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				<title>5 curiosidades sobre a cultura chinesa</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/5-curiosidades-cultura-chinesa</link>
				<pubDate>Wed, 16 Mar 2022 11:02:08 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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						<description><![CDATA[Alunos dos cursos de chinês realizados na UFSM comentam a experiência de conhecer uma nova cultura de forma online
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p dir="ltr" style="line-height: 1.295;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 8pt">Desde o primeiro semestre de 2021, a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), em parceria com a Universidade Normal de Hebei (HNU), oferta cursos de chinês à comunidade acadêmica. São três modalidades diferentes: língua, medicina tradicional e cultura chinesa. Na modalidade cultural, é possível aprender sobre história, geografia, costumes, crenças e tradições do povo chinês.</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.295;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 8pt"> </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.295;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 8pt">Para Breadelyn Corrêa Pires, graduando de História e aluno do curso de cultura chinesa, essa foi uma oportunidade de aprofundar os conhecimentos sobre o Oriente. Segundo ele, as informações trazidas pela mídia não são suficientes para conhecer e compreender o povo chinês. “A gente aprende muito sobre culturas ocidentais, mas pouco sobre o extremo oriente, temos estereótipos impostos pela mídia. No curso, pude descobrir muitas curiosidades sobre a cultura”, completa. As aulas foram ministradas em português pela professora Ana Qiao Jianzhen em formato online, com carga horária de 30 horas.</p>		
												<img width="1024" height="668" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/03/capa_china-1024x668.jpg" alt="Ilustração horizontal e colorida de um panda e um tigre. A ilustração tem traços delicados. No centro, um tigre listrado nas cores laranja e marrom, está pulando, com as patas da frente no chão e as patas traseiras levantadas. No lombo do tigre, está sentado um panda em preto e branco. Ele está com as mãos levantadas. No canto superior esquerdo e no canto inferior direito, linha com luzes de festival em amarelo e com fundo vazado. Na imagem, há oito asteriscos amarelos espalhados. O fundo é um marrom alaranjado." loading="lazy" />														
		<p dir="ltr" style="line-height: 1.295;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 8pt">Rosana Niederauer Marques, docente e coordenadora do curso de Fisioterapia da UFSM, fez os três cursos: de cultura chinesa,  de língua e de medicina tradicional. Ela buscou entender antigas e novas técnicas utilizadas pelos chineses. Dentre as descobertas, o que mais chamou atenção foi o aspecto humanista e o respeito entre as gerações pregado em todas as classes sociais. </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.295;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 8pt"> </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.295;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 8pt">A responsável pelo Núcleo de Programas Multilaterais da Secretaria de Apoio Internacional (SAI), Gracielli Mainardi, também quis aprender: "É de perder o fôlego, é tanta história, tanta informação, é o respeito pelo ser humano". Para ela, o fato mais curioso foi como o taoísmo -  religião chinesa que prega a vida em harmonia e o respeito pelo próximo -, é presente na vida dos chineses. “É encantador quando a gente começa a entender que um país com raízes tão profundas se torna uma potência mundial referência no mundo”, expõe Gracieli. Por outro lado, ela relata que a relação entre passado e presente também chama a atenção: “É um país que está com os dois pés no século 21, mas não para de olhar para o passado, nas suas crenças”.</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.295;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 8pt"> </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.295;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 8pt">Durante a conversa entre a Revista Arco e os alunos  dos cursos e a representante da SAI, surgiram informações curiosas sobre a China. Confira a seguir:</p><p> </p>		
			<h3>1 -&nbsp; Biodiversidade animal: entre as mais ricas do mundo</h3>		
												<img width="890" height="321" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/03/curiosidade_biodiversidade_1.jpg" alt="Fotografia horizontal e colorida de um panda gigante. Ele tem cabeça branca e partes do corpo pretas e brancas. As orelhas são pretas, assim como um círculo ao redor dos olhos. Ele está apoiado sobre um galho. No fundo, em desfoque, tronco de árvores e folhas da árvore, pendentes. O fundo é claro e tem pontos de branco. Ao lado, sobre tarja marrom alaranjada, na cor branca e em caixa alta, a palavra Biodiversidade. Abaixo, em preto, &quot;Panda gigante&quot;. O fundo é branco." loading="lazy" />														
		<p dir="ltr" style="line-height: 1.295;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 8pt">No curso de cultura chinesa, os alunos aprenderam que alguns animais raros, como o panda gigante, o boto branco, o boto sem barbatanas, o veado de lábio branco, o jacaré chinês e o esturjão branco são encontrados exclusivamente na China. Outro aprendizado foi de que&nbsp;existem mais de duas mil espécies de vertebrados terrestres no país.&nbsp;Além disso, o cuidado e a atenção com os animais faz parte dos costumes chineses. Por dispor de grandes porções territoriais, com diversos tipos de clima, o país também é rico em variedade de plantas. Espécies antigas como Metasequoia e Ginkgo constituem cerca de 62% do total de gêneros presentes no mundo. Essas plantas são consideradas “fósseis vivos” na China, enquanto estão extintas em outras partes do mundo.&nbsp;</p>
<p></p>		
			<h3>2- As quatro cozinhas tradicionais do país</h3>		
												<img width="890" height="321" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/03/curiosidade_culinaria_2.jpg" alt="Fotografia horizontal e colorida de um prato ao estilo Sichuan. É uma espécie de cozido com vegetais e massa nas cores amarela, verde e roxo. Ao lado, sobre tarja marrom alaranjada, na cor branca e em caixa alta, a palavra &quot;Culinária&quot;. Abaixo, em preto, a frase &quot;Prato ao estilo Sichuan, com fortes temperos&quot;. O fundo é branco." loading="lazy" />														
		<p dir="ltr" style="line-height: 1.295;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 8pt">A culinária da China é classificada em quatro grandes grupos, cada um com características regionais: Cozinha Sichuan (Chuan), Shandong Cuisine (Lu), Guangdong Cuisine (Yue) e Jiangsu Cuisine (Su). </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.295;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 8pt"> </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.295;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 8pt">Os pratos ao estilo Sichuan são conhecidos principalmente pelos temperos picantes. Opções populares são carne de porco desfiada ao molho de alho, frango Kung Pao, peixe cozido na água, carne bovina fatiada, tripa de carne ao molho Chili, frango frito picante, tofu e carne de porco cozida. </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.295;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 8pt"> </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.295;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 8pt">A cozinha de Guangdong, também conhecida como cantonesa, é o principal estilo de comida chinesa. Atualmente, é servida em muitos restaurantes de lugares como Guangzhou, Shenzhen e Hong Kong. A cozinha cantonesa inclui frutos do mar e sopas. Marinadas e caldos são populares, assim como molhos hoisin, ostra e ameixas. As receitas são ajustadas com base na estação atual: os sabores são mais leves no verão e no outono, e mais fortes no inverno e na primavera. </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.295;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 8pt"> </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.295;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 8pt">Na cozinha de Shandong, os frutos do mar se constituem como o principal alimento utilizado. O sabor original é preservado por meio de ingredientes simples, como o vinagre e o sal. A culinária de Jiangsu é menos popular em relação às anteriores: tem um estilo gourmet e é apresentada de forma colorida e artística. A comida desse estilo é conhecida por ser macia, mas não a ponto de se desfazer: a carne fica macia, mas não pode ser separada do osso.</p>		
			<h3>3- Festival da Primavera: cultura milenar</h3>		
												<img width="890" height="321" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/03/curiosidade_festival_3.jpg" alt="Fotografia horizontal e colorida de um ambiente do Festival da Primavera, na China. A foto tem tons quentes, principalmente laranja. Foi tirada de baixo para cima. Na parte superior, em direção ao fundo da imagem, luzes de festival diversos pendurados em estruturas de ferro dispostas no chão. As luzes são envoltas por um balão em formato de trapézio virado. As luzes são alaranjadas. No chão, há várias pessoas paradas. Ao lado, sobre tarja marrom alaranjada, em branco e caixa alta, a palavra &quot;Festival&quot;. Abaixo, em preto, a frase &quot;Símbolo do festival da primavera&quot;. O fundo é branco." loading="lazy" />														
		<p id="docs-internal-guid-2494a3fc-7fff-2681-1679-efc0173b8716" dir="ltr" style="line-height: 1.295;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 8pt">O Festival da Primavera, também conhecido como o Ano Novo Chinês, é o  mais importante do país: tem uma história de mais de quatro mil anos. É a ocasião em que as pessoas pedem por uma boa colheita e comemoram a passagem de um novo tempo. O festival é comemorado anualmente desde a noite do último dia do 12º mês lunar até o Festival Lanterna, no 15º dia do novo ano lunar.</p><p> </p>		
			<h3><p dir="ltr" style="line-height:1.295;text-align: justify;margin-top:0pt;margin-bottom:8pt" id="docs-internal-guid-b6e013b9-7fff-67ce-1853-359bcf46676e">4- Comidas de Festival</p></h3>		
												<img width="890" height="321" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/03/curiosidade_comida_festival_4.jpg" alt="Fotografia horizontal e colorida de um prato típico do festival da primavera, na China. São espécies de pastéis pequenos em amarelo pastel, com algumas ervas cortadas em tiras em cima. Estão dispostas em um círculo, ao redor de um pote pequeno com molho escuro dentro. Sobre o pote, dois palitos pretos e compridos. Ao lado, sobre tarja marrom alaranjada, em letras brancas e em caixa alta, a frase &quot;Comida típica de festival&quot;. Abaixo, em preto, a frase &quot;Bolinho Jiaozi&quot;. O fundo é branco." loading="lazy" />														
		<p id="docs-internal-guid-84fffff4-7fff-b19f-0d22-8610766d666d" dir="ltr" style="line-height: 1.295;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 8pt">Durante o Festival da Primavera e outras festas tradicionais da China, são servidas iguarias, como o Jiăozi ou bolinhos chineses, feitos de trigo cozido. No norte da China, é comum comer jiaozi no jantar de reencontro, no Ano Novo chinês. Entretanto, no centro do país, os costumes regionais relativos a essa receita variam muito. Em alguns lugares, o jiaozi é consumido na noite de Ano Novo e, em outros locais, no primeiro dia do primeiro mês lunar.</p><p> </p>		
			<h3><p dir="ltr" style="line-height:1.295;text-align: justify;margin-top:0pt;margin-bottom:8pt" id="docs-internal-guid-c4cb3371-7fff-ece6-22aa-a5fb4dd10145">5- A medicina passa de geração para geração</p></h3>		
												<img width="890" height="321" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/03/curiosidade_medicina_5.jpg" alt="Fotografia horizontal e colorida de uma pessoa de pele branca e rosto redondo deitada sobre uma superfície de tecido. Ela tem traços chineses e está com os olhos fechados. As mãos de uma segunda pessoa estão sobre o rosto. O polegar da mão direita pressiona o centro da testa, enquanto o polegar da mão esquerda pressiona um ponto na mandíbula direita. Ao lado, sobre tarja marrom alaranjada, em letras brancas e em caixa alta, a palavra &quot;Medicina&quot;. Abaixo, em preto, a frase &quot;Circulação de energia pelos meridianos do corpo&quot;. O fundo é branco." loading="lazy" />														
		<p id="docs-internal-guid-d482e8c3-7fff-8815-43ed-91cceb587f9b" dir="ltr" style="line-height: 1.295;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 8pt">As práticas medicinais, que incluem a chamada Medicina Tradicional Chinesa, foram desenvolvidas há milhares de anos. A base é a teoria dos cinco elementos e o sistema de circulação da energia pelos meridianos do corpo humano. Os ensinamentos foram passados ao longo das gerações, disseminando o conhecimento que é utilizado em todo o país.</p><p> </p><p id="docs-internal-guid-81843049-7fff-353e-13ef-b5edc821f758" dir="ltr" style="line-height: 1.295;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 8pt">Em 2022, <a href="https://www.ufsm.br/orgaos-de-apoio/sai/2022/02/24/sai-anuncia-novas-turmas-de-curso-de-chines-em-parceria-com-universidade-de-hebei/" target="_blank" rel="noopener">novas turmas</a> de cursos de chinês foram abertas, desta vez incluindo apenas a modalidade de línguas – com os módulos I, II e III. No primeiro semestre a cultura chinesa será trabalhada de uma forma diferente: por meio de palestras mensais, de forma online, gratuitas e abertas ao público. O calendário com datas e temáticas ainda vai ser divulgado pelo SAI. </p><p> </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.295;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 8pt">Tanto cursos como palestras são abertos à comunidade da UFSM e demais Universidades Federais do Rio Grande do Sul. Neste ano, a mudança é que os alunos dos cursos de Língua Chinesa devem se comprometer a realizar o Exame de Proficiência em Chinês HSK/HSKK, que é o exame oficial da língua chinesa válido em todos os países.</p><p>Para o professor Júlio Rodriguez, Assessor Adjunto do Reitor na SAI, todo conhecimento acerca da língua e da cultura chinesa é válido: “Todo o conhecimento sobre a China é essencial para quem quer expandir seus horizontes, aprender sobre técnicas e costumes antigos que são preservados e podem servir muito no presente e futuro. (...) Na  busca por um emprego, um preparo profissional, o conhecimento em cultura chinesa é e será um diferencial.”</p><p> </p><strong><em>Expediente:</em></strong><em><strong>Reportagem:</strong> Tayline Alves Manganeli, acadêmica de Jornalismo e voluntária;</em><em><strong>Design gráfico:</strong> Cristielle Luise, acadêmica de Desenho Industrial e bolsista;</em><em><strong>Mídia social:</strong> Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Alice dos Santos, acadêmica de Jornalismo e voluntária; Gustavo Salin Nuh, acadêmico de Jornalismo e voluntário; e Ana Carolina Cipriani, acadêmica de Produção Editorial e voluntária;</em><em><strong>Edição de Produção:</strong> Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;</em><em><strong>Edição geral:</strong> Luciane</em> <em>Treulieb e Maurício Dias, jornalistas.</em>]]></content:encoded>
													</item>
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				<title>Arco Entrevista: A China já é uma potência capaz de contrapor os Estados Unidos no sistema internacional?</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/arco-entrevista-bruno-hendler-china</link>
				<pubDate>Wed, 20 Oct 2021 12:22:09 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[arco entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[china]]></category>
		<category><![CDATA[destaque arco]]></category>
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		<category><![CDATA[economia]]></category>
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		<category><![CDATA[Relações Internacionais]]></category>

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						<description><![CDATA[Bruno Hendler, professor de relações internacionais da UFSM, analisa o contexto chinês baseado em seus estudos sobre "Ascensão e Queda de Grandes Potências"]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  O ano de 1949 marca o início do domínio do Partido Comunista sobre a China. Desde então, o país tem passado por uma grande transformação, especialmente a partir da década de 1980, quando Deng Xiaoping intensificou reformas econômicas que romperam a dicotomia entre estados capitalista e socialista.

Essa data também pode ser considerada o início do surgimento de uma nova potência global. Não livre de erros e controvérsias, o país alcançou um patamar de desenvolvimento nunca antes visto, mantido por mais de 40 anos - mesmo período em que 850 milhões de cidadãos saíram da situação de extrema pobreza.&nbsp;&nbsp;

O objetivo do país é dar continuidade a esse caminho de crescimento sem precedentes na história contemporânea. Meta que preocupa os Estados Unidos que, desde a Guerra Fria, não via sua soberania tão ameaçada. Dispostos a não abdicarem de sua hegemonia, os americanos se articulam no cenário internacional juntamente a países europeus e da Oceania para barrar o crescimento chinês. A China, por sua vez, busca investir no antigo “terceiro mundo” e se alinhar às lógicas produtivas do “primeiro mundo” para aumentar a sua influência no sistema internacional.

Bruno Hendler, professor da graduação e pós-graduação em Relações Internacionais da UFSM, pesquisa as movimentações que constituem esse jogo de xadrez geopolítico, especialmente do lado chinês, investigando os impactos de sua ascensão para o mundo e para o Brasil.

Bruno realizou doutorado sanduíche na Universidade do Povo (Renmin University) em Pequim, onde ficou de fevereiro a junho de 2017. Neste mesmo ano, o pesquisador participou do 3th Bridge to the Future Program, programa da All China Youth Federation que selecionou 15 pesquisadores da América Latina para conhecer acadêmicos e políticos chineses. Também participou de um congresso na Sun Yat-Sen University em Zhuhai e, ainda em 2017, visitou de outubro a novembro seis países do Sudeste Asiático para entrevistar acadêmicos, políticos e diplomatas.

<img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/10/Ent_China-1024x668.jpg" alt="" loading="lazy" width="1024" height="668">

Atualmente, coordena o Grupo de Pesquisa em Ásia-Pacífico (GEAP-UFSM), e está vinculado aos grupos de pesquisa em Economia Política da UFSC e ao LabChina da UFJR. Fez parte do grupo de autores do livro "<a href="https://grupoautentica.com.br/autentica/livros/china-contemporanea/1970" target="_blank" rel="noopener">China contemporânea: seis interpretações</a>", lançado este ano pela editora Autêntica. A obra reúne análises de estudiosos brasileiros sobre o desenvolvimento chinês em múltiplos aspectos.

A Revista Arco entrevistou Bruno Hendler para saber a respeito do gigante asiático e sua cultura, sistema político, suas diferenças em relação ao ocidente e a forma como percebemos essas discrepâncias e a relação entre capital e estado no país comandado há mais de 70 anos pelo Partido Comunista.

<b>ARCO - Você poderia nos contar sobre a sua trajetória e o que te levou a estudar sobre a China?</b>

Eu sou formado em Relações Internacionais e sempre gostei muito de história. Por isso,&nbsp; acabei em uma linha de pesquisa conhecida como ‘Ascensão e Queda das Grandes Potências’. Os autores da área voltam 500, 600 anos na história para entender como Portugal e Espanha foram grandes potências e depois entraram em declínio. O mesmo aconteceu com Holanda, França e Inglaterra até chegar aos Estados Unidos. Há uma pergunta comum a todos esses pesquisadores: “Qual é a nova grande potência?”. E a China é a principal potência emergente. Então,&nbsp; comecei a estudá-la para entender o impacto da sua ascensão como grande potência para o mundo e para o Brasil.

<b>ARCO - Quando se classifica um país como potência, geralmente se analisam três fatores: militar, econômico e cultural. A China já é uma potência nesses três campos?</b>&nbsp;

No aspecto militar, a China é o segundo país que mais investe nas suas forças armadas. Em questão de potência, ela briga pelo segundo lugar com a Rússia. Mais cedo ou mais tarde, a China irá ultrapassar a Rússia e se consolidar como segunda potência mundial, atrás dos Estados Unidos.

O aspecto econômico é onde reside o principal debate. Em alguns aspectos, como paridade de poder de compra, a China já passou os Estados Unidos. Em termos de PIB [Produto Interno Bruto] absoluto, a tendência é de que a China passe os Estados Unidos em breve. Mas há outros indicadores, como o PIB per capita, que a China continua muito atrás, porque tem 1,5 bilhão de habitantes.&nbsp;

O país tem ascendido no que se chama “globais de valor”, ou seja, empresas chinesas deixaram de apenas transferir riqueza para as potências centrais - Europa e Estados Unidos - e passaram a concentrar, gerar e extrair riqueza de outros países mais periféricos. O caminho que a economia chinesa está traçando é uma tendência de se aproximar dos países ricos. Inclusive, um dos pontos do meu artigo no livro <a href="https://www.amazon.com.br/China-contempor%C3%A2nea-interpreta%C3%A7%C3%B5es-Ricardo-Musse/dp/6559280489" target="_blank" rel="noopener">“China Contemporânea - Seis interpretações”</a> é o fato da China ser o país que mais possui companhias entre as 500 principais empresas do mundo, com 129 -&nbsp; os Estados Unidos têm 121. Isso é bem significativo.&nbsp;

Em termos culturais, a China é um dos países que mais dá bolsas de estudos para estrangeiros estudarem lá. Mas, por ser um país muito diferente em termos civilizacionais do ocidente, há muita reticência e preconceito contra o país, seu povo e cultura, tanto que existe o termo “sinofobia”. Esse é um obstáculo que a China tenta vencer.

Nesses três aspectos, a China já é uma potência global capaz de contrapor a influência dos Estados Unidos no sistema internacional. Ao meu ver, estamos entrando no mundo G2, que é como muitos autores classificam essa polarização.

<b>ARCO - Você acredita que no Ocidente, especificamente no Brasil, temos pouco conhecimento sobre o país?</b>

Com certeza. Quando eu fui como estudante à China, me surpreendi com a quantidade de chineses estudando a cultura ocidental, falando português, espanhol e outras línguas. Apesar de ter sido uma viagem oferecida pelo governo chinês e de ter sido eles quem selecionaram as pessoas que falariam comigo, essa busca por entender outras culturas é muito mais forte do lado chinês. No Brasil, há cerca de uns dez anos, houve o início de uma difusão da cultura chinesa: começaram grupos de estudo e institutos de pesquisa sobre o país. Mas ainda&nbsp; acredito que a falta de conhecimento é grande. Outro aspecto a se considerar é que a civilização chinesa é muito autocentrada - não há um aparato disseminação de cultura e valores chineses, como o que os Estados Unidos construíram no pós-guerra. É muito mais difícil penetrar nessa civilização.

<b>ARCO- Você acha que esse pouco conhecimento faz com que haja interpretações distorcidas sobre o que acontece no país?</b>

O nosso vocabulário político e social sobre democracia, direitos humanos, livre iniciativa, desenvolvimento econômico e social é muito diferente do contexto chinês.
<h4>"O ocidente usa suas próprias lupas para entender a China e isso gera visões muito míopes."</h4>
Quando se fala que lá há uma ditadura que oprime bilhões, simplesmente se ignora o fato de que não há como se sustentar por 70 anos no governo sem entregar desenvolvimento econômico, desenvolvimento social e uma certa liberdade para seus habitantes. Precisamos recalibrar nosso vocabulário, estudar a história da China, a forma como a civilização chinesa se construiu para entender como, há dois mil anos, esse país se organiza em um Estado centralizado que controla muita coisa da vida social.

<b>ARCO -&nbsp; Poderia explicar sobre o funcionamento do sistema político da China?</b>

O serviço público na China é altamente remunerado e reconhecido. Há um status muito grande em você ser um funcionário público na China. Essa lógica de ascensão é muito parecida com a de uma empresa, com uma meritocracia. Xi Jinping, por exemplo, começou como vereador, depois foi prefeito e traçou todo o caminho do funcionalismo público até se tornar o atual presidente da China.

O governo chinês tem programas de intercâmbio entre altos executivos e políticos e servidores de carreira do Estado. Então membros do partido comunista - já que para você ascender na carreira pública você tem que fazer parte do partido - atuam por um período em empresas como gestores e executivos. Há também executivos que se reciclam, passando algum período em funções públicas. Então a sinergia entre Estado e capital, entre mercado e governo, é muito forte. No entanto, essa sinergia também dá margem para casos de corrupção. A China não é livre de corrupção. Você tem casos clássicos de evasão fiscal nos governos locais. Mas no geral, essa lógica é eficiente.

Esse caminho do funcionalismo público na China existe de formas diferentes há mais de dois mil anos. Para nós, pode não fazer sentido, mas lá há um peso muito forte do Confucionismo, que é uma ideologia que preza pelo bem-estar público em primeiro lugar.&nbsp;

<img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/10/Box1-1024x476.png" alt="" loading="lazy" width="1024" height="476">

<b>ARCO - Um ponto que você costuma frisar é que nenhum país chega a ser potência sem entrar em conflito com as potências já consolidadas. Pode-se dizer, então, que os Estados Unidos fizeram movimentos parecidos com os da China para se consolidarem como potência?</b>
<h4>"A China, perto do que americanos fizeram quando ascenderam, é uma pombinha da paz."</h4>
A história da ascensão norte-americana se dá em três tempos. Você tem a formação do território norte-americano nos séculos 18 e 19, que se faz com genocídio indígena e escravidão. Esse período segue&nbsp; até a Guerra de Secessão, quando termina e deixa grandes bolsões de pobreza.

Na primeira metade do século 20, há o imperialismo norte-americano na América Central e em partes da Ásia como na própria China, Panamá, Cuba, Nicarágua, Honduras, República Dominicana, Haiti e México.

E no pós-guerra, quando eles se tornam a grande potência, a atuação se dá de forma muito mais sofisticada. Eles ainda invadem países - como Coreia e Vietnã- mas passam a praticar mudanças de regimes políticos através da CIA. A própria agência divulga registros de diversas intervenções, invasões e apoios a golpes militares.

Já a China aderiu e propôs organizações internacionais.&nbsp; A China investe em países que são esquecidos pelo ocidente, principalmente na África e na América Latina.&nbsp; Então, você tem empresas que estão levando uma espécie de desenvolvimento para esses lugares. Claro, isso não é sem interesse.&nbsp;

Para conter a ascensão chinesa, os americanos têm articulado alianças internacionais desde o governo Obama. A China, por sua vez, busca espaços para se projetar e se contrapor a essa contenção. Um vai dizer que só está reagindo aos movimentos do outro. Mas, na prática, os dois lados fazem uma competição por posições.&nbsp;

Essa disputa entre o estabelecido e o emergente acontece em qualquer lugar. Na Fórmula 1, por exemplo, quando dois pilotos estão na disputa pelo título, é inevitável que eles se toquem em algum momento. Isso ocorre em todas as esferas, e no sistema internacional a competição é muito forte, claro que irão surgir tensões.

<b>ARCO - E como fica o Brasil no meio dessa disputa entre potências?</b>

Na Guerra Fria, você tinha os dois blocos, o capitalista, com os Estados Unidos, e o socialista, com a União Soviética. Ainda havia um terceiro bloco, o dos países não alinhados, o famoso terceiro mundo. Em tese, o Brasil, ao longo da Guerra Fria, não se enquadraria em nenhum deles, porque não era do primeiro mundo, dos capitalistas desenvolvidos, não era socialista, mas também não era um país da África e da Ásia, que tinham acabado de ganhar sua própria independência. A história da posição do Brasil na política externa é de alinhamento estrutural com os Estados Unidos em termos de defesa, estratégia e cooperação militar.

Porém, o Brasil teve momentos muito claros de aproximação com o terceiro mundo - às vezes até com o segundo mundo dos países socialistas, por motivos pragmáticos. Em 1975, quando Angola se torna independente de Portugal graças ao partido comunista, o regime militar do Brasil rapidamente a reconhece como independente, porque era interesse da indústria nacional exportar produtos para Angola.&nbsp;

Então, o Brasil tem dois eixos de relações externas, um vertical ou hemisférico com os Estados Unidos e a Europa, e um eixo horizontal ou multilateral com o mundo em desenvolvimento. E, a cada governo, o Brasil oscila entre esses eixos, ora enfatizando o terceiro mundo, ora enfatizando o mundo em desenvolvimento. E tudo bem ocorrer essas oscilações dentro do que se considera civilizado. No governo Lula, houve um foco muito grande para o Sul Global, o antigo terceiro mundo, mas sem deixar de lado a relação com EUA e Europa. Aí veio o governo Temer, com um realinhamento de relações principais com os Estados Unidos, mas sem romper com a China.&nbsp;

Mas quando vem o governo Bolsonaro, é um tiro no pé. Desde a campanha, promoveu uma retórica de hostilidade em relação à China, sendo que, desde 2009, ela é o principal parceiro comercial do Brasil. Além disso, ele amarrou a sua política externa ao governo Trump, não ao Estado norte-americano, e o Trump perdeu a disputa de reeleição, então agora o Brasil está distante tanto da China, quanto dos Estados Unidos - se isolou dos dois eixos. E a diplomacia brasileira sempre foi uma referência internacional, por isso somos o país que anualmente abre a Assembleia Geral das Nações Unidas. A política diplomática do governo Bolsonaro conseguiu destruir todos os eixos de projeção que o país tinha. Hoje, o Brasil é um pária internacional.&nbsp;

<b>ARCO - Em relação à questão do modelo econômico da China: qual a importância do sistema político do partido comunista da China no desenvolvimento da economia de mercado no país?</b>

Sobre esse assunto, há muitos livros e teses. De um lado, os liberais vão dizer que a China se abriu, virou capitalista e se desenvolveu, porque ela tem acesso a recursos e mercados no exterior. Enquanto marxistas e nacionalistas reivindicam a participação do Estado na criação das zonas econômicas especiais, investimentos externos, além&nbsp; da participação de empresas estatais em setores chaves da economia.

Os setores de comunicação, transporte, construção civil e energia são mantidos sob o controle do Estado. Sem as empresas estatais, o país deixa de existir, mas se você tirar as empresas privadas da China, ela para.&nbsp;

Um ponto a se destacar é a mudança do investimento estatal. Até os anos 2000, prevalecia investimento público em setores pesados - metalurgia, siderurgia, construção e afins -, além da exportação dos famosos produtos de R$1,99. Mas de 15 anos para cá, esse modelo de investimento público começou a ser substituído por outro voltado para o consumo do mercado doméstico e para os setores de serviços. Design de produtos, arquitetura, tecnologia de ponta e entretenimento são os setores que mais movimentam dinheiro há pelo menos 50 anos, a indústria pesada ficou para trás.&nbsp;

A China procura se desenvolver nesses setores por meio da absorção de conhecimento dos países desenvolvidos - para isso ela importa cérebros desses países. Quando eu estava em uma universidade da China, os jogadores da liga universitária eram todos chineses, mas os técnicos, fisioterapeutas e médicos eram todos italianos. Havia um professor recém-formado no sul da Espanha realizando um estágio na China, mas era um estágio onde ele ensinava. Outro exemplo é a arquitetura. Quando estive em Pequim, havia arquitetos alemães, franceses, espanhóis. A China está absorvendo a economia do conhecimento.&nbsp;

Enquanto isso, a indústria de manufatura chinesa é levada para a África, América Latina e sudeste asiático. Eles estão terceirizando as atividades de menor valor agregado e complexificando sua produção interna para&nbsp; competir com o ocidente.&nbsp;

<b>ARCO - E sobre a afirmação que a China é socialista. Socialismo de mercado ainda é socialismo?</b>

Eu vou voltar em uma resposta que eu dei: nós precisamos calibrar o nosso vocabulário. Esses dois conceitos - tanto o capitalismo de estado quanto o socialismo de mercado - não servem para entender a China. O Estado, que seria socialista, funciona em uma lógica altamente meritocrática e ligada às empresas. Por outro lado, as empresas funcionam sob a tutela do Estado. É uma zona cinzenta.

<b>ARCO -</b> <b>Então como você definiria a estrutura econômica da China?</b>&nbsp;

Eu não não me arrisco a criar um conceito para defini-la, mas tem gente que faz isso. Eu sugiro dois autores. Um é o Elias Jabbour, que usa um termo chamado "economia do projetamento". Ele busca um sociólogo brasileiro do século 20, Ignácio Rangel. Para ele, a Economia do Projetamento é uma nova forma de socialismo. A outra autora é Isabela Nogueira de Moraes, que foi minha orientadora no doutorado. Ela trabalha numa perspectiva marxista de falar que é uma China com tensões de classe, analisando como essa nova burguesia tenta fugir do controle do Governo.

<img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/10/Box2-1024x532.png" alt="" loading="lazy" width="1024" height="532">

<b>ARCO - Esse modelo econômico único da China foi o diferencial para o país não ter o mesmo fim da União Soviética?&nbsp;</b>

Sim, foi o diferencial, mas não é tão único. A China pegou carona em um modelo de desenvolvimento econômico asiático com o Japão e com os tigres asiáticos, como Coréia do Sul, Taiwan, Hong Kong e Singapura. Muito do que a gente falou a respeito da integração entre empresas estatais e privadas, protecionismo comercial, foram coisas que tanto o Japão quanto a Coreia do Sul fizeram. O que a China fez foi pegar alguns elementos e elevar a um outro patamar. Então sim, esse sistema econômico é a chave do sucesso da China, mas ressalto que essa política econômica não aconteceu só na China.

Eu me arrisco a dizer que todos os países que se dizem grandes potências se desenvolveram com esse modelo de protecionismo e controle estatal. É o caso dos Estados Unidos, da Alemanha, da França, da Inglaterra e da Suécia. Não é Estado mínimo que desenvolve país. Claro, como a gente viu no caso da União Soviética, também não é um Estado máximo que desenvolve um país. É sempre esse meio termo, mas me sinto muito em cima do muro, dizendo que não é nem um nem outro.
<h4>"É preciso um estado que esteja acima da burguesia, acima das classes capitalistas, que invista na ciência - principalmente nos setores de longo prazo, que agora não rende frutos, mas que no futuro irá gerar lucro e desenvolvimento."</h4>
<b>ARCO - Seria um estado empreendedor?</b>

É uma mescla entre estado empreendedor e estado dirigista. Um estado keynesiano, ou seja, ele controla as engrenagens chave da economia sem ser necessariamente o grande empresário de todos os setores. O Estado não precisa controlar todas as padarias, mas sim regular a oferta de trigo para que elas possam competir em um sistema equilibrado a fim de ver quem faz o melhor pão, por exemplo.

<b>ARCO -</b><b> Então essa rigidez da China com o setor privado é uma forma de manter condições iguais para competição?</b>

É isso mesmo. O magnata Jack Ma, anos atrás, aderiu ao Partido Comunista. Não é o estado que é convertido ao capitalismo. É o burguês que é convertido ao Partido Comunista, que, na nossa visão, é o mais capitalista de todos os partidos comunistas. De novo, são os nossos termos que não conseguem dar conta da realidade.&nbsp;

<b>ARCO -</b><b> Por mais difícil que seja definir esse sistema econômico, podemos dizer que a China propõe um caminho possível para o desenvolvimento de países periféricos?</b>

Bom, uma coisa é você se inspirar no que a China está fazendo e adotar um modelo parecido, e outro é estreitar os laços econômicos com eles. Ninguém garante que os países africanos, ao se aproximarem da China, vão se tornar mini-Chinas. Esse debate é feito no livro <a href="https://www.amazon.com.br/Chutando-escada-Ha-Joon-Chang/dp/8571395241" target="_blank" rel="noopener">“Chutando a Escada”</a> do Ha-Joon Chang. Ele usa a seguinte metáfora: quando um país sobe a escada do desenvolvimento, a “chuta”, isto é, cria empecilhos para que outros países tracem o mesmo caminho. Agora que a China se desenvolveu, ela tende a se tornar mais liberal, a querer mais livre comércio, a buscar defender a globalização.&nbsp;

Então se a associação com a China vai levar a um desenvolvimento parecido com o chinês, eu não sei. O Vietnã diz que sim. O Vietnã é uma China de 20 anos atrás. O país passou a receber muito investimento chinês e tem se desenvolvido de forma muito parecida. Mas também não é garantia de que isso vai acontecer, tem que ver caso a caso.&nbsp;

<b>ARCO -</b><b> Então dá para dizer que mesmo que a China tenha aberto o caminho, ela já está tratando de fechar?</b>&nbsp;

Bom, aí voltamos para aquele aquele paradoxo que falamos. A estrada que a China está estendendo para os países em desenvolvimento, a meu ver, é muito mais viável do que a que os americanos e europeus estenderam. Mas isso não é garantia que os países vão se desenvolver como a China. Não temos como saber se isso é sustentável a longo prazo.

<section data-id="9f898e8" data-element_type="section"><b><i>Expediente</i></b>

<b><i>Reportagem:&nbsp;</i></b><i>Bernardo Salcedo, acadêmico de Jornalismo e bolsista</i>

<b><i>Ilustração: </i></b><i>Noam Wurzel, acadêmico de Desenho Industrial e bolsista</i>

<b><i>Mídia Social: </i></b><i>Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Eloíze Moraes, estagiária de Jornalismo e bolsista; e Caroline de Souza, acadêmica de Jornalismo e voluntária</i>

<b><i>Edição de Produção: </i></b><i>Esther Klein, acadêmica de Jornalismo e bolsista</i>

<b><i>Edição Geral: </i></b><i>Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas</i>

</section>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>O novo coronavírus sobrevive no ar?</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/coronavirus-sobrevive-no-ar</link>
				<pubDate>Fri, 08 May 2020 17:55:30 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Mitômetro]]></category>
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		<category><![CDATA[contágio covid-19]]></category>
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						<description><![CDATA[Pesquisas conduzidas na China apontam que a covid-19 pode ser transmitida pelo ar e, até mesmo, encontrada em ambientes próximos ou com circulação de infectados.]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p>Os estudos sobre a covid-19 avançam dia a dia. Em todo o mundo, cientistas buscam como o novo agente do coronavírus passou de animais para humanos, quais são as possíveis curas e os fatores que influenciam a proliferação do SARS-Cov-2. Diante desse cenário de mudanças, pesquisas conduzidas na China apontam que a covid-19 pode ser transmitida pelo ar e, até mesmo, encontrada em ambientes próximos ou com circulação de infectados.</p><h3><strong>Estudo sugere que SARS-Cov-2 pode se propagar sem contato físico</strong></h3><p>Uma <a href="https://www.nature.com/articles/s41586-020-2271-3#citeas">pesquisa recentemente publicada pela Revista Nature</a> aponta que partículas do novo coronavírus podem ser encontradas no ar em ambientes com a presença ou circulação de infectados pelo vírus. O estudo coletou amostras de ar em 30 locais públicos e em dois hospitais que tratam pacientes com a covid-19 em Wuhan, China.</p><p>Na análise realizada, a presença de aerossóis foi observada em espaços com grande circulação de pessoas e em ambientes com pouca ventilação. A presença dessas partículas reforça a tese de alguns pesquisadores de que o SARS-Cov-2 tem a capacidade de se propagar sem contato físico com os portadores da doença, por meio de partículas de aerossóis dispersas no ar. </p><p>A pesquisa também ressalta que locais nos quais ocorreram o processo de desinfecção e em enfermarias bem ventiladas a concentração foi indetectável.</p>		
										<img width="658" height="1024" src="https://www.ufsm.br/midias/arco/wp-content/uploads/sites/601/2020/02/e-possivel-658x1024.png" alt="" />											
		<h3><strong>Partículas com vírus podem se manter estáveis por até duas horas</strong></h3><p>De acordo com a bióloga e professora da UFSM Palmeira das Missões, Terimar Moresco, as partículas que carregam o novo coronavírus podem se manter estáveis no ar por até duas horas, tempo que varia de acordo com as características como temperatura e umidade do ambiente. Além disso, caso essas partículas virais estejam em objetos - como a vestimenta médica, móveis, ar condicionado - ou no piso, e sejam ressuspensas, o ar pode ser contaminado. Por isso, o uso de máscaras, os cuidados e a higienização rigorosa de vestuários e ambientes é uma medida fundamental para prevenção da covid-19. A bióloga também destaca que a contaminação por via aérea é menor em ambientes abertos ou com circulação de ar natural e que mesmo com o uso de ventiladores e de ar condicionados, que fazem apenas recirculação do ar, não diminuem nem a concentração de partículas virais no ambiente nem o risco de contaminação. </p><h3><strong>Surto na cidade de Guangzhou pode ter se originado pelo ar contaminado</strong></h3><p>Tanto a origem da covid-19 quanto o início do sua proliferação ainda são incertas. No entanto, um estudo sugere que o surto do novo coronavírus na cidade de Guangzhou, na China, surgiu durante um almoço em um restaurante.&nbsp;</p>
<p>Como o governo chinês monitora todos os infectados pela covid-19, os pesquisadores conseguiram rastrear os primeiros casos da doença naquela cidade. A partir do mapeamento, eles descobriram que dez pessoas de três famílias diferentes - para exemplificar, utilizaremos A, B e C para cada grupo - almoçaram no mesmo restaurante do paciente A1 - que, no dia anterior, tinha retornado de Wuhan, epicentro da doença.</p>
<p>Mais tarde naquele mesmo dia, o paciente A1 apresentou febre e tosse, e foi ao hospital. Doze dias depois desse almoço, nove pessoas das famílias A, B e C já tinham adoecido pela covid-19. Ao analisar as câmeras de segurança do estabelecimento, os cientistas perceberam que os infectados das famílias B e C não tiveram contato físico com o paciente A1. Os pesquisadores também constataram que os funcionários do restaurante e os demais presentes não contraíram o vírus.</p>
<p>Foi então que observaram que as mesas das três famílias estavam alinhadas em um mesmo fluxo de ar, dispostas um metro de distância uma das outras. Os pesquisadores reconstruíram a cena. Para isso, utilizaram bonecos com a temperatura do corpo humano e liberaram um gás marcador que se propaga no ar como o coronavírus para representar a respiração do único infectado, o paciente A1.&nbsp;</p>
<p>A conclusão do estudo sugere que o vírus foi transmitido pelo ar pelos aerossóis, mesmo com o paciente A1 sendo assintomático. Essas pequenas gotículas aerossóis e que carregam o vírus podem permanecer no ar e percorrer distâncias superiores a um metro. A partir desta pesquisa, é possível estimar que o surto do novo coronavírus em Guangzhou originou-se através do ar de um restaurante, influenciado pela rota de circulação do ar condicionado.&nbsp;</p>
<p>O estudo será publicado na edição de julho de 2020 na revista Emerging Infectious Diseases, mas uma pré-edição já pode ser <a href="https://wwwnc.cdc.gov/eid/article/26/7/20-0764_article">acessada no site do periódico</a>.</p><p style="color: #000000;font-size: 16px"><i>Mitômetro Coronavírus é um projeto de checagem de fatos da revista Arco voltado para a temática da pandemia com o objetivo de combater a desinformação.</i></p><p style="color: #000000;font-size: 16px"><em>Compreenda os selos:</em></p><p style="color: #000000;font-size: 16px"><i>Comprovado – fato com evidências científicas e que pode ser explicado a partir de relatórios, documentos e pesquisas confiáveis e com metodologias factíveis. </i></p><p style="color: #000000;font-size: 16px"><i>É possível – selo para uma checagem com elementos reais. Não há comprovação 100% em função de determinados indícios, detalhes ou situações.</i></p><p style="color: #000000;font-size: 16px">Depende – <i>é o meio termo entre o que é mito e a verdade. Não existe um consenso entre as fontes e os especialistas. Também usado para quando faltam evidências ou para destacar que o fato pode ocorrer em uma determinada situação. </i></p><p style="color: #000000;font-size: 16px"><i>Improvável – refere-se a uma situação com pouquíssima possibilidade de ser real. </i></p><p style="color: #000000;font-size: 16px">Mito – <i>não existe possibilidade alguma de ser verdade. Existem evidências que provam o contrário. Enquadram-se aqui as teorias da conspiração, as lendas da internet e as noticias falsas.</i></p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Drogas que combatem a malária podem ser a cura para a Covid-19?</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/hidroxicloroquina</link>
				<pubDate>Mon, 30 Mar 2020 15:29:02 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Mitômetro]]></category>
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						<description><![CDATA[A hidroxicloroquina foi apontada em estudos chineses como possível tratamento para o novo coronavírus. Até o momento, O uso combinado da droga apenas inibiu a ação do vírus no corpo humano. Ainda há, portanto, questionamentos sobre sua eficácia. Não se sabe ao certo a dosagem adequada, nem em que momento o remédio deve ser aplicado [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">A hidroxicloroquina foi apontada em estudos chineses como possível tratamento para o novo coronavírus. Até o momento, O uso combinado da droga apenas inibiu a ação do vírus no corpo humano. Ainda há, portanto, questionamentos sobre sua eficácia. Não se sabe ao certo a dosagem adequada, nem em que momento o remédio deve ser aplicado no tratamento.</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"> </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Mesmo assim, o <a style="color: #000000" href="https://www.saude.gov.br/noticias/agencia-saude/46601-cloroquina-podera-ser-usada-em-casos-graves-do-coronavirus">Ministério da Saúde</a> aposta no uso da droga em casos graves de <a style="color: #000000" href="https://www.ufsm.br/midias/arco/mitometro-coronavirus-foi-criado-em-laboratorio-por-chineses/">pacientes infectados pelo SARS-CoV-2</a> e que estejam hospitalizados. A recomendação seria para tratamento por cinco dias. </p><h3><strong>Pesquisas chinesas</strong></h3><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">A hidroxicloroquina, medicamento derivado da cloroquina e conhecido pelo nome comercial de Reuquinol, é utilizada como combate ao parasita causador da malária. Por ter ação anti-inflamatória, também é usada para lúpus e artrite reumatóide. A droga tem sido utilizada em estudos sobre o novo coronavírus. </p><p><b style="font-weight: normal"> </b></p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Uma das primeiras pesquisas sobre a eficácia da hidroxicloroquina para combater o novo coronavírus foi publicada na <a style="text-decoration: none;color: #000000" href="https://www.nature.com/articles/s41421-020-0156-0">revista Nature</a>. O estudo de cientistas de Wuhan e Pequim, na China, é baseado apenas em testes in vitro, ou seja, sem testes em humanos. Os resultados para a inibição da <a style="text-decoration: none;color: #000000" href="https://www.ufsm.br/midias/arco/mitometro-coronavirus-foi-criado-em-laboratorio-por-chineses/">SARS-CoV-2</a> foram positivos. Além disso, houve combinação com outra droga, o antiviral remdesivir, utilizado para tratar o ebola. </p><p><b style="font-weight: normal"> </b></p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Outro estudo de pesquisadores da Universidade de Qingdao, China, publicado na <a style="text-decoration: none;color: #000000" href="https://www.jstage.jst.go.jp/article/bst/14/1/14_2020.01047/_article">BioScience Trends</a>, observa, a partir da análise de cem pacientes, que a cloroquina e a hidroxicloroquina podem ser eficientes para o controle da pneumonia em quadros do novo coronavírus. Dada a pandemia, os pesquisadores chegaram a recomendar o uso da droga por ser barata e utilizada há mais de 70 anos.</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"> </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Apesar dos resultados iniciais, pesquisas do Centro Clínico de Xangai questionam a eficácia da hidroxicloroquina no tratamento do novo coronavírus. Os cientistas testaram dois grupos de 15 pacientes internados na China sem abandonar os outros cuidados. O primeiro recebeu hidroxicloroquina e o segundo não. Após cinco dias de tratamento, todos os pacientes foram submetidos à tomografia computadorizada. Não foi notada nas imagens nenhuma diferença significativa entre os dois grupos.</p>		
										<img width="658" height="1024" src="https://www.ufsm.br/midias/arco/wp-content/uploads/sites/601/2020/02/depende-658x1024.png" alt="" />											
		<h3><b>Tratamento auxiliar</b></h3><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">O Ministério da Saúde divulgou <a style="background-color: #ffffff" href="https://www.saude.gov.br/noticias/agencia-saude/46601-cloroquina-podera-ser-usada-em-casos-graves-do-coronavirus">nota</a>, na semana anterior, para anunciar que a cloroquina e a hidroxicloroquina podem ser usadas por pacientes internados com casos graves do novo coronavírus. A recomendação é para uso complementar aos demais procedimentos, como a assistência ventilatória. O protocolo é para até cinco dias de tratamento. </p><p> </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">O texto, publicado no site do Ministério, informa a distribuição de 3,4 milhões de unidades dos remédios para os estados e, ainda, alerta “tanto a cloroquina e a hidroxicloroquina não são indicadas para prevenir a doença e nem tratar casos leves”.</p><h3><b>Medicamentos especiais</b></h3><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Em função da busca desenfreada pela cloroquina e pela hidroxicloroquina nas farmácias brasileiras, a <a style="text-decoration: none" href="http://portal.anvisa.gov.br/noticias/-/asset_publisher/FXrpx9qY7FbU/content/hidroxicloroquina-vira-produto-controlado/219201?inheritRedirect=false">Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)</a> incluiu os dois medicamentos na categoria de controle especial. A medida objetiva garantir o tratamento de pacientes com malária, lúpus e artrite reumatóide. </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"> </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">A Anvisa ainda faz dois alertas, um para as farmácias e outro para os pacientes. Para as farmácias, a Agência reforça que a venda irregular passa a ser considerada infração grave. Já para os pacientes, o órgão destaca que o uso sem supervisão “pode representar um alto risco às pessoas”. Entre os efeitos colaterais que a hidroxicloroquina pode causar estão: convulsões, arritmia cardíaca, erupções na pele e visão borrada. </p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Ibuprofeno agrava o quadro de covid-19?</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/ibuprofeno-agrava-quadro-covid19</link>
				<pubDate>Wed, 25 Mar 2020 19:06:18 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Mitômetro]]></category>
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						<description><![CDATA[Os efeitos negativos anti inflamatório em relação ao Covid-19 não estão comprovados, mas pesquisas recentes levantam esse questionamento e formulam algumas hipóteses. Portanto, faltam evidências.]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p>Os efeitos negativos do anti inflamatório em relação ao novo coronavírus não estão comprovados, mas pesquisas recentes levantam esse questionamento e formulam algumas hipóteses. Portanto, faltam evidências.</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">O ministro da Saúde da França, Oliver Véran, alertou, em seu <a style="text-decoration: none" href="https://twitter.com/olivierveran/status/1238776545398923264">Twitter</a> no dia 14 de março, que medicamentos como ibuprofeno podem agravar a infecção do coronavírus. No dia 17 de março, a <a style="text-decoration: none" href="https://www.facebook.com/WHO/posts/2993742374004459">Organização Mundial da Saúde</a> declarou que não é recomendado utilizar o remédio como tratamento para Covid-19.</p><p><br />De fato, a Revista Científica <a href="https://www.thelancet.com/action/showPdf?pii=S2213-2600%2820%2930116-8">The Lancet </a>publicou um artigo, no dia 11 de março deste ano, sobre comorbidades e coronavírus. Ou seja, o texto trata da relação entre doenças crônicas preexistentes, como hipertensão e diabetes, em pacientes que contraíram Covid-19. A pesquisa ainda cita os possíveis efeitos prejudiciais do ibuprofeno.</p>		
										<img width="658" height="1024" src="https://www.ufsm.br/midias/arco/wp-content/uploads/sites/601/2020/02/depende-658x1024.png" alt="" />											
		<p style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">O que ibuprofeno, diabetes e hipertensão têm em comum?</p><p><b id="docs-internal-guid-41b7cd24-7fff-94bb-1a1c-e8343729f262" style="font-weight: normal"> </b></p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">O ibuprofeno tem ação analgésica e antiinflamatória. Por isso, é indicado para febre, dor de cabeça, dor nas costas, dor muscular, dor de dente, artrite e processos inflamatórios. Existe uma série de remédios com ibuprofeno, como Advil, Alivium, Buscofem, Doraliv, Ibuflex, Ibufran, Ibuliv, Lombalgina e Nimesulida.</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"> </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Assim como os remédios para diabetes e hipertensão, o ibuprofeno  aumenta a produção de uma enzima, a ECA-2. Essa substância age, por exemplo, no relaxamento dos vasos sanguíneos, o que reduz a pressão arterial.  </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"> </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Segundo o estudo da Lancet, o aumento dessa enzima agravaria a infecção por Covid-19 e aumentariam as chances dos quadros severos do novo coronavírus. </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"> </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">A pesquisa menciona brevemente o ibuprofeno. O foco do estudo está nas comorbidades e no efeito da enzima. </p><h2 style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Cientistas precisam de mais evidências</h2> <p>É importante ressaltar ainda que essa foi uma revisão de literatura de pesquisadores suíços e gregos a partir de três estudos anteriores - um com 1099 pacientes, outro 140 pacientes e outro com 52 pacientes com Covid-19 na China.  </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">As pesquisas sobre os efeitos do ibuprofeno nos infectados com o novo coronavírus estão em fase inicial e carecem de mais evidências. Neste sentido, a própria a <a href="https://www.who.int/">OMS</a> voltou atrás e retirou sua recomendação de não utilizar o remédio no tratamento da pandemia, por não ter “conhecimento de relatos de efeitos negativos” do medicamento. </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"> </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Para além das questões apresentadas pelos artigos recentes, a professora Ana Catharina Nastri, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da <a style="background-color: #ffffff" href="https://jornal.usp.br/atualidades/ibuprofeno-e-cloroquina-nao-sao-recomendaveis-para-tratar-covid-19/">USP</a>, desaconselha por outra razão. O ibuprofeno pode ocasionar problemas renais e linfáticos em pacientes com o novo coronavírus, segundo a professora.</p><p>Mitômetro<em style="color: #000000;font-size: 16px"> Coronavírus é um projeto de checagem de fatos da revista Arco voltado para a temática da pandemia com o objetivo de combater a desinformação.</em></p><p><em style="color: #000000;font-size: 16px"><b>Compreenda os selos</b>:</em></p><p><i><b>Comprovado</b> - fato com evidências científicas e que pode ser explicado a partir de relatórios, documentos e pesquisas confiáveis e com metodologias factíveis. </i></p><p><i><b>É possível</b> - selo para uma checagem com elementos reais. Não há comprovação 100% em função de determinados indícios, detalhes ou situações.</i></p><p><b>Depende - </b><i>é o meio termo entre o que é mito e a verdade. Não existe um consenso entre as fontes e os especialistas. Também usado para quando faltam evidências ou para destacar que o fato pode ocorrer em uma determinada situação. </i></p><p><b>Improvável - </b><i>refere-se a uma situação com pouquíssima possibilidade de ser real. </i></p><p><b>Mito - </b><i>não existe possibilidade alguma de ser verdade. Existem evidências que provam o contrário. Enquadram-se aqui as teorias da conspiração, as lendas da internet e as noticias falsas.</i></p>]]></content:encoded>
													</item>
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				<title>Novo coronavírus foi criado em laboratório por chineses?</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/mitometro-coronavirus-foi-criado-em-laboratorio-por-chineses</link>
				<pubDate>Mon, 23 Mar 2020 19:28:04 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Mitômetro]]></category>
		<category><![CDATA[china]]></category>
		<category><![CDATA[coronavírus]]></category>
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		<category><![CDATA[SARS-CoV-2]]></category>
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						<description><![CDATA[Publicações que acusam cientistas de criarem o novo vírus são falsas
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <i>Publicações que acusam cientistas de criarem o vírus são falsas</i>

Circulam nas redes sociais digitais postagens (como a compartilhada nesta checagem), que atribuem a cientistas chineses a criação do novo coronavírus.&nbsp;

Nos textos, de cunho conspiratório, é afirmado que a doença seria uma espécie de arma biológica desenvolvida em laboratório. Os objetivos seriam reduzir a população mundial e provocar uma crise no mercado financeiro para que o governo chinês obtivesse vantagens econômicas.

<img width="564" height="584" src="https://www.ufsm.br/midias/arco/wp-content/uploads/sites/601/2020/03/coronavirus_fakenews_laboratorio.png" alt="">
<img width="658" height="1024" src="https://www.ufsm.br/midias/arco/wp-content/uploads/sites/601/2020/02/mito-658x1024.png" alt="">
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">MITO!</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Um <a style="text-indent: 36pt;background-color: #ffffff" href="https://www.nature.com/articles/s41591-020-0820-9?fbclid=IwAR1VXXDKrzVpERJRvpAHtjk1f2XZGwtQ1XGu813ZXBLLI1wpPqVoKbH7z70">estudo publicado na revista “Nature Medicine”</a>, realizado por pesquisadores do Reino Unido, Austrália e Estados Unidos, comprovou que o novo coronavírus não foi criado em laboratório. A partir da análise comparativa de dados genômicos, os cientistas encontraram evidências de que provavelmente o vírus seja resultado de seleção natural. “Nossas análises mostram claramente que o SARS-CoV-2 não é uma construção de laboratório ou um vírus propositadamente manipulado”, afirmam os pesquisadores.&nbsp;</p>
<p dir="ltr"></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Ao compararem com outros vírus corona, os estudiosos concluíram que o novo coronavírus tem uma estrutura que o permite se conectar e infeccionar as células humanas de maneira muito eficaz. O que seria resultado de uma evolução.</p>
<p dir="ltr"></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Quanto ao surgimento, como no começo muitos casos foram relacionados a um mercado de frutos do mar em Wuhan, que também vende carne de animais silvestres, os cientistas levantaram a hipótese de que bichos, como o morcego, teriam servido como hospedeiros, inicialmente.&nbsp;</p>
<p dir="ltr"></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">O estudo ainda busca descobrir em qual etapa o SARS-CoV-2 desenvolveu suas características próprias. Se houve seleção natural ainda no hospedeiro animal, ou se ela ocorreu após ter contaminado os seres humanos. Mas, uma questão é certa: o novo coronavírus não foi criado em laboratórios.&nbsp;</p>
Mitômetro<em style="color: #000000;font-size: 16px"> Coronavírus&nbsp;é um projeto de checagem de fatos da revista Arco voltado para a temática da pandemia com o objetivo de combater a desinformação.</em>

<em style="color: #000000;font-size: 16px"><b>Compreenda os selos</b>:</em>

<i><b>Comprovado</b> - fato com evidências científicas e que pode ser explicado a partir de relatórios, documentos e pesquisas confiáveis e com metodologias factíveis.&nbsp;</i>

<i><b>É possível</b> - selo para uma checagem com elementos reais. Não há comprovação 100% em função de determinados indícios, detalhes ou situações.</i>

<b>Depende - </b><i>é o meio termo entre o que é mito e a verdade. Não existe um consenso entre as fontes e os especialistas. Também usado para quando faltam evidências ou para destacar que o fato pode ocorrer em uma determinada situação.&nbsp;</i>

<b>Improvável - </b><i>refere-se a uma situação com pouquíssima possibilidade de ser real.&nbsp;</i>

<b>Mito - </b><i>não existe possibilidade alguma de ser verdade. Existem evidências que provam o contrário. Enquadram-se aqui as teorias da conspiração, as lendas da internet e as noticias falsas.</i>]]></content:encoded>
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