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Os níveis de isolamento e a flexibilização da quarentena: até que ponto é possível relaxar no distanciamento social?



A pandemia de Covid-19 afetou muitas pessoas de diferentes formas. Muitas delas precisaram abandonar o isolamento social e flexibilizar a quarentena por conta de seu trabalho. A equipe da Agência Da Hora pesquisou e fez um levantamento: até que ponto é seguro flexibilizar a quarentena? 

 

Com a pandemia em curso, a saúde mental de muitas pessoas foi afetada de diversas formas. Diante do comércio fechado e da imposição de isolamento social, a população teve que mudar sua rotina e se adaptar ao novo normal, problema este que pegou muita gente de surpresa e se tornou uma questão a ser enfrentada. Com a imposição do isolamento social por tempo indeterminado devido à contaminação constantemente crescente do novo vírus, muitos foram afetados pelo desemprego, contas chegando e produtos de alimentação aumentando. 

Diante dos impasses enfrentados por consequência do confinamento em massa, autoridades, prefeitos e governantes começaram a buscar alternativas para flexibilização da quarentena e imposição de um distanciamento controlado, que consiste em liberar o comércio e, por consequência, fazer com que muitas pessoas parem de cumprir o isolamento social. 

Com isso, a equipe da Agência Da Hora disponibilizou uma enquete em seu perfil do Instagram com questões relacionadas ao isolamento social para seu público responder. Foi disponibilizado um teste com quatro perguntas, e que recebeu um total de 58 votos, sendo eles:

1- Não saio para absolutamente nada; (6,89%)

2- Saio somente para serviços essenciais; (53,44%)

3- Respeitava no início, hoje costumo sair; (32,75%)

4- Não respeito nada; (6,89%)

Para preservar a identidade de cada fonte, esta matéria portará nomes fictícios identificados com um asterisco (*). 

 

Como está sendo a quarentena de cada pessoa? 

 

Luisa Silva de Souza*, 19 anos, não respeita em nada a quarentena. Ela afirma que, logo após a suspensão das aulas, precisou retornar à sua cidade de origem para ficar com sua família. Como todos da casa precisam sair para trabalhar, trataram de ficar cientes de que, se uma pessoa da casa pegar, automaticamente todos pegarão. Assim, ela e seus familiares saem tomando todos os cuidados possíveis, mas sem peso na consciência. “Foi uma decisão em conjunto com as pessoas com que convivo diariamente” conclui Luisa

Bruna Ferreira Flores*, 22 anos, resolveu flexibilizar a quarentena por conta própria. Até respeitava no início, mas diz ter mudado de ideia por conta do fator emocional. “Eu sou uma pessoa que tem ansiedade, e pessoas que têm ansiedade sofrem muito nesse estado de isolamento social. Eu sou uma pessoa que sempre teve uma vida social muito agitada, então pra mim é complicado ficar em isolamento social, ficar só em casa”, conta Bruna. 

Augusto Barreto de Mattos*, 19 anos, respeita a quarentena na medida do possível, pois, segundo ele, precisa sair para trabalhar e para compromissos pessoais, como ir ao banco ou ao mercado. Em relação ao trabalho, Augusto vai ao trabalho quinzenalmente e, no restante do tempo, trabalha em home office. Afirma, ainda, que sua saúde mental possui bastante variações. “Tem horas em que está mais baixa, em que a gente fica mais frustrado quando começa a pensar nas coisas e vem um turbilhão de emoções ao mesmo tempo e a gente não sabe lidar com isso. E outras horas de calma, de procurar se concentrar no trabalho, canalizar essas energias de outra forma, no estudo, no trabalho, coisas assim”.

Debora de Lara Rodrigues*, 19 anos, não sai de casa desde o início da pandemia, no mês de março. “Tenho muito medo do vírus, não só por mim, pois me considero uma pessoa saudável, mas sim de passar para outras pessoas, pois não sabemos onde estamos tocando, se estamos ou não levando o vírus pra casa, então prefiro não sair para não fazer o vírus circular”. Questionada sobre o fluxo de notícias, Débora diz que acompanha a evolução da covid todos os dias. “Leio as notícias nas redes sociais e veículos de comunicação. Vejo alguma coisa na televisão, no jornal, quando aparece algo sobre o número de mortes. Procuro acompanhar também o aumento ou diminuição do número de casos na minha região,” conclui. 

 

É normal flexibilizar a quarentena por conta própria? 

 

Lais Piovesan atua como psicóloga no Núcleo de Apoio Pedagógico – NAP na Universidade Federal de Santa Maria, Campus de Frederico Westphalen. Laís afirma que é normal as pessoas entrarem em conflito consigo mesmas em relação ao fluxo de notícias ruins que recebem, algumas reações têm sido comuns e são até consideradas esperadas diante de toda essa situação. “O fato da gente não conseguir enxergar uma perspectiva para o término da pandemia, ou pelo menos pro término desse período em que a recomendação de distanciamento social tem sido necessária, contribui para a intensificação dessas reações”.

Questionada sobre a redução de isolamento social, Laís afirma que é normal também as pessoas, em um certo momento, entrarem em fase de negação da pandemia, e continuarem suas tarefas diárias. “Tem-se observado, sim, uma redução do distanciamento social ao longo do tempo, e isso pode estar relacionado a diversos aspectos, principalmente nas relações interpessoais, que são extremamente importantes na nossa vida”, afirma.

A psicóloga ainda afirma que “a diminuição do contato social pode gerar um empobrecimento emocional, de modo que a pessoa opta pelo contato físico a fim de buscar um bem-estar psíquico, mesmo sabendo dos riscos e sentindo posteriormente certa vergonha ou culpa pelo seu comportamento. Por isso é tão importante a gente pensar em estratégias alternativas que ajudem a manter a conexão afetiva sem colocar nossa vida em risco”, conclui. 

 

O que profissionais da saúde alertam sobre o afrouxamento da quarentena?

 

Ivana Beatrice Manica, 48, médica e professora adjunta do curso de Enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria, campus Palmeira das Missões, afirma que “logo no início da pandemia as pessoas ainda tinham pouco conhecimento sobre a gravidade do vírus, e não existia um tipo de comportamento fixado de proteção pelas pessoas, e isso acabou levando à necessidade de um isolamento social mais rígido, para evitar que as pessoas se contaminassem”, conta. Além disso, ela percebe que essa modificação no comportamento das pessoas sobre o afrouxamento da quarentena pode ser uma modificação positiva, que não cria tantos problemas com a questão do fim do isolamento social. Sobre a eficácia do confinamento, a médica considera eficaz, mas “não se pode afirmar que no Brasil está havendo um isolamento. O problema são as pessoas fazerem a sua parte, o que não está acontecendo”, conclui Ivana. 

Indianara Levandoski, 23 anos, Técnica em Enfermagem, atua na Unidade de Tratamento Intensivo – UTI no Hospital de Caridade de Erechim. Segundo ela, “é muito eficaz que façam isolamento, usem as máscaras, passem álcool gel. O contágio hoje está grande pela falta de uso de máscara em um ambiente com muita gente. ‘Ah, o vírus não vai me pegar’. A mortalidade está acontecendo bastante entre pessoas obesas e pessoas com problemas de saúde mais graves, como diabetes e câncer”. A enfermeira, que atua com pessoas que contraíram o vírus, acredita que a covid-19 está afetando mais pessoas que estão com imunidade baixa.

Dessa forma, é visto que, com o tempo, as pessoas têm tendência de respeitar cada vez menos o isolamento social e a quarentena, por conta de sua saúde mental. Entretanto, médicos afirmam que ainda não existe uma vacina ou um tratamento que seja 100% eficaz contra o vírus, e que, portanto, a melhor forma de prevenção é uso de máscara e isolamento social. 

 

Texto: Igor Mussolin e Isabela Vanzin. 

Apuração: Igor Mussolin, Taiane Borges e Yasmin Vilanova. 

Edição: Luis Fernando Rabello Borges.

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