O que acontece com um estudante quando uma dificuldade acadêmica se mistura a questões de saúde, convivência, acesso a serviços ou condições de permanência? Para aproximar essas respostas do cotidiano de quem vive a Universidade, a Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (PRAE) esteve, nesta sexta-feira (25), no Centro de Ciências Sociais e Humanas (CCSH), em uma agenda do Gabinete Itinerante da UFSM.
A reunião com o Setor de Apoio Pedagógico (SAP) teve um objetivo central: escutar quem está próximo dos estudantes e compreender, a partir das situações concretas do dia a dia, como as políticas de assistência estudantil chegam até eles. A equipe da PRAE apresentou os principais serviços e programas da Pró-Reitoria e, na sequência, a equipe do SAP compartilhou experiências, dificuldades e questões que chegam ao setor.
“Estar nas unidades é uma forma de conhecer melhor a Universidade que acontece todos os dias, para além dos fluxos administrativos. É na conversa com quem acompanha os estudantes de perto que conseguimos identificar onde os caminhos estão funcionando e onde ainda precisamos aprimorar a articulação”, destaca a pró-reitora, Jaciele Sell.
Os números ajudam a contar essa história
Durante o encontro, foram apresentados dados sobre o alcance da assistência estudantil no CCSH. Entre os 1.256 estudantes que atualmente ocupam vagas na Moradia Estudantil da UFSM, 295 são vinculados ao Centro de Ciências Sociais e Humanas, o que representa 23,4% do total.
Também foram apresentados dados dos serviços de saúde, incluindo atenção odontológica, Saúde da Casa e SATIE, além das ações de esporte, cultura e lazer. Também foi apresentado o Programa de Interlocução entre Permanência Acadêmica e Assistência Estudantil (PIPA) executado pelo SATIE no campus sede da UFSM, que permite acompanhar diferentes níveis de atenção relacionados à permanência dos estudantes no Programa de Benefício Sócio Econômico (PBSE) da PRAE.
No primeiro semestre de 2026, o PIPA registrou 577 estudantes do CCSH, dos quais 483 (83,7%) estavam na bandeira verde, 55 (9,5%) na amarela, 28 (4,9%) na laranja e 11 (1,9%) na vermelha. Os dados ajudam a visualizar a situação dos estudantes atendidos pelas políticas de assistência estudantil da UFSM e apontam quais grupos necessitam de acompanhamento e atuação articulada entre os setores para o melhoria do desempenho acadêmico.
Da política institucional à situação que chega à sala de atendimento
Depois da apresentação, o encontro ganhou um caráter ainda mais prático. A equipe do SAP, formada por uma psicóloga e dois servidores técnicos em Assuntos Educacionais, trouxe situações que fazem parte da rotina de atendimento e que, muitas vezes, atravessam mais de uma área da Universidade.
Um dos principais temas foi a articulação dos fluxos de atendimento em saúde mental. A conversa tratou dos encaminhamentos realizados após o acolhimento, da relação entre os diferentes serviços e das situações em que o estudante necessita de acompanhamento especializado. Também foi discutida a organização do acesso ao Saúde da Casa e a importância de tornar mais claros os caminhos percorridos pelo estudante dentro da rede de atendimento.
Iniciativas voltadas à escuta, convivência e apoio também entraram na conversa, como o FALAQUI, rodas de conversa e outras possibilidades de acompanhamento. A equipe discutiu ainda situações em que estudantes enfrentam dificuldades para acessar determinados formatos de atendimento, além de questões relacionadas à convivência e à mediação de conflitos.
Outro ponto levantado foi a relação entre o Programa de Apoio Pedagógico (PAP) e o Programa de Benefício Socioeconômico (PBSE). Como os períodos de acompanhamento dos dois programas possuem relação, a aproximação entre essas iniciativas foi identificada como um aspecto importante para uma atuação cada vez mais integrada em torno da permanência acadêmica.
O atendimento aos estudantes do período noturno também apareceu como um dos desafios do cotidiano do SAP, considerando as especificidades desse público e dos horários de funcionamento dos serviços universitários.
Uma Universidade que vai ao encontro dos estudantes
A agenda no CCSH faz parte de uma série de encontros que integram o Gabinete Itinerante, estratégia da gestão da UFSM para fortalecer a presença junto às unidades e ampliar os espaços de diálogo sobre as demandas da comunidade universitária.
Mais do que apresentar serviços, a proposta é ouvir, conhecer e aproximar. A partir das experiências compartilhadas pelas unidades, a PRAE pode compreender melhor os percursos realizados pelos estudantes e identificar pontos de articulação entre assistência estudantil, apoio pedagógico, saúde e demais áreas da Universidade.
A reunião no CCSH representa, assim, mais um passo na construção de uma assistência estudantil conectada à realidade acadêmica e às diferentes formas pelas quais os estudantes vivenciam a UFSM. O Gabinete Itinerante segue como um espaço de aproximação entre a gestão e as unidades, fortalecendo uma Universidade que também se constrói a partir da escuta de quem está diariamente em seus espaços.