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			<title>Revista Arco - Feed Customizado RSS</title>
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				<title>16 curiosidades sobre doação de sangue</title>
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				<pubDate>Thu, 24 Nov 2022 17:34:58 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Curiosidades]]></category>
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						<description><![CDATA[A doação é voluntária, anônima, não-remunerada não oferece riscos à saúde do doador]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  No dia 25 de novembro, comemora-se o dia nacional do doador de sangue. A data tem o intuito de conscientizar a população sobre a importância da doação e também de homenagear aqueles que já são doadores. Ela foi instaurada em 2004 com iniciativa da Organização Mundial da Saúde (OMS). Para abordar a temática e tirar possíveis dúvidas, conversamos com profissionais especialistas no assunto que trabalham no Hemocentro Regional de Santa Maria.

<img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/11/Prancheta_1-1024x668.jpg" alt="" loading="lazy" width="1024" height="668">
<h3>1 - É verdade que 1 bolsa de sangue pode salvar até 4 vidas?</h3>
<p id="docs-internal-guid-4a9f03c5-7fff-9143-6a5a-7f3442f74727" dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Sim. Após a coleta, os componentes do sangue, chamados hemocomponentes, são separados por um processo de centrifugação. O processo de separação dos hemocomponentes divide o sangue em quatro partes: concentrado de hemácias, concentrado de plaquetas, plasma fresco congelado e crioprecipitado. Cada um deles tem uma função específica junto ao organismo humano. Desse modo, uma única bolsa de sangue pode ser utilizada por até quatro pacientes, a depender das necessidades de cada um.</p>
<p dir="ltr"></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">O sangue coletado passa por uma bateria de exames sorológicos e imunológicos antes de ser considerado apto para o uso. Esses exames são realizados com a amostra de sangue coletada antes da doação, e não com o sangue da bolsa. Os exames feitos após a coleta também permitem identificar o grupo sanguíneo (A; B; AB; ou O) e o fator Rh (positivo ou negativo).</p>

<h3>2 -&nbsp; O que é a janela imunológica e como ela interfere no processo de doação?</h3>
<p id="docs-internal-guid-b1cb1490-7fff-7bb5-4f7f-e66b0db517ee" dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Quando o possível doador chega ao local de doação, o primeiro passo é o cadastro, para o qual é necessário documento oficial com foto. Posteriormente, ele será encaminhado para um processo de triagem hematológica, em que serão realizados exames rápidos e necessários para entender sua condição física: a pressão arterial é medida, o peso e a altura são verificados, e as taxas de hemoglobina são conferidas. Esse processo ajuda, por exemplo, a verificar se o possível doador não está com princípio de anemia, o que impede a doação.&nbsp;</p>
<p dir="ltr"></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Após essa etapa, ele é encaminhado para a triagem clínica, que consiste em uma entrevista com um especialista capacitado. A pessoa fornece informações acerca de hábitos e atitudes que podem impactar o processo de doação, como relações sexuais realizadas sem o uso de preservativos, o uso de medicamentos, a ingestão recente de bebidas alcoólicas, entre outras informações que irão designar se ele está apto ou não a ser um doador.&nbsp;</p>
<p dir="ltr"></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">A enfermeira Liliane Simon, que atua junto ao hemocentro Regional de Santa Maria, enfatiza a importância da triagem clínica: “As perguntas são baseadas em protocolos nacionais. Ao final da entrevista, vamos colocar o doador na situação de apto ou inapto. Se ele for inapto, também vamos ter que definir, a partir das informações coletadas, quantos dias ele vai ficar em inaptidão, se é um dia, se é um mês, se é um ano ou se é uma inaptidão definitiva”, explica Liliane.</p>
<p dir="ltr"></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Na entrevista, é indicado que o doador forneça todas as informações corretamente, sem omissões, em virtude da chamada janela imunológica. Trata-se do período em que infecções permanecem incubadas, e que podem ou não ser detectadas nos exames realizados com o sangue coletado.&nbsp;</p>
<p dir="ltr"></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Após o processo de triagem, se o doador for considerado apto a realizar a doação, ele irá&nbsp; para a coleta, que dura em torno de 15 minutos.</p>

<h3>3 - Por que existe o voto de autoexclusão depois da doação?</h3>
<p id="docs-internal-guid-2523600e-7fff-4db3-f75c-b91da2b4bafe" dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Após o doador realizar o processo de coleta do sangue, ele é encaminhado para outro local, onde irá receber um lanche e poderá descansar antes de deixar o espaço de doação. Nesse momento, é fornecido ao doador um formulário em que ele será questionado acerca da veracidade das informações prestadas na entrevista, o chamado “voto de autoexclusão”. Esse voto não contém a identificação do nome do doador, apenas um código que corresponde à bolsa de sangue coletada.</p>
<p dir="ltr"></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Esse processo é importante para garantir a qualidade do sangue doado, uma vez que, como já mencionado, há a janela imunológica, em que algumas infecções podem estar em processo de incubação, e que, portanto, não são detectadas nos exames feitos com o sangue coletado. Caso o paciente assinale no formulário que mentiu na entrevista, o sangue é descartado.</p>
<p dir="ltr"></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Andressa Baccin dos Santos, assistente social responsável pela captação de doadores do Hemocentro Regional de Santa Maria,&nbsp; comenta sobre a importância dessa etapa: “No voto de autoexclusão, o doador vai dizer se a bolsa dele pode ser transmitida a outro paciente ou não, se ele falou a verdade na entrevista ou se omitiu informações. É o momento em que ele, numa reflexão interna, precisa ser sincero. Esse voto é colocado em uma urna e não é identificado com nomes em nenhum momento, é tudo com código do doador”, explica Andressa.</p>

<h3>4 - Qual é o custo do processo de doação?</h3>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">O processo de doação de sangue não é barato. Andressa pontua que o valor para a coleta de uma bolsa é de aproximadamente 750 reais. Já o processo de doação de plaquetas por aférese é ainda mais caro, com valores entre 1200 e 1500 reais por bolsa coletada.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">O processo de coleta por aférese é diferente da doação convencional. Nele, o doador fica conectado a um equipamento automatizado, que irá coletar o sangue e separar seus componentes por meio de um processo de centrifugação. O componente do sangue que será coletado (hemácias ou plaquetas) é retido e os demais retornam ao indivíduo. Esse processo é repetido até que o número de componentes estipulado para a coleta seja atingido. Com esse processo, é possível coletar uma maior quantidade do componente do sangue desejado.</p>
<p dir="ltr"></p>
Esse tipo de coleta precisa obedecer a normas um pouco distintas daquelas estabelecidas para a doação convencional, por isso é importante <u><a href="https://www.hemocentro.fmrp.usp.br/canal-do-doador/doacao-por-aferese/" target="_blank" rel="noopener">consultar informações</a></u> sobre os requisitos para realizar a doação.
<h3>5 - Quais os requisitos para doar?</h3>
<ul id="docs-internal-guid-09037073-7fff-1e6a-b6b5-04681cb82591" style="margin-top: 0;margin-bottom: 0">
 	<li dir="ltr" style="list-style-type: disc;font-size: 12pt;font-family: 'Times New Roman';color: #000000;background-color: transparent;font-weight: 400;font-style: normal;font-variant: normal;text-decoration: none;vertical-align: baseline">
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt" role="presentation">Para ser um doador, a pessoa interessada precisa ter entre 16 e 69 anos. Menores de 18 anos podem doar apenas com o consentimento dos responsáveis e pessoas com idade acima de 60 anos só podem doar caso já tenham realizado alguma doação de sangue antes de completarem 60 anos;</p>
</li>
 	<li dir="ltr" style="list-style-type: disc;font-size: 12pt;font-family: 'Times New Roman';color: #000000;background-color: transparent;font-weight: 400;font-style: normal;font-variant: normal;text-decoration: none;vertical-align: baseline">
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt" role="presentation">É preciso que a pessoa pese no mínimo 50 quilos;</p>
</li>
 	<li dir="ltr" style="list-style-type: disc;font-size: 12pt;font-family: 'Times New Roman';color: #000000;background-color: transparent;font-weight: 400;font-style: normal;font-variant: normal;text-decoration: none;vertical-align: baseline">
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt" role="presentation">É necessário que a pessoa tenha tido no mínimo seis horas de sono nas últimas 24 horas;</p>
</li>
</ul>
<h3>6 - Quais os cuidados que o doador deve ter antes, durante e após o processo de doação?</h3>
<p id="docs-internal-guid-9708c370-7fff-4d2a-793b-98d86b2e2f7c" dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">O processo que antecede a doação do sangue envolve o cuidado com a alimentação, ao evitar alimentos gordurosos e prezar por uma boa hidratação. É indicado que o doador tenha uma boa noite de sono, além de cuidados essenciais como evitar a ingestão de bebidas alcoólicas e não fumar. Vale destacar que, quanto mais hidratado o doador estiver, mais fácil será a coleta.&nbsp;</p>
<p dir="ltr"></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Durante o processo, enquanto ainda está no local da doação, é importante que ele se alimente com o lanche disponibilizado e também permaneça no espaço por cerca de 15 minutos, a fim de confirmar se está em boas condições para deixar o ambiente. Durante o restante do dia, é indicado que o doador descanse, se alimente sem alimentos gordurosos, beba bastante água e não faça esforço físico.</p>

<h3>7 - Há restrições para pessoas LGBTQIAP+ serem doadoras?</h3>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Por muitos anos, a comunidade LGBTQIAP+ sofreu estigmas a respeito da doação de sangue. Apenas em 2020, com a baixa nos estoques de sangue acarretada pela pandemia de Covid-19, o Supremo Tribunal Federal (STF) considerou ilegal a norma vigente, o que possibilitou que a comunidade LGBTQIAP+ possa doar sangue sem restrições causadas pela sexualidade ou pela identidade de gênero. Em 2021, foi aprovado no Senado um projeto de lei que proíbe a discriminação de doadores de sangue com base na orientação sexual, o<u> <a href="https://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/148917" target="_blank" rel="noopener">PL 2.353/2021</a></u>. Anteriormente, homens que mantinham relações sexuais com outros homens e suas eventuais parceiras só poderiam doar passados 12 meses da última relação sexual.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">O estigma acerca da doação de sangue por homossexuais remonta aos anos 1980, com os altos números de contaminação por HIV/AIDS, quando os homossexuais eram considerados “grupos de risco” para a doença. Com o passar dos anos, o entendimento acerca de “grupo de risco” foi substituído por “comportamento de risco”, pois o que irá influenciar uma possível contaminação é o comportamento do indivíduo e não seu pertencimento a um determinado grupo de indivíduos.</p>
<p dir="ltr"></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Além disso, a contaminação pelo vírus da AIDS não está restrita à comunidade LGBTQIAP+. Também por isso que os exames prévios realizados com o sangue de todos os doadores são importantes, para detectar possíveis doenças, além da triagem clínica, que irá alertar para eventuais comportamentos de risco.</p>

<h3>8 - Qual o tempo indicado entre as doações?</h3>
Para homens, o tempo indicado é de dois meses, com um limite de quatro doações por ano. Já para as mulheres, o tempo indicado é de três meses, com um limite de três doações anuais. Essa diferenciação ocorre por conta da reposição de ferro no organismo. Para pessoas que menstruam, a reposição não é constante, devido à perda mensal de sangue ocasionada pela menstruação.
<h3>9 - O que impede a doação de sangue por um determinado período?</h3>
<p id="docs-internal-guid-73187ff7-7fff-a59e-06a6-85a829ad6a2f" dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">A doação de sangue é impedida temporariamente em casos de realização de determinadas cirurgias (veja abaixo); caso o doador esteja com febre; com sintomas de gripe, de resfriado ou de diarreia. Nesses casos, a doação é possível sete dias após o desaparecimento dos sintomas. Para o caso de amamentação, deve-se aguardar 12 meses após o parto e, caso o doador tenha ingerido bebidas alcoólicas nas 12 horas que antecedem a doação, também estará inapto temporariamente.</p>
<p dir="ltr"></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Outros comportamentos ou fatores (como o uso de determinados medicamentos, por exemplo) que podem impedir a doação por um determinado período podem ser consultados junto a profissionais da saúde, que irão se inteirar das especificidades de cada caso. Essas dúvidas podem ser expostas e já respondidas no momento do agendamento para realizar a doação ou serem realizadas na etapa da triagem clínica, quando acontecerá a entrevista.</p>

<h3>10 - O que impede a doação de sangue para sempre?</h3>
<ul id="docs-internal-guid-1a5d087e-7fff-57fc-2e8d-d84fc67c27fe" style="margin-top: 0;margin-bottom: 0">
 	<li dir="ltr" style="list-style-type: disc;font-size: 12pt;font-family: 'Times New Roman';color: #000000;background-color: transparent;font-weight: 400;font-style: normal;font-variant: normal;text-decoration: none;vertical-align: baseline">
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt" role="presentation">Ter passado por um quadro de hepatite depois dos 11 anos de idade. Nos casos em que a doença ocorreu antes dessa idade, há grande probabilidade de ter sido hepatite do tipo A, que não deixa sequelas nem partículas virais no sangue e, portanto, não é um impedimento para a doação.&nbsp;</p>
</li>
 	<li dir="ltr" style="list-style-type: disc;font-size: 12pt;font-family: 'Times New Roman';color: #000000;background-color: transparent;font-weight: 400;font-style: normal;font-variant: normal;text-decoration: none;vertical-align: baseline">
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt" role="presentation">Ter desenvolvido malária do tipo Plasmodium Malariae. Caso a pessoa tenha desenvolvido algum dos outros tipos da doença, poderá doar depois de respeitado o tempo para recuperação;</p>
</li>
 	<li dir="ltr" style="list-style-type: disc;font-size: 12pt;font-family: 'Times New Roman';color: #000000;background-color: transparent;font-weight: 400;font-style: normal;font-variant: normal;text-decoration: none;vertical-align: baseline">
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt" role="presentation">Fazer uso de drogas ilícitas injetáveis como heroína e cocaína;</p>
</li>
 	<li dir="ltr" style="list-style-type: disc;font-size: 12pt;font-family: 'Times New Roman';color: #000000;background-color: transparent;font-weight: 400;font-style: normal;font-variant: normal;text-decoration: none;vertical-align: baseline">
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt" role="presentation">Ter evidência clínica ou laboratorial das seguintes doenças transmitidas pelo sangue: Hepatites B e C, AIDS, doenças associadas aos vírus HTLV (causa doenças neurológicas graves e degenerativas e doenças hematológicas, como a leucemia) e Doença de Chagas;</p>
</li>
 	<li dir="ltr" style="list-style-type: disc;font-size: 12pt;font-family: 'Times New Roman';color: #000000;background-color: transparent;font-weight: 400;font-style: normal;font-variant: normal;text-decoration: none;vertical-align: baseline">
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt" role="presentation">Ter desenvolvido algum tipo de câncer durante a vida. Apenas dois tipos de tumores, após curados, permitem a doação de sangue - carcinoma basocelular de pele e carcinoma de cérvix de colo de útero;</p>
</li>
 	<li dir="ltr" style="list-style-type: disc;font-size: 12pt;font-family: 'Times New Roman';color: #000000;background-color: transparent;font-weight: 400;font-style: normal;font-variant: normal;text-decoration: none;vertical-align: baseline">
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt" role="presentation">Problemas de coagulação.</p>
</li>
</ul>
<h3>11 - Tatuagens e piercings impedem a doação?</h3>
<p id="docs-internal-guid-10d5461a-7fff-fe0c-90b3-93a474888590" dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">No geral, a resposta para esse questionamento é sim, mas há especificidades em cada caso. Tatuagens e piercings demandam uma espera de um ano para que a pessoa volte a ser apta a doar. No entanto, esse período pode ser reduzido para seis meses caso o ambiente em que a pessoa fez a tatuagem ou colocou o piercing tenha a certificação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Caso o piercing seja colocado em regiões mucosas (boca ou genitália), a doação de sangue só pode ser efetuada 12 meses após a retirada do objeto. Essa restrição se deve ao fato de esses locais oferecerem constantes condições de infecções, uma vez que estão mais expostos à contaminação.</p>

<h3>12 - O uso de medicamentos influencia na doação?</h3>
<p id="docs-internal-guid-f6e805d7-7fff-dc23-054b-2b26d2940bf3" dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Sim, contudo, há particularidades que devem ser consideradas. Anti-hipertensivos não inviabilizam a doação, por exemplo, mas é preciso ter cuidado caso o doador tenha iniciado um tratamento recentemente, o que vai influenciar na oscilação da pressão arterial e, por esse motivo, é aconselhado que ele aguarde um período antes de doar. O período ideal será determinado por um profissional de saúde, após análise de cada caso.</p>
<p dir="ltr"></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Além disso, em casos em que a pessoa utiliza mais de um medicamento, há possibilidade de esse uso causar a inaptidão do doador. “Há alguns medicamentos que sozinhos não inviabilizam, mas se misturar todos eles, vai impossibilitar. Então, os colegas na triagem vão verificar também se esses medicamentos não vão prejudicar tanto o receptor quanto o doador, por isso é interessante que o doador traga todos os medicamentos que toma para serem verificados por um profissional da saúde”, ressalta Andressa.</p>

<h3>13 - Fiz uma cirurgia, posso doar sangue?</h3>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Algumas cirurgias impedem a doação em virtude da perda de sangue que o paciente sofreu, mas há outros pontos que precisam ser analisados, como a doença que originou a necessidade da cirurgia, já que ela pode ser um motivo que impede a doação de forma definitiva. Além disso, é importante considerar outros fatores, como o uso de medicamentos no pós-operatório.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Pontuada a necessidade de entender as especificidades de cada caso, segue abaixo algumas <u><a href="http://www.hemominas.mg.gov.br/doacao-e-atendimento-ambulatorial/doacao-de-sangue/condicoes-e-restricoes#cirurgias-e-procedimentos-medicos-incluindo-esteticos" target="_blank" rel="noopener">cirurgias realizadas frequentemente</a></u> e que têm diferentes períodos de espera para a aptidão à doação:</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"></p>

<ul style="margin-top: 0;margin-bottom: 0">
 	<li dir="ltr" style="list-style-type: disc;font-size: 12pt;font-family: 'Times New Roman';color: #000000;background-color: transparent;font-weight: 400;font-style: normal;font-variant: normal;text-decoration: none;vertical-align: baseline">
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt" role="presentation">Parto normal: apto após 12 semanas;</p>
</li>
 	<li dir="ltr" style="list-style-type: disc;font-size: 12pt;font-family: 'Times New Roman';color: #000000;background-color: transparent;font-weight: 400;font-style: normal;font-variant: normal;text-decoration: none;vertical-align: baseline">
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt" role="presentation">Parto cesariana: apto após seis meses;</p>
</li>
 	<li dir="ltr" style="list-style-type: disc;font-size: 12pt;font-family: 'Times New Roman';color: #000000;background-color: transparent;font-weight: 400;font-style: normal;font-variant: normal;text-decoration: none;vertical-align: baseline">
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt" role="presentation">Extração de cálculos renais: apto após três meses;</p>
</li>
 	<li dir="ltr" style="list-style-type: disc;font-size: 12pt;font-family: 'Times New Roman';color: #000000;background-color: transparent;font-weight: 400;font-style: normal;font-variant: normal;text-decoration: none;vertical-align: baseline">
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt" role="presentation">DIU: não interfere no processo de doação;</p>
</li>
 	<li dir="ltr" style="list-style-type: disc;font-size: 12pt;font-family: 'Times New Roman';color: #000000;background-color: transparent;font-weight: 400;font-style: normal;font-variant: normal;text-decoration: none;vertical-align: baseline">
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt" role="presentation">Cirurgias de tireóide: apto após seis meses;</p>
</li>
 	<li dir="ltr" style="list-style-type: disc;font-size: 12pt;font-family: 'Times New Roman';color: #000000;background-color: transparent;font-weight: 400;font-style: normal;font-variant: normal;text-decoration: none;vertical-align: baseline">
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt" role="presentation">Cirurgias cardíacas: inaptidão definitiva;</p>
</li>
 	<li dir="ltr" style="list-style-type: disc;font-size: 12pt;font-family: 'Times New Roman';color: #000000;background-color: transparent;font-weight: 400;font-style: normal;font-variant: normal;text-decoration: none;vertical-align: baseline">
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt" role="presentation">Aplicação de toxina botulínica (botox): apto após 12 meses;</p>
</li>
 	<li dir="ltr" style="list-style-type: disc;font-size: 12pt;font-family: 'Times New Roman';color: #000000;background-color: transparent;font-weight: 400;font-style: normal;font-variant: normal;text-decoration: none;vertical-align: baseline">
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt" role="presentation">Extração dentária: apto após três dias.</p>
</li>
</ul>
<h3>14 - Tive Covid-19, posso doar?</h3>
<p id="docs-internal-guid-377a2616-7fff-9f29-e686-ae427c296255" dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Sim! Atualmente, aconselha-se que a doação seja feita depois do período de dez dias após o término do período de isolamento. Anteriormente, era indicado que os doadores respeitassem um período de dez dias após o término dos sintomas, mas, devido ao aumento da cobertura vacinal e formas mais leves de desenvolvimento da doença, é possível que o doador não tenha sintomas, o que levou a mudanças na indicação de cuidados.&nbsp;</p>
<p dir="ltr"></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Andressa enfatiza algumas especificidades: “Se essa pessoa tem alguma comorbidade, se não foi um um processo tranquilo em relação à Covid-19, ela deve aguardar mais um tempo. Caso ela tenha passado por uma internação, vai ter que aguardar seis meses para vir doar”, explica.</p>

<h3>15 - Tomar vacinas influencia na doação de sangue?</h3>
<p id="docs-internal-guid-e9633202-7fff-57ee-97e3-b08890b49fa0" dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Sim. Diferentes vacinas têm diferentes períodos de espera para realizar a doação. Na vacina da gripe, é de 48 horas. Já a vacina contra a febre amarela demanda uma espera de 30 dias.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">No caso das vacinas contra a Covid-19, o tempo de espera também depende do laboratório fabricante da vacina. Para quem tomou Coronavac, o tempo de espera é de 48 horas após a aplicação, mas para aqueles que foram vacinados com AstraZeneca, Pfizer-BioNTech e Janssen, o tempo de espera é de sete dias.</p>

<h3>16 - Quais os benefícios de ser um doador?</h3>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">O ato de doar sangue, além de ajudar outras pessoas, também fornece alguns benefícios sociais para o doador. Esses variam de região para região, mas englobam meia-entrada em cinemas, shows, bares, além de isenção na taxa de pagamento de inscrições em concursos públicos.&nbsp;</p>
<p dir="ltr"></p>
No Rio Grande do Sul, a <u><a href="https://www.al.rs.gov.br/filerepository/repLegis/arquivos/13.891.pdf" target="_blank" rel="noopener">Lei 13.891</a></u>, de janeiro de 2012, institui, para os doadores de sangue do estado, meia-entrada em eventos culturais, esportivos e de lazer realizados em locais públicos. Além disso, o inciso IV do artigo 473 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) também institui que o doador pode se ausentar do trabalho durante um dia para realizar a doação, mediante comprovação do ato. Essa ausência não acarreta em prejuízo salarial e pode ser feita uma vez por ano.
<h3>Para saber mais:</h3>
<i>Para quem posso doar?</i>
<table style="border-collapse: collapse;width: 100%;height: 312px">
<tbody>
<tr style="height: 24px">
<td style="width: 33.3333%;height: 24px"><strong>Tipo</strong></td>
<td style="width: 33.3333%;height: 24px"><strong>Doa para</strong></td>
<td style="width: 33.3333%;height: 24px"><strong>Recebe de</strong></td>
</tr>
<tr style="height: 48px">
<td style="width: 33.3333%;height: 48px">O-</td>
<td style="width: 33.3333%;height: 48px">Todos os tipos sanguíneos</td>
<td style="width: 33.3333%;height: 48px">O-</td>
</tr>
<tr style="height: 48px">
<td style="width: 33.3333%;height: 48px">O+</td>
<td style="width: 33.3333%;height: 48px">Todos os tipos Fator Rh+</td>
<td style="width: 33.3333%;height: 48px">O- e O+</td>
</tr>
<tr style="height: 48px">
<td style="width: 33.3333%;height: 48px">A-</td>
<td style="width: 33.3333%;height: 48px">A-, A+, AB- e AB+</td>
<td style="width: 33.3333%;height: 48px">O- e A-</td>
</tr>
<tr style="height: 24px">
<td style="width: 33.3333%;height: 24px">A+</td>
<td style="width: 33.3333%;height: 24px">A+ e AB+</td>
<td style="width: 33.3333%;height: 24px">O-, O+, A- e A+</td>
</tr>
<tr style="height: 48px">
<td style="width: 33.3333%;height: 48px">B-</td>
<td style="width: 33.3333%;height: 48px">B-, B+, AB- e AB+</td>
<td style="width: 33.3333%;height: 48px">O- e B-</td>
</tr>
<tr style="height: 24px">
<td style="width: 33.3333%;height: 24px">B+</td>
<td style="width: 33.3333%;height: 24px">B+ e AB+</td>
<td style="width: 33.3333%;height: 24px">O-, O+, B- e B+</td>
</tr>
<tr style="height: 24px">
<td style="width: 33.3333%;height: 24px">AB-</td>
<td style="width: 33.3333%;height: 24px">AB- e AB+</td>
<td style="width: 33.3333%;height: 24px">Todos os tipos Fator Rh-</td>
</tr>
<tr style="height: 24px">
<td style="width: 33.3333%;height: 24px">AB+</td>
<td style="width: 33.3333%;height: 24px">AB+</td>
<td style="width: 33.3333%;height: 24px">Todos Rh+ e Rh-</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/11/Prancheta_2-1024x668.jpg" alt="" loading="lazy" width="1024" height="668">
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Como faço para doar?</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">As doações podem ser feitas no <u><a href="https://www.google.com.br/maps/place/Alameda+Santiago+do+Chile,+35+-+Nossa+Sra.+das+Dores,+Santa+Maria+-+RS,+97050-685/@-29.6927781,-53.7945939,17z/data=!3m1!4b1!4m5!3m4!1s0x9503cbd77a0657d3:0x7ba1527c3a34861!8m2!3d-29.6927781!4d-53.7945939" target="_blank" rel="noopener">Hemocentro Regional de Santa Maria</a></u>, localizado na Alameda Santiago do Chile, 35 - Nossa Senhora das Dores (próximo ao Fórum). O horário de funcionamento para a doação de sangue é das 8h às 14h, de segunda a sexta-feira, e também no terceiro sábado do mês, das 8h às 12h.</p>
<p dir="ltr"></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">O agendamento para realização das doações pode ser feito pelo <u><a href="https://www.rs.gov.br/carta-de-servicos/servicos?servico=1573" target="_blank" rel="noopener">site</a></u>, pelo telefone do hemocentro (55) 3221-5262, ou pelo WhatsApp (55) 98428-8274. Pessoas com interesse em doar também podem comparecer presencialmente ao Hemocentro, onde serão informadas acerca dos horários de funcionamento e encaminhadas para a realização do agendamento. Dúvidas podem ser encaminhadas para o e-mail <b><a href="mailto:recepcao-hemosm@saude.rs.gov.br">recepcao-hemosm@saude.rs.gov.br</a></b> e mais informações, como os níveis de estoque de sangue, estão disponíveis também no perfil do Instagram @hemosmrs.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Andressa destaca que, durante o agendamento, já são fornecidas informações aos doadores, para que o procedimento ocorra de forma segura e tranquila. “Ele precisa estar alimentado, se sentindo bem, ter uma preparação prévia para essa doação, não ingerir bebida alcoólica no dia anterior, dormir pelo menos seis horas antes. Essas orientações nós procuramos dar no momento do agendamento, por isso que ele é tão importante”, conta a assistente social.</p>

<h3>Ações em prol do dia 25 de novembro em Santa Maria:</h3>
<p id="docs-internal-guid-3a519d1e-7fff-afae-60dd-992954e49f5c" dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Em alusão ao dia nacional do doador de sangue, o Hemocentro de Santa Maria organizou, em parceria com o Lions Clube, um GreNal pela Vida, realizado do dia 16 de novembro ao dia 25. “É uma espécie de competição saudável entre os gremistas e os colorados, para ver qual das torcidas mobiliza mais doadores. Além dessa campanha, vamos realizar várias outras homenagens aos doadores”, conta Andressa.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">A assistente social ainda relata que as homenagens aos doadores contarão com a participação da banda do Centro Social e Cultural Vicente Pallotti, o Tamborico, além da distribuição de alguns mimos. O Hemocentro, que teve uma queda de cerca de 20% nas doações durante a pandemia, busca agora uma maior conscientização acerca da importância da doação.</p>
												<img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/11/Prancheta_3-1024x668.jpg" alt="" loading="lazy" width="1024" height="668">

<strong><em>Expediente:</em></strong>

<em><strong>Reportagem:</strong> Milene Eichelberger, acadêmica de Jornalismo e bolsista;</em>

<em><strong>Design gráfico:</strong> Luiz Figueiró e Noam Wurzel, acadêmicos de Desenho Industrial e bolsistas;</em>

<em><strong>Mídia social:</strong> Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Gabriel Escobar, acadêmico de Jornalismo e bolsista; e Nathália Brum, acadêmica de Jornalismo e estagiária;</em>

<em><strong>Edição de Produção:</strong> Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;</em>

<em><strong>Edição geral:</strong> Luciane Treulieb, jornalista.</em>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Série documental ‘O Que Tem Passado’ e UFSM: trajetórias compartilhadas</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/serie-documental-o-que-tem-passado-e-ufsm-trajetorias-compartilhadas</link>
				<pubDate>Thu, 18 Aug 2022 14:52:03 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Extensão]]></category>
		<category><![CDATA[Agudo]]></category>
		<category><![CDATA[destaque arco]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[Mata]]></category>
		<category><![CDATA[passado]]></category>
		<category><![CDATA[Santa Maria]]></category>
		<category><![CDATA[São Martinho]]></category>
		<category><![CDATA[série documental]]></category>
		<category><![CDATA[Silveira Martins]]></category>
		<category><![CDATA[tv ovo]]></category>
		<category><![CDATA[UFSM]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/arco/?p=9463</guid>
						<description><![CDATA[Episódios apresentam passado da região central do Rio Grande do Sul e modo como patrimônios se modificaram ao longo do tempo]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p id="docs-internal-guid-c5e1d14a-7fff-03a6-e316-ba9d0783a2bd" dir="ltr">A <b><u><a href="https://tvovo.org/portal/">TV OVO</a></u></b> lança, na próxima semana, uma série documental intitulada ‘O Que Tem Passado'. O projeto busca abordar pontos turísticos, preservação de memória e patrimônio e destacar locais importantes para a comunidade em cinco municípios da região central do Rio Grande do Sul. Para a produção dos episódios foram visitadas as cidades de Mata, São Martinho da Serra, Silveira Martins, Agudo e Santa Maria.</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">A roteirista Neli Mombelli, que também auxiliou na produção, co-direção e edição dos episódios, conta que a ideia surgiu a partir da necessidade de falar do passado para entender o presente e a construção do futuro. “‘O Que Tem Passado’ fala não só do passado que ainda resta no presente, mas como os patrimônios e as histórias se modificam e se transformam ao longo do tempo”, explica.</p>		
												<img width="1024" height="722" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/08/TVOVO_Capa-1024x722.jpg" alt="Descrição da imagem: colagem horizontal e colorida de pessoas e elementos. No lado direito da imagem, em destaque, três pessoas em frente a um arco azul. Elas estão sobre um gramado. Na parte inferior direita, Ilustração de um dinossauro cinza atrás de um homem, de costas e roupas escuras, que segura uma câmera preta. No centro inferior esquerdo, câmera preta grande com elementos como microfone e flash acoplados. No visor da câmera, uma mulher em meio a uma rua. Acima da câmera, a logomarca da &quot;tv ovo&quot;, com a palavra &#039;tv&#039; em verde claro e &#039;ovo&#039; em azul. O fundo é composto pela imagem de seis pessoas em frente a uma bancada branca com objetos antigos, parede azul com quadros emoldurados. Há elementos de gravação, como câmeras, microfones e fones de ouvido." loading="lazy" />														
		<p id="docs-internal-guid-754e2cb3-7fff-371d-b831-6c06330b780f" dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Para guiar o espectador pelas diferentes cidades, a série conta com a participação de três personagens-pesquisadores: Manuela Fantinel, jornalista e cronista; Daniel Pereyron, arquiteto e urbanista; e João Heitor Macedo, historiador e arqueólogo. Com um desenvolvimento no estilo road movie (em que os personagens viajam para chegar aos diferentes destinos), os três pesquisadores, que trabalham em diferentes áreas, unem seus conhecimentos e constroem a narrativa de cada episódio, junto às relações que estabelecem ao longo do percurso com os patrimônios histórico-culturais e com os residentes de cada cidade.&nbsp;</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Neli Mombelli revela que, desde o início, pretendia-se contar essas histórias a partir do olhar de um jornalista para o presente, de um historiador para o processo histórico da sociedade e de um arquiteto, uma vez que as edificações representam modos de vida. No caso dos patrimônios, edifícios revelam muito sobre quais sociedades habitaram a região retratada na série.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">As cidades que foram escolhidas para serem representadas na série documental contemplam, geograficamente, a região central do Rio Grande do Sul. A proposta é trazer a diversidade cultural dos municípios selecionados fazendo com que cada local ganhe visibilidade em um aspecto diferente, como a imigração alemã e italiana, a presença dos povos indígenas e a escavação de fósseis.&nbsp;</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Outro ponto importante para a construção dos episódios foi&nbsp; a participação da comunidade. A série foi desenvolvida por meio de visitas aos locais escolhidos, em que foram ouvidos moradores, servidores de órgãos públicos e pesquisadores. O historiador João Heitor Macedo pontua que um dos cuidados está na construção de uma narrativa de fácil entendimento, para que o conteúdo seja acessível a todos: “Podemos sim levar a informação técnica e científica, mas tem que ser a linguagem de quem nos ouve, tem que ser a linguagem de quem nos conta; e isso vai aparecer na série”, ressalta.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Com a produção, também busca-se a valorização do patrimônio material e imaterial da região. Por meio do audiovisual, torna-se possível disseminar o conteúdo para um maior número de pessoas, a fim de fazer ele circular entre diferentes públicos de diversos locais. João Heitor destaca que a produção é uma síntese de várias narrativas em que a população é chamada a conhecer sua própria história. Dessa forma, a importância da preservação da memória ganha maior projeção e permite reflexões sobre como os diferentes patrimônios são tratados em cada município, a importância de cada local e a necessidade de fomentar o interesse público para o cuidado com a memória e a identidade.&nbsp;</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Além de todos os aspectos já elencados, outro elemento que se destaca em ‘O Que Tem Passado’ é que, de forma direta ou indireta, as cidades abordadas no documentário compartilham suas trajetórias com a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) . Neli conta que a Universidade, apesar de não estar prevista nos episódios, aparece nas histórias contadas e na construção das cidades visitadas para a série documental. “Fomos nos dando conta da importância que a UFSM tem não só para Santa Maria, mas para toda a região central. Ela está presente em cada lugar, na vida individual e também coletiva”, lembra a roteirista. Abaixo, elencamos quatro espaços da Universidade que foram lembrados em diferentes episódios da série:</p>		
			<h3>CAPPA</h3>		
		<p id="docs-internal-guid-809ac38d-7fff-ffcf-2a7b-6fd11eef9f77" dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"><b><u><a href="https://www.ufsm.br/unidades-universitarias/ccne/cappa/" target="_blank" rel="noopener">O Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia/Universidade Federal de Santa Maria (CAPPA/UFSM)</a> </u></b>foi criado com o objetivo de dar suporte à pesquisa paleontológica na Quarta Colônia, e abarca vários municípios da região. Dentre eles, a cidade de Agudo, destino dos personagens da série.</p><p><br />A criação da primeira unidade ocorreu em 2003, quando a Secretaria Executiva do Consórcio de Desenvolvimento Sustentável da Quarta Colônia (CONDESUS) elaborou o projeto “Parques Paleontológicos Integrados da Quarta Colônia” e deu início à construção do setor científico da unidade. A partir de 2010, o CAPPA passou a fazer parte da UFSM e, em 2013, passou a funcionar efetivamente como órgão suplementar do Centro de Ciências Naturais e Exatas (CCNE). A iniciativa tem como objetivo mapear novos sítios fossilíferos e monitorar os locais já conhecidos, além de coletar fósseis de vertebrados e plantas. Também proporciona a <a href="https://www.ufsm.br/midias/arco/busca/?q=&amp;tags=paleontologia&amp;sites%5B%5D=601" target="_blank" rel="noopener"><b><u>divulgação paleontológica/científica para a comunidade</u></b>.</a></p>		
												<img width="1024" height="768" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/08/20220709_100039-1024x768.jpg" alt="Descrição da imagem: fotografia horizontal e colorida de cinco pessoas em uma roda. Elas estão em segundo plano, sobre um gramado verde. Na frente, em primeiro plano, uma estátua de dinossauro. O fundo tem um céu azul com muitas nuvens brancas." loading="lazy" />														
			<h3>Jardim Paleobotânico</h3>		
		<p>Outro local visitado pelos personagens da série documental é o Jardim Paleobotânico. Localizado em Mata, é um espaço ao ar livre para contemplação de fósseis vegetais. O Jardim ganha destaque pelo grande número de fósseis preservados e que podem ser observados ainda no solo, sendo considerado uma reserva protegida, a única do gênero no Brasil. Ele foi idealizado e criado no ano de 1980, a partir de uma parceria entre a UFSM e a Prefeitura Municipal de Mata, com o intuito de ser um campo de estudos, preservação e visitação. No ano de 2018, foi reconhecido como Patrimônio Histórico e Artístico do Estado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado do Rio Grande do Sul (IPHAE), dada sua importância como registro para compreender a evolução histórica da sociedade no contexto sul-rio-grandense.</p>		
												<img width="1024" height="568" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/08/jardim-paleobotanico-1024x568.jpg" alt="Descrição" loading="lazy" />														
			<h3>Museu do Imigrante</h3>		
		<p>Desde março de 2021, o Museu do Imigrante de Silveira Martins passou a funcionar junto à UFSM Silveira Martins, nas dependências do prédio do antigo colégio Bom Conselho, edificação  tombada como patrimônio histórico. O museu tem por objetivo trabalhar para a preservação da memória dos imigrantes italianos da região. O acervo demonstra pontos importantes da vida de famílias que chegaram ao Rio Grande do Sul, como se estabeleceram na região e como aspectos culturais e identitários perpassam gerações. Por isso, fez parte da construção do episódio que conta sobre os patrimônios históricos, a imigração italiana, a gastronomia, além de resgatar lendas da cidade.</p>		
												<img width="1024" height="569" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/08/museu-do-imigrante2-1024x569.jpg" alt="" loading="lazy" />														
			<h3>Arco da UFSM</h3>		
		<p id="docs-internal-guid-62ecc27b-7fff-13e6-9b13-fa11a94c017f" dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Criada na década de 1960, a UFSM foi a primeira universidade no interior do país, o que representou um marco importante no processo de interiorização do ensino universitário público no Brasil. Na série documental ‘O Que Tem Passado’, foi contemplada de diferentes formas ao longo dos episódios, pelos olhos atentos de Manuela, Daniel e João Heitor.</p><p> </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">No episódio protagonizado por Santa Maria, cada um dos atores escolheu um local que fosse a sua referência para contar a história do município. O lugar escolhido por João Heitor foi o Arco da UFSM, porque, segundo o historiador, muda e transforma a vida de todos aqueles que passam por ele. “Se eu tive o prazer de ser pesquisador das várias temáticas que são apresentadas na série é por tudo que eu vi, aprendi e vivenciei dentro da UFSM, e que ainda vivencio”, ressalta. Ele ainda destaca a Universidade como polo de conhecimento e catalisador de um processo de pesquisa, documentação e registro que contribui para o desenvolvimento da região. Por isso, a UFSM aparece como um capítulo importante na história narrada pela série documental.</p>		
												<img width="1024" height="768" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/08/20220710_131928-1-1024x768.jpg" alt="" loading="lazy" />														
			<h3>Fomento à cultura e à acessibilidade</h3>		
		<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">A série documental passou a ser produzida após o projeto ser selecionado  no edital da Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande do Sul (SEDAC), que recebe financiamento do Fundo de Apoio à Cultura (FAC Patrimônio). Para João Heitor, os editais de fomento à cultura são fundamentais: “Quanto mais for investido no setor da cultura, da economia criativa, da produção audiovisual, da produção de conteúdo - seja através da arte, literatura, escrita, música, estaremos dando vazão a uma produção que é científica, mas que chega à comunidade”, evidencia. </p><p>Os episódios contam com recursos de acessibilidade, como tradução em Língua Brasileira de Sinais (Libras), audiodescrição e legendas descritivas. Dessa forma, a produção audiovisual busca promover o acesso ao público com deficiência auditiva ou visual, o que fomenta a inclusão social e a cidadania. A série documental estará disponível no canal do <u><a href="https://www.youtube.com/c/TVOVO" target="_blank" rel="noopener">YouTube</a></u>, no<a href="https://www.facebook.com/tvovosm" target="_blank" rel="noopener"> <u>Facebook</u> </a>e no<u> </u><a href="https://www.instagram.com/tvovosm/" target="_blank" rel="noopener"><u>Instagram</u> </a>da TV OVO a partir da próxima semana (veja o cronograma abaixo). Além da circulação da série nas redes sociais, os cinco episódios, de cerca de 15 minutos cada, serão exibidos em TV aberta,  no Canal 18.2 da TV Câmara.</p><p id="docs-internal-guid-2f424fb4-7fff-3dc2-4ad6-bf7f28884127" dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Cronograma de lançamento :<br /><strong>24/08 (quarta-feira):</strong> Teaser<br /><strong>25/08 (quinta-feira):</strong> Episódio sobre Mata<br /><strong>28/08 (domingo):</strong> Episódio sobre São Martinho da Serra<br /><strong>30/08 (terça-feira)</strong>: Episódio sobre Silveira Martins<br /><strong>01/09 (quinta-feira):</strong> No Theatro Treze de Maio (presencial): exibição dos episódios sobre Agudo e Santa Maria<br /><strong>02/09 (sexta-feira):</strong> Episódio sobre Agudo<br /><strong>03/09 (sábado):</strong> Episódio sobre Santa Maria</p><p id="docs-internal-guid-2f424fb4-7fff-3dc2-4ad6-bf7f28884127" dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"> </p><p id="docs-internal-guid-2f424fb4-7fff-3dc2-4ad6-bf7f28884127" dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"> </p><p id="docs-internal-guid-2f424fb4-7fff-3dc2-4ad6-bf7f28884127" dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Ficha Técnica:</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Personagens</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Manuela Fantinel - Jornalista</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">João Heitor Macedo - Arqueólogo e Historiador</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Daniel Pereyron - Arquiteto e Urbanista</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Direção</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Neli Mombelli e Marcos Borba</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Roteiro</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Neli Mombelli</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Pesquisa histórica</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Nathália Arantes</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Produção executiva</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Marcos Borba</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Produção</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Neli Mombelli</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Marcos Borba</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Montagem</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Neli Mombelli</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Marcos Borba</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Coordenação Geral</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Oficina de Vídeo - TV OVO</p><strong><em>Expediente:</em></strong><em><strong>Reportagem:</strong> Thais Immig e Milene Eichelberger, acadêmicas de Jornalismo e voluntárias;</em><em><strong>Design gráfico:</strong> Noam Wurzel, acadêmico de Desenho Industrial e bolsista;</em><em><strong>Mídia social:</strong> Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Alice dos Santos, acadêmica de Jornalismo e voluntária; Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo e voluntária; e Gustavo Salin Nuh, acadêmico de Jornalismo e voluntário;</em><em><strong>Edição de Produção:</strong> Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;</em><em><strong>Edição geral:</strong> Luciane Treulieb, Mariana Henriques e Maurício Dias, jornalistas.</em>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>O maior esqueleto de dinossauros do Rio Grande do Sul</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/o-maior-esqueleto-de-dinossauros-do-rio-grande-do-sul</link>
				<pubDate>Fri, 17 Jun 2022 13:30:00 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Dinos na Arco]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
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				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/arco/?p=9333</guid>
						<description><![CDATA[Fóssil revela um carnívoro de grande porte que caçava nas paisagens de Santa Maria há 230 milhões de anos]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 8pt">Há cerca de 20 anos, a equipe do Laboratório de Estratigrafia e Paleobiologia (LEP) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) realizava uma escavação de rotina em um sítio paleontológico na área urbana de Santa Maria quando descobriu um fóssil peculiar.&nbsp;</p>
												<img width="1024" height="669" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/06/1capa_DinoRS-1024x669.jpg" alt="Descrição da imagem: ilustração horizontal e colorida de um paleontólogo ajoelhado em um terreno arenoso. Ele tem pele parda, cabelos escuros, barba rala e escura; usa chapéu cinza e luvas brancas; veste camisa branco gelo por cima de camiseta cinza escuro, calça azul marinho e botas pretas; ele está ajoelhado e segura uma picareta cinza com cabo amarelo. O chão é arenoso em tom de laranja pastel, tem algumas pedras em marrom alaranjado. Abaixo do solo, ossos espalhados na terra marrom. Acima do terreno arenoso, vegetação baixa em verde musgo. Acima, o céu azul com nuvens." loading="lazy">

Dentes serrilhados e em formato de faca, juntamente com pernas musculosas e tamanho avantajado, faziam desse dinossauro, o “Saturnalião”, um animal temível. Do focinho até a ponta da cauda, ele devia medir cerca de quatro metros e meio de comprimento, fazendo dele o maior esqueleto de dinossauro já encontrado no Rio Grande do Sul. Apesar de não estar completo, comparações com animais de parentesco próximo nos permitem visualizar como seria o restante do esqueleto.
<figure>
										<img width="1024" height="456" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/06/especime_11330_escala_humana-1024x456.jpg" alt="Descrição da imagem: ilustração horizontal e em preto de uma simulação de dinossauro do lado de um homem. A simulação está em ícones pretos. No centro do dinossauro, em branco, o nome &quot;UFSM 11330&quot;; imagens de ossos estão distribuídos no focinho, na mandíbula, no pescoço, nas pernas e no calcanhar. Ao lado, na direita da imagem, homem em pé, com altura maior que o dinossauro. Abaixo, linha com flechas dos dois lados, que vai da extremidade da boca até o fim da cauda do dinossauro, e o número &quot;4,5m&quot;. O fundo é claro com textura de papel amassado." loading="lazy"><figcaption>Espécime UFSM 11330, o "Saturnalião", e seu tamanho comparado com um humano de cerca de 1,8 m de altura. Os fósseis conhecidos podem ser visualizados na silhueta.</figcaption></figure>
<figure>
										<img width="1024" height="339" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/06/reconstrucao_em_vida_escala_1_metro-1024x339.jpg" alt="Descrição da imagem: simulação colorida de um dinossauro marrom com pele escamosa. Ele está de perfil, tem a cabeça baixa na altura das costas, curvado, anda sobre duas patas e tem duas patas menores na parte da frente do corpo. Tem cauda longa, que começa grossa e termina fina. O olho é laranja, tem dentes pontiagudos e língua vermelha. Abaixo da cauda, há uma linha preta e o número &quot;1m&quot;. O fundo é branco." loading="lazy">

<figcaption>Reconstrução do dinossauro em vida. A cauda tem um metro de comprimento.</figcaption></figure>
Porém, antes de conhecer melhor a história desse achado incrível, vamos entender por que os fósseis encontrados no Rio Grande do Sul são alguns dos mais importantes do mundo. Os dinossauros (grupo que inclui as formas não-avianas - extintas há 66 milhões de anos) e as aves constituem os fósseis mais amplamente reconhecidos pelo público geral Eles dominaram as paisagens da maior parte da <a style="text-align: justify" href="https://www.ufsm.br/midias/arco/post466/">Era Mesozoica</a>, uma faixa do tempo geológico que se estende mais ou menos de 250 milhões de anos até 66 milhões de anos, e que é dividida em três períodos: Triássico, Jurássico e Cretáceo. Enquanto os dinossauros do Jurássico e Cretáceo, tais como Tyrannosaurus, Diplodocus ou Stegosaurus, já constam no imaginário popular, aqueles do Triássico ainda são pouco conhecidos, apesar de sua importância.
<figure>
										<img width="1024" height="222" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/06/Tabela_do_Tempo_Geologico-1024x222.png" alt="Descrição da imagem: linha dos tempos geológicos horizontal e colorida. Da esquerda para a direita: retângulo cinza com o texto &quot;Pré-Cambriano&quot;, entre os números &quot;4,5 vi&quot; e &quot;540 ma&quot;; retângulo verde escuro com o texto &quot;Era Paleozoica&quot;, entre os números &quot;540 ma&quot; e &quot;252 ma&quot;; retângulo maior em azul claro com o texto &quot;Era Mesozoica&quot;, entre os números &quot;252 ma&quot; e &quot;66 ma&quot;. Acima do retângulo da Era Mesozoica, três retângulos menores: o primeiro, roxo, tem o texto &quot;Triássico&quot;, e está entre os números &quot;252 ma&quot; e &quot;200 ma&quot;; o segundo, em azul, tem o texto &quot;Jurássico&quot;, e está entre os números &quot;200 ma&quot; e &quot;145 ma&quot;. O terceiro, em verde vivo, tem o texto &quot;cretáceo&quot; e está entre os números &quot;145 ma&quot; e &quot;66 ma&quot;. O último retângulo, em amarelo, tem o texto &quot;Era Cenozoica&quot; e está entre o número &quot;66 ma&quot; e a palavra &quot;Presente&quot;. No retângulo do Triássico, há uma flecha vermelha e um ícone de dinossauro, em vermelho, e o número &quot;233 ma&quot;. O fundo é branco." loading="lazy">

<figcaption>Tabela do tempo geológico indicando a idade (em milhões de anos) aproximada do material estudado.</figcaption></figure>
O Período Triássico se estende de 250 milhões de anos até 200 milhões de anos e começou com a maior extinção em massa já registrada. Essa extinção eliminou a maior parte da fauna do então supercontinente Pangeia, uma massa de terra única que abarcava todos os continentes que nós conhecemos nos dias de hoje. Tal extinção aconteceu ao longo de vários milhões de anos e reduziu muito a diversidade dos animais dominantes da época, como os sinápsidos (grupo que inclui os mamíferos, seus ancestrais e parentes próximos), o que permitiu que os arcossauros (grupo formado por aves, crocodilos, seus ancestrais e parentes próximos) os substituíssem nos ecossistemas continentais. Porém, foi somente em meados do Triássico que os primeiros dinossauros começaram a aparecer.
<figure>
										<img width="1024" height="580" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/06/info_DinoRS-1024x580.jpg" alt="Descrição da imagem: mapa em imagem horizontal e em tons de vermelho vinho e verde escuro pastel. O mapa é da Pangéia. Lugares como Eurásia, América do Norte, América do Sul, África, Índia, Antártica e Austrália estão em um aglomerado só. Na localização da América do Sul, duas linhas pontilhadas estão ligadas a dois blocos de texto com listagem de tipos de dinossauros: Gnathovorax cabreirai; Staurikosaurus pricei; Saturnalia tupiniquim; Buriolestes schultzi; Bagualosaurus agudoensis; Nhandumirim waldsangae; Herrerasaurus ischigualastensis; Sanjuansaurus gordilloi; Chromogisaurus novasi; Eoraptor lunensis; e Panphagia protos. O fundo é na cor verde escuro em tom pastel." loading="lazy">

<figcaption>Ilustração do supercontinente Pangeia, indicando a posição aproximada dos continentes atuais. Círculos vermelhos indicam as posições aproximadas das localidades na Argentina (à esquerda) e no Brasil (à direita) com os mais antigos dinossauros conhecidos, com a lista de espécies para cada um dos países.</figcaption></figure>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 8pt">Quando consideramos os registros inequívocos, ou seja, aqueles que temos “certeza” a partir da identificação dos esqueletos fósseis ou da datação das rochas, os mais antigos dinossauros são aqueles encontrados em rochas de cerca de 230 milhões de anos no Sul do Brasil e na Argentina. Existem registros de possíveis dinossauros que potencialmente seriam até mais antigos que esses, porém nem todos os autores concordam com a classificação desses materiais ou faltam estudos de datação dos sedimentos dos quais eles procedem para se ter certeza se seriam realmente mais antigos. No Brasil, tais fósseis são encontrados na Formação Santa Maria, que se estende de Leste a Oeste ao longo da depressão central do Rio Grande do Sul. <a style="text-decoration: none" href="https://www.ufsm.br/midias/arco/nem-todo-fossil-e-de-dinossauro/#:~:text=Isso%20significa%20que%20os%20dinossauros,os%20insetos)%20e%20de%20plantas.">Nem todos os fósseis achados nessas rochas são de dinossauros</a>, mas, mesmo assim, eles são relativamente raros e considerados de extrema importância para a paleontologia mundial no que diz respeito à origem dos dinossauros.</p>
É neste contexto que a equipe do LEP UFSM trabalhava no dia que encontraram um esqueleto incompleto em uma das ravinas avermelhadas do sítio “Cerro da Alemoa”, em Santa Maria. Os fósseis foram exumados em três datas diferentes, por conta do tamanho e da fragilidades dos elementos, e receberam o código UFSM 11330. Logo que foram escavados, os paleontólogos e estudantes sabiam que estavam diante de um animal relativamente grande e que se tratava de um dinossauro. Na época, apenas duas espécies brasileiras de dinossauros encontradas em rochas daquela idade (mais ou menos 230 milhões de anos) eram conhecidas: o Staurikosaurus pricei e o Saturnalia tupiniquim. Com as informações limitadas que tinham em mãos, a equipe considerou preliminarmente que o exemplar UFSM 11330 compartilhava mais semelhanças com Saturnalia; porém, o novo espécime apresentava o dobro do tamanho ou até mais, o que lhe conferiu o apelido de “Saturnalião”.
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										<img width="1024" height="576" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/06/Sitio-Cerro-da-Alemoa-1024x576.jpg" alt="Descrição da imagem: Fotografia horizontal e colorida de uma elevação de terra do tipo arenosa, na cor marrom alaranjado. Há grama e vegetações rasteiras no solo e, ao fundo, árvores altas em verde escuro. No fundo, o céu azul." loading="lazy">

<figcaption>Fotografia do sítio Cerro da Alemoa, em que foi realizada a coleta do material estudado. </figcaption></figure>
Ao longo dos anos, outros pesquisadores e alunos iniciaram seus trabalhos de descrição do esqueleto fóssil do “Saturnalião”, mas nenhum trabalho seguiu adiante para publicação final em periódico científico. Foi somente em anos recentes que o “Saturnalião” viria a ser analisado novamente. Em 2017, eu já fazia parte do LEP e, durante uma visita à coleção de paleovertebrados no prédio da Antiga Reitoria, o curador e chefe do laboratório, professor Átila Da Rosa, me mostrou os elementos preservados daquele dinossauro e me ofereceu a oportunidade de trabalhar com o material. Essa pesquisa teve como resultado um <a href="https://doi.org/10.1080/14772019.2021.1873433">artigo científico publicado no início de 2021</a>, que viria a compor um dos quatro capítulos do meu Trabalho de Conclusão de Curso, que defendi no fim de 2019.
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										<img width="1024" height="580" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/06/fotografia_mauricio_por_janaina2-1024x580.jpg" alt="Descrição da imagem: fotografia horizontal e colorida de um homem de pele branca acrocado sobre solo arenoso de cor marrom alaranjado. Ele tem cabelos escuros; usa máscara preta e chapéu cinza; veste camiseta cinza escura e colete bege, calça preta e botas brancas. Olha para um objeto que está nas mãos. Ao fundo, arbustos e árvores em verde escuro, e o céu ao fundo, claro." loading="lazy">

<figcaption>Maurício Garcia em trabalho de campo em um sítio do Período Triássico no município de Agudo (RS). Fotografia por Janaína Dillmann.</figcaption></figure>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 8pt">Nesse artigo, em co-autoria com os pesquisadores Rodrigo Müller, Flávio Pretto, Átila Da Rosa e Sérgio Dias da Silva, nós reavaliamos o material disponível que constitui o “Saturnalião” e discutimos suas implicações. Após preparação e triagem dos fósseis encontrados, constatamos que, além dos restos pertencentes a um dinossauro, elementos de um rincossauro, tipo de réptil abundante que conviveu com os primeiros dinossauros nas paisagens do Triássico, estavam ali misturados. O esqueleto do “Saturnalião” é composto por ossos da cabeça, coluna vertebral e pernas do animal, vários dos quais são muito importantes para identificar a qual grupo de dinossauros pertenceu aquele indivíduo.&nbsp;</p>
Para nossa surpresa, o “Saturnalião” estaria mais próximo do grupo Herrerasauridae, que contempla animais carnívoros de médio a grande porte, como o Staurikosaurus, do que aos Sauropodomorpha, como Saturnalia, grupo que inclui os grandes dinossauros saurópodes, que milhões de anos à frente viriam a se tornar os maiores vertebrados terrestres que já existiram.
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										<img width="1024" height="647" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/06/reconstrucao_em_vida_por_Caetano_Soares-1024x647.jpg" alt="Descrição da imagem: simulação artística, horizontal e colorida, de um dinossauro alongado, de perfil, com pele verde escuro e acinzentada em alguns pontos. Ele está em uma floresta em tons de verde." loading="lazy">

<figcaption>Representação paleoartística do espécime UFSM 11330, o "Saturnalião". Escultura e fotografia por Caetano Soares.</figcaption></figure>
<figure>
										<img width="1024" height="580" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/06/Gnathovorax_e_Saturnalia_por_Matheus_Fernandes-1024x580.jpg" alt="Ilustração horizontal e em tons de cinza de dois dinossauros em movimento. Eles estão sobre água. O primeiro, na esquerda, é do tipo Gnathovorax, está em pé sobre duas patas, tem corpo alongado, cauda grossa e cabeça pequena, e tem penugem na parte do pescoço. O outro, na direita da imagem, é do tipo Saturnalião, é um dinossauro alongado, comprido e robusto, está em pé sobre duas patas e tem outras duas pendentes; tem cauda alongada e grossa e cabeça grande." loading="lazy">

<figcaption>Representação paleoartística de dois dos dinossauros encontrados no Triássico da região central do RS. À esquerda Saturnalia tupiniquim e à direita Gnathovorax cabreirai. Ilustração por Matheus Fernandes.</figcaption></figure>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 8pt">Apesar dos novos dados obtidos, a falta de alguns elementos diagnósticos, como o osso da coxa (fêmur), impediu a atribuição do espécime UFSM 11330, o “Saturnalião”, a uma espécie nova ou a alguma já conhecida. No entanto, o “Saturnalião” é, até então, o maior registro de um esqueleto de dinossauro no Rio Grande do Sul e adiciona à diversidade de herrerassaurídeos, que antes contava apenas com o já citado Staurikosaurus (encontrado em Santa Maria) e Gnathovorax cabreirai (encontrado em São João do Polêsine). Além disso, o grande tamanho do “Saturnalião” nos permite reforçar a ideia de que dinossauros predadores de grande porte estavam presentes há 230 milhões de anos&nbsp; no Triássico do Sul do Brasil, e nos fornece uma visão mais completa da teia alimentar desta época.</p>
<strong><em>Expediente:</em></strong>

<em><strong>Texto:</strong> Maurício Garcia, bacharel em Ciências Biológicas pela UFSM e estudante de Mestrado em Biodiversidade Animal pelo Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Animal - PPGBA/UFSM;</em>

<em><strong>Design gráfico:</strong> Cristielle Luise, acadêmica de Desenho Industrial e bolsista;</em>

<em><strong>Mídia social:</strong>&nbsp;Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Ana Carolina Cipriani, acadêmica de Produção Editorial e bolsista; Ludmilla Naiva, acadêmica de Relações Públicas e bolsista; Alice dos Santos, acadêmica de Jornalismo e voluntária; Gustavo Salin Nuh, acadêmico de Jornalismo e voluntário;</em>

<em><strong>Edição de Produção:</strong>&nbsp;Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;</em>

<em><strong>Edição geral:</strong>&nbsp;Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas.</em>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Oferta de emprego e remuneração salarial em Santa Maria acompanham o ciclo da crise política e econômica do país</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/emprego-remuneracao-salarial-sm-ciclo-crise-politica-economica</link>
				<pubDate>Thu, 06 Jan 2022 12:55:22 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[economia]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[crise econômica]]></category>
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		<category><![CDATA[Santa Maria]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/arco/?p=8863</guid>
						<description><![CDATA[Estudo desenvolvido por grupo de pesquisa das Ciências Econômicas da UFSM mostra as mudanças no mercado de trabalho no município na última década]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p id="docs-internal-guid-92e7e417-7fff-88a4-ea72-65129b128b57" dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Redução do nível de produção e consumo, queda das taxas de lucro e aumento do desemprego: essas são características de uma crise econômica. Ao longo da história, já aconteceram muitos períodos de crise, como a <a style="text-decoration: none" href="https://brasilescola.uol.com.br/historiag/crise29.htm">Grande Depressão</a> de 1929 nos Estados Unidos ou a <a style="text-decoration: none" href="https://www.politize.com.br/crise-financeira-de-2008/">Crise Imobiliária</a> de 2008, que atingiu o mundo inteiro. Da mesma maneira que apresenta fases de crescimento contínuo, o sistema de produção capitalista também tem momentos de recessão. A última década brasileira foi marcada por crises econômicas e políticas que impactaram o mercado de trabalho. Assim como no restante do país, a economia de Santa Maria também sentiu os efeitos desses momentos de instabilidade.  </p>		
												<img width="1024" height="668" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/01/Arte_final-1024x668.jpg" alt="Ilustração horizontal e colorida de quatro pessoas de diferentes profissões. Na esquerda, um homem de pele branca e cabelo loiro; usa boné branco e jaqueta amarelo mostarda, nas mãos, luvas pretas; está com os braços cruzados. Ao lado, médica, de pele branca, cabelos castanho escuros e lisos, veste um jaleco branco e usa máscara cirúrgica azul, estetoscópio preto no pescoço e luvas azuis; segura uma carteira de trabalho nas mãos e está com os braços cruzados. Ao lado, mulher de pele branca, cabelos pretos, compridos e lisos; sorri; veste camisa de manga curta cinza; usa capacete de proteção de obras na cor branco e relógio cinza; está com os braços cruzados e segura nas mãos uma carteira de trabalho azul. Ao lado, na direita da imagem, homem de pele negra, cabelos, barba e bigodes escuros; veste terno preto sobre camisa lilás e gravata cinza; usa óculos branco; está com uma das mãos no bolso, e na outra, segura uma carteira de trabalho azul. Todas as pessoas não tem detalhes do rosto ilustrados. Atrás, fundo quariculado na cor azul pastel. Na parte superior, linha de gráfico em forma de zigue-zague que indica quedas e aumentos. No canto superior direito, uma carteira de trabalho vertical, em azul escuro, com detalhes em branco." loading="lazy" />														
		<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 10pt;margin-bottom: 0pt">Um <a style="text-decoration: none" href="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/533/2021/09/2021_DEID_Relatorio-1.pdf">relatório</a> feito por pesquisadores da UFSM traçou um panorama geral do mercado formal de trabalho no município de Santa Maria entre 2010 e 2019. O estudo tem ênfase sobre os empregos qualificados, aqueles que exigem mais capacitações profissionais e técnico-científicas, os quais incorporam trabalhadores com maior ganho de produtividade, assim como, melhor remuneração salarial. Além disso, traz informações importantes da última década e compreende dados sobre gênero, faixas salariais, idade e experiência. Os resultados podem ser utilizados como base para políticas públicas e setoriais voltadas para questões como a qualificação profissional ou promoção de igualdade de gênero. “O trabalho foi pensado para beneficiar a todos os cidadãos de Santa Maria e outros que se interessam pela temática do emprego”, comenta Lázaro Dias, mestre em Economia e Desenvolvimento pela UFSM e coautor da pesquisa.</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 10pt;margin-bottom: 0pt">O estudo é fruto do esforço coletivo do grupo de pesquisa Dinâmica Industrial, Instituições e Desenvolvimento (DEID), vinculado ao <a style="text-decoration: none" href="https://www.gov.br/cnpq/pt-br">Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico</a> (CNPq). Estruturada em dois pilares principais, o levantamento traz estatísticas da produção e do emprego no município e propõe uma análise dos empregos formais. </p><p>A base do estudo foi a <a style="text-decoration: none" href="http://www.rais.gov.br/sitio/index.jsf">Relação Anual de Informações Sociais</a> (RAIS) do Ministério do Trabalho e Previdência. A RAIS é um registro administrativo nacional que apresenta informações e estatísticas sobre o mercado formal de trabalho. Possui uma cobertura de aproximadamente 97% do cenário de empregos no país. Entre seus objetivos estão subsidiar as políticas de formação de mão de obra e salarial. A pesquisa utiliza classificações como o porte das empresas de Santa Maria, estoque de empregos e características individuais dos empregados. São separadas três categorias de atividades com aspectos importantes para o crescimento e desenvolvimento econômico local: operacionais, nível técnico e área tecnológica.</p>		
												<img width="600" height="649" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/01/Box2-649x600-1.png" alt="Boxinformativo quadrado e em tons de azul, dividido em três blocos de texto. O primeiro está ao lado do desenho de um homem de pele branca e cabelos curtos e loiros, que veste um boné branco e uma jaqueta amarela, e luvas pretas; está no lado esquerdo do box e com as mãos cruzadas. O texto, em preto, ocupa sete linhas: &quot;Empregos classificados como operacionais estão ligados a atividades industriais ou a trabalhos manuais e exigem maior esforço físico, como ferramenteiros, montadores de máquinas industriais e eletricistas-eletrônicos.&quot; Abaixo, homem de pele negra, cabelos, barba e bigode pretos; a parte superior da cabeça não tem cabelo; ele veste terno preto sobre camisa lilás e gravata cinza; uma mão está no bolso e a outra segura uma carteira de trabalho azul; está no lado direito do box, e o texto, do seu lado esquerdo, ocupa cinco linhas: &quot;O nível técnico são os empregos que exigem grau intermediário de complexidade das tarefas, tais como técnicos em programação, desenhistas técnicos e mecânicos de manutenção aeronáutica.&quot;. Abaixo, ao lado esquerdo do box e ao lado do terceiro bloco, mulher de pele branca, cabelos castanhos, lisos e compridos, veste camisa de manga curta cinza e usa capacete de proteção de construções na cor branco; está com os braços cruzados e segura uma carteira de trabalho azul; Ao lado, o texto ocupa seis linhas: &quot;Por fim, as ocupações da área tecnológica abrangem atividades de direção, ensino superior, tecnologia e inovação, como por exemplo professores e pesquisadores universitários, profissionais da biotecnologia, engenheiros diversos e farmacêuticos.&quot;. O fundo do texto é azul pastel e tem uma moldura quadriculada." loading="lazy" />														
		<p id="docs-internal-guid-788a6be8-7fff-e368-a9ce-fd814fc3cf26" dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 10pt;margin-bottom: 0pt">O relatório mostrou que a quantidade de empregos formais em Santa Maria teve um crescimento de 22,5% entre os anos estudados, apesar de algumas oscilações nesse período. Os dados coletados são do período pré-pandêmico. A seguir, a Revista Arco apresenta outras informações sobre as mudanças na última década que estão disponíveis no estudo produzido pelo DEID. </p>		
												<img width="1024" height="271" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/01/infografico-1024x271.png" alt="Infográfico horizontal, em formato de linha do tempo e em tons de laranja, amarelo, azul e branco. Vai do ano 2000 até 2030, e tem destaques, em tamanho maior e em letra branca, para os anos de 2011, 2012, 2013, 2016, 2019 e 2030. O fundo da linha do tempo é laranja. De 2000 a 2014, há uma barra horizontal amarela que indica o boom das commodities. De 2010 a 2015, uma barra horizontal azul escura que indica o período de aumento de empregos. De 2015 a 2018, uma barra horizontal azul clara, que indica o período de recessão de empregos. 2011: Início da nova matriz econômica e início da queda na porcentagem de vagas para nível superior. 2012: Queda na porcentagem de vagas para pós-graduação e aumento de pessoas que integram faixa de remuneração de 1,5 a 2,00 salários mínimos. 2013: Aumento de pessoas que integram faixa de remuneração de 2,01 a 3,00 salários mínimos. 2016: Incertezas no campo político. 2019: Retomada de empregos no município. 2030: Período mínimo para recuperação da economia nos patamares de 2010. O fundo é branco." loading="lazy" />														
			<h3><p dir="ltr" style="line-height:1.38;text-align: justify;margin-top:10pt;margin-bottom:0pt" id="docs-internal-guid-f6260235-7fff-4a52-7d96-8344fc1d5772">Mais empregos formais no início da década&nbsp;</p></h3>		
		<p>Entre os anos de 2010 e 2014, houve um aumento de 19,5% no total de empregos formais no município, crescimento que vai ao encontro de uma tendência nacional. Entre as muitas razões que explicam esse progresso, uma delas é que entre 2000 e 2014 ocorreu o “boom das commodities”, um período de alta nos preços de grande parte das matérias primas no mundo - tais como alimentos, petróleo, metais e energia. O aumento na procura por commodities aconteceu graças à ascensão de países em desenvolvimento, como a <a style="text-decoration: none" href="https://www.ufsm.br/midias/arco/arco-entrevista-bruno-hendler-china/">China</a>. Esse ciclo trouxe benefícios, principalmente, para países da América do Sul e da África, grandes exportadores de matérias primas. </p>		
												<img width="600" height="649" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/01/Box1-649x600-1.png" alt="Box quadrado e em tons de azul e preto. No centro superior, sobre uma barra horizontal azul clara, em preto e caixa alta, o título &quot;O que são commodities?&quot;. Abaixo, sobre um fundo azul claro e quadrado, em preto, dividido em onze linhas, o texto: &quot;Produtos de origem agropecuária ou de extração mineral, em estado bruto ou pequeno grau de industrialização. Sua produção acontece em larga escala e se destina ao comércio externo. Geralmente, o preço desses bens é determinado globalmente, o que deixa produtores sujeitos às flutuações internacionais de preços. As principais commodities do Brasil são o café, a soja, o trigo e o petróleo.&quot;. Uma linha horizontal em forma de infográfico, com indicações de queda e suba, está na parte inferior da imagem, logo abaixo do texto. O fundo é azul pastel com textura quadriculada." loading="lazy" />														
		<p id="docs-internal-guid-18ba520e-7fff-efe2-b15b-a0e7a366b558" dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 10pt;margin-bottom: 0pt">Nesse cenário, a economia brasileira, liderada pela venda de commodities, teve um  aumento significativo nas exportações. A receita gerada no período resultou em investimentos públicos em setores estratégicos e na expansão do setor de serviços, o que colaborou com um ciclo virtuoso de empregos. </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 10pt;margin-bottom: 0pt">Entretanto, a partir do ano de 2015, houve uma baixa no número de trabalhos formais em Santa Maria e no Brasil. O ciclo recessivo também aconteceu devido aos efeitos da <a style="text-decoration: none" href="https://sep.org.br/anais/2019/Sessoes-Ordinarias/Sessao3.Mesas21_30/Mesa29/293.pdf">Nova Matriz Econômica</a>, um plano criado em 2011 para minimizar a intervenção e participação do setor público na economia do país, que seria compensada pelo setor privado, tido como suficiente e capaz de promover investimentos que impulsionariam a economia. “A ideia seria aumentar a margem de lucro das indústrias para que o capital fosse reinvestido e gerasse renda e emprego. Infelizmente, o setor privado, apesar dos bônus - como subsídios e desonerações fiscais - não levou à frente os diversos projetos de investimentos na economia brasileira”, explica Valdinei das Chagas, mestrando em Economia e Desenvolvimento pela UFSM e coautor do relatório.</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 10pt;margin-bottom: 0pt">Os anos a partir de 2015, foram marcados por incertezas geradas no campo político do país. Fatores como o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e, em seguida, as medidas de cortes na economia, como a <a style="text-decoration: none" href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/emendas/emc/emc95.htm">Emenda do Teto de Gastos</a> e a <a style="text-decoration: none" href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2017/lei/l13467.htm">Reforma Trabalhista</a>, promulgadas no governo de Michel Temer, desestimularam contratações e investimentos e o mercado formal de trabalho encolheu. </p>		
												<img width="1024" height="617" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/01/grafico_2-1024x617.png" alt="Infográfico de barras verticais, em tons de azul. No centro superior, sobre uma barra horizontal azul clara, o título “Quantidade de empregos formais totais em Santa Maria - RS”, em caixa alta e azul escuro. Abaixo, o infográfico, em que a linha “y” indica a quantidade de empregos e a linha “x” os anos. Na linha “x”, os anos vão de 2010 a 2019. Cada ano tem uma certa quantidade de empregos: 2010 - 59.176 empregos; 2011 - 63.407 empregos; 2012 - 66.117 empregos; 2013 - 69.175 empregos; 2014 - 70.830 empregos; 2015 - 69.524 empregos; 2016 - 68.052 empregos; 2017 - 69.215 empregos; 2018 - 69.969 empregos; e 2019 - 72.481 empregos; Sobre as barras horizontais, há uma linha tracejada azul escuro. As barras são em tom azul claro e os números em azul escuro. Abaixo do infográfico, em azul claro, o texto: “Fonte: RAIS, 2021. Nota: A linha tracejada representa a média móvel de dois períodos”. O fundo é na cor azul pastel." loading="lazy" />														
			<h3><p dir="ltr" style="line-height:1.38;text-align: justify;margin-top:10pt;margin-bottom:0pt">Fuga de cérebros</p></h3>		
		<p id="docs-internal-guid-0613c6d3-7fff-d5b7-9843-04fa5c6dcfd8" dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 10pt;margin-bottom: 0pt">Ao longo da década, o número de empregos em nível superior aumentou em Santa Maria. Em 2010, eram 10.689 empregados; em 2015, 13.602 trabalhadores; e em 2019, eram 14.733. Também há um crescimento no número de contratados com pós-graduação. Contudo, mesmo com o aumento no número de oferta de empregos, a porcentagem de vagas para nível superior caiu de 20% para 18%. Para pós-graduação, a queda foi de 5% para 1,6%. </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 10pt;margin-bottom: 0pt"> </p><p>A falta de oportunidades de trabalho para profissionais com graduação, mestrado ou doutorado em Santa Maria, pode acarretar no fenômeno chamado <a style="text-decoration: none" href="https://www.bbc.com/portuguese/brasil-51110626">fuga de cérebros</a>. “A cidade mantém-se como um polo de qualificação e especialização profissional, mas, assim que terminam os estudos, os indivíduos vão para outras localidades que eventualmente lhes oferecem melhores empregos e salários mais altos”, explica Lázaro Dias. </p>		
												<img width="1024" height="406" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/01/grafico_4-1024x406.png" alt="Gráfico de barras verticais, horizontal e nas cores vermelha, amarela, azul forte, azul fraco e azul pastel. Os números e títulos são da cor preta. A legenda e detalhes de linhas e colunas do gráfico são da cor cinza. Na parte superior central, em caixa alta, o título “Escolaridade dos empregos formais em Santa Maria - RS”. Abaixo, na esquerda do gráfico, a legenda, em caixa alta: “Distribuição da escolaridade dos emprego formais - %”. Ao lado da cor vermelha, a legenda “Analfabetismo”; cor amarela, “Básica”; cor azul escuro, “Médio”; cor azul claro, “Superior”; e cor azul pastel, “Pós”. Abaixo, o gráfico. No eixo “y”, os números de 0 a 100, que aumentam de dez em dez. No eixo “x”, os anos, de 2010 a 2019. Cada um dos anos tem cinco barras verticais, nas cores vermelho, amarelo, azul forte, azul claro e azul pastel. As barras mais baixas, de todos, são a da cor vermelha e da cor azul pastel. As barras mais altas são as azuis fortes, seguidas das amarelas e azul fracas em equilíbrio. No ano de 2010: barra vermelha, 0,2; barra amarela, 21,1; barra azul forte, 53,5; barra azul claro, 20,3; e barra azul pastel, 4,9. No ano de 2011: barra vermelha, 0,1; barra amarela, 21,6; barra azul forte, 52,8; barra azul claro, 20,5; e barra azul pastel, 5,0. No ano de 2012: barra vermelha, 0,1; barra amarela, 22,4; barra azul forte, 53,1; barra azul claro, 19,7; e barra azul pastel, 4,7. No ano de 2013: barra vermelha, 0,1; barra amarela, 23,3; barra azul forte, 53,1; barra azul claro, 19,1; e barra azul pastel, 4,3. No ano de 2014: barra vermelha, 0,1; barra amarela, 24,7; barra azul forte, 52,2; barra azul claro, 19,1; e barra azul pastel, 3,8. No ano de 2015: barra vermelha, 0,2; barra amarela, 26,2; barra azul forte, 52,0; barra azul claro, 18,7; e barra azul pastel, 2,9. No ano de 2016: barra vermelha, 0,2; barra amarela, 27,8; barra azul forte, 51,3; barra azul claro, 13,3; e barra azul pastel, 2,5. No ano de 2017: barra vermelha, 0,2; barra amarela, 28,7; barra azul forte, 50,8; barra azul claro, 18,1; e barra azul pastel, 2,2. No ano de 2018: barra vermelha, 0,2; barra amarela, 30,5; barra azul forte, 49,7; barra azul claro, 17,8; e barra azul pastel, 1,8. E no ano de 2019: barra vermelha, 0,2; barra amarela, 31,2; barra azul forte, 48,8; barra azul claro, 18,1; e barra azul pastel, 1,6. O fundo do gráfico é branco." loading="lazy" />														
		<p id="docs-internal-guid-6f47e473-7fff-3c96-1386-6afa747640f4" dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 10pt;margin-bottom: 0pt">O estudo não abrange a explicação para o fenômeno complexo, mas deixa indícios que podem ser investigados por pesquisas futuras sobre o assunto. “Esse é um aspecto negativo, e precisaria ser melhor investigado pela equipe de pesquisa em estudos futuros, para entendermos se e como ocorre”, complementa Lázaro. </p>		
			<h3>Mudanças no perfil da remuneração média dos empregos</h3>		
		<p id="docs-internal-guid-e66ff7a2-7fff-cde8-c43f-80cf488b4dde" dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 10pt;margin-bottom: 0pt">No decorrer do período analisado, também houve aumento na participação relativa dos empregados remunerados entre 1,5 e 2,0 salários mínimos, que passaram de 18,8% em 2010 para 26,6% em 2019. Na faixa seguinte, 2,01 a 3,00 salários mínimos, também há acréscimo. Em 2010 eram 14,8% e em 2019, 17,4%. Andressa Neis, Mestre em Economia e Desenvolvimento pela UFSM e coautora da pesquisa, esclarece que esse é um processo significativo e muito importante. “Os trabalhadores dessas faixas comprometem parte relevante da sua renda com consumo - alimentação, moradia, saúde e educação - e os impostos, quando bem aplicados, são revertidos em políticas públicas de saúde, educação e segurança pública”.</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 10pt;margin-bottom: 0pt">A elevação nas faixas salariais pode ter relação com mudanças estruturais, já que parte dos empregos operacionais de nível escolar básico foram gradualmente diminuídos ao longo da década. O contexto mostrou que houve aumento na escolaridade da força de trabalho, de nível médio e superior. Andressa afirma que o fenômeno vai ao encontro da <a style="text-decoration: none" href="https://www.scielo.br/j/inter/a/srrRFK6rcbj7gwW6GMyVNHK/?lang=pt">Teoria do Capital Humano</a>, que propõe que a educação torna as pessoas mais produtivas, tende a valorizar os seus salários e pode influenciar o progresso econômico.</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 10pt;margin-bottom: 0pt">Nos dois extremos da tabela, isto é, as faixas salariais de até 0,5 salários mínimos e mais de 20 salários, o índice percentual continuou praticamente o mesmo, 0,7% e 1,0%, respectivamente.</p>		
												<img width="1024" height="702" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/01/Tabela-1024x702.png" alt="Tabela horizontal e em tons de azul claro, com texto em preto. No centro superior, sobre barra horizontal azul clara, em caixa alta e em azul escuro, o título “Faixa de remuneração média dos empregados formais em Santa Maria - RS”. Abaixo, a tabela, que tem 11 colunas e 13 linhas. Na linha superior, as colunas são as seguintes: Faixa [do salário mínimo], 2010, 2011, 2012, 2013, 2014, 2015, 2016, 2017, 2018 e 2019. E as linhas: Faixa; até 0,50; 0,51 a 1,00; 1,01 a 1,50; 1,51 a 2,00; 2,01 a 3,00; 3,01 a 4,00; 4,01 a 5,00; 5,01 a 7,00; 7,01 a 10,00; 10,01 a 15,00; 15,01 a 20,00; e mais de 20,00. Os números das linhas são em porcentagem. Na linha “até 0,50”, o menor número é de 0,7%, e o maior, 0,9%. Na linha “0,51 a 1,00”, o menor número é de 4,8%, e o maior, 5,3%. Na linha “1,01 a 1,50”, o menor número é de 23,0%, e o maior, 34,1%. Na linha “1,51 a 2,00”, o menor número é de 18,8%, e o maior, 26,4%. Na linha “2,01 a 2,00”, o menor número é de 14,0%, e o maior, 18,0%. Na linha “3,01 a 4,00”, o menor número é de 7,1%, e o maior, 7,8%. Na linha “4,01 a 5,00”, o menor número é de 3,5%, e o maior, 4,2%. Na linha “5,01 a 7,00”, o menor número é de 4,8%, e o maior, 5,2%. Na linha “7,01 a 10,00”, o menor número é de 3,8%, e o maior, 4,8%. Na linha “10,01 a 15,00”, o menor número é de 3,3%, e o maior, 3,6%. Na linha “15,01 a 20,00”, o menor número é de 1,0%, e o maior, 1,6%. E na linha “mais de 20,00”, o menor número é de 0,8%, e o maior, 1,3%. A tabela tem fundo azul claro e uma moldura fina e preta. Abaixo da tabela, no canto inferior direito, em preto, a legenda “Fonte: RAIS, 2021”. O fundo da tabela é na cor azul pastel." loading="lazy" />														
			<h3><p dir="ltr" style="line-height:1.38;text-align: justify;margin-top:10pt;margin-bottom:0pt">Previsões futuras não indicam melhora</p></h3>		
		<p id="docs-internal-guid-41137594-7fff-a82e-ed8f-08c009a9f515" dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 10pt;margin-bottom: 0pt">O estudo mostrou que Santa Maria tem sofrido impactos negativos na geração de postos de trabalho no período, isto é, o município acompanhou o ciclo de crescimento econômico da economia brasileira que, até meados de 2014, teve um significativo aumento no número de empregados e depois apresentou um recuo. Atualmente, a economia do município, bem como a economia brasileira, ainda sofre os efeitos de políticas macroeconômicas guiadas desde 2012. “Alguns colegas economistas já sinalizam que, até o ano de 2030, a economia brasileira não recupera totalmente ao patamar de 2010, devido a retrocessos, sobretudo sociais, além da forte desindustrialização e falências de empresas, em especial as micro e pequenas, que tiveram seu ciclo ainda mais afetados pela pandemia”, revela Valdinei.</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 10pt;margin-bottom: 0pt">Desde 2020, com a crise da pandemia de Covid-19, houve uma acelerada perda nas ocupações no Brasil. O Rio Grande do Sul, bem como Santa Maria, seguiu a tendência nacional. O DEID produziu um <a style="text-decoration: none" href="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/533/2022/01/Relatorio-DEID-2020-1.pdf">estudo complementar</a> com informações sobre o emprego formal no contexto da pandemia.</p>		
												<img width="1024" height="617" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/01/grafico_3-1024x617.png" alt="Infográfico de linhas, horizontal, com escritos em preto e com o detalhe da linha em laranja. No centro superior, em caixa alta, o título “Evolução mensal de estoque - Santa Maria / RS, 2020”. No eixo “y” do infográfico, está a informação “Nº de pessoas”, que começa em 55.500 e termina em 60.500, com aumento de “500” a cada linha. No eixo “x”, o período de tempo, de janeiro/2020 a dezembro/2020. Abaixo de cada mês, o número de pessoas que corresponde ao mês. Na legenda, a linha laranja com um círculo indica o estoque. Em janeiro de 2020, a linha começa na faixa de 59.500. Em fevereiro, sobe um pouco, até a faixa de 60.000. A partir de março, começa a decair, até o mês de julho, em que para na faixa de 57.000. A partir de agosto, começa a crescer lentamente. Em dezembro, a linha está na faixa dos 58.500. No fundo do infográfico, linhas em cinza. O fundo é branco." loading="lazy" />														
		<p id="docs-internal-guid-ba4554f4-7fff-ec9f-2cac-f0b489791706" dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;background-color: #ffffff;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt;padding: 0pt 0pt 12pt 0pt">Expediente</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;background-color: #ffffff;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt;padding: 0pt 0pt 12pt 0pt">Reportagem: Luís Gustavo Santos, acadêmico de Jornalismo e voluntário</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;background-color: #ffffff;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt;padding: 0pt 0pt 12pt 0pt">Design Gráfico: Luiz Figueiró e Cristielle Luise, acadêmicos de Desenho Industrial e bolsistas</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;background-color: #ffffff;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt;padding: 0pt 0pt 12pt 0pt">Mídia Social: Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Alice Santos, acadêmica de Jornalismo e voluntária; Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo e voluntária; e Martina Pozzebon, acadêmica de Jornalismo e estagiária</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;background-color: #ffffff;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt;padding: 0pt 0pt 12pt 0pt">Edição de Produção: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;background-color: #ffffff;margin-top: 0pt;margin-bottom: 12pt">Edição Geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas</p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>A Kiss antes do incêndio</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/a-kiss-antes-do-incendio</link>
				<pubDate>Mon, 06 Dec 2021 16:56:44 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[boate kiss]]></category>
		<category><![CDATA[destaque arco]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[dispositivo interativo digital kiss]]></category>
		<category><![CDATA[julgamento kiss]]></category>
		<category><![CDATA[Realidade Virtual]]></category>
		<category><![CDATA[Santa Maria]]></category>
		<category><![CDATA[tecnologia]]></category>
		<category><![CDATA[tragédia da Kiss]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/arco/?p=8788</guid>
						<description><![CDATA[Dispositivo interativo digital resultante da reconstrução 3D da boate foi coordenado por professora da UFSM e é utilizado como ferramenta no julgamento da tragédia
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <img width="150" height="150" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/12/trigger-warning-150x150-1.png" alt="" loading="lazy" />														
		<p><b>AVISO DE GATILHO</b></p><p>Em percurso por um dispositivo virtual, é possível conhecer o interior da Boate Kiss antes do incêndio. Da rua, se vê a entrada - e também saída - do local que ficou marcado por ser uma das maiores tragédias no Brasil. Assistir ao vídeo* permite ampliar a compreensão da tragédia.</p>		
			<h3>O percurso </h3>		
		https://youtu.be/edoqfbo-Bmw<p>Este vídeo mostra o caminho pelo interior da Kiss antes do incêndio e só foi possível por meio da reconstrução do ambiente em imagens 3D. A estrutura da boate é complexa, o que dificultou que pessoas encontrassem a saída na noite de 27 de janeiro de 2013. O local foi descrito como labirinto mais de uma vez.</p><p>O Dispositivo Interativo Digital resulta de um projeto da Universidade Federal de Santa Maria  (UFSM), em parceria com o Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul, a Fundação Escola Superior do Ministério Público e a Associação do Ministério Público do Rio Grande do Sul. Coordenado pela antropóloga e docente da UFSM, Virgínia Vecchioli, o dispositivo foi criado com o objetivo de ser utilizado durante o júri do caso, que iniciou dia 1º de dezembro em Porto Alegre e tem previsão de durar 15 dias. A ideia é que os sobreviventes possam identificar, a partir do percurso virtual, o local em que estavam quando perceberam o incêndio.</p>		
			<h3>A tragédia
</h3>		
		<p>O incêndio na Boate Kiss, em Santa Maria - RS, aconteceu na madrugada de 27 de janeiro de 2013 e matou 242 pessoas, em sua maioria jovens. Além disso, outras 636 vítimas ficaram feridas e precisaram de atendimento e <a href="https://www.ufsm.br/midias/arco/da-kiss-a-covid/">acompanhamento a longo prazo</a>. O fogo começou durante o show da banda Gurizada Fandangueira, que usava artefatos pirotécnicos.  A casa noturna, que estava lotada e não tinha ventilação, saídas de emergência nem controle de incêndio, foi tomada pela fumaça tóxica proveniente da queima da espuma acústica. Os extintores não funcionaram, não havia chuveiros automáticos - também chamados de <i>sprinklers</i> - nem indicação da rota de fuga. Além disso, obstáculos como degraus, barras de ferro e muretas agravaram a dimensão da tragédia, uma vez que muitas pessoas tropeçaram, caíram ou ficaram presas ao tentar cruzar por elas.</p><p>Gabriel Rovadoschi Barros, 27 anos, é psicólogo e não foi chamado como testemunha do júri, mas com o dispositivo conseguiu mostrar para a família o local em que estava quando começou o incêndio. Ele presenciou a <a href="https://www.youtube.com/watch?v=9LPLYCegUcc" target="_blank" rel="noopener">coletiva de imprensa sobre o julgamento</a>, em que a ferramenta foi entregue ao Ministério Público, no dia 17 de novembro. Durante a apresentação na coletiva, o percurso virtual foi pausado para mostrar um exemplo de local em que havia sinalização, mas o extintor de incêndio estava ausente. No salão menor, ao lado de uma cabine de madeira, Gabriel estava parado quando percebeu a movimentação de pessoas correndo. De lá, ele não viu o início do incêndio.</p>		
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										<img width="1024" height="576" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/12/Foto-Samara-1024x576.jpg" alt="" loading="lazy" />											<figcaption>Cabine de madeira, local onde Gabriel Rovadoschi Barros estava quando começou o incêndio. </figcaption>
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		<p>Primeiramente, ele achou que fosse uma briga, mas, quando percebeu a fumaça, colocou a camiseta na frente do nariz e correu; não gritou para poupar energias; e tropeçou nos degraus que separavam os ambientes. Para Gabriel, elementos como barras de ferro, mesas e degraus que estavam no caminho dificultaram a saída de muitas pessoas. “Não tinha outra saída. Não tinha uma porta nos fundos. Não tinha uma janela para quebrar. Não tinha nada”, relembra.</p><p>Gabriel não conhecia muito bem a boate. Na época com 18 anos e estudante de Jornalismo na UFSM, era a segunda vez que ia até a Kiss. A primeira foi na noite anterior, em que conheceu uma menina do curso de Zootecnia que o convidou a ir à festa Agromerados. Segundo ele, a fila do dia 26 estava maior que a do dia anterior. Gabriel não teve sequelas físicas e pulmonares: apenas um hematoma roxo na perna, em formato de dedos, marcou a pele. Dos quatro amigos, dois faleceram e dois ficaram internados. A culpa por ter saído sem sequelas o acompanhou durante muito tempo. “Uma das coisas que mais me afeta até hoje é que no início do tumulto eu senti que peguei o lugar de alguém”. Entre silêncios, suspiros e voz afetada, ele afirma que hoje consegue reconhecer que essa não deve ser uma culpa dele. “Teve responsáveis por isso. Foi uma emboscada, um crime, acho que não tem outra palavra para definir”, diz.</p><p>Para Gabriel, o dispositivo é importante porque deu respostas de coisas que estavam só na lembrança. “Ao mesmo tempo que dói [rever], alivia, porque eu me dou conta de que não estava louco, que eu não aumentei a dificuldade da coisa, que ela foi mais difícil ainda do que eu imaginava”, desabafa. Ele acredita que o recurso é potente, mas não só como ferramenta para ser usada no júri: “Vai ajudar, para servir como recurso, para entender, para dar lugar, para tirar esse peso que eu tenho em ser a memória da tragédia. Acho que desloca e dá outras funções além de comprovar o absurdo que foi”.</p><p>Na busca por memória e justiça, a atuação de uma ONG quer conscientizar a população para que outras tragédias não aconteçam. A <a href="https://www.instagram.com/kissquenaoserepita/">“Kiss: Que não se repita”</a> (KQNSR) é ativa nas redes sociais e luta para que a tragédia não caia no esquecimento. Bel Bonotto, 33 anos, é do Rio de Janeiro e faz parte da equipe de comunicação da KQNSR. No incêndio, ela perdeu um amigo. A publicitária afirma que o dispositivo é uma maneira didática de evidenciar, para quem nunca esteve na boate como ela era um labirinto e tinha vários pontos cegos. “Através do dispositivo, é possível mostrar com clareza como era difícil ter noção de onde era a saída, ainda mais com a fumaça tomando conta do espaço no escuro, e também das debilidades - como a ausência do extintor de incêndio e do quanto a espuma tóxica dominava a área onde o artefato pirotécnico foi aceso”. No corredor que levava ao exterior, acima da porta deveria ter um aviso de “saída”; no entanto, a placa indicava o “caixa”.</p>https://youtu.be/0m1wJrKaS-w		
			<h3>O dispositivo</h3>		
		<p>O projeto é fruto de uma pesquisa coordenada pela antropóloga argentina e professora na UFSM, Virgínia Vecchioli. A docente já esteve à frente de outros trabalhos de reconstrução virtual de ambientes destruídos, como é o caso do <a href="https://huelladigital.com.ar/V6/campito/" target="_blank" rel="noopener">“El Campito”</a>, de 2018, que retratou um campo de concentração na Argentina e também foi usado em júri. A partir de 2016, ao assumir o cargo na UFSM, Virgínia entrou em contato com os familiares das vítimas e conheceu a luta pela justiça. A partir desse encontro, surgiu a ideia da criação de um dispositivo que auxiliasse no júri do caso Kiss, que acontece em Porto Alegre. Com a mudança de cidade - inicialmente o julgamento estava previsto para ocorrer em Santa Maria -, as dificuldades impostas pela pandemia da Covid-19 e as condições deterioradas da boate atualmente, que a tornam pouco segura, a visitação se tornaria inviável. A partir do uso do dispositivo como ferramenta do júri, é possível conhecer as condições e o interior da boate antes do incêndio.</p>		
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										<img width="1024" height="682" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/12/1-INST-1024x682.jpg" alt="" loading="lazy" />											<figcaption>Fachada da Boate Kiss: imagem gerada pelo escaneamento do Instituto de Criminalística do Distrito Federal.</figcaption>
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										<img width="1024" height="682" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/12/1-NOVA-1024x682.jpg" alt="" loading="lazy" />											<figcaption>Fachada da Kiss: imagem gerada no Dispositivo Interativo Digital.</figcaption>
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										<img width="1024" height="682" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/12/1-REAL-1024x682.jpg" alt="" loading="lazy" />											<figcaption>Fachada da Kiss: imagem real, após o incêndio.</figcaption>
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		<p>O projeto foi elaborado em quatro meses e a equipe era composta por sete pessoas. O trabalho técnico de desenvolvimento foi feito por Lucas Kolton, arquiteto especializado em design gráfico. Ele usou duas ferramentas: <i>Unreal Engine - </i>plataforma de criação de jogos usada na arquitetura para geração de imagens em realidade virtual - e o <i>SketchUp</i> - <i>software </i>que possibilita aplicar volumetria 3D. A construção da plataforma teve como base o escaneamento do local realizado pelo Instituto de Criminalística do Distrito Federal (DF) em fevereiro de 2013. Depois, com a planta da boate obtida a partir do escaneamento, os ambientes foram categorizados por meio de códigos. Cada uma das peças tinha uma pasta em que eram reunidas as referências, formadas por cerca de 200 fotografias coletadas dos volumes do processo. A pesquisa e a catalogação envolveram material fotográfico, audiovisual e escrito. Lucas explica que a simulação em realidade virtual foi um processo evolutivo, em que, a partir de reuniões semanais, havia discussão e acréscimo de elementos que faltavam. Virgínia conta que não foram necessárias visitas ao local, uma vez que os principais documentos utilizados já tinham detalhamento suficiente. </p>		
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										<img width="1024" height="682" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/12/2-INST-1024x682.jpg" alt="" loading="lazy" />											<figcaption>Hall: imagem gerada pelo escaneamento do Instituto de Criminalística do Distrito Federal.</figcaption>
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										<img width="1024" height="682" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/12/2-NOVA-1024x682.jpg" alt="" loading="lazy" />											<figcaption>Hall: imagem do Dispositivo Interativo Digital.</figcaption>
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										<img width="1024" height="682" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/12/2-REAL-1024x682.jpg" alt="" loading="lazy" />											<figcaption>Hall: imagem real, após o incêndio.</figcaption>
										</figure>
		<p>A equipe se atentou aos detalhes da arquitetura da boate, inclusive para representar desníveis no chão. No processo de construção do dispositivo virtual do projeto anterior, o El Campito, utilizaram-se relatos de testemunhas. Na reconstrução da Kiss, no entanto, não foi possível. Como o dispositivo é ferramenta de júri, deve apresentar isenção.</p>		
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										<img width="1024" height="682" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/12/3-INST-1024x682.jpg" alt="" loading="lazy" />											<figcaption>Salão menor: imagem gerada pelo escaneamento do Instituto de Criminalística do Distrito Federal.</figcaption>
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										<img width="1024" height="682" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/12/3-NOVA-1024x682.jpg" alt="" loading="lazy" />											<figcaption>Salão menor: imagem gerada pelo Dispositivo Interativo Digital.</figcaption>
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										<img width="1024" height="682" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/12/3-REAL-1024x682.jpg" alt="" loading="lazy" />											<figcaption>Salão menor: imagem real, após o incêndio.</figcaption>
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		<p>Marcelo Mendes Arigony, hoje delegado na 2ª Delegacia de Polícia de Santa Maria, era delegado de Polícia Regional na época da tragédia, e aponta que o dispositivo é importante para auxiliar os jurados no entendimento do caso. Arigony afirma que, por meio dele, é possível estabelecer rumos justos quanto à sentença que será proferida.  “É um instrumento disponibilizado para que aquelas pessoas possam produzir um julgamento mais justo, que é o que se espera de justiça que possa vir nesse caso”, completa. O delegado ainda salienta a validade jurídica do dispositivo virtual, uma vez que o juiz utiliza a prática de íntima convicção - em que tem o direito de apreciar o fato de maneira livre e de acordo com seu entendimento, por isso, pode usar de várias ferramentas a fim da maior compreensão possível.</p><p>Virgínia destaca a importância do dispositivo, que é pioneiro no Brasil. A distância entre o Foro Central de Porto Alegre (local da audiência) e a boate, em Santa Maria, torna mais difícil uma visita ao local do crime. “[Os jurados] não têm que se deslocar para fora da sala de audiências. A cena do crime entra na sala de audiências. E isso é uma grande inovação”, evidencia a pesquisadora. </p><p>Flávio Silva é presidente da Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria (AVTSM), e perdeu sua filha, Andrieli Righi da Silva, no incêndio. Para ele, o dispositivo é fundamental no júri, uma vez que mostra como era a casa noturna. “Com todos aqueles obstáculos pela frente, mostra-se claramente que eles não tiveram praticamente nenhuma chance de escapar com vida lá de dentro”, afirma.</p>		
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										<img width="1024" height="682" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/12/4-INST-1024x682.jpg" alt="" loading="lazy" />											<figcaption>Salão maior, com a visão do palco:  imagem gerada pelo escaneamento do Instituto de Criminalística do Distrito Federal.</figcaption>
										</figure>
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										<img width="1024" height="682" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/12/4-NOVA-1024x682.jpg" alt="" loading="lazy" />											<figcaption>Salão maior, com a visão do palco: imagem gerada pelo Dispositivo Interativo Digital.</figcaption>
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										<img width="1024" height="682" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/12/4-REAL-1024x682.jpg" alt="" loading="lazy" />											<figcaption>Salão maior, com visão do palco: imagem real, após o incêndio.</figcaption>
										</figure>
		<p>Depois do júri, o dispositivo será disponibilizado ao público e o intuito é que se torne um memorial virtual. O projeto também terá continuidade. Com o encerramento do processo, o objetivo é ouvir as vítimas e testemunhas para aprimorar o dispositivo. A ideia é que ele ultrapasse a plataforma virtual. O plano da AVTSM é que a boate física seja demolida após o júri, e que no local seja construído um memorial, que vai ao encontro da luta das organizações na busca por memória e justiça, para que tragédias como a da Kiss não se repitam. No projeto do dispositivo, o próximo passo idealizado pela pesquisadora e sua equipe é trabalhar com a realidade aumentada, a fim de oportunizar aos futuros visitantes conhecer a Kiss antes da tragédia e, dessa forma, permitir maior compreensão sobre sua dimensão. Lucas menciona que é possível inserir pessoas no dispositivo, de forma simulada e virtual. Dentro dessa proposta, está a ideia de usar relatos e depoimentos autorizados das vítimas e testemunhas para reconstruir o percurso de saída da Kiss após o início do incêndio.</p><p><i>*O vídeo mencionado foi fornecido à Revista Arco pela equipe responsável pelo trajeto e simula o percurso dentro da Boate Kiss, desde a entrada até a saída.</i></p><p><b><i>Expediente</i></b></p><p><b><i>Repórter: </i></b><i>Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista; e Tayline Alves Manganeli, acadêmica de Jornalismo e voluntária</i></p><p><b><i>Créditos das imagens e vídeos: </i></b><i>Dispositivo Interativo Digital</i></p><p><b><i>Tratamento de imagem: </i></b><i>Noam Wurzel,</i><i> acadêmico de Desenho Industrial e bolsista</i></p><p><b><i>Mídia Social: </i></b><i>Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Caroline de Souza, acadêmica de Jornalismo e voluntária; e Martina Pozzebon, acadêmica de Jornalismo e estagiária</i></p><p><b><i>Edição de Produção: </i></b><i>Esther Klein, acadêmica de Jornalismo e bolsista</i></p><p><b><i>Edição Geral: </i></b><i>Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas</i></p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Mapeamento e monitoramento da Covid-19 em Santa Maria</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/mapeamento-e-monitoramento-da-covid-19-em-santa-maria</link>
				<pubDate>Mon, 25 Oct 2021 12:05:11 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Covid-19]]></category>
		<category><![CDATA[destaque arco]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[Extensão]]></category>
		<category><![CDATA[Geociências]]></category>
		<category><![CDATA[geografia]]></category>
		<category><![CDATA[mapa]]></category>
		<category><![CDATA[pandemia]]></category>
		<category><![CDATA[Santa Maria]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/arco/?p=8722</guid>
						<description><![CDATA[Metodologia criada pelo Departamento de Geografia da UFSM ajudou no controle da doença na cidade]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p>No início de 2020, a UFSM lançou um painel de informações sobre o coronavírus, o chamado <a href="https://www.ufsm.br/coronavirus/santa-maria" target="_blank" rel="noopener">Observatório de Dados da Covid-19</a>. Com o objetivo de acompanhar e auxiliar o planejamento das ações em saúde pública para o combate da pandemia, a iniciativa traça um panorama da evolução do vírus em escalas municipal, estadual e nacional. Uma das equipes envolvidas no projeto foi o Departamento de Geografia da universidade, que, em parceria com a Vigilância Municipal de Saúde de Santa Maria, buscou mapear e monitorar a doença na cidade através de uma metodologia inovadora. </p><p>O trabalho feito pelos profissionais se baseou na área da Geografia da Saúde, que exerce um papel relevante no entendimento das diferentes doenças que podem ocorrer em um território. Esse ramo busca compreender como as enfermidades se relacionam com o espaço para auxiliar a planejar estratégias de combate, como também de meios para promover a saúde e a qualidade de vida da população. </p><p>“Conhecer a espacialização de uma doença, os fatores que a influenciam, as populações mais vulneráveis e visualizar essas informações em um mapa permite entender sua distribuição. A geografia da saúde compara como é o espaço, o que tem de vulnerabilidade nele e como a doença se espalha para fazer um cruzamento de dados e traçar estratégias de contenção”, explica Natália Lampert, professora no Departamento de Geociências da UFSM e integrante do Observatório.</p>		
												<img width="1024" height="668" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/10/monitoramento_covid_19_1458_951-1024x668.jpg" alt="" loading="lazy" />														
		<p>Com isso em mente, a equipe desenvolveu uma nova metodologia baseada em uma escala intraurbana, que procura retratar com profundidade a organização interna da cidade. Desse modo, eles foram capazes de mapear o número de casos e mortes por Covid-19 de cada bairro e população de Santa Maria. O trabalho foi feito em conjunto com a Vigilância Epidemiológica de Santa Maria, por meio do projeto “Enfrentamento da epidemia da Covid-19 no estado do Rio Grande do Sul”, que fornecia os dados necessários. </p><p>De acordo com Lampert, no início da pandemia os geógrafos faziam um mapeamento prévio dos casos suspeitos, para ajudar a prever a chegada da doença na cidade, além de identificar onde seriam necessárias mais equipes de saúde e quais as áreas mais vulneráveis ou com maior quantidade de casos.  “Colaboramos para que a doença se espalhasse de forma um pouco mais lenta dentro da cidade. A nossa responsabilidade era organizar esses dados e gerar mapas para que a vigilância pudesse pensar as estratégias com a intenção de frear ao máximo a disseminação do vírus”, relata a docente.</p><p>Com o avanço da pandemia, foram mapeados casos confirmados e óbitos, bem como mapas temporais e mapas com taxas aplicadas a faixa etária, sexo e raça. A professora explica que <b>as representações cartográficas são muito importantes para reconhecer os padrões de contágio, as regiões mais e menos afetadas, os locais com maiores demandas de insumos e as lógicas de dispersão do vírus.</b></p>		
			<h3>Como funciona a metodologia</h3>		
		<p>No Brasil, a grande maioria dos mapeamentos da Covid-19 é realizada em nível nacional e estadual. Desse modo, mecanismos feitos para mapear espaços intraurbanos - como cidades - são inovadores e exigem conhecimentos específicos. A partir dessa demanda, a equipe de Geografia do Observatório desenvolveu uma metodologia precisa e detalhada para a geocodificação dos dados do coronavírus no espaço urbano de Santa Maria.</p><p>O mapeamento dos casos é feito por etapas, como explica Maurício Rizzatti, doutorando em Geografia na UFSM e responsável pela finalização dos mapas do Observatório. Inicialmente, é preciso formatar e padronizar os dados da Vigilância Municipal de Saúde para que o programa utilizado possa lê-los. Em seguida, é realizado o processo de georreferenciamento, no qual se encontram as coordenadas geográficas de cada caso ou óbito, e elas são transformadas em pontos. “Por exemplo, se temos 100 casos de Covid-19, o programa vai fazer 100 pontos no mapa que correspondem a cada caso. É um procedimento muito grande, no qual buscamos a precisão dos dados, pois a doença se espalha muito facilmente, e quanto mais detalhado os mapas, melhor”, explica Rizzatti.  </p><p>O resultado do georreferenciamento e da metodologia é uma camada de pontos que localizam exatamente onde houve caso ou óbito decorrente do coronavírus. Então, após esse processo, é feita a contagem por bairro para gerar os mapas que  determinam a quantidade de dados de cada região e, por fim, ainda é realizada uma conferência manual das informações. Rizzatti destaca que o método é muito acessível, pois só utiliza programas livres e sem custo - assim, qualquer prefeitura, vigilância sanitária ou órgão de saúde podem utilizá-lo.</p><p>Outra vantagem é a sua versatilidade, visto que o procedimento pode ser aplicado para mapear qualquer doença - só é necessário ter o endereço das pessoas infectadas para fazer a espacialização e ter o entendimento da enfermidade. Lampert também ressalta que Santa Maria é a única cidade do Rio Grande do Sul que faz esse tipo de mapeamento e que o projeto tem sido reconhecido. O artigo “<a href="https://publicacoes.ifc.edu.br/index.php/metapre/article/view/1260" target="_blank" rel="noopener">Metodologia de geolocalização para mapeamento intraurbano de COVID-19 em Santa Maria, RS</a>” possui mais de 400 downloads e tem sido utilizado como referência na área. </p>		
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										<img width="1024" height="546" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/10/MapaTemporal-1024x546.jpg" alt="" loading="lazy" />											<figcaption>Óbitos acumulados de 14 de maio de 2020 a 16 de junho de 2021 em Santa Maria, RS. Elaboração: Maurício Rizzatti, 2021.</figcaption>
										</figure>
			<h3>A pandemia e o impacto social</h3>		
		<p>Além das contribuições cartográficas, o trabalho realizado pelos geógrafos foi fundamental para entender a dinâmica do vírus frente às desigualdades socioespaciais que assolam a região. De acordo com o <a href="http://periodicos.pucminas.br/index.php/geografia/article/view/26875" target="_blank" rel="noopener">artigo</a> mais recente do grupo, 41,54% da população de Santa Maria vive em situação de vulnerabilidade social. Essa situação foi agravada pelo contexto da crise pandêmica, que atingiu de maneira mais expressiva as classes mais pobres da cidade. De acordo com o levantamento, os óbitos de pessoas com menos de 30 anos predominam nos bairros periféricos. </p><p>“Há um valor bastante elevado e até maior de casos em regiões de privação social. Nessas áreas, se torna praticamente impossível ter um distanciamento social efetivo, pois nessas regiões residem muitas pessoas na mesma casa e elas precisam sair para trabalhar presencialmente, poucas têm a opção de ficar no trabalho remoto, e isso afeta a infecção delas pela doença”, diz Lampert. </p><p>A equipe também concluiu que houve infecção pelo coronavírus em praticamente todos os bairros da cidade e que os óbitos aumentaram 382% no primeiro semestre de 2021 em relação ao ano passado. Apesar de 83% das mortes em 2020 terem sido de pessoas brancas, a população mais afetada na realidade foi a autodeclarada preta. A professora explica que foi criado uma taxa de mortalidade por raça, essa taxa reflete a relação entre o número de mortes por Covid-19 e a população total de pessoas pretas em Santa Maria. “Por mais que a população branca tenha sido a maior parte dos óbitos, quando olha-se para a taxa, na verdade, no ano passado, a população que mais morreu foi a preta". Já em 2021, há uma pequena alteração nesse cenário, quem possui a maior taxa é a população autodeclarada amarela.</p>		
									<figure>
										<img width="789" height="1024" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/10/MapaObitosAcumuladoseTaxas-789x1024.jpg" alt="" loading="lazy" />											<figcaption>Óbitos acumulados de pessoas autodeclaradas pretas: de 14 de maio de 2020 a 16 de junho de 2021 e  taxa de mortalidade para 100 mil habitantes em Santa Maria, RS. Elaboração: Maurício Rizzatti, 2021.</figcaption>
										</figure>
		<p>Dessa maneira, o trabalho realizado pelo Observatório explica os padrões de disseminação do vírus&nbsp; e&nbsp; também demonstra que a análise espacial e os mapas podem ajudar a entender os impactos da doença na população. &nbsp;“A cartografia serve para informar a população, deixando-a absolutamente ciente dos desafios e das ações coletivas necessárias para uma dada realidade epidemiológica”, afirma Lampert.&nbsp;</p>
<p>O projeto possui uma dúzia de integrantes na equipe de Geografia e&nbsp; já publicou 12 artigos científicos, bem como um e-book intitulado <a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/820/2021/03/Os-contextos-geograficos-da-COVID-19.pdf" target="_blank" rel="noopener">“Os contextos geográficos da Covid-19”</a>. Atualmente, os geógrafos trabalham no registro de dados para pesquisas, visando formar um repositório para o enfrentamento de outras possíveis infecções que venham a afetar a cidade no futuro.&nbsp;&nbsp;</p><p><strong><i>Expediente</i></strong></p><p><strong><i>Repórter: </i></strong><i>Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo e bolsista</i></p><p><i><strong>Ilustrador:</strong> Luiz Figueiró, acadêmico de Desenho Industrial e voluntário</i></p><p><strong><i>Mídia Social:</i></strong> <b><i>Mídia Social: </i></b><i>Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Eloíze Moraes e bolsista de Jornalismo; Caroline de Souza, acadêmica de Jornalismo e voluntária; e Martina Pozzebon, acadêmica de Jornalismo e estagiária</i></p><p><i><strong>Edição de Produção:</strong> Esther Klein, acadêmica de Jornalismo e bolsista</i></p><p><i><strong>Edição Geral:</strong> Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas</i></p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>60 anos da inauguração oficial da Universidade de Santa Maria: como a mídia representou esse fato na época?</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/60-anos-inauguracao-ufsm</link>
				<pubDate>Wed, 17 Mar 2021 21:51:01 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[destaque arco]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[história da universidade]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
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		<category><![CDATA[opinião pública]]></category>
		<category><![CDATA[Santa Maria]]></category>
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		<category><![CDATA[ufsm 60 anos]]></category>
		<category><![CDATA[visibilidade midiática]]></category>

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						<description><![CDATA[Por meio de análise de jornais do início da década de 1960, pesquisadora da UFSM mostra como a chegada da nova universidade foi visibilizada e valorizada ]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <img width="1024" height="668" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/03/CAPA_SITE_sem_titulo-1024x668.jpg" alt="" loading="lazy">
<h2><strong>Por meio de análise de jornais do início da década de 1960, pesquisadora da UFSM mostra como a chegada da nova universidade foi visibilizada e valorizada </strong></h2>
<em>Por Daiane Spiazzi*</em>

E lá se foram 60 anos. Sessenta anos de um acontecimento que mudaria a história e a representação social de Santa Maria. Se na metade do século 20, Santa Maria era conhecida como “Cidade Ferroviária”, a segunda metade lhe conferiu o título de “Cidade Universitária”. Isso ocorreu graças à criação da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), que hoje faz parte da rotina dos santa-marienses e que tanto orgulha essa comunidade.

Apesar de ter sido criada pela Lei n. 3.834-C, de 14 de dezembro de 1960, a Universidade de Santa Maria – USM foi oficialmente inaugurada no dia 18 de março de 1961. E é sobre esse dia tão festivo para o povo dessa cidade que iremos falar hoje.

O ano de 1961 iniciou com grandes expectativas e sentimentos de vitória por parte dos santa-marienses. Todas as atenções estavam voltadas para a inauguração da tão desejada Universidade de Santa Maria (USM). As forças vivas de SM, como eram chamadas as pessoas mais influentes da sociedade santa-mariense, e que em sua maioria estavam ligadas à Associação Santa-Mariense Pró-Ensino Superior (ASPES), estavam em fervorosas movimentações para a instalação da USM. Com o apoio popular e de autoridades políticas, sociais, culturais, religiosas e militares do Rio Grande do Sul e do Brasil, os preparativos para a grande festa ganhavam as páginas dos jornais locais.

A inauguração oficial da USM foi organizada e comemorada como a coroação de uma forte campanha instituída pela mídia local, representada neste artigo pelo jornal A Razão, e pela ASPES, em prol da criação da USM, desenvolvida no ano de 1960. Essa campanha promovida e massivamente divulgada na região de Santa Maria e demais regiões do Rio Grande do Sul, tinha como objetivo angariar apoio popular e de autoridades locais, regionais, nacionais e até internacionais, por meio da divulgação dos beneméritos que a USM traria para o ensino superior em nível local, regional e nacional.

A campanha promovida pela ASPES e pela mídia local angariou o apoio de uma comunidade que viu na Universidade a alternativa para continuar seu legado como cidade polo e referência econômica, cultural e educacional, para sua região e para todo o Rio Grande do Sul. Se, na primeira metade do século 20, Santa Maria girava entorno da Viação Férrea, e teve seu desenvolvimento ligado aos investimentos promovidos por ela ou em função dela - desde a atração de muito trabalhadores, até a criação de escolas que passaram a formar mão de obra especializada -, na segunda metade do século, Santa Maria se voltará cada vez mais para o setor educacional, tendo a USM como maior referencial de desenvolvimento. Portanto, após o término das atividades ferroviárias que impulsionaram a vida em Santa Maria, tendo influenciado em todos os setores da sociedade, atraindo para a cidade parte da elite regional e feito ascender categorias sociais como a classe ferroviária, a cidade precisava de algo tão grande e valioso quanto tinha sido a Estação Férrea. Acostumados com o progresso, os santa-marienses compreenderam que essa realidade poderia se manter com a criação da Universidade de Santa Maria.

O engajamento de toda a sociedade santa-mariense nesse grande feito, que era a interiorização do ensino superior no Rio Grande do Sul, foi sentido e reconhecido dentro e fora dos limites da cidade. Exemplo dessa adesão manifestou-se nas mensagens de apoio recebidas pelo reitor José Mariano da Rocha, publicadas pelo jornal A Razão. Este veículo de comunicação, era considerado o jornal de maior circulação em Santa Maria e região. Foi criado em 1934 e, em 1943, passou a pertencer ao grupo Diários Associados, de Assis Chateaubriand, que o conduziu até os anos 1980. O jornal A Razão encerrou suas atividades na cidade em 2017.&nbsp;

No dia 3 de fevereiro, o jornal afirma que “o regozijo pela criação da Universidade de Santa Maria, partido de todos os setores da vida nacional e estrangeira, continua a se manifestar através de expressivas mensagens dirigidas ao professor José Mariano da Rocha Filho, Reitor Magnífico”. Entre as mensagens publicadas nesse dia, estava a do Presidente do Colégio Internacional de Cirurgiões, ex-reitor da Universidade de Buenos Aires:

<img width="800" height="400" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/03/revista_arco_ufsm_60_anos_inauguracao_box01.jpg" alt="" loading="lazy">

No dia 4 de fevereiro, o vice-reitor da Universidade Católica de Pelotas, professor Dr. Oswaldo Louzada, enviou ao jornal A Razão uma carta elogiosa, onde reconheceu a grandeza e o envolvimento dos santa-marienses na realização dessa grande obra educacional:

<img width="800" height="400" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/03/revista_arco_ufsm_60_anos_inauguracao_box02.jpg" alt="" loading="lazy">

O entusiasmo pela inauguração oficial da USM permeia todos os cantos da cidade, e os veículos de comunicação noticiam dia a dia os preparativos para essa grande festa que marcará o início de uma nova era para Santa Maria. O Jornal A Razão, militante na causa, desde o princípio convoca a população a colaborar para esse grande dia. Na edição do dia 8 de fevereiro faz a seguinte publicação:

<img width="800" height="774" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/03/revista_arco_ufsm_60_anos_inauguracao_box03.jpg" alt="" loading="lazy">

Os anúncios dos preparativos da festa de inauguração da USM, continuam ganhando espaço e repercussão no jornal A Razão. De acordo com a publicação do dia 3 de março, são colocadas sobre esse tão esperado momento grandes expectativas:

<img width="800" height="511" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/03/revista_arco_ufsm_60_anos_inauguracao_box04.jpg" alt="" loading="lazy">

No dia 10 de março, o jornal publicou sob o título “Personalidades asseguram sua presença nas festas da USM”, uma relação de nomes de personalidades ligadas a diferentes setores da sociedade, como militar, educacional e da saúde, que confirmavam sua presença para assistir aos atos solenes da instalação da novel Universidade. Já no dia 14 de março, o jornal informa que entre as solenidades comemorativas, acontecerá no dia 19 de março uma parada de estudantes em homenagem à instalação da Universidade de Santa Maria, e que estes irão se reunir para tratar dos últimos detalhes. No mesmo dia, o jornal apresenta a programação completa dos eventos que irão ocorrer nos dias 18, 19 e 20 de março, em provimento da instalação da USM.

Com a intenção de tornar o momento ainda mais grandioso e tornar Santa Maria e a USM conhecidas nacional e internacionalmente, foi organizado um concurso radioamadorístico de caráter internacional. Esta intenção pode ser conferida no título da reportagem, “Rádio - amadores farão conhecida a Universidade em todo o mundo”, e no seguinte texto:

<img width="800" height="708" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/03/revista_arco_ufsm_60_anos_inauguracao_box05.jpg" alt="" loading="lazy">

Cresce o alvoroço em torno dos preparativos do grande momento, segundo o jornal A Razão, “o interesse e animação por esse magistral acontecimento crescem de maneira a nos capacitar a afirmar que os atos celebradores do grande evento se desenvolverão com o máximo brilhantismo assinalando um período de gala para a nossa terra” (A RAZÃO, Edição n.,131 p.8/6, 16/03/1961). O Jornal revela que o grande responsável pela organização do evento foi o jornalista, memorialista e teatrólogo Edmundo Cardoso.

No dia que antecede a festa de inauguração da USM, o jornal A Razão traz duas publicações dando informações do que irá acontecer nos próximos dias, durante o desenrolar das festividades. Traz como títulos das duas matérias expressões que deixam nítidas a importância dada àquele momento histórico: “Instalação da USM é o acontecimento máximo do ano” e “Rádio Medianeira no dia da Universidade”. Na primeira matéria, o jornal informa que o deputado Tarso Dutra e o senador Daniel Krieger, grandes responsáveis pela aprovação da Lei que criou a USM, receberão do reitor José Mariano da Rocha Filho o Título de Doutor Honoris Causa da Universidade de Santa Maria. Revela ainda que estarão presentes no ato, que terá lugar às 21 horas no Cine Teatro Glória, onde o deputado Tarso Dutra realizará a aula magna, personalidades e altas autoridades do país. A segunda reportagem informa que a Rádio Medianeira entrará no ar às seis horas da manhã e passará o dia com uma programação alusiva às festividades que envolvem a inauguração da USM. Apresentará ainda, um estudo histórico sobre o ensino superior na cidade, sob o título “Universidade Vitória de Santa Maria” (A RAZÃO, Edição n.,132 p.4, 17/03/1961).

Enfim chegado o grande dia, O jornal A Razão traz três publicações relacionadas aos festejos da instalação da USM, espalhadas ao longo das páginas do jornal. Na capa, o título “Hoje a instalação solene da Universidade de Santa Maria” ganhou lugar central e de destaque, acompanhado de fotografias de personalidades como do reitor Mariano da Rocha, acompanhado do presidente da república Jânio Quadros, do deputado Tarso Dutra, do senador Daniel Krieger. Em seu texto o jornal destaca:

<img width="800" height="512" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/03/revista_arco_ufsm_60_anos_inauguracao_box06.jpg" alt="" loading="lazy">

No dia seguinte, a Universidade de Santa Maria ganha novamente a capa do jornal. A grande reportagem de capa é acompanhada ao longo do jornal por 36 outras publicações que versam sobre os acontecimentos ocorridos no dia anterior, a programação do dia e as homenagens apresentadas à USM. Entre elas destaco, para encerrar esse artigo, algumas mensagens enviadas ao povo de Santa Maria pela Secretaria de Estado dos Negócios do Trabalho e Habitação do Estado do Rio Grande do Sul, pelo deputado Tarso Dutra, por&nbsp; Amaury Lenz e por Luiz Gonzaga Isaia. Essas mensagens foram selecionadas por representarem bem o estado de euforia e de esperança depositadas sobre a criação da Universidade de Santa Maria.&nbsp;

Mensagem enviada pelo professor Clay Hardman de Araujo – (Secretário da Secretaria de Estado dos Negócios do Trabalho e Habitação do Estado do Rio Grande do Sul)

<img width="800" height="773" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/03/revista_arco_ufsm_60_anos_inauguracao_box07.jpg" alt="" loading="lazy">

Mensagem enviada pelo deputado Tarso Dutra

<img width="800" height="840" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/03/revista_arco_ufsm_60_anos_inauguracao_box08.jpg" alt="" loading="lazy">

Artigo assinado por Amaury Lenz

<img width="739" height="1024" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/03/revista_arco_ufsm_60_anos_inauguracao_box09-739x1024.jpg" alt="" loading="lazy">

Artigo assinado pelo professor Luiz Gonzaga Isaia.

<img width="800" height="843" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/03/revista_arco_ufsm_60_anos_inauguracao_box10.jpg" alt="" loading="lazy">

<em>*Doutoranda do Programa de Pós Graduação em Comunicação da UFSM, historiadora e jornalista</em>
<h4>Referência bibliográfica</h4>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 15pt;margin-bottom: 0pt">Weber, Beatriz Teixeira; Ribeiro, José Iran (Org.). Nova História de Santa Maria: contribuições recentes. Santa Maria, 2010.</p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Bem antes de chegar à mesa</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/bem-antes-de-chegar-a-mesa</link>
				<pubDate>Tue, 30 Apr 2019 19:34:01 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[10ª edição]]></category>
		<category><![CDATA[Extenda]]></category>
		<category><![CDATA[alimentos]]></category>
		<category><![CDATA[Extensão]]></category>
		<category><![CDATA[polifeira]]></category>
		<category><![CDATA[produtores rurais]]></category>
		<category><![CDATA[Santa Maria]]></category>

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						<description><![CDATA[UFSM qualifica produtores da Polifeira por meio de minicursos]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
<p><img class="alignnone wp-image-5790 size-full" src="https://www.ufsm.br/midias/arco/wp-content/uploads/sites/601/2019/05/Capa_extenda_opção3-768x501.jpg" alt="" width="768" height="501" /></p>
<p> </p>
<p>Ouça esta reportagem:</p>
<p>[audio mp3="https://www.ufsm.br/midias/arco/wp-content/uploads/sites/601/2019/04/Arco-Extenda-Bem-antes-de-Chegar-a-Mesa-Marcelo-De-Franceschi.mp3"][/audio]</p>
<p> </p>
<p>Nas quintas-feiras, muitos alunos e servidores da UFSM têm um objetivo comum: adquirir frutas e hortaliças recém colhidas, produtos panificados, derivados de leite, embutidos, além de geleias, chimias e compotas. Neste dia, acontece a Polifeira do Produtor, um projeto de extensão que traz para dentro da UFSM produtos oriundos da agricultura familiar e de agroindústrias locais.</p>
<p> </p>
<p>Apesar de ser a única etapa vista pelos consumidores, a comercialização é uma pequena parte do processo, já que muitos cuidados são tidos antes de o produto chegar à mesa das pessoas. Nesse aspecto, os alunos e professores dos cursos técnicos do Colégio Politécnico têm papel essencial, principalmente no que diz respeito à qualificação dos feirantes.</p>
<p> </p>
<p>Em janeiro de 2017, concomitantemente ao início da feira, foram feitos diagnósticos pela professora Marlene Lovatt o a respeito dos produtos que seriam comercializados, considerando aspecto visual, sabor e embalagem. A partir dos resultados, foram planejados minicursos e oficinas, destinados a ajudar os feirantes na melhora do processo de produção e, consequentemente, do que é vendido.</p>
<p> </p>
<p><img class="alignnone wp-image-5735 size-full" src="https://www.ufsm.br/midias/arco/wp-content/uploads/sites/601/2019/04/EXTENDA-Box_-minicursos.jpg" alt="" width="800" height="580" /></p>
<p><strong>A parte doce da feira</strong></p>
<p>Na banquinha de Neuza e André Biasi, há uma variedade de alimentos in natura e processados, todos cultivados na horta e no pomar da chácara do casal. O marido se dedica ao cultivo das frutas e hortaliças usadas como matéria-prima, enquanto Neuza fabrica chimias, molhos agridoces e compotas.</p>
<p> </p>
<p>No curso oferecido pelo Colégio Politécnico, Neuza elaborou a chimia seguindo as orientações da professora Marlene. Os ingredientes foram preparados e medidos de tal forma que o produto apresentasse o padrão de qualidade buscado pelo consumidor. “Muitas vezes, o produtor aprendeu a receita com a família, mas não sabe a função que cada ingrediente desempenha no processo de elaboração. Quando compreende e observa o efeito, se sente seguro, e inclusive já estabelece novas combinações para a mesma matéria-prima”, explica Marlene.</p>
<p> </p>
<div id="attachment_5733" class="wp-caption aligncenter"><img class="wp-image-5733 size-full" src="https://www.ufsm.br/midias/arco/wp-content/uploads/sites/601/2019/04/Capa_extenda_opção1.jpg" alt="" width="1800" height="1175" />
<p class="wp-caption-text">Neuza e professora Marlene durante a produção da chimia de morango</p>
</div>
<p>Depois das qualificações, Neuza relata que os doces se tornaram mais saudáveis e saborosos, e, em consequência, as vendas dobraram. “Aprendi a escolher e higienizar as frutas, além de verificar a consistência ideal para as chimias e dosar a quantidade de açúcar”, relata a feirante, que passou a obter alimentos com mais qualidade e durabilidade, e conquistou clientes fiéis.</p>
<p><img class="alignnone wp-image-5734 size-full" src="https://www.ufsm.br/midias/arco/wp-content/uploads/sites/601/2019/04/EXTENDA-Box_2.jpg" alt="" width="800" height="199" /></p>
<p><strong>Reportagem:</strong> Paola Jung, acadêmica de Jornalismo<br /><strong>Diagramação: </strong>Pollyana Santoro, acadêmica de Desenho Industrial<br /><strong>Fotografias: </strong>Rafael Happke<br /><strong>Locução:</strong> Marcelo De Franceschi</p>
<!-- /wp:tadv/classic-paragraph -->]]></content:encoded>
							<enclosure url="https://www.ufsm.br/midias/arco/wp-content/uploads/sites/601/2019/04/Arco-Extenda-Bem-antes-de-Chegar-a-Mesa-Marcelo-De-Franceschi.mp3" length="161" type="audio/mpeg" />
						</item>
						<item>
				<title>Traços de memória e identidade</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/tracos-de-memoria-e-identidade</link>
				<pubDate>Fri, 06 Jul 2018 16:22:02 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[arquitetura]]></category>
		<category><![CDATA[art decó]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[patrimônio]]></category>
		<category><![CDATA[plano diretor]]></category>
		<category><![CDATA[Santa Maria]]></category>

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						<description><![CDATA[Santa Maria é referência em Art Decó, estilo artístico que surgiu em meados do século XX ]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <span style="font-weight: 400;">Quem passeia pela Avenida Rio Branco de Santa Maria e observa a quantidade de prédios históricos, talvez não imagine que - mundialmente - a cidade tem o segundo maior acervo em via contínua de </span><i><span style="font-weight: 400;">Art Decó</span></i><span style="font-weight: 400;">. O movimento artístico que surgiu na Europa, na década de 1920, chegou de forma tardia na cidade, mas deixou profundas marcas na arquitetura local. </span>

<span style="font-weight: 400;">Foi a partir de 1940, período em que a cidade vivia o auge da ferrovia, que o primeiro edifício com os traços predominantemente simétricos, formas racionais e funcionais, foi erguido na cidade: o Edifício Cauduro - que abrigou o Hotel Jantzen. A paisagem da Avenida Rio Branco, que ligava o eixo comercial da cidade à Estação Férrea de Santa Maria, foi sendo remodelada aos poucos. Hoje, a avenida conta com o segundo maior número de exemplares do estilo em linha reta, ficando atrás somente da famosa rua </span><a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Ocean_Drive_(South_Beach)" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-weight: 400;">Ocean Drive, em Miami.</span></a>

<img class="aligncenter size-full wp-image-3909" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/07/Box_1_opção_2.png" alt="" width="800" height="592" />

<span style="font-weight: 400;">Com o intuito de</span><span style="font-weight: 400;"> identificar as características, elementos, códigos formais e compositivos da arquitetura Art Decó executada na cidade de Santa Maria, a arquiteta Márcia Barroso defendeu sua dissertação de Mestrado, em 2013. O trabalho intitulado “</span><a href="https://repositorio.ufsm.br/handle/1/11029"><span style="font-weight: 400;">Estudo sobre o Art Decó em Santa Maria/RS: o caso da Avenida Rio Branco e seu patrimônio edificado</span></a><span style="font-weight: 400;">”, faz uma apresentação da origem da estética e seu desenvolvimento. </span><span style="font-weight: 400;">Vivia-se, na época, o que a arquiteta chama de </span><i><span style="font-weight: 400;">atmosfera déco</span></i><span style="font-weight: 400;">. No cenário latino-americano, Cuba e Porto Rico se destacam com amplo acervo histórico. No Brasil, municípios planejados como Goiânia e Rio de Janeiro são referência no estilo. Já em território gaúcho, as cidades de Pelotas e Porto Alegre (principalmente, na Avenida Farrapos) também têm um acervo de grande relevância.</span>

<img class="aligncenter size-large wp-image-3908" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/07/Infográfico_2_opção_2-642x1024.png" alt="" width="642" height="1024" />

<span style="font-weight: 400;">Santa Maria não ficava para trás: “O mais interessante é perceber como Santa Maria queria estar de acordo com o que estava acontecendo no mundo naquela época. A cidade que se localizava em um eixo importante de comércio começou a chamar a atenção, tinha o desejo de se modernizar”, pontua Márcia. Foi a partir de uma rede de apoio ligada ao associativismo da Viação Férrea que o tecido urbano e as construções do núcleo inicial da cidade foram se delineando. A que antes era chamada de Avenida do Progresso, hoje é Avenida Rio Branco e compõe o Centro Histórico de Santa Maria.</span>

<span style="font-weight: 400;">A partir do estudo foram constatadas a presença de 16 exemplares arquitetônicos com traços significativos do estilo compondo a espacialidade da principal avenida da cidade. Destes, foram escolhidos quatro prédios para serem objeto de uma análise completa de todos os seus aspectos arquitetônicos, espaciais e de materialidade.  </span>

<img class="aligncenter size-full wp-image-3907" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/07/mapa-1.jpg" alt="" width="575" height="630" />

<span style="font-weight: 400;">O conjunto gráfico do trabalho é composto por plantas baixas, fachadas e seções verticais, disponível nos arquivos públicos do município. Na pesquisa, são apontados todos os aspectos da configuração material e estilística desta arquitetura. </span>

<img class="aligncenter size-full wp-image-3906" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/07/mapa-2.jpg" alt="" width="595" height="406" />

<span style="font-weight: 400;">De acordo com a arquiteta, a análise foi motivada pela necessidade de valorizar e preservar o patrimônio cultural</span><span style="font-weight: 400;"> e histórico da cidade; e, para além disso, despertar o sentimento de memória e identidade</span><span style="font-weight: 400;"> na população. </span>

<b>Situação atual do acervo</b>

[caption id="attachment_3930" align="aligncenter" width="960"]<img class="wp-image-3930 size-full" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/07/foto.jpg" alt="" width="960" height="720" /> Acervo Art Decó na Avenida Rio Branco. Créditos: Márcia Barroso[/caption]

<span style="font-weight: 400;">Para além da Avenida Rio Branco, a cidade conta com uma variedade de prédios históricos construídos na época, no entanto, apenas 22 foram tombados pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.</span>

<span style="font-weight: 400;">Entregues à ação do tempo, grande parte se encontra com as estruturas externas e internas danificadas. De acordo com Márcia Barroso, a restauração do patrimônio Art Decó é percebida lentamente, em prédios que são, em sua maioria, de propriedade privada. Alguns ainda apresentam fachada conservada, mas poluída por anúncios e letreiros de lojas. Segundo ela, isso se deve “à falta de investimento público e de um sentimento de identificação por parte da sociedade”.</span>

[caption id="attachment_3912" align="aligncenter" width="683"]<img class="wp-image-3912 size-large" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/07/UFSM.2018.06.02.048.RA-1-683x1024.jpg" alt="" width="683" height="1024" /> Edifício Art Decó na Avenida Rio Branco, inspirado na figura de um transatlântico.[/caption]

<b>Mudanças no Plano Diretor</b>

<span style="font-weight: 400;">Todas as cidades com mais de 20 mil habitantes - como é o caso de Santa Maria - devem elaborar um Plano Diretor. Previsto na </span><a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/LEIS_2001/L10257.htm"><span style="font-weight: 400;">Lei 10.257/01</span></a><span style="font-weight: 400;">, conhecida como Estatuto da Cidade, trata-se de documento-base de orientação política para o desenvolvimento dos municípios. Para que ofereça qualidade de vida para todos, o ideal é que uma cidade cresça de maneira equilibrada, com definições prévias acerca das prioridades do município e das destinações de uso de seu território.</span>

<span style="font-weight: 400;">O atual </span><a href="http://iplan.santamaria.rs.gov.br/site/projeto/visualizar/id/65/?Plano-Diretor.html"><span style="font-weight: 400;">Plano Diretor</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Santa Maria é datado de 2005. Em breve, no entanto, podem entrar em vigor as novas emendas, discutidas ao longo dos últimos três anos, após uma série de audiências e reuniões públicas com representantes de 40 entidades. Dentre as 33 propostas discutidas na Câmara dos </span><span style="font-weight: 400;">Vereadores, uma em especial, que diz respeito às regras de construção dos edifícios, chama a atenção da comunidade que se divide no manifesto contrário ou favorável à aprovação.</span>

<span style="font-weight: 400;">A proposta de mudança deve impactar consideravelmente o visual da Avenida Rio Branco, conforme prevê o arquiteto Daniel Pereyron, vice-presidente do Instituto de Planejamento de Santa Maria (Iplan) - autarquia municipal responsável pelo planejamento urbano. Isso porque a regulação da altura dos prédios é feita pela cumeeira do prédio da Sociedade União dos Caixeiros Viajantes (SUCV), onde funcionam as secretarias de Educação e Cultura. A fim de não tirar a importância dos prédios históricos existentes ao redor, as novas edificações não podem ultrapassar essa altura. Porém, a área central da cidade apresenta irregularidade no relevo e o regramento causa dúvidas para o Sindicato dos Construtores Civis de Santa Maria.  (Sinduscom-SM). “O Sinduscom propôs que fosse retirada a regulação pela cumeeira e permanecesse só uma das colunas [da lei] que fala da altura máxima. Isso vai permitir um pouco mais da altura aos novos prédios”, explica o arquiteto.</span>

Segundo Pereyron, as discussões em torno do tema, esbarram em visões distintas do visual  da preservação histórica, de criação de identidade: "Existem cidades onde há um entendimento de que os prédios que compõem o centro histórico devem possuir todos a mesma altura. Há também lugares onde os prédios históricos são mesclados aos prédios modernos e altos, como é o caso da cidade Buenos Aires."

[caption id="attachment_3914" align="aligncenter" width="683"]<img class="wp-image-3914 size-large" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/07/UFSM.2018.06.02.136.RA-1-683x1024.jpg" alt="" width="683" height="1024" /> Prédio da SUCV, balizador de altura na construção de prédios na Zona Histórica.[/caption]

<span style="font-weight: 400;">No entendimento de </span><span style="font-weight: 400;">Francisco Queruz, presidente do Conselho Municipal de Patrimônio Histórico e Cultural de Santa Maria (COMPHIC-SM), “a forma como o texto está formulado desprotege a zona 2 - zona Histórica de Santa Maria” uma vez que a maior parte dos prédios não é tombado. Francisco acredita, que a novas modificações abrem brechas para “o centro inteiro ir abaixo, devido à especulação imobiliária".</span>

<span style="font-weight: 400;">Já a arquiteta Márcia Barroso que também companha a discussão, explica que “os planos diretores podem definir áreas que sejam de interesse histórico onde há prioridade de preservação”. Segundo ela, o potencial histórico e cultural de Santa Maria deveriam ser aproveitados tanto pela gestão do município quanto pela iniciativa privada, a fim de gerar ainda mais lucro. “À exemplo do que já vem sendo feito em outras cidades brasileiras, a conservação do patrimônio Art Decó pode impulsionar o turismo local e a geração de renda”, defende.</span>

Reportagem: Tainara Liesenfeld

Gráfico: Pollyana Santoro

Fotografia: Rafael Happke

Mapas: Márcia Barroso]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>“O Cadena é arroio e não valão”</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/o-cadena-e-arroio-e-nao-valao</link>
				<pubDate>Wed, 06 Jun 2018 19:45:53 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Extenda]]></category>
		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[Arroio Cadena]]></category>
		<category><![CDATA[conscientização]]></category>
		<category><![CDATA[Extensão]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[saneamento]]></category>
		<category><![CDATA[Santa Maria]]></category>

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						<description><![CDATA[Programa desenvolvido pela UFSM leva conscientização sobre saneamento e educação ambiental para as escolas públicas
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <span style="font-weight: 400;">O Grupo de Extensão e Pesquisa em Saneamento (GEPS) da UFSM, pensando em formas de melhorar as condições atuais do Arroio Cadena - um local que recebe esgoto sanitário e inúmeros resíduos descartados pela população de Santa Maria -, decidiu agir em conjunto com a comunidade. Em março deste ano, iniciou o programa de extensão </span><span style="font-weight: 400;"><em>Saneamento básico e conscientização ambiental: propostas de medidas mitigadoras e compensatórias para o Arroio Cadena e entorno</em>, que traz propostas que beneficiam o Arroio Cadena e seus arredores</span><span style="font-weight: 400;">, para levar conhecimento sobre saneamento básico e educação ambiental a escolas da rede pública e à comunidade. O programa tem duração de cinco anos. </span>

<span style="font-weight: 400;"> </span>

<span style="font-weight: 400;">O Arroio Cadena é um dos principais cursos d’água do município. Atravessa 13 bairros e possui trechos que recebem esgoto <em>in natura</em>, sem nenhum tipo de tratamento ou pré-tratados, além da deposição dos resíduos sólidos descartados pela população. “O Cadena é arroio e não valão”, destaca Ana Beatris Souza de Deus Brusa, professora do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental e coordenadora do programa. Ela prioriza o envolvimento com a comunidade para a conscientização sobre os temas que influenciam em melhorias no Arroio. </span>

<span style="font-weight: 400;"> </span>

[caption id="attachment_3733" align="aligncenter" width="1024"]<img class="wp-image-3733 size-large" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/06/IMG_2458-1024x768.jpg" alt="" width="1024" height="768" /> Arroio Cadena[/caption]

<span style="font-weight: 400;">A meta é de que a cada ano a iniciativa seja implementada em uma escola. Em 2018, ocorre na Escola Municipal de Ensino Fundamental Tenente João Pedro Menna Barreto, por estar localizada em frente a um trecho do Arroio Cadena, no bairro Caturrita. As oficinas, no primeiro semestre, estão sendo desenvolvidas com turmas do sexto ao nono ano do ensino fundamental. Em cada uma, serão realizados quatro encontros por temática. A partir de agosto, alunos, pais, funcionários e professores poderão participar de cursos e oficinas de capacitação sobre projetos de engenharia de baixo custo, como a captação de água de chuva, tratamento alternativo de esgoto, tratamento  da água, coleta seletiva, compostagem e vermicompostagem. </span>

<span style="font-weight: 400;"> </span>

<span style="font-weight: 400;">O programa contará com a parceria do Exército Brasileiro, que auxiliará na implementação das medidas nas escolas, e do Centro de Tecnologia da UFSM. A equipe que Ana Beatris coordena se disponibilizará a ajudar na realização de algumas das alternativas ensinadas pelo programa às famílias da comunidade que se interessarem. </span>

<span style="font-weight: 400;"> </span>

<span style="font-weight: 400;">O programa conta com a participação de oito acadêmicos, três bolsistas FIEX  e cinco voluntários, dos cursos de Engenharia Civil e Engenharia Sanitária e Ambiental da UFSM, que desenvolvem atividades em sala de aula sobre água, esgoto sanitário, drenagem urbana e resíduos sólidos pela perspectiva da saúde pública. O objetivo é que alguns dos alunos se juntem à equipe para outras atividades, a fim de se tornarem multiplicadores do conhecimento após o término do trabalho da equipe na escola.</span>

<span style="font-weight: 400;">   </span>

<img class="aligncenter size-large wp-image-3732" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/06/ok-6-1024x768.jpg" alt="" width="1024" height="768" />

<span style="font-weight: 400;"> </span>

<b>Mão na massa </b>

<span style="font-weight: 400;"> </span>

<span style="font-weight: 400;">Implementar a coleta seletiva e a captação da água da chuva na escola é uma estratégia para torná-la mais sustentável. O adubo produzido a partir da vermicompostagem (um tipo de compostagem com minhocas que acelera o processo de degradação da matéria orgânica produzindo um biofertilizante) será utilizado em uma horta criada pelos alunos com supervisão dos bolsistas. Também será construída uma praça sustentável, arquitetando uma área com materiais que iriam para o lixo, mostrando possibilidades de reaproveitamento. Para executar o sistema de coleta da água, o programa ainda depende de parcerias. “É um custo baixo para as empresas que queiram investir e a redução dos gastos em água para a escola é significativa”, afirma Ana Beatris. O dimensionamento do sistema de captação da água da chuva na escola será feito pela equipe do programa.   </span>

<span style="font-weight: 400;"> </span>

<span style="font-weight: 400;">São alternativas que podem ser implantadas em residências a fim de diminuir os impactos ambientais que a região sofre. O Arroio Cadena recebe eletrodomésticos, como refrigeradores, animais mortos e outros descartes. Pelo convívio da população com essa situação, ocorre a naturalização do descarte no Arroio. A diretora da escola Ilka Rejane Oliveira Martins, contudo, já percebe os efeitos do programa no cotidiano dos estudantes  “</span><span style="font-weight: 400;">Um dos resultados já vistos é a indignação despertada nos alunos ao ver móveis e eletrodomésticos em trechos do Arroio. Dentro da escola, o cuidado com o desperdício da água, o descarte da merenda e a própria aparência  dos banheiros já foram notados”. </span>

&nbsp;

Reportagem e fotografias: Bibiana Pinheiro]]></content:encoded>
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						<item>
				<title>Cultura e lazer em 3 CINECLUBES de Santa Maria</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/3-cineclubes-que-proporcionam-espacos-de-convivio-lazer-e-cultura-em-santa-maria</link>
				<pubDate>Wed, 25 Apr 2018 14:34:42 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Cine Clube da Boca]]></category>
		<category><![CDATA[cineclube]]></category>
		<category><![CDATA[CineMental]]></category>
		<category><![CDATA[filme]]></category>
		<category><![CDATA[Lanterninha Aurélio]]></category>
		<category><![CDATA[Santa Maria]]></category>

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						<description><![CDATA[Saiba quais são os locais alternativos de exibição de filmes na cidade]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <span style="font-weight: 400;">Democratizar o acesso ao cinema ao criar um espaço de construção coletiva e comunitária. Essa é a proposta dos cineclubes, um modelo alternativo de cinema que faz parte da história cultural de Santa Maria. Desde o Clube de Cinema, fundado por Edmundo Cardoso em 1951, até o presente Cineclube Lanterninha Aurélio - realizado pela Cooperativa de Estudantes de Santa Maria (Cesma) e citado como um dos mais antigos no Brasil - a atividade cineclubista mantém-se viva na cidade.</span>

&nbsp;

<span style="font-weight: 400;">De acordo com o professor responsável pelo Cineclube da Boca, Gilvan Dockhorn, o cineclubismo gera um</span><span style="font-weight: 400;"> ambie</span><span style="font-weight: 400;">nte democrático de apropriação e crítica de bens culturais e trabalha com a ideia do público como agente central da atividade. “O cineblube se constrói a partir de uma reunião de indivíduos que, além de assistirem às produções audiovisuais, criam um espaço de crítica e reflexão não só sobre o cinema, mas sobre a sociedade e a cultura, seus modos de produção, difusão, acesso e apropriação” complementa Silvia Cheron, participante do Cineclube da Boca.</span>

&nbsp;

<span style="font-weight: 400;">Conhecida como “cidade cultura” pela grande quantidade de instituições de ensino e pelas diversidade étnica da população, Santa Maria já teve mais de oito cineclubes ao longo de sua história. Atualmente, três estão ativos. Confira mais informações sobre cada um deles na lista que a Arco preparou:</span>

&nbsp;

&nbsp;

<b>Cineclube da Boca</b>

&nbsp;

<b><img class="wp-image-3470 alignleft" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/04/Cineclube_da_Boca-1024x585.jpeg" alt="" width="359" height="205" />
</b>

<span style="font-weight: 400;">O Cineclube da Boca tem na sua realização a essência do cineclubismo: promover a sociabilização, viabilizar o acesso ao conteúdo audiovisual e de cinema, garantir livre manifestação política-cultural, criar um espaço de convivência entre os apreciadores de cinema e propor interação e debates entre os cineclubistas no final das sessões. Realizado desde dezembro de 2016, o cineclube recebe esse nome como forma de homenagem à cidade, apelidada carinhosamente pela população como Santa Maria da Boca do Monte. </span>

<span style="font-weight: 400;">Um dos idealizadores do projeto é o professor Gilvan Dockhorn, do Curso de Gestão de Turismo da UFSM. Da Boca é realizado por professores, técnicos e estudantes da Universidade, além de pessoas sem ligação direta com a instituição.</span>

&nbsp;

<b>Realização:</b><span style="font-weight: 400;"> Projeto de extensão do Curso de Gestão de Turismo, com apoio do Centro de Artes e Letras, da TV OVO, da Cesma e da Pró-Reitoria de Extensão</span>

<b>Local:</b><span style="font-weight: 400;"> Auditório do prédio 67, Campus Sede da UFSM</span>

<b>Quando: </b><span style="font-weight: 400;">Nas quintas-feiras, às 19h (sessões semanais)</span>

<b>Entrada:</b><span style="font-weight: 400;"> Gratuita</span>

<span style="font-weight: 400;"><b>A programação pode ser conferida na </b><a href="http://www.facebook.com/cineclubedaboca">página do Facebook.
</a>
</span>

&nbsp;

<b>CineMental</b>

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<img class="wp-image-3472 alignleft" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/04/logo_2-1024x1024.jpg" alt="" width="307" height="307" />

<span style="font-weight: 400;">Espaço de apreciação cinematográfica que promove debate e reflexão sobre temas ligados à saúde mental, criado em junho de 2016 e realizado pela Associação de Familiares, Amigos e Bipolares de Santa Maria (AFAB) e pelo Espaço Nis</span><span style="font-weight: 400;">e da Silveira.  </span><span style="font-weight: 400;">Com um total de quase 500 participantes desde a sua criação, já foram exibidos mais de vinte filmes - todos ligados à temática da saúde mental - com o objetivo de levar à reflexão e à ampliação da visão de mundo dos participantes. De acordo com a psiquiatra e integrante da AFAB</span> <span style="font-weight: 400;">Martha Noal</span><span style="font-weight: 400;">, o cineclube também e</span><span style="font-weight: 400;">xerce um papel de inclusão e reinserção social de pessoas em reabilitação.</span>

&nbsp;

<b>Realização</b><span style="font-weight: 400;">: Espaço Nise da Silveira &amp; AFAB.</span>

<b>Local</b><span style="font-weight: 400;">: Rua Floriano Peixoto, 1750 sala 315. Prédio de Apoio (Antigo Hospital Universitário)</span>

<b>Quando</b><span style="font-weight: 400;">: Última quinta-feira do mês (exceto dezembro), às 14:30h</span>

<b>Entrada:</b><span style="font-weight: 400;"> Gratuita</span>

<span style="font-weight: 400;"><b>A programação pode ser conferida na</b> </span><a href="https://www.facebook.com/AFABSM/"><span style="font-weight: 400;">página do Facebook</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span>

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<b> Cineclube Lanterninha Aurélio</b>

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<img class="size-large wp-image-3471 alignleft" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/04/cineclube_lanterninha_aurelio.jpg" alt="" width="400" height="150" />

<span style="font-weight: 400;">O Lanterninha Aurélio é um dos cineclubes mais antigos do Brasil, completando 40 anos em junho. A Cooperativa dos Estudantes de Santa Maria Ltda – Cesma fundou o cineclube em 1978 com o objetivo de popularizar e facilitar aos santa-marienses o acesso ao cinema, à informação e à cultura em geral.</span>

<span style="font-weight: 400;">O cineclube foi criado como divulgação da arte do cinema e como uma forma de possibilitar ao público ver e debater filmes que, por interesse comercial ou de ordem política e sociológica, não são exibidos no cinema.</span>

<span style="font-weight: 400;">Os filmes são escolhidos de acordo com datas comemorativas, apoios e eventos paralelos. Sempre que possível, no final de cada exibição acontece um debate tendo como mediador algum profissional que tenha pesquisado sobre o filme ou sua temática. Os idealizadores do projeto esperam que o público leve alguma mensagem positiva ou crítica em relação ao que assistiu.</span>

&nbsp;

<b>Realização:</b> <span style="font-weight: 400;">Cooperativa dos Estudantes de Santa Maria Ltda – CESMA</span>

<b>Local:</b><span style="font-weight: 400;"> Auditório da CESMA, Rua Professor Braga, 55</span>

<b>Quando: </b><span style="font-weight: 400;">Nas segundas-feiras, às 18h (sessões semanais)</span>

<b>Entrada:</b><span style="font-weight: 400;"> Gratuita</span>

<span style="font-weight: 400;"><b>A programação pode ser conferida no</b> </span><a href="http://www.cesma.com.br/"><span style="font-weight: 400;">site.</span></a>

&nbsp;

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<span style="font-weight: 400;">Texto: Maria Helena da Silva e Martina Irigoyen</span>

Fotografia: Rafael Happke]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Cicatrizes da exclusão</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/cicatrizes-da-exclusao</link>
				<pubDate>Wed, 10 May 2017 12:45:31 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Diário de Campo]]></category>
		<category><![CDATA[CAPS AD]]></category>
		<category><![CDATA[Santa Maria]]></category>

				<guid isPermaLink="false">http://coral.ufsm.br/arco/sitenovo/?p=1376</guid>
						<description><![CDATA[Pesquisador investigou como usuários de crack se sentem representados nas campanhas de prevenção às drogas]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <img width="1024" height="688" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2017/08/7-Edicao_DIARIO_Crack-1024x688.jpg" alt="" loading="lazy" />											
		<p>Uma mesa, um quadro e algumas cadeiras dispostas em círculos mobiliavam a sala quase vazia da casa ocupada pelo Centro de Atenção Psicossocial — Álcool e Outras Drogas (CAPS AD) em Santa Maria. Era nesse local que o psicólogo Moisés Romanini e usuários de crack se encontravam em 2011, e onde ele frequentou, durante dois meses, as reuniões da equipe, os grupos terapêuticos e oficinas com os usuários. Esse primeiro vínculo possibilitou o começo de rodas de conversa sobre a campanha de prevenção ao uso do crack — Crack Nem Pensar, da RBS — objeto de estudo do seu mestrado em Psicologia na UFSM, sob orientação da professora Adriane Roso.</p>
<p>&nbsp;Para o pesquisador, a dificuldade de participação social dos usuários aumenta o sentimento de exclusão. Entre os 16 participantes das rodas de conversa, apenas três estavam trabalhando. Entre os outros, parte estava afastada da escola, vivia na rua e não criava laços duradouros com outras pessoas. Romanini percebeu a importância de produzir uma psicologia de reconhecimento, em que os usuários pudessem falar e sentir-se incluídos. Assim, Moisés procurou entender como eles percebiam e se sentiam frente à campanha Crack Nem Pensar.</p>
<p>O estudo da relação entre mídia e droga já era familiar para Romanini, que desenvolveu seu trabalho final de graduação em Psicologia sobre esse tema. No CAPS, o pesquisador conviveu com os usuários e iniciou três grupos de discussão. Nos encontros, os usuários deveriam estar acompanhados de profissionais da instituição. A medida foi importante, pois as reuniões poderiam suscitar sentimentos e lembranças desagradáveis aos participantes, que precisariam de apoio. Os usuários, na maioria, já se conheciam, alguns pela vivência nas ruas, e outros pela internação em centros de desintoxicação.</p>
<p>As anotações a seguir, muito particulares, fizeram parte do método de pesquisa de Moisés, apoiado pela observação da rotina do CAPS. As experiências e percepções foram registradas em seu Diário de Campo.</p>
<p></p>
<p><b>1ª Cena</b></p>
<p>Hoje foi o primeiro dia que estive junto com os usuários do CAPS AD. Logo que cheguei, uma das profissionais me apresentou a alguns deles. Fui muito bem recebido por todos. Estávamos sentados na sala da equipe quando o telefone tocou. Assim que ela desligou, contou-nos a história: era a gerente da escola de idiomas, que fica localizada ao lado do CAPS. Por que ela não foi ali para conversar? (Questionava-me). A reclamação era que, pela manhã, quando a secretária da escola chegou, os usuários estavam ali na frente bebendo (Bêbados! – pensei) e fumando maconha (Será que não era cigarro? — Pensei outra vez). Ela ainda completou dizendo que no outro dia jogaram objetos — pedras e tomates — no pátio deles. Disse também que a secretária tem medo quando chega à escola sozinha e que já perderam alunos por causa das “bagunças” do CAPS.</p>
<p></p>
<p><b>2ª Cena</b></p>
<p>Participei da Oficina Online, que ocorre semanalmente na sala de computação da Biblioteca Pública Municipal. Uma situação me chamou muito a atenção: um participante da oficina estava assistindo ao clipe da música Eu só quero é ser feliz. Ele estava vidrado na tela e visivelmente emocionado. Cantarolando junto com o clipe, uma lágrima percorreu sua face. Tocado com o que vi, busquei a letra da música na internet e reproduzo aqui um trecho:</p>
<p></p>
<blockquote>
<p>“Eu só quero é ser feliz,</p>
<p>Andar tranquilamente na favela onde eu nasci, é.</p>
<p>E poder me orgulhar,</p>
<p>E ter a consciência que o pobre tem seu lugar. (...)</p>
<p>Minha cara autoridade, eu já não sei o que fazer,</p>
<p>Com tanta violência eu sinto medo de viver.</p>
<p>Pois moro na favela e sou muito desrespeitado,</p>
<p>A tristeza e alegria aqui caminham lado a lado.</p>
<p>Eu faço uma oração para uma santa protetora,</p>
<p>Mas sou interrompido a tiros de metralhadora.</p>
<p>Enquanto os ricos moram numa casa grande e bela,</p>
<p>O pobre é humilhado, esculachado na favela. (...)</p>
<p>Eu só quero é ser feliz... (...).”</p>
<p>Trecho do Rap da Felicidade, de Cidinho &amp; Doca</p>
<p></p>
</blockquote>
<p><b>3ª Cena</b></p>
<p>Na sexta-feira estávamos na cozinha e um usuário, que deve ter uns 13 ou 14 anos, estava sentado conversando conosco. Repentinamente, ele olha para mim e diz: “Um dia quero ser igual a tu!”. Ele falou sorrindo. Surpreendido pela declaração do menino, questionei: “Como assim?”. Ele respondeu: “Eu tenho o sonho de ser um doutor, inteligente... queria ter um consultório só pra mim ou um escritório, pra ficar sentado trabalhando num computador”. Ele queria saber o que precisa fazer para alcançar seu sonho. Então conversamos sobre escola, estudos, universidade... e, mais do que isso, sobre esperança. Ele disse que ficou feliz com nossa conversa. E eu também.</p>
<p></p>
<p><b>4ª Cena</b></p>
<p>Hoje o assunto no CAPS foi a morte de um jovem que frequentava o serviço. Tive pouco contato com ele, mas lembro quando ele disse na quinta-feira que não voltaria mais ao CAPS. E não voltou. A equipe estava providenciando sua internação em uma fazenda terapêutica, e ficaria tudo certo para essa semana. Ele foi baleado por um policial ao tentar roubar uma escola na madrugada do domingo. Fiquei um pouco chocado ao receber a notícia, mas logo os usuários queriam conversar sobre o assunto. Quando eu estava no pátio com eles, um usuário leu a notícia que foi publicada hoje no Diário de Santa Maria. Após a leitura eles discutiram se o rapaz “estava no inferno”. Um respondeu: “Ele já vivia no inferno quando estava vivo”. Outro disse: “Claro que está no inferno... ele roubava de pessoas inocentes, usava crack, aloprava por aí...”. Após um tempo de discussão, um dos guris disse que não concordava com a opinião dos demais e que encerrassem o assunto, pois estavam falando de crenças religiosas.</p>
<p></p>
<p><b>5ª Cena</b></p>
<p>Das três pessoas que tinham consulta marcada e haviam confirmado presença no grupo, uma não foi, e os outros dois foram, mas não quiseram ficar para participar do grupo. Com um deles houve uma confusão. Eu ainda não havia chegado ao CAPS. Esse usuário veio acompanhado da mãe. Essa mãe chegou muito alterada no serviço, acusando a equipe de ter dado o número de telefone da família para um repórter da RBS. Os profissionais da equipe não entendiam o que ela estava falando. Ela disse que está se formando em um curso superior e que iria colocar o CAPS e o “repórter” na justiça. (...). Quando ela falou em campanha da RBS, a profissional que a atendia entendeu que a situação se tratava de um mal-entendido, e que a mulher estava se referindo à minha pesquisa. No caso, o “repórter” era eu. Desfeito o mal-entendido, essa mãe ficou mais calma, mas mesmo assim solicitou que eu ligasse novamente para confirmar a explicação. Quando cheguei ao CAPS, me contaram a situação ocorrida e me disseram que, apesar de o rapaz ter demonstrado interesse em participar do grupo, a mãe quis ir embora e levou o filho junto com ela.</p>
<p></p>
<p><b>6ª Cena</b></p>
<p>Logo que cheguei ao CAPS, conversei um pouco com um rapaz que iria nessa manhã para uma internação em Nova Palma. Questionei-o sobre suas expectativas em relação à internação, ao que ele me responde: “Eu tô bem empolgado, tava precisando dessa internação por causa da vontade de usar... acho que agora vou começar o tratamento mesmo”. Perguntei se no CAPS ele já não estava se tratando: “Um pouco sim... mas fico muito tempo sem fazer nada e essa gurizada aí não é fácil”. Mais tarde, após uma situação de violência ocorrida no serviço com um dos usuários, um dos profissionais da equipe solicitou a presença de um vigilante da prefeitura dentro do CAPS. Depois do “sufoco”, chegou um vigilante e o responsável por esse setor na prefeitura. Após algumas explicações sobre o serviço e sobre o que havia ocorrido, os dois nos disseram algumas coisas, e algumas frases ditas foram muito marcantes para mim e as reproduzo nesse diário:</p>
<blockquote>
<p>“Eu conheço vários deles. O ‘fulano’ [referindo-se ao usuário que apresentou comportamentos violentos naquela manhã] cresceu com a gente na rua. Eles já conhecem e já estão acostumados com o nosso jeito de trabalhar: desce o pau neles."</p>
</blockquote>
<blockquote>
<p>“Vocês tinham que ter dado parte na polícia. Eles têm ficha suja. Vão dando parte até que a polícia vai guardando eles."</p>
</blockquote>
<blockquote>
<p>“Se vocês querem os vigias aqui, vocês vão ter violência. O nosso treinamento é para bater e imobilizar os vagabundos. É claro, a gente entra em ação quando a conversa de vocês não funciona mais."</p>
</blockquote>
<blockquote>
<p>“São tudo vagabundo e só vêm aqui pra comer de graça. Eles saem daqui e vão pro centro nos incomodar, roubar...”</p>
</blockquote>
<blockquote>
<p>“Pra dar conta deles vamos precisar de dois vigias.”</p>
<p></p>
</blockquote>
<p><b>7ª Cena</b></p>
<p>Cheguei hoje ao CAPS e estranhei o silêncio. Encontrei apenas duas profissionais dentro da casa. Saí no pátio e fiz a volta na casa. Nos fundos, encontrei dois estagiários do CAPS, numa “roda de conversa” com sete usuários do serviço. Juntei-me à roda. Conversamos durante quase duas horas. (...). Um momento da conversa que me chamou a atenção foi quando os guris começaram a mostrar suas cicatrizes. Parecia uma disputa de quem tinha mais cicatrizes no corpo. Cada cicatriz mostrada vinha acompanhada de uma história vivida por eles. Eles se comparavam entre si com base na quantidade de cicatrizes e no tempo ou número de vezes que “puxaram cadeia”. Os que têm mais cicatrizes no corpo e mais tempo de cadeia se consideram e são considerados mais fortes, portanto, merecem mais respeito que os outros. Observei que o respeito está associado à obediência “cega” ao “mais forte” e, consequentemente, ao medo. A “lei do mais forte” e do medo, vivenciadas na rua, parecem estar sendo “reproduzidas” dentro do CAPS.</p>
<p></p>
<p><b>Trechos da roda de conversa</b></p>
<blockquote>
<p>"E outra coisa ó, eles [os policiais] só vão nas favelas, nos cortiços, nas vielas ver os irmãozinhos fumando aí. E outra coisa, por que eles não vão na burguesia ver se eles não acham aí pior do que quem mora em favela? E o que eles passam também: eles vendem a fuseu [muito] pros ricos!"</p>
</blockquote>
<blockquote>
<p>"A família do cara chega, julga o cara, te fala isso e aquilo, mas não consegue conversar, amparar, saber se o cara quer se internar, te ajudam com isso, te ajudam com aquilo. Se o cara já não tem o apoio da família, vai ter de quem? Então o cara vai usando mesmo, e vai usando, e vai usando, e a vida já não tem mais sentido..."</p>
</blockquote>
<blockquote>
<p>"Eu vi, eu vi agora no final de semana na televisão. Os índices de violência e homicídio, e assaltos que acontecem aumentou depois que veio o crack pra cá. Isso aí é inegável, né. Isso o que a propaganda mostra tá certo. O que não é verdade é o que mostraram a pessoa ali quase morrendo e com sangue, e daquele jeito ali. Eu pelo menos nunca vi uma pessoa em fase terminal do crack pra também tá falando, né, mas eu acho que é muito melhor mostrar as cenas reais, das pessoas fumando, como é que fica de verdade, ou mostrar o cérebro de uma pessoa, os neurônios de uma pessoa, o pulmão de uma pessoa, do que mostrar aquilo ali."</p>
</blockquote>
<blockquote>
<p>“Ah, eu acho que pra diminuir não é qualquer campanha, não é qualquer coisa não (...). Porque, pra diminuir, fecha uma boca, abre dez, não é bem assim. Num país corrupto como o nosso, isso não vai melhorar dum dia pro outro. Nem uma década, nem duas."</p>
</blockquote>
<blockquote>
<p>&nbsp;“Não é que não funciona. É como nesse caso que o próprio vício comanda, que o vício é muito mais forte do que uma propaganda. Ela se torna pequena perto de um vício.”</p>
</blockquote>
<blockquote>
<p>“Não é o crack o único culpado. Eu acho que o governo, acho que a falta de lazer, eu acho que a falta de oportunidades pros jovens, a corrupção do país, isso aí é um ciclo que faz com que a gente se torne usuário e faz com que a gente entre nesse mundo, entendeu? Não é que seja o único culpado."</p>
</blockquote>
<blockquote>
<p>"Só tem um detalhe muito grande nisso aí que ninguém prestou atenção também. O usuário mesmo, até nem digo nós aqui, mas todo mundo aqui já usou e já teve lá no fundo do poço, cara. Quem tá no fundo do poço mesmo não tem acesso a essa propaganda. Entendeu? Não tem acesso à propaganda, então, não faz diferença pra quem tá usando, pra quem tá no fundo do poço mesmo."</p>
<p></p>
</blockquote>
<p><i><b>Repórter</b>: Andressa Foggiato ·</i></p>
<p><i><b>Diagramação e Ilustração</b>: Carolina Delavy, Deirdre Holanda e Juliana Krupahtz</i></p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Mais verde, mais qualidade de vida</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/mais-verde-mais-qualidade-de-vida</link>
				<pubDate>Sun, 07 Jul 2013 17:55:38 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Dossiê Santa Maria]]></category>
		<category><![CDATA[Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[arborização]]></category>
		<category><![CDATA[qualidade de vida]]></category>
		<category><![CDATA[Santa Maria]]></category>

				<guid isPermaLink="false">http://coral.ufsm.br/arco/sitenovo/?p=1597</guid>
						<description><![CDATA[Como se dão as relações entre espaço urbano, homem e natureza na cidade de Santa Maria]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <div class="titulo_comum">
<div id="container_dados">
<div class="texto_noticia">

Não importa o quanto sejam debatidas, da reportagem de televisão à pesquisa científica, as questões ligadas ao meio ambiente são sempre assunto atual. É crescente o número de pessoas engajadas na conscientização pela preservação da natureza, o que ainda não se reflete fortemente nas ações tomadas no dia a dia e em uma redução significativa das implicações trazidas pelo desenvolvimento. Para observar tais constatações, talvez o lugar mais indicado sejam as cidades, em especial as de médio e grande porte. São elas que melhor nos expõem as relações entre homem e natureza, preservação e desenvolvimento.

Um dos grandes problemas da relação ser humano versus meio ambiente é a forma como são ocupados os territórios e construídas as cidades. Pouco planejamento se vê com o propósito de valorizar os recursos proporcionados pela natureza, em uma relação mais harmoniosa entre espaço urbano e ambiente. Da forma como ocorreu o processo de urbanização no Brasil, não houve espaço para se pensar nos conflitos socioambientais que poderiam surgir como resultado. A crítica que se faz não é ao processo de urbanização, e sim ao modo como ele procedeu. A diminuição da cobertura vegetal e a impermeabilização do solo são só alguns exemplos, mas já carregam consigo outros fatores como poluição do ar, formação de ilhas de calor e enchentes. Desconsiderar os processos naturais e a necessidade de preservação pode custar caro e não apenas financeiramente. Exemplo disso é um lugar como a Cidade do México, que afundou 7,5 metros, por não reconhecer as relações existentes entre a água e a estabilidade do solo. Mas nem é preciso ir tão longe. Os frequentes deslizamentos no estado do Rio de Janeiro e as enchentes no Vale do Itajaí (SC) são casos próximos e bem conhecidos.

<strong> </strong>
<h3><strong>Santa Maria: ocupação e avanço territorial</strong></h3>
Mas e Santa Maria, o que tem a ver com tudo isso? É o que mostra a pesquisa realizada para a dissertação do mestrado em Geografia de Daniel Borini Alves, com orientação do professor Adriano Severo Figueiró. Ele investigou as mudanças de distribuição da vegetação na área urbana da cidade nos últimos quarenta e cinco anos. Além disso, analisou a relação entre espaços verdes e aspectos como a variação da temperatura e a regulação da água no que se refere à capacidade do solo de absorvê-la. O pesquisador se propôs a entender como a vegetação contribui para o controle da qualidade ambiental urbana de Santa Maria.

Para compreender uma cidade em seu presente faz-se necessário um olhar ao passado. No caso da cidade “coração do Rio Grande”, o ponto de partida é o acampamento militar que se instalou, por volta de 1797, no local onde hoje é a rua do Acampamento. Nesse período, a área era coberta por vegetação campestre e florestal. Com o passar do tempo, a densidade populacional começou a crescer, em especial a partir de 1885, com a chegada da viação férrea. Veio então o século XX e com ele um crescimento ainda maior. A instalação de unidades do Exército Brasileiro e da Aeronáutica, e ainda a criação da Universidade Federal de Santa Maria, na segunda metade do século, atraíram grande contingente populacional e um desenvolvimento ainda mais acelerado. Assim, como em outras cidades de porte médio do Brasil, aos poucos o verde urbano também foi dando lugar a edificações e vias de circulação em Santa Maria. A mudança fica evidente quando se olha para as duas fotografias, na página seguinte, que comparam a cobertura vegetal nas proximidades da Avenida Rio Branco, em 1935 e em 2008.

<strong> </strong>
<blockquote>A crítica que se faz não é ao processo de urbanização, e sim ao modo como ele procedeu.</blockquote>
<div id="parent">

[caption id="" align="alignright" width="299"]<a class="bigger_image" title="Avenida Rio Branco e seus arredores em 135 (acima) e 2008 (abaixo). As setas indicam pontos de crescimento urbano e a consequente perda de espaços verdes. Fonte: MARCHIORI, J.N.; NOAL FILHO, V. A.; MACHADO, P. F. S. Do céu de Santa Maria. Santa Maria: PMSM, 2008." href="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2019/05/foto-1.jpg"><img class="" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2019/05/foto-1.jpg" alt="Avenida Rio Branco e seus arredores em 135 (acima) e 2008 (abaixo). As setas indicam pontos de crescimento urbano e a consequente perda de espaços verdes. Fonte: MARCHIORI, J.N.; NOAL FILHO, V. A.; MACHADO, P. F. S. Do céu de Santa Maria. Santa Maria: PMSM, 2008." width="299" height="387" /></a> <em>Avenida Rio Branco e seus arredores em 135 (acima) e 2008 (abaixo). As setas indicam pontos de crescimento urbano e a consequente perda de espaços verdes. Fonte: MARCHIORI, J.N.; NOAL FILHO, V. A.; MACHADO, P. F. S. Do céu de Santa Maria. Santa Maria: PMSM, 2008.</em>[/caption]

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O mapa abaixo permite entender como se deu o avanço territorial do espaço urbano e a consequente subtração das áreas verdes, principalmente no que diz respeito às zonas mais centrais. Basta olhar a diferença entre a área urbana em 1966 e 2011 para compreender o tamanho desse aumento. Cabe ressaltar que, em Santa Maria, o maior problema não é exatamente a falta de planejamento, como explica Daniel: “O que ocorre aqui não é a falta de planejamento, mas sim um planejamento urbano que priorizou políticas de expansão das áreas edificadas que notoriamente favoreceram alguns setores da sociedade em detrimento de outros. Isso reflete em uma série de perdas na qualidade ambiental local. [...] As questões discutidas nesta investigação, associados aos espaços verdes de Santa Maria, mostram uma série de problemas da cidade, que vão desde a baixa oferta de espaços de lazer que possibilitem aos citadinos contatos com atributos naturais, até a perda de determinadas funcionalidades ambientais pelas quais a vegetação em áreas urbanas é responsável”.

Que a presença de espaços verdes nas cidades traz diversos benefícios, isso é fato. O que falta então é a implantação de mais áreas arborizadas, que sejam dispostas de forma a contemplar a maior parte da população e a maximizar os efeitos positivos que podem ser obtidos. Isso, como lembra o pesquisador, não pode ocorrer de forma descontextualizada de ações que busquem a educação ambiental e que possam sensibilizar a população sobre a importância da manutenção da vegetação nas áreas urbanas.
<div id="parent"><a class="bigger_image" title="Projeção de crescimento da área urbana de Santa Maria. O mapa foi elaborado pelo pesquisador Daniel Borini Alves." href="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2019/05/mapa_alterado_1.png"><img class="aligncenter" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2019/05/mapa_alterado_1.png" alt="Projeção de crescimento da área urbana de Santa Maria. O mapa foi elaborado pelo pesquisador Daniel Borini Alves." width="842" height="565" /></a>
<div class="img-caption"><em>Projeção de crescimento da área urbana de Santa Maria. O mapa foi elaborado pelo pesquisador Daniel Borini Alves.</em></div>
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<h3><strong>As últimas décadas e a atualidade</strong></h3>
Para uma análise mais detalhada dos dados, o pesquisador utilizou recursos que mapeavam as áreas da cidade em três anos diferentes: 1966, 1980 e 2011. Os dois últimos permitiram maior aprofundamento na questão da vegetação e levantaram importantes questões referentes ao espaço urbano de Santa Maria e sua área verde.

Em 1966, os espaços livres ainda tinham grande representatividade. Apesar disso, havia um crescimento do número de edificações, e os bairros Bom Fim, Centro e Nossa Senhora do Rosário e Nossa Senhora do Rosário, no centro urbano da cidade, já possuíam mais da metade de seus territórios cobertos por construções.

Tal tendência só aumentou, nos anos seguintes. Em 1980, as grandes concentrações de espaços construídos ainda ocorriam quase que exclusivamente na zona mais central da cidade. Ainda assim, os dados da pesquisa demonstram um aumento de construções também em outras áreas de Santa Maria, antes pouco ocupadas. Exemplo disso é o bairro Juscelino Kubitschek, localizado na região Oeste, que passou a contar com o conjunto habitacional Santa Marta. O local mais que dobrou a área construída entre 1966 e 1980. De forma geral, as demais regiões ainda possuíam área de cobertura vegetal com altos índices de predominância.

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<div class="texto_noticia">
<div id="parent"><a class="bigger_image" title="Os valores descritos em cada uma das regiões compõe a porcentagem total (100%) quando somados com os dados da mesma região nos gráficos 1, 2 e 3 (faltando apenas os dados da Rede de Drenagem que não sofreram alteração ao longo dos anos)." href="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2019/05/info-3.png"><img class="aligncenter" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2019/05/info-3.png" alt="Os valores descritos em cada uma das regiões compõe a porcentagem total (100%) quando somados com os dados da mesma região nos gráficos 1, 2 e 3 (faltando apenas os dados da Rede de Drenagem que não sofreram alteração ao longo dos anos)." width="800" height="1000" /></a>
<div class="img-caption"><em>Os valores descritos em cada uma das regiões compõe a porcentagem total (100%) quando somados com os dados da mesma região nos gráficos 1, 2 e 3 (faltando apenas os dados da Rede de Drenagem que não sofreram alteração ao longo dos anos).</em></div>
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Em 2011, ano que permite compreender Santa Maria em seus moldes atuais, o panorama é diferente. Os espaços construídos são mais densos e estão mais bem distribuídos entre o território. Na parte central da cidade, todos os bairros já apresentam predominância das áreas construídas sobre as demais. Nos bairros Bom Fim e Centro, os mais urbanizados, áreas edificadas já ocupam mais de 85% de seus territórios.

Outras três regiões também registraram grande aumento nos índices de áreas edificadas: Centro-Oeste, Oeste e Sul. Na primeira, por exemplo, verificou-se o maior aumento em relação a 1980, considerando que a porcentagem de áreas construídas quase dobrou.

Para o pesquisador, atualmente a cidade apresenta uma má distribuição dos espaços verdes, tendência que já pode ser observada há algumas décadas. Ele ressalta que os resultados encontrados na investigação mostram uma perda de mais de 12% da cobertura vegetal da cidade nos últimos 31 anos e confirma que as áreas centrais da cidade, que possuem maior concentração de edificações, são as que apresentam maiores carências de disponibilidade de espaços verdes. Apesar disso, atenta para o fato de que as zonas periféricas, como o bairro Camobi (região leste), grande alvo da especulação imobiliária na atualidade, exigem cuidados e discussões desde já. Isso para que as possibilidades de expansão possam ser realizadas de forma mais harmoniosa com o meio ambiente. Fato importante revelado pela pesquisa é a porcentagem de áreas verdes da cidade em 2011, que, com o valor total de 32,9%, demonstra boas condições de arborização. Esse número está ligado à densa presença de vegetação nos morros de rebordo e a porcentagem acaba por esconder menores índices de arborização observados em áreas mais centrais.
<h3><strong>Áreas verdes e qualidade de vida</strong></h3>
Um dos maiores benefícios da manutenção da cobertura vegetal está na capacidade que ela tem de amenizar a temperatura. Quando se está em um local bastante arborizado e depois se vai a outro ambiente com grande número de construções e sem vegetação, é fácil perceber a diferença. A presença de espaços verdes é capaz ainda de diminuir o risco de alagamentos e enchentes. Para analisar esses dois fatores em Santa Maria, o pesquisador escolheu quatro áreas piloto. Duas delas apresentam situações bem diferentes: uma no centro da cidade e outra situada próxima a um morro.

A primeira está situada nas proximidades do centro de Santa Maria, junto ao bairro Bom Fim, em região de grande densidade de construções, que conta com a Praça dos Bombeiros. A outra é uma área residencial localizada junto ao morro Cerrito (região centro-leste), que ainda conta com bastantes áreas verdes.

Com relação à variabilidade térmica, as quatro áreas apresentaram a mesma tendência de aumento das temperaturas até por volta das 16h, com diminuição nas horas seguintes. Porém, as temperaturas médias foram diferentes ao longo do dia. A área com maior presença de espaços verdes foi a que apresentou as menores médias em todos os horários, com tendência a atingir temperaturas ainda menores na medida que se avançou para os locais mais vegetados. Nela também foi registrada a menor temperatura diária.

O fato de o bairro Bom Fim pertencer à região mais edificada da cidade aumenta a importância da Praça dos Bombeiros. Apesar de abranger uma pequena área, ela conta com a presença de diversas árvores densas, capazes de amenizar a temperatura nos arredores.

A regulação hidrológica, quando pensada em áreas urbanas, é de extrema importância, pois está ligada ao controle do escoamento da água. Assim, em uma rua asfaltada, por exemplo, em dias de chuva, a água vai diretamente para a superfície e escoa. As poucas possibilidades do solo de absorvê-la e a tubulação insuficiente para fazer o recolhimento da água aumentam o risco de alagamentos. Em áreas arborizadas, o processo ocorre mais lentamente, uma vez que a vegetação serve como uma barreira e faz a água chegar até o chão de forma gradual. Quanto a esse fator, as duas áreas seguem caminhos contrários. O pesquisador explica que, na região do morro do Cerrito, as condições da terra não são as mais favoráveis para a absorção, mas a presença de vegetação mais densa faz o processo ocorrer bem em dias de chuva. Já na região da Praça dos Bombeiros, que possui boa qualidade natural para retenção da água, a impermeabilização e o amplo uso da terra dificultam que isso ocorra. Como essa é uma zona amplamente tomada por edificações, os espaços de absorção são reduzidos, o que faz aumentar a quantidade de água da chuva que permanece na superfície, em vez de ser absorvida. Aliás, o descaso com os recursos hídricos é o que Daniel cita como um dos principais problemas associados à falta de planejamento urbano em Santa Maria: “Os rios urbanos são pouco a pouco suprimidos pela urbanização agressiva. O Arroio Cancela, por exemplo, que cruza por zonas fortemente edificadas da cidade, apresenta problemas que vão desde a degradação das suas margens até a notória falta de qualidade da água, motivada pelo depósito de resíduos sólidos e o despejo de efluentes”.

A preservação da natureza nas cidades e o correto aproveitamento dos atributos que ela nos oferece são fundamentais para que haja equilíbrio. Essa pesquisa pode ser um ponto de partida para que a questão seja mais bem pensada. O pesquisador destaca que sua principal contribuição é servir à comunidade, pois mune o poder público municipal de um instrumento que pode funcionar como propulsor para um conjunto de políticas capazes de ofertar maior qualidade ambiental. Planejar o processo de desenvolvimento das cidades é uma forma de prevenir os impactos gerados pelo aumento populacional e consequente crescimento das cidades. A presença de mais áreas verdes significa mais qualidade de vida.
<div id="parent">

[caption id="" align="aligncenter" width="756"]<a class="bigger_image" title="Visão do bairro Bom Fim. A área verde em destaque corresponde à Praça dos Bombeiros. " href="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2017/08/1-Edicao_Dossie-3_Mais-Verde.jpg"><img src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2017/08/1-Edicao_Dossie-3_Mais-Verde.jpg" alt="Visão do bairro Bom Fim. A área verde em destaque corresponde à Praça dos Bombeiros. " width="756" height="313" /></a> <em>Visão do bairro Bom Fim. A área verde em destaque corresponde à Praça dos Bombeiros.</em>[/caption]

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</div>
</div>
<div class="arco_creditos"></div>
<div class="titulo_comum">
<div class="texto_rodape"></div>
<div class="texto_rodape"><em><strong>Repórter</strong>: Daniela Pin Menegazzo</em></div>
<div><strong><em>Fotografias</em></strong>: <em>Daniela Pin Menegazzo</em></div>
<div class="texto_rodape"><em><strong>Design Gráfico</strong>: Projetar</em></div>
</div>
<div class="subtitulo_comum"></div>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Pela via da educação</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/pela-via-da-educacao</link>
				<pubDate>Sun, 07 Jul 2013 17:51:04 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Dossiê Santa Maria]]></category>
		<category><![CDATA[educação para o trânsito]]></category>
		<category><![CDATA[mobilidade urbana]]></category>
		<category><![CDATA[Santa Maria]]></category>

				<guid isPermaLink="false">http://coral.ufsm.br/arco/sitenovo/?p=1594</guid>
						<description><![CDATA[Planejamento urbano e educação no trânsito podem melhorar o dia a dia das cidades
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <div class="titulo_comum">
<div id="container_dados">
<div class="texto_noticia">

O modo como as pessoas se movimentam nas cidades é um fator importante e estratégico do ponto de vista do desenvolvimento econômico, da sustentabilidade ambiental e da qualidade de vida. Santa Maria tem o seu crescimento populacional urbano diretamente relacionado às potencialidades de sua posição geográfica, centro do estado, atraindo pessoas devido ao seu cotidiano de cidade universitária e também por ser um ponto de passagem e de ligação entre regiões, o que se evidencia pelo seu passado ferroviário.

Na concepção do professor do curso de Engenharia Civil e doutor em Mobilidade Urbana Carlos José Antônio Kümmel Félix, “mobilidade urbana deve ser entendida como o deslocamento das pessoas”. No entanto, na formação histórica do trânsito brasileiro, a mobilidade é pensada a partir do deslocamento dos veículos, baseado no transporte em rodovias, avenidas e ruas. Esse conceito mostra a preferência pelos automóveis, ou seja, pelo transporte individual, em detrimento de outros meios de locomoção, como transporte coletivo e transportes não motorizados. Isso ocorre porque, supostamente, o automóvel oferece ao usuário privacidade, liberdade na escolha de rotas e economia de tempo. Entretanto, essa visão, aliada à urbanização desorganizada, engessou o trânsito das grandes e médias cidades.
<blockquote>
<h4>“Mobilidade urbana deve ser entendida
como o deslocamento das pessoas”</h4>
</blockquote>
<strong> </strong>

O professor Félix explica: “Quando se fala, hoje, ‘é preciso alargar as vias’, há um provável equívoco! É preciso conceber um sistema que sirva à população em geral”. Ele ressalta que é necessário ter um novo planejamento de trânsito e circulação, visto que o Brasil é o país que mais se urbanizou no mundo nos últimos 50 anos. Aproximadamente 85% da população brasileira vivem, hoje, nas áreas urbanas de 5.565 municípios, que são carentes de infraestrutura. Para atender à demanda do uso do automóvel nas cidades, é evidente que são necessárias adequações e ampliações do sistema viário. Mas não é só isso. A solução para os problemas de trânsito vai além da simples construção ou alargamento das vias de acesso, retiradas de estacionamento, construção de estruturas como pontes e viadutos. Para Félix, a solução é uma série de ações conjuntas e articuladas, com base na gestão, na engenharia, na fiscalização e no esforço legal, apoiadas principalmente na educação.

“O mais importante” diz o docente “é a conscientização da população, estabelecendo as bases de um transporte mais racional, aliadas a um esforço de organização espacial do desenvolvimento urbano, do transporte público e da circulação, funções inerentes à gestão pública e definidas pelos planos urbanos”. Há uma relação estreita entre a estrutura e a organização espacial de uma cidade, seu sistema de transportes e sistema viário, de circulação. Em outras palavras, existe uma relação entre o sistema de atividades (morar, trabalhar, estudar) com os sistemas que permitem essa interação (transportes, circulação e viário). O grande desafio urbano atual é equilibrar essas funções urbanas, atendendo essas necessidades, de forma que os deslocamentos sejam rápidos, econômicos, seguros e sustentáveis.

No caso de Santa Maria, além de um insuficiente sistema viário local para atender o crescente fluxo de tráfego, especialmente nos horários de pico, são utilizadas rodovias federais e estaduais para interligar diferentes regiões da cidade. É o caso das BR/RS-287 e RS-509, que ligam o centro da cidade ao bairro Camobi e ao campus da UFSM. O uso dessas rodovias, associado ao tráfego local, pode gerar insegurança no trânsito e atrapalhar aqueles que apenas passam pela cidade, porque mistura o tráfego cotidiano do município com o de outros indivíduos que utilizam as vias, sem ter interesse específico em Santa Maria. Além disso, segundo Félix, a cidade investe, prioritariamente, em avenidas e ruas, estimulando o uso do transporte individual. Deveria haver também um maior incentivo e estímulo ao uso do transporte coletivo, associados com investimentos em estruturas seguras para fazer os trajetos a pé ou com bicicletas.
<h3><strong>Em busca de soluções </strong></h3>
<img class="wp-image-1517 size-full aligncenter" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2017/08/1-Edicao_Dossie2_Pela-via-da-Educacao.jpg" alt="" width="808" height="528" />

O curso de Engenharia Civil da UFSM procura auxiliar na busca de soluções para os problemas da cidade. Existe, por exemplo, um Departamento de Transportes, onde são oferecidas as disciplinas obrigatórias de Projeto, Execução e Planejamento de Sistemas Viários. Além dessas, existem duas Disciplinas Complementares de Graduação (DCGs) coordenadas pelo professor Carlos Félix: Engenharia de Tráfego e Transporte Público.

Dentro dos estudos do tráfego, os alunos são levados a conhecer e pesquisar as ruas e vias da Santa Maria, através dos levantamentos de volumes de fluxo em diferentes horários, das condições estruturais, operacionais e físicas das vias. Estes estudos, associados aos dados populacionais e sociais, ajudam a entender como funcionam a movimentação e a dinâmica urbana. A partir daí, desenvolvem-se diagnósticos e proposições referentes às realidades encontradas. A aplicabilidade desse desenvolvimento técnico e das possíveis soluções permite ao aluno sentir a real dimensão da mobilidade na cidade em que vive.
<h3><strong>Viva a faixa!</strong></h3>
Uma das contribuições da UFSM a Santa Maria foi a campanha “Viva a Faixa! Com respeito, a vida é mais bonita”, que tem como principais objetivos a conscientização da população e a educação para o trânsito. A campanha, que já existe há dois anos, foi organizada pela empresa de comunicação RBS e teve a consultoria e orientação técnica do professor Carlos Félix, além de outros agentes públicos e privados. Segundo o professor, “a campanha mudou Santa Maria”.

Uma das facetas que ela evidencia é que, em nossos dias, as pessoas não pensam mais em sair à rua como pedestres. O ritmo de vida estressante torna a todos dependentes dos veículos. “Nós esquecemos que podemos e devemos caminhar. Caminhar ainda é a forma mais natural e segura de o ser humano se locomover”, destaca o professor.

A campanha se espalhou pelo estado e ajudou a difundir massivamente as leis de trânsito. As mortes nas travessias de vias diminuíram cerca de 80% só em Santa Maria, de acordo com levantamentos feitos pelo Jornal Diário de Santa Maria/Grupo RBS. O lançamento foi organizado no Centro de Tecnologia da UFSM, onde uma minicidade foi montada para que crianças de escolas públicas e privadas aprendessem como atravessar a rua. A atividade teve apoio e orientação do Comando Rodoviário da Brigada Militar. O professor explica: “A Universidade deve contribuir para apresentar, discutir e propor soluções para resolver esses problemas. Além de um compromisso educacional, a partir do conhecimento técnico, também temos um compromisso social de auxiliar a comunidade”.

Embora com ampla divulgação, a campanha aposta mesmo é na educação das crianças, pois são os exemplos captados na infância que vão orientar o indivíduo na idade adulta. Ao mesmo tempo, os pais são os primeiros a serem afetados pela orientação passada aos filhos. Além disso, o professor Félix reforça que o aprendizado no trânsito deve ser contínuo, e que a campanha não pode parar. “Nós temos que trabalhar para melhorar nossa qualidade de vida, e deixar um mundo melhor para nossos filhos, mais seguro, sustentável, justo e solidário. Mais feliz!”, resume o professor.

<img class="alignnone wp-image-5756 size-full" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2013/07/faixa-1.jpg" alt="" width="1920" height="1285" />

</div>
</div>
<div class="texto_rodape">
<div class="arco_creditos"></div>
<em><strong>Repórter</strong>: Victor Carloto</em>

<em><strong>Fotografias</strong>: Luciele Oliveira</em>

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</div>]]></content:encoded>
													</item>
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