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				<title>Escrita Criativa colabora para saúde mental</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2026/07/21/escrita-criativa-colabora-para-saude-mental</link>
				<pubDate>Tue, 21 Jul 2026 19:27:12 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[31° Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
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						<description><![CDATA[Projeto da UFSM reúne alunos de diferentes cursos e mostra como a oficina pode integrar os estudantes e contribuir para a qualidade de vida
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:audio {"id":4249} -->
<figure class="wp-block-audio"><audio controls src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/07/Audioreportagem-saude-mental.mp3"></audio></figure>
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<!-- wp:paragraph -->
<p> Uma música começa a tocar. Alguns olham para o teto, outros para a folha em branco. Em poucos minutos, aquilo que era apenas uma proposta de escrita vira lembrança, sentimento, personagem ou desabafo. Na Oficina de Escrita Criativa do Setor de Atenção Integral ao Estudante (SATIE), cada texto surge da mesma inspiração, mas nunca de maneira idêntica. A quarta edição da Escrita Criativa iniciou no primeiro semestre de 2026 com a proposta de contribuir para a garantia do acesso aos direitos da cultura e lazer. A oficina conta com um bolsista de graduação, que atua como professor e coordena as atividades desenvolvidas pelas duas turmas de participantes.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A Lei Nacional nº 14.914, de 3 de julho de 2024 tem como objetivo ajudar estudantes de instituições federais de ensino a conseguirem entrar, permanecer e concluir seus cursos, principalmente aqueles em situação de vulnerabilidade social. Segundo uma das assistentes sociais da SATIE, Andreia Zanoello, as oficinas eram pensadas antes da existência de tal legislação. “A responsabilidade da reitoria não se dá somente em questões materiais, também há a necessidade de promover ações voltadas à socialização entre estudantes”. - contou Andreia.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>As oficinas são disponibilizadas semestralmente e contam com diversas modalidades, como por exemplo: corrida, padel, vôlei, pilates, alongamento e costura criativa. O estudante de Letras, Guilherme Michels, é o responsável pela oficina “Escrita Criativa”, a qual assumiu no início do mês de Abril. A oficina ocorre todas às terças e sextas, das 10h às 11h, na SATIE, localizada próxima à Casa do Estudante Universitário (CEU). A localização da oficina é proposital, pois, como mencionado por Andreia, as ações tentam impactar de uma forma maior os estudantes com mais vulnerabilidade social.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Guilherme conta que o gosto pela escrita e a vontade de fazer com que mais pessoas gostassem desse lazer foi o que motivou sua inscrição no edital para ministrar os encontros. “Às vezes você pode escrever por hobby, porque pode ser muito terapêutico para algumas pessoas”, comenta Guilherme.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Participam da oficina estudantes de diferentes áreas, o que gera diversas interpretações acerca da temática dos textos. Por cerca de uma hora, o professor mostra uma fonte de inspiração, como uma música, para os alunos escreverem o que sentem a partir daquilo. Depois de finalizados, os textos são lidos em voz alta. Guilherme observou que, no momento da leitura, há trocas significativas entre os participantes: “A gente pode escrever sobre as mesmas coisas, mesmas palavras, a mesma imagem, o mesmo conceito, mas sempre vamos ter uma interpretação diferente”, explica.<br></p>
<!-- /wp:paragraph -->

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<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/07/IMG-20260428-WA0143-1-1024x682.jpg" alt="Foto horizontal e colorida de dois rapazes em uma sala iluminada por grandes janelas. Na parte inferior direita, de costas, está Leonardo, um jovem de pele branca e cabelos curtos castanho-escuros. Ele veste um casaco preto e está sentado em um pufe laranja. Ele gesticula com a mão esquerda. À esquerda e ao fundo está Guilherme, um jovem de pele branca, cabelos castanho-claros, curtos e cacheados. Ele veste casaco de moletom cinza escuro e calça jeans. Está sentado em uma cadeira preta, de pernas cruzadas, e segura uma prancheta. Ele olha em direção a Leonardo. No fundo, há um longo balcão cinza com nichos em que há livros empilhados. Atrás do balcão, grandes janelas de vidro com molduras amarelas revelam árvores e folhas verdes do lado de fora. A luz natural entra em abundância pelas janelas.
" class="wp-image-4246" style="width:959px;height:auto" /></figure>
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<p class="has-small-font-size"><strong>Guilherme explicando a dinâmica para os alunos.</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:heading {"fontSize":"medium"} -->
<h2 class="wp-block-heading has-medium-font-size"><strong>Quando escrever também vira pausa</strong></h2>
<!-- /wp:heading -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>No ambiente acadêmico, encontrar tempo para o lazer se torna cada vez mais difícil e, a partir disso, iniciativas como a oficina de Escrita Criativa são de extrema importância. Uma pesquisa realizada em 2019 por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e do Instituto Federal Farroupilha, com 423 estudantes universitários, identificou que a frequência que os participantes mencionaram dificuldades na gestão do tempo relacionada às tarefas acadêmicas foi de 16,1%.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>O aluno da oficina e graduando do curso de Engenharia de Telecomunicações, Leonardo Nielsen, explicou que, quando criança, escrevia com certa frequência, porém os estudos substituíram o tempo de seu hobby. “Na faculdade a gente acaba não tendo muito tempo para as coisas. Por isso, eu queria ter um espaço dedicado, pelo menos uma hora na semana, para poder escrever alguma coisa”, declara.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:heading {"fontSize":"medium"} -->
<h2 class="wp-block-heading has-medium-font-size"><strong>O peso que cabe no papel</strong></h2>
<!-- /wp:heading -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A psicóloga Dariane Félix esclarece que a escrita ajuda no processo de cura psicológica e depende da capacidade de “elaboração” de cada pessoa – que é a aptidão de transformar uma experiência pessoal em algo de possível compreensão. A partir dessa ideia, quando uma pessoa consegue elaborar, é indicado que ela escreva.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Outro participante da oficina e mestrando em Ciências da Computação é Davi Tonon. Para ele, a escrita ajuda a entender e organizar pensamentos, sentimentos e emoções. Nesse sentido, Dariane traz uma visão terapêutica, que evidencia o quanto a oficina coopera na formação dos jovens. “Quando fazemos o movimento de escrever, conseguimos organizar melhor os nossos pensamentos. Conseguimos até mesmo visualizá-los e entendê-los melhor”, enfatiza.<br></p>
<!-- /wp:paragraph -->

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<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/07/IMG-20260428-WA0145-1024x682.jpg" alt="Foto horizontal e colorida de Davi sentado em um pufe preto com um livro nas mãos. Ele é um homem de pele branca, cabelos castanho-escuros compridos, presos em um coque, e usa barba da mesma cor. Ele veste moletom bege e calça jeans escuro. Em volta dele, há outros pufes grandes nas cores cinza-escuro, azul claro e laranja, que preenchem a parte inferior e esquerda da cena.  Atrás dele há duas cadeiras de escritório pretas, um balcão baixo bege com livros empilhados e grandes janelas de vidro ao fundo. À esquerda e em desfoque está outro rapaz, de pele branca, cabelos castanho-claros e cacheados e moletom cinza escuro. Ele observa a cena.
" class="wp-image-4247" style="width:992px;height:auto" /></figure>
<!-- /wp:image -->

<!-- wp:paragraph {"fontSize":"small"} -->
<p class="has-small-font-size"><strong>Davi lendo o que havia escrito durante a oficina</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A escrita terapêutica surge para expressar algo íntimo entre psicólogo e paciente. Já a escrita literária, o foco da oficina, leva em consideração o público que vai atingir. Apesar dessa distinção, os participantes da Escrita Criativa apontam que as dinâmicas ofertadas trazem possibilidades de autoconhecimento. A participante e graduanda em Medicina Veterinária, Ilana Petry, diz que: “A escrita me permite dividir o peso da minha carga com o papel”.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:heading {"fontSize":"medium"} -->
<h2 class="wp-block-heading has-medium-font-size"><strong>Mais do que escrever, sentir</strong></h2>
<!-- /wp:heading -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Segundo a crítica de cinema, Pauline Kael, foi dito por um analista que, quando seus pacientes não falam de seus complexos ou problemas, eles trazem situações de personagens de filmes como parte da novela da própria vida. Dariane indica a leitura a seus pacientes com o objetivo de fazê-los focar em uma atividade que desacelera o corpo, trabalhar a empatia, se identificar e refletir sobre a própria vida. “Acredito que a escrita e a leitura dão sentido para a vida, o que seria da gente sem as histórias que nos trazem inspiração para viver a vida real?” - questiona.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A Oficina de Escrita Criativa é um período de tempo que permite aos seus participantes a fala e a escuta ativa de seus textos autorais, sem julgamentos ou pressão. Lá, os estudantes entendem que nem sempre a escrita tem que ser perfeita ou que é necessário ser um grande autor para poder escrever. No final do dia, você só precisa sentir. “Eu gosto muito desse tempo que passo aqui pois ele ajuda a lembrar que a gente também existe fora da faculdade”, afirmou Ilana.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Reportagem: Emmanuelly Zini, Luisa Santos e Sabrina Fagundes</strong> </p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Fotos: Sabrina Fagundes</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Ilustração capa: Willian Silveira</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Assistência estudantil e permanência na UFSM</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2026/07/17/assistencia-estudantil-e-permanencia-na-ufsm</link>
				<pubDate>Fri, 17 Jul 2026 16:00:00 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[31° Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[ed31]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

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						<description><![CDATA[Auxílios oferecidos pela instituição garantem acesso à Universidade, mas estudantes relatam desafios para manter a trajetória acadêmica]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:paragraph -->
<p>Para escutar o áudio da reportagem, clique abaixo:</p>
<!-- /wp:paragraph -->
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<figure><audio controls src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/07/Lia-e-Julia-Assistencia-estudantil-e-permanencia-na-UFSM.mp3"></audio></figure>
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										<figure>
										<img width="1024" height="410" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/07/Primeira-imagem-2-1024x410.jpeg" alt="" />											<figcaption>Ilustração por Eduardo Carlsson </figcaption>
										</figure>
		<p>Acordar às 7h30min para assistir aula, almoçar rapidamente antes de pegar o transporte público, passar toda a tarde e noite no emprego, enfrentar dois ônibus no retorno e chegar em casa depois da meia-noite. Essa era a rotina de Manuella Silva, 24 anos, estudante de Tecnologia em Alimentos na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Mesmo sendo beneficiária da assistência estudantil da Universidade, a necessidade de trabalhar fazia parte da sua rotina. Ela trabalhou em um shopping da cidade até novembro de 2025 para suprir gastos com medicamentos, materiais para aula, produtos de higiene pessoal e itens de limpeza. “A minha rotina cansativa era o que fazia eu conseguir permanecer na Universidade. Eu não queria apenas sobreviver, eu queria viver”, relata.</p>
<p>A situação vivida por Manuella não é isolada. Segundo dados da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (PRAE), a Universidade atende atualmente cerca de 3.657 estudantes por meio do Benefício Socioeconômico (BSE), programa que dá acesso a subsídios para a permanência de estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica.</p><p>De acordo com o Pró-Reitor Adjunto de Assuntos Estudantis, Victor de Carli Lopes, a instituição aplicou, em 2025, cerca de R$29,1 milhões em ações voltadas aos alunos. O valor contempla benefícios e serviços como a Casa do Estudante Universitário (CEU) e o Restaurante Universitário (RU), além de bolsas, auxílios e demais programas de assistência estudantil. Entre os recursos oferecidos pela instituição, destacam-se o auxílio alimentação, com investimento de R$2.021.250,00, o auxílio transporte, que recebeu R$1.016.330,00, e o auxílio pedagógico, com R$416.943,00 destinados aos estudantes. </p>		
										<figure>
										<img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/elementor/thumbs/Segunda-imagem-3-rqjomp6tgo7hrt1gu0iubh6r74zg0pg8tkj1oytnlk.jpg" title="Segunda imagem" alt="Victor de Carli Lopes, Pró-Reitor Adjunto de Assuntos Estudantis. Foto por Júlia Sones" loading="lazy" />											<figcaption>Victor de Carli Lopes, Pró-Reitor Adjunto de Assuntos Estudantis. Foto por Júlia Sones</figcaption>
										</figure>
										<figure>
										<img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/elementor/thumbs/Terceira-imagem-rqjou3756sbn1gb2opi9f427b6kbj1sa655gi9v8oo.jpg" title="Terceira imagem" alt="Edison Luiz Pavão Borges, coordenador da Casa do Estudante Universitário. Foto por Júlia Sones" loading="lazy" />											<figcaption>Edison Luiz Pavão Borges, coordenador da Casa do Estudante Universitário. Foto por Júlia Sones</figcaption>
										</figure>
		<p id="docs-internal-guid-6b3ec7ad-7fff-083a-3e4d-7f3bc11e7af9" dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">O coordenador da Casa do Estudante Universitário, Edison Luiz Pavão Borges, explica que a assistência estudantil é um conjunto de ações. "A moradia por si só não resolve. Então a gente deve somar todos os auxílios e fatores que foram desenvolvidos nos últimos anos para que o aluno permaneça aqui e consiga se formar com excelência”, declara Edison.</p>
<p> </p><p id="docs-internal-guid-cc99b9f6-7fff-5769-921b-e0552eee2c35" dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">A necessidade de buscar sustento externo e a rigidez de cursos integrais também cobram um preço alto, afetando diretamente a saúde dos estudantes. Isabela De Andrade, graduanda de Relações Públicas, precisou reorganizar drasticamente sua trajetória acadêmica para dar conta de uma rotina exaustiva em que dividia o tempo entre um estágio obrigatório da faculdade, um extracurricular em formato home office e um emprego presencial no comércio. A sobrecarga para se manter na cidade fez com que ela trancasse quatro disciplinas ao longo dos semestres, atrasando o curso em um ano e meio.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">A pressão contínua resultou em um esgotamento extremo. Em 2025, Isabela sofreu um burnout e um surto psicótico, episódios que exigiram internação hospitalar e afastamento médico. Apesar do impacto severo, ela destaca o suporte que encontrou na instituição durante o período mais crítico para não perder o vínculo com a graduação. "A UFSM me auxiliou permitindo fazer cadeiras online enquanto estive internada. A rotina era muito pesada, não tinha como estagiar e fazer faculdade ao mesmo tempo", desabafa.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">As histórias de Manuella, Gabriel e Isabela mostram que a assistência estudantil desempenha um papel fundamental para garantir o acesso e a continuidade dos estudos de milhares de alunos. No entanto, os relatos também evidenciam que a permanência acadêmica envolve desafios que ultrapassam o alcance dos auxílios institucionais. Entre jornadas de trabalho extensas, dificuldades financeiras e a necessidade de conciliar diferentes responsabilidades, permanecer na Universidade ainda é um processo de constante adaptação e resistência.</p>		
										<figure>
										<img width="1024" height="582" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/07/Quarta-imagem-1024x582.jpeg" alt="" />											<figcaption>Ilustração por Eduardo Carlsson</figcaption>
										</figure>
		<p id="docs-internal-guid-dde0107d-7fff-6f46-22a8-7fd6bd1530f5" dir="ltr" style="line-height: 1.38;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Reportagem escrita por Júlia Sones e Nathalia Guerreiro</p>
<p> </p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>SEGURANÇA À PROVA DE CHAMAS</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2026/07/17/seguranca-a-prova-de-chamas</link>
				<pubDate>Fri, 17 Jul 2026 15:13:20 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[31° Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[ed31]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?p=4230</guid>
						<description><![CDATA[UFSM trabalha na prevenção contra incêndios
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p>Para escutar o áudio da reportagem, clique abaixo:</p><p>[audio mp3="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/07/Audio-Reportagem-Felipe-e-Gabriel.mp3"][/audio]</p><p>Venerado por nossos ancestrais, o processo químico de combustão rápida que libera luz e calor, apelidado de fogo, nem sempre foi sinônimo de perigo. Na Roma e Grécia Antiga, a ‘chama sagrada’ simbolizava a união e proteção famíliar. Porém, em paralelo à veneração, o poder destrutivo das chamas também acompanhou a história da humanidade. </p><p>Em Santa Maria, isso não foi diferente. Vista como uma das maiores tragédias do Brasil, o incidente da Boate Kiss foi um marco na legislação de segurança contra incêndios no país. Ocorrido em 2013, os desdobramentos do acidente proporcionaram a revisão e readequação de uma série de normas, além da criação de legislações como a Lei Kiss, ou decretos como o 50.803, que tornaram mais rígida erestritiva a segurança.</p><p>Na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), a legislação criada a partir da tragédia na boate estimulou a criação do Núcleo de Prevenção de Incêndios (NPI). O setor integra a Pró-reitoria de Infraestrutura (Proinfra) e verifica as condições de mais de 350 edificações, só no Campus sede, além de garantir materiais de segurança e fazer a manutenção dos equipamentos.</p><p> </p><h3><strong>Os desafios de uma cidade-escola</strong></h3><p>Atualmente, cruzam pelo arco da UFSM mais de 30 mil pessoas, divididas entre técnico-administrativos, professores e acadêmicos. Em números, a ‘população universitária’ supera a quantidade de habitantes de mais de 400 municípios do Rio Grande do Sul.</p><p>Aos 65 anos, a UFSM possui construções das mais variadas idades e arquiteturas. A primeira delas foi o Centro de Tecnologia (CT). A mais recente foi o prédio 5F, do Colégio Técnico Industrial de Santa Maria, inaugurado em 2026. Na década de 1960, edificações com corredores e escadas estreitas eram comuns, bem como a pouca oferta de locais de saída. Nesse sentido, a vida de quem trabalhou em diversas épocas no Campus, contrasta com as mudanças e evoluções que a Universidade teve. Vigia do Hospital Universitário de Santa Maria na década de 80, José Carlos Dantas conta que prédios de grande circulação como o Hospital Universitário nem sempre tiveram a atenção merecida: “antigamente, se tinha fumaça, fogo ou qualquer problema, a gente dava um jeito de resolver. Não existia protocolo, orientação ou manual”. Entretanto, o ex-servidor destaca que, hoje, além de extintores por toda a parte, há também alarmes e tecnologias que detectam o fogo automaticamente.</p><p> </p><h3><strong>Medidas básicas de segurança</strong></h3> Apesar das restrições e rigidez na legislação, após 2013, os novos decretos abriram exceções conforme a idade e atividade prestada na edificação, o que significa que nem todas as construções podem ser alteradas, mas as que estão em uso possuem medidas básicasde segurança contra incêndios (box).De acordo com o NPI, há mais de 3,5 mil extintores espalhados pela UFSM, mas nem sempre a disponibilidade desses materiais significa a solução do problema. Edificações com grande circulação de pessoas, como os restaurantes universitários (RUs), também possuem servidores com cursos de brigadistas, que os capacitam a manusear, verificar equipamentos e orientar as pessoas em situações de perigo. Faxineiro do RU 2, João Arantes conta que cada etapa do curso simulou circunstâncias diferentes. “Verificamos a validade de extintores, apagamos princípios de incêndio, aprendemos a fazer primeiros socorros e até conduzimos evacuações de emergência”, descreve. <h3><strong>Simulações de incêndio</strong></h3><p>Em uma Instituição com tamanho de cidade, um dos grandes desafios é simular situações de incêndio. Além de ter sido o primeiro núcleo construído na UFSM, o Centro de Tecnologia também foi pioneiro nas simulações. Em abril de 2025, a atividade coordenada pela direção do Centro, pelo Grupo de Estudos e Pesquisas em Engenharia de Segurança Contra Incêndios (Gepesci) e pelo NPI reuniu mais de 600 pessoas com o objetivo de capacitar docentes, discentes e brigadistas.</p><p>O professor Rogério Antocheves tem pós-doutorado em Segurança contra Incêndio e ajudou na organização do evento. Para ele, simulações são atividades complexas que demandam meses de planejamento.”Toda a preparação foi realizada de forma sigilosa para garantir uma análise mais precisa sobre o comportamento do público. Também usamos as redes sociais para informar a comunidade, sobre como se portar nesses casos, e destacar equipamentos aliados como extintores, placas de sinalização e saídas de emergência”, pontua.</p><p>A formanda do Curso de Engenharia Civil, Carolina Matos, salienta que a divulgação desses conteúdos contribuiu para manter as informações frescas na memória e favorecer a resposta adequada durante a simulação. Para o primeiro tenente Alexandre Sena, comandante do 3o Pelotão de Bombeiros Militares de Camobi, apenas com treinamento é possível garantir eficiência nas simulações e reforçar o olhar atento para os protocolos e características de cada edificação. O profissional sugere que a cultura de prevenção de incêndio faça parte do cotidiano desde a infância: “Estamos em um processo de evolução. Seria interessante difundir este assunto nos bancos escolares, não apenas na parte acadêmica, mas sim nas séries iniciais, criando conhecimentos básicos”, explica Alexandre.</p><p> </p><h3><strong>Dor e esperança</strong></h3><p>A tragédia da Boate Kiss vitimou 242 pessoas. Entre elas, mais de cem eram estudantes da UFSM ou vestibulandos. Presidente da Associação de Familiares e Vítimas da Tragédia de Santa Maria (AVTSM), Flávio José da Silva perdeu sua filha Andrielle Righi da Silva, que na época tinha 22 anos. Desde 2013, ele participa ativamente na luta por justiça, além de contribuir com a comunidade de familiares ligados às vítimas.</p><p>De acordo com Flávio, anualmente entram milhares de novos estudantes na Universidade, e muitos deles eram crianças quando aconteceu a tragédia. Portanto, a criação de um “projeto de memórias” tem a função não apenas de relembrar a tragédia, mas também de enfatizar as causas e construir uma cultura de prevenção seria o ideal em uma cidade universitária. O presidente da Associação também destaca que a iniciativa é válida para que os jovens se tornem mais observadores e não escolham opções de entretenimento que não garantam sua segurança: “Minha filha escolheu o ingresso mais caro disponível à venda naquela noite, mas pagou com a própria vida”, afirma.<br />Apesar das dores do passado, o pai de Andrielle Silva destaca a importância e a positividade de simulações de incêndio, dentro do Campus. “Sei que atividades como essa são complicadas, mas o treinamento permite que as pessoas estejam preparadas e vidas sejam salvas”, ressalta.</p><p> </p><h3><strong>Futuro e prevenção</strong></h3><p>Em 2026, o trabalho conjunto do pró-reitor de Infraestrutura da UFSM, André Lübeck, juntamente com o chefe do NPI, Matheus Leiria, tem gerado avanços na prevenção de incêndios no Campus. Além de garantir que todas as edificações estejam com medidas básicas de segurança, a equipe finaliza, neste momento, um sistema digital de transparência disponível no site da Instituição. O recurso possibilita a verificação e a manutenção da situação dos extintores espalhados pela Universidade.</p><p>Além disso,a Proinfra tem articulado a realização de um curso de brigadistas que capacite professores e servidores de diversos setores do Campus. A medida é um dos passos para garantir mais simulações por toda a UFSM. De acordo com André Lübeck “não somos perfeitos e cometemos erros, mas não descansaremos quando o assunto for a segurança de nossa comunidade”.</p><p> </p><h3><b>Medidas de proteção ativa contra incêndio:</b></h3><p><strong>1. </strong><b>Extintores de incêndio:</b> Equipamentos portáteis essenciais para o combate inicial ao fogo, disponíveis em diferentes tipos conforme a classe do incêndio.</p><p><strong>2. </strong><b>Sinalização de emergência:</b> Placas e sinais que indicam saídas, rotas de fuga, localização de extintores e outros equipamentos de segurança.</p><p><strong>3. </strong><b>Iluminação de emergência:</b> Luzes que se ativam automaticamente em caso de falha no fornecimento elétrico, garantindo visibilidade nas rotas.</p><p><strong>4. </strong><b>Treinamento de prevenção e combate para os servidores:</b> Capacitação de profissionais para orientar as pessoas em situações de incêndio.</p>		
		<p><strong>Repórteres:</strong> Gabriel Ferraz e Felipe Wenceslau </p><p><strong>Contato: </strong> gabriel.ferraz@acad.ufsm.br | felipe.wenceslau@acad.ufsm.br</p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>A luta pela igualdade de gênero na UFSM</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2026/07/15/a-luta-pela-igualdade-de-genero-na-ufsm</link>
				<pubDate>Wed, 15 Jul 2026 04:07:04 +0000</pubDate>
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				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?p=4223</guid>
						<description><![CDATA[Após cinco anos da aprovação da Política de Igualdade de Gênero, desigualdades estruturais persistem no ambiente universitário
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:audio {"id":4224} -->
<figure class="wp-block-audio"><audio controls src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/07/Audioreportagem.TXTA-EDUARDAPOLLY-online-audio-converter.com_.mp3"></audio></figure>
<!-- /wp:audio -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A igualdade de gênero no Brasil é garantida pela legislação federal. Ainda assim, 83,5% das mortes violentas de mulheres no país ocorrem em ambientes domésticos ou em relações íntimas afetivas, de acordo com a Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres (ONU Mulheres). Mesmo que as leis garantam os mesmos direitos a todos, as desigualdades nas dinâmicas familiares, nas representações políticas e na esfera socioeconômica permeiam o cotidiano brasileiro.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Pesquisas como essa refletem a pobreza das discussões e incentivos públicos para concretizar a igualdade de gênero, não apenas no Brasil, mas também em Santa Maria. A cidade é a terceira do Rio Grande do Sul com maior número de vítimas de feminicídio, segundo a Secretaria de Segurança Pública do estado. Na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), o debate sobre acolhimento e enfrentamento dessas violências passou a ganhar força institucional nos últimos anos.<strong>&nbsp;</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Apesar das discussões sobre violência de gênero e desigualdade já existirem dentro do ambiente universitário, a UFSM só aprovou oficialmente sua Política de Igualdade de Gênero em 2021. Até então, as iniciativas relacionadas ao tema aconteciam de forma descentralizada, por meio de projetos e grupos de pesquisa isolados. São ações muitas vezes sustentadas pela força de vontade de pessoas interessadas na pauta, que buscam construir espaços de diálogo, acolhimento e enfrentamento mesmo sem uma estrutura institucional consolidada.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>O debate ativo na Universidade começa a se concretizar em 2017, com a oficialização da Comissão de Igualdade de Gênero, que marca um passo importante na tentativa de transformar a Universidade em um espaço mais seguro, inclusivo e acolhedor. O grupo realizava encontros semanais e reunia representantes de diferentes áreas, além de convidados externos que contribuíam para a construção de uma política interna. Segundo a Coordenadora da Comissão de Igualdade de Gênero da UFSM e atual Pró-Reitora de Assuntos Estudantis (PRAE/UFSM), Jaciele Sell, o processo foi lento e cercado por desafios.&nbsp;<br></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:media-text {"mediaId":4225,"mediaLink":"https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?attachment_id=4225","mediaType":"image","mediaWidth":38,"verticalAlignment":"center"} -->
<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile is-vertically-aligned-center" style="grid-template-columns:38% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/07/JACIELE--736x1024.jpeg" alt="Fotografia colorida de Jaciele Sell em ambiente interno. Ao centro da imagem, ela aparece em pé, enquadrada da cintura para cima, com os braços cruzados à frente do corpo e expressão sorridente. Jaciele tem pele branca, olhos claros e cabelos castanhos curtos, repartidos lateralmente, com ondas na altura do queixo. Ela veste blusa vinho de um ombro só, com detalhe no ombro esquerdo. Usa anéis nas mãos e pulseira no pulso direito. Ao fundo, cortinas brancas desfocadas compõem um ambiente claro e discreto. A iluminação suave destaca o rosto e a vestimenta da entrevistada. 
" class="wp-image-4225 size-full" /></figure><div class="wp-block-media-text__content"><!-- wp:paragraph {"placeholder":"Conteúdo..."} -->
<p>Ela afirma que a criação da Comissão foi consequência do aumento de denúncias de assédio e do sentimento de insegurança vivenciado pelas mulheres no ambiente universitário. Sua construção envolveu a articulação entre diferentes setores, motivados pela necessidade de discutir violência de gênero, desigualdades estruturais e formas de cuidado às vítimas. “Não tinha por onde começar”, relembra Jaciele.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Em aproximadamente cinco anos, a Comissão promoveu audiências públicas, palestras, fóruns institucionais e consultas à comunidade acadêmica. O processo foi marcado por resistências internas e debates sobre conceitos considerados centrais para a política. Questões como a inclusão de pessoas trans, o uso dos termos “igualdade” ou “equidade” e a necessidade de pensar na assistência para mães estudantes passaram a fazer parte das discussões, de acordo com Jaciele.<br></p>
<!-- /wp:paragraph --></div></div>
<!-- /wp:media-text -->

<!-- wp:paragraph {"fontSize":"small"} -->
<p class="has-small-font-size">Coordenadora da Comissão de Igualdade de Gênero da UFSM e atual Pró-Reitora de Assuntos Estudantis (PRAE/UFSM), Jaciele Sell.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A demanda de institucionalizar essas iniciativas ganhou força. Em novembro de 2021, a Universidade aprovou oficialmente sua primeira Política de Igualdade de Gênero, por meio da Resolução nº 064/2021. O documento reconhece a desigualdade como uma questão estrutural que vai além da vida universitária e  estabelece diretrizes que determinam três eixos: promoção da igualdade de gênero; enfrentamento e responsabilização em casos de violência; e assistência às vítimas. </p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A resolução marcou a criação da Casa Verônica, espaço multiprofissional pensado para acolher pessoas em situação de violência de gênero e articular ações de apoio na Universidade. O Comitê de Igualdade de Gênero (CIG), vinculado à Casa, atua em parceria com serviços públicos de saúde e não executa diretamente políticas ou atendimentos, mas atua como um órgão de formulação e articulação. “O Comitê pensa iniciativas e propõe caminhos a partir da Política Institucional”, explica o assistente social e integrante do CIG, Ricardo Felippe. </p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A Casa Verônica surge como um dos principais braços da Política de Igualdade de Gênero na UFSM e promove atividades educativas, palestras e ações de letramento. Iniciativas que, segundo Ricardo, geram tensão entre setores e buscam incentivar mobilizações. O objetivo, de acordo com ele, é desnaturalizar aspectos estruturais, iniciar discussões e trazer à tona pautas sensíveis. <br></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>O nome do espaço foi escolhido pela comunidade universitária por meio de votação e carrega um significado político e simbólico. O título homenageia Verônica de Oliveira, mulher trans e ativista LGBTQIAP+ de Santa Maria. Verônica, conhecida por acolher pessoas em situação de vulnerabilidade em sua casa, foi vítima de transfeminicídio em 2019. Ao adotar seu nome, a Casa busca manter viva a memória de sua trajetória e reconhecer a relevância histórica de sua atuação na cidade.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Mais de quatro anos após a aprovação da Política de Igualdade de Gênero, o Comitê da Casa Verônica promove uma Consulta Pública, em abril de 2026, sobre a proposta de alteração do documento da Política. A intenção foi ampliar o diálogo e qualificar as estratégias institucionais de prevenção e enfrentamento às desigualdades.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A ativista e pesquisadora em Teatro e violência de gênero, licenciada pela UFSM, Sofia Lopes Dotto, se fez presente durante a Consulta. A egressa declarou, em seu perfil público do Instagram, que o encontro não promoveu o acolhimento ou um espaço de escuta da comunidade acadêmica, mas sim uma oportunidade da instituição contestar e rebater as contribuições do público.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Durante a Consulta, foi determinado que as solicitações da comunidade seriam formalizadas via e-mail. Sofia Dotto afirma que o seu documento com as reivindicações e as sugestões para aprimorar a Política foi enviado ao Comitê de Igualdade de Gênero, mas a resposta do CIG, segundo ela, foi recebida em junho de 2026, dois meses após o encontro, sem um retorno concreto sobre as propostas. "A Consulta Pública foi um retrato do descaso da UFSM", declarou.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:heading {"fontSize":"large"} -->
<h2 class="wp-block-heading has-large-font-size"><strong>O caso de Sofia Dotto</strong><br></h2>
<!-- /wp:heading -->

<!-- wp:image {"id":4227,"width":"858px","height":"auto","sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/07/SOFIA-1024x683.jpeg" alt="Fotografia retangular horizontal colorida de Sofia Lopes Dotto em cena artística. Ao centro da imagem, ela aparece enquadrada dos ombros para cima. Sofia está com o rosto voltado para a direita, boca aberta e mão direita posicionada ao lado da boca. A expressão é intensa e enérgica. Ela usa maquiagem elaborada, com batom vermelho, delineador claro ao redor dos olhos e elementos decorativos que se estendem pela testa. Os cabelos estão penteados para trás, com aparência úmida. Ela veste roupa vermelha em tom semelhante ao da maquiagem. Ao fundo, uma área escura e desfocada ocupa a imagem. Fotografia retangular horizontal colorida de Sofia Lopes Dotto em cena artística. Ao centro da imagem, ela aparece enquadrada dos ombros para cima. Sofia está com o rosto voltado para a direita, boca aberta e mão direita posicionada ao lado da boca. A expressão é intensa e enérgica. Ela usa maquiagem elaborada, com batom vermelho, delineador claro ao redor dos olhos e elementos decorativos que se estendem pela testa. Os cabelos estão penteados para trás, com aparência úmida. Ela veste roupa vermelha em tom semelhante ao da maquiagem. Ao fundo, uma área escura e desfocada ocupa a imagem. " class="wp-image-4227" style="width:858px;height:auto" /></figure>
<!-- /wp:image -->

<!-- wp:paragraph {"fontSize":"small"} -->
<p class="has-small-font-size">Ativista e pesquisadora em Teatro e violência de gênero, licenciada pela UFSM, Sofia Lopez Dotto. </p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Sofia e outras colegas da turma de Teatro de 2021 foram vítimas de violência de gênero, por um ex-docente e um ex-discente da Universidade, ao longo de três dos quatro anos da graduação. Ambos os agressores eram reincidentes em crimes sexuais contra estudantes. Essas mulheres foram submetidas a comentários impróprios sobre seus corpos, toques inadequados e insinuações sexuais sob pretexto de aulas práticas do currículo do curso.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A ativista desenvolveu Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), o qual afeta diretamente suas memórias e seus aprendizados da licenciatura, marcada pela violência. Em 2025, Sofia escolhe relatar sua experiência por meio do seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), intitulado&nbsp; “Teatro E (Auto)Biografias Femininas: Uma Trilha Para A Discussão De Violência De Gênero Em Ambiente Acadêmico”. Este promove cinco oficinas para oito mulheres diversas com vínculo com a UFSM, selecionadas com objetivo de transformar o teatro em uma linguagem disparadora para as narrativas de violência de gênero.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Sofia ainda relata as dificuldades enfrentadas ao decidir formalizar acusações à uma autoridade da instituição e os desafios sofridos ao longo de um ano, no qual perdurou o Processo Administrativo. Ela afirma que as histórias de assédio em espaços acadêmicos se tornam boatos de corredor, pois não é do interesse da Universidade defender seus discentes. As denúncias e a luta dessas mulheres resultaram na demissão e no desligamento dos agressores, em 2024, por prática de assédio moral e sexual contra estudantes. "A Política não têm efetividade nenhuma. Se as vítimas antes de mim tivessem sido ouvidas, eu não teria sido violentada”, ressalta.&nbsp;<br></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Texto:<em> Eduarda Zonta e Pollyana Bronzatto</em><br></p>
<!-- /wp:paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Literatura para recomeçar</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2026/07/10/literatura-para-recomecar</link>
				<pubDate>Fri, 10 Jul 2026 17:54:00 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[31° Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Dossiê]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[ed31]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?p=4216</guid>
						<description><![CDATA[Projeto “Livros que livram: remição da pena” aproxima estudantes e apenados por meio da leitura e do diálogo]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:paragraph -->
<p>Para escutar o áudio da reportagem, clique abaixo:</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:audio {"id":4217} -->
<figure><audio controls src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/07/audioreportagem-txt.mp3"></audio></figure>
<!-- /wp:audio -->		
										<figure>
										<img width="768" height="1024" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/07/foto-1-1.jpeg" alt="" />											<figcaption>Apenadas do Presídio Regional de Santa Maria (PRSM) participam de encontros mensais</figcaption>
										</figure>
		<p id="docs-internal-guid-c5faec83-7fff-ac71-0d92-7d51721a9e0c" dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Na periferia de Porto Alegre, nos anos 1990, Vera, personagem fictícia criada por José Falero, vive com outras mulheres que compartilham uma mesma responsabilidade: sustentar as famílias mesmo em meio à pobreza. Faxineira, ela cria como filho o sobrinho e divide o quintal da casa com a mãe, as quatro irmãs e os filhos de cada uma delas. Entre o trabalho exaustivo, a violência cotidiana e as desigualdades que atravessam a cidade, Vera tenta manter de pé a própria vida e a daqueles que dependem dela. </p>
<p> </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Em Santa Maria, abril de 2026, a história de Vera foi tema de um encontro realizado no Presídio Regional, no bairro Nossa Senhora da Medianeira. Todos os meses, junto a estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), mulheres privadas de liberdade participam de rodas de conversa sobre literatura, com o objetivo de reduzir suas penas. </p>
<p> </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Dentro da sala de aula do presídio, oito mulheres e  um homem trans se organizam para comentar a leitura do mês. Com o acompanhamento da psicóloga da instituição, o grupo inicia a conversa, retoma os principais pontos da obra e relembra a trajetória da protagonista.</p>
<p> </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Ao longo do encontro, os comentários sobre a trajetória de Vera se aproximam das experiências compartilhadas pelas apenadas. Algumas apontam o desejo de um desfecho mais feliz para a personagem, outras identificam semelhanças entre a realidade do livro e as próprias vivências. Assim como Vera espera que os tempos difíceis passem, mesmo que lentamente, as participantes também expressam esse sentimento em suas trajetórias e nas expectativas de mudança construídas durante o cumprimento da pena.</p>
<p> </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Durante a conversa, as integrantes também relacionam a leitura a referências presentes em filmes e produções audiovisuais às quais têm acesso pela televisão no presídio. Entre os títulos mencionados, estavam “A Vida e a História de Madam C.J. Walker” e “Que Horas Ela Volta?”, obras que discutem trabalho, desigualdade e os papéis socialmente atribuídos às mulheres, especialmente em contextos marcados pela invisibilidade feminina.</p>
<p> </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Doutoranda em Ciências Sociais  e integrante do projeto de extensão “Livros que Livram”, Juliana Felix, media a conversa, que avança para além da narrativa do romance e aborda permanências e transformações na condição das mulheres desde os anos 1990. </p>		
			<h2>A leitura como direito</h2>		
										<figure>
										<img width="766" height="1024" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/07/foto-2-766x1024.jpeg" alt="" />											<figcaption>A lei de remição pela leitura está presente na legislação desde 2011</figcaption>
										</figure>
		<p id="docs-internal-guid-dff32258-7fff-3384-1e84-555a905b0199" dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Prevista na legislação brasileira desde 2011, a remição de pena pela leitura permite que pessoas privadas de liberdade reduzam parte da condenação por meio do acesso aos estudos e à produção de resenhas. Após a retirada do livro, a pessoa tem de 21 a 30 dias para concluir a leitura e, em seguida, dez dias para entregar o relato escrito à mão sobre a obra.</p>
<p> </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Os textos passam pela análise de uma Comissão de Validação instituída pelo juízo responsável. A legislação prevê a remição de quatro dias de pena por obra lida e validada, com limite de até 12 livros por ano, o que pode representar a redução de até 48 dias da pena nesse período. Qualquer obra literária pode ser utilizada no processo, desde que a leitura e a produção do relatório sejam comprovadas e aprovadas pela comissão responsável.</p>
<p> </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Dados divulgados pela Secretaria Nacional de Políticas Penais apontam crescimento nos pedidos de remição de pena por meio da leitura no Brasil. Segundo informações do Sistema Nacional de Informações Penitenciárias (SISDEPEN), o primeiro semestre de 2024 registrou aumento de 41.910 solicitações em comparação ao mesmo período de 2023. O avanço é associado à ampliação de iniciativas voltadas ao acesso à educação e à leitura dentro do sistema prisional. </p>
<p> </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Em Santa Maria, o Presídio Regional segue as diretrizes da Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). No local, as mulheres cumprem pena em alas exclusivas e em regime fechado, enquanto a ala masculina é destinada aos regimes semiaberto e aberto, com separação física entre os gêneros.</p>		
			<h2><h2>Livros que Livram</h2></h2>		
										<figure>
										<img width="768" height="1024" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/07/foto-3-768x1024.jpeg" alt="" />											<figcaption>O projeto possui integrantes de diversos cursos da UFSM</figcaption>
										</figure>
		<p id="docs-internal-guid-347ec77b-7fff-3bde-b221-40c9b3b967d8" dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Criado em 2018 e vinculado ao curso de Direito da UFSM, o projeto de extensão Livros que Livram reúne estudantes, pesquisadores e professores de diferentes áreas em torno da remição de pena pela leitura. Participam da iniciativa integrantes dos cursos de graduação em Direito, Letras, Psicologia, Comunicação Social e Ciências Sociais, além de estudantes de pós-graduação, mestrandos e doutorandos. Coordenado pela professora do departamento de Direito, Angela Araújo da Silveira Espindola, o projeto realiza oficinas de leitura mensais no Presídio Regional de Santa Maria.</p>
<p> </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">A proposta parte da perspectiva interdisciplinar do movimento Direito e Literatura, corrente acadêmica que aproxima os estudos jurídicos das interpretações e reflexões produzidas pelos livros. Nos encontros, os livros funcionam como ponto de partida para discussões sobre trabalho, gênero, desigualdade social e experiências individuais.</p>
<p dir="ltr"> </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">A professora e coordenadora do projeto explica que a proposta expande as possibilidades de acesso à leitura e o diálogo dentro do sistema prisional. “Ainda que as pessoas estejam cumprindo pena, elas têm direito a um tratamento humano, algumas possibilidades de ver a vida de outro jeito”, ressalta.</p>
<p> </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Além da produção das resenhas exigidas para a remição de pena, as rodas de conversa buscam ampliar o acesso à literatura e transformar a leitura em uma atividade coletiva de debate e troca de experiências. A escolha das leitoras acontece por meio de uma triagem feita pela unidade prisional. Em média, nove a 12 apenadas participam das discussões sobre as obras. Para Angela, o projeto também impacta a formação universitária dos estudantes envolvidos. “A extensão é uma via de mão dupla. Ela ajuda os apenados, mas ela ajuda muito o estudante de Direito”, destaca.</p>		
			<h2><h2>A importância do projeto para estudantes de direito</h2></h2>		
		<p id="docs-internal-guid-44a96e19-7fff-e38a-6634-1af17e29bf59" dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Na sala de aula do Regional, experiências e histórias que dificilmente caberiam apenas nas páginas dos livros são compartilhadas com os estudantes da UFSM. A estudante de Psicologia Ana Julia Barcelos ingressou no projeto motivada pelo interesse na área jurídica. Mesmo com pouco tempo de participação nos encontros, a experiência já modificou sua percepção sobre o sistema prisional e os contextos relacionados ao encarceramento. “Quando cheguei lá, percebi que era diferente do que eu imaginava. Quebrou um pouco desse estigma que eu tinha”, relata. </p>
<p> </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">O estudante de Direito Pietro Silva, bolsista do projeto até o final de 2025, conta que, inicialmente, encontrou no Livros Livram um modo de cumprir a carga horária de extensão, mas, com o tempo, os encontros no presídio agregaram à sua trajetória acadêmica. “Era a oportunidade que a gente precisava para botar em prática aquilo que aprende ou ouve falar durante a faculdade”, comenta.</p>
<p> </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">No decorrer das ações, o estudante teve contato com o ensaio “O Direito à Literatura”, de Antonio Candido. No texto, o autor defende que o acesso aos livros deve ser entendido como um direito tão importante quanto outras necessidades básicas. “Isso é um direito fundamental. Não pode ser retirada de ninguém”, destaca Pietro.</p>
<p> </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Ao corrigir as resenhas, o estudante encontra relatos sobre a leitura como uma forma de escapar simbolicamente do cárcere. “Elas falavam que o livro as fazia fugirem da realidade, sair de dentro do presídio, mesmo que não pudessem sair dali”, relembra.</p>
<p> </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Para Juliana, integrante do projeto, a experiência no projeto também transforma a sua percepção sobre as participantes dos encontros. “No primeiro momento, pensei que eram apenas apenadas que cometeram crimes. Mas tem uma história por trás dessas mulheres”, ressalta. Com o passar das conversas, ela conta que os encontros deixam de seguir um roteiro e passam a se construir a partir das vivências compartilhadas pelas participantes. “A conversa acontece de acordo com o coração delas, do que elas estão sentindo”, explica.</p>
<p> </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">O Livros que Livram também dialoga com resoluções recentes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Para Angela, a iniciativa vai além da remição de pena e busca garantir “o direito de fabular, que só se concretiza a partir do acesso aos livros”. Com a continuidade das atividades, a proposta é ampliar a participação de estudantes como mediadores de leitura e fortalecer a atuação nas instituições prisionais de Santa Maria com a retomada das ações na Penitenciária Estadual de Santa Maria (PESM) e a manutenção dos encontros realizados no Presídio Regional de Santa Maria (PRSM). </p>
<p> </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Texto: Giovanna Felkl e Janine Paula</p>
<p> </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Fotos: Banco de imagens do projeto Livros que Livram</p>
<p> </p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>A maternidade para além do cárcere </title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2026/07/08/a-maternidade-para-alem-do-carcere</link>
				<pubDate>Wed, 08 Jul 2026 18:24:41 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[31° Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Dossiê]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[ed31]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?p=4135</guid>
						<description><![CDATA[Criado em 2016, Projeto Inspira promove o reencontro fora do presídio entre mães privadas de liberdade e seus filhos]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p>Para escutar o áudio da reportagem, clique abaixo:</p>
<figure>
<p>[audio mp3="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/06/audioreportagem.mp3"][/audio]</p>
</figure>
<figure>
										<img width="1024" height="683" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/07/foto-inspira-1024x683.jpg" alt="" /><figcaption>Participantes do Projeto Inspira acompanham apresentação musical durante o encontro | Foto: Eduarda Zonta</figcaption></figure>
<p>“Esse encontro inspira transformações”. A frase registrada nas costas das camisetas usadas por mulheres em privação de liberdade e seus filhos representa as marcas deixadas em cada participante do Projeto Inspira. Com organização da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), da Polícia Penal (PP) e da Polícia Federal (PF), o último encontro do Projeto Inspira ocorreu no dia 15 de maio deste ano. As atividades são realizadas nos meses de maio, outubro e dezembro, para celebrar o Dia das Mães, o Dia das Crianças e o Natal. Desta vez, oito mulheres apenadas e 14 crianças tiveram a oportunidade de se reencontrar fora do ambiente de visitas do Presídio Regional de Santa Maria. O pavilhão da Polícia Federal foi o local que, transformado em um salão de festas, recebeu mães e filhos com balões, brincadeiras, cama elástica, comidas, apresentações e música. </p>
<p>Na manhã deste dia, às 8h36min, chegaram as mulheres escoltadas por oito agentes penitenciários, responsáveis por cuidar de cada uma delas. O pavilhão já estava cheio de voluntários na cozinha, professores e estudantes da Universidade, policiais penais e federais. Todos os olhares foram direcionados às mulheres.</p>
<p>Em outros bairros da cidade, desde as 7h30min, a psicóloga da Polícia Penal, Renata Domingues, e o agente da Polícia Federal, José Getúlio Pompeo, buscavam, com um ônibus da PF, cada uma das crianças em suas casas. Eles são os responsáveis pelo deslocamento e o contato com as famílias. Para que o projeto ocorra, o Inspira é viabilizado por meio de três requisitos: o vínculo entre mãe e filho, a autorização da família e a residência em Santa Maria. O comportamento funciona como critério de exclusão, e não de inclusão. </p>
<p>No pavilhão da Polícia Federal, às 8h46min, o clima de ansiedade se transformou em emoção com a chegada das crianças. Antes delas entrarem no salão, as mães já correram para a porta ao escutar as vozes, gritos e risadas infantis. Então, abraços e lágrimas marcaram o reencontro por alguns instantes. Para os filhos, de dois a 14 anos, esse momento representa o contato materno que não é mais diário. Eles brincam e fazem com que as mulheres também voltem a ser crianças por algumas horas. Para as mães, é um dia de dignidade. Elas estão “livres”, sem algemas, e exercem a maternidade – cuidam, brincam, trocam de roupa, levam ao banheiro e alimentam seus filhos. As atividades cotidianas que compõem essa convivência podem ser retomadas por elas durante um dia.</p>
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										<img width="1024" height="683" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/06/foto-inspira-1-1024x683.jpg" alt="Fotografia horizontal e colorida de atividade recreativa durante encontro do Projeto Inspira. Em primeiro plano, uma menina está de costas para a câmera com os braços erguidos. À frente dela, uma mulher também mantém os braços levantados. As mãos das duas se encontram no alto. A imagem enquadra a mulher apenas até a altura do pescoço, sem mostrar o rosto. Ambas vestem camisetas brancas com mangas azul-claras e calças rosas. A menina tem cabelos longos, lisos e castanhos escuros e veste blusa de mangas listradas em tons de rosa sob a camiseta. A mulher tem cabelos longos, lisos e em tom de ruivo avermelhado. Ao fundo, uma lona transparente ocupa grande parte da imagem. No canto direito, em desfoque, há móveis brancos de uma cozinha infantil, como fogão e armários, e uma criança menor, de costas, na frente dos móveis." />											</p>
<figcaption>Atividade recreativa realizada durante o encontro do  Projeto Inspira | Foto: Eduarda Zonta</figcaption>
</figure>
<p>Privada de liberdade, Amanda Santos* participa do Projeto Inspira pela terceira vez. Ela não recebe a visita dos dois filhos durante o ano porque a mais velha, responsável por eles, acredita que as crianças não devem ser expostas ao ambiente penitenciário. Por isso, o Inspira é a única alternativa. Para Amanda, o encontro representa o respiro de sair de dentro do presídio e uma oportunidade de rever seus filhos. “Para mim, é uma liberdade de volta”, relata.</p>
<p>Todas as mulheres que fazem parte do Inspira estão condenadas e em regime fechado. Uma consequência do encarceramento é a perda do crescimento e do desenvolvimento de seus filhos. A apenada Aline Cardoso* destaca que, no encontro anterior do Inspira (realizado em outubro de 2025), seu filho mais novo, de três anos, não falava nem caminhava. Desta vez, o menino já corria pelo espaço e conversava com todos. Isso a deixou assustada. </p>
<p>A chegada da banda da Base Aérea marcou o início do fim. Ao som de <i style="color: #000000;font-size: 1rem">Photograph</i>, de Ed Sheeran, e Amigo Estou Aqui, de Toy Story, o espaço começa a se esvaziar. A despedida é a pior parte, de acordo com a psicóloga Renata. “Nós precisamos, neste momento, retirar as crianças do colo das mães, porque elas não querem ir embora de jeito nenhum”, destaca. E assim foi. Mães e filhos se despediram. As crianças mais velhas acompanharam os irmãos mais novos, de mãos dadas. De longe, as mães abanaram para o ônibus e o silêncio ecoou no pavilhão. Às 16h02min, as mulheres foram organizadas em filas e retornaram ao presídio. </p>
<p>*Nome fictício usado para preservar a identidade da entrevistada. </p>
</p>
<h3><b><i>A manutenção do vínculo</i></b></h3>
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										<img width="1024" height="683" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/06/foto-inspira-1024x683.jpg" alt="Fotografia horizontal e colorida de participantes do Projeto Inspira que assistem a uma apresentação durante encontro do grupo. Em primeiro plano, de costas, cinco mulheres e três crianças estão sentadas em cadeiras plásticas brancas, voltadas para a apresentação. Duas crianças estão sentadas no colo de mulheres e uma ocupa uma cadeira plástica. Todos vestem camisetas brancas com mangas azul-claras e a frase “Este encontro inspira transformações” estampada nas costas. Ao fundo, o ambiente amplo apresenta paredes brancas, escada à esquerda e abertura à direita, por onde entra iluminação natural. Cerca de quatro pessoas estão ao fundo, sendo duas sentadas no centro e duas de pé no lado direito. Uma das pessoas de pé é um homem que veste farda policial e está próximo à porta." />											</p>
<figcaption>Participantes do Projeto Inspira assistem a uma apresentação durante encontro do grupo | Foto: Eduarda Zonta</figcaption>
</figure>
<p>Em um ambiente marcado pela distância da família e pela rotina do sistema prisional, a maternidade permanece como um ponto central na vida de mulheres privadas de liberdade. A psicóloga Renata destaca que a presença dos filhos torna-se uma motivação. “Sempre fazemos algo por alguém. E as mulheres, o objetivo é o filho, a maternagem é uma coisa muito forte”, ressalta. Embora existam muitas outras mães no presídio, ampliar o número de participantes ainda representa um desafio.</p>
<p>Mesmo na realidade do cárcere, essas mulheres ainda exercem o papel de mães. Nos encontros, elas têm a oportunidade de passar um tempo com os filhos em um ambiente diferente da rotina prisional. São momentos de conversa, brincadeiras e convivência que ajudam a fortalecer os laços familiares. A pedagoga Carol Fontana da Silva, que acompanha o projeto desde 2016, explica que o trabalho busca acolher as crianças que convivem com essa realidade. Segundo Carol, o objetivo é ouvir e estar presente na vida das crianças sem julgamentos, para reconhecer que o acolhimento às diferentes infâncias constitui a base de qualquer aprendizagem.</p>
<p>Para reduzir os impactos do cárcere no desenvolvimento infantil, a legislação e decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) permitem a conversão da prisão preventiva em domiciliar para gestantes e mães de crianças de até 12 anos, além de mulheres que apresentem bom comportamento. Para a professora do Departamento de Metodologia do Ensino, do Centro de Educação da UFSM,  e coordenadora do projeto, Graziela Escandiel, os encontros têm impacto direto na relação entre mães e filhos, uma vez que permitem momentos de convivência fora do ambiente comum das visitas no presídio. “O que importa é eles ficarem com as mães. Então, se eles ficam ali juntos, é uma interação que nós, da educação, entendemos que é importante”, afirma.</p>
<p> Segundo Graziela, apesar de ser uma ação pontual em um momento específico da vida dessas mulheres, os encontros fazem diferença e despertam um sentimento de reconhecimento por proporcionarem aos filhos uma experiência de convivência mais afetiva com as mães.</p>
</p>
<h3><b><i>Dez anos de história</i></b></h3>
<p>Criado em 2016 pelo ex-delegado da Polícia Federal (PF) e secretário de Segurança Pública de Santa Maria, Getúlio de Vargas, o Projeto Inspira completou dez anos de história em 2026. Segundo o secretário, em um primeiro momento, o projeto foi idealizado com o objetivo de dar uma recompensa às mulheres em privação de liberdade com melhor comportamento dentro do presídio. </p>
<p>No primeiro encontro, realizado em oito de abril de 2016, havia em torno de 15 mães e 25 crianças. Com o passar do tempo, por logística e segurança, foi estabelecida uma média de dez mães e 15 crianças. Os recursos financeiros usados para a concretização do Inspira são captados nos editais para projetos sociais da Vara de Execuções Criminais (VEC). </p>
<p>A professora Graziela Escandiel, coordenadora do curso de Pedagogia da UFSM na época, entrou no projeto para suprir a necessidade de montagem e planejamento de oficinas e atividades para o dia do encontro. Em 2018, o Inspira passou a ser  uma das primeiras iniciativas do Observatório de Direitos Humanos (ODH) no eixo de extensão prisional. </p>
<p>Pela Polícia Federal, a papiloscopista Rosa Maria Veiga coordenou o Inspira de 2019 a 2025. Para ela, a parceria entre Polícia Federal, Polícia Penal e Universidade torna o projeto mais fácil. “Uma instituição está interligada à outra. É a corrente que forma o Inspira. Se um elo romper, acaba o projeto”, declara. A partir de 2025, o responsável do Inspira pela PF é o agente federal José Getúlio Pompeo. Em 2026, os próximos encontros estão previstos para novembro e dezembro. </p>
<p><strong>Repórteres:</strong> Nicolle Seixas e Rinália Figueiredo </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;background-color: #ffffff;margin-top: 0pt;margin-bottom: 12pt">Contato: nicolle.seixas@acad.ufsm.br | rinalia.figueiredo@acad.ufsm.br</p>

<!-- wp:paragraph -->
<p></p>
<!-- /wp:paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Mulheres e (in)justiça climática</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2026/07/06/mulheres-e-injustica-climatica</link>
				<pubDate>Mon, 06 Jul 2026 18:14:20 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[31° Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[ed31]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

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						<description><![CDATA[Pesquisas da UFSM mostram que desastres climáticos aprofundam desigualdades de gênero
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:audio {"id":4206} -->
<figure class="wp-block-audio"><audio controls src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/07/audio_mulheres.mp3"></audio></figure>
<!-- /wp:audio -->

<!-- wp:image {"id":4210,"width":"608px","height":"auto","aspectRatio":"0.7500079828846952","sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/07/Copia-de-primeira-imagem-mulheres-edited.jpg" alt="Fotografia vertical colorida de uma casa parcialmente destruída após danos estruturais. Ao centro da imagem, uma parede cinza com revestimento de cimento permanece de pé. Acima da parede, estrutura de tijolos alaranjados aparentes forma um triângulo que seria parte do telhado. Na parede cinza, há uma abertura quadrada onde antes ficava uma janela. Abaixo, a estrutura continua com tijolos alaranjados aparentes. Em primeiro plano, pedaços de madeira e restos de materiais de construção estão espalhados e empilhados junto à base da parede. Pela abertura da antiga janela, aparece uma antena parabólica instalada na área externa. Ao fundo, vegetação densa e verde ocupa a paisagem. Acima, céu azul-claro com poucas nuvens brancas. 
" class="wp-image-4210" style="aspect-ratio:0.7500079828846952;width:608px;height:auto" /></figure>
<!-- /wp:image -->

<!-- wp:paragraph {"fontSize":"small"} -->
<p class="has-small-font-size"><strong>(Casa no bairro Itararé após enchentes / Foto por: Júlia Colnaghi)&nbsp;</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Quando ocorre um desastre climático, nem todos enfrentam seus impactos da mesma maneira. Além das perdas materiais e dos riscos imediatos, muitas mulheres assumem a tarefa de sustentar redes de cuidado essenciais para a sobrevivência e a reconstrução das localidades atingidas. Em um contexto de intensificação de eventos extremos no Rio Grande do Sul, especialmente após as enchentes de 2024, pesquisas da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) buscam compreender como essas experiências revelam desigualdades já existentes.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Uma das iniciativas é o projeto “Justiça climática e resiliência comunitária: integrando saberes locais e governança de riscos na prevenção de desastres em Santa Maria”, coordenado pela professora do Departamento de Direito da UFSM, Francielle Tybush. Um de seus objetivos é gerar dados concretos para algo que o campo teórico aponta há tempos: as pessoas mais afetadas pelos desastres são aquelas já vulnerabilizadas por questões de gênero, raça e classe.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Francielle defende o uso do termo “injustiça climática” em vez do já conhecido “justiça climática”. As mulheres, além de enfrentarem os impactos diretos de enchentes e deslizamentos, são as principais responsáveis pelas tarefas de cuidado, como a atenção aos filhos, aos idosos da família e aos companheiros doentes. A sobrecarga feminina após os desastres evidencia uma dupla vulnerabilidade, causada pelas consequências de um desastre climático e agravada por questões de gênero instauradas na sociedade.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Em seu trabalho de conclusão do curso de Direito, Júlia Colnaghi, orientada por Francielle, entrevistou mulheres dos bairros mais atingidos pelas chuvas de 2024 em Santa Maria. O objetivo da pesquisa é compreender como elas foram afetadas pelo desastre. Ao responderem sobre em quem pensariam ou salvariam primeiro no caso de um desastre, todas as mães afirmam priorizar os filhos (mesmo que já sejam adultos ou não morem na mesma casa), os companheiros e os animais domésticos.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Para Júlia, a pergunta costumava causar estranhamento entre as participantes da pesquisa. Para muitas, a resposta era tão evidente que parecia não haver outra possibilidade além de pensar primeiro na segurança de familiares e dependentes. “Era muito interessante que as mulheres achavam quase um absurdo eu perguntar isso”, comenta a pesquisadora.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A enfermeira Elizangela Machado, liderança da Associação Comunitária Tancredo Neves, um dos bairros pesquisados por Júlia, comenta que, em 2024, todas as atividades do centro foram interrompidas para dar lugar à organização e ao preparo das refeições. Além de tomar frente nessas iniciativas, Elizangela acompanha desde então mulheres cujas casas sofreram danos com alagamentos. Segundo ela, mães solo, idosas e viúvas estão entre as mais afetadas emocionalmente. “O céu escurece e elas já começam a entrar em desespero”, relata. Os impactos, em sua percepção, ultrapassam as perdas materiais: “às vezes não é uma cesta básica que elas precisam, às vezes é um acolhimento, uma palavra, um carinho”.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Ao falar sobre seu trabalho, Elizangela também ressalta um sentimento de sobrecarga em relação à própria rotina, dividida entre a atuação no centro comunitário e o cuidado da casa e dos filhos. “As mulheres tentam ser fortes o tempo inteiro, mas depois tu para e pensa: eu também não superei”, afirma.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:image {"id":4209,"width":"896px","height":"auto","sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/07/Copia-de-segunda-imagem-mulheres-1-1024x683.jpg" alt="Fotografia horizontal colorida da enfermeira Elizangela Machado em um banco azul de praça. Ao centro da imagem, ela aparece de perfil voltada para a direita. A mulher tem pele parda, cabelos pretos presos em coque na altura da nuca e usa batom vermelho. Ela veste blusão de tricô rosa-claro de mangas compridas e calça preta. Os braços estão flexionados à frente do corpo e as mãos erguidas na altura do peito. Ao fundo, árvores recebem iluminação solar suave filtrada entre as folhas. 

" class="wp-image-4209" style="width:896px;height:auto" /></figure>
<!-- /wp:image -->

<!-- wp:paragraph {"fontSize":"small"} -->
<p class="has-small-font-size"><strong>(A enfermeira Elizangela Machado / foto: Emmanuelly Zini)</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A doutoranda em Psicologia Social na UFSM, Alíssia Dornelles, pesquisa o que chama de “itinerários de cuidado” na experiência de mulheres diante das inundações no estado. A psicóloga reforça o argumento de que eventos climáticos extremos acentuam desigualdades já presentes na sociedade e aumentam ainda mais a carga de trabalhos de cuidado, muitas vezes invisibilizada. Em abrigos, cozinhas solidárias e espaços de acolhimento, eram elas que, na maioria das vezes, organizavam os alimentos, cuidavam de crianças e da limpeza dos locais.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Alíssia argumenta que pensar nos impactos das enchentes também passa por olhar para o que acontece depois das ações de resposta imediata aos danos. “Tem um processo de reconstrução que é também material, mas subjetivo”, afirma. Em sua tese, ela busca justamente compreender como as mulheres atravessam esse processo de reconstrução: “As mulheres sabem cuidar, elas amparam os outros, elas buscam ajuda para os outros. Mas onde é que elas olham para elas?”, questiona a pesquisadora.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A reflexão de Alíssia ecoa em outro desafio trazido por Francielle: além de não se priorizarem na busca por cuidados, muitas mulheres sequer se reconhecem como atingidas. Por causa disso, deixam de reivindicar direitos e acessar serviços disponíveis. É preciso tornar visíveis populações que historicamente permanecem à margem de políticas públicas, para que suas necessidades sejam consideradas antes, durante e depois dos desastres”, enfatiza a professora.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph {"fontSize":"small"} -->
<p class="has-small-font-size"><strong>Texto: Felipe Santos, Giana Bess e Laura Fedatto</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>À espera de um lar</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2026/07/03/a-espera-de-um-lar</link>
				<pubDate>Fri, 03 Jul 2026 12:38:59 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[31° Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Comunidade]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[ed31]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?p=4188</guid>
						<description><![CDATA[Projeto Zelo mostra a realidade do abandono no Campus e a importância da conscientização]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:audio {"id":4190} -->
<figure><audio controls src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/07/Zelo.mp3"></audio></figure>
<!-- /wp:audio --><p>Uma pesquisa realizada pelo Instituto de Medicina Veterinária do Coletivo (IMVC) estima que há 30,2 milhões de cães e gatos abandonados no Brasil, número expressivo quando comparado ao total de 121,3 milhões de animais de estimação no país. De acordo com os dados disponibilizados pelo relatório em 2024, um dos possíveis motivos para o abandono animal é a mudança de residência.</p>
<p>O Projeto Zelo teve início em 2014, vinculado ao Gabinete do Vice-Reitor e, em 2018, foi conectado à Pró-Reitoria de Extensão (PRE) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Conforme a professora do Colégio Politécnico e coordenadora do projeto, Fabiana Stecca, o objetivo do programa é a educação e a conscientização sobre abandono e maus-tratos de animais, mas a demanda constante de cães e gatos abandonados na Universidade faz com que grande parte do trabalho seja atender a esses chamados. “Nós passamos o tempo todo apagando incêndios. Imagina, você tem 80 e poucas possibilidades de um animal ficar doente”, desabafa. </p>		
										<figure>
										<img width="1024" height="683" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/07/imagem-11-3-1024x683.jpg" alt="" />											<figcaption>Cão que vive no Campus Sede da UFSM
</figcaption>
										</figure>
		<p>Entre 2024 e 2025, o Zelo registrou 91 adoções. Esse índice sinaliza crescimento no número de animais acolhidos por famílias e maior alcance das iniciativas desenvolvidas. Entretanto, o cenário ainda exige atenção, uma vez que mais de 80 animais seguem sem lar. Eles têm variadas idades, tamanhos e raças. Fabiana ressalta: “Todos vão precisar, em algum momento, ter um lar, e muitos não vão conseguir”.  </p>		
										<figure>
										<img width="1024" height="575" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/07/imagem-3-2-1024x575.jpg" alt="" />											<figcaption>Casas de animais no brechó do Projeto Zelo</figcaption>
										</figure>
		<p>Os animais abrigados vivem em diversos pontos do campus sede. Este era o caso de Silveira, cão que viveu na UFSM por cerca de 12 anos. Nesse tempo, ele colecionou carinho e muitos petiscos oferecidos pelos estudantes. Com a grande quantidade de alimentos não indicados, o cão entrou em um quadro de sobrepeso, que agravou outros problemas de saúde.</p>
<p>Após isso, Silveira iniciou um acompanhamento nutricional com o Núcleo de Ensino e Pesquisa em Animais de Companhia (Nepac), que registrou o tratamento do cãozinho em seus perfis nas redes sociais. Devido ao sobrepeso, seus problemas de saúde estavam se agravando, como a artrose.</p>
<p>Além destes, ele ainda possui problemas de pele, segundo Fabiana: “surgiram diversos nódulos [...] Alguns precisaram passar por biópsia, que acusou hemangiossarcoma”.  A doença trata-se de um câncer maligno agressivo, originado nos vasos sanguíneos. No caso de Silveira, Fabiana relata que foi realizada criocirurgia para remover os nódulos existentes. O  procedimento médico e dermatológico é realizado de forma minimamente invasiva, utilizando o frio extremo e o nitrogênio líquido, para congelar e destruir tecidos doentes. </p>
<p>Em 2025, uma internauta fez um tweet sobre o físico do animal. O post viralizou e gerou diversas reportagens e parcerias com grandes empresas. “A fama do Silveira foi muito positiva no sentido da imagem, mas o abandono sempre foi constante e continua assim”, comenta Fabiana.</p>
<p>Devido ao quadro de saúde, Silveira já não poderia viver nas ruas. Durante o tratamento com veterinário, conseguiu um lar, o que contribuiu para seus cuidados e recuperação. Para os outros animais cuidados pelo projeto, o acolhimento do cão por um tutor  significa maior possibilidade de adoção.</p>		
										<figure>
										<img width="1024" height="683" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/07/imagem-10-1-1024x683.jpg" alt="" />											<figcaption>Cachorrinha chamada Sabrina saindo de sua casa no Campus Sede da UFSM</figcaption>
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		<p>O caso trouxe maior visibilidade para o Zelo também entre os estudantes da instituição. “Os alunos do Politécnico não sabem o que é aqui (sala do projeto). Nós estamos dentro da instituição, eles passam por aqui todo dia e não têm conhecimento disso”, relata a bolsista do projeto e estudante do terceiro semestre de Geografia na UFSM, Lais Rodrigues. </p>
<p>Depois de serem resgatados pelo projeto, os animais passam por triagem nos hospitais veterinários e ficam disponíveis para adoção. É o caso do Simba, gato socorrido em setembro de 2024. O animal, encontrado amarrado em uma plantação do Campus, foi resgatado pelo Zelo. Os cuidados veterinários encontraram uma displasia de válvula mitral, cardiopatia congênita rara, e FeLV positivo, vírus que causa a leucemia felina.</p>
<p>Em abril de 2025, Simba encontrou um lar com Maria Eduarda Bueno, estudante de Design na Universidade Franciscana. A tutora conta que se apaixonou pelo bichano: “Chegou um ponto que eu disse: eu vou trazer o Simba para casa e o que tiver que ser, vai ser”, relembra. Maria já resgatou outros gatos e, atualmente, cuida de dez felinos, dois deles com FeLV positivo. Ela compartilha a dificuldade de esses animais serem adotados: “As pessoas querem gatinhos novos, elas querem animais saudáveis”.</p>		
										<figure>
										<img width="461" height="1024" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/07/Simba-2-461x1024.jpeg" alt="" />											<figcaption>Maria Eduarda segurando seu gato Simba, o qual foi socorrido e adotado através do Projeto Zelo</figcaption>
										</figure>
		<p><b>Como a iniciativa se sustenta</b></p>
<p>O Projeto Zelo não recebe auxílio de órgãos públicos por não ter um CNPJ, o que impede a participação do projeto em editais para conseguir verbas públicas. Dessa forma, o projeto se sustenta a partir de doações da comunidade. Grande parte da renda vem das vendas do brechó Grife Zelo, com peças que custam, em média, R$10,00.</p>		
										<figure>
										<img width="1024" height="575" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/07/imagem-2-1024x575.jpg" alt="" />											<figcaption> Alguns itens disponíveis para compra no brechó do Zelo</figcaption>
										</figure>
		<p>Outra forma de arrecadação se dá por meio de parcerias privadas. “São algumas clínicas, locais de hospedagem que montam um pacote para nós, algumas clínicas que nos dão desconto”, relata a coordenadora.</p>
<p>Além dessas parcerias, há a Corrida da Causa Animal, em que parte do valor das inscrições é destinado ao Zelo. A segunda edição ocorreu em maio de 2026 e contou com cerca de 600 inscritos, entre as modalidades de 5 km em corrida e 2 km em caminhada com os pets. A iniciativa foi criada junto ao Núcleo de Implementação da Excelência Esportiva e Manutenção da Saúde (Nieems) e à Pró-Reitoria de Extensão (PRE). </p>
<p>O Zelo recebe doações para os animais, como rações, petiscos ou cobertores. Também aceita roupas, sapatos e acessórios em bom estado para revenda no brechó. A iniciativa recebe contribuições em valores via pix pela chave <a href="mailto:fabiana@ufsm.br">fabiana@ufsm.br</a>. </p>		
										<figure>
										<img width="1024" height="683" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/07/imagem-5-1024x683.jpg" alt="" />											<figcaption> Cão caramelo que vive no Campus Sede da UFSM cuidado pelo Zelo</figcaption>
										</figure>
		<p><b>Reportagem: Emmanuelly Zini, Luisa Santos e Sabrina Fagundes</b></p>
<p><b>Fotos: Emmanuelly Zini e Sabrina Fagundes</b></p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>ENSINAR PELAS TELAS</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2026/07/01/ensinar-pelas-telas</link>
				<pubDate>Wed, 01 Jul 2026 13:00:00 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[31° Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[ed31]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?p=4131</guid>
						<description><![CDATA[Projeto pedagógico da UFSM desenvolve jogo sobre sustentabilidade para crianças
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p>Para escutar o áudio da reportagem, clique abaixo:</p><p>[audio mp3="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/06/Luiza-e-Rafa-txt.mp3"][/audio]</p>		
								<figure><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/06/1--1024x683.jpg" alt="Foto horizontal e colorida de um desenho em uma folha sobre uma mesa cinza. Na folha estão desenhados um menino branco de olhos azuis, cabelo preto em formato de gota e armadura em verde e azul. Ao lado há um personagem bípede, similar a um anfíbio, de corpo azul e um robô de corpo roxo. Acima dos desenhos está escrito “Não jogar lixo na natureza”, seguido de duas árvores e um sol.. Do lado esquerdo do desenho, há uma régua branca e lápis de cor espalhados sobre a mesa ao redor da folha. O fundo da imagem é a mesa cinza." /></figure><figure><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/06/2--1024x683.jpg" alt="Foto horizontal e colorida de uma menina de 11 a 12 anos, cabelo longo e castanho com mechas rosas. Ela está sentada de costas, em frente ao notebook em uma sala de informática. Na mão direita, a menina segura uma folha de instruções. No canto inferior esquerdo da imagem, o menu inicial de um jogo com ilustrações em pixel art está aberto no notebook. Na mesa de informática que se estende do canto inferior esquerdo ao canto superior direito, outros aparelhos estão ligados na mesma tela inicial. Ao lado do notebook, no canto inferior esquerdo, está um estojo rosa. Ao fundo, a parede é bege." /></figure><figure><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/06/3--1024x683.jpg" alt="Foto horizontal e colorida de crianças em uma sala de informática. No centro da imagem, em primeiro plano, uma Cleonice atende um aluno enquanto outras crianças jogam em computadores. Cleonice tem pele branca , cabelos loiros e ondulados presos em um semi-coque. Ela usa casaco preto e está sentada de costas. Na frente dela, um menino de estatura baixa, de pele parda e cabelos castanho-escuros curtos, veste moletom cinza e está em frente à Cleonice. O rosto do menino é tapado pela imagem da professora. No fundo , três meninos, sentados de costas, jogam em notebooks. Um armário cinza está posicionado no canto direito da fotografia. As paredes são bege." /></figure><figure><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/06/4--1024x683.jpg" alt="Foto horizontal e colorida das mãos de um menino de pele negra sobre uma mesa cinza, que desenham uma paisagem com lápis de cor azul. Em uma folha branca ele desenha um sol amarelo, um céu com tons de azul e amarelo e seis pássaros. Na parte superior da fotografia está um estojo preto aberto, que contém canetas verde e amarelo. Ao redor do desenho há uma régua branca, um lápis preto e uma folha branca. O fundo da imagem é a mesa cinza." /></figure><figure><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/06/5--1024x683.jpg" alt="Fotografia horizontal e colorida de quatro mulheres em um laboratório de informática. À esquerda, Brenda de pele branca e de cabelo raspado. Ela usa óculos de armação preta e arredondada e veste camiseta preta. Ao lado, Eliane de pele branca de estatura baixa, cabelo loiro preso para trás. Ela usa um colar de pérolas e veste blusa branca. Em seguida está Luiza, uma mulher jovem de pele branca, estatura alta, cabelo cacheado, comprido e preto com a metade presa. Ela óculos de armação clara e gateada e veste regata cinza com jeans azuis. À direita está Rafaela, uma mulher jovem de pele branca, que tem cabelos castanho claros, compridos e lisos. Ela veste camisa social branca. Ao fundo, alguns notebooks sobre mesas marrons e a parede bege." /></figure>			
		<p>Em uma sala de aula, cerca de 30 crianças da turma 62, do 6° ano, da Escola Municipal de Ensino Fundamental Adelmo Simas Genro, ganham moedas enquanto combatem os inimigos da sustentabilidade. Uma mistura de sons de limpeza,  batalhas virtuais e conversas invade a sala: alunos experimentam a primeira versão de um jogo. Esta é a terceira presença de Felipe* na classe em dois meses. Ele rejeita as provas e os conteúdos massivos das aulas comuns. Durante o jogo, se concentra em vencer os vilões e acertar todas as questões de matemática enquanto supera o tempo de toda a turma. A professora  de Educação Física, Cleonice Casarin, percebe um brilho que não via há muito tempo no olhar do menino. Pela primeira vez, ela observa seu aluno motivado a aprender. “Vi ele diante do prazer da experimentação do sucesso, ao ser valorizado e validado pelo seu desempenho”, diz a professora.</p><p>O <i>Guardiões da Cibersustentabilidade</i> nasce como o primeiro jogo gaúcho e brasileiro voltado à sustentabilidade na prática, especialmente para aplicação em ambientes escolares. Desenvolvido por profissionais e alunos da UFSM, o projeto surge da necessidade de contemplar os temas propostos pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que aborda, de maneira ampla, questões relacionadas à sustentabilidade. </p>		
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										<img width="768" height="512" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/06/IMG_4522-768x512.jpg" alt="Foto horizontal e colorida de um notebook, sobre uma mesa de madeira, que mostra a tela de um jogo com ilustrações em pixel art. A tela do notebook é azul com o desenho de Na tela do notebook, um homem idoso, de bigode e cabelos brancos, que veste um jaleco, camisa social azul, gravata vermelha e um par de óculos de aviador. Ele dá instruções a partir de um balão de texto branco posicionado à sua esquerda. No canto inferior esquerdo, outro aparelho similar exibe o mesmo jogo. No canto superior direito, cabos e fios se espalham na mesa ao redor de um estojo branco. Ao fundo, a parede é bege." />											<figcaption>Aplicação do jogo na escola fundamental Adelmo Simas Genro - FOTO: EDUARDA ZONTA </figcaption>
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		<p>A iniciativa ganhou força a partir da abertura inovadora do edital gaúcho GameRS, submetido pela Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia (Sict), que propunha a parceria entre uma instituição e uma<i> startup </i>para concorrer a um investimento. Foi então que o coordenador do projeto do <i>Guardiões da Cibersustentabilidade</i>, Ricardo Tombesi, e a CEO da Performance Vegetal, Betânia Vahl de Paula, começaram a transformação da ideia em um jogo educacional. No entanto, ao longo do processo, houve cortes dos 300 mil reais iniciais do orçamento e o cronograma precisou ser ampliado de 24 para 26 meses. O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) subsidiou 36 mil reais à adaptação do jogo para o formato 3D.</p><p>Os três mapas do jogo, inspirados no território brasileiro, buscam incentivar a criação de hábitos sustentáveis. O <i>Guardiões da Cibersustentabilidade</i> instiga  a curiosidade, a imaginação e o interesse pelo aprendizado. “Uma das metas da plataforma é  instigar a leitura em uma geração cada vez mais imediatista”, destaca a engenheira ambiental Francieli Pacholski.</p><p>Ao longo do desenvolvimento, a equipe precisou reformular o público-alvo. O time definiu a transição entre o quinto e o sexto ano como públicos ideais, visto que é nesta fase que os estudantes começam a consolidar o pensamento científico e passam por uma fase de maior avanço  neurológico. Por isso, o jogo foi repaginado e, do Ensino Médio, passou a focar na pré-adolescência, pois considera a menor carga horária escolar e as diferentes formas de aprendizagem nessa etapa. </p><p>No olhar educacional de Cleonice, o interesse, o envolvimento e a motivação dos alunos foram perceptíveis durante as aplicações. Segundo ela, isso acontece porque atividades intuitivas e interativas ainda são pouco exploradas no ambiente escolar, o que torna a experiência mais atrativa e significativa para os estudantes.</p><p> </p><h3><b>Games em sala de aula</b></h3><p>Manter o aluno imerso na aula é o maior desafio do professor, afirma a mestranda em Tecnologias Educacionais em Rede para Inovação e Democratização da Educação, Eliane Cristina Amoretti. O jogo foi planejado para equilibrar ludicidade e conteúdo de forma que o jogador responda questões de aula enquanto pratica atividades sustentáveis. A plataforma do jogo permite aos professores adicionar exercícios da sua disciplina e acompanhar o desempenho dos alunos. A aventura ensina por associação: quando o jogador limpa um bueiro e recolhe as garrafas do chão, entende que o lixo traz consequências para o meio ambiente. O uso de elementos de jogos em atividades do dia a dia, nomeado de gamificação, ajuda no aprendizado. No <i>Guardiões da Cibersustentabilidade,</i> as crianças aprendem por meio de desafios, pontuações e recompensas, em uma jornada voltada à preservação do planeta.  </p>		
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										<img width="1024" height="321" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/06/Captura-de-tela-2026-06-11-104407-1024x321.jpg" alt="Captura de tela horizontal e colorida de um jogo com ilustração em pixel art de um bioma árido e florido. À esquerda, flores de cores variadas e caixas de abelha rodeiam o riacho contornados por rochas pequenas. No centro, ao lado de um riacho, está um menino branco de olhos azuis, cabelo preto em formato de gota e armadura em verde e azul. O riacho é sinuoso e ladeado por pedras marrons. À direita da imagem, ao lado do riacho, árvores frutíferas, coqueiros e paineiras-rosas." />											<figcaption>Interface da plataforma do Guardiões da Cibersustentabilidade</figcaption>
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		<h3><b>Era uma vez…</b></h3><p>Uma forte enchente separa Nereu de sua família em um futuro distópico. Enquanto procura seus familiares no abrigo, o menino encontra um mentor que propõe uma viagem ao passado para corrigir alguns erros que levaram ao desastre. A aventura conduz Nereu da poluição urbana ao desmatamento da densa Floresta Amazônica. No percurso, ele aplica a sustentabilidade e aprende como se deve cuidar do planeta corretamente, para que não ocorram incidentes ambientais.</p><p>Nessa aventura, Nereu percorre três mapas de diferentes locais no Brasil. No primeiro, enquanto limpa a cidade, o herói enfrenta o vilão poluidor, Bubble, um bichinho gracioso e difícil de vencer. Nereu desliga as torneiras, recolhe os lixos da rua e combate o inimigo com seu descontaminante. Logo mais, ao sair da cidade, ele encontra nas fazendas gaúchas, a Prenda e o Laçador. Quando chega ao mapa dois, pequenas produções do Cerrado mudam as cores do cenário para os tons terrosos da casa de barro e o vermelho do fogo produzido por Bubble. Cachoeiras e araras-azuis pintam o mapa com um pouco de azul. Nereu combate as queimadas e resgata animais presos ilegalmente. Na Amazônia, terceiro e último mapa, o verde da mata densa predomina, com a presença dos ribeirinhos e cobras coloridas que chamam a atenção. Nereu encara Medusa, o maior vilão do jogo.</p><p>Cada bioma tem uma riqueza de detalhes imersiva para o jogador. De acordo com a engenheira ambiental, Francieli, as vegetações, os relevos, as casas, os povos, os animais e até mesmo a inclinação do solo foram milimetricamente planejados para serem fiéis à realidade brasileira.</p><p> </p><h3><b>O segredo dos códigos</b></h3><p>Desenhado <i>frame </i>por <i>frame</i>, em formato 2D e em 250px x 250px, o universo de Nereu nasceu por meio da <i>pixel art</i>, técnica que transforma pequenos pontos de cor em cenários cheios de vida. Cada ícone foi pensado manualmente, desde os inimigos até os itens espalhados pelos biomas. As chamadas <i>sprites</i>, responsáveis por compor o ambiente do jogo, foram desenvolvidas uma a uma, com referências buscadas em diferentes sites e auxílio de inteligência artificial para formar os elementos, a fim de tornar a experiência mais imersiva para as crianças.</p><p>Segundo um dos desenvolvedores do projeto, Eliakim Zacarias, construir a base do jogo sempre será uma das etapas mais longas e desafiadoras. Há uma preocupação humana por trás de cada mecânica executada, mediada por métricas como o tempo das partidas, o número de mortes, as respostas das perguntas e a quantidade de moedas de carbono coletadas. Esses índices precisam equilibrar diversão, aprendizado e sentimento de conquista. “Cuidamos para que a criança conseguisse ajudar e comprar pelo menos uma ONG ao final”, comenta Eliakim.</p><p>A cada moeda conquistada, o jogo simboliza a ideia de colaboração, cuidado, esperança e impacto coletivo. Em meio aos pixels e aos desafios, Nereu busca transformar a tecnologia em uma ponte para a empatia.</p><p> </p><h3><b>Das telas à realidade </b></h3><p>O jogo foi aplicado em diferentes espaços educativos de Frederico Westphalen, como na Central Única das Favelas (CUFA) e na feira local, Expofred, além da Escola Municipal de Ensino Fundamental Adelmo Simas Genro, na cidade de Santa Maria. Em todas as aplicações, o projeto mostrou que os jogos digitais podem ser desenvolvidos por uma Instituição, ultrapassar o entretenimento e se tornar ferramentas de sensibilização socioambiental.</p><p>Para a CEO da <i>startup</i>, Betânia, é fundamental ensinar às crianças sobre realidades que, muitas vezes, parecem distantes de seus cotidianos. Mostrar o Cerrado, o solo rachado e as árvores retorcidas significa apresentar os sinais de um ambiente fragilizado pelas ações humanas. De acordo com ela, é preciso mostrar a vulnerabilidade das comunidades, como as ribeirinhas, a fim de gerar sensibilidade pelas realidades diferentes vivenciadas.</p><p>A proposta do <i>Guardiões da Cibersustentabilidade</i> convida o público infanto-juvenil a sentir, refletir e imaginar vivências que talvez nunca tenham experimentado. A proposta deste projeto, planejada e desenvolvida na UFSM, ao ser aplicada no contexto escolar, permite transformar a teoria em aplicação e promover uma aprendizagem interativa. Para Eliane Cristina, o propósito do jogo é proporcionar às crianças a oportunidade de vivenciar suas experiências sem ter a experiência realmente vivenciada. De maneira lúdica, através de missões e inimigos, o projeto utiliza a tecnologia como ponte para aprendizado e consciência socioambiental. </p>		
		<p><strong>Repórteres:</strong> Luiza Kaiper e Rafaela Locateli </p><p><strong>Contato:</strong> luiza.kaiper@acad.ufsm.br / rafaela.locateli@acad.ufsm.br</p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Da coleta à caneta </title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2026/06/29/da-coleta-a-caneta</link>
				<pubDate>Mon, 29 Jun 2026 21:35:46 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[31° Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[ed31]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?p=4168</guid>
						<description><![CDATA[Projeto da UFSM proporciona escrita em meio à reciclagem
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p><!-- wp:audio {"id":4177} --></p>
<figure><audio src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/06/audioreportagem-laura-e-malu-_1_.mp3" controls="controls"></audio></figure>
<p><!-- /wp:audio --><!-- wp:paragraph --></p>
<p>O Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf) é uma pesquisa nacional periódica que revela a dimensão do analfabetismo funcional no Brasil. De acordo com a edição mais recente (2024), quase 30% dos brasileiros entre 15 e 64 anos vivem em condição de analfabetismo funcional. Embora saibam ler e escrever, essas pessoas enfrentam dificuldades para interpretar textos, fazer cálculos e usar ferramentas digitais no dia a dia.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --></p>
<p>O Café com Letras surge justamente para enfrentar essa realidade. O projeto busca ampliar o acesso à alfabetização e fortalecer a autonomia de pessoas que, por diferentes razões, tiveram seu percurso escolar interrompido. Vinculado ao Observatório de Direitos Humanos (ODH) da Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), o projeto leva ações educativas a grupos em situação de vulnerabilidade social.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:image {"id":4169,"width":"711px","height":"auto","aspectRatio":"1.4992858843132588","sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} --></p>
<figure><img style="aspect-ratio: 1.4992858843132588;width: 711px;height: auto" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/06/4-1024x683.jpeg" alt="Fotografia horizontal e colorida. A imagem mostra o interior de uma associação de recicladores. Ao centro e à direita, dois grandes cartazes destacam orientações sobre sustentabilidade, reciclagem e separação correta de resíduos. À esquerda, há uma janela iluminada pela luz natural e uma mesa com toalha estampada, objetos decorativos e materiais diversos. No canto inferior direito, caixas de papelão e uma mesa com pães e embalagens completam o ambiente." /></figure>
<p><!-- /wp:image --><!-- wp:paragraph {"fontSize":"small"} --></p>
<p>Interior da Associação - FOTO: EMMANUELLY CHRISTINA PERANSONI ZINI</p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --></p>
<p>A proposta teve início no final de novembro de 2024, quando a coordenadora da Associação dos Selecionadores de Materiais Recicláveis (Asmar), Margareth Vidal, contata o Observatório de Direitos Humanos (ODH) para pedir auxílio, após perceber a dificuldade que seus colegas enfrentavam ao tentar ler uma mensagem ou não conseguir anotar informações durante o trabalho. A intenção era conseguir ajuda principalmente no processo de alfabetização dos recicladores. </p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --></p>
<p>Ao buscar apoio na PRE da UFSM, Margareth encontra a professora do Departamento de Pedagogia e coordenadora do Observatório de Direitos Humanos, Jane Schumacher, que acolhe a ideia e inicia as atividades do projeto dentro da Asmar. Além da alfabetização, o projeto busca fortalecer a autoestima dos trabalhadores que tiveram a leitura e a escrita interrompidas, estimulando a confiança e a autonomia por meio da aprendizagem.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --></p>
<p>Há quase duas décadas dedicada à reciclagem, uma das participantes do projeto, conhecida como Tita, conta que teve pouco contato com a escola durante a infância, não passou da educação infantil e aprendeu somente a escrever seu nome. Ela relembra as dificuldades de acesso à educação na época: “Lá fora não tinha escola. Tinha que caminhar quase o dia inteiro para chegar num colégio. Tive que desistir”.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:image {"id":4171,"width":"708px","height":"auto","aspectRatio":"1.4992858843132588","sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} --></p>
<figure><img style="aspect-ratio: 1.4992858843132588;width: 708px;height: auto" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/06/1-1024x683.jpeg" alt="Fotografia horizontal e colorida. Em primeiro plano, duas pessoas aparecem parcialmente enquadradas enquanto separam resíduos recicláveis sobre uma esteira de triagem. A pessoa à esquerda veste camiseta cinza sobre blusa de mangas longas rosa e segura sacolas plásticas entre embalagens e materiais recicláveis. Ao fundo, outras pessoas trabalham na separação dos resíduos diante de grandes fardos de materiais prensados, em um galpão de reciclagem." /></figure>
<p><!-- /wp:image --><!-- wp:paragraph {"fontSize":"small"} --></p>
<p>Tita com a mão na massa - FOTO: EMMANUELLY CHRISTINA PERANSONI ZINI</p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --></p>
<p>Desde o início do projeto, para participar dos encontros realizados no centro de reciclagem, Tita concilia a longa rotina de trabalho na Asmar com o deslocamento diário entre Camobi e Asmar. Segundo ela, o aprendizado já trouxe mudanças. “Agora eu tô sabendo bem mais coisa. Tô sabendo lidar com meus cartões de crédito, coisa que eu não sabia”, destaca.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --></p>
<p>Outra participante do projeto é Adriana, que desde pequena coletava materiais recicláveis nas ruas da cidade  ao lado de sua mãe. Ela já trabalha há quatro anos na Asmar e conta que, antes das aulas, não conseguia ler nem escrever o próprio nome. “Não sabia nada. Agora eu sei escrever meu nome, meus dados, até o CPF”. Além da alfabetização, Adriana relata que as aulas também ajudaram a desenvolver outras habilidades, como o uso do celular. </p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --></p>
<p>Mãe de um menino de 11 anos, a recicladora divide a rotina entre o trabalho e os cuidados com o filho. Apesar do cansaço ao chegar em casa, ela afirma que deseja continuar aprendendo e pensa em retomar os estudos futuramente.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:image {"id":4172,"width":"714px","height":"auto","aspectRatio":"1.4992858843132588","sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} --></p>
<figure><img style="aspect-ratio: 1.4992858843132588;width: 714px;height: auto" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/06/IMAGEM-5-1024x683.jpg" alt="Fotografia horizontal e colorida de um estudante que escreve em uma folha de papel enquanto recebe acompanhamento da bolsista do projeto, durante uma atividade pedagógica. A fotografia tem enquadramento fechado e destaca as mãos do estudante e da bolsista. O foco está na mão do aluno, de pele parda, que usa camiseta cinza e segura um lápis preto com borracha verde sobre um papel branco com texto manuscrito. Atrás dele estão as mãos de outra pessoa, de pele negra e com as unhas pintadas de rosa. Ela veste jaqueta jeans com as mangas cinzas. Ambos apoiam as mãos sobre uma toalha de mesa estampada com quadrilhos verdes. A iluminação natural destaca a cena e produz sombras sobre a toalha a partir das mãos.. " /></figure>
<p><!-- /wp:image --><!-- wp:paragraph {"fontSize":"small"} --></p>
<p>Hora de escrever - FOTO: EMMANUELLY CHRISTINA PERANSONI ZINI</p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --></p>
<p>A integrante do projeto Joseane Rodrigues trabalha com a reciclagem há quatro anos. Antes disso, passou por diferentes ocupações para sustentar a família, como a venda de doces e de lingeries e a produção de trufas. Recentemente, também concluiu cursos profissionalizantes de maquiagem e barbearia. </p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:image {"id":4173,"width":"699px","height":"auto","aspectRatio":"1.4992858843132588","sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} --></p>
<figure><img style="aspect-ratio: 1.4992858843132588;width: 699px;height: auto" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/06/3-1024x683.jpeg" alt=" Fotografia horizontal e colorida. Em primeiro plano, uma mulher adulta, de pele negra e cabelos presos, veste camiseta cinza e realiza a separação de resíduos sobre uma esteira de triagem. Ela mantém o olhar voltado para os materiais à sua frente. Ao fundo, aparecem fardos de recicláveis, uma prensa hidráulica verde e amarela, caixas e equipamentos utilizados no processamento dos resíduos dentro do galpão." /></figure>
<p><!-- /wp:image --><!-- wp:paragraph {"fontSize":"small"} --></p>
<p>Jo durante o trabalho - FOTO: EMMANUELLY CHRISTINA PERANSONI ZINI</p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --></p>
<p>Desde que iniciou o projeto, ela sempre participou das atividades. Encontrou nas aulas um espaço para revisitar conteúdos que nunca compreendeu totalmente, como porcentagem e uso dos porquês.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:heading {"fontSize":"large"} --></p>
<h2><strong><strong>Acolhimento que alfabetiza</strong></strong></h2>
<p><!-- /wp:heading --><!-- wp:media-text {"mediaId":4174,"mediaLink":"https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?attachment_id=4174","mediaType":"image"} --></p>
<figure><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/06/IMAGEM-3.jpeg" alt="Fotografia vertical e colorida de Jane Schumacher, coordenadora do Café com Letra, sentada de perfil em frente a uma mesa de escritório. Ela sorri enquanto olha ligeiramente para a direita da câmera. Ela é uma mulher de cerca de 40 anos, que tem pele branca, cabelos loiro escuros presos em um coque do qual escapam alguns fios ondulados. Ela veste um suéter verde-claro sobre blusa marrom. Usa brincos de argola dourada.Ao fundo, em desfoque, há materiais de escritório e janelas. " /></figure>
<p><!-- wp:paragraph {"align":"left","placeholder":"Conteúdo..."} --></p>
<p>Ao longo de 15 anos de atuação como docente e de uma década de vínculo com o ODH, a professora Jane Schumacher construiu sua trajetória unindo educação e extensão universitária. Formada em Pedagogia e coordenadora do Café com Letras, ela sempre esteve envolvida em projetos voltados a grupos em situação de vulnerabilidade. </p>
<p><!-- /wp:paragraph --></p>
<p><!-- /wp:media-text --><!-- wp:paragraph {"fontSize":"small"} --></p>
<p>Jane Schumacher, professora e coordenadora do Café com Letras durante a entrevista. - FOTO: Maria Lúcia Homrich Gotuzzo</p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --></p>
<p>Desde o primeiro encontro, realizado em dezembro de 2024, Jane passou a acompanhar de perto a rotina dos trabalhadores e incentivou atividades de leitura, escrita e interpretação de textos durante o horário de lanche da associação.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>A TXT. conversou com a professora Jane Schumacher para entender melhor sua relação com o projeto.</strong></p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>.TXT: Como começou o projeto?</strong></p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>Jane:</strong> Após a Margareth buscar ajuda, eu e o coordenador da época do ODH fomos visitar a Asmar em dezembro. Como a Universidade já estava sem alunos naquele período, eu disse para ele: “Nós vamos ter que começar, eu não vou deixar esse pessoal sem atividade nenhuma”. E, assim, no dia 18 de dezembro de 2024, iniciamos as atividades do projeto.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --></p>
<p>Tivemos um recesso em janeiro, mas eles ficaram com cadernos de caligrafia para continuar praticando. Inclusive, eu mesma precisei me organizar para aprender metodologias voltadas para alfabetização de adultos. Começamos com um grupo de oito pessoas e seguimos atuando desde então.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --></p>
<p>Nesse processo, fizemos uma testagem de lectoescrita (habilidade de ler e escrever de forma integrada) para entender em que nível cada participante estava. Descobrimos que três pessoas não reconheciam letras e apenas reproduziam a assinatura do nome. As demais já eram alfabetizadas, mas apresentavam dificuldades na escrita e na construção de frases. Começamos a trabalhar com atividades simples, sempre contextualizadas com a realidade deles dentro da reciclagem. </p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>.TXT: Como foi o primeiro encontro com os trabalhadores? </strong></p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>Jane:</strong> No primeiro encontro eu percebi que existia um interesse que estava meio adormecido. Eles não se sentiam motivados e também havia certa resistência, porque chegava uma pessoa da Universidade, alguém estranho para eles, propondo um trabalho de alfabetização. Muitos não acreditavam que aquilo realmente teria continuidade.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --></p>
<p>Foi importante justamente o fato de termos começado em dezembro, mesmo sem alunos da Instituição envolvidos. Eu senti que aquelas mulheres e homens precisavam de um projeto ali, precisavam ser ouvidos e acolhidos. No começo, muitos não participavam e tinham receio, mas aos poucos eles foram percebendo que o projeto continuaria e que aquele espaço era realmente para eles. </p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>.TXT: Qual é o maior desafio na alfabetização de adultos? </strong></p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>Jane:</strong> Eu acredito que o maior desafio seja a falta de confiança. Muitas vezes, eles não conseguem vislumbrar outras possibilidades além do trabalho que realizam hoje e acabam acreditando que não merecem ir além. A alfabetização também passa por isso: fazer com que eles percebam que são capazes de sonhar e ocupar outros espaços. </p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>.TXT: O que mais te marca no projeto? </strong></p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>Jane:</strong> É enxergar a potência dessas mulheres e homens que não tiveram as mesmas oportunidades ou não conseguiram concluir os estudos. São pessoas com um conhecimento de vida incrível, mas que muitas vezes foram excluídas pelo sistema. A reciclagem é o que sustenta muitas dessas famílias, mas existe uma capacidade enorme ali que, por muito tempo, não foi reconhecida. </p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>.TXT: Defina o Café com Letras em uma frase ou um sentimento:</strong></p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>Jane:</strong> Para mim, é uma ação na reciclagem de resistência. Resistência porque existem muitas mulheres e muitos homens que ganham a sua vida e sustentam tantas outras que fazem parte da rotina. </p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:image {"id":4175,"width":"711px","height":"auto","sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} --></p>
<figure><img style="width: 711px;height: auto" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/06/IMAGEM-7-1024x683.jpg" alt="Fotografia horizontal e colorida de uma parede branca com cartazes e imagens que correspondem às letras do alfabeto. Organizados na sequência alfabética, os materiais apresentam palavras e figuras associadas a cada letra, como o x que é associado à palavra xícara. Do lado direto da imagem e dos cartazes, estão cerca de 18 balões nas cores vermelho, branco e rosa claro. Acima dos cartazes, há uma imagem representativa de Jesus Cristo e, ao lado esquerdo, dois quadros com imagens indistintas. Abaixo dos cartazes, aparecem cortinas de uma janela e móveis uma televisão,um sofá e uma poltrona. As paredes são bege. " /></figure>
<p><!-- /wp:image --><!-- wp:paragraph {"fontSize":"small"} --></p>
<p>O alfabeto do café com letras - FOTO: EMMANUELLY CHRISTINA PERANSONI ZINI</p>
<p>Texto: Laura Waechter Severo e Maria Lúcia  Homrich Gotuzzo </p>
<p><!-- /wp:paragraph --></p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Dossiê: Palavras que libertam, laços que resistem</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2026/06/26/dossie-palavras-que-libertam-lacos-que-resistem</link>
				<pubDate>Fri, 26 Jun 2026 13:55:19 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Dossiê]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[ed31]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

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						<description><![CDATA[Duas dimensões do sistema prisional evidenciam caminhos para a garantia de direitos e a reinserção social: a remição da pena por meio da leitura e o fortalecimento dos vínculos maternos. Neste dossiê, apresentamos duas iniciativas de extensão da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) que atuam junto à população privada de liberdade, o que evidencia [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:paragraph -->
<p>Duas dimensões do sistema prisional evidenciam caminhos para a garantia de direitos e a reinserção social: a remição da pena por meio da leitura e o fortalecimento dos vínculos maternos. Neste dossiê, apresentamos duas iniciativas de extensão da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) que atuam junto à população privada de liberdade, o que evidencia diferentes formas de intervenção social, educacional e humana no contexto carcerário.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Direito (PPGD/UFSM), o Livros que Livram promove a leitura e a produção de resenhas em instituições prisionais. Por meio de encontros mensais, pessoas privadas de liberdade podem obter a remição de pena prevista em lei, ao mesmo tempo em que ampliam seu acesso à educação e à literatura. O projeto reúne apenados para um debate da obra escolhida do mês e o recolhimento de resenhas realizada pelos prisioneiros. O espaço é uma via de mão dupla entre o sistema carcerário e os integrantes do projeto, trazendo para os estudantes a prática e a realidade das casas prisionais.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>O Projeto Inspira, associado ao Observatório de Direitos Humanos (ODH), busca fortalecer os vínculos entre mães privadas de liberdade e seus filhos. A iniciativa organiza momentos de convivência, socialização, brincadeiras e interação entre mães e crianças, e proporciona encontros que valorizam os laços afetivos e o direito à convivência familiar. As ações são realizadas em parceria com a Polícia Federal (PF) e a Polícia Penal (PP) e envolvem mulheres custodiadas no Presídio Regional de Santa Maria.</p>
<!-- /wp:paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Corrida a favor do tempo</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2025/11/11/corrida-a-favor-do-tempo</link>
				<pubDate>Tue, 11 Nov 2025 18:24:15 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[30ª Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Perfil]]></category>
		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[ed30]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

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						<description><![CDATA[Campeã sul-americana de atletismo, Jaqueline Beatriz Weber divide a vida entre o esporte e a ciência.
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:audio {"id":4121} -->
<figure class="wp-block-audio"><audio controls src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/11/audio-perfil.mp3"></audio></figure>
<!-- /wp:audio -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Natural de Teutônia, interior do Rio Grande do Sul, Jaqueline Beatriz Weber, 30, demonstrou cedo o interesse e a aptidão pelo esporte. Ainda na escola, seu talento no atletismo chamou a atenção e lhe rendeu medalhas e convocações para as seleções brasileiras de base. Aos 17 anos, mudou-se para Santa Cruz do Sul, decidida a ir atrás do sonho de ser atleta profissional. A velocidade com que despontou contrastava com a lentidão na valorização de seu esporte no país, desafio enfrentado desde o início de sua trajetória.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>De lá pra cá, entre glórias e frustrações, 13 anos se passaram, e uma rotina de 12 treinos por semana, resiliência e muita dedicação colocaram a gaúcha entre as melhores do país nas corridas de meio-fundo (provas de 800m a 3000m).&nbsp; Entre 2023 e 2025, foi campeã sul-americana Indoor, categoria disputada em estádios fechados, representou o Brasil nos Jogos Pan-Americanos, no Mundial de Atletismo e no Mundial de Corrida de Rua. Feitos relevantes, mas que segundo a atleta não afastaram as contestações: ‘’já me perguntaram se eu trabalho além de correr, então eu digo que correr é o meu trabalho. No início foi difícil lidar com isso, mas usei como combustível para provar para todo mundo que fiz a escolha certa’’, comenta Jaqueline.&nbsp;&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:image {"id":4125,"width":"1133px","height":"auto","sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/11/Site-2-1-1024x1024.jpeg" alt="" class="wp-image-4125" style="width:1133px;height:auto" /></figure>
<!-- /wp:image -->

<!-- wp:heading -->
<h2 class="wp-block-heading"><strong>Entre pistas e pesquisas </strong></h2>
<!-- /wp:heading -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Apesar das conquistas, as incertezas de uma jornada como atleta profissional no Brasil, que em geral estende-se por apenas um terço da vida dos competidores, fizeram com que Jaqueline investisse seu tempo também nos estudos. Nas palavras dela, ‘’os atletas ganham os holofotes e contam com suporte financeiro de instituições quando estão bem, e quando eles param são deixados de lado, com ainda dois terços de vida pela frente. Então, é preciso estar preparada’’.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Nos primeiros anos da dupla carreira, a esportista conciliou os treinos com a graduação em Educação Física na Universidade de Santa Cruz  (Unisc) e no final de 2024, recebeu o título de mestra em Gerontologia, ciência que estuda o envelhecimento humano, pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). A escolha do tema de seu mestrado não foi por acaso: com o intuito de arquitetar sua aposentadoria, ao longo dos dois anos, a corredora pesquisou sobre o envelhecimento e o processo de transição de carreira de atletas olímpicos meio-fundistas no Brasil. Em seu estudo, Jaqueline investigou como eles administram o fim de suas trajetórias nas pistas, como foi a adaptação a novas funções, e qual foi o impacto da rotina regrada na saúde e na qualidade de vida pós-carreira. </p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:heading -->
<h2 class="wp-block-heading"><strong>Preparada para o futuro</strong></h2>
<!-- /wp:heading -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Os resultados da pesquisa indicam uma transição de carreira promissora para Jaqueline. Corredores de alta performance que se mantiveram academicamente ativos apresentaram um processo de transição mais suave e positivo, principalmente no que diz respeito à necessidade de nova profissão em uma idade considerada precoce. Outro dado favorável indica que nenhum dos atletas entrevistados apresentou dores ou lesões oriundas da alta performance; pelo contrário, a maioria se encontram fisicamente ativos, o que reforça a eficácia da prática diária de exercícios físicos na melhora da saúde e da qualidade de vida.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Com a conclusão de seu mestrado, a desportista tem se dedicado exclusivamente ao atletismo. Atualmente, está em fase de preparação, na busca para obter o índice necessário para a disputa dos Jogos Olímpicos de 2028, seu grande objetivo de carreira.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Enquanto corre contra o relógio, em busca da vaga olímpica, Jaqueline também corre em prol da vida. Em meio à rotina intensa de treinos, ela ainda encontra tempo para compartilhar suas experiências com crianças e adolescentes, por meio da Associação Medalha de Ouro,&nbsp; projeto social que estimula a prática esportiva e oferece orientação a quem sonha trilhar caminhos parecidos com o dela.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Dentro e fora das pistas, o legado de Jaqueline Weber continua a ser escrito. E ela está preparada para qualquer linha de chegada.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:image {"id":4124,"sizeSlug":"large","linkDestination":"none","align":"center"} -->
<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/11/Site-1-1-1024x649.jpg" alt="" class="wp-image-4124" /></figure>
<!-- /wp:image -->

<!-- wp:separator -->
<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity" />
<!-- /wp:separator -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Repórteres: João Victor Barbat e Matheus Lanzarin</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Contato: joao.barbat@acad.ufsm.br /  lanzarin.matheus@acad.ufsm.br </p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Link para a reportagem: <a href="https://youtu.be/_k-pFHcZAh4?si=aN-7X_ve4anRqpSB">https://youtu.be/_k-pFHcZAh4?si=aN-7X_ve4anRqpSB</a></p>
<!-- /wp:paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>"Quero fazer arte para  poder ensinar"</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2025/10/23/quero-fazer-arte-para-poder-ensinar</link>
				<pubDate>Thu, 23 Oct 2025 22:12:27 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[30ª Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[ed30]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?p=4116</guid>
						<description><![CDATA[Precarização do Teatro Caixa Preta impacta na formação dos estudantes das Artes]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:paragraph -->
<p><em>Precarização do Teatro Caixa Preta impacta na formação dos estudantes das Artes</em><br></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:audio {"id":4119} -->
<figure class="wp-block-audio"><audio controls src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/10/projeto-audio-rep.mp3"></audio></figure>
<!-- /wp:audio -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Fundado em 1988, o <a href="https://www.ufsm.br/unidades-universitarias/cal/2018/04/05/teatro-caixa-preta-comemora-hoje-seus-30-anos">Teatro Caixa Preta</a> é um espaço artístico que integra o Centro de Artes e Letras (CAL) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Idealizado no modelo <em>black box </em>(caixa preta), conta com uma estrutura totalmente modulável, o que proporciona maior versatilidade e liberdade criativa na construção do espetáculo e na configuração do palco. O Caixa Preta recebe espetáculos de conclusão de curso e abriga atividades de ensino e pesquisa cênica, como aulas, ensaios e práticas laboratoriais associadas aos cursos de Artes Cênicas, Teatro, Música Licenciatura, Bacharelado, Música e Tecnologia, Artes Visuais e Dança Licenciatura e Bacharelado.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Após quatro anos fechado, em 2023 o espaço passou por reparos e manutenções para que pudesse retomar suas atividades artístico-pedagógicas e atender às demandas dos estudantes. A coordenadora do Teatro Caixa Preta, Raquel Guerra, conta que o local integra o currículo dos cursos de artes do CAL para atividades acadêmicas e extensionistas. Raquel explica que o espaço cultural é um lugar que tem uma vida e é como uma casa: “é que nem a tua casa. Tu tem que limpar todo dia, tem que cuidar da tua casa do dia. E o espaço cultural também é isso. Ele precisa de manutenção constante. Quando ele está fechado, essa manutenção além de não existir, ela só vai piorando”.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Ocupar o espaço tornou-se um desafio para os estudantes do Centro de Artes e Letras, devido às reivindicações e ao crescimento dos cursos do CAL, associado à saída da graduação em Dança Licenciatura do Centro de Educação Física e Desporto (CEFD). A coordenação do Caixa refere que a prioridade de uso é para trabalhos de conclusão de curso performáticos - ou seja, que contam com apresentação artística. Ainda assim, estudantes dos cursos de Dança enfrentam empecilhos para reservar o espaço.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A bacharela em Dança, Anna Beatriz Souza, apresentou seu trabalho de conclusão de curso no Teatro Caixa Preta com a colega Jéssica da Silva em novembro de 2024. Anna conta que seu orientador já previa que as alunas enfrentariam impasses para reservar uma data no Caixa e que foi necessária muita insistência para que conseguissem utilizar o espaço. Enquanto formandas em Dança Bacharelado, aquela poderia ser a única oportunidade de se apresentarem no local: “desde o início do curso nos foi dito que, pelo menos, o nosso trabalho de formatura poderia ser apresentado no Caixa, o que não é verdade, porque muitas colegas nossas não conseguiram&nbsp; apresentar no Caixa”, cita a artista.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:image {"id":4117,"sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image size-large"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/10/WhatsApp-Image-2025-06-26-at-17.26.19-1024x682.jpeg" alt="" class="wp-image-4117" /><figcaption class="wp-element-caption">Anna Beatriz Souza e Jéssica da Silva, em sua pré-banca de TCC,  no Teatro Caixa Preta
Foto: Jonathan Maciel
</figcaption></figure>
<!-- /wp:image -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>As dificuldades em reservar o Caixa Preta ao longo do curso também acarretaram&nbsp; em barreiras para montar o espetáculo. Anna Beatriz reforça que idealizar uma obra exclusivamente dentro da sala de aula prejudica o processo de montagem: “a sala de aula não é própria para que a gente pense o espetáculo, [...] porque não tem o tamanho, a estrutura e os elementos necessários para que a gente consiga pensar ou fazer um espetáculo lá dentro”.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>O curso de Dança Licenciatura integrava o CEFD até 2024, o que prejudicava o acesso dos acadêmicos ao Teatro. Assim, espetáculos e coreografias associadas ao curso e às disciplinas eram restritas ao Complexo Didático Artístico (CDA), um espaço não-convencional para pensar dança e performance pois, apesar de pensado para receber apresentações, não segue o formato tradicional de palco italiano - em estilo auditório. Como a caixa cênica do CDA não é pré-montada e tão estruturada , espetáculos no complexo implicam em ter alguém para adaptar a estrutura. </p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Em seis anos de graduação, a egressa do curso de Dança Licenciatura, Esther Ávila, nunca se apresentou no Caixa Preta. Ela reflete que o curso, por ter maior foco na parte pedagógica, não gerava oportunidades de performance por parte dos alunos: “depois de um tempo, eu me sentia só professora. Ser artista já não era mais uma coisa tão importante no curso (...) Mas, para eu estar numa licenciatura em arte, primordialmente, é porque eu sou artista. Porque eu quero estudar arte e fazer arte, para poder ensinar isso também”.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Os estudantes que seguem no curso reforçam as percepções sobre ser artista e o local da dança. Lauren Diel, formanda da Licenciatura em Dança, relata que a mudança de centro evidencia que a transformação na forma como a dança é vista e quais lugares ocupa são fatores determinantes para saber onde ela deve estar. Para a artista, a Dança é um curso das Artes da Cena, como todos os outros, e não uma modalidade de esporte.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:image {"id":4118,"sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image size-large"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/10/DSC_0144-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-4118" /><figcaption class="wp-element-caption">Lauren Diel em apresentação na X Noite da Dança, no Teatro Caixa Preta
Foto: Lucas de Araújo
</figcaption></figure>
<!-- /wp:image -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Segundo o diretor do Centro de Artes e Letras, Gil Negreiros, a transição da licenciatura do CEFD para o CAL é uma correção histórica: “não tem fundamento você abrir dois cursos de Dança e cada curso ficar em um Centro, sendo que a dança é uma arte”. Ele destaca que a Arte não é só diversão e entretenimento, mas sim, objeto de pesquisa. Por isso, a necessidade de fornecer aos estudantes a infraestrutura necessária para potencializar suas pesquisas, seja dentro do Caixa Preta ou em novos espaços.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A direção de centro elucida que o Teatro Caixa Preta tem um grande espaço pedagógico dentro do CAL e é primordial para a formação dos artistas da Universidade. Dessa forma, o Centro pretende reformar outros espaços até o final do ano, a fim de comportar performances e ensaios, como uma forma de aliviar a demanda do Caixa e garantir que todos os discentes possam utilizá-lo durante sua passagem pela UFSM. A retomada do funcionamento do Teatro é um ganho imenso para os estudantes e para a comunidade externa: “o CAL precisa de muitos espaços. O artista precisa do espaço ", destaca Gil. Ao fechar um local artístico-cultural, ele começa a se desmanchar e, para o artista, é essencial estar em cena - e é necessário cuidar do palco como quem cuida da própria casa.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:separator -->
<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity" />
<!-- /wp:separator -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Repórter:<em> Julia Zucchetto</em></p>
<!-- /wp:paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Rádio Universidade Resiste</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2025/10/02/radio-universidade-resiste</link>
				<pubDate>Thu, 02 Oct 2025 16:36:39 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[30ª Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[#ed30]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?p=4106</guid>
						<description><![CDATA[Como a emissora continua em meio ao declíno da AM]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:audio {"id":4114} -->
<figure class="wp-block-audio"><audio controls src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/09/Audio-Site-Revista-.mp3"></audio></figure>
<!-- /wp:audio -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>O rádio alcança semanalmente 80% da população brasileira, segundo a Kantar IBOPE Media, mas enfrenta limitações técnicas: 68% das emissoras utilizam equipamentos com mais de dez anos de uso, de acordo com a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT). Além disso, muitas emissoras AM enfrentam desafios logísticos e financeiros para migrar para a faixa FM, um processo iniciado em 2013 com o Decreto nº 8.139, que visa melhorar a qualidade de áudio e competitividade frente às mídias digitais. A migração exige investimentos em novos equipamentos, pagamento de outorgas (que variam de R$ 8 mil a R$ 4 milhões a depender da cidade e potência) e, em grandes centros, depende da liberação da faixa estendida após o desligamento do sinal analógico de TV, concluído em 2023. Esses custos e a demora na aprovação de projetos pelo Ministério das Comunicações e Anatel dificultam o processo, especialmente para emissoras menores.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>O sistema de Amplitude Modulada (AM) surgiu em 1906 e se consolidou no período pós-Primeira Guerra Mundial, com destaque para o grande alcance do sinal. A Frequência Modulada (FM), que surgiu em 1933 e se consolidou nos anos 1960, trouxe qualidade sonora superior, menos interferência e programação mais variada. Com o tempo, o rádio enfrentou novos desafios trazidos pela televisão, pela internet e pelas plataformas digitais. A sobrevivência do meio passou a depender da reinvenção de sua linguagem e formatos.&nbsp;<br></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Em meio a esse cenário, a Rádio Universidade 800 AM, da UFSM, destaca-se como exemplo de adaptação e compromisso com a comunidade, com operação mantida em AM e alcance ampliado via<em> streaming online</em>. A emissora resiste aos desafios e inova com a transmissão <em>online</em>, que expande sua audiência globalmente. Durante a enchente de maio de 2024, no Rio Grande do Sul, a Rádio Universidade permaneceu no ar enquanto outras mídias sofreram interrupção por falta de infraestrutura digital. O diretor do Núcleo de Rádios da UFSM, Jonathan Ferreira, relembra o período: “A FM ficou fora do ar por 15 dias. Já a AM seguiu no ar e informou a população.” A equipe da universidade organizou uma campanha que arrecadou rádios AM e os distribuiu às comunidades afetadas, o que reforçou sua relevância social.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A UFSM mantém duas emissoras: a Rádio Universidade, inaugurada em 1968, e a UniFM 107.9, lançada em 2017. Ambas desempenham papel relevante na formação universitária e na prestação de serviço público. A Rádio Universidade e a UniFM nasceram com o objetivo de divulgar as atividades da instituição e, conforme estimativa do Núcleo de Rádios da UFSM em 2020, chegou a ultrapassar um milhão de ouvintes. De acordo com dados fornecidos pela direção das Rádios, a Universidade AM alcança 51 cidades da região, enquanto a UniFM cobre cerca de 20 municípios, com audiência aproximada de 480 mil pessoas. A programação educativa, cultural e científica, apoiada por uma equipe multidisciplinar integrada à comunidade acadêmica, consolida a missão pública das emissoras, que transcendem a lógica comercial.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A programação da 800 AM inclui coberturas de vestibulares, congressos, projetos acadêmicos e eventos institucionais, além de conteúdos de cidadania e divulgação científica. “O rádio público não pode ser pensado com lógica comercial. Ele tem que chegar aonde o mercado não tem interesse em ir”, afirma Ferreira. A emissora conta com 10 servidores, entre jornalistas, sonoplastas e programadores, dois operadores terceirizados e bolsistas dos cursos de Jornalismo, &nbsp;Jornalismo, Relações Públicas, Produção Editorial, Engenharia Acústica, Música e Tecnologia.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:image {"id":4108,"width":"1448px","height":"auto","sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/09/Copia-de-IMG_0910-edit-web-1-1024x649.jpg" alt="" class="wp-image-4108" style="width:1448px;height:auto" /></figure>
<!-- /wp:image -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><br></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Ao longo de mais de cinco décadas, a 800 AM passou por diversas mudanças técnicas. Discos e fitas foram substituídos por sistemas digitais por computador, sistema esse que foi ampliado com o surgimento da conexão<em> Wi-Fi</em>. O locutor Roberto Montagner destaca que, com o<em> streaming,</em> a diferença de qualidade entre AM e FM deixa de ser relevante. “Hoje qualquer rádio pode ser ouvida online, de qualquer lugar do mundo”, explica. Embora muitas AM tenham migrado para FM, a 800 AM permanece em sua frequência original. “O grande diferencial do AM é o alcance geográfico. Ele chega a lugares que o FM não alcança, especialmente em regiões remotas”, observa Jonathan<br></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Segundo o site Tudo Rádio, apenas três universidades no Rio Grande do Sul ainda mantêm estações AM: a UFSM, a UFRGS e a UCPel. O Atlas da Notícia de 2023 aponta que mais de 26 milhões de brasileiros vivem em “desertos de notícia” — municípios sem veículos jornalísticos locais. Neste contexto, emissoras universitárias, como a 800 AM desempenham um papel essencial ao oferecer informações de interesse público, programação educativa e cultural, além de dar visibilidade a comunidades negligenciadas pela grande mídia.<br></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>O pesquisador Luiz Arthur Ferraretto, da UFRGS, define em seu artigo científico <em>“Uma proposta de periodização para a história do rádio no Brasil”</em> que o atual momento da radiodifusão é de convergência, em que o rádio expande sua presença em <em>podcasts, streamings e web</em> rádios. Para ele, o futuro do AM dependerá de sua capacidade de adaptação às transformações tecnológicas e culturais. A Rádio Universidade AM mostra que é possível inovar sem abandonar a missão pública que a originou. Seu papel pedagógico, cultural e social sustenta sua relevância, mesmo em meio às ondas da crise.<br><br></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:heading -->
<h2 class="wp-block-heading">Desesrtos de Informação</h2>
<!-- /wp:heading -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Quem vive em um deserto de informação enfrenta uma realidade distante e desconexa com o resto do mundo e até mesmo da sociedade, e são vulneráveis a possíveis desastres socioambientais. Um exemplo claro disso foi durante as enchentes de Maio de 2024 no Rio Grande do Sul que deixou centenas de famílias desabrigadas. Durante a tragédia as pessoas afetadas tinham dificuldade para se informar sobre pontos de coletas de doações e locais de abrigo, pois a energia elétrica foi afetada e a internet instável.<br></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Para tentar mitigar este problema, foi lançado no dia 24 de Março de 2025 o Fundo de Apoio ao Jornalismo (FAJ). A primeira iniciativa no Brasil com o objetivo de apoiar o Jornalismo Local. Foram selecionadas até 15 organizações, que receberam entre R$75 mil e R$150 mil por ano durante três anos. Quem empreendia nesse setor sabe que, embora não fosse uma quantia absurdamente volumosa, esse tipo de recurso tem o potencial de transformar completamente organizações pequenas em veículos profissionais e de qualidade.<br></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:gallery {"linkTo":"none"} -->
<figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped"><!-- wp:image {"id":4110,"sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image size-large"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/09/Copia-de-Flavio-de-Mello-no-primeiro-estudio-Arquivo-Flavio-e-Maria-Elena-de-Mello-Web-1-1024x653.jpg" alt="" class="wp-image-4110" /></figure>
<!-- /wp:image --></figure>
<!-- /wp:gallery -->

<!-- wp:separator -->
<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity" />
<!-- /wp:separator -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Repórteres</strong>: <em>Renan Silveira, Pedro Felipe de Almeida, João Pedro Amaral</em></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Fotos:</strong> <em>Matheus Lanzarin/Acervo Rádios UFSM&nbsp;</em></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p></p>
<!-- /wp:paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Mais que confecção, uma forma de expressão</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2025/09/18/mais-que-confeccao-uma-forma-de-expressao</link>
				<pubDate>Thu, 18 Sep 2025 12:06:11 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[30ª Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[#ed30]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?p=4101</guid>
						<description><![CDATA[A técnica do upcycling reúne moda sustentável e autenticidade
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:paragraph -->
<p>Para escutar o áudio da reportagem, clique abaixo:</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:audio {"id":4104} -->
<figure class="wp-block-audio"><audio controls src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/09/Reportagem-em-audio-1.mp3"></audio></figure>
<!-- /wp:audio -->

<!-- wp:image {"id":4102,"sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image size-large"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/09/Imagem-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-4102" /><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Mathias Ilnick</figcaption></figure>
<!-- /wp:image -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Para o senso comum, a moda pode parecer isto mesmo: um sistema superficial, movido pela lógica irracional do consumo. A acadêmica de Artes Visuais da UFSM Dárica Gomes não enxerga assim. “É algo afetivo, emocional, das raízes. É ancestral”, comenta a jovem a respeito de sua relação com o fazer artístico e a confecção de roupas. Ela afirma que a costura é uma forma de se conectar com as origens e alcançar um estilo único.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Além de estudante, Dárica é uma das colaboradoras do <a href="https://www.instagram.com/brechapenas/">Brechó Apenas</a>, um empreendimento coletivo que expõe seu acervo, geralmente, no brique da Vila Belga e no <em>hall </em>do Restaurante Universitário I (RU I). O espaço de convivência do RU é casa para muitos outros negócios, organizados, inclusive, pelos próprios estudantes. Para expor, nenhum acordo é necessário; o Brechó Apenas, por exemplo, somente se instala e põe à venda peças de garimpo e de fabricação própria - muitas delas, com o uso do <em>upcycling</em>.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Trata-se não apenas de uma técnica, mas da “epítome da autenticidade”, como descreve Pedro Ivo Vieira, idealizador do <a href="https://www.instagram.com/relancebrecho/">Relance Brechó</a>. O <em>upcycling</em> é uma abordagem sustentável na qual materiais que seriam descartados são transformados em novos produtos. Diferente da reciclagem tradicional, não há decomposição de matéria - o novo produto é criado a partir do velho, sem destruir sua forma original. No universo da moda, o <em>upcycling</em> acontece com recortes, costuras, pinturas e outras personalizações que dão continuidade à história das peças.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><em>No Perspectiv</em> é o nome dado pelo relações públicas formado pela UFSM Brenner Barbosa à linha de peças sustentáveis produzida para seu Trabalho de Conclusão de Curso. As roupas, inspiradas nos estilos <em>Y2K</em>, <em>Clubber Punk</em> e <em>Hip-Hop</em>, foram produzidas a partir da reutilização de aparatos encontrados em pequenos bazares, todos bastante gastos e com avarias. Barbosa define-as como peças que atingiram o seu ciclo máximo na visão comercial.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>O projeto, acompanhado de uma série de vídeos e fotografias, simboliza o que o profissional de Relações Públicas descreveu como a falta de perspectiva para encontrar sua visão de mundo dentro de Santa Maria. Os artistas visuais Leo Penna e Rayssa Barcelos, amigos de Brenner, foram responsáveis pela tradução desses sentimentos nas peças ao trabalharem com estamparias que cobriam os rasgos das roupas originais. “Foi uma ligação de relações que eu tive durante a minha graduação, que diziam respeito às coisas que eu era e que eu sou”, explica.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Muito mais que uma iniciativa sustentável para a indústria têxtil - visto que o setor é responsável por, aproximadamente, <a href="https://www.ellenmacarthurfoundation.org/a-new-textiles-economy">2% a 8% das emissões globais de gases de efeito estufa</a>, segundo estudo de 2017 da <em>Ellen MacArthur Foundation</em> -, o <em>upcycling </em>se mostra, também, uma maneira singular de expressão pessoal. Para Brenner, a técnica ressignifica algo criado por outra pessoa e produzido em larga escala. Ele acrescenta: “você revive uma coisa que poderia estar morta. Você transmite a sua realidade, a sua verdade, os seus consumos, as coisas em que você acredita”.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Sustentabilidade ainda não é tendência</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Mesmo que velados, estigmas relacionados ao mercado da moda sustentável ainda persistem. Em questionário realizado de forma <em>on-line</em> com 62 estudantes da UFSM, 25% informaram que não costumam comprar roupas em brechós. Dárica, do Brechó Apenas, ratifica o dado: “muitas vezes, a gente recebe críticas do tipo: ‘olha ali, aquele pessoal comprando roupa velha’”.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>O Relance Brechó, empreendimento inaugurado em Santa Maria no ano de 2021 e atualmente localizado no bairro Botafogo, no Rio de Janeiro, faz sucesso com o público carioca - mas não foi assim em todos os lugares por onde passou. Pedro Ivo percebe, desde a mudança, uma “diferença gritante” no interesse dos gaúchos e dos cariocas por moda sustentável. Segundo seu relato, os compradores da cidade maravilhosa deteriam maior poder aquisitivo, fator que incentiva a valorização de seu trabalho e das roupas comercializadas.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>O fato é que a moda sustentável - nisso, inclui-se a técnica de reciclagem têxtil - ainda não faz parte da corrente de consumo cultural dominante. Para entusiastas da temática, “o <em>upcycling</em>, realmente, é o futuro”, como manifestou Pedro Ivo. Essa opinião é reiterada não só pelos artistas independentes, mas por grandes nomes da indústria como a estilista britânica Vivienne Westwood. Ela costumava dizer que o único efeito possível que alguém pode ter no mundo é por meio de ideias impopulares.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<hr />
<p><strong><em>Repórteres:</em></strong> Camille Moraes e Pedro Gonçalves</p>
<p><strong><em>Contato:</em> </strong>camille.moraes@acad.ufsm.br/ pedro.marion@acad.ufsm.br</p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>A Luta das Mulheres no Esporte Universitário</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2025/09/12/a-luta-das-mulheres-no-esporte-universitario</link>
				<pubDate>Fri, 12 Sep 2025 17:05:51 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[30ª Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Esporte]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[ed30]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[UFSM]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?p=4096</guid>
						<description><![CDATA[Atletas enfrentam falta de estrutura, invisibilidade e desigualdade de gênero.]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:paragraph -->
<p>Para escutar o áudio da reportagem, clique abaixo:</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:audio {"id":4097} -->
<figure class="wp-block-audio"><audio controls src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/09/TXT-Audio.mp3"></audio></figure>
<!-- /wp:audio -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A quadra pode parecer um lugar democrático: quem tem talento, joga. No entanto, para as mulheres, esse caminho é repleto de obstáculos. Na UFSM, os times femininos enfrentam muito mais do que adversárias, lidam com estruturas precárias, preconceitos e, muitas vezes, com o silêncio institucional.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A técnica do Handebol Feminino da UFSM, Ysadora Freitas, afirma que é necessário ter postura e conduta para conquistar respeito. Com mais de 10 anos de experiência como atleta e agora como treinadora, ela fala com propriedade sobre o que é liderar uma equipe em um ambiente ainda marcado pela desigualdade. “Já vivi o machismo na pele, em diferentes contextos. Quando sou a única mulher em reuniões técnicas ou em competições, a postura das pessoas muda”, expõe. Ysadora conta que hoje consegue lidar melhor com essas situações, pois há homens que a auxiliam na beira da quadra. “Eles me ajudam a fazer os outros me escutarem.” O relato mostra uma realidade recorrente entre mulheres do esporte: é preciso provar o tempo todo que o trabalho desenvolvido é sério.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A mesma sensação aparece nas falas das jogadoras. “A gente tem que espernear, gritar, para ter um reconhecimento que no masculino é básico, algo normal”, relata a atleta da equipe UFSM/Dallas Futsal, Elizabeth Amaral Neves. Mesmo com um histórico de conquistas tão relevante quanto o masculino, o time feminino ainda enfrenta desafios relacionados à visibilidade e valorização. Atualmente, composto por metade das atletas da universidade e metade de fora, a diversidade enriquece o elenco, mas também torna difícil conciliar horários de treino com o calendário acadêmico. “Semana de prova, aula à noite, projetos… tudo interfere”, comenta Elizabeth.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Falta estrutura básica. As atletas de Futsal relatam que um dos ginásios não tem condições adequadas para sediar jogos, e, quando chove, a umidade impossibilita o treino. Além disso, embora haja apoio de fisioterapeutas, o time ainda carece de nutricionistas e psicólogos. A jogadora ainda afirma: “A gente tem o curso de Nutrição na universidade, mas não consegue trazer esses alunos para o projeto. A maioria prefere atuar com os meninos.”</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Para as jogadoras do Voleibol UFSM, Caroline Cipolatto e Lívia Lese, o esporte feminino tem recebido mais apoio nos últimos anos, mas ainda há diferenças claras de tratamento por gênero. “A gente ia para torneios em que o feminino era deixado para jogar no domingo, enquanto o masculino podia escolher entre sábado e domingo. Até hoje, a premiação é o que mais mostra essa diferença”, conta Caroline. Lívia cita a lista de 100 atletas mais bem pagos do mundo, divulgada pelo site <em>Sportico</em>: “Todos são homens. Não sei quando vai aparecer uma mulher nessa lista. É uma luta.”&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A representatividade feminina nas comissões técnicas é uma conquista. “Eu gosto de ver a mulher em posição de comando”, diz Caroline. O projeto Voleibol conta com uma comissão técnica formada majoritariamente por mulheres - treinadora, auxiliar, preparadora física e fisioterapeuta - além do apoio de professoras da Educação Física, Nutrição e Medicina da UFSM.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A equipe de Basquete feminino da UFSM também enfrenta dificuldades. O time nasceu em 2022 quando algumas atletas foram convidadas a disputar um campeonato 3x3 no Ceará. Sem equipe técnica e com um grupo pequeno, elas jogaram contra adversários experientes e voltaram com o título dos Jogos Universitários Brasileiros (JUBs) . Ali começava a construção de uma equipe que hoje representa o estado na Liga Gaúcha e no JUBs. Assim como no futsal, a rotina também não é fácil. Entre treinos à noite, aulas durante o dia e infraestrutura limitada, as atletas se dividem para manter o sonho vivo. Das quatro quadras disponíveis na universidade, apenas uma possui medidas e tabela oficiais para o basquete.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A capitã do time de basquete, Evelyn Spengler,&nbsp; rompeu o ligamento cruzado anterior (LCA) do joelho em novembro de 2024, durante os Jogos Interatléticas de Santa Maria (JISM). Em dezembro, passou por cirurgia e desde então vive o desafio da recuperação e do afastamento temporário. “A parte mais difícil é não poder jogar. Não poder estar ali com as gurias, não ajudar como ajudava antes.” Ela é formada em Fisioterapia, cursa Educação Física e organiza sua vida em torno do esporte. “Já deixei de ir a aniversário para estar no treino. Meu foco sempre foi: primeiro o treino, depois os outros afazeres.” Hoje, ela apoia e incentiva a equipe de fora da quadra, enquanto treina individualmente.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Evelyn lamenta a ausência de categorias de base no basquete em Santa Maria e no estado, e aponta a falta de incentivo desde a escola como um dos principais entraves para que mais meninas se interessem pela modalidade. Para ela, embora a visibilidade do esporte feminino universitário tenha crescido, a falta de divulgação e investimento ainda desmotiva muitas atletas. “Se não tem renda com o esporte, a mulher tem que trabalhar. Aí muitas desistem, mesmo com talento. Quantas ‘Martas’ já não foram perdidas por isso?”, questiona. A desigualdade de tratamento e visibilidade é a maior barreira, segundo a jogadora,. Enquanto o masculino é impulsionado por mídia e lucro, no feminino é preciso lutar todos os dias apenas para ser vista.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Na UFSM, a estrutura oferecida ao time de basquete também é limitada, e o espaço é disputado pelas demais modalidades como&nbsp; futsal e handebol, o que obriga o grupo a treinar em quadras menores, em horários alternativos, geralmente à noite. “Às vezes começamos às oito e terminamos depois das dez da noite, porque é o único horário possível. A maioria das gurias tem aula, estágio, trabalho… e mesmo assim, seguem firmes”, explica Evelyn.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>O apoio da Universidade é importante, mas ainda insuficiente. A UFSM oferece materiais de treino, acesso à academia e, quando possível, transporte para competições. No entanto, quando se trata dos Jogos Universitários Brasileiros (JUBs), por exemplo, o suporte vem do Governo do Estado Rio Grande do Sul através da Secretaria de Esporte e Lazer (SEL), que garante transporte aéreo, além de todo suporte logístico durante a realização dos jogos.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:image {"id":4100,"width":"806px","height":"auto","sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/09/Clara-e-Jaine-Foto-1-Imp-683x1024.jpg" alt="Fotografia vertical e colorida de um ginásio poliesportivo vazio à noite, iluminado por luzes artificiais. No chão, há linhas brancas que delimitam as áreas destinadas a diferentes modalidades esportivas, nas cores azul e laranja. Ao fundo, há uma goleira de estrutura de ferro nas cores vermelho e branco. Acima dela, há uma estrutura de cesta de basquete na cor branca com marcações pretas e, mais acima, a presença de um placar eletrônico. A estrutura de ferro do teto está exposta e há diversas lâmpadas de led fixadas nela, além de uma cesta de basquete. Ao fundo, paredes de tijolos à vista na cor marrom-claro com alguns detalhes em azul. Há janelas de vidro com esquadrias claras que mostram o lado de fora do ginásio, completamente escuro." class="wp-image-4100" style="width:806px;height:auto" /><figcaption class="wp-element-caption">Ginásio poliesportivo</figcaption></figure>
<!-- /wp:image -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Ser vista também é vencer</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Os relatos revelam que o esporte universitário feminino vai muito além da competição. Funciona também como espaço de resistência, onde mulheres enfrentam diariamente a falta de estrutura, o machismo e a invisibilidade. Ainda assim, seguem firme, treinam, competem e abrem caminhos para que outras mulheres ocupem esse lugar. A busca por igualdade atravessa tanto a quadra quanto a vida fora dela. Vencer, nesse contexto, é também ser reconhecida, ser vista, ser valorizada.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:separator -->
<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity" />
<!-- /wp:separator -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Reportagem: </strong><em>Jaíne Cristofari e Clara Basso</em></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Contato: </strong>jainecristofari@gmail.com / claraantonelobasso2006@gmail.com</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p></p>
<!-- /wp:paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>O Peso da Rotina</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2025/09/05/o-peso-da-rotina</link>
				<pubDate>Fri, 05 Sep 2025 18:12:32 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[30ª Edição]]></category>
		<category><![CDATA[comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[ed30]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[rotina]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?p=4090</guid>
						<description><![CDATA[Como os universitários buscam equilíbrio entre a rotina possível e o modelo Instagramável. 
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:audio {"id":4094} -->
<figure class="wp-block-audio"><audio controls src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/09/audio.mp3"></audio></figure>
<!-- /wp:audio -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Segundo o dicionário Aurélio, rotina é um substantivo feminino que significa a sequência de ações, algo que se faz todos os dias da mesma forma. A rotina pode ser usada com o objetivo de resolver problemas recorrentes e alcançar resultados. Elas são como regras que reduzem a incerteza e coordenam atividades, conforme explicado no artigo <a href="https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/rbi/article/view/8649013/15562"><em>Rotinas – Uma Revisão Teórica</em></a> da professora Rosiléia Milagres da Universidade Estadual de Campinas, publicado na <a href="https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/rbi/index">Revista Brasileira de Inovação</a>, da mesma universidade.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>&nbsp;Com o passar dos anos, as redes sociais digitais tornaram-se cada vez mais presentes no cotidiano das pessoas, era de se esperar que elas se relacionassem com suas rotinas, o que influencia diretamente na organização do dia a dia dos usuários. Rotina de produção, de estudos, de exercícios, independente do objetivo, ela está presente na vida das pessoas há muito tempo. A organização é uma aliada quando supre as necessidades cotidianas, mas pode ser&nbsp; vilã, se idealizada.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>&nbsp;O psicólogo, mestre em psicologia social da personalidade, Renato Favarin dos Santos, explica a ação da rotina na saúde das pessoas. Renato trabalha na Coordenadoria de Ações Educacionais (CAED), na Subdivisão de Educação e Saúde, onde ajuda os estudantes a lidarem com o processo de formação acadêmica. Ele explicou que, na maioria dos casos, em que seus pacientes relatam estresse e ansiedade com as tarefas da universidade, pode-se perceber um problema em relação à rotina.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Para um dia produtivo, o psicólogo orienta que uma boa noite de sono, boa alimentação e momentos de lazer são indispensáveis para conseguir cumprir as tarefas do dia. A rotina não é sempre absoluta e regrada, como sua definição teórica indica, e&nbsp; Renato alerta que ela pode ser uma geradora de sofrimento e angústia. “Alguns chegam aqui já sabedores de que a rotina é importante, mas com uma ideia de ‘rotina ideal’, que hoje em dia está muito em alta na internet, “ disse o psicólogo sobre os relatos dos estudantes.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Ainda na área da Psicologia, o psicanalista Sigmund Freud explica o conceito&nbsp; do “princípio do prazer”, que é quando a mente busca uma gratificação imediata, sensação de controle, ordem e segurança. A rotina pode ser entendida a partir disso, por conta da sensação de dever cumprido das tarefas estipuladas para o dia. Com base nos estudos de Freud, a teoria da compulsão explica que, a repetição se torna um padrão automático, que auxilia no controle da ansiedade.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>No entanto, a ideia de “rotina ideal” não surge por acaso. Ela é, muitas vezes, moldada por discursos, imagens e vídeos que circulam nas redes sociais digitais, onde os influenciadores digitais transformam seu dia a dia em conteúdo altamente editado, esteticamente atraente e até mesmo comercial. Foi o que apontaram os professores e pesquisadores Vinicius Kenji Shimazaki e Márcia Matos Pinto da Faculdade de Tecnologia do Estado de São Paulo (FATEC), ao analisar em seu artigo, <a href="https://fatecscs.edu.br/fascitech/index.php/cover/article/view/56/56"><em>A influência das redes sociais na vida dos seres humanos</em></a> como as novas tecnologias vêm reconfigurando identidades, comportamentos e o modo de viver da sociedade na era digital. O texto mostra que o modo como as pessoas constroem e compartilham suas vidas nas redes digitais não só altera a percepção que as pessoas têm de si mesmas, mas também a forma como os outros passam a entender e, na maioria das vezes, idealizar o que é uma “vida organizada” ou “produtiva”.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Nos meios digitais, a rotina deixa de ser apenas uma ferramenta pessoal de organização e passa a ocupar o lugar das aparências. Diante disso, tarefas habituais como acordar cedo, estudar ou até mesmo preparar uma refeição são exibidas com filtros, tornam-se o exemplo de modelo a ser seguido.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>O problema desse tipo de exposição é que ele tende a esconder os fracassos, a desorganização e o cansaço, que também fazem parte da vida, o que, como abordado anteriormente, cria um padrão de rotina idealizada e inalcançável. A repetição desse modelo nas plataformas digitais reforça um imaginário coletivo de que existe uma maneira específica de viver bem, estudar melhor e ser mais eficiente, mas na prática essa “rotina perfeita” não é coerente com a realidade da maioria das pessoas.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Por meio de um formulário on-line disponibilizado no período de um mês, durante o primeiro semestre do ano, buscou-se compreender como os estudantes da UFSM lidam com a rotina, como a organizam, o que pensam sobre ela e onde consomem conteúdos relacionados ao tema. O questionário foi respondido por 37 alunos de diferentes idades, gêneros, cursos e centros de ensino da Universidade. A maioria afirmou ter algum tipo de rotina, embora ela não seja fixa, variando conforme a disponibilidade de tempo. Em geral, a organização diária é feita a partir dos horários das aulas. Poucos citaram práticas adicionais. Apenas um aluno demonstrou preocupação em dormir cedo, outro mencionou a inclusão de esportes, e nenhum relatou dedicar tempo específico ao lazer.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Em relação às redes sociais digitais, metade dos participantes relatou ver com frequência, em sua <em>“for you”</em> (para você) do Instagram, vídeos sobre rotina. No entanto, afirmam que não se inspiram nesse tipo de conteúdo. Para organizar o dia a dia, alguns acadêmicos disseram utilizar métodos de gerenciamento de tempo de estudo como a técnica pomodoro (técnica de gestão de tempo que divide o trabalho em pequenos intervalos) e ferramentas de organização como Google Agenda ou <em>Notion. </em>Também destacaram que mudar de ambiente contribui para a concentração, por isso preferem estudar em espaços mais reservados, como bibliotecas, laboratórios e outros ambientes da própria Universidade. Embora a maioria descreva a rotina de forma positiva, muitos admitem ter dificuldade em mantê-la.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Diante de tantas possibilidades, expectativas e modelos compartilhados diariamente nas redes sociais digitais, é importante lembrar que a rotina ideal não tem a obrigação de ser bonita ou produtiva aos olhos dos outros. Como reforça o psicólogo Renato, cada rotina é única e precisa ser construída de forma coerente com a própria realidade. A pesquisa dos professores Vinicius e Márcia também mostra que a rotina deve ser uma aliada, um recurso para organizar a vida, e não um padrão idealizado. No fim das contas, talvez o mais importante seja entender que, longe dos filtros e das plataformas digitais, a rotina não é, e não precisa ser perfeita, só precisa ser possível.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:heading -->
<h2 class="wp-block-heading">Entre vídeos e pausas: Um jeito real de viver a rotina</h2>
<!-- /wp:heading -->

<!-- wp:image {"id":4091,"width":"862px","height":"auto","sizeSlug":"large","linkDestination":"none","align":"center"} -->
<figure class="wp-block-image aligncenter size-large is-resized"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/09/Copia-de-329-Sem-Titulo_20250702161355-1024x1024.jpg" alt="" class="wp-image-4091" style="width:862px;height:auto" /><figcaption class="wp-element-caption">Ilustração de Roberta, estudante de Farmácia. Ilustração: Ana Rebeca Ramos Machado <br></figcaption></figure>
<!-- /wp:image -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Às 6h30 da manhã, Roberta Marchesan já está de pé. Mesmo depois de dormir tarde estudando para alguma prova, ela se levanta, prepara um café e começa mais um dia de aulas, estágios, gravações e organização. Estudante de Farmácia na Universidade Federal de Santa Maria, Roberta faz parte de um grupo crescente de universitários que dividem sua rotina com seus seguidores nas redes sociais.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Estudante do sétimo semestre, Roberta começou a postar vídeos ainda no ensino médio, compartilhando muitos de seus resumos, a pedido de alguns colegas. O perfil cresceu aos poucos, virou companhia durante a pandemia e hoje atrai seguidores interessados em organização, dicas acadêmicas e reflexões sobre saúde mental. Seus seguidores, em sua maioria mulheres também da área da saúde, acompanham dicas sobre a faculdade, momentos do dia e reflexões sobre autoestima. Ela diz que a organização a ajuda a ter clareza sobre como está se sentindo, que se vê tudo muito "carregado", tenta aliviar no decorrer dos dias.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Apesar da organização, Roberta não compartilha uma rotina perfeita. Pelo contrário, se preocupa em mostrar que dias difíceis também existem. “Não gosto de vender uma vida que não vivo. Gosto de influenciar, mas com realismo", explica. Para ela, os vídeos que romantizam produtividade extrema podem gerar frustração. Por isso, escolhe compartilhar o que faz sentido para si, mesmo que isso signifique cortar uma parte do vídeo que a deixou desconfortável.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Quando o relógio marca 23h, Roberta finalmente encerra o dia. A rotina pode até começar cedo, mas não precisa seguir o roteiro de ninguém, apenas o dela.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:separator -->
<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity" />
<!-- /wp:separator -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Repórteres:</strong><em> Fabiola Nicoletti e Matheus Bernardes</em></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Contato: </strong><em><strong>&nbsp;</strong><a href="mailto:fabiola.nicoletti@acad.ufsm.br">fabiola.nicoletti@acad.ufsm.br</a>/ <a href="mailto:matheus.bernardes@acad.ufsm.br">matheus.bernardes@acad.ufsm.br</a>&nbsp;</em><br></p>
<!-- /wp:paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Um refúgio para os animais</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2025/08/28/um-refugio-para-os-animais</link>
				<pubDate>Thu, 28 Aug 2025 15:35:04 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[30ª Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[ed30]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?p=4079</guid>
						<description><![CDATA[Animais silvestres da UFSM se adaptam à urbanização do Campus.
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:paragraph -->
<p>Para escutar o áudio da reportagem, clique abaixo:</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:audio {"id":4081} -->
<figure class="wp-block-audio"><audio controls src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/08/audioreportagem-1.mp3"></audio></figure>
<!-- /wp:audio -->

<!-- wp:image {"id":4088,"sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image size-large"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/08/IMG_0019-1-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-4088" /></figure>
<!-- /wp:image -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Enquanto alunos circulam entre prédios e laboratórios no Campus da UFSM, animais silvestres enfrentam obstáculos diários para sobreviver. O espaço, que antes era território livre para a fauna local, foi ocupado por calçadas, prédios e vias asfaltadas. Mesmo em meio ao concreto, seriemas, ouriços, bugios, pererecas e até lontras continuam a habitar a área universitária — invisíveis para muitos, mas essenciais para o equilíbrio ecológico.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A área da UFSM já era habitat natural de diversas espécies de aves, mamíferos, répteis e anfíbios. Como destaca o doutor em Zoologia e docente no Departamento de Ecologia e Evolução da UFSM, Tiago Gomes dos Santos, : “fomos nós que invadimos o território deles”. A presença humana acarreta em diferentes respostas da fauna local, algumas espécies abandonaram o local, outras passaram a viver discretamente em fragmentos verdes e um terceiro grupo se adaptou ao novo cenário urbano.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Entre as espécies adaptadas estão lagartixas, roedores silvestres e aves generalistas — que se alimentam de diferentes tipos de alimentos, tanto de origem animal quanto vegetal. Animais como as seriemas, que se tornaram figuras emblemáticas do Campus, caminham entre gramados, mesmo em contato direto com humanos. Animais que não são facilmente vistos também desempenham funções importantes, como controle de insetos, dispersão de sementes e polinização. Sua presença indica que o ecossistema original do pampa gaúcho, que, mesmo fragmentado, ainda resiste.</p>
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<!-- wp:image {"id":4086,"sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image size-large"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/08/Seriemas-Paulo-Barauna-1024x683.jpeg" alt="seriemas
Fotografia horizontal, colorida em plano médio de duas seriemas que caminham sobre um campo gramado durante uma chuva leve. À direita, em está  uma das seriemas. Suas penas estão visivelmente úmidas por conta da chuva. À esquerda, um pouco mais para trás e levemente desfocada, está a outra seriema. Ambas estão voltadas para a direita e possuem coloração acinzentada, pernas longas alaranjadas e bicos na mesma cor. O chão está coberto por grama verde-clara e pequenas folhas amarelas espalhadas. Ao fundo, observa-se um campo aberto com montes de terra e areia, troncos de árvores e uma faixa escura de vegetação densa. O céu está nublado e a luz é natural.

" class="wp-image-4086" /><figcaption class="wp-element-caption">Foto: Paulo Barauna</figcaption></figure>
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<p>A expansão territorial resultou na eliminação de áreas úmidas, essenciais à reprodução de anfíbios. Sapos e pererecas, por exemplo, são obrigados a cruzar ruas e avenidas para chegar até poças ou açudes, onde ficam vulneráveis ao calor do asfalto, à desidratação e a atropelamentos. Monitoramentos feitos por estudantes de Zootecnia, coordenados por Tiago, já identificaram diversas mortes nos arredores do Jardim Botânico: “A gente monitorou por um ano os atropelamentos de fauna de vertebrados em vários pontos aqui do Campus e um desses é perto do Jardim Botânico. Encontramos vários animais que estavam se deslocando possivelmente para a poça atropelados ali”.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

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<figure class="wp-block-image size-large"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/08/IMGP2150-1024x683.jpg" alt="Cobra coral-falsa
Fotografia horizontal, colorida e em primeiro plano de uma serpente. A pele do animal possui as cores preto, vermelho e branco, dispostas em faixas alternadas diagonais. No centro da imagem, a cabeça está voltada para a direita, levemente elevada e os olhos são redondos e escuros. O corpo está enrolado sobre palha seca em tons amarelados e verde-escuros. O registro foi feito com iluminação natural.
" class="wp-image-4087" /></figure>
<!-- /wp:image -->

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<p>O impacto vai além: A fragmentação dos habitats compromete a conectividade ecológica e dificulta o deslocamento seguro da fauna, o que afeta a diversidade genética e aumenta o estresse dos animais. Mesmo espécies mais adaptadas como algumas aves urbanas, enfrentam dificuldades causadas pela presença de veículos, excesso de iluminação artificial e pela perda de locais seguros para construírem seus ninhos. Casos como o de um jacaré encontrado em um dos açudes do Laboratório de Piscicultura da UFSM mostram que os animais persistem em se manter no espaço — mas muitas vezes sua permanência depende da sorte.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

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<p>Além dos desafios estruturais, os animais também lidam com reações humanas hostis ao encontrar animais silvestres “é comum que alguém veja um ouriço e entre em pânico, preocupado com seu cachorro, sem perceber a importância ecológica do animal”, afirma a doutora em Zoologia e docente do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da UFSM Marilise Krügel . Cobras são outro exemplo: mesmo as não peçonhentas são frequentemente mortas por impulso. Segundo o doutor em Zoologia e professor no curso de Medicina Veterinária do Departamento de Ecologia e Evolução da UFSM, Nilton Caceres, a raiz do problema está na falta de educação ambiental. Sem informação adequada, comportamentos como alimentar seriemas ou tentar "amansar" animais silvestres tornam-se comuns, o que interfere nos instintos naturais das espécies.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A invisibilidade de anfíbios, répteis e roedores também revela uma hierarquia de empatia. Enquanto aves e mamíferos despertam mais simpatia, anfíbios, répteis e roedores são frequentemente ignorados ou exterminados sem protesto. Contudo, todos exercem papéis cruciais nos ciclos ecológicos locais. As enchentes que atingiram o Campus em maio de 2024 também deixaram marcas na fauna local. Canais transbordaram e trilhas foram inundadas e animais que vivem próximos à água, como anfíbios, roedores, além de aves de solo, como quero-queros e seriemas, foram afetados e muitos não conseguiram escapar. Além disso, a água represada ou poluída compromete&nbsp; a qualidade dos habitats.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Registros de animais como lontras em áreas degradadas mostram que, mesmo diante da adversidade, a fauna tenta resistir. No entanto, de acordo com o professor Tiago, essa resistência tem limites: a ausência de planejamento urbano e políticas ambientais estruturadas agrava a situação e força os animais a ocupar espaços cada vez mais hostis. Com o objetivo de aproximar a comunidade universitária da fauna do Campus, docentes dos departamentos de Engenharia Rural, Engenharia Sanitária e Ambiental e alunos do curso de Redes de Computadores desenvolveram o aplicativo eFauna UFSM. Lançado em 2024, o aplicativo permite que qualquer pessoa registre a presença de animais na UFSM. Os dados são georreferenciados e formam um mapa vivo da biodiversidade do local.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>O objetivo vai além do monitoramento: O aplicativo busca educar, gerar empatia e reforçar a percepção de que os animais fazem parte do cotidiano do Campus. “Queremos que as pessoas tirem os fones e escutem o ambiente”, afirma a professora Marilise. A ferramenta também fornece informações detalhadas sobre as espécies e promove a desconstrução de mitos e uma convivência mais consciente.<br></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:image {"id":4082} -->
<figure class="wp-block-image"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/08/AD_4nXfcqBe-x7DONHlH7uKx1zdD87yAVi1Xmk1MpA2cpRhFniNOnIMr-ynffQrf2X36nTCh25wlNOO96RWmlgvlPNWVjUExNoNTGAjQ6oMWmlH6UpIh7KXCdxxY-rDtO-qL5UKvfphoUW5yPMWX2iks6w.jpg" alt="" class="wp-image-4082" /><figcaption class="wp-element-caption">Gráfico: Felipe Trost | Dados: Aplicativo Efauna</figcaption></figure>
<!-- /wp:image -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>O projeto também está no <a href="http://instagram.com/efaunaufsm"><em>Instagram</em></a> (@efaunaufsm), e incentiva a participação de estudantes e voluntários interessados em biologia, comunicação e ciência cidadã. Embora haja iniciativas pontuais, como o eFauna e monitoramentos de atropelamentos, não existe um plano de manejo ambiental amplo na UFSM. Segundo Tiago, medidas como instalação de passagens subterrâneas, redutores de velocidade, corredores verdes e campanhas educativas poderiam reduzir significativamente os conflitos entre pessoas e animais: “claro, a efetividade dessas medidas é bastante variável, depende do ambiente e das espécies que estão ali, mas acho que vale a tentativa de sugerir e testar essas medidas”, explica.<br>O docente Nilton Caceres defende ações contínuas de educação ambiental, que incluiriam desde orientações para calouros até sinalizações específicas. Mais do que ações isoladas, o que se busca é uma mudança de práticas e perspectivas — uma universidade que não apenas conviva com a fauna, mas a reconheça como parte de sua identidade.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

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<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity" />
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<!-- wp:paragraph -->
<p>Repórteres: Felipe Trost e Luana Pereira</p>
<!-- /wp:paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Do interior do Brasil ao cosmos</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2025/08/21/do-interior-do-brasil-ao-cosmos</link>
				<pubDate>Thu, 21 Aug 2025 21:50:35 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[30ª Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Paralelo]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[ed30]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?p=4075</guid>
						<description><![CDATA[UFSM na reinvenção descolonial da arte tecnológica 

]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:paragraph -->
<p>Para escutar o áudio da reportagem, clique abaixo:</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:audio {"id":4076} -->
<figure class="wp-block-audio"><audio controls src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/08/audioreportagem_Lavinia.mp3"></audio></figure>
<!-- /wp:audio -->

<!-- wp:image {"id":4078,"sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image size-large"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/08/Imagem_Laviniasite-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-4078" /><figcaption class="wp-element-caption">Planetário da UFSM | Fotografia: Lavínia Coradini</figcaption></figure>
<!-- /wp:image -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Dentro da cúpula do planetário da UFSM, o que se projeta e experimenta ultrapassa os limites da Astronomia. Imagens criadas com inteligência artificial, sons, cheiros e sensores de movimento formam experiências que acionam o corpo, o espaço e a memória. A proposta envolve tecnologia, mas também sensação, expressão e política.&nbsp;|</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>É dessa união entre arte, ciência e espiritualidade que nasce o projeto Ambientes Imersivos, Interativos e Inteligentes em Rede (AIR). Criado pela professora do curso de Artes Visuais Andréia Machado Oliveira, o AIR transforma o planetário em um espaço de escuta e presença. Nesse processo busca-se outras formas de narrar o mundo e o cosmos, romper com estruturas convencionais e explorar linguagens sensoriais, corporais e imersivas — sons, imagens, aromas e movimentos, que dialogam com a memória, a experiência e o território.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A abordagem emerge a partir do Sul, e valoriza saberes locais, ao invés de seguir modelos externos: queremos estimular um modo de pensar que inclua o corpo e o espaço em que se vive, não apenas a lógica dominante”, afirma Andréia.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Nessa iniciativa, o planetário deixa de ser uma estrutura voltada apenas para observação espacial e se transforma em um território. Para o arquiteto e integrante do projeto Matheus Moreno, o local propõe outra forma de relação com o céu. A ideia é reconhecer o cosmos como algo próximo, ligado à existência e à experiência.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>O AIR também levanta questões sobre os modelos presentes nas tecnologias, sobretudo na inteligência artificial. Instalações como <em>Quantum of Humanities e Cyberfaces </em>mostram como os sistemas de dados reproduzem padrões visuais e sonoros eurocentrados, mesmo quando tentam representar outras populações. Em resposta, o projeto cria bancos de dados próprios, com materiais de museus da África e da América Latina, e dá a esses acervos um papel ativo na criação: queremos que os dados façam parte do lugar e da história, não sejam apenas arquivos desconectados”, reforça Andréia.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Essa perspectiva se articula com a ideia de cosmoceno: encontro entre diferentes formas de conhecimento, vindas da ciência, da tradição e da relação com a terra. A tecnologia se entrelaça com o corpo, ritmos, cheiros e imagens que guardam memória.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Mais do que apresentar tecnologias, o projeto propõe novos usos para elas. Ao integrar realidade virtual, ambientes digitais e inteligência artificial com acesso ampliado, o AIR cria experiências que despertam sentidos e convida à reflexão. As formas de interação e envolvimento já transformam práticas de comunicação e aprendizado, embora também tragam o risco de nos afastarmos do mundo físico e das referências que sustentam a vida.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Em 2025, o AIR participará de uma mostra com planetários do Brasil e da África do Sul. A proposta busca fortalecer a presença do Sul global na criação de soluções estéticas, educativas e tecnológicas que considerem o contexto, o ambiente e as múltiplas vozes que compõem o mundo. Quando o planetário se transforma em território e o céu é escutado como parte da experiência humana, a arte deixa de apenas imaginar o futuro e passa a disputá-lo — com imagens, presença e ancestralidade.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:separator -->
<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity" />
<!-- /wp:separator -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Repórter: </strong><em>Lavínia Coradini</em></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Contato: </strong><em> coradini.lavinia@acad.ufsm.br</em><br><br><br><br><br><br><br><br><br><br></p>
<!-- /wp:paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Chegamos à 30ª edição!</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2025/08/20/chegamos-a-30a-edicao</link>
				<pubDate>Thu, 21 Aug 2025 02:49:34 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[30ª Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Editorial]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[ed30]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?p=4072</guid>
						<description><![CDATA[Para escutar o conteúdo do editorial, clique abaixo: A .TXT chega a sua 30ª edição em seus 17 anos de existência. A revista-laboratório tem se consolidado no âmbito universitário brasileiro como uma das poucas publicações na área de Jornalismo que mantém sua versão impressa. Todos/as participam das fases de produção &#8211; da sugestão de pauta, [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:paragraph -->
<p>Para escutar o conteúdo do editorial, clique abaixo:</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:audio {"id":4073} -->
<figure class="wp-block-audio"><audio controls src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/08/editorial.mp3"></audio></figure>
<!-- /wp:audio -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A .TXT chega a sua 30ª edição em seus 17 anos de existência. A revista-laboratório tem se consolidado no âmbito universitário brasileiro como uma das poucas publicações na área de Jornalismo que mantém sua versão impressa. Todos/as participam das fases de produção - da sugestão de pauta, apuração, redação, revisão, edição, fotografia, arte, ilustração, diagramação, divulgação e distribuição.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Nesta edição comemorativa, foi escolhido um dossiê sobre o uso de inovações tecnológicas na acessibilidade, em prol da qualidade de vida e autonomia. As reportagens destacam dois projetos da UFSM que criam dispositivos tecnologicamente assistivos, pensados para atender às particularidades do cotidiano de cada paciente. Além do dossiê, abordamos a tecnologia como um desafio na inclusão digital de estudantes com mais de 50 anos na UFSM.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Para destacar a importância da Universidade junto à comunidade, mostramos um projeto que acolhe mães e bebês para amamentação com cuidado, afeto e técnica. Com um olhar atento para o dia a dia, o Peso da Rotina no meio Instagramável é tema de reportagem sobre comportamento. O protagonismo feminino foi evidenciado nas equipes esportivas da UFSM e na editoria de perfil. Trouxemos, ainda, duas pesquisadoras da UFSM que detalham ações de enfrentamento e combate à violência contra a mulher. </p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Na busca por realçar as expressões criativas, as matérias culturais passam pela Rádio Universidade, o Teatro Caixa Preta e o Planetário. Também é explorado o lado autêntico e sustentável da moda, por meio da técnica <em>upcycling</em>. O cuidado com o meio ambiente é retratado em um texto que mostra a adaptação dos animais silvestres no <em>Campus</em>. Exploramos a situação da Casa do Estudante do Centro, para problematizar a infraestrutura.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A revista resulta de disciplina teórico-prática em que a experimentação dá o tom das atividades desenvolvidas por alunos/as do terceiro semestre do curso. As matérias foram produzidas com a dedicação de quem enxerga no cotidiano histórias que merecem ser contadas. Boa leitura!</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><em>Amanda Borin, Daniele Gabriel, Ellen Schwade, Natalie Soares, Viviane Borelli</em><br></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p></p>
<!-- /wp:paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Do centro ao esquecimento</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2025/08/14/do-centro-ao-esquecimento</link>
				<pubDate>Fri, 15 Aug 2025 02:31:12 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[30ª Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[ed30]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[UFSM]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?p=4058</guid>
						<description><![CDATA[A emblemática situação da CEU I: passado agitado, presente inerte e futuro incerto
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:audio {"id":4059} -->
<figure class="wp-block-audio"><audio controls src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/08/Audioreportagem.mp3"></audio></figure>
<!-- /wp:audio -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Localizado no coração de Santa Maria há mais de 60 anos, está o prédio da Casa do Estudante I (CEU I), conhecida como CEU do Centro. Morada de muitos universitários ao longo do tempo, também é uma das residências do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFSM que transformou o local em um centro cultural com a Boate do DCE a partir da década de 80, desativada há dez anos.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A TXT buscou conhecer os espaços da moradia, através de uma visita guiada pelo estudante de Relações Internacionais, e morador da CEU I, Robson da Rosa (foto). “Aqui era o local de encontro dos estudantes”, afirma&nbsp; o estudante. Robson compartilha que, quando chegou, vivia na CEU lotada e dividia apartamento com mais três pessoas, algo muito distante da realidade de hoje. Ele lamenta a realidade atual da casa não ser a mesma de antes: “Hoje é só memória”.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:image {"id":4068,"sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image size-large"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/08/Robson-na-janela-1024x683.jpg" alt="A foto na horizontal mostra um menino apoiado em uma janela, com o braço para fora, ele está observando a vista da cidade, onde ao fundo se encontram prédios e montanhas. Na imagem o estudante Robson, está na esquerda e se mostra de perfil encostado em uma janela, olhando para fora. Ele usa óculos e está vestindo um moletom cinza escuro com capuz branco, o cabelo é castanho escuro e está preso em um coque, Ainda ao fundo, vemos uma paisagem urbana da cidade de Santa Maria com prédios e, mais ao longe, montanhas cobertas por vegetação. A luz natural entra pela janela, iluminando levemente o rosto e a mão do homem. Se destacam tons de azul, verde, e creme na paisagem.
" class="wp-image-4068" /><figcaption class="wp-element-caption">Robson na janela</figcaption></figure>
<!-- /wp:image -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Segundo o Portal da Transparência da UFSM, a CEU I tem capacidade para receber 167 moradores, mas atualmente apenas 72 vagas estão ocupadas. Os moradores relatam problemas de infraestrutura nos apartamentos. Mofo, vazamento de água, cupins, portas e janelas quebradas são alguns dos problemas. Robson, um dos moradores mais longevos da CEU I, questiona o futuro: “O novo sempre vem, será que o novo para a gente é ir para o Campus?”. A visita começa no térreo onde ficam o laboratório de informática e a biblioteca.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Robson apresenta o Laboratório de Informática, um dos poucos locais que os moradores da CEU I têm disponível para estudar. Entre os cerca de sete computadores contabilizados, apenas um funciona. Além disso, no chão branco da sala pequena, se destacam os resíduos de cupim que caem das mesas e armários de madeira. A Pró-Reitora de Assuntos Estudantis (PRAE), Giselle Guimarães, afirma que há um plano de reestruturação do laboratório que não saiu do papel por falta de orçamento. A próxima parada é a biblioteca.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>O caminho do Laboratório de Informática até a biblioteca se passa no corredor estreito onde está uma pintura cubista: apresenta três homens que olham para baixo com ferramentas nas mãos, fábricas e campos ao fundo e materiais didáticos na parte inferior (foto). “Acho ela muito significativa porque, se olharmos bem, são trabalhadores do interior que vão estudar na universidade”, observa Robson. Ele é de Vale do Sol e chegou em Santa Maria para realizar o sonho da graduação na UFSM. Logo em frente, está a entrada para a biblioteca.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Robson destaca que a biblioteca é um local de estudo e encontro dos moradores da CEU do Centro. A sala contém estantes com livros e se tornou um espaço de convivência que os acadêmicos usam para se expressar, em uma das paredes se observa um grafite amarelo contornado em roxo escrito “CEU I”. Ao seguir pelo corredor, se encontra a secretaria do DCE.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:image {"id":4064,"sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image size-large"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/08/IMG_9125-1024x683.jpg" alt="A fotografia horizontal e colorida retrata a biblioteca da CEU I. Uma sala com várias estantes de livros, mesas e cadeiras. Na parte superior, o teto apresenta pintura em listras largas nas cores azul, verde, amarelo, laranja e vermelho. Logo abaixo, a parede de fundo é lisa e clara, com três estantes de madeira repletas de livros e papéis empilhados, sendo que a estante da esquerda está mais desorganizada, com pilhas irregulares. No centro da sala há várias mesas retangulares brancas alinhadas, cercadas por cadeiras pretas de encosto vazadas. No canto direito, encostada na parede, há uma estante de nichos amarelos e marrons com livros, à frente de uma cortina vertical azul clara. Na parte inferior direita, outra estante verde aparece parcialmente, também carregada de livros. O piso é de madeira desgastada e há uma mesa com tampo de vidro próximo ao canto inferior esquerdo da imagem." class="wp-image-4064" /></figure>
<!-- /wp:image -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>O passado pulsante</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A secretaria do&nbsp; DCE na CEU I tornou-se um verdadeiro museu da organização estudantil da UFSM. Dividida em três salas, a primeira área é o auditório, um salão espaçoso, Robson diz que é o espaço utilizado pelos moradores para convivência. Na sala, se destacam algumas cadeiras, mesas e nas paredes há frases com temas políticos. Um tambor comprido no canto da sala evidencia a utilização do espaço por um projeto de extensão, a única marca da presença da universidade aqui.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Ao adentrar a segunda sala percebe-se o mural que ocupa toda uma parede com cartazes de eventos e propagandas do movimento estudantil, um deles convoca os alunos para a Assembleia Geral de 2010 . A sala parece perdida no tempo, em meio ao entulho, está a placa do auditório: “Auditório Adelmo Genro Filho, inaugurado em 07/06/91”. Já na terceira sala, quase não há como se mover com o volume de entulho. São mesas, cadeiras, pedaços de madeira, arquivos e jornais espalhados pelo chão e muito lixo.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>A Boate do DCE e a Catacumba</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A Boate do DCE e a Catacumba fazem parte da história da CEU I. Eram espaços destinados às expressões culturais dos estudantes, ambos localizados nos andares inferiores ao térreo. Ao descer a escada estreita primeiro se passa pela Boate do DCE, um salão grande com copa, banheiros e chapelaria. Nas paredes pretas se destacam caricaturas e grafites coloridos, frases de impacto e menções a bandas famosas como Rolling Stones.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Com um globo espelhado no chão e garrafas de cerveja empoeiradas,&nbsp; fica evidente que o espaço não é utilizado há algum tempo. Robson conta que as festas da Boate do DCE também eram uma forma de juntar dinheiro para as organizações estudantis da época. É preciso descer mais um pouco até chegar à Catacumba. O espaço é grande e alto, com paredes brancas e um palco. Robson diz que ali aconteciam festas com estilo alternativo, preferencialmente o rock.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:image {"id":4063,"sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image size-large"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/08/IMG_9179-1-1024x708.jpg" alt="A fotografia é horizontal e colorida, ela retrata a antiga boate do DCE. O ambiente interno está escuro, com móveis de madeira empilhados, a única luz do cômodo vem das janelas de vidro. Na parte superior, a parede de fundo está coberta por tinta preta e grafites, com a sigla “DCE” em letras amarelas e pretas no centro, acompanhada das palavras “CHAPELARIA/CAIXA” em branco. Logo abaixo, há um balcão pequeno com moldura laranja e pichado. À esquerda, vê-se uma porta gradeada aberta, revelando uma sala pintada de laranja e com uma janela branca por onde entra luz. Na frente, ocupando a parte inferior, há mesas ou balcões de madeira virados de cabeça para baixo, recebendo feixes de luz. Ao fundo, a lateral direita permanece na penumbra.

" class="wp-image-4063" /></figure>
<!-- /wp:image -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>A incerteza do futuro</strong></p>
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<!-- wp:paragraph -->
<p>Ao final do corredor, no 8° andar, está o apartamento de Robson. As moradias da CEU I são pequenas, apresentam dois quartos e uma cozinha, os banheiros ficam no corredor, um para cada apartamento. Ele divide o espaço com outro estudante. Robson, explica que um dos motivos da permanência na CEU do Centro é estar próximo das oportunidades de emprego. Ele destaca o envolvimento com a cidade: “Quando cheguei aqui, eu queria viver Santa Maria, então foi muito legal vir pra cá”.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

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<p>O estudante não esconde a preocupação com o futuro da CEU I: “Isso é o que mais doi na verdade, saber que essa moradia tem potencial muito grande, tanto para quem é estudante pobre que chega, quanto para a comunidade no entorno”. Robson diz que o abandono da CEU é um projeto, segundo ele, não há mais interesse da universidade no espaço. “Muitas pessoas nem sabem que a CEU I existe e não vão saber porque não querem que saibam”,&nbsp; afirma.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Atualmente, a CEU I não possui um Restaurante Universitário (RU) próximo da casa. Com a mudança dos cursos da Antiga Reitoria para o Campus as estruturas do Centro foram desativadas. Os moradores recebem um vale-alimentação de R$ 700 , o valor foi conquistado pela luta do movimento estudantil contra o valor anterior, R$ 250 . Além disso, os estudantes que vão até o Campus todos os dias, têm acesso ao vale-transporte do Benefício Socioeconômico (BSE) da Universidade que cobre 50% do valor das passagens.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A Pró-reitora de Assuntos Estudantis, professora Giselle Guimarães, afirma que há planos de reestruturação da CEU I e do RU do Centro que, segundo ela, estão travados por falta de orçamento ou “vontade política”. Ela explica que os alunos têm a liberdade de escolher para qual Casa do Estudante desejam ir e que o motivo do esvaziamento da CEU I é a baixa procura. Além disso, a ida de mais moradores para o Centro implicaria na reestruturação dos gastos nas CEUs, Giselle afirma que a universidade prefere que os alunos permaneçam na CEU II, localizada no Campus de Camobi.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:image {"id":4066,"sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image size-large"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/08/IMG_9238-1-1024x683.jpg" alt="A foto na horizontal mostra um menino apoiado em uma janela, com o braço para fora, ele está observando a vista da cidade, onde ao fundo se encontram prédios e montanhas. Na imagem o estudante Robson, está na esquerda e se mostra de perfil encostado em uma janela, olhando para fora. Ele usa óculos e está vestindo um moletom cinza escuro com capuz branco, o cabelo é castanho escuro e está preso em um coque, Ainda ao fundo, vemos uma paisagem urbana da cidade de Santa Maria com prédios e, mais ao longe, montanhas cobertas por vegetação. A luz natural entra pela janela, iluminando levemente o rosto e a mão do homem. Se destacam tons de azul, verde, e creme na paisagem.
" class="wp-image-4066" /></figure>
<!-- /wp:image -->

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<p>Robson diz não acreditar no interesse pela revitalização do prédio: “Eu acho que isso não vai acontecer, não vão revitalizar a moradia, o esvaziamento é proposital, é um projeto que já vem acontecendo há anos”. Ele destaca o fechamento do RU do Centro como fator chave para os estudantes não se interessarem pela CEU I: “Limitou as pessoas de virem para cá”. Enquanto isso,&nbsp; o berço da ocupação estudantil da UFSM já não grita com o fluxo de muitos estudantes e o que resta é o sussurro de uma moradia estudantil com metade de seus quartos vazios.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

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<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity" />
<!-- /wp:separator -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Repórteres:</strong>&nbsp;<em>Ellen Schwade e Thomas Machado</em></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Fotografia: </strong>Mathias Ilnick</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><em><strong>Contato:</strong></em> ellen.schwade@acad.ufsm.br / <em>thomas.souza@acad.ufsm.br</em> /  mathias.dalla@acad.ufsm.br</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p></p>
<!-- /wp:paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Digitalmente invisíveis</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2025/08/05/digitalmente-invisiveis</link>
				<pubDate>Tue, 05 Aug 2025 23:42:17 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[30ª Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[#ed30]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?p=4049</guid>
						<description><![CDATA[O desafio da inclusão digital de estudantes com mais de 50 anos na UFSM
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:paragraph -->
<p>Para escutar o áudio da reportagem, clique abaixo:</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:audio {"id":4046} -->
<figure><audio controls src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/08/audio-reportagem-1.mp3"></audio></figure>
<!-- /wp:audio -->		
										<figure>
										<img width="1024" height="683" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/08/IMG_1332-web-5-1024x683.jpg" alt="" />											<figcaption>Alvino Bitencourt utiliza aplicativo da universidade | Foto: Luana Pereira
</figcaption>
										</figure>
		<p>A década de 1950 foi marcada por avanços tecnológicos e transformações importantes no mundo todo. No Brasil, houve a inauguração da TV Tupi, o início do que seria um dos principais meios de comunicação e entretenimento do país: a televisão. A UFSM ainda nem existia nessa época e a troca de informações era feita por telefone com discagem manual, no início da década de 60. As telas digitais estavam longe de fazer parte do cotidiano.<br />Pessoas que nasceram nesse contexto tentam acompanhar uma grande quantidade de telas, cliques e plataformas digitais. Para elas, voltar a estudar é também entrar em uma nova era, onde a alfabetização digital se torna tão importante quanto a leitura dos livros. Essa é a realidade de Alvino Ferreira Bitencourt, 73, que precisa acompanhar aulas e agendar almoços através do aplicativo UFSM digital.<br />Alvino inicia seu dia às 6h15min, quando pega o primeiro ônibus na zona Sul em direção ao Centro. De lá, embarca em um segundo transporte coletivo até a universidade, onde cursa o Técnico em Zootecnia no Colégio Politécnico. Após ser dono de um mercado por 43 anos, decidiu voltar a estudar quando o estabelecimento fechou.  Concluiu o ensino médio e, incentivado pelos professores, fez a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) para concorrer a uma vaga no curso de Medicina Veterinária. Como não atingiu a nota mínima, decidiu participar do processo seletivo do curso técnico e foi aprovado em 19° lugar, num total de 50 vagas.</p>
<p>Alvino é um dos sete alunos com mais de 70 anos matriculados nos cursos técnicos do Colégio Politécnico, o que representa 0,6% do total de 1.248 estudantes. Há 198 estudantes com mais de 50 anos (15,9%). Destes, 120 estão na faixa etária de 50 a 59 anos (9,6%) e 71 têm entre 60 e 69 anos (5,7%). Os dados são relativos ao mês de maio de 2025, de acordo com o Centro de Processamento de Dados da UFSM (CPD). Ele afirma que os problemas começaram na inscrição para o processo seletivo, feita exclusivamente através do site da instituição: “eu vim aqui [na UFSM] para eles me inscreverem e depois voltei para fazer a matrícula.” Ele tinha e ainda tem muita dificuldade em realizar atividades nos meios digitais.  Para agendar as refeições no Restaurante Universitário e colocar saldo, Alvino pede para seus colegas, que fazem tudo para ele. Além disso, comenta que uma professora permitiu que entregasse um trabalho escrito à mão por não saber digitar. Ele elogia os docentes por facilitarem sua rotina acadêmica e entenderem sua difícil adaptação aos meios digitais.</p>		
										<figure>
										<img width="683" height="1024" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/08/IMG_1327-1-web-1-683x1024.jpg" alt="" />											<figcaption>Alvino se adapta entre cadernos e meios digitais | Foto: Luana Pereira
</figcaption>
										</figure>
		<p dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Outro exemplo é o estudante de Jornalismo João Veigas, 54, que ingressou na UFSM em 2020 e foi o primeiro da família a entrar em uma universidade. Atualmente, sua rotina é dividida entre os estudos e o trabalho. Ele estuda durante o dia e, em seguida, encara turnos de 12 horas, seguidos por 36 horas de folga, em uma escala conhecida como 12 por 36. João relata que gostaria de dedicar mais tempo aos estudos, mas precisa focar mais no trabalho.</p>
<p>João comenta que sabe utilizar funções básicas no celular, mas as plataformas da instituição foram um desafio na sua vida acadêmica. Quando entrou, não recebeu orientações necessárias para acessá-las, apenas instruções de como fazer o e-mail institucional. Também afirma não ter encontrado nenhum departamento específico na UFSM que pudesse auxiliá-lo.</p>		
										<figure>
										<img width="678" height="1024" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/08/DSC0404-Web-2-678x1024.jpg" alt="" />											<figcaption>João Veigas na Rádio Comunitária Caraí | Foto: Luana Borgmann</figcaption>
										</figure>
		<p>João faz parte dos 1,8% de alunos matriculados em cursos de graduação com mais de 50 anos, o que representa 494 do total de 26.835. Na UFSM,  há 367 acadêmicos na faixa etária entre 50 e 59 anos (1,4%), 117 de 60 a 69 (0,4 %) e apenas 10 têm mais de 70 (0,04 %), de acordo com dados do CPD em maio de 2025.                                           </p>
<p>A universidade está inserida em um contexto digital em que o Moodle, o site institucional e o aplicativo “UFSM Digital” são ferramentas necessárias para o dia a dia. Entretanto, Alvino e João dependem da ajuda de colegas, veteranos e professores para conseguirem fazer tarefas diárias, essenciais para se manterem na universidade.    O que evidencia isso é uma pesquisa do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (CETIC/CGI, 2021) que mostra que 76% das pessoas mais velhas afirmam nunca ter utilizado um computador. Ainda que 77% possuam celular, 46% delas nunca acessaram a internet. </p><p>O papel do rádio </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">“Muita gente ainda não tem acesso à internet. O radinho de pilha continua a ser o canal de comunicação mais acessível”, explica João Veigas, que além de estudante, também é diretor da Rádio Comunitária Caraí. Para ele, a emissora ainda é uma das principais fontes de informação para a população mais velha da zona sul da cidade. “A rádio leva a informação local, faz a ponte entre a comunidade e os serviços que ela precisa acessar”, completa.</p>
<p> A experiência cotidiana na estação radiofônica também evidencia as limitações digitais. “As pessoas nos dizem que preferem comprar um radinho do que tentar acessar a rádio pela internet. A barreira não é só econômica, é também de conhecimento”, relata João. Mesmo com iniciativas digitais, o alcance ainda depende da familiaridade dos ouvintes com dispositivos e aplicativos, algo distante da realidade de muitas famílias da periferia.</p>		
										<figure>
										<img width="1024" height="678" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/08/DSC0387-1-1024x678.jpg" alt="" />											<figcaption>João Veigas na Rádio Comunitária Caraí | Foto: Luana Borgmann
</figcaption>
										</figure>
										<figure>
										<img width="1024" height="678" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/08/WhatsApp-Image-2025-06-26-at-10.17.57-1-1024x678.jpeg" alt="" />											<figcaption>Logotipo da Rádio Caraí | Foto: Luana Borgmann
</figcaption>
										</figure>
		<p dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">A Subdivisão de Ações Afirmativas Sociais, Étnico-Raciais e Indígenas da Coordenadoria de Ações Educacionais (Caed), vinculada à Prograd, disponibiliza a Monitoria de Apoio às Tecnologias Digitais para todos os estudantes. Porém, ela é divulgada apenas no site da Caed, o que dificulta o acolhimento do público-alvo. O Pró-Reitor de Graduação Substituto, Félix Alexandre Antunes Soares, afirma: “nós atendemos pessoas que têm dificuldade direto por telefone ou por e-mail, mas, para quem quer tirar dúvida presencial, sempre tem alguém para ajudar”. </p>
<p>Felix acrescenta que todo aluno que entra na universidade precisa ter um e-mail institucional, canal por onde as principais informações da UFSM são repassadas.  A exigência, embora padronizada, desconsidera realidades diversas. Isso evidencia a necessidade de políticas de inclusão que considerem a diversidade etária.  </p>
<p>Um exemplo é o da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que desenvolve iniciativas voltadas à inclusão digital de pessoas idosas. Entre elas, destaca-se a Unidade de Inclusão Digital para Idosos (UNIDI), que tem como objetivo aprimorar a interação desse público com as tecnologias. É de suma importância que a UFSM siga este modelo, para que pessoas como Alvino e João possam estudar com autonomia, sem depender da ajuda de terceiros. De acordo com o jornalista da Agência de Notícias da universidade, membro do Comitê da Política de Comunicação, Maurício Dias, as emissoras de rádio e de TV da instituição fazem o papel de transmitir as informações para aqueles que não  estão acostumados a acessar o site.  Elas atuam com duplo foco: comunicação institucional (temas ligados à universidade) e comunicação pública, mais ampla. Além disso, Dias comenta que são contemplados diferentes tipos de públicos e levados em consideração as especificidades, conforme as diretrizes gerais que fazem parte da política de comunicação, aprovada em 2018. As tecnologias não são prejudiciais, ao contrário, oferecem uma série de benefícios em diversas áreas da vida cotidiana. Porém, com a tendência crescente de digitalização, torna-se fundamental promover a educação digital e oferecer orientação, especialmente às pessoas mais velhas, que muitas vezes enfrentam dificuldades para acessar e utilizar as plataformas digitais de forma autônoma e segura.</p><h3>Gráficos de comparação:</h3>		
													<img width="1024" height="410" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/08/grafico-1-1024x410.png" alt="" />													
													<img width="1024" height="410" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/08/grafico2-1-1024x410.png" alt="" />													
		<p dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;background-color: #ffffff;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt;padding: 0pt 0pt 12pt 0pt"><b>R</b><b>eportagem:</b> Luana Borgmann e Tainá De Carli Nascimento </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;background-color: #ffffff;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt;padding: 0pt 0pt 12pt 0pt"><b>Contato: </b>luana.borgmann@acad.ufsm.br/taina.nascimento@acad.ufsm.br</p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>AMAmentar: nutrir no peito e na escuta</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2025/07/30/amamentar-nutrir-no-peito-e-na-escuta</link>
				<pubDate>Wed, 30 Jul 2025 14:41:13 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[30ª Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Comunidade]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[ed30]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?p=4031</guid>
						<description><![CDATA[Projeto acolhe mães e bebês para amamentação com cuidado, ciência e afeto
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:paragraph -->
<p>Para escutar o áudio da reportagem, clique abaixo:</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:audio {"id":4032} -->
<figure><audio controls src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/07/Audioreportagem-Amamentar-3.mp3"></audio></figure>
<!-- /wp:audio -->		
										<figure>
										<img width="1024" height="683" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/07/Copia-de-TXT-1024x683.jpg" alt="" />											<figcaption>Mãe e bebê durante atendimento do Amamentar</figcaption>
										</figure>
		<p>Todo ser humano é mamífero, mas o ato de amamentar não é instintivo. Existe um ditado que diz: "Nasce um bebê, nasce uma mãe" e pode parecer que a amamentação nasce com eles. A mãe recebe o bebê, pega no colo, coloca no peito e pronto. Entretanto, a maternidade não é igual para todo mundo, uma amamentação adequada necessita mais do que instinto materno, necessita de informação. </p>
<p>Vinda da classe média do Rio de Janeiro, onde amamentar não era uma prática comum, Maria Clara da Silva Ramos tem raízes mais profundas com a amamentação. Ela guarda com muito carinho uma foto de sua mãe amamentando-a e foi essa memória que a motivou a querer amamentar seu próprio filho, aqui chamado de Ulisses.</p>
<p>Logo após seu nascimento, algumas pessoas comentavam que ele parecia preguiçoso para mamar. A rotina exaustiva de acordar a cada poucas horas para cuidar e amamentar o bebê é extremamente estressante: “Depois que nasce é que começa a dor, né? O parto em si a gente tem acompanhamento até lá, e depois a mãe fica completamente sozinha” afirma Maria Clara.</p>
<p>Nos primeiros dias de vida, durante o teste da orelhinha, a residente de Fonoaudiologia e participante do Amamentar, Adeline Zingler, identificou que o queixo do bebê era um pouco mais para trás. No dia seguinte, Ulisses já tinha uma consulta com o setor de Odontologia da UFSM.</p>
<p>Ulisses foi diagnosticado com a sequência de Pierre Robin (SPR), uma formação craniofacial que envolve uma série de problemas em sequência, precisou passar por uma cirurgia para corrigir o queixo e ficou 60 dias sem mamar. Durante esse período, Maria Clara continuou a tirar leite manualmente, um apoio fundamental que recebeu do projeto Amamentar. Tanto na parte técnica quanto no suporte emocional, a ajudou a resistir, mesmo quando algumas pessoas diziam que o mais fácil seria desistir.</p>
<p>O <a href="https://portal.ufsm.br/projetos/publico/projetos/view.html?idProjeto=63035"><b><i>Projeto Amamentar</i></b></a> da UFSM é coordenado pela professora Geovana de Paula Bolzan, do Departamento de Fonoaudiologia. Com atendimento gratuito a díades mãe-bebê, mais do que suporte técnico, promove vínculos afetivos essenciais para uma amamentação saudável e duradoura.</p>
<p>O Amamentar acompanha mães e bebês, ensina as mães sobre o aleitamento e ajuda os bebês a mamar. O que muitas vezes é um desafio, ganha esperança por meio de um atendimento seguro, informado e acolhedor. O caso do pequeno Ulisses, hoje com dois anos, exemplifica como o acesso a serviços públicos de qualidade pode transformar trajetórias marcadas por resistência e apoio. </p>
<p>Diante do dado do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil <a href="https://enani.estudiomassa.com.br/download/relatorio-4-aleitamento-materno/"><b><i>(ENANI-2019)</i></b></a>, que aponta que apenas 35,5% dos bebês brasileiros são amamentados exclusivamente até os seis meses, iniciativas como essa se mostram fundamentais para alcançar a meta da OMS de 60% até 2030, o que reforça que a amamentação bem-sucedida exige envolvimento físico, emocional, familiar e social.</p>
<p>Desde 2019, o Projeto Amamentar acolhe cerca de dez famílias por semana no Ambulatório de Pediatria do Hospital Universitário de Santa Maria <a href="https://www.instagram.com/husmufsm?utm_source=ig_web_button_share_sheet&amp;igsh=ZDNlZDc0MzIxNw=="><b><i>(HUSM)</i></b></a>, onde oferece atendimentos conduzidos por estudantes da graduação em diferentes fases de formação. Com escuta atenta, cuidado técnico e tempo dedicado a cada caso, o projeto nasceu para preencher uma lacuna no sistema de saúde do Hospital: enquanto bebês prematuros tinham acompanhamento, outros recém-nascidos com dificuldades na amamentação seguiam sem apoio. A iniciativa responde à desinformação e à solidão que cercam o início da maternidade e se torna um espaço de acolhimento, aprendizado e transformação para as famílias e para os futuros profissionais.</p>
<p>Para Maria Eduarda Zimmermann, estudante de Fonoaudiologia e integrante do Projeto Amamentar, o trabalho vai além do atendimento pontual: “A ideia é levar informação e seguir junto, acompanhando esses bebês desde o começo”. A equipe acompanha cada mãe pelo tempo necessário e oferece orientação clara, para resolver o máximo de demandas antes da alta. “Nosso primeiro objetivo é trazer segurança às famílias em relação à alimentação dos filhos”, explica a coordenadora Geovana.</p>
<p>Mais do que técnica, o foco é o cuidado integral. Desde o início, os estudantes são orientados a ter um olhar ampliado e atento ao desenvolvimento da criança como um todo, mesmo quando a queixa não é diretamente ligada à fonoaudiologia. Atendida no Amamentar, Fernanda Rodrigues já havia passado por duas gestações em que não conseguiu amamentar por conta da anatomia do mamilo. Agora, com o apoio da equipe, vive uma experiência diferente. Desde o início do acompanhamento, aprendeu técnicas que fizeram a diferença. Sente que pela primeira vez a amamentação está mais tranquila e segura: “Fico bem feliz por poderem me proporcionar uma melhor experiência na parte da amamentação”, destaca.</p>		
								<figure><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/07/Copia-de-TXT-768x512.jpg" alt="Mãe e bebê durante atendimento do Amamentar" /></figure><figure><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/07/Copia-de-TXT2-768x512.jpg" alt="Mãe e bebê durante atendimento do Amamentar" /></figure><figure><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/07/Copia-de-TXT3-768x512.jpg" alt="Mãe e bebê durante atendimento do Amamentar" /></figure>			
		<p>Alinhado à meta da OMS de alcançar 60% de aleitamento materno exclusivo até 2030, o Projeto oferece apoio técnico e emocional em um momento delicado e cheio de dúvidas para muitas mães. Com duas filhas mais velhas, Luana de Souza relata que a primeira sempre enfrentou dificuldades na amamentação. Na época, não teve acesso a diagnóstico ou suporte e conta que experiências em outras cidades foram desagradáveis, ao contrário do suporte que recebeu no Amamentar. </p>
<p>Com a filha mais nova, Manueli, Luana recebeu apoio desde o nascimento. Após a avaliação de frênulo lingual, o encaminhamento para cirurgia de frenectomia foi rápido, realizado por um projeto parceiro na Clínica de Cirurgia do Curso de Odontologia da UFSM. A melhora foi imediata: a bebê voltou a mamar bem, ganhou peso e o desconforto da mãe diminuiu. Luana conta que, sem esse suporte, talvez não conseguisse amamentar, algo que sempre desejou. Seu relato emociona ao relembrar a dor, as feridas e a persistência, agora marcadas por acolhimento e orientação contínua.</p>
<p>Tanto Maria Clara quanto Luana encontraram no Projeto Amamentar o suporte necessário para tornar a amamentação possível e tranquila. No caso de Manuela, o diferencial foi o acompanhamento antes, durante e após a frenectomia. Já Ulisses se beneficiou de um diagnóstico certeiro ainda nos primeiros dias de vida.</p>
<p>Adeline Zingler, responsável pelo atendimento de Ulisses, hoje é fonoaudióloga materno infantil e mestranda no Programa de Pós-Graduação em Distúrbios da Comunicação Humana <a href="https://www.ufsm.br/cursos/pos-graduacao/santa-maria/ppgdch"><b><i>(PPGDCH)</i></b></a> na UFSM, além de continuar atuante no projeto. Para ela e para a equipe do ambulatório, o caso de Ulisses é um verdadeiro sucesso — resultado não apenas da intervenção profissional, mas também do comprometimento da família.</p>
<p>Adeline está ligada ao projeto desde a graduação, e a experiência foi um divisor de águas na sua carreira. Foi nesse trabalho que ela construiu sua trajetória na atuação fonoaudiológica voltada à amamentação e à alimentação infantil. “Para mim, ser a pessoa que auxilia a mãe a oferecer o primeiro alimento ao bebê, nutrir o bebê pela primeira vez, é isso que enche o meu coração de alegria”, afirma a fonoaudióloga.</p>
<p>Como exemplificam os relatos de mães atendidas pelo Projeto, informação, acolhimento e uma rede de apoio dentro e fora de casa fazem a diferença. Amamentar é um direito, não uma obrigação. Embora o leite materno seja o padrão-ouro da nutrição infantil, o caminho até a amamentação é cercado de desafios físicos, emocionais e sociais. </p>
<p>Com uma equipe multiprofissional, o projeto oferece escuta qualificada e apoio técnico, o que transforma um momento de insegurança em uma experiência de cuidado e vínculo. Mais do que alimentar, amamentar é também fortalecer o laço afetivo, estimular o desenvolvimento emocional e proteger a saúde da criança desde os primeiros dias de vida.</p>
<h2>Amamentação além do mito</h2>
<p>Amamentar é um processo único estabelecido entre o físico e o emocional, mas é rodeado de mitos. Mais do que nutrir, o aleitamento materno tem papel fundamental no desenvolvimento emocional, psíquico e linguístico do bebê. A fonoaudióloga Patrícia Menezes Vilas Boas Lapa mostra em sua pesquisa que, durante a amamentação e nas interações iniciais com a mãe, o bebê se vincula afetivamente por meio da voz materna, um registro de fala mais agudo e afetivo conhecido como “manhês”.</p>
<p>A amamentação esbarra em barreiras práticas, mas também em tabus históricos, culturais e sociais. Amamentar em público, por exemplo, ainda causa desconforto e até constrangimento, mesmo sendo um <a href="https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2019/03/12/senado-aprova-penalizacao-para-quem-impedir-amamentacao-em-local-publico#:~:text=Senado%20aprova%20multa%20para%20quem%20impedir%20amamenta%C3%A7%C3%A3o%20em%20local%20p%C3%BAblico,-Compartilhe%20este%20conte%C3%BAdo&amp;text=O%20Senado%20aprovou%2C%20em%20regime,privado%20sem%20sofrer%20qualquer%20impedimento"><b><i>direito protegido por lei</i></b></a><b><i>.</i></b> Muitas mães são julgadas, orientadas a se esconder em banheiros ou "salinhas" para amamentar, quando o ideal seria normalizar essa prática em qualquer ambiente saudável. </p>
<p>Segundo uma <a href="https://aleitamento.com.br/secoes/amamentacao/brasil-e-o-pais-onde-as-mulheres-sao-mais-criticadas-por-amamentar-em-publico/4703/"><b><i>pesquisa global sobre aleitamento</i></b></a>, realizada pela Lansinoh Laboratórios entre os meses de abril e maio de 2015, cerca de 47,5% das brasileiras relataram que já sofreram preconceito por amamentar em público. O número coloca o Brasil no topo da lista entre os países que mais censuram a mulher em um momento de vínculo entre mãe e bebê.  Entre os principais desafios está a volta ao trabalho, uma das principais causas do desmame precoce. Ainda que haja possibilidade de manter o aleitamento com planejamento, apoio e orientação sobre extração e armazenamento do leite, a realidade brasileira mostra um cenário desigual: <a href="https://revistacrescer.globo.com/colunistas/moises-chencinski-eu-apoio-leite-materno/coluna/2023/12/amamentacao-ainda-e-um-tabu.ghtml"><b><i>cerca de 40% das mulheres estão no mercado informal</i></b></a><b><i>,</i></b> sem direito a licença-maternidade, creche ou horários flexíveis. </p>
<p>Apesar dos desafios, os benefícios da amamentação são indiscutíveis. Ela reduz os riscos de doenças respiratórias, gastrointestinais e crônicas no bebê, diminui a mortalidade infantil e protege a saúde da mulher, já que reduz o risco de câncer de mama e ovário. Ainda assim, dados nacionais mostram que apenas um terço das mães mantêm o aleitamento exclusivo até os seis meses de vida do bebê. Entre mães adolescentes, essa taxa é ainda menor, cerca de 25%. Baixa renda, pouca escolaridade, falta de apoio e instabilidade conjugal são os principais fatores que dificultam a continuidade do aleitamento nessas populações.</p>
<p>Para pensar a amamentação além do mito, surge o projeto de extensão Amamentar, vinculado ao curso de Fonoaudiologia da UFSM. O projeto oferece atendimentos gratuítos e auxilia em diversos aspectos do processo de aleitamento materno.</p>
<p>O intuito do Amamentar é acolher, informar, oferecer suporte e garantir que as mulheres possam exercer o seu direito ao aleitamento sem culpa, medo ou constrangimento. O ato de amamentar é um gesto de amor — mas, no Brasil, também é um ato de resistência.</p>
<p>Com um olhar atento às necessidades das famílias e um compromisso com o cuidado integral na primeira infância, o Projeto Amamentar se consolida como uma importante iniciativa de apoio ao aleitamento materno e ao desenvolvimento saudável dos bebês. <a href="https://drive.google.com/file/d/15ovYp-1BxhZsJ3OzCU_JwWxM-azHY7mB/view?usp=sharing"><b><i>A cartilha educativa</i></b></a>, disponível gratuitamente por QR Code, e o canal direto pelo Instagram são ferramentas valiosas para orientar e acolher as famílias após a alta hospitalar.</p>
<p>A parceria com o <a href="https://portal.ufsm.br/projetos/publico/projetos/view.html?idProjeto=63060"><b><i>Projeto Musicalização de Bebês</i></b></a>, coordenado pela professora Aruna Noal Gaspareto, ampliou ainda mais o impacto das ações, promovendo momentos de estímulo, afeto e conexão entre mães e bebês durante as tardes de atendimento no HUSM. Essa integração entre saúde, educação e arte demonstra o potencial transformador das ações interdisciplinares voltadas ao bem-estar infantil.</p>		
										<figure>
										<img width="1024" height="683" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/07/Copia-de-FOTO-EQUIPE-1024x683.jpg" alt="" />											<figcaption>Equipe do Projeto Amamentar</figcaption>
										</figure>
		<p><strong>Repórteres:</strong><em> Kethelyn Rodrigues Radunz e Emilly Wacht</em></p>
<p><strong>Fotografia: </strong><em>Emilly Wacht</em></p>
<p><b>Contato: </b><em>emilly.wacht@acad.ufsm.br/kethelyn.rodrigues@acad.ufsm.br</em></p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Duas frentes, um mesmo propósito</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2025/07/22/__trashed-4__trashed</link>
				<pubDate>Tue, 22 Jul 2025 12:42:05 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[30ª Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[#ed30]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?p=3993</guid>
						<description><![CDATA[Quando o ensino encontra a realidade em prol do combate a violência contra a mulher. 
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:paragraph -->
<p>Segundo o <a href="https://view.officeapps.live.com/op/view.aspx?src=https%3A%2F%2Fadmin.ssp.rs.gov.br%2Fupload%2Farquivos%2F202505%2F15104209-site-violencia-contra-as-mulheres-2025-atualizado-em-05-maio-2025-publicacao.xlsx&amp;wdOrigin=BROWSELINK">Monitoramento dos indicadores de Violência Contra as Mulheres do Rio Grande do Sul no ano de 2025 da Secretaria de Segurança Pública (SSP)</a>, aconteceram 18 mil casos de violência contra a mulher entre janeiro e abril, em uma média de 4,6 ocorrências por mês. Os crimes enquadrados são de feminicídio tentado, feminicídio consumado, ameaça, estupro e lesão corporal.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Em plena Sexta-feira Santa, feriado marcado por reflexões religiosas e familiares, <a href="https://www.terra.com.br/nos/seis-mulheres-sao-assassinadas-em-diferentes-cidades-do-rs-durante-a-sexta-feira-santa,8860b7bbcb3d2e99a6d63143bdd7f53eswxtwnl8.html#google_vignette">seis mulheres foram brutalmente assassinadas em diferentes cidades do Rio Grande do Sul</a>. Os crimes, registrados ao longo de poucas horas, levantam uma grave preocupação: até quando a violência contra a mulher será tratada como rotina no Brasil? Os casos chamam atenção não apenas pela quantidade de vítimas em um único dia, mas pela reincidência de um padrão trágico que expõe a vulnerabilidade feminina diante da violência doméstica, da negligência institucional e da cultura machista ainda enraizada na sociedade brasileira</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Na UFSM, duas professoras de áreas distintas se destacam por transformar ensino, pesquisa e extensão em ações concretas de enfrentamento à violência contra as mulheres e nos concederam entrevistas para a revista .TXT.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>De um lado, a professora do curso Técnico em Enfermagem do Colégio Politécnico da UFSM, <a href="http://lattes.cnpq.br/2538379515684954">Laura Ferreira Cortes</a>, une a prática da saúde ao ativismo social com projetos de extensão voltados ao empoderamento feminino, à formação de profissionais e à articulação de serviços públicos. De outro, a professora do curso de serviço social <a href="http://lattes.cnpq.br/7382820396112114">Laura Regina da Silva Camara Mauricio da Fonseca</a> tem mais de três décadas de experiências dedicadas à reflexão crítica sobre gênero, vulnerabilidade e cidadania, com atuação direta em políticas públicas e formação universitária.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Ambas lideram iniciativas que colocam a universidade em diálogo com a realidade social e constroem pontes entre a academia e a rede de proteção às mulheres em Santa Maria. Seus projetos não apenas acolhem vítimas de violência, também formam profissionais mais conscientes e preparados para atuar em contextos complexos. Com diferentes abordagens, elas mostram como o compromisso com os</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>direitos humanos e a equidade de gênero podem e devem atravessar os muros da Universidade.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:heading -->
<h2 class="wp-block-heading">Entrevista</h2>
<!-- /wp:heading -->

<!-- wp:paragraph {"align":"center"} -->
<p class="has-text-align-center"><strong>A .TXT conversou com as professoras da Universidade Federal de Santa Maria, Laura Ferreira Cortes e Laura Regina da Silva Camara.</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>.TXT: Fale um pouco sobre a sua trajetória profissional e sua experiência em relação a projetos de apoio a mulheres em situação de violência?</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:media-text {"mediaId":4001,"mediaLink":"https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?attachment_id=4001","mediaType":"image","mediaWidth":37,"verticalAlignment":"top"} -->
<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile is-vertically-aligned-top" style="grid-template-columns:37% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/07/IMG_1327-1-5-683x1024.jpg" alt="" class="wp-image-4001 size-full" /></figure><div class="wp-block-media-text__content"><!-- wp:paragraph {"placeholder":"Conteúdo..."} -->
<p><strong>Laura Ferreira: </strong>Minha trajetória profissional, ela vem em boa parte da graduação ainda na enfermagem, da área da saúde, tem inquietações muito relacionadas com a nossa formação ser ainda muito biológica, focada nas lesões, no cuidado físico e pouco abrangente em termos da realidade social das pessoas. A violência é um problema de saúde pública e afeta diretamente a saúde das mulheres e das famílias. E aí, vendo isso, durante a formação, essa fragilidade nessa abordagem, eu despertei então para esse olhar das questões de gênero, alinhado a docentes que trabalhavam com isso na época. E aí, a partir disso, então, eu comecei a pesquisar no mestrado e principalmente no doutorado pensando nesse olhar ampliado para a rede de atendimento. Então, como essas mulheres circulavam após o atendimento na saúde, para onde elas iam, se elas eram encaminhadas para algum local, se elas iam para a rede, se elas voltavam para casa, enfim, fragilizadas, não tinham esse apoio. Foi aí que eu comecei a despertar o interesse no tema e eu trabalhei então na pesquisa do mestrado com enfermeiras, entrevistando enfermeiras sobre esse processo de trabalho das portas de entrada dos serviços de emergência do município. E depois no doutorado eu trabalhei com profissionais em um grupo de trabalho para a gente pensar como era essa rede de atendimento, quais eram as fragilidades, quais eram as potencialidades e se existia essa rede de atendimento. </p>
<!-- /wp:paragraph --></div></div>
<!-- /wp:media-text -->

<!-- wp:paragraph -->
<p> E daí, dos resultados da pesquisa do doutorado, a gente conclui que existem muitas falhas nessa rede, que os serviços não estavam organizados, compondo uma rede conectada, integrada. Então, existiam buracos nessa rede e a mulher acabava percorrendo muitos serviços e, às vezes, sem nenhuma ajuda ou, muitas vezes, só centrados na delegacia. E aí, essa continuidade, esse acompanhamento não existia. Então, isso, os resultados da pesquisa, da minha tese.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Quando entrei na universidade, em 2018 como professora aqui no Politécnico, criei um projeto de extensão: <a href="https://portal.ufsm.br/projetos/publico/projetos/view.html?idProjeto=63231">o Fórum de enfrentamento à violência por parceiro íntimo contra as mulheres do Município de Santa Maria: promoção da cultura de paz e superação da violência</a>, que é esse espaço, que é o fórum, que é um espaço permanente para a gente discutir, nós nos reunimos mensalmente e a gente contempla lá todos os serviços da rede. E é um espaço para a gente tentar integrar a ação profissional. Então, tem vários setores, segurança pública, assistência social, saúde, educação, conselho tutelar, enfim, segurança pública, são profissionais que estão à frente dos serviços e a gente busca discutir melhorias no atendimento e na integração desses serviços, justamente para que essa rede funcione de forma mais integrada. Nós temos o Centro de Referência da Mulher, também, que é um serviço que o fórum ajudou a criar aqui em Santa Maria, que não existia, que ele busca, justamente, a articulação desses serviços entre si. Então, a minha trajetória é um pouco a partir dessa história, da prática.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>.TXT: Fale um pouco sobre a sua trajetória profissional e sua experiência em relação a projetos de apoio a mulheres em situação de violência?</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Laura Ferreira:</strong> Minha trajetória profissional, ela vem em boa parte da graduação ainda na enfermagem, da área da saúde, tem inquietações muito relacionadas com a nossa formação ser ainda muito biológica, focada nas lesões, no cuidado físico e pouco abrangente em termos da realidade social das pessoas. A violência é um problema de saúde pública e afeta diretamente a saúde das mulheres e das famílias. E aí, vendo isso, durante a formação, essa fragilidade nessa abordagem, eu despertei então para esse olhar das questões de gênero, alinhado a docentes que trabalhavam com isso na época. E aí, a partir disso, então, eu comecei a pesquisar no mestrado e principalmente no doutorado pensando nesse olhar ampliado para a rede de atendimento. Então, como essas mulheres circulavam após o atendimento na saúde, para onde elas iam, se elas eram encaminhadas para algum local, se elas iam para a rede, se elas voltavam para casa, enfim, fragilizadas, não tinham esse apoio. Foi aí que eu comecei a despertar o interesse no tema e eu trabalhei então na pesquisa do mestrado com enfermeiras, entrevistando enfermeiras sobre esse processo de trabalho das portas de entrada dos serviços de emergência do município. E depois no doutorado eu trabalhei com profissionais em um grupo de trabalho para a gente pensar como era essa rede de atendimento, quais eram as fragilidades, quais eram as potencialidades e se existia essa rede de atendimento. E daí, dos resultados da pesquisa do doutorado, a gente conclui que existem muitas falhas nessa rede, que os serviços não estavam organizados, compondo uma rede conectada, integrada. Então, existiam buracos nessa rede e a mulher acabava percorrendo muitos serviços e, às vezes, sem nenhuma ajuda ou, muitas vezes, só centrados na delegacia. E aí, essa continuidade, esse acompanhamento não existia. Então, isso, os resultados da pesquisa, da minha tese. Quando entrei na universidade, em 2018 como professora aqui no Politécnico, criei um projeto de extensão: o Fórum de enfrentamento à violência por parceiro íntimo contra as mulheres do Município de Santa Maria: promoção da cultura de paz e superação da violência, que é esse espaço, que é o fórum, que é um espaço permanente para a gente discutir, nós nos reunimos mensalmente e a gente contempla lá todos os serviços da rede. E é um espaço para a gente tentar integrar a ação profissional. Então, tem vários setores, segurança pública, assistência social, saúde, educação, conselho tutelar, enfim, segurança pública, são profissionais que estão à frente dos serviços e a gente busca discutir melhorias no atendimento e na integração desses serviços, justamente para que essa rede funcione de forma mais integrada. Nós temos o Centro de Referência da Mulher, também, que é um serviço que o fórum ajudou a criar aqui em Santa Maria, que não existia, que ele busca, justamente, a articulação desses serviços entre si. Então, a minha trajetória é um pouco a partir dessa história, da prática.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><br><strong>TXT: Quais as ações o projeto promove para amparar essas mulheres vítimas de violência em Santa Maria?</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Laura Ferreira: </strong>Então, o fórum em si trabalha com essa integração da rede. Então, nós construímos um fluxograma de atendimento junto aos serviços, aos profissionais, que não existia. Então, hoje nós temos um direcionamento de como essa mulher deve circular na rede. Então, esse apoio técnico foi feito. A gente busca, então, essa qualificação por meio desse curso de extensão de profissionais, para que eles possam refletir sobre o seu processo de trabalho, sobre os aspectos psicossociais e humanitários no atendimento dessas mulheres, as questões étnico-raciais, também nós discutimos bastante no curso. Então, pensando na formação de profissionais, nós temos contribuído nesse aspecto. E, além disso, a gente traz mulheres diretamente lá do CAPES. Então, nas terças-feiras à tarde, por meio dessas oficinas, é um grupo que é do CAPES, o Mulheres no Corre, que é um grupo de mulheres em abuso de substâncias, em uso de álcool e outras drogas. E ele visa a geração de renda, mas o empoderamento também e a promoção da saúde mental. Então, elas produzem artesanatos, camisetas e ecobags. E elas vendem em feiras de artesanato e participam de eventos também. A gente faz muito essa interlocução com a universidade. Elas vêm para cá também em aulas, participam, fazem apresentações sobre projetos. E a gente trabalha muito a questão desse empoderamento. Então, gênero é a base do que a gente discute, as desigualdades de gênero, pensando nesse empoderamento feminino. E elas acabam construindo esse empoderamento juntas no grupo, compartilhando as vivências. Cada uma fala sobre as suas dificuldades, sobre seus processos, sobre as violências que sofreram. E elas vão se apoiando umas nas outras e a gente vai mediando isso. Por meio das discussões teóricas, claro, mas que são da vida. Então, a gente trabalha nessa lógica lá dentro do CAPES, nesse sentido. E na minha prática também, como docente, junto com os estudantes do Técnico de Enfermagem, a gente faz atendimento na unidade de saúde, no posto de saúde. Então, a gente faz atendimento direto a mulheres também, mas não tem nenhum projeto específico para isso. Mas no nosso cotidiano, como eu trabalho essas temáticas em sala de aula, a gente acaba trabalhando também o serviço, acolhendo de uma forma mais diferenciada. Fazendo os encaminhamentos, as articulações necessárias lá também.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>.TXT: Como essas atividades colaboram para a garantia da proteção dessas mulheres?</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Laura Ferreira:</strong> Então, a proteção é justamente pensando no empoderamento delas, porque a superação da violência exige o empoderamento feminino. E o empoderamento é uma categoria de análise que a gente compreende como sendo algo que é construído. Não sou eu, Laura, que vou lá empoderar aquela mulher. Eu posso mediar esse empoderamento, posso levar elementos, meios para ela conhecer os seus direitos, para ela conseguir perceber a situação de violência, para se enxergar no mundo, posso mediar isso. Mas essa tomada de consciência é um processo, ela é gradual. E se for coletiva, vai ser muito melhor, vai ser muito mais rápido também. Então, a gente contribui nesse sentido, de mediar esse empoderamento delas, fazer a escuta dessas mulheres também, porque violência dói muito, sofrer violência dói muito. Então, escutar elas se escutarem e a gente tentar pensar nas potencialidades que elas têm para que elas consigam se libertar daquela situação, para que elas enxergue outras possibilidades de vida. Mas isso é um grande desafio, então a gente faz esse atendimento lá, mas nessa perspectiva, pensando na geração de renda. E o fórum tem contribuído muito para fomentar que o município possa pensar e propor mais políticas públicas para as mulheres, porque a gente entende que antes da violência a gente tem que ter a base da igualdade de gênero para conseguir prevenir a violência contra as mulheres. Então, a gente trabalha muito nessa ideia da prevenção, em alguns aspectos. Até vamos em algumas escolas com algumas ações, quando somos chamados. Os cursos, então, nós temos feito as duas últimas edições dos cursos, elas têm sido focadas para profissionais da educação, para professores e professoras de educação básica da cidade, justamente para que eles consigam tentar lidar com essas situações no ambiente escolar, mas também na saúde. Geralmente a gente abre a vaga para diferentes cursos, e esse curso é bem interessante porque ele exige, a avaliação dele, o processo avaliativo dele, consiste na criação de um produto para ser desenvolvido no seu contexto de trabalho. Então, os professores, as professoras que participam do curso, precisam levar para as escolas um instrumento, alguma tecnologia, um produto, alguma tecnologia para usar com os alunos, que pode ser jogos, tem várias dinâmicas que eles constroem, e tem sido muito rico, ele já vai para a quinta edição agora, o curso. Então, a gente aposta muito na estratégia educativa desses profissionais de formação e profissionais já formados, para a gente estar qualificando esse atendimento. E a manutenção desse fluxo, porque exige, para que a gente tenha um projeto do fórum, ele consiste nas reuniões, onde a gente tenta integrar as ações dos serviços e criar estratégias para que os serviços se integram na rede. Para que essa mulher não fique sem acolhimento, para que essa mulher possa ter uma perspectiva no momento que ela resolve denunciar e também antes da denúncia. É aí que o centro de referência, que é o serviço-chave hoje, peça-chave do fluxo, ele é fundamental para que isso aconteça. Lá no centro de referência elas são acolhidas, elas recebem o atendimento psicológico do serviço social e também orientações jurídicas. E elas vão percorrendo esse fluxograma, que é o desenho da rede. A gente trabalha junto com o Ministério Público também, a gente faz as reuniões geralmente lá. Então é uma parceria interessante. A gente tem apostado também bastante nessa questão da qualificação por meio de eventos. E vamos começar um projeto em parceria. Na verdade é do ADH e a gente está entrando na parceria, que é um projeto para atendimento dos agressores, dos homens. A gente vai começar com grupos reflexivos para homens, para tentar prevenir novos incidentes de violência.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>.TXT: Quais ligações o projeto tem com redes de proteção e garantia dos direitos às mulheres?&nbsp;</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Laura Ferreira:</strong> Na verdade, o fórum vem para articular essa rede. Então como é que funciona? Existe uma política nacional do enfrentamento à violência contra as mulheres, que é de 2007. Ela vem para concretizar a Lei Maria da Penha. Que foi criada em 2006. E aí essa política, um dos seus eixos, que é a dimensão da assistência a essas mulheres, ela contempla a rede. A rede de atendimento. E a rede de atendimento tem quatro braços. Que é o direito e a justiça, a segurança pública, a saúde e a assistência. Então esses serviços, o que incluem? Vou falar um pouquinho dessa rede, para ficar um pouco mais explícito. Na justiça, são criados os juizados especializados em violência doméstica. Todos os casos entravam dentro das varas comuns, criminais. E agora não. Existe um juizado específico. No Santa Maria nós temos um juizado específico para os casos de violência doméstica. Isso agiliza muito mais os julgamentos. As medidas protetivas. O juiz tem até 48 horas para expedir as medidas protetivas. E agora, mais recentemente, em função dos números de homicídios que tiveram agora no feriado de Páscoa, a gente tem as medidas protetivas sendo solicitadas online também. Então esse é o sistema de justiça. Além disso tem as promotorias e ainda as defensorias. Que vão advogar por essas mulheres também. E o sistema de segurança pública. Nós temos a polícia civil. Por meio das delegacias da mulher. Ou as delegacias de atendimento geral. Aqui em Santa Maria nós temos a delegacia funcionando de segunda a sexta. Até as 18 horas. Então não temos uma delegacia da mulher 24 horas. A delegacia que nós temos é uma delegacia de plantão geral. Que atende todos os tipos de situações aos finais de semana, o que é uma dificuldade. Porque as mulheres não têm um atendimento especializado aos finais de semana. E nem à noite. </p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>E aí nós temos também um serviço que é a Patrulha Maria da Penha. Que é da Brigada Militar. Que atende as mulheres com medidas protetivas. Então como é que funciona? Ela vai fazer o boletim de ocorrência. E aí ela pode solicitar. Independente do risco que esse agressor está expondo. Ela solicita uma medida. Que essa medida é um papel que o juiz vai expedir. Ordenando que esse agressor não se aproxime dessa mulher ou da sua família. Suspendendo porte de arma. Enfim, existem vários tipos de medidas. Dessas medidas. Então elas são fiscalizadas aqui em Santa Maria. Pela Patrulha Maria da Penha. Que é um grupo de policiais. Que vai nas casas das mulheres com medidas. Para acompanhar o andamento da situação. Se ela continua afastada. Se ela não está em risco. Se o agressor continua afastado dela. O serviço social que seria assistência social, todos os serviços, como por exemplo, os CRAS. Que são os centros de referência de assistência social. Os CRES. Que são os centros especializados em assistência social. O centro de referência da mulher. Que é um serviço de assistência social. E também a casa abrigo.As casas abrigo. Que são casas onde as mulheres podem ficar abrigadas. Com seus filhos por um período. Até que ela consiga achar um outro lugar para ir. Então enquanto ela estiver em risco. Ela pode permanecer abrigada nessa casa. E ainda tem a casa de passagem. Que é para mulheres em situação de rua. Isso são serviços de assistência social. Depois os serviços de saúde, que seriam todos os serviços de saúde do município. A gente tem um específico para a mulher em situação de violência. Especialmente sexual. Que é o centro obstétrico do hospital universitário. E depois todas as unidades de saúde, as unidades básicas do município. Mas para que eles funcionem como uma rede mesmo de produção. Eles precisam estar em comunicação. Eles precisam estar articulados. E é por isso que o centro de referência vem fazer esse grande braço articulador. A ideia é que essa mulher digamos entrou na saúde. A saúde já articula esse centro de referência. Que vai articular o município público. Vai articular com a delegacia. A mesma coisa quando a mulher vai denunciar. O ideal é que ela já seja vinculada ao centro de referência. Para que ele vai fazer esse acolhimento psicológico. Com serviço social. E já articula. Já mapeia onde que essa mulher mora. Como é que pode transportar ela para que ela não corra perigo na rua. Então só assim a gente consegue evitar feminicídios. E mesmo assim já é muito complexo a gente evitar. Mesmo com toda uma rede operando. O sistema machista patriarcal. Ele é muito muito forte. E muitas vezes essas mulheres não estão na rede. Às vezes até o medo. O medo porque como eu falei antes. A medida protetiva é um papel. Também nós temos aqui uma patrulha para patrulhar todas as mulheres. Então são mais de 300 medidas protetivas por mês. Então são muitas mulheres para poucos policiais. Em uma cidade de médio porte. Então com uma viatura policial. Então a gente ainda precisa avançar nisso. E para além disso tem essa questão da dependência emocional. De todo um contexto. Dos papéis de gênero, o que é estar numa relação para essa mulher. Então essas representações do relacionamento fazem com que elas permaneçam muitas vezes. E desistam de denunciar. Então é um movimento muito ambivalente. Uma hora ela quer denunciar. Outra hora ela não quer. Então é bem complicado. Então isso tudo existe em políticas públicas que possam fortalecer essa rede. Mas ampliar esse papel dessa rede. Também na prevenção. É toda uma cultura que precisa mudar. Para que a gente chegue ao feminicídio zero. Mas a gente já melhorou muito. Só que precisamos avançar muito ainda.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>.TXT: Como o projeto age diante dos desafios de violência dessas mulheres?</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Laura Ferreira: </strong>O projeto ele se responde nele mesmo. Por exemplo, quando a gente está lá no CAPES e tem uma situação muito complexa. Um caso de uma mulher que é muito complexo. A gente tenta discutir esse caso em rede. Tentar assim a gente articula. Vou te dar um exemplo, por exemplo, teve um caso de uma mulher que estava em risco extremo de feminicídio. E aí a gente fez uma articulação com o Ministério Público pra gente pensar junto com o promotor e com a delegada o que nós podíamos fazer naquele momento. Que ela não tinha pra onde ir. Que a gente não tinha uma eminência de pagamento de aluguel social. Ela não tinha onde ficar. E ela estava sendo perseguida. Então a gente leva pra própria rede discutir e acolher esse caso. Então, parece simples. Mas é muito difícil a gente conseguir articular a saúde com a justiça, por exemplo. Porque nós somos áreas completamente diferentes. Formações completamente diferentes. Não existe um sistema de comunicação único no Brasil inteiro. Não é só Santa Maria. No Brasil inteiro. No mundo inteiro. Os serviços estão aprendendo a se organizar mais articulados. Então, a gente tem essa experiência de aparecer um problema mais extremo, um desafio maior a gente tenta articular essa rede caso a caso. Porque cada uma vai exigir uma coisa. No caso dela, ela não tinha rede de apoio nenhuma nem para onde ir. Aí já muda um pouco o cenário. Então, vai depender de cada caso. Então, os desafios mais complexos principalmente estão relacionados à habitação para onde elas vão, a questão da renda. Nesse caso, ela não conseguia ir pra casa de abrigo onde ela tinha tido uma experiência que não foi positiva lá. E aí, a gente realmente não tinha onde acolher essa mulher. Os casos mais desafiadores têm que ser discutidos com a rede entre os serviços. Então, é isso que a gente ajuda a mediar essa articulação da rede.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>.TXT: De que forma o projeto prepara os profissionais para realizar atendimento às vítimas?&nbsp;</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Laura Ferreira:</strong> É por meio da qualificação do curso que a gente tem de extensão que acontece geralmente no segundo semestre e na discussão do caso. Por exemplo, para os estudantes de enfermagem na prática quando a gente está no serviço de saúde a gente vai receber o caso da situação, a gente vai fazer todo o acolhimento dela, a escuta dela vai tentar, então, orientar sobre os seus direitos sobre os direitos dela e aí a gente vai fazer a notificação da violência, que é uma notificação da saúde, onde a gente preenche uma ficha para lançar num sistema que é o SINAN, então, do SUS que vai para a violência epidemiológica. E aí a gente faz essa articulação direta com o centro de referência a gente já marca o atendimento para ela ir no centro de referência. Então, a formação é caso a caso, a gente trabalha esses conteúdos em sala de aula também, isso acho que é bem importante destacar aqui dentro da universidade nas minhas disciplinas a gente trabalha nas salas de aula e ofertamos esse curso de extensão que é anualmente,&nbsp; fora algumas formações que a gente faz, por exemplo, semana passada eu fui fazer uma fala com policiais da Patrulha Maria da Penha e da Brigada da Região então a gente foi fazer uma contribuição num curso de formação deles então é mais pela educação permanente mesmo, sobre essa temática.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>.TXT: Como as experiências do projeto impactam a percepção dos futuros profissionais de enfermagem?&nbsp;</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Laura Ferreira: </strong>Sim, eu percebo que elas e eles, geralmente a maioria é mulher primeiro acho que é um processo de empoderamento delas mesmo, empoderamento feminino então como é um projeto também que demanda muito articulação com outros setores com o judiciário também manda e-mail, se comunica então elas aprendem também a se comunicar de uma maneira mais formal e isso também contribui nesse processo formativo como conectar conhecer a rede, eu tenho que enviar o convite para tais e tais setores para o conselho tutelar, para o juiz como que eu ativo isso, então essa formação de articulação é interessante mas também sobre a apropriação do tema, então é muita reflexão, elas conseguem enxergar as situações de violência até para si mesmas e para familiares então elas ampliam o olhar para além do atendimento da ferida, do curativo da lesão, da medicação elas conseguem olhar para esse problema que é social, então para o que está por trás daquela lesão. É um aprendizado que a gente consegue estimular psicologicamente para as questões emocionais, psicológicas exatamente para o trauma, para os abusos para essa dor, esse sofrimento que ele não é mensurável, ele não é tão objetivo, ele é emocional muitas vezes psíquico então essa construção se dá dentro da formação e também no espaço do projeto e essa questão do olhar para a rede de entender que não é só a saúde que vai dar conta de um problema complexo desse tamanho então que a saúde ela tem tantas dimensões que ela precisa de uma rede de vários serviços, vários setores só que isso não é quase trabalhado na formação em saúde então esse é um déficit que a gente ainda tem, então eles conseguem enxergar essa rede e para serem ativadores dessa rede serem sujeitos e ativadores desses outros serviços, então acho que a grande contribuição, resumindo é a ampliação desse olhar para além da doença olhar para todos os aspectos do indivíduo, a questão do conhecimento e da ativação dessa rede e de pensar também nessas questões de prevenção do gênero de mudar a cultura machista então elas passam por esse processo de empoderamento também que eu acredito que todas nós precisamos nos empoderar para a gente conseguir fazer alguma coisa porque todos nós estamos nessa cultura machista e patriarcal então para a gente conseguir fazer alguma coisa, a gente também precisa passar por esse empoderamento e a leitura, os estudos a academia é muito importante para nos ajudar a fortalecer isso.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>.TXT: Poderia citar alguns projetos específicos voltados para o enfrentamento da violência doméstica, saúde da mulher na perspectiva de gênero, direitos humanos, cidadania e políticas públicas? </strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Laura Ferreira: </strong>o Fórum do Enfrentamento à Violência contra as Mulheres de Santa Maria temos então o curso de extensão segura e esse outro projeto que é o apoio matricial como dispositivo de cuidado à mulher em situação de violência também tem um outro projeto no Departamento de Terapia Ocupacional coordenado pela professora Tatiana de Move, que é um projeto também que apoia as mulheres no Corre dentro do CAPES, que é para ficar com as crianças, é um espaço lúdico terapêutico para as crianças que acompanham essas mulheres durante o atendimento porque uma grande dificuldade que a gente tinha é que as mulheres não vinculavam o CAPES muitas vezes porque elas não tinham com quem deixar os filhos elas não tinham esse apoio para elas poderem estar lá no serviço então a gente entendeu que esse era um espaço importante, um espaço para as crianças então a professora Tatiana tem as estudantes de terapia ocupacional que vão para ficar com essas crianças também nesse espaço, ofertando atividades lúdicas e ocupacionais para elas nesse espaço tem também o o projeto da professora Miliana Freire, que é sobre maternagem.<br></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>TXT: Fale um pouco sobre a sua trajetória profissional e sua experiência em relação a projetos de apoio a mulheres em situação de vulnerabilidade social.</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

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<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile is-vertically-aligned-top" style="grid-template-columns:37% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/07/IMG_9161-edit-1-671x1024.jpg" alt="" class="wp-image-4003 size-full" /></figure><div class="wp-block-media-text__content"><!-- wp:paragraph {"placeholder":"Conteúdo..."} -->
<p><strong>Laura Fonseca: </strong>Tudo começou ainda no século passado, quando eu atuava como docente na Universidade de Brasília (UnB). No mestrado, desenvolvi uma pesquisa que relacionava gênero, pobreza e HIV. Na época, estávamos por volta de 1997, 1998. Acompanhamos mulheres em situação de vulnerabilidade por meio de um projeto de extensão no ambulatório de infectologia. Observamos a dinâmica da contaminação e recontaminação dessas mulheres, e o contexto social em que estavam inseridas. Alguns anos depois, ingressei na Universidade Federal do Pampa (Unipampa), na fronteira oeste do Rio Grande do Sul, bem distante do Centro-Oeste. Lá, além dos projetos de pesquisa, também desenvolvi atividades de extensão voltadas às mulheres que chegavam à delegacia na época, ainda não havia uma delegacia especializada em vítimas de violência doméstica ou intrafamiliar, principalmente. Começamos então a realizar ações por meio da universidade, em parceria com o sistema de segurança pública. Inicialmente, atuamos na capacitação das equipes das delegacias para que estivessem mais preparadas para lidar com essas mulheres. De certa forma, conseguimos alcançá-las através da formação desses profissionais. Desde o final de 2013, já na UFSM, comecei a atuar, a partir de 2014, no Núcleo de Ensino, Pesquisa e Extensão Hegemônicas que chamamos de <a href="https://portal.ufsm.br/projetos/publico/projetos/view.html?idProjeto=66942">Hegemônicas</a> com ações de pesquisa e extensão voltadas para grupos mais vulneráveis.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph {"placeholder":"Conteúdo..."} -->
<p></p>
<!-- /wp:paragraph --></div></div>
<!-- /wp:media-text -->

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<p></p>
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<p>Temos um trabalho de mediação que vai além da pesquisa e das palestras: atuamos principalmente por meio dos estágios em Serviço Social, realizados em espaços institucionais com vínculo direto com a temática, como o CRM (Centro de Referência da Mulher) em Santa Maria. Então, essa trajetória já soma cerca de 30 anos de atuação.</p>
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<p><strong>.TXT: Quais ações o curso de Serviço Social desenvolve para apoiar essas mulheres?</strong></p>
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<p><strong>Laura Fonseca: </strong>As ações ocorrem principalmente por meio dos projetos de extensão. Esses projetos têm momentos e etapas voltadas à formação de profissionais que atuam diretamente com essa população. Temos, por exemplo, um projeto coordenado por uma professora do curso que trabalha com profissionais da assistência social e da segurança pública que atuam junto a mulheres vítimas de violência. Esse projeto é voltado especialmente à formação de assistentes sociais, psicólogos e outras pessoas de equipes multidisciplinares que trabalham com esses grupos. Também desenvolvemos ações de ensino por meio dos estágios curriculares em espaços sócio ocupacionais diretamente relacionados à violência contra a mulher. Embora não tenhamos um projeto exclusivo voltado diretamente às mulheres, nossas ações permeiam os contextos de vulnerabilidade que as afetam.</p>
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<p><strong>.TXT: Como essas atividades contribuem para a garantia dos direitos e a autonomia das mulheres?</strong></p>
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<p><strong>Laura Fonseca: </strong>Acreditamos que essas ações contribuem, primeiramente, por darem visibilidade à realidade vivida por essas mulheres. Elas revelam o que está acontecendo e apresentam essa realidade também aos nossos estudantes. Como é um curso superior, é fundamental que desde o início os alunos tenham contato não só com os temas, mas com as situações concretas do município, do estado e do país. Por exemplo, no segundo semestre do curso, temos uma disciplina obrigatória chamada "Gênero, Políticas Sociais e Serviço Social", destinada a estudantes ingressantes. É uma disciplina obrigatória, não optativa, e desde o início buscamos problematizar essa realidade em sala de aula.</p>
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<p><strong>.TXT: Quais parcerias o curso tem com redes de proteção social, ONGs e políticas públicas?</strong></p>
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<p><strong>Laura Fonseca: </strong>Mantemos parcerias com todas as secretarias do município de Santa Maria, tanto para estágios quanto para projetos de extensão não só na área da violência, mas também em outras, como segurança alimentar e assistência social. Temos parceria com as secretarias de Assistência Social, Saúde e educação. Atuamos também com o terceiro setor, especialmente com ONGs que atendem mulheres e outros grupos em situação de vulnerabilidade.</p>
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<p><strong>.TXT: Como o curso lida com os desafios da vulnerabilidade social dessas mulheres?&nbsp;</strong></p>
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<p><strong>Laura Fonseca: </strong>Essa pergunta é muito boa. Primeiro, partimos do entendimento de que essas vulnerabilidades não são naturais; elas expressam uma realidade social mais ampla, na qual a universidade também está inserida. Assim, lidamos com essas questões por meio do ensino, da pesquisa e da extensão. Alguns núcleos são mais organizados em torno da questão da vulnerabilidade das mulheres, outros nem tanto, mas todos compartilham o compromisso de colocar a universidade a serviço da sociedade e trazer a sociedade para dentro da universidade. Buscamos reconhecer e concretizar essa relação, pois é a partir dela que conseguimos promover mudanças. Os projetos são formas concretas de dialogar com a sociedade.&nbsp;</p>
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<p><strong>.TXT: De que maneira o curso prepara os profissionais para a defesa dos direitos dessas mulheres?&nbsp;</strong></p>
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<p><strong>Laura Fonseca:</strong> Desde o início da formação. O curso de Serviço Social tem como base essa fundamentação. Surgiu há quase 100 anos, no final da década de 1930, exatamente para lidar com as expressões da "questão social", ou seja, com as contradições e desigualdades presentes na sociedade. O curso tem nove semestres e, do primeiro ao último, visa preparar profissionais para garantir direitos, atuar na sua defesa e desenvolver habilidades para fortalecer ações práticas em seus contextos de trabalho. Destaco algumas disciplinas como "Cidadania e Direitos Humanos", "Gênero", "Família e Segmentos Vulneráveis" e "Gerontologia Crítica", esta última voltada à população idosa, também vulnerável. Todas essas disciplinas dialogam constantemente com a defesa de direitos.</p>
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<p><strong>.TXT: Como as experiências no curso impactam a percepção dos futuros assistentes sociais sobre a equidade de gênero?&nbsp;</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

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<p><strong>Laura Fonseca: </strong>Acredito que o impacto ocorre de maneiras diferentes, dependendo de como cada estudante recebe e vivencia a formação. O conceito de equidade, por exemplo, é muito presente na área da saúde, e se diferencia da igualdade justamente por reconhecer as diferenças e propor ações a partir delas. A formação acadêmica não garante sozinha essa percepção, mas ela potencializa o entendimento e coloca o estudante diante da necessidade de incorporar essa perspectiva no exercício profissional. Essa diretriz está também assegurada em nosso Código de Ética Profissional, em vigor desde 1993, que já apontava a equidade como um princípio e valor fundamental. Então, embora o debate esteja mais presente atualmente, essa preocupação não é nova na profissão. Claro que a forma como cada um irá materializar essa visão dependerá também de sua trajetória cultural e social.&nbsp;</p>
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<p><strong>.TXT: Poderia citar alguns projetos específicos voltados para o enfrentamento da violência doméstica, desigualdade econômica e outras formas de opressão contra as mulheres?</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

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<p><strong>Laura Fonseca: </strong>Temos um projeto coordenado pela professora Cristina Fraga, voltado à formação de profissionais da segurança pública para o enfrentamento da violência contra a mulher. Também temos o Núcleo <a href="https://portal.ufsm.br/projetos/publico/projetos/view.html?idProjeto=66942">Hegemônicas</a>, que coordena ações como o "Quartas Hegemônicas" e grupos de estudos de gênero, voltados à discussão das vulnerabilidades e de como elas afetam especialmente as mulheres. Além disso, temos atuação junto à Casa Verônica e outras iniciativas dentro da própria universidade.</p>
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<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity" />
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<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Repórteres:</strong> <em>Joice Figueiredo e Raíssa Dietrich </em></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><em><strong>Contato:</strong> joice.scherer@acad.ufsm.br</em> / <em>raissa.dietrich@acad.ufsm.br</em></p>
<!-- /wp:paragraph -->

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<p></p>
<!-- /wp:paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Tecnologia a serviço da acessibilidade</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2025/07/14/tecnologia-a-servico-da-acessibilidade</link>
				<pubDate>Mon, 14 Jul 2025 18:58:58 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[30ª Edição]]></category>
		<category><![CDATA[dossiê]]></category>
		<category><![CDATA[Página de Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[#ed30]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?p=3973</guid>
						<description><![CDATA[O projeto Nightwind desenvolve produtos de baixo custo para pessoas com deficiência 
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:paragraph -->
<p>Para escutar o áudio da reportagem, clique abaixo:</p>
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<!-- wp:audio -->
<figure class="wp-block-audio"><audio controls src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/07/Audioreportagem-CTISM.mp3"></audio></figure>
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<!-- wp:image {"id":3976,"align":"none","className":"wp-image-3976 size-large"} -->
<figure class="wp-block-image alignnone wp-image-3976 size-large"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/07/colher-1024x575.jpg" alt="" class="wp-image-3976" /><figcaption class="wp-element-caption">Protótipo da colher desenvolvido no CTISM</figcaption></figure>
<!-- /wp:image -->

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<p>Para muitas pessoas, o simples ato de segurar uma colher para se alimentar se torna uma grande missão. Isso ocorre devido aos tremores causados por doenças degenerativas, como o Parkinson e outros distúrbios com esse tipo de sintoma. José Juraci Carvalho, 69, é um desses casos. Ele iniciou o tratamento para a Doença de Parkinson em abril de 2025, após passar 4 anos com o diagnóstico incorreto e teve seu caso tratado como Acidente Vascular Cerebral (AVC). “Um dia eu acordei com o lado esquerdo do corpo paralisado, mas pensei que tivesse dormido em cima. Conforme os dias foram passando e aquilo não melhorava, fui ao médico fazer exames neurológicos e fui diagnosticado com AVC. Passei muito tempo tomando medicação para a doença errada, quase morri”, explica José.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

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<p>De acordo com uma pesquisa publicada na <a href="https://www.ufrgs.br/site/noticias/doenca-de-parkinson-pode-afetar-mais-de-1-milhao-de-brasileiros-ate-2060-revela-estudo/">Revista Científica The Lancet Regional Health</a> e realizada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em parceria com o Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), em 2024, mais de 500 mil brasileiros acima de 50 anos convivem com Parkinson. Conforme dados divulgados pelo Ministério da Saúde,<a href="https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2023/fevereiro/tremor-essencial-afeta-20-da-populacao-com-mais-de-65-anos"> aproximadamente 20% da população mundial acima dos 65 anos tem chance de desenvolver Tremor Essencial</a> (TE) em algum período da vida. A doença de Parkinson é uma enfermidade neurológica crônica que compromete a coordenação motora. Entre os principais sintomas estão os tremores, lentidão nos movimentos, rigidez muscular, problemas de equilíbrio e alterações na fala e na escrita. O quadro de parkinson é resultado da degeneração de células localizadas em uma área do cérebro chamada substância negra. Essas células são responsáveis pela produção da substância dopamina - um neurotransmissor essencial para a transmissão de impulsos nervosos aos músculos. A redução ou ausência dessa substância compromete os movimentos corporais, provocando os indícios característicos da doença. O diagnóstico da doença é clínico, baseado na análise do paciente e em exames neurológicos. Até o momento, não existem exames laboratoriais ou testes específicos que confirmem a doença ou maneiras de prevenção. A doença progride de forma lenta e contínua e os tremores ficam mais evidentes quando o paciente segura objetos leves, como uma colher. Esses movimentos são chamados de “tremores de repouso” porque ocorrem quando o corpo está parado e tendem a se intensificar em momentos de estresse ou nervosismo. No entanto, não é apenas o parkinsonismo que causa tremores. Outras condições neurológicas também são afetadas por essa circunstância e o Tremor Essencial (TE) é uma das mais comuns. Diferente do parkinson, o tremor essencial geralmente afeta as mãos durante os movimentos voluntários, como escrever, segurar objetos, e tende a ter origem familiar, ou seja, pode ser herdado geneticamente. Outras causas de tremores incluem esclerose múltipla, que afeta a comunicação entre o cérebro e o corpo; distúrbios da tireoide, como o hipertireoidismo; além de efeitos colaterais de certos medicamentos ou abstinência de álcool.&nbsp;</p>
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<p>A fonoaudióloga do Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM), integrante das equipes de Cuidados Paliativos e Geriatria, Marília Trevisan Sonego, explica que os momentos de avaliação clínica possibilitam a identificação de disfagias - dificuldade de engolir alimentos e até mesmo a própria saliva. No momento da alimentação, o tremor pode gerar angústia e preocupação para tentar controlar os movimentos. “Os pacientes acabam esquecendo de deglutir a própria saliva ou resíduos alimentares. Nesse sentido, a colher estabilizadora tem o potencial de dar segurança ao paciente”, afirma Marília.</p>
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<p>Apesar de ainda não haver cura para a doença de Parkinson, é possível tratar os sintomas e desacelerar a sua progressão. A dificuldade em encontrar cura está relacionada à genética humana, pois as células nervosas perdidas na substância negra não se regeneram. O tratamento pode envolver o uso de medicamentos que atuam sobre a dopamina, fisioterapia para manter a mobilidade e em alguns casos intervenções cirúrgicas. Além disso, a fonoaudiologia desempenha um papel fundamental no tratamento de dificuldades na fala e na voz que muitos pacientes enfrentam.&nbsp; Embora o tremor possa ser apenas um sintoma, ele é um sinal de que o corpo está pedindo atenção. E, muitas vezes, um diagnóstico precoce faz toda a diferença na qualidade de vida do paciente.</p>
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<!-- wp:heading -->
<h2 class="wp-block-heading">Mais que um projeto, uma causa</h2>
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<p>Diante desse cenário, surgiu o projeto <a href="https://portal.ufsm.br/projetos/publico/projetos/view.html?idProjeto=69825" target="_blank" rel="noopener">“Desenvolvimento de Sistemas Eletroeletrônicos voltados à Tecnologia Assistiva</a><a href="https://portal.ufsm.br/projetos/publico/projetos/view.html?idProjeto=69825">”</a>, coordenado pelos professores do Colégio Técnico Industrial de Santa Maria (CTISM), Thiago Cattani Naidon e Saul Azzolin Bonaldo. Vinculada ao grupo de pesquisa “NightWind”, desde 2023 a iniciativa produz acessibilidade ao criar itens de baixo custo pensados para pessoas com algum tipo de deficiência e que não têm condições de pagar por uma Tecnologia Assistiva&nbsp; (TA).&nbsp; “A gente começou a ver que não é só para quem tem Parkinson, tem muita gente que tem problemas de tremor, e aí pensamos: Como desenvolver algo acessível? Porque hoje, uma colher importada que estabiliza o movimento custa cerca de R$ 20 mil. Isso é inviável para a maioria das pessoas”, comenta Saul.&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;</p>
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<!-- wp:image {"id":3981,"align":"none","className":"wp-image-3981 size-large"} -->
<figure class="wp-block-image alignnone wp-image-3981 size-large"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/07/IMG_8486-1024x575.jpg" alt="" class="wp-image-3981" /><figcaption class="wp-element-caption">Interface do site que será disponibilizado para uso</figcaption></figure>
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<p>Entre os produtos, desenvolve-se uma colher ergonômica que visa estabilizar os tremores durante as refeições e busca garantir uma maior independência aos pacientes. Essa demanda surgiu a partir da experiência da fonoaudióloga Marília em seus atendimentos hospitalares. Ela percebeu que os pacientes não conseguiam se alimentar sozinhos devido aos tremores e sugeriu o desenvolvimento de uma peça que pudesse proporcionar essa autonomia. Em sua primeira versão, o protótipo da colher utiliza a plataforma microcontrolada Arduino, que é manipulada na criação de eletrônicos interativos como impressoras. Porém, o professor Thiago menciona que, para o produto final, o planejamento é substituir o Arduíno pela plataforma ESP, que oferece um maior controle da amplitude de movimento. “Estamos verificando a possibilidade de usar a plataforma ESP, que é outro microcontrolador mais potente porque como o processo de correção de ângulo e inclinação envolve técnicas de controle é necessário um dispositivo que dê conta de executar operações lógico-matemáticas”, explica Naidon. Além disso, o modelo da colher possui um servomotor, um <span style="font-size: revert;color: initial">acelerômetro e um giroscópio que garantem a funcionalidade do produto. Toda a produção da colher é feita no CTISM, </span><span style="font-size: revert;color: initial">onde os participantes do projeto têm acesso a equipamentos, como a impressora 3D, na qual são feitas as impressões dos acessórios.&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;</span></p>
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<!-- wp:image {"id":3979,"width":"210px","height":"auto","align":"right","className":"wp-image-3979"} -->
<figure class="wp-block-image alignright is-resized wp-image-3979"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2025/07/IMG_8574-1-621x1024.jpg" alt="" class="wp-image-3979" style="width:210px;height:auto" /><figcaption class="wp-element-caption">Bolsista do projeto, Gustavo Carabajal</figcaption></figure>
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<p>Para o discente do terceiro ano do Curso Técnico em Mecânica Integrado ao Ensino Médio e bolsista do projeto, Gustavo Carneiro Carabajal, a oportunidade de trabalhar em um grupo como esse é uma forma de colecionar memórias e aprendizados. Gustavo tem sob sua responsabilidade&nbsp; o desenvolvimento do protótipo da colher, com auxílio e supervisão do professor Thiago. Aliado a isso, o estudante também trabalha na criação de um site sobre o produto, que irá conter informações técnicas sobre a utilização e será disponibilizado para médicos, usuários da ferramenta e familiares. Antes de ser finalizada e disponibilizada para uso no HUSM e no Sistema Único de Saúde (SUS), a colher estabilizadora passará por um rigoroso processo de testes para aplicação em pacientes que enfrentam dificuldades diariamente.</p>
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<p>Uma dessas pessoas é José, que convive com tremores constantes nas mãos, especialmente perceptíveis durante as refeições. Para sua esposa e principal cuidadora, Diva Ilga Bessauer Carvalho, 69, a existência de uma ferramenta como a colher desenvolvida pela NightWind poderia transformar sua rotina. “Ele tem bastante dificuldade para se alimentar por causa dos tremores. Todas as pessoas que têm Parkinson deveriam ter acesso a esse tipo de coisa”, comenta Diva. O caso de José evidencia a urgência e a relevância de iniciativas como esta, que aliam tecnologia e responsabilidade social para promover mais autonomia e qualidade de vida a quem precisa.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

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<p>Para saber mais sobre o projeto, acompanhe o Instagram:<a href="https://www.instagram.com/ctism_nightwind?igsh=MXV2cmNjNGRycHI4NQ==">@ctism_nightwind</a></p>
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<p><strong>Repórteres:</strong> <em>Maria Eduarda Camargo e Myreya Antunes</em></p>
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<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Contato:</strong><em> eduarda.carvalho@acad.ufsm.br/myreya.antunes@acad.ufsm.br</em></p>
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<p></p>
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