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				<title>Quais são os desafios das cidades frente ao El Niño?</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2026/05/29/quais-sao-os-desafios-das-cidades-frente-ao-el-nino</link>
				<pubDate>Fri, 29 May 2026 21:36:11 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[divulga ciência]]></category>
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						<description><![CDATA[Entenda por que a preparação para eventos climáticos vai muito além das obras de concreto]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  Depois de <a href="https://www.ufsm.br/2026/05/14/el-nino" target="_blank" rel="noopener">explicar o funcionamento do fenômeno El Niño</a> e projetar o nível de alerta para 2026 na primeira reportagem, e de <a href="https://www.ufsm.br/2026/05/22/el-nino-campo" target="_blank" rel="noopener">cruzar as histórias de produtores rurais</a> para entender os desafios e a recuperação do campo gaúcho na semana passada, a série especial da Agência de Notícias da UFSM volta seus olhos para o perímetro urbano.

Para cientistas da UFSM, as inundações urbanas escancaram que o desastre possui uma raiz profundamente social. O professor Daniel Gustavo Allasia Piccilli, do <a href="https://www.ufsm.br/cursos/pos-graduacao/santa-maria/ppgecam" target="_blank" rel="noopener">Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil e Ambiental (PPGECAM) da UFSM</a>, estuda inundações urbanas há anos e monitora o fenômeno de maneira contínua através do <a href="https://www.instagram.com/ecotecnologias_ufsm" target="_blank" rel="noopener">Grupo de Pesquisas em Modelagem Hidroambiental e Ecotecnologias</a>. “A confirmação do El Niño automaticamente não significa que teremos enchentes e inundações na mesma proporção”, esclarece o professor.

O alerta ganhou corpo em uma nota técnica elaborada em conjunto pelo PPGECAM e pelo Programa de Pós-Graduação em Meteorologia (PPGMET) da UFSM. Diante de chances de até 90% de ocorrência do fenômeno nos próximos meses, a pergunta que desafia os gestores públicos é: dois anos após a maior tragédia climática do estado, as cidades gaúchas estão preparadas?
<h3><b>Será que as cidades mudaram de lá para cá?</b></h3>
A resposta para a prontidão dos municípios gaúchos varia conforme o setor observado. Por um lado, houve avanços forçados pela destruição em 2024. Por outro, a lentidão estrutural permanece.

“Será que as cidades mudaram de lá para cá? Eu diria que a infraestrutura viária está melhor preparada hoje porque as pontes antigas caíram. As novas levaram em conta condicionantes climáticas: são mais altas, robustas e firmes. Se chegar um evento extremo, as cidades não devem ficar tão incomunicáveis”, avalia Allasia.

No entanto, o expert em inundações urbanas pondera que a adaptação profunda esbarra em uma gangorra de extremos meteorológicos emergentes no estado, a qual ele denomina como câmbio climático. “Desde 2019, estamos vivendo uma sequência severa de secas e cheias intercaladas. Estamos andando em extremos”, detalha.

Segundo ele, adaptar a drenagem das cidades a essa realidade exige tempo e planejamento, mudando desde a arquitetura das casas até a escolha da vegetação nas ruas, já que o plantio de espécies erradas pode resultar em árvores caídas durante vendavais.
<h3><b>Preparação de “baixo arrependimento”</b></h3>
Como a intensidade definitiva do El Niño só costuma ser confirmada cientificamente com cerca de dois meses de antecedência, Allasia defende que os gestores adotem uma postura preventiva baseada em medidas de “baixo arrependimento”: ações rápidas, de custo quase zero, mas que salvam vidas.

“A recomendação agora é focar em logística: organizar plantões da Defesa Civil para finais de semana e feriados, testar canais de comunicação e limpar calhas. São medidas simples que não impactam o orçamento, mas mudam o cenário no momento da crise”, defende o professor.

O pesquisador da UFSM recomenda um <i>checklist</i> de ações imediatas que as prefeituras devem adotar:

• <b>Limpeza preventiva:</b> retirada de galhos e lixo de bueiros, galerias pluviais e arroios

• <b>Escalas de plantão:</b> organização prévia de equipes de emergência para recessos e feriados

• <b>Antecipação burocrática:</b> abertura antecipada de licitações para contratação ou manutenção de maquinários (como retroescavadeiras), evitando a escassez do mercado no pico da crise

• <b>Comunicação direcionada:</b> Criação de protocolos de alerta direto com os moradores de áreas vulneráveis

[caption id="attachment_73045" align="aligncenter" width="1098"]<a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/infografico-1-2.jpg"><img class=" wp-image-73045" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/infografico-1-2-1024x576.jpg" alt="" width="1098" height="618" /></a> Arte gráfica: Daniel De Carli[/caption]

Para o professor Daniel Allasia, os avisos de evacuação não podem ser genéricos, mas sim direcionados aos moradores de áreas de risco através de canais diretos como o WhatsApp. Em consonância com o cientista da universidade, a Defesa Civil de Santa Maria realizou nesta semana uma força-tarefa multidisciplinar de <a href="https://www.santamaria.rs.gov.br/noticias/30711-defesa-civil-do-municipio-mapeia-risco-de-inundacoes-e-cadastra-mais-200-pessoas-no-passo-verde" target="_blank" rel="noopener">cadastramento de moradores no distrito de Passo do Verde</a>, área com alta suscetibilidade a inundações.

Em dois dias de trabalho de campo, equipes formadas por agentes públicos, geólogo, engenheiro florestal e assistente social analisaram o padrão das residências, identificaram 243 imóveis e cadastraram 206 pessoas. Os dados coletados revelam a complexidade humana por trás de um plano de evacuação:

• <b>Perfil de vulnerabilidade:</b> Dos cadastrados, 101 são idosos e 9 são pessoas com deficiência (PcD), grupos que exigem maior agilidade em resgates. Além disso, 37 famílias dependem do Cadastro Único para Programas Sociais.

• <b>Famílias multiespécie:</b> O levantamento contabilizou 202 animais de estimação na área, entre cães, gatos e aves. O fator é considerado crucial pela Defesa Civil para o planejamento de abrigos, já que muitas famílias se recusam a evacuar se precisarem abandonar seus animais.
<h3><b>O abismo entre os municípios</b></h3>
Se cidades maiores conseguem articular essas forças-tarefas, o interior enfrenta um isolamento técnico e financeiro. Allasia cita o caso de São João do Polêsine – município de apenas 2.649 habitantes, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – que passou bem por uma cheia de 150 milímetros em dezembro após receber consultoria gratuita da UFSM para desobstruir canais e remover açudes irregulares. O oposto ocorre na vizinha Ivorá, que por ficar em um vale cercado de montanhas, exige projetos de engenharia e obras hidráulicas.

O grande entrave é que a maioria das pequenas prefeituras tem equipes reduzidas, ficando sem braço técnico até mesmo para pedir socorro financeiro. Allasia revela um bastidor crítico sobre como a falta de registros prejudicou a captação de recursos públicos em Brasília. “Quando sofremos o pior da cheia na região central em maio de 2024, o satélite só via nuvens. Não há registro visual de satélite das nossas enchentes, as imagens limpas só começaram a aparecer quando a água chegou a Porto Alegre”, revela o professor.

“Isso afetou o interior na hora de pedir recursos federais, porque o técnico em Brasília exige provas. É aí que a engenharia precisa do jornalismo para documentar o desastre em pastas estruturadas. Muitas prefeituras pequenas ficaram sem verbas simplesmente porque não tinham pernas para montar essa documentação”, complementa Allasia.
<h3><b>Plano Municipal de Redução de Riscos</b></h3>
[caption id="attachment_73046" align="alignright" width="563"]<a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/mapa-distribuicao-espacial-de-risco-santa-tereza.jpg"><img class=" wp-image-73046" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/mapa-distribuicao-espacial-de-risco-santa-tereza.jpg" alt="" width="563" height="852" /></a> Mapa da distribuição espacial de risco na Vila Santa Tereza[/caption]

Se faltam braços na administração pública do interior, a ciência local tem feito o mapeamento minucioso dos gargalos. Santa Maria conta com uma ferramenta crucial: o <a href="https://www.ufsm.br/laboratorios/lageolam/relatorios-pmrr-santa-maria-rs" target="_blank" rel="noopener">Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR)</a>. Na UFSM, o projeto foi coordenado pela professora Andrea Valli Nummer, do Departamento de Geociências e pesquisadora do <a href="https://www.ufsm.br/laboratorios/lageolam" target="_blank" rel="noopener">Laboratório de Geologia Ambiental (Lageolam)</a>.

“A ciência já sabe praticamente tudo sobre as áreas de risco. Nós só estamos evoluindo na técnica. Sabemos que é importante mapear a inundação, o alagamento, o escorregamento, o movimento de massa. Antes andávamos a pé, hoje usamos drone. Temos a meteorologia para nos ajudar com dados”, explica a professora Andrea. “O que precisa é que cada vez mais municípios possam ter esses planos. Para ter um documento de planejamento urbano, de gestão de risco. Isso é importante. E se apropriar desse documento, manter esse documento atualizado e utilizá-lo mesmo para a captação de recurso.”

O plano de Santa Maria começou a ser desenhado no segundo semestre de 2023, focando em seis regiões que concentram habitações informais e populações vulneráveis:

• <b>Região Sul:</b> vilas Urlândia e Santos

• <b>Região Oeste:</b> vilas Babilônia, Lídia, Chaminé e Arco-Íris

• <b>Região Centro-Oeste:</b> Vila Beco do Guarani

• <b>Região Nordeste:</b> vilas Schirmer e Km 3

• <b>Região Norte:</b> vilas Bilibio e Favarin

• <b>Região Leste:</b> vilas Canário, Bela Vista, Bürger e Churupa

“Nós escolhemos e estudamos essas áreas entre 2023 e o início de 2024, antes dos eventos extremos acontecerem”, ressalta a doutora em Geotecnia. A pedido da prefeitura, os pesquisadores do Lageolam também realizaram um mapeamento suplementar voluntário na Vila Santa Tereza (no bairro Chácara das Flores), após o local sofrer um processo de abatimento de terra.

O sucesso metodológico expandiu as fronteiras da pesquisa. A partir da próxima semana, a professora Andrea assume a coordenação do primeiro PMRR de Cachoeira do Sul, em parceria com o Governo Federal, com previsão de entrega para o próximo ano. “Antes, a metodologia focava apenas nos graus de risco ‘alto’ e ‘muito alto’. Agora, o Governo Federal incluiu também o risco ‘médio’. Vai dar muito mais trabalho para a equipe de acadêmicos, mas será um novo e interessante desafio”, destaca a geóloga.
<h3><b>O dilema da “teia social” e as soluções a longo prazo</b></h3>
Quando os mapas apontam uma residência em área de alto risco, a remoção das famílias parece ser a resposta imediata. Contudo, o PMRR adota uma diretriz humanizada: a retirada definitiva deve ser o último recurso.

“Evita-se ao máximo a remoção porque essas populações construíram uma ‘teia social’. Há uma relação profunda de vizinhança, o vínculo com o emprego, a escola dos filhos. A recomendação do plano, alinhada ao Governo Federal, é que as famílias permaneçam e o poder público faça obras de mitigação, como contenção de encostas e melhoria nas margens dos rios. A remoção definitiva só deve ocorrer quando há risco iminente à vida”, esclarece a coordenadora do PMRR.

Para além das ações emergenciais de curto prazo, o professor Daniel Allasia enfatiza que as cidades precisam implementar a drenagem urbana sustentável no longo prazo, através de um Plano Diretor de Drenagem Urbana. “Não se trata apenas de obras cinzas e estruturas rígidas de concreto. É preciso trabalhar junto com a vegetação e com a própria água, auxiliando a infiltrá-la no solo e a armazená-la. Isso não substitui os canais e reservatórios tradicionais, mas deixa as cidades muito mais resilientes.”
<h3><b>Baixa capacidade técnica e burocrática</b></h3>
Se a ciência desenvolve os mapas e a engenharia projeta as soluções, as cidades esbarram na engrenagem política de captação de recursos. A professora Andrea Nummer lembra que a prevenção climática exige proatividade e preparo burocrático das prefeituras. “Município e estado funcionam exatamente como uma universidade. Ninguém bate aqui na minha porta para me oferecer dinheiro”, desabafa a pesquisadora. “Aparece um edital público e eu tenho que estar com a minha proposta pronta, porque ele fica aberto por pouco tempo, às vezes apenas um mês”, completa.

Para Andrea, a falta de um corpo técnico qualificado na maioria das cidades pequenas para caçar esses editais e estruturar projetos complexos em tempo recorde é, atualmente, um dos grandes empecilhos para a prevenção de desastres no Estado. O El Niño traz a chuva, mas é a capacidade técnica, burocrática e social das cidades que dita o tamanho do seu impacto.

<i>Texto: Marina Brignol, estudante de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias</i>

<em>Arte gráfica da capa: Daniel De Carli</em>

<i>Edição: Lucas Casali</i>]]></content:encoded>
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				<title>Diretora do Arquivo Geral da UFSM participa de Palestra sobre a recuperação de acervos atingidos por inundações</title>
				<link>https://www.ufsm.br/orgaos-suplementares/dag/transdoc/2026/05/13/diretora-do-arquivo-geral-da-ufsm-participa-de-palestra-sobre-a-recuperacao-dos-arquivos-atingidos-por-inundacoes</link>
				<pubDate>Wed, 13 May 2026 18:06:40 +0000</pubDate>
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						<description><![CDATA[A Diretora do Arquivo Geral da UFSM, Débora Flores participou no dia 11 de maio de uma palestra online no âmbito do projeto &#8220;SESA On-Line&#8221; um projeto aberto e gratuito, com palestras, mesas-redondas ou entrevistas relacionadas às temáticas de Literacia, Tecnologia e Fazeres e Saberes em Arquivologia e Ciência da Informação a partir da propositura [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <img width="768" height="429" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/961/2026/05/Projeto_palestra_SESA-768x429.jpg" alt="" />													
		<p>A Diretora do Arquivo Geral da UFSM, Débora Flores participou no dia 11 de maio de uma palestra online no âmbito do projeto "SESA On-Line" um projeto aberto e gratuito, com palestras, mesas-redondas ou entrevistas relacionadas às temáticas de Literacia, Tecnologia e Fazeres e Saberes em Arquivologia e Ciência da Informação a partir da propositura de pesquisadores parceiros da rede. </p><p>Durante a palestra, a diretora relatou a experiência vivenciada na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) no mês de maio de 2024, durante a enchente que atingiu o arquivo permanente, bem como os desafios vivenciados desde então com o congelamento, dificuldades técnicas, inovações em pesquisa e desenvolvimento de projetos específicos para a área de arquivos.</p><p>Com sua experiência, trouxe para a discussão a situação dos acervos e a importância crescente da prevenção, considerando a perspectiva de mudanças climáticas cada vez mais preocupantes em diversas área do mundo.</p>		
			<h5>Confira a palestra:</h5>		
			<iframe width="560" height="315" src="https://www.youtube.com/embed/vYnXxFwPT0U?si=CFPNsTdImNt7YD0f" frameborder="0" allowfullscreen></iframe>]]></content:encoded>
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				<title>“Nós queremos trabalhar, mas a chuva não nos deixa”</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2026/04/29/nos-queremos-trabalhar-mas-a-chuva-nao-nos-deixa</link>
				<pubDate>Wed, 29 Apr 2026 18:08:00 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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						<description><![CDATA[Eventos climáticos extremos, falta de infraestrutura e dificuldades de acesso a políticas públicas aprofundam a vulnerabilidade da agricultura familiar
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <figure>
										<img width="1024" height="683" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/04/IC3A9654-1024x683.jpg" alt="Foto vertical colorida de Jussane e o marido, Júlio, em frente ao galpão da propriedade em que moram, ao lado do cão da família, um border collie com pelagem preta e branca. O casal sorri e veste roupas informais e curtas. Atrás deles, do lado esquerdo, um carro branco, e do lado direito, uma porteira feita de tábuas de madeira." />											<figcaption>Jussane Turri e o marido, Júlio, enfrentam os desafios do trabalho no campo, agravados pelos impactos climáticos e pela precariedade no acesso à propriedade.
</figcaption>
										</figure>
		<p>Era madrugada de 30 de abril de 2024 quando a agricultora Jussane Turri, de 46 anos, percebeu que aquela não era uma chuva comum. O barulho da água, mais forte e contínuo do que o habitual, anunciava o que viria nas horas seguintes. O rio que passa próximo a sua propriedade, no Distrito de Arroio Grande, no interior de Santa Maria, começou a subir rapidamente. Entre a noite do dia 29 e a madrugada do dia 30, cerca de 600 milímetros de chuva caíram sobre a região, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).</p><p>Tamanha foi a força da água que destruiu a ponte que liga a propriedade de Jussane ao bairro Camobi, isolando completamente a família. Sem acesso por estrada, eles permaneceram por cinco dias ilhados. “Das cinco pontes aqui da estrada Arroio Lobato, quatro foram levadas. A gente ficou sem acesso. Não tinha ponte nem para sair para a direita, nem para a esquerda", relembra a agricultora.  </p><p>Todas as semanas, desde 2017, a família Turri sai, ainda de madrugada, da sua propriedade rumo ao campus sede da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). No carro, levam os produtos preparados na pequena agroindústria de Arroio Grande e vendidos na banca Boutique da Colônia, presença constante na PoliFeira do Agricultor, projeto de extensão da universidade, onde comercializam os alimentos produzidos na propriedade.</p><p>Com as <a style="font-size: 1rem" href="https://www.ufsm.br/2025/05/29/catastrofe-climatica">enchentes de 2024</a>, a rotina de trabalho da família foi interrompida. Segundo Jussane, no mês de maio daquele ano, a família conseguiu participar apenas de cinco feiras, quando o habitual seriam cerca de 20 ao longo do mês. O impacto financeiro foi imediato. “Dá para se dizer que deu R$ 80 mil a 100 mil [de prejuízo]”, afirma. </p><p>Durante o Natal de 2025, quando ainda tentava se recuperar das perdas financeiras do ano anterior, a família insistiu em se reunir para celebrar as festas de fim de ano. Da cozinha, o cheiro do frango assado já se espalhava pela casa quando a chuva começou. Naquela noite, caíram 130 milímetros, de acordo com dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). “A gente estava com visitas aqui em casa e de repente se armou [a tempestade]. Veio aquela chuvarada do nada e entrou água na nossa casa de novo”, relata Jussane. Sem condições de circulação, familiares que passavam a data com eles precisaram deixar os carros e sair a pé pela propriedade, atravessando áreas de mata até encontrar um ponto onde pudessem seguir viagem.</p><p>Segundo nota enviada pela Prefeitura de Santa Maria à Agência de No´tícias da UFSM, há diversos projetos em andamento no Distrito de Arroio Grande, que incluem construção de pontes, contenção de margens de arroios, serviços de desassoreamento de arroios e sangas, além da manutenção de vias de solo exposto. Na Estrada de Arroio Lobato, foram construídas recentemente quatro passagens molhadas, com investimento aproximado de R$ 500 mil, por meio de recursos da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec) e do município. </p><p>Os eventos climáticos extremos vividos pela família Turri, deixaram de ser casos isolados há um bom tempo. Conforme o professor do Programa de Pós-Graduação em Extensão Rural Gustavo Pinto, as mudanças climáticas vêm afetando diretamente a capacidade produtiva da agricultura familiar, tanto do ponto de vista material quanto social. “As secas têm representado uma ameaça periódica e atingem muito mais pessoas. Já a enchente assusta, porque é mais localizada, mas também causa perdas severas”, explica. </p><p>De acordo com o pesquisador, os eventos extremos comprometem não apenas a produção, mas toda a lógica de funcionamento dessas propriedades. “Há um efeito físico, que é a perda de produção, a impossibilidade de uso da terra. Mas também há um efeito mais subjetivo, que é uma desconfiança em relação ao futuro. O agricultor já começa um ciclo pensando que pode não dar certo”, contextualiza.</p><p>No Rio Grande do Sul, o histórico recente mostra a intensificação dos extremos climáticos. Entre os anos de 2020 e 2023, o estado enfrentou períodos prolongados de estiagem, associados ao fenômeno La Niña – caracterizado pelo resfriamento das águas do Oceano Pacífico –, que costuma reduzir as chuvas no Sul do Brasil, provocando prejuízos significativos. Na sequência, entre junho de 2023 e junho de 2024, o cenário se inverteu, 929 eventos de precipitação extrema foram registrados, sendo cerca de 70% concentrados em 2024, o que também comprometeu o cultivo e a colheita.</p><p>Os meses de abril e maio de 2024 consolidaram esse quadro ao registrarem os maiores volumes de chuva da história do estado, com acumulados muito acima das médias em grande parte dos municípios. O resultado foi a pior catástrofe meteorológica já registrada no Rio Grande do Sul e uma das mais severas do país. De acordo com o Sistema de Levantamento de Perdas (Sisperdas) da Emater/Ascar, 206.604 propriedades rurais foram atingidas, direta ou indiretamente pela catástrofe.</p><p>Esse cenário de extremos sucessivos impacta de forma desigual os diferentes modelos de produção agrícola. No caso da agricultura familiar, os efeitos tendem a ser mais imediatos e profundos. “Quando a gente fala de cadeias curtas, como é o caso de quem vende direto na feira, qualquer interrupção já significa perda de renda”, explica Gustavo Pinto. “Se uma ponte cai, por exemplo, esse agricultor não consegue sair para vender. E, diferente de grandes produtores, ele não tem margem de tempo nem escala para absorver esse impacto”, complementa. </p>		
										<figure>
										<img width="1024" height="683" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/04/IC3A9688-2-1024x683.jpg" alt="Foto horizontal colorida horizontal de Jussane caminhando sobre passagem molhada construída após enchentes. A agricultura está de costas e andando em direção a propriedade em que mora. Atrás dela, o cachorro border collie. A estrutura retangular e cimentada tem como base uma rede de grandes dutos redondos. O arroio está com pouca água." />											<figcaption>A agricultora Jussane caminha sobre a ponte temporária construída pela prefeitura na estrada Arroio Lobato.</figcaption>
										</figure>
													<img width="1024" height="576" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/04/Credito-rural-ignora-nova-realidade-climatica-1024x576.jpg" alt="Gráfico colorido horizontal da distribuição do recurso do Plano Safra. Ao centro, um gráfico pizza, com destaque para 47% em verde, que sinaliza o valor para criação de bovinos e para plantação de soja; em vermelho 13,9% valor da agricultura familiar. Do lado direito, a figura de um agricultura em uma hora. E do lado esquerdo, um boi. No canto direito inferior, as marcas da Coordenadoria de Comunicação e da Agência de Notícias" />													
		<h3><b>Crédito rural ignora nova realidade climática</b></h3>
<p>A especialista Melissa Volpato Curi, advogada e pesquisadora da área socioambiental, com atuação no Ministério dos Povos Indígenas, afirma que o país estruturou, ao longo de décadas, um modelo de desenvolvimento rural voltado prioritariamente à produtividade e à expansão do agronegócio, deixando os pequenos produtores à margem das políticas de incentivo. “O crédito rural foi historicamente concebido para estimular a produção, e não para lidar com os riscos climáticos crescentes”, explica.</p>
<p>No Brasil, os principais instrumentos de apoio financeiro à agricultura familiar estão concentrados no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), que reúne diferentes linhas de crédito voltadas ao custeio, investimento e comercialização da produção. Em 30 anos, a pecuária bovina e os campos de soja consumiram 47% dos recursos do programa, o equivalente a R$ 240,5 bilhões. O levantamento foi feito pelo site <a href="https://ojoioeotrigo.com.br/2026/04/30-anos-pronaf-boi-e-soja-consumiram-47-recursos/" target="_blank">O Joio e o Trigo</a>, a partir dos microdados disponíveis no site do Banco Central (Bacen) em fevereiro de 2026. Já a agricultura familiar recebeu, no mesmo período, o equivalente, a 13,9%. Com taxas de juros subsidiadas que variam entre 0,5% e 8% ao ano, o programa busca facilitar o acesso de pequenos produtores a recursos para manutenção e ampliação das atividades.</p>
<p>Porém, Jussane relata que, após os prejuízos causados pelas enchentes, tentou acessar linhas de financiamento, mas não conseguiu avançar por conta das exigências burocráticas. “Se tu tá com o nome negativado, tu não consegue. Só que, se tu tá pedindo crédito, é porque tu tá precisando”, conta. Sem o apoio do governo, a agricultora precisou recorrer a empréstimos pessoais para poder quitar suas dívidas. </p>		
										<figure>
										<img width="1024" height="683" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/04/IC3A9479-1024x683.jpg" alt="Foto horizontal colorida horizontal de ovos iluminados pelo equipamento chamado ovoscópio, enquanto uma mão seleciona unidades durante a inspeção de qualidade na agroindústria familiar." />											<figcaption>Ovos produzidos na propriedade passam por inspeção no ovoscópio, equipamento utilizado para identificar alterações e garantir a qualidade antes da venda.</figcaption>
										</figure>
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										<img width="1024" height="683" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/04/IC3A9468-1024x683.jpg" alt="Foto horizontal colorida horizontal de trabalhador organizando bandejas de ovos em câmara refrigerada da propriedade, etapa de armazenamento e preparo para comercialização." />											<figcaption>Trabalhador da agroindústria no distrito de Arroio Grande seleciona unidades que já foram inspecionadas por equipamento</figcaption>
										</figure>
		<h3><strong>Quem vai ficar no campo?</strong></h3><p>Visitamos a propriedade de Jussane numa atarefada tarde de 6 de abril. Nós a encontramos em um contêiner usado para limpeza e embalo dos ovos produzidos no sistema de <a href="https://www.ufsm.br/2023/02/01/projeto-de-criacao-de-galinhas-livres-de-gaiolas-conta-com-uma-nova-casa-do-ovo">galinhas livres de gaiolas</a>. Enquanto trabalhava, a agricultora explicou o processo: após a coleta, os ovos são limpos manualmente, com um pano, para retirar resíduos de sujeira, e depois passam pelo ovoscópio - equipamento que, por meio de uma luz amarelada intensa, permite identificar se há alterações, como ovos impróprios para consumo. Depois de nos mostrar a propriedade, cercada por morros com grandes árvores, a agricultora nos conduziu até a frente de um dos galpões da família, onde, entre uma tarefa e outra, começou a contar sua história. </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">Nascida em Rodeio Bonito, no noroeste gaúcho, Jussane é filha de pequenos produtores rurais e cresceu acompanhando de perto a rotina da produção familiar no campo. Anos depois, já em Santa Maria, para onde se mudou ainda jovem, construiu sua própria trajetória ao lado do marido, Júlio Turri. Juntos, os dois adquiriram a propriedade onde vivem até hoje. “Aqui a gente começou com um tambo de leite. Como lá os meus pais já tinham essa atividade, nós quisemos manter o que eles faziam”, lembra. </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">Aos poucos, a produção foi se estruturando e ganhando escala. “A gente chegou a tirar leite de 105 vacas aqui na propriedade. Foi uma época bem promissora”, conta. Com o passar dos anos, a família diversificou as atividades e investiu na agroindústria e na produção de ovos, agregando valor à produção. O leite e outros insumos começaram a ser transformados em queijos, iogurtes e uma variedade de alimentos vendidos diretamente ao consumidor. </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">Assim como seguiu os passos dos pais na agricultura, Jussane imaginava que o filho daria continuidade ao trabalho da família. Entretanto, essa não será a realidade. “Eu não vou ter sucessão aqui”, relata, ao revelar que o filho não pretende permanecer no campo. </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">Segundo o professor da UFSM, José Marcos Froehlich, a saída de jovens da agricultura familiar continua significativa e já compromete a produção social dessas propriedades. “Não é mais um problema somente de renda, é um fenômeno multidimensional”, afirma. </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">De acordo com o pesquisador, fatores como a dificuldade de acesso a políticas públicas, a precariedade da infraestrutura, como estradas e mobilidade influenciam diretamente essa decisão. Para compreender melhor esse cenário, Froehlich desenvolve um estudo em parceria com a Federação dos Trabalhadores da Agricultura (Fetag-RS) e a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), que busca investigar como jovens rurais do Rio Grande do Sul estão lidando com essas transformações. A pesquisa, inicialmente focada na região central do estado, pretende identificar se as políticas existentes atendem às demandas dessa população ou se há falhas no acesso, além de analisar de que forma as mudanças climáticas têm impactado a decisão de permanecer ou ficar no campo.</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">No dia seguinte à visita da reportagem à propriedade de Jussane, em 7 de abril, uma terça-feira, a agricultora ficou impossibilitada de participar da PoliFeira do Agricultor, realizada na Avenida Roraima, após o alagamento da ponte molhada que dá acesso à estrada. Naquele dia, Santa Maria registrou 88 milímetros de chuva provocados por um ciclone extratropical, segundo dados do Inmet. </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"><i>Texto: João Victor Souza, estudante de jornalismo e estagiário da Agência de Notícias</i></p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"><i>Fotos: Jessica Mocelin, estudante de jornalismo e bolsista da Agência de Notícias</i></p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"><i>Arte Gráfica: Daniel Michelon De Carli, designer </i></p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"><i>Edição: Maurício Dias, jornalista</i></p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>GEOMA leva estudos sobre solos, encostas e ensino para conferências nacionais</title>
				<link>https://www.ufsm.br/unidades-universitarias/ct/2025/11/24/geoma-leva-estudos-sobre-solos-encostas-e-ensino-para-conferencias-nacionais</link>
				<pubDate>Mon, 24 Nov 2025 19:46:25 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[enchentes]]></category>
		<category><![CDATA[Encostas]]></category>
		<category><![CDATA[Engenharia Civil]]></category>
		<category><![CDATA[GEOMA]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/unidades-universitarias/ct/?p=7532</guid>
						<description><![CDATA[Entre 17 e 22 de novembro, grupo do CT-UFSM apresentou artigos técnicos de seus integrantes no XIV GEOSUL e na IX COBRAE.]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph /-->

<!-- wp:paragraph -->
<p>O <a href="https://www.ufsm.br/cursos/pos-graduacao/santa-maria/ppgec/geoma-grupo-de-pesquisa-geotecnia-e-meio-ambiente"><em><strong>Grupo de Pesquisa Geotecnia e Meio Ambiente (GEOMA)</strong></em></a> apresentou dois artigos técnicos desenvolvidos por seus integrantes no <a href="https://www.cobrae.com.br/"><em><strong>XIV GEOSUL</strong></em></a> (XIV Simpósio de Prática de Engenharia Geotécnica da Região Sul), e cinco artigos na <a href="https://www.cobrae.com.br/"><em><strong>COBRAE</strong></em></a> (IX Conferência Brasileira sobre Estabilidade de Encosta). Trata-se de dois dos principais eventos acadêmicos da área: O GEOSUL ocorre a cada dois anos e a COBRAE, a cada quatro anos. O grupo desenvolve atividades de ensino, pesquisa e extensão com foco na engenharia e no meio Ambiente e atua nos cursos de graduação e pós-graduação de Engenharia Civil, Engenharia Ambiental, Engenharia Florestal e Geografia.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>O evento conjunto COBRAE/GEOSUL 2025 aconteceu de 17 a 22 de novembro de 2025, em Garibaldi. O encontro reuniu especialistas, pesquisadores e profissionais para discutir temas ligados à estabilidade de encostas, gerenciamento de riscos geotécnicos, reconstrução pós-desastres e recuperação de infraestruturas afetadas por eventos climáticos. A programação incluiu minicursos, seminários, apresentação de artigos e relatos de casos, além de duas visitas técnicas a áreas atingidas por deslizamentos na enchente de maio de 2024.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:image {"id":7533,"sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image size-large"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/375/2025/11/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-11-24-as-13.30.33_0e318604-768x1024.jpg" alt="" class="wp-image-7533" /><figcaption class="wp-element-caption">Prof. Dr. Magnos Baroni, Deison Konzen , Dra. Paula Pascoal, Laura Tassinari e Lucas Eduardo Dornelles (Foto: Acervo GEOMA)</figcaption></figure>
<!-- /wp:image -->

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<p>A participação do GEOMA nos eventos reforça a relevância do grupo na pesquisa geotécnica e ambiental, destacando estudos voltados à estabilidade de encostas, comportamento de solos e inovação no ensino. As contribuições apresentadas mostram o compromisso da UFSM em desenvolver soluções para desafios atuais, especialmente diante do aumento de eventos climáticos extremos e da necessidade de infraestruturas mais seguras e sustentáveis. Confira a seguir os trabalhos apresentados pelo GEOMA nos eventos:</p>
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<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Artigos apresentados no XIV GEOSUL</strong></p>
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<p>Os artigos apresentados pelo GEOMA, no XIV GEOSUL, são: “Comportamento Resiliente de um Solo Laterítico Estabilizado com Ácido Fosfórico e Cinza da Casca de Arroz”, produzidos por Lucas Eduardo Dornelles, Paula Pascoal, Deison Konzen, Laura Tassinari e Magnos Baroni; e o artigo “Impacto de Eventos Extremos no Desempenho de Camadas de Solos Compactados em Pavimentos Rodoviários”, produzido por Luiz Henrique Ferrador Ben, Artur Baratto, Paula Pascoal, Magnos Baroni e Luciano Specht.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

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<p>A pesquisa “Comportamento Resiliente de um Solo Laterítico Estabilizado com Ácido Fosfórico e Cinza da Casca de Arroz” avalia a melhoria de um solo laterítico de Cruz Alta/RS por meio da adição de cinza de casca de arroz (CCA) e ácido fosfórico (H₃PO₄), alternativas mais sustentáveis ao cimento e à cal. Já a pesquisa “Impacto de Eventos Extremos no Desempenho de Camadas de Solos Compactados em Pavimentos Rodoviários” analisa como a variação de umidade após a compactação do solo afeta o desempenho estrutural de pavimentos flexíveis, diante do aumento de eventos climáticos extremos.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:image {"id":7534,"sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image size-large"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/375/2025/11/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-11-24-as-13.30.33_406e0198-1024x768.jpg" alt="" class="wp-image-7534" /><figcaption class="wp-element-caption">Participantes do GEOMA que apresentaram no evento (Foto: Acervo GEOMA)</figcaption></figure>
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<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Artigos apresentados na IX COBRAE</strong></p>
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<p>O artigo “<strong>Altura Crítica de Aterros sobre Solos Moles: Análise Comparativa entre Métodos Clássicos e Simulações Numéricas</strong>”, produzido por Dêreck Hummel Becher, José dos Santos, Leonardo Nascimento e Magnos Baroni, analisa a altura crítica de aterros sobre solos moles, comparando métodos empíricos e modelagem numérica.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A pesquisa “<strong>Probabilistic Assessment of Slope Stability Considering Uncertainties in Geotechnical Engineering</strong>” (Avaliação probabilística da estabilidade de taludes considerando incertezas em engenharia geotécnica), com autoria de Patrícia Rodrigues Falcão, Mariana Cirolini, Luiz Henrique Ferrador Ben e Magnos Baroni, analisa a confiabilidade da estabilidade de taludes de 5, 10 e 15 metros, em solos argilosos e arenosos, usando análises determinísticas e probabilísticas. O trabalho reforça a importância de considerar tanto o tipo de solo quanto a geometria do talude em avaliações de estabilidade.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>O estudo “<strong>Além do Fator de Segurança: Investigação sobre a Influência das Variabilidades Inerentes à Estabilidade de Taludes</strong>”, produzido por Angelo Dotto Ragagnin Prior, Enzo Borin, Kauan Itau, Patricia Falcão e Magnos Baroni, traz uma análise de diferentes métodos de Equilíbrio Limite no software Slide, comparando superfícies de ruptura e fatores de segurança, além de avaliar a confiabilidade por técnicas probabilísticas como Monte Carlo, FOSM e Hipercubo Latino.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>O artigo “<strong>Estudo Numérico da Estabilidade de Encostas sob Projeções Futuras de Chuvas Extremas sem Taludes Representativos no Sul do Brasil</strong>”, com os autores Leonardo Alberto Nascimento, Luigi Tavares, Dêreck Becher, Artur Modler e Magnos Baroni, faz uma análise por meio de modelagem numérica, como chuvas intensas afetam a estabilidade de encostas típicas da região central do Rio Grande do Sul.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>O estudo “<strong>Gamificação na Engenharia Geotécnica: Estudo de Caso Aplicado ao Ensino de Mecânica dos Solos</strong>”, produzido por Lucas Eduardo Dornelles e Magnos Baroni, realiza uma análise sobre a aplicação da gamificação na disciplina de Mecânica dos Solos da UFSM, usando o Kahoot como ferramenta para revisões interativas. A experiência foi avaliada por alunos e pelo professor, que destacaram maior engajamento e eficácia na fixação dos conteúdos.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

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<!-- wp:image {"id":7535,"sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image size-large"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/375/2025/11/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-11-24-as-13.31.08_28aaa141-819x1024.jpg" alt="" class="wp-image-7535" /><figcaption class="wp-element-caption">Patricia Falcão apresentando sua pesquisa (Foto: Acervo GEOMA)</figcaption></figure>
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<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity" />
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<p><em>Texto por Emmanuelly Zini, acadêmica de jornalismo, com supervisão da Subdivisão de Comunicação do CT/UFSM<br /></em><em>Fotos: Acervo GEOMA<br /></em><em>Quer divulgar suas ações, pesquisas, projetos ou eventos no site? </em><a href="https://www.ufsm.br/unidades-universitarias/ct/servicos"><em><strong>Acesse os serviços de Comunicação do CT-UFSM</strong></em></a><em>!</em> <em>Siga o CT nas redes sociais: </em><a href="https://www.facebook.com/ctufsm"><em><strong>Facebook</strong></em></a><em> e </em><a href="https://www.instagram.com/ctufsm/"><em><strong>Instagram</strong></em></a><em>!</em></p>

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													</item>
						<item>
				<title>#CTnaReconstrução: da solidariedade à engenharia preventiva para um novo futuro</title>
				<link>https://www.ufsm.br/unidades-universitarias/ct/2025/06/06/ctnareconstrucao-da-solidariedade-a-engenharia-preventiva-para-um-novo-futuro</link>
				<pubDate>Fri, 06 Jun 2025 12:12:57 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Departamento de Estruturas de Engenharia Civil]]></category>
		<category><![CDATA[Departamento de Transporte]]></category>
		<category><![CDATA[Direção]]></category>
		<category><![CDATA[enchentes]]></category>
		<category><![CDATA[Engenharia Civil]]></category>
		<category><![CDATA[Engenharia Elétrica]]></category>
		<category><![CDATA[INRI]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/unidades-universitarias/ct/?p=6840</guid>
						<description><![CDATA[Na quarta e última reportagem da série sobre as ações do CT-UFSM nas enchentes do ano passado, conheça os projetos do Centro destinados a prevenir novos desastres]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p>Você se lembra do que estava fazendo há um ano atrás, quando o Rio Grande do Sul enfrentava a maior catástrofe climática de sua história? A Subdivisão de Comunicação preparou uma série de reportagens intitulada #CTnaReconstrução, na qual você vai relembrar ou conhecer os projetos, servidores e estudantes do CT que atuaram na linha de frente, seja com iniciativas de apoio imediato à população, seja com projetos de recuperação e prevenção a médio e longo prazo de áreas atingidas pela tragédia climática no RS. Na quarta e última reportagem, destacamos como a ciência produzida pelos pesquisadores e especialistas do CT auxiliaram na emergência e apontam formas de prevenir danos futuros.</p>
<p>O diretor do Centro de Tecnologia, professor Tiago Marchesan, ao comentar as ações realizadas pela Unidade durante as enchentes, relembra que, em situações de tragédia, a primeira medida essencial é acolher. E foi justamente o que fez a comunidade acadêmica: professores, técnicos e estudantes organizaram mutirões para limpeza de casas, arrecadação de alimentos, de utensílios domésticos e construção de móveis para doação. Em meio aos primeiros momentos de acolhimento, a formação técnica e científica dos estudantes e docentes foi colocada em prática: professores especialistas em geotecnia foram chamados para ações cruciais como vistoriar áreas de risco em morros de Santa Maria e Quarta Colônia e avaliar a segurança de permanência dos moradores. </p>
<p>Depois, com a situação emergencial amenizada, o foco dos pesquisadores começou a se voltar para a engenharia preventiva. Projetos que refletem sobre o impacto das chuvas nas estruturas urbanas e na sociedade ganharam espaço e protagonismo em função da emergência - desde projetos de simulação de fluxos hídricos e avaliação de regimes pluviais até outros que buscam o desenvolvimento de soluções urbanísticas para áreas alagadas. As atividades de pesquisa envolveram todos os cursos do CT — desde Engenharia Ambiental e Sanitária até Ciência da Computação, Arquitetura e Urbanismo e Engenharia Civil.</p>
<p>Ao longo do último ano, o CT, além de ter organizado encontros próprios, que serviram de base para articulações com prefeituras, Defesa Civil e outras universidades, também participou de eventos e seminários que abordaram o tema. Um deles foi o <a href="https://ufsm.br/r-375-5099"><b><i>Santa Summit</i></b></a> - encontro realizado pela Agência de Desenvolvimento de Santa Maria, Sebrae, Inova Centro e Prefeitura Municipal de Santa Maria que reuniu setores privados e instituições públicas em junho do ano passado, no distrito criativo de Santa Maria, para discutir e pensar ações e projetos colaborativos para reconstruir e impulsionar a região central do Rio Grande do Sul. </p>		
			<h3>Especialistas a campo na emergência</h3>		
		<p>A atuação da universidade durante e após a tragédia também se deu no acompanhamento técnico das áreas atingidas. Professores e pesquisadores do Centro de Tecnologia, com experiência em diferentes áreas da engenharia, se mobilizaram de forma voluntária para atender demandas das prefeituras e da Defesa Civil, principalmente no interior do estado.</p>
<p>O professor Magnos Baroni, docente do Departamento de Transportes e especialista em Geotecnia, foi um dos que estiveram diretamente envolvidos nesse trabalho. Atuando com infraestrutura de contenção, fundações e estabilidade de encostas, Baroni explica que a dinâmica do desastre na região central do estado foi muito rápida, em função da geografia local: “Santa Maria e arredores são regiões com muitos morros e pequenas bacias hidrográficas. A velocidade das águas foi muito grande e grandes quantidades de água desceram pelos morros muito rapidamente, elevando os rios de forma absurda”, relata.</p>
<p>Após a enchente, as prefeituras passaram a lidar com outro problema: avaliar a segurança de áreas de risco e decidir se as famílias poderiam ou não retornar para suas casas. Segundo Baroni, muitas Defesas Civis municipais não tinham profissionais especializados para fazer esse tipo de vistoria. “O cargo de Defesa Civil é obrigatório, mas nem sempre quem ocupa o cargo tem a expertise necessária. E aí eles ficaram perdidos, sem saber se liberavam ou não as casas, se o terreno tinha estabilidade, se podia voltar ou não”, conta.</p>
<p>Sem pessoal técnico suficiente, as Defesas Civis locais recorreram à Defesa Civil estadual, que também estava sobrecarregada com a situação em Porto Alegre e no estado. Foi nesse contexto que docentes e pesquisadores da UFSM começaram a ser chamados. “Por nome, o pessoal sabia que existiam especialistas aqui. Então entravam em contato, perguntavam se podiam passar meu contato, se podiam indicar alguém. E a gente foi ajudando como dava”, lembra.</p>
<p>A logística das vistorias, na maioria das vezes, foi organizada de forma improvisada e voluntária. “A gente usava carro próprio pra chegar até as cidades e lá pegava os veículos da prefeitura. A universidade até disponibilizou caminhonetes, mas era difícil conseguir motorista e deslocamento oficial. Então, quase tudo foi na base da boa vontade mesmo”, comenta.</p>		
								<figure><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/375/2025/06/163c1412-e6be-4c97-85d9-e206fce35dbb-768x550.jpg" alt="Auxílio aos" /><figcaption>Auxílio aos</figcaption></figure><figure><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/375/2025/06/2a3ef70d-18d1-4345-907c-7c74c9089d9e-768x576.jpg" alt="técnicos da" /><figcaption>técnicos da</figcaption></figure><figure><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/375/2025/06/dd7902f9-73cd-46dd-bc6f-4f1ac461c58f-768x576.jpg" alt="da Defesa Civil" /><figcaption>da Defesa Civil</figcaption></figure><figure><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/375/2025/06/6-768x576.jpg" alt="de Imigrante (fotos: arquivo Magnos Baroni)" /><figcaption>de Imigrante (fotos: arquivo Magnos Baroni)</figcaption></figure><figure><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/375/2025/06/04a8ec4a-8d09-4383-a919-465ed0b35443-768x576.jpg" alt="Auxílio aos" /><figcaption>Auxílio aos</figcaption></figure><figure><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/375/2025/06/0a77f943-aa8d-463d-a019-e2d519f2e163-768x576.jpg" alt="técnicos da" /><figcaption>técnicos da</figcaption></figure><figure><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/375/2025/06/1-768x576.jpg" alt="Defesa Civil" /><figcaption>Defesa Civil </figcaption></figure><figure><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/375/2025/06/35ec0268-cfce-44b7-b4e4-ba7911837d17-768x576.jpg" alt="de Imigrante (fotos: arquivo Magnos Baroni)" /><figcaption>de Imigrante (fotos: arquivo Magnos Baroni)</figcaption></figure>			
		<p>O grupo de atuação incluía, além de Baroni, os professores Daniel Allasia, Rutinéia Tassi e João Francisco Horn, todos ligados ao Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental e especialistas na área de recursos hídricos e geotecnia. Os trabalhos de campo foram realizados em diferentes cidades da região central, com avaliações de áreas afetadas, orientações para as Defesas Civis municipais e, sobretudo, conversas com a população, para explicar os riscos e a necessidade de desocupação de determinadas áreas. “A gente precisava conversar com as famílias, mostrar por que precisavam sair de casa, explicar os motivos técnicos e tranquilizar as pessoas também”, afirma Magnos.</p><p>Além das ações realizadas junto à Defesa Civil, os professores participaram de algumas atividades com os especialistas da área de estruturas, especialmente voltadas para a questão de infraestrutura viária, fundações e pontes. A situação climática exigiu, naturalmente, um trabalho multidisciplinar, com profissionais de diversas áreas técnicas. Magnos destaca que no entanto, o início dos atendimentos eram muito desalinhados: “quem podia ajudar, pegava o carro e ia até o local. Essa foi a realidade do primeiro momento, onde a urgência determinava a forma de atuação.” destaca o professor. </p><p>A experiência prática nunca deixou de estar alinhada ao compromisso teórico e científico dos docentes, como se evidencia no artigo “<em><strong><a href="https://www.scielo.br/j/rbrh/a/pZSKfKmv5dmyBWZRhpLv5zF/?format=pdf&amp;lang=en">O desastre hidrológico excepcional de abril-maio de 2024 no sul do Brasil</a></strong></em>”, publicado pela Revista Brasileira de Recursos Hídricos. O estudo, dimensionou, com dados técnicos e oficiais, a extensão do desastre hidrológico de 2024 no estado. O professor Daniel Allasia representou a UFSM ao lado de pesquisadores da UFRGS, da Univates, do Serviço Geológico do Brasil, da UFPEL e da FURG.</p>https://www.youtube.com/watch?v=gEiuJYJjots		
			<h3>Diagnóstico dos danos e apoio às prefeituras</h3>		
		<p>Após as ações emergenciais, as prefeituras precisaram elaborar planos de trabalho para cadastramento oficial dos danos junto aos governos estadual e federal. Esse cadastro era necessário para viabilizar os recursos emergenciais, que seriam repassados via Defesa Civil. Nesse contexto, os especialistas voltaram a campo, mas não mais para avaliação de áreas de risco, e sim para realizar levantamentos técnicos: analisar e medir pontes destruídas, avaliar alternativas de solução e estimar valores de obra.</p><p>Os docentes relatam que muitas prefeituras não dispunham de toda a capacidade técnica necessária para fazer esse tipo de levantamento, especialmente em relação a encostas e deslizamentos. Em Santa Maria, por exemplo, os docentes e discentes atuaram na região da Estrada do Perau. Juntamente com a prefeitura, foi elaborado um anteprojeto e um plano de trabalho completo, que viabilizou a destinação de cerca de R$ 6 milhões em recursos. Esse apoio foi prestado de forma gratuita pela Universidade e reforçou o compromisso da UFSM com a comunidade. O valor foi liberado recentemente e atualmente a prefeitura dá andamento aos projetos executivos.</p><p>Ações semelhantes também aconteceram em outras cidades, como São Pedro do Sul e Candelária, especialmente em relação a pontes e acessos interrompidos. Em muitos casos, o grupo foi responsável pela vistoria, diagnóstico técnico e proposição preliminar de soluções.</p><p>Durante essas atividades, Magnos contou com o apoio de integrantes do <em><strong><a href="https://www.ufsm.br/grupos/geoma">GEOMA — Grupo de Pesquisa Geotecnia e Meio Ambiente</a></strong></em>. O grupo reúne discentes de graduação, mestrado e doutorado, mas boa parte dos que foram a campo com o docente são engenheiros civis formados, em processo de qualificação acadêmica. Baroni ressalta: “muitas vezes se usa o termo “aluno”, e a impressão que fica é que a universidade está deslocando estudantes em formação inicial para ações de grande responsabilidade técnica. Na prática, esses profissionais têm formação superior e atuam justamente na área dos problemas enfrentados”.</p><p>Em paralelo, outro grupo da UFSM, liderado pelo professor Rinaldo Jose Barbosa Pinheiro e composto por professores e estudantes da Geografia e Geologia, também atuou fortemente na região, especialmente em áreas como Silveira Martins e Júlio de Castilhos. Assim, havia dois grandes núcleos de trabalho geotécnico, que se dividiram para atender a demanda regional.</p><p>Magnos conta que o trabalho de campo sempre foi algo recorrente para o grupo de pesquisa, mas a magnitude das enchentes e a intensidade das atividades trouxeram uma experiência inédita. “Costumamos dizer que no GEOMA é difícil separar onde termina o ensino, onde começa a pesquisa e onde entra a extensão. Muitos pensam a extensão como um trabalho social mais elementar — como ensinar uma comunidade a construir um muro ou rebocar uma parede — mas, para nós, a extensão também é ir até uma encosta, monitorar o talude e contribuir para a segurança de uma rodovia, gerando impacto direto na vida da população.”</p>		
			<h2>Orientações práticas para situações inesperadas
</h2>		
		<p>Desde 2009, o trabalho do professor Leandro Michels, do Departamento de Processamento de Energia Elétrica, é focado em sistemas fotovoltaicos e na pesquisa aplicada à energia solar. Leandro é coordenador do laboratório do <a href="https://iemufsm.com.br/">Instituto de Energia e Mobilidade</a> (IEM, antigo INRI). Por meio do trabalho dos pesquisadores desenvolvido neste laboratório, a UFSM se tornou referência nacional no desenvolvimento e certificação de inversores fotovoltaicos, dispositivos essenciais para a conversão e segurança dos sistemas solares.</p><p>Quando as enchentes afetaram a região metropolitana, provocando alagamentos em residências com sistemas fotovoltaicos instalados, surgiram preocupações sobre os riscos de choque elétrico e sobre como proceder diante da situação inesperada de equipamentos submersos. O professor conta que, como esses equipamentos não foram projetados para operar imersos em água, sua equipe atuou para fornecer orientações técnicas essenciais ao governo e aos profissionais do setor, a fim de aumentar a segurança nas operações. Sua atuação, então, foi no sentido de aconselhar tecnicamente os órgãos de controle, como o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA), que o convidou para fazer palestras com orientações técnicas que pudessem ser difundidas entre os profissionais do setor elétrico.</p><p>O trabalho foi desenvolvido em equipe, com participação do professor Lucas Bellinaso e estudantes de doutorado do Laboratório de Ensaios Fotovoltaicos, que realizaram experimentos para entender melhor o problema e auxiliar no desenvolvimento de guias práticos. Leandro enfatiza que a atuação teve caráter voluntário e foi organizada dentro de um projeto de extensão da UFSM, buscando dar suporte técnico e prático em um momento de crise.</p><p>A receptividade das ações ficou evidente pela grande audiência das palestras: um dos vídeos alcançou 23 mil visualizações e contou com mais de mil pessoas assistindo simultaneamente, interagindo e tirando dúvidas. O professor destaca que, em eventos do setor, muitas empresas e técnicos relataram que adotaram suas recomendações para a recuperação dos sistemas afetados, e que muitas pessoas usaram as suas orientações como base para agir na recuperação e para evitar riscos nos sistemas alagados.</p><p>No aspecto acadêmico, embora a segurança já fosse um tema presente, o episódio reforçou a discussão teórica sobre a importância de planejar a instalação dos sistemas em locais adequados, longe de áreas sujeitas a inundações. Leandro explica que, dada a natureza dos equipamentos, “assim como aviões não são feitos para voar debaixo d’água”, não é viável projetá-los para funcionar submersos. Por isso, a principal lição foi a atenção à escolha dos locais de instalação dos equipamentos, para garantir segurança e durabilidade. Ele destaca que agora as pessoas estão mais preocupadas em evitar instalar fotovoltaicos em locais que possam ficar sujeitos a alagamentos, o que representa uma mudança importante no setor.</p><p>Leandro ressalta que a segurança elétrica é uma preocupação central em sua atuação, especialmente para proteger usuários e técnicos contra riscos de choque elétrico e incêndio. Ele explica que, além das pesquisas e palestras, sua equipe colaborou diretamente com órgãos reguladores como o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (INMETRO) para aprimorar normas técnicas e garantir maior segurança na operação dos sistemas.</p><p>Por fim, o professor salienta o caráter institucional do trabalho desenvolvido, que envolveu o conhecimento técnico e a infraestrutura do IEM da UFSM, além do esforço conjunto de pesquisadores e  estudantes em um momento de crise. O objetivo de minimizar danos e orientar a população e os profissionais para a reconstrução segura das instalações elétricas foi alcançado. Para ele, foi uma ação voluntária e institucional, feita com o conhecimento técnico da UFSM, que colaborou num momento tão complicado, ajudando a população e os profissionais a agir com segurança e responsabilidade.</p>https://www.youtube.com/live/xSkGoK44uBM?feature=shared		
			<h2>Balanço da Direção do CT um ano após as enchentes
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		<p>A direção do Centro de Tecnologia, representada pelo professor Tiago Marchesan, fez, a convite da reportagem, um balanço da atuação da unidade em função das enchentes ao longo do último ano. Para ele, o compromisso social da instituição ficou patente: “Sempre que a comunidade chama, a gente não diz não. Eu sempre procuro ser dinâmico, montar rapidamente uma rede de contatos dentro e fora da universidade, e todos atendem. É bonito ver o quanto as pessoas se colocam à disposição”, enfatiza Marchesan. Para o diretor, esse engajamento coletivo faz do CT um espaço de ciência, pesquisa e — acima de tudo — solidariedade. “A gente se junta e ajuda. Esse é o espírito que nos move: contribuir com soluções técnicas, mas também com a mão estendida na hora mais difícil.”</p><p> “Eu tenho uma teoria de que o ser humano só é completo se ele consegue vivenciar tudo que a cidade, onde ele vive, é capaz de proporcionar”, defende. Segundo ele, ao participar de ações sociais, projetos de pesquisa, atividades de extensão e da própria sala de aula, os estudantes ampliam sua visão de mundo e desenvolvem habilidades que vão além do conteúdo técnico. “Se você não vivencia todas as disparidades e diversidades da sociedade, você vive numa agulha. E não é legal viver numa agulha. A única forma de expandir seu conhecimento e sua visão de mundo é vivenciando o mundo”, completa.</p><p>Situações como a enchente que afetou o Rio Grande do Sul em maio de 2024 deixam aprendizados profundos não só quanto à necessidade de colaboração, mas também quanto à urgência de repensar o modelo de ocupação urbana e a relação com o meio ambiente. “Você pode ser um cientista super reconhecido, mas vai ter que ajudar a pessoa a tirar lama de dentro de casa. Isso é viver a integridade da vida”, resume.</p><p>O professor destaca que os especialistas do CT contribuíram com seu conhecimento na formulação de diretrizes técnicas para a reconstrução de pontes no estado. Atualmente, há exigência de estudos hidrológicos antes da elaboração dos projetos. “Toda prefeitura que precisa de um projeto de ponte é obrigada a fazer estudo de regime pluvial da região para definir altura e vão. E isso tem colaboração direta da UFSM, com o Escritório Modelo, com a Ambiental e Sanitária, Civil”, relata.</p><p>Um ano após a tragédia, o professor avalia que o principal desafio é evitar que o episódio caia no esquecimento. “O ser humano esquece rápido. Cabe à universidade relembrar. Relembrar que nós vamos ter que, na beira dos rios, manter mata ciliar, que há áreas onde não se pode ocupar, que o aquecimento global é uma realidade”, alerta. Ele destaca que a ciência e a universidade têm o papel de produzir conhecimento e de atuar como memória social, e prevenir que os erros do passado se repitam. “Se você passar lá daqui a um ano, vai estar tudo igual. Talvez isso fique só nos livros ou na história do avô, que vai contar que em 2024 foi a maior enchente da história. Mas se a gente não mudar, daqui a 10 anos pode vir outra ainda maior”, reflete.</p><p>Para Tiago, a formação universitária precisa preparar estudantes não apenas para o mercado de trabalho, mas para a vida em sociedade. “Quem se preocupa, se coloca no lugar do outro, vai ser um cidadão melhor depois. E a universidade está aqui para ensinar, mas também, como universidade pública, para formar cidadãos melhores, que transformem a sociedade”, conclui.</p>https://www.youtube.com/watch?v=UfoP9zlctgI<p>As ações relatadas acima são exemplos que reforçam o papel social da Universidade pública enquanto espaço de formação técnica e científica mas, acima de tudo, humana. Em momentos de crise, atuações como essas mostram que o conhecimento produzido dentro da academia pode e deve ser colocado a serviço da sociedade.</p><p><i>Esta é a quarta e última reportagem da série #CTnaReconstrução. </i></p><p>A <a href="https://ufsm.br/r-375-6604"><b><i>primeira</i></b></a><i>, #CTnaReconstrução: relembre os projetos do CT-UFSM em resposta às enchentes de 2024;</i></p><p>a <a href="https://ufsm.br/r-375-6681"><b><i>segunda</i></b></a><i>, #CTnaReconstrução: na emergência, Centro de Tecnologia virou fábrica de móveis e ponto de arrecadação de utensílios domésticos;</i></p><p>e a <a href="https://ufsm.br/r-375-6751"><b><i>terceira</i></b></a><i>, #CTnaReconstrução: Escritório Modelo de Engenharia recupera pontes em rodovias da região santamariense,  abordaram as principais ações dos grupos e projetos do CT que ampararam Santa Maria e região no auge das inundações.</i></p><p><i>Texto por Marina dos Santos, acadêmica de jornalismo, com supervisão da Subdivisão de Comunicação do CT/UFSM.</i></p><p><i>Fotos: acervo pessoal dos professores. </i></p><p><em>Vídeos: Canal Diário de Santa Maria e Canal Aranda Eventos</em></p><p><i>Quer divulgar suas ações, pesquisas, projetos ou eventos no site? </i><strong><a href="https://www.ufsm.br/unidades-universitarias/ct/servicos"><i>Acesse os serviços de Comunicação do CT-UFSM</i></a></strong><i>! Siga o CT nas redes sociais: </i><a href="https://www.facebook.com/ctufsm"><i><strong>Facebook</strong></i></a><i> e </i><a href="https://www.instagram.com/ctufsm/"><i><strong>Instagram</strong></i></a><i>!</i></p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>#CTnaReconstrução: Escritório Modelo de Engenharia recupera pontes em rodovias da região santamariense</title>
				<link>https://www.ufsm.br/unidades-universitarias/ct/2025/05/29/ctnareconstrucao-escritorio-modelo-de-engenharia-recupera-pontes-em-rodovias-da-regiao-santamariense-ctnareconstrucao</link>
				<pubDate>Thu, 29 May 2025 16:59:18 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Departamento de Estruturas de Engenharia Civil]]></category>
		<category><![CDATA[enchentes]]></category>
		<category><![CDATA[Engenharia Civil]]></category>

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						<description><![CDATA[Na terceira reportagem da série sobre as ações do CT-UFSM nas enchentes do ano passado, conheça o projeto que auxiliou na restauração dos estragos em estradas do Rio Grande do Sul
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p>As chuvas começaram no dia 27 de abril, ganharam força no dia 29 e assolaram o estado durante todo o mês de maio de 2024, em forma de enchentes e deslizamentos de terra. De acordo com o Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer), as enchentes danificaram grande parte da infraestrutura rodoviária de responsabilidade estadual: dez pontes foram interditadas e mais de 8 mil quilômetros de estradas foram danificados.</p><p>Você se lembra do que estava fazendo há um ano atrás, quando o Rio Grande do Sul enfrentava a maior catástrofe climática de sua história? A Subdivisão de Comunicação preparou uma série de reportagens intitulada #CTnaReconstrução, na qual você vai relembrar ou conhecer os projetos, servidores e estudantes do CT que atuaram na linha de frente, seja com iniciativas de apoio imediato à população, seja com projetos de recuperação e prevenção a médio e longo prazo de áreas atingidas pela tragédia climática no RS. Na terceira reportagem, destacamos um projeto que auxiliou na recuperação dos estragos em rodovias do Rio Grande do Sul.</p>		
			<h3>Conheça o Escritório Modelo</h3>		
		<p>O <a href="https://www.instagram.com/escritoriomodelodeengenharia/" target="_blank" rel="noopener"><b><i>Escritório Modelo de Engenharia</i></b></a> é um projeto de extensão vinculado ao CT, desenvolvido pelos cursos de graduação e pós-graduação em Engenharia Civil. O projeto em seu formato atual existe desde 2021 e é coordenado pelo professor Almir Barros Santos com a colaboração direta dos docentes André Lubeck e Rogério Antocheves. O Escritório atua como um elo entre a universidade e a comunidade ao prestar serviços para órgãos públicos federais, estaduais e municipais, por meio da elaboração de projetos de engenharia, do acompanhamento de obras, da realização de cursos de capacitação, consultorias e assessoramentos técnicos. Quando os entes federados encontram dificuldades para realizar ou contratar tais atividades, eles podem dispor dos serviços do Escritório.</p><p>A origem do Escritório Modelo remonta à experiência dos professores na Universidade Federal do Pampa (Unipampa), entre 2006 e 2017, onde atuaram desde os primeiros anos de funcionamento da instituição. Na época, como aquela universidade não dispunha de infraestrutura administrativa ou corpo técnico completos, os docentes recém-chegados acabaram por assumir múltiplas funções e aprender, na prática, como gerir obras e contratos públicos. Esse ambiente desafiador permitiu que eles acumulassem uma vivência profissional impulsionadora. A partir de 2017, quando os três docentes se reencontraram na UFSM, trouxeram consigo essa bagagem. </p>		
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											<a href="https://www.instagram.com/p/CnmxrhorVPM/" target="_blank">
							<img width="512" height="510" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/375/2025/05/unnamed-4.jpg" alt="" />								</a>
											<figcaption>Card utilizado pelo projeto para divulgação dos serviços prestados</figcaption>
										</figure>
		<p>A ideia de criar o Escritório Modelo surgiu a partir de uma conversa com o professor Tiago Marchesan, diretor do CT. A proposta era estabelecer um projeto de extensão que pudesse apoiar a Pró-Reitoria de Infraestrutura (Proinfra) na elaboração de projetos estruturais e, futuramente, atender também a órgãos públicos externos.</p><p>Após início com atendimento exclusivo para as demandas da Proinfra, especialmente na área de estruturas da UFSM, o projeto ampliou seu alcance e passou a desenvolver projetos para prefeituras e outros órgãos públicos, principalmente em cidades pequenas, onde a falta de equipe técnica especializada é um obstáculo frequente. </p><p>O Escritório é remunerado pelos contratantes a partir de cada projeto desenvolvido. Os pagamentos são feitos à <a href="https://www.fundep.ufmg.br/" target="_blank" rel="noopener"><b><i>Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep)</i></b></a>, responsável pela gestão administrativa e financeira, que distribui os recursos de acordo com as rubricas previstas — como bolsas, retribuições e remuneração aos profissionais envolvidos. Parte dos recursos também é destinada à Universidade e outra parte é reinvestida nos laboratórios do Centro de Tecnologia. Para assegurar a regularidade e a compatibilidade dos preços, os projetos seguem tabelas referenciais de órgãos públicos como Daer e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) - isso garante que os projetos estejam alinhados às exigências legais e os valores cobrados estejam dentro da realidade do mercado. O Escritório Modelo, portanto, presta um serviço de alta qualidade técnica a preços de mercado e com viés social, tanto para quem contrata quanto para quem trabalha nos projetos.</p><p>Além de auxiliar órgãos públicos na resolução de demandas emergenciais, como no caso das enchentes, o projeto proporciona aos estudantes de Engenharia Civil da UFSM a oportunidade de participar diretamente do desenvolvimento de projetos reais, e vivenciar os desafios da profissão antes mesmo de concluírem a graduação. A experiência prática, segundo os coordenadores, faz toda a diferença na formação dos futuros profissionais. “É muito diferente o aluno trabalhar com um projeto hipotético em sala de aula do que acompanhar a elaboração de um projeto de ponte que realmente será executado”, destaca André Lubeck. E foi essa experiência que foi posta à prova no momento de emergência vivido há um ano.</p>		
			<h3>Logística da reconstrução
</h3>		
		<p>Quando as enchentes atingiram o Rio Grande do Sul, em maio de 2024, a equipe do Escritório Modelo de Engenharia se viu diante de uma demanda emergencial inédita. Diversos municípios da região, afetados pela destruição de pontes, passarelas e estradas vicinais, passaram a buscar apoio técnico para viabilizar projetos e acessar os recursos de recuperação disponibilizados pela Defesa Civil e pelo Governo Federal.</p><p>“Enxergamos a situação como uma oportunidade de ajudar, porque tínhamos estrutura e conhecimento para isso”, relata o professor André Lubeck. A relação prévia com a Prefeitura de Santa Maria, que já havia contado com os serviços do Escritório Modelo, foi decisiva para organizar os primeiros atendimentos. Na época, o município contabilizava aproximadamente 19 pontos críticos. “Eles nos perguntaram se teríamos condições de atender e nós falamos que não daria para fazer tudo, mas que poderíamos contribuir”, conta André.</p>		
								<figure><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/375/2025/05/1-card-insta.jpg" alt="Equipes do Escritório nos distritos de Arroio Grande e Boca do Monte" /><figcaption>Equipes do Escritório nos distritos de Arroio Grande e Boca do Monte</figcaption></figure><figure><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/375/2025/05/548488d2-bc72-4225-826f-11337e4ffc8a-768x1364.jpg" alt="Equipes do Escritório nos distritos de Arroio Grande e Boca do Monte" /><figcaption>Equipes do Escritório nos distritos de Arroio Grande e Boca do Monte</figcaption></figure><figure><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/375/2025/05/5eb9ec64-ceaf-4323-8655-b87cabe25be1-1.jpg" alt="Equipes do Escritório nos distritos de Arroio Grande e Boca do Monte" /><figcaption>Equipes do Escritório nos distritos de Arroio Grande e Boca do Monte</figcaption></figure>			
		<p>A partir desse contato, a equipe do Escritório pautou seu trabalho pelas diretrizes do manual da Defesa Civil, que orientava a elaboração dos projetos e da documentação necessária para acessar os recursos de recuperação. A análise do material revelou a necessidade de estudos complementares de geotecnia e hidrologia, além dos projetos estruturais. “Brasília <i>[governo federal]</i> só libera o recurso se tudo atender à legislação. Emergência não é sinônimo de improviso”, reforça o professor.</p><p>Para ampliar a capacidade de atendimento, os coordenadores do Escritório articularam parcerias com outros professores da UFSM. Na geotecnia, contaram com o professor Magnos Baroni para os estudos de solo. Na área hidrológica, uniram-se ao grupo de Ecotecnologias, com os professores Daniel Allasia e João Francisco Horn. “Os professores trouxeram seus estudantes, organizamos as equipes e mostramos para Santa Maria o que conseguiríamos assumir”, detalha Rogerio Antocheves.</p><p>As demandas fizeram com que o Escritório fosse ampliado para agregar mais profissionais. Hoje, o Escritório Modelo entrega projetos completos, com orçamentos, especificações técnicas, <a href="https://www.confea.org.br/servicos-prestados/anotacao-de-responsabilidade-tecnica-art" target="_blank" rel="noopener"><b><i>Anotação de Responsabilidade Técnica (ART)</i></b></a> e toda a documentação exigida pela Defesa Civil e por órgãos de controle. Este é um diferencial do projeto: reunir profissionais especializados em áreas específicas para realizar soluções técnicas, atributo que por vezes não é encontrado no mercado privado.</p><p>Santa Maria, então, reorganizou sua estratégia e repassou nove pontos críticos para o Escritório Modelo, enquanto buscava outras soluções para o restante. A experiência com a prefeitura — uma das maiores e mais organizadas da região — serviu como aprendizado e modelo para os atendimentos posteriores. “Quando vieram as demandas de municípios menores, como Quevedos, São Vicente e São Francisco de Assis, a gente já sabia como funcionava o processo e até os ajudamos a organizar a documentação e os procedimentos”, lembra André.</p><p>Para tentar organizar um atendimento coletivo, o Escritório Modelo chegou a enviar ofícios e propor reuniões junto a associações regionais, como a Quarta Colônia. Porém, diante da urgência e da complexidade da situação, cada município buscava sua solução como podia — alguns contratatavam empresas particulares, outros recorreram a profissionais internos. </p><p>Muitas prefeituras pequenas careciam de equipe ou conhecimento técnico até mesmo para solicitar os recursos emergenciais ou quais documentos precisavam apresentar. “Tivemos casos de prefeituras que, só depois, ficaram sabendo que oferecíamos esse serviço e lamentaram não ter procurado antes”, destaca Almir Barros.</p><p>Atualmente, todos os projetos assumidos pelo Escritório Modelo no contexto das enchentes já foram concluídos e enviados para análise da Defesa Civil em Brasília. Alguns retornaram com pedidos de ajustes ou complementações, prontamente atendidos pela equipe. Mais do que atender demandas técnicas, a atuação nesse período reforçou a importância de uma estrutura universitária pública capaz de responder a emergências e prestar serviços qualificados à comunidade.</p>		
			<h3>Projeto em campo</h3>		
		<p>O trabalho do Escritório Modelo de Engenharia Estrutural da UFSM vai muito além dos cálculos e projetos em escritório. Apesar de atuar principalmente com projetos técnicos para licitação, a equipe realiza visitas de campo para vistoriar as áreas afetadas — sempre após a estabilização da situação, para garantir a segurança e o levantamento preciso das necessidades.</p><p>“Nós só atuamos depois que o problema está formalmente registrado e definido pela prefeitura. Mas, claro, fomos a campo vistoriar os locais atingidos”, explica o professor André. Professores especialistas em geotecnia e hidrologia acompanharam as inspeções em áreas críticas, como encostas, para garantir que as condições estejam seguras para intervenções futuras. Os discentes da UFSM têm papel ativo em todo esse processo, sempre sob supervisão técnica rigorosa. Eles colaboram na elaboração de desenhos, orçamentos e especificações, com atenção especial à revisão, pois os projetos serão auditados por órgãos como tribunais de contas.</p>		
								<figure><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/375/2025/05/a5ef7dfd-dd21-430a-b3c2-c2901091b600-1024x576.jpg" alt="Equipes do Escritório nos distritos de Arroio Grande e Boca do Monte" /><figcaption>Equipes do Escritório nos distritos de Arroio Grande e Boca do Monte</figcaption></figure><figure><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/375/2025/05/ffaf92bd-1110-45bb-a8d5-791c2c0aac97-1-1024x576.jpg" alt="Equipes do Escritório nos distritos de Arroio Grande e Boca do Monte" /><figcaption>Equipes do Escritório nos distritos de Arroio Grande e Boca do Monte</figcaption></figure><figure><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/375/2025/05/f6f19660-e83f-4881-bd31-1fb2431c0c5c-1024x577.jpg" alt="Equipes do Escritório do município de Quevedos" /><figcaption>Equipes do Escritório do município de Quevedos</figcaption></figure><figure><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/375/2025/05/ef059145-77d4-4901-a2fc-00c15e519aff-1024x576.jpg" alt="Equipes do Escritório nos distritos de Arroio Grande e Boca do Monte" /><figcaption>Equipes do Escritório nos distritos de Arroio Grande e Boca do Monte</figcaption></figure><figure><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/375/2025/05/9862127e-5325-477b-820b-e64e5c811455-1024x576.jpg" alt="Equipes do Escritório nos distritos de Arroio Grande e Boca do Monte" /><figcaption>Equipes do Escritório nos distritos de Arroio Grande e Boca do Monte</figcaption></figure>			
		<p>Nas vistorias em Santa Maria, mestrandos chegaram a trabalhar com água na altura da cintura para medir fundações de pontes. “São histórias que ficam para a formatura, qualificam muito a formação dos estudantes.” Os docentes lembram de um episódio marcante durante a entrega dos projetos para a Prefeitura de Cacequi: “Esperávamos uma reunião formal, mas era um evento com imprensa, secretários e vereadores. Dois alunos que participaram — a Giovana e o Felipe — tiveram que dar entrevistas. Para eles, foi o auge da graduação.”</p><p>Mas nem tudo são boas notícias. “Muitas pontes que caíram já apresentavam sinais antes. A enchente foi só o empurrãozinho final,” alerta André. Problemas comuns como bueiros entupidos e falta de manutenção adequada comprometem a infraestrutura. “Ficamos felizes em ajudar, mas também tristes por ver onde a engenharia e a manutenção pública estão faltando. Se isso não mudar, os problemas vão continuar,” conclui.</p><p>Na atuação do Escritório Modelo e na formação dos alunos da UFSM, um ponto é sempre reforçado: por trás de cada projeto de engenharia, existe uma questão social profunda. O professor Rogério conta a história de uma senhora feirante que mora próxima a uma das pontes em avaliação. “Ela nos disse que, com a falta daquela ponte, a rotina dela mudou totalmente. Tem que sair muito mais cedo, dar uma volta enorme. E, quando chove, fica impossível passar.” A ponte, para ela, não é apenas concreto ou cálculo — é conexão com o mundo, é qualidade de vida.</p>		
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											<a href="https://www.instagram.com/p/DICd-JiRiD1/" target="_blank">
							<img width="361" height="620" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/375/2025/05/unnamed-5-1.jpg" alt="" />								</a>
											<figcaption>Pontes com projetos para reconstrução realizados pelo Escritório</figcaption>
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		<p>Essa realidade é o que a equipe busca transmitir aos estudantes, o docente enfatiza: “Por trás de cada ponte, de cada prédio, tem pessoas que dependem dessas estruturas para trabalhar, estudar, viver. Esse olhar social precisa caminhar junto com a técnica, senão a engenharia perde o sentido.”</p><p>A ação relatada acima é exemplo que reforça o papel social da Universidade pública enquanto espaço de formação técnica e científica mas, acima de tudo, humana. Em momentos de crise, projetos como esses mostram que o conhecimento produzido dentro da academia pode e deve ser colocado a serviço da sociedade.</p><p><i>Esta é a terceira reportagem da série #CTnaReconstrução. A </i><a href="https://ufsm.br/r-375-6604" target="_blank" rel="noopener"><b><i>primeira</i></b></a><i> e a </i><a href="https://ufsm.br/r-375-6681" target="_blank" rel="noopener"><b><i>segunda </i></b></a><i>abordaram as principais ações dos grupos e projetos do CT que ampararam Santa Maria e região no auge das inundações. Acompanhe as próximas reportagens ao longo do mês de maio no site do CT!</i></p>		
		<p><i>Texto por Marina dos Santos, acadêmica de jornalismo, com supervisão da Subdivisão de Comunicação do CT/UFSM.</i></p><p><i>Fotos por Escritório Modelo.</i></p><p><i>Quer divulgar suas ações, pesquisas, projetos ou eventos no site? </i><a href="https://www.ufsm.br/unidades-universitarias/ct/servicos"><i>Acesse os serviços de Comunicação do CT-UFSM</i></a><i>! Siga o CT nas redes sociais: </i><a href="https://www.facebook.com/ctufsm"><i>Facebook</i></a><i> e </i><a href="https://www.instagram.com/ctufsm/"><i>Instagram</i></a><i>!</i></p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>DAG reproduz vídeo com retrospectiva do alagamento no acervo permanente da UFSM</title>
				<link>https://www.ufsm.br/orgaos-suplementares/dag/transdoc/2025/05/21/retrospectivatransdoc</link>
				<pubDate>Wed, 21 May 2025 19:44:11 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[DAG]]></category>
		<category><![CDATA[enchente]]></category>
		<category><![CDATA[enchentes]]></category>
		<category><![CDATA[TransDoc]]></category>
		<category><![CDATA[UFSM]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/orgaos-suplementares/dag/transdoc/?p=49</guid>
						<description><![CDATA[Durante a realização do CIRCUITO 10º FESTIVAL ARQUIVO EM CARTAZ EM SANTA MARIA que aconteceu no Centro de Convenções da UFSM, o Departamento de Arquivo Geral(DAG) exibiu um vídeo com a retrospectiva dos acontecimentos no final de Abril de 2024 que ocasionaram o sinistro no arquivo permanente da instituição. O vídeo elaborado a partir de [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <img width="1919" height="1079" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/961/2025/05/Banner_Video.jpg" alt="" />													
		<p>Durante a realização do <a href="https://www.ufsm.br/orgaos-suplementares/dag/2025/05/13/circuito-10o-festival-arquivo-em-cartaz-em-santa-maria" target="_blank" rel="noopener">CIRCUITO 10º FESTIVAL ARQUIVO EM CARTAZ EM SANTA MARIA</a> que aconteceu no Centro de Convenções da UFSM, o Departamento de Arquivo Geral(DAG) exibiu um vídeo com a retrospectiva dos acontecimentos no final de Abril de 2024 que ocasionaram o sinistro no arquivo permanente da instituição.</p>
<p>O vídeo elaborado a partir de audiovisuais de autoria dos próprios servidores envolvidos durante o resgate, buscou demonstrar as etapas percorridas até a criação do Espaço Transdisciplinar (TRANSDOC) que promove a recuperação dos acervos da UFSM e também auxilia outras instituições por meio de convênios e parcerias.</p>
<p>O espaço destaca-se como um lugar de inovação na área de recuperação e torna a UFSM uma instituição de referencia nacional e internacional.</p>		
													<img width="1024" height="1024" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/961/2025/05/imagem_2025-05-21_165113970.jpg" alt="" />													
			<h4>Confira o vídeo:</h4>		
		https://www.youtube.com/watch?v=W462LjnasBk]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>CT recebe menção honrosa por atuação no resgate de acervo atingido por enchentes</title>
				<link>https://www.ufsm.br/unidades-universitarias/ct/2025/05/20/ct-recebe-mencao-honrosa-por-atuacao-no-resgate-de-acervo-atingido-por-enchentes</link>
				<pubDate>Tue, 20 May 2025 14:29:30 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[CT]]></category>
		<category><![CDATA[DAG]]></category>
		<category><![CDATA[enchentes]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/unidades-universitarias/ct/?p=6747</guid>
						<description><![CDATA[Unidade foi reconhecida pelo Departamento de Arquivo Geral por contribuições essenciais na recuperação de documentos históricos da Universidade]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p>Na tarde desta segunda-feira (19), o Centro de Tecnologia da UFSM recebeu uma menção honrosa da Diretoria do Departamento de Arquivo Geral (DAG) pelos relevantes serviços prestados no resgate do acervo arquivístico da instituição, atingido pelas enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul em 2024. A homenagem foi entregue ao diretor do CT, professor Tiago Marchesan, pela diretora do DAG, Débora Flores, durante a 10ª edição do Arquivo em Cartaz – Festival Internacional de Cinema de Arquivo, promovido pelo Arquivo Nacional na UFSM para destacar os esforços de recuperação do patrimônio documental afetado pelas inundações.</p>
<p>A contribuição do CT que motivou a menção honrosa veio em três formas principais: a unidade disponibilizou seu estoque de máscaras da pandemia para os bolsistas envolvidos no resgate, cedeu estudantes que trabalhavam no arquivo do Centro para as ações emergenciais no DAG e teve servidores e alunos atuando diretamente nas operações de salvamento.</p>
<p>No dia 30 de abril de 2024, o arquivo permanente da UFSM, localizado no subsolo do prédio da Reitoria, ficou completamente submerso após o transbordamento do lago adjacente. O acervo, com cerca de 12 mil caixas de documentos históricos, foi um dos primeiros atingidos no estado. Diante da emergência, o DAG organizou uma força-tarefa com professores, técnicos, militares e voluntários para retirar os materiais e iniciar o processo de recuperação.</p>
<p>A menção honrosa, entregue ao CT e a vários outros indivíduos e setores, reforça a importância da colaboração entre setores e unidades na Universidade, além de valorizar a ação coletiva na preservação da memória institucional e histórica da UFSM.</p>

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[caption id="attachment_6749" align="aligncenter" width="1024"]<img class="wp-image-6749 size-large" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/375/2025/05/0099_250520104920_001_page-0001-1-1024x728.jpg" alt="" width="1024" height="728" /> Menção Honrosa do DAG ao CT[/caption]
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<p><i>Texto e edição - Subdivisão de Comunicação do CT/UFSM.</i></p>
<p><em>Quer divulgar suas ações, pesquisas, projetos ou eventos no site?<strong> <a href="https://www.ufsm.br/unidades-universitarias/ct/servicos">Acesse os serviços de Comunicação do CT-UFSM</a></strong>!</em> <em>Siga o CT nas redes sociais: <strong><a href="https://www.facebook.com/ctufsm" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Facebook</a></strong> e <a href="https://www.instagram.com/ctufsm/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Instagram</strong></a>!</em></p>
<!-- /wp:tadv/classic-paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Análises de solo em áreas de deslizamentos mostram consequências das enchentes no RS</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2025/03/27/analises-de-solo-em-areas-de-deslizamentos-mostram-consequencias-das-enchentes-no-rs</link>
				<pubDate>Thu, 27 Mar 2025 20:07:13 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[enchentes]]></category>
		<category><![CDATA[Extensão]]></category>
		<category><![CDATA[pós-graduação]]></category>
		<category><![CDATA[proext-pg]]></category>
		<category><![CDATA[solos]]></category>

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						<description><![CDATA[Projeto da UFSM identificou ganho de acidez e perda de matéria orgânica em solos na Serra Gaúcha]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p>

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<p>Análises de solo funcionam como exames médicos que buscam identificar doenças. No caso da terra, a intenção é descobrir a qualidade e as necessidades do solo para o cultivo de plantas. O projeto de extensão dos Programas de Pós-Graduação em Ciências do Solo (PPGCS), em Agrobiologia (PPGAgroBio) e em Química (PPGQ) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) realizou um trabalho de coleta e análise de solo na Serra Gaúcha, em cidades  atingidas pelas enchentes de maio de 2024. Nos municípios de Pinto Bandeira, Bento Gonçalves e Veranópolis, os pesquisadores coletaram amostras em áreas de deslizamento de propriedades rurais dedicadas à fruticultura.</p>
<p>Allan Kokkonen, doutorando do Programa de Pós-Graduação em Ciências do Solo (PPGCS) e integrante do projeto, explica que as análises comuns revelam dois padrões distintos: os solos de áreas nativas, que tendem a ser muito ácidos e apresentam baixa disponibilidade de nutrientes, tornando-se menos adequados para o cultivo; e os solos de áreas já cultivadas, nos quais geralmente se identifica a necessidade de reposição de adubação ou fertilização.</p>
<p><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/929/2025/03/analise-de-solos_002.jpg" width="1657" height="1080" /></p>
<p>No caso da Serra Gaúcha pós enchente, os pesquisadores identificaram ainda um terceiro tipo de solo, que mistura características de áreas nativas e cultivadas. No deslizamento de terra, tanto as áreas que perderam quanto as que receberam sedimentos passam por uma grande transformação. O material deslocado pode conter solo, pedras e outros elementos, tornando o cenário imprevisível. “É uma completa surpresa, um tiro no escuro. A gente não sabe o que vai encontrar ali”, destaca Allan. Para o pesquisador, na comparação com exames de sangue, é como se a análise mostrasse uma doença nova, que ainda não tem padrão de tratamento.</p>
<p>Os resultados mostram que as áreas degradadas não perderam grandes quantidades de nutrientes, mas apresentaram um aumento na acidez. Esse problema, porém, pôde ser facilmente corrigido com aplicação de calcário, permitindo que muitas áreas já estejam aptas para o cultivo. “Esse foi um resultado que a gente não esperava: essas áreas de deposição têm fertilidade relativamente boa para a maioria dos nutrientes”, ressalta Allan.</p>
<p>No entanto, para o pesquisador, o maior problema diz respeito à qualidade ou saúde do solo, ou seja, não se trata apenas de analisar os nutrientes, mas também a estrutura. Os pesquisadores perceberam que os solos analisados tiveram perda de matéria orgânica. Allan explica: “É aquele material que tem origem orgânica, formado por microorganismos que vieram de plantas decompostas”. Allan ressalta que a matéria orgânica tem várias funções importantes. “Ela é responsável por dar estrutura e agregação ao solo, o que é crucial, pois é essa estrutura que facilita a retenção de água”, detalha. Essa característica auxilia em períodos de seca, em que a água é mais escassa – como o que o Rio Grande do Sul enfrenta agora.</p>
<p>Um segundo ponto é que a matéria orgânica oferece nutrientes para a planta, principalmente nitrogênio, um dos mais importantes para o fornecimento de energia. “Provavelmente esses solos que perderam muita matéria orgânica – e foi bastante a quantidade perdida – vão ter um volume de micróbios, de fungos e de bactérias muito pequenos. E eles são benéficos”, especifica Allan.</p>
<p>Além disso, de acordo com o pesquisador, a matéria orgânica também pode interagir com o ambiente. “Ela é feita basicamente de carbono”, afirma. Ou seja, quando está no solo, permite que ele funcione como dreno de carbono, que se converte em energia para o desenvolvimento das plantas. “Quando se perde ela, provavelmente foi liberada na forma de gás. Ou seja, toneladas e toneladas de carbono que estavam na matéria orgânica, estocadas no solo, foram para a atmosfera”, conclui. Para Allan, essa perda transforma os sistemas agrícolas de drenos em emissores. “Aquela área de deslizamento emitiu bastante carbono, o que a gente sabe que vai potencializar as mudanças climáticas e o efeito estufa”, destaca.</p>
<h3 style="font-weight: var( --e-global-typography-primary-font-weight )">Prejuízos no setor da agricultura</h3>
<p>Na Serra Gaúcha, cujas características são de encostas e morros, o relevo acidentado facilita o escoamento superficial das águas. De acordo com pesquisadores do Grupo de Estudos de Predição de Adubação e Potencial de Contaminação de Elementos em Solos (Gepaces) da UFSM, esses solos têm adaptações que favorecem a condução de águas em períodos de chuva normais. No entanto, em maio de 2024, em regiões como a da Serra, choveu mais de 500 milímetros em 48 horas, de acordo com estimativas do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Nesses casos, há uma sobrecarga dos sistemas hídricos, o que resultou em deslizamentos de terra em encostas.</p>
<p>Estes eventos não causaram só consequências sociais, mas também prejuízos financeiros, especialmente na agricultura. De acordo com dados de estudo realizado em novembro pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), são pelo menos R$88,9 bilhões em prejuízos financeiros, entre o setor produtivo (69%), o social (21%), a infraestrutura (8%) e o meio ambiente (1,8%).</p>
<p>Já no setor da agricultura, a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) divulgou, em junho do ano passado, perdas que somam pelo menos R$ 467 milhões, em pequenas, médias e grandes propriedades. Segundo a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), ocorreram danos diversos em setores produtivos de grãos, olericultura – cultivo de hortaliças, legumes e verduras -, floricultura, pastagens, produção leiteira e produção florestal, além de animais mortos e solos afetados. A fruticultura também foi impactada, afetando a produção de uva, pêssego, caqui, kiwi, bergamota, ameixa, nectarina e outras frutas.</p>
<p>Rubiane Rubo é engenheira agrônoma e presidente da Associação dos Produtores de Frutas de Pinto Bandeira. Depois de terminar a graduação na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), ela retornou à propriedade familiar para continuar o negócio iniciado pela avó. São cerca de cem hectares com plantações de frutas diversas em um terreno extenso em comprimento. Rubiane conta que, nas enchentes, três grandes deslizamentos atingiram a propriedade. “Um no início, um no meio e um no final. Isso comprometeu os tratamentos de inverno, porque a gente trabalha em patamares, então não tinha como um trator andar”, explica. Patamares são formas de organizar o terreno dos pomares, em uma espécie de escada. Maurício Bonafé, engenheiro agrônomo na Vinícola Aurora, esclarece que esses sistemas são feitos para evitar a perda de solo por escorrimento superficial de água, ou seja, em volumes normais de chuva. “Isso faz com que a água caia com menor velocidade no solo. A gota tem menos impacto e consequentemente a água consegue penetrar com mais facilidade”, detalha. Além disso, outra estratégia que tem esse intuito é a da cobertura verde, ou seja, o plantio de árvores e vegetações, o que também favorece a função do solo como reservatório de água.</p>
[caption id="" align="aligncenter" width="675"]<img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/929/2025/03/WhatsApp-Image-2025-03-25-at-13.04.12-1055x1536.jpeg" alt="" width="675" height="983" data-wp-editing="1" /> Cratera no final da propriedade da família de Rubiane Rubo, em Pinto Bandeira. No lado esquerdo da foto, é possível ver os patamares que restaram.[/caption]
<p>Os deslizamentos atrasaram os tratamentos de inverno nos pomares, por conta do risco e da dificuldade de acesso à propriedade. “Comprometeu a floração depois, que não foi de tanta qualidade, e consequentemente impactou em menor quantidade de frutos”, relata Rubiane.</p>
<h3 style="font-weight: var( --e-global-typography-primary-font-weight )">Análise de solo como técnica de avaliação de perdas</h3>
<p>Na UFSM, um dos projetos que busca auxiliar na avaliação dos impactos das enchentes no solo é o ‘Diagnóstico da aptidão agrícola das terras e fertilidade do solo em áreas agrícolas atingidas por desastres climáticos’, dos Programas de Pós-Graduação em Ciências do Solo (PPGCS), em Agrobiologia (PPGAgroBio) e em Química (PPGQ). Foi contemplado no último edital do Programa de Extensão da Educação Superior na Pós-Graduação (PROEXT-PG). O objetivo é produzir conhecimento para facilitar o retorno das atividades agrícolas, com foco no fortalecimento das famílias de pequenos agricultores.</p>
<p>A técnica usada no projeto é a análise de solo. Gustavo Brunetto é coordenador do projeto e professor no Departamento de Solos e no Programa de Pós-Graduação em Ciências do Solo da UFSM. Ele explica que alguns solos não conseguem fornecer as quantidades de nutrientes que uma planta precisa para o crescimento. Para conhecer essas características, se faz uma análise. “Se recomenda ir até o campo e fazer a coleta de uma porção do solo, que depois é levado para o laboratório e analisado”, descreve Gustavo.</p>
<p>A análise de solos tem algumas etapas:<br />1 – Amostragem: definição das áreas a serem analisadas e coletadas. Em uma gleba (área de terra), se define de dez a 20 pontos de coleta, em locais variados do terreno, mas que tenham as mesmas características, de histórico de adubação e plantio. Em cada um desses pontos, a coleta é feita em uma profundidade de zero a dez ou de zero a 20 centímetros, a depender das características. Com uma pá de corte, um trado ou até um quadriciclo, coleta-se uma porção de solo de cada ponto. Com as coletas feitas, pega-se uma porção de solo de cada um dos pontos e se mistura em um balde, para ter uma representação homogênea da área. Depois, pega-se cerca de 500 gramas da amostra de solo para fazer uma pré-secagem, o que envolve desfazer os torrões de terra, espalhar em uma superfície limpa e deixar secar de dois a três dias, a depender das condições climáticas. Depois de seca, a terra é colocada em um saco plástico e identificada com a propriedade e produtor/a, nome da gleba e demais características.</p>
[caption id="attachment_68665" align="alignleft" width="365"]<img class=" wp-image-68665" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2025/03/Image-2025-03-19-at-15.12.58-768x1024.jpeg" alt="" width="365" height="487" /> Trado usado para a coleta de porções do solo[/caption]
<p>2 –  Análise no laboratório: as amostras de solo são enviadas para um laboratório credenciado, que faz a análise. A credencial pode ser emitida pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) ou pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro)</p>
<p>3 – Interpretação da análise: feita por um técnico, que pode ser alguém formado em Engenharia Agronômica. Envolve entender os resultados de análise para indicar soluções.</p>
<p>4 – Recomendação: A partir dos resultados, a pessoa responsável pela interpretação elabora as recomendações de aplicação no solo analisado. Quantidade de adubação e calagem (aplicação de cal), qual a melhor fonte de nutrientes, melhor época de aplicação, entre outras questões, podem compor esse relatório.</p>
<p>Apesar de ser uma técnica simples e de baixo custo, Gustavo afirma que ela é fundamental. A etapa da amostragem precisa ser feita com cuidado e rigor para que o resultado seja qualitativo. “É mais ou menos você ter a preocupação de ir no médico e ele interpretar o teu resultado da análise de sangue, mas se não foi feito um procedimento adequado na amostragem, ele não vai ter validade”, compara.</p>
<h3 style="font-weight: var( --e-global-typography-primary-font-weight )">As coletas na Serra Gaúcha</h3>
<p>As coletas de porções de solo para análise do projeto da UFSM foram realizadas em dez áreas de pomares e vinhedos atingidos por deslizamentos nos municípios de Veranópolis, Bento Gonçalves e Pinto Bandeira. Para a escolha das áreas, o grupo do professor Gustavo Brunetto contou com o apoio do engenheiro agrônomo Maurício Bonafé, que é gerente agrícola da Cooperativa Vinícola Aurora, de Bento Gonçalves. Por conta do contato direto com as famílias, Maurício já tinha um mapeamento das áreas degradadas. “Fizemos alguns apontamentos sobre as áreas que podiam ser recuperadas e, com isso, se propôs as áreas para coleta das amostras”, explica Maurício.</p>
<p>A fase de mapeamento e escolha das propriedades levou em torno de dois meses, em meados de setembro de 2024. A coleta das amostras foi feita entre dezembro de 2024 e janeiro de 2025, concomitantemente com as análises.</p>
<h3 style="font-weight: var( --e-global-typography-primary-font-weight )">Próximos passos</h3>
<p>Os próximos passos do projeto envolvem o encaminhamento dos resultados de análise para as famílias de produtores, além da realização de eventos para a divulgação e explicação dos dados. O projeto também pretende realizar análises agrobiológicas e químicas, a partir dos programas de pós-graduação parceiros, e criar cartilhas e relatórios para os técnicos e produtores.</p>
<h3 style="font-weight: var( --e-global-typography-primary-font-weight )">Capítulo de livro</h3>
<p>No dia 14 de março, o grupo de pesquisadores do projeto foi até Porto Alegre para o evento de lançamento do livro ‘RS: Reflexões para a reconstrução do Rio Grande do Sul’. O produto foi feito a partir do projeto ‘RS: Resiliência &amp; Sustentabilidade’, que é uma promoção de acordo de cooperação entre a Secretaria Extraordinária de Reconstrução do RS, do Governo Federal e a Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo. Também contou com o apoio da Open Society Foundations. O grupo de 17 pesquisadores da UFSM assina o capítulo 4, ‘Diagnóstico da aptidão agrícola das terras e fertilidade do solo em áreas agrícolas atingidas por desastres climáticos na Serra Gaúcha’. O livro pode ser acessado por meio deste link.</p>
<p><b><i>Expediente:</i></b></p>
<p><i>Reportagem: Samara Wobeto, jornalista</i></p>
<p><i>Edição: Luciane Treulieb, jornalista</i></p>
<p><i>Design: Evandro Bertol, designer</i></p>
<p><i>Fotografias: Grupo de Estudos de Predição de Adubação e Potencial de Contaminação de Elementos em Solos (Gepaces)</i></p>
<p>Aluata Comunicação e Ciência</p>
<!-- /wp:tadv/classic-paragraph -->

<figure><br />
<figcaption></figcaption>
</figure>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Pró-Reitoria de Extensão da UFSM lança revista sobre ações de apoio à reconstrução após enchentes</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2025/03/25/pro-reitoria-de-extensao-da-ufsm-lanca-revista-sobre-acoes-de-apoio-a-reconstrucao-apos-enchentes</link>
				<pubDate>Tue, 25 Mar 2025 13:11:07 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Comunidade]]></category>
		<category><![CDATA[enchentes]]></category>
		<category><![CDATA[Extensão]]></category>
		<category><![CDATA[PRE]]></category>
		<category><![CDATA[Reconstrução RS]]></category>
		<category><![CDATA[Território Imembuy]]></category>
		<category><![CDATA[UFSM Solidária e Cidadã]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/?p=68634</guid>
						<description><![CDATA[E-book apresenta um panorama a partir de algumas ações desenvolvidas para apoiar as comunidades atingidas pelas chuvas]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
<p>A Pró-Reitoria de Extensão (PRE) da UFSM lançou nesta terça-feira (25) a revista <a href="https://repositorio.ufsm.br/handle/1/34563">“Reconstrução RS: Relatos das ações de extensão e solidariedade da UFSM em resposta ao desastre socioambiental no Rio Grande do Sul”.</a> A produção, em formato de <i>e-book</i>, apresenta um panorama a partir de algumas ações desenvolvidas para apoiar as comunidades atingidas pelas chuvas e enchentes de abril e maio de 2024 no Rio Grande do Sul.</p>
<p>Organizada em reportagens, elaboradas pelo jornalista Micael Olegário, a revista descreve a mobilização de docentes, técnico-administrativos educacionais e estudantes de diferentes cursos e campi no período de calamidade pública no Estado. Os textos abordam, por exemplo, os projetos apoiados pela chamada humanitária “Reconstrução RS”, estratégia análoga ao Projeto Rondon, e pelo programa UFSM Solidária e Cidadã.</p>
<p>Os capítulos incluem relatos e depoimentos de membros das comunidades, com foco em localidades do Território Imembuy. Entre as atividades descritas estão projetos para arrecadação de donativos, monitoramento de questões climáticas e meteorológicas, atendimento de saúde e suporte aos produtores rurais e às escolas.</p>
[caption id="attachment_68635" align="aligncenter" width="1024"]<a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/2025/03/WhatsApp-Image-2025-03-19-at-13.18.23-1536x864-1.jpeg"><img class="wp-image-68635 size-large" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2025/03/WhatsApp-Image-2025-03-19-at-13.18.23-1536x864-1-1024x576.jpeg" alt="" width="1024" height="576" /></a> Mapa mostra as áreas de atuação da proposta de desenvolvimento regional do Território Imembuy[/caption]
<p>Os textos estão organizados a partir dos eixos temáticos da extensão da UFSM (Artes e Letras, Comunicação, Cultura, Desenvolvimento Regional, Direitos Humanos e Justiça, Educação, Esportes, Meio Ambiente, Saúde, Tecnologia e Produção e Trabalho) e dos territórios dos municípios alcançados pelas ações extensionistas. </p>
<p>Durante o período de realização das ações e projetos, a gestão da UFSM destinou parte dos recursos orçamentários para o financiamento das ações. Ao todo, foram R$ 239 mil em investimentos no programa UFSM Solidária e Cidadã e na chamada humanitária Reconstrução RS, incluindo a participação de 175 bolsistas.</p>
<p>O pró-Reitor de Extensão da UFSM, Flavi Lisboa, ressalta a importância das respostas da Universidade às necessidades da comunidade diante do desastre socioambiental, com uma atuação baseada nos pilares da resiliência,  solidariedade e cidadania. “A extensão busca a transformação social, mas não se esquiva do trabalho pontual, quando  necessário, para amenizar as consequências de uma calamidade que expõe as assimetrias e desigualdades sociais e econômicas históricas no nosso país”, pontua Flavi.</p>
<p>Através da publicação, a UFSM reforça seu compromisso com a responsabilidade social e o bem-estar coletivo, especialmente em momentos de calamidade, auxiliando na reconstrução física, emocional e social de pessoas e comunidades.</p>
<p><i>Texto: Micael dos Santos Olegário, bolsista da Subdivisão de Divulgação e Editoração da PRE<br /></i><i>Revisão: Catharina Viegas de Carvalho, bolsista da Subdivisão de Divulgação e Editoração da PRE</i></p>
<!-- /wp:tadv/classic-paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>PRESERVAR PARA EXISTIR</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2024/07/23/preservar-para-existir</link>
				<pubDate>Tue, 23 Jul 2024 20:30:00 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[29ª Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[ed29]]></category>
		<category><![CDATA[enchentes]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[mudanças climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[Sustentabilidade]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?p=3921</guid>
						<description><![CDATA[Projeto da UFSM estimula recuperação de Áreas de Preservação Permanente ]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:paragraph -->
<p>Para escutar o áudio da reportagem, clique abaixo:</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:audio {"id":3923} -->
<figure><audio controls src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2024/07/Reportagem-Preservar-Para-Existir-Joao-e-Pedro-enhanced-mp3cut.net_.mp3"></audio></figure>
<!-- /wp:audio -->
<!-- wp:paragraph -->
<p></p>
<!-- /wp:paragraph -->		
										<figure>
										<img width="1920" height="854" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2024/07/ILUSTRACAO-TXT.jpg" alt="Ilustração horizontal e colorida da UFSM estilizada em miniatura nas cores turquesa e laranja. O estilo geral é plano e simplificado, com cores sólidas e contornos nítidos. Há uma mão de cor laranja no canto superior esquerdo, que coloca uma peça de árvore na maquete. Várias árvores laranjas com bases verdes circulares estão espalhadas ao longo de um rio laranja que serpenteia pelo centro horizontal da imagem. No rio, há um barco de papel azul. Na esquerda da imagem e ao lado do rio, há uma placa de Área de Preservação Permanente - APP. Do outro lado do rio e na direita da imagem, está o Planetário da UFSM com teto preto e estrutura azul. No plano de fundo, há uma ponte preta que se estende horizontalmente. O fundo é azul." />											<figcaption>Maquete da UFSM | Ilustração: Pedro Pagnossin</figcaption>
										</figure>
		<p>Ao atravessar o Arco da UFSM, também se cruza a sanga Lagoão do Ouro. Próximo ao CTISM e à Unidade de Educação Infantil Ipê Amarelo, o córrego está em um local de grande circulação humana e animal. O Lagoão, com nascente no Residencial Novo Horizonte, é uma extensão do rio Vacacaí-Mirim e percorre o núcleo habitacional Fernando Ferrari, as vilas Santos Dumont, Santa Tereza e Assunção. O terreno em torno do córrego é delimitado como uma Área de Preservação Permanente (APP), mas, ao mesmo tempo, apresenta sinais de poluição. Para recuperar áreas como essa, foi criado o “Projeto de Proteção e Revestimento Vegetal”.  </p>
<p>A iniciativa é da Pró-reitoria de Infraestrutura (Proinfra) em parceria com o Laboratório de Engenharia Natural (LabEN), com coordenação da engenheira biofísica    e pesquisadora de pós-doutorado, Rita Sousa. A proposta é um exemplo do uso da engenharia natural  para a reconstituição de APPs. Essa modalidade se difere da engenharia civil por ter benefícios ecológicos e sociais para a fauna e a flora, como a regulação da temperatura ambiental. “O uso de plantas tem funções técnicas, como alta filtragem, que não são atendidas pela engenharia civil. Dependendo das exigências de cada local, a engenharia natural é o melhor caminho”, afirma a engenheira biofísica.</p>
<p>Para Rita, o conceito de engenharia natural remete a um conjunto de técnicas que utilizam elementos da própria natureza a fim de proporcionar estabilidade na área em que é aplicada. Nessa modalidade, o uso de plantas, madeira, pedras e outros materiais inorgânicos são importantes devido às suas funcionalidades ecológicas. A engenharia natural tem sido utilizada em diversas partes do mundo como uma alternativa para amenizar os impactos da degradação ambiental.</p>
<p>A sanga Lagoão do Ouro foi escolhida como área pioneira para aplicação do projeto, criado em 2022, devido ao alto nível de erosão no local. Rita argumenta que o objetivo é diminuir a incidência de desgaste das margens do córrego, com a  introdução de espécies de plantas nativas da região, “A erosão está progredindo rapidamente nos dois lados da área. Achamos que era um ponto importante para aplicar o projeto já que há grande circulação de pessoas”, conta Rita. Já foram feitos estudos sobre a água, solo e relevo da região, e agora a iniciativa está na fase de contratação da execução.</p>		
			<h4>Legislação das APPs</h4>		
		<p>O <em><strong><a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12651.htm" target="_blank" rel="noopener">Código Florestal Brasileiro</a></strong></em>, criado em 2012, define que as APPs são locais protegidos e voltados à conservação do ecossistema. Essa legislação tem especificações para zonas urbanas e rurais. O Artigo 4° impõe o estabelecimento de margens, com metragens específicas, ao redor de cursos d’água, conforme sua largura. Em áreas urbanas, por exemplo, as margens devem ter 30 metros, e em regiões rurais, 100 metros - exceto para corpos d’água com até 20 hectares de superfície, o que equivale a aproximadamente 20 campos de futebol.</p>
<p>Em 2020, a UFSM recebeu a <em><strong><a href="https://www.ufsm.br/pro-reitorias/proinfra/licenca-de-operacao-do-campus-sede-da-ufsm" target="_blank" rel="noopener">Licença de Operação</a></strong></em>, emitida pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam). A coordenadora do Setor de Planejamento Ambiental e Urbano da Proinfra, Nicolli Reck, explica que após receber o documento, a Universidade passou a monitorar as APPs. “A partir de então, a nossa prioridade é recuperar todos os locais de preservação do Campus”, pontua.</p>
<p><a href="https://www.ufsm.br/pro-reitorias/proinfra/areas-de-preservacao-permanente-campus-sede-ufsm" target="_blank" rel="noopener"><em><strong>Conforme dados da Proinfra</strong></em></a>, na UFSM, aproximadamente 16% da extensão territorial total são de APPs e 144,9 desses hectares possuem necessidade de recomposição. O pró-reitor de Infraestrutura, Mauri Lobler, explica que o setor mapeia o terreno da UFSM e elabora estratégias de restabelecimento dessas áreas. “Elaboramos um plano de recuperação, com o plantio de árvores e projetos de revestimento vegetal”, acrescenta.</p>		
			<h4>Resiliência nas correntezas </h4>		
		<p>Em maio de 2024, o Rio Grande do Sul enfrentou a maior catástrofe climática da sua história. Conforme dados da <em><strong><a href="https://defesacivil.rs.gov.br/inicial" target="_blank" rel="noopener">Defesa Civil</a></strong></em>, 95% das cidades do estado foram afetadas por alagamentos, deslizamentos de terra, quedas de energia e falta de água potável.</p>
<p>Devido ao grande volume de chuvas, nos primeiros dias do evento climático extremo, a Prefeitura de Santa Maria registrou pontos de alagamento causados pelo aumento do nível da água do Rio Vacacaí-Mirim, próximos ao Lagoão. Os alertas de evacuação foram emitidos nos bairros João Goulart, Km 3 e Campestre do Menino Deus, na região leste do município.</p>
<p>As Áreas de Preservação Permanente (APP) contribuem ativamente para reduzir os riscos de enchentes. Rita exemplifica como uma área preservada se comporta ao receber grandes quantidades de água: “Em um muro de concreto, há pouca permeabilidade e maior risco de transbordar. Já em uma área com vegetação, a água tem menor velocidade e a infiltração ocorre de forma mais eficiente”.</p>
<p>As APPs não agem sozinhas: a combinação de estratégias estruturais e medidas de categorização, manutenção e recuperação de áreas naturais amenizam os riscos de enchentes. A engenheira ainda ressalta que o projeto será um dos pilares para a reconstituição das APPs no Campus, o que vai permitir que elas diminuam os riscos de enchentes.</p>
<p>Durante o período de calamidade, a UFSM promoveu uma série de ações para dar suporte à comunidade atingida. Dentre as iniciativas, houve mutirão para produção de alimentos, recolhimento de doações, recuperação de eletrodomésticos, auxílio na construção de abrigos emergenciais, assistência psicológica, entre outras ações, registradas no <em><strong><a href="https://www.ufsm.br/crise-climatica-rs-2024" target="_blank" rel="noopener">site</a></strong></em> da Universidade.</p>		
								<figure><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2024/07/1-1024x683.jpg" alt="Fotografia horizontal, colorida, em primeiro plano e ângulo fechado, de uma placa que delimita uma Área de Preservação Permanente. A placa tem tem detalhes em azul e prata fixada em um suporte de madeira. Está com limo e suja, ao fundo, há árvores que fecham o ambiente ao redor. A iluminação é natural." /><figcaption>Placa de Área Preservação Permanete - APP | Foto: João Agripino Veigas</figcaption></figure><figure><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2024/07/DSC_7642-1024x683.jpg" alt="Fotografia horizontal e colorida da sanga Lagoão do Ouro. A fotografia está em plano aberto, tirada em um ângulo de baixo para cima, com destaque para as águas e as pedras do córrego. A sanga está entre um corredor de árvores e vegetação. No lado esquerdo da imagem, uma encosta verde e arborizada que se eleva até uma ponte de concreto, que está por cima da sanga. No lado direito do córrego, há plantas rasteiras, pedras e arbustos ao longo das margens. Ao fundo da imagem, com leve desfoque, é possível ver árvores e prédios. A fotografia tem iluminação natural." /><figcaption>Sanga Lagoão do Ouro | Foto: João Agripino Veigas </figcaption></figure><figure><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2024/07/4-1024x683.jpg" alt="Fotografia horizontal, colorida, em primeiro plano e ângulo aberto, da Sanga Lagoão do Ouro. A corrente de água, no centro da imagem, tem cor cinza escuro e carrega dejetos como galhos de árvores e plásticos pequenos de cor branca. Nos dois lados do córrego, árvores compõem a mata ciliar. Também há galhos secos e pedras que circundam o córrego. É dia com céu nublado e a iluminação do lugar é natural." /><figcaption>Sanga Lagoão do Ouro | Foto: João Agripino Veigas </figcaption></figure>			
		<p><strong>Reportagem:</strong> João Victor Souza e Pedro David Pagnossin</p>
<p><strong>Contato: </strong>victor.souza@acad.ufsm.br/pedro.moro@acad.ufsm.br</p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Ações solidárias do Pastos &amp; Solidariedade ajudam famílias e produtores rurais do município de Santa Maria e região</title>
				<link>https://www.ufsm.br/cursos/pos-graduacao/santa-maria/ppgz/2024/06/11/acoes-solidarias-do-pastos-solidariedade-ajudam-familias-e-produtores-rurais-do-municipio-de-santa-maria-e-regiao</link>
				<pubDate>Tue, 11 Jun 2024 20:09:00 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Comunidade]]></category>
		<category><![CDATA[enchentes]]></category>
		<category><![CDATA[pós-graduação]]></category>
		<category><![CDATA[ppgz]]></category>
		<category><![CDATA[solidariedade]]></category>

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						<description><![CDATA[Uma iniciativa solidária dos estudantes do Laboratório Pastos &amp; Suplementos, coordenado pela Professora Drª Luciana Pötter, trouxe esperança e apoio às vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul. As ações realizadas entre os dias 02 de maio a 27 de maio pelos voluntários, incluindo professores e estudantes do PPGZ-UFSM, e apoiado por várias empresas [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p><!-- wp:paragraph --></p>
<p>Uma iniciativa solidária dos estudantes do Laboratório Pastos &amp; Suplementos, coordenado pela Professora Drª Luciana Pötter, trouxe esperança e apoio às vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul. As ações realizadas entre os dias 02 de maio a 27 de maio pelos voluntários, incluindo professores e estudantes do PPGZ-UFSM, e apoiado por várias empresas e organizações, destacaram a importância da solidariedade em momentos de necessidade. A iniciativa inicial foi a preparação e distribuição de marmitas às vilas e bairros mais afetados pelas chuvas. Vilas e bairros como Itararé, Urlândia, Lidia, Boi Morto, Caturrita, Lorenzi, foram atendidos. Além das marmitas, o grupo realizou entrega de cestas básicas, kits de higiene, limpeza e saúde do bebê em diversos municípios como Ivorá, Silveira Martins, Agudo, Dona Francisca, São João do Polêsine, Faxinal do Soturno, Nova Palma, além de pontos de distribuição da cidade de Santa Maria (Igreja Santa Teresinha, Templo das Nações, Unidade de Pronto Atendimento, A.T. Poncho Branco, etc.). As próximas iniciativas do grupo foram o fornecimento de insumos para alimentação animal voltadas aos produtores rurais de Agudo, além de sementes forrageiras para recuperação das pastagens atingidas pelas enchentes.</p>
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<figure></figure>
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													<img width="768" height="1024" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/562/2024/06/WhatsApp-Image-2024-06-09-at-13.54.47-2-768x1024.jpeg" alt="" />													
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													</item>
						<item>
				<title>Laboratórios de Leite e de Panificação do Colégio Politécnico ampliam produção</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2024/06/03/laboratorios-de-leite-e-de-panificacao-do-colegio-politecnico-ampliam-producao</link>
				<pubDate>Mon, 03 Jun 2024 12:56:18 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Comunidade]]></category>
		<category><![CDATA[CCR]]></category>
		<category><![CDATA[crise-climática]]></category>
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		<category><![CDATA[Politécnico]]></category>
		<category><![CDATA[quarta colonia]]></category>

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						<description><![CDATA[Objetivo é atender demandas de Santa Maria e Quarta Colônia]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
<p><span style="font-weight: 400"><img class="alignleft wp-image-65949 " src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2024/06/IMG_1231.jpg" alt="" width="503" height="671" />Uma parceria entre o Colégio Politécnico e o Centro de Ciências Rurais, através do Laboratório de Leite e do Laboratório de Panificação do Colégio Politécnico, está possibilitando a ampliação de áreas de doação de alimentos para atender não apenas a cidade de Santa Maria, mas também as cidades da Quarta Colônia. Desde o início de maio, os esforços têm sido concentrados na pasteurização de leite e na produção de derivados do leite e pães.</span></p>
<p>Em um período de 10 dias, a produção já beneficiou diversas famílias em Santa Maria, com a entrega dos itens sendo realizada com o apoio da equipe do Sistema de Serviço Municipal – SIM/SISB Santa Maria. A iniciativa se expandirá com as cidades da Quarta Colônia sendo incluídas na distribuição das doações. A produção de pães e derivados de leite foi aumentada para enviar parte dela às vítimas das enchentes na região.</p>
<p>A primeira entrega para as cidades da Quarta Colônia começou a ser realizada na segunda quinzena de maio e consistiu em 121 potes de mel (250g), 170 kg de doce de leite, em diferentes porções, e 955 pães, estes últimos produzidos a partir de ingredientes doados ao Laboratório de Panificação. A distribuição das doações nas cidades é coordenada pelo Condesus Quarta Colônia.</p>
<p>Aproximadamente 500 litros de leite já foram processados, resultando em 185 litros de leite pasteurizado, 90 litros de iogurte de morango, 14 litros de bebida láctea de morango, 17 litros de bebida láctea achocolatada, 21 kg de queijo frescal, 14 kg de requeijão, 4,5 litros de preparado líquido de doce de leite. Todos os produtos elaborados atenderam ao RTIQ (Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade) da legislação brasileira vigente. Essa ação em específico, é uma colaboração entre o Colégio Politécnico e o Centro de Ciências Rurais, contando com o apoio do Tambo da UFSM e do curso Técnico em Zootecnia, sob coordenação da professora Neila Richards (CCR) e do professor Diego Zeni (Politécnico), com a participação de estudantes do PPG de Ciências e Tecnologia de Alimentos.</p>
<p><span style="font-weight: 400">“Em um esforço conjunto entre o Departamento de Ciência e Tecnologia dos Alimentos e os laboratórios da Universidade, estamos transformando o leite fresco em fonte vital de nutrição para nossa comunidade. Com a liderança do DEPA e o apoio da renomada professora Neila Richards, do Departamento de Alimentos do CCR, nossos alunos e professores do Colégio Politécnico uniram forças para processar o leite de diversas maneiras. Desde a produção de doce de leite até a fabricação de queijos artesanais, além da pasteurização do leite fresco, estamos dedicados a criar produtos lácteos de alta qualidade. Esses alimentos não apenas são ricos em proteínas, açúcares e gorduras, mas também representam uma fonte valiosa de nutrição para nossa comunidade, que os aprecia profundamente. Os produtos resultantes desse esforço são embalados e distribuídos para crianças e comunidades necessitadas, garantindo acesso a alimentos nutritivos onde mais é necessário. Essa iniciativa não apenas fortalece os laços entre os diversos departamentos acadêmicos envolvidos, mas também demonstra o compromisso de nossa universidade em utilizar seus recursos para o bem-estar da sociedade", relata Diego Zeni, professor do Colégio Politécnico.</span></p>
<p><b>Do “aprender fazendo” ao “aprender ajudando”</b></p>
<p><span style="font-weight: 400">Dentro da formação técnica proposta pelo Colégio Politécnico, o “aprender fazendo” é o lema que norteia suas atividades de ensino-aprendizagem. Nas ações dos últimos dias, professores e estudantes o transformaram em “aprender ajudando”. Os laboratórios, espaços desenvolvidos para ampliar as oportunidades de aprendizagem dos estudantes, tornaram-se, também, um ambiente de compartilhamento da vontade de fazer o bem àqueles que mais precisam nesse momento. A professora Magda Monego, coordenadora do Laboratório de Panificação e que está orientando estudantes do Técnico em Alimentos voluntários nas produções doadas, pontua que “neste momento desafiador foi possível testemunhar a importante integração colaborativa entre diferentes unidades da UFSM, laboratórios do Colégio Politécnico da UFSM e pessoas voluntárias, entre estudantes e servidores da universidade.  Ao se voluntariar para contribuir com suas habilidades em prol do bem comum, a comunidade expressa valores humanitários que transcendem fronteiras disciplinares, oferecendo produtos de qualidade, saborosos e nutritivos. Essa colaboração certamente fortalece vínculos dentro da comunidade acadêmica, bem como inspira o senso de propósito e responsabilidade social que transcende o arco". </span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Ainda, é importante mencionar os feedbacks que a equipe está recebendo das equipes de distribuição. Segundo Juliana Vendruscolo, responsável pela entrega no CONDESUS Quarta Colônia, "os produtos doados têm recebido muitos elogios, com muita aceitação, porque são produtos deliciosos e que não vêm na cesta básica”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Os laboratórios seguirão com a produção destinada a doações por tempo indeterminado, de acordo com o surgimento de demandas. Doações de ingredientes seguem sendo bem vindos e podem ser entregues via contato com a professora coordenadora da ação. </span>Contato para mais informações sobre esta ação:<span style="font-weight: 400"> professora Magda Monego pelo (55) 99724-3301 ou pelo e-mail </span><a href="mailto:depe.politecnico@ufsm.br"><span style="font-weight: 400">depe.politecnico@ufsm.br.</span></a></p>
<p><em>Com informações da Assessoria de Comunicação do Colégio Politécnico e da Subdivisão de Comunicação do CCR</em></p>
<!-- /wp:tadv/classic-paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>UFSM recebe Ministro Paulo Pimenta e prefeitos da região central para debater ações diante da calamidade pública</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2024/05/27/ufsm-recebe-ministro-paulo-pimenta-e-prefeitos-da-regiao-central-para-debater-acoes-diante-da-calamidade-publica</link>
				<pubDate>Mon, 27 May 2024 11:28:10 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[crise-climática]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[enchentes]]></category>
		<category><![CDATA[encheten]]></category>

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						<description><![CDATA[Comitê “Care”, formado por pesquisadores da Universidade, está atuando na linha de frente com cidades da região]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
[caption id="attachment_65903" align="alignleft" width="502"]<img class="wp-image-65903 " src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2024/05/foto-a-ufsm-pimenta.jpg" alt="" width="502" height="335" /> Vice-reitora, Martha Adaime, conversou com Paulo Pimenta acerca das ações da UFSM em relação às fortes chuvas[/caption]
<p>No último sábado (25), a vice-reitora, Martha Adaime, recebeu o Ministro-Chefe da Secretaria Extraordinária de Apoio à Reconstrução do Rio Grande do Sul, Paulo Pimenta, no Gabinete do Reitor. O encontro foi realizado para tratar de assuntos envolvendo o trabalho da UFSM no apoio à comunidade de Santa Maria e região que, assim como o resto do estado, sofre com as fortes chuvas desde o fim de abril.</p>
<p>Desde o dia 30 de abril, quando as condições climáticas fizeram com que o Campus Sede fosse evacuado e as atividades acadêmicas e administrativas fossem paralisadas temporariamente, a Universidade buscou atuar na linha de frente diante do status de calamidade pública. Pensando nisso, a vice-reitora revela que a Instituição criou um comitê, chamado “Care” (que significa “cuidado”, em tradução do inglês), composto por pesquisadores de diferentes campos do conhecimento.</p>
<p>“A gente entende que existe um potencial enorme de expertise em áreas que são fundamentais para esse momento. Nós montamos um comitê de apoio a eventos extremos e emergentes de toda natureza. Vivemos uma pandemia, agora estamos tendo essa questão, não sabemos o que teremos nos próximos tempos”, revelou Martha. Neste momento, com apoio do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) da UFSM, o trabalho está sendo realizado com os municípios da região central, com foco nos seguintes âmbitos: mudanças climáticas, meio ambiente, hidrologia e geologia.</p>
<p>Da mesma forma, a vice-reitora aproveitou o encontro com o Ministro para agradecer a liberação do aporte de R$ 8,5 milhões do Ministério da Educação, via Secretaria de Educação Superior, para a Universidade. Conforme já havia sido informado pelo reitor Luciano Schuch na última sexta-feira (24), o montante recebido será utilizado para a reparação do telhado da Casa do Estudante Universitário, como também de <a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/2024/05/Lista-de-Emergencias-UFSM.pdf">outros estragos causados pelas fortes chuvas</a>.</p>
[caption id="attachment_65904" align="alignright" width="508"]<img class="wp-image-65904 " src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2024/05/foto-b-ufsm-pimenta.jpg" alt="" width="508" height="339" /> Martha destacou que a preocupação da UFSM com as mudanças climáticas não são atuais e entregou aos presentes exemplares da 13ª Revista Arco, que trata sobre o assunto[/caption]
<p>De Gabinete cheio, Martha recebeu na reunião, além de Pimenta: autoridades de cidades que integram a Associação dos Municípios da Região Central do Estado, representantes das Forças Armadas, representantes de entidades empresariais, professores que integram o comitê Care, representantes de movimentos sociais, o Secretário de Assistência Social, Beto Fantinel, e o deputado estadual Valdeci Oliveira.</p>
<p>Lançada em setembro de 2023, exemplares da 13ª edição da Revista Arco, a revista da UFSM que trata de pautas científicas e culturais, também foram entregues aos presentes. A produção tem como tema principal as mudanças climáticas no planeta Terra sob o viés dos impactos na produção de alimentação, na saúde e na migração. Para conferir a versão digital, basta <a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/09/ARCO_13_Digital.pdf">acessar o site</a>.</p>
<p>Outros assuntos, como a situação atual da Quarta Colônia, programas do Governo Federal e a ampliação dos voos que partem do Aeroporto de Santa Maria, foram discutidos. Conforme documento entregue ao Ministro, a ideia é que este último possa se tornar uma alternativa para trajetos de maior escala, enquanto o Aeroporto Salgado Filho, de Porto Alegre, estiver interditado.</p>
<p>Após quase três horas de reunião, o Ministro, que é formado em Jornalismo pela UFSM e natural de Santa Maria, comentou como é ver a instituição atuar com protagonismo neste processo de reconstrução que vive a cidade e o Rio Grande do Sul. “Eu fico muito orgulhoso de ver a nossa Universidade, com toda a capacidade de pesquisa que tem, com os projetos de extensão, poder estar ao lado da nossa comunidade no momento que ela mais precisa. Nós temos aqui condições de, neste período, ser referência na área da pesquisa”, afirmou Pimenta.</p>
[caption id="attachment_65905" align="alignright" width="511"]<img class="wp-image-65905 " src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2024/05/foto-c-ufsm-pimenta-1024x683.jpg" alt="" width="511" height="341" /> Ministro Paulo Pimenta, santa-mariense e jornalista pela UFSM declara estar orgulho em ver a UFSM atuando com a comunidade neste momento de calamidade pública[/caption]
<p>Pronto para “vencer” esta tragédia, o Ministro ainda garante: “eu vou trabalhar para que a gente possa trazer a Universidade para perto desse debate. Nós precisamos muito da UFSM. Vocês podem ter certeza de que eu estarei junto, lado a lado, com a instituição, vamos fazer muitas coisas. Nesse momento, o Rio Grande do Sul precisa muito de nós, o Brasil precisa muito de nós, e eu sei que a Universidade vai dar a resposta que a gente precisa”.</p>
<p> </p>
<p><em>Texto: Pedro Pereira, estudante de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias<br /></em><em>Fotos: Gabriel Escobar, estudante de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias<br /></em><em>Edição: Mariana Henriques, jornalista</em></p>
<!-- /wp:tadv/classic-paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>DCE da UFSM organiza ponto de coleta e distribuição de doações para vítimas das chuvas em Santa Maria</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2024/05/10/dce-da-ufsm-organiza-ponto-de-coleta-e-distribuicao-de-doacoes-para-vitimas-das-chuvas-em-santa-maria</link>
				<pubDate>Fri, 10 May 2024 14:05:04 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Comunidade]]></category>
		<category><![CDATA[CCR]]></category>
		<category><![CDATA[crise-climática]]></category>
		<category><![CDATA[DCE]]></category>
		<category><![CDATA[enchentes]]></category>
		<category><![CDATA[solidariedade]]></category>

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						<description><![CDATA[Doações podem ser feitas na lancheria do prédio 42]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
<p><img class="alignright wp-image-65792 size-full" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2024/05/09-05-2024-e1715263024110-300x252-1.jpg" alt="" width="300" height="252" />O <a href="https://www.instagram.com/dce.ufsm/">Diretório Central dos Estudantes da UFSM</a> está mobilizando esforços para ajudar as vítimas das recentes chuvas que assolaram a região, com foco em Santa Maria e Cachoeira do Sul.</p>
<p>O ponto de coleta e distribuição de doações foi estabelecido na Lancheria do Prédio 42, localizado no campus sede da instituição, com o apoio da Direção do Centro de Ciências Rurais.</p>
<p>Os interessados em contribuir com mantimentos e outros itens essenciais podem dirigir-se ao espaço da lancheria do CCR nos seguintes horários: de 8h 30min às 11h 30min e de 13h 30min às 16h 30min. Além disso, o transporte dos materiais pode ser organizado mediante combinação.</p>
<p>Para mais informações sobre a campanha e para solicitar ajuda, os contatos são:</p>
<ul>
<li>Matrégori: 55 99189 0660</li>
<li>Carol: 53 99957 4483</li>
</ul>
<p>Além disso, desde o lançamento da campanha, o PIX Solidário tem sido uma ferramenta fundamental na arrecadação de fundos, que estão sendo imediatamente convertidos em auxílio para as áreas afetadas. Para doações via PIX Solidário, a chave é ufsm.dce@gmail.com, dirigido a Mylena.</p>
<p><em>Com informações da Subdivisão de Comunicação do CCR</em></p>
<!-- /wp:tadv/classic-paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Equipe do Laboratório de Pastos e Suplementos da UFSM prepara marmitas para os necessitados</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2024/05/10/equipe-do-laboratorio-de-pastos-e-suplementos-da-ufsm-prepara-marmitas-para-os-necessitados</link>
				<pubDate>Fri, 10 May 2024 13:52:53 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Comunidade]]></category>
		<category><![CDATA[CCR]]></category>
		<category><![CDATA[crise-climática]]></category>
		<category><![CDATA[enchentes]]></category>
		<category><![CDATA[Laboratório de Pastos e Suplementos]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/?p=65788</guid>
						<description><![CDATA[Grupo atua em parceria com a comunidade local]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
[caption id="attachment_65789" align="alignright" width="300"]<img class="wp-image-65789 size-full" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2024/05/09-05-2024-3-e1715266992509-300x300-1.jpg" alt="" width="300" height="300" /> Entrega de marmitas no dia 5 de maio[/caption]
<p>Em um gesto de solidariedade e empatia, a <a href="https://www.instagram.com/pastosesuplementos/">equipe do Laboratório de Pesquisa em Pastos com Uso de Suplementos da UFSM</a> está dedicando esforços para ajudar aqueles que mais precisam em meio às adversidades. Com o intuito de oferecer uma refeição quente e reconfortante para os necessitados, eles lançaram uma iniciativa notável: a preparação e distribuição de marmitas.</p>
<p>Para tornar essa missão possível, a equipe está contando com o apoio da comunidade local. A chave PIX para doações é o CPF 040.410.760-56, registrado em nome de Iohan Souza da Silva (Banco do Brasil).</p>
<p>Além das transferências por PIX, a iniciativa recebeu doações de diversos parceiros, que estão desempenhando um papel crucial nessa causa humanitária. A Bilider contribuiu com potes térmicos, enquanto a Distribuidora Cauduro e Lucão Lanches forneceram refrigerantes e copos descartáveis. A Marquetto Agropecuária também se uniu à causa, doando sacos e sachês de ração. Paola Capra organizou a logística da entrega desses materiais essenciais. Liziane Pagliarin contribuiu com mandioca, enquanto a Lubox Esquadrarias e Vidros ofereceu seu transporte para facilitar a distribuição das doações.</p>
<p>A equipe do Laboratório de Pesquisa em Pastos da UFSM é coordenado pela professora Luciana Pötter, do Departamento de Zootecnia da UFSM.</p>
<p><em>Com informações da Subdivisão de Comunicação do CCR</em></p>
<!-- /wp:tadv/classic-paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>UFSM mantém suspensão da aulas e flexibilização administrativa em Santa Maria e Cachoeira do Sul</title>
				<link>https://www.ufsm.br/cursos/pos-graduacao/santa-maria/mpcs/2024/05/09/ufsm-mantem-suspensao-da-aulas-e-flexibilizacao-administrativa-em-santa-maria-e-cachoeira-do-sul</link>
				<pubDate>Thu, 09 May 2024 19:19:02 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[enchentes]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/cursos/pos-graduacao/santa-maria/mpcs/?p=731</guid>
						<description><![CDATA[Devido a calamidade no Estado do Rio Grande do Sul, a UFSM mantém a suspensão das aulas durante a semana de 13 a 18 de maio nos campi de Santa Maria e Cachoeira do Sul. Nestes campi, as atividades administrativas e atividades acadêmicas como projetos, orientações e estágios poderão ocorrer de maneira remota ou presencial, [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
<p>Devido a calamidade no Estado do Rio Grande do Sul, a UFSM mantém a suspensão das aulas durante a semana <strong>de 13 a 18 de maio</strong> nos campi de Santa Maria e Cachoeira do Sul. Nestes campi, as atividades administrativas e atividades acadêmicas como projetos, orientações e estágios poderão ocorrer de maneira remota ou presencial, devendo ser avaliada as condições para sua realização.</p>
<p>O Restaurante Universitário do campus sede segue atendendo somente os moradores da Casa do Estudante, para evitar desabastecimento de gêneros alimentícios e gás. A situação será avaliada até sexta-feira (10), quando será feito novo comunicado específico.</p>
<p>Os campi de Frederico Westphalen e Palmeira das Missões seguem com atividades normalizadas. Está mantido o monitoramento em relação às mudanças climáticas na região.</p>
<p><strong>Na próxima quarta-feira, 15, será feito novo comunicado a partir da análise da situação para retorno presencial a partir do dia 20 de maio</strong>. A forma de recuperação das aulas será discutida pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão.</p>
<p>A população do nosso Estado enfrenta um momento de extrema dificuldade. A UFSM está auxiliando em diversas ações na busca de salvar e reconstruir vidas. Acompanhe as redes sociais da UFSM para conferir projetos em que você pode se voluntariar. Incentivamos os(as) TAES, docentes e estudantes, a se juntarem às forças-tarefas dentro de suas possibilidades para que possamos, enquanto universidade, fazer a diferença em nossa comunidade.</p>
<p><em>Fonte: Gabinete do Reitor da UFSM</em></p>
<p><a href="https://ufsm.br/r-1-65773">https://ufsm.br/r-1-65773</a></p>
<!-- /wp:tadv/classic-paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>UFSM distribui água e disponibiliza banheiros para atingidos pelas enchentes</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2024/05/09/ufsm-distribui-agua-e-disponibiliza-banheiros-para-atingidos-pelas-enchentes</link>
				<pubDate>Thu, 09 May 2024 13:39:47 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Comunidade]]></category>
		<category><![CDATA[CEFD]]></category>
		<category><![CDATA[crise-climática]]></category>
		<category><![CDATA[enchentes]]></category>
		<category><![CDATA[extensao]]></category>
		<category><![CDATA[proinfra]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/?p=65751</guid>
						<description><![CDATA[Água potável pode ser retirada junto ao Planetário, e banheiros ficam no prédio 51, do estádio de futebol]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph /-->

<!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
<div dir="auto">A UFSM está disponibilizando, no Campus Sede, dois serviços voltados à população atingida pelas enchentes. Um deles é a distribuição de água potável, realizada em pontos ao lado do Planetário e do prédio 74. Quem precisar pode comparecer nestes locais das 7h às 17h, levando consigo bombonas e outros recipientes limpos. A distribuição ocorre também durante os finais de semana e em dias de chuva.</div>
<div dir="auto"> </div>
<div dir="auto">Em caso de caminhões pipa, é necessário fazer contato pelo email proinfra@ufsm.br para combinar o local de retirada.</div>
<div dir="auto"> </div>
<div dir="auto">Outro serviço é a disponibilização de banheiros com chuveiro do Centro de Educação Física e Desportos (CEFD), no prédio 51 (estádio de futebol). Os banheiros estão abertos das 7h às 22h.</div>
<div dir="auto"> </div>
<!-- /wp:tadv/classic-paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Estudante do curso de Geografia da UFSM mapeia pontos de doações para atingidos pelas chuvas</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2024/05/04/estudante-do-curso-de-geografia-da-ufsm-mapeia-pontos-de-doacoes-para-atingidos-pelas-chuvas</link>
				<pubDate>Sat, 04 May 2024 13:36:00 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[crise-climática]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[enchentes]]></category>
		<category><![CDATA[geografia]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/?p=65738</guid>
						<description><![CDATA[Projeto objetiva facilitar e reduzir deslocamentos de quem deseja doar]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
<p><span style="font-weight: 400"><img class="alignleft wp-image-65739 " src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2024/05/mapa.jpg" alt="" width="499" height="350" />Com o objetivo de melhorar a logística das pessoas que pretendem doar mantimentos para os atingidos pelas chuvas na cidade de Santa Maria, a estudante do curso de Geografia da Instituição, </span><span style="font-weight: 400">Raquel Camargo Trindade, mapeou diversos locais onde é possível realizar doações para quem foi atingido pelas enchentes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">A ideia é facilitar o caminho para quem deseja doar, fazendo com que a pessoa  encontre no mapa o  </span><span style="font-weight: 400">local mais próximo para entregar a doação. Assim, é possível evitar deslocamentos longos e maior exposição a riscos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400">A iniciativa está disponível em duas plataformas: no </span><a href="https://earth.google.com/earth/d/1-10sSWzr_echv8s-rcS8f1AjiI5nyPGO?usp=sharing"><span style="font-weight: 400">Google Earth</span></a><span style="font-weight: 400"> (em que é necessário ter o aplicativo para acessar) e, também, no </span><a href="https://www.google.com/maps/d/u/0/edit?mid=105vBdV52C-3Jxastmvj7bzQju9WbPtU&amp;usp=sharing"><span style="font-weight: 400">Google My Maps</span></a><span style="font-weight: 400">,  que não necessita de aplicativo. </span></p>
<!-- /wp:tadv/classic-paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Atualização da situação da UFSM durante as chuvas</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2024/04/30/atualizacao-da-situacao-da-ufsm-durante-as-chuvas</link>
				<pubDate>Tue, 30 Apr 2024 13:56:00 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[enchentes]]></category>
		<category><![CDATA[nota]]></category>
		<category><![CDATA[reitoria]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/?p=65765</guid>
						<description><![CDATA[O ambiente Moodle necessitará ficar fora do ar &#8211; CPD necessitou desligar todas as máquinas. Internet e Portais Institucionais da UFSM estão fora do ar. RU &#8211; Haverá distribuição de kits para moradores da Casa do Estudante para jantar hoje e café da manhã de amanhã, até que a energia seja reestabelecida. ⁠Subsolo da Reitoria [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
<p><span style="font-weight: 400">O ambiente Moodle necessitará ficar fora do ar - CPD necessitou desligar todas as máquinas. Internet e Portais Institucionais da UFSM estão fora do ar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">RU - Haverá distribuição de kits para moradores da Casa do Estudante para jantar hoje e café da manhã de amanhã, até que a energia seja reestabelecida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">⁠Subsolo da Reitoria está alagado, com possíveis perdas do arquivo geral da instituição e será necessário auxílio de voluntários para recuperação.</span></p>
<!-- /wp:tadv/classic-paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>[GRITOS DO SILÊNCIO] Calamidade pública no Rio Grande do Sul: um retrato da nova realidade socioambiental</title>
				<link>https://www.ufsm.br/orgaos-suplementares/radio/2024/02/14/gritos-do-silencio-calamidade-publica-no-rio-grande-do-sul-um-retrato-da-nova-realidade-socioambiental</link>
				<pubDate>Wed, 14 Feb 2024 19:00:00 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[calamidade pública]]></category>
		<category><![CDATA[enchentes]]></category>
		<category><![CDATA[gritos do silêncio]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[rádios UFSM]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/orgaos-suplementares/radio/?p=7733</guid>
						<description><![CDATA[Reprodução de G1: cidade de Roca Sales depois da passagem do ciclone &#8211; Foto: Lauro Alves/Agência RBS De junho a setembro deste ano, o Rio Grande do Sul enfrentou nove ciclones extratropicais. O mais nocivo deles se manifestou na madrugada do dia 4 de setembro, quando moradores de cerca de 90 municípios foram surpreendidos por [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <figure>
										<img width="768" height="512" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/411/2023/10/efeitociclone11-1-1-768x512.jpg" alt="A foto mostra uma rua da cidade de Roca Sales com postes caídos e casas destruídas." loading="lazy"><figcaption>Reprodução de G1: cidade de Roca Sales depois da passagem do ciclone - Foto: Lauro Alves/Agência RBS</figcaption></figure>
De junho a setembro deste ano, o Rio Grande do Sul enfrentou nove ciclones extratropicais. O mais nocivo deles se manifestou na madrugada do dia 4 de setembro, quando moradores de cerca de 90 municípios foram surpreendidos por uma enchente. O episódio foi causado pelo aumento rápido e imparável do nível do Rio Taquari, o que se deu após chuvas intensas no vale. De acordo com a Defesa Civil Estadual, o sinistro afetou mais de 150 mil pessoas e levou a 43 mortes.&nbsp;

Danos humanos, sociais e econômicos como esses já haviam sido vistos há seis décadas no estado. Em setembro de 1959 ocorreu o desastre climático mais fatal do Rio Grande do Sul, também decorrente de chuvas extremas que elevaram o nível do Rio Pardo. O episódio ocorreu nas cidades de Candelária, Passa Sete e Sobradinho, no Centro gaúcho, e resultou na morte de 94 pessoas.&nbsp;

Fatores geomorfológicos e climáticos tornam o estado favorável ao que se chama de efeito orográfico, fenômeno surgido do encontro entre uma massa de ar e um “obstáculo” no relevo. O professor em climatologia geográfica Cássio Wollmann explica que as fortes chuvas são naturais. “Sempre tende a chover mais no norte do Rio Grande do Sul e relativamente menos nas áreas mais planas. Em um evento extremo como esse, de maior quantidade de chuva, vai chover mais onde já é esperado”, conclui.&nbsp;

No dia 7 de setembro, logo após a passagem do ciclone, a Gaúcha ZH publicou uma reportagem sobre a possibilidade de recorrência de supertempestades em solo gaúcho. Sob o risco crescente de novas catástrofes, é urgente que medidas de prevenção sejam tomadas. No entanto, dados do <a href="https://www.gov.br/mcti/pt-br/acompanhe-o-mcti/cgcl/paginas/adaptabrasil-mcti">Adapta Brasil</a> indicam que quase metade dos municípios do RS tem baixo potencial de adaptação frente a desastres desse nível.
<h3>Possíveis medidas</h3>
A baixa capacidade adaptativa das cidades, somada à falta de planejamento e investimento do Governo Estadual, intensifica o perigo de prejuízos na qualidade de vida da população. Segundo matéria da <a href="https://apublica.org/2023/09/governo-do-rio-grande-do-sul-engavetou-planos-para-lidar-com-mudancas-climaticas/#MPF">Agência Pública</a>, o estado deixou de implementar planos para administrar emergências e prevenir estragos advindos de catástrofes naturais. A negligência se estende à desconsideração da gestão atual para com os alertas emitidos pela MetSul Meteorologia na semana precedente à enchente.&nbsp;

A previsão era de que chuvas intensas, acima de 300 milímetros, trariam volume expressivo e impactos iminentes, mas não houve esforços para promover uma redução de danos. Para Wollmann, o padrão histórico do estado apresenta uma previsibilidade alta de acontecimento do gênero e, por isso, os órgãos responsáveis devem administrar de forma mais coerente a ocupação territorial do estado.&nbsp;

O professor elucida a questão com a enchente ocorrida em 1941, quase meio metro maior que essa última, na capital gaúcha. “As cidades eram menores, sem o contingente populacional de hoje. O uso do solo pela agricultura, pela indústria e pela expansão da cidade era menor. Em 1941, o ocorrido não causou tantos transtornos quanto o atual. É urgente uma organização territorial para que se entenda quais áreas são passíveis de sofrer com enchentes e deslizamentos. Temos que ocupar os lugares com base no que a natureza promove de eventos regulares ou extremos”, ressalta.

Sobre moradia em áreas de risco no Brasil, em 2020, o portal R7 compartilhou uma reportagem com dados que apontavam ao menos 4 milhões de pessoas nessa situação. Em novembro de 2022, o MapBiomas Brasil divulgou um levantamento de dados que aponta que, de 1985 a 2021, o número de ocupações em ambiente irregular totalizou 106 mil hectares. As pessoas que ocupam esses lugares possuem algo em comum: são diretamente afetadas pela desigualdade socioeconômica.

Wollmann reforça que todos estão vulneráveis, em maior ou menor grau, a sofrer os efeitos das mudanças climáticas, mas que comunidades pobres são as mais afetadas. “Quando essas populações são jogadas em encostas de morro, regiões costeiras e beiras de rio, se favorece, intrinsecamente, o risco. A falta de recursos faz com que, muitas vezes, as construções sejam mais frágeis e as pessoas não tenham como se proteger. Então, deve existir um planejamento para tentar mitigar e reduzir essa desigualdade com políticas de Estado em todas as esferas do nosso país”, enfatiza o professor
<h3>Crise climática e ponto de ebulição global: o que é o novo normal?</h3>
Em julho deste ano, o secretário-geral da ONU, António Guterres, declarou em uma coletiva de imprensa que a Terra chegou ao seu ponto de ebulição. O uso abusivo de energia fóssil, carvão e de outros elementos responsáveis pelo efeito estufa aumentou o clima normal médio do planeta. No mês seguinte, o Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, financiado pela União Europeia, anunciou que a temperatura da atmosfera global está 1,5ºC acima dos níveis pré-industriais.&nbsp;

As consequências, que já podem ser notadas no cotidiano da humanidade, têm reflexos na segurança alimentar, no desenvolvimento socioeconômico e na saúde de todas as pessoas. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) iniciou em 2018 um relatório sobre a temática do aquecimento global. O resultado das análises traz a previsão de um colapso climático antes do ano de 2040.&nbsp;

Com foco em reverter a situação e promover a sustentabilidade, a ONU lançou, em 2015, a Agenda 2030. O plano possui 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e propõe ações afirmativas, inclusão socioeconômica e conscientização ambiental para resolver entraves econômicos, ambientais e sociais. De acordo com Wollmann, a ideia deve ser acompanhada de desenvolvimento teórico e intelectual: “Sem uma educação mundial que contemple formas de gerir esses problemas todos relacionados às mudanças climáticas e às relações interpessoais, não vamos avançar muito nisso”.&nbsp;

O meteorologista Murilo Lopes explica que extremos climáticos não significam o surgimento de novos fenômenos, mas sim a mudança de intensidade e frequência daquilo que naturalmente já acontece. Para ele, é fundamental que a sociedade, como um todo, entenda a crise climática e suas nuances para barrar o negacionismo quanto aos modos de consumo e de vida cada vez mais autodestrutivos.

&nbsp;Em relação ao superaquecimento do planeta, Lopes evidencia que o problema não é só o calor. “Extremos de frio e de chuva podem ser potencializados no planeta mais quente. O impacto social da intensidade e da concentração desses eventos em regiões específicas é inerente. Então, isso é algo que temos que difundir muito bem, porque gera muitas dúvidas e faz com que o cenário de mudança climática seja erroneamente questionado”, salienta o especialista.

De acordo com o meteorologista, o que se pode esperar é que mais pessoas sejam expostas aos impactos das mudanças climáticas e que, por esse motivo, é urgente que haja um investimento prévio para investigar e prevenir catástrofes futuras. “O evento climático vai acontecer de maneira natural, mas o desastre só acontece quando o ser humano está ali”, completa.
<figure><img width="150" height="150" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/411/2023/10/IMG_7087-150x150.jpg" alt="" loading="lazy"></figure>
<h4>Texto: Kemyllin Dutra</h4>
Repórter do Gritos do Silêncio, estudante de Jornalismo pela UFSM. Contato: kemyllin.dutra@acad.ufsm.br

<strong>Foto:</strong> Lauro Alves/Agência RBS

<strong>Revisão:</strong>&nbsp;Júlia Petenon, repórter do Gritos do Silêncio e estudante de jornalismo pela UFSM. Contato:&nbsp;petenon.julia@acad.ufsm.br

Publicação:&nbsp;Elisa Bedin, repórter do Gritos do Silêncio e estudante de jornalismo pela UFSM. Contato: elisa.bedin@acad.ufsm.br

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Escute o nosso programa: Crise climática e calamidade pública
</a>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Enchentes e desastres naturais: dissertação de mestrado da UFSM auxilia na previsão e estimula o preparo para novas ocorrências</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2023/10/19/enchentes-e-desastres-naturais-dissertacao-de-mestrado-da-ufsm-auxilia-na-previsao-e-estimula-o-preparo-para-novas-ocorrencias</link>
				<pubDate>Thu, 19 Oct 2023 12:38:11 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[CCNE]]></category>
		<category><![CDATA[CCSH]]></category>
		<category><![CDATA[desastres naturais]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[educação ambiental]]></category>
		<category><![CDATA[enchentes]]></category>
		<category><![CDATA[gestão de organizações públicas]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Meteorologia]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/?p=64152</guid>
						<description><![CDATA[Mestre em Gestão de Organizações Públicas desenvolveu modelo data science para prevenção de enchentes]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
<p><span style="font-weight: 400"><a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/2023/10/Arte-Infografico-Interior-materia-Enchentes-e-Alagamentos-100.jpg"><img class="alignright  wp-image-64166" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2023/10/Arte-Infografico-Interior-materia-Enchentes-e-Alagamentos-100.jpg" alt="" width="698" height="393" /></a>Ao longo de setembro e também em outubro, o Rio Grande do Sul vem acompanhando os desastres causados em diversas cidades do estado por conta de enchentes pouco antes vistas na história local. Infelizmente, pesquisas apontam que eventos catastróficos como estes se tornarão comuns com o passar do tempo, despertando na sociedade, além de medo, uma preocupação: como estabelecer formas de conviver com enchentes, sem que pessoas morram e cidades inteiras sejam destruídas a cada nova inundação? Na tentativa de responder a essa questão, uma dissertação de mestrado da UFSM buscou desenvolver um modelo de </span><i><span style="font-weight: 400">data science</span></i><span style="font-weight: 400"> capaz de prever com maior eficácia a ocorrência de enchentes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Atualmente, já existem sensores que realizam o monitoramento de rios e chuvas em variadas localidades, por meio de órgãos públicos como a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e a Defesa Civil, conforme explica o mestre em Gestão de Organizações Públicas e autor da </span><a href="https://repositorio.ufsm.br/handle/1/29689" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400">dissertação ‘’desenvolvimento de um modelo data science para prevenção de enchentes’’</span></a><span style="font-weight: 400">, Daniel de Barcelos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Nesse sentido, é possível saber se choverá acima do esperado para determinada época do ano com até três dias de antecedência, se houver as estruturas e equipes adequadas para desempenhar essa análise, o que geralmente não acontece. Inclusive, o docente em Sensoriamento Remoto e Geoprocessamento da Universidade Estadual Paulista (UNESP) Edson Piroli expõe que, no caso das cheias de Muçum, Roca Sales e Lajeado, era presumível a ocorrência de uma enchente horas antes de ela se efetuar, devido ao alto volume de chuva e a notificação de outras cidades que já haviam registrado estragos. “Neste caso, faltou um sistema de alerta eficiente para que as pessoas deixassem todas as áreas de risco em que estavam’’, relata Piroli.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Somada à esta observação, o docente em Meteorologia da UFSM Vagner Anabor comenta que indicadores climáticos de 2022 apontavam para a ocorrência de um </span><i><span style="font-weight: 400">El Niño </span></i><span style="font-weight: 400">potente</span><i><span style="font-weight: 400">, </span></i><span style="font-weight: 400">fenômeno que aumenta a quantidade de chuvas no sul do Brasil, para o segundo semestre de 2023, demonstrando que a ciência possui a competência de prever esse tipo de evento, mas a sociedade como um todo ainda não tem a capacidade de lidar com eventos climáticos desastrosos como os ocorridos durante setembro.</span></p>
<h3>Então é possível impedir novas enchentes?</h3>
<p><span style="font-weight: 400">Infelizmente não, haja vista que inundações são processos naturais de acontecer com qualquer rio do planeta, com sua grandiosidade variando de acordo com o tamanho do próprio rio. O grande problema é que enchentes não deveriam provocar as destruições que têm sido registradas recentemente. Porém, com as ocupações de áreas próximas aos cursos d'água, se torna inevitável a ocorrência de desastres. Isso porque as construções ocupam regiões que, naturalmente, são alagadas em períodos de cheia, e as interferências nos solos provocam impermeabilidade da água da chuva. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Contudo, vale destacar que, apesar de ser um processo natural, a quantidade de inundações tem aumentado nos últimos anos, justamente em consequência de um processo de ocupação urbana acelerada, sem planejamento prévio nem fiscalização de infraestrutura. Segundo dados apresentados na dissertação de Daniel de Barcelos, </span>“o registro de inundações, enxurradas e alagamentos quase triplicou no Brasil no período de 2002 a 2012 em relação ao intervalo anterior, chegando a 9.712 ocorrências, contra 3.522 registradas entre 1991 e 2001’’<span style="font-weight: 400">. Para se ter uma ideia, Anabor cita os números ligados às chuvas de setembro no RS: apenas na primeira quinzena do mês, os volumes acumulados de chuva foram duas ou até três vezes maiores que o esperado para o período no estado. A estimativa de precipitação para a época é de 180 a 200 mm de chuva, mas em meio mês se alcançou 450mm. Em outubro, a situação segue preocupante.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Portanto, o que cabe à sociedade é estabelecer melhores formas de reagir aos alertas de possíveis enchentes e monitorar mais adequadamente o nível dos rios e as previsões de precipitação. É nesse sentido que o estudo do mestre em Gestão de Organizações Públicas desenvolveu um </span><i><span style="font-weight: 400">framework </span></i><span style="font-weight: 400">que auxilia no mapeamento de locais suscetíveis a enchentes, a partir de uma metodologia de </span><i><span style="font-weight: 400">design research</span></i><span style="font-weight: 400"> e técnicas de </span><i><span style="font-weight: 400">data science</span></i><span style="font-weight: 400">, métodos que diferenciam este estudo dos demais já produzidos, conforme conta Barcelos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400">No campo da computação, um </span><i><span style="font-weight: 400">framework </span></i><span style="font-weight: 400">“é um conjunto estruturado de conceitos, ferramentas e bibliotecas que fornecem uma base para o desenvolvimento de software, oferecendo uma estrutura que permite aos desenvolvedores criar aplicativos com mais facilidade, fornecendo abstrações’’, segundo informações da dissertação. Logo, é um dispositivo que colabora na realização de uma série de atividades que devem ser executadas para solucionar um problema de modo mais eficiente que os modelos de monitoramento atuais, no campo do acompanhamento de enchentes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Conforme explica o acadêmico, o sistema funciona através de um algoritmo que aprende a fazer o monitoramento dos níveis de chuva e dos rios por meio dos dados fornecidos a ele, que, depois, são armazenados em uma planilha automaticamente, permitindo que o </span><i><span style="font-weight: 400">framework </span></i><span style="font-weight: 400">indique quando pode acontecer uma enchente em tempo real. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Contudo, Barcelos não sabe informar, até o momento, com quanta antecedência o dispositivo é capaz de prever uma inundação, visto que o trabalho acadêmico só pôde utilizar dados antigos. Mas ele informa que, com os próximos avanços do </span><i><span style="font-weight: 400">framework</span></i><span style="font-weight: 400">, entraves como este devem ser resolvidos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">O autor da dissertação indica já estar em contato com algumas prefeituras, tanto do Rio Grande do Sul, quanto de Santa Catarina, para aprofundar os estudos com dados mais recentes e, assim, aprimorar a inteligência do algoritmo para o colocar em prática efetivamente.</span></p>
<h3>Como amenizar o problema?</h3>
<p><span style="font-weight: 400">Se não é possível impedir que uma enchente ocorra, os estudiosos propõem medidas que possibilitem um convívio menos desastroso com ela. Quem explica em mais detalhes quais ações adotar é o professor aposentado da UFSM, que atuava principalmente com Educação Ambiental e na área de Recursos Florestais e Meio Ambiente, José Rocha. Segundo ele, primeiramente, seria necessário desentupir o fundo dos rios nos locais em que o leito costuma subir, a partir da identificação dos pontos de estrangulamento (áreas mais rasas com muitos resíduos no fundo), onde as enchentes tendem a invadir mais o território, já que a água corre pelas laterais do rio devido a sua falta de profundidade. Assim, essas regiões, que geralmente inundam, demorariam mais tempo para encher da mesma maneira que antes da limpeza.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Já pensando a longo prazo, o que Rocha sugere é que seja feito o plantio de árvores nas “coroas’’ de proteção de nascentes (regiões mais elevadas do percurso do leito), com o intuito de que a água infiltre no lençol freático, fazendo com que a água atinja o fundo do rio e, consequentemente, remova o depósito de dejetos dele, tornando-o limpo seguindo a mesma lógica que uma calha no telhado de casa, conforme analogia usada pelo docente. Tal providência não é algo inovador nem novidade, contudo o especialista afirma que a medida não é feita por conta do seu custo elevado e pela demora de, em média, cinco anos para que os resultados apareçam.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Outra medida imprescindível para que haja o controle em torno da situação dos rios é o manejo integrado de bacias hidrográficas, monitorando os solos, as florestas, as pastagens e o direcionamento das águas ligadas às bacias, por meio da coordenação de um comitê permanente. Deste modo, é possível reduzir o escoamento superficial e retardar inundações, além de mapear áreas de risco e impedir que sejam ocupadas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Todavia, tais medidas devem ser tomadas junto ao acompanhamento dos sensores de monitoramento, como o </span><i><span style="font-weight: 400">framework </span></i><span style="font-weight: 400">desenvolvido por Daniel de Barcelos, realmente levando em consideração esses dados, o que para Edson Piroli só se efetivará se for criada uma cultura de convívio com condições ambientais extremas, reconhecendo os limites que a natureza oferece. Nessa lógica, o primeiro passo a ser tomado é reconhecer quais são as áreas suscetíveis a enchentes, a fim de estabelecer formas de reduzir prejuízos quando uma inundação acontecer nessas regiões, já que é difícil tornar viável a desocupação de tais localidades onde não deveriam haver moradias, comércios e demais ocupações permanentes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Somado a isso, Piroli indica ser preciso educar a população sobre os perigos de residir em localidades suscetíveis a enchentes e sobre como proceder em uma situação de risco. ‘’</span><span style="font-weight: 400">Para onde ir? O que levar? Por qual caminho ir? Que estrutura haverá no local, e assim por diante. [Fornecer essas informações] é papel da Defesa Civil, dos bombeiros e do Estado, que precisa ter uma rede robusta de previsão de tempo integrada com monitoramento da distribuição das chuvas e dos efeitos destas nos rios de cada grande bacia do seu território. Esta rede precisa contar com equipes de especialistas capacitados e treinados. Tanto para as ações técnicas, quanto para as ações junto à população, preparando-a para episódios extremos</span><span style="font-weight: 400">’’, reforça o docente da UNESP.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Enquanto não são tomadas providências para que se reduzam os riscos de novas enchentes, resta ajudar as cidades que ainda sofrem as consequências das inundações de setembro. Para se voluntariar ou fazer alguma doação, entre em contato com a Pró-Reitoria de Extensão (PRE), por meio da Coordenadoria de Desenvolvimento Regional e Cidadania, por meio do e-mail </span><a href="mailto:coderc.pre@ufsm.br"><span style="font-weight: 400">coderc.pre@ufsm.br</span></a><span style="font-weight: 400">. </span></p>
<p><em><span style="font-weight: 400">Texto: Laurent Keller, acadêmica de Jornalismo e voluntária da Agência de Notícias<br /></span>Infográfico: Daniel Michelon De Carli (foto de base: Agência Brasil - Defesa Civil do Ceará)</em><br /><em>Arte capa: Daniel Michelon De Carli (foto da enchente: Agência Brasil - Fernando Mainardi-SEMA RS)</em><br /><em>Edição: Ricardo Bonfanti, jornalista</em></p>
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				<title>Comunidade universitária se mobiliza em prol das cidades atingidas pelas enchentes</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2023/09/21/comunidade-universitaria-se-mobiliza-em-prol-das-cidades-atingidas-pelas-enchentes</link>
				<pubDate>Thu, 21 Sep 2023 13:48:57 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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		<category><![CDATA[enchentes]]></category>
		<category><![CDATA[Gabinete do Reitor]]></category>
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						<description><![CDATA[Campanha de doação e mutirões de limpeza fazem parte do projeto UFSM SOS Comunidades]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
<p><span style="font-weight: 400">No decorrer da primeira semana de setembro, todo o Rio Grande do Sul acompanhou o avanço das enchentes em diversas cidades do estado, por decorrência das fortes chuvas causadas pelo ciclone extratropical. Infelizmente, quando a chuva passou, restaram casas e estabelecimentos demolidos, pertences perdidos e famílias destruídas pela água e lama que acabaram com municípios inteiros. Em meio ao desastre, a empatia e a solidariedade dos gaúchos foi despertada. A UFSM, por meio de suas mídias, promoveu uma campanha de arrecadação de doações e organizou o primeiro mutirão de voluntários para ajudar a limpar as cidades afetadas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">No dia 6 de setembro, a Universidade organizou uma campanha de arrecadação de doações para serem levadas às cidades do Vale do Taquari, região mais atingida pelas enchentes. </span><span style="font-weight: 400">‘’Na ânsia de ajudar as famílias atingidas de alguma maneira, nos mobilizamos para receber aqui na Reitoria as doações. Entramos em contato com os campi fora de sede, que também já estavam se organizando’’</span><span style="font-weight: 400">, conta a assessora de Comunicação do Gabinete do Reitor, Solange Prediger. Com o decorrer dos dias, as unidades de ensino do </span><span style="font-weight: 400">campus </span><span style="font-weight: 400">sede se organizaram para também receber os donativos, chegando a inúmeros itens arrecadados apenas durante o feriado de 7 de setembro. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400">De acordo com a assessora, a primeira leva de doações resultou em diversas sacolas de agasalhos, produtos de limpeza, água e colchões, que foram levados em um caminhão a Encantado no dia 12. Para os próximos dias, já há novamente um número significativo de produtos doados para serem enviados aos locais atingidos.</span></p>
[caption id="attachment_63781" align="aligncenter" width="1024"]<a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/2023/09/foto3.jpg"><img class="wp-image-63781 size-large" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2023/09/foto3-1024x576.jpg" alt="foto colorida horizontal com um ônibus da UFSM estacionado e ao lado dele várias pessoas em pose para foto, alguns agachados e outros em pé" width="1024" height="576" /></a> UFSM disponibilizou transporte para levar 39 voluntários ao Vale do Taquari no dia 15[/caption]
<h3>1º Mutirão de Limpeza</h3>
<p><span style="font-weight: 400">Para além das doações, a UFSM organizou um grupo de voluntários para ir a Muçum prestar auxílio às vítimas das enchentes. A iniciativa partiu dos servidores da Pró-Reitoria de Infraestrutura (Proinfra), que demonstraram interesse em colaborar de alguma forma, conforme explica Solange. Assim, dos 150 inscritos, 39 voluntários foram selecionados e levados, na última sexta-feira (15), ao Vale do Taquari, por meio de transporte disponibilizado pela Universidade. O número de voluntários selecionados foi limitado devido à quantidade de lugares disponíveis no ônibus, segundo explica a auxiliar em administração da Coordenadoria de Manutenção da Proinfra, Mariana Schadeck, que também foi ao Vale do Taquari no dia 15. Segundo ela, a experiência foi muito positiva para todos os envolvidos, que </span><span style="font-weight: 400">‘’certamente vão carregar na memória para sempre essa vivência’’</span><span style="font-weight: 400">. </span></p>
[caption id="attachment_63783" align="alignright" width="441"]<a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/2023/09/foto4.jpg"><img class="wp-image-63783" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2023/09/foto4.jpg" alt="foto colorida vertical mostra duas pessoas com rodos e mangueiras, meio agachadas, limpando um piso de uma casa que parece ter perdido paredes e telhado" width="441" height="687" /></a> Grupo colaborou em diversas frentes de trabalho[/caption]
<p><span style="font-weight: 400">Ao encontro do relato de Mariana, um dos estudantes voluntários que participou da mobilização, Lucas Dalcin, comenta ter visto muita solidariedade entre todos que se dispuseram a participar da ação e conta como foi a chegada à Muçum. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400">"</span><span style="font-weight: 400">Chegando lá, nos deparamos com muita destruição. Mais parecia um cenário de filme de guerra. O nosso grupo de voluntários foi distribuído por alguns pontos da cidade, entre eles cozinha solidária, limpeza de vias públicas, triagem e distribuição de roupas, calçados e móveis doados, etc. Na medida em que não era mais necessário o nosso trabalho num determinado setor, os voluntários se deslocavam para outro. Em determinado momento, todos os voluntários foram para onde havia maior demanda de trabalho: o serviço pesado na limpeza das casas, com lodo e entulho"</span><span style="font-weight: 400">, relata. Contudo, mesmo em meio a esta rede de colaboração, Dalcin conta que ainda há um longo trabalho pela frente para garantir o mínimo de condições de moradia para os cidadãos da região do Vale do Taquari.</span></p>
<h3>Próximos passos da mobilização</h3>
<p><span style="font-weight: 400">A Assessoria do Gabinete do Reitor ressalta que novos mutirões dos campi da UFSM já estão sendo pensados para as próximas semanas, para os quais devem ser chamados os demais inscritos para a ação do dia 15. A mobilização faz parte do projeto UFSM SOS Comunidades, organizado pela Proinfra em parceiria com a Pró-Reitoria de Extensão (PRE), por meio da Coordenadoria de Desenvolvimento Regional e Cidadania.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Vale lembrar também que a UFSM ainda está recebendo doações e alerta que os itens mais necessários no momento são: materiais de limpeza (como baldes e vassouras), colchões e alimentos. É importante que a comunidade universitária siga mobilizada em ajudar os atingidos pelas enchentes porque, segundo dados da Polícia Civil, ainda há 21.095 desalojados (pessoas que estão em outras residências), além dos mais de 383 mil indivíduos que foram afetados pelas inundações.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400">Texto: Laurent Keller, acadêmica de Jornalismo e voluntária da Agência de Notícias<br /></span></i><i><span style="font-weight: 400">Fotos: Divulgação<br /></span></i><em>Edição: Ricardo Bonfanti, jornalista</em></p>
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