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“A aproximação dos grupos de pesquisa da pós-graduação com as comunidade é estratégica”

Comitê Gestor do PROEXT-PG avalia políticas de incentivo à extensão na pós-graduação



O mês de agosto marca o final do ciclo de dois anos do Programa de Extensão da Educação Superior na Pós-Graduação (PROEXT-PG) na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). A iniciativa é um edital financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal (Capes) para a extensão universitária a partir da prática de pesquisa, e contemplou dez projetos liderados por programas de pós-graduação em diferentes áreas do conhecimento. Para Cristina Nogueira, Pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa, e Tatiana Emanuelli, Coordenadora de Pós-Graduação, representantes do Comitê Gestor do Programa na UFSM, apesar de bem-vindo, o investimento em projetos do tipo ainda é escasso. 

 

As universidades públicas são as líderes na produção de conhecimento e na criação de soluções inovadoras, principalmente por meio da pesquisa realizada na pós-graduação. “A aproximação dos grupos de pesquisa da pós-graduação com as comunidades, a realidade do mundo do trabalho e os setores produtivos é estratégica. Essa sinergia poderá transformar realidades ao aplicar ou transferir os conhecimentos desenvolvidos na pesquisa, gerando um impacto significativamente superior àquele de uma extensão meramente assistencialista, que apenas tenta suprir deficiências ou substituir o papel do Estado”, afirmam Cristina e Tatiana.

Para a Pró-Reitora de Extensão da UFSM e membra do Comitê Gestor, Milena Freire, há uma concepção histórica do fazer pesquisa: “Ela pode, muitas vezes, ser construída dentro dos muros da universidade, uma pesquisa que não se relaciona e não dialoga com o que a sociedade quer, com quais são as grandes questões que nós temos hoje, em termos de demandas da sociedade em todas as áreas”, afirma. Esta não é uma visão equivocada de como se faz pesquisa, mas ignora as possibilidades de construir conhecimento junto às comunidades. “Então, quando temos um investimento de política pública que tenha essa orientação, com fomento, as coisas ficam mais articuladas, temos a possibilidade de valorizar projetos que já tenham essa dimensão”, enfatiza Milena.

 

No caso dos dez projetos contemplados pela atual edição do Programa, Cristina e Tatiana avaliam que houve uma boa adesão dos PPGs, embora a maioria dos projetos aprovados sejam liderados por grupos com histórico de extensão. “Isso evidencia que, embora haja interesse crescente, muitos PPGs ainda enfrentam desafios estruturais ou culturais para incorporar esse tipo de atuação em suas dinâmicas habituais de pesquisa e do entendimento do papel do envolvimento nas ações de extensão como parte de um processo formativo dos pós-graduandos”, explicam.

Impacto social de programas de financiamento

Apesar da extensão estar no nome do edital de financiamento, Cristina e Tatiana gostam de enfatizar o impacto social. Por ser um conceito mais amplo, não se restringe apenas a ações nas comunidades, mas pode contemplar o setor produtivo e trabalhista, organizações governamentais e não governamentais e até interferir na criação de políticas públicas. “A pós-graduação pode gerar impactos acadêmico-científicos, econômicos, de saúde e bem estar, políticos, ambientais, sociais e culturais que podem ter abrangência local, regional, nacional ou internacional. Estes impactos podem ser potenciais ou reais e diretos ou indiretos”, detalham. De acordo com Milena, o impacto social não se restringe aos resultados das pesquisas, mas colabora para a formação do estudante e do pesquisador, uma vez que abrange desenvolvimento tecnológico, inovação e formulação de políticas públicas baseadas em evidências.

“Eu acho que são dois momentos para pensar essa adesão de projetos e grupos de pesquisa, porque se dá via disponibilidade de recursos, o que é fundamental, e também pela vocação dos coordenadores e das proposições dos projetos. Mas depois podemos pensar como essa adesão se dá, de maneira muito especial, a partir da experiência, da relação e prática com a comunidade, junto aos territórios, numa escuta atenta e sensível de quais são as demandas, e de aprendizagem a partir de outros saberes que não apenas os científicos, clássicos e duros”. Milena Freire, Pró-Reitora de Extensão da UFSM.

Cristina e Tatiana avaliam que a aproximação da extensão com a pós-graduação oportuniza a redefinição e refinamento das lacunas científicas. “Torna-os mais alinhados às demandas reais e capazes de gerar respostas de aplicabilidade mais direta. Permite também validar aquilo que foi gerado dentro dos espaços de pesquisa, verificando se os produtos ou processos desenvolvidos se aplicam como originalmente previsto nos estudos”, explicam.

O futuro de investimentos em extensão

Para Milena, há um futuro promissor para este tipo de investimento, uma vez que o movimento de aproximação da extensão com a pesquisa é recente. “Eu tenho a expectativa daquilo que discutimos a partir dos fóruns de pró-reitores de extensão: a partir de editais como esse, fazemos a avaliação dos resultados junto à CAPES para poder compreender que novas demandas aparecem, quais são os avanços, o que precisamos aprimorar. Mas certamente a extensão está em um novo momento dentro do Ministério da Educação (MEC)”, explica. Cristina e Tatiana afirmam que, por parte da CAPES, não há nenhuma sinalização de novos editais, mas os projetos podem buscar investimentos fora de fontes tradicionais de fomento. “Projetos alinhados ao setor produtivo podem ser financiados diretamente por parceiros privados e indústrias interessadas, enquanto iniciativas de elevado impacto social ou voltadas ao aprimoramento de serviços públicos podem captar recursos por meio de parcerias governamentais e emendas parlamentares”, detalham.

 

Confira, neste link, os vídeos que contam as histórias dos dez projetos.

Expediente:

Reportagem: Samara Wobeto, jornalista voluntária;

Design: Evandro Bertol, designer.

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