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Ciclo situação no campus



Aline e Luana 2

Aline Witt – alinewittaline@gmail.com
Luana Mello – mellosluana@gmail.com

Atualmente a universidade dispõe de apenas uma ciclovia de 500 metros. para melhorar a vida dos que pedalam no campus, há a possibilidade de ampliação da via ainda este ano, visando sanar a disputa diária dos ciclistas com os veículos motorizados na rua. já os bicicletários são escassos e estão em péssimo estado de conservação. porém, a melhora dessa situação não está na lista de prioridades da PROINFRA.

“A bicicleta é um meio de transporte rápido, prático e precisa de pouca manutenção”. Os motivos apontados pelo professor de Engenharia de Controle e Automação, Rodrigo Guerra, são também os de muitos daqueles que escolheram ser chamados de ciclistas. Mas nem só de benefícios é feita tal escolha. Assim como a maioria das cidades brasileiras, Santa Maria é pouco – ou quase nada – inserida ao cicloativismo e são mínimos os incentivos ao uso desse meio de transporte. A UFSM não fica de fora desse problema. Os blocos de lutas estão fortemente inseridos no meio acadêmico da cidade, mas nenhum voltado para o uso de bicicletas.

Além do risco de disputar lugar na rua com veículos motorizados, adaptar bicicletários também é um problema comum vivido cotidianamente pelos ciclistas do Campus. A Universidade conta com uma média aproximada de 210 vagas para estacionar bicicletas, distribuídas para mais de 25 mil alunos e 4 mil docentes e técnicos administrativos. De 38 prédios percorridos, 18 não possuem suporte para guardar bicicletas, entre eles: Biblioteca Central, CEU II e Hospital Veterinário. Os paraciclos do Hospital Universitário, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e Colégio Técnico Industrial estão localizados em lugares pouco evidentes. Já os bicicletários do Centro de Educação Física e Desportos são os que se encontram em pior estado: escassos, enferrujados e amassados. A Reitoria conta com seis vagas para bicicletas, cujos suportes são de modelos mais práticos e em melhor estado de conservação.

Os bicicletários da Universidade são de uma época em que a bicicleta não era um meio de transporte tão comum como é hoje. Isso deixa aos atuais usuários suportes velhos, que não comportam a quantidade de novas bicicletas que circulam pela UFSM. A solução desse problema seria a atualização do número de usuários, visando à ampliação dos locais reservados para o estacionamento das bicicletas onde são insuficientes e a implantação de novos em quantidade satisfatória para a demanda. Porém, esse estudo não se tornará tão cedo um projeto para a Pró-Reitoria de Infraestrutura (ProInfra), visto que é preciso seguir uma lista de prioridades: “Agora, por exemplo, a gente está com uma equipe extremamente reduzida, com somente dois arquitetos e uma demanda gigantesca, que além das obras internas que a gente tem aqui no dia a dia, ainda existe todo um campus em Cachoeira para ser implantado”, conta o arquiteto da ProInfra, Alberto Wolle.

A relação com os outros meios de transporte, nem sempre mutuamente respeitosa, é um dos pontos mais citados pelos ciclistas. Eles precisam redobrar a atenção para evitar acidentes em potencial: motoristas de carros que não enxergam as bicicletas, que não acionam o pisca-alerta, caminhões que jogam ciclistas para fora da faixa, ônibus que ultrapassam sem necessidade.

Mas utilizar a bicicleta ainda vale a pena, afinal, mesmo com todos os transtornos, é um meio de transporte rápido, principalmente quando o trânsito de veículos está muito intenso, como conta o aluno do curso de História, Júlio Daniel: “Eu pegava um ônibus que demorava de 50 minutos a uma hora e dez no horário de pico. De lá onde eu moro até aqui são uns 12 km, eu venho em 25, 30 minutos pela faixa velha”.

Para facilitar a vida dos que pedalam dentro do Campus, a Universidade idealiza dois projetos: um emergencial, que levaria do arco até a reitoria; outro de caráter mais utópico, que serviria tanto para deslocamento quanto para contemplação do campus. Segundo Wolle, o projeto emergencial contaria com um tronco principal, com cerca de 2,4km. Essa obra já está com seu edital lançado e espera apenas o resultado da empresa vencedora e sua execução está prevista para ainda este ano. Mas a ideia de ciclovia que mais encanta é a que planeja ramificar a pista para levar os ciclistas aos principais centros e servirá, principalmente nos fins de semana, como forma de recreação.

O arquiteto declara que junto a essa, existe a possibilidade de empréstimo de bicicletas, em que o aluno consegue fazer a retirada do veículo com um sistema semelhante à retirada de livros da biblioteca. Ele é responsável por esse livro assim como seria pela bicicleta – qualquer dano que ocorra, envolve toda a parte burocrática que tem: se houver atraso na entrega, paga multa; se não, ele não renova a matrícula. Conforme Wolle, “a ideia é que tivessem centros de distribuição de bicicletas e que qualquer aluno pudesse fazer a retirada de uma e transitar no campus, largando ela em outros centros de retirada/devolução”. No Estado, temos como exemplo a Universidade Federal de Rio Grande (FURG), que implementou a instalação de parquímetros no seu Campus – que tem cerca de 230 hectares, aproximadamente 8 vezes menor que o campus da UFSM. Para realizar a retirada, o usuário deve solicitar a chave do destravamento e o banco da bicicleta na Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis da Universidade.

Existem muitos questionamentos quanto à criação de um transporte interno no Campus, que junto à ideia da ciclovia, seria um avanço para a locomoção dentro da Universidade. A proposta mais interessante, apresentada por Wolle, é a de que o transporte coletivo da cidade, que já circula normalmente internamente, seja usado para levar os alunos de uma ponta a outra sem a necessidade de pagamento. A questão da falta de ciclovia, como observa o ciclista e aluno de Engenharia Elétrica, Josué Sehnem, é que “não tem espaço para a bicicleta. Ou tu invades a rua, disputando espaço com os carros; ou na calçada, atrapalhando os pedestres”. Para possibilidades como essas terem algum espaço, é preciso maior centralização das ideias e mais investimento da Universidade. A UFSM possui infraestrutura para receber projetos como esses, o problema é que não há nenhum tipo de incentivo, como campanhas publicitárias dentro da instituição, para o uso das bicicletas. Se houvesse mais organização e as ideias de ciclovias pudessem virar projetos para, futuramente, se transformarem em obras, seria um grande avanço para a instituição.

Para o professor de Agronomia, Cláudio Lovato, “é mais problemático para quem tem carro do que para quem tem bicicleta”. Não incentivar o uso dessa mobilidade sustentável dentro do Campus é não tomar providências para diminuir o engarrafamento que aumenta gradativamente, dia após dia, na principal via da Universidade.

Bastidores da .TXT

Depois de uma manhã andando pelo campus com apenas duas entrevistas já gravadas, decidimos que o final da ciclovia seria o melhor lugar para encontrar um maior número e ciclistas e, quem sabe, obter histórias que dessem rumo à nossa matéria.

Conseguimos conversar com um número considerável de ciclistas, alguns mais articulados que outros, uns mais satisfeitos que outros. Mas o relato que prevalece é o da insatisfação com a falta de estrutura para acolher aqueles que necessitam, ou decidiram por escolha própria, se deslocar através do uso de bicicletas.

Fomos ignoradas, ouvimos reclamações, relatos de experiências em outros lugares e conhecemos pessoas que utilizam a bicicleta como meio de transporte e estilo de vida há mais de trinta anos. Para um relato mais específico trouxemos o arquiteto da ProInfra que, mesmo sendo de forma receosa, esclareceu pontos importantes em relação às ideias de novas ciclovias.

Uma pequena ciclovia que acaba antes mesmo de entrar na UFSM. O visível incômodo e o perigo vivido pelos ciclistas dentro do Campus da maior Universidade Federal do interior do país, agora são descritos pelos próprios.TXT

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