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Inclusão social



A Escola Aberta é uma escola pública que funciona em um formato diferenciado das escolas tradicionais. É uma peculiaridade da escola trabalhar com adolescentes que tiveram dificuldade para se manter regularmente em outras escolas. A instituição surge para atender esse público adolescente que possuem problemas e que encontraram na Escola Aberta uma possibilidade de estar incluído.

Do contato de um grupo de estudantes de Psicologia da UFSM para atividades de pesquisa sobre violência sexual com o público adolescente e sobre a questão da sexualidade com meninas, surgiu a demanda para atender os alunos nas oficinas. Como explica a coordenadora do projeto de extensão, a professora Monica Arpini, ‘’a partir da atividade de pesquisa do grupo, a escola demandou se o grupo não podia ajuda-los estando mais permanente na instituição.Então, criou-se o projeto de extensão ‘Oficinas com adolescentes em uma Escola Aberta’’.

São três oficinas que acontecem quinzenalmente. As oficinas são divididas por idade e gênero e pela demanda de alunos. São mais meninos do que meninas, então são duas oficinas com meninos: uma c a partir dos 10 anos e a partir dos 15 anos. A oficina das meninas engloba todas as faixas etárias.

A divisão das oficinas dos meninos também ajuda o grupo a trabalhar temáticas mais focadas. Com os meninos mais novos os temas são trabalhados com um aspecto mais lúdico, com jogos e brincadeiras. Já na oficina dos meninos mais velhos são trabalhados outros aspectos como projeto de vida e expectativa dos alunos ao saírem da instituição, pois chega um momento em que eles tem de lidar com a saída da escola, que funciona por ciclos, sendo o quarto o último.

Apesar da divisão das oficinas, não são feitas restrições para que os alunos participem, assim como são convidados – e não convocados – a participar. Os alunos também podem escolher entre estar presente nas oficinas ou em alguma atividade em sala de aula. Devido a parceria do grupo com a escola, é incentivada a participação dos alunos nas oficinas. 

O grupo tenta ser criativo para atrair os alunos. As oficinas são uma rotina, mas periodicamente há outras atividades, por exemplo, alguma atividade cultural, como o documentário ‘’Falando com a boca’’, que traz depoimentos de alguns alunos sobre a infância e adolescência.

A partir das atividades, os alunos trazem suas experiências de vida, seus problemas. Como os alunos e suas famílias estão em uma situação de vulnerabilidade, enquanto grupo social, alguns estão envolvidos com o tráfico de drogas, uns já cumpriram medidas de internação, outros foram afastados do convívio familiar porque têm sido vítimas de negligência, de violência. Então, muitos possuem uma história de vida marcada por acolhimento institucional, o que faz uma grande diferença na trajetória do adolescente. A aluna do Mestrado em Psicologia, Cibele Witt diz que essa é uma característica que os une, como ela diz ‘’há algo que é comum a todos eles, que é justamente esse registro, essa marca na subjetividade deles que é ter passado por esses locais’’.

E a Escola Aberta surge justamente para atender esse público, porque eles não conseguem se manter em uma escola regular, apresentando algumas vezes dificuldade em se manter na própria instituição. Conforme Monica, ‘’a escola consegue, dentro do que é possível, ter uma certa flexibilidade, que em uma escola regular não seria possível, o que faz com que o alunos se mantenham ali por mais tempo do que poderiam se manter em outro lugar’’.

Eventualmente também ocorrem visitas domiciliares do grupo e que também são realizadas pela escola. Geralmente as visitas são nos casos em que os alunos não estão frequentando a escola. Como explica Cibele,‘’isso acontece geralmente quando estão terminando o quarto ciclo na escola, este é um período muito difícil pois os alunos não se vêm em outro ambiente, querendo reprovar com o objetivo de não sair da escola’’.

Essas situações mais difíceis são discutidas entre o grupo, que inclusive tem uma preparação teórica de um semestre para os alunos que quiserem fazer parte do projeto. Os alunos são preparados para as oficinas, para que, segundo Monica ‘’tenham a capacidade de escutar sem dar uma resposta rápida e sem julgar’’.

Até mesmo para quando surgem as adversidades os realizadores das oficinas tem de estar preparados, como relata Cibele, ‘’os alunos são engajados, é um grupo comprometido e que possui uma boa rotatividade. E conseguimos construir esse espaço porque também estamos nos construindo ali. As adversidades nos ajudam a refletir. Por exemplo, se eu saio de casa para dar uma oficina, tomo um banho de chuva, chego lá toda encharcada e ninguém apareceu se eu não tiver um preparo para isso eu vou ficar irritada e pensar coisas do tipo ’poxa vida, eu sai de casa pra ninguém aparecer! Poderia ter ficado estudando ou fazendo outra coisa…’. Porém, como temos um preparo e conhecemos a realidade dos alunos o nosso pensamento é ‘eu consegui chegar aqui, eles nem conseguiram sair de casa’.”

Outra aluna da graduação de Psicologia, Dulcinéia da Luz, também relata a importância da preparação teórica ‘’nós discutimos teoricamente questões que irão surgir nas oficinas. Eu por exemplo, conheci o modelo da Escola Aberta e soube como funcionava a partir da preparação teórica’’.

_delimiter_Repórteres: Cibele Zardo e Diossana da Costa


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