Foi aprovada nesta sexta-feira (29/05), durante a 892ª Sessão do Conselho Universitário (Consu), a Política de Comunicação Compassiva e da Cultura da Paz da UFSM. A iniciativa representa um marco institucional ao propor uma nova forma de compreender, prevenir e gerir conflitos no ambiente universitário.
A política prevê a criação de comitês locais nas unidades de ensino, com o objetivo de ampliar as possibilidades de gestão de conflitos na Universidade por meio de práticas restaurativas, como mediação e círculos de construção de paz. Essas metodologias incentivam a escuta qualificada, o diálogo, a corresponsabilização e a construção coletiva de soluções, fortalecendo relações mais respeitosas, empáticas e colaborativas entre os membros da comunidade acadêmica.
Além disso, a política reafirma o compromisso institucional com a promoção do cuidado e da convivência pacífica e do respeito às diferenças, contribuindo para a construção de uma cultura da paz, baseada na inclusão, no diálogo e na dignidade humana.
Para a reitora da UFSM, professora Martha Adaime, a aprovação da política representa um avanço importante na forma como a Universidade compreende e enfrenta os conflitos institucionais. “Não basta termos apenas processos e PADs, muitas vezes punitivos, se não cultivarmos uma cultura de justiça restaurativa, prevenção da violência e promoção da paz. Essa política foi construída coletivamente, a partir de capacitações e treinamentos realizados em todas as unidades de ensino, formando multiplicadores capazes de atuar no acolhimento e na mediação de conflitos”, destacou.
Segundo a reitora, a iniciativa busca fortalecer práticas de diálogo e escuta antes da adoção de medidas disciplinares. “Muitas vezes, antes da punição, a mediação pode evitar situações que sequer precisariam chegar a um processo punitivo. Alinhada à Ouvidoria, essa política deve trazer benefícios institucionais importantes e contribuir para uma convivência mais respeitosa e acolhedora dentro da Universidade”, afirmou.
Durante a sessão do Conselho, a diretora do Centro de Ciências da Saúde (CCS), Maria Denise Schimith, ressaltou a construção coletiva da política e os resultados positivos já observados com práticas restaurativas na UFSM. “A política foi amplamente debatida em toda a Universidade, passando pelos centros, por audiência pública e por discussões sobre conceitos fundamentais. Esse processo participativo foi essencial para fortalecer a proposta”, explicou.
Maria Denise também destacou a experiência do CCS com círculos de paz e mediação de conflitos. “Os resultados têm sido excelentes. As pessoas se sentem reconstruídas a partir desses processos de diálogo. É um trabalho contínuo, que exige dedicação, mas com efeitos muito positivos. Aprovar uma política institucional como essa coloca a UFSM em posição de destaque em um mundo que precisa cada vez mais de conversa, escuta e diálogo”, concluiu.