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				<title>Mestre Adel: A Tradição da Guascaria Viva em Caçapava do Sul</title>
				<link>https://www.ufsm.br/pro-reitorias/pre/observatorio-de-direitos-humanos/2026/09/04/mestre-adel-a-tradicao-da-guascaria-viva-em-cacapava-do-sul</link>
				<pubDate>Fri, 04 Sep 2026 20:04:04 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[neabi]]></category>
		<category><![CDATA[notórios saberes]]></category>
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						<description><![CDATA[Entre memória e prática, Adel mantém vivo um ofício que aprendeu com o pai e com a vida no campo. por Fellipe H. Alves Medeiros &nbsp; Dias de chuva em Caçapava do Sul mudam o ritmo no galpão de Adélio Simão Mendes Ferreira, conhecido como Mestre Adel Guasqueiro. Longe de ser um problema, a umidade [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <figure>
										<img width="1024" height="513" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/414/2026/09/Banner-1024x513.jpg" alt="" />											<figcaption>Entre memória e prática, Adel mantém vivo um ofício que aprendeu com o pai e com a vida no campo.</figcaption>
										</figure>
		<p dir="ltr" style="line-height: 1.2;text-align: right;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">por Fellipe H. Alves Medeiros</p>
<p><b id="docs-internal-guid-e21d03bb-7fff-bd7f-4621-c23848a73297" style="font-weight: normal">&nbsp;</b></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-indent: 36pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Dias de chuva em Caçapava do Sul mudam o ritmo no galpão de Adélio Simão Mendes Ferreira, conhecido como Mestre Adel Guasqueiro. Longe de ser um problema, a umidade amacia o couro cru e deixa o material no ponto ideal para o trabalho, ao contrário do que acontece no tempo seco do verão. O artesão aproveita o clima para abrir sobre a mesa uma peça com mais de meio século de história, ainda firme e servível. Orgulhoso, ele aponta para a relíquia: “Você vê um couro velho, esse aqui mesmo, nunca mostrei para vocês, tem mais de 50 anos de uso”. Com o material em mãos, o mestre trança os tentos com a destreza de quem aprendeu o ofício na infância e recorda como o tempo moldava a sua rotina desde guri: “Dia de chuva era mais prático para lidar com o couro. Ele ficava mais branco, mais fácil de trabalhar. Com tempo úmido, o couro se adapta melhor”.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-indent: 36pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">A trajetória de Adélio começou no Irapuá, distrito rural de Caçapava do Sul marcado por uma paisagem de cerros antigos, forte tradição de campo e herança indígena. Ele resume a infância moldada pelos costumes desse interior de chão batido, terra que carrega a ancestralidade dos povos originários: “Eu nasci na campanha, lá no Irapuá, e trabalhei desde pequeno na lida da chácara, na plantação, na campeirada e em tudo assim”.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-indent: 36pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Filho de José Bernardino Ferreira e Isabela Mendes Ferreira, o artesã cresceu acompanhando o trabalho do pai, um domador de cavalos bravos e xucros que conhecia a fundo os segredos da lida e o manejo do couro cru. Seu José foi o grande professor, ensinando o filho a ler o tempo e a respeitar o ritmo da natureza: em dia de sol, cuidava-se da terra; quando o tempo virava e a chuva barrava o serviço na lavoura ou com o gado, o refúgio era o galpão.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-indent: 36pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">O mestre ri ao lembrar de como a oficina virava o seu paradeiro nesses dias de inverno ou temporal: “Em chuva não podia ir para o campo. Então ficava em casa, ficava no galpão, e tinha que ter serviço para não fazer muita arte”. Para aproveitar a claridade que teimava em entrar pelo cinza dos dias chuvosos, o pai trazia o guri para perto da porta. “Ali é mais claro para trabalhar. No dia de chuva tem que ficar dentro do galpão, mas quando não está chovendo, a gente fica na porta para trabalhar o couro”, descreve Adélio.&nbsp;</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-indent: 36pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Foi nessa observação miúda, entre o cheiro da umidade e o som das ferramentas, que ele aprendeu a amaciar a matéria-prima batendo com o macete de madeira e a dar forma às primeiras cordas.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-indent: 36pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Dessa época de aprendizado no pampa, a lembrança mais viva é o primeiro laço, feito pelo pai sob medida para as mãos da criança. Adélio resgata o episódio com a nitidez de quem guarda o passado no bolso: “Ele me deu o primeiro laço quando eu tinha uns oito anos. Saiu um terneiro por uma fresta da cerca. O terneiro veio para o meu lado e eu lasseei ele. O dono da lida me deu uma terneira por causa daquele laço. Tenho até hoje lembrança disso”. Essa memória da primeira terneira e os ensinamentos da infância foram a base que o sustentou dali por diante.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-indent: 36pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">O pai de Adélio, o domador José Bernardino, faleceu quando o menino tinha apenas 11 anos. A perda precoce jogou o guri direto na lida, fazendo com que ele assumisse as rédeas do ofício que havia aprendido apenas olhando o pai trabalhar no galpão. Dali em diante, coube ao garoto dominar o compasso de amaciar o couro na força do macete e o jeito certo de trançar as tiras para erguer as próprias ferramentas de trabalho.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-indent: 36pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Ainda menino, Adélio já lidava com cavalos e preparava os xergões para a montaria. A necessidade de fabricar os utensílios para o dia a dia na campanha fez com que ele seguisse praticando as técnicas do pai, salvando da memória um saber tradicional que corria o risco de desaparecer com o tempo. Até hoje, o mestre preserva relíquias daquela infância na campanha de Caçapava, mostrando com orgulho o chicote antigo que guarda como tesouro: “Este rebenque foi feito pelo meu pai, né? Isso aqui se chama rabo de tatu. No tempo em que ele domava, usava isso aqui para tocar os baguais”.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-indent: 36pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Aos 29 anos, Adélio mudou-se para a zona urbana de Caçapava do Sul para casar e trabalhar. Mesmo mudando de rumo e enfrentando o serviço pesado da lavoura, ele nunca largou o artesanato em couro. A fama de suas peças resistentes logo correu pelos corredores de campo e o interior do município, trazendo vizinhos e campeiros que buscavam o conserto de láticos, sobreláticos, barrigueiras e buçais. Ele conta, rindo, que o buçal novo é meio bagual e brabo na cabeça do cavalo, mas que amansa logo com o tempo de uso e um pouco de graxinha.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-indent: 36pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Para Mestre Adel, o trabalho manual carrega uma durabilidade que as peças de fábrica não conseguem alcançar. O couro de gado é o sustento de toda a montaria, dando corpo aos laços, às rédeas e às soiteiras dos relhos. É um serviço que exige força bruta, pois o couro precisa ser estapiado, esticado, amaciado e limpo na faca para ganhar aquela brancura correta que o gaúcho valoriza.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-indent: 36pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">O couro industrializado, curtido com química para acelerar o processo nas fábricas, não serve para quem conhece o rigor do dia a dia no campo. O artesão sabe bem onde esse material racha na hora do puxão: “Tem comércio que vende esse material, mas muitos vendem só para revenda. Parece umas cascas secas”. Como o galpão de Adel não tem luz elétrica, o feitio da goasqueria tradicional continua todo na paciência do braço. Ele se orgulha de manter o mesmo ritmo de antigamente: “Eu ainda estou na moda antiga, de garrotear o couro no macete. O bruto ainda existe, e são poucos que fazem assim, só na força e no macete”.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-indent: 36pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Adélio explica que o couro de curtume é trabalhado com costura de linha, um método que acaba fragilizando a peça com o tempo. O guasqueiro aponta a diferença do seu fazer: “Já esse aqui é trabalhado com couro, com tento de lonca de cavalo, por isso dura mais”. Nessa arte, a pele fina e resistente do cavalo é o que amarra toda a estrutura, dispensando totalmente os fios de algodão ou nylon das fábricas. Muitos clientes chegam ao galpão com láticos comprados em lojas, reclamando que as tiras quebram por falta de tratamento adequado na indústria.&nbsp;</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-indent: 36pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Embora já tenha visto em cursos universitários o funcionamento de máquinas modernas para amaciar a matéria-prima, Adel nota que o maquinário rouba a textura e a flexibilidade do material. A preferência do mestre continua sendo o processo manual no tempo úmido da chuva, sabendo que o cavalo oferece o tento fino e firme para os acabamentos, enquanto o gado entrega a força bruta para o arreio.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-indent: 36pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Essa busca por resistência também resgata técnicas antigas da herança indígena que ele traz guardada na memória e na ponta dos dedos. Um exemplo vivo desse passado é a bota de garrão de potro, um calçado rústico feito sem moldes ou costuras, retirado inteiro da perna do animal. O mestre ensina o ofício demonstrando o movimento com as mãos: “A bota garrão de potro era feita do garrão do animal. Tinha que secar e tirar inteira, sem riscar. Virava do avesso e colocava uma madeira por dentro para secar sem fechar, para não craquelar o couro, e assim caber na canela”. Ele lembra que o calçado tradicionalmente deixava os dedos dos pés descobertos, um detalhe fundamental para dar mais firmeza ao peão na hora de firmar o pé no estribo.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-indent: 36pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Da mesma forma, para montar as boleadeiras, Adélio busca na fauna local os materiais capazes de aguentar o impacto do uso no campo. Ele resgata a origem da peça que hoje adorna o galpão: “Esta aqui era a arma dos índios para pegar os bichos baguais”. Para encapar as pedras que ele mesmo esculpe, o artesão utiliza a pele da barriga do tatu-peludo ou o couro de lagarto, matérias-primas conhecidas pela longevidade. Adélio descreve o processo desse feitio: “Cobria-se a pedra com o couro da barriga do tatu-peludo. Também se usava couro de lagarto, que é muito forte”. Por dentro das cordas de couro que ligam as três pedras da boleadeira, o mestre utiliza couro de gato torcido, o segredo antigo que garante a flexibilidade e a força necessárias para suportar o movimento do arremesso no meio do campo.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-indent: 36pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Nos últimos anos, a rotina pacata do guasqueiro ganhou visibilidade fora do galpão. Em abril de 2024, ele ministrou uma oficina prática no I Seminário de Notórios Saberes da Universidade Federal de Santa Maria, a UFSM. Entre fevereiro e março de 2025, participou como expositor na Recepção Estudantil e na Semana Descobrindo os Notórios Saberes, levando a cultura e o cheiro do campo para dentro do ambiente universitário.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-indent: 36pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">O encontro com as novas gerações de estudantes rendeu boas histórias. Adélio conta, com bom humor e um sorriso no rosto, sobre um médico traumatologista de Caçapava do Sul que frequentava suas oficinas na universidade. O doutor dizia brincando que ia até lá mais pela merenda, mas acabou fisgado pela arte do trançado e saiu de lá sabendo erguer um porta-cuia de couro.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-indent: 36pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Apesar do reconhecimento acadêmico, Adélio mantém a modéstia típica dos homens da campanha. Ele quase recusou os primeiros convites da UFSM por achar que não tinha o estudo ou a técnica refinada que as salas de aula exigiam. O mestre desabafa, deixando de lado qualquer vaidade: “O meu serviço é mais grosseiro, não é muito aperfeiçoado não. É forte, mas não é muito bonito, não”. Ele prioriza a utilidade prática no dia a dia do pampa e faz questão de elogiar seu colega de ofício, o guasqueiro Batista, a quem considera o verdadeiro especialista no acabamento e nas bainhas de faca detalhadas.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-indent: 36pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Para Adel, o companheiro domina a parte estética da guascaria e tem o perfil ideal para o ensino formal. Ele afirma, sem nenhuma ponta de inveja, reconhecendo o valor do outro: “O Batista trabalha muito bem. Ele tem condições de fazer cursos, participa de seminários fora do estado, no Uruguai também”. Ainda assim, ciente de que muitos jovens hoje evitam o trabalho pesado de limpar e preparar a matéria-prima, Adel entende a importância de passar o conhecimento adiante e alerta sobre o risco do esquecimento: “É muito importante ensinar, porque se a gente não der continuação, vai terminar os que lidam com couro”.</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-indent: 36pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Aos 82 anos e aposentado da lavoura, Adélio hoje divide o tempo entre o galpão e os cuidados com uma horta de verduras no fundo de casa. Ele confessa, com a serenidade de quem já cumpriu sua jornada na terra: “A guasqueria hoje é mais um entretenimento, algo que eu gosto de fazer”. A atividade tornou-se um passatempo e a melhor forma de preservar suas próprias memórias. Quando uma ideia surge na entrada do galpão, ele apenas pega a faca e puxa o tento. Enquanto trabalha o couro cru na ponta dos dedos, mantém viva a tradição herdada de Seu José Bernardino e a identidade forte do Irapuá. E sempre que o céu nubla no pampa caçapavano, ele já sabe que é hora de se achegar para a porta e preparar o couro para mais uma trança.</p>
&nbsp;]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Tio Cida: tambores, memória e resistência negra</title>
				<link>https://www.ufsm.br/pro-reitorias/pre/observatorio-de-direitos-humanos/2026/08/18/tio-cida-tambores-memoria-e-resistencia-negra</link>
				<pubDate>Tue, 18 Aug 2026 18:03:56 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[neabi]]></category>
		<category><![CDATA[notórios saberes]]></category>
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						<description><![CDATA[Mais do que construir instrumentos, Tio Cida transforma madeira, couro e memória em caminhos de transmissão ancestral e resistência cultural por Fellipe H. Alves Medeiros Francisco Acidemar Nunes aprendeu cedo que a música nasce antes mesmo do instrumento existir. O apelido que virou marca de respeito em Caçapava do Sul não veio do “Francisco”. Nasceu [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <figure>
										<img width="1024" height="511" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/414/2026/08/Tio-Cida-transforma-madeira-couro-e-memoria-1024x511.jpg" alt="" />											<figcaption>Mais do que construir instrumentos, Tio Cida transforma madeira, couro e memória em caminhos de transmissão ancestral e resistência cultural</figcaption>
										</figure>
		<!-- wp:paragraph -->
<p>por <em>Fellipe H. Alves Medeiros</em></p>
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<p>Francisco Acidemar Nunes aprendeu cedo que a música nasce antes mesmo do instrumento existir. O apelido que virou marca de respeito em Caçapava do Sul não veio do “Francisco”. Nasceu de uma brincadeira de escola: um amigo resolveu cruzar as letras do alfabeto com os números da sua data de nascimento. A conta deu “Cida”. Ele gostou, adotou e, com o tempo, o nome ganhou o prefixo que sela o respeito comunitário: Tio Cida.</p>
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<p>A caminhada começou em 4 de agosto de 1943. Filho de Antônio Ferreira e Julieta Nunes, Tio Cida cresceu em uma casa cheia, junto com 17 irmãos. O pai biológico, fã de carreiras de cavalo, morreu em uma confusão de cancha reta antes do filho nascer. Cida acabou criado pelo padrasto que, ao lado de Dona Julieta, vivia pelo Carnaval.</p>
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<p>A família morava na Rua Barão, na última casa do trilho. Dali para baixo o que havia era campo aberto, potreiro e mato, onde o gado e as ovelhas pastavam. Foi nesse cenário que o menino começou a ver os desfiles que os parentes organizavam no pátio, aprendeu a dançar nos botequins da volta e fincou o pé no ritmo que daria sentido à sua vida.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
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<p>Na infância em Caçapava, o som estava em qualquer canto. Como não havia dinheiro para comprar instrumentos profissionais, a gurizada da vizinhança se virava com o que dava: recolhiam latas vazias de azeite e de banha de vinte litros nas calçadas e faziam o batuque acontecer.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
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<p>Aos poucos, a brincadeira virou técnica. Tio Cida passou a garimpar madeiras de móveis velhos jogados no lixo. Fundos de roupeiro eram os melhores; as tábuas finas, de três ou quatro milímetros, moldavam-se com facilidade. Para o couro, aproveitava os cabritos que a mãe criava. Ele lembra até hoje do trabalho pesado: esticar o couro, taquear, secar ao sol e raspar com paciência para tirar o pelo e a gordura antes de o bicho virar som. No início, não havia pretensão de venda. Era só o pretexto para movimentar uma rua onde quase nada acontecia.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
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<p>Tudo mudou em 1953. Aos dez anos, Cida viajou a Porto Alegre para visitar os irmãos mais velhos e deu de cara com o carnaval da capital. No meio do desfile de uma escola de samba, um detalhe prendeu sua atenção: enquanto a maioria usava baquetas, um homem batia com as palmas das mãos em um tambor enorme, cônico e imponente. O menino não sabia o nome daquilo, mas guardou a imagem na cabeça. Voltou para Caçapava decidido a desenhar e montar aquela forma na sua oficina improvisada. Só no ano 2000, quase cinquenta anos depois, ao participar do Festival Cabobu (A Festa dos Tambores), em Pelotas e conversar com o músico Giba Giba, é que Tio Cida entendeu o que tinha feito na infância: sua intuição de guri o havia conectado diretamente ao Tambor de Sopapo, a grande marca da ancestralidade e da resistência negra no Sul.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
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<p>A partir dos anos 1970, o conhecimento de Cida ganhou as escolas da região. Ele começou a montar bandas de percussão em colégios públicos como o Gnarte, Nossa Senhora da Assunção, Januária Leal&nbsp; e Conego Ortiz . O trato era simples: as direções compravam o material e o Mestre ensinava os alunos da periferia, transformando a gurizada em ritmistas de primeira.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
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<p>Em agosto de 1988, ano do centenário da abolição, ele deu um passo maior e criou o Grupo de Dança Afro-Brasileira Clara Nunes. Começaram em poucos,&nbsp; cinco ou seis pessoas. Enfrentaram o racismo de quem torcia o nariz para um grupo formado majoritariamente por negros, mas fincaram pé. Sob a liderança de Cida, o grupo resistiu, virou referência na cidade e já formou mais de mil integrantes, incluindo as filhas e os netos do Mestre.</p>
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<p>Cinco anos depois, em 5 de maio de 1993, ele abriu mais um espaço de quilombo urbano: fundou a Sociedade Recreativa Estrela do Mar. Como primeiro presidente, garantiu que a comunidade negra de Caçapava tivesse um teto para o samba, a capoeira e as festas religiosas, numa época em que o acesso aos clubes tradicionais da cidade ainda era veladamente negado aos negros. Mais tarde, sua liderança também o levou a presidir o conselho do Clube Recreativo Harmonia.</p>
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<p>A disputa por esses territórios de alegria tinha suas tensões. O Mestre lembra bem de um carnaval em que a Estrela do Mar levou o título de campeã. Inconformado com a derrota, o presidente da escola rival, de patronato branco, pegou o troféu de segundo lugar e o arremessou no meio da multidão. Para Tio Cida, aquela imagem de desespero do preconceito só mostrava que o carnaval precisava continuar sendo uma trincheira de afirmação.</p>
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<p>O reconhecimento como Mestre Artesão veio pelo fazer diário. Para ele, o título não serve para ficar na parede, mas para girar o conhecimento. Essa certeza virou o projeto “Som da Liberdade”, em 2012, onde ensinou a fabricação e o toque de tambores para mais de 400 jovens da região. A iniciativa venceu prêmios do Ministério da Cultura e espalhou o sopapo pelo estado. O argumento do Mestre é curto e certeiro:<em> “Tem que deixar nem que seja um para ensinar os outros também, depois”.</em></p>
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<p>Sua relação com o tambor passa por uma compreensão profunda da história e da espiritualidade. Ele enxerga o instrumento como uma tecnologia antiga de comunicação:<em> “É o nosso telegrama”</em>, explica, lembrando que na África o som cruzava quilômetros para avisar as tribos sobre nascimentos, festas ou perigos. Lembra também que, antes do parafuso e do ferro, os antigos usavam o fogo para escavar os troncos e a fibra da embira para amarrar o couro.</p>
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<p>Essa sensibilidade sobra até no que sobra da rua. Quando vê galhos cortados nas podas das calçadas, Tio Cida junta os pedaços e, no canivete, vai limpando a madeira até que surja um passarinho, um santo ou um capoeirista. E ensina o respeito com o couro:<em> “antes de tocar qualquer tambor, é preciso pedir licença e fazer um carinho na pele do instrumento, agradecendo o sacrifício do animal que garante a nossa festa. Para ele, os tambores são uma família: cada um tem um tamanho, uma voz e um jeito de falar, mas quando se juntam no terreiro, todos se entendem”.</em></p>
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<p>O peso de carregar essa herança costuma emocionar o Mestre. Ele trabalha pelo que chama de “estalo”, criando sem olhar para o relógio. Confessa que, quando terminou de montar seu primeiro Tambor de Sopapo legítimo e tirou o primeiro som dele, chorou sozinho na oficina. Ali mesmo, agradeceu aos que vieram antes pela missão recebida. Sabe que o ofício é um compromisso espiritual para não deixar a memória apagar.</p>
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<p>Com os anos, as homenagens vieram em sequência. Ganhou o Prêmio Culturas Populares do Ministério da Cultura em 2018 e, no mesmo ano, virou enredo da Escola de Samba Unidos da São João. Sua persistência também foi o motor para que, em outubro de 2023, o Tambor de Sopapo recebesse o registro de Patrimônio Imaterial de Caçapava do Sul, colocando o município no mapa histórico do instrumento ao lado de Pelotas e Porto Alegre.</p>
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<p>O trânsito de Cida pelas universidades mostra que o saber popular não deve pedir licença à academia. Convidado para debates e oficinas, o artesão inverte o jogo e mostra que quem está na sala de aula tem muito a aprender com quem está no chão de terra: a tradição serve para <em>“levar esclarecimento a quem sabe que existe, mas não sabe por que e nem como”</em>. Como Patrono do Mês da Consciência Negra na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), ele deixou claro que a universidade precisa do conhecimento das raízes para ser, de fato, completa.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
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<p>A entrega do título de Notório Saber pela universidade chancelou uma vida inteira dedicada à oralidade e ao afeto coletivo. Tio Cida repete que mestre de verdade se faz na prática e na comunidade; o diploma só assina embaixo daquilo que o povo já reconheceu na rua.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
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<p>Hoje, aos 82 anos e longe das obrigações do trabalho formal, ele sorri ao dizer que <em>“botou o relógio fora”</em>. Sem as amarras das horas do comércio, vive no tempo da criação e da memória. Seus tambores não são mercadoria; são a continuidade física dos que vieram antes, garantindo que o grave profundo do sopapo continue batendo forte no peito de Caçapava do Sul.</p>
<!-- /wp:paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Mestre Militar: ancestralidade, capoeira e transformação social</title>
				<link>https://www.ufsm.br/pro-reitorias/pre/observatorio-de-direitos-humanos/2026/08/18/mestre-militar-ancestralidade-capoeira-e-transformacao-social</link>
				<pubDate>Tue, 18 Aug 2026 18:01:31 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[ODH]]></category>

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						<description><![CDATA[Mais do que luta, a capoeira de Mestre Militar é ancestralidade, solidariedade, identidade e transformação coletiva. por Fellipe H. Alves Medeiros Luiz Antônio Loreto aprendeu cedo que a capoeira não nasce apenas no corpo, mas também na escuta, na memória e na convivência. Conhecido em Santa Maria e na região central do Rio Grande do [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <figure>
										<img width="1024" height="576" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/414/2026/06/Ilustracao-–-Opcao-2-1024x576.jpg" alt="" />											<figcaption>Mais do que luta, a capoeira de Mestre Militar é ancestralidade, solidariedade, identidade e transformação coletiva.</figcaption>
										</figure>
		<!-- wp:paragraph -->
<p>por <em>Fellipe H. Alves Medeiros</em></p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Luiz Antônio Loreto aprendeu cedo que a capoeira não nasce apenas no corpo, mas também na escuta, na memória e na convivência. Conhecido em Santa Maria e na região central do Rio Grande do Sul como Mestre Militar, ele transformou a roda em espaço de acolhimento, resistência e ensino coletivo. Há 35 anos vem dedicados integralmente à capoeira, sua trajetória carrega marcas da oralidade, da cultura afro-brasileira e da vida comunitária construída na Vila Urlândia, bairro onde nasceu e cresceu entre rodas de samba, brincadeiras de rua e os primeiros contatos com a arte que definiria sua história.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Antes mesmo de pleitear o reconhecimento acadêmico por meio do projeto Notórios Saberes, Luiz Antônio Loreto já era mestre nas ruas, nas comunidades e nas rodas de capoeira. Em Santa Maria, seu nome atravessa bairros, escolas e praças públicas ao som do berimbau e na formação de gerações inteiras de capoeiristas. Conhecido como Mestre Militar, construiu, ao longo de 35 anos ininterruptos dedicados à capoeira, uma trajetória marcada pela resistência negra, pela educação popular e pela transformação social.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Na Vila Urlândia, onde nasceu e cresceu em uma família de 14 irmãos, a capoeira apareceu ainda na infância, entre brincadeiras de rua, rodas de samba e os treinos conduzidos pelo Mestre Biriba no pátio da igreja do bairro. Sem condições financeiras para frequentar academias, começou aprendendo da forma mais antiga: observando. O olhar atento para os movimentos, para a musicalidade e para os mais velhos transformou-se, aos poucos, em uma compreensão profunda da capoeira como herança ancestral e prática coletiva.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Hoje, aos 52 anos, Mestre Militar é reconhecido como uma das principais referências da capoeira de rua e da cultura afro-brasileira na região central do Rio Grande do Sul. Sua trajetória integra o projeto “Notórios Saberes”, da Universidade Federal de Santa Maria, iniciativa é reconhecido como um dos mestres e mestras cujos conhecimentos foram construídos pela prática, pela tradição oral e pelo compromisso com a comunidade.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Segundo registros do Portal da Capoeira/IPHAN, iniciou sua trajetória em 1989, passou a ministrar aulas em 1995 e recebeu oficialmente o título de mestre em 2016. Formado por Mestre Biriba, ligado ao Grupo Oxóssi, carrega uma linhagem que conecta Santa Maria às raízes históricas da capoeira baiana, passando por nomes como Mestre Índio da Bahia, Mestre Valdemar da Paixão, Mestre Pelé da Bomba e Mestre Besouro. Para ele, a capoeira é uma árvore viva de memória, em que cada geração mantém acesa a experiência daqueles que vieram antes.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Para Mestre Militar, a capoeira nunca foi apenas luta ou esporte. “Capoeira é família”, costuma dizer. A frase resume uma filosofia construída dentro e fora da roda: ninguém cresce sozinho. Em seus relatos, lembra que, após perder uma irmã em um período de dificuldades financeiras, foi acolhido pelo próprio mestre, que permitiu que continuasse treinando sem pagar mensalidade. O gesto marcou profundamente sua formação e moldou a maneira como passou a enxergar o grupo de capoeira: como um espaço de cuidado coletivo, solidariedade e pertencimento.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Em 2002, após anos de formação no Grupo Oxóssi, fundou a Associação de Capoeira de Rua Berimbau, em Santa Maria. A iniciativa nasceu do desejo de aproximar novamente a capoeira da comunidade e dos espaços públicos. Naquele período, o mestre percebia que muitas rodas haviam migrado para academias e clubes fechados, afastando-se da periferia e das ruas onde historicamente se desenvolveram. Ao ocupar praças e espaços públicos da cidade, como o Calçadão, Mestre Militar reafirmou a capoeira como prática popular, acessível e coletiva.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>A associação expandiu suas atividades para outras cidades do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e também para a Argentina, onde mantém grupos em Buenos Aires e Santa Fe. Parte dessa internacionalização aconteceu através da relação construída com a Universidade Federal de Santa Maria. Segundo o mestre, muitos intercambistas conheceram a capoeira na cidade e levaram para outros países uma prática menos comercial e mais ligada à identidade social e comunitária.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Essa conexão com a universidade tornou-se uma das marcas de sua trajetória. Participando de projetos de extensão, palestras e atividades acadêmicas, Mestre Militar construiu parcerias com cursos como Medicina, Letras, Matemática, Publicidade e Odontologia. Todos os semestres, estudantes visitam a comunidade para compreender, através da convivência, as realidades sociais da periferia, da população negra e das práticas coletivas de cuidado. Para o mestre, essa troca rompe hierarquias tradicionais do conhecimento: dentro da roda, a universidade também aprende.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>A Associação Berimbau tornou-se também um espaço de inclusão social e formação cidadã. Sem barreiras financeiras, religiosas ou de gênero, o trabalho desenvolvido pelo mestre busca fortalecer vínculos comunitários e combater preconceitos historicamente reproduzidos dentro e fora das rodas. Ele destaca a importância de transformar tradições que naturalizavam machismo e homofobia, defendendo uma capoeira baseada no respeito, na escuta e na valorização da presença feminina.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Sua atuação comunitária ultrapassa a capoeira. Na Vila Urlândia, ajudou a estruturar projetos ligados à saúde coletiva, à distribuição de alimentos, a oficinas culturais, a atividades com idosos e à formação de jovens. Um dos exemplos mais simbólicos é a criação da horta comunitária, surgida a partir de estudos sobre ervas medicinais e conhecimentos ancestrais compartilhados pelos moradores mais velhos da comunidade. O espaço tornou-se ponto de encontro, segurança alimentar e integração social.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Durante a pandemia, a associação funcionou como centro de apoio para famílias da região. Mesmo com os treinos suspensos presencialmente, o grupo manteve o acompanhamento das crianças, a distribuição de materiais e o suporte comunitário. Para Mestre Militar, o desafio sempre foi impedir que a juventude fosse “aliciada” pela violência e fortalecer caminhos de pertencimento através da cultura.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Sua pedagogia nasce da experiência cotidiana. Uma das histórias que mais o marcou aconteceu durante aulas em uma escola pública, quando descobriu que um aluno chegava atrasado porque precisava permanecer em casa protegendo a irmã de agressões domésticas. O episódio transformou sua visão sobre educação e desigualdade social. “Não existe educação igual para todos quando as construções sociais são diferentes”, afirma.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Essa dimensão humana atravessa também a musicalidade da capoeira. Mestre Militar incentiva seus alunos a comporem cantigas próprias como forma de preservar memória, identidade negra e consciência histórica. Em uma de suas composições, canta:</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p><em>“Eu sou negro descendente de Zumbi</em><em><br></em><em>O rei negro de Palmares</em><em><br></em><em>Pelo negro ele lutou</em><em><br></em><em>Eu sou negro hoje livre sim senhor.”</em></p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>A música continua denunciando o preconceito sofrido por praticantes da capoeira, frequentemente associados à marginalidade, mas reafirma a roda como espaço de amizade, paz e dignidade.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Essa visão acompanha o reconhecimento da capoeira como Patrimônio Cultural Imaterial pelo IPHAN, em 2008, e pela UNESCO, em 2014. Para Mestre Militar, a capoeira ultrapassa o movimento corporal: ela é também instrumento de educação, alfabetização cultural e fortalecimento da identidade negra. Por meio da musicalidade, das cantigas e da literatura de cordel, ensina seus alunos a compreenderem a própria história e a preservarem a memória afro-brasileira.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>O reconhecimento de Mestre Militar pelo projeto “Notórios Saberes” representa mais do que um título acadêmico. É o reconhecimento de uma trajetória construída pela oralidade, pela ancestralidade e pela experiência coletiva. Sua história reafirma a capoeira como patrimônio cultural, instrumento educativo e forma de resistência negra que continua viva nas ruas, nas comunidades e nas novas gerações formadas dentro da roda.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Mais do que ensinar movimentos, Mestre Militar construiu uma roda em que a capoeira se torna espaço de pertencimento, aprendizado e transformação coletiva. Sua presença no projeto “Notórios Saberes” reconhece uma trajetória que mantém viva, em Santa Maria, a força da oralidade, da cultura popular e da ancestralidade negra.</p>
<!-- /wp:paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Mestre Militar: ancestralidade, capoeira e transformação social</title>
				<link>https://www.ufsm.br/pro-reitorias/pre/observatorio-de-direitos-humanos/notorios-saberes__trashed/ultimas-noticias/mestre-militar-ancestralidade-capoeira-e-transformacao-social</link>
				<pubDate>Tue, 02 Jun 2026 20:13:16 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Extensão]]></category>
		<category><![CDATA[neabi]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[notórios saberes]]></category>

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							<content:encoded><![CDATA[  <figure>
										<img width="1672" height="941" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/414/2026/06/Ilustracao-–-Opcao-2.jpg" alt="" />											<figcaption>Mais do que luta, a capoeira de Mestre Militar é ancestralidade, solidariedade, identidade e transformação coletiva.</figcaption>
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<p><em>Fellipe H. Alves Medeiros</em></p>
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<p style="text-align: justify">Luiz Antônio Loreto aprendeu cedo que a capoeira não nasce apenas no corpo, mas também na escuta, na memória e na convivência. Conhecido em Santa Maria e na região central do Rio Grande do Sul como Mestre Militar, ele transformou a roda em espaço de acolhimento, resistência e ensino coletivo. Há 35 anos vem dedicados integralmente à capoeira, sua trajetória carrega marcas da oralidade, da cultura afro-brasileira e da vida comunitária construída na Vila Urlândia, bairro onde nasceu e cresceu entre rodas de samba, brincadeiras de rua e os primeiros contatos com a arte que definiria sua história.</p>
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<p style="text-align: justify">Antes mesmo de pleitear o reconhecimento acadêmico por meio do projeto Notórios Saberes, Luiz Antônio Loreto já era mestre nas ruas, nas comunidades e nas rodas de capoeira. Em Santa Maria, seu nome atravessa bairros, escolas e praças públicas ao som do berimbau e na formação de gerações inteiras de capoeiristas. Conhecido como Mestre Militar, construiu, ao longo de 35 anos ininterruptos dedicados à capoeira, uma trajetória marcada pela resistência negra, pela educação popular e pela transformação social.</p>
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<p style="text-align: justify">Na Vila Urlândia, onde nasceu e cresceu em uma família de 14 irmãos, a capoeira apareceu ainda na infância, entre brincadeiras de rua, rodas de samba e os treinos conduzidos pelo Mestre Biriba no pátio da igreja do bairro. Sem condições financeiras para frequentar academias, começou aprendendo da forma mais antiga: observando. O olhar atento para os movimentos, para a musicalidade e para os mais velhos transformou-se, aos poucos, em uma compreensão profunda da capoeira como herança ancestral e prática coletiva.</p>
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<p style="text-align: justify">Hoje, aos 52 anos, Mestre Militar é reconhecido como uma das principais referências da capoeira de rua e da cultura afro-brasileira na região central do Rio Grande do Sul. Sua trajetória integra o projeto “Notórios Saberes”, da Universidade Federal de Santa Maria, iniciativa é reconhecido como um dos mestres e mestras cujos conhecimentos foram construídos pela prática, pela tradição oral e pelo compromisso com a comunidade.</p>
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<p style="text-align: justify">Segundo registros do Portal da Capoeira/IPHAN, iniciou sua trajetória em 1989, passou a ministrar aulas em 1995 e recebeu oficialmente o título de mestre em 2016. Formado por Mestre Biriba, ligado ao Grupo Oxóssi, carrega uma linhagem que conecta Santa Maria às raízes históricas da capoeira baiana, passando por nomes como Mestre Índio da Bahia, Mestre Valdemar da Paixão, Mestre Pelé da Bomba e Mestre Besouro. Para ele, a capoeira é uma árvore viva de memória, em que cada geração mantém acesa a experiência daqueles que vieram antes.</p>
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<p style="text-align: justify">Para Mestre Militar, a capoeira nunca foi apenas luta ou esporte. “Capoeira é família”, costuma dizer. A frase resume uma filosofia construída dentro e fora da roda: ninguém cresce sozinho. Em seus relatos, lembra que, após perder uma irmã em um período de dificuldades financeiras, foi acolhido pelo próprio mestre, que permitiu que continuasse treinando sem pagar mensalidade. O gesto marcou profundamente sua formação e moldou a maneira como passou a enxergar o grupo de capoeira: como um espaço de cuidado coletivo, solidariedade e pertencimento.</p>
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<p style="text-align: justify">Em 2002, após anos de formação no Grupo Oxóssi, fundou a Associação de Capoeira de Rua Berimbau, em Santa Maria. A iniciativa nasceu do desejo de aproximar novamente a capoeira da comunidade e dos espaços públicos. Naquele período, o mestre percebia que muitas rodas haviam migrado para academias e clubes fechados, afastando-se da periferia e das ruas onde historicamente se desenvolveram. Ao ocupar praças e espaços públicos da cidade, como o Calçadão, Mestre Militar reafirmou a capoeira como prática popular, acessível e coletiva.</p>
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<p style="text-align: justify">A associação expandiu suas atividades para outras cidades do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e também para a Argentina, onde mantém grupos em Buenos Aires e Santa Fe. Parte dessa internacionalização aconteceu através da relação construída com a Universidade Federal de Santa Maria. Segundo o mestre, muitos intercambistas conheceram a capoeira na cidade e levaram para outros países uma prática menos comercial e mais ligada à identidade social e comunitária.</p>
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<p style="text-align: justify">Essa conexão com a universidade tornou-se uma das marcas de sua trajetória. Participando de projetos de extensão, palestras e atividades acadêmicas, Mestre Militar construiu parcerias com cursos como Medicina, Letras, Matemática, Publicidade e Odontologia. Todos os semestres, estudantes visitam a comunidade para compreender, através da convivência, as realidades sociais da periferia, da população negra e das práticas coletivas de cuidado. Para o mestre, essa troca rompe hierarquias tradicionais do conhecimento: dentro da roda, a universidade também aprende.</p>
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<p style="text-align: justify">A Associação Berimbau tornou-se também um espaço de inclusão social e formação cidadã. Sem barreiras financeiras, religiosas ou de gênero, o trabalho desenvolvido pelo mestre busca fortalecer vínculos comunitários e combater preconceitos historicamente reproduzidos dentro e fora das rodas. Ele destaca a importância de transformar tradições que naturalizavam machismo e homofobia, defendendo uma capoeira baseada no respeito, na escuta e na valorização da presença feminina.</p>
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<p style="text-align: justify">Sua atuação comunitária ultrapassa a capoeira. Na Vila Urlândia, ajudou a estruturar projetos ligados à saúde coletiva, à distribuição de alimentos, a oficinas culturais, a atividades com idosos e à formação de jovens. Um dos exemplos mais simbólicos é a criação da horta comunitária, surgida a partir de estudos sobre ervas medicinais e conhecimentos ancestrais compartilhados pelos moradores mais velhos da comunidade. O espaço tornou-se ponto de encontro, segurança alimentar e integração social.</p>
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<p style="text-align: justify">Durante a pandemia, a associação funcionou como centro de apoio para famílias da região. Mesmo com os treinos suspensos presencialmente, o grupo manteve o acompanhamento das crianças, a distribuição de materiais e o suporte comunitário. Para Mestre Militar, o desafio sempre foi impedir que a juventude fosse “aliciada” pela violência e fortalecer caminhos de pertencimento através da cultura.</p>
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<p style="text-align: justify">Sua pedagogia nasce da experiência cotidiana. Uma das histórias que mais o marcou aconteceu durante aulas em uma escola pública, quando descobriu que um aluno chegava atrasado porque precisava permanecer em casa protegendo a irmã de agressões domésticas. O episódio transformou sua visão sobre educação e desigualdade social. “Não existe educação igual para todos quando as construções sociais são diferentes”, afirma.</p>
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<p style="text-align: justify">Essa dimensão humana atravessa também a musicalidade da capoeira. Mestre Militar incentiva seus alunos a comporem cantigas próprias como forma de preservar memória, identidade negra e consciência histórica. Em uma de suas composições, canta:</p>
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<p><em>“Eu sou negro descendente de Zumbi</em><em><br /></em><em> O rei negro de Palmares</em><em><br /></em><em> Pelo negro ele lutou</em><em><br /></em><em> Eu sou negro hoje livre sim senhor.”</em></p>
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<p style="text-align: justify">A música continua denunciando o preconceito sofrido por praticantes da capoeira, frequentemente associados à marginalidade, mas reafirma a roda como espaço de amizade, paz e dignidade.</p>
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<p style="text-align: justify">Essa visão acompanha o reconhecimento da capoeira como Patrimônio Cultural Imaterial pelo IPHAN, em 2008, e pela UNESCO, em 2014. Para Mestre Militar, a capoeira ultrapassa o movimento corporal: ela é também instrumento de educação, alfabetização cultural e fortalecimento da identidade negra. Por meio da musicalidade, das cantigas e da literatura de cordel, ensina seus alunos a compreenderem a própria história e a preservarem a memória afro-brasileira.</p>
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<p style="text-align: justify">O reconhecimento de Mestre Militar pelo projeto “Notórios Saberes” representa mais do que um título acadêmico. É o reconhecimento de uma trajetória construída pela oralidade, pela ancestralidade e pela experiência coletiva. Sua história reafirma a capoeira como patrimônio cultural, instrumento educativo e forma de resistência negra que continua viva nas ruas, nas comunidades e nas novas gerações formadas dentro da roda.</p>
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<p style="text-align: justify">Mais do que ensinar movimentos, Mestre Militar construiu uma roda em que a capoeira se torna espaço de pertencimento, aprendizado e transformação coletiva. Sua presença no projeto “Notórios Saberes” reconhece uma trajetória que mantém viva, em Santa Maria, a força da oralidade, da cultura popular e da ancestralidade negra.</p>
<p><strong><a href="https://www.youtube.com/playlist?list=PLqSe1CLHkJ24599r6_Vq6BAnfylZKRsrc">CONFIRA A PLAYLIST  NO YOUTUBE</a></strong></p>
<!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph /-->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Últimas Notícias</title>
				<link>https://www.ufsm.br/pro-reitorias/pre/observatorio-de-direitos-humanos/notorios-saberes__trashed/ultimas-noticias</link>
				<pubDate>Tue, 02 Jun 2026 20:08:33 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Extensão]]></category>
		<category><![CDATA[neabi]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[notórios saberes]]></category>

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						<description><![CDATA[Últimas Notícias Mestre Militar: ancestralidade, capoeira e transformação social por Fellipe H. Alves Medeiros Tio Cida: tambores, memória e resistência negra por Fellipe H. Alves Medeiros]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <a href="https://www.ufsm.br/pro-reitorias/pre/observatorio-de-direitos-humanos/notorios-saberes">
								</a>
		<h5>Últimas Notícias</h5>		
														<a href="https://www.ufsm.br/pro-reitorias/pre/observatorio-de-direitos-humanos/notorios-saberes/ultimas-noticias/mestre-militar-ancestralidade-capoeira-e-transformacao-social">
							<img width="1024" height="576" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/414/2026/06/Ilustracao-–-Opcao-2-1024x576.jpg" alt="" />								</a>
		<h1><a href="https://www.ufsm.br/pro-reitorias/pre/observatorio-de-direitos-humanos/notorios-saberes/ultimas-noticias/mestre-militar-ancestralidade-capoeira-e-transformacao-social">Mestre Militar: ancestralidade, capoeira e transformação social</a></h1><p style="text-align: right"><em>por Fellipe H. Alves Medeiros</em></p><h1><a href="https://www.ufsm.br/pro-reitorias/pre/observatorio-de-direitos-humanos/notorios-saberes/ultimas-noticias/tio-cida-tambores-memoria-e-resistencia-negra" data-wplink-edit="true">Tio Cida: tambores, memória e resistência negra</a></h1><p style="text-align: right"><em>por Fellipe H. Alves Medeiros</em></p>		
														<a href="https://www.ufsm.br/pro-reitorias/pre/observatorio-de-direitos-humanos/notorios-saberes/ultimas-noticias/tio-cida-tambores-memoria-e-resistencia-negra">
							<img width="1024" height="511" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/414/2026/07/Legenda-da-foto_-Mais-do-que-construir-instrumentos-Tio-Cida-transforma-madeira-couro-e-memoria-em-caminhos-de-transmissao-ancestral-e-resistencia-cultural-1024x511.jpg" alt="" />								</a>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Acervo</title>
				<link>https://www.ufsm.br/pro-reitorias/pre/observatorio-de-direitos-humanos/notorios-saberes/acervo</link>
				<pubDate>Tue, 26 May 2026 20:36:17 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[neabi]]></category>
		<category><![CDATA[notórios saberes]]></category>

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						<description><![CDATA[Acervo Mestre Militar é mestre de capoeira e compartilha sua trajetória e as raízes que sustentam seu aprendizado. Ao falar sobre sua linhagem, ele aponta os limites da memória e destaca a oralidade como base da capoeira. Mesmo sem documentação, esse conhecimento segue vivo, atravessando gerações. Mais do que prática, a capoeira se mantém como [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <a href="https://www.ufsm.br/pro-reitorias/pre/observatorio-de-direitos-humanos/notorios-saberes">
								</a>
		<h5>Acervo</h5>		
														<a href="https://www.youtube.com/watch?v=jvJrappm9CM&amp;list=PLqSe1CLHkJ24599r6_Vq6BAnfylZKRsrc">
							<img width="300" height="169" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/414/2026/06/Ilustracao-–-Opcao-1-300x169.jpg" alt="" />								</a>
		<p style="text-align: justify"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jvJrappm9CM&amp;list=PLqSe1CLHkJ24599r6_Vq6BAnfylZKRsrc">Mestre Militar é mestre de capoeira e compartilha sua trajetória e as raízes que sustentam seu aprendizado. Ao falar sobre sua linhagem, ele aponta os limites da memória e destaca a oralidade como base da capoeira. Mesmo sem documentação, esse conhecimento segue vivo, atravessando gerações. Mais do que prática, a capoeira se mantém como resistência, preservando princípios, conectando culturas e formando identidades. CLIQUE AQUI E CONFIRA A PLAYLIST </a></p>		
														<a href="https://www.youtube.com/playlist?list=PLAiR9ZaRusGg">
							<img width="300" height="150" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/414/2026/08/Tio-Cida-transforma-madeira-couro-e-memoria-300x150.jpg" alt="" />								</a>
		<p><a href="https://www.youtube.com/playlist?list=PLAiR9ZaRusGg">Tio Cida compartilha suas memórias sobre a cultura afro-gaúcha e os saberes construídos ao longo da vida através da música, da oralidade e da convivência comunitária. CLIQUE AQUI E CONFIRA A PLAYLIST</a></p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>006/2026 - Edital de Seleção de Bolsista - Notórios Saberes: Reconhecimento Institucional e Valorização dos Saberes e Fazeres para os(as) Mestres(as) de Saberes Tradicionais</title>
				<link>https://www.ufsm.br/pro-reitorias/pre/observatorio-de-direitos-humanos/editais/006-2026</link>
				<pubDate>Fri, 24 Apr 2026 19:33:00 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[neabi]]></category>
		<category><![CDATA[notórios saberes]]></category>
		<category><![CDATA[ODH]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/pro-reitorias/pre/observatorio-de-direitos-humanos/?post_type=editais&#038;p=4485</guid>
						<description><![CDATA[<p>Notórios Saberes: Reconhecimento Institucional e Valorização dos Saberes e Fazeres para os(as) Mestres(as) de Saberes Tradicionais</p>
<p>A Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal de Santa Maria, por meio do Observatório de Direitos Humanos, torna pública a abertura de inscrições para seleção de acadêmicos dos cursos de pós-graduação da UFSM para Bolsa de Extensão Universitária, conforme Resolução N. 176/2024.</p>
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p>Notórios Saberes: Reconhecimento Institucional e Valorização dos Saberes e Fazeres para os(as) Mestres(as) de Saberes Tradicionais</p>
<p>A Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal de Santa Maria, por meio do Observatório de Direitos Humanos, torna pública a abertura de inscrições para seleção de acadêmicos dos cursos de pós-graduação da UFSM para Bolsa de Extensão Universitária, conforme Resolução N. 176/2024.</p>
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													</item>
						<item>
				<title>059/2025 - SELEÇÃO DE BOLSISTAS PARA DOCUMENTÁRIO DO PROJETO DE EXTENSÃO DE NOTÓRIOS SABERES</title>
				<link>https://www.ufsm.br/pro-reitorias/pre/editais/059-2025</link>
				<pubDate>Wed, 28 May 2025 18:36:54 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[neabi]]></category>
		<category><![CDATA[notórios saberes]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/pro-reitorias/pre/?post_type=editais&#038;p=12693</guid>
						<description><![CDATA[<p>A Pró-Reitoria de Extensão, por meio da Coordenadoria de Desenvolvimento Regional e Cidadania e o Núcleo de Estudos Afrobrasileiro e Indígena (NEABI), vinculado ao Observatório de Direitos Humanos, tornam pública a abertura de inscrições de bolsistas, acadêmicas/os de Graduação em Comunicação nos últimos 3 semestres ou de Pós-Graduação em Comunicação, matriculadas/os na Universidade Federal de Santa Maria.</p>
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p>A Pró-Reitoria de Extensão, por meio da Coordenadoria de Desenvolvimento Regional e Cidadania e o Núcleo de Estudos Afrobrasileiro e Indígena (NEABI), vinculado ao Observatório de Direitos Humanos, tornam pública a abertura de inscrições de bolsistas, acadêmicas/os de Graduação em Comunicação nos últimos 3 semestres ou de Pós-Graduação em Comunicação, matriculadas/os na Universidade Federal de Santa Maria.</p>
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				<title>UFSM promove semana sobre Notórios Saberes</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2025/02/28/notorios-saberes</link>
				<pubDate>Fri, 28 Feb 2025 13:08:07 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[curricularização da extensão]]></category>
		<category><![CDATA[interculturalidade]]></category>
		<category><![CDATA[neabi]]></category>
		<category><![CDATA[notórios saberes]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/?p=68401</guid>
						<description><![CDATA[Encontro terá temática voltada à interculturalidade e contará com a participação do professor da José Jorge, da UNB]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
[caption id="attachment_68402" align="alignleft" width="467"]<img class=" wp-image-68402" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2025/02/jose-jorge-1-1.jpeg" alt="Foto colorida horizontal de homem idoso. Ele usa óculos, tem cabelo e bigode brancos, e usa uma blusa branca. Atrás dele uma parede em tons de amarelo e laranja. A imagem mostra do peito para cima." width="467" height="357" /> Professor José Jorge de Carvalho, da UNB, apresentará Projeto de Lei sobre Notórios Saberes[/caption]
<p>De 10 a 14 de março, a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) em parceria com o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) promove a semana (Des)cobrindo os Notórios Saberes: o encontro com a interculturalidade. O evento tem como objetivo principal o reconhecimento e a valorização dos saberes tradicionais e interculturais, como forma de motivar o diálogo entre a academia e as comunidades detentoras dos conhecimentos.</p>
<p>A programação da semana terá seminários, debates e oficinas sobre curricularização da extensão, a Educação das Relações Étnico-Raciais (Erer) e a estruturação do Encontro de Saberes na universidade. O destaque será a participação do professor José Jorge de Carvalho, da Universidade de Brasília (UNB), que discutirá o Projeto de Lei sobre Notórios Saberes no dia 11 de março (terça), às 9h15, no Auditório C do Prédio 18 do campus sede. </p>
<p>O evento contará, ainda, com programação cultural, que contemplará exposições artísticas, apresentações musicais, feira de artesanato e luau no Planetário. </p>
<p>A semana terá dois momentos para públicos específicos. O seminário do dia 10 de março (segunda), às 14h, no Auditório Imembuí, no prédio da Reitoria, será voltado para servidores que exercem cargos de gestão. Já a oficina no dia 12 de março (quarta), às 8h, na Sala 117 da Biblioteca Central, será direcionada para professores e técnico-administrativos que se <a href="https://www.ufsm.br/eventos/descobrindo-os-notorios-saberes-o-encontro-com-a-interculturalidade#programacao">inscreverem online</a>. </p>
<p>Conforme os organizadores da semana, a iniciativa reforça o compromisso da UFSM com a inclusão de forma ampla e a valorização das diferentes visões de mundo e saberes, ao fortalecer a construção de uma universidade mais plural e democrática.</p>
<p>Mais informações podem ser obtidas na <a href="https://www.ufsm.br/eventos/descobrindo-os-notorios-saberes-o-encontro-com-a-interculturalidade#programacao">página do evento</a>.</p>
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