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	<title>Revista Arco</title>
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				<title>“Vivemos em pêndulos”</title>
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				<pubDate>Fri, 07 Dec 2018 20:12:01 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Dossiê Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Declaração Universal dos Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Erasto Fortes Mendonça]]></category>
		<category><![CDATA[fórum de direitos humanos da UFSM]]></category>
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						<description><![CDATA[Erasto Fortes Mendonça, professor aposentado da UNB, fala das oscilações conservadoras e progressistas do país à luz dos 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <span style="font-weight: 400;">A Declaração Universal dos Direitos Humanos foi criada pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1948, após o flagelo da Segunda Guerra Mundial. O documento tinha como objetivo construir novas bases ideológicas. Por causa disso, os dirigentes das potências que</span><span style="font-weight: 400;"> evoluíram</span><span style="font-weight: 400;"> no pós-guerra, caso dos Estados Unidos e da União Soviética, encabeçaram, na Conferência de Yalta, na Rússia, em 1945, os fundamentos para uma futura paz mundial. Essa reunião formou um bloco multilateral cuja intenção era mediar conflitos de nível internacional, distanciando-se de guerras, garantindo a paz e a democracia.    </span>

<span style="font-weight: 400;">Muitos casos de violação aos Direitos Humanos pairam ao nosso redor. Aqui, na UFSM, por exemplo, ocorreram </span><a href="https://www.ufsm.br/2018/10/30/nota-oficial-sobre-intolerancia/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-weight: 400;">casos de racismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> desde o ano passado. Na </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/brasil-44148576" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-weight: 400;">opinião</span></a><span style="font-weight: 400;"> de dois em cada três brasileiros, o conceito de que os Direitos Humanos servem apenas para defender criminosos está cada vez mais difuso. Apesar de ainda não existirem </span><a href="https://apublica.org/2018/08/truco-dados-sobre-assassinato-de-lgbts-sao-incompletos/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-weight: 400;">estudos comprobatórios</span></a><span style="font-weight: 400;">, o Brasil é um dos países no qual o cerceamento à liberdade da população LGBTQI+ levou à morte de pelo menos 445 pessoas, no ano passado. Conforme a </span><a href="http://carceraria.org.br/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-weight: 400;">Pastoral Carcerária</span></a><span style="font-weight: 400;">, o Brasil possui a terceira maior população de presos no mundo, tendo, hoje, cerca 725 mil presidiários, em um cenário onde a desobediência aos Direitos Humanos por parte das autoridades ganha força. </span>

<span style="font-weight: 400;">Foram sobre esses assuntos citados, entre outros, que Erasto Fortes Mendonça, docente aposentado da Universidade de Brasília (UNB), conversou com a reportagem da Revista Arco, antes da palestra que ministrou, no dia 5 de dezembro, durante a abertura do 1º Fórum dos Direitos Humanos da UFSM. O tema da conferência foi </span><i><span style="font-weight: 400;">Educação em Direitos Humanos à luz dos 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos</span></i><span style="font-weight: 400;">, abordando suas origens históricas, pela coincidência que existiu entre a data de celebração dos Direitos Humanos com os 30 anos da Constituição Federal. </span>

<span style="font-weight: 400;">Erasto foi conselheiro do Conselho Nacional de Educação e presidente da Câmara de Educação Superior, além de ter sido professor dos cursos de Pedagogia e Licenciaturas na UNB. Ele também foi convidado pelo ex-ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi (2005-2010), durante o governo Lula, para atuar na coordenação de um programa nacional de educação e Direitos Humanos, no Ministério da mesma área. </span>

<span style="font-weight: 400;">Veja a entrevista que a reportagem da revista Arco fez com o professor Erasto Mendonça a seguir:</span>

<b>ARCO: Segundo <a href="https://www.ipsos.com/pt-br/63-dos-brasileiros-sao-favor-dos-direitos-humanos" target="_blank" rel="noopener noreferrer">uma pesquisa do Instituto Ipsos</a> feita neste ano, seis em cada dez brasileiros afirmaram que os Direitos Humanos “defendem mais bandidos do que vítimas”, como, por exemplo, criminosos e terroristas. Por que o cidadão brasileiro criou tal concepção?</b>

<span style="font-weight: 400;"><strong>Erasto Mendonça:</strong> Existem algumas reflexões que nos remetem à tentativa de explicar o porquê, no Brasil, o que diz respeito aos Direitos Humanos é entendido como defesa de bandido por uma parcela expressiva  da população. É uma característica nacional que vem de uma parte muito importante da sociedade, em que a defesa dos Direitos Humanos se consolidou durante a ditadura militar. No golpe de 64, nós vivemos períodos de obscurantismo e perseguições políticas, mortes, desaparecimentos forçados e exílio. E nós temos pessoas que eram defensoras dos direitos civis e políticos daquelas pessoas perseguidas. Nessa época, essas pessoas eram consideradas bandidas. Eram as chamadas subversivas pelo estado ditatorial. Essa é uma forma muito rasa de depreciar a importância dos Direitos Humanos, já que agora essa questão se consolida, de maneira muito forte, pelo que se expressou nesta eleição presidencial, de 2018. </span>

<b>ARCO: Neste ano, houve o assassinato da vereadora Marielle Franco (Psol), que defendia a bandeira dos Direitos Humanos. Seu falecimento repercutiu, inclusive internacionalmente, e gerou muitas discussões acaloradas, com a propagação de </b><b><i>Fake News </i></b><b>vindas de algumas partes, sob alegação de que a política defendia bandidos. Afinal, por que existe este conceito, por parte da população, de que defender os Direitos Humanos, também é defender criminosos?</b>

<span style="font-weight: 400;"><strong>Erasto Mendonça: </strong>É uma tendência que o nosso país tem de conservadorismo. A sociedade brasileira é claramente conservadora. A eleição é a prova disso. É uma questão de projeto de país. Daí a importância da educação em Direitos Humanos. O caso Marielle reflete, de maneira exata, o que é essa distorção da prisão e do respeito aos Direitos Humanos. Marielle não foi morta por outra razão, creio eu, apesar da paralisação das investigações. Mas eu creio que ela tenha sido morta exatamente por defender Direitos Humanos para todos, indistintamente, inclusive das pessoas que estão no mundo do crime, porque nós não podemos esquecer que essas pessoas também são pessoas humanas, tendo a dignidade de qualquer outro. Eu acho que não se recupera uma pessoa que está em confronto com a lei sem respeitar a sua dignidade, numa situação de presídio.</span>

[caption id="attachment_5035" align="alignright" width="800"]<img class="wp-image-5035 size-full" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/12/MGM0444.jpg" alt="" width="800" height="1200" /> Professor Erasto palestra durante o 1° Fórum dos Direitos Humanos da UFSM[/caption]

<b>ARCO: Em novembro deste ano, uma caravana de migrantes partiu de Honduras e chegou a Tijuana, no México, que fica na fronteira com os Estados Unidos. Sabe-se que muitas dessas pessoas chegaram a ser recebidas a pedradas. Qual o papel dos Direitos Humanos na mediação de conflitos dessa magnitude? </b>

<span style="font-weight: 400;"><strong>Erasto Mendonça: </strong>O exílio está na Declaração de Direitos Humanos. Existe o direito de você ser recebido no país, como exilado, algo que está, também, na Declaração Universal. A questão da migração é muito anacrônica e contraditória. Os países da Europa, que são os mais avançados em sua organização interna para a colaboração com os Direitos Humanos, particularmente a França, pelo que representou a revolução francesa, da declaração dos direitos do homem e do cidadão, deveriam ser os mais abertos. No entanto, infelizmente, são esses países que mais se fecham para receberem quem vem em situação que, humanitariamente, deveria ser compreendida. </span>

<b>ARCO: O que significa a ONU em um contexto histórico que começou após a segunda Grande Guerra, fazendo um paralelo com a nossa atualidade, em relação à consolidação dos Direitos Humanos?</b>

<span style="font-weight: 400;"><strong>Erasto Mendonça: </strong>Eu acho que ela foi um organismo importante - e continua sendo - no sentido de reunir os países para que eles façam a sua adesão àquilo que é consensual. Isso está em vários tratados e pactos. É nesse sentido que entram os temas focais: questões raciais, questões das pessoas com deficiência, idosos, crianças, etc. Nesse sentido, a ONU induz os Estados Nacionais a respeito dos Direitos Humanos. </span>

<b>ARCO: Pelos episódios que se passam ao nosso redor e internacionalmente, com governos cada vez mais nacionalistas e reacionários, como no caso do presidente filipino Rodrigo Duterte, que manda executar, inclusive, usuários de qualquer tipo de droga, você acha que o mundo caminha em uma direção em que não haverá mais Direitos Humanos?  </b>

<span style="font-weight: 400;"><strong>Erasto Mendonça: </strong>Não creio. Vivemos em um período de profundo retrocesso ao conservadorismo, mas, se você analisar a linha da história, vai ver que vivemos em pêndulos. Uma hora a sociedade está bastante conservadora, na outra, como reação a isso, ela fica mais progressista. Eu não creio que tenhamos um retrocesso tão absoluto ao ponto de não pensarmos mais na existência de Direitos Humanos. Tenho a firme convicção de que, após um período de retrocesso, que eu não sei quanto tempo durará, voltaremos a uma vida mais aberta, de respeito aos Direitos Humanos. Vou citar uma frase do ex-ministro Ayres Britto, que já foi presidente do Supremo Tribunal Federal, que é um poeta também, além de jurista, que ele diz assim: “os Direitos Humanos são parte de um processo civilizatório da humanidade, irreversível, não tem retorno”. E eu quero acreditar nessa crença de que é um processo sem retorno. Você pode ter momentos de fluxo que andam para trás, mas, logo a seguir, damos dois passos à frente. </span>

<b>ARCO: Existe uma preocupação bem expressiva, especialmente pensando em 2019, no que tange à violação dos Direitos Humanos no sistema prisional brasileiro, que hoje aloca mais de 700 mil presos. Você sente que a violência vinda do Estado policialesco possa vir a aumentar e infringir isso? </b>

<span style="font-weight: 400;"><strong>Erasto Mendonça: </strong>Ele já existe. Mas vai ser recrudescido pela forma como se está declarando. No projeto de transição, isso está ficando mais claro. Isso se espalha em setores, não é só na questão carcerária. Tentar resolver os problemas de segurança pública pela errônea ideia de distribuir armas para o cidadão chamado de “bem” é um erro crasso do ponto de vista público em Direitos Humanos, mas ele se espalha em outros setores. Só para dar um exemplo local, aqui, em Santa Maria, eu tenho conhecimento de que ontem (terça-feira, dia 4 de dezembro), na Câmara Municipal, houve o recebimento de uma manifestação intensa de estudantes e de entidades a respeito da questão do projeto de lei da “mordaça”, que eles chamam de Escola sem Partido. É uma coisa de uma violência absoluta total, que atinge a universidade, que atinge a Educação Básica e seu direito de liberdade de opinião, de manifestação de opinião, sob a alegação de uma doutrinação ideológica que os professores estariam supostamente fazendo. A ideologia que está por trás disso é o que exatamente é uma tentativa de doutrinação que a escola poderá sofrer daqui para frente, se um projeto desses for aprovado. E eu não creio que ele deixará de ser aprovado, porque existem períodos em que esses retrocessos estão acontecendo. </span>

<b>ARCO: Diante de tudo isso que já conversamos, você teria mais alguma preocupação a expressar? </b>

<span style="font-weight: 400;"><strong>Erasto Mendonça: </strong>Veja bem: o Brasil é o país que mais mata a população LGBT. Se você olhar os indicadores sociais, quem são os principais assassinados? Os jovens negros. Nós entramos na estatística da fome, novamente, depois de décadas de trabalho. A mortalidade infantil está aumentando progressivamente, depois de décadas de grandes avanços que o Brasil teve. Então, o que mais a gente poderia dizer para expressar concretamente que os direitos estão sendo cada vez mais violados pelo Estado, que deveria ser o garantidor dos Direitos Humanos?</span>

<b>Reportagem: </b><span style="font-weight: 400;">Guilherme de Vargas, acadêmico de Jornalismo</span>

<b>Edição: </b><span style="font-weight: 400;">Luciane Treulieb, jornalista</span>

<b>Fotografia:</b><span style="font-weight: 400;"> Rafael Happke</span>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Humanidade em foco</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/humanidade-em-foco</link>
				<pubDate>Thu, 06 Dec 2018 19:36:27 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Dossiê Direitos Humanos]]></category>
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						<description><![CDATA[Exposição da Pró-Reitoria de Extensão da UFSM traz ensaios fotográficos de minorias sociais e direitos humanos
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <span style="font-weight: 500;">No 1º Fórum de Direitos Humanos da UFSM, o movimento LGBTQI+ e a pluralidade que caracteriza o Sul do país são ressaltados em duas mostras fotográficas. As imagens, que estão expostas no hall da Reitoria até esta sexta-feira (7), reforçam temas como igualdade de gênero, sexualidade, etnia e religião. </span>

<b>O arco-íris em evidência </b>

<img class="size-full wp-image-5018 aligncenter" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/12/2°-parada-de-orgulho-LGBT-alternativa-de-Santa-Maria-1.jpg" alt="" width="6000" height="4000" />Uma das exposições no hall da Reitoria é organizada com as imagens produzidas pela publicitária Bruna Casser em 2016, durante um trabalho para a disciplina de Comunicação e Cultura do curso de Publicidade e Propaganda. As fotografias realizadas durante a 2ª Parada LGBTQI+ Alternativa têm como objetivo, segundo Bruna, “mostrar para as pessoas um pouco do que vivenciamos naquele espaço, mostrar que existem pessoas por trás de tudo aquilo.  Representar isso através da fotografia é uma maneira pura e confortável de registrar o sentimento de liberdade que exala em ambientes que nos sentimos à vontade”.

<img class="alignleft size-full wp-image-5019" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/12/2°-parada-de-orgulho-LGBT-alternativa-de-Santa-Maria-2.jpg" alt="" width="6000" height="4000" />

<span style="font-weight: 500;">Mesmo tendo finalizado o ensaio fotográfico em 2016, ano em que a 2ª Parada Alternativa ocorreu, Bruna afirma que seu trabalho ainda se faz relevante devido “às pessoas que conhecemos, suas histórias e suas lutas”. Para ela, é necessário representar a comunidade LGBTQI+ e lutar contra o preconceito e a repreensão. “Esse trabalho se apresenta em um momento em que só unida é que uma minoria percebe sua grandeza”.</span>

<b>O Sul como pano de fundo </b>

<img class="size-full wp-image-5020 aligncenter" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/12/MGM0456.jpg" alt="" width="800" height="533" />

<span style="font-weight: 500;">Na segunda exposição do 1º Fórum de Direitos Humanos da UFSM, o público pode conferir imagens de pessoas que integram o universo da educação básica e universitária. O projeto fotográfico </span><i><span style="font-weight: 500;">Regionalidades do Sul: Protagonismo Biográfico e Narrativas de Vida no Universo Acadêmico</span></i><span style="font-weight: 500;"> é coordenado pelo professor Jorge Luiz da Cunha e faz parte do Núcleo de Estudos sobre Memórias e Educação (CLIO) da UFSM, originado a partir de uma experiência realizada pela Professora Joana Elisa Röwer, da Universidade Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB).</span>

<span style="font-weight: 500;">Um dos objetivos do projeto de extensão é questionar a identidade gaúcha construída a partir da década de 1950. Para Jorge Cunha, a imagem antiga que se tem não corresponde à diversidade de existências individuais, sociais, culturais e políticas pertencentes ao extremo sul do Brasil. “Cada um é cada um e é nessa consciência de diversidade que podemos construir estrategicamente alternativas de viver juntos em igualdade e reconhecimento”, afirma ele.</span>

<img class="size-full wp-image-5021 aligncenter" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/12/MGM0465.jpg" alt="" width="800" height="533" />

<span style="font-weight: 500;">Impressas em tecido, as dezesseis imagens que compõem a exposição mostram os rostos dos entrevistados para contar suas experiências e trajetórias, além de citações de cada um. Para o docente, o público deve enxergar a subjetividade das respostas: “a interpretação do dito ou do escrito deve ser mais do que uma interpretação pura daquilo que originalmente o narrador quis dizer”. Entre as diversas frases apresentadas, questões de gênero, sexualidade, etnia e religião se destacam. O coordenador diz que esse “é um tipo de registro que estimula sentidos e aprofunda nossa reflexão sobre a diferença do outro e a nossa”.</span>

<img class="size-full wp-image-5022 aligncenter" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/12/MGM0466.jpg" alt="" width="800" height="533" />

<b>Reportagem: </b>Paulo César Ferraz, acadêmico de Jornalismo

<b>Edição: </b>Luciane Treulieb, jornalista

<b>Fotografia:</b> Rafael Happke]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Onde se esconde o assédio?</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/onde-se-esconde-o-assedio</link>
				<pubDate>Wed, 05 Dec 2018 20:17:28 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Dossiê Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[assédio moral]]></category>
		<category><![CDATA[assédio sexual]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[direitos humanos]]></category>
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		<category><![CDATA[GP]]></category>
		<category><![CDATA[Pesquisa]]></category>
		<category><![CDATA[trabalho]]></category>

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						<description><![CDATA[Casos de hostilidade, silêncio e omissão relatados por profissionais de comunicação serão tema de palestra do Fórum de Direitos Humanos da UFSM ]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <span style="font-weight: 400;">Nove em cada dez mulheres e quase oito em cada dez homens afirmam já ter sofrido algum tipo de assédio, sexual ou moral. É o que comprova a pesquisa </span><i><span style="font-weight: 400;">Hostilidade, silêncio e omissão: o retrato do assédio no mercado de comunicação de São Paulo</span></i><span style="font-weight: 400;">, realizada pelo </span><a href="https://grupodeplanejamento.com/"><span style="font-weight: 400;">Grupo de Planejamento</span></a><span style="font-weight: 400;"> (GP), de São Paulo - </span><span style="font-weight: 400;">entidade sem fins lucrativos que capacita planejadores e estrategistas - em parceria com o </span><a href="http://www.qualibest.com/"><span style="font-weight: 400;">Instituto QualiBest</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span>

<span style="font-weight: 400;">A pesquisa, composta por questões objetivas e descritivas, foi disponibilizada na internet e contabilizou 1400 respondentes, sendo 68% mulheres e 32% homens, da faixa etária de 33 anos. Os questionários ficaram disponíveis de 10 a 30 de outubro de 2017 a profissionais da comunicação de São Paulo capital e região metropolitana.</span>

<span style="font-weight: 400;"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-5008" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/12/moça_bonita.jpg" alt="" width="150" height="150" />Lara Thomazini, formada com Comunicação Social pela Universidade Federal da Bahia e voluntária do GP, </span><span style="font-weight: 400;">participará do </span><a href="https://www.ufsm.br/2018/11/27/pro-reitoria-de-extensao-realizara-primeiro-forum-de-direitos-humanos/"><span style="font-weight: 400;">Fórum de Direitos Humanos da UFSM</span></a><span style="font-weight: 400;">, amanhã (06). Confira a entrevista que a nossa equipe fez com a pesquisadora:</span>

<b>ARCO: Para ti, como foi visualizar os resultados obtidos a partir da pesquisa?</b>

<b>Lara: </b><span style="font-weight: 400;">Eu sabia que os números seriam altos, não imaginava que seriam tão altos. Foi um choque, mas ao mesmo tempo percebi que nós tínhamos uma ferramenta importante em mãos para poder gerar pauta, pressão e mudanças.</span>

[caption id="attachment_4995" align="aligncenter" width="800"]<img class="wp-image-4995 size-full" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/12/21.jpg" alt="" width="800" height="785" /> Fonte: Pesquisa sobre assédio: Report, 2017[/caption]

<b>ARCO: Pelos resultados, percebe-se grande envolvimento das lideranças e chefias nos casos de assédio. Qual é a expressividade disso?</b>

<b>Lara: </b><span style="font-weight: 400;">Alta. Cerca de 1/3 das pessoas que sofreram assédio moral foram assediadas por um presidente ou sócio, incluindo 22% dos assistentes/estagiários. Igualmente, 1/3 das mulheres assediadas sexualmente foram assediadas por um presidente ou sócio. É importante ressaltar que presidentes ou sócios representam uma minoria numérica, então os números são realmente significativos.</span>

<img class="aligncenter wp-image-5003 size-large" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/12/box3-1024x549.png" alt="" width="1024" height="549" />

<img class="aligncenter size-full wp-image-4998" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/12/31.jpg" alt="" width="800" height="505" />

[caption id="attachment_4997" align="aligncenter" width="800"]<img class="wp-image-4997 size-full" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/12/30.jpg" alt="" width="800" height="490" /> Fonte: Pesquisa sobre assédio: Report, 2017[/caption]

<b>ARCO: Diante de um caso de assédio, a denúncia aos setores e órgãos responsáveis, por parte dos profissionais de comunicação, é recorrente? E as providências cabíveis são tomadas?</b>

<b>Lara:</b><span style="font-weight: 400;"> Não. As pessoas têm medo de denunciar, as denúncias não são investigadas, há riscos de represália, e por isso há pouca providência sendo tomada. No último ano muitas agências se estruturaram melhor para receber denúncias de maneira mais empática e efetiva, mas não temos como saber o quanto mudou.</span>

<img class="aligncenter size-full wp-image-4999" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/12/32.jpg" alt="" width="800" height="770" />

[caption id="attachment_5000" align="aligncenter" width="800"]<img class="wp-image-5000 size-full" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/12/37.jpg" alt="" width="800" height="610" /> Fonte: Pesquisa sobre assédio: Report, 2017[/caption]

<b>ARCO: Qual a relação entre qualquer tipo de assédio e os Direitos Humanos?</b>

<b>Lara: </b><span style="font-weight: 400;">Existem dois pontos importantes. O primeiro é que assédio é um obstáculo para a diversidade. Assédio se mistura com racismo, homofobia, machismo, elitismo e outros ismos perigosos, e acaba criando um ambiente de trabalho significativamente mais difícil para grupos minorizados. Isto exclui estes grupos de tomadas de decisões, decisões estas que constroem cultura e retroalimentam um ciclo. </span><span style="font-weight: 400;">O segundo é que assédio se refere a relações de trabalho. É ganha pão, subsistência, sobrevivência. Isto deixa as pessoas fragilizadas na relação, porque as represálias podem significar desemprego.</span>

<b>ARCO: De que maneira a qualidade das relações humanas (ou a falta dela) no ambiente de trabalho podem interferir no desempenho e na saúde mental do profissional?    </b>

<b>Lara: </b><span style="font-weight: 400;">Completamente. O assédio moral é um fator de adoecimento, e se discute a possibilidade de incluí-lo no código penal. Na nossa pesquisa há inclusive casos de tentativa de suicídio decorrentes do assédio moral.</span>

<img class="aligncenter size-full wp-image-5004" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2018/12/box4.jpg" alt="" width="800" height="345" />

<b>ARCO: Em sua visão, que medidas são necessárias diante do cenário alarmante de casos de assédio nos ambientes de trabalho? A quem cabe?</b>

<b>Lara: </b><span style="font-weight: 400;">Além de o poder público funcionar (ele já tem os mecanismos, só precisa efetivá-lo melhor), é responsabilidade das empresas criarem ambientes saudáveis de trabalho. Isto inclui tolerância zero [a casos de assédio], códigos de conduta bem desenhados e relevantes, espaços de denúncia que acolham e priorizem o atendimento à vítima e discussões e debates frequentes sobre o assunto.</span>

<img class="aligncenter size-full wp-image-5005" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/12/box5.jpg" alt="" width="800" height="290" />

<b>ARCO: Qual a relevância de debater sobre os Direitos Humanos em um ambiente acadêmico?</b>

<b>Lara: </b><span style="font-weight: 400;">Acho fundamental por dois motivos: de um lado, a oportunidade de falar com futuros profissionais, que vão ingressar no ambiente de trabalho e participar de sua cultura. Do outro, o espaço acadêmico é importante espaço de pesquisa e debate para a criação de novos estudos, pesquisas, abordagens e direcionamentos sobre os diferentes temas. Direitos Humanos é hoje um tema de resistência no Brasil, o que não faz o menor sentido. É fundamental que a academia seja co-responsável por enquadrar a narrativa sobre o assunto, demonstrar as aplicações práticas e fomentar uma conversa séria e não populista sobre o tema.</span>

<img class="aligncenter size-full wp-image-5001" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/12/box1.jpg" alt="" width="800" height="790" />

[caption id="attachment_5002" align="aligncenter" width="800"]<img class="wp-image-5002 size-full" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/12/box2.jpg" alt="" width="800" height="430" /> Pesquisa sobre assédio: Report, 2017[/caption]

<b>Reportagem:</b><span style="font-weight: 400;"> Andressa Motter, acadêmica de Jornalismo </span>

<b>Edição:</b><span style="font-weight: 400;"> Tainara Liesenfeld, acadêmica de Jornalismo</span>

<b>Ilustração: </b><span style="font-weight: 400;">Divulgação - I Fórum de </span> <span style="font-weight: 400;">Direitos Humanos</span>

<b>Infografia: </b><span style="font-weight: 400;">Pesquisa sobre assédio: Report, 2017</span>]]></content:encoded>
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