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				<title>UFSM e Fiocruz lançam projeto para prevenção de desastres climáticos em Santa Maria</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2026/05/20/ufsm-e-fiocruz-lancam-projeto-para-prevencao-de-desastres-climaticos-em-santa-maria</link>
				<pubDate>Wed, 20 May 2026 20:54:15 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[catástrofe climática]]></category>
		<category><![CDATA[direito]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>

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						<description><![CDATA[A iniciativa foi apresentada durante o seminário intitulado “Impactos, Resiliência e Justiça Climática em Santa Maria”]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  A intensificação de eventos climáticos extremos no Rio Grande do Sul vem mobilizando especialistas, gestores públicos e lideranças comunitárias em torno da elaboração de estratégias de prevenção e mitigação de impactos. É o caso do projeto “Justiça climática e resiliência comunitária: integrando saberes locais e governança de riscos para prevenção de desastres em Santa Maria”, desenvolvido pela professora Francielle Benini Agne Tybusch, do Departamento de Direito da UFSM, em parceria com pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

O projeto foi apresentado durante o seminário “Impactos, Resiliência e Justiça Climática em Santa Maria”, realizado na tarde do dia 11 de maio, no auditório do Centro de Ciências Sociais e Humanas (CCSH). Participaram da mesa de abertura a reitora da UFSM, professora Martha Adaime; a chefe do Departamento de Direito, professora Nina Trícia Disconzi Rodrigues; a coordenadora da Especialização em Mudanças Climáticas da UFSM, professora Nathalie Boiaski; a coordenadora do projeto, professora Francielle Tybusch; o secretário de Resiliência Climática e Relações Comunitárias de Santa Maria, Edson Roberto das Neves Júnior; e o pesquisador e epidemiologista da Fiocruz, Diego Ricardo Xavier.
<h3><b>Participação comunitária esteve no centro dos debates</b></h3>
[caption id="attachment_72885" align="alignright" width="641"]<a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/Imagem-01.jpg"><img class=" wp-image-72885" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/Imagem-01-1024x683.jpg" alt="A foto mostra um auditório que tem uma mesa à qual estão sentadas seis pessoas; à direita, um homem em pé fala ao microfone. À esquerda, atrás da mesa, há três bandeiras: do Rio Grande do Sul, do Brasil e da UFSM. Atrás da mesa, uma imagem é projetada em um painel. E, à frente da mesa, está o público, composto por pessoas sentadas, todas elas de costas. No teto, é possível ver lâmpadas fluorescentes e também um projetos de imagens." width="641" height="427" /></a> O epidemiologista Diego Ricardo Xavier, da Fiocruz, abriu a mesa “Justiça climática e resiliência urbana”, no auditório do CCSH[/caption]

“Desde o início, nosso foco era elaborar um projeto que centralizasse os atingidos”, destacou Diego Xavier ao abrir a programação do seminário. Para o pesquisador, o desafio de articular diferentes campos de conhecimento – como o direito, a psicologia, a ciência da computação, a epidemiologia e a saúde pública – se justifica pela busca de estratégias capazes de antecipar cenários de desastre e, ao mesmo tempo, responder às características específicas de Santa Maria e região. “Santa Maria é uma cidade com múltiplos riscos: inundações, alagamentos, deslizamentos. E o impacto disso tudo não é o mesmo para todos”, comentou Diego em entrevista.

Na sequência da programação, o secretário municipal Edson Roberto das Neves Júnior pontuou algumas das particularidades que tornam Santa Maria suscetível a eventos extremos. “Além da estrutura geográfica, por estar em uma área de encostas, houve também um crescimento urbano desordenado em locais de curso d’água”, afirmou. A convergência desses fatores se reflete em dados preocupantes: “Só nos seis primeiros meses de criação da Secretaria de Resiliência Climática e Relações Comunitárias, entre dezembro de 2024 e junho de 2025, Santa Maria teve três decretos de situação de emergência nível 2. Ou seja, desastres ou incidentes de média intensidade”, exemplificou o secretário.

A primeira mesa temática foi encerrada com as falas de Elizangela Ribeiro Machado, representante da Associação Comunitária Tancredo Neves, e Tito Rodrigues, da Associação Comunitária Estação dos Ventos (do Km 3). Em suas intervenções, ambos ressaltaram a importância de reconhecer e valorizar os saberes das populações diretamente atingidas pelos eventos climáticos extremos, sobretudo na construção de estratégias de prevenção e resposta a desastres. “O morador conhece a região, conhece os vizinhos, conhece a comunidade. Na hora da emergência, ninguém quer abandonar sua casa. Então, é mais fácil ouvir quem já conhece, já confia”, comentou Tito em entrevista.
<h3><b>Desastres climáticos ressaltam desigualdades sociais</b></h3>
“A chuva pode ser natural, o desastre não”, frisou a professora Francielle Benini Tybusch ao abrir a segunda etapa de palestras do seminário. Durante a fala, a docente apresentou parte da literatura que fundamenta o projeto, especialmente a compreensão de que eventos extremos se tornam desastres ao atingirem populações vulnerabilizadas por desigualdades históricas, ausência de planejamento e exclusão territorial. “O risco aumenta em cenários de moradias frágeis, serviços distantes, poucos recursos e baixo acesso à informação”, explicou.

Em contextos desiguais, os impactos são amplificados de tal forma que as perdas materiais, territoriais e humanas se tornam desproporcionalmente maiores entre as populações mais pobres. “Quem pode decidir morar longe dos locais de risco?”, questionou Francielle. A vulnerabilidade não é, portanto, uma escolha individual, mas resultado de décadas de omissão e desigualdade.

O conceito de justiça climática é, então, utilizado pelos pesquisadores e pesquisadoras como uma “lente de análise”. A perspectiva orienta desde a definição das perguntas de pesquisa até a construção de metodologias, a interpretação dos dados e a devolução dos resultados às comunidades atingidas e ao poder público.
<h3><b>Sobre o projeto</b></h3>
O projeto “Justiça climática e resiliência comunitária: integrando saberes locais e governança de riscos para prevenção de desastres em Santa Maria” tem o objetivo de investigar o impacto das enchentes de 2024 nos diferentes grupos socioterritoriais do município. Na fase atual de diagnóstico, além de identificar os principais locais atingidos, a proposta é reunir dados a partir dos relatos de moradores e moradoras.

Ao longo da semana passada, foram realizadas oficinas de capacitação com a equipe do projeto. Já na quinta-feira (14), os participantes iniciaram o trabalho de campo com a aplicação de questionários. O local escolhido foi a Estação dos Ventos, no Bairro Km 3. Na sequência, os dados serão organizados de forma que possibilitem a formulação e implementação de políticas públicas orientadas pela justiça climática e pela construção de cidades mais resilientes.

<i>Texto: Subdivisão de Comunicação do CCSH</i>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>UFSM recebe especialistas para debate sobre justiça climática na próxima semana</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2026/05/07/ufsm-recebe-especialistas-para-debate-sobre-justica-climatica-na-proxima-semana</link>
				<pubDate>Thu, 07 May 2026 12:14:21 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[catástrofe climática]]></category>
		<category><![CDATA[CCSH]]></category>
		<category><![CDATA[direito]]></category>
		<category><![CDATA[Enchentes 2024]]></category>
		<category><![CDATA[justiça climática]]></category>
		<category><![CDATA[resiliência climática]]></category>

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						<description><![CDATA[Seminário “Impactos, Resiliência e Justiça Climática em Santa Maria (RS)” acontece na segunda-feira (11)
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p>A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) sediará, na próxima segunda-feira (11), a partir das 14h, o Seminário “Impactos, Resiliência e Justiça Climática em Santa Maria (RS)”. A atividade contará com a participação de pesquisadores e pesquisadoras da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), titulares de secretarias municipais, docentes da UFSM e representantes da sociedade civil.&nbsp;</p>
<p>O evento tem como objetivo apresentar à comunidade acadêmica e externa o projeto “Justiça climática e resiliência comunitária: integrando saberes locais e governança de riscos para prevenção de desastres em Santa Maria/RS”, vinculado ao Departamento de Direito (DDIR/UFSM). Considerando o recente contexto de desastres socioambientais no município, especialmente as enchentes de abril e maio de 2024, a iniciativa se propõe a analisar o impacto das políticas públicas municipais de prevenção de desastres em comunidades vulneráveis. O projeto também prevê a adaptação do Plano de Contingência Municipal para uma linguagem simples, visual e inclusiva, a fim de torná-lo mais acessível às populações em situação de vulnerabilidade, além do desenvolvimento e implementação de ações educativas em escolas localizadas em áreas de risco.</p>
<p>A atividade é aberta ao público e será realizada no Auditório do CCSH, prédio 74C. As inscrições devem ser feitas por meio de <a href="https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSfqLD3e_LiWWF-ltWNPy-pXgwd95oG-rrrwPrYwHt11SEmN5g/viewform">formulário online</a>. Participantes receberão certificado de cinco horas, válido como Atividade Complementar de Graduação (ACG).&nbsp;</p>
<p><em>Texto e peças de divulgação: Subdivisão de Comunicação do CCSH</em></p>
<p><!-- /wp:tadv/classic-paragraph --></p>		
													<img width="819" height="1024" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/1-1-819x1024.jpg" alt="Primeira peça de divulgação em formato vertical com tons pastéis de laranja e linhas curvas em laranja e azul. O título é Impactos, resiliência e justiça climática. O evento será no dia 11 de maio às 14h. No canto inferior, uma série de marcas dos realizadores, como a UFSM, a Fiocruz e o CNPq." />													
													<img width="819" height="1024" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/2-819x1024.jpg" alt="A segunda peça de divulgação segue o mesmo estilo da anterior e toda a programação. A abertura será às 14h. A mesa temática sobre Justiça climática e resiliência será às 14h30. As apresentações científicas começarão às 16h30. E, ao final, haverá a apresentação do projeto" />]]></content:encoded>
													</item>
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				<title>“Nós queremos trabalhar, mas a chuva não nos deixa”</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2026/04/29/nos-queremos-trabalhar-mas-a-chuva-nao-nos-deixa</link>
				<pubDate>Wed, 29 Apr 2026 18:08:00 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Agricultura familiar]]></category>
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		<category><![CDATA[sucessão no campo]]></category>

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						<description><![CDATA[Eventos climáticos extremos, falta de infraestrutura e dificuldades de acesso a políticas públicas aprofundam a vulnerabilidade da agricultura familiar
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <figure>
										<img width="1024" height="683" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/04/IC3A9654-1024x683.jpg" alt="Foto vertical colorida de Jussane e o marido, Júlio, em frente ao galpão da propriedade em que moram, ao lado do cão da família, um border collie com pelagem preta e branca. O casal sorri e veste roupas informais e curtas. Atrás deles, do lado esquerdo, um carro branco, e do lado direito, uma porteira feita de tábuas de madeira." />											<figcaption>Jussane Turri e o marido, Júlio, enfrentam os desafios do trabalho no campo, agravados pelos impactos climáticos e pela precariedade no acesso à propriedade.
</figcaption>
										</figure>
		<p>Era madrugada de 30 de abril de 2024 quando a agricultora Jussane Turri, de 46 anos, percebeu que aquela não era uma chuva comum. O barulho da água, mais forte e contínuo do que o habitual, anunciava o que viria nas horas seguintes. O rio que passa próximo a sua propriedade, no Distrito de Arroio Grande, no interior de Santa Maria, começou a subir rapidamente. Entre a noite do dia 29 e a madrugada do dia 30, cerca de 600 milímetros de chuva caíram sobre a região, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).</p><p>Tamanha foi a força da água que destruiu a ponte que liga a propriedade de Jussane ao bairro Camobi, isolando completamente a família. Sem acesso por estrada, eles permaneceram por cinco dias ilhados. “Das cinco pontes aqui da estrada Arroio Lobato, quatro foram levadas. A gente ficou sem acesso. Não tinha ponte nem para sair para a direita, nem para a esquerda", relembra a agricultora.  </p><p>Todas as semanas, desde 2017, a família Turri sai, ainda de madrugada, da sua propriedade rumo ao campus sede da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). No carro, levam os produtos preparados na pequena agroindústria de Arroio Grande e vendidos na banca Boutique da Colônia, presença constante na PoliFeira do Agricultor, projeto de extensão da universidade, onde comercializam os alimentos produzidos na propriedade.</p><p>Com as <a style="font-size: 1rem" href="https://www.ufsm.br/2025/05/29/catastrofe-climatica">enchentes de 2024</a>, a rotina de trabalho da família foi interrompida. Segundo Jussane, no mês de maio daquele ano, a família conseguiu participar apenas de cinco feiras, quando o habitual seriam cerca de 20 ao longo do mês. O impacto financeiro foi imediato. “Dá para se dizer que deu R$ 80 mil a 100 mil [de prejuízo]”, afirma. </p><p>Durante o Natal de 2025, quando ainda tentava se recuperar das perdas financeiras do ano anterior, a família insistiu em se reunir para celebrar as festas de fim de ano. Da cozinha, o cheiro do frango assado já se espalhava pela casa quando a chuva começou. Naquela noite, caíram 130 milímetros, de acordo com dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). “A gente estava com visitas aqui em casa e de repente se armou [a tempestade]. Veio aquela chuvarada do nada e entrou água na nossa casa de novo”, relata Jussane. Sem condições de circulação, familiares que passavam a data com eles precisaram deixar os carros e sair a pé pela propriedade, atravessando áreas de mata até encontrar um ponto onde pudessem seguir viagem.</p><p>Segundo nota enviada pela Prefeitura de Santa Maria à Agência de No´tícias da UFSM, há diversos projetos em andamento no Distrito de Arroio Grande, que incluem construção de pontes, contenção de margens de arroios, serviços de desassoreamento de arroios e sangas, além da manutenção de vias de solo exposto. Na Estrada de Arroio Lobato, foram construídas recentemente quatro passagens molhadas, com investimento aproximado de R$ 500 mil, por meio de recursos da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec) e do município. </p><p>Os eventos climáticos extremos vividos pela família Turri, deixaram de ser casos isolados há um bom tempo. Conforme o professor do Programa de Pós-Graduação em Extensão Rural Gustavo Pinto, as mudanças climáticas vêm afetando diretamente a capacidade produtiva da agricultura familiar, tanto do ponto de vista material quanto social. “As secas têm representado uma ameaça periódica e atingem muito mais pessoas. Já a enchente assusta, porque é mais localizada, mas também causa perdas severas”, explica. </p><p>De acordo com o pesquisador, os eventos extremos comprometem não apenas a produção, mas toda a lógica de funcionamento dessas propriedades. “Há um efeito físico, que é a perda de produção, a impossibilidade de uso da terra. Mas também há um efeito mais subjetivo, que é uma desconfiança em relação ao futuro. O agricultor já começa um ciclo pensando que pode não dar certo”, contextualiza.</p><p>No Rio Grande do Sul, o histórico recente mostra a intensificação dos extremos climáticos. Entre os anos de 2020 e 2023, o estado enfrentou períodos prolongados de estiagem, associados ao fenômeno La Niña – caracterizado pelo resfriamento das águas do Oceano Pacífico –, que costuma reduzir as chuvas no Sul do Brasil, provocando prejuízos significativos. Na sequência, entre junho de 2023 e junho de 2024, o cenário se inverteu, 929 eventos de precipitação extrema foram registrados, sendo cerca de 70% concentrados em 2024, o que também comprometeu o cultivo e a colheita.</p><p>Os meses de abril e maio de 2024 consolidaram esse quadro ao registrarem os maiores volumes de chuva da história do estado, com acumulados muito acima das médias em grande parte dos municípios. O resultado foi a pior catástrofe meteorológica já registrada no Rio Grande do Sul e uma das mais severas do país. De acordo com o Sistema de Levantamento de Perdas (Sisperdas) da Emater/Ascar, 206.604 propriedades rurais foram atingidas, direta ou indiretamente pela catástrofe.</p><p>Esse cenário de extremos sucessivos impacta de forma desigual os diferentes modelos de produção agrícola. No caso da agricultura familiar, os efeitos tendem a ser mais imediatos e profundos. “Quando a gente fala de cadeias curtas, como é o caso de quem vende direto na feira, qualquer interrupção já significa perda de renda”, explica Gustavo Pinto. “Se uma ponte cai, por exemplo, esse agricultor não consegue sair para vender. E, diferente de grandes produtores, ele não tem margem de tempo nem escala para absorver esse impacto”, complementa. </p>		
										<figure>
										<img width="1024" height="683" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/04/IC3A9688-2-1024x683.jpg" alt="Foto horizontal colorida horizontal de Jussane caminhando sobre passagem molhada construída após enchentes. A agricultura está de costas e andando em direção a propriedade em que mora. Atrás dela, o cachorro border collie. A estrutura retangular e cimentada tem como base uma rede de grandes dutos redondos. O arroio está com pouca água." />											<figcaption>A agricultora Jussane caminha sobre a ponte temporária construída pela prefeitura na estrada Arroio Lobato.</figcaption>
										</figure>
													<img width="1024" height="576" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/04/Credito-rural-ignora-nova-realidade-climatica-1024x576.jpg" alt="Gráfico colorido horizontal da distribuição do recurso do Plano Safra. Ao centro, um gráfico pizza, com destaque para 47% em verde, que sinaliza o valor para criação de bovinos e para plantação de soja; em vermelho 13,9% valor da agricultura familiar. Do lado direito, a figura de um agricultura em uma hora. E do lado esquerdo, um boi. No canto direito inferior, as marcas da Coordenadoria de Comunicação e da Agência de Notícias" />													
		<h3><b>Crédito rural ignora nova realidade climática</b></h3>
<p>A especialista Melissa Volpato Curi, advogada e pesquisadora da área socioambiental, com atuação no Ministério dos Povos Indígenas, afirma que o país estruturou, ao longo de décadas, um modelo de desenvolvimento rural voltado prioritariamente à produtividade e à expansão do agronegócio, deixando os pequenos produtores à margem das políticas de incentivo. “O crédito rural foi historicamente concebido para estimular a produção, e não para lidar com os riscos climáticos crescentes”, explica.</p>
<p>No Brasil, os principais instrumentos de apoio financeiro à agricultura familiar estão concentrados no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), que reúne diferentes linhas de crédito voltadas ao custeio, investimento e comercialização da produção. Em 30 anos, a pecuária bovina e os campos de soja consumiram 47% dos recursos do programa, o equivalente a R$ 240,5 bilhões. O levantamento foi feito pelo site <a href="https://ojoioeotrigo.com.br/2026/04/30-anos-pronaf-boi-e-soja-consumiram-47-recursos/" target="_blank">O Joio e o Trigo</a>, a partir dos microdados disponíveis no site do Banco Central (Bacen) em fevereiro de 2026. Já a agricultura familiar recebeu, no mesmo período, o equivalente, a 13,9%. Com taxas de juros subsidiadas que variam entre 0,5% e 8% ao ano, o programa busca facilitar o acesso de pequenos produtores a recursos para manutenção e ampliação das atividades.</p>
<p>Porém, Jussane relata que, após os prejuízos causados pelas enchentes, tentou acessar linhas de financiamento, mas não conseguiu avançar por conta das exigências burocráticas. “Se tu tá com o nome negativado, tu não consegue. Só que, se tu tá pedindo crédito, é porque tu tá precisando”, conta. Sem o apoio do governo, a agricultora precisou recorrer a empréstimos pessoais para poder quitar suas dívidas. </p>		
										<figure>
										<img width="1024" height="683" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/04/IC3A9479-1024x683.jpg" alt="Foto horizontal colorida horizontal de ovos iluminados pelo equipamento chamado ovoscópio, enquanto uma mão seleciona unidades durante a inspeção de qualidade na agroindústria familiar." />											<figcaption>Ovos produzidos na propriedade passam por inspeção no ovoscópio, equipamento utilizado para identificar alterações e garantir a qualidade antes da venda.</figcaption>
										</figure>
										<figure>
										<img width="1024" height="683" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/04/IC3A9468-1024x683.jpg" alt="Foto horizontal colorida horizontal de trabalhador organizando bandejas de ovos em câmara refrigerada da propriedade, etapa de armazenamento e preparo para comercialização." />											<figcaption>Trabalhador da agroindústria no distrito de Arroio Grande seleciona unidades que já foram inspecionadas por equipamento</figcaption>
										</figure>
		<h3><strong>Quem vai ficar no campo?</strong></h3><p>Visitamos a propriedade de Jussane numa atarefada tarde de 6 de abril. Nós a encontramos em um contêiner usado para limpeza e embalo dos ovos produzidos no sistema de <a href="https://www.ufsm.br/2023/02/01/projeto-de-criacao-de-galinhas-livres-de-gaiolas-conta-com-uma-nova-casa-do-ovo">galinhas livres de gaiolas</a>. Enquanto trabalhava, a agricultora explicou o processo: após a coleta, os ovos são limpos manualmente, com um pano, para retirar resíduos de sujeira, e depois passam pelo ovoscópio - equipamento que, por meio de uma luz amarelada intensa, permite identificar se há alterações, como ovos impróprios para consumo. Depois de nos mostrar a propriedade, cercada por morros com grandes árvores, a agricultora nos conduziu até a frente de um dos galpões da família, onde, entre uma tarefa e outra, começou a contar sua história. </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">Nascida em Rodeio Bonito, no noroeste gaúcho, Jussane é filha de pequenos produtores rurais e cresceu acompanhando de perto a rotina da produção familiar no campo. Anos depois, já em Santa Maria, para onde se mudou ainda jovem, construiu sua própria trajetória ao lado do marido, Júlio Turri. Juntos, os dois adquiriram a propriedade onde vivem até hoje. “Aqui a gente começou com um tambo de leite. Como lá os meus pais já tinham essa atividade, nós quisemos manter o que eles faziam”, lembra. </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">Aos poucos, a produção foi se estruturando e ganhando escala. “A gente chegou a tirar leite de 105 vacas aqui na propriedade. Foi uma época bem promissora”, conta. Com o passar dos anos, a família diversificou as atividades e investiu na agroindústria e na produção de ovos, agregando valor à produção. O leite e outros insumos começaram a ser transformados em queijos, iogurtes e uma variedade de alimentos vendidos diretamente ao consumidor. </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">Assim como seguiu os passos dos pais na agricultura, Jussane imaginava que o filho daria continuidade ao trabalho da família. Entretanto, essa não será a realidade. “Eu não vou ter sucessão aqui”, relata, ao revelar que o filho não pretende permanecer no campo. </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">Segundo o professor da UFSM, José Marcos Froehlich, a saída de jovens da agricultura familiar continua significativa e já compromete a produção social dessas propriedades. “Não é mais um problema somente de renda, é um fenômeno multidimensional”, afirma. </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">De acordo com o pesquisador, fatores como a dificuldade de acesso a políticas públicas, a precariedade da infraestrutura, como estradas e mobilidade influenciam diretamente essa decisão. Para compreender melhor esse cenário, Froehlich desenvolve um estudo em parceria com a Federação dos Trabalhadores da Agricultura (Fetag-RS) e a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), que busca investigar como jovens rurais do Rio Grande do Sul estão lidando com essas transformações. A pesquisa, inicialmente focada na região central do estado, pretende identificar se as políticas existentes atendem às demandas dessa população ou se há falhas no acesso, além de analisar de que forma as mudanças climáticas têm impactado a decisão de permanecer ou ficar no campo.</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">No dia seguinte à visita da reportagem à propriedade de Jussane, em 7 de abril, uma terça-feira, a agricultora ficou impossibilitada de participar da PoliFeira do Agricultor, realizada na Avenida Roraima, após o alagamento da ponte molhada que dá acesso à estrada. Naquele dia, Santa Maria registrou 88 milímetros de chuva provocados por um ciclone extratropical, segundo dados do Inmet. </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"><i>Texto: João Victor Souza, estudante de jornalismo e estagiário da Agência de Notícias</i></p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"><i>Fotos: Jessica Mocelin, estudante de jornalismo e bolsista da Agência de Notícias</i></p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"><i>Arte Gráfica: Daniel Michelon De Carli, designer </i></p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"><i>Edição: Maurício Dias, jornalista</i></p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Pesquisadores da UFSM-PM realizam missão em Mariana e Brumadinho</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2025/10/20/pesquisadores-da-ufsm-pm-realizam-missao-em-mariana-e-brumadinho</link>
				<pubDate>Mon, 20 Oct 2025 15:00:12 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[brumadinho]]></category>
		<category><![CDATA[catástrofe climática]]></category>
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		<category><![CDATA[missão técnica]]></category>

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						<description><![CDATA[Projeto de pesquisa busca entender o pós-enchente a partir de outras catástrofes]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <figure>
										<img width="1024" height="768" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2025/10/fotos-2-1024x768.jpg" alt="Foto colorida horizontal de seis pessoa, sendo cinco homens e uma mulhes. Todos usam roupas casuais e seguram as bandeiras da UFSM e do Rio Grande do Sul. Atrás deles, uma pequena igreja branca. A imagem foi feita em um dia com tempo firme." />											<figcaption>Missão técnica da UFSM passou por cidades mineiras que sofreram com rompimento de barragens de mineração</figcaption>
										</figure>
		<p>Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria campus Palmeira das Missões (UFSM-PM) participaram de missão técnica nos municípios de Mariana e Brumadinho, em Minas Gerais. A atividade, realizada entre 24 de setembro e 1º de setembro, integra o projeto <em>“</em>O que nos fez chegar aos desastres climáticos do Rio Grande do Sul? Análise da governança ambiental do estado por meio das regiões de desenvolvimento sob a perspectiva de experiências internacionais<em>”. </em>A pesquisa está vinculada ao <a href="https://www.ufsm.br/cursos/pos-graduacao/palmeira-das-missoes/ppgagr" target="_blank" rel="noopener" data-saferedirecturl="https://www.google.com/url?q=https://www.ufsm.br/cursos/pos-graduacao/palmeira-das-missoes/ppgagr&amp;source=gmail&amp;ust=1761058638565000&amp;usg=AOvVaw0FAbCxxC4FF_I-DFlII2cA">Programa de Pós-Graduação em Agronegócios</a>&nbsp;(PPGAGR/UFSM-PM).</p>
<p>O grupo foi composto pelo professor Nelson Guilherme Machado Pinto, do Departamento de Administração e coordenador do PPGAGR, e pelos acadêmicos Thiago Machado Budó e Gabriel Anderson Wachholz. A missão técnica teve como objetivo analisar, sob o ponto de vista da governança ambiental dos Conselhos Regionais de Desenvolvimento (Coredes) do Rio Grande do Sul, as estratégias implementadas para prevenir desastres climáticos e as medidas adotadas após sua ocorrência, em comparação com experiências internacionais e nacionais anteriores.</p>
<p>Durante a missão, os pesquisadores se reuniram com órgãos públicos, como a Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão de Minas Gerais (Seplag); visitaram as comunidades atingidas; conversaram com representantes da Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos (Avabrum), da Comissão dos Atingidos pela Barragem do Fundão (CABF) e do Instituto Taliberti. Também realizaram atividades com movimentos sociais e projetos locais nas duas cidades, e participaram de discussões acadêmicas na Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), com grupos de pesquisadores da PUC Minas, e de uma mostra de cinema sobre mineração, meio ambiente e mudanças climáticas no Memorial Brumadinho.</p>
<p>Para o coordenador do projeto, professor Nelson Guilherme Machado Pinto, a missão foi uma oportunidade de aprendizado sobre a gestão e os impactos de grandes tragédias. “Foi uma experiência marcante de vida. Ninguém volta da mesma forma após visitar as realidades das tragédias de Brumadinho e Mariana, em Minas Gerais. Para nós, gaúchos, que estamos tentando entender a nossa governança ambiental no pós-enchentes de 2024, é um aprendizado sobre como a gestão organizacional do tempo é um fator importante na reconstrução de tragédias e desastres", comentou.&nbsp;</p>
<p>O professor destacou que os moradores das duas cidades mineiras mesmo após momentos tão difíceis, são muito acolhedores. "Trazemos na bagagem muitas experiências e vivências para aplicar a nossa realidade. Foram os dois primeiros territórios visitados dos cinco previstos, os únicos brasileiros, o que foi importante para observarmos os desdobramentos institucionais", comparou. Nelson ainda informa que, em 2026, serão realizadas missões técnicas em Nova Orleans (Estados Unidos), Tóquio (Japão) e Valência (Espanha). "Esperamos ampliar nossa perspectiva para uma análise da gestão de tragédias e desastres sob uma visão global” enfatizou.</p>
<p>O projeto é financiado pelo Programa de Pesquisa e Desenvolvimento Voltado a Desastres Climáticos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs) e faz parte de um conjunto de ações que buscam compreender como diferentes regiões e países estruturam suas políticas de governança ambiental frente a desastres. O estudo estabelece uma base comparativa entre o contexto do Rio Grande do Sul e casos nacionais e internacionais, como o furacão Katrina, nos Estados Unidos; o tsunami no Japão; as chuvas em Valência, na Espanha; e os rompimentos de barragens em Mariana e Brumadinho.</p>
<p><em>Com informações da Divisão de Divulgação Institucional UFSM-PM</em></p><p><em>Foto: Nelson Guilherme Machado Pinto/Arquivo Pessoal</em></p>
<p><br></p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Como é possível identificar parentesco pelo DNA?</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2025/08/12/como-e-possivel-identificar-parentesco-pelo-dna</link>
				<pubDate>Tue, 12 Aug 2025 18:36:05 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[catástrofe climática]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[DNA]]></category>
		<category><![CDATA[Enchentes 2024]]></category>
		<category><![CDATA[genética]]></category>
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		<category><![CDATA[Laboratório de Genética Evolutiva]]></category>
		<category><![CDATA[paterenco DNA]]></category>
		<category><![CDATA[pessoas desaparecidas]]></category>

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						<description><![CDATA[Campanha Nacional de Coleta de DNA de Familiares de Pessoas Desaparecidas, que acontece até sexta-feira (15), gera curiosidade sobre a ciência por trás da ação]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <img width="1024" height="657" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2025/08/Ilustracao-DNA-1024x657.jpg" alt="Iustração colorida horizontal mostra, à esquerda, uma carteira de identidade brasileira verde, com foto genérica, linhas representando informações e uma assinatura fictícia. À direita, sobre um fundo azul quadriculado, há uma representação estilizada de uma dupla hélice de DNA, formada por esferas amarelas e rosas conectadas por linhas laranjas. Duas legendas com a palavra “DNA” apontam para a hélice, sugerindo a relação entre identidade pessoal e código genético." />													
		<p>O que é identidade? Para alguns, é um número impresso no Registro Civil. Para outros, está nas características que nos diferenciam: o jeito de falar, o formato do rosto ou a história que carregamos. Mas existe também uma assinatura invisível, presente desde o início da nossa existência e gravada dentro de cada célula: o DNA.</p><p>Por vezes, esse registro escondido em nossas células é extremamente necessário para identificação de pessoas desaparecidas. Em 2024, o país registrou cerca de 70 mil desaparecimentos, e o Rio Grande do Sul se enquadrou como o segundo estado com mais casos, sendo 7.538 ocorrências. No estado, esse cenário ainda foi agravado pelas <a style="font-size: 1rem" href="https://www.ufsm.br/2025/05/13/hq-ansiedade-climatica">enchentes de maio</a> do ano passado. Conforme o Ministério da Justiça, houve um aumento de 7,09% no número de desaparecimentos após as chuvas.</p><p> </p><p>Contextos como esse evidenciaram a necessidade de criar a <a href="https://www.gov.br/mj/pt-br/assuntos/noticias/campanha-nacional-reforca-coleta-de-dna-de-familiares-para-ajudar-na-identificacao-de-pessoas-desaparecidas">Campanha Nacional de Coleta de DNA de Familiares de Pessoas Desaparecidas</a>, que, em 2025, acontece até sexta-feira 15 de agosto e visa ampliar o Banco Nacional de Perfis Genéticos (BNPG). Apesar da iniciativa possuir ampla divulgação, ainda pouco se destaca sobre o processo científico por trás da coleta e como é possível identificar parentesco pelo DNA.</p><h3><strong>A ciência por trás da coleta</strong></h3><p>Descoberto em 1953, DNA significa ácido desoxirribonucleico. Essa molécula está presente em basicamente todas as células que formam o corpo humano e é responsável por armazenar e transmitir as informações genéticas de um indivíduo, sendo assim, parte da nossa identidade.</p><p>De maneira didática, o professor Daniel Graichen, também diretor do Laboratório de Genética Evolutiva da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), situado no Campus de Palmeira das Missões, explica que o DNA é como um “manual de instruções” escrito com um “alfabeto químico” de quatro letras (A, T, C e G), que significam Adenina, Timina, Citosina e Guanina, respectivamente.</p><p>Com isso, o DNA serve como molde para que as células produzam o RNA mensageiro que, por sua vez, é utilizado como molde para a síntese de proteínas. Conforme Graichen, as proteínas são moléculas metabólicas e estruturais de todos os seres vivos e determinam todos os nossos fenótipos, ou seja, características observáveis de um organismo, como a cor dos olhos e até aspectos mais complexos do metabolismo e do comportamento.</p><p>Sobre a ciência por trás da campanha de coleta, Graichen conta que a determinação de parentesco por meio da análise de DNA baseia-se na comparação de regiões específicas do genoma, o conjunto completo de informações genéticas de um ser humano contido no DNA, entre dois ou mais indivíduos. “Essas regiões, denominadas marcadores genéticos, apresentam elevada variabilidade entre pessoas, mas seguem padrões previsíveis de herança mendeliana”, aponta.</p><p>Nos testes de paternidade e na identificação individual, os marcadores mais empregados são os microssatélites ou STRs (<i>Short Tandem Repeats</i>). O professor explica que esses elementos consistem em pequenas sequências de nucleotídeos, o “alfabeto químico”, repetidas em conjunto, por exemplo, (ATT ATT ATT ATT ATT ATT), cujo número de repetições varia entre os indivíduos.</p><p>Graichen ainda revela que os microssatélites são amplamente utilizados devido a três características principais: alta variabilidade genética entre indivíduos, a herança previsível, com 50% dos alelos provenientes da mãe e 50% do pai, e a facilidade de amplificação por PCR e análise com alta precisão.</p><p>O professor comenta que no contexto de teste de paternidade, verifica-se se um indivíduo apresenta combinações de alelos compatíveis com a contribuição genética de um suposto pai, mãe ou outro parente. “A compatibilidade é confirmada quando todos os marcadores podem ser explicados pela soma genética dos supostos genitores”, elucida Graichen.</p><p>Segundo ele, no Brasil e em diversos países, os exames forenses e de parentesco seguem painéis padronizados de STRs. O padrão internacionalmente mais reconhecido é o CODIS (Combined DNA Index System), que atualmente contempla 20 marcadores. “O mesmo raciocínio é aplicado para exclusão de paternidade ou absolvição judicial: um suspeito pode ser excluído se o DNA presente na prova não apresentar compatibilidade genética com o seu perfil”, acrescenta.</p><p>Em casos de desaparecimentos, Graichen reforça que: “quando não há amostras biológicas diretas da pessoa antes do sumiço, pode-se utilizar o DNA de familiares biológicos, como pais, filhos ou irmãos, para verificar se a amostra encontrada é compatível com a linhagem genética e, assim, estabelecer uma associação com o desaparecido”.</p>		
													<img width="1024" height="657" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2025/08/ESTRUTURA-DO-DNA-1024x657.jpg" alt="A imagem colorida horizontal apresenta uma explicação visual e textual sobre a estrutura do DNA, com um fundo azul quadriculado e elementos gráficos coloridos que representam a molécula. No centro, há uma ilustração estilizada da dupla hélice do DNA, semelhante a uma escada em espiral. Os “degraus” da escada são formados por pares de esferas conectadas por linhas brancas, simbolizando as bases nitrogenadas. As esferas amarelas e rosas representam os pares de bases químicas que sempre se unem da mesma forma: Adenina (A) com Timina (T) e Citosina (C) com Guanina (G). À esquerda da imagem, um texto explica que o DNA tem formato de dupla hélice e que cada degrau é formado por duas bases unidas. À direita, outro texto define o que são bases nitrogenadas, listando as quatro principais bases que compõem o DNA. Abaixo, em letras grandes e destacadas, está a informação sobre o pareamento específico das bases: “A com T, C com G”. O design da imagem é colorido e didático, com linguagem acessível, voltado para fins educativos. Mostrar menos Conteúdo original excluído." />													
		<h3><strong>Quais técnicas e equipamentos se utilizam nesse processo?</strong></h3><p>De acordo com o professora Graichen, o processo de identificação genética normalmente envolve várias etapas, como a coleta de amostras de sangue, mucosa bucal, ossos ou dentes, a extração do DNA com reagentes químicos ou kits automatizados, e a amplificação do material genético por PCR.</p><p>Ele afirma que a técnica PCR é essencial porque "sintetiza <i>in vitro</i> uma região específica do DNA, aumentando em milhões de vezes sua representatividade", o que permite uma análise precisa. Após isso, aplica-se a técnica eletroforese capilar, que utiliza campo elétrico para separar os fragmentos amplificados por tamanho e determinar o número de repetições em cada marcador genético, criando um “perfil genético”.</p><p>Por fim, a interpretação dos resultados é feita com o auxílio de softwares e bancos de dados, que ajudam a calcular a probabilidade de parentesco. Entre os equipamentos utilizados estão termocicladores (aparelhos que permitem a amplificação de fragmentos de DNA), sequenciadores automáticos de DNA, centrífugas, cabines de biossegurança e computadores com programas de bioinformática.</p><p>Com a estrutura atual, o professor acrescenta que os “testes de parentesco bem conduzidos podem alcançar confiança estatística acima de 99,99% para confirmar ou excluir paternidade/maternidade, porém, nenhum método é absolutamente infalível e erros como, troca ou contaminação de amostras, interpretação incorreta dos dados, casos raros de mutações ou mosaicos genéticos e relações biológicas atípicas, tais como irmãos muito semelhantes geneticamente, podem ocorrer”.</p><h3><strong>Benefícios e limitações dos bancos de perfis genéticos</strong></h3><p>No Brasil, existe o Banco Nacional de Perfis Genéticos (BNPG), instituído no âmbito da Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos (RIBPG). Ele integra um instrumento de auxílio nas investigações criminais e na identificação de pessoas desaparecidas. Graichen conta que esses locais “não armazenam o DNA das pessoas, mas o perfil genético identificado pelas técnicas mencionadas anteriormente”.</p><p>Ao considerar o cenário nacional, Graichen destaca, a partir do seu ponto vista, os benefícios atingidos com a criação do BNPG e as iniciativas de coleta: “a ampliação da eficácia investigativa, com potencial de acelerar a resolução de crimes e de reabrir casos arquivados, a contribuição significativa para a localização e identificação de pessoas desaparecidas, a integração entre diferentes unidades da federação, promovendo padronização técnica e eficiência operacional, e a possibilidade de prevenir erros judiciais, permitindo tanto a confirmação da autoria de crimes quanto a exclusão de suspeitos inocentes, são pontos positivos”, frisa</p><p>Entretanto, o diretor do Laboratório de Genética Evolutiva também aponta desafios e limitações. “A cobertura populacional, embora numericamente relevante, permanece restrita em comparação a países que adotaram sistemas semelhantes há mais tempo, como Estados Unidos e Reino Unido, limitando o alcance potencial do banco”, revela. Atualmente, a RIBPG é composta por 23 laboratórios e cobre todas as 27 unidades federativas. Nesse sentido, Graichen aponta que “persistem desigualdades regionais na infraestrutura laboratorial, o que pode gerar assimetrias na capacidade de análise e processamento das amostras".</p><p>Além disso, o professor  alerta que “a manutenção da base demanda rigorosos protocolos de segurança da informação, a fim de prevenir acessos não autorizados e usos indevidos. Outro ponto, é o cadastramento compulsório que em casos previstos na legislação suscita debates sobre privacidade, direitos individuais e limites éticos, impondo a necessidade de um arcabouço jurídico robusto e transparente”, finaliza.</p><h3><strong>A Campanha Nacional de Coleta de DNA</strong></h3><p>Iniciada em 2021, a Campanha Nacional de Coleta de DNA de Familiares de Pessoas Desaparecidas chegou a sua terceira edição em 2025, com 334 pontos de coleta, ativos até o dia 15 de agosto, Brasil afora.  </p><p>Em Santa Maria, a campanha recebe a população no <a href="https://share.google/JElopYt0g4Ic6hzQ0">Posto Médico Legal de Santa Maria</a>, localizado na Rua Floriano Peixoto, 1750.</p><p>Para realizar a coleta, os familiares devem apresentar um documento de identificação e as informações do Boletim de Ocorrência do desaparecimento (número, estado de registro, delegacia). Itens pessoais da pessoa desaparecida, como escova de dentes ou dente de leite, também podem ajudar na identificação. </p><p>Vale ressaltar ainda que há uma hierarquia de prioridade para a doação de material genético. Em primeiro estão, filhos(as) biológicos(as) e o outro genitor, em segundo lugar, Pai e/ou mãe biológicos e, por fim, estão os irmãos biológicos (mesmo pai e mesma mãe). </p><p>O procedimento de coleta é simples e pode ser feito de duas formas: por meio de um cotonete passado na parte interna da bochecha ou com uma gota de sangue extraída do dedo.</p><p>Mais detalhes sobre a campanha, outros locais de coleta, dúvidas frequentes e informações sobre as próximas edições podem ser acompanhadas no <a href="https://www.gov.br/mj/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/mobilizacao-nacional/coleta-de-dna-de-familiares-de-pessoas-desaparecidas-1/">site do MJSP</a>.</p><p><i><strong>Texto e arte gráfica</strong>: Pedro Moro, estudante de Jornalismo e bolsista na Agência de Notícias</i></p><p><i><strong>Edição</strong>: Maurício Dias</i></p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Solidariedade na reconstrução: relembre as ações de extensão UFSM durante as enchentes de 2024</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2025/06/02/solidariedade-na-reconstrucao-relembre-as-acoes-de-extensao-ufsm-durante-as-enchentes-de-2024</link>
				<pubDate>Mon, 02 Jun 2025 20:47:10 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[catástrofe climática]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[PRE]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/?p=69345</guid>
						<description><![CDATA[As ações foram realizadas em diferentes campi da universidade, por alunos, professores e técnicos de diversos cursos]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  Em maio de 2024 o Rio Grande do Sul passou pela maior crise climática da sua história, com 96% do território atingido, 2,3 milhões de pessoas afetadas, 183 óbitos e prejuízos estimados entre <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2024-11/rs-organismos-internacionais-calculam-danos-de-r-889-bi-com-chuvas#:~:text=A%20gente%20estima%20danos%20em,2%2C4%25%20no%20PIB." target="_blank" rel="noopener">R$ 88 bilhões</a> e <a href="https://monitormercantil.com.br/cnc-aponta-prejuizo-de-r-97-bi-a-economia-com-enchentes-no-rio-grande-do-sul/#:~:text=A%20Confedera%C3%A7%C3%A3o%20Nacional%20do%20Com%C3%A9rcio,97%20bilh%C3%B5es%20para%20a%20economia" target="_blank" rel="noopener">R$ 97 bilhões</a> no ano. Entre os fatores que contribuíram para um evento de tal magnitude, estavam fenômenos meteorológicos, níveis de chuva equivalentes a vários meses que caíram durante poucos dias em todo o estado e a ação humana.

Um estudo realizado por 13 cientistas da Atribuição Climática Global (World Weather Attribution, em inglês) mostra que <a href="https://www.gov.br/mcti/pt-br/acompanhe-o-mcti/noticias/2024/06/mudanca-climatica-dobrou-a-probabilidade-de-ocorrencia-de-chuvas-extremas-no-sul-do-brasil" target="_blank" rel="noopener">as mudanças climáticas dobraram a possibilidade de chuvas extremas no sul do Brasil</a>. Essas fazem com que as enchentes de maio não se encaixem na definição de crise ambiental, mas sim como um desastre socioambiental.

Por meio das ações de extensão, a UFSM apostou na ação humana para atender às necessidades das populações atingidas por meio do trabalho de bolsistas e voluntários e em seus saberes multidisciplinares para auxiliar a reconstrução dessas comunidades nas mais diversas frentes. Foram mais de R$ 200 mil investidos, centenas de bolsistas e milhares de voluntários que auxiliaram nas ações durante e após o período de emergência climática.

[caption id="attachment_69370" align="alignright" width="620"]<a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/2025/06/Martimianos.jpg"><img class=" wp-image-69370" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2025/06/Martimianos-300x169.jpg" alt="" width="620" height="349" /></a> Localizado em Restinga Seca, o Rincão dos Martimianos foi uma das comunidades quilombolas mais atingidas pelas inundações na região[/caption]

O projeto Território Imembuy, concebido para ser uma ferramenta voltada para o desenvolvimento regional, se transformou em uma ponte entre a universidade e as comunidades afetadas pelos eventos climáticos extremos. A partir dele foram criados dois projetos: o “UFSM Solidária e Cidadã” e o “Reconstrução RS”.

O Programa UFSM Solidária e cidadã financiou 74 projetos de extensão voltados para ações de reconstrução da região central, incluindo Santa Maria e municípios vizinhos (como os dos geoparques Quarta Colônia e Caçapava do Sul), além de cidades do Vale do Rio Pardo. O programa contou com 121 bolsistas e teve um investimento de quase R$ 200 mil para atuação no período emergencial de três meses desde o começo das enchentes.

“Hoje a UFSM tem mais de 1.700 ações de extensão em curso, ativas. Muitas dessas ações foram redirecionadas para acolher as demandas advindas dessa calamidade pública climática que nós enfrentamos”, informa o pró-reitor de Extensão, Flavi Ferreira Lisboa Filho.

<b>Chamada Humanitária e projetos apresentados ao governo do estado</b>

Já o Reconstrução RS foi baseado no Projeto Rondon, iniciativa do Ministério da Defesa que promove a interação de estudantes universitários e comunidades carentes, onde eles realizam ações de extensão em diversas áreas com o objetivo de levar melhorias às populações atendidas. O programa foi uma chamada humanitária na qual a UFSM se colocou à disposição de todos os municípios do estado afetados pelos eventos climáticos extremos que solicitassem sua ajuda para o planejamento de reconstrução.

O pró-reitor de Extensão acompanhou a primeira viagem do projeto a Sinimbu, na região do Vale do Rio Pardo. Apesar de não ser uma região comumente abrangida por projetos de extensão da UFSM, a chamada humanitária atendeu ao apelo da comunidade e do poder público municipal.

A ideia inicial era que a comitiva da universidade permanecesse no município durante o período da ação humanitária. Mas, por conta da extensão dos danos causados pela crise climática, não era possível permanecer no município. “O município não possuía condições de hospedagem e alimentação, então precisamos ir com um grupo menor do que o inicialmente planejado e fazer o deslocamento de ida e volta diariamente”, lembra o pró-reitor.

Apesar do entrave, a universidade levou estudantes de diversas áreas do conhecimento. Participaram estudantes das engenharias, que auxiliaram na realização de cálculos para recuperação e substituição da infraestrutura urbana e rodoviária, bem como estudantes do Centro de Educação, que realizaram ações de acolhimento com a comunidade escolar e trabalharam métodos alternativos de ensino.

Estudantes de Enfermagem e Serviço Social auxiliaram os servidores da Secretaria de Saúde e Assistência Social em ações de atendimento médico e cadastro em programas lançados pelos governos estadual e federal para as vítimas do desastre socioambiental.

Ao todo, a chamada humanitária da UFSM realizou 23 viagens. Os programas realizados durante o ano passado foram encerrados, mas as ações de extensão seguem nas regiões atingidas por meio do projeto Território Imembuy. Além disso, ações de extensão já existentes foram modificadas para atender às necessidades da emergência climática.

<b>Solidariedade em todos os campi</b>

As ações da UFSM não ficaram restritas apenas ao campus sede. Em Frederico Westphalen, professores, alunos e servidores, em parceria com empresas locais, organizaram kits de material escolar, brinquedos e livros de colorir para alunos dos anos iniciais. A comunidade acadêmica também trabalhou na produção de sabão em barra a partir do óleo de cozinha, em parceria com a empresa Reco Óleo, de Horizontina. Outra ação realizada no campus foi a produção de 6 mil bolachas, que foram enviadas para o município de Roca Sales, no Vale do Taquari, em parceria com o aplicativo Garupa. Em Palmeira das Missões, a comunidade acadêmica realizou mutirões voluntários de acolhimento das famílias, limpeza das ruas e residências, além de atendimento veterinário para animais.

No Campus de Cachoeira do Sul, foi realizado o SOS Cachoeira do Sul, iniciativa na qual alunos voluntários ofereceram serviços de limpeza e checagem de equipamentos eletrônicos que foram molhados durante a enchente. Cerca de 37 alunos participaram das ações, que também contaram com professores e servidores técnico-administrativos. Ao todo, 95 famílias foram atendidas, com a recuperação de 384 dos 478 equipamentos recebidos. A Defesa Civil e a Vigilância Sanitária de Cachoeira do Sul também foram beneficiadas pela iniciativa.

[caption id="attachment_69371" align="alignleft" width="606"]<img class=" wp-image-69371" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2025/06/Forum-300x169.jpg" alt="" width="606" height="341" /> O Fórum de Ações e Respostas a Desastres em Contexto de Mudanças Climáticas auxiliou na produção de protocolos para voluntariado, abrigamento, atenção a idosos, crianças e pessoas com deficiência[/caption]

“Nós tivemos uma quantidade incrível de servidores técnico-administrativos em educação e docentes que estavam diretamente envolvidos, também como voluntários. Eu posso te afirmar que nós tivemos aí, acho que em torno de umas mil pessoas, pelo menos, diretamente envolvidas nesse trabalho”, aponta o pró-reitor.

<b>Planejar para reagir melhor nos momentos de emergência</b>

Nadianna Marques, docente do Colégio Politécnico, começou sua atuação durante as enchentes de forma voluntária, auxiliando na triagem e distribuição de doações nos locais onde as vítimas estavam abrigadas. Ao conversar com os responsáveis por coordenar os abrigos, Nadianna percebeu que as operações de auxílio às vítimas do desastre poderiam ser aperfeiçoadas por meio de um debate que reunisse os profissionais envolvidos nas diversas frentes do trabalho de assistência. Assim surgiu o Fórum de Ações e Respostas a Desastres em Contexto de Mudanças Climáticas. No mesmo período, a Prefeitura de Santa Maria deu início ao processo de atualização do Plano de Contingência municipal após a emergência climática, por meio do programa Santa Maria Cidade Resiliente.

O projeto de Nadianna conseguiu trazer as oficinas de formação do programa do poder público municipal para dentro da UFSM. Na sala de inovação do Colégio Politécnico eram debatidas as principais necessidades da população de Santa Maria e os maiores pontos de risco do município. O fórum criado pela professora auxiliou na produção de protocolos para voluntariado, abrigamento, atenção a idosos, crianças e pessoas com deficiência.

O fórum agiu como um espaço de articulação para que pesquisadores, profissionais da rede assistencial e representações governamentais pudessem participar da construção do Plano de Contingência, o que geralmente é feito apenas pela Defesa Civil. A cerimônia de entrega do plano pela Prefeitura Municipal ocorreu no auditório do Colégio Politécnico, em 29 de outubro de 2024.

No entanto, após a entrega do Plano de Contingência, o fórum sofreu com uma grande desmobilização dos seus integrantes, relata a professora. A iniciativa, segundo ela, só voltou a ser procurada após as chuvas ocorridas no início deste mês, um ano após o desastre socioambiental de 2024.

Nadianna destaca a capacidade de aprender com desastres e falhas do passado como um dos principais aspectos para salvar vidas no futuro. “Por mais que não possamos prever todas as consequências de um desastre, a história nos ajuda a entender o que é possível fazer enquanto gestão pública, universidade, sociedade civil, para evitar que populações sejam severamente afetadas em situações como essa.”

<b>Saúde e cidadania nos quilombos e periferia</b>

O Observatório dos Direitos Humanos (ODH) da UFSM realizou, em parceria com o Colégio Politécnico, visitas a comunidades quilombolas e periféricas do município de Restinga Seca para auxiliar suas populações no início do processo de reconstrução. O trabalho de extensão teve início na comunidade quilombola Rincão dos Martimianos. A comitiva realizou testes médicos, palestras educativas sobre saúde, orientações sobre auxílios e políticas públicas para a população quilombola, o plantio de uma horta comunitária, oficina de culinária, entre outras atividades realizadas em julho de 2024.

A equipe foi composta por professores e estudantes do Colégio Politécnico e do Colégio Técnico Industrial de Santa Maria (Ctism), além de alunos dos cursos de graduação e pós-graduação das áreas de direito, economia, relações internacionais e serviço social. Alguns alunos presentes na comitiva cursavam a disciplina de Tópicos Transversais em Saúde e puderam colocar em prática alguns assuntos abordados em sala de aula, como saúde da população negra, saúde em comunidades quilombolas e saúde rural.

Na localidade, as principais consequências das enchentes foram a dificuldade de locomoção dos moradores para os seus trabalhos e o enfraquecimento do comércio local. Algumas empresas chegaram a fechar e moradores do Rincão dos Martimianos perderam seus empregos. O ODH também realizou ações na comunidade quilombola São Miguel dos Carvalhos, assim como na Vila Rosa, comunidade periférica de Restinga Seca.

“As comunidades quilombolas já estão em contexto de vulnerabilidade social, que inclui o racismo ambiental, porque pessoas negras geralmente habitam locais de maior insegurança ambiental e estrutural. Então, quando acontece uma calamidade como essa, o impacto nessas populações é maior”, pontua Victor de Carli Lopes, coordenador de Desenvolvimento Regional e Cidadania na Pró-Reitoria de Extensão (PRE).

[caption id="attachment_69372" align="alignright" width="590"]<a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/2025/06/DIA-DE-CAMPO.jpeg"><img class=" wp-image-69372" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2025/06/DIA-DE-CAMPO-300x225.jpeg" alt="" width="590" height="442" /></a> Um “Dia de Campo” reuniu 20 famílias da Linha Boêmia, no interior de Agudo, para ajudar no processo de recuperação da atividade agrícola no município[/caption]

<b>Reconstrução nas propriedades rurais de Agudo</b>

As águas que passaram por Agudo modificaram o relevo, com deslizamento de morros e erosão do solo, e também a hidrografia, com a remoção da mata ciliar e mudança de cursos da água. Nas partes mais baixas das localidades afetadas, o solo ficou coberto por areia e resíduos, no que anteriormente eram áreas destinadas predominantemente para o cultivo de arroz. Para auxiliar os produtores e a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater/RS) no processo de recuperação da atividade agrícola no município, foi criado o “Dia de Campo”, iniciativa coordenada pelo professor Vanderlei Thies, do departamento de Educação Agrícola e Extensão Rural da UFSM.

O Dia de Campo reuniu 20 famílias da Linha Boêmia, interior de Agudo, para divulgar os resultados da análise de solo colhidas em suas propriedades e orientá-las no processo de recuperação de áreas degradadas, bem como na adaptação para o plantio e possibilidades de recuperação da mata ciliar. Participaram do Dia de Campo membros do Grupo de Estudos em Fertilidade e Química do Solo (Geferqs) e do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Recuperação de Áreas Degradadas (Neprade), ambos vinculados ao Centro de Ciências Rurais (CCR).

As pesquisas também apontaram pontos nos quais podem ocorrer novos deslizamentos dentro das propriedades afetadas. Por meio das análises, foi possível encontrar longas rachaduras no solo, característica que antecede os deslizamentos em terrenos inclinados, também conhecidos como áreas de encosta.

O coordenador destaca a importância do Dia de Campo também como um momento de acolhimento e escuta com relação aos produtores rurais. O diálogo permitiu ver diretamente as marcas que a emergência climática deixou nas populações das regiões afetadas. “Esse não era o objetivo do nosso trabalho, mas quem trabalha com extensão universitária sempre está preocupado e atento com as condições emocionais com quem trabalhamos, especialmente em condições tão adversas”, analisa o professor.

Thies destaca a importância de se considerar o fator psicológico ao falar sobre a recuperação da atividade agrícola, porque só é possível retomar o nível de produtividade anterior se os produtores possuírem ânimo para investir na reconstrução de suas propriedades.

<b>Reconstrução a partir de uma nova realidade</b>

Entre os locais da região onde a UFSM atuou que mais sofreram com as enchentes, o pró-reitor cita o distrito de Vale Vêneto (em São João do Polêsine) e os municípios de Dona Francisca e Agudo. Nessas localidades, a comunidade rural foi quem mais sofreu com os efeitos da crise climática.

Em Dona Francisca, o retorno do Rio Jacuí ao seu leito levou consigo uma parte do solo, o que revelou <a href="https://www.ufsm.br/2024/08/01/sitio-arqueologico-revelado-pelas-enchentes-e-objeto-de-estudos-de-alunos-e-professores-da-ufsm" target="_blank" rel="noopener">artefatos de povos originários que podem ter vivido na região até 10 mil anos atrás</a>. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) foi notificado, e o que antes era uma lavoura de arroz próxima ao Rio Jacuí se tornou um sítio arqueológico.

“Várias coisas vieram à tona a partir da modificação dos territórios. Falar sobre a reconstrução dessas localidades não significa voltar ao estado inicial, mas pensar em como avançar a partir desta nova realidade”, ressalta o pró-reitor.

<b>Todos afetados, porém uns mais que outros</b>

Em um país com dimensões continentais e desigualdades de mesmas proporções, fica fácil ver a diferença quando se fala no acesso a direitos entre diferentes camadas da população. O impacto desigual trazido por eventos climáticos extremos, no entanto, ainda é algo que precisa ser debatido.

A vulnerabilidade social em momentos como esse se reflete na moradia em locais mais propensos a sofrerem com desastres naturais, com acesso precário a recursos básicos e mais isolados dos perímetros urbanos, do Estado e da cidadania plena. São essas pessoas que, durante os momentos mais graves dos desastres recebem atenção da mídia e governos por terem perdido a moradia, ou por estarem em casa sem água nem alimentos. São populações que sofrem diariamente com vulnerabilidades que atravessam e dificultam suas vidas, mas aparentemente só chamam atenção quando têm sua sobrevivência ameaçada.

“As desigualdades só são vistas durante a catástrofe. Mas elas já existiam antes e vão continuar existindo depois disso. O que parece é que fora desse contexto elas são invisíveis porque não estão no discurso da mídia, do poder público, ou da maioria das pessoas. Depois que o estado de calamidade passou, as desigualdades acabaram ou apenas deixaram de ser faladas? Com essa invisibilização, fica difícil gerar uma mobilização para que ações de justiça social emancipem essas populações, que é o objetivo do trabalho de extensão”, enfatiza Flavi.

Essa desmobilização não acontece só no discurso midiático ou nas conversas do dia a dia. “Lamentavelmente, muitos estudos e levantamentos que são feitos pela universidade depois são encaminhados para o poder público, para a Defesa Civil, para o governo do estado e não são aplicados”, destaca o pró-reitor.

Em julho do ano passado, <a href="https://www.ufsm.br/2024/07/12/ufsm-apresenta-ao-governo-estadual-propostas-para-a-reconstrucao-do-rio-grande-do-sul" target="_blank" rel="noopener">a UFSM apresentou nove projetos para o Plano Rio Grande</a>, programa do governo estadual voltado para reconstrução, adaptação e resiliência climática do Rio Grande do Sul. Segundo ele, não houve retorno sobre nenhum dos projetos quase um ano após a reunião ocorrida na Câmara de Vereadores de Restinga Seca.

<i>Texto: Bernardo Silva, estudante de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias</i>

<i>Fotos: arquivo da PRE</i>

<em>Edição: Lucas Casali</em>]]></content:encoded>
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				<title>Catástrofe climática</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2025/05/29/catastrofe-climatica</link>
				<pubDate>Thu, 29 May 2025 20:32:15 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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						<description><![CDATA[Um ano após as enchentes que assolaram o Rio Grande do Sul, reportagem multimídia mostra como a Universidade contribui para mitigar o problema
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <img width="1024" height="667" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2025/05/Colapso-nos-municipios-do-RS.jpg" alt="Imagem colorida horizontal de um mapa do Rio Grande do Sul em azul, com fundo em marrom, que destaca o fato de 95% dos municípios terem sido afetados pelas enchentes de 2024" />													
		<p>Abril e maio de 2024. Neste período, o Rio Grande do Sul entrou em colapso. Chuvas intensas atingiram 471 das 497 cidades gaúchas, aproximadamente 95% dos municípios, e deixaram mais de 600 mil pessoas fora de casa - os dados são da Defesa Civil do estado. A falta de uma preparação adequada do Poder Público para conter as enchentes ocasionou diversas consequências que perduram até os dias de hoje, um ano após a calamidade.</p><p>Na Região Central, mais especificamente no município de Silveira Martins, a coproprietária da loja Massas do Vale, Cleci Bianchi, ainda sente os impactos da catástrofe em seu negócio. “Eu perdi todo o estoque de massas. Eu perdi tudo. A gente tinha um gerador, que só conserva, não congela. Eu consegui [retomar], mas não muito, porque não tinha estrada nem ponte para as pessoas virem buscar [os produtos]. Até agora <i style="color: #000000;font-size: 1rem">tá</i> difícil. Muito difícil”, revelou.</p><p>Outra vítima naquela cidade foi Maria Fighera. Ela conta que no dia 30 de abril de 2024, em um momento de descanso logo após o almoço, sua família ouviu um barulho estranho e, ao olhar para o lado de fora, notou deslizamentos em um morro próximo à estrutura do seu empreendimento. Além dos presentes precisarem sair de casa, o maquinário utilizado foi levado com as enchentes e os animais, mortos.</p><p>Ela conta que, embora o prejuízo financeiro tenha sido grande, nenhuma vida humana foi perdida. “Ficamos mais de um mês sem poder sair de carro. Só pudemos sair depois que veio uma retroescavadeira que abriu a estrada, fazendo um desvio. Ficamos 15 dias sem luz, 20 dias sem internet. Ainda bem que tínhamos em casa um gerador, só faltava a gasolina”, relembrou. A única forma de saber sobre a situação dos vizinhos era pessoalmente.</p><p>Santa Maria está entre os municípios atingidos e, consequentemente, a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), que precisou lidar com o acontecido. O Campus Sede teve de ser <a href="https://www.ufsm.br/2024/04/30/ufsm-orienta-para-evacuacao-do-campus-e-suspensao-das-atividades-academicas-e-administrativas">evacuado</a> e as atividades acadêmicas suspensas por 20 dias. Na sequência, foi revelado que o acervo do Departamento de Arquivo Geral da Universidade, que ficava localizado no subsolo da Reitoria, foi <a href="https://www.ufsm.br/2024/04/30/nota-sobre-o-incidente-com-o-acervo-da-ufsm">comprometido</a>.</p><p>Também afetada por toda essa situação, a Instituição recorreu ao ensino, à pesquisa e à extensão, com projetos voltados à mitigação dos danos causados tanto na cidade quanto fora, colocando-se na linha de frente da rede de apoio ao Estado. Ações foram desenvolvidas em diferentes esferas para entender a complexidade da aflição que o Rio Grande do Sul viveu ao mesmo tempo em que as vítimas eram auxiliadas. Contudo, isso não basta: a UFSM segue trabalhando para evitar que esse pesadelo aconteça novamente em território gaúcho.</p>		
													<img width="1024" height="667" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2025/05/Precipitacao-Tipica-vs-diaria.jpg" alt="Imagem colorida horizontal que destaca, em mapa do RS em azul, com fundo em marrom, o fato de que choveram 600 milímetros em um único dia em cidades da Serra Gaúcha" />													
		<h3><b>Universidade contribui para diminuir perdas no campo</b></h3><p>Um exemplo de ação desenvolvida pela UFSM associada à catástrofe climática é o projeto de divulgação de boletins agrometeorológicos para profissionais envolvidos com o agronegócio em Cachoeira do Sul. A iniciativa, coordenado pela professora Zanandra Oliveira, foi criada em 2017 em uma parceria entre o curso de Engenharia Agrícola com o Grupo Metos, empresa que trabalha com o monitoramento climático.</p><p>A ideia é adquirir dados relativos aos horários, temperatura, umidade relativa, chuva e velocidade do vento em Cachoeira do Sul, em tempo real, para, dessa forma, gerar boletins informativos que ajudem os produtores a tomar as melhores decisões. As informações são disponibilizadas <a style="font-size: 1rem" href="https://www.ufsm.br/unidades-universitarias/cachoeira-do-sul/estacao-meteorologica-da-ufsm-cs">em uma página específica no site da UFSM</a> todo início de mês com gráficos sobre o mês anterior, fazendo um comparativo. Como o trabalho começou há aproximadamente oito anos, ainda não é possível definir um padrão no município no que diz respeito ao clima.</p><p>“As informações meteorológicas são importantes para todas as áreas do conhecimento. A gente vai pensar nas engenharias, todo o planejamento de obras é muito importante. Para o curso de Engenharia Agrícola, a gente tem uma relação direta do clima com as atividades agropecuárias. Então, é fundamental. Seria impossível a gente realizar as atividades de ensino e de pesquisa sem ter acesso a essas informações. É o clima que explica a variabilidade da educação das culturas, o bem-estar dos animais de produção. É um instrumento fundamental e necessário para essa área do conhecimento”, destacou Zanandra.</p><p>No dia 3 de junho de 2024, as secretarias da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação e de Desenvolvimento Rural do Rio Grande do Sul divulgaram um relatório acerca das perdas na produção rural causadas pelas chuvas. De acordo com o documento, elaborado com dados coletados entre 30 de abril e 24 de maio, mais de 206 mil propriedades foram afetadas por todo o Estado, prejudicando 48.674 produtores. Ao todo, 19.190 famílias tiveram perdas relacionadas às estruturas dos empreendimentos, como galpões, armazéns e estufas.</p><p>Em território cachoeirense, também surgiu, em 2020, durante a pandemia, o projeto <a href="https://pacomecsufsm.wixsite.com/ufsm-cs">PaComê</a>, que consiste na promoção de teorias acerca da preparação de alimentos e o conhecimento por trás da prática. A ação tem uma parceria com a Escola Estadual Coronel Ciro Carvalho de Abreu desde 2024 e tem os jovens alunos como os responsáveis por “colocar a mão na massa”, em uma horta localizada na instituição. O objetivo é construir uma rede de entusiastas sobre a saúde alimentar, o plantio agroecológico e a culinária com produtos naturais.</p><p>A professora da UFSM, Mariana Coronas, coordenadora da iniciativa, explica os benefícios da autoprodução, levando em conta os problemas que a cidade teve durante a catástrofe climática do ano passado: “Cachoeira ficou por alguns dias desconectada. Fecharam vários acessos. A gente ficou alguns dias com os supermercados desabastecidos principalmente de produtos perecíveis. Os produtores locais, mesmo que tenham tido suas perdas, continuaram produzindo. Ter essa produção local, em casa, te dá uma certa autonomia para que, eventualmente, quando acontecerem esses eventos, ainda tenha essa fonte”.</p><p>O professor da escola cachoeirense, Volni Oestreich, destaca um dos cuidados que o grupo procura ter durante a atividade: “nós evitamos ao máximo o uso de qualquer produto químico. Então, aqui, o aluno planta, rega, colhe e entrega na cozinha da cantina. Ele mesmo acaba conseguindo participar de todo o processo do plantio e cuidado durante o crescimento. Todos esses produtos são utilizados na escola, consumidos pelos alunos e professores”.</p><p>Uma das responsáveis por atuar é Vanderleia dos Santos, estudante do curso de Engenharia Agrícola da UFSM em Cachoeira do Sul. Ela fez ensino médio na Ciro Carvalho e, através do PaComê, retornou para ajudar os atuais alunos. “Agora, com as mudanças climáticas, o fato de a gente ter essa segurança alimentar, de produzir alimentos, de ter contato com algo mais sustentável também, faz a diferença. É bem mais gratificante, saudável, e a gente consegue mostrar para eles na prática”, comentou. Ainda, na visão da acadêmica, os jovens já estão bem mais conscientes com as práticas da ação.</p>		
													<img width="1024" height="667" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2025/05/Estradas-do-RS-sobrem-Danos.jpg" alt="Imagem colorida horizontal do mapa do RS, com fundo marrom, e caixa de texto com 80% das estradas gaúchas afetas" />													
		<h3><b>Resistir para diminuir os impactos de novos catástrofes</b></h3><p>A catástrofe climática também chamou a atenção dos pesquisadores da UFSM no que diz respeito à infraestrutura ambiental dos municípios. O projeto “Resiliência de redes de transporte em eventos extremos”, coordenado pelo professor Felipe Caleffi, também do campus de Cachoeira do Sul, é um exemplo. A iniciativa tem como objetivo modelar, por meio de um simulador, todas as 497 cidades do Rio Grande do Sul para entender o efeito das fortes chuvas e como elas afetam o transporte público e o transporte de emergência, como ambulâncias, viaturas da polícia e caminhões dos bombeiros.</p><p>O grupo tem a parceria da Defesa Civil do Estado, entidade que estuda quais áreas do Rio Grande do Sul são as mais críticas e devem ser modeladas com mais urgência. Com o trabalho, espera-se que seja realizado um planejamento melhor quando as crises ocorrerem. “As cidades podem se planejar melhor para quando os próximos eventos ocorrerem. A gente imagina que em algum momento vá acontecer de novo. De posse desses dados, dessas simulações, a gente consegue entender melhor os cenários”, explicou Caleffi.</p><p>Conforme <a style="font-size: 1rem" href="https://www.ihu.unisinos.br/639969-infraestrutura-comprometida-chuvas-afetaram-mais-de-80-das-estradas-no-rs">reportagem publicada</a> pelo Instituto ClimaInfo, em 4 de junho de 2024, 80% das estradas gaúchas foram prejudicadas com a catástrofe climática - aproximadamente 13,7 mil quilômetros. No mesmo texto, mas com dados do G1, constata-se que 4.521 km de vias públicas foram afetadas, “distância mais do que suficiente para atravessar o Brasil de Norte a Sul (4.397 km) e de Leste a Oeste (4.320 km)”.</p><p>Na área da arquitetura e do urbanismo, é desenvolvido o projeto Santa Maria Mais Verde Mais Resiliente. A iniciativa, que tem como coordenador o professor Edson Luiz Bortoluzzi, busca aumentar a resiliência ambiental da cidade por meio da integração de políticas urbanas e da implantação de sistemas de espaços livres.</p><p>Segundo o docente, há pelo menos 20 anos são feitas discussões na Universidade acerca da promoção de uma infraestrutura sustentável. A iniciativa, contudo, surgiu realmente a partir das enchentes de maio de 2024. A ideia é propor o desenvolvimento de espaços ambientalmente adequados a fim de proteger possíveis vítimas, uma vez que, na visão de Bortoluzzi, o problema não é a enchente nem o deslizamento, mas a localização das moradias em áreas onde acontecem desastres climáticos.</p><p>“As pessoas atingidas são aquelas de mais baixa renda. Alguns ainda dizem ‘ah, invadiram aquele lugar’. Não, estão ocupando aquele lugar porque foi o que sobrou para elas. A questão da habitação é chave, fundamental”, detalhou o professor. A proposta também envolve a região da Quarta Colônia, em parceria com o <a style="font-size: 1rem" href="https://www.geoparquequartacolonia.com.br/home">Geoparque Quarta Colônia</a>, e tem a intenção de, além de pensar na infraestrutura, investir simultaneamente no aspecto social que envolve a vulnerabilidade ambiental.</p><p>“A gente tem que ter espaços para caminhar, para fazer exercícios. [Tem] a questão da saúde mental, porque quando a gente fala em exercícios e parques não é só [sobre] saúde física, é a saúde mental também. E esses espaços verdes, essas áreas verdes (...) certamente tem que estar atrelados na ideia de reduzir as enchentes”, destacou Bortoluzzi.</p>		
													<img width="1024" height="667" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2025/05/Propriedades-rurais-afetadas-1-1.jpg" alt="Imagem colorida horizontal de mapa do RS com destaque com o total de 206 mil propriedades rurais afetadas durante as enchentes" />													
		<h3><b>‘Todo desastre tem uma linha do tempo’</b></h3>
<p>É normal ocorrerem tempestades severas entre abril e maio, com ventos fortes e até mesmo granizo, no Rio Grande do Sul. Entretanto, a razão por trás da catástrofe climática diz respeito a uma situação de bloqueio das ondas atmosféricas. Isso significa que não houve uma intercalação entre períodos de chuva e tempo seco, o que fez com que a tempestade ficasse parada e o nível de água na Terra aumentasse. As informações são de acordo com o professor do Programa de Pós-Graduação em Meteorologia e coordenador do Grupo de Modelagem Atmosférica de Santa Maria (GruMA) da UFSM, Vagner Anabor.</p>
<p>Ainda, segundo o docente, esse entrave ambiental durou cerca de duas semanas. Na Região Central, mais de 250 milímetros de chuva caíram em um único dia, enquanto lugares como a Serra Gaúcha sofreram com 600 milímetros por dia. Tipicamente, entre abril e maio, são cerca de 150 milímetros por mês. “Esses fenômenos foram muito intensos no estado do Rio Grande do Sul. Posso falar tranquilamente que é o maior desastre já ocorrido porque, para ter uma situação de desastre, a gente precisa ter: um fenômeno acontecendo, uma população exposta a esse fenômeno e que essa população exposta seja vulnerável, não esteja preparada”, afirmou Anabor.</p>
<p>A professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Márcia Amaral, evidencia a temporalidade da situação: “todo desastre tem uma linha do tempo. O desastre nunca começa quando eclode, começa muito tempo antes, e nunca termina em uma data específica. Ele perdura por longos anos na vida de uma comunidade”. Para ela, durante a crise climática, foi possível ver os governos do Estado convocando especialistas de fora para estudar a recuperação de toda a área atingida, mesmo que houvesse soluções “caseiras”, com muita expertise. “Nós criamos uma rede de emergência climática no Rio Grande do Sul reunindo mais de 100 cientistas e buscando justamente que essas pessoas tivessem alguma força junto à mídia, junto à imprensa e junto aos governos, para que esse conhecimento gerado dentro das universidades pudesse também ser acessado nos momentos práticos da recuperação do Estado”.</p>
<p>Na visão de Anabor, hoje, a UFSM forma os melhores previsores de tempo severo do Brasil, com as instituições de ensino superior gaúchas sendo referência na formação de profissionais da meteorologia. Contudo, pela falta de estrutura, os outros estados ficam com essa mão de obra. “A tecnologia que nós dominamos na UFSM permite prever e antecipar esses fenômenos com grande eficiência. A qualificação técnica e o preparo das comunidades é o que a gente precisa, encontrar meios de transferir essa informação lá para ‘a ponta’ da sistema, porque se uma pequena escola do interior não estiver preparada para o desastre e as pessoas não tiverem consciência do problema nem de como reagir a uma situação de emergência, por menor que seja o fenômeno, vai ser muito grave”, afirmou.</p>
<p>Outra ação desenvolvida pela Universidade foi a Sociologia do Alerta, coordenada pela professora do curso de Ciências Sociais, Mari Cleise Sandalowski, que está à frente do projeto Catástrofes Sócio Climáticas. A iniciativa surgiu durante as enchentes de 2024 com o questionamento de como a área das ciências sociais poderia contribuir. A resposta: realizando um mapeamento das características sócio-culturais das comunidades que sofreram com questões de ordem ambiental não só no último ano, mas desde a década de 1990.</p>
<p>Na primeira etapa, o que mais chamou a atenção da docente foi que, no Rio Grande do Sul, há uma ocorrência de eventos que destoa do resto do Brasil. Enquanto no país é possível identificar elementos de ordem climatológica com o passar do tempo, em território gaúcho, de 15 anos para cá, são eventos de ordem hidrológicas. Em Santa Maria, regiões de bairros como Tancredo Neves, Chácara das Flores, Itararé, KM3 e Camobi são as mais afetadas pelas ocorrências.</p>
<p>Na Sociologia do Alerta, uma questão que também é abordada é a memória dos moradores dessas localidades. Mari Cleise conta que não é simples fazer com que uma pessoa, apesar das claras questões ambientais, deixe um lugar. “Não é suficiente você simplesmente retirar as famílias de um local e alojá-las em outro. Você não leva em consideração a memória afetiva, os laços com a vizinhança, os laços familiares, a questão da rede de apoio. Como fica a questão afetiva? O que é um risco, afinal? Para uma população que muitas vezes está em uma situação de precariedade social, de baixa renda, que não tem acesso ao saneamento básico, à segurança pública, à educação dentro dos fatores. Essas questões também são de risco”, pontuou.</p>		
													<img width="1024" height="667" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2025/05/Vagner-Anabor-2.jpg" alt="Imagem colorida horizontal de um mapa do RS em infográfico. A imagem traz a fala do professor Vagner Anabor: se uma pequena escola do interior não estiver preparada para o desastre e as pessoas não tiverem consciência do problema nem de como reagir a uma situação de emergência, por menor que seja o fenômeno, vai ser muito grave" />													
		<h3><b>Enfrentamento exige esforço conjunto</b></h3><p>Uma coisa é certa: apesar das investidas de instituições como a UFSM e do próprio Governo Federal, fortes chuvas, acompanhadas de ventos intensos e descargas elétricas, seguirão acontecendo no Rio Grande do Sul. No período em que a catástrofe climática completou um ano, a Defesa Civil gaúcha emite diferentes alertas para moradores de diferentes regiões do Estado acerca de possíveis transtornos que poderiam ocorrer.</p><p>A Secretaria Extraordinária da Presidência da República de Apoio à Reconstrução do Rio Grande do Sul (SERS), criada em meio às enchentes por meio de uma Medida Provisória, hoje não tem mais status de ministério. A pasta, então comandada por Paulo Pimenta, foi extinta no dia 20 de dezembro.</p><p>O objetivo principal da SERS foi organizar as demandas do Rio Grande do Sul e facilitar o envio de verbas do Governo Federal que, ao todo, investiu R$ 98,7 bilhões em medidas de reconstrução e apoio ao Estado. Desse montante, R$ 42,3 bilhões já chegaram “às mãos” do povo gaúcho entre repasses aos municípios afetados, criação de novas casas, descontos em dívidas, reformas em escolas e unidades básicas de saúde e compra de medicamentos.</p><p>A agora Secretaria para Apoio à Reconstrução do Rio Grande do Sul integra a Secretaria-Executiva da Casa Civil, do ministro Rui Costa, e deverá ser extinta em 30 de maio deste ano. Emanuel Hassen de Jesus, o Maneco, ex-prefeito de Taquari que, em 2023, foi secretário de Comunicação Institucional da Secretaria de Comunicação Social, é quem hoje dirige o setor.</p><p> </p><p>O enfrentamento de catástrofes climáticas exige muito mais do que ações emergenciais durante os episódios e medidas de reconstrução após os eventos extremos. É necessário que os poderes públicos municipal, estadual e federal, as instituições, a iniciativa privada e as comunidades estejam melhores preparados antes da ocorrência de tempestades, enchentes ou deslizamentos. Tudo começa com o entendimento de que o clima gaúcho sofre com situações extremas e que o ‘novo normal’, resultante do aquecimento global, intensifica isto. Diminuir riscos para todos abrange a compreensão de que o preparo deve levar em consideração aspectos ambientais, tecnológicos, econômicos, sociais e culturais.</p><p><em><strong>Repórter Universitário é um projeto da Agência de Notícias e da TV Campus com o objetivo de produzir conteúdo multimídia e multiplaforma por estudantes de Comunicação Social sob a supervisão de técnicos da área</strong></em></p><p><em><b>Reportagem digital</b>: Pedro Pereira (jornalista)</em></p><p><em><strong>Reportagem audiovisual</strong>: Milene Eichelberger (jornalista) </em></p><p><em><strong>Captação de imagens</strong>: Felippe Richardt (técnico em audiovisual), Leonardo Dalla Porta (publicitário) e Taiane Wendland (acadêmica de Produção Editorial, bolsista da TV Campus)</em></p><p><em><b>Edição de imagens</b>: </em><em style="color: #000000;font-size: 16px">Felippe Richardt (técnico em audiovisual) e Taiane Wendland (acadêmica de Produção Editorial)</em></p><p><em><strong>Arte: </strong>Daniel Michelon De Carli (analista de TI e designer)</em></p><p><em><strong>Edição</strong>: Mariana Henriques (jornalista) e Maurício Dias (jornalista)</em></p><p><em><strong>Supervisão geral</strong>: Felippe Richardt (TV Campus) e Mariana Henriques (Agência de Notícias)</em></p>https://www.youtube.com/watch?v=7GAwz_Ds2LY]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>História em quadrinhos retrata a ansiedade climática dos moradores da Urlândia</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2025/05/13/hq-ansiedade-climatica</link>
				<pubDate>Tue, 13 May 2025 16:09:49 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[ansiedade climatica]]></category>
		<category><![CDATA[catástrofe climática]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[Enchentes 2024]]></category>
		<category><![CDATA[HQ]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo em quadrinhos]]></category>

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						<description><![CDATA[A memória e as consequências emocionais e materiais das enchentes de maio em uma comunidade periférica de Santa Maria]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <img width="1080" height="1350" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2025/05/HQ-PREMIO.jpg" alt="Quadro colorido vertical com o título &quot;Quando a rua enche&quot;. O quadro mostra o repórter de costas e uma fonte, um senhor de idade, desenhados de forma estilizadas. Os dois estão de costas e andam por uma rua não asfaltada. Dos dois lados, estão casas de um piso, árvores, postes de energia e um cachorro caramelo. Acima, o céu cinzento, com alguns pássaros voando baixo." />													
													<img width="1081" height="1351" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2025/05/02.jpg" alt="" />													
													<img width="1081" height="1351" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2025/05/03.png" alt="" />													
													<img width="1081" height="1351" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2025/05/04.jpg" alt="" />													
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													<img width="1081" height="1351" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2025/05/11.png" alt="" />]]></content:encoded>
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