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El Niño completa dois meses e aumenta preocupação com extremos climáticos no Brasil



Fenômeno se fortaleceu desde junho e deve ganhar intensidade nos próximos meses, com impactos diferentes entre as regiões brasileiras

O El Niño completa pouco mais de dois meses desde sua confirmação oficial e já apresenta sinais de fortalecimento no Oceano Pacífico Equatorial. O fenômeno, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico, foi oficialmente confirmado pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) em 11 de junho de 2026. Desde então, os indicadores apontam para a intensificação do aquecimento, aumentando a atenção para os possíveis impactos sobre o clima brasileiro.

Na primeira semana de junho, a região do Niño 3.4, utilizada como uma das principais referências para o monitoramento do fenômeno, apresentava uma anomalia de +0,7 °C. O sinal positivo significa que a temperatura da superfície do mar estava acima da média utilizada como referência. Na mesma semana, as regiões Niño 4, Niño 3 e Niño 1+2 registraram anomalias de +0,7 °C, +1,0 °C e +2,1 °C, respectivamente.

Em agosto, a NOAA aponta que as condições de El Niño permanecem presentes e que o fenômeno deve continuar se fortalecendo. As projeções mais recentes indicam 93% de probabilidade de persistência do El Niño entre setembro e janeiro, além de uma probabilidade elevada de que o evento alcance intensidade muito forte nos próximos meses.

Mas, afinal, o que é o El Niño?

O El Niño é um fenômeno climático natural associado ao aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Esse aquecimento modifica a circulação da atmosfera e pode alterar os padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do planeta.

No Brasil, os efeitos não são iguais em todas as regiões. Historicamente, o fenômeno está associado a mais chuva na Região Sul e a condições mais secas em áreas das regiões Norte e Nordeste. Entretanto, o El Niño não determina sozinho a ocorrência de um evento extremo: outros fatores oceânicos e atmosféricos também influenciam o clima de cada região.


Um fenômeno que pode ficar muito forte

A intensidade prevista para o El Niño de 2026 é um dos principais pontos de atenção dos especialistas. O boletim conjunto divulgado pelo INMET, INPE, ANA, CEMADEN, SGB, SEDEC e CENSIPAM indica elevada probabilidade de que o fenômeno alcance intensidade muito forte entre a primavera e o início do verão de 2026. Para essa classificação, a anomalia da temperatura da superfície do mar no Pacífico Equatorial ultrapassa 2 °C.

Ainda em junho, quando o fenômeno havia acabado de ser confirmado, o meteorologista Márcio Cataldi, professor do Departamento de Engenharia Agrícola e Meio Ambiente da Universidade Federal Fluminense (UFF), já alertava para a possibilidade de um evento excepcional, em uma entrevista à Folha de S.Paulo, em 11 de junho, quando as previsões já indicavam a possibilidade de intensificação do fenômeno, o professor afirmou: “As previsões indicam que esse pode ser um El Niño muito forte, mais forte do que o que a gente tem registrado até hoje.”

 

Sul pode ter mais chuva

No Brasil, um dos principais efeitos associados ao El Niño é a alteração do regime de chuvas. Na Região Sul, o fenômeno tende a favorecer o aumento da frequência e do volume das precipitações. Já nas regiões Norte e Nordeste, há maior risco de redução das chuvas e de períodos de estiagem.

O padrão já começou a ser observado nas previsões para o inverno. Para agosto de 2026, o INMET indicou possibilidade de chuva acima da média em áreas do Rio Grande do Sul, enquanto outras regiões do país apresentavam previsão de precipitações abaixo da média.

O excesso de chuva no Sul pode aumentar o risco de alagamentos, enchentes e cheias de rios. Em outras regiões, a combinação entre temperaturas elevadas e menor volume de chuva pode favorecer a redução da umidade do solo, a estiagem e o aumento do risco de incêndios florestais.

 

El Niño chega após a La Niña

A formação do fenômeno ocorre depois de uma transição nas condições do Pacífico Equatorial. No início de 2026, o planeta ainda estava sob influência da La Niña, caracterizada pelo resfriamento anormal das águas do Pacífico Equatorial. Em março, o INMET apontava 62% de probabilidade de estabelecimento do El Niño entre junho e agosto. As previsões também indicavam que a La Niña daria lugar a uma condição de neutralidade antes da formação do novo fenômeno.

A previsão se confirmou em junho, quando a NOAA oficializou o estabelecimento do El Niño. O INMET também confirmou que as condições observadas naquele mês apresentavam um padrão típico do fenômeno.

 

O que esperar dos próximos meses?

O segundo semestre de 2026 será decisivo para determinar a intensidade do evento. O boletim mais recente do INMET indica que as projeções apontam para manutenção e intensificação do El Niño, com elevada probabilidade de que o fenômeno alcance intensidade muito forte entre a primavera e o início do verão.

Além das chuvas, as temperaturas também são motivo de atenção. O primeiro boletim nacional sobre o fenômeno apontou maior probabilidade de temperaturas acima da média durante o segundo semestre, condição que pode favorecer ondas de calor e aumentar o risco de incêndios florestais.

Para o Brasil, os próximos meses exigem acompanhamento constante. O comportamento do fenômeno pode influenciar a agricultura, os níveis de rios e reservatórios e o risco de inundações, deslizamentos e estiagens. Por isso, órgãos como o INMET e a Defesa Civil mantêm o monitoramento das condições climáticas e recomendam que a população acompanhe as atualizações e os alertas oficiais.

Como se proteger dos efeitos do fenômeno?

Como o El Niño pode favorecer períodos de chuvas intensas, enchentes, ondas de calor e estiagens, a população deve acompanhar os alertas meteorológicos e as orientações da Defesa Civil. Durante períodos de calor intenso, é importante manter-se hidratado, evitar exposição prolongada ao sol e reduzir as atividades físicas nos horários mais quentes. Em situações de chuva forte, a recomendação é evitar áreas de alagamento, não atravessar ruas ou pontes com correnteza e procurar locais seguros. Já em períodos de seca, é importante economizar água e evitar atividades que possam provocar incêndios, como queimadas e o descarte de cigarros em áreas de vegetação.

Por Gabriela Menezes | Bolsista PET Educom Clima

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