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				<title>O passado continua vivo nas lembranças</title>
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				<pubDate>Wed, 07 Feb 2024 11:57:49 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[13ª Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Diário de campo]]></category>
		<category><![CDATA[ciências sociais]]></category>
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		<category><![CDATA[quarta colônia]]></category>

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						<description><![CDATA[Pesquisa etnográfica com descendentes de imigrantes italianos no Brasil e na Itália mostra a importância das narrativas]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  Para contadores de história, descobrir objetos, lugares e costumes de antepassados é manter tradições e memórias vivas. A nostalgia de um tempo em que não se viveu permite ao narrador ter o sentimento de pertencimento a um lugar no mundo, mesmo que de forma subjetiva.

<img width="1024" height="576" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/09/12-O-passado-continua-1024x576.jpg" alt="" loading="lazy">

A migração italiana no Brasil começou no período da República, no final do século 19. No Rio Grande do Sul, iniciou com mais intensidade em 1875, para as colônias de Conde D’Eu (hoje a cidade de Garibaldi), Dona Isabel (Bento Gonçalves) e Caxias (Caxias do Sul). Já na região central do Estado, o movimento ocorreu a partir de 1877.

A presença italiana no sul do Brasil pode ser percebida em diversos elementos, como o cultivo da uva; a culinária (pratos como nhoque, capeletti e ravióli); e o catolicismo (manifestado na construção de grutas e monumentos erguidos em homenagem a santos).

Diante disso, a professora Maria Catarina Chitolina, do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), realizou uma pesquisa etnográfica com descendentes de imigrantes italianos no Brasil, onde pesquisa desde 1997, e na Itália, onde realiza o trabalho desde 2012. O objetivo é analisar a importância do papel desempenhado pelas narrativas, objetos e lugares em relação ao pertencimento do “mundo italiano” por meio desses descendentes.

Ao longo dos anos de estudo, a pesquisadora entrou em contato com fotografias, livretos de orações, bilhete de viagem ilegível, documento apagado e incompreensível, crochê da nonna, cadernos de receitas, imagens que estavam digitalizadas nas telas dos computadores e celulares ou revitalizadas em molduras. Algumas vezes, eram objetos que não podiam ser tocados devido à importância sentimental.

Além dos objetos materiais, locais também evocam sentimentos de pertencimento, como estações de trem, livrarias, restaurantes, avenidas e cafés. Para os descendentes, tanto no Brasil quanto na Itália, a narrativa relacionada aos antepassados por meio de artefatos e lugares é a maneira de imortalizar, em cada palavra, um tempo que não volta mais.

As pesquisas centraram-se na região do Lázio e Vêneto, na Itália; no Brasil, foram focadas na região Central do Rio Grande do Sul, como no distrito de Vale Vêneto. As investigações originaram diversos trabalhos da pesquisadora Maria Catarina, entre eles o artigo do qual extraímos alguns trechos para compor este Diário de Campo: “Eu ficava ali, olhando o céu: Narrativas, imagens, objetos, personagens e lugares em pesquisas etnográficas com descendentes de imigrantes italianos no Brasil e na Itália". O texto foi publicado em 2020, no livro Entre a Itália e o Brasil Meridional - História oral e narrativa de imigrantes.
<h3>“Uma pausa para olhar o céu e a paisagem”</h3>
A maior parte das entrevistas na Itália foi efetuada em locais considerados especiais para os entrevistados: em Roma, pude conhecer estações de trem e metrô, locais históricos, ruas e avenidas, cafés, monumentos, livrarias, restaurantes, mercados, lojas, feiras, igrejas, casas, partes da cidade que traziam memórias e algum vínculo de pertencimento para os ítalo-brasileiros que lá estavam habitando.

Fui apresentada a alguns destes cenários da metrópole urbana como lugares repletos de significados. Aquele café, no qual se ficava um pouco, na saída de uma estação de metrô, entre o trabalho da manhã e o trabalho da tarde, quando se tinha um pouco de tempo e uma pausa para olhar o céu e a paisagem.

Depois de algumas entrevistas, era comum me convidarem para passear por determinados lugares, salientando a importância que tiveram em seu processo “migratório” e na nova vida na Itália. Seja de metrô, de ônibus, de carro ou a pé, fiz muitos passeios na Itália com meus entrevistados.
<h3>“Eu visitei seu passado pelas ruas de Roma”</h3>
Se no Brasil eu era convidada a conhecer jardins, hortas, galpões, mobílias, pedaços de terra, capitéis e casas, na Itália também fui convidada a fazer passeios por paisagens exteriores e interiores dos descendentes de imigrantes italianos. Nos entrecruzamentos entre exterioridades e interioridades, as narrativas se tornam possíveis ou mais absorvíveis, por vezes.

Em Roma, uma entrevistada (ítalo-brasileira) me levou para o local no qual começou sua estadia na cidade, décadas atrás, em tempos que, para ela, foram muito difíceis e me mostrou os lugares nos quais caminhava nos horários de folga do trabalho, quando saía para estar um pouco “consigo mesma”. Não eram locais de consumo, mas de passeio contemplativo. Andamos bastante pela cidade e pude compreender, por meio da narrativa e da caminhada, como teria sido sua experiência de ítalo-brasileira na Itália.

Anos narrados em palavras, compreensíveis e agora também, reflexivamente, olhados pela interlocutora. Eu visitei seu passado pelas ruas de Roma e ela também. Fizemos juntas. E esta possibilidade do encontro etnográfico é sempre surpreendente.

Assim, pelas ruas de Roma, conheci um pouco dos ciclos de vida de uma ítalo-brasileira, relatados como fatos da juventude (no passado) e fatos da maturidade (no presente da narrativa).
<h3>“Evocação ao vivido e experienciado”</h3>
Muitos dos objetos, lugares e imagens que conheci durante as pesquisas são por mim compreendidos como portadores de “mana” - valor mágico, valor religioso, até mesmo valor social - de uma energia especial, de uma força e poder simbólico imenso e potencializador de narrativas e pertencimentos [...] A vida de gerações sendo ali narradas e décadas de história familiar e individual também.

O bilhete de viagem já ilegível, o documento apagado e incompreensível, o pano de louça encardido pelo tempo, mas com o crochê da nonna, a tigela quebrada, a panela sem tampa, o sapatinho usado pelos filhos quando bebês, enfim, objetos que, para os narradores, eram potencialmente repletos de sentimentos e plenos em si mesmos.

Algumas vezes havia objetos que estavam guardados em caixas simples (mas especiais), muito bem cuidados, aguardando o momento de serem novamente manuseados e narrados. Eram uma evocação ao vivido e experienciado, seja dos próprios descendentes ou das narrativas acerca dos antepassados, das origens, da família, de acontecimentos ou ciclos de vida.
<h3>“construções das memórias e das narrativas”</h3>
E, nas situações por mim presenciadas, do importante papel das origens familiares, da família como importante valor e das narrativas acerca do pertencimento do “mundo italiano” advindo do processo migratório dos antepassados.

E, entre os ítalo-brasileiros na Itália, pude conhecer o poder das imagens e das novas tecnologias de comunicação nos processos de identificação e nos pertencimentos, especialmente na manutenção de vínculos afetivos, familiares e nas construções das memórias e das narrativas.

Cada fotografia compartilhada virtualmente, cada imagem, áudio ou vídeo era recebido pelos descendentes que lá estavam com muita emoção e narrativas. Conheci muitas famílias extensas ao longo dos anos de pesquisa [...].

Os cenários, os personagens, a vida que se expressava por meio destas trocas virtuais era algo muito significativo para os descendentes (ítalo-brasileiros) que estavam habitando na Itália. Da saudade de casa (brasileira), da família, dos amigos, dos lugares e sentidos, das comidas, as imagens e áudios via aplicativos (Facebook, Instagram, WhatsApp e outros), emails e outras novas tecnologias de comunicação, possibilitavam a noção de estar/ser em tempos e espaços diferentes.
<h3>“Represálias, prisões ou perseguições”</h3>
E muitas foram as narrativas que tive acerca deste período (a Segunda Guerra Mundial) e dos procedimentos que cada família teve para se proteger, esconder ou destruir objetos com receio de represálias, prisões ou perseguições. Estas ofensivas foram mais comuns na zona urbana, contudo, em muitas localidades rurais também estiveram presentes.
<h3>“Tive pudor e algo de estranhamento”</h3>
Mas o que muito me marcou foi, certa vez, quando fui apresentada a roupas íntimas femininas das antepassadas que eram guardadas e muito bem cuidadas por uma senhora e tudo o que isto provocou em mim. Ao olhar uma roupa íntima usada no passado, muito limpa e bem zelada e apresentada a mim com naturalidade, senti que eu estava entrando no domínio da intimidade.

Tive pudor e algo de estranhamento, o que me fez pensar o quanto não estamos, às vezes, preparados para algumas situações. Era um dom da entrevistada para comigo. E me senti responsável por tudo o que aprendi sobre o mundo das “antigas”.

Por antigas se entende a geração considerada pela senhora como distante temporalmente da sua, no tempo presente. Aqui falava de sua mãe e de sua avó, mais especificamente. Como estas produziam suas roupas, como se cuidavam, como cuidavam do corpo. Enfim, por meio de uma roupa íntima ingressei no mundo narrativo das mulheres do passado.
<h3>“O ritual, a sociabilidade”</h3>
Na região do Vêneto italiano e seus interiores, fui apresentada a casas, espaços de trabalho, paisagens encantadoras e a cenários diversos, em diálogos nos quais muitas vezes eu era alertada acerca da semelhança entre o Rio Grande do Sul e aquele pedaço da Itália, especialmente.

Na casa dos ítalo-brasileiros, um dos objetos mostrados eram a cuia e a bomba para chimarrão, hábito que tinham no Brasil, especialmente os descendentes provindos do sul. E me mostravam porque, como também sou originária do sul do Brasil, talvez esperassem que eu compreendesse o ritual, a sociabilidade e demais elementos que estão presentes na prática de “beber o chimarrão” e da falta que sentiam deste hábito cotidianamente.

Em minhas viagens do Brasil para a Itália, quase sempre levei com muito gosto erva-mate para chimarrão e outros produtos que me eram solicitados. Compreendia que era um gesto de retribuição e carinho pelo tempo que minhas perguntas de pesquisa tomavam das pessoas, sempre sobrecarregadas com muito trabalho e afazeres.

Também era interessante observar as redes de comunicação que se estabeleciam virtualmente para saber onde encontrar, na Itália, a erva mate, o feijão preto, a farofa e outros elementos considerados típicos da “comida brasileira”.
<h3>“Para que as Pessoas que ali passassem pudessem fazer alguma prece”</h3>
Visitei casas nas quais havia imagens de santos católicos convivendo em harmonia no espaço com objetos do budismo ou de religiões afro-brasileiras. Durante as pesquisas, pude também conhecer lugares considerados sagrados por alguns descendentes, como a gruta da Nossa Senhora de Lourdes em Vale Vêneto (Rio Grande do Sul).

Depois de saber de sua importância para muitos descendentes e também da beleza do lugar, eu a tornei um passeio obrigatório quando apresentava a região para pessoas vindas de outros lugares. Também eu hoje tenho muitas memórias sobre a gruta e os passeios e preces que pude lá fazer.

Conheci, igualmente, alguns capitéis, que eram pequenas capelas que os imigrantes e seus descendentes construíam nas estradas ou nos caminhos entre propriedades para que eles mesmos ou as pessoas que ali passassem pudessem fazer alguma prece.
<h3>“Ser e estar no mundo”</h3>
Por entre fotografias, objetos variados e narrativas, pude entrar e conhecer muitas casas em seus interiores, muita mobília antiga, muita vida presente nestes espaços. O espaço é habitado também pelo tempo e por personagens, por meio do que ali está, sejam objetos materiais ou imaterialidades também. Alguns destes objetos também se relacionam com as pessoas (algumas vivas, outras já falecidas), com suas temporalidades, processos de identificação e com noções de ser/estar no mundo.

<strong>Reportagem:</strong> Eduarda Paz
<strong>Ilustração e diagramação:</strong> Luiz Figueiró]]></content:encoded>
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						<item>
				<title>Os usos sociais das mídias por migrantes senegaleses no Brasil</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/midias-sociais-migrantes-senegaleses</link>
				<pubDate>Wed, 13 Oct 2021 13:34:35 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[ciências sociais]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
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		<category><![CDATA[sociedade]]></category>

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						<description><![CDATA[Estudo da Comunicação investiga o papel das mídias na trajetória migrante]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p>Participação social, construção de narrativas de si e manutenção de vínculos. Esses são alguns dos elementos que os usos sociais das mídias proporcionam na experiência migratória de senegaleses no Brasil. </p><p>É o que evidenciou uma pesquisa realizada no Departamento de Ciências da Comunicação da UFSM e coordenada pela professora Liliane Dutra Brignol. O estudo é fruto de um amplo projeto de pesquisa chamado “Comunicação em rede, diferença e interculturalidade em redes sociais de migrantes senegaleses no Rio Grande do Sul”, que, de 2014 a 2018, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (FAPERGS), buscou investigar as dinâmicas de comunicação em rede e as lógicas de redes sociais articuladas pelos migrantes senegaleses no estado do Rio Grande do Sul.</p><p>Em um <a href="https://www.scielo.br/j/dados/a/gNWykz9bKLJh79zCVYbJZkz/?format=pdf&amp;lang=pt">artigo</a> publicado neste ano, a professora expõe os resultados desse trabalho e busca discutir qual o papel que as mídias digitais e em rede assumem na organização das redes migratórias. Isto é, como a comunicação em mídias sociais e aplicativos de mensagens, por meio do uso de aparatos tecnológicos, como computadores e celulares, afetam a experiência migrante. O intuito foi conhecer como se articulavam as relações sociais tanto entre os migrantes, quanto entre os migrantes e a população local.</p>		
												<img width="1024" height="668" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/10/imigrantes-1024x668.jpg" alt="" loading="lazy" />														
		<p>A metodologia da pesquisa reuniu um conjunto de técnicas, dentre elas a observação simples e a observação participante. A observação simples consistiu no acompanhamento de redes sociais online, páginas, comunidades e perfis no Facebook. Já a observação participante, aquela que possibilita a inserção dos pesquisadores nas vivências dos grupos em estudo, os aproximou de entidades de apoio à migração, associações e até de festividades e reuniões promovidas pelos migrantes. Além das conversas informais, o estudo também contou com entrevistas estruturadas com os sujeitos pesquisados.</p><p>O encontro com esses migrantes contou com a parceria do <a href="https://www.ufsm.br/grupos/migraidh/" target="_blank" rel="noopener">MIGRAIDH</a>, Grupo de Pesquisa, Ensino e Extensão Direitos Humanos e Mobilidade Humana Internacional da UFSM, no qual Liliane integra uma das linhas de pesquisa. Desde 2013, o grupo desenvolve ações na área de direitos humanos e de integração local da população migrante e refugiada, o que permitiu a entrada no campo dos estudos migratórios com a presença dos senegaleses. </p><p>Todo esse percurso levou tempo, segundo a professora Liliane, mas foi essencial para a inserção na vivência dos migrantes e trouxe percepções importantes acerca dos usos sociais das mídias por eles. Conforme a pesquisadora, as tecnologias se mostraram essenciais tanto no processo de deslocamento, quanto em toda a trajetória migratória. “Percebemos o papel da mídia e da internet na mediação da construção dessas narrativas migrantes, de outras formas de visibilidade e reconhecimento da experiência migratória”, destaca.</p>		
			<h3>O uso das mídias na construção de identidades migrantes</h3>		
		<p>A investigação mostrou que são assumidos sentidos de <b>participação social</b> quando as tecnologias em rede são utilizadas, por exemplo, para o aprendizado formal e informal de português. Conteúdos em formato de vídeo são produzidos e compartilhados em redes sociais para o ensino do idioma, algo essencial tanto para integração dos sujeitos na cultura brasileira, mas também para que possam se inserir no mercado de trabalho. Esse tipo de ação é realizada por projetos como o “<a href="https://www.facebook.com/Senegal-Ser-Neg%C3%A3o-Ser-Legal-758150887628188/" target="_blank" rel="noopener">Senegal, ser negão, ser legal</a>”.</p><p>Também foi observado o local central que os usos sociais da mídia ocupam na construção de <b>narrativas migrantes</b> - muitas vezes, como uma forma alternativa às narrativas construídas pela mídia tradicional. Na pesquisa, são apresentados projetos de produção de conteúdos para canais de TV voltados à cultura senegalesa, mas que buscam também estabelecer diálogos com outras nacionalidades. É o caso do <a href="https://www.facebook.com/senebrasiltv/" target="_blank" rel="noopener">Sene Brasil TV</a> e o <a href="https://www.facebook.com/profile.php?id=100010155188464&amp;fref=ts" target="_blank" rel="noopener">Touba Brasil TV Rio Grande do Sul</a>. A apropriação das redes sociais online também permite que os próprios sujeitos contem suas histórias e coloquem em circulação questões referentes às suas identidades. </p><p>A <b>manutenção de vínculos</b> com familiares e amigos que permanecem no Senegal também se dá, principalmente, por aplicativos de mensagens, como <i>Whatsapp, Viber e Emo</i>. Tendo em vista o caráter transnacional desse tipo de migração, a tecnologia é essencial para manter conexões e interações que transcendem os limites territoriais. </p><p>A comunicação pela internet é importante para garantir o contato com conhecidos, amigos e parentes que já migraram, estabelecendo uma <b>rede de apoio</b> na organização e na dinâmica migratória. Há ainda uma relação presencial, mas também mediada pelas tecnologias, principalmente para troca de informações sobre o contexto local, como ofertas de emprego e moradia.</p>		
									<figure>
										<img width="521" height="457" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/10/coletivo_ser_legal.PNG.jpg" alt="" loading="lazy" />											<figcaption>Publicação com divulgação de live que promove a integração entre membros de um dos coletivos observados pela pesquisa. Print tirado na página do Facebook "Senegal, Ser Negão, Ser Legal".</figcaption>
										</figure>
		<p>Mas, para além disso, as redes de apoio também se constituem nas associações, movimentos, clubes, vivências religiosas e outros espaços que são construídos pelos migrantes e que também funcionam a partir da mediação de contato pelas mídias sociais e em rede. </p><p>De acordo com o estudo, o processo de migração acompanhado da apropriação das tecnologias da mídia é capaz de <b>ressignificar a experiência diaspórica</b> e de <b>cidadania migrante</b><b>. </b>A docente explica que o conceito de diáspora, neste caso, é entendido como identidades em deslocamento, que passam a ser construídas em uma relação de identificação com a nova cultura, mas também de diferença pelo pertencimento à terra de origem.</p><p>Ao considerar a migração não apenas um deslocamento físico, mas cultural, Liliane destaca a importância de se estudar o tema pelo olhar da comunicação. “Um migrante não migra sozinho, ele já faz parte de uma rede. Ele traz esses laços familiares, culturais, suas vivências, bagagens, histórias e vai dinamizar também essas relações sociais e culturais nos locais para onde ele migra”, ressalta. </p>		
									<figure>
										<img width="543" height="546" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/10/image-1.png" alt="" loading="lazy" />											<figcaption>Publicação com mensagem antirracista de uma das páginas que compõem a pesquisa. Print tirado na página no Facebook "Senegal, Ser Negão, Ser Legal".</figcaption>
										</figure>
		<p>Diante disso, o uso das tecnologias da mídia se tornam fundamentais, pois os indivíduos passam a se valer da conexão para ampliar interações e colocar em contato suas identidades, diversidades e diferenças de maneira mais dinâmica. As mídias também são apropriadas no sentido de tematizar os preconceitos sofridos pela população migrante, como racismo e xenofobia. As questões são abordadas tanto nos perfis pessoais, quanto nas páginas dos projetos e coletivos formados por eles. Ao perceberem essas condições passam a reivindicar e construir novas formas de representação. </p><section data-id="98ed197" data-element_type="section"><section data-id="5f882e8" data-element_type="section"><p><em><strong>Expediente</strong></em></p><p><i><strong>Reportagem:</strong> Caroline de Souza, acadêmica de Jornalismo e voluntária</i></p><p><strong>Ilustração: </strong><em>Noam Wurzel</em><i>, acadêmico de Desenho Industrial e bolsista</i></p><p><i><strong>Mídia Social:</strong> Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista; e Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista<br /></i></p><p><i><strong>Edição de Produção:</strong> Esther Klein, acadêmica de Jornalismo e bolsista</i></p><p><i><strong>Edição Geral:</strong> Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas</i></p></section></section>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Entre o lá e o aqui</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/entre-o-la-e-o-aqui</link>
				<pubDate>Sun, 07 Jul 2013 17:33:38 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Diário de Campo]]></category>
		<category><![CDATA[Antropologia]]></category>
		<category><![CDATA[ciências sociais]]></category>
		<category><![CDATA[etnografia]]></category>
		<category><![CDATA[fotoetnografia]]></category>
		<category><![CDATA[fotografia]]></category>

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						<description><![CDATA[E neste simples ato de atravessar a ponte, tantas fronteiras são ultrapassadas]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2017/08/1-Edicao_Diario_Entre-o-La-e-o-Aqui.jpg" data-elementor-open-lightbox="yes" data-elementor-lightbox-title="1-Edicao_Diario_Entre o La e o Aqui" data-elementor-lightbox-description="Fotografia horizontal colorida de entardecer próximo a um rio. O céu está alaranjado. Um homem e seu cavalo estão em um terço da imagem. A sombra deles é projetada na água do rio.">
							<img width="808" height="528" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2017/08/1-Edicao_Diario_Entre-o-La-e-o-Aqui.jpg" alt="" loading="lazy" />								</a>
		<p>Uma linha. Uma ponte. E, em apenas alguns passos, é possível deparar-se com outra língua, com diferentes hábitos, com uma nova cultura. No meio de tudo isso, estão pessoas que, cotidiana ou esporadicamente, compartilham da fronteira como lugar onde essas diferentes línguas, hábitos e culturas convivem em uma tumultuada harmonia.</p><p>Foi na intenção de entender como as pessoas se apropriam desse território de fronteira que Francieli Rebelatto, orientada pela professora Luciana Hartmann, redigiu sua dissertação no mestrado em Ciências Sociais em 2011: Atravessando a ponte, vivendo na linha: marcos e marcas de uma cultura de fronteira à luz da fotoetnografia. Para tanto, durante o curso, Francieli viajou diversas vezes ao encontro de seu objeto de pesquisa: as fronteiras das cidades de Santana do Livramento (Brasil) e Rivera (Uruguai) e de Uruguaiana (Brasil) e Paso de los Libres (Argentina).</p><p>Ainda na graduação em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo na UFSM, Francieli teve o primeiro contato com o que viria a se tornar seu objeto de estudo. Em 2006, como estudante do curso de Jornalismo, Francieli participou do Projeto Rondon, uma iniciativa do governo brasileiro na qual universitários vão às mais distantes comunidades carentes, contribuindo para o desenvolvimento do lugar através de projetos de extensão. Foi na expedição que levou o grupo até a cidade de Tabatinga, no Amazonas, que Francieli conheceu as fronteiras do Brasil com a Colômbia e o Peru.</p><p>De lá, Francieli voltou fascinada com a troca cultural presente nas fronteiras. A nova paixão virou objeto de estudo e resultou na sua monografia e, mais tarde, na dissertação. Francieli constatou, ainda em seus estudos iniciais, que as regiões de fronteira não eram retratadas na grande mídia como lugares de riqueza cultural, e buscou as Ciências Sociais para dar uma abordagem antropológica à sua pesquisa.</p><p>Já no mestrado, Francieli fundamentou sua pesquisa com os conceitos do antropólogo francês Marc Augé, lugar antropológico e não-lugar. Segundo o autor francês, por lugares antropológicos podemos compreender aqueles lugares com os quais criamos vínculos, por exemplo, onde moramos ou onde trabalhamos. Já não-lugares são os locais de passagem, de consumo, com os quais não criamos relações.</p><p>A esses conceitos Francieli aliou a metodologia de fotoetnografia. Assim como a etnografia, que vai a campo buscar o contato direto com o objeto, a fotoetnografia exigiu que Francieli estivesse em pleno contato com a fronteira. Mas em vez de lápis e papéis à mão, foi com uma câmera fotográfica e suas lentes que a pesquisadora fez seu diário de campo.</p><p>Através de sua inserção no campo, entrevistas, observações e, claro, das fotos, Francieli buscou retratar o sentimento de pertencimento e o oposto, a falta de vínculos das pessoas com essas regiões de fronteira. Os não-lugares são representados pelas fotos em movimento, poluídas visualmente, trazendo o olhar do viajante. Já os lugares antropológicos trazem as características próprias daquele lugar, as pessoas e a cultura.</p><p>Em vez de lápis e papéis à mão, foi com uma câmera fotográfica e suas lentes que a pesquisadora fez seu diário de campo</p><p>Os dias nas fronteiras Brasil–Argentina e Brasil–Uruguai renderam a Francieli um ensaio fotográfico em que buscou representar a cultura própria desses lugares. A dissertação trouxe à pesquisadora o questionamento: Fronteira, limite ou passagem? Se o que responde a pergunta é o olhar do sujeito sobre o local, seguem algumas das muitas fotos feitas por Francieli Rebelatto em seu diário de campo.</p><p style="color: #000000;font-size: 16px"><em>Repórter: Natascha Carvalho</em></p><p style="color: #000000;font-size: 16px"><em>Fotografias: Francieli Rebelatto</em></p>]]></content:encoded>
													</item>
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