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Bons hábitos? Presente!



“Criança adora comer doce, tomar refrigerante e não tem muito apreço por frutas e verduras”. Essa é uma típica fala enraizada no senso comum, que ajuda a explicar uma das estatísticas mais preocupantes do nosso país. O que ainda não é de conhecimento comum para os brasileiros é o fato de que este tipo de comportamento pode estar baseado em hábitos, que são passados para as crianças através da família, da escola, dos amigos e, até mesmo, da internet e da televisão. Pensando a partir deste viés é que o Grupo Multidisciplinar de Cuidados em Diabetes e Obesidade, vinculado à Unidade de Reabilitação do Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM), busca orientar crianças, adolescentes e adultos a fim de reverter os maus hábitos alimentares e o cenário de sedentarismo.

 

Lauren Vitória da Silva Pinto, de 11 anos

Segundo o Panorama da Segurança Alimentar e Nutricional na América Latina e Caribe, publicado em janeiro deste ano, mais da metade da população brasileira está com sobrepeso e a obesidade já atinge 20% das pessoas adultas. Os dados são da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e da Organização Pan-americana de Saúde (OPAS).

 

Samile da Rosa Vidal, de 10 anos

Este mesmo relatório estima que 7,3% das crianças menores de cinco anos estão acima do peso. Se levarmos em conta apenas as meninas, teremos um índice ainda maior, de 7,7%.

 

Marial Isabel Barbosa Ávila (Marilu), de 8 anos 

 

Além disso, mais de 16 milhões de brasileiros adultos sofrem de diabetes – representando 8,1% da população – e a doença mata 72 mil pessoas por ano no Brasil, de acordo com relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgado em 2016. Em relação a diabetes, as mulheres também registram índices mais altos. 

 

 

A fim de ajudar na reabilitação de pessoas que enfrentam este tipo de problema, o Grupo Multidisciplinar de Cuidados em Diabetes e Obesidade, desde março de 2016, trabalha com pacientes diretamente encaminhados da parte ambulatorial do HUSM. Para participar, é necessário estar diagnosticado com alguma situação de risco para a saúde.

 

 

O Grupo Multidisciplinar é formado por médico endocrinologista, médico pediátrico, enfermeiro, psicólogo, nutricionista e educador físico. Os profissionais atendem, uma vez ao mês, cada grupo separado por faixa etária (crianças, adolescentes e adultos). O último encontro reuniu, no último dia 13, crianças e adolescentes para praticarem atividades lúdicas e, após, fazerem um lanche saudável.  

 

 

Os encontros são mensais e acontecem pelo período de um ano. O objetivo principal é conscientizar os participantes sobre a importância de cuidar da saúde, através de maior atenção à alimentação e à prática de exercícios físicos.

 

 

Esta conscientização se dá através de palestras, apresentação de vídeos e atividades lúdicas, por exemplo. Entre as etapas, os pacientes aprendem a ler os rótulos dos alimentos industrializados, para que possam ter mais informação a respeito do que consomem. Além disso, a cada encontro eles elaboram uma nova meta e buscam cumpri-la durante um período de tempo – como não tomar refrigerante por uma semana, perder tantos quilos no mês…

 

 

Mauro Gabriel Gomes tem 12 anos e está no Grupo há cerca de seis meses. Ele entrou porque enfrenta problemas com asma, broncopneumonia, colesterol alto e também sobrepeso. Após diagnosticado pelo HUSM, foi encaminhado para os multiprofissionais com o objetivo de melhorar a saúde e também emagrecer.

 

 

Quando questionado sobre o que vem aprendendo durante os encontros, Mauro conta: “Eles mostraram que se tu comer um pacote de bolacha recheada é o mesmo que comer oito pãezinhos!”; “agora estou num grupo de dança alemã, tenho futebol todas as quartas e quintas-feiras e vou começar a fazer academia também”. A mãe de Mauro, Cirlei Adriana Padilha, afirma que “mudar 100% eles não mudam, mas já têm consciência de diminuir o salgadinho, a coca-cola…”.

 

 

A Enfermeira da Unidade de Reabilitação do HUSM, Claudiane Bottoli, conta que o Grupo surgiu diante de uma necessidade, pela percepção de que nosso país está com uma população bastante doente e que os problemas de saúde são causados, muitas vezes, pelos hábitos de vida, como alimentação inadequada e sedentarismo.

 

 

“Acho que nosso país investe muito pouco na prevenção. Essas atividades de grupo se mostram como forma de prevenção, sendo primária para crianças e adolescentes e secundária para os adultos”, opina Claudiane. Quando os pacientes entram no Grupo, são validados instrumentos de qualidade de vida, os quais são reavaliados no final do ano. “Como resultado, frequentemente podemos perceber maior motivação, melhor desempenho da escola… Inclusive, temos pacientes que já perderam até 24 quilos”, relata a enfermeira.

 

 

As crianças e adolescentes que participam atualmente estão na faixa etária de 08 a 14 anos. Segundo Claudiane, a importância de eles virem acompanhados de um responsável é que as boas práticas aprendidas no Grupo são melhor absorvidas e levadas também para dentro de casa.

 

 

A estudante de Educação Física, Tailana Militz, está há dois meses desenvolvendo as atividades físicas com as três faixas etárias. Com as crianças e os adolescentes, ela busca oportunizar atividades dinâmicas, como circuitos funcionais, nas quais eles possam correr bastante e interagir com colegas e familiares. “O objetivo é que saiam do sedentarismo e que possam aprender exercícios para praticar também em casa, com pais, irmãos, primos”, explica Tailana.

 

Repórter: Claudine Freiberger Friedrich

Fotógrafo: Rafael Happke


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