Análise dos indicadores
A análise dos indicadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), com base na Decisão nº 408/2002-Plenário e nos Acórdãos nº 1.043/2006 e nº 2.167/2006 – Plenário do TCU, abrange quatro perspectivas, destacando-se os seguintes resultados :
1. Matrículas na Graduação e Pós-Graduação
- Total de alunos efetivamente matriculados na graduação: o indicador apresenta uma trajetória de redução estrutural ao longo do período, apesar de pequenas oscilações. O ponto mais alto ocorreu em 2021, seguido de uma queda acentuada em 2022 (-8,2%), com relativa estabilização em 2023, leve recuperação em 2024 e nova retração em 2025. No acumulado entre 2020 e 2025, a redução foi de aproximadamente 9,08%.
- Total de alunos efetivamente matriculados na pós-graduação stricto sensu: há um crescimento expressivo entre 2020 e 2021 (+25,2%), seguido de uma queda abrupta em 2022 e novo recuo em 2023. O período 2023–2024 indica estabilização, enquanto 2025 apresenta recuperação moderada. Comparando 2020 com 2025, a redução de cerca de 4,96%.
- Total de alunos matriculados na residência médica: há um forte crescimento entre 2020 e 2022, praticamente dobrando o quantitativo (+91,2%), seguido de queda significativa em 2023 e recuperação progressiva em 2024 e 2025. Mesmo com a retração intermediária, o saldo final entre 2020 e 2025 representa crescimento de cerca de 74,26%.
2. Alunos em Tempo Integral e Aluno Equivalente
- Número de alunos da graduação em tempo integral: houve um aumento consistente no número de alunos em tempo integral, passando de 11.442,48 em 2020 para 15.144,53 em 2025. Uma alta acumulada consistente de 32,09% neste período.
- Aluno Equivalente de Graduação: crescimento de 25,45%, passando de 23.012,59 em 2020 para 28.869,28 em 2025.
- Número de alunos em tempo integral de pós-graduação: o número de alunos em tempo integral na pós-graduação caiu de 7.803 em 2020 para 6.897 em 2023, recuperando-se a partir de 2024. Entre os anos 2020 e 2025 há uma redução acumulada de 4,96%.
3. Recursos Humanos: Professores e Funcionários
- Número de professores equivalentes: o número de professores equivalentes diminuiu de 1.997 em 2020 para 1.838,50 em 2025, redução de 7,94%.
- Número de funcionários equivalentes (incluindo HUSM): o número de funcionários equivalentes, incluindo os do Hospital Universitário, apresentou flutuações, com um pico em 2025. Entre 2020 e 2025 o indicador apresenta alta de 13,65%.
4. Indicadores de Eficiência e Qualidade
- Aluno tempo integral por número de professor equivalente: a relação aluno/professor aumentou de 9,77 em 2020 para 12,51 em 2025, indicando aumento na carga de trabalho docente.
- Aluno tempo integral por funcionário equivalente (incluindo HUSM): a relação aluno/funcionário aumentou, passando de 5,74 em 2020 para 5,96 em 2025.
- Grau de Participação Estudantil (GPE): o GPE aumentou de 0,63 em 2020 para 0,92 em 2025, indicando uma maior participação dos alunos em atividades acadêmicas e extracurriculares.
- Grau de Envolvimento com Pós-Graduação (GEPG): o GEPG manteve-se estável, com média de 0,18 ao longo do período, sugerindo que a universidade tem mantido um nível constante de envolvimento com a pós-graduação, apesar da redução no número de alunos efetivamente matriculados na pós-graduação stricto sensu.
- Conceito CAPES: o conceito CAPES manteve-se estável em torno de uma média de 4,53 ao longo do período, indicando uma consistência na qualidade dos programas de pós-graduação.
- Índice de Qualificação do Corpo Docente (IQCD): o IQCD aumentou de 4,62 em 2020 para 4,85 em 2025, refletindo uma melhoria na qualificação dos professores. Esse aumento pode estar relacionado a políticas de capacitação e contratação de docentes mais qualificados.
- Taxa de Sucesso na Graduação (TSG): a TSG apresentou flutuações entre 2020 e 2023, seguida de uma recuperação a partir de 2023. Entre 2020 e 2025 a variação acumulada é de 26,68%.
A análise integrada dos indicadores entre 2020 e 2025 evidencia um cenário institucional marcado por dinâmicas distintas entre expansão qualitativa e restrições quantitativas. Observa-se, de um lado, a redução no total de matrículas na graduação (-9,08%) e, em menor intensidade, na pós-graduação stricto sensu (-4,96%), contrastando com a expressiva expansão da residência médica (+74,26%), o que sugere uma reconfiguração parcial do perfil formativo. Por outro lado, há um aumento consistente da intensidade acadêmica, evidenciado pelo crescimento dos alunos em tempo integral na graduação (+32,09%) e do aluno equivalente (+25,45%), indicando maior dedicação discente e potencial ganho de eficiência formativa, apesar da redução do contingente total. Na pós-graduação, embora o número de alunos em tempo integral tenha apresentado queda no período (-4,96%), há sinais recentes de recuperação. No campo de recursos humanos, destaca-se a redução do quadro docente (-7,94%) combinada com o aumento de funcionários (+13,65%), o que se reflete na elevação das razões aluno/professor e aluno/funcionário, indicando maior pressão sobre a força de trabalho, especialmente docente. Ainda assim, os indicadores de qualidade e desempenho mostram resultados positivos: crescimento do Grau de Participação Estudantil (GPE), estabilidade do envolvimento com a pós-graduação (GEPG) e do conceito CAPES, além de melhoria no IQCD e recuperação da Taxa de Sucesso na Graduação, sugerindo que, apesar das restrições estruturais, a universidade tem conseguido manter e até aprimorar a qualidade acadêmica e o engajamento discente no período analisado.