Os acadêmicos Lais Barbosa Paiva, Rian Lopes Holzschuh e Brenda Dutra, do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Campus Cachoeira do Sul, receberam menção honrosa na etapa nacional do Buildathon 2026. Integrantes da equipe Eixo BIM, os estudantes desenvolveram o projeto Ânima, sob orientação e incentivo da professora Laline Cenci. O resultado foi divulgado no dia 12 de setembro pela ETC Brasil.
O Buildathon é uma competição internacional on-line voltada a estudantes de áreas relacionadas à arquitetura, engenharia e construção. Realizada nos dias 18 e 19 de agosto, a edição de 2026 propôs aos participantes o desenvolvimento, em equipe, de um centro de aprendizagem e inovação, utilizando tecnologias digitais, análise ambiental e tomada de decisões baseada em dados.
O desafio foi desenvolvido com o uso dos softwares Autodesk Forma Site Design e Autodesk Revit, ferramentas voltadas, respectivamente, à análise e ao desenvolvimento conceitual do projeto e à modelagem da informação da construção (BIM). A competição contou com equipes de estudantes de diferentes países.
Além da competição global, a ETC Brasil promoveu uma premiação específica para as equipes brasileiras. A Eixo BIM está entre os grupos classificados do 4º ao 20º lugar na etapa nacional e reconhecidos com menção honrosa.
Projeto Ânima
Na proposta desenvolvida pela Eixo BIM, o centro de aprendizagem e inovação foi implantado em uma área de estudo localizada no próprio Campus da UFSM em Cachoeira do Sul. O projeto Ânima explora a integração entre arquitetura e natureza, considerando aspectos como a topografia, a vegetação existente e as relações com a paisagem.
A concepção do projeto toma como referência a organização espacial dos shabonos, habitações coletivas do povo Yanomami, especialmente a disposição dos ambientes em torno de um espaço central de convivência.
O programa reúne ambientes de aprendizagem colaborativa, laboratórios de informática, espaços de inovação e fabricação, estúdios de ensino flexíveis e áreas de apoio acadêmico. Pátios e terraços complementam a proposta, favorecendo a integração entre os espaços internos e externos.
Durante o desenvolvimento, a equipe utilizou análises ambientais no Autodesk Forma para comparar alternativas de implantação e volumetria, considerando aspectos como luz natural, horas de sol, fluxo de vento, microclima, ruído e potencial de geração de energia por painéis fotovoltaicos. A proposta foi posteriormente desenvolvida no Revit, utilizando a metodologia de Modelagem da Informação da Construção (BIM).
A utilização dessas ferramentas esteve alinhada ao próprio desafio do Buildathon, que incentivou as equipes a utilizar dados de desempenho ambiental para fundamentar decisões de projeto. Entre os aspectos considerados na competição estavam análises de iluminação natural, potencial fotovoltaico, vento, conforto e desempenho energético.
Experiência de aprendizagem
Para os estudantes, a participação representou uma oportunidade de colocar em prática conhecimentos adquiridos ao longo da graduação e desenvolver novas habilidades em um curto período de tempo.
Para Lais Barbosa Paiva, a experiência também marcou seu primeiro contato com uma competição de projeto. Segundo ela, o incentivo da professora Laline Cenci foi fundamental para que aceitasse o desafio e tivesse a oportunidade de conhecer o Autodesk Forma poucas semanas antes da competição.
“Tivemos a oportunidade de aprender muito durante as 33 horas de desafio, trabalhando em equipe e colocando nossos conhecimentos em prática. […] Foi um desafio muito intenso, mas que me trouxe muito aprendizado e motivação para continuar me aperfeiçoando na área.”
Já para Rian Lopes Holzschuh, a experiência mostrou, na prática, como a integração entre tecnologia, colaboração e criatividade pode transformar o processo de projeto.
“A possibilidade de explorar volumetrias e realizar análises climáticas utilizando dados reais do terreno mostrou, na prática, como a tecnologia pode transformar a forma de pensar e fazer arquitetura.”
O estudante também destaca a integração entre o Autodesk Forma e o Revit como um dos diferenciais da experiência, permitindo utilizar as informações obtidas nas análises ambientais e no estudo do terreno ao longo do desenvolvimento da proposta.
Para a professora Laline Cenci, que acompanhou e incentivou os estudantes durante o processo, o reconhecimento representa motivo de orgulho e evidencia o potencial da formação oferecida pela universidade.
“Como professora, sinto um orgulho imenso ao ver nossos alunos conquistando reconhecimento e visibilidade em uma competição internacional. A conquista mostra a força da universidade pública no interior e o talento que se desenvolve aqui. Acompanhar essa trajetória e contribuir para a formação de vocês é uma das maiores alegrias da docência.”
A participação da equipe Eixo BIM no Buildathon 2026 evidencia a integração entre formação acadêmica, inovação, sustentabilidade e tecnologias digitais, proporcionando aos estudantes uma experiência prática de desenvolvimento de projetos em um contexto internacional.
O projeto Ânima e os materiais produzidos pela equipe podem ser consultados na pasta de apresentação do trabalho.



