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	<title>Revista Arco</title>
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				<title>Dossiê Mudanças Climáticas: Segurança alimentar em xeque</title>
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				<pubDate>Thu, 29 Feb 2024 13:02:11 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[13ª Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Dossiê UFSM]]></category>
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		<category><![CDATA[mudanças climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[produção de alimentos]]></category>

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						<description><![CDATA[Eventos climáticos extremos mais frequentes e intensos afetam a produção mundial de comida e intensificam a insegurança alimentar em comunidades locais]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  Milho, soja, feijão, arroz, leite, carne bovina e frango tiveram aumento significativo de preços em 2022. Além da crise econômica, os eventos climáticos extremos que atingiram o Brasil em 2021 e 2022 também são motivos do maior custo dos alimentos. Bahia, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro registraram enchentes com centenas de mortos, de acordo com o Sistema Integrado de Informações sobre Desastres do Ministério do Desenvolvimento Regional (S2ID/MDR). Além disso, no sudeste e sul do país, principalmente em São Paulo e no Rio Grande do Sul, a ausência de chuvas provocou uma estiagem severa que, no estado gaúcho, é a segunda maior já registrada, de acordo com o Monitor de Secas do Brasil, da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). Tanto o excesso quanto a falta de água afetam a produção de alimentos: a agricultura funciona por meio de ciclos e de cadeias de produtividade e, caso haja desequilíbrios em alguma etapa, a safra pode ser prejudicada. De acordo com o relatório de 2021 do Painel Intergovernamental sobre o Clima (IPCC), da Organização das Nações Unidas (ONU), com a intensificação dos fenômenos das mudanças climáticas, a produção de alimentos brasileira será menor, principalmente em função da maior frequência dos eventos climáticos extremos, como secas, enchentes e incêndios.

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Para Dilson Bisognin, professor no Departamento de Fitotecnia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), o aumento da temperatura impacta todas as populações de plantas, inclusive no crescimento de patógenos - como bactérias, fungos e vírus - e plantas daninhas mais resistentes, além de afetar os animais.&nbsp;“Qualquer mudança no ambiente vai afetar a vida do planeta. Mínimas mudanças têm um enorme efeito nas populações. Por exemplo, em 2022, os meses de restrição hídrica tiveram um enorme impacto nas plantas e microorganismos”, explica o docente. Segundo o relatório "Mudanças Climáticas e Eventos Extremos no Brasil", da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS), durante os últimos 50 anos, a América do Sul teve ampliação de intensidade e frequência dos eventos climáticos extremos. Isso aumenta os custos econômicos e sociais e impacta principalmente os setores da agricultura, da geração de hidroeletricidade, os centros urbanos e a biodiversidade.
<h3>4 pilares</h3>
A segurança alimentar se baseia em quatro pilares: disponibilidade, utilização, estabilidade e acesso.

<em>Com base em dados do relatório do IPCC 2020 - 2021.</em>
<h4>DISPONIBILIDADE</h4>
Resultado dos processos de produção, armazenamento, processamento, distribuição e troca de alimentos. Se a produção é afetada, as outras etapas também serão. Em uma estiagem, a ausência de água na produção pode acarretar, por exemplo, a falta de tomate na prateleira do supermercado.
<h4>UTILIZAÇÃO</h4>
Modo como se utilizam os alimentos (envolve a composição nutricional, a preparação e a qualidade). As mudanças climáticas influenciam o modo como os alimentos serão consumidos. Na safra de tomate prejudicada pela estiagem, a pouca disponibilidade eleva os preços, o que impacta a capacidade de compra das pessoas, que deixam de consumir o alimento.
<h4>ESTABILIDADE</h4>
Capacidade das pessoas em acessar e usar alimentos diariamente. Em um cenário de aumento do preço dos alimentos, que é intensificado pelos eventos climáticos extremos, uma família de média ou baixa renda pode não ter dinheiro para comprar comida de qualidade todos os dias.
<h4>ACESSO</h4>
Capacidade de obter comida com preços acessíveis. Os itens mais afetados com o aumento de preços costumam ser os cereais e produtos de origem animal. O acesso influencia a estabilidade alimentar.
<h3>Sistemas produtivos</h3>
Os últimos relatórios do IPCC, inclusive o de 2022, apontam que as mudanças climáticas podem afetar diferentes sistemas produtivos, como a pecuária, a polinização, a aquicultura e a agricultura familiar (veja detalhes na próxima página). Além disso, são os locais mais vulneráveis que têm maior possibilidade de serem atingidos pelos efeitos de eventos climáticos extremos. “Os alimentos, nos últimos tempos, têm sido encarados enquanto mercadoria e não são produzidos com a finalidade de consumo e de alimentar as pessoas”, argumenta Cleder Fontana, docente no Departamento de Geociências da UFSM e líder do Núcleo de Estudos em Geografia, Agricultura e Alimentação (NUGAAL). Ou seja, a produção de commodities - em grande escala, como os grãos - deve continuar crescendo globalmente e gerar riscos à segurança alimentar, devido à conversão de áreas produtoras de alimentos em áreas produtoras de matéria-prima para os agrocombustíveis.
<h3>Efeito cascata</h3>
De acordo com Juliano Barin, docente no Departamento de Tecnologia e Ciência dos Alimentos da UFSM, elementos como os insumos, a água, o solo e o trabalho humano também são parte integrante dos sistemas produtivos alimentares. “São cadeias que estão interligadas. Por exemplo, o milho é muito usado para ração animal. Então, se tiver uma quebra na produção do milho, o preço da carne vai aumentar, especialmente a de frango. Qualquer alteração climática que tenha uma quebra na produção vai impactar em efeito cascata”, explica.

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1. Quando há estiagem, a safra de milho é prejudicada (tanto para a colheita do grão quanto para o corte da planta).

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2. Para o gado, a ração e a silagem (milho picado e fermentado) tem custo maior e menos qualidade. O frango também é afetado, a ração, que é a base da alimentação, é feita de milho, cujo custo fica maior.

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3. Com isso, os preços do leite, dos ovos, da carne de gado e de frango aumentam. Nos supermercados, nem todas as pessoas conseguem adquirir estes e outros itens básicos da alimentação.
<h3>Insegurança alimentar e fome</h3>
Somente no Brasil, são mais de 33 milhões de pessoas que passam fome, de acordo com dados do 2º inquérito sobre insegurança alimentar produzido pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Penssan). Conduzida em 2022,
a pesquisa mostra que só quatro a cada dez famílias têm acesso pleno à alimentação. Os números altos mostram um cenário preocupante. Os relatórios do IPCC alertam que a insegurança alimentar e a fome podem aumentar com o cenário de maior frequência
e intensidade dos eventos climáticos extremos. No entanto, para Cleder Fontana, é preciso cautela na análise, uma vez que a fome não é causada apenas pelas mudanças climáticas. “Temos que pensar que a fome é um problema, sobretudo, político. E quando fazemos a relação de mudanças climáticas, aquecimento global e fome, corremos o risco de dar uma explicação simplista, de que a fome é um problema que deriva de uma condição natural, apesar de que os dois problemas guardam similaridades, pois ambos são sociais”, alerta. O docente reforça que abordar outros aspectos que causam a fome e a insegurança alimentar não vão contra o consenso científico da existência das mudanças climáticas e seus efeitos.

Mesmo assim, de acordo com estudos da Organização&nbsp;das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura&nbsp;(FAO), as mudanças climáticas vão impactar,&nbsp;de forma negativa, os pilares da segurança alimentar.&nbsp;De acordo com o IPCC e a Convenção das Nações&nbsp;Unidas para o Combate à Desertificação (UNCDD),&nbsp;os mais afetados serão os produtores e consumidores&nbsp;de baixa renda, principalmente por conta da ausência&nbsp;de recursos que possibilitem o investimento em&nbsp;adaptações, tanto em sistemas produtivos quanto no&nbsp;consumo. “Com certeza pode afetar as populações&nbsp;e produções locais, que abastecem as pessoas com&nbsp;alimentos, especialmente no contexto em que as&nbsp;pessoas não têm recursos financeiros para comprar”,&nbsp;afirma Cleder.
<h3>Insegurança alimentar e fome</h3>
Com base em dados do relatório do IPCC 2020 - 2021.

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PECUÁRIA: impactado pela combinação de temperaturas mais altas, a variação da precipitação, a concentração de
dióxido de carbono atmosférico (CO₂) e a disponibilidade da água. Consequências são a diminuição da oferta e o aumento do preço de carnes, problemas na reprodução, na saúde animal e na qualidade das pastagens, além do aumento de doenças.

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AGRICULTURA FAMILIAR: eventos&nbsp;como estiagens e inundações, principalmente,&nbsp;impedem a produção de&nbsp;alimentos que, muitas vezes, são, além&nbsp;da única fonte de renda, também a&nbsp;fonte alimentar das famílias do campo.

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POLINIZAÇÃO: afetado, principalmente,&nbsp;pelo aumento de patógenos mais virulentos,&nbsp;como o fungo Nosema cerana,&nbsp;que se prolifera em temperaturas mais&nbsp;altas.

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AQUICULTURA: inundações trazem&nbsp;perda na produção, mais risco de doenças,&nbsp;algas tóxicas e parasitas, aumenta&nbsp;o risco de eutrofização (ausência de&nbsp;oxigênio na água, que leva à morte de&nbsp;plantas e animais) e pode provocar a&nbsp;escassez das sementes silvestres.

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<h3>Insegurança alimentar e fome</h3>
Em documento de 2021, o IPCC alerta que ao menos um terço da produção de alimentos está em risco como resultado do aquecimento
global. Apesar de a agricultura familiar figurar como a mais afetada pelas mudanças climáticas, o agronegócio não fica de fora. Dilson Bisognin concorda com essa afirmação e alerta que, uma vez que há alterações em pragas e doenças de plantas, que se tornam mais resistentes, cultivares mais adequadas devem ser desenvolvidas, tanto para cenários de temperaturas mais altas quanto para o enfrentamento dos patógenos. O docente ainda afirma que o cenário brasileiro é preocupante, uma vez que houve redução e restrição de recursos para a ciência e o desenvolvimento tecnológico. “Nós vamos ter que ter uma preparação a longo prazo, e nós não temos uma preocupação a longo prazo. Vamos ter muita dificuldade em ter pessoas qualificadas, tecnologia e ciência para dar resposta a isso. A partir
do momento que se tira recurso da ciência e da tecnologia, está atrasando toda a resposta”, evidencia Dilson.

Um exemplo de como os eventos climáticos extremos afetam&nbsp;o agronegócio está na estimativa feita pela Associação das Empresas&nbsp;Cerealistas do Estado do Rio Grande do Sul (Acergs) em maio&nbsp;de 2022: 65% da safra de milho do ano foi comprometida, o que&nbsp;corresponde a uma perda de quatro milhões de toneladas e R$ 6,3&nbsp;bilhões. Na soja, a redução da produção no mesmo período é de&nbsp;48,7% (10,2 milhões de toneladas ou R$ 32,4 bilhões), de acordo&nbsp;com a Rede Técnica Cooperativa (RTC), filiada à Cooperativa&nbsp;Central Gaúcha Ltda (CCGL). No entanto, o setor do agronegócio&nbsp;tem mais recursos para lidar com o cenário, principalmente&nbsp;por meio do uso e desenvolvimento de tecnologias. Para Dilson,&nbsp;apesar de ser fundamental, a tecnologia não pode ser a única&nbsp;solução para a problemática. “A tecnologia é excludente, e as&nbsp;mudanças climáticas vão favorecer e justificar novas tecnologias”,&nbsp;afirma. Para o docente, a agricultura familiar é mais afetada&nbsp;pelos eventos climáticos extremos já que tem menos recursos&nbsp;financeiros para investir em tecnologia.&nbsp;

Em 2010, Dilson coordenou um estudo no Departamento de&nbsp;Fitotecnia sobre os efeitos da evolução das temperaturas no cultivo&nbsp;de batatas. Na época, a conclusão da pesquisa já apontava que&nbsp;o aumento do CO₂ e de temperatura resulta em consequências&nbsp;para este cultivo, como o menor crescimento da planta, redução&nbsp;do ciclo de desenvolvimento, menor produtividade&nbsp;e mais risco de doenças. “A grande resposta desses&nbsp;estudos é mostrar qual é o impacto que pode ter&nbsp;uma alteração muito pequena de temperatura, que&nbsp;vai causar grandes consequências, porque ela afeta&nbsp;todas as populações de seres vivos. Vão surgir novos&nbsp;patógenos, cada vez mais difíceis de serem controlados&nbsp;porque eles vão chegar em um ambiente que está&nbsp;em desequilíbrio”, destaca Dilson. O docente também&nbsp;afirma que hoje, mais de dez anos depois, o cenário&nbsp;é diferente e que, na época em que desenvolveu a&nbsp;pesquisa, havia mais possibilidades e condições de&nbsp;remediação das consequências. “Estamos muito atrasados”,&nbsp;pontua.

Outro estudo que mede esses impactos foi desenvolvido no campus da UFSM de Cachoeira do Sul. Com as estimativas de crescimento de temperatura de 1º a 1,5º, a produção leiteira no Rio Grande do Sul pode diminuir até cinco litros por dia. “À medida que aumenta a temperatura, vai aumentar o calor e o estresse calórico e, no verão, vai ter muito prejuízo na produção de leite”, afirma Zanandra Boff de Oliveira, docente do curso de Engenharia Agrícola na UFSM Cachoeira do Sul.

Para a pesquisadora, apesar de ter uma cadeia mais&nbsp;desafiadora, a produção não vai diminuir: “Vamos&nbsp;conseguir avançar para encontrar a melhor forma de&nbsp;produzir diante desse contexto. Talvez com aumento&nbsp;de custo, mas não um desequilíbrio. Não acredito que&nbsp;vai faltar produto. Vamos evoluir junto com o problema”.&nbsp;Soluções possíveis seriam sistemas de pastoreio&nbsp;com mais sombras ou galpões de alimentação com&nbsp;ventilação para a redução do estresse corporal, tipo&nbsp;de construção que demanda investimento.

<strong>Reportagem: </strong>Samara Wobetto
<strong>Diagramação:</strong> Evandro Bertol
<strong>Ilustrração:</strong> Noam Wurzel.]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>O que são os “solos negros”, fundamentais para a segurança alimentar e controle das mudanças climáticas? </title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/o-que-sao-os-solos-negros-fundamentais-para-a-seguranca-alimentar-e-controle-das-mudancas-climaticas</link>
				<pubDate>Thu, 15 Dec 2022 17:16:42 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[arco entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Black Soils]]></category>
		<category><![CDATA[destaque arco]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[mudanças climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[Solos negros]]></category>

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						<description><![CDATA[Professor da UFSM representa o Brasil na Rede Internacional de Black Soils e fala sobre a importância da preservação dessas áreas
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 10pt;margin-bottom: 10pt">Em meio às consequências das mudanças climáticas e da insegurança alimentar, pesquisadores do mundo todo se mobilizam para pensar estratégias de desenvolvimento sustentável para o futuro. A <u><a href="https://www.fao.org/global-soil-partnership/inbs/en/" target="_blank" rel="noopener">Rede Internacional de Solos Negros (INBS)</a></u>, órgão integrante da <u><a href="https://www.fao.org/home/en/" target="_blank" rel="noopener">Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO)</a></u>, é uma dessas iniciativas que reúne especialistas para discutir questões relacionadas à conservação e ao manejo dos chamados black soils.</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 10pt;margin-bottom: 10pt">Os solos negros são caracterizados pela cor escura e se destacam pelo alto potencial de armazenamento de carbono, característica fundamental na luta contra as mudanças climáticas. Isso porque, ao aumentar os estoques de carbono no solo, os níveis de dióxido de carbono (principal gás responsável pelo efeito estufa) são reduzidos na atmosfera. Além disso, a presença do carbono no solo traz melhorias em suas propriedades físicas, químicas e biológicas, tornando-o mais produtivo e fértil.</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 10pt;margin-bottom: 10pt">Mas, segundo a FAO, os solos negros estão sob ameaça. Atualmente, parte do solo preto é usada para produção agrícola de forma inadequada, o que contribui para a degradação severa de grandes extensões de terra.</p><p>O professor Ricardo Bergamo Schenato, coordenador do <u><a href="https://www.ufsm.br/grupos/neprade/" target="_blank" rel="noopener">Núcleo de Estudos e Pequisas em Recuperação de Áreas Degradadas (Neprade)</a></u> da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), foi indicado pela <u><a href="https://www.sbcs.org.br/" target="_blank" rel="noopener">Sociedade Brasileira de Ciência do Solo (SBCS)</a></u> para ser o representante do Brasil na Rede que busca uma colaboração global para pensar o uso dos solos negros. A Revista Arco conversou com o professor Ricardo para entender mais sobre o assunto:</p>		
												<img width="1024" height="670" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/12/Capa-1024x670.jpg" alt="" loading="lazy" />														
		<p id="docs-internal-guid-bd37b00a-7fff-8401-1262-1bab25e21670" dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Arco: Poderia explicar sobre as principais pesquisas que você desenvolve atualmente?</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Ricardo: As principais pesquisas que realizamos são para entender o solo dentro da sua variabilidade no espaço e no tempo. Nesse contexto, precisamos compreender o solo como um componente da natureza que é essencial para a vida como conhecemos no nosso planeta, por isso, (re)conhecer suas múltiplas funções, medir diversas variáveis, restaurar sua capacidade de suportar a vida são muito importantes não só como linha de pesquisa, mas para a nossa sobrevivência. No setor de Pedologia [ciência que estuda o solo] e junto ao Neprade, as minhas pesquisas são direcionadas a entender como o solo funciona na paisagem e na modelagem do carbono em diferentes contextos ambientais, e como preservá-lo.</p><p dir="ltr"> </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Arco: O que são os “black soils” e onde se localizam?</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Ricardo: Os black soils são um tipo especial de solo cujas características principais são ter uma camada superficial de cor preta e enriquecido com carbono até 25cm de profundidade. Esses solos são encontrados em diversas regiões do planeta, existe uma área de aproximadamente 725 milhões de hectares, o que compreende 7% dos solos do mundo. Cerca de metade desses solos estão no território da Rússia, seguido por Cazaquistão e China. Outros países em que eles ocorrem são Argentina, Paraguai, Bolívia, Colômbia, Hungria, Indonésia, Polônia, Ucrânia, Estados Unidos, Brasil, entre outros.</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">    </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Arco: Qual é a importância da preservação destes solos?</p><p>Ricardo: Os black soils têm uma importância muito grande na segurança alimentar e nas mudanças climáticas. Eles são essenciais para sustentar a produção de alimentos, a diversidade da vida e uma série de serviços ecossistêmicos. Em muitos países eles são considerados a "cesta de alimentos", pois são os solos que sustentam a produção agrícola, garantem os alimentos à população e sustentam boa parte da economia. Para se ter uma dimensão da importância desses solos, podemos citar alguns dados: aproximadamente 66% da produção de sementes de girassol, 30% da produção de trigo e 26% da produção de batata no mundo provêm dos black soils. Milho, cevada, soja, pastagens e algodão são outros exemplos de culturas desenvolvidas sobre eles. Além disso, muitas comunidades vivem sobre esses solos, como é o caso de 93% da população da Moldávia e 52% da população da Ucrânia. Não é por acaso que dois terços desses solos são usados com a agricultura e parte dessa fração encontra-se ameaçada pela degradação do solo.</p>		
												<img width="1024" height="768" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/12/20221013_090812-1024x768.jpg" alt="" loading="lazy" />														
		<p id="docs-internal-guid-cbe83306-7fff-3fb9-e78f-9c4760c6fdbd" dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Arco: Pode explicar como se dá a relação desse tipo de solo com as mudanças climáticas e a segurança alimentar?férti</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Ricardo: Devido a essa característica especial, de conseguir armazenar grande quantidade de carbono, os black soils são grandes reservas de carbono no nosso planeta. Na Europa, por exemplo, esses solos são responsáveis por metade do potencial de sequestro de carbono do continente. Em um planeta que já experimenta as consequências das mudanças climáticas, a capacidade de manter o carbono no solo é a diferença entre o planeta que conhecemos hoje e um planeta com grandes áreas em que a agricultura se inviabilize como resultado de mudanças nos padrões de chuva e temperatura. Por isso, conhecer, preservar e desenvolver processos tecnológicos para a agropecuária em áreas de black soils é vital.</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Em relação à segurança alimentar, o fundamental é que esses solos são muito férteis e, consequentemente, muito produtivos. O próprio teor alto de carbono já garante uma boa capacidade de armazenar nutrientes e água, mas os black soils, em sua maioria, ainda são ricos em nutrientes essenciais às plantas, como o potássio e o fósforo. Essas características permitem aos agricultores boas colheitas com menor dependência de insumos externos.  </p><p> </p><table style="border: none;border-collapse: collapse;width: 451.27559055118115pt"><colgroup><col /></colgroup><tbody><tr style="height: 0pt"><td style="vertical-align: top;padding: 5pt 5pt 5pt 5pt;overflow: hidden;border: solid #000000 1pt"><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Sequestro de Carbono é o termo utilizado para indicar a exclusão do gás carbônico (CO₂) da atmosfera e sua transformação em oxigênio (O₂). Este processo ocorre principalmente de forma natural através do solo e dos oceanos. Os principais agentes do sequestro de carbono são os organismos fotossintetizantes como plantas, algas e bactérias. Em vez de o carbono capturado ser liberado para a atmosfera, ele fica retido no solo e contribui para o desenvolvimento dos microrganismos.</p></td></tr></tbody></table><p> </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Arco: Há algum risco no manejo? </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Ricardo: Sim! Quando os cultivos são realizados além da capacidade natural desses solos, eles são degradados. A erosão é o principal processo de degradação em termos globais e pode levar à perda do solo em curtos períodos de tempo, com queda paulatina da produtividade e, em casos extremos, inviabiliza a produção. Os black soils devem ser manejados com mais cuidado ainda devido ao alto teor de carbono que eles têm, pois se forem mal manejados, todo esse carbono pode passar para atmosfera na forma de CO2 e aumentar ainda mais os efeitos das mudanças climáticas. Além disso, o comprometimento da produtividade leva a problemas econômicos e sociais ao longo do tempo.  </p><p> </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Arco: Recentemente você foi indicado pela Sociedade Brasileira de Ciência do Solo para ser o representante do Brasil no International Network of Black Soils (INBS). Qual o objetivo da formação dessa rede?</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Ricardo: Essa rede faz parte de uma iniciativa global da ONU/FAO de reunir cientistas de diversos países para tratar de diferentes temas relacionados aos solos. Os objetivos do grupo de black soils são melhorar o mapeamento desses solos, trocar dados e informações entre os grupos de pesquisa, desenvolver tecnologias para manejo sustentável, prover documentação e curadoria de dados sobre esses solos e encontrar as lacunas ainda existentes nas pesquisas, para apontar os caminhos mais promissores para estudos na área. Isso tudo com o foco em subsidiar tomadores de decisão, técnicos e agricultores para a produção sustentável.</p><p> </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Arco: Quais são os principais desafios em relação aos estudos na área de Black Soils?</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Ricardo: De uma forma geral o desafio comum é conhecer melhor e desenvolver técnicas mais adequadas para cultivar os black soils. É claro que em cada lugar os desafios são diferentes. Na Rússia e na Ucrânia, por exemplo, o conflito entre esses países inviabiliza pesquisas de campo na maior área de black soils do mundo. No Brasil, os efeitos da falta de investimento na ciência têm sido desastrosos, a ponto de não termos nenhuma linha de fomento para pesquisa em black soils atualmente. Os poucos pesquisadores que investigam essa temática o fazem no escopo de outros projetos e, muitas vezes, investindo recursos próprios em coletas, análises, publicações e congressos. Uma situação completamente diferente é encontrada na China. Por lá, existe uma preocupação muito grande com os black soils, que estão em uma vasta região do nordeste do país. Os chineses têm uma visão de longo prazo, planejamento e suporte às pesquisas. Recentemente, na Universidade de Agricultura da China, eles fundaram um instituto de pesquisa que se dedica somente a pesquisar black soils, têm um museu de solos exclusivo para black soils e, em julho de 2022, sediaram o 2° Fórum Internacional de Conservação e Utilização de Black Soil e o 8° Fórum de Black Soil de Lishu, avançam em legislação de proteção dos black soils e em campanhas para conter a erosão e perda de carbono nesses solos. Todas essas decisões são políticas públicas baseadas em ciência. Isso diferencia um país sério, que olha para o futuro com responsabilidade, daqueles que produzem degradando os seus solos e demais recursos naturais.</p><p> </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Arco: Qual é a importância da inserção do Brasil junto a outros países nesta rede?</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Ricardo: O Brasil sempre foi um ator de grande importância nas temáticas de meio ambiente e agricultura, ainda que nos últimos anos tenha perdido seu protagonismo global devido ao descaso com as questões ambientais. Estar presente nesses espaços é uma questão estratégica, de geopolítica, por isso, o nosso país não pode ficar de fora dos grandes debates ambientais e de produção agrícola. No entanto, para ser ouvido é necessário investir em pesquisa, desenvolver tecnologia e planejar o longo prazo. Se nós não pesquisarmos sobre os nossos recursos naturais, outros países irão fazê-lo e, nesse sentido, é uma questão de soberania nacional. Nenhum país é completamente soberano sem conhecer o seu próprio território e recursos. Por outro lado, todos os países querem ouvir o Brasil e reconhecem nossa importância em um mundo em transformação, muitas vezes esse reconhecimento é até maior lá fora do que aqui. </p><p> </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Arco: O que essa indicação significa para você e para os seus planos acerca de sua carreira?</p><p>Ricardo: Eu encaro essa indicação com muita responsabilidade, pois estou representando todos os pesquisadores da Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, a UFSM, o Departamento de Solos e o Programa de Pós-Graduação em Ciência do Solo. Levar o nome dessas instituições é um orgulho e fonte de grande motivação. Ajudar na internacionalização e ampliar as redes de contato é muito importante para qualquer pesquisador, pois é a partir dessa exposição que temos contato com as ideias mais avançadas em nossas linhas de pesquisa e o que nos faz evoluir constantemente. Tenho certeza que vai ser uma experiência inesquecível e farei o meu melhor para representar o nosso país.</p><p><strong><em>Expediente:</em></strong></p><p><em><strong>Entrevista:</strong> Caroline de Souza, acadêmica de Jornalismo e voluntária;</em></p><p><em><strong>Design gráfico:</strong> Júlia Coutinho, acadêmica de Desenho Industrial e bolsista;</em></p><p><em><strong>Mídia social:</strong> Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Gabriel Escobar, acadêmico de Jornalismo e bolsista; e Nathália Brum, acadêmica de Jornalismo e estagiária;</em></p><p><em><strong>Edição de Produção:</strong> Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;</em></p><p><em><strong>Edição geral:</strong> Luciane Treulieb, jornalista.</em></p>]]></content:encoded>
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				<title>Educação ambiental para crianças: ferramenta de transformação</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/educacao-ambiental-para-criancas</link>
				<pubDate>Wed, 25 Aug 2021 13:28:05 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[destaque arco]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[educação ambiental]]></category>
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		<category><![CDATA[pedagogia]]></category>

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						<description><![CDATA[Projeto de extensão EducaFloresta desenvolve ações com crianças sobre preservação e sustentabilidade
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							<content:encoded><![CDATA[  <img width="1024" height="657" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/08/download-4-1024x657.png" alt="" loading="lazy">

Em 2019, <i>Emergência Climática (Climate Emergency) </i>foi eleita a “<a href="https://languages.oup.com/word-of-the-year/" target="_blank" rel="noopener">Palavra do Ano</a>” pelo dicionário Oxford. A expressão significa, segundo o texto britânico, “uma situação em que uma ação imediata é necessária para reduzir ou parar as mudanças climáticas e prevenir danos graves e permanentes ao meio ambiente”. A escolha do termo se divide em dois processos: inicialmente, os lexicógrafos do dicionário observam milhões de palavras em inglês para identificar as mais utilizadas e pesquisadas na internet a cada ano. Os vocábulos selecionados são, então, debatidos por um júri, que analisa o impacto cultural para, finalmente, definir aquele(s) que represente(m) o ano. De acordo com a equipe do Oxford, o uso da palavra escolhida para o ano de 2019 aumentou cerca de cem vezes desde o ano anterior.&nbsp;

Anualmente, a <a href="https://www.footprintnetwork.org/" target="_blank" rel="noopener">Global Footprint Network</a> realiza uma projeção para comparar a capacidade do planeta de gerar recursos ecológicos em doze meses com o consumo que a humanidade faz desses no mesmo período. A data que marca o momento em que os seres humanos utilizam mais recursos naturais do que o planeta é capaz de renovar em um ano é chamada de Dia da Sobrecarga da Terra. Em 2021, esse dia chegou em 29 de julho, o que significa que, nos cinco últimos meses, o planeta estará em déficit ecológico.

A emergência climática perpassa ações e comportamentos individuais e coletivos que potencializam as emissões de poluentes na Terra e a degradação do ecossistema. Os altos números de exploração de recursos naturais - como o aumento do <a href="https://www.ufsm.br/midias/arco/pantanal-em-chamas/" target="_blank" rel="noopener">desmatamento</a> -, a poluição de mares e rios, o baixo índice de reciclagem - que no Brasil é de apenas 2.1%, segundo dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) - são algumas das ações que afetam diretamente a preservação ambiental.
<h3>EducaFloresta: preservação e Ensino Fundamental</h3>
Incluir a preservação ambiental no dia a dia das pessoas significa desenvolver iniciativas teóricas e práticas que aproximem as pessoas da natureza. A <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9795.htm" target="_blank" rel="noopener">lei Nº 9.795</a>, criada em 1999, prevê que a educação ambiental “é um componente essencial e permanente da educação nacional, devendo estar presente, de forma articulada, em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e não-formal”. Porém, mesmo havendo esforços legais para a integração da sociedade com o meio ambiente, ainda se observa um distanciamento entre o discurso e a prática.&nbsp;

Ao analisar as relações entre a natureza e os seres humanos, o jornalista André Trigueiro observou, em seu livro <i>Meio ambiente no século 21</i>, que grande parte da população brasileira não se considera parte integrante do meio ambiente. Diante de tal cenário, o autor destaca a necessidade de desenvolver a consciência de que o meio ambiente e os seres humanos vivem em constante interação, de forma interdependente.

A partir dessa problemática, a professora Damáris Gonçalves Padilha, do Departamento de Engenharia Florestal da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), reflete sobre a necessidade de incorporar a sensibilização ambiental e o uso racional dos recursos naturais na vida das pessoas desde cedo. Junto a docentes dos departamentos de Ciências Florestais e de Engenharia Rural da UFSM, Damáris coordena o projeto de extensão EducaFloresta. Com início em 2019, o projeto trabalha a educação ambiental com estudantes da Escola Municipal de Ensino Fundamental Padre Nóbrega, localizada no bairro Nossa Senhora das Dores, em Santa Maria/RS.

Damáris explica a importância de aprender sobre a problemática ambiental e entender que qualquer consequência para o meio ambiente, positiva ou negativa, é influenciada pelo ser humano: “Se tu não se entende como parte daquele meio, daquela sociedade, tu dificilmente vai prezar para mantê-lo”. Pensando nisso, o EducaFloresta desenvolve atividades e aborda temas relacionados à preservação da biodiversidade com estudantes do Ensino Fundamental. De acordo com Damáris, por não ser comumente abordada na formação escolar, a educação ambiental é uma questão que demora a amadurecer nas pessoas.&nbsp;

Assim, a fim de facilitar a compreensão dos conceitos relacionados ao meio ambiente pelas crianças, os integrantes do projeto priorizam a ludicidade na abordagem dos conteúdos - ensinando a importância e os benefícios das árvores, do solo e da água através de atividades teóricas e práticas. “O projeto preza mostrar para as crianças que nós podemos usar os recursos ambientais de uma forma sustentável e racional, que a legislação nos permite, que têm populações que vivem do uso da floresta”, explica Damáris.&nbsp;

O projeto desenvolve atividades com turmas do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental, e um dos desafios iniciais foi adaptar os conteúdos para cada faixa etária. Por isso, além do constante estudo sobre a abordagem da questão ambiental com crianças, a participação dos professores da escola Padre Nóbrega foi essencial para a compreensão das diferentes necessidades de cada turma. Damáris ressalta que a educação ambiental é um processo lento e que, principalmente para as crianças, é preciso dar exemplos positivos para que desenvolvam hábitos saudáveis.
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										<img width="1024" height="657" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/08/download-5-1024x657.jpg" alt="" loading="lazy"><figcaption>Alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental Padre Nóbrega participando do EducaFloresta durante o período presencial, em 2019 (primeira e segunda fotos), e também no período remoto (da terceira à sexta foto).</figcaption></figure>
<h3>Desafios da educação ambiental na pandemia</h3>
O projeto foi realizado durante um ano de forma presencial. Nesse período, os integrantes do EducaFloresta desenvolveram e distribuíram uma cartilha didática sobre a importância das florestas. Também foram realizadas atividades práticas como observação da vegetação da escola, medição e avaliação de árvores, além de relatórios nos quais os alunos podiam expressar o que pensaram de cada atividade e qual a importância do que aprenderam. No entanto, novos desafios surgiram quando o projeto teve de se adaptar ao ensino remoto, implementado em março de 2020 devido à pandemia do vírus Covid-19.

Para se ajustar ao ensino virtual, o EducaFloresta desenvolveu novos materiais em formato digital e as atividades passaram a ser enviadas via e-mail. A reformulação das propostas teve de ser planejada para possibilitar a realização dos exercícios no ambiente doméstico dos estudantes. Com o auxílio dos pais e/ou responsáveis, os alunos realizaram atividades práticas como a fabricação de papel reciclado. O projeto também passou a compartilhar o seu conteúdo nas redes sociais, transformando a página no <a href="https://www.facebook.com/profile.php?id=100058196245007" target="_blank" rel="noopener">Facebook</a> e o perfil no <a href="https://www.instagram.com/educafloresta/" target="_blank" rel="noopener">Instagram</a> em um caderno didático digital.&nbsp;

Além da reorganização do projeto, também se observou que o alcance dos conteúdos diminuiu no período remoto, já que alguns alunos não possuem acesso à internet. O <a href="https://www.ufsm.br/midias/arco/ufsm-analisa-impactos-socioeconomicos-da-pandemia/" target="_blank" rel="noopener">aumento das desigualdades sociais</a> se intensificou durante a pandemia, período de grande aumento do desemprego e elevação dos preços de produtos de alimentação e outros serviços básicos.&nbsp;

Diante do cenário de retomada gradual de alguns setores da sociedade ao modo presencial, Damáris Padilha explica que a prioridade do projeto é garantir a sua adaptação a qualquer formato de ensino: presencial, híbrido ou remoto; oferecendo aos alunos diferentes possibilidades para aprender sobre o meio ambiente. O EducaFloresta também está expandindo a sua atuação e inicia as suas atividades em mais uma instituição de ensino. A Escola Marista da Nova Santa Marta, localizada no bairro Nova Santa Marta, em Santa Maria - RS, é a nova parceira do projeto e a faixa etária foi expandida, agora contemplando estudantes dos seis aos 15 anos.

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<section data-id="6c53c41" data-element_type="section"><em><strong>Expediente</strong></em>

<i><strong>Repórter</strong>: Nathália Brum, acadêmica de Jornalismo e estagiária
</i>

<i><strong>Ilustrador</strong>: Noam Wurzel, acadêmico de Desenho Industrial e bolsista</i>

<i><strong>Mídia Social</strong>:</i>&nbsp;<i>Samara Wobeto e Eloíze Moraes, acadêmicas de Jornalismo e bolsistas</i>

<i><b>Edição de Produção</b>: Esther Klein, acadêmica de Jornalismo e bolsista</i>

<i><b>Edição Geral</b>: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas</i>

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