições quando estão bem, e quando eles param são deixados de lado, com ainda dois terços de vida pela frente. Então, é preciso estar preparada’’.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Nos primeiros anos da dupla carreira, a esportista conciliou os treinos com a graduação em Educação Física na Universidade de Santa Cruz  (Unisc) e no final de 2024, recebeu o título de mestra em Gerontologia, ciência que estuda o envelhecimento humano, pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). A escolha do tema de seu mestrado não foi por acaso: com o intuito de arquitetar sua aposentadoria, ao longo dos dois anos, a corredora pesquisou sobre o envelhecimento e o processo de transição de carreira de atletas olímpicos meio-fundistas no Brasil. Em seu estudo, Jaqueline investigou como eles administram o fim de suas trajetórias nas pistas, como foi a adaptação a novas funções, e qual foi o impacto da rotina regrada na saúde e na qualidade de vida pós-carreira. </p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:heading -->
<h2 class="wp-block-heading"><strong>Preparada para o futuro</strong></h2>
<!-- /wp:heading -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Os resultados da pesquisa indicam uma transição de carreira promissora para Jaqueline. Corredores de alta performance que se mantiveram academicamente ativos apresentaram um processo de transição mais suave e positivo, principalmente no que diz respeito à necessidade de nova profissão em uma idade considerada precoce. Outro dado favorável indica que nenhum dos atletas entrevistados apresentou dores ou lesões oriundas da alta performance; pelo contrário, a maioria se encontram fisicamente ativos, o que reforça a eficácia da prática diária de exercícios físicos na melhora da saúde e da qualidade de vida.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Com a conclusão de seu mestrado, a desportista tem se dedicado exclusivamente ao atletismo. Atualmente, está em fase de preparação, na busca para obter o índice necessário para a disputa dos Jogos Olímpicos de 2028, seu grande objetivo de carreira.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Enquanto corre contra o relógio, em busca da vaga olímpica, Jaqueline também corre em prol da vida. Em meio à rotina intensa de treinos, ela ainda encontra tempo para compartilhar suas experiências com crianças e adolescentes, por meio da Associação Medalha de Ouro,&nbsp; projeto social que estimula a prática esportiva e oferece orientação a quem sonha trilhar caminhos parecidos com o dela.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Dentro e fora das pistas, o legado de Jaqueline Weber continua a ser escrito. E ela está preparada para qualquer linha de chegada.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:image {"id":4124,"sizeSlug":"large","linkDestination":"none","align":"center"} -->
<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/11/Site-1-1-1024x649.jpg" alt="" class="wp-image-4124" /></figure>
<!-- /wp:image -->

<!-- wp:separator -->
<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity" />
<!-- /wp:separator -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Repórteres: João Victor Barbat e Matheus Lanzarin</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Contato: joao.barbat@acad.ufsm.br /  lanzarin.matheus@acad.ufsm.br </p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Link para a reportagem: <a href="https://youtu.be/_k-pFHcZAh4?si=aN-7X_ve4anRqpSB">https://youtu.be/_k-pFHcZAh4?si=aN-7X_ve4anRqpSB</a></p>
<!-- /wp:paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>"Quero fazer arte para  poder ensinar"</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2025/10/23/quero-fazer-arte-para-poder-ensinar</link>
				<pubDate>Thu, 23 Oct 2025 22:12:27 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[30ª Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[ed30]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?p=4116</guid>
						<description><![CDATA[Precarização do Teatro Caixa Preta impacta na formação dos estudantes das Artes]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:paragraph -->
<p><em>Precarização do Teatro Caixa Preta impacta na formação dos estudantes das Artes</em><br></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:audio {"id":4119} -->
<figure class="wp-block-audio"><audio controls src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/10/projeto-audio-rep.mp3"></audio></figure>
<!-- /wp:audio -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Fundado em 1988, o <a href="https://www.ufsm.br/unidades-universitarias/cal/2018/04/05/teatro-caixa-preta-comemora-hoje-seus-30-anos">Teatro Caixa Preta</a> é um espaço artístico que integra o Centro de Artes e Letras (CAL) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Idealizado no modelo <em>black box </em>(caixa preta), conta com uma estrutura totalmente modulável, o que proporciona maior versatilidade e liberdade criativa na construção do espetáculo e na configuração do palco. O Caixa Preta recebe espetáculos de conclusão de curso e abriga atividades de ensino e pesquisa cênica, como aulas, ensaios e práticas laboratoriais associadas aos cursos de Artes Cênicas, Teatro, Música Licenciatura, Bacharelado, Música e Tecnologia, Artes Visuais e Dança Licenciatura e Bacharelado.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Após quatro anos fechado, em 2023 o espaço passou por reparos e manutenções para que pudesse retomar suas atividades artístico-pedagógicas e atender às demandas dos estudantes. A coordenadora do Teatro Caixa Preta, Raquel Guerra, conta que o local integra o currículo dos cursos de artes do CAL para atividades acadêmicas e extensionistas. Raquel explica que o espaço cultural é um lugar que tem uma vida e é como uma casa: “é que nem a tua casa. Tu tem que limpar todo dia, tem que cuidar da tua casa do dia. E o espaço cultural também é isso. Ele precisa de manutenção constante. Quando ele está fechado, essa manutenção além de não existir, ela só vai piorando”.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Ocupar o espaço tornou-se um desafio para os estudantes do Centro de Artes e Letras, devido às reivindicações e ao crescimento dos cursos do CAL, associado à saída da graduação em Dança Licenciatura do Centro de Educação Física e Desporto (CEFD). A coordenação do Caixa refere que a prioridade de uso é para trabalhos de conclusão de curso performáticos - ou seja, que contam com apresentação artística. Ainda assim, estudantes dos cursos de Dança enfrentam empecilhos para reservar o espaço.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A bacharela em Dança, Anna Beatriz Souza, apresentou seu trabalho de conclusão de curso no Teatro Caixa Preta com a colega Jéssica da Silva em novembro de 2024. Anna conta que seu orientador já previa que as alunas enfrentariam impasses para reservar uma data no Caixa e que foi necessária muita insistência para que conseguissem utilizar o espaço. Enquanto formandas em Dança Bacharelado, aquela poderia ser a única oportunidade de se apresentarem no local: “desde o início do curso nos foi dito que, pelo menos, o nosso trabalho de formatura poderia ser apresentado no Caixa, o que não é verdade, porque muitas colegas nossas não conseguiram&nbsp; apresentar no Caixa”, cita a artista.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:image {"id":4117,"sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image size-large"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/10/WhatsApp-Image-2025-06-26-at-17.26.19-1024x682.jpeg" alt="" class="wp-image-4117" /><figcaption class="wp-element-caption">Anna Beatriz Souza e Jéssica da Silva, em sua pré-banca de TCC,  no Teatro Caixa Preta
Foto: Jonathan Maciel
</figcaption></figure>
<!-- /wp:image -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>As dificuldades em reservar o Caixa Preta ao longo do curso também acarretaram&nbsp; em barreiras para montar o espetáculo. Anna Beatriz reforça que idealizar uma obra exclusivamente dentro da sala de aula prejudica o processo de montagem: “a sala de aula não é própria para que a gente pense o espetáculo, [...] porque não tem o tamanho, a estrutura e os elementos necessários para que a gente consiga pensar ou fazer um espetáculo lá dentro”.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>O curso de Dança Licenciatura integrava o CEFD até 2024, o que prejudicava o acesso dos acadêmicos ao Teatro. Assim, espetáculos e coreografias associadas ao curso e às disciplinas eram restritas ao Complexo Didático Artístico (CDA), um espaço não-convencional para pensar dança e performance pois, apesar de pensado para receber apresentações, não segue o formato tradicional de palco italiano - em estilo auditório. Como a caixa cênica do CDA não é pré-montada e tão estruturada , espetáculos no complexo implicam em ter alguém para adaptar a estrutura. </p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Em seis anos de graduação, a egressa do curso de Dança Licenciatura, Esther Ávila, nunca se apresentou no Caixa Preta. Ela reflete que o curso, por ter maior foco na parte pedagógica, não gerava oportunidades de performance por parte dos alunos: “depois de um tempo, eu me sentia só professora. Ser artista já não era mais uma coisa tão importante no curso (...) Mas, para eu estar numa licenciatura em arte, primordialmente, é porque eu sou artista. Porque eu quero estudar arte e fazer arte, para poder ensinar isso também”.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Os estudantes que seguem no curso reforçam as percepções sobre ser artista e o local da dança. Lauren Diel, formanda da Licenciatura em Dança, relata que a mudança de centro evidencia que a transformação na forma como a dança é vista e quais lugares ocupa são fatores determinantes para saber onde ela deve estar. Para a artista, a Dança é um curso das Artes da Cena, como todos os outros, e não uma modalidade de esporte.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

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<figure class="wp-block-image size-large"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/10/DSC_0144-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-4118" /><figcaption class="wp-element-caption">Lauren Diel em apresentação na X Noite da Dança, no Teatro Caixa Preta
Foto: Lucas de Araújo
</figcaption></figure>
<!-- /wp:image -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Segundo o diretor do Centro de Artes e Letras, Gil Negreiros, a transição da licenciatura do CEFD para o CAL é uma correção histórica: “não tem fundamento você abrir dois cursos de Dança e cada curso ficar em um Centro, sendo que a dança é uma arte”. Ele destaca que a Arte não é só diversão e entretenimento, mas sim, objeto de pesquisa. Por isso, a necessidade de fornecer aos estudantes a infraestrutura necessária para potencializar suas pesquisas, seja dentro do Caixa Preta ou em novos espaços.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A direção de centro elucida que o Teatro Caixa Preta tem um grande espaço pedagógico dentro do CAL e é primordial para a formação dos artistas da Universidade. Dessa forma, o Centro pretende reformar outros espaços até o final do ano, a fim de comportar performances e ensaios, como uma forma de aliviar a demanda do Caixa e garantir que todos os discentes possam utilizá-lo durante sua passagem pela UFSM. A retomada do funcionamento do Teatro é um ganho imenso para os estudantes e para a comunidade externa: “o CAL precisa de muitos espaços. O artista precisa do espaço ", destaca Gil. Ao fechar um local artístico-cultural, ele começa a se desmanchar e, para o artista, é essencial estar em cena - e é necessário cuidar do palco como quem cuida da própria casa.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:separator -->
<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity" />
<!-- /wp:separator -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Repórter:<em> Julia Zucchetto</em></p>
<!-- /wp:paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Rádio Universidade Resiste</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2025/10/02/radio-universidade-resiste</link>
				<pubDate>Thu, 02 Oct 2025 16:36:39 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[30ª Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[#ed30]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?p=4106</guid>
						<description><![CDATA[Como a emissora continua em meio ao declíno da AM]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:audio {"id":4114} -->
<figure class="wp-block-audio"><audio controls src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/09/Audio-Site-Revista-.mp3"></audio></figure>
<!-- /wp:audio -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>O rádio alcança semanalmente 80% da população brasileira, segundo a Kantar IBOPE Media, mas enfrenta limitações técnicas: 68% das emissoras utilizam equipamentos com mais de dez anos de uso, de acordo com a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT). Além disso, muitas emissoras AM enfrentam desafios logísticos e financeiros para migrar para a faixa FM, um processo iniciado em 2013 com o Decreto nº 8.139, que visa melhorar a qualidade de áudio e competitividade frente às mídias digitais. A migração exige investimentos em novos equipamentos, pagamento de outorgas (que variam de R$ 8 mil a R$ 4 milhões a depender da cidade e potência) e, em grandes centros, depende da liberação da faixa estendida após o desligamento do sinal analógico de TV, concluído em 2023. Esses custos e a demora na aprovação de projetos pelo Ministério das Comunicações e Anatel dificultam o processo, especialmente para emissoras menores.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>O sistema de Amplitude Modulada (AM) surgiu em 1906 e se consolidou no período pós-Primeira Guerra Mundial, com destaque para o grande alcance do sinal. A Frequência Modulada (FM), que surgiu em 1933 e se consolidou nos anos 1960, trouxe qualidade sonora superior, menos interferência e programação mais variada. Com o tempo, o rádio enfrentou novos desafios trazidos pela televisão, pela internet e pelas plataformas digitais. A sobrevivência do meio passou a depender da reinvenção de sua linguagem e formatos.&nbsp;<br></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Em meio a esse cenário, a Rádio Universidade 800 AM, da UFSM, destaca-se como exemplo de adaptação e compromisso com a comunidade, com operação mantida em AM e alcance ampliado via<em> streaming online</em>. A emissora resiste aos desafios e inova com a transmissão <em>online</em>, que expande sua audiência globalmente. Durante a enchente de maio de 2024, no Rio Grande do Sul, a Rádio Universidade permaneceu no ar enquanto outras mídias sofreram interrupção por falta de infraestrutura digital. O diretor do Núcleo de Rádios da UFSM, Jonathan Ferreira, relembra o período: “A FM ficou fora do ar por 15 dias. Já a AM seguiu no ar e informou a população.” A equipe da universidade organizou uma campanha que arrecadou rádios AM e os distribuiu às comunidades afetadas, o que reforçou sua relevância social.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A UFSM mantém duas emissoras: a Rádio Universidade, inaugurada em 1968, e a UniFM 107.9, lançada em 2017. Ambas desempenham papel relevante na formação universitária e na prestação de serviço público. A Rádio Universidade e a UniFM nasceram com o objetivo de divulgar as atividades da instituição e, conforme estimativa do Núcleo de Rádios da UFSM em 2020, chegou a ultrapassar um milhão de ouvintes. De acordo com dados fornecidos pela direção das Rádios, a Universidade AM alcança 51 cidades da região, enquanto a UniFM cobre cerca de 20 municípios, com audiência aproximada de 480 mil pessoas. A programação educativa, cultural e científica, apoiada por uma equipe multidisciplinar integrada à comunidade acadêmica, consolida a missão pública das emissoras, que transcendem a lógica comercial.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A programação da 800 AM inclui coberturas de vestibulares, congressos, projetos acadêmicos e eventos institucionais, além de conteúdos de cidadania e divulgação científica. “O rádio público não pode ser pensado com lógica comercial. Ele tem que chegar aonde o mercado não tem interesse em ir”, afirma Ferreira. A emissora conta com 10 servidores, entre jornalistas, sonoplastas e programadores, dois operadores terceirizados e bolsistas dos cursos de Jornalismo, &nbsp;Jornalismo, Relações Públicas, Produção Editorial, Engenharia Acústica, Música e Tecnologia.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:image {"id":4108,"width":"1448px","height":"auto","sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/09/Copia-de-IMG_0910-edit-web-1-1024x649.jpg" alt="" class="wp-image-4108" style="width:1448px;height:auto" /></figure>
<!-- /wp:image -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><br></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Ao longo de mais de cinco décadas, a 800 AM passou por diversas mudanças técnicas. Discos e fitas foram substituídos por sistemas digitais por computador, sistema esse que foi ampliado com o surgimento da conexão<em> Wi-Fi</em>. O locutor Roberto Montagner destaca que, com o<em> streaming,</em> a diferença de qualidade entre AM e FM deixa de ser relevante. “Hoje qualquer rádio pode ser ouvida online, de qualquer lugar do mundo”, explica. Embora muitas AM tenham migrado para FM, a 800 AM permanece em sua frequência original. “O grande diferencial do AM é o alcance geográfico. Ele chega a lugares que o FM não alcança, especialmente em regiões remotas”, observa Jonathan<br></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Segundo o site Tudo Rádio, apenas três universidades no Rio Grande do Sul ainda mantêm estações AM: a UFSM, a UFRGS e a UCPel. O Atlas da Notícia de 2023 aponta que mais de 26 milhões de brasileiros vivem em “desertos de notícia” — municípios sem veículos jornalísticos locais. Neste contexto, emissoras universitárias, como a 800 AM desempenham um papel essencial ao oferecer informações de interesse público, programação educativa e cultural, além de dar visibilidade a comunidades negligenciadas pela grande mídia.<br></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>O pesquisador Luiz Arthur Ferraretto, da UFRGS, define em seu artigo científico <em>“Uma proposta de periodização para a história do rádio no Brasil”</em> que o atual momento da radiodifusão é de convergência, em que o rádio expande sua presença em <em>podcasts, streamings e web</em> rádios. Para ele, o futuro do AM dependerá de sua capacidade de adaptação às transformações tecnológicas e culturais. A Rádio Universidade AM mostra que é possível inovar sem abandonar a missão pública que a originou. Seu papel pedagógico, cultural e social sustenta sua relevância, mesmo em meio às ondas da crise.<br><br></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:heading -->
<h2 class="wp-block-heading">Desesrtos de Informação</h2>
<!-- /wp:heading -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Quem vive em um deserto de informação enfrenta uma realidade distante e desconexa com o resto do mundo e até mesmo da sociedade, e são vulneráveis a possíveis desastres socioambientais. Um exemplo claro disso foi durante as enchentes de Maio de 2024 no Rio Grande do Sul que deixou centenas de famílias desabrigadas. Durante a tragédia as pessoas afetadas tinham dificuldade para se informar sobre pontos de coletas de doações e locais de abrigo, pois a energia elétrica foi afetada e a internet instável.<br></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Para tentar mitigar este problema, foi lançado no dia 24 de Março de 2025 o Fundo de Apoio ao Jornalismo (FAJ). A primeira iniciativa no Brasil com o objetivo de apoiar o Jornalismo Local. Foram selecionadas até 15 organizações, que receberam entre R$75 mil e R$150 mil por ano durante três anos. Quem empreendia nesse setor sabe que, embora não fosse uma quantia absurdamente volumosa, esse tipo de recurso tem o potencial de transformar completamente organizações pequenas em veículos profissionais e de qualidade.<br></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:gallery {"linkTo":"none"} -->
<figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped"><!-- wp:image {"id":4110,"sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image size-large"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/09/Copia-de-Flavio-de-Mello-no-primeiro-estudio-Arquivo-Flavio-e-Maria-Elena-de-Mello-Web-1-1024x653.jpg" alt="" class="wp-image-4110" /></figure>
<!-- /wp:image --></figure>
<!-- /wp:gallery -->

<!-- wp:separator -->
<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity" />
<!-- /wp:separator -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Repórteres</strong>: <em>Renan Silveira, Pedro Felipe de Almeida, João Pedro Amaral</em></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Fotos:</strong> <em>Matheus Lanzarin/Acervo Rádios UFSM&nbsp;</em></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p></p>
<!-- /wp:paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Mais que confecção, uma forma de expressão</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2025/09/18/mais-que-confeccao-uma-forma-de-expressao</link>
				<pubDate>Thu, 18 Sep 2025 12:06:11 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[30ª Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?p=4101</guid>
						<description><![CDATA[A técnica do upcycling reúne moda sustentável e autenticidade
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:paragraph -->
<p>Para escutar o áudio da reportagem, clique abaixo:</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:audio {"id":4104} -->
<figure class="wp-block-audio"><audio controls src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/09/Reportagem-em-audio-1.mp3"></audio></figure>
<!-- /wp:audio -->

<!-- wp:image {"id":4102,"sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image size-large"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/09/Imagem-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-4102" /><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Mathias Ilnick</figcaption></figure>
<!-- /wp:image -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Para o senso comum, a moda pode parecer isto mesmo: um sistema superficial, movido pela lógica irracional do consumo. A acadêmica de Artes Visuais da UFSM Dárica Gomes não enxerga assim. “É algo afetivo, emocional, das raízes. É ancestral”, comenta a jovem a respeito de sua relação com o fazer artístico e a confecção de roupas. Ela afirma que a costura é uma forma de se conectar com as origens e alcançar um estilo único.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Além de estudante, Dárica é uma das colaboradoras do <a href="https://www.instagram.com/brechapenas/">Brechó Apenas</a>, um empreendimento coletivo que expõe seu acervo, geralmente, no brique da Vila Belga e no <em>hall </em>do Restaurante Universitário I (RU I). O espaço de convivência do RU é casa para muitos outros negócios, organizados, inclusive, pelos próprios estudantes. Para expor, nenhum acordo é necessário; o Brechó Apenas, por exemplo, somente se instala e põe à venda peças de garimpo e de fabricação própria - muitas delas, com o uso do <em>upcycling</em>.</p>
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<p>Trata-se não apenas de uma técnica, mas da “epítome da autenticidade”, como descreve Pedro Ivo Vieira, idealizador do <a href="https://www.instagram.com/relancebrecho/">Relance Brechó</a>. O <em>upcycling</em> é uma abordagem sustentável na qual materiais que seriam descartados são transformados em novos produtos. Diferente da reciclagem tradicional, não há decomposição de matéria - o novo produto é criado a partir do velho, sem destruir sua forma original. No universo da moda, o <em>upcycling</em> acontece com recortes, costuras, pinturas e outras personalizações que dão continuidade à história das peças.&nbsp;</p>
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<p><em>No Perspectiv</em> é o nome dado pelo relações públicas formado pela UFSM Brenner Barbosa à linha de peças sustentáveis produzida para seu Trabalho de Conclusão de Curso. As roupas, inspiradas nos estilos <em>Y2K</em>, <em>Clubber Punk</em> e <em>Hip-Hop</em>, foram produzidas a partir da reutilização de aparatos encontrados em pequenos bazares, todos bastante gastos e com avarias. Barbosa define-as como peças que atingiram o seu ciclo máximo na visão comercial.&nbsp;</p>
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<p>O projeto, acompanhado de uma série de vídeos e fotografias, simboliza o que o profissional de Relações Públicas descreveu como a falta de perspectiva para encontrar sua visão de mundo dentro de Santa Maria. Os artistas visuais Leo Penna e Rayssa Barcelos, amigos de Brenner, foram responsáveis pela tradução desses sentimentos nas peças ao trabalharem com estamparias que cobriam os rasgos das roupas originais. “Foi uma ligação de relações que eu tive durante a minha graduação, que diziam respeito às coisas que eu era e que eu sou”, explica.</p>
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<p>Muito mais que uma iniciativa sustentável para a indústria têxtil - visto que o setor é responsável por, aproximadamente, <a href="https://www.ellenmacarthurfoundation.org/a-new-textiles-economy">2% a 8% das emissões globais de gases de efeito estufa</a>, segundo estudo de 2017 da <em>Ellen MacArthur Foundation</em> -, o <em>upcycling </em>se mostra, também, uma maneira singular de expressão pessoal. Para Brenner, a técnica ressignifica algo criado por outra pessoa e produzido em larga escala. Ele acrescenta: “você revive uma coisa que poderia estar morta. Você transmite a sua realidade, a sua verdade, os seus consumos, as coisas em que você acredita”.</p>
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<p><strong>Sustentabilidade ainda não é tendência</strong></p>
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<p>Mesmo que velados, estigmas relacionados ao mercado da moda sustentável ainda persistem. Em questionário realizado de forma <em>on-line</em> com 62 estudantes da UFSM, 25% informaram que não costumam comprar roupas em brechós. Dárica, do Brechó Apenas, ratifica o dado: “muitas vezes, a gente recebe críticas do tipo: ‘olha ali, aquele pessoal comprando roupa velha’”.&nbsp;</p>
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<p>O Relance Brechó, empreendimento inaugurado em Santa Maria no ano de 2021 e atualmente localizado no bairro Botafogo, no Rio de Janeiro, faz sucesso com o público carioca - mas não foi assim em todos os lugares por onde passou. Pedro Ivo percebe, desde a mudança, uma “diferença gritante” no interesse dos gaúchos e dos cariocas por moda sustentável. Segundo seu relato, os compradores da cidade maravilhosa deteriam maior poder aquisitivo, fator que incentiva a valorização de seu trabalho e das roupas comercializadas.</p>
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<p>O fato é que a moda sustentável - nisso, inclui-se a técnica de reciclagem têxtil - ainda não faz parte da corrente de consumo cultural dominante. Para entusiastas da temática, “o <em>upcycling</em>, realmente, é o futuro”, como manifestou Pedro Ivo. Essa opinião é reiterada não só pelos artistas independentes, mas por grandes nomes da indústria como a estilista britânica Vivienne Westwood. Ela costumava dizer que o único efeito possível que alguém pode ter no mundo é por meio de ideias impopulares.</p>
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<hr />
<p><strong><em>Repórteres:</em></strong> Camille Moraes e Pedro Gonçalves</p>
<p><strong><em>Contato:</em> </strong>camille.moraes@acad.ufsm.br/ pedro.marion@acad.ufsm.br</p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>A Luta das Mulheres no Esporte Universitário</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2025/09/12/a-luta-das-mulheres-no-esporte-universitario</link>
				<pubDate>Fri, 12 Sep 2025 17:05:51 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[30ª Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Esporte]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[ed30]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[UFSM]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?p=4096</guid>
						<description><![CDATA[Atletas enfrentam falta de estrutura, invisibilidade e desigualdade de gênero.]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:paragraph -->
<p>Para escutar o áudio da reportagem, clique abaixo:</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:audio {"id":4097} -->
<figure class="wp-block-audio"><audio controls src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/09/TXT-Audio.mp3"></audio></figure>
<!-- /wp:audio -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A quadra pode parecer um lugar democrático: quem tem talento, joga. No entanto, para as mulheres, esse caminho é repleto de obstáculos. Na UFSM, os times femininos enfrentam muito mais do que adversárias, lidam com estruturas precárias, preconceitos e, muitas vezes, com o silêncio institucional.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A técnica do Handebol Feminino da UFSM, Ysadora Freitas, afirma que é necessário ter postura e conduta para conquistar respeito. Com mais de 10 anos de experiência como atleta e agora como treinadora, ela fala com propriedade sobre o que é liderar uma equipe em um ambiente ainda marcado pela desigualdade. “Já vivi o machismo na pele, em diferentes contextos. Quando sou a única mulher em reuniões técnicas ou em competições, a postura das pessoas muda”, expõe. Ysadora conta que hoje consegue lidar melhor com essas situações, pois há homens que a auxiliam na beira da quadra. “Eles me ajudam a fazer os outros me escutarem.” O relato mostra uma realidade recorrente entre mulheres do esporte: é preciso provar o tempo todo que o trabalho desenvolvido é sério.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A mesma sensação aparece nas falas das jogadoras. “A gente tem que espernear, gritar, para ter um reconhecimento que no masculino é básico, algo normal”, relata a atleta da equipe UFSM/Dallas Futsal, Elizabeth Amaral Neves. Mesmo com um histórico de conquistas tão relevante quanto o masculino, o time feminino ainda enfrenta desafios relacionados à visibilidade e valorização. Atualmente, composto por metade das atletas da universidade e metade de fora, a diversidade enriquece o elenco, mas também torna difícil conciliar horários de treino com o calendário acadêmico. “Semana de prova, aula à noite, projetos… tudo interfere”, comenta Elizabeth.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Falta estrutura básica. As atletas de Futsal relatam que um dos ginásios não tem condições adequadas para sediar jogos, e, quando chove, a umidade impossibilita o treino. Além disso, embora haja apoio de fisioterapeutas, o time ainda carece de nutricionistas e psicólogos. A jogadora ainda afirma: “A gente tem o curso de Nutrição na universidade, mas não consegue trazer esses alunos para o projeto. A maioria prefere atuar com os meninos.”</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Para as jogadoras do Voleibol UFSM, Caroline Cipolatto e Lívia Lese, o esporte feminino tem recebido mais apoio nos últimos anos, mas ainda há diferenças claras de tratamento por gênero. “A gente ia para torneios em que o feminino era deixado para jogar no domingo, enquanto o masculino podia escolher entre sábado e domingo. Até hoje, a premiação é o que mais mostra essa diferença”, conta Caroline. Lívia cita a lista de 100 atletas mais bem pagos do mundo, divulgada pelo site <em>Sportico</em>: “Todos são homens. Não sei quando vai aparecer uma mulher nessa lista. É uma luta.”&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A representatividade feminina nas comissões técnicas é uma conquista. “Eu gosto de ver a mulher em posição de comando”, diz Caroline. O projeto Voleibol conta com uma comissão técnica formada majoritariamente por mulheres - treinadora, auxiliar, preparadora física e fisioterapeuta - além do apoio de professoras da Educação Física, Nutrição e Medicina da UFSM.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A equipe de Basquete feminino da UFSM também enfrenta dificuldades. O time nasceu em 2022 quando algumas atletas foram convidadas a disputar um campeonato 3x3 no Ceará. Sem equipe técnica e com um grupo pequeno, elas jogaram contra adversários experientes e voltaram com o título dos Jogos Universitários Brasileiros (JUBs) . Ali começava a construção de uma equipe que hoje representa o estado na Liga Gaúcha e no JUBs. Assim como no futsal, a rotina também não é fácil. Entre treinos à noite, aulas durante o dia e infraestrutura limitada, as atletas se dividem para manter o sonho vivo. Das quatro quadras disponíveis na universidade, apenas uma possui medidas e tabela oficiais para o basquete.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A capitã do time de basquete, Evelyn Spengler,&nbsp; rompeu o ligamento cruzado anterior (LCA) do joelho em novembro de 2024, durante os Jogos Interatléticas de Santa Maria (JISM). Em dezembro, passou por cirurgia e desde então vive o desafio da recuperação e do afastamento temporário. “A parte mais difícil é não poder jogar. Não poder estar ali com as gurias, não ajudar como ajudava antes.” Ela é formada em Fisioterapia, cursa Educação Física e organiza sua vida em torno do esporte. “Já deixei de ir a aniversário para estar no treino. Meu foco sempre foi: primeiro o treino, depois os outros afazeres.” Hoje, ela apoia e incentiva a equipe de fora da quadra, enquanto treina individualmente.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Evelyn lamenta a ausência de categorias de base no basquete em Santa Maria e no estado, e aponta a falta de incentivo desde a escola como um dos principais entraves para que mais meninas se interessem pela modalidade. Para ela, embora a visibilidade do esporte feminino universitário tenha crescido, a falta de divulgação e investimento ainda desmotiva muitas atletas. “Se não tem renda com o esporte, a mulher tem que trabalhar. Aí muitas desistem, mesmo com talento. Quantas ‘Martas’ já não foram perdidas por isso?”, questiona. A desigualdade de tratamento e visibilidade é a maior barreira, segundo a jogadora,. Enquanto o masculino é impulsionado por mídia e lucro, no feminino é preciso lutar todos os dias apenas para ser vista.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Na UFSM, a estrutura oferecida ao time de basquete também é limitada, e o espaço é disputado pelas demais modalidades como&nbsp; futsal e handebol, o que obriga o grupo a treinar em quadras menores, em horários alternativos, geralmente à noite. “Às vezes começamos às oito e terminamos depois das dez da noite, porque é o único horário possível. A maioria das gurias tem aula, estágio, trabalho… e mesmo assim, seguem firmes”, explica Evelyn.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>O apoio da Universidade é importante, mas ainda insuficiente. A UFSM oferece materiais de treino, acesso à academia e, quando possível, transporte para competições. No entanto, quando se trata dos Jogos Universitários Brasileiros (JUBs), por exemplo, o suporte vem do Governo do Estado Rio Grande do Sul através da Secretaria de Esporte e Lazer (SEL), que garante transporte aéreo, além de todo suporte logístico durante a realização dos jogos.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:image {"id":4100,"width":"806px","height":"auto","sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/09/Clara-e-Jaine-Foto-1-Imp-683x1024.jpg" alt="Fotografia vertical e colorida de um ginásio poliesportivo vazio à noite, iluminado por luzes artificiais. No chão, há linhas brancas que delimitam as áreas destinadas a diferentes modalidades esportivas, nas cores azul e laranja. Ao fundo, há uma goleira de estrutura de ferro nas cores vermelho e branco. Acima dela, há uma estrutura de cesta de basquete na cor branca com marcações pretas e, mais acima, a presença de um placar eletrônico. A estrutura de ferro do teto está exposta e há diversas lâmpadas de led fixadas nela, além de uma cesta de basquete. Ao fundo, paredes de tijolos à vista na cor marrom-claro com alguns detalhes em azul. Há janelas de vidro com esquadrias claras que mostram o lado de fora do ginásio, completamente escuro." class="wp-image-4100" style="width:806px;height:auto" /><figcaption class="wp-element-caption">Ginásio poliesportivo</figcaption></figure>
<!-- /wp:image -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Ser vista também é vencer</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Os relatos revelam que o esporte universitário feminino vai muito além da competição. Funciona também como espaço de resistência, onde mulheres enfrentam diariamente a falta de estrutura, o machismo e a invisibilidade. Ainda assim, seguem firme, treinam, competem e abrem caminhos para que outras mulheres ocupem esse lugar. A busca por igualdade atravessa tanto a quadra quanto a vida fora dela. Vencer, nesse contexto, é também ser reconhecida, ser vista, ser valorizada.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:separator -->
<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity" />
<!-- /wp:separator -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Reportagem: </strong><em>Jaíne Cristofari e Clara Basso</em></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Contato: </strong>jainecristofari@gmail.com / claraantonelobasso2006@gmail.com</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p></p>
<!-- /wp:paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>O Peso da Rotina</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2025/09/05/o-peso-da-rotina</link>
				<pubDate>Fri, 05 Sep 2025 18:12:32 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[30ª Edição]]></category>
		<category><![CDATA[comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[ed30]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[rotina]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?p=4090</guid>
						<description><![CDATA[Como os universitários buscam equilíbrio entre a rotina possível e o modelo Instagramável. 
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:audio {"id":4094} -->
<figure class="wp-block-audio"><audio controls src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/09/audio.mp3"></audio></figure>
<!-- /wp:audio -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Segundo o dicionário Aurélio, rotina é um substantivo feminino que significa a sequência de ações, algo que se faz todos os dias da mesma forma. A rotina pode ser usada com o objetivo de resolver problemas recorrentes e alcançar resultados. Elas são como regras que reduzem a incerteza e coordenam atividades, conforme explicado no artigo <a href="https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/rbi/article/view/8649013/15562"><em>Rotinas – Uma Revisão Teórica</em></a> da professora Rosiléia Milagres da Universidade Estadual de Campinas, publicado na <a href="https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/rbi/index">Revista Brasileira de Inovação</a>, da mesma universidade.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>&nbsp;Com o passar dos anos, as redes sociais digitais tornaram-se cada vez mais presentes no cotidiano das pessoas, era de se esperar que elas se relacionassem com suas rotinas, o que influencia diretamente na organização do dia a dia dos usuários. Rotina de produção, de estudos, de exercícios, independente do objetivo, ela está presente na vida das pessoas há muito tempo. A organização é uma aliada quando supre as necessidades cotidianas, mas pode ser&nbsp; vilã, se idealizada.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>&nbsp;O psicólogo, mestre em psicologia social da personalidade, Renato Favarin dos Santos, explica a ação da rotina na saúde das pessoas. Renato trabalha na Coordenadoria de Ações Educacionais (CAED), na Subdivisão de Educação e Saúde, onde ajuda os estudantes a lidarem com o processo de formação acadêmica. Ele explicou que, na maioria dos casos, em que seus pacientes relatam estresse e ansiedade com as tarefas da universidade, pode-se perceber um problema em relação à rotina.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Para um dia produtivo, o psicólogo orienta que uma boa noite de sono, boa alimentação e momentos de lazer são indispensáveis para conseguir cumprir as tarefas do dia. A rotina não é sempre absoluta e regrada, como sua definição teórica indica, e&nbsp; Renato alerta que ela pode ser uma geradora de sofrimento e angústia. “Alguns chegam aqui já sabedores de que a rotina é importante, mas com uma ideia de ‘rotina ideal’, que hoje em dia está muito em alta na internet, “ disse o psicólogo sobre os relatos dos estudantes.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Ainda na área da Psicologia, o psicanalista Sigmund Freud explica o conceito&nbsp; do “princípio do prazer”, que é quando a mente busca uma gratificação imediata, sensação de controle, ordem e segurança. A rotina pode ser entendida a partir disso, por conta da sensação de dever cumprido das tarefas estipuladas para o dia. Com base nos estudos de Freud, a teoria da compulsão explica que, a repetição se torna um padrão automático, que auxilia no controle da ansiedade.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>No entanto, a ideia de “rotina ideal” não surge por acaso. Ela é, muitas vezes, moldada por discursos, imagens e vídeos que circulam nas redes sociais digitais, onde os influenciadores digitais transformam seu dia a dia em conteúdo altamente editado, esteticamente atraente e até mesmo comercial. Foi o que apontaram os professores e pesquisadores Vinicius Kenji Shimazaki e Márcia Matos Pinto da Faculdade de Tecnologia do Estado de São Paulo (FATEC), ao analisar em seu artigo, <a href="https://fatecscs.edu.br/fascitech/index.php/cover/article/view/56/56"><em>A influência das redes sociais na vida dos seres humanos</em></a> como as novas tecnologias vêm reconfigurando identidades, comportamentos e o modo de viver da sociedade na era digital. O texto mostra que o modo como as pessoas constroem e compartilham suas vidas nas redes digitais não só altera a percepção que as pessoas têm de si mesmas, mas também a forma como os outros passam a entender e, na maioria das vezes, idealizar o que é uma “vida organizada” ou “produtiva”.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Nos meios digitais, a rotina deixa de ser apenas uma ferramenta pessoal de organização e passa a ocupar o lugar das aparências. Diante disso, tarefas habituais como acordar cedo, estudar ou até mesmo preparar uma refeição são exibidas com filtros, tornam-se o exemplo de modelo a ser seguido.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>O problema desse tipo de exposição é que ele tende a esconder os fracassos, a desorganização e o cansaço, que também fazem parte da vida, o que, como abordado anteriormente, cria um padrão de rotina idealizada e inalcançável. A repetição desse modelo nas plataformas digitais reforça um imaginário coletivo de que existe uma maneira específica de viver bem, estudar melhor e ser mais eficiente, mas na prática essa “rotina perfeita” não é coerente com a realidade da maioria das pessoas.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Por meio de um formulário on-line disponibilizado no período de um mês, durante o primeiro semestre do ano, buscou-se compreender como os estudantes da UFSM lidam com a rotina, como a organizam, o que pensam sobre ela e onde consomem conteúdos relacionados ao tema. O questionário foi respondido por 37 alunos de diferentes idades, gêneros, cursos e centros de ensino da Universidade. A maioria afirmou ter algum tipo de rotina, embora ela não seja fixa, variando conforme a disponibilidade de tempo. Em geral, a organização diária é feita a partir dos horários das aulas. Poucos citaram práticas adicionais. Apenas um aluno demonstrou preocupação em dormir cedo, outro mencionou a inclusão de esportes, e nenhum relatou dedicar tempo específico ao lazer.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Em relação às redes sociais digitais, metade dos participantes relatou ver com frequência, em sua <em>“for you”</em> (para você) do Instagram, vídeos sobre rotina. No entanto, afirmam que não se inspiram nesse tipo de conteúdo. Para organizar o dia a dia, alguns acadêmicos disseram utilizar métodos de gerenciamento de tempo de estudo como a técnica pomodoro (técnica de gestão de tempo que divide o trabalho em pequenos intervalos) e ferramentas de organização como Google Agenda ou <em>Notion. </em>Também destacaram que mudar de ambiente contribui para a concentração, por isso preferem estudar em espaços mais reservados, como bibliotecas, laboratórios e outros ambientes da própria Universidade. Embora a maioria descreva a rotina de forma positiva, muitos admitem ter dificuldade em mantê-la.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Diante de tantas possibilidades, expectativas e modelos compartilhados diariamente nas redes sociais digitais, é importante lembrar que a rotina ideal não tem a obrigação de ser bonita ou produtiva aos olhos dos outros. Como reforça o psicólogo Renato, cada rotina é única e precisa ser construída de forma coerente com a própria realidade. A pesquisa dos professores Vinicius e Márcia também mostra que a rotina deve ser uma aliada, um recurso para organizar a vida, e não um padrão idealizado. No fim das contas, talvez o mais importante seja entender que, longe dos filtros e das plataformas digitais, a rotina não é, e não precisa ser perfeita, só precisa ser possível.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:heading -->
<h2 class="wp-block-heading">Entre vídeos e pausas: Um jeito real de viver a rotina</h2>
<!-- /wp:heading -->

<!-- wp:image {"id":4091,"width":"862px","height":"auto","sizeSlug":"large","linkDestination":"none","align":"center"} -->
<figure class="wp-block-image aligncenter size-large is-resized"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/09/Copia-de-329-Sem-Titulo_20250702161355-1024x1024.jpg" alt="" class="wp-image-4091" style="width:862px;height:auto" /><figcaption class="wp-element-caption">Ilustração de Roberta, estudante de Farmácia. Ilustração: Ana Rebeca Ramos Machado <br></figcaption></figure>
<!-- /wp:image -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Às 6h30 da manhã, Roberta Marchesan já está de pé. Mesmo depois de dormir tarde estudando para alguma prova, ela se levanta, prepara um café e começa mais um dia de aulas, estágios, gravações e organização. Estudante de Farmácia na Universidade Federal de Santa Maria, Roberta faz parte de um grupo crescente de universitários que dividem sua rotina com seus seguidores nas redes sociais.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Estudante do sétimo semestre, Roberta começou a postar vídeos ainda no ensino médio, compartilhando muitos de seus resumos, a pedido de alguns colegas. O perfil cresceu aos poucos, virou companhia durante a pandemia e hoje atrai seguidores interessados em organização, dicas acadêmicas e reflexões sobre saúde mental. Seus seguidores, em sua maioria mulheres também da área da saúde, acompanham dicas sobre a faculdade, momentos do dia e reflexões sobre autoestima. Ela diz que a organização a ajuda a ter clareza sobre como está se sentindo, que se vê tudo muito "carregado", tenta aliviar no decorrer dos dias.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Apesar da organização, Roberta não compartilha uma rotina perfeita. Pelo contrário, se preocupa em mostrar que dias difíceis também existem. “Não gosto de vender uma vida que não vivo. Gosto de influenciar, mas com realismo", explica. Para ela, os vídeos que romantizam produtividade extrema podem gerar frustração. Por isso, escolhe compartilhar o que faz sentido para si, mesmo que isso signifique cortar uma parte do vídeo que a deixou desconfortável.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Quando o relógio marca 23h, Roberta finalmente encerra o dia. A rotina pode até começar cedo, mas não precisa seguir o roteiro de ninguém, apenas o dela.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:separator -->
<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity" />
<!-- /wp:separator -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Repórteres:</strong><em> Fabiola Nicoletti e Matheus Bernardes</em></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Contato: </strong><em><strong>&nbsp;</strong><a href="mailto:fabiola.nicoletti@acad.ufsm.br">fabiola.nicoletti@acad.ufsm.br</a>/ <a href="mailto:matheus.bernardes@acad.ufsm.br">matheus.bernardes@acad.ufsm.br</a>&nbsp;</em><br></p>
<!-- /wp:paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Um refúgio para os animais</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2025/08/28/um-refugio-para-os-animais</link>
				<pubDate>Thu, 28 Aug 2025 15:35:04 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[30ª Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[ed30]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?p=4079</guid>
						<description><![CDATA[Animais silvestres da UFSM se adaptam à urbanização do Campus.
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:paragraph -->
<p>Para escutar o áudio da reportagem, clique abaixo:</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:audio {"id":4081} -->
<figure class="wp-block-audio"><audio controls src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/08/audioreportagem-1.mp3"></audio></figure>
<!-- /wp:audio -->

<!-- wp:image {"id":4088,"sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image size-large"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/08/IMG_0019-1-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-4088" /></figure>
<!-- /wp:image -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Enquanto alunos circulam entre prédios e laboratórios no Campus da UFSM, animais silvestres enfrentam obstáculos diários para sobreviver. O espaço, que antes era território livre para a fauna local, foi ocupado por calçadas, prédios e vias asfaltadas. Mesmo em meio ao concreto, seriemas, ouriços, bugios, pererecas e até lontras continuam a habitar a área universitária — invisíveis para muitos, mas essenciais para o equilíbrio ecológico.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A área da UFSM já era habitat natural de diversas espécies de aves, mamíferos, répteis e anfíbios. Como destaca o doutor em Zoologia e docente no Departamento de Ecologia e Evolução da UFSM, Tiago Gomes dos Santos, : “fomos nós que invadimos o território deles”. A presença humana acarreta em diferentes respostas da fauna local, algumas espécies abandonaram o local, outras passaram a viver discretamente em fragmentos verdes e um terceiro grupo se adaptou ao novo cenário urbano.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Entre as espécies adaptadas estão lagartixas, roedores silvestres e aves generalistas — que se alimentam de diferentes tipos de alimentos, tanto de origem animal quanto vegetal. Animais como as seriemas, que se tornaram figuras emblemáticas do Campus, caminham entre gramados, mesmo em contato direto com humanos. Animais que não são facilmente vistos também desempenham funções importantes, como controle de insetos, dispersão de sementes e polinização. Sua presença indica que o ecossistema original do pampa gaúcho, que, mesmo fragmentado, ainda resiste.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:image {"id":4086,"sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image size-large"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/08/Seriemas-Paulo-Barauna-1024x683.jpeg" alt="seriemas
Fotografia horizontal, colorida em plano médio de duas seriemas que caminham sobre um campo gramado durante uma chuva leve. À direita, em está  uma das seriemas. Suas penas estão visivelmente úmidas por conta da chuva. À esquerda, um pouco mais para trás e levemente desfocada, está a outra seriema. Ambas estão voltadas para a direita e possuem coloração acinzentada, pernas longas alaranjadas e bicos na mesma cor. O chão está coberto por grama verde-clara e pequenas folhas amarelas espalhadas. Ao fundo, observa-se um campo aberto com montes de terra e areia, troncos de árvores e uma faixa escura de vegetação densa. O céu está nublado e a luz é natural.

" class="wp-image-4086" /><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Paulo Barauna</figcaption></figure>
<!-- /wp:image -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A expansão territorial resultou na eliminação de áreas úmidas, essenciais à reprodução de anfíbios. Sapos e pererecas, por exemplo, são obrigados a cruzar ruas e avenidas para chegar até poças ou açudes, onde ficam vulneráveis ao calor do asfalto, à desidratação e a atropelamentos. Monitoramentos feitos por estudantes de Zootecnia, coordenados por Tiago, já identificaram diversas mortes nos arredores do Jardim Botânico: “A gente monitorou por um ano os atropelamentos de fauna de vertebrados em vários pontos aqui do Campus e um desses é perto do Jardim Botânico. Encontramos vários animais que estavam se deslocando possivelmente para a poça atropelados ali”.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:image {"id":4087,"sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image size-large"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/08/IMGP2150-1024x683.jpg" alt="Cobra coral-falsa
Fotografia horizontal, colorida e em primeiro plano de uma serpente. A pele do animal possui as cores preto, vermelho e branco, dispostas em faixas alternadas diagonais. No centro da imagem, a cabeça está voltada para a direita, levemente elevada e os olhos são redondos e escuros. O corpo está enrolado sobre palha seca em tons amarelados e verde-escuros. O registro foi feito com iluminação natural.
" class="wp-image-4087" /></figure>
<!-- /wp:image -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>O impacto vai além: A fragmentação dos habitats compromete a conectividade ecológica e dificulta o deslocamento seguro da fauna, o que afeta a diversidade genética e aumenta o estresse dos animais. Mesmo espécies mais adaptadas como algumas aves urbanas, enfrentam dificuldades causadas pela presença de veículos, excesso de iluminação artificial e pela perda de locais seguros para construírem seus ninhos. Casos como o de um jacaré encontrado em um dos açudes do Laboratório de Piscicultura da UFSM mostram que os animais persistem em se manter no espaço — mas muitas vezes sua permanência depende da sorte.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Além dos desafios estruturais, os animais também lidam com reações humanas hostis ao encontrar animais silvestres “é comum que alguém veja um ouriço e entre em pânico, preocupado com seu cachorro, sem perceber a importância ecológica do animal”, afirma a doutora em Zoologia e docente do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da UFSM Marilise Krügel . Cobras são outro exemplo: mesmo as não peçonhentas são frequentemente mortas por impulso. Segundo o doutor em Zoologia e professor no curso de Medicina Veterinária do Departamento de Ecologia e Evolução da UFSM, Nilton Caceres, a raiz do problema está na falta de educação ambiental. Sem informação adequada, comportamentos como alimentar seriemas ou tentar "amansar" animais silvestres tornam-se comuns, o que interfere nos instintos naturais das espécies.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A invisibilidade de anfíbios, répteis e roedores também revela uma hierarquia de empatia. Enquanto aves e mamíferos despertam mais simpatia, anfíbios, répteis e roedores são frequentemente ignorados ou exterminados sem protesto. Contudo, todos exercem papéis cruciais nos ciclos ecológicos locais. As enchentes que atingiram o Campus em maio de 2024 também deixaram marcas na fauna local. Canais transbordaram e trilhas foram inundadas e animais que vivem próximos à água, como anfíbios, roedores, além de aves de solo, como quero-queros e seriemas, foram afetados e muitos não conseguiram escapar. Além disso, a água represada ou poluída compromete&nbsp; a qualidade dos habitats.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Registros de animais como lontras em áreas degradadas mostram que, mesmo diante da adversidade, a fauna tenta resistir. No entanto, de acordo com o professor Tiago, essa resistência tem limites: a ausência de planejamento urbano e políticas ambientais estruturadas agrava a situação e força os animais a ocupar espaços cada vez mais hostis. Com o objetivo de aproximar a comunidade universitária da fauna do Campus, docentes dos departamentos de Engenharia Rural, Engenharia Sanitária e Ambiental e alunos do curso de Redes de Computadores desenvolveram o aplicativo eFauna UFSM. Lançado em 2024, o aplicativo permite que qualquer pessoa registre a presença de animais na UFSM. Os dados são georreferenciados e formam um mapa vivo da biodiversidade do local.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>O objetivo vai além do monitoramento: O aplicativo busca educar, gerar empatia e reforçar a percepção de que os animais fazem parte do cotidiano do Campus. “Queremos que as pessoas tirem os fones e escutem o ambiente”, afirma a professora Marilise. A ferramenta também fornece informações detalhadas sobre as espécies e promove a desconstrução de mitos e uma convivência mais consciente.<br></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:image {"id":4082} -->
<figure class="wp-block-image"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/08/AD_4nXfcqBe-x7DONHlH7uKx1zdD87yAVi1Xmk1MpA2cpRhFniNOnIMr-ynffQrf2X36nTCh25wlNOO96RWmlgvlPNWVjUExNoNTGAjQ6oMWmlH6UpIh7KXCdxxY-rDtO-qL5UKvfphoUW5yPMWX2iks6w.jpg" alt="" class="wp-image-4082" /><figcaption class="wp-element-caption">Gráfico: Felipe Trost | Dados: Aplicativo Efauna</figcaption></figure>
<!-- /wp:image -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>O projeto também está no <a href="http://instagram.com/efaunaufsm"><em>Instagram</em></a> (@efaunaufsm), e incentiva a participação de estudantes e voluntários interessados em biologia, comunicação e ciência cidadã. Embora haja iniciativas pontuais, como o eFauna e monitoramentos de atropelamentos, não existe um plano de manejo ambiental amplo na UFSM. Segundo Tiago, medidas como instalação de passagens subterrâneas, redutores de velocidade, corredores verdes e campanhas educativas poderiam reduzir significativamente os conflitos entre pessoas e animais: “claro, a efetividade dessas medidas é bastante variável, depende do ambiente e das espécies que estão ali, mas acho que vale a tentativa de sugerir e testar essas medidas”, explica.<br>O docente Nilton Caceres defende ações contínuas de educação ambiental, que incluiriam desde orientações para calouros até sinalizações específicas. Mais do que ações isoladas, o que se busca é uma mudança de práticas e perspectivas — uma universidade que não apenas conviva com a fauna, mas a reconheça como parte de sua identidade.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

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<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity" />
<!-- /wp:separator -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Repórteres: Felipe Trost e Luana Pereira</p>
<!-- /wp:paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Do interior do Brasil ao cosmos</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2025/08/21/do-interior-do-brasil-ao-cosmos</link>
				<pubDate>Thu, 21 Aug 2025 21:50:35 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[30ª Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Paralelo]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[ed30]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?p=4075</guid>
						<description><![CDATA[UFSM na reinvenção descolonial da arte tecnológica 

]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:paragraph -->
<p>Para escutar o áudio da reportagem, clique abaixo:</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:audio {"id":4076} -->
<figure class="wp-block-audio"><audio controls src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/08/audioreportagem_Lavinia.mp3"></audio></figure>
<!-- /wp:audio -->

<!-- wp:image {"id":4078,"sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image size-large"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/08/Imagem_Laviniasite-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-4078" /><figcaption class="wp-element-caption">Planetário da UFSM | Fotografia: Lavínia Coradini</figcaption></figure>
<!-- /wp:image -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Dentro da cúpula do planetário da UFSM, o que se projeta e experimenta ultrapassa os limites da Astronomia. Imagens criadas com inteligência artificial, sons, cheiros e sensores de movimento formam experiências que acionam o corpo, o espaço e a memória. A proposta envolve tecnologia, mas também sensação, expressão e política.&nbsp;|</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>É dessa união entre arte, ciência e espiritualidade que nasce o projeto Ambientes Imersivos, Interativos e Inteligentes em Rede (AIR). Criado pela professora do curso de Artes Visuais Andréia Machado Oliveira, o AIR transforma o planetário em um espaço de escuta e presença. Nesse processo busca-se outras formas de narrar o mundo e o cosmos, romper com estruturas convencionais e explorar linguagens sensoriais, corporais e imersivas — sons, imagens, aromas e movimentos, que dialogam com a memória, a experiência e o território.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A abordagem emerge a partir do Sul, e valoriza saberes locais, ao invés de seguir modelos externos: queremos estimular um modo de pensar que inclua o corpo e o espaço em que se vive, não apenas a lógica dominante”, afirma Andréia.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Nessa iniciativa, o planetário deixa de ser uma estrutura voltada apenas para observação espacial e se transforma em um território. Para o arquiteto e integrante do projeto Matheus Moreno, o local propõe outra forma de relação com o céu. A ideia é reconhecer o cosmos como algo próximo, ligado à existência e à experiência.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>O AIR também levanta questões sobre os modelos presentes nas tecnologias, sobretudo na inteligência artificial. Instalações como <em>Quantum of Humanities e Cyberfaces </em>mostram como os sistemas de dados reproduzem padrões visuais e sonoros eurocentrados, mesmo quando tentam representar outras populações. Em resposta, o projeto cria bancos de dados próprios, com materiais de museus da África e da América Latina, e dá a esses acervos um papel ativo na criação: queremos que os dados façam parte do lugar e da história, não sejam apenas arquivos desconectados”, reforça Andréia.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Essa perspectiva se articula com a ideia de cosmoceno: encontro entre diferentes formas de conhecimento, vindas da ciência, da tradição e da relação com a terra. A tecnologia se entrelaça com o corpo, ritmos, cheiros e imagens que guardam memória.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Mais do que apresentar tecnologias, o projeto propõe novos usos para elas. Ao integrar realidade virtual, ambientes digitais e inteligência artificial com acesso ampliado, o AIR cria experiências que despertam sentidos e convida à reflexão. As formas de interação e envolvimento já transformam práticas de comunicação e aprendizado, embora também tragam o risco de nos afastarmos do mundo físico e das referências que sustentam a vida.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Em 2025, o AIR participará de uma mostra com planetários do Brasil e da África do Sul. A proposta busca fortalecer a presença do Sul global na criação de soluções estéticas, educativas e tecnológicas que considerem o contexto, o ambiente e as múltiplas vozes que compõem o mundo. Quando o planetário se transforma em território e o céu é escutado como parte da experiência humana, a arte deixa de apenas imaginar o futuro e passa a disputá-lo — com imagens, presença e ancestralidade.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:separator -->
<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity" />
<!-- /wp:separator -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Repórter: </strong><em>Lavínia Coradini</em></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Contato: </strong><em> coradini.lavinia@acad.ufsm.br</em><br><br><br><br><br><br><br><br><br><br></p>
<!-- /wp:paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Chegamos à 30ª edição!</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2025/08/20/chegamos-a-30a-edicao</link>
				<pubDate>Thu, 21 Aug 2025 02:49:34 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[30ª Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Editorial]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[ed30]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?p=4072</guid>
						<description><![CDATA[Para escutar o conteúdo do editorial, clique abaixo: A .TXT chega a sua 30ª edição em seus 17 anos de existência. A revista-laboratório tem se consolidado no âmbito universitário brasileiro como uma das poucas publicações na área de Jornalismo que mantém sua versão impressa. Todos/as participam das fases de produção &#8211; da sugestão de pauta, [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:paragraph -->
<p>Para escutar o conteúdo do editorial, clique abaixo:</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:audio {"id":4073} -->
<figure class="wp-block-audio"><audio controls src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/08/editorial.mp3"></audio></figure>
<!-- /wp:audio -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A .TXT chega a sua 30ª edição em seus 17 anos de existência. A revista-laboratório tem se consolidado no âmbito universitário brasileiro como uma das poucas publicações na área de Jornalismo que mantém sua versão impressa. Todos/as participam das fases de produção - da sugestão de pauta, apuração, redação, revisão, edição, fotografia, arte, ilustração, diagramação, divulgação e distribuição.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Nesta edição comemorativa, foi escolhido um dossiê sobre o uso de inovações tecnológicas na acessibilidade, em prol da qualidade de vida e autonomia. As reportagens destacam dois projetos da UFSM que criam dispositivos tecnologicamente assistivos, pensados para atender às particularidades do cotidiano de cada paciente. Além do dossiê, abordamos a tecnologia como um desafio na inclusão digital de estudantes com mais de 50 anos na UFSM.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Para destacar a importância da Universidade junto à comunidade, mostramos um projeto que acolhe mães e bebês para amamentação com cuidado, afeto e técnica. Com um olhar atento para o dia a dia, o Peso da Rotina no meio Instagramável é tema de reportagem sobre comportamento. O protagonismo feminino foi evidenciado nas equipes esportivas da UFSM e na editoria de perfil. Trouxemos, ainda, duas pesquisadoras da UFSM que detalham ações de enfrentamento e combate à violência contra a mulher. </p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Na busca por realçar as expressões criativas, as matérias culturais passam pela Rádio Universidade, o Teatro Caixa Preta e o Planetário. Também é explorado o lado autêntico e sustentável da moda, por meio da técnica <em>upcycling</em>. O cuidado com o meio ambiente é retratado em um texto que mostra a adaptação dos animais silvestres no <em>Campus</em>. Exploramos a situação da Casa do Estudante do Centro, para problematizar a infraestrutura.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A revista resulta de disciplina teórico-prática em que a experimentação dá o tom das atividades desenvolvidas por alunos/as do terceiro semestre do curso. As matérias foram produzidas com a dedicação de quem enxerga no cotidiano histórias que merecem ser contadas. Boa leitura!</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><em>Amanda Borin, Daniele Gabriel, Ellen Schwade, Natalie Soares, Viviane Borelli</em><br></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p></p>
<!-- /wp:paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Do centro ao esquecimento</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2025/08/14/do-centro-ao-esquecimento</link>
				<pubDate>Fri, 15 Aug 2025 02:31:12 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[30ª Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[ed30]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[UFSM]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?p=4058</guid>
						<description><![CDATA[A emblemática situação da CEU I: passado agitado, presente inerte e futuro incerto
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:audio {"id":4059} -->
<figure class="wp-block-audio"><audio controls src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/08/Audioreportagem.mp3"></audio></figure>
<!-- /wp:audio -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Localizado no coração de Santa Maria há mais de 60 anos, está o prédio da Casa do Estudante I (CEU I), conhecida como CEU do Centro. Morada de muitos universitários ao longo do tempo, também é uma das residências do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFSM que transformou o local em um centro cultural com a Boate do DCE a partir da década de 80, desativada há dez anos.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A TXT buscou conhecer os espaços da moradia, através de uma visita guiada pelo estudante de Relações Internacionais, e morador da CEU I, Robson da Rosa (foto). “Aqui era o local de encontro dos estudantes”, afirma&nbsp; o estudante. Robson compartilha que, quando chegou, vivia na CEU lotada e dividia apartamento com mais três pessoas, algo muito distante da realidade de hoje. Ele lamenta a realidade atual da casa não ser a mesma de antes: “Hoje é só memória”.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:image {"id":4068,"sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image size-large"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/08/Robson-na-janela-1024x683.jpg" alt="A foto na horizontal mostra um menino apoiado em uma janela, com o braço para fora, ele está observando a vista da cidade, onde ao fundo se encontram prédios e montanhas. Na imagem o estudante Robson, está na esquerda e se mostra de perfil encostado em uma janela, olhando para fora. Ele usa óculos e está vestindo um moletom cinza escuro com capuz branco, o cabelo é castanho escuro e está preso em um coque, Ainda ao fundo, vemos uma paisagem urbana da cidade de Santa Maria com prédios e, mais ao longe, montanhas cobertas por vegetação. A luz natural entra pela janela, iluminando levemente o rosto e a mão do homem. Se destacam tons de azul, verde, e creme na paisagem.
" class="wp-image-4068" /><figcaption class="wp-element-caption">Robson na janela</figcaption></figure>
<!-- /wp:image -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Segundo o Portal da Transparência da UFSM, a CEU I tem capacidade para receber 167 moradores, mas atualmente apenas 72 vagas estão ocupadas. Os moradores relatam problemas de infraestrutura nos apartamentos. Mofo, vazamento de água, cupins, portas e janelas quebradas são alguns dos problemas. Robson, um dos moradores mais longevos da CEU I, questiona o futuro: “O novo sempre vem, será que o novo para a gente é ir para o Campus?”. A visita começa no térreo onde ficam o laboratório de informática e a biblioteca.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Robson apresenta o Laboratório de Informática, um dos poucos locais que os moradores da CEU I têm disponível para estudar. Entre os cerca de sete computadores contabilizados, apenas um funciona. Além disso, no chão branco da sala pequena, se destacam os resíduos de cupim que caem das mesas e armários de madeira. A Pró-Reitora de Assuntos Estudantis (PRAE), Giselle Guimarães, afirma que há um plano de reestruturação do laboratório que não saiu do papel por falta de orçamento. A próxima parada é a biblioteca.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>O caminho do Laboratório de Informática até a biblioteca se passa no corredor estreito onde está uma pintura cubista: apresenta três homens que olham para baixo com ferramentas nas mãos, fábricas e campos ao fundo e materiais didáticos na parte inferior (foto). “Acho ela muito significativa porque, se olharmos bem, são trabalhadores do interior que vão estudar na universidade”, observa Robson. Ele é de Vale do Sol e chegou em Santa Maria para realizar o sonho da graduação na UFSM. Logo em frente, está a entrada para a biblioteca.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Robson destaca que a biblioteca é um local de estudo e encontro dos moradores da CEU do Centro. A sala contém estantes com livros e se tornou um espaço de convivência que os acadêmicos usam para se expressar, em uma das paredes se observa um grafite amarelo contornado em roxo escrito “CEU I”. Ao seguir pelo corredor, se encontra a secretaria do DCE.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:image {"id":4064,"sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image size-large"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/08/IMG_9125-1024x683.jpg" alt="A fotografia horizontal e colorida retrata a biblioteca da CEU I. Uma sala com várias estantes de livros, mesas e cadeiras. Na parte superior, o teto apresenta pintura em listras largas nas cores azul, verde, amarelo, laranja e vermelho. Logo abaixo, a parede de fundo é lisa e clara, com três estantes de madeira repletas de livros e papéis empilhados, sendo que a estante da esquerda está mais desorganizada, com pilhas irregulares. No centro da sala há várias mesas retangulares brancas alinhadas, cercadas por cadeiras pretas de encosto vazadas. No canto direito, encostada na parede, há uma estante de nichos amarelos e marrons com livros, à frente de uma cortina vertical azul clara. Na parte inferior direita, outra estante verde aparece parcialmente, também carregada de livros. O piso é de madeira desgastada e há uma mesa com tampo de vidro próximo ao canto inferior esquerdo da imagem." class="wp-image-4064" /></figure>
<!-- /wp:image -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>O passado pulsante</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A secretaria do&nbsp; DCE na CEU I tornou-se um verdadeiro museu da organização estudantil da UFSM. Dividida em três salas, a primeira área é o auditório, um salão espaçoso, Robson diz que é o espaço utilizado pelos moradores para convivência. Na sala, se destacam algumas cadeiras, mesas e nas paredes há frases com temas políticos. Um tambor comprido no canto da sala evidencia a utilização do espaço por um projeto de extensão, a única marca da presença da universidade aqui.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Ao adentrar a segunda sala percebe-se o mural que ocupa toda uma parede com cartazes de eventos e propagandas do movimento estudantil, um deles convoca os alunos para a Assembleia Geral de 2010 . A sala parece perdida no tempo, em meio ao entulho, está a placa do auditório: “Auditório Adelmo Genro Filho, inaugurado em 07/06/91”. Já na terceira sala, quase não há como se mover com o volume de entulho. São mesas, cadeiras, pedaços de madeira, arquivos e jornais espalhados pelo chão e muito lixo.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>A Boate do DCE e a Catacumba</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A Boate do DCE e a Catacumba fazem parte da história da CEU I. Eram espaços destinados às expressões culturais dos estudantes, ambos localizados nos andares inferiores ao térreo. Ao descer a escada estreita primeiro se passa pela Boate do DCE, um salão grande com copa, banheiros e chapelaria. Nas paredes pretas se destacam caricaturas e grafites coloridos, frases de impacto e menções a bandas famosas como Rolling Stones.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Com um globo espelhado no chão e garrafas de cerveja empoeiradas,&nbsp; fica evidente que o espaço não é utilizado há algum tempo. Robson conta que as festas da Boate do DCE também eram uma forma de juntar dinheiro para as organizações estudantis da época. É preciso descer mais um pouco até chegar à Catacumba. O espaço é grande e alto, com paredes brancas e um palco. Robson diz que ali aconteciam festas com estilo alternativo, preferencialmente o rock.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:image {"id":4063,"sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image size-large"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/08/IMG_9179-1-1024x708.jpg" alt="A fotografia é horizontal e colorida, ela retrata a antiga boate do DCE. O ambiente interno está escuro, com móveis de madeira empilhados, a única luz do cômodo vem das janelas de vidro. Na parte superior, a parede de fundo está coberta por tinta preta e grafites, com a sigla “DCE” em letras amarelas e pretas no centro, acompanhada das palavras “CHAPELARIA/CAIXA” em branco. Logo abaixo, há um balcão pequeno com moldura laranja e pichado. À esquerda, vê-se uma porta gradeada aberta, revelando uma sala pintada de laranja e com uma janela branca por onde entra luz. Na frente, ocupando a parte inferior, há mesas ou balcões de madeira virados de cabeça para baixo, recebendo feixes de luz. Ao fundo, a lateral direita permanece na penumbra.

" class="wp-image-4063" /></figure>
<!-- /wp:image -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>A incerteza do futuro</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Ao final do corredor, no 8° andar, está o apartamento de Robson. As moradias da CEU I são pequenas, apresentam dois quartos e uma cozinha, os banheiros ficam no corredor, um para cada apartamento. Ele divide o espaço com outro estudante. Robson, explica que um dos motivos da permanência na CEU do Centro é estar próximo das oportunidades de emprego. Ele destaca o envolvimento com a cidade: “Quando cheguei aqui, eu queria viver Santa Maria, então foi muito legal vir pra cá”.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>O estudante não esconde a preocupação com o futuro da CEU I: “Isso é o que mais doi na verdade, saber que essa moradia tem potencial muito grande, tanto para quem é estudante pobre que chega, quanto para a comunidade no entorno”. Robson diz que o abandono da CEU é um projeto, segundo ele, não há mais interesse da universidade no espaço. “Muitas pessoas nem sabem que a CEU I existe e não vão saber porque não querem que saibam”,&nbsp; afirma.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Atualmente, a CEU I não possui um Restaurante Universitário (RU) próximo da casa. Com a mudança dos cursos da Antiga Reitoria para o Campus as estruturas do Centro foram desativadas. Os moradores recebem um vale-alimentação de R$ 700 , o valor foi conquistado pela luta do movimento estudantil contra o valor anterior, R$ 250 . Além disso, os estudantes que vão até o Campus todos os dias, têm acesso ao vale-transporte do Benefício Socioeconômico (BSE) da Universidade que cobre 50% do valor das passagens.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A Pró-reitora de Assuntos Estudantis, professora Giselle Guimarães, afirma que há planos de reestruturação da CEU I e do RU do Centro que, segundo ela, estão travados por falta de orçamento ou “vontade política”. Ela explica que os alunos têm a liberdade de escolher para qual Casa do Estudante desejam ir e que o motivo do esvaziamento da CEU I é a baixa procura. Além disso, a ida de mais moradores para o Centro implicaria na reestruturação dos gastos nas CEUs, Giselle afirma que a universidade prefere que os alunos permaneçam na CEU II, localizada no Campus de Camobi.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:image {"id":4066,"sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image size-large"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/08/IMG_9238-1-1024x683.jpg" alt="A foto na horizontal mostra um menino apoiado em uma janela, com o braço para fora, ele está observando a vista da cidade, onde ao fundo se encontram prédios e montanhas. Na imagem o estudante Robson, está na esquerda e se mostra de perfil encostado em uma janela, olhando para fora. Ele usa óculos e está vestindo um moletom cinza escuro com capuz branco, o cabelo é castanho escuro e está preso em um coque, Ainda ao fundo, vemos uma paisagem urbana da cidade de Santa Maria com prédios e, mais ao longe, montanhas cobertas por vegetação. A luz natural entra pela janela, iluminando levemente o rosto e a mão do homem. Se destacam tons de azul, verde, e creme na paisagem.
" class="wp-image-4066" /></figure>
<!-- /wp:image -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Robson diz não acreditar no interesse pela revitalização do prédio: “Eu acho que isso não vai acontecer, não vão revitalizar a moradia, o esvaziamento é proposital, é um projeto que já vem acontecendo há anos”. Ele destaca o fechamento do RU do Centro como fator chave para os estudantes não se interessarem pela CEU I: “Limitou as pessoas de virem para cá”. Enquanto isso,&nbsp; o berço da ocupação estudantil da UFSM já não grita com o fluxo de muitos estudantes e o que resta é o sussurro de uma moradia estudantil com metade de seus quartos vazios.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:separator -->
<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity" />
<!-- /wp:separator -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Repórteres:</strong>&nbsp;<em>Ellen Schwade e Thomas Machado</em></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Fotografia: </strong>Mathias Ilnick</p>
<!-- /wp:paragraph -->

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<p><em><strong>Contato:</strong></em> ellen.schwade@acad.ufsm.br / <em>thomas.souza@acad.ufsm.br</em> /  mathias.dalla@acad.ufsm.br</p>
<!-- /wp:paragraph -->

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<p></p>
<!-- /wp:paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Digitalmente invisíveis</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2025/08/05/digitalmente-invisiveis</link>
				<pubDate>Tue, 05 Aug 2025 23:42:17 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[30ª Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[#ed30]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?p=4049</guid>
						<description><![CDATA[O desafio da inclusão digital de estudantes com mais de 50 anos na UFSM
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:paragraph -->
<p>Para escutar o áudio da reportagem, clique abaixo:</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:audio {"id":4046} -->
<figure><audio controls src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/08/audio-reportagem-1.mp3"></audio></figure>
<!-- /wp:audio -->		
										<figure>
										<img width="1024" height="683" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/08/IMG_1332-web-5-1024x683.jpg" alt="" />											<figcaption>Alvino Bitencourt utiliza aplicativo da universidade | Foto: Luana Pereira
</figcaption>
										</figure>
		<p>A década de 1950 foi marcada por avanços tecnológicos e transformações importantes no mundo todo. No Brasil, houve a inauguração da TV Tupi, o início do que seria um dos principais meios de comunicação e entretenimento do país: a televisão. A UFSM ainda nem existia nessa época e a troca de informações era feita por telefone com discagem manual, no início da década de 60. As telas digitais estavam longe de fazer parte do cotidiano.<br />Pessoas que nasceram nesse contexto tentam acompanhar uma grande quantidade de telas, cliques e plataformas digitais. Para elas, voltar a estudar é também entrar em uma nova era, onde a alfabetização digital se torna tão importante quanto a leitura dos livros. Essa é a realidade de Alvino Ferreira Bitencourt, 73, que precisa acompanhar aulas e agendar almoços através do aplicativo UFSM digital.<br />Alvino inicia seu dia às 6h15min, quando pega o primeiro ônibus na zona Sul em direção ao Centro. De lá, embarca em um segundo transporte coletivo até a universidade, onde cursa o Técnico em Zootecnia no Colégio Politécnico. Após ser dono de um mercado por 43 anos, decidiu voltar a estudar quando o estabelecimento fechou.  Concluiu o ensino médio e, incentivado pelos professores, fez a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) para concorrer a uma vaga no curso de Medicina Veterinária. Como não atingiu a nota mínima, decidiu participar do processo seletivo do curso técnico e foi aprovado em 19° lugar, num total de 50 vagas.</p>
<p>Alvino é um dos sete alunos com mais de 70 anos matriculados nos cursos técnicos do Colégio Politécnico, o que representa 0,6% do total de 1.248 estudantes. Há 198 estudantes com mais de 50 anos (15,9%). Destes, 120 estão na faixa etária de 50 a 59 anos (9,6%) e 71 têm entre 60 e 69 anos (5,7%). Os dados são relativos ao mês de maio de 2025, de acordo com o Centro de Processamento de Dados da UFSM (CPD). Ele afirma que os problemas começaram na inscrição para o processo seletivo, feita exclusivamente através do site da instituição: “eu vim aqui [na UFSM] para eles me inscreverem e depois voltei para fazer a matrícula.” Ele tinha e ainda tem muita dificuldade em realizar atividades nos meios digitais.  Para agendar as refeições no Restaurante Universitário e colocar saldo, Alvino pede para seus colegas, que fazem tudo para ele. Além disso, comenta que uma professora permitiu que entregasse um trabalho escrito à mão por não saber digitar. Ele elogia os docentes por facilitarem sua rotina acadêmica e entenderem sua difícil adaptação aos meios digitais.</p>		
										<figure>
										<img width="683" height="1024" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/08/IMG_1327-1-web-1-683x1024.jpg" alt="" />											<figcaption>Alvino se adapta entre cadernos e meios digitais | Foto: Luana Pereira
</figcaption>
										</figure>
		<p dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Outro exemplo é o estudante de Jornalismo João Veigas, 54, que ingressou na UFSM em 2020 e foi o primeiro da família a entrar em uma universidade. Atualmente, sua rotina é dividida entre os estudos e o trabalho. Ele estuda durante o dia e, em seguida, encara turnos de 12 horas, seguidos por 36 horas de folga, em uma escala conhecida como 12 por 36. João relata que gostaria de dedicar mais tempo aos estudos, mas precisa focar mais no trabalho.</p>
<p>João comenta que sabe utilizar funções básicas no celular, mas as plataformas da instituição foram um desafio na sua vida acadêmica. Quando entrou, não recebeu orientações necessárias para acessá-las, apenas instruções de como fazer o e-mail institucional. Também afirma não ter encontrado nenhum departamento específico na UFSM que pudesse auxiliá-lo.</p>		
										<figure>
										<img width="678" height="1024" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/08/DSC0404-Web-2-678x1024.jpg" alt="" />											<figcaption>João Veigas na Rádio Comunitária Caraí | Foto: Luana Borgmann</figcaption>
										</figure>
		<p>João faz parte dos 1,8% de alunos matriculados em cursos de graduação com mais de 50 anos, o que representa 494 do total de 26.835. Na UFSM,  há 367 acadêmicos na faixa etária entre 50 e 59 anos (1,4%), 117 de 60 a 69 (0,4 %) e apenas 10 têm mais de 70 (0,04 %), de acordo com dados do CPD em maio de 2025.                                           </p>
<p>A universidade está inserida em um contexto digital em que o Moodle, o site institucional e o aplicativo “UFSM Digital” são ferramentas necessárias para o dia a dia. Entretanto, Alvino e João dependem da ajuda de colegas, veteranos e professores para conseguirem fazer tarefas diárias, essenciais para se manterem na universidade.    O que evidencia isso é uma pesquisa do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (CETIC/CGI, 2021) que mostra que 76% das pessoas mais velhas afirmam nunca ter utilizado um computador. Ainda que 77% possuam celular, 46% delas nunca acessaram a internet. </p><p>O papel do rádio </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">“Muita gente ainda não tem acesso à internet. O radinho de pilha continua a ser o canal de comunicação mais acessível”, explica João Veigas, que além de estudante, também é diretor da Rádio Comunitária Caraí. Para ele, a emissora ainda é uma das principais fontes de informação para a população mais velha da zona sul da cidade. “A rádio leva a informação local, faz a ponte entre a comunidade e os serviços que ela precisa acessar”, completa.</p>
<p> A experiência cotidiana na estação radiofônica também evidencia as limitações digitais. “As pessoas nos dizem que preferem comprar um radinho do que tentar acessar a rádio pela internet. A barreira não é só econômica, é também de conhecimento”, relata João. Mesmo com iniciativas digitais, o alcance ainda depende da familiaridade dos ouvintes com dispositivos e aplicativos, algo distante da realidade de muitas famílias da periferia.</p>		
										<figure>
										<img width="1024" height="678" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/08/DSC0387-1-1024x678.jpg" alt="" />											<figcaption>João Veigas na Rádio Comunitária Caraí | Foto: Luana Borgmann
</figcaption>
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										<img width="1024" height="678" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/08/WhatsApp-Image-2025-06-26-at-10.17.57-1-1024x678.jpeg" alt="" />											<figcaption>Logotipo da Rádio Caraí | Foto: Luana Borgmann
</figcaption>
										</figure>
		<p dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">A Subdivisão de Ações Afirmativas Sociais, Étnico-Raciais e Indígenas da Coordenadoria de Ações Educacionais (Caed), vinculada à Prograd, disponibiliza a Monitoria de Apoio às Tecnologias Digitais para todos os estudantes. Porém, ela é divulgada apenas no site da Caed, o que dificulta o acolhimento do público-alvo. O Pró-Reitor de Graduação Substituto, Félix Alexandre Antunes Soares, afirma: “nós atendemos pessoas que têm dificuldade direto por telefone ou por e-mail, mas, para quem quer tirar dúvida presencial, sempre tem alguém para ajudar”. </p>
<p>Felix acrescenta que todo aluno que entra na universidade precisa ter um e-mail institucional, canal por onde as principais informações da UFSM são repassadas.  A exigência, embora padronizada, desconsidera realidades diversas. Isso evidencia a necessidade de políticas de inclusão que considerem a diversidade etária.  </p>
<p>Um exemplo é o da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que desenvolve iniciativas voltadas à inclusão digital de pessoas idosas. Entre elas, destaca-se a Unidade de Inclusão Digital para Idosos (UNIDI), que tem como objetivo aprimorar a interação desse público com as tecnologias. É de suma importância que a UFSM siga este modelo, para que pessoas como Alvino e João possam estudar com autonomia, sem depender da ajuda de terceiros. De acordo com o jornalista da Agência de Notícias da universidade, membro do Comitê da Política de Comunicação, Maurício Dias, as emissoras de rádio e de TV da instituição fazem o papel de transmitir as informações para aqueles que não  estão acostumados a acessar o site.  Elas atuam com duplo foco: comunicação institucional (temas ligados à universidade) e comunicação pública, mais ampla. Além disso, Dias comenta que são contemplados diferentes tipos de públicos e levados em consideração as especificidades, conforme as diretrizes gerais que fazem parte da política de comunicação, aprovada em 2018. As tecnologias não são prejudiciais, ao contrário, oferecem uma série de benefícios em diversas áreas da vida cotidiana. Porém, com a tendência crescente de digitalização, torna-se fundamental promover a educação digital e oferecer orientação, especialmente às pessoas mais velhas, que muitas vezes enfrentam dificuldades para acessar e utilizar as plataformas digitais de forma autônoma e segura.</p><h3>Gráficos de comparação:</h3>		
													<img width="1024" height="410" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/08/grafico-1-1024x410.png" alt="" />													
													<img width="1024" height="410" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/08/grafico2-1-1024x410.png" alt="" />													
		<p dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;background-color: #ffffff;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt;padding: 0pt 0pt 12pt 0pt"><b>R</b><b>eportagem:</b> Luana Borgmann e Tainá De Carli Nascimento </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;background-color: #ffffff;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt;padding: 0pt 0pt 12pt 0pt"><b>Contato: </b>luana.borgmann@acad.ufsm.br/taina.nascimento@acad.ufsm.br</p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>AMAmentar: nutrir no peito e na escuta</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2025/07/30/amamentar-nutrir-no-peito-e-na-escuta</link>
				<pubDate>Wed, 30 Jul 2025 14:41:13 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[30ª Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Comunidade]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[ed30]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?p=4031</guid>
						<description><![CDATA[Projeto acolhe mães e bebês para amamentação com cuidado, ciência e afeto
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:paragraph -->
<p>Para escutar o áudio da reportagem, clique abaixo:</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:audio {"id":4032} -->
<figure><audio controls src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/07/Audioreportagem-Amamentar-3.mp3"></audio></figure>
<!-- /wp:audio -->		
										<figure>
										<img width="1024" height="683" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/07/Copia-de-TXT-1024x683.jpg" alt="" />											<figcaption>Mãe e bebê durante atendimento do Amamentar</figcaption>
										</figure>
		<p>Todo ser humano é mamífero, mas o ato de amamentar não é instintivo. Existe um ditado que diz: "Nasce um bebê, nasce uma mãe" e pode parecer que a amamentação nasce com eles. A mãe recebe o bebê, pega no colo, coloca no peito e pronto. Entretanto, a maternidade não é igual para todo mundo, uma amamentação adequada necessita mais do que instinto materno, necessita de informação. </p>
<p>Vinda da classe média do Rio de Janeiro, onde amamentar não era uma prática comum, Maria Clara da Silva Ramos tem raízes mais profundas com a amamentação. Ela guarda com muito carinho uma foto de sua mãe amamentando-a e foi essa memória que a motivou a querer amamentar seu próprio filho, aqui chamado de Ulisses.</p>
<p>Logo após seu nascimento, algumas pessoas comentavam que ele parecia preguiçoso para mamar. A rotina exaustiva de acordar a cada poucas horas para cuidar e amamentar o bebê é extremamente estressante: “Depois que nasce é que começa a dor, né? O parto em si a gente tem acompanhamento até lá, e depois a mãe fica completamente sozinha” afirma Maria Clara.</p>
<p>Nos primeiros dias de vida, durante o teste da orelhinha, a residente de Fonoaudiologia e participante do Amamentar, Adeline Zingler, identificou que o queixo do bebê era um pouco mais para trás. No dia seguinte, Ulisses já tinha uma consulta com o setor de Odontologia da UFSM.</p>
<p>Ulisses foi diagnosticado com a sequência de Pierre Robin (SPR), uma formação craniofacial que envolve uma série de problemas em sequência, precisou passar por uma cirurgia para corrigir o queixo e ficou 60 dias sem mamar. Durante esse período, Maria Clara continuou a tirar leite manualmente, um apoio fundamental que recebeu do projeto Amamentar. Tanto na parte técnica quanto no suporte emocional, a ajudou a resistir, mesmo quando algumas pessoas diziam que o mais fácil seria desistir.</p>
<p>O <a href="https://portal.ufsm.br/projetos/publico/projetos/view.html?idProjeto=63035"><b><i>Projeto Amamentar</i></b></a> da UFSM é coordenado pela professora Geovana de Paula Bolzan, do Departamento de Fonoaudiologia. Com atendimento gratuito a díades mãe-bebê, mais do que suporte técnico, promove vínculos afetivos essenciais para uma amamentação saudável e duradoura.</p>
<p>O Amamentar acompanha mães e bebês, ensina as mães sobre o aleitamento e ajuda os bebês a mamar. O que muitas vezes é um desafio, ganha esperança por meio de um atendimento seguro, informado e acolhedor. O caso do pequeno Ulisses, hoje com dois anos, exemplifica como o acesso a serviços públicos de qualidade pode transformar trajetórias marcadas por resistência e apoio. </p>
<p>Diante do dado do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil <a href="https://enani.estudiomassa.com.br/download/relatorio-4-aleitamento-materno/"><b><i>(ENANI-2019)</i></b></a>, que aponta que apenas 35,5% dos bebês brasileiros são amamentados exclusivamente até os seis meses, iniciativas como essa se mostram fundamentais para alcançar a meta da OMS de 60% até 2030, o que reforça que a amamentação bem-sucedida exige envolvimento físico, emocional, familiar e social.</p>
<p>Desde 2019, o Projeto Amamentar acolhe cerca de dez famílias por semana no Ambulatório de Pediatria do Hospital Universitário de Santa Maria <a href="https://www.instagram.com/husmufsm?utm_source=ig_web_button_share_sheet&amp;igsh=ZDNlZDc0MzIxNw=="><b><i>(HUSM)</i></b></a>, onde oferece atendimentos conduzidos por estudantes da graduação em diferentes fases de formação. Com escuta atenta, cuidado técnico e tempo dedicado a cada caso, o projeto nasceu para preencher uma lacuna no sistema de saúde do Hospital: enquanto bebês prematuros tinham acompanhamento, outros recém-nascidos com dificuldades na amamentação seguiam sem apoio. A iniciativa responde à desinformação e à solidão que cercam o início da maternidade e se torna um espaço de acolhimento, aprendizado e transformação para as famílias e para os futuros profissionais.</p>
<p>Para Maria Eduarda Zimmermann, estudante de Fonoaudiologia e integrante do Projeto Amamentar, o trabalho vai além do atendimento pontual: “A ideia é levar informação e seguir junto, acompanhando esses bebês desde o começo”. A equipe acompanha cada mãe pelo tempo necessário e oferece orientação clara, para resolver o máximo de demandas antes da alta. “Nosso primeiro objetivo é trazer segurança às famílias em relação à alimentação dos filhos”, explica a coordenadora Geovana.</p>
<p>Mais do que técnica, o foco é o cuidado integral. Desde o início, os estudantes são orientados a ter um olhar ampliado e atento ao desenvolvimento da criança como um todo, mesmo quando a queixa não é diretamente ligada à fonoaudiologia. Atendida no Amamentar, Fernanda Rodrigues já havia passado por duas gestações em que não conseguiu amamentar por conta da anatomia do mamilo. Agora, com o apoio da equipe, vive uma experiência diferente. Desde o início do acompanhamento, aprendeu técnicas que fizeram a diferença. Sente que pela primeira vez a amamentação está mais tranquila e segura: “Fico bem feliz por poderem me proporcionar uma melhor experiência na parte da amamentação”, destaca.</p>		
								<figure><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/07/Copia-de-TXT-768x512.jpg" alt="Mãe e bebê durante atendimento do Amamentar" /></figure><figure><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/07/Copia-de-TXT2-768x512.jpg" alt="Mãe e bebê durante atendimento do Amamentar" /></figure><figure><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/07/Copia-de-TXT3-768x512.jpg" alt="Mãe e bebê durante atendimento do Amamentar" /></figure>			
		<p>Alinhado à meta da OMS de alcançar 60% de aleitamento materno exclusivo até 2030, o Projeto oferece apoio técnico e emocional em um momento delicado e cheio de dúvidas para muitas mães. Com duas filhas mais velhas, Luana de Souza relata que a primeira sempre enfrentou dificuldades na amamentação. Na época, não teve acesso a diagnóstico ou suporte e conta que experiências em outras cidades foram desagradáveis, ao contrário do suporte que recebeu no Amamentar. </p>
<p>Com a filha mais nova, Manueli, Luana recebeu apoio desde o nascimento. Após a avaliação de frênulo lingual, o encaminhamento para cirurgia de frenectomia foi rápido, realizado por um projeto parceiro na Clínica de Cirurgia do Curso de Odontologia da UFSM. A melhora foi imediata: a bebê voltou a mamar bem, ganhou peso e o desconforto da mãe diminuiu. Luana conta que, sem esse suporte, talvez não conseguisse amamentar, algo que sempre desejou. Seu relato emociona ao relembrar a dor, as feridas e a persistência, agora marcadas por acolhimento e orientação contínua.</p>
<p>Tanto Maria Clara quanto Luana encontraram no Projeto Amamentar o suporte necessário para tornar a amamentação possível e tranquila. No caso de Manuela, o diferencial foi o acompanhamento antes, durante e após a frenectomia. Já Ulisses se beneficiou de um diagnóstico certeiro ainda nos primeiros dias de vida.</p>
<p>Adeline Zingler, responsável pelo atendimento de Ulisses, hoje é fonoaudióloga materno infantil e mestranda no Programa de Pós-Graduação em Distúrbios da Comunicação Humana <a href="https://www.ufsm.br/cursos/pos-graduacao/santa-maria/ppgdch"><b><i>(PPGDCH)</i></b></a> na UFSM, além de continuar atuante no projeto. Para ela e para a equipe do ambulatório, o caso de Ulisses é um verdadeiro sucesso — resultado não apenas da intervenção profissional, mas também do comprometimento da família.</p>
<p>Adeline está ligada ao projeto desde a graduação, e a experiência foi um divisor de águas na sua carreira. Foi nesse trabalho que ela construiu sua trajetória na atuação fonoaudiológica voltada à amamentação e à alimentação infantil. “Para mim, ser a pessoa que auxilia a mãe a oferecer o primeiro alimento ao bebê, nutrir o bebê pela primeira vez, é isso que enche o meu coração de alegria”, afirma a fonoaudióloga.</p>
<p>Como exemplificam os relatos de mães atendidas pelo Projeto, informação, acolhimento e uma rede de apoio dentro e fora de casa fazem a diferença. Amamentar é um direito, não uma obrigação. Embora o leite materno seja o padrão-ouro da nutrição infantil, o caminho até a amamentação é cercado de desafios físicos, emocionais e sociais. </p>
<p>Com uma equipe multiprofissional, o projeto oferece escuta qualificada e apoio técnico, o que transforma um momento de insegurança em uma experiência de cuidado e vínculo. Mais do que alimentar, amamentar é também fortalecer o laço afetivo, estimular o desenvolvimento emocional e proteger a saúde da criança desde os primeiros dias de vida.</p>
<h2>Amamentação além do mito</h2>
<p>Amamentar é um processo único estabelecido entre o físico e o emocional, mas é rodeado de mitos. Mais do que nutrir, o aleitamento materno tem papel fundamental no desenvolvimento emocional, psíquico e linguístico do bebê. A fonoaudióloga Patrícia Menezes Vilas Boas Lapa mostra em sua pesquisa que, durante a amamentação e nas interações iniciais com a mãe, o bebê se vincula afetivamente por meio da voz materna, um registro de fala mais agudo e afetivo conhecido como “manhês”.</p>
<p>A amamentação esbarra em barreiras práticas, mas também em tabus históricos, culturais e sociais. Amamentar em público, por exemplo, ainda causa desconforto e até constrangimento, mesmo sendo um <a href="https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2019/03/12/senado-aprova-penalizacao-para-quem-impedir-amamentacao-em-local-publico#:~:text=Senado%20aprova%20multa%20para%20quem%20impedir%20amamenta%C3%A7%C3%A3o%20em%20local%20p%C3%BAblico,-Compartilhe%20este%20conte%C3%BAdo&amp;text=O%20Senado%20aprovou%2C%20em%20regime,privado%20sem%20sofrer%20qualquer%20impedimento"><b><i>direito protegido por lei</i></b></a><b><i>.</i></b> Muitas mães são julgadas, orientadas a se esconder em banheiros ou "salinhas" para amamentar, quando o ideal seria normalizar essa prática em qualquer ambiente saudável. </p>
<p>Segundo uma <a href="https://aleitamento.com.br/secoes/amamentacao/brasil-e-o-pais-onde-as-mulheres-sao-mais-criticadas-por-amamentar-em-publico/4703/"><b><i>pesquisa global sobre aleitamento</i></b></a>, realizada pela Lansinoh Laboratórios entre os meses de abril e maio de 2015, cerca de 47,5% das brasileiras relataram que já sofreram preconceito por amamentar em público. O número coloca o Brasil no topo da lista entre os países que mais censuram a mulher em um momento de vínculo entre mãe e bebê.  Entre os principais desafios está a volta ao trabalho, uma das principais causas do desmame precoce. Ainda que haja possibilidade de manter o aleitamento com planejamento, apoio e orientação sobre extração e armazenamento do leite, a realidade brasileira mostra um cenário desigual: <a href="https://revistacrescer.globo.com/colunistas/moises-chencinski-eu-apoio-leite-materno/coluna/2023/12/amamentacao-ainda-e-um-tabu.ghtml"><b><i>cerca de 40% das mulheres estão no mercado informal</i></b></a><b><i>,</i></b> sem direito a licença-maternidade, creche ou horários flexíveis. </p>
<p>Apesar dos desafios, os benefícios da amamentação são indiscutíveis. Ela reduz os riscos de doenças respiratórias, gastrointestinais e crônicas no bebê, diminui a mortalidade infantil e protege a saúde da mulher, já que reduz o risco de câncer de mama e ovário. Ainda assim, dados nacionais mostram que apenas um terço das mães mantêm o aleitamento exclusivo até os seis meses de vida do bebê. Entre mães adolescentes, essa taxa é ainda menor, cerca de 25%. Baixa renda, pouca escolaridade, falta de apoio e instabilidade conjugal são os principais fatores que dificultam a continuidade do aleitamento nessas populações.</p>
<p>Para pensar a amamentação além do mito, surge o projeto de extensão Amamentar, vinculado ao curso de Fonoaudiologia da UFSM. O projeto oferece atendimentos gratuítos e auxilia em diversos aspectos do processo de aleitamento materno.</p>
<p>O intuito do Amamentar é acolher, informar, oferecer suporte e garantir que as mulheres possam exercer o seu direito ao aleitamento sem culpa, medo ou constrangimento. O ato de amamentar é um gesto de amor — mas, no Brasil, também é um ato de resistência.</p>
<p>Com um olhar atento às necessidades das famílias e um compromisso com o cuidado integral na primeira infância, o Projeto Amamentar se consolida como uma importante iniciativa de apoio ao aleitamento materno e ao desenvolvimento saudável dos bebês. <a href="https://drive.google.com/file/d/15ovYp-1BxhZsJ3OzCU_JwWxM-azHY7mB/view?usp=sharing"><b><i>A cartilha educativa</i></b></a>, disponível gratuitamente por QR Code, e o canal direto pelo Instagram são ferramentas valiosas para orientar e acolher as famílias após a alta hospitalar.</p>
<p>A parceria com o <a href="https://portal.ufsm.br/projetos/publico/projetos/view.html?idProjeto=63060"><b><i>Projeto Musicalização de Bebês</i></b></a>, coordenado pela professora Aruna Noal Gaspareto, ampliou ainda mais o impacto das ações, promovendo momentos de estímulo, afeto e conexão entre mães e bebês durante as tardes de atendimento no HUSM. Essa integração entre saúde, educação e arte demonstra o potencial transformador das ações interdisciplinares voltadas ao bem-estar infantil.</p>		
										<figure>
										<img width="1024" height="683" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/07/Copia-de-FOTO-EQUIPE-1024x683.jpg" alt="" />											<figcaption>Equipe do Projeto Amamentar</figcaption>
										</figure>
		<p><strong>Repórteres:</strong><em> Kethelyn Rodrigues Radunz e Emilly Wacht</em></p>
<p><strong>Fotografia: </strong><em>Emilly Wacht</em></p>
<p><b>Contato: </b><em>emilly.wacht@acad.ufsm.br/kethelyn.rodrigues@acad.ufsm.br</em></p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Duas frentes, um mesmo propósito</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2025/07/22/__trashed-4__trashed</link>
				<pubDate>Tue, 22 Jul 2025 12:42:05 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[30ª Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[#ed30]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?p=3993</guid>
						<description><![CDATA[Quando o ensino encontra a realidade em prol do combate a violência contra a mulher. 
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:paragraph -->
<p>Segundo o <a href="https://view.officeapps.live.com/op/view.aspx?src=https%3A%2F%2Fadmin.ssp.rs.gov.br%2Fupload%2Farquivos%2F202505%2F15104209-site-violencia-contra-as-mulheres-2025-atualizado-em-05-maio-2025-publicacao.xlsx&amp;wdOrigin=BROWSELINK">Monitoramento dos indicadores de Violência Contra as Mulheres do Rio Grande do Sul no ano de 2025 da Secretaria de Segurança Pública (SSP)</a>, aconteceram 18 mil casos de violência contra a mulher entre janeiro e abril, em uma média de 4,6 ocorrências por mês. Os crimes enquadrados são de feminicídio tentado, feminicídio consumado, ameaça, estupro e lesão corporal.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

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<p>Em plena Sexta-feira Santa, feriado marcado por reflexões religiosas e familiares, <a href="https://www.terra.com.br/nos/seis-mulheres-sao-assassinadas-em-diferentes-cidades-do-rs-durante-a-sexta-feira-santa,8860b7bbcb3d2e99a6d63143bdd7f53eswxtwnl8.html#google_vignette">seis mulheres foram brutalmente assassinadas em diferentes cidades do Rio Grande do Sul</a>. Os crimes, registrados ao longo de poucas horas, levantam uma grave preocupação: até quando a violência contra a mulher será tratada como rotina no Brasil? Os casos chamam atenção não apenas pela quantidade de vítimas em um único dia, mas pela reincidência de um padrão trágico que expõe a vulnerabilidade feminina diante da violência doméstica, da negligência institucional e da cultura machista ainda enraizada na sociedade brasileira</p>
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<p>Na UFSM, duas professoras de áreas distintas se destacam por transformar ensino, pesquisa e extensão em ações concretas de enfrentamento à violência contra as mulheres e nos concederam entrevistas para a revista .TXT.&nbsp;</p>
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<p>De um lado, a professora do curso Técnico em Enfermagem do Colégio Politécnico da UFSM, <a href="http://lattes.cnpq.br/2538379515684954">Laura Ferreira Cortes</a>, une a prática da saúde ao ativismo social com projetos de extensão voltados ao empoderamento feminino, à formação de profissionais e à articulação de serviços públicos. De outro, a professora do curso de serviço social <a href="http://lattes.cnpq.br/7382820396112114">Laura Regina da Silva Camara Mauricio da Fonseca</a> tem mais de três décadas de experiências dedicadas à reflexão crítica sobre gênero, vulnerabilidade e cidadania, com atuação direta em políticas públicas e formação universitária.</p>
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<p>Ambas lideram iniciativas que colocam a universidade em diálogo com a realidade social e constroem pontes entre a academia e a rede de proteção às mulheres em Santa Maria. Seus projetos não apenas acolhem vítimas de violência, também formam profissionais mais conscientes e preparados para atuar em contextos complexos. Com diferentes abordagens, elas mostram como o compromisso com os</p>
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<p>direitos humanos e a equidade de gênero podem e devem atravessar os muros da Universidade.</p>
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<!-- wp:heading -->
<h2 class="wp-block-heading">Entrevista</h2>
<!-- /wp:heading -->

<!-- wp:paragraph {"align":"center"} -->
<p class="has-text-align-center"><strong>A .TXT conversou com as professoras da Universidade Federal de Santa Maria, Laura Ferreira Cortes e Laura Regina da Silva Camara.</strong></p>
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<p><strong>.TXT: Fale um pouco sobre a sua trajetória profissional e sua experiência em relação a projetos de apoio a mulheres em situação de violência?</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:media-text {"mediaId":4001,"mediaLink":"https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?attachment_id=4001","mediaType":"image","mediaWidth":37,"verticalAlignment":"top"} -->
<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile is-vertically-aligned-top" style="grid-template-columns:37% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/07/IMG_1327-1-5-683x1024.jpg" alt="" class="wp-image-4001 size-full" /></figure><div class="wp-block-media-text__content"><!-- wp:paragraph {"placeholder":"Conteúdo..."} -->
<p><strong>Laura Ferreira: </strong>Minha trajetória profissional, ela vem em boa parte da graduação ainda na enfermagem, da área da saúde, tem inquietações muito relacionadas com a nossa formação ser ainda muito biológica, focada nas lesões, no cuidado físico e pouco abrangente em termos da realidade social das pessoas. A violência é um problema de saúde pública e afeta diretamente a saúde das mulheres e das famílias. E aí, vendo isso, durante a formação, essa fragilidade nessa abordagem, eu despertei então para esse olhar das questões de gênero, alinhado a docentes que trabalhavam com isso na época. E aí, a partir disso, então, eu comecei a pesquisar no mestrado e principalmente no doutorado pensando nesse olhar ampliado para a rede de atendimento. Então, como essas mulheres circulavam após o atendimento na saúde, para onde elas iam, se elas eram encaminhadas para algum local, se elas iam para a rede, se elas voltavam para casa, enfim, fragilizadas, não tinham esse apoio. Foi aí que eu comecei a despertar o interesse no tema e eu trabalhei então na pesquisa do mestrado com enfermeiras, entrevistando enfermeiras sobre esse processo de trabalho das portas de entrada dos serviços de emergência do município. E depois no doutorado eu trabalhei com profissionais em um grupo de trabalho para a gente pensar como era essa rede de atendimento, quais eram as fragilidades, quais eram as potencialidades e se existia essa rede de atendimento. </p>
<!-- /wp:paragraph --></div></div>
<!-- /wp:media-text -->

<!-- wp:paragraph -->
<p> E daí, dos resultados da pesquisa do doutorado, a gente conclui que existem muitas falhas nessa rede, que os serviços não estavam organizados, compondo uma rede conectada, integrada. Então, existiam buracos nessa rede e a mulher acabava percorrendo muitos serviços e, às vezes, sem nenhuma ajuda ou, muitas vezes, só centrados na delegacia. E aí, essa continuidade, esse acompanhamento não existia. Então, isso, os resultados da pesquisa, da minha tese.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Quando entrei na universidade, em 2018 como professora aqui no Politécnico, criei um projeto de extensão: <a href="https://portal.ufsm.br/projetos/publico/projetos/view.html?idProjeto=63231">o Fórum de enfrentamento à violência por parceiro íntimo contra as mulheres do Município de Santa Maria: promoção da cultura de paz e superação da violência</a>, que é esse espaço, que é o fórum, que é um espaço permanente para a gente discutir, nós nos reunimos mensalmente e a gente contempla lá todos os serviços da rede. E é um espaço para a gente tentar integrar a ação profissional. Então, tem vários setores, segurança pública, assistência social, saúde, educação, conselho tutelar, enfim, segurança pública, são profissionais que estão à frente dos serviços e a gente busca discutir melhorias no atendimento e na integração desses serviços, justamente para que essa rede funcione de forma mais integrada. Nós temos o Centro de Referência da Mulher, também, que é um serviço que o fórum ajudou a criar aqui em Santa Maria, que não existia, que ele busca, justamente, a articulação desses serviços entre si. Então, a minha trajetória é um pouco a partir dessa história, da prática.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>.TXT: Fale um pouco sobre a sua trajetória profissional e sua experiência em relação a projetos de apoio a mulheres em situação de violência?</strong></p>
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<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Laura Ferreira:</strong> Minha trajetória profissional, ela vem em boa parte da graduação ainda na enfermagem, da área da saúde, tem inquietações muito relacionadas com a nossa formação ser ainda muito biológica, focada nas lesões, no cuidado físico e pouco abrangente em termos da realidade social das pessoas. A violência é um problema de saúde pública e afeta diretamente a saúde das mulheres e das famílias. E aí, vendo isso, durante a formação, essa fragilidade nessa abordagem, eu despertei então para esse olhar das questões de gênero, alinhado a docentes que trabalhavam com isso na época. E aí, a partir disso, então, eu comecei a pesquisar no mestrado e principalmente no doutorado pensando nesse olhar ampliado para a rede de atendimento. Então, como essas mulheres circulavam após o atendimento na saúde, para onde elas iam, se elas eram encaminhadas para algum local, se elas iam para a rede, se elas voltavam para casa, enfim, fragilizadas, não tinham esse apoio. Foi aí que eu comecei a despertar o interesse no tema e eu trabalhei então na pesquisa do mestrado com enfermeiras, entrevistando enfermeiras sobre esse processo de trabalho das portas de entrada dos serviços de emergência do município. E depois no doutorado eu trabalhei com profissionais em um grupo de trabalho para a gente pensar como era essa rede de atendimento, quais eram as fragilidades, quais eram as potencialidades e se existia essa rede de atendimento. E daí, dos resultados da pesquisa do doutorado, a gente conclui que existem muitas falhas nessa rede, que os serviços não estavam organizados, compondo uma rede conectada, integrada. Então, existiam buracos nessa rede e a mulher acabava percorrendo muitos serviços e, às vezes, sem nenhuma ajuda ou, muitas vezes, só centrados na delegacia. E aí, essa continuidade, esse acompanhamento não existia. Então, isso, os resultados da pesquisa, da minha tese. Quando entrei na universidade, em 2018 como professora aqui no Politécnico, criei um projeto de extensão: o Fórum de enfrentamento à violência por parceiro íntimo contra as mulheres do Município de Santa Maria: promoção da cultura de paz e superação da violência, que é esse espaço, que é o fórum, que é um espaço permanente para a gente discutir, nós nos reunimos mensalmente e a gente contempla lá todos os serviços da rede. E é um espaço para a gente tentar integrar a ação profissional. Então, tem vários setores, segurança pública, assistência social, saúde, educação, conselho tutelar, enfim, segurança pública, são profissionais que estão à frente dos serviços e a gente busca discutir melhorias no atendimento e na integração desses serviços, justamente para que essa rede funcione de forma mais integrada. Nós temos o Centro de Referência da Mulher, também, que é um serviço que o fórum ajudou a criar aqui em Santa Maria, que não existia, que ele busca, justamente, a articulação desses serviços entre si. Então, a minha trajetória é um pouco a partir dessa história, da prática.&nbsp;</p>
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<!-- wp:paragraph -->
<p><br><strong>TXT: Quais as ações o projeto promove para amparar essas mulheres vítimas de violência em Santa Maria?</strong></p>
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<p><strong>Laura Ferreira: </strong>Então, o fórum em si trabalha com essa integração da rede. Então, nós construímos um fluxograma de atendimento junto aos serviços, aos profissionais, que não existia. Então, hoje nós temos um direcionamento de como essa mulher deve circular na rede. Então, esse apoio técnico foi feito. A gente busca, então, essa qualificação por meio desse curso de extensão de profissionais, para que eles possam refletir sobre o seu processo de trabalho, sobre os aspectos psicossociais e humanitários no atendimento dessas mulheres, as questões étnico-raciais, também nós discutimos bastante no curso. Então, pensando na formação de profissionais, nós temos contribuído nesse aspecto. E, além disso, a gente traz mulheres diretamente lá do CAPES. Então, nas terças-feiras à tarde, por meio dessas oficinas, é um grupo que é do CAPES, o Mulheres no Corre, que é um grupo de mulheres em abuso de substâncias, em uso de álcool e outras drogas. E ele visa a geração de renda, mas o empoderamento também e a promoção da saúde mental. Então, elas produzem artesanatos, camisetas e ecobags. E elas vendem em feiras de artesanato e participam de eventos também. A gente faz muito essa interlocução com a universidade. Elas vêm para cá também em aulas, participam, fazem apresentações sobre projetos. E a gente trabalha muito a questão desse empoderamento. Então, gênero é a base do que a gente discute, as desigualdades de gênero, pensando nesse empoderamento feminino. E elas acabam construindo esse empoderamento juntas no grupo, compartilhando as vivências. Cada uma fala sobre as suas dificuldades, sobre seus processos, sobre as violências que sofreram. E elas vão se apoiando umas nas outras e a gente vai mediando isso. Por meio das discussões teóricas, claro, mas que são da vida. Então, a gente trabalha nessa lógica lá dentro do CAPES, nesse sentido. E na minha prática também, como docente, junto com os estudantes do Técnico de Enfermagem, a gente faz atendimento na unidade de saúde, no posto de saúde. Então, a gente faz atendimento direto a mulheres também, mas não tem nenhum projeto específico para isso. Mas no nosso cotidiano, como eu trabalho essas temáticas em sala de aula, a gente acaba trabalhando também o serviço, acolhendo de uma forma mais diferenciada. Fazendo os encaminhamentos, as articulações necessárias lá também.</p>
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<p><strong>.TXT: Como essas atividades colaboram para a garantia da proteção dessas mulheres?</strong></p>
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<p><strong>Laura Ferreira:</strong> Então, a proteção é justamente pensando no empoderamento delas, porque a superação da violência exige o empoderamento feminino. E o empoderamento é uma categoria de análise que a gente compreende como sendo algo que é construído. Não sou eu, Laura, que vou lá empoderar aquela mulher. Eu posso mediar esse empoderamento, posso levar elementos, meios para ela conhecer os seus direitos, para ela conseguir perceber a situação de violência, para se enxergar no mundo, posso mediar isso. Mas essa tomada de consciência é um processo, ela é gradual. E se for coletiva, vai ser muito melhor, vai ser muito mais rápido também. Então, a gente contribui nesse sentido, de mediar esse empoderamento delas, fazer a escuta dessas mulheres também, porque violência dói muito, sofrer violência dói muito. Então, escutar elas se escutarem e a gente tentar pensar nas potencialidades que elas têm para que elas consigam se libertar daquela situação, para que elas enxergue outras possibilidades de vida. Mas isso é um grande desafio, então a gente faz esse atendimento lá, mas nessa perspectiva, pensando na geração de renda. E o fórum tem contribuído muito para fomentar que o município possa pensar e propor mais políticas públicas para as mulheres, porque a gente entende que antes da violência a gente tem que ter a base da igualdade de gênero para conseguir prevenir a violência contra as mulheres. Então, a gente trabalha muito nessa ideia da prevenção, em alguns aspectos. Até vamos em algumas escolas com algumas ações, quando somos chamados. Os cursos, então, nós temos feito as duas últimas edições dos cursos, elas têm sido focadas para profissionais da educação, para professores e professoras de educação básica da cidade, justamente para que eles consigam tentar lidar com essas situações no ambiente escolar, mas também na saúde. Geralmente a gente abre a vaga para diferentes cursos, e esse curso é bem interessante porque ele exige, a avaliação dele, o processo avaliativo dele, consiste na criação de um produto para ser desenvolvido no seu contexto de trabalho. Então, os professores, as professoras que participam do curso, precisam levar para as escolas um instrumento, alguma tecnologia, um produto, alguma tecnologia para usar com os alunos, que pode ser jogos, tem várias dinâmicas que eles constroem, e tem sido muito rico, ele já vai para a quinta edição agora, o curso. Então, a gente aposta muito na estratégia educativa desses profissionais de formação e profissionais já formados, para a gente estar qualificando esse atendimento. E a manutenção desse fluxo, porque exige, para que a gente tenha um projeto do fórum, ele consiste nas reuniões, onde a gente tenta integrar as ações dos serviços e criar estratégias para que os serviços se integram na rede. Para que essa mulher não fique sem acolhimento, para que essa mulher possa ter uma perspectiva no momento que ela resolve denunciar e também antes da denúncia. É aí que o centro de referência, que é o serviço-chave hoje, peça-chave do fluxo, ele é fundamental para que isso aconteça. Lá no centro de referência elas são acolhidas, elas recebem o atendimento psicológico do serviço social e também orientações jurídicas. E elas vão percorrendo esse fluxograma, que é o desenho da rede. A gente trabalha junto com o Ministério Público também, a gente faz as reuniões geralmente lá. Então é uma parceria interessante. A gente tem apostado também bastante nessa questão da qualificação por meio de eventos. E vamos começar um projeto em parceria. Na verdade é do ADH e a gente está entrando na parceria, que é um projeto para atendimento dos agressores, dos homens. A gente vai começar com grupos reflexivos para homens, para tentar prevenir novos incidentes de violência.</p>
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<p><strong>.TXT: Quais ligações o projeto tem com redes de proteção e garantia dos direitos às mulheres?&nbsp;</strong></p>
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<p><strong>Laura Ferreira:</strong> Na verdade, o fórum vem para articular essa rede. Então como é que funciona? Existe uma política nacional do enfrentamento à violência contra as mulheres, que é de 2007. Ela vem para concretizar a Lei Maria da Penha. Que foi criada em 2006. E aí essa política, um dos seus eixos, que é a dimensão da assistência a essas mulheres, ela contempla a rede. A rede de atendimento. E a rede de atendimento tem quatro braços. Que é o direito e a justiça, a segurança pública, a saúde e a assistência. Então esses serviços, o que incluem? Vou falar um pouquinho dessa rede, para ficar um pouco mais explícito. Na justiça, são criados os juizados especializados em violência doméstica. Todos os casos entravam dentro das varas comuns, criminais. E agora não. Existe um juizado específico. No Santa Maria nós temos um juizado específico para os casos de violência doméstica. Isso agiliza muito mais os julgamentos. As medidas protetivas. O juiz tem até 48 horas para expedir as medidas protetivas. E agora, mais recentemente, em função dos números de homicídios que tiveram agora no feriado de Páscoa, a gente tem as medidas protetivas sendo solicitadas online também. Então esse é o sistema de justiça. Além disso tem as promotorias e ainda as defensorias. Que vão advogar por essas mulheres também. E o sistema de segurança pública. Nós temos a polícia civil. Por meio das delegacias da mulher. Ou as delegacias de atendimento geral. Aqui em Santa Maria nós temos a delegacia funcionando de segunda a sexta. Até as 18 horas. Então não temos uma delegacia da mulher 24 horas. A delegacia que nós temos é uma delegacia de plantão geral. Que atende todos os tipos de situações aos finais de semana, o que é uma dificuldade. Porque as mulheres não têm um atendimento especializado aos finais de semana. E nem à noite. </p>
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<p>E aí nós temos também um serviço que é a Patrulha Maria da Penha. Que é da Brigada Militar. Que atende as mulheres com medidas protetivas. Então como é que funciona? Ela vai fazer o boletim de ocorrência. E aí ela pode solicitar. Independente do risco que esse agressor está expondo. Ela solicita uma medida. Que essa medida é um papel que o juiz vai expedir. Ordenando que esse agressor não se aproxime dessa mulher ou da sua família. Suspendendo porte de arma. Enfim, existem vários tipos de medidas. Dessas medidas. Então elas são fiscalizadas aqui em Santa Maria. Pela Patrulha Maria da Penha. Que é um grupo de policiais. Que vai nas casas das mulheres com medidas. Para acompanhar o andamento da situação. Se ela continua afastada. Se ela não está em risco. Se o agressor continua afastado dela. O serviço social que seria assistência social, todos os serviços, como por exemplo, os CRAS. Que são os centros de referência de assistência social. Os CRES. Que são os centros especializados em assistência social. O centro de referência da mulher. Que é um serviço de assistência social. E também a casa abrigo.As casas abrigo. Que são casas onde as mulheres podem ficar abrigadas. Com seus filhos por um período. Até que ela consiga achar um outro lugar para ir. Então enquanto ela estiver em risco. Ela pode permanecer abrigada nessa casa. E ainda tem a casa de passagem. Que é para mulheres em situação de rua. Isso são serviços de assistência social. Depois os serviços de saúde, que seriam todos os serviços de saúde do município. A gente tem um específico para a mulher em situação de violência. Especialmente sexual. Que é o centro obstétrico do hospital universitário. E depois todas as unidades de saúde, as unidades básicas do município. Mas para que eles funcionem como uma rede mesmo de produção. Eles precisam estar em comunicação. Eles precisam estar articulados. E é por isso que o centro de referência vem fazer esse grande braço articulador. A ideia é que essa mulher digamos entrou na saúde. A saúde já articula esse centro de referência. Que vai articular o município público. Vai articular com a delegacia. A mesma coisa quando a mulher vai denunciar. O ideal é que ela já seja vinculada ao centro de referência. Para que ele vai fazer esse acolhimento psicológico. Com serviço social. E já articula. Já mapeia onde que essa mulher mora. Como é que pode transportar ela para que ela não corra perigo na rua. Então só assim a gente consegue evitar feminicídios. E mesmo assim já é muito complexo a gente evitar. Mesmo com toda uma rede operando. O sistema machista patriarcal. Ele é muito muito forte. E muitas vezes essas mulheres não estão na rede. Às vezes até o medo. O medo porque como eu falei antes. A medida protetiva é um papel. Também nós temos aqui uma patrulha para patrulhar todas as mulheres. Então são mais de 300 medidas protetivas por mês. Então são muitas mulheres para poucos policiais. Em uma cidade de médio porte. Então com uma viatura policial. Então a gente ainda precisa avançar nisso. E para além disso tem essa questão da dependência emocional. De todo um contexto. Dos papéis de gênero, o que é estar numa relação para essa mulher. Então essas representações do relacionamento fazem com que elas permaneçam muitas vezes. E desistam de denunciar. Então é um movimento muito ambivalente. Uma hora ela quer denunciar. Outra hora ela não quer. Então é bem complicado. Então isso tudo existe em políticas públicas que possam fortalecer essa rede. Mas ampliar esse papel dessa rede. Também na prevenção. É toda uma cultura que precisa mudar. Para que a gente chegue ao feminicídio zero. Mas a gente já melhorou muito. Só que precisamos avançar muito ainda.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

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<p><strong>.TXT: Como o projeto age diante dos desafios de violência dessas mulheres?</strong></p>
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<p><strong>Laura Ferreira: </strong>O projeto ele se responde nele mesmo. Por exemplo, quando a gente está lá no CAPES e tem uma situação muito complexa. Um caso de uma mulher que é muito complexo. A gente tenta discutir esse caso em rede. Tentar assim a gente articula. Vou te dar um exemplo, por exemplo, teve um caso de uma mulher que estava em risco extremo de feminicídio. E aí a gente fez uma articulação com o Ministério Público pra gente pensar junto com o promotor e com a delegada o que nós podíamos fazer naquele momento. Que ela não tinha pra onde ir. Que a gente não tinha uma eminência de pagamento de aluguel social. Ela não tinha onde ficar. E ela estava sendo perseguida. Então a gente leva pra própria rede discutir e acolher esse caso. Então, parece simples. Mas é muito difícil a gente conseguir articular a saúde com a justiça, por exemplo. Porque nós somos áreas completamente diferentes. Formações completamente diferentes. Não existe um sistema de comunicação único no Brasil inteiro. Não é só Santa Maria. No Brasil inteiro. No mundo inteiro. Os serviços estão aprendendo a se organizar mais articulados. Então, a gente tem essa experiência de aparecer um problema mais extremo, um desafio maior a gente tenta articular essa rede caso a caso. Porque cada uma vai exigir uma coisa. No caso dela, ela não tinha rede de apoio nenhuma nem para onde ir. Aí já muda um pouco o cenário. Então, vai depender de cada caso. Então, os desafios mais complexos principalmente estão relacionados à habitação para onde elas vão, a questão da renda. Nesse caso, ela não conseguia ir pra casa de abrigo onde ela tinha tido uma experiência que não foi positiva lá. E aí, a gente realmente não tinha onde acolher essa mulher. Os casos mais desafiadores têm que ser discutidos com a rede entre os serviços. Então, é isso que a gente ajuda a mediar essa articulação da rede.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>.TXT: De que forma o projeto prepara os profissionais para realizar atendimento às vítimas?&nbsp;</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Laura Ferreira:</strong> É por meio da qualificação do curso que a gente tem de extensão que acontece geralmente no segundo semestre e na discussão do caso. Por exemplo, para os estudantes de enfermagem na prática quando a gente está no serviço de saúde a gente vai receber o caso da situação, a gente vai fazer todo o acolhimento dela, a escuta dela vai tentar, então, orientar sobre os seus direitos sobre os direitos dela e aí a gente vai fazer a notificação da violência, que é uma notificação da saúde, onde a gente preenche uma ficha para lançar num sistema que é o SINAN, então, do SUS que vai para a violência epidemiológica. E aí a gente faz essa articulação direta com o centro de referência a gente já marca o atendimento para ela ir no centro de referência. Então, a formação é caso a caso, a gente trabalha esses conteúdos em sala de aula também, isso acho que é bem importante destacar aqui dentro da universidade nas minhas disciplinas a gente trabalha nas salas de aula e ofertamos esse curso de extensão que é anualmente,&nbsp; fora algumas formações que a gente faz, por exemplo, semana passada eu fui fazer uma fala com policiais da Patrulha Maria da Penha e da Brigada da Região então a gente foi fazer uma contribuição num curso de formação deles então é mais pela educação permanente mesmo, sobre essa temática.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>.TXT: Como as experiências do projeto impactam a percepção dos futuros profissionais de enfermagem?&nbsp;</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Laura Ferreira: </strong>Sim, eu percebo que elas e eles, geralmente a maioria é mulher primeiro acho que é um processo de empoderamento delas mesmo, empoderamento feminino então como é um projeto também que demanda muito articulação com outros setores com o judiciário também manda e-mail, se comunica então elas aprendem também a se comunicar de uma maneira mais formal e isso também contribui nesse processo formativo como conectar conhecer a rede, eu tenho que enviar o convite para tais e tais setores para o conselho tutelar, para o juiz como que eu ativo isso, então essa formação de articulação é interessante mas também sobre a apropriação do tema, então é muita reflexão, elas conseguem enxergar as situações de violência até para si mesmas e para familiares então elas ampliam o olhar para além do atendimento da ferida, do curativo da lesão, da medicação elas conseguem olhar para esse problema que é social, então para o que está por trás daquela lesão. É um aprendizado que a gente consegue estimular psicologicamente para as questões emocionais, psicológicas exatamente para o trauma, para os abusos para essa dor, esse sofrimento que ele não é mensurável, ele não é tão objetivo, ele é emocional muitas vezes psíquico então essa construção se dá dentro da formação e também no espaço do projeto e essa questão do olhar para a rede de entender que não é só a saúde que vai dar conta de um problema complexo desse tamanho então que a saúde ela tem tantas dimensões que ela precisa de uma rede de vários serviços, vários setores só que isso não é quase trabalhado na formação em saúde então esse é um déficit que a gente ainda tem, então eles conseguem enxergar essa rede e para serem ativadores dessa rede serem sujeitos e ativadores desses outros serviços, então acho que a grande contribuição, resumindo é a ampliação desse olhar para além da doença olhar para todos os aspectos do indivíduo, a questão do conhecimento e da ativação dessa rede e de pensar também nessas questões de prevenção do gênero de mudar a cultura machista então elas passam por esse processo de empoderamento também que eu acredito que todas nós precisamos nos empoderar para a gente conseguir fazer alguma coisa porque todos nós estamos nessa cultura machista e patriarcal então para a gente conseguir fazer alguma coisa, a gente também precisa passar por esse empoderamento e a leitura, os estudos a academia é muito importante para nos ajudar a fortalecer isso.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>.TXT: Poderia citar alguns projetos específicos voltados para o enfrentamento da violência doméstica, saúde da mulher na perspectiva de gênero, direitos humanos, cidadania e políticas públicas? </strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Laura Ferreira: </strong>o Fórum do Enfrentamento à Violência contra as Mulheres de Santa Maria temos então o curso de extensão segura e esse outro projeto que é o apoio matricial como dispositivo de cuidado à mulher em situação de violência também tem um outro projeto no Departamento de Terapia Ocupacional coordenado pela professora Tatiana de Move, que é um projeto também que apoia as mulheres no Corre dentro do CAPES, que é para ficar com as crianças, é um espaço lúdico terapêutico para as crianças que acompanham essas mulheres durante o atendimento porque uma grande dificuldade que a gente tinha é que as mulheres não vinculavam o CAPES muitas vezes porque elas não tinham com quem deixar os filhos elas não tinham esse apoio para elas poderem estar lá no serviço então a gente entendeu que esse era um espaço importante, um espaço para as crianças então a professora Tatiana tem as estudantes de terapia ocupacional que vão para ficar com essas crianças também nesse espaço, ofertando atividades lúdicas e ocupacionais para elas nesse espaço tem também o o projeto da professora Miliana Freire, que é sobre maternagem.<br></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>TXT: Fale um pouco sobre a sua trajetória profissional e sua experiência em relação a projetos de apoio a mulheres em situação de vulnerabilidade social.</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:media-text {"mediaId":4003,"mediaLink":"https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?attachment_id=4003","mediaType":"image","mediaWidth":37,"verticalAlignment":"top"} -->
<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile is-vertically-aligned-top" style="grid-template-columns:37% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/07/IMG_9161-edit-1-671x1024.jpg" alt="" class="wp-image-4003 size-full" /></figure><div class="wp-block-media-text__content"><!-- wp:paragraph {"placeholder":"Conteúdo..."} -->
<p><strong>Laura Fonseca: </strong>Tudo começou ainda no século passado, quando eu atuava como docente na Universidade de Brasília (UnB). No mestrado, desenvolvi uma pesquisa que relacionava gênero, pobreza e HIV. Na época, estávamos por volta de 1997, 1998. Acompanhamos mulheres em situação de vulnerabilidade por meio de um projeto de extensão no ambulatório de infectologia. Observamos a dinâmica da contaminação e recontaminação dessas mulheres, e o contexto social em que estavam inseridas. Alguns anos depois, ingressei na Universidade Federal do Pampa (Unipampa), na fronteira oeste do Rio Grande do Sul, bem distante do Centro-Oeste. Lá, além dos projetos de pesquisa, também desenvolvi atividades de extensão voltadas às mulheres que chegavam à delegacia na época, ainda não havia uma delegacia especializada em vítimas de violência doméstica ou intrafamiliar, principalmente. Começamos então a realizar ações por meio da universidade, em parceria com o sistema de segurança pública. Inicialmente, atuamos na capacitação das equipes das delegacias para que estivessem mais preparadas para lidar com essas mulheres. De certa forma, conseguimos alcançá-las através da formação desses profissionais. Desde o final de 2013, já na UFSM, comecei a atuar, a partir de 2014, no Núcleo de Ensino, Pesquisa e Extensão Hegemônicas que chamamos de <a href="https://portal.ufsm.br/projetos/publico/projetos/view.html?idProjeto=66942">Hegemônicas</a> com ações de pesquisa e extensão voltadas para grupos mais vulneráveis.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph {"placeholder":"Conteúdo..."} -->
<p></p>
<!-- /wp:paragraph --></div></div>
<!-- /wp:media-text -->

<!-- wp:paragraph -->
<p></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Temos um trabalho de mediação que vai além da pesquisa e das palestras: atuamos principalmente por meio dos estágios em Serviço Social, realizados em espaços institucionais com vínculo direto com a temática, como o CRM (Centro de Referência da Mulher) em Santa Maria. Então, essa trajetória já soma cerca de 30 anos de atuação.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>.TXT: Quais ações o curso de Serviço Social desenvolve para apoiar essas mulheres?</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Laura Fonseca: </strong>As ações ocorrem principalmente por meio dos projetos de extensão. Esses projetos têm momentos e etapas voltadas à formação de profissionais que atuam diretamente com essa população. Temos, por exemplo, um projeto coordenado por uma professora do curso que trabalha com profissionais da assistência social e da segurança pública que atuam junto a mulheres vítimas de violência. Esse projeto é voltado especialmente à formação de assistentes sociais, psicólogos e outras pessoas de equipes multidisciplinares que trabalham com esses grupos. Também desenvolvemos ações de ensino por meio dos estágios curriculares em espaços sócio ocupacionais diretamente relacionados à violência contra a mulher. Embora não tenhamos um projeto exclusivo voltado diretamente às mulheres, nossas ações permeiam os contextos de vulnerabilidade que as afetam.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>.TXT: Como essas atividades contribuem para a garantia dos direitos e a autonomia das mulheres?</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Laura Fonseca: </strong>Acreditamos que essas ações contribuem, primeiramente, por darem visibilidade à realidade vivida por essas mulheres. Elas revelam o que está acontecendo e apresentam essa realidade também aos nossos estudantes. Como é um curso superior, é fundamental que desde o início os alunos tenham contato não só com os temas, mas com as situações concretas do município, do estado e do país. Por exemplo, no segundo semestre do curso, temos uma disciplina obrigatória chamada "Gênero, Políticas Sociais e Serviço Social", destinada a estudantes ingressantes. É uma disciplina obrigatória, não optativa, e desde o início buscamos problematizar essa realidade em sala de aula.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>.TXT: Quais parcerias o curso tem com redes de proteção social, ONGs e políticas públicas?</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Laura Fonseca: </strong>Mantemos parcerias com todas as secretarias do município de Santa Maria, tanto para estágios quanto para projetos de extensão não só na área da violência, mas também em outras, como segurança alimentar e assistência social. Temos parceria com as secretarias de Assistência Social, Saúde e educação. Atuamos também com o terceiro setor, especialmente com ONGs que atendem mulheres e outros grupos em situação de vulnerabilidade.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>.TXT: Como o curso lida com os desafios da vulnerabilidade social dessas mulheres?&nbsp;</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Laura Fonseca: </strong>Essa pergunta é muito boa. Primeiro, partimos do entendimento de que essas vulnerabilidades não são naturais; elas expressam uma realidade social mais ampla, na qual a universidade também está inserida. Assim, lidamos com essas questões por meio do ensino, da pesquisa e da extensão. Alguns núcleos são mais organizados em torno da questão da vulnerabilidade das mulheres, outros nem tanto, mas todos compartilham o compromisso de colocar a universidade a serviço da sociedade e trazer a sociedade para dentro da universidade. Buscamos reconhecer e concretizar essa relação, pois é a partir dela que conseguimos promover mudanças. Os projetos são formas concretas de dialogar com a sociedade.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>.TXT: De que maneira o curso prepara os profissionais para a defesa dos direitos dessas mulheres?&nbsp;</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Laura Fonseca:</strong> Desde o início da formação. O curso de Serviço Social tem como base essa fundamentação. Surgiu há quase 100 anos, no final da década de 1930, exatamente para lidar com as expressões da "questão social", ou seja, com as contradições e desigualdades presentes na sociedade. O curso tem nove semestres e, do primeiro ao último, visa preparar profissionais para garantir direitos, atuar na sua defesa e desenvolver habilidades para fortalecer ações práticas em seus contextos de trabalho. Destaco algumas disciplinas como "Cidadania e Direitos Humanos", "Gênero", "Família e Segmentos Vulneráveis" e "Gerontologia Crítica", esta última voltada à população idosa, também vulnerável. Todas essas disciplinas dialogam constantemente com a defesa de direitos.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>.TXT: Como as experiências no curso impactam a percepção dos futuros assistentes sociais sobre a equidade de gênero?&nbsp;</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Laura Fonseca: </strong>Acredito que o impacto ocorre de maneiras diferentes, dependendo de como cada estudante recebe e vivencia a formação. O conceito de equidade, por exemplo, é muito presente na área da saúde, e se diferencia da igualdade justamente por reconhecer as diferenças e propor ações a partir delas. A formação acadêmica não garante sozinha essa percepção, mas ela potencializa o entendimento e coloca o estudante diante da necessidade de incorporar essa perspectiva no exercício profissional. Essa diretriz está também assegurada em nosso Código de Ética Profissional, em vigor desde 1993, que já apontava a equidade como um princípio e valor fundamental. Então, embora o debate esteja mais presente atualmente, essa preocupação não é nova na profissão. Claro que a forma como cada um irá materializar essa visão dependerá também de sua trajetória cultural e social.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>.TXT: Poderia citar alguns projetos específicos voltados para o enfrentamento da violência doméstica, desigualdade econômica e outras formas de opressão contra as mulheres?</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Laura Fonseca: </strong>Temos um projeto coordenado pela professora Cristina Fraga, voltado à formação de profissionais da segurança pública para o enfrentamento da violência contra a mulher. Também temos o Núcleo <a href="https://portal.ufsm.br/projetos/publico/projetos/view.html?idProjeto=66942">Hegemônicas</a>, que coordena ações como o "Quartas Hegemônicas" e grupos de estudos de gênero, voltados à discussão das vulnerabilidades e de como elas afetam especialmente as mulheres. Além disso, temos atuação junto à Casa Verônica e outras iniciativas dentro da própria universidade.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:separator -->
<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity" />
<!-- /wp:separator -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Repórteres:</strong> <em>Joice Figueiredo e Raíssa Dietrich </em></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><em><strong>Contato:</strong> joice.scherer@acad.ufsm.br</em> / <em>raissa.dietrich@acad.ufsm.br</em></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p></p>
<!-- /wp:paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Tecnologia a serviço da acessibilidade</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2025/07/14/tecnologia-a-servico-da-acessibilidade</link>
				<pubDate>Mon, 14 Jul 2025 18:58:58 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[30ª Edição]]></category>
		<category><![CDATA[dossiê]]></category>
		<category><![CDATA[Página de Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[#ed30]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?p=3973</guid>
						<description><![CDATA[O projeto Nightwind desenvolve produtos de baixo custo para pessoas com deficiência 
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:paragraph -->
<p>Para escutar o áudio da reportagem, clique abaixo:</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:audio -->
<figure class="wp-block-audio"><audio controls src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/07/Audioreportagem-CTISM.mp3"></audio></figure>
<!-- /wp:audio -->

<!-- wp:image {"id":3976,"align":"none","className":"wp-image-3976 size-large"} -->
<figure class="wp-block-image alignnone wp-image-3976 size-large"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/07/colher-1024x575.jpg" alt="" class="wp-image-3976" /><figcaption class="wp-element-caption">Protótipo da colher desenvolvido no CTISM</figcaption></figure>
<!-- /wp:image -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Para muitas pessoas, o simples ato de segurar uma colher para se alimentar se torna uma grande missão. Isso ocorre devido aos tremores causados por doenças degenerativas, como o Parkinson e outros distúrbios com esse tipo de sintoma. José Juraci Carvalho, 69, é um desses casos. Ele iniciou o tratamento para a Doença de Parkinson em abril de 2025, após passar 4 anos com o diagnóstico incorreto e teve seu caso tratado como Acidente Vascular Cerebral (AVC). “Um dia eu acordei com o lado esquerdo do corpo paralisado, mas pensei que tivesse dormido em cima. Conforme os dias foram passando e aquilo não melhorava, fui ao médico fazer exames neurológicos e fui diagnosticado com AVC. Passei muito tempo tomando medicação para a doença errada, quase morri”, explica José.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>De acordo com uma pesquisa publicada na <a href="https://www.ufrgs.br/site/noticias/doenca-de-parkinson-pode-afetar-mais-de-1-milhao-de-brasileiros-ate-2060-revela-estudo/">Revista Científica The Lancet Regional Health</a> e realizada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em parceria com o Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), em 2024, mais de 500 mil brasileiros acima de 50 anos convivem com Parkinson. Conforme dados divulgados pelo Ministério da Saúde,<a href="https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2023/fevereiro/tremor-essencial-afeta-20-da-populacao-com-mais-de-65-anos"> aproximadamente 20% da população mundial acima dos 65 anos tem chance de desenvolver Tremor Essencial</a> (TE) em algum período da vida. A doença de Parkinson é uma enfermidade neurológica crônica que compromete a coordenação motora. Entre os principais sintomas estão os tremores, lentidão nos movimentos, rigidez muscular, problemas de equilíbrio e alterações na fala e na escrita. O quadro de parkinson é resultado da degeneração de células localizadas em uma área do cérebro chamada substância negra. Essas células são responsáveis pela produção da substância dopamina - um neurotransmissor essencial para a transmissão de impulsos nervosos aos músculos. A redução ou ausência dessa substância compromete os movimentos corporais, provocando os indícios característicos da doença. O diagnóstico da doença é clínico, baseado na análise do paciente e em exames neurológicos. Até o momento, não existem exames laboratoriais ou testes específicos que confirmem a doença ou maneiras de prevenção. A doença progride de forma lenta e contínua e os tremores ficam mais evidentes quando o paciente segura objetos leves, como uma colher. Esses movimentos são chamados de “tremores de repouso” porque ocorrem quando o corpo está parado e tendem a se intensificar em momentos de estresse ou nervosismo. No entanto, não é apenas o parkinsonismo que causa tremores. Outras condições neurológicas também são afetadas por essa circunstância e o Tremor Essencial (TE) é uma das mais comuns. Diferente do parkinson, o tremor essencial geralmente afeta as mãos durante os movimentos voluntários, como escrever, segurar objetos, e tende a ter origem familiar, ou seja, pode ser herdado geneticamente. Outras causas de tremores incluem esclerose múltipla, que afeta a comunicação entre o cérebro e o corpo; distúrbios da tireoide, como o hipertireoidismo; além de efeitos colaterais de certos medicamentos ou abstinência de álcool.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A fonoaudióloga do Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM), integrante das equipes de Cuidados Paliativos e Geriatria, Marília Trevisan Sonego, explica que os momentos de avaliação clínica possibilitam a identificação de disfagias - dificuldade de engolir alimentos e até mesmo a própria saliva. No momento da alimentação, o tremor pode gerar angústia e preocupação para tentar controlar os movimentos. “Os pacientes acabam esquecendo de deglutir a própria saliva ou resíduos alimentares. Nesse sentido, a colher estabilizadora tem o potencial de dar segurança ao paciente”, afirma Marília.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Apesar de ainda não haver cura para a doença de Parkinson, é possível tratar os sintomas e desacelerar a sua progressão. A dificuldade em encontrar cura está relacionada à genética humana, pois as células nervosas perdidas na substância negra não se regeneram. O tratamento pode envolver o uso de medicamentos que atuam sobre a dopamina, fisioterapia para manter a mobilidade e em alguns casos intervenções cirúrgicas. Além disso, a fonoaudiologia desempenha um papel fundamental no tratamento de dificuldades na fala e na voz que muitos pacientes enfrentam.&nbsp; Embora o tremor possa ser apenas um sintoma, ele é um sinal de que o corpo está pedindo atenção. E, muitas vezes, um diagnóstico precoce faz toda a diferença na qualidade de vida do paciente.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:heading -->
<h2 class="wp-block-heading">Mais que um projeto, uma causa</h2>
<!-- /wp:heading -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Diante desse cenário, surgiu o projeto <a href="https://portal.ufsm.br/projetos/publico/projetos/view.html?idProjeto=69825" target="_blank" rel="noopener">“Desenvolvimento de Sistemas Eletroeletrônicos voltados à Tecnologia Assistiva</a><a href="https://portal.ufsm.br/projetos/publico/projetos/view.html?idProjeto=69825">”</a>, coordenado pelos professores do Colégio Técnico Industrial de Santa Maria (CTISM), Thiago Cattani Naidon e Saul Azzolin Bonaldo. Vinculada ao grupo de pesquisa “NightWind”, desde 2023 a iniciativa produz acessibilidade ao criar itens de baixo custo pensados para pessoas com algum tipo de deficiência e que não têm condições de pagar por uma Tecnologia Assistiva&nbsp; (TA).&nbsp; “A gente começou a ver que não é só para quem tem Parkinson, tem muita gente que tem problemas de tremor, e aí pensamos: Como desenvolver algo acessível? Porque hoje, uma colher importada que estabiliza o movimento custa cerca de R$ 20 mil. Isso é inviável para a maioria das pessoas”, comenta Saul.&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:image {"id":3981,"align":"none","className":"wp-image-3981 size-large"} -->
<figure class="wp-block-image alignnone wp-image-3981 size-large"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/07/IMG_8486-1024x575.jpg" alt="" class="wp-image-3981" /><figcaption class="wp-element-caption">Interface do site que será disponibilizado para uso</figcaption></figure>
<!-- /wp:image -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Entre os produtos, desenvolve-se uma colher ergonômica que visa estabilizar os tremores durante as refeições e busca garantir uma maior independência aos pacientes. Essa demanda surgiu a partir da experiência da fonoaudióloga Marília em seus atendimentos hospitalares. Ela percebeu que os pacientes não conseguiam se alimentar sozinhos devido aos tremores e sugeriu o desenvolvimento de uma peça que pudesse proporcionar essa autonomia. Em sua primeira versão, o protótipo da colher utiliza a plataforma microcontrolada Arduino, que é manipulada na criação de eletrônicos interativos como impressoras. Porém, o professor Thiago menciona que, para o produto final, o planejamento é substituir o Arduíno pela plataforma ESP, que oferece um maior controle da amplitude de movimento. “Estamos verificando a possibilidade de usar a plataforma ESP, que é outro microcontrolador mais potente porque como o processo de correção de ângulo e inclinação envolve técnicas de controle é necessário um dispositivo que dê conta de executar operações lógico-matemáticas”, explica Naidon. Além disso, o modelo da colher possui um servomotor, um <span style="font-size: revert;color: initial">acelerômetro e um giroscópio que garantem a funcionalidade do produto. Toda a produção da colher é feita no CTISM, </span><span style="font-size: revert;color: initial">onde os participantes do projeto têm acesso a equipamentos, como a impressora 3D, na qual são feitas as impressões dos acessórios.&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;</span></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:image {"id":3979,"width":"210px","height":"auto","align":"right","className":"wp-image-3979"} -->
<figure class="wp-block-image alignright is-resized wp-image-3979"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/07/IMG_8574-1-621x1024.jpg" alt="" class="wp-image-3979" style="width:210px;height:auto" /><figcaption class="wp-element-caption">Bolsista do projeto, Gustavo Carabajal</figcaption></figure>
<!-- /wp:image -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Para o discente do terceiro ano do Curso Técnico em Mecânica Integrado ao Ensino Médio e bolsista do projeto, Gustavo Carneiro Carabajal, a oportunidade de trabalhar em um grupo como esse é uma forma de colecionar memórias e aprendizados. Gustavo tem sob sua responsabilidade&nbsp; o desenvolvimento do protótipo da colher, com auxílio e supervisão do professor Thiago. Aliado a isso, o estudante também trabalha na criação de um site sobre o produto, que irá conter informações técnicas sobre a utilização e será disponibilizado para médicos, usuários da ferramenta e familiares. Antes de ser finalizada e disponibilizada para uso no HUSM e no Sistema Único de Saúde (SUS), a colher estabilizadora passará por um rigoroso processo de testes para aplicação em pacientes que enfrentam dificuldades diariamente.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Uma dessas pessoas é José, que convive com tremores constantes nas mãos, especialmente perceptíveis durante as refeições. Para sua esposa e principal cuidadora, Diva Ilga Bessauer Carvalho, 69, a existência de uma ferramenta como a colher desenvolvida pela NightWind poderia transformar sua rotina. “Ele tem bastante dificuldade para se alimentar por causa dos tremores. Todas as pessoas que têm Parkinson deveriam ter acesso a esse tipo de coisa”, comenta Diva. O caso de José evidencia a urgência e a relevância de iniciativas como esta, que aliam tecnologia e responsabilidade social para promover mais autonomia e qualidade de vida a quem precisa.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Para saber mais sobre o projeto, acompanhe o Instagram:<a href="https://www.instagram.com/ctism_nightwind?igsh=MXV2cmNjNGRycHI4NQ==">@ctism_nightwind</a></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:separator -->
<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity" />
<!-- /wp:separator -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Repórteres:</strong> <em>Maria Eduarda Camargo e Myreya Antunes</em></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Contato:</strong><em> eduarda.carvalho@acad.ufsm.br/myreya.antunes@acad.ufsm.br</em></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p></p>
<!-- /wp:paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Inclusão sob medida</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2025/07/14/inclusao-sob-medida</link>
				<pubDate>Mon, 14 Jul 2025 18:53:19 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[30ª Edição]]></category>
		<category><![CDATA[dossiê]]></category>
		<category><![CDATA[Página de Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[#ed30]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?p=3970</guid>
						<description><![CDATA[Projeto da Terapia Ocupacional usa impressão 3D para criar dispositivos únicos e proporcionar autonomia 

]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:paragraph -->
<p>Para escutar o áudio da reportagem, clique abaixo:</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:audio -->
<figure class="wp-block-audio"><audio controls src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/07/audioreportagem-txt.mp3"></audio></figure>
<!-- /wp:audio -->

<!-- wp:image {"id":3984,"align":"none","className":"wp-image-3984"} -->
<figure class="wp-block-image alignnone wp-image-3984"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/07/IMG_0077-1-1-1024x683.jpeg" alt="" class="wp-image-3984" /><figcaption class="wp-element-caption">Impressão da prótese</figcaption></figure>
<!-- /wp:image -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Reconhecer o que constitui a sua identidade é enxergar as atividades que preenchem o tempo e lhe dão sentido. Cada gesto simples da rotina é carregado por autonomia, significado e pertencimento. Essa é a perspectiva de ocupação que guia o trabalho de terapeutas ocupacionais. Quando o corpo enfrenta barreiras para se expressar, os profissionais entram em ação para devolver essa capacidade e, assim, reconstruir sua independência.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Fazer as unhas, abrir o fecho da mochila, cortar carne, tocar piano e tantas outras ações imersas no cotidiano revelam-se objetivos de pessoas com diferenças funcionais. A Terapia Ocupacional (TO) desenvolve o olhar atento para essas minuciosidades, a percepção sutil torna-se ferramenta clínica. Seu trabalho é moldar estratégias para que seus pacientes possam viver práticas diárias com dignidade.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>No curso de Terapia Ocupacional da UFSM, o projeto de extensão Incluir Tecnologias Assistivas (IncluirTA) representa a união entre sensibilidade e técnica. A iniciativa desenvolve dispositivos de tecnologia assistiva para dar suporte a pacientes que, por motivos físicos, mentais ou emocionais, apresentam dificuldades em realizar tarefas do dia a dia. Os recursos produzidos pelo grupo fazem parte do campo da Tecnologia Assistiva (TA), dedicado a desenvolver uma variedade de soluções, das ferramentas mais simples até sistemas complexos. São exemplos disso próteses, órteses, cadeira de rodas, aparelhos auditivos e bengalas, os quais proporcionam participação ativa de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida na sociedade.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>As múltiplas possibilidades de criação e inclusão proporcionadas pela área chamaram a atenção da professora Daniela Tonús desde a graduação. Quando o departamento do curso adquiriu uma impressora 3D, a docente viu uma oportunidade de colocar seus estudos em prática. A iniciativa resultou na criação de uma ação extensionista e na incorporação do tema à disciplina de Prática Supervisionada. O Incluir Tecnologias Assistivas iniciou suas atividades no início de 2025 e, junto da coordenadora, trabalham seis extensionistas, um responsável pela modelagem e impressão 3D, o estudante Julio Cesar Lima, e&nbsp; também a docente do curso de TO, a Dra. Aline Ponte. Para abraçar as demandas da comunidade, o projeto tem parcerias com instituições que trabalham com qualidade de vida e inclusão. Entre elas, destaca-se a Associação Colibri, organização de Santa Maria que promove o bem-estar para pessoas que necessitam de suporte físico ou intelectual.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:heading -->
<h2 class="wp-block-heading">Quando ouvir é acolher</h2>
<!-- /wp:heading -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>No primeiro contato com os pacientes, a equipe do IncluirTA busca identificar mais do que limitações físicas. Por meio de um questionário específico aplicado pelas estudantes de TO, as expectativas, motivações e receios de cada caso são revelados. A professora Daniela explica que as prioridades do paciente ficam em primeiro plano: “Eu trabalho uma perspectiva muito do que o paciente me traz como desejo, não do que eu vejo como uma possibilidade para ele”.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A escuta sensível e atenta foi essencial para a idealização da prótese de Fernando Moro, funcionário da Imprensa Universitária da UFSM e&nbsp; primeiro paciente atendido pelo IncluirTA, encaminhado pela Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas (PROGEP). Após um acidente de carro em 2023, Fernando teve parte do braço esquerdo amputado, acima do cotovelo. Antes do projeto, utilizava uma prótese fornecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS), contudo, sua adaptação não foi bem-sucedida. “Ela era grande demais, pesada demais. Usei poucas vezes, não me acertei”, reconhece Fernando. Além de instruções básicas, ele não recebeu treinamento para usar o aparelho, o que levou ao quase total abandono.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>O trabalho desenvolvido pelo projeto busca produzir tecnologias assistivas únicas, conforme as necessidades diárias de cada paciente. A voluntária e aluna de TO, Maria Eduarda Witschoreck, expressa como esse trabalho de escuta e pensamento clínico contribui para uma produção final mais assertiva. “A Terapia Ocupacional é muito focada nisso, na escuta real do sujeito, das suas necessidades, suas vontades e a realidade do seu contexto”.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>No caso do Fernando, o grupo identificou questões relacionadas à produtividade e lazer que mereciam atenção ao elaborar o planejamento da prótese. “Ele tinha uma vida muito agitada - carregava peso, praticava esportes, tocava teclado -, isso são marcas importantes para levar em conta na produção”, explica a coordenadora. A solução foi um dispositivo leve, funcional e adaptado às suas atividades reais.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:image {"id":3985,"align":"none","className":"wp-image-3985 size-large"} -->
<figure class="wp-block-image alignnone wp-image-3985 size-large"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/07/IMG_9958-2-1024x752.jpeg" alt="" class="wp-image-3985" /><figcaption class="wp-element-caption">Análise do planejamento da prótese. | Foto: Mathias Ilnicki.</figcaption></figure>
<!-- /wp:image -->

<!-- wp:heading -->
<h2 class="wp-block-heading">Conexão entre a mente e a realidade</h2>
<!-- /wp:heading -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>No IncluirTA, a impressora 3D é a ferramenta que inaugura a possibilidade de criar tecnologias assistivas personalizadas, moldadas com precisão às demandas de cada paciente. O responsável técnico é o estudante do terceiro ano do Ensino Médio do Colégio Técnico Industrial de Santa Maria da UFSM (CTISM), Julio Cesar Lima. Autodidata em impressão 3D, Julio passou a integrar o projeto ao ser chamado para resolver problemas técnicos no equipamento. “Quando me convidaram, o projeto já estava em andamento, mas faltava alguém para ajudar com os aspectos técnicos da impressão”, afirma o estudante.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Além da manutenção e operação da impressora, Julio lidera a modelagem das peças no software Fusion 360, em um processo que envolve toda a equipe. Ter a oportunidade de trabalhar com uma tecnologia de alto nível enquanto estudante era algo que Maria não esperava: “É um processo demorado e desafiador, não vou negar. Mas é incrível ver o que eu criei no meu computador ser impresso de forma material com potencial de ajudar um paciente de verdade”, completa a extensionista.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Chegado o momento da impressão, entre camadas e fatiamentos, o dispositivo toma forma. A prótese de Fernando ainda não foi testada, mas o servidor da UFSM já demonstra sua satisfação com o projeto: “Acho que vai suprir as necessidades, estou na expectativa. Mas fui muito bem recebido pelas alunas, pelas professoras e fiquei bem agradecido”. O projeto Incluir Tecnologias Assistivas demonstra que tecnologia e cuidado podem caminhar juntos. A escuta às particularidades do cotidiano e a busca por soluções adequadas para cada caso tornam o atendimento um processo construído em conjunto entre paciente e profissionais. No encontro entre a Terapia Ocupacional e a tecnologia assistiva, dispositivos ganham um novo sentido: o de resgatar a autonomia.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:image {"id":3986,"align":"none","className":"wp-image-3986 size-large"} -->
<figure class="wp-block-image alignnone wp-image-3986 size-large"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/07/IMG_0051-1-1024x683.jpeg" alt="" class="wp-image-3986" /><figcaption class="wp-element-caption">Estudo de modelagem no Fusion 360 | Foto: Mathias Ilnicki</figcaption></figure>
<!-- /wp:image -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Para saber mais sobre o projeto, acompanhe o Instagram: <a href="https://www.instagram.com/incluirta?igsh=cnA4dzhsdTdncHI=">@incluirta</a></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:separator -->
<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity" />
<!-- /wp:separator -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Repórteres:</strong> <em>Amanda Borin e Mathias Ilnick</em></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Contato:</strong> <a href="mailto:amanda.borin@acad.ufsm.br"><span style="font-weight: 400">amanda.borin@acad.ufsm.br</span></a><span style="font-weight: 400"> / </span><a href="mailto:mathias.dalla@acad.ufsm.br"><span style="font-weight: 400">mathias.dalla@acad.ufsm.br</span></a></p>
<!-- /wp:paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Dossiê: Tecnologia e Acessibilidade</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2025/07/14/dossie-tecnologia-e-acessibilidade</link>
				<pubDate>Mon, 14 Jul 2025 18:43:22 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[30ª Edição]]></category>
		<category><![CDATA[dossiê]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[#ed30]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Perfil]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?p=3987</guid>
						<description><![CDATA[Para ouvir o áudio do dossiê, clique abaixo: As tecnologias assistivas (TA) são recursos criados para promover mais acessibilidade e autonomia para pessoas com deficiência. Elas têm como objetivo permitir que essas pessoas realizem suas atividades de maneira mais independente.&nbsp; As TAs não são voltadas apenas para pessoas com deficiências permanentes, mas também para aquelas [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:paragraph -->
<p>Para ouvir o áudio do dossiê, clique abaixo:</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:audio {"id":3988} -->
<figure class="wp-block-audio"><audio controls src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/07/dossie-audioreportagem.mp3"></audio></figure>
<!-- /wp:audio -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>As tecnologias assistivas (TA) são recursos criados para promover mais acessibilidade e autonomia para pessoas com deficiência. Elas têm como objetivo permitir que essas pessoas realizem suas atividades de maneira mais independente.&nbsp; As TAs não são voltadas apenas para pessoas com deficiências permanentes, mas também para aquelas que possuem deficiências temporárias ou situacionais. A Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015) assegura o direito à acessibilidade em todos os espaços, sejam eles físicos ou digitais.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Neste dossiê, iremos abordar dois projetos que utilizam desses recursos para promover a autonomia e acessibilidade para pessoas com deficiência:</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>O projeto Incluir Tecnologias Assistivas do curso de Terapia Ocupacional da UFSM faz uso da impressora 3D para criar dispositivos únicos, adaptados às necessidades de cada paciente. A ação extensionista proporciona maior independência às pessoas com mobilidade reduzida, com impacto direto na qualidade de vida.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>O projeto <a href="https://portal.ufsm.br/projetos/publico/projetos/view.html?idProjeto=69825" data-type="link" data-id="https://portal.ufsm.br/projetos/publico/projetos/view.html?idProjeto=69825">Desenvolvimento de Sistemas Eletroeletrônicos voltados à Tecnologia Assistiva </a>integra o grupo de pesquisa NightWind do CTISM. A iniciativa tem como objetivo a criação de produtos de baixo custo que promovam uma ampliação na autonomia na vida de pessoas com algum tipo de deficiência ou doenças degenerativas que causam uma redução das capacidades motoras.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Para saber mais sobre as iniciativas, leia as reportagens:</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:embed {"url":"https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2025/07/14/inclusao-sob-medida","type":"wp-embed","providerNameSlug":"txt"} -->
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<!-- wp:separator {"align":"center","className":"is-style-default","backgroundColor":"black"} -->
<hr class="wp-block-separator aligncenter has-text-color has-black-color has-alpha-channel-opacity has-black-background-color has-background is-style-default" />
<!-- /wp:separator -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong><em>Repórteres: </em></strong><em>Amanda Borin, Mathias Ilnick, Maria Eduarda Camargo e Myreya Antunes</em></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p></p>
<!-- /wp:paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>UMA VIDA ENTRE LIVROS E CORES</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2024/07/31/uma-vida-entre-livros-e-cores</link>
				<pubDate>Wed, 31 Jul 2024 20:30:00 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[29ª Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Perfil]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[Biblioteconomia]]></category>
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		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Patrimônio Cultural]]></category>

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						<description><![CDATA[Uma vida dedicada à literatura no cuidado com os livros e na arte, com a pintura e a fotografia]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:paragraph -->
<p>Para escutar o áudio da reportagem, clique abaixo:</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:audio {"id":3931} -->
<figure><audio controls src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2024/07/REPORTAGEM-PARA-O-PERFIL_JOAO_ELIANDRO-1.mp3"></audio></figure>
<!-- /wp:audio -->		
										<figure>
										<img width="1024" height="681" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2024/07/Joao_eli_01_ok-1024x681.jpg" alt="Fotografia horizontal, colorida e em plano médio do perfil de Débora Dimussío. Ela está posicionada ao lado esquerdo. Ela sorri para a câmera. Tem pele branca e cabelos grisalhos e encaracolados abaixo dos ombros. A mão direita dela está semi aberta, apoiada no queixo. Usa um anel de formato oval no dedo médio. O braço esquerdo dela passa pela frente do peito e serve de apoio ao braço direito. Veste uma jaqueta preta e lenço um na cor amarelo e outro roxo com detalhes em preto e vermelho. Usa um crachá de funcionária da biblioteca da UFSM no pescoço. Ao fundo estão expostas telas de pintura feitas por ela em tons variados, que destacam balões." />											<figcaption>Bibliotecária Débora Dimussío | Foto: João Agripino Veigas</figcaption>
										</figure>
		<p> </p>
<p>Nascida em Pedro Osório, no interior do Rio Grande do Sul, Débora Dimussío, 58 anos, sempre foi apaixonada por livros e arte. Há mais de 20 é bibliotecária-documentalista na Biblioteca Central da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e atua no Portal de Periódicos Eletrônicos da instituição. Formada em Administração de Empresas pela Universidade Federal do Rio Grande (FURG), uniu as habilidades administrativas à paixão pela biblioteconomia: é servidora acadêmica há mais de duas décadas.</p>
<p>Ela cresceu em uma cidade pequena e segura, onde desenvolveu profunda ligação com os livros. Débora visitava livrarias com o pai e irmãos, e, com isso, adquiriu o hábito desde a infância. Essa experiência familiar  inspirou o amor por leituras e também pela preservação da história.</p>
<p>Aos 12 anos, Débora e a família mudaram-se para Rio Grande, onde concluiu o ensino médio e cursou Administração. Trabalhou na gestão de transporte, experiência que lhe ensinou a resolver problemas, mesmo sob pressão. Em 1988, com o nascimento do filho Erik, decidiu dedicar-se à maternidade, mas já com a intenção de retornar aos estudos.</p>
<p>Inspirada pelas frequentes visitas a bibliotecas com o filho, ela se identificou com o curso de Biblioteconomia e decidiu fazer a graduação. Em 2004 foi aprovada em concurso para bibliotecária na UFSM e na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Optou pela instituição de Santa Maria, onde encontrou seu lar profissional.</p>
<p>Além da carreira profissional, Débora tem paixão pela arte. “A arte para mim é libertadora. É o meu canal de manifestação. Sem nenhuma regra ela me permite não pensar em nada que possa me oprimir", destaca. Na pintura em telas, ela encontra uma forma de expressão livre e introspectiva, sem restrições de estilo ou técnica. Durante a pandemia e com a necessidade de afastamento social, essa atividade tornou-se um refúgio, e permitiu trazer a natureza para as telas.</p>
<p>Guiada apenas pela intuição, ela usou texturas para fazer um quadro sobre planetas. A obra foi presente para uma pessoa com deficiência visual para que, através do tato, ela pudesse sentir a arte. Para Débora, essa é uma forma de conexão com os outros, o que  proporciona momentos de introspecção e alegria para ela e aqueles que apreciam as suas criações.</p>
<p>Apaixonada pela natureza, permitiu-se explorar o universo da fotografia. A pintura lhe traz desprendimento do que é técnico, então enxerga nos retratos uma forma de estudar luz e sombra, elementos essenciais para aprimorar sua arte. Fotografar é um exercício de movimento e criatividade que contrasta com a introspecção da pintura. Hoje, a fotografia ocupa seu tempo. “Fotografar, para mim é movimento, se posicionar e achar o melhor ângulo com criatividade”, explica. </p>
<p>Débora Dimussío é uma mulher multifacetada, que encontra beleza  nos livros e cores. Sua trajetória é um exemplo de como é possível unir diferentes paixões e habilidades, criar impacto positivo na comunidade e na vida das pessoas ao seu redor. Algumas  obras de arte de Débora estão expostas na Biblioteca Central da UFSM e trazem cor e vida ao espaço.</p>		
			<h4>Arte na UFSM: Um patrimônio cultural a ser explorado</h4>		
		<p>Débora Dimussío é também estudante do 3° semestre do curso Técnico em Geoprocessamento da UFSM. A fim de conectar seus interesses em arte pelo Geoprocessamento, Débora planeja produzir como trabalho de conclusão do curso, um projeto de mapeamento que visa localizar com precisão as esculturas a céu aberto do campus da UFSM. “Há obras muito bonitas nos centros da UFSM. É interessante existir um mapa que as localize e nos informe quem é o autor”. O mapeamento será realizado a partir do uso de coordenadas, pelo Google Earth.</p>
<p>A iniciativa de Débora se baseia em dois projetos: no <em><strong>“</strong></em><a href="https://ufsm.br/r-346-6308" target="_blank" rel="noopener"><em><strong>Catálogo</strong> <strong>de Esculturas da UFSM Santa Maria</strong></em></a><em><strong>”</strong></em>, organizado pela arquivista Flávia Simone Botega Jappe e pelo professor José Francisco Goulart, e que registra informações sobre trinta e três esculturas públicas expostas ao ar livre no Campus. O outro produto é o <em><strong><a href="https://ufsm.br/r-346-6308" target="_blank" rel="noopener">“Catálogo de Murais UFSM: 1971-2021”</a></strong></em>, organizado pela arquivista da UFSM, Cristina Strohschoen dos Santos, e lançado no ano de 2021 pela Pró-Reitoria de Extensão (PRE), explora uma linha do tempo de 30 murais da UFSM. Os dois catálogos estão foram disponibilizados pela UFSM a partir da PRE, e se encontram disponíveis para download e leitura no site da PRE.</p>		
										<figure>
										<img width="1024" height="681" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2024/07/Joao_eliandro_ok-1024x681.jpg" alt="Fotografia horizontal, colorida e em plano geral de Débora Dimussío em pé, posicionada no lado esquerdo da imagem. Ela sorri enquanto olha para as pinturas expostas ao seu redor. Tem pele branca e cabelos grisalhos e encaracolados abaixo dos ombros. A mão direita está apoiada no queixo. Usa um anel de formato oval no dedo médio. O braço esquerdo dela passa pela frente do peito e serve de apoio ao braço direito. Veste jaqueta preta, cachecol nas cores vermelho e branco, calça verde musgo e sapatos pretos. Ao seu redor, expostas sobre cavaletes de madeira clara, estão cinco pinturas coloridas feitas por ela. As pinturas tem tons variados, e destacam balões e formas geométricas em tons e texturas variados." />											<figcaption>Bibliotecária Débora Dimussío ao lado de telas artísticas | Foto: João Agripino Veigas</figcaption>
										</figure>
		<p><strong>Reportagem:&nbsp;</strong>Eliandro Martins e João Agripino Veigas</p>
<p><strong>Contato:&nbsp;</strong>eliandro.martins@acad.ufsm.br/joao.veigas@acad.ufsm.br</p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>PARCERIAS SÃO ALTERNATIVAS PARA FESTAS UNIVERSITÁRIAS</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2024/07/30/parcerias-sao-alternativas-para-festas-universitarias</link>
				<pubDate>Tue, 30 Jul 2024 20:30:00 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[29ª Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[ed29]]></category>
		<category><![CDATA[evento]]></category>
		<category><![CDATA[festas universitárias]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?p=3910</guid>
						<description><![CDATA[Com as restrições a eventos no Campus, parcerias são organizadas para a realização das festas universitárias.
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:paragraph -->
<p>Para escutar o áudio da reportagem, clique  abaixo:</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:audio {"id":3912} -->
<figure><audio controls src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2024/07/Audio-Rodrigo.mp3"></audio></figure>
<!-- /wp:audio -->		
										<figure>
										<img width="598" height="399" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2024/07/Capturarr.jpg" alt="Fotografia horizontal, colorida e em plano geral de uma banda que se apresenta em um palco. O grupo musical é composto por seis integrantes, cinco homens e uma mulher, que é a vocalista. No palco, a formação da banda está dividida com três pessoas na parte da frente e as outras três na parte de trás.Na frente,um homem de estatura média está em pé,de óculos escuro, segurando uma flauta, com 2 garrafas de água ao lado dele, ao lado dele temos outro homem também de óculos escuro, porém com uma compleição física mais larga, cabelos longos, tocando um violão, a sua direita temos uma mulher que está segurando um microfone e está cantando num palco. Ela possui uma flor na cabeça e está com um vestido longo. Atrás temos um integrante com um violão menor, de cabelos longos e lisos de roupa clara, a sua direita um homem de cabelos longos, porém ondulados com uma guitarra bem grande. Ao fundo, há uma bandeira preta com o nome da banda Chimarruts escrito em branco." />											<figcaption>Crédito: Tainara Liesenfeld/Arquivo Agência de Notícias da UFSM</figcaption>
										</figure>
		<p style="color: #000000;font-size: 16px">Há seis anos, a UFSM publicou uma resolução que determinava a proibição de venda de bebidas alcoólicas no Campus. Sem o lucro desse comércio, as festas universitárias nos espaços da UFSM se tornaram inviáveis. <em><a style="color: #204c90" href="https://www.ufsm.br/pro-reitorias/proplan/resolucao-n-026-2018#:~:text=Art.,dos%20im%C3%B3veis%20sob%20sua%20administra%C3%A7%C3%A3o" target="_blank" rel="noopener">A resolução N.026/2018,</a> </em>que determinou  a proibição, tem base na <em><a style="color: #204c90" href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/decreto/d6117.htm" target="_blank" rel="noopener">Política Nacional sobre o álcool</a></em><em>,</em> e visava mitigar os impactos do alcoolismo na comunidade acadêmica. Com isso, foi necessário alterar os locais das festas e consequentemente, o valor do investimento por parte das associações de turma. </p>
<p style="color: #000000;font-size: 16px">Com o aumento de gastos, começaram a se criar grupos maiores e com experiência na organização de eventos. Um exemplo é as atléticas universitárias, grupos que antes ficavam restritos a alguns centros estudantis e com foco em eventos esportivos. A diretora de esportes e eventos da atlética do curso de Relações Internacionais, a ‘Anárquica’, Larissa Locatelli, menciona que os valores atuais de organização de uma festa giram em torno de R$ 17 mil.</p>
<p dir="ltr" style="margin-bottom: 0pt;margin-top: 0pt;color: #000000;font-size: 16px;line-height: 1.38">A nova configuração fez com que outras partes da Universidade passassem a olhar a formação de atléticas como forma de manter as festas. Anteriormente, as associações de turma eram as responsáveis por essa organização, porém num momento posterior as atléticas começaram a ocupar esse espaço. Uma das razões era o fato das atléticas previamente estabelecidas terem diretorias especializadas para eventos. Isso aumentava a capacidade de angariar recursos e viabilizar os novos gastos, além do uso de parcerias com outros grupos através de ações em conjunto ou patrocínios, o que não era tão comum em outros tempos. </p>
<p dir="ltr" style="margin-bottom: 0pt;margin-top: 0pt;color: #000000;font-size: 16px;line-height: 1.38"> </p><p>Dois dos cursos que resolveram investir nesse modelo foram os Relações Internacionais e Fisioterapia. Eles criaram suas atléticas em 2019 e 2020, respectivamente, e realizam eventos através do modelo de parcerias. Exemplos são as festas <strong><em><a href="https://www.instagram.com/reel/C8K7hmiyJnA/?utm_source=ig_web_copy_link&amp;igsh=MzRlODBiNWFlZA==" target="_blank" rel="noopener">Rino Dusa</a></em></strong>, parceria entre as atléticas de Relações Internacionais e Fisioterapia, e a <em><a href="https://www.instagram.com/p/C40h4u-MhJ5/?utm_source=ig_web_copy_link&amp;igsh=MzRlODBiNWFlZA==" target="_blank" rel="noopener"><strong>Se ela dança eu danço</strong></a></em>, organizada pelos grupos do Direito e Relações Internacionais.</p>		
			<h4>Planejamento<br><br></h4>		
		<p style="color: #000000;font-size: 16px">As festas começam a ser planejadas com meses de antecedência, pois demandam uma série de atividades. Para o coordenador da ‘Medusa’, Pedro Ribas, a organização,  em geral,  é bastante trabalhosa e envolve a procura por prestadores de serviço, distribuidores de comida e bebida. ´”A negociação com atrações e o local é algo que gira em torno de 45 a 60 dias de organização”, afirma Pedro.</p>
<p style="color: #000000;font-size: 16px">Larissa Locatelli reitera que a principal razão para essa parceria é a dificuldade para se pagar o custo inicial das festas. Segundo ela, o evento costuma dar lucro, mas os custos para a realização costumam ser altos demais para uma atlética sozinha conseguir dar conta. No entanto, um outro fator levantado por ela como chave para a iniciativa de parcerias, foi a integração entre diferentes grupos, que ela explicou abaixo:</p>
<p style="color: #000000;font-size: 16px">“Eu gosto, particularmente, de fazer festa  em conjunto, justamente pela integração com outras pessoas, outros ambientes, muda um pouco em relação às RI, e assim realizamos uma gama de contatos com diferentes grupos”</p>
<p style="color: #000000;font-size: 16px">A divulgação das festas é dividida em duas frentes: a presencial, com destaque para as ações realizadas nos restaurantes universitários, e a digital, focada nas ativações por redes sociais. A diretora de marketing Bárbara Matté Puhl, conta que a maior parte das vendas ocorrem por meio digital, mas que as vendas físicas também são significativas e destacou o engajamento do próprio curso como fator de sucesso.</p>		
		<p><strong>Reportagem: </strong>Rodrigo Praxedes Aarão</p>
<p><strong>Contato:</strong></p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>ESPORTE: UM IMPULSO PARA A MENTE</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2024/07/29/esporte-um-impulso-para-a-mente</link>
				<pubDate>Mon, 29 Jul 2024 20:30:00 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[29ª Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Esporte]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[CEFD]]></category>
		<category><![CDATA[ed29]]></category>
		<category><![CDATA[esporte universitário]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[saúde mental]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?p=3885</guid>
						<description><![CDATA[Exercícios físicos na UFSM propiciam saúde mental para estudantes
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p>Para escutar o áudio da reportagem, clique abaixo:</p><!-- wp:audio {"id":3888} -->
<figure><audio controls src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2024/07/audio-txt.mp3"></audio></figure>
<!-- /wp:audio -->		
		<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">O esporte se expande por todos os centros de ensino da UFSM  e é um pilar essencial na rotina dos alunos. Os programas esportivos e as atividades de integração entre os cursos incentivam a saúde física e mental e também impulsionam o desenvolvimento pessoal e profissional dos acadêmicos. Exemplos dessas iniciativas são as atléticas universitárias e o Programa Esporte Universitário.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"> </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Para estimular a participação nas atividades, as associações atléticas surgiram na UFSM no ano de 2009. De acordo com o conselheiro da Associação Atlética de Medicina da UFSM, conhecida como ‘Tirana’, Vinicius Brito, elas preservam o espírito esportivo e contribuem para o desenvolvimento de habilidades como liderança, organização e comprometimento, além de aliviar o dia a dia acadêmico. Além disso, confirma que quem faz parte da atlética cria um sentimento de pertença ao curso, à cidade e aos amigos. “ O esporte coletivo tem esse poder: ensinar as pessoas a vibrarem com a conquista dos outros, e principalmente aprender a trabalhar em equipe”, afirma.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"> </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">No Centro de Educação Física e Desportos (CEFD) o exercício físico para o lazer e a saúde mental também é uma preocupação. Com o apoio da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Prae), o CEFD implementa o programa institucional Esporte Universitário. O professor e coordenador do projeto, Frederico Lima, enfatiza que o esporte está conectado à formação de qualquer pessoa. Segundo ele, aprender a trabalhar em um grupo heterogêneo, seja em um ambiente de trabalho ou escola, sempre será uma necessidade, e o esporte é uma ferramenta poderosa para facilitar esse aprendizado.<br /></p>		
			<h4>Saúde Mental</h4>		
		<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">De acordo com estudo realizado pela Universidade de Brasília (UnB), o treinamento aumenta a concentração e a atenção, reduz a ansiedade e estimula a qualidade do sono, aspectos essenciais para quem deseja maximizar os estudos e aprimorar o desempenho na faculdade. <a href="http://unbesportes.unb.br/index.php/noticias/68-os-oito-principais-beneficios-mentais-do-esporte" target="_blank" rel="noopener"><b><i>(acesse o estudo aqui)</i></b></a>. Vinicius Brito afirma que as atléticas têm o papel de incentivar os estudantes a participar das mais diversas modalidades, sejam elas individuais ou coletivas, por meio da formação de times pelos próprios alunos.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">A prática esportiva é aliada no controle da ansiedade e outras doenças.O professor comenta: “O Esporte Universitário vem para ajudar na saúde física e mental dos estudantes A ideia principal é o costume da prática esportiva regular, porque está ligado à saúde”. Frederico refere estudos que abordam o fato de que pessoas que se exercitam regularmente têm um risco menor de desenvolver uma série de doenças crônicas e cardíacas. </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">Os benefícios de utilizar o projeto para a prática esportiva vão além da saúde física. A doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Letras da UFSM, Camila Steinhorst, participou de diversas modalidades do esporte universitário e afirma que o programa ajudou a melhorar seu desempenho acadêmico. “Essa prática, a resistência e a superação do estresse são os maiores benefícios para aliviar minha ansiedade e manter minha concentração”, conta.</p>		
										<figure>
										<img width="768" height="952" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2024/07/malu-e-andrya-02-768x952.jpg" alt="" />											<figcaption>Aluno do curso de Educação Física pratica salto com vara | Foto: Jéssica Mocellin</figcaption>
										</figure>
			<h4>Esporte e lazer</h4>		
		<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">O vice-presidente e atleta da Atlética da Educação Física, João Gabriel Segabinazzi, destaca que esses espaços são uma válvula de escape para os alunos. “É um passatempo, é um lazer para a maioria do pessoal. Eu acho muito interessante esse lazer através do esporte, melhora a sua qualidade em tudo: no seu dia,  nas atividades curriculares e extracurriculares, você fica mais disposto para tudo”,  conta João Gabriel.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">O programa Esporte Universitário proporciona interação entre estudantes da Educação Física com outros centros e incentiva a sociabilidade. As aulas são ministradas por acadêmicos, bolsistas ou profissionais formados que atuam como voluntários, com o apoio de um professor supervisor, proporcionando benefícios tanto para os alunos como para os professores.</p>		
			<h4>Como participar</h4>		
		<p>Todo semestre são abertas novas vagas. A inscrição é feita por meio de um formulário disponível no portal de Questionários e do Aluno. As ofertas incluem diversos esportes, em modalidades individuais ou coletivas, como voleibol, natação, tênis, musculação, karatê, jiu-jitsu , alongamento, corrida e cheerleading (atividades de líderes de torcida). Cada aluno pode escolher apenas uma modalidade. As opções de esportes são determinadas todos os semestres com base na disponibilidade de monitores.</p>		
										<figure>
										<img width="809" height="1024" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2024/07/malu-e-andrya-809x1024.jpg" alt="" />											<figcaption>Grupo de alunos estuda salto com vara | Foto: Jéssica Mocellin</figcaption>
										</figure>
		<p><strong>Reportagem:</strong> Andrya Lima Nielsen e Maria Luisa Amaral </p>
<p><strong>Contato:</strong> andrya.nielsen@acad.ufsm.br/maria.diogo@acad.ufsm.br</p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>UM NOVO CAMINHO PARA ATLETAS NA UNIVERSIDADE</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2024/07/28/um-novo-caminho-para-atletas-na-universidade</link>
				<pubDate>Sun, 28 Jul 2024 20:30:00 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[29ª Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Paralelo]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[atletas]]></category>
		<category><![CDATA[ed29]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[PIARES]]></category>
		<category><![CDATA[Processo seletivo]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?p=3866</guid>
						<description><![CDATA[Incentivo para ingresso e permanência de desportistas na UFSM diverge das instituições dos EUA ]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:paragraph -->
<p>Para escutar o áudio da reportagem, clique abaixo:</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:audio {"id":3867} -->
<figure><audio controls src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2024/07/REPORTAGEM-PARALELO-TXT-1.mp3"></audio></figure>
<!-- /wp:audio -->		
										<figure>
										<img width="877" height="1024" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2024/07/marinas-1-scaled-e1720705985257-877x1024.jpg" alt="Fotografia vertical, colorida e em Contra-Plongée, de baixo para cima, com foco em um atleta que alonga a perna direita em uma barreira de atletismo na pista da UFSM. O homem tem pele branca, cabelos castanhos e curtos e olha para baixo. Ele usa uma regata azul de treino e um short preto. À sua frente estão mais três barreiras, que são formadas por duas barras verticais que sustentam uma barra horizontal. A pista é vermelha com listras brancas. O dia está ensolarado e ao fundo, há uma cerca, um prédio branco e árvores." />											<figcaption>Atleta João Cazari na pista de Atletismo da UFSM | Foto: Giovana Chaves</figcaption>
										</figure>
		<p> </p>
<p>Uma postagem no instagram da Confederação Brasileira de Atletismo: esta foi a maneira inusitada que o atleta João Cazari Vinicius Silva, 18, descobriu a possibilidade de ingressar na UFSM. João saiu de Presidente Prudente, São Paulo, para morar em Santa Maria e cursar Direito na Universidade graças a uma publicação que destacava o <strong><em><a href="https://www.ufsm.br/pro-reitorias/prograd/ingresse-na-ufsm/piares" target="_blank" rel="noopener">Processo Seletivo de Ingresso de Atletas de Rendimento (Piares)</a></em></strong>. No programa,  implementado em 2024 para facilitar a matrícula de desportistas na instituição, ele viu uma oportunidade de concretizar algo que sempre sonhou: conseguir conciliar  a vida no esporte com os estudos.</p>
<p>O Piares disponibilizou 66 vagas para 49 cursos, divididas em duas categorias. A primeira para pessoas na faixa etária de 16 a 23 anos, vinculadas às modalidades de futsal, handebol, voleibol e atletismo, que disputaram competições nos últimos três anos. Já a segunda foi ofertada para ex-atletas que tiveram destaque internacional em qualquer esporte reconhecido pelo Comitê Olímpico Brasileiro (Cob). A pontuação do processo seletivo funcionou da seguinte maneira: 50% de peso para a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e os outros 50% para as conquistas desportivas do indivíduo. No ano de estreia do Programa, oito atletas ingressaram pelo edital nos cursos bacharelados de Ciências Contábeis, Ciências Econômicas, Comunicação Social - Publicidade e Propaganda, Direito, Educação Física e Serviço Social e a licenciatura de Ciências Sociais. Todos são do gênero masculino e da divisão de talentos em potencial.</p>
<p>Esta nova categoria de processo seletivo é coordenada pelo Centro de Educação Física e Desportos (CEFD) e pelo <strong><em><a href="https://www.ufsm.br/projetos/extensao/nieems" target="_blank" rel="noopener">Núcleo de Implementação da Excelência Esportiva e Manutenção da Saúde (NIEEMS)</a></em></strong>. A coordenação do NIEEMS sonhava com a efetivação do projeto há mais de 20 anos. O Programa foi inspirado na trajetória de atletas que abdicam da carreira esportiva para concluir a graduação. A motivação para tentar mudar este cenário, somada ao estudo de políticas deste gênero aplicadas em outros países deu vida ao Piares: o edital pioneiro para o ingresso de atletas na Universidade.</p>
<p> </p>		
			<h4>Do outro lado da América </h4>		
		<p> </p>
<p>Os Estados Unidos são um exemplo de potência no esporte universitário, com faculdades  mundialmente reconhecidas pela captação de atletas mediante bolsas de estudo. Para o estudante bolsista da modalidade de tênis na Universidade de North Greenville, Lucas Cardoso, o Brasil encontra-se muito longe do nível de investimento norte-americano. “É incomparável a estrutura. Por exemplo, tem uma universidade perto da minha (Universidade de Clemson) com um estádio que cabe de 80 a 90 mil pessoas, mais público que o Maracanã”, conta o tenista, que é natural de Santa Maria.</p>
<p>Segundo uma matéria produzida pelo <strong><em><a href="_wp_link_placeholder" data-wplink-edit="true">Globo Esporte</a></em></strong> em 2016, 440 dos 555 convocados da delegação estadunidense para as Olimpíadas do Rio de Janeiro praticaram o esporte universitário. Inclusive, alguns atletas competiam por universidades na época em que foram chamados para os Jogos Olímpicos. Ou seja, a valorização do esporte no país da América do Norte vem da base escolar e universitária, algo que o Brasil carece.</p>
<p>Projetos como o Piares são o primeiro passo de uma jornada para o reconhecimento do assunto. Lucas, por exemplo, usufrui de um centro médico patrocinado pela Gatorade, roupas ilimitadas da <i>Nike</i>, uma treinadora e dois preparadores físicos especializados na modalidade do tênis. João não conta com essas regalias na UFSM, mas também tem auxílio proveniente da instituição. Ele mora na Casa do Estudante Universitário (Ceu) e dispõe do Benefício Socioeconômico (BSE), que disponibiliza  refeições gratuitamente. Além disso, o acadêmico de Direito acrescenta que a pista de atletismo, recém reformada e nos padrões olímpicos, colaborou para a sua escolha de vir para Santa Maria. Este é um ponto importante para ele, que compete nos 400 metros com barreiras, 110 metros com barreiras e decatlo - modalidade composta por dez provas de atletismo.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">João é protagonista de uma das oitos histórias que ingressaram na Universidade pelo Piares e sonham em viver do esporte, porém sabem a adversidade dessa realidade no país e, por esse motivo, prezam pela formação acadêmica. “É muito importante entender que a vida de atleta não é para toda a vida, você tem que seguir com uma outra rotina, uma outra carreira quando isso termina, porque tem o fim”, enfatiza. A escolha pelo Direito não é por acaso. João julga a área jurídica como flexível para prosseguir o maior tempo possível, dentro e fora das pistas.</p>		
		<p><strong>Reportagem: Marina Brignol de Llano Einhardt e Marina Ferreira dos Santos</strong></p>
<p><strong>Contato: </strong>marina.llano@acad.ufsm.br/santos.marina@acad.ufsm.br</p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>UMA PALAVRA SEM TRADUÇÃO</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2024/07/27/uma-palavra-sem-traducao</link>
				<pubDate>Sat, 27 Jul 2024 20:30:00 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[29ª Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[ed29]]></category>
		<category><![CDATA[estudantes estrangeiros]]></category>
		<category><![CDATA[intercâmbio]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[SAI]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?p=3895</guid>
						<description><![CDATA[Com apoio da UFSM e amigos, alunos estrangeiros transformam Santa Maria num lar
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:paragraph -->
<p>Para escutar o áudio da reportagem, clique abaixo: </p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:audio {"id":3875} -->
<figure><audio controls src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2024/07/nadine-e-jessica-1.mp3"></audio></figure>
<!-- /wp:audio -->		
		<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Pessoas de todos os lugares do Brasil e do mundo compartilham o ambiente universitário e buscam novas experiências. Com isso, o estranhamento da cultura local é algo comum na UFSM. O sentimento  que prevalece é a saudade.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">O  “sentir falta” faz parte do vocabulário de todas as pessoas. “Saudade” não é uma palavra que existe em todas as línguas, mas pode traduzir o sentimento de estar longe de casa. </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"> </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">As argentinas Ailén Bühler, graduanda de Medicina Veterinária, e Camila Cheble, de Psicologia,  moram na Inter House - moradia disponibilizada para os  intercambistas da UFSM - e contam que desenvolveram meios de não sentir saudade de onde vieram. A relação próxima desenvolvida entre as cinco moradoras é um dos motivos para que esse período se torne mais fácil. “Acho que é o jeito que eu encontrei de não ter saudades ou que essas saudades não façam eu me sentir triste”, compartilha Ailén. </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"> </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">A intercambista Emília Romero também veio da Argentina por meio da Universidad Nacional de Córdoba. Ela confessa que o seu maior medo era sentir muita falta de casa, de não conseguir se adaptar a Santa Maria e às colegas de apartamento. No entanto, Emília construiu com as colegas, uma família. </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"> </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">O apoio para os estudantes estrangeiros da UFSM é realizado pela Secretaria de Apoio Internacional (SAI). O órgão estabelece  programas de intercâmbios para alunos da Universidade, recebe estudantes de instituições internacionais e promove atividades de acolhimento. </p>
<p> </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">O Amigo Internacional é uma das atividades desenvolvidas para receber esses alunos. O projeto foi criado para tornar a experiência dos alunos estrangeiros mais confortável e faz com que um voluntário da UFSM se torne amigo de um intercambista. A relação criada pela necessidade de um rosto conhecido se torna, para a maioria, um lar longe de casa. A agenda inclui receber o estudante após a viagem, mostrar lugares importantes para o dia a dia e mantê-los ativos na comunidade acadêmica.</p>		
										<figure>
										<img width="1024" height="683" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2024/07/IMG_6331-1024x683.jpg" alt="Fotografia horizontal, colorida e enquadrada em primeiro plano. Duas pessoas, um homem e uma mulher, olham e sorriem diretamente para a câmera. O homem, de 23 anos, está do lado esquerdo da fotografia. Ele é branco, alto, tem o cabelo castanho escuro, bigode e cavanhaque, e um brinco em cada orelha. Ele veste uma blusa azul escura com cordões brancos. Em seu pescoço está um colar marrom, com aspecto de couro, que possui um pingente de dente de tubarão. Em seu ombro leva uma bolsa, que segura próxima ao corpo com a mão direita. A mulher está à direita do jovem. Ela é branca, tem o cabelo loiro e está com as bochechas levemente coradas. Seu casaco corta vento, que está fechado, é marrom claro e branco com o zíper preto. Um feixe de luz solar passa por seu cabelo, que fica ainda mais claro. Ao fundo, um ambiente da UFSM, com vegetação verde e parte de um prédio, levemente desfocados." />											<figcaption>A esquerda está Pedro Figo e a direita Maria Augusta Della | Foto: Jéssica Mocellin</figcaption>
										</figure>
		<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">O peso da saudade de casa diminui quando é dividido.O aluno de Engenharia Química, Pedro Figo, e a graduanda de Medicina Veterinária, Maria Augusta Della, participam do Programa Amigo Internacional como voluntários. Para Pedro, que também foi intercambista na Universidad de La Republica, em Montevideo, a maior importância do Programa é que as pessoas se sintam acolhidas. “Quando você vai para longe é normal que se sinta sozinho, mesmo rodeado de pessoas, tanto pela questão do idioma quanto pela questão de ser de outro país”, lembra.&nbsp;</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">&nbsp;</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Maria Augusta conta que os benefícios são mútuos. Conhecer novas línguas e fazer amizades com alunos internacionais foi importante para ela.&nbsp; “Uma amizade verdadeira. Tenho contato com eles até hoje e sei que se eu fizer uma formatura eles vão vir de lá para cá. Tivemos uma conexão muito grande”, comenta.&nbsp;</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">&nbsp;</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Angélica Iensen é Secretária Executiva bilíngue da Sai e responsável pelo Núcleo de Acolhimento de Estudantes Internacionais. “Morei três meses em um país estranho. Eu sei o quanto faz falta ter uma rede de apoio, com pessoas que você conheça, pessoas amigas. O acolhimento não é só na chegada, é dar suporte durante a estadia da pessoa”, ressalta Angélica. </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">
</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">As atividades de acolhimento envolvem Welcome Meetings (encontros de boas-vindas), tours pela cidade e pelo Campus, idas ao&nbsp; Esporte Clube Internacional (Inter de Santa Maria) e reuniões para compartilhar a culinária de cada integrante. Um exemplo foi&nbsp; a “Noite do Xis” na Escola de Samba Unidos do Itaimbé. “A bateria fez uma roda de samba e eles experimentaram o xis naquela noite”, conta Angélica.&nbsp;</p>		
										<figure>
										<img width="1024" height="585" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2024/07/IMG_7492-1024x585.jpg" alt="" />											<figcaption>Grupo de estudantes seguram bandeiras e caminham em direção ao Arco da UFSM | Ilustração: Pedro Pagnossin</figcaption>
										</figure>
		<p><strong>Reportagem:</strong> Jéssica Mocellin e Nadine Guarize</p>
<p><strong>Contato:</strong> jessica.mocellin@acad.ufsm.br/nadine.guarize@acad.ufsm.br</p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>ENTRAR, PERMANECER E TRANSFORMAR</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2024/07/26/entrar-permanecer-e-transformar</link>
				<pubDate>Fri, 26 Jul 2024 20:30:00 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[29ª Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[casa verônica]]></category>
		<category><![CDATA[ed29]]></category>
		<category><![CDATA[inclusão acadêmica]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[LGBTQIAPN+]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?p=3935</guid>
						<description><![CDATA[A UFSM é a primeira universidade federal a ter um espaço multiprofissional de apoio a pessoas LGBTQIAPN+]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p>Para escutar o áudio da reportagem, clique abaixo: </p><!-- wp:audio {"id":3936} -->
<figure><audio controls src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2024/07/entrar-permanecer-e-transformar.mp3"></audio></figure>
<!-- /wp:audio -->
<!-- wp:paragraph -->
<p></p>
<!-- /wp:paragraph --><p>A Universidade implementou políticas afirmativas que visam não apenas o ingresso, mas a permanência de estudantes da comunidade trans na graduação e pós-graduação. Uma das iniciativas é a Casa Verônica. Fundada em 2021, atua n a promoção da igualdade de gênero e no suporte à comunidade trans: é o primeiro espaço multiprofissional de apoio para pessoas LGBTQIAPN+ vinculada a uma instituição de ensino superior federal. </p>
<p>De acordo com a psicóloga Gabriela Quartiero, integrante do setor, os serviços oferecidos vão desde o primeiro acolhimento psicossocial até orientação jurídica. Contam também com a parceria do Transcender - <b>único ambulatório trans do interior do estado</b>. O jornalista Wellington Hack pontua: “Também atuamos para que os estudantes em transição dos outros campi possam solicitar o atendimento online e ter encaminhamento ao ambulatório”.</p>
<p>O espaço não tem atendimento psicossocial individual contínuo, mas disponibiliza encontros semanais, como o grupo terapêutico "Transição na Universidade". Além de participar ativamente de eventos anuais, como a Parada do Orgulho e o Viva o Campus, cerca de 13 projetos de ação e extensão são financiados pela Casa Verônica, com temática voltada para questões sociais que abrangem gênero, sexualidade e enfrentamento de violências. </p>
<p>Em 2024, a UFSM reservou 71 vagas suplementares distribuídas entre 54 cursos de graduação, destinados para pessoas transgêneras, travestis e não-binárias. De acordo com a Coordenadoria de Oferta e Relacionamento (COFRE), de todas as vagas, apenas cinco foram preenchidas.</p>
<p>A acadêmica de Educação Física e vanguarda do movimento trans em Santa Maria, Ísis Gomes, afirma que os apoios na UFSM são uma conquista coletiva, mas permanecer na graduação ainda é um desafio. “A conquista pela cota trans é uma vitória, 54 dos 136 cursos é pouco. No edital, por exemplo, não fomos contemplados com cota em Medicina. Uma pessoa trans não pode ser médica?”, questiona Isis sobre as questões de equiparidade de ofertas.</p>
<p>No Processo Seletivo de Pessoas Transgêneros, conforme o <a href="https://www.ufsm.br/pro-reitorias/prograd/editais/127-2023">Edital Nº 127/2023</a>, as vagas são adicionais e não comprometem a oferta regular da UFSM. Para o curso aderir ao processo, é necessário que o Colegiado, por meio de votação, aceite a demanda. <b>                                                                                                           </b>Em janeiro deste ano, a Universidade divulgou a lista de egressos com os nomes de batismo, os popularmente chamados ‘nomes mortos', o que desencadeou violações e constrangimentos.  </p>
<p>A situação gerou discussões entre as comunidades acadêmica e administrativa. O calouro de Jornalismo, Darlan Lemes, relata que a exposição do nome morto causou desconfortos e sentimento de invalidação. “É uma violação, agride o psicológico de pessoas trans e retrai todos os direitos que nossa comunidade já conquistou”, afirma. Apesar de já ter os documentos oficiais retificados, direito garantido no Brasil desde 2016, o estudante comenta que ainda não conseguiu inserir o nome social no sistema administrativo da UFSM, apesar desta garantia ser assegurada desde 2015.</p>
<p>A assistente social da Pró-Reitoria de Graduação (Prograd), Ângela Sousa, lamenta e se manifesta com o ocorrido. Para ela, a universidade tem uma estrutura eurocêntrica histórica, o que implica em resistência na implementação de políticas inclusivas. Mas Ângela afirma que colocar a culpa somente no sistema de registro da UFSM é ignorar um erro que é cultural e estrutural.</p>
<p>O acesso à universidade pública é uma conquista para as pessoas trans e travestis no país. Mesmo que o processo em busca da equidade social seja lento, o ingresso já é uma realidade. “Acima de tudo acreditamos na educação, sabemos que essas violências estão acontecendo e tentamos o máximo mostrar para as pessoa o seu direito por meio da educação” pontua Gabriela Quartiero. </p>		
										<figure>
										<img width="645" height="1024" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2024/07/WhatsApp-Image-2024-07-17-at-19.33.14-645x1024.jpeg" alt="" />											<figcaption>Ilustração: Pedro Pagnossin</figcaption>
										</figure>
			<h2>Panorama</h2>		
		<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt;text-align: left">O cenário de inclusão na educação é desafiador: no ano de 2018, 0,2% dos estudantes matriculados no ensino superior no Brasil se identificavam como transgêneros, segundo o relatório da  Associação de Travestis e Transexuais (ANTRA). 82% das pessoas abandonaram os estudos ainda na educação básica. Apenas 10% integram o mercado de trabalho.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt;text-align: left">No Brasil, a expectativa de vida de pessoas trans é de até 35 anos de idade. O país lidera o ranking dos que mais matam essa população no mundo . Os esforços pela permanência e formação na universidade não são apenas a garantia do direito à educação, mas também uma forma de construir um futuro digno e com perspectiva de direitos.</p><p><strong>Reportagem:</strong> Ana Bacovis</p>
<p><strong>Contato:&nbsp;</strong>bacovis.ana@acad.ufsm.br</p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>A ESCOLHA DE SE DOAR À CIÊNCIA</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2024/07/25/a-escolha-de-se-doar-a-ciencia</link>
				<pubDate>Thu, 25 Jul 2024 20:30:00 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[29ª Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[Doação]]></category>
		<category><![CDATA[ed29]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Morfologia]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?p=3915</guid>
						<description><![CDATA[A doação de corpos para estudos cresceu na UFSM após a pandemia. O programa é o quinto mais antigo do Estado e auxilia na formação de mais de mil alunos por ano]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:paragraph -->
<p>Para escutar o áudio da reportagem, clique abaixo: </p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:audio {"id":3929} -->
<figure><audio controls src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2024/07/Fran-e-Tay.mp3"></audio></figure>
<!-- /wp:audio -->		
		<p>A morte não é um medo da enfermeira Martha Azevedo. Com 32 anos, ela comunicou à família o destino que deseja para seu corpo: a doação aos laboratórios e salas de aula do Departamento de Morfologia da UFSM. A profissional de saúde é uma das 54 inscritas no Programa de Doação Voluntária de Corpos, que registra um crescimento de 40% após a pandemia.</p>
<p>No Brasil, há 39 programas semelhantes. O Rio Grande do Sul concentra uma em cada quatro iniciativas no país. São dez espalhadas pelo Estado. A UFSM tem o quinto programa de doação mais antigo do Estado. Criada em 2016 para estudos e pesquisas, a iniciativa auxilia na formação acadêmica de mais de mil alunos por ano. Desde a fundação do projeto, 11 corpos foram doados e 54 intenções foram formalizadas.</p>
<p>Comunicar em vida o desejo de doar o próprio corpo é uma prática assegurada por lei desde 2002. O texto diz, no artigo 14, que “É válida, com objetivo científico, ou altruístico, a disposição gratuita do próprio corpo, no todo ou em parte, para depois da morte”. Martha fala que o desejo de ser doadora surgiu durante a graduação em enfermagem, há seis anos: “Ter contato com um corpo foi essencial para minha formação. Fiquei pensando em uma forma de retribuir o gesto de quem já se foi, e também poder ajudar outros alunos assim como eu”, contou a enfermeira.</p>		
			<h4>Crescimento de doadores</h4>		
										<figure>
										<img width="768" height="476" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2024/07/Imagem-site-Fran-e-Tay-768x476.jpeg" alt="Fotografia horizontal, colorida, de metade de um crânio humano, de resina, da cor amarela. No lado esquerdo da imagem aparece parte da cavidade do nariz, um dos olhos e metade dos dentes. O fundo está desfocado e retrata uma sala de aula, com mesas e cadeiras brancas. Há um corpo deitado sobre uma das mesas, coberto por um tecido azul. Na parede branca existe um quadro verde-escuro fixado." />											<figcaption>Crânio humano | Foto: Francine Castro</figcaption>
										</figure>
		<p>As intenções de doação cresceram na UFSM até 2019, mas foram prejudicadas com o início dos casos de Covid-19. Em 2020, o programa não recebeu nenhuma declaração. No entanto, o número aumentou depois de 2021 e chegou a sete em 2023, uma alta de 40% com o fim da pandemia. No primeiro semestre deste ano, o departamento recebeu cinco documentos.</p>
<p>Mais da metade das pessoas que manifestam formalmente a vontade têm idade superior a 40 anos e cerca de 60% são mulheres. No entanto, não há um perfil socioeconômico definido dos doadores, como informa o professor Carlos Eduardo Seyfert, coordenador do programa. “Tivemos, por exemplo, pessoas que são gratas à ciência, por serem curadas de câncer ou doença rara. Outros simplesmente querem encontrar uma forma de continuar sendo úteis após a morte”, afirmou.</p>
<p>A terapeuta Marisa Zuse, 54, é outro exemplo. Ela já comunicou à família sobre o desejo de destinar seu corpo à ciência. Residente em Santa Maria, tomou a decisão após um encontro com familiares, quando um estudante de Medicina comentou sobre os programas que existiam. “Na mesma hora já decidi. Posso contribuir de alguma forma. Quero ser útil”, completou. </p>		
										<figure>
										<img width="768" height="776" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2024/07/Grafico-site-Fran-e-Tay-768x776.jpeg" alt="Gráfico de colunas verticais na cor amarelo-mostarda, mostra que em 2020 não houve doações. Em 2021 tiveram quatro. Em 2022, cinco. No ano de 2023, sete doações e em 2024, cinco. O fundo é branco." />											<figcaption>Fonte: Departamento de Morfologia da UFSM</figcaption>
										</figure>
			<h4>O que é feito com os corpos? </h4>		
		<p>Os corpos que chegam no Departamento de Morfologia do Campus de Santa Maria passam por um processo de fixação. A etapa inclui formol ou salmoura para evitar a decomposição. Cerca de seis meses após a aplicação do produto, o corpo poderá ser usado. </p>
<p>Os materiais são utilizados em aulas de anatomia humana, como informa o chefe do Departamento de Morfologia da UFSM, professor João Cezar Dias. Ele destaca a importância do contato direto com corpos humanos reais, que proporcionam a compreensão detalhada - algo que modelos anatômicos não conseguem replicar."Todos os cursos da saúde têm disciplinas de anatomia, às vezes mais de uma, inclusive. Nosso respeito é total, com todo corpo sobre a bancada. Mantemos a ética com quem está ali nos ajudando", afirmou João Cezar.</p>		
			<h4>Como ser um doador?</h4>		
		<p>Qualquer pessoa maior de 18 anos pode doar o corpo para fins acadêmicos e científicos. A única excessão é que não são aceitos corpos em caso de morte violenta, ou seja: decorrente de acidentes de qualquer natureza, homicídio ou suicídio. Isso porque os corpos devem ser submetidos à necropsia e, conforme necessidade da investigação, devem estar à disposição para exumação.</p>
<p>A declaração de doação de órgãos e restos mortais é feita com base em um modelo disponível no site da universidade <em><strong><a href="https://www.ufsm.br/unidades-universitarias/ccs/servicos/doacao-de-corpos" target="_blank" rel="noopener">(acesse aqui o documento)</a></strong></em>. Para reconhecimento é preciso procurar um cartório ou realizar a assinatura digital por meio do cadastro online no Gov.br<em><strong><a href="https://www.gov.br/governodigital/pt-br/identidade/assinatura-eletronica" target="_blank" rel="noopener"> (acesse o serviço aqui)</a></strong></em>. O professor orienta que pelo menos uma pessoa  - de preferência familiar - assine como testemunha, pois apesar de declarar o desejo em vida, a família é superior na decisão da destinação do corpo após a morte. O documento deve ser preenchido em três vias: uma é entregue diretamente no Departamento de Morfologia da UFSM e as outras duas ficam com o doador e a família. No caso do indivíduo manifestar interesse para a família em destinar o corpo para a universidade, mas não formalizar o desejo, a família pode optar por destinar mesmo assim.</p>
<p>Depois do falecimento, a família deve fazer contato com a Universidade para informar o óbito. É permitido que o corpo seja velado antes de ser encaminhado ao Departamento. A decisão cabe à família, que também arca com o custo do transporte entre a funerária e a UFSM.  Participar do programa não exclui a possibilidade de doar órgãos para transplante e é possível doar apenas partes do corpo.</p>		
		<p><strong>Reportagem: </strong>Francine Castro e Tayline Manganeli</p>
<p><strong>Contato: </strong>francine.castro@acad.ufsm.br/tayline.alves@acad.ufsm.br</p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>MULHERES BUSCAM VISIBILIDADE</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2024/07/24/mulheres-buscam-visibilidade</link>
				<pubDate>Wed, 24 Jul 2024 20:30:00 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[29ª Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[ed29]]></category>
		<category><![CDATA[Extensão]]></category>
		<category><![CDATA[gestantes]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[saúde da mulher]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?p=3882</guid>
						<description><![CDATA[Liga Acadêmica de Saúde da Mulher (LIASM) promove o autoconhecimento]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:paragraph -->
<p></p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Para escutar o áudio da reportagem, clique abaixo:</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:audio {"id":3883} -->
<figure><audio controls src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2024/07/FINAL-.mp3"></audio></figure>
<!-- /wp:audio -->		
		<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;background-color: #ffffff;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt;padding: 0pt 0pt 12pt 0pt">Cólicas, menstruação, gestação, puerpério e climatério. Essas são palavras que caracterizam aspectos da saúde da mulher e que compõem um cenário desafiador para a conscientização social. De caráter multiprofissional e interdisciplinar, a Liga Acadêmica de Saúde da Mulher (LIASM) da UFSM capacita profissionais e contribui para a conscientização da comunidade a respeito das necessidades e especificidades do corpo feminino. As atividades são desenvolvidas através do ensino, pesquisa e extensão.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;background-color: #ffffff;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt;padding: 0pt 0pt 12pt 0pt">Durante a vida, o olhar para a saúde feminina é tímido e ineficaz. Nos ambientes de ensino, a saúde sexual ainda é pouco abordada e as visitas a alguns profissionais da área podem ser frustrantes e pouco humanizadas. Também coordenadora da Liga, a professora Luciane Sanchotene, explica que a atuação mediadora com as participantes dos projetos é também um espaço para debate. “Falar sobre a saúde da mulher ainda é um processo lento. Algumas têm vergonha de perguntar ao ginecologista sobre o que acontece com o seu corpo”, exemplifica. Durante as reuniões de grupo, participantes relatam o frequente descaso de profissionais da saúde feminina com as pacientes, o que dificulta o processo de autoconhecimento.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;background-color: #ffffff;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt;padding: 0pt 0pt 12pt 0pt">Diante da necessidade de abordar o tema para a população de Santa Maria, o projeto foi criado em 2020 pelo curso de Fisioterapia da UFSM e atualmente conta com 44 ligantes. Por meio de divulgação nas plataformas digitais, as ações se expandiram. Desde o começo, a Liga já apresentava um caráter interdisciplinar e multiprofissional e contou com “ligantes” de outras instituições, como da Universidade Federal de Cariri (UFCA) localizada no Ceará.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;background-color: #ffffff;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt;padding: 0pt 0pt 12pt 0pt">A LIASM promove aulas, palestras, seminários e jornadas, de formas presenciais e remotas, para oferecer maior embasamento teórico-prático sobre a saúde da mulher. De maneira instrutiva e humanizada, há integração de conhecimentos sobre diversas áreas e suas formas de abordar o assunto. Os projetos de extensão promovidos pelo grupo são: o Projeto Blitz da Saúde - Educação Sexual que tem parceria com o Núcleo de Estudos em Medidas e Avaliação dos Exercícios Físicos e Saúde (NEMAEFS), e oferta a educação sexual em escolas e instituições de Santa Maria e região, por meio da desmistificação de tabus. </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;background-color: #ffffff;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt;padding: 0pt 0pt 12pt 0pt">O Projeto de Gestantes - que tem parceria com o Pró-Saúde-, estimula a educação em saúde e exercícios físicos para este público de forma gratuita e o Projeto TPM, que trabalha a educação menstrual e distribui produtos de higiene íntima e menstrual para pessoas em situação de vulnerabilidade. A arrecadação de produtos como absorventes e sabonetes íntimos acontece durante todo o ano em eventos e reuniões divulgadas nas redes sociais da Liga, para serem distribuídos. Em 2024, as coordenadoras da Liga direcionaram o material arrecadado para a população atingida pelas chuvas no Rio Grande do Sul. </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;background-color: #ffffff;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt;padding: 0pt 0pt 12pt 0pt">Hoje coorientadora da LIASM, Ivana Camargo Braga é graduada em Fisioterapia pela UFSM e foi uma das fundadoras da iniciativa. Ela relata que hoje tem uma relação melhor com o corpo e a saúde, pois teve a oportunidade de desenvolver conhecimentos através da Liga. “Aprendi a entender melhor o meu corpo e, com isso, pude ajudar outras mulheres a se entenderem também”, conta. Naturalizar as características e as necessidades do corpo feminino é um dos desafios abordados nos projetos. Ivana acredita que quanto mais o assunto for abordado, mais o debate será normalizado.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;background-color: #ffffff;margin-top: 0pt;margin-bottom: 12pt">Quem tem interesse em fazer parte da LIASM pode se inscrever em um edital específico, publicado, uma vez ao ano, no site da UFSM. Se a inscrição for aceita, deverá participar do processo seletivo. Para participar dos projetos de extensão, o contato pode ser feito diretamente no perfil do instagram @liasm.</p>		
										<figure>
										<img width="768" height="987" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2024/07/Copia-de-Giovana-e-Luisa-2-1-768x987.png" alt="A imagem é uma ilustração vertical nas cores ciano, verde marinho, laranja fechado e laranja aberto. O desenho é composto por sete corpos de mulheres, dispostos de maneira fluída e sobrepostas na vertical. As silhuetas das personagens se mesclam de maneira orgânica uma sobre a outra, o cabelo de uma é ao mesmo tempo o perfil de outra e todas formam uma unidade dando a impressão de que estão todas juntas." />											<figcaption>Corpos femininos I  Ilustração: Pedro Pagnossin </figcaption>
										</figure>
			<h4>Projeto Blitz da Saúde</h4>		
		<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;background-color: #ffffff;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt;padding: 0pt 0pt 12pt 0pt">O Projeto Blitz da Saúde oferta a Educação Sexual em escolas e instituições de Santa Maria e região, por meio da desmistificação de tabus. O projeto tem parceria com o Núcleo de Estudos em Medidas e Avaliação dos Exercícios Físicos e Saúde (NEMAEFS).</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;background-color: #ffffff;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt;padding: 0pt 0pt 12pt 0pt">Com a intenção de ampliar o conhecimento de crianças e adolescentes sobre seus corpos e suas sexualidades, o Blitz realiza atividades para proporcionar instrução às crianças e adolescentes sobre sexualidade, métodos contraceptivos e proteção contra ISTs.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;background-color: #ffffff;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt;padding: 0pt 0pt 12pt 0pt">O Projeto Blitz da Saúde na Escola tem sua origem no Projeto Proação, desde 2017 e ações de educação sexual para jovens, tutores e professores, foram incluídas ao projeto em 2022. Informações sobre proteção e contraceptivos, são os principais focos do projeto, além do debate sobre os limites e o respeito sobre o seu corpo e o corpo do outro.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;background-color: #ffffff;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt;padding: 0pt 0pt 12pt 0pt">O grupo promove em suas palestras a importância de manifestar o “não” durante momentos de desconforto e a compreenderem situações em que uma ação levada apenas pela pressão, desconsiderando os limites do próprio corpo, pode ser perigosa para todos.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;background-color: #ffffff;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt;padding: 0pt 0pt 12pt 0pt">A equipe evidencia que a proposta é fazer com que a juventude se conscientize a respeito dos riscos, consequências e precauções atreladas à saúde sexual.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;background-color: #ffffff;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt;padding: 0pt 0pt 12pt 0pt">A produção de folders e cartilhas expositivas sobre o tema também fazem parte da divulgação do projeto, como forma de torná-lo acessível para um maior número de pessoas.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;background-color: #ffffff;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt;padding: 0pt 0pt 12pt 0pt">Instagram do projeto: @blitz.educacaosexual</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;background-color: #ffffff;margin-top: 0pt;margin-bottom: 12pt">E-mail do projeto: blitzdasaudees.ufsm@gmail.com.</p>		
			<h4>Educação em Saúde e Exercícios Físicos para Gestantes</h4>		
		<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">O Projeto de Gestantes, que tem parceria com o Pró-Saúde, estimula a educação em saúde e exercícios físicos para gestantes gratuitamente. Esse é um projeto de extensão desenvolvido dentro da Liga que avalia e orienta as gestantes que desejam praticar exercícios físicos planejados para cada necessidade especial. Todas as atividades realizadas dentro do programa são planejadas por profissionais e acadêmicos</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">da área da saúde que podem instruir de maneira correta os exercícios. Entre as especialidades estão Educação Física, Enfermagem, Nutrição, Medicina, Terapia Ocupacional e Fisioterapia. As modalidades ofertadas são: caminhada, corrida, treinamento funcional, alongamento, pilates, musculação e circuito de emagrecimento.<b id="docs-internal-guid-baca40d5-7fff-5d42-e654-85147a11fb51" style="font-weight: normal"></b></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"> Os critérios exigidos para que as gestantes possam participar do projeto são:<b style="font-weight: normal"></b></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">- Não apresentar fator de risco individual;</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">- Gestantes a partir da 14° semana de gestação;</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">- Gestantes que estejam realizando o pré-natal;</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">- Apresentar liberação médica para a prática dos exercícios;</p>
<p dir="ltr"> </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Instagram do projeto: @gestantesprosaude</p>		
		<p><strong>Reportagem: </strong>Giovana Costa Chaves e Luísa Soccal</p>
<p><strong>Contato: </strong>giovana.chaves@acad.ufsm.br/luisa.soccal@acad.ufsm.br</p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>PRESERVAR PARA EXISTIR</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2024/07/23/preservar-para-existir</link>
				<pubDate>Tue, 23 Jul 2024 20:30:00 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[29ª Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[ed29]]></category>
		<category><![CDATA[enchentes]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[mudanças climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[Sustentabilidade]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?p=3921</guid>
						<description><![CDATA[Projeto da UFSM estimula recuperação de Áreas de Preservação Permanente ]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:paragraph -->
<p>Para escutar o áudio da reportagem, clique abaixo:</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:audio {"id":3923} -->
<figure><audio controls src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2024/07/Reportagem-Preservar-Para-Existir-Joao-e-Pedro-enhanced-mp3cut.net_.mp3"></audio></figure>
<!-- /wp:audio -->
<!-- wp:paragraph -->
<p></p>
<!-- /wp:paragraph -->		
										<figure>
										<img width="1920" height="854" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2024/07/ILUSTRACAO-TXT.jpg" alt="Ilustração horizontal e colorida da UFSM estilizada em miniatura nas cores turquesa e laranja. O estilo geral é plano e simplificado, com cores sólidas e contornos nítidos. Há uma mão de cor laranja no canto superior esquerdo, que coloca uma peça de árvore na maquete. Várias árvores laranjas com bases verdes circulares estão espalhadas ao longo de um rio laranja que serpenteia pelo centro horizontal da imagem. No rio, há um barco de papel azul. Na esquerda da imagem e ao lado do rio, há uma placa de Área de Preservação Permanente - APP. Do outro lado do rio e na direita da imagem, está o Planetário da UFSM com teto preto e estrutura azul. No plano de fundo, há uma ponte preta que se estende horizontalmente. O fundo é azul." />											<figcaption>Maquete da UFSM | Ilustração: Pedro Pagnossin</figcaption>
										</figure>
		<p>Ao atravessar o Arco da UFSM, também se cruza a sanga Lagoão do Ouro. Próximo ao CTISM e à Unidade de Educação Infantil Ipê Amarelo, o córrego está em um local de grande circulação humana e animal. O Lagoão, com nascente no Residencial Novo Horizonte, é uma extensão do rio Vacacaí-Mirim e percorre o núcleo habitacional Fernando Ferrari, as vilas Santos Dumont, Santa Tereza e Assunção. O terreno em torno do córrego é delimitado como uma Área de Preservação Permanente (APP), mas, ao mesmo tempo, apresenta sinais de poluição. Para recuperar áreas como essa, foi criado o “Projeto de Proteção e Revestimento Vegetal”.  </p>
<p>A iniciativa é da Pró-reitoria de Infraestrutura (Proinfra) em parceria com o Laboratório de Engenharia Natural (LabEN), com coordenação da engenheira biofísica    e pesquisadora de pós-doutorado, Rita Sousa. A proposta é um exemplo do uso da engenharia natural  para a reconstituição de APPs. Essa modalidade se difere da engenharia civil por ter benefícios ecológicos e sociais para a fauna e a flora, como a regulação da temperatura ambiental. “O uso de plantas tem funções técnicas, como alta filtragem, que não são atendidas pela engenharia civil. Dependendo das exigências de cada local, a engenharia natural é o melhor caminho”, afirma a engenheira biofísica.</p>
<p>Para Rita, o conceito de engenharia natural remete a um conjunto de técnicas que utilizam elementos da própria natureza a fim de proporcionar estabilidade na área em que é aplicada. Nessa modalidade, o uso de plantas, madeira, pedras e outros materiais inorgânicos são importantes devido às suas funcionalidades ecológicas. A engenharia natural tem sido utilizada em diversas partes do mundo como uma alternativa para amenizar os impactos da degradação ambiental.</p>
<p>A sanga Lagoão do Ouro foi escolhida como área pioneira para aplicação do projeto, criado em 2022, devido ao alto nível de erosão no local. Rita argumenta que o objetivo é diminuir a incidência de desgaste das margens do córrego, com a  introdução de espécies de plantas nativas da região, “A erosão está progredindo rapidamente nos dois lados da área. Achamos que era um ponto importante para aplicar o projeto já que há grande circulação de pessoas”, conta Rita. Já foram feitos estudos sobre a água, solo e relevo da região, e agora a iniciativa está na fase de contratação da execução.</p>		
			<h4>Legislação das APPs</h4>		
		<p>O <em><strong><a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12651.htm" target="_blank" rel="noopener">Código Florestal Brasileiro</a></strong></em>, criado em 2012, define que as APPs são locais protegidos e voltados à conservação do ecossistema. Essa legislação tem especificações para zonas urbanas e rurais. O Artigo 4° impõe o estabelecimento de margens, com metragens específicas, ao redor de cursos d’água, conforme sua largura. Em áreas urbanas, por exemplo, as margens devem ter 30 metros, e em regiões rurais, 100 metros - exceto para corpos d’água com até 20 hectares de superfície, o que equivale a aproximadamente 20 campos de futebol.</p>
<p>Em 2020, a UFSM recebeu a <em><strong><a href="https://www.ufsm.br/pro-reitorias/proinfra/licenca-de-operacao-do-campus-sede-da-ufsm" target="_blank" rel="noopener">Licença de Operação</a></strong></em>, emitida pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam). A coordenadora do Setor de Planejamento Ambiental e Urbano da Proinfra, Nicolli Reck, explica que após receber o documento, a Universidade passou a monitorar as APPs. “A partir de então, a nossa prioridade é recuperar todos os locais de preservação do Campus”, pontua.</p>
<p><a href="https://www.ufsm.br/pro-reitorias/proinfra/areas-de-preservacao-permanente-campus-sede-ufsm" target="_blank" rel="noopener"><em><strong>Conforme dados da Proinfra</strong></em></a>, na UFSM, aproximadamente 16% da extensão territorial total são de APPs e 144,9 desses hectares possuem necessidade de recomposição. O pró-reitor de Infraestrutura, Mauri Lobler, explica que o setor mapeia o terreno da UFSM e elabora estratégias de restabelecimento dessas áreas. “Elaboramos um plano de recuperação, com o plantio de árvores e projetos de revestimento vegetal”, acrescenta.</p>		
			<h4>Resiliência nas correntezas </h4>		
		<p>Em maio de 2024, o Rio Grande do Sul enfrentou a maior catástrofe climática da sua história. Conforme dados da <em><strong><a href="https://defesacivil.rs.gov.br/inicial" target="_blank" rel="noopener">Defesa Civil</a></strong></em>, 95% das cidades do estado foram afetadas por alagamentos, deslizamentos de terra, quedas de energia e falta de água potável.</p>
<p>Devido ao grande volume de chuvas, nos primeiros dias do evento climático extremo, a Prefeitura de Santa Maria registrou pontos de alagamento causados pelo aumento do nível da água do Rio Vacacaí-Mirim, próximos ao Lagoão. Os alertas de evacuação foram emitidos nos bairros João Goulart, Km 3 e Campestre do Menino Deus, na região leste do município.</p>
<p>As Áreas de Preservação Permanente (APP) contribuem ativamente para reduzir os riscos de enchentes. Rita exemplifica como uma área preservada se comporta ao receber grandes quantidades de água: “Em um muro de concreto, há pouca permeabilidade e maior risco de transbordar. Já em uma área com vegetação, a água tem menor velocidade e a infiltração ocorre de forma mais eficiente”.</p>
<p>As APPs não agem sozinhas: a combinação de estratégias estruturais e medidas de categorização, manutenção e recuperação de áreas naturais amenizam os riscos de enchentes. A engenheira ainda ressalta que o projeto será um dos pilares para a reconstituição das APPs no Campus, o que vai permitir que elas diminuam os riscos de enchentes.</p>
<p>Durante o período de calamidade, a UFSM promoveu uma série de ações para dar suporte à comunidade atingida. Dentre as iniciativas, houve mutirão para produção de alimentos, recolhimento de doações, recuperação de eletrodomésticos, auxílio na construção de abrigos emergenciais, assistência psicológica, entre outras ações, registradas no <em><strong><a href="https://www.ufsm.br/crise-climatica-rs-2024" target="_blank" rel="noopener">site</a></strong></em> da Universidade.</p>		
								<figure><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2024/07/1-1024x683.jpg" alt="Fotografia horizontal, colorida, em primeiro plano e ângulo fechado, de uma placa que delimita uma Área de Preservação Permanente. A placa tem tem detalhes em azul e prata fixada em um suporte de madeira. Está com limo e suja, ao fundo, há árvores que fecham o ambiente ao redor. A iluminação é natural." /><figcaption>Placa de Área Preservação Permanete - APP | Foto: João Agripino Veigas</figcaption></figure><figure><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2024/07/DSC_7642-1024x683.jpg" alt="Fotografia horizontal e colorida da sanga Lagoão do Ouro. A fotografia está em plano aberto, tirada em um ângulo de baixo para cima, com destaque para as águas e as pedras do córrego. A sanga está entre um corredor de árvores e vegetação. No lado esquerdo da imagem, uma encosta verde e arborizada que se eleva até uma ponte de concreto, que está por cima da sanga. No lado direito do córrego, há plantas rasteiras, pedras e arbustos ao longo das margens. Ao fundo da imagem, com leve desfoque, é possível ver árvores e prédios. A fotografia tem iluminação natural." /><figcaption>Sanga Lagoão do Ouro | Foto: João Agripino Veigas </figcaption></figure><figure><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2024/07/4-1024x683.jpg" alt="Fotografia horizontal, colorida, em primeiro plano e ângulo aberto, da Sanga Lagoão do Ouro. A corrente de água, no centro da imagem, tem cor cinza escuro e carrega dejetos como galhos de árvores e plásticos pequenos de cor branca. Nos dois lados do córrego, árvores compõem a mata ciliar. Também há galhos secos e pedras que circundam o córrego. É dia com céu nublado e a iluminação do lugar é natural." /><figcaption>Sanga Lagoão do Ouro | Foto: João Agripino Veigas </figcaption></figure>			
		<p><strong>Reportagem:</strong> João Victor Souza e Pedro David Pagnossin</p>
<p><strong>Contato: </strong>victor.souza@acad.ufsm.br/pedro.moro@acad.ufsm.br</p>]]></content:encoded>
													</item>
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        </rss>
        