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Notícia publicada no Diário de Santa Maria

Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), que desenvolvem um estudo inédito no Rio Grande do Sul, divulgaram os primeiros resultados sobre os impactos de um incêndio que devastou 105 hectares no Cerro da Igreja em Agudo. A queimada aconteceu no mês de abril, quando o Estado passava por uma seca histórica. 

De acordo com o coordenador do estudo, professor Mauro Schumacher, a área da queimada é dividida em duas partes: uma que compreende a floresta primária (local de difícil acesso que não sofreu a intervenção humana) e floresta secundária (área que passou por alterações pela mão do homem, como pela agricultura, mas conseguiu se regenerar).

O estudo acontece por amostragem. Ou seja, os pesquisadores instalaram parcelas, que são áreas delimitadas por fitas, para acompanhar os impactos ambientais. A partir dessa amostra, é feito um cálculo com o total de hectares atingidos para se poder chegar na quantidade aproximada de perdas ocasionadas pelo incêndio.

A elevação dos teores de gás carbônico na atmosfera preocupa, pois esta é considerada a grande responsável pela intensificação do efeito estufa, que causa o aquecimento global. Para se ter uma ideia do impacto do incêndio, os pesquisadores compararam a emissão de gás carbônico da queimada do morro com a quantidade de gás carbônico lançada na cidade pelo uso dos veículos da prefeitura de Agudo durante todo o ano de 2019. Essa análise mostrou que a emissão com a queima da floresta, que durou cinco dias, foi 195% superior ao que foi lançado por todos os veículos da prefeitura durante 12 meses. 

– A prefeitura nos passou os dados de consumo de gasolina e diesel pelos veículos em 2019 e, com base nisso, fizemos o cálculo. Foram 784 toneladas lançadas pela queima dos combustíveis dos veículos, que vão desde aos carros de passeio ao maquinário pesado usado para obras no interior. Esse número é quase 200% inferior ao que foi lançado pelo incêndio – afirma Schumacher. 

Além disso, a pesquisa também identificou o estoque de carbono que ainda está nas árvores queimadas e pode vir a ser lançado nos próximos anos com a morte dessas árvores, ainda em consequência do incêndio. Essa quantidade, compreendendo floresta primária e secundária, é de 25,7 mil toneladas.

Em maio, o Diário acompanhou o trabalho dos pesquisadores na coleta de materiais.

PRÓXIMOS PASSOS
O estudo deve durar cinco anos. Neste período, os pesquisadores devem voltar ao local, pelo menos, uma vez ao ano para acompanhar o desenvolvimento da vegetação. Em um primeiro momento, não deve ser feito replantio de árvores, como explica o professor:

– Esperamos que a área consiga se regenerar por si só, até por ser um local de difícil acesso e muito rochoso. Se abrirmos covas para plantação, pode ocasionar erosão. Nossa expectativa é que solo possa se recuperar sozinho. Mas, nunca vai voltar a ser o mesmo que antes.

Estimativas iniciais apontam que árvores de mais de 200 anos foram queimadas, além de fungos e animais como pássaros, insetos e roedores. Dos 105 hectares atingidos, 98 são de mata nativa (93%).

Em paralelo a esse estudo de campo, o grupo pretende fazer também uma série de atividades de prevenção, nas escolas de Agudo e também com produtores rurais do município, para conscientizar a respeito dos perigos das queimadas.

 

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