Ir para o conteúdo Revista Arco Ir para o menu Revista Arco Ir para a busca no site Revista Arco Ir para o rodapé Revista Arco
  • Acessibilidade
  • Sítios da UFSM
  • Área restrita

Aviso de Conectividade Saber Mais

Início do conteúdo

Sangue bom pra cachorro



Com frequência vemos campanhas procurando doadores de sangue para pessoas com algum problema de saúde. Mas você sabia que seu cão também pode doar e receber sangue de outros cachorros? Assim como nas transfusões feitas entre seres humanos, a doação de sangue de um cachorro para outro tem como objetivo auxiliar no tratamento de doenças, como hemorragias e anemias, além de ajudar em processos cirúrgicos.

 

Entre os cães, como ocorre com as pessoas, existe uma classificação para diferenciar o sangue. Nos humanos, o grupo ABO registra os tipos A, B, AB e O.  Já para os cachorros, o chamado sistema DEA (Dog Erythrocyte Antigen) aponta os tipos DEA 1.1, DEA 1.2, DEA 1.3, DEA 3, DEA 4, DEA 5 e DEA 7, sendo os dois primeiros os mais comuns na população canina.

 

Apesar dos componentes do sangue – células, hormônios, nutrientes e outros – serem os mesmos em humanos e cachorros, a doação de uma espécie para a outra não é possível. Saulo Pinto Filho, professor adjunto de clínica médica de pequenos animais do curso de Medicina Veterinária da UFSM, explica: “Existem diferenças genéticas, como o número de cromossomos – sequências de DNA – particulares de cada espécie. Por isso, não se pode transfundir sangue de um cão para um humano”.

 

Como funciona a doação?

Se você já doou sangue ou viu uma coleta ser realizada em um humano, sabe que o líquido é retirado de uma veia do braço. Entretanto, com os cães o processo é um pouco diferente. Na maioria dos casos, os veterinários extraem o sangue da veia jugular do animal, na região do pescoço. Depois, o colocam no receptor através da veia cefálica, na pata do cachorro. Para realizar o processo é necessária a remoção dos pelos do animal na região em que a transfusão é feita.

Para o cachorro Apólo, que doa sangue desde 2015 no Hospital Veterinário Universitário (HVU) da UFSM, o procedimento é tão simples que ele até dorme durante a coleta. Sua tutora, Larissa Schlottfeldt, conta que o animal doou pela primeira vez quando a mãe estava doente: “a Hebe era a cachorra do meu irmão. Durante anos ela sofreu com uma patologia desenvolvida na gestação. Quando o Apólo tinha um ano, ela precisou de doação de sangue”. Desde então, o rottweiller frequenta o hospital a cada três meses – intervalo de tempo mínimo entre cada doação – para ajudar outros cães.

 

Cão Apólo antes de doar sangue

Apesar de existirem cães como o Apólo, que doam regularmente, a coleta de sangue entre cachorros ainda é pequena. No HVU estão registrados 62 doadores, enquanto o ideal seria ter em torno de 200. Saulo Filho conta que, na maioria dos casos, o sangue é transfundido no receptor logo após a coleta, sem ficar armazenado. Isso ocorre devido à escassez de doadores, já que muitas pessoas não imaginam que seus pets podem doar.

 

Quer fazer o bem e levar seu cão para doar sangue? O laboratório do HVU fica aberto para coleta de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 17h. O procedimento é simples e retira 400 mililitros de sangue. Os gatos também podem doar, basta ter no mínimo quatro quilos, estar em boas condições de saúde, ter feito os exames necessários e estar cadastrado na lista de doadores do HVU. 

 

Reportagem: Paulo César Ferraz, acadêmico de Jornalismo

Edição: Andressa Motter, acadêmica de Jornalismo

Ilustração: Yasmin Faccin, acadêmica de Desenho Industrial

Fotografia: Larissa Schlottfeldt/arquivo pessoal


Publicações Recentes