<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>		<rss version="2.0"
			xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
			xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
			xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
			xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
			xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
			xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
					>

		<channel>
			<title>Revista Arco - Feed Customizado RSS</title>
			<atom:link href="https://www.ufsm.br/midias/arco/busca?q=&#038;sites%5B0%5D=601&#038;tags=representatividade-negra&#038;rss=true" rel="self" type="application/rss+xml" />
			<link>https://www.ufsm.br/midias/arco</link>
			<description>Jornalismo Científico e Cultural</description>
			<lastBuildDate>Mon, 20 Jul 2026 01:50:48 +0000</lastBuildDate>
			<language>pt-BR</language>
			<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
			<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
			<generator>https://wordpress.org/?v=6.9</generator>

<image>
	<url>/app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico</url>
	<title>Revista Arco</title>
	<link>https://www.ufsm.br/midias/arco</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
						<item>
				<title>Representatividade negra na arte gaúcha</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/representatividade-negra-na-arte-gaucha</link>
				<pubDate>Mon, 18 Dec 2023 12:55:05 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[13ª Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Ensaio]]></category>
		<category><![CDATA[#destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[CAL]]></category>
		<category><![CDATA[destaque arco]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[negros]]></category>
		<category><![CDATA[pintura]]></category>
		<category><![CDATA[representatividade negra]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/arco/?p=9852</guid>
						<description><![CDATA[Cultura rio-grandense é ressignificada por meio da pintura em trabalho de conclusão de curso na UFSM]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p>Ao imaginar uma pessoa gaúcha, é comum que se pense em um indivíduo cisgênero, heterossexual e branco. Essa representação normativa perturbou o artista Márcio Cardozo, que passou a vida tentando se encontrar em cenas do seu cotidiano, ora no Centro de Tradições Gaúchas (CTG), ora na arte e, infelizmente, nunca com sucesso.</p><p>A partir da angústia de não se sentir representado nos espaços que ocupava, Márcio propôs uma reconstrução artística para preencher lacunas existentes na imagem de peões e prendas. O pintor utilizou-se da tela de algodão e da tinta a óleo de linhaça para criar corpos negros gaúchos com expressividade e irreverência.</p><p>A intenção de Márcio com seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) em Artes Visuais, intitulado Representatividade Pictórica Negra: Ressignificações de Cenas Características da Cultura Gaúcha, foi a de fazer uma provocação e incitar um novo olhar sobre a cultura gaúcha. Para atingir esses objetivos, ele criou uma narrativa repleta de personagens negros intelectuais, famílias pretas bem estruturadas (rompendo com o estereótipo de família preta brasileira sem estruturas) e cenas típicas do pampa sul-riograndense.</p><p> </p>		
												<img width="760" height="1024" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/09/Representatividade-negra-na-arte-gaucha-1-760x1024.jpg" alt="" loading="lazy" />														
												<img width="1024" height="688" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/09/Representatividade-negra-na-arte-gaucha-2-1024x688.jpg" alt="" loading="lazy" />														
												<img width="739" height="633" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/09/Representatividade-negra-na-arte-gaucha-3.jpg" alt="" loading="lazy" />														
		<p>Para eliminar a marginalização de pessoas negras e trazer o elemento do intelecto às suas obras, Márcio buscou retratar nas pinturas o jornal O Exemplo, um noticiário pós-abolicionista gaúcho financiado por pessoas negras e antirracistas. “A arte é uma válvula para recontar a história com uma potência transformadora que possibilita uma nova postura e reflexão”, pontua Márcio sobre os elementos que compuseram sua criação artística.</p><p>Além disso, ele foi responsável por fabricar grande parte do material de pintura durante a criação das telas. Como vegano, ele não utilizou nenhum utensílio que prejudicasse animais, fez uso de tintas naturais, madeira, algodão cru e pincéis de fibra. Confira algumas das obras resultantes do trabalho de Márcio neste Ensaio.</p>		
												<img width="537" height="668" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/09/Representatividade-negra-na-arte-gaucha-4.jpg" alt="" loading="lazy" />														
												<img width="690" height="668" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/09/Representatividade-negra-na-arte-gaucha-5.jpg" alt="" loading="lazy" />														
												<img width="1920" height="1424" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/09/Representatividade-negra-na-arte-gaucha-6-1.jpg" alt="" loading="lazy" />														
		<p><strong>Reportagem:</strong> Isadora Pellegrini<br /><strong>Diagramação:</strong> Noam Wurzel</p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>7 professores autodeclarados pretos que fazem ciência na UFSM</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/7-professores-autodeclarados-pretos-ufsm</link>
				<pubDate>Mon, 22 Nov 2021 17:02:12 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Listas]]></category>
		<category><![CDATA[Consciência Negra]]></category>
		<category><![CDATA[destaque arco]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[Docentes]]></category>
		<category><![CDATA[Ensino]]></category>
		<category><![CDATA[Extensão]]></category>
		<category><![CDATA[Lista]]></category>
		<category><![CDATA[Pesquisa]]></category>
		<category><![CDATA[representatividade negra]]></category>
		<category><![CDATA[UFSM]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/arco/?p=8760</guid>
						<description><![CDATA[Conheça a trajetória acadêmica e as principais pesquisas dos docentes]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <img width="1024" height="666" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/11/capa_01-1024x666.jpg" alt="" loading="lazy" />														
		<p>Na primeira parte do <a href="https://www.ufsm.br/midias/arco/ufsm-docentes-negros/" target="_blank" rel="noopener">dossiê sobre a representatividade de docentes negros</a> na UFSM, a Arco apresentou dados que mostram a escassa presença desses professores na Universidade, além de fazer um apanhado histórico para entender o porquê da falta de pessoas negras em cargos e em locais de poder.</p><p>Nesta segunda parte do dossiê, destacamos a trajetória acadêmica de sete dos professores pretos da UFSM - as pesquisas, o envolvimento com projetos de extensão e o percurso até chegar ao cargo de docente. O foco está nos autodeclarados pretos, pois eles representam apenas 0,5% dos docentes ativos do Magistério Superior da Universidade, segundo dados da Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas. </p><p>A lista é composta pelos docentes António Manuel Santos Spencer, Carlos Alberto da Fonseca Pires, Diego Ramires da Silva Leite, Ederval de Souza Lisboa, Leandro Conceição Pinto, Leonice Aparecida de Fátima Alves Pereira Mourad e Mônica Corrêa de Borba Barboza. Confira a seguir:</p>		
												<img width="720" height="720" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/11/corte_prof_antonio.jpg" alt="" loading="lazy" />														
		<p> </p><p><b>ANTÓNIO MANUEL SANTOS SPENCER ANDRADE</b></p><p><b>Formação</b>: Doutor em Engenharia Elétrica </p><p><b>Departamento</b>: Coordenação Acadêmica - UFSM/CS</p><p><b>Trajetória e envolvimento com a Universidade</b>: António nasceu e cresceu em Cabo Verde, país localizado em um arquipélago na costa noroeste da África. Segundo ele, é comum a migração internacional de cabo-verdianos que querem seguir seus estudos no ensino superior. Por meio do sistema Programa de Estudantes-Convênio de Graduação (PEC-G) - que oferta vagas para estudantes de países da África, América do Sul, Europa e Ásia, António se inscreveu no curso de Engenharia de Controle e Automação e foi encaminhado para o Brasil. O docente recorda que, em suas pesquisas sobre o país, algo que chamou sua atenção foi a temperatura, que fazia frio. Em 2008, veio para o Brasil e ingressou na Universidade de Caxias do Sul: “<i>Eu tive sorte que, quando eu vim, achei alguns companheiros de Cabo Verde que moravam aqui. Isso facilitou bastante</i>”. Na graduação, teve seus primeiros contatos com a pesquisa nas jornadas acadêmicas e na iniciação científica, sob orientação do professor Luciano Schuch. </p><p>Em 2013, António seguiu os passos de seu orientador e optou por realizar o mestrado no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica da UFSM, onde continuou seus estudos com o doutorado de 2015 até 2018 e, um ano depois, recebeu menção honrosa de melhor tese pela CAPES. Ainda em 2018, ingressou como professor no curso de Engenharia Elétrica da UFSM em Cachoeira do Sul e, em 2020, entrou no corpo docente do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica. Atualmente, contribui com ensino, pesquisa e extensão. Faz parte do Núcleo Docente Estruturante do curso, é pesquisador no Grupo de Eletrônica de Potência e Controle (GEPOC) e participa de um projeto de ensino e pesquisa cuja ideia é construir um carro elétrico para se deslocar dentro do campus Cachoeira. Também é membro do corpo editorial da revista Journal of Exact Sciences and Technological Applications da UFSM e do periódico internacional Applied Sciences.</p><p><b>Pesquisa:</b> Seus estudos partem da ideia de uma energia elétrica que todos possam ter, tanto nas regiões urbanas como em zonas mais distantes, onde há maior dificuldade de alcance. A solução para essa maior acessibilidade pode ser dada a partir dos sistemas de microinversores, que extraem energia recebida do sol a partir de um painel e realizam seu tratamento para que ela fique utilizável enquanto eletricidade. Ela pode ser utilizada para conectar baterias, para a energia estar reservada também no período da noite. A pesquisa investiga, portanto, a maior eficiência desse sistema, preocupando-se também com preços acessíveis. <i>“Acredito que, no futuro próximo, todo mundo conseguirá ter acesso a esse tipo de sistema”.</i></p>		
												<img width="720" height="720" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/11/corte_prof_leandro.jpg" alt="" loading="lazy" />														
		<p> </p><p><b>LEANDRO CONCEIÇÃO PINTO</b></p><p><b>Formação:  </b>Doutor em Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental </p><p><b>Departamento: </b>Engenharia Sanitária Ambiental </p><p><b>Trajetória e envolvimento com a Universidade: </b>Leandro ingressou em 2001 em Engenharia Civil na Universidade Católica do Salvador (UCSAL). Já nos primeiros anos da graduação, participou de grupos de pesquisa e projetos na área de Recursos Hídricos. Seguiu nessa mesma área no mestrado e no doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental no Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). </p><p><i>“O período de estudos foi muito desafiador, pois tive que ficar distante dos meus familiares que vivem no interior da Bahia. O apoio de meus orientadores e da minha esposa foram de fundamental importância para amenizar a saudade de casa”.</i> Ao final do doutorado, em 2012, trabalhou como professor e pesquisador na Escola Politécnica da Pontifícia Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e atuou em um projeto de pesquisa financiado pela Petrobras. Em 2015, ingressou como docente na UFSM.  </p><p>Atualmente, ministra as disciplinas de graduação nos cursos de Engenharia Civil e Engenharia Sanitária Ambiental, além de ser colaborador no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil. Também trabalha em colaboração com o <a href="https://ecotecnologias.org/">Grupo de Pesquisa em Modelagem Ambiental e Ecotecnologias</a>, com estudos sobre o escoamento em sistemas de drenagem urbana.</p><p><b>Pesquisa: </b>Sua linha de pesquisa é sobre modelagem matemática de escoamentos hidrodinâmicos, isto é, atua no desenvolvimento e uso de modelos numéricos computacionais para a representação física do fluxo de fluidos em geral, comuns na natureza e na engenharia. Leandro explica que a pesquisa é voltada para os processos de enchimento rápido das redes de drenagem urbana, pois são um problema frequente devido à ocorrência de falhas em função de eventos de chuva intensa combinados com o crescimento desordenado dos centros urbanos. <i>“Identificar e entender os fenômenos hidráulicos que ocorrem em tais dispositivos pode auxiliar os engenheiros no desenvolvimento de projetos de drenagem que amenizem as falhas de tais dispositivos</i>”.</p>		
												<img width="720" height="720" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/11/corte_prof_leonice.jpg" alt="" loading="lazy" />														
		<p> </p><p><b>LEONICE APARECIDA DE FÁTIMA ALVES PEREIRA MOURAD</b></p><p><b>Formação</b>: Doutora em História da América Latina e em Geografia</p><p><b>Departamento:</b> Metodologia do Ensino </p><p><b>Trajetória e envolvimento com a Universidade: </b>Leonice iniciou sua trajetória acadêmica, em 1986, na graduação em Direito na Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) e, em 1991, começou a especialização em Metodologia de Ensino. A docente comenta que não tinha boas lembranças da escola e, ao ingressar na universidade, sua relação com a educação mudou:<i>“</i><i>Eu queria fazer como docente o que a escola não tinha feito comigo. Dentro da academia, descobri as propostas educacionais emancipatórias</i><i>. </i><i>Então, a partir disso, queria pensar em uma educação que de fato pudesse contemplar a complexidade e a diversidade”.</i> </p><p>Leonice possui uma carreira acadêmica vasta, passando por várias áreas de ensino. A sua primeira licenciatura iniciou em 1995, no curso de História, depois em 2005 em Ciências Sociais e, em 2014, em Geografia. Ainda naquele ano, começou a graduação em Agricultura Familiar e Sustentabilidade. Em 2002, tornou-se mestre e, em 2008, finalizou o doutorado, ambos em História da América Latina. Além disso, em 2015, recebeu o título de mestre em Geografia e, em 2019, de doutora no mesmo programa pela UFSM. Leonice também tem graduação e especialização em Serviço Social, graduação em Pedagogia, Licenciatura em Educação do Campo, em Letras e em Filosofia. </p><p><i>“Minha segunda graduação é em uma licenciatura e foi uma escolha minha começar na educação básica, com escolas de assentamento, de movimentos sociais, predominantemente no campo”. </i>Em 2012, assumiu o cargo de docente na UFSM. Além disso, na área de extensão, um dos projetos que coordenou foi o “<a href="https://www.ufsm.br/pro-reitorias/pre/observatorio-de-direitos-humanos/protagonismo-negro/">Protagonismo Negro</a>”, programa da Rádio Universidade, com o objetivo de evidenciar o debate sobre questões referentes à população negra. Atualmente, possui três graduações em andamento: em Educação Especial, em Relações Internacionais e em Ciências Políticas. Também está em prosseguimento com seu mestrado em Políticas Públicas e Gestão Educacional pela UFSM.</p><p><b>Pesquisa: </b>Seu trabalho é voltado para a qualificação e formação de docentes no projeto de pesquisa <b>“</b>A formação de professores de História e Ciências Sociais em Santa Maria - RS”. O objetivo é contribuir para o conhecimento específico em conjunto com o conhecimento didático-pedagógico de egressos e discentes dos cursos. Dessa forma, identifica e problematiza a formação acadêmica e as concilia com as demandas da docência. Leonice comenta que o projeto é uma maneira de a universidade chegar na educação básica de forma efetiva e qualificada. Outro projeto que a professora participa é um mapeamento de quem leciona Sociologia em Santa Maria. <i>“</i><i>O mapeamento dos docentes é para pensar o lugar que a Sociologia ocupa no currículo de educação básica, especificamente em Santa Maria. É uma tentativa de evidenciar a importância desses conteúdos para o ensino”.</i></p>		
												<img width="720" height="720" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/11/corte_prof_carlos.jpg" alt="" loading="lazy" />														
		<p> </p><p><strong>CA</strong><b>RLOS ALBERTO DA FONSECA PIRES</b></p><p><b>Formação</b>: Doutor em Engenharia de Minas Materiais e Metalurgia com pós-doutorado no Centro de Recursos Naturais e Ambiente em Lisboa.</p><p><b>Departamento</b>: Geociências</p><p><b>Trajetória e envolvimento com a Universidade: </b>Carlos iniciou seus estudos inspirado por um membro da família: “<i>O professor negro que inspirou para almejar o posto de docente foi meu irmão Sérgio José da Fonseca Pires, que foi referência para muitos, especialmente nos duros tempos da ditadura militar”</i>. Começou sua trajetória no Curso de Matemática da UFSM e, simultaneamente, atuou na rede estadual. Seu percurso mudou quando foi morar em Porto Alegre para ingressar na graduação de Geologia, concluída em 1990, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). No curso, Carlos foi bolsista de um grupo que estudava a aplicação da matemática no entendimento dos processos de geotermia - energia obtida a partir do calor advindo do interior da Terra. </p><p>Após a graduação, foi convidado para participar de um grupo de pesquisa no Programa de Pós-graduação em Engenharia de Minas da UFRGS - onde realizou mestrado e doutorado - para fazer a reavaliação da Jazida Carbonífera do Iruí - na cidade de Cachoeira do Sul, em um convênio da Universidade com a Companhia Riograndense de Mineração (CRM). Seu trabalho na Jazida Carbonífera do Iruí resultou em sua dissertação de mestrado em 1994 e, ao final do projeto, seguiu atuando junto à CRM para trabalhar no jazimento de cobre e ouro no Complexo Intrusivo Lavras do Sul. Já como docente da UFSM desde 1995, finalizou a tese de doutorado, defendida em 2002. Em 2007, foi convidado para exercer o cargo de Secretário Municipal da Educação do Município de Santa Maria. Atualmente, participa de grupos de pesquisa relacionados a estatística, geologia ambiental e recursos hídricos na UFSM.</p><p><b>Pesquisa</b>: Seus estudos no mestrado e doutorado tiveram como foco a aplicação de procedimentos estatísticos para avaliar fenômenos naturais (as medidas da chuva, comparação de números de dias com muita e pouca chuva) e fazer estimativas dos resultados dessas avaliações. “<i>Esse procedimento foi usado para propor uma metodologia para calcular o volume da jazida de carvão de Iruí; também definição dos corpos mineralizados</i> [rochas que contém minério] <i>na jazida de cobre e ouro em Lavras do Sul”. </i>Essa técnica segue sendo utilizada até hoje por alunos da graduação e pós-graduação da UFSM. A relevância é identificada pela necessidade de fazer a estimativa do valor médio de uma variável numa área ou volume, estimar o valor desconhecido numa localização e usar os valores conhecidos de uma variável para basear os valores de outra. Já sua pesquisa de pós-doutorado permitiu propor mapas mensais das condições de estiagem e chuva  nos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, nos anos de 1963 a 2012.</p>		
												<img width="720" height="720" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/11/corte_prof_diego.jpg" alt="" loading="lazy" />														
		<p> </p><p><b>DIEGO RAMIRES DA SILVA LEITE</b></p><p><b>Formação: </b>Mestrado em Música na área de Criação Musical Interpretação e doutorando em Música</p><p><b>Departamento: </b>Música</p><p><b>Trajetória e envolvimento com a Universidade: </b>Diego é porto-alegrense, estudou na Escola de Música da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre. Em 2005, ingressou na graduação em Música na UFSM. Ele ressalta que, para ingressar no curso, os candidatos precisam realizar uma prova de habilidades específicas, por isso é necessário ter prática e conhecimento prévio do instrumento musical, além das teorias. Depois da sua formatura, ingressou na Universidade como docente, em 2009. <i>“Eu tinha 23 anos quando assumi o cargo. Em um semestre eu era aluno e, já no outro, virei professor dos meus colegas e colega dos meus professores”.</i>  </p><p>Diego participou da Banda Sinfônica da UFSM, que tem o intuito de se aproximar da comunidade ao levar a música erudita para além do ambiente acadêmico. Já atuou no projeto “Concertos didáticos de música - RSBONES - Coral de Trombones e Tubas da UFSM”, que possibilita aos alunos do curso de Música a prática de concertos em diferentes lugares do estado. Atualmente, é docente do Programa de Pós-Graduação em Especialização em Música dos Séculos 20 e 21 - Performance e Pedagogia. Em 2019, ingressou no doutorado em Música na Universidade do Estado de Santa Catarina, que está em andamento.          </p><p><b>Pesquisa: </b>A sua tese de doutorado é sobre a relação do compositor e do intérprete (instrumentistas) para a construção de uma nova composição para um mesmo instrumento - no caso, o trombone. O produto final será uma peça, em conjunto com a tese sobre a relação de experiência entre esses dois olhares, <i>“do compositor ‘solitário’ e o do intérprete que recebe as suas instruções. Estamos rompendo essa barreira, porque construímos a peça através do diálogo”.</i></p>		
												<img width="720" height="720" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/11/corte_prof_edervaldo.jpg" alt="" loading="lazy" />														
		<p> </p><p><b>EDERVAL DE SOUZA LISBOA</b></p><p><b>Formação: </b>Doutor em Engenharia Mecânica</p><p><b>Departamento: </b>Coordenação Acadêmica - UFSM/CS</p><p><b>Trajetória e envolvimento com a Universidade: </b>Ederval é de Jundiaí, interior de São Paulo. Embora seus pais não tenham concluído os estudos, os sete filhos sempre foram incentivados a estudar. Antes de ser professor, vendeu salgados, trabalhou em obras com seu pai, em marcenaria, em indústria e, em 1995, iniciou curso técnico em Mecânica. Por ter gostado da área e adquirido estabilidade salarial, ingressou na graduação em Engenharia Mecânica em 2002. Seguiu o mestrado até 2012 e concluiu o doutorado em 2018. Foi professor em uma universidade particular em Porto Alegre e,  desde 2018, leciona na UFSM. </p><p>A maior inspiração de Ederval é sua irmã, Jeane, que se formou em Pedagogia e hoje é professora de educação infantil em escola pública no interior de São Paulo. Outra pessoa que marcou sua vida foi sua professora da terceira série, Roseli. <i>“Penso como essa professora está? Será que ela sabe que um dia foi determinante para que eu tentasse a docência?”</i>. </p><p>Dentre os três pilares principais das universidades (ensino, pesquisa e extensão), o docente destaca a extensão, porque é por meio dela que a Universidade chega à sociedade. <i>“A universidade não é só dos universitários e professores. É de toda uma população. Enquanto unidade universitária, temos que gerar meios para alcançar essas pessoas de alguma forma</i>”. Um projeto que ressalta é o “Emprego de autômatos na contação de histórias”, que trabalha com mecanismos, como um desenho expandido de um animal ou personagem da história que se movimenta no livro. A intenção é utilizá-los para auxiliar na contação de histórias para instigar crianças à leitura. “<i>Eu entendo que, enquanto docente, cabe a mim também gerar nesse aluno essa preocupação com o lado social.</i>”</p><p><b>Pesquisa</b>: Ederval trabalha com a otimização topológica, fazendo com que a macroestrutura e a microestrutura conversem entre si. Tais estudos buscam entender se todo material que consta naquele componente é necessário e como aquela distribuição pode ser aprimorada com a redução de materiais. Ou seja, a área visa encontrar a melhor distribuição de material, como, por exemplo, em um avião: há  uma estrutura mais leve que demanda menos energia e menos combustível para efetuar o trajeto desejado?</p>		
												<img width="720" height="720" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/11/corte_prof_monica.jpg" alt="" loading="lazy" />														
		<p> </p><p><b>MÔNICA CORRÊA DE BORBA BARBOZA</b></p><p><b>Formação: </b>Doutora em Educação</p><p><b>Departamento: </b>Desportos Individuais</p><p><b>Trajetória e envolvimento com a Universidade:</b></p>
<p>Mônica é natural de Pelotas e fez toda sua formação profissional como artista, desde criança, em companhias de variados estilos de dança. Quando tinha 14 anos, ela teve suas primeiras experiências como professora em sua escola de balé clássico. “<i>A minha professora me chamou um dia e disse: tu não queres aprender a ser professora e começar a dar aula? Assim, eu tive todo um processo antes da formação formal, já como professora de dança</i>”. Quando ingressou na universidade, escolheu o curso de Pedagogia, em 2000 e, após, trabalhou por quase 15 anos na rede pública. Em 2006, iniciou especialização em Psicopedagogia - e ficou mais próxima das questões de acessibilidade e, em 2008, começou a segunda graduação, em Dança - Licenciatura.&nbsp;</p>
<p>Naquele mesmo ano, fez um concurso para professora temporária. <i>“Eu era aluna do curso, mas ingressei porque tinha toda uma trajetória na dança e ensino superior. Fui professora e aluna do curso ao mesmo tempo”</i>. Ingressou no mestrado em 2013 e doutorado em 2015. Atualmente, atua como docente efetiva na UFSM, participou do <a href="https://www.ufsm.br/midias/arco/todos-os-corpos-dancam/">Grupo de Dança Extremus</a>, projeto de extensão que oportunizava experiências em dança pela inclusão social de pessoas com deficiência. Também faz parte do Laboratório Investigativo de Criações Contemporâneas em Dança, do “NÓS”, grupo de Estudos e Pesquisas em Formação de Professores(as) de Dança e desenvolve projetos relacionados à área, com foco em inclusão e acessibilidade e ênfase em audiodescrição.</p>
<p><b>Pesquisa:</b></p>
<p>Mônica tem uma pesquisa em andamento relacionada ao acompanhamento dos egressos da Licenciatura em Dança. O trabalho é para entender quais as dificuldades e os dilemas encontrados pelos alunos quando se formam. Além disso, em 2019, contribuiu para o desenvolvimento do espetáculo “Dançar As Coisas Do Pago”, de dança acessível, parceria da Universidade com o Theatro Treze de Maio. <i>"Construímos uma obra artística com bailarinos com e sem deficiência. O espetáculo foi pensado para que todas as pessoas pudessem apreciar. Então, fizemos um trabalho de acessibilização, com audiodescrição, interpretação em Libras e tivemos toda parte da divulgação acessível”.</i> Participou de outras produções de espetáculos e obras artísticas, muitas delas que viraram projetos na área da pesquisa.</p><section data-id="ec6bc59" data-element_type="section"><section data-id="0e6236c" data-element_type="section"><section data-id="22bec03" data-element_type="section"><section data-id="d47bb32" data-element_type="section"><section data-id="8605efb" data-element_type="section"><section data-id="cb499fa" data-element_type="section"><section data-id="98ed197" data-element_type="section"><section data-id="5f882e8" data-element_type="section"><p><em><strong>Expediente</strong></em></p><p><i><strong>Reportagem:</strong> <em>Eduarda Paz, acadêmica de Jornalismo e voluntária</em>; e Paula Appolinario, acadêmica de Jornalismo e voluntária<br /></i></p><p><strong><em>Ilustração e tratamento de imagem:</em> </strong><i> Renata Costa, acadêmico de Produção Editorial e bolsista<br /></i></p><p><i><strong>Mídia Social:</strong> Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Caroline de Souza, acadêmica de Jornalismo e voluntária; e Martina Pozzebon, acadêmica de Jornalismo e estagiária<br /></i></p><p><i><strong>Edição de Produção:</strong> Esther Klein, acadêmica de Jornalismo e bolsista</i></p><p><i><strong>Edição Geral:</strong> Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas</i></p></section></section></section></section></section></section></section></section>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>UFSM em números: de 1784 docentes no Ensino Superior, apenas 74 são autodeclarados negros (pretos e pardos)</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/ufsm-docentes-negros</link>
				<pubDate>Fri, 19 Nov 2021 17:17:31 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Consciência Negra]]></category>
		<category><![CDATA[destaque arco]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[Docentes]]></category>
		<category><![CDATA[inclusão]]></category>
		<category><![CDATA[pedagogia]]></category>
		<category><![CDATA[Pesquisa]]></category>
		<category><![CDATA[pós-graduação]]></category>
		<category><![CDATA[representatividade negra]]></category>
		<category><![CDATA[UFSM]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/arco/?p=8753</guid>
						<description><![CDATA[Falta de representatividade evidencia a importância de discutir acesso e permanência na universidade]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <img width="1024" height="668" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/11/capa-1024x668.jpg" alt="" loading="lazy" />														
		<p>* Esta matéria foi atualizada em 25 de novembro, às 18:17, pois, na versão anterior, os dados gerais incluíam os professores inativos.</p><p>A herança do passado escravocrata brasileiro ainda se manifesta na desigualdade social e econômica entre pessoas brancas e negras. A população autodeclarada negra - grupo que reúne pretos e pardos, segundo pesquisa e conceituação do <a href="https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101681_informativo.pdf" target="_blank" rel="noopener">Instituto Brasileiro de Estatística e Geografia (IBGE)</a> de 2019 - representa 56,1% dos habitantes do país. Porém, dentro das universidades, a escassa presença de negros na comunidade acadêmica ainda é uma realidade. </p><p>A falta de representatividade nesses espaços possui uma origem em comum: a dificuldade do acesso e da permanência de negros no ensino, em especial, o superior. Para mudar esse panorama, foi sancionada a Lei nº <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12711.htm" target="_blank" rel="noopener">12.711</a>, de 2012, conhecida como Lei de Cotas -  que ampliou o ingresso de pessoas pertencentes a grupos em vulnerabilidade social nas instituições federais de ensino técnico e superior.</p><p>A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) <a href="https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2021/08/27/das-cotas-a-assistencia-estudantil-a-luta-pela-educacao/" target="_blank" rel="noopener">aprovou, em 2007</a>, um plano institucional denominado ‘Programa de Ações Afirmativas de Inclusão Racial e Social’, por meio da <a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/391/2018/10/Resolu%C3%A7%C3%A3o_011-07.pdf" target="_blank" rel="noopener">resolução 011/07</a>. A proposta estabelecia a oferta de 15% das vagas para afro-brasileiros em cada curso de graduação, 20% para estudantes de escolas públicas, 5% para estudantes com deficiência e 5% para indígenas residentes no território nacional. </p><p>Em 2014, a UFSM aderiu ao Sistema de Seleção Unificada (SiSU) e, assim, a reserva de vagas para todas as classificações de cotas aumentou para 50%. Já na pós-graduação, a ação afirmativa não se aplica, mas, para concursos de servidores públicos, como docentes, a <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2014/Lei/L12990.htm" target="_blank" rel="noopener">Lei nº.12.990, de 2014</a>, prevê 20% das vagas para negros (pretos e pardos) do número final de vagas para cada edital.</p><p>Mesmo com as normas, a presença de docentes negros na Universidade é pequena: <b>dos 1784 professores ativos no Ensino Superior, apenas 9  são autodeclarados pretos - </b>0,5% do total <b>- e 65 são autodeclarados pardos -</b> 3,64% do total. Ou seja, há 74 docentes negros no Magistério Superior na UFSM<b>.</b> Os dados foram coletados em novembro de 2021, disponibilizados pela Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas e pelo site <a href="https://portal.ufsm.br/ufsm-em-numeros/publico/index.html" target="_blank" rel="noopener">UFSM em Números</a>, que engloba os quatro campi da universidade.</p>		
			<h3>Autodeclaração, questão racial e limites estruturais</h3>		
		<p>No Brasil, a autodeclaração étnico-racial é feita pela própria pessoa em censos demográficos, como o do IBGE, e documentos para candidatos pretos e pardos que desejam concorrer às vagas de ações afirmativas em concursos públicos, como os realizados para docentes em universidades. Na UFSM, os candidatos enviam o documento assinado para a instituição com informações básicas como nome e dados pessoais e, de forma opcional, motivos que justificam a autodeclaração, como história de vida e identificação com a etnia negra. </p><p>Depois, passam pela Comissão de Heteroidentificação da instituição, explicando por que se autodeclaram negros ou pardos. Os tons de pele de pessoas pretas e pardas são diversos e não há uma escala de determinação racial, uma vez que ambas as classificações incluem cores de pele mais ou menos retintas. As questões de autodeclaração não estão relacionadas apenas com a cor da pele, mas também com características fenotípicas, história de vida familiar e descendência. </p><p>A ação de diferenciar indivíduos pela sua maior ou menor proximidade com as características da negritude é conhecida como colorismo e que, para as pesquisadoras <a href="http://www.evento.abant.org.br/rba/31RBA/files/1539565197_ARQUIVO_ARTIGOCOLORISMO.pdf" target="_blank" rel="noopener">Jéssica Thoaldo da Cruz e Patricia Martins</a>, segrega e anula a identidade negra: “O embranquecimento da população foi política de Estado, mas também foi aplicado por um viés psicológico, interferindo no inconsciente de negros e mestiços e dificultando a busca da identidade e valorização de suas raízes. O resultado são milhares de brasileiros negros de pele clara vivendo na encruzilhada do ser ou não, negro”, segundo artigo publicado na <a href="https://revistaesquinas.casperlibero.edu.br/politica/movimentos-sociais/quanto-mais-escuro-menos-aceitacao-que-colorismo-como-ele-afeta-vida-de-pessoas-negras/" target="_blank" rel="noopener">Revista Digital do Laboratório da Faculdade Cásper Líbero</a>.</p><p>Nos últimos anos, o número de brasileiros que se autoidentificam como negros aumentou. Segundo análise realizada pelo <a href="https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2019/11/20/dia-de-consciencia-por-que-cada-vez-mais-brasileiros-estao-se-autodeclarando-negros.ghtml">G1</a>, a partir de dados do IBGE, o número de autodeclarados negros cresceu em torno de 12 milhões de 2012 até 2018. O coordenador do Observatório de Direitos Humanos da UFSM, Victor De Carli Lopes, mestre em História, explica que o aumento desses números não está necessariamente relacionado ao acréscimo de negros no país, mas com uma nova visão das pessoas que antes se autodeclaravam de outras formas. </p><p>É também consequência de uma elevação social da estética negra e das ações de empoderamento da negritude: “Muitas vezes, as pessoas acabavam não se autodeclarando negras porque existe um problema de aceitação, por conta de todo racismo que temos no nosso país”.</p><p>No Brasil, por 353 anos a população negra foi escravizada e considerada socialmente inferior à etnia branca. A abolição da escravidão ocorreu tardiamente, por meio da Lei Áurea, em 1888, e, a partir daí, o cenário nacional se mostrou de pouca abertura para os negros se integrarem enquanto cidadãos na vida social, já que as classes dominantes não se interessaram em inseri-los nos trabalhos da época. Essa falta de oportunidade para a população negra gera reflexos até hoje: na questão financeira, visto que os negros são maioria em tópicos que determinam os menores rendimentos per capita da população definidos pelo <a href="https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101681_informativo.pdf" target="_blank" rel="noopener">IBGE de 2019</a>; eles possuem mais dificuldades de acessar cargos de poder, além de serem discriminados socialmente.</p><p>Embora o preconceito de raça ou de cor e a injúria racial estejam previstos como crimes no sistema jurídico brasileiro, ainda são frequentes casos de racismo estrutural, institucional, velado, e explícito no Brasil. Tais questões históricas e a atual realidade do país geram limites estruturais em todas as esferas sociais - entre elas, na dificuldade de acesso e da permanência à educação para pessoas negras e, consequentemente, ao cargo de docente nas universidades.</p>		
												<img width="783" height="1024" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/11/box-783x1024.png" alt="" loading="lazy" />														
			<h3>Acesso e permanência na pós-graduação</h3>		
		<p>As políticas de cotas auxiliam na transformação para um cenário universitário mais plural. Porém, a discussão atual deve se ampliar a ações afirmativas para a permanência, como comenta a professora da UFSM, Leonice Mourad, doutora em História da América Latina e em Geografia. Para a docente, essa é uma pauta recente e ainda estamos distantes de um patamar racial razoável de representatividade negra nas universidades. </p><p>Além disso, outro ponto relevante se refere à criação de políticas públicas de acesso a mestrados e doutorados, ainda incipientes nas universidades do país: “Precisamos de uma pós-graduação plural em todos os âmbitos, não pensando apenas na questão da negritude, mas também na inclusão de indígenas, pessoas transgêneras, enfim. É urgente que a pós-graduação seja acessada para termos equidade e uma universidade plural”, reforça Leonice Mourad. </p><p>Os dados obtidos na pesquisa em andamento do doutorando e jornalista Wagner Machado, na Pontifícia Universidade Católica do  Rio Grande do Sul (PUCRS), ilustram essa falta de diversidade. Ele investigou a (in)visibilidade dos doutorandos negros na pós-graduação em Comunicação em quatro universidades do Rio Grande do Sul e descobriu que, de 2015 a 2020, mais de 300 pessoas entraram nos programas das universidades analisadas, mas apenas 10% eram negros. A existência de poucos docentes negros nas universidades também foi estudada pelo jornalista em um <a href="https://midiaticom.org/anais/index.php/seminario-midiatizacao-resumos/article/download/929/902/" target="_blank" rel="noopener">artigo publicado em 2019</a>. No texto, o pesquisador analisa a situação como um efeito ‘cascata’, pois, para obter representatividade racial entre professores do ensino superior, é preciso, primeiramente, de mestres e doutores - visto que a maioria dos editais solicitam o título de mestre ou doutor para o ingresso no cargo. </p><p>As ações afirmativas para o acesso à pós-graduação já existem em algumas universidades do Brasil. A UFSM, por exemplo, discute sobre a política de cotas, já adotada pelo Programa de Pós-Graduação em História - oferta no mínimo 40% e no máximo 50% das vagas como reserva para as cotas, a partir do total ofertado por ano, dentre essas, três são para pessoas autodeclaradas negras, <a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/345/2021/07/EdEsp19.45-21-MestHistoria.pdf" target="_blank" rel="noopener">segundo edital de 2021</a>. No entanto, além do ingresso, precisa-se pensar sobre a permanência dos discentes. Sendo assim, o valor das bolsas de mestrado e doutorado oferecidas é um ponto importante.</p><p>A <a href="http://www.anpg.org.br/categoria/noticias/" target="_blank" rel="noopener">Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG)</a> divulgou, em uma matéria de outubro de 2021, que as bolsas de mestrado e de doutorado vinculadas à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) são, respectivamente, de R$1,5 mil e R$2,2 mil e não são reajustadas desde 2013. Em oito anos de déficit, segundo as contas dos bolsistas, a perda de poder de compra supera 60%.</p><p>“Precisamos de algo que justifique o discente estar desenvolvendo essa atividade dentro da academia e não realizando outro trabalho fora [e ganhando mais, na maioria dos casos]. Porque é uma questão de custos, o valor recebido deve pagar as contas, por isso se coloca os custos na balança. Então, precisa de uma bolsa com valores razoáveis para se manter, precisam ser atrativas”, explica o professor Ederval de Souza Lisboa, doutor em Engenharia Mecânica da UFSM/CS. O regime de dedicação exclusiva que impede qualquer outro vínculo empregatício para a obtenção de renda extra, em conjunto com o descaso com a ciência no Brasil, leva o estudante, em muitos casos, a deixar a academia e ingressar para o mercado de trabalho. </p><p>Diante disso, a dificuldade de acesso e permanência na pós-graduação afeta, em especial, a população negra, devido ao recorte de raça e classe. Em consequência, gera um déficit de docentes negros no ensino superior, como observa-se nos números da UFSM. “A dificuldade de acesso presente na pós-graduação permanece nos concursos públicos. O problema é quando abre apenas uma vaga. A Lei de Cotas reserva 20% para a população negra, ou seja, acaba sendo nenhuma para as cotas [quando o número de vagas não ultrapassa 2]. Uma das soluções é a criação de bancos de vagas ou de editais maiores, com mais de cinco, no mínimo três, para garantir uma vaga nas ações afirmativas”, relata Victor de Carli.</p>		
			<h3>Por que a urgência de ampliar o acesso de negros à docência?</h3>		
												<img width="1024" height="668" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/11/jornada_academica-1024x668.jpg" alt="" loading="lazy" />														
		<p>Várias são as questões que tornam a necessidade de um aumento imediato desses números, mas, principalmente, a busca por justiça social e igualdade. </p><p>O professor Ederval Lisboa ressalta a falta de representatividade negra em locais de poder, como no judiciário, por exemplo: “No Supremo Tribunal, tem vários homens brancos, há algumas mulheres brancas, teve um homem negro. E mulher negra? Isso só demonstra a desigualdade que nós temos. E se a gente compara com os números de pretos e pardos que temos na sociedade, será que reflete? Não”. Ele se preocupa com a questão da representatividade que esses números transmitem para as crianças, como sua filha. “Qual sociedade que nós vamos entregar pra elas? Quais vão ser as chances que elas vão ter de ocupar um posto de reitor de uma universidade? De ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal?”.</p><p>Já o professor da UFSM, Diego Ramires, doutorando no Programa de Pós-Graduação em Músicaexplica que sente essa ausência de negros em locais de lazer. “Quando eu vou em um parque, um restaurante ou em algum local que não seja de comum acesso a todos, a primeira questão que eu levanto é essa: onde nós estamos, onde os negros estão? A constatação que eu tenho é que eles não estão. Por vários momentos, eu sou o único”. </p><p>Essas problemáticas também incidem na escassez de docentes negros. Segundo o IBGE, 56,1% é o índice de pessoas autodeclaradas negras no Brasil, enquanto 16% é o percentual de docentes negros nas universidades - de acordo com o <a href="https://g1.globo.com/educacao/guia-de-carreiras/noticia/2018/11/20/negros-representam-apenas-16-dos-professores-universitarios.ghtml" target="_blank" rel="noopener">G1</a> a partir de dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). Victor de Carli elenca três principais tópicos que destacam a necessidade urgente de maior representatividade: </p><p><b> I) </b>A primeira vai ao encontro da fala de Ederval: quando os alunos têm essas representações, podem se enxergar e ver uma perspectiva de futuro, se inspirarem em pessoas negras e as verem em locais de prestígio como detentoras de conhecimento. Ademais, essa representatividade precisa ser ampla: professores autodeclarados negros, de pele mais ou menos retinta, assim como é a sociedade brasileira - miscigenada. A professora da UFSM, Mônica Corrêa de Borba Barboza, doutora em Educação, acredita na importância de se reafirmar enquanto mulher negra na academia: “Penso no meu aluno que entra na sala de aula, que vê que sua professora doutora é uma mulher negra, parecida com ele ou tem alguém na família que é parecida”.</p><p><b> II)</b> O segundo é que, com o aumento de docentes negros, as pesquisas em relação as questões raciais são estimuladas. “Não necessariamente eles irão trazer essas temáticas, mas muitas vezes quem lidera os grupos sobre negritude são negros. Então, quando a gente tem o aumento de docentes negros nas universidades, se tem um aumento dos trabalhos de alunos que querem se debruçar  nos estudos sobre o tema”, explica Victor de Carli.</p><p><b> III) </b>A última é que a falta de representatividade, pelas questões explicadas no tópico acima, pode gerar uma falta de profissionais qualificados para ensinar sobre a cultura afro brasileira: Victor comenta que as consequências desse déficit vão além: “Os alunos, principalmente da licenciatura, vão ser os professores nas redes básicas. Se não tiveram esse estudo nas universidades, eles também vão ter dificuldade de ensinar para os seus próprios alunos e isso implica em um problema na aplicabilidade da norma” - se trata da <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/l10.639.htm" target="_blank" rel="noopener">lei 10.639</a>, que inclui o estudo da História e Cultura Afro-Brasileira nos currículos do ensino básico.</p><section data-id="0e6236c" data-element_type="section"><section data-id="22bec03" data-element_type="section"><section data-id="d47bb32" data-element_type="section"><section data-id="8605efb" data-element_type="section"><section data-id="cb499fa" data-element_type="section"><section data-id="98ed197" data-element_type="section"><section data-id="5f882e8" data-element_type="section"><p><em><strong>Expediente</strong></em></p><p><i><strong>Reportagem:</strong> <em>Eduarda Paz, acadêmica de Jornalismo e voluntária</em>; e Paula Appolinario, acadêmica de Jornalismo e voluntária<br /></i></p><p><strong><em>Ilustração:</em> </strong><i> Renata Costa, acadêmico de Produção Editorial e bolsista<br /></i></p><p><i><strong>Mídia Social:</strong> Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Caroline de Souza, acadêmica de Jornalismo e voluntária; e Martina Pozzebon, acadêmica de Jornalismo e estagiária<br /></i></p><p><i><strong>Edição de Produção:</strong> Esther Klein, acadêmica de Jornalismo e bolsista</i></p><p><i><strong>Edição Geral:</strong> Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas</i></p></section></section></section></section></section></section></section>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>UFSM ensina a história afro-brasileira de forma lúdica por meio de maquetes</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/historia-afro-brasileira-em-maquetes</link>
				<pubDate>Wed, 17 Nov 2021 14:47:06 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[humanidades]]></category>
		<category><![CDATA[Consciência Negra]]></category>
		<category><![CDATA[destaque arco]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[História negra]]></category>
		<category><![CDATA[inclusão]]></category>
		<category><![CDATA[pedagogia]]></category>
		<category><![CDATA[representatividade negra]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/arco/?p=8751</guid>
						<description><![CDATA[Projeto desenvolvido pelo Departamento de História da universidade incentiva futuros professores a buscarem novos métodos de educação]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p>Novembro é conhecido como o Mês da Consciência Negra. A data mais importante deste período é o dia 20, que marca a morte de Zumbi dos Palmares, um dos principais ícones nacionais de resistência ao racismo. No entanto, uma luta que já perdura por cinco séculos não pode ser resumida a um mês, tampouco a um mero dia. O principal espaço para discutir este tema com o intuito de formar cidadãos conscientes do passado e, principalmente, dispostos a mudar o futuro, é a sala de aula.</p><p>O Laboratório de Arqueologia, Sociedades e Culturas das Américas (LASCA), ligado ao Departamento de História da Universidade Federal de Santa Maria, produz maquetes com intuito pedagógico desde 2006. Após a atualização nas diretrizes e bases da educação nacional, que determinou a obrigatoriedade da história e cultura afro-brasileira e indígena nos currículos da rede básica, o LASCA começou a criar maquetes para ensino da história afro-brasileira em 2010.</p><p>André Luis Ramos Soares é o coordenador do laboratório e também do projeto “Construindo Maquetes: Um suporte lúdico para o ensino de história”. Seis de suas maquetes, que retratam a história africana e afro-brasileira, foram tema de <a href="https://periodicos.ufpel.edu.br/ojs2/index.php/HistRev/article/view/20163/12133" target="_blank" rel="noopener">artigo em uma revista de história da Universidade Federal de Pelotas</a>. “Minha proposta é trabalhar a pedagogia de forma lúdica. Quero não apenas que as pessoas vejam o conteúdo, mas que se envolvam com ele”, comenta.</p><p>O principal objetivo das maquetes é incentivar os futuros professores de história a investirem em abordagens lúdicas de ensino. O projeto deixa de lado o giz e o quadro verde para “dar vida” aos temas abordados nos livros teóricos. Cada maquete proporciona a visualização concreta das representações dos acontecimentos históricos, tipologias arquitetônicas, acidentes geográficos, fenômenos climáticos e ambientais, entre outros.</p>		
												<img width="1024" height="668" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/11/ilustracao_1458x951-1024x668.jpg" alt="" loading="lazy" />														
			<h3>História de longa duração</h3>		
		<p>Fernand Braudel, historiador francês e um dos principais representantes da “Escola dos Annales", movimento historiográfico do século 20 que incorporava métodos das Ciências Sociais à História, desenvolveu uma série de noções temporais que se tornaram basilares nos estudos do campo. O francês dividiu os eventos históricos em acontecimentos de tempo curto, tempo cíclico e longa duração. É neste último aspecto que as maquetes se encaixam. </p><p>Cada miniatura apresenta eventos que duraram mais de um século e que repercutem na formação social do país até os dias atuais. “A casa grande e a senzala remetem a uma estrutura de poder que durou mais de 300 anos e deixou marcas até hoje. O quarto de empregada e o elevador de serviço, por exemplo, é a metamorfose da senzala nos dias atuais”, compara o professor André Soares. </p><p>Os períodos retratados em cada maquete são os seguintes:</p><p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EIqt2Y96S8U" target="_blank" rel="noopener"><b>Grande Zimbábue</b></a>: O Reino de Zimbábwe (c.1220-1450) estava localizado no atual Zimbábue, sua formação antecede o século 11 e teve seu apogeu entre os séculos 13 e 15. A maquete apresenta um reino com características similares a outros reinos contemporâneos.</p><p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=skZdW0jok-I" target="_blank" rel="noopener"><b>Navio Negreiro</b></a>: A base para a criação da maquete vem do poema homônimo de Castro Alves. Além da obra literária, foi utilizada pesquisa arqueológica e documental sobre o período de tráfico humano pelo Atlântico que ocorreu do século 16 até meados do século 19.</p><p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ED-tzpVPwwQ" target="_blank" rel="noopener"><b>Casa Grande e Senzala</b></a>: O livro de Gilberto Freyre publicado em 1933 mostra como a arquitetura do espaço colonial expressa organização social e política vigente no Brasil antes do processo de urbanização e industrialização. A arquitetura da época era pensada para reforçar a segregação e a opressão.</p><p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=LSdGqTaxREQ" target="_blank" rel="noopener"><b>Quilombo dos Palmares</b></a>: Se não o maior, o quilombo mais famoso da História Afro-Brasileira.  Era espaço de resistência à escravidão que, além da população negra, abrigava todo o tipo de excluídos - como índios, e brancos à margem do regime escravista.</p><p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=LSdGqTaxREQ" target="_blank" rel="noopener"><b>Charqueada de São João</b></a>: A indústria do charque foi o grande motor da economia agropecuária no Rio Grande do Sul. No entanto, esses espaços também ficaram conhecidos como “purgatório dos negros”, por conta das condições degradantes de trabalho, mesmo para o contexto de escravidão. A maquete retrata a Charqueada de São João, em Pelotas, onde Soares fez escavações no sítio arqueológico.</p><p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=99A6T7yjcGE" target="_blank" rel="noopener"><b>O Cortiço</b></a>: Baseado no livro de Aluísio de Azevedo, retrata a marginalização da população negra no pós-abolição, a qual continuou a sofrer com a invisibilidade e exclusão social decorrentes do racismo estrutural e que se estendem até os dias atuais.</p>		
			<h3>Processo de criação</h3>		
		<p>Cada maquete leva de seis meses até um ano para ficar pronta. A maior parte desse tempo é investido em pesquisas bibliográficas, que servem como a planta de cada maquete. Cada detalhe presente nas representações possui a sua própria história. Algumas maquetes, como a do navio negreiro e casa grande e senzala, foram construídas com o suporte de alunos do curso de Arquitetura, a fim de conferir a máxima precisão teórica e técnica aos projetos. </p><p> “A maquete do navio negreiro, por exemplo, contém uma série de informações históricas. É uma nau típica portuguesa. A vela traseira em formato de triângulo é chamada de vela redonda porque ela gira em torno do eixo. A vela quadrada já é diferenciada. A pesquisa serve para colocar detalhes nas maquetes que sejam fidedignas ao que deveria ser uma embarcação desse tipo.  Cada uma dessas maquetes é muito detalhada, porque estamos usando elas em uma proposta de ensino de história”, detalha o professor André Luis Ramos Soares.</p><p>As maquetes mais baratas custam cerca de R$ 100, enquanto as mais caras podem custar de R$ 200 até R$ 400. O nível de detalhes e elementos utilizados torna o valor final considerável. “Por conta da ausência de recursos públicos, eu mesmo compro os materiais. Não sei o quanto já gastei”, relata Soares.</p>		
			<h3>O outro lado da história</h3>		
		<p>O professor destaca que o principal papel da escola é proporcionar conhecimento de caráter técnico e científico, pois os alunos já trazem sua bagagem de valores humanos por meio do convívio da sua família. O que os professores podem fazer para promover uma educação que não combata apenas o racismo, mas também misoginia, homofobia e demais formas de opressão é apresentar o outro lado. “O papel da escola é levantar as questões para serem discutidas. A gente não pode convencer as pessoas, mas a gente pode tentar mostrar pra elas que existem outras abordagens,&nbsp; Outros pontos de vista, outros vieses. Meu papel é colocar o dedo na ferida, tirar as pessoas da sua zona de conforto”, considera o professor.</p>
<p>Soares relata que o ensino decolonial - que busca contar a história por perspectivas diferentes da eurocêntrica, branca e católica - tem ganhado cada vez mais adeptos entre as novas gerações de professores. “Professores da minha faixa etária e mais velhos não conseguiram fugir do modelo tradicional. Atualmente, cada vez mais professores têm procurado fazer especialização e mestrado na área de estudos decoloniais, tentando contar uma versão diferente da história”.</p>
<p>No artigo já citado, é contada a experiência da apresentação das maquetes no Colégio Estadual Elpídio Ferreira Paes, em Porto Alegre. O colégio tem em torno de 850 alunos e&nbsp; atende aos bairros periféricos da zona sul da capital, que sofrem com altos índices de criminalidade. Desde 2005, as áreas de História, Sociologia e Filosofia passaram a ter uma condução afrocentrada. Por causa desse trabalho, a escola foi escolhida para receber as maquetes.&nbsp;</p>
<p>O professor detalha a experiência de apresentar o seu trabalho em um colégio com boa parte do seu corpo discente composta por estudantes negros. “A questão do protagonismo negro, do se ver, é essencial. Por isso que muitos professores levaram seus alunos para assistir ao filme do Pantera Negra, por trazer esse protagonismo. Meu trabalho é proporcionar essa visibilidade por meio das maquetes”.</p>
<p>O professor já tem planos de criar uma nova maquete. Esta irá retratar impérios africanos que construíam pirâmides antes mesmo do império egipcio, 5 mil anos antes de Cristo.</p>
<p>O professor deixa o convite para que as escolas&nbsp; de Santa Maria o chamem a levar esta e outras maquetes para os alunos. Sua condição, no entanto, é que esse pedido não seja feito apenas no mês de novembro: “ É um absurdo abordar a história afro-brasileira apenas no dia 20 de novembro, esse é um processo que deve ser trabalhado todos os dias pelos professores”.</p><section data-id="22bec03" data-element_type="section"><section data-id="d47bb32" data-element_type="section"><section data-id="8605efb" data-element_type="section"><section data-id="cb499fa" data-element_type="section"><section data-id="98ed197" data-element_type="section"><section data-id="5f882e8" data-element_type="section"><p><em><strong>Expediente</strong></em></p><p><i><strong>Reportagem:</strong> Bernardo Salcedo, acadêmico de Jornalismo e bolsista<br /></i></p><p><strong><em>Ilustração:</em> </strong><i> Luiz Figueiró, acadêmico de Desenho Industrial e voluntário</i></p><p><i><strong>Mídia Social:</strong> Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Caroline de Souza, acadêmica de Jornalismo e voluntária; e Martina Pozzebon, acadêmica de Jornalismo e estagiária<br /></i></p><p><i><strong>Edição de Produção:</strong> Esther Klein, acadêmica de Jornalismo e bolsista</i></p><p><i><strong>Edição Geral:</strong> Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas</i></p></section></section></section></section></section></section>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Esporte além das quatro linhas</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/esporte-alem-das-quatro-linhas</link>
				<pubDate>Fri, 13 Aug 2021 15:18:10 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[humanidades]]></category>
		<category><![CDATA[destaque arco]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[Esporte]]></category>
		<category><![CDATA[esporte e política]]></category>
		<category><![CDATA[LGBTQIA+]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[negros]]></category>
		<category><![CDATA[Representação]]></category>
		<category><![CDATA[representatividade feminina]]></category>
		<category><![CDATA[representatividade LGBTQIA+]]></category>
		<category><![CDATA[representatividade negra]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/arco/?p=8624</guid>
						<description><![CDATA[Representatividades negra, feminina e LGBTQI+ trazem pautas políticas para competições como Eurocopa e Olimpíadas]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <img width="1024" height="668" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/08/Esportes2-1024x668.jpg" alt="" loading="lazy">

O ano de 2021 entrará para a história do esporte não só pela realização da Eurocopa e das Olimpíadas, adiadas em 2020 devido à pandemia, mas também por questões e bandeiras levadas por atletas que vão muito além das fronteiras de suas modalidades e de seus países. As edições de ambas competições refletem o aumento da diversidade.

A Eurocopa, disputa entre seleções europeias que ocorre a cada quatro anos, já havia atingido um marco histórico na sua penúltima edição, em 2016. A final entre Portugal e França contou com mais jogadores de origem africana do que europeia. Dos 22 jogadores que iniciaram a partida, 12 eram negros. Ao somar os reservas, o número sobe para 15 dos 28 atletas que participaram da partida. Éder, nascido em Guiné-Bissau, saiu do banco de reservas para entrar para a história com seu gol, marcado durante a prorrogação, que rendeu à seleção portuguesa o primeiro título.

Nesta edição do campeonato europeu, 15% eram imigrantes ou filhos de imigrantes, o que tornou este torneio o mais diverso até então. Outro fator que marcou a 16ª edição da Eurocopa foi o aumento do protagonismo de jogadores negros nas principais seleções. Dos cinco times campeões do Velho Continente da Copa do Mundo, três tinham atletas negros com a camisa 10. Kylian Mbappé (França), Raheem Sterling (Inglaterra) e Leroy Sané (Alemanha) usaram o número reservado ao principal jogador do time.

A final de 2021 do Mundial não bateu o recorde da edição anterior, mesmo assim foi multicultural. Pela seleção inglesa, cinco jogadores negros, entre titulares e reserva, participaram da partida. A campeã Itália, por sua vez, tinha em seu elenco três jogadores nascidos no Brasil. Rafael Tolói, Emerson Palmieri e, principalmente, Jorginho foram peças importantes da campanha que rendeu o bicampeonato para a&nbsp;<i>Squadra Azzurra</i>.

Os Jogos Olímpicos de Tóquio trouxeram mais do que aquilo que o público espera do evento mais importante do esporte, como os melhores atletas e histórias que serão lembradas por gerações. O maior legado não foram as estreias bem sucedidas do surf e do skate, mas sim a maior diversidade já vista em uma Olimpíadas. Segundo levantamento do site <a href="https://www.outsports.com/olympics/2021/7/12/22565574/tokyo-summer-olympics-lgbtq-gay-athletes-list">Out Sports</a>, 183 atletas LGBTQIA+ participaram da última edição das olimpíadas. O número é três vezes maior que o recorde anterior, dos jogos de 2016 no Rio de Janeiro, que contou com&nbsp; 56 atletas.

Se fossem uma delegação, os atletas LGBTQIA+, com 11 medalhas de ouro, 12 de prata e 9 de bronze, ficariam em sétimo lugar no quadro de medalhas. Estariam à frente de países como Holanda, Alemanha, França, Itália e Brasil - que fez sua melhor campanha em uma olimpíada, com 7 medalhas de ouro, 6 de prata e 8 de bronze. A edição também foi a que contou com maior participação feminina, que correspondeu a 48,9% do total de atletas. A marca deve ser superada em breve, já que a previsão é que a edição de Paris, em 2024, seja a primeira com representação igualitária entre mulheres e homens.
<h3><b>Política e esporte: juntos e misturados</b></h3>
As manifestações políticas no esporte começaram a se intensificar no ano de 2020, muito por influência do movimento <i>Black Lives Matter (BLM) - </i>que surgiu em 2013, nos Estados Unidos, com o objetivo de combater a supremacia branca, e ganhou destaque com as mobilizações após George Floyd ser assassinado por um policial de Minneapolis, Minnesota<i>.</i>

Há quem não goste desses atos por acreditar que “política e esporte não se misturam”.&nbsp;Neste sentido, pode-se citar a regra 50 da Carta Olímpica, que proíbe “qualquer tipo de manifestação ou propaganda política, religiosa ou racial em instalações olímpicas”.

Entretanto, por influência do aumento das manifestações políticas nas mais diversas modalidades esportivas, o Comitê Olímpico Internacional (COI) flexibilizou a norma e passou a permitir atos políticos nos ambientes desportivos e antes do início das competições. Por outro lado, as manifestações no pódio - como <a href="https://gq.globo.com/GQ-no-podio/noticia/2016/08/panteras-negras-historia-do-gesto-mais-famoso-dos-jogos-olimpicos.html">os punhos erguidos de Tommie Smith e John Carlos </a>em referência aos Panteras Negras nas Olimpíadas de 1968 - seguem proibidas.

Rubens Guilherme Santos, estudante de Jornalismo e integrante do Ponta de Lança, portal de notícias focado no esporte, cultura e política no continente africano, destaca a importância de desconstruir a ideia de incompatibilidade entre esporte e política. “O esporte é mais um espaço de interação/disputa social e política da sociedade”, argumenta.

A própria história brasileira reforça que a separação entre esporte e política não passa de um mito. Muito antes de os atletas usarem o esporte como espaço de atos políticas em prol da igualdade, políticos já o usavam em manifestações a favor de seus próprios interesses. “As pessoas querem que os esportistas sejam apolíticos, falam que futebol, política e religião não se misturam, mas essa aproximação é histórica. A Era Vargas e a ditadura civil militar, por exemplo, se aproveitaram do esporte para conseguir alavancar os seus objetivos políticos”, explica Taiane Lima, mestranda do Programa de Pós-Graduação em História da UFSM.

Mesmo assim, atletas que ousam cruzar a fronteira ou reagir a uma injustiça podem sofrer por isso. Um exemplo trazido por Taiane é o de Taison, jogador do Internacional com passagem de 11 anos pelo Shakhtar Donetsk da Ucrânia. No clássico ucraniano entre Shakhtar e Dínamo de Kiev, parte da torcida adversária proferiu insultos racistas ao atleta, que reagiu e foi expulso. Além da suspensão automática gerada pelo cartão vermelho, a Associação Ucraniana de Futebol puniu Taison com um jogo de suspensão. “Ele foi punido, não as pessoas que praticaram o ato racista”, destaca.

Para Taiane, o atleta não deve deixar de se posicionar por medo de críticas ou punições, já que sua influência pode ajudar a chamar a atenção do público para causas importantes. “Esporte e política se misturam sim e essas pessoas têm relevância, elas não são alienadas, elas precisam se posicionar. Sempre terá alguém para criticar, dizer que não pode. Mas outras pessoas irão perceber e olhar com mais atenção para essas pautas", defende.
<h3><b>Unidos até que as derrotas os separem</b></h3>
O estudante Rubens&nbsp; explica que a maior parte dos atletas que representam as seleções europeias são da segunda ou terceira geração de imigrantes africanos no continente. As dificuldades enfrentadas pelas suas famílias, como ausência de políticas públicas que lhes assegurassem direitos básicos, além da resistência em reconhecer os filhos de imigrantes como cidadãos europeus, tornaram o esporte a única ferramenta possível para ascender socialmente. “O futebol passa a ser um ambiente de inclusão de jovens em busca de superar as adversidades da vida”, observa.

O talento desses jogadores que viam no futebol a sua única chance de conseguir uma vida melhor passou a auxiliar os clubes europeus. Não demorou muito para que esses atletas fossem incorporados às seleções. “A diversidade étnica propiciou o ápice de muitas seleções de futebol. O caso mais conhecido é o da França”, afirma Rubens.&nbsp;

No final da década de 1990, surgiu a geração mais vitoriosa da história da seleção francesa até o momento. Pela diversidade étnica de seus jogadores, a equipe ficou conhecida como “<i>black-blanc-beur</i>” (negra, branca e árabe). Em 1998, o time conquistou o título inédito da Copa do Mundo. Dois anos depois, os <i>bleus</i> conquistaram o bicampeonato da Eurocopa. Essa geração foi tão bem sucedida que se tornou propaganda de uma França multicultural. Em 2018, a seleção francesa voltaria a conquistar o mundial, com um time que conseguiu ser mais multiétnico. Dos 23 jogadores convocados, 14 tinham ascendência africana.&nbsp;

A história no esporte também é feita de derrotas. E quando uma seleção multirracial é derrotada, logo surgem aqueles que apontam a diversidade como problema. “A atribuição de fracassos e reveses a atletas negros e negras infelizmente é comum no futebol, espaço que, muitas vezes, serve de descarrego de preconceitos”, afirma Rubens.

Nem mesmo a geração francesa de 1998 escapou disso. As campanhas sem título da seleção, somadas à forte polarização presente nos debates sobre migração na Europa, fizeram com que as tensões raciais ressurgissem rapidamente e com força na França.&nbsp;

Talvez o caso mais conhecido pelos brasileiros seja o de Moacyr Barbosa na Copa do Mundo de 1950, disputada no Brasil. Dias antes da final contra o Uruguai, o país todo comemorava o título antecipadamente. Na final, a seleção saiu na frente, parecia confirmar o que todos achavam saber. A seleção uruguaia fez o gol de empate, mas o clima ainda era de festa, o resultado dava o título para o Brasil. Porém, aos 34 minutos do segundo tempo,&nbsp; a seleção uruguaia conseguiu virar o jogo e calar os 200 mil espectadores presentes no estádio do Maracanã, construído especialmente para a competição. O fatídico episódio ficou conhecido como Maracanaço.

Barbosa, homem negro, era goleiro da seleção brasileiro e foi eleito como o culpado pela derrota. Ao falar sobre o ostracismo ao qual foi condenado pela derrota, o ex-goleiro disse: “No Brasil, a pena máxima (de prisão) é de 30 anos, mas pago há 40 por um crime que não cometi”. Barbosa carregou esse fardo por quase 50 anos, até sua morte em 2000.

No entanto, Barbosa não foi o único a sofrer as consequências do racismo. Após a derrota, criou-se a crença de que pessoas negras não servem para jogarem em posições defensivas. “Há poucos goleiros negros, poucos zagueiros negros, porque, quando se precisa de confiança, parece que o jogador negro ou a jogadora negra não é adequado. Então a gente percebe que esse acontecimento da copa de 1950 impacta até hoje”, pondera Taiane.

Até hoje, as derrotas são catalisadoras do racismo. A final da Eurocopa de 2021, que foi decidida nos pênaltis, é um exemplo. Após o final do jogo, torcedores ingleses lotaram as redes sociais de Jadon Sancho, Marcus Rashford e Bukayo Saka com ofensas racistas pelos pênaltis desperdiçados na final. Algumas ofensas diziam para que os jogadores, que ajudaram a levar a seleção inglesa para sua primeira final em 55 anos, fossem embora da Inglaterra e voltassem para a África.
<h3><b>A questão da representatividade</b></h3>
Daiane dos Santos, que, em 2003, tornou-se a primeira atleta brasileira a ser campeã mundial de ginástica e a primeira mulher negra a ganhar uma medalha de ouro na modalidade, viveu um dos momentos mais marcantes das Olimpíadas de Tóquio. Como comentarista de ginástica, ela contou como sofreu com o racismo e a segregação enquanto competia. Outros atletas da seleção se recusaram a usar o mesmo banheiro que ela, por isso havia um banheiro para os atletas brancos e outro para ela.

O momento de maior emoção para a ginasta foi quando Rebeca Andrade conquistou a primeira medalha olímpica feminina para o Brasil. A atleta sempre foi fã de Daiane e tinha ela como referência. Ao presenciar a vitória de Rebeca, aos prantos, Daiane lembrou que a primeira medalha de ouro em mundiais do Brasil na ginástica, entre homens e mulheres, foi conquistada por ela, uma mulher negra. Agora, mais uma vez, uma mulher negra levou a primeira medalha brasileira na ginástica olímpica. “Diziam que a gente não podia estar nesses lugares”, recordou.

Uma das principais formas de se perceber o racismo é por meio das ausências, entre elas a falta de referência de pessoas negras tanto na mídia quanto no esporte. “A grande questão da representatividade é se olhar nas diversas modalidades do esporte e não se enxergar. Parece que é um esporte apenas para pessoas brancas. Ainda mais quando se é criança e está desenvolvendo esta consciência”, explica Taiane.

No entanto, a historiadora adverte que é preciso mais do que referências para que uma pessoa negra possa se tornar medalhista olímpica. É preciso investimento, não apenas nos clubes que formam atletas, mas principalmente em comunidades mais pobres, que concentram a maior parte da população negra. Sem investimento, modalidades elitizadas continuarão praticamente inacessíveis para jovens negros e periféricos. Por mais que alguns consigam contornar as dificuldades, a diversidade nessas modalidades se torna a exceção, não a regra.

Rubens acredita que o esporte auxilia no combate de qualquer tipo de preconceito. Mas, para isso, é preciso que a diversidade vá além dos atletas, que, não raro, são vistos apenas como mão de obra para as conquistas desportivas. A diversidade deve se estender aos cargos políticos de entidades esportivas, espaços que pouco mudaram sua demografia ao longo dos anos. “Não é falta de interesse. É falta de oportunidade e discriminação”, conclui Taiane.

<em><strong>Expediente</strong></em>

<i><strong>Repórter</strong>: Bernardo Salcedo, acadêmico de Jornalismo e bolsista
</i>

<i><strong>Ilustrador</strong>: Noam Wurzel, acadêmico de Desenho Industrial e bolsista</i>

<i><strong>Mídia Social</strong>:</i>&nbsp;<i>Samara Wobeto e Eloíze Moraes, acadêmicas de Jornalismo e bolsistas</i>

<i><b>Edição de Produção</b>: Esther Klein, acadêmica de Jornalismo e bolsista</i>

<i><b>Edição Geral</b>: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas</i>]]></content:encoded>
													</item>
					</channel>
        </rss>
        