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Divisão de patrimônio promete recolher materiais



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Clara Sitó – clasalvs@gmail.com
Gabriele Wagner de Souza – gabiwagners@gmail.com

Depois de doze anos sem haver recolhimento de materiais colocados para descarte na universidade, a divisão de patrimônio (DIPAT) busca recuperar o tempo perdido. a instituição prevê, até o final do ano, a retirada de 500 toneladas de sucata

Há muito tempo se vê mobiliários acumulados pelos corredores da UFSM, mas esse cenário começa a se modificar. Depois do Departamento de Materiais e Patrimônio (Demapa) abrir três editais de licitação para recolhimento de materiais e não haver empresas interessadas, finalmente, na quarta licitação, o edital foi preenchido. A limpeza começou a ser feita em alguns prédios, como o Centro de Educação, o Colégio Técnico Industrial, o Centro de Tecnologia, o Politécnico e o Centro de Processamento de Dados (CPD), segundo informações do diretor da DIPAT (órgão pertencente ao Demapa), Gilson Peres.

O acúmulo de materiais se deve, em grande parte, ao crescimento do poder de compra da universidade, que passou a adquirir mais bens com a entrada de verba do programa de Reestruturação e Expansão das Universidades (Reuni) e, em consequência, descartar mais. “Depois que a universidade entrou no Reuni é como se tivessem pegado Porto Alegre e jogado dentro de Santa Maria, ou seja, a universidade cresceu, e muito, e a Divisão de Patrimônio continua quase com a mesma estrutura da época da fundação da universidade”, afirma Gilson Peres. Como a instituição não dispõe de um espaço físico temporário para depositar esses mobiliários até que cheguem ao seu destino final, os materiais acabam amontoados em salas e corredores dos prédios.

Dentre os materiais a serem descartados estão os que são considerados inutilizáveis, ou seja, sucatas; como ares-condicionados, armários de metal, computadores, cadeiras e mobiliários que não têm mais conserto. Outro tipo de material descartado é aquele que ainda teria utilidade, mas que é considerado obsoleto para o setor. Neste caso, o destino é a doação, exclusivamente, para entidades sem fins lucrativos, geralmente escolas.

No limite

“A situação da divisão de patrimônio não é complicada, é crítica”, lamenta Gilson Peres. Atualmente os espaços que a DIPAT possui para armazenamento de materiais que são adquiridos ou esperam para ser descartados são inadequados. O órgão possui apenas dois galpões. No começo de março, um deles incendiou e, desde então, está sem uso. Já o outro, além de ser pequeno, apresenta problemas na estrutura física, como goteiras e defeitos na fiação, o que compromete a durabilidade dos materiais alocados. Além disso, o DIPAT utiliza provisoriamente o Parque de Exposições da UFSM para estocar materiais, porém, como não pertence à divisão, deve estar disponível para a agenda de eventos.

O local que antes era garagem para os ônibus da universidade, chamado de Garajão, localizado no centro da cidade, também serve de abrigo temporário para as sucatas. Porém, com o início do recolhimento pela empresa licenciada, o local agora não é mais utilizado como depósito de entulhos. De lá, foram retirados 24 caminhões de sucatas.

Atualmente, existe um projeto para reconstrução do galpão que incendiou, a fim de diminuir a sobrecarga atual. O espaço foi planejado de modo que o setor administrativo da Divisão de Patrimônio seja construído no pavimento superior, enquanto que no inferior ficariam os setores de estoque e o recebimento de materiais. Porém, não há previsão para a concretização desse projeto.

Como funciona o processo de descarte para doação

Todo material pertencente à universidade deve possuir um registro acoplado, em que consta um código número que identifica a qual setor pertence. Todo setor que desejasse fazer uma doação deveria abrir um processo no DIPAT para exclusão do material da relação patrimonial do seu setor e retirada do código numérico. Após esse registro de intenção de doação, o órgão – que é o responsável legal pelo recolhimento dos materiais da universidade – recolheria esses objetos do setor e armazenaria em seus galpões até que surgisse alguma entidade para que pudessem ser doados.

Porém, com os problemas de falta de espaço, a administração tem passado a responsabilidade adiante. Assim, recomenda que os setores que tenham materiais para doar realizem essa doação, não mais com o envolvimento direto do órgão, mas através do próprio Centro, mediante apenas uma autorização da Divisão.

Essa impotência sentida pela DIPAT também se reflete nos professores e servidores que querem descartar seus materiais. Dentre eles está a professora do Departamento de Letras Modernas, Maria Tereza Marchesan. Ela esperou cinco anos para que as cadeiras registradas no seu departamento fossem retiradas dos corredores do prédio 67. “Eu me sinto muito constrangida de ser responsável pelo material que incomoda outras pessoas. Eu me sinto constrangida, mas também me sinto impotente”, desabafa.

A professora do Centro de Ciências da Saúde (CCS), Rosmari Horner, também aguarda há quatro anos para que um computador sem uso seja retirado dos corredores. Ela afirma que estes materiais estão em lugares indevidos e atrapalham a passagem dos alunos, professores e servidores. Rosmari também espera há quase nove anos para que antigos microscópios inutilizáveis sejam removidos de uma sala do prédio do CCS.

A retirada dos materiais da universidade começou a ser feita em abril e, segundo as previsões do diretor do DIPAT, espera-se que até o mês de agosto tanto as doações como o recolhimento das sucatas sejam normalizados. Quem sabe assim, as salas e corredores que servem de abrigo temporário para os entulhos possam voltar a ser o que eram antes: um lugar de circulação

Bastidores da .TXT

Enquanto estamos na UFSM, conhecemos novos lugares, centros e setores. Na maioria destes espaços, observávamos materiais empilhados, acumulados pelos corredores e alocados em lugares inadequados da instituição. Assim, surgiu a curiosidade em saber por que isso acontecia. A primeira hipótese era que a burocracia no campus impedia que o descarte de materiais fosse feito corretamente. Ao início da apuração, notamos que na verdade, a burocracia era apenas um dos fatores dentro do processo, mas não a principal vilã.

Entrevistamos o diretor da Divisão de Patrimônio, Gilson Peres, e notamos que as instalações onde deveriam ficar temporariamente os materiais descartados não eram, nem de longe, adequadas. Um dos depósitos da divisão pegou fogo no início do ano e o outro, onde fica a parte administrativa do órgão, apresenta problemas na fiação e goteiras. O diretor nos mostrou também uma quantidade de materiais de alto custo, que está no galpão da DIPAT já há alguns anos e não pode ser enviado ao centro que solicitou porque os prédios para onde esses objetos deveriam ser destinados ainda não está pronto. Além disso, esses materiais, de alto valor, devido a precariedade do galpão, estão expostos a goteiras, correndo o risco de ser danificados.

Se ao começo da apuração da matéria estávamos com o pensamento de que a situação dos materiais espalhados pelos centros da UFSM era, no mínimo, complicada, ao final, tínhamos certeza disso. Mas ao que tudo indica, com o recolhimento dos objetos acumulados, que teve início esse ano, a situação deve mudar e eles sairão dos corredores para ser novamente usados em outras instituições.TXT

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