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				<title>Regina Tchelly ministra curso de aproveitamento integral de alimentos em Santa Maria</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2026/05/27/regina-tchelly-ministra-curso-de-aproveitamento-integral-de-alimentos-em-santa-maria</link>
				<pubDate>Wed, 27 May 2026 19:20:45 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[aproveitamento integral alimentos]]></category>
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		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[Dom Ivo Lorscheiter]]></category>
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		<category><![CDATA[Vulnerabilidade Social]]></category>

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						<description><![CDATA[Capacitação reuniu mulheres em situação de vulnerabilidade social para ensinar geração de renda, empreendedorismo e combate ao desperdício de alimentos
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <figure>
										<img width="1024" height="683" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/IC3A5480-1024x683.jpg" alt="Foto horizontal colorida mostra uma mulher falando para um grupo com cerca de 40 mulheres em um salão comunitário. As participantes estão em pé entre cadeiras brancas, observando a palestrante durante a atividade do curso." />											<figcaption>Capacitação aconteceu na associação comunitária do bairro Dom Ivo Lorscheiter
</figcaption>
										</figure>
		<p>Cerca de 40 mulheres em situação de vulnerabilidade social participaram do curso “<i>Faça e Venda com aproveitamento integral dos alimentos</i>”, ministrado em Santa Maria desde segunda-feita (24) e que segue até quinta-feira (27). Promovida pelo projeto de extensão PROMOVER, do Departamento de Economia e Relações Internacionais da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), a capacitação ocorreu na associação comunitária do bairro Dom Ivo Lorscheiter, com foco no empreendedorismo feminino, geração de renda e combate ao desperdício.</p><p>A formação foi conduzida por Regina Tchelly, chef paraibana que ganhou projeção internacional ao fundar o projeto<a href="https://www.instagram.com/favela_organica/"> Favela Orgânica</a>, no morro da Babilônia, no Rio de Janeiro. Reconhecida por sua atuação na gastronomia sustentável, Regina começou a iniciativa com apenas R$ 140 e hoje viaja o país ensinando comunidades periféricas a enxergar valor no que o comércio tradicional descarta.</p><p>De acordo com o Relatório<a href="https://docs.google.com/presentation/d/1oAI95Jwmh3M4hkW2stemMEOncwd4ug2i/edit#slide=id.p1"> Diagnóstico sobre a Fome e o Desperdício de Alimentos no Brasil</a> (2022), elaborado pela <i>Integration Consulting</i> em parceria com o Pacto Contra a Fome, o país desperdiça anualmente 55,4 milhões de toneladas de comida, do total de 161,3 milhões de toneladas produzidas desde o campo até a mesa. O levantamento aponta que o desperdício atinge principalmente frutas, hortaliças, tubérculos e laticínios, que juntos somam cerca de 45 milhões de toneladas descartadas por ano,  justamente os ingredientes aproveitados nas oficinas. </p><p>Segundo uma das organizadoras, Isabel Lopes Moreira, a escolha da chef Regina Tchelly para conduzir a formação ocorreu por ela ser uma referência nacional no aproveitamento integral dos alimentos. Conforme Isabel, a proposta do curso vai além da culinária e busca fortalecer a autonomia financeira das participantes. “A ideia é que a gente dê condições para que as mulheres possam fazer coisas para gerar renda e terem autonomia”, explica. </p><p>As participantes do curso foram selecionadas por meio de chamada pública. De acordo com a coordenadora do projeto, Rita Pauli, um dos critérios considerados foi a situação de vulnerabilidade social das mulheres. Além da formação gratuita, elas também recebem uma bolsa de participação, destinada a garantir que possam frequentar as atividades sem comprometer a renda familiar. </p><p>Para a participante Suelen Medeiros, 40 anos, que atua em uma cozinha solidária na Vila Lorenzi, os conhecimentos adquiridos durante a capacitação vão ser aplicados onde trabalha atualmente. O espaço produz refeições três vezes por semana para pessoas em situação de vulnerabilidade social, especialmente trabalhadores recicladores da região e distribui mais de 150 marmitas. </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">Outra participante é Pamela Martins Soares, 30 anos, para ela o curso representa uma oportunidade de recomeço profissional. Natural de Canudos e moradora de Santa Maria desde os quatro anos de idade, ela conta que decidiu participar da formação para ampliar os conhecimentos na cozinha e buscar uma nova fonte de renda. “Minha expectativa é aprender coisas novas para empreender, porque no momento estou desempregada. Quero aprender bastante coisa nova, porque eu gosto de cozinhar”, relata.</p>		
										<figure>
										<img width="1024" height="683" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/IC3A5565-1024x683.jpg" alt="Foto horizontal colorida de uma mulher branca com cabelos vermelhos posando para retrato. Ela sorri para a câmera e veste casaco preto com detalhes estampados nas mangas. Ao fundo, há um painel artístico com manchas coloridas" />											<figcaption>Suelen é uma das três voluntárias de uma cozinha solidária na Vila Lorenzi</figcaption>
										</figure>
										<figure>
										<img width="1024" height="683" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/IC3A5546-1024x683.jpg" alt="Foto horizontal colorida de uma mulher parda, de estatura média sorrindo ao fundo dá para ver uma horta. Ela usa roupas verdes, cachecol azul-turquesa e turbante escuro, enquanto segura um cabo de ferramenta agrícola." />											<figcaption> A paraibana Regina Tchelly já acumula mais de 100 mil seguidores em apenas uma rede social</figcaption>
										</figure>
		<h2>“Eu queria ser muito famosa, uma cozinheira que pudesse modificar a nossa relação com os alimentos” </h2><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">O bom humor de Regina esquentou as participantes da oficina na manhã desta segunda-feira (24). A paraibana lembra que a relação com a cozinha começou ainda na infância, influenciada pela avó e pela mãe. De acordo com a chef, o aproveitamento integral dos alimentos fazia parte da cultura familiar. “Lá na Paraíba é comum aproveitar tudo da comida.” afirma. </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">Antes de ganhar projeção nacional, Regina trabalhou como empregada doméstica no Rio de Janeiro. Ela conta que sempre sonhou em se tornar conhecida por meio da culinária e usar a comida como ferramenta de transformação social. “Eu queria ser muito famosa, uma cozinheira que pudesse modificar a nossa relação com os alimentos”, relata.</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">A iniciativa de criar o perfil Favela Orgânica surgiu há cerca de 15 anos, na comunidade da Babilônia, zona sul do Rio de Janeiro, após Regina perceber a grande quantidade de alimentos descartados nas feiras livres da região. “Eu vi que o desperdício de comida das feiras livres era muito grande, então resolvi causar, aproveitar até o talo dos alimentos”, relembra.</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">Regina considera que as redes sociais foram fundamentais para ampliar o alcance do trabalho desenvolvido dentro da comunidade. “Usei a rede social da melhor maneira, de forma genuína, e foi um processo muito orgânico, muito maravilhoso”, afirma. Orgulhosa de sua trajetória, a influenciadora relembra que já foi convidada para palestrar na Europa e acumula participações em programas de TV aberta, como o Mais Você, apresentado por Ana Maria Braga. </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">Hoje, Regina percorre diferentes cidades do país promovendo oficinas. Em Santa Maria, ela afirma que o principal objetivo é incentivar mulheres periféricas a acreditarem no próprio potencial e transformarem a culinária em uma possibilidade de autonomia financeira. “Tenho certeza que vão sair professoras, cozinheiras mais potentes e líderes para potencializar o aproveitamento integral dos alimentos”, projeta.</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Texto: João Victor Souza, estudante de jornalismo e estagiário na Agência de Notícias</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Fotos: Jessica Mocellin, estudante de jornalismo e bolsista na Agência de Notícias</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 12pt">Edição: Maurício Dias, jornalista </p> ]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Dois anos após as enchentes históricas no RS, como o campo gaúcho está se adaptando às mudanças climáticas</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2026/05/22/el-nino-campo</link>
				<pubDate>Fri, 22 May 2026 20:08:55 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[divulga ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Agricultura]]></category>
		<category><![CDATA[campo bom]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[el niño]]></category>

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						<description><![CDATA[Agricultores ainda enfrentam os impactos no solo, na produção e na economia diante da possibilidade de um novo El Niño em 2026]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p><img width="1024" height="649" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-21-at-20.05.43-1024x649.jpeg" alt="Ilustração colorida com fundo vermelho escuro e traços brancos formando o mapa do RS, com gotas de chuva e plantas dentro do mapa" /></p>

<!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
<p>Após a divulgação de uma <a href="https://sict.rs.gov.br/upload/arquivos/202605/08132327-nota-tecnica-n-3-el-nino-2026-27-evolucao-e-possiveis-impactos-no-estado-do.pdf">nota técnica</a> do Comitê Científico de Adaptação e Resiliência Climática do Rio Grande do Sul alertando para a possibilidade de um novo episódio do fenômeno El Niño em 2026, o Estado voltou a acompanhar com preocupação as previsões de chuvas acima da média para a primavera. O alerta reacende o debate sobre os impactos provocados pelos eventos extremos de 2024, que deixaram cerca de 206 mil propriedades afetadas, segundo dados da EMATER/RS-Ascar e do governo estadual. Apenas no agronegócio, os prejuízos imediatos ultrapassaram R$ 3 bilhões, com perdas severas em lavouras, infraestrutura, maquinários e capacidade produtiva.&nbsp;&nbsp;</p>
<p>Dois anos após as imagens de cidades inundadas dominarem o noticiário, as marcas da maior tragédia climática do Estado ainda estão presentes no campo gaúcho. Irene Thais Weber, agricultora da área de fruticultura, e Moisés Augusto Prochnow, produtor de arroz, não se conhecem, mas compartilham a mesma experiência. A longa jornada para recuperar as propriedades e os impactos econômicos provocados pelas enchentes que atingiram o estado em maio de 2024.</p>
<p>Nesta segunda reportagem da <a href="https://www.ufsm.br/2026/05/14/el-nino">série especial sobre o El Niño</a> da Agência de Notícias da UFSM, cruzamos as histórias de quem perdeu a produção para entender quais são as demandas atuais, os desafios na recuperação do solo e como o campo gaúcho está se adaptando às mudanças climáticas. Nas próximas semanas, abordaremos os impactos nas cidades, na infraestrutura logística e na ciência produzida pela UFSM a partir das enchentes.</p>
<h2>O custo do recomeço nos pomares do Vale do Caí</h2>
<h2><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-20-at-14.43.32-225x300.jpeg" alt="" width="378" height="504"></h2>
<p>Irene e seu marido, Ricardo Weber, são agricultores de Montenegro, no Vale do Caí. Há quase quatro décadas, eles trabalham com a produção de bergamotas em uma pequena propriedade de sete hectares, onde cultivam frutas de forma orgânica. Na propriedade, cinco hectares seguem em plena produção, mas outros dois precisaram ser replantados após a cheia de 2024.</p>
<p>O trabalho é conduzido pelo casal, que tem sua fonte de renda vinda exclusivamente da citricultura. Ricardo, aos 56 anos, conta que cresceu acompanhando o pai no cultivo de citros e afirma que a família sempre conviveu com enchentes provocadas pelo Arroio Maratá, que corta a região. Acostumados com cheias sazonais, os produtores relembram que os eventos de 2024 ultrapassaram qualquer situação já vivenciada.&nbsp;</p>
<p>Na ocasião, a água permaneceu por cerca de 48 horas sobre os pomares, causando a perda de aproximadamente 80% da safra de bergamotas. O prejuízo direto passou dos R$ 80 mil. “A água não chegou na nossa casa, mas perdemos a maior parte da safra”, resume o produtor.</p>
<p>Segundo o professor Gustavo Brunetto, do curso de Fruticultura da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), alagamento prolongado deixou sequelas na plantação. “Quando o solo permanece alagado por muito tempo, a planta sofre estresse porque falta oxigênio para as raízes. Isso prejudica a absorção de nutrientes e compromete o desenvolvimento da produção”, explica.&nbsp;</p>
<p>Duas safras depois, o desafio dos produtores tem sido justamente devolver o vigor às plantas que sobreviveram ao sufocamento radicular. Apesar das perdas econômicas com as frutas, a família conseguiu preservar a estrutura física da propriedade. Ricardo destaca que o manejo orgânico, com cobertura vegetal e pouca intervenção no solo, foi o que salvou o patrimônio da família a longo prazo. “Perdemos a safra, mas mantivemos o solo”, afirma.</p>
<p>A avaliação do produtor é reforçada pelo professor Brunetto. De acordo com o pesquisador, propriedades que mantêm cobertura vegetal e práticas de conservação do solo tendem a sofrer menos impactos durante eventos extremos de chuva. A vegetação ajuda a reduzir a força da água sobre o solo, diminuindo processos erosivos e a perda de nutrientes. “A planta de cobertura dissipa a energia da gota da chuva e ajuda a preservar a estrutura do solo”, explica.&nbsp;</p>
<p>Mesmo com a recuperação gradual do pomar em 2026, o receio de novas enchentes acompanha o casal. “A gente pensava que uma enchente maior que essa [de setembro de 2023] vai levar 50 anos. E não levou um ano e pouco, já deu uma maior ainda”, relata Ricardo.&nbsp;</p>
<h2>O impacto no solo&nbsp;</h2>
[caption id="attachment_72933" align="aligncenter" width="701"]<a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-18-at-17.23.02.jpeg"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-18-at-17.23.02-300x169.jpeg" alt="Imagem colorida em formato horizontal mostra uma lavoura de arroz devastada após as enchentes. O solo aparece tomado por erosões profundas e marcas deixadas pela força da água. Ao fundo, é possível ver o rio, áreas de mata e montanhas sob um céu nublado." width="701" height="395"></a> Propriedade em Dona Francisca teve seu solo impactado pelas chuvas de maio de 2024[/caption]
<p>Diferente da propriedade do casal Weber, diversas áreas rurais do Rio Grande do Sul não contavam com cobertura vegetal suficiente no solo e acabaram sendo fortemente impactadas pela catástrofe climática de 2024. Com o grande volume de chuva em um curto período de tempo, a água passou a escoar rapidamente pela superfície, provocando erosão e carregando junto a camada mais fértil do solo. Nesse processo, nutrientes, matéria orgânica, fertilizantes e sedimentos foram arrastados pela enxurrada, reduzindo a capacidade produtiva das áreas agrícolas e aumentando os prejuízos para os produtores.</p>
<p>Na avaliação do professor Jean Minella, docente do programa de Pós-Graduação em Ciência do Solo&nbsp; da UFSM, a ausência de práticas de conservação intensifica os danos causados por eventos extremos. “A água passa a percorrer a superfície com muita velocidade e energia, causando erosão e degradação”, explica. O pesquisador destaca que a cobertura vegetal intensifica a infiltração da água e ajuda a preservar nutrientes e matéria orgânica essenciais para a produção agrícola.</p>
<h2>A reconstrução às margens do Jacuí&nbsp;</h2>
[caption id="attachment_72934" align="aligncenter" width="700"]<a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/IC3A4500.jpeg"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/IC3A4500-300x200.jpeg" alt="Foto horizontal e colorida de um homem branco de meia-idade usando boné preto, que cobre os cabelos grisalhos, e casaco verde com detalhes em azul. Ao fundo, uma floresta verde aparece desfocada, atravessada por raios de sol." width="700" height="467"></a> O agricultor Moisés Prochnow ainda está reconstruindo sua propriedade após a enchente de 2024[/caption]
<p>O agricultor Moisés caminha pela plantação de arroz sem defensivos químicos na cidade de Dona Francisca, relembrando as perdas da enchente de 2024. Sua propriedade fica ao lado do rio Jacuí. Na época da enchente o produtor estava na cidade de Agudo e teve que atravessar o rio de barco para chegar à propriedade. Ao chegar, encontrou um rio totalmente diferente do que existia quando ele partiu. “Ele sai pelas várzeas e vai empurrando tudo o que encontra pela frente. E a água não tem volta”, relata. Para o agricultor, a força da correnteza redesenhou o território, abrindo novos caminhos e levando embora partes inteiras da lavoura.&nbsp; Na propriedade, a força do rio foi tanta que chegou a criar crateras no meio do terreno.&nbsp;</p>
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<p><a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-18-at-17.23.14.jpeg" data-elementor-open-lightbox="yes" data-elementor-lightbox-title="Propriedade do agricultor Moisés Prochnow na cidade de Dona Francisca foi severamente atingida pelo evento climático extremo de maio de 2024" data-e-action-hash="#elementor-action%3Aaction%3Dlightbox%26settings%3DeyJpZCI6IjcyOTMwIiwidXJsIjoiaHR0cHM6XC9cL3d3dy51ZnNtLmJyXC9hcHBcL3VwbG9hZHNcLzIwMjZcLzA1XC9XaGF0c0FwcC1JbWFnZS0yMDI2LTA1LTE4LWF0LTE3LjIzLjE0LmpwZWcifQ%3D%3D"><br />
							<img width="1024" height="576" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-18-at-17.23.14-1024x576.jpeg" alt="Foto horizontal colorida mostra uma área de plantação de arroz destruída pela força da água após enchentes. O solo aparece profundamente erodido, com grandes crateras preenchidas por água barrenta no centro da imagem. Ao fundo, é possível ver vegetação, árvores e montanhas sob um céu azul." />								</a><br />
														<a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-18-at-17.23.04.jpeg" data-elementor-open-lightbox="yes" data-elementor-lightbox-title="Propriedade do agricultor Moisés Prochnow na cidade de Dona Francisca foi severamente atingida pelo evento climático extremo de maio de 2024" data-e-action-hash="#elementor-action%3Aaction%3Dlightbox%26settings%3DeyJpZCI6IjcyOTMyIiwidXJsIjoiaHR0cHM6XC9cL3d3dy51ZnNtLmJyXC9hcHBcL3VwbG9hZHNcLzIwMjZcLzA1XC9XaGF0c0FwcC1JbWFnZS0yMDI2LTA1LTE4LWF0LTE3LjIzLjA0LmpwZWcifQ%3D%3D"><br />
							<img width="1024" height="768" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-18-at-17.23.04-1024x768.jpeg" alt="Foto horizontal colorida mostra uma forte correnteza de água barrenta avançando sobre uma plantação de arroz destruída pela enchente. A força da água abriu uma grande erosão na margem da lavoura, deixando o solo desmoronado e exposto. Ao fundo, aparecem morros cobertos por vegetação e um céu carregado de nuvens escuras." />								</a><br />
														<a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-18-at-17.23.07-1.jpeg" data-elementor-open-lightbox="yes" data-elementor-lightbox-title="Propriedade do agricultor Moisés Prochnow na cidade de Dona Francisca foi severamente atingida pelo evento climático extremo de maio de 2024" data-e-action-hash="#elementor-action%3Aaction%3Dlightbox%26settings%3DeyJpZCI6IjcyOTMxIiwidXJsIjoiaHR0cHM6XC9cL3d3dy51ZnNtLmJyXC9hcHBcL3VwbG9hZHNcLzIwMjZcLzA1XC9XaGF0c0FwcC1JbWFnZS0yMDI2LTA1LTE4LWF0LTE3LjIzLjA3LTEuanBlZyJ9"><br />
							<img width="1024" height="768" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-18-at-17.23.07-1-1024x768.jpeg" alt="Foto horizontal colorida mostra os estragos causados por uma enchente em uma área rural. Troncos de árvores arrancados pela força da água estão espalhados sobre estruturas destruídas de alvenaria e tubulações parcialmente soterradas pela lama." />								</a></p>
<p style="text-align: center"><em>Propriedade do agricultor Moisés Prochnow na cidade de Dona Francisca foi severamente atingida pelo evento climático extremo de maio de 2024</em></p>
<p>A sequência de eventos extremos mudou a rotina do agricultor. Primeiro vieram as estiagens, depois, as chuvas intensas e as enchentes. O excesso de água atrasou o plantio, comprometeu o manejo da lavoura e obrigou o agricultor a utilizar defensivos agrícolas na lavoura, prática que não fazia parte da sua rotina de cultivo, além disso, parte da área precisou ser abandonada. “Cada ano tu tem alguma coisa”, diz. Mesmo trabalhando em uma cultura adaptada à água, como o arroz irrigado, Moisés explica que o problema está no volume e na velocidade da enchente. Quando o Rio Jacuí transborda, a água invade as áreas de produção com força suficiente para arrancar barrancos, abrir valas e carregar embora sementes, insumos e solo fértil. </p>
<p>Moisés calcula ter perdido cerca de R$100 mil apenas com a destruição da produção durante as enchentes, mas diz ter “perdido as contas” do valor gasto com a reconstrução da propriedade. O agricultor conta que recebeu ajuda pontual de vizinhos e amigos de outras regiões, que doaram sementes e óleo diesel para que ele conseguisse retomar a produção. </p>
<p>Para Moisés as políticas públicas não chegaram na velocidade necessária. “Faz dois anos e ainda tem coisa que nem saiu do papel”, critica. Mesmo diante da previsão de um possível novo episódio de El Niño em 2026, ele afirma que não há orientação efetiva ou planejamento junto aos produtores rurais. “A única coisa que a gente faz é torcer”, resume. </p>
<p>[caption id="attachment_72935" align="aligncenter" width="700"]<a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/IC3A4614.jpeg"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/IC3A4614-300x200.jpeg" alt="Foto horizontal colorida mostra uma lavoura de arroz após a colheita, com marcas de pneus e pequenos canais de água atravessando o solo. Ao fundo, aparecem montanhas cobertas por vegetação sob um céu azul claro com poucas nuvens." width="700" height="466" /></a> Dois anos depois das enchentes a lavoura de arroz ainda se recupera dos impactos[/caption]</p>
<p>Mesmo com as perdas sucessivas e as dificuldades financeiras, desistir da agricultura ainda não parece uma possibilidade simples. Filho e neto de agricultores, Moisés cresceu dentro da lavoura e hoje administra sozinho a propriedade da família, conciliando o trabalho no campo com os desafios pessoais e familiares acumulados nos últimos anos. “Isso aqui é que nem cachaça”, brinca, ao tentar explicar a relação com a terra. </p>
<p>Apesar dos riscos, o doutor em Agronomia e professor da UFSM, Alencar Zanon, destaca que os anos de El Niño costumam favorecer a produção agrícola gaúcha devido ao aumento das chuvas, especialmente para culturas como soja e milho. O problema ocorre quando essas precipitações se concentram em períodos curtos e intensos, como aconteceu em 2024. “Os últimos seis anos foram marcados por grandes secas e por uma grande enchente. Isso reduz significativamente a produtividade das lavouras e faz com que muitos produtores acumulem dívidas gigantescas”, afirma. </p>
<h2>Como o campo pode se adaptar às mudanças climáticas?</h2>
<p>Diante da possibilidade de um novo episódio de El Niño em 2026, pesquisadores alertam que os agricultores precisam se preparar desde já para reduzir os impactos das chuvas extremas. Para o professor Jean Minella, o principal desafio é impedir que o excesso de água continue degradando o solo. Entre as principais recomendações, estão a necessidade de conservar o solo com práticas que reduzam a velocidade da água e aumentem a infiltração. </p>
<p>O pesquisador defende o uso de plantas de cobertura, manutenção da vegetação entre as lavouras e adoção de terraços agrícolas, estruturas de terra construídas em terrenos inclinados que funcionam como degraus diminuindo a velocidade da água da chuva. “O agricultor precisa entender que o solo perdido não volta mais. É um dano permanente. Por isso, a prioridade deve ser evitar essa perda antes que ela aconteça”, afirma.</p>
<p>Na área da Fruticultura, o professor Gustavo Brunetto, reforça que produtores de regiões mais suscetíveis às enchentes precisam investir em estratégias preventivas. Como o uso de resíduos orgânicos e manejo adequado da adubação para fortalecer a estrutura do solo e aumentar sua resistência aos eventos climáticos extremos. Já na produção de grãos, o pesquisador Alencar Zanon chama atenção para o impacto do excesso de chuva no calendário agrícola. Segundo ele, o principal problema do El Niño para culturas como arroz, soja e milho é o atraso da semeadura. “Quanto mais tarde o produtor consegue plantar, menor é o potencial produtivo da lavoura”, destaca. </p>
<p>Para minimizar os danos, Alencar recomenda que os produtores acompanhem constantemente as previsões climáticas e priorizem sistemas de plantio direto, sem revolvimento do solo. “Quando o produtor revolve o solo e vem muita água, ela leva tudo embora. O que foi construído durante décadas acaba se perdendo”, afirma. Em comum, os pesquisadores defendem que adaptação climática, conservação do solo e planejamento rural serão fundamentais para enfrentar os próximos anos no campo gaúcho. </p>
<p><em>Texto: João Victor Souza, estudante de jornalismo e estagiário na Agência de Notícias</em><br /><em>Fotos: Arquivo pessoal dos entrevistados e Jessica Mocellin, estudante de jornalismo e bolsista na Agência de Notícias</em><br /><em>Arte gráfica: Daniel Michelon de Carli, designer </em><br /><em>Edição: João Ricardo Gazzaneo, jornalista</em></p>

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				<title>Reforma Psiquiátrica completa 25 anos</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2026/05/21/reforma-psiquiatrica-completa-25-anos</link>
				<pubDate>Thu, 21 May 2026 15:09:09 +0000</pubDate>
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						<description><![CDATA[Mês da Luta Antimanicomial reforça a importância do cuidado em liberdade 
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							<content:encoded><![CDATA[  <figure>
										<img width="583" height="554" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-20-at-14.38.38.jpeg" alt="Foto colorida horizontal do CAPS da General Netal, que tem uma parede colorida com um desenho de um vovó pintando com uma aquarela colorida" />											<figcaption>Após Reforma Psiquiátrica, os CAPS passaram a ser uma das principais referências na assistência em saúde mental pelo SUS</figcaption>
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		<p>Maio marca o mês da Luta Antimanicomial no Brasil. Estabelecido durante o Encontro dos Trabalhadores da Saúde Mental, em 1987, o dia 18 de maio reforça a luta pelos direitos das pessoas com transtornos mentais e em sofrimento psíquico.</p><p>A data, hoje, celebra a Reforma Psiquiátrica Brasileira, <a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/leis_2001/l10216.htm">Lei 10.216/2001</a>, que, neste ano, completou 25 anos. A legislação dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental para a atenção psicossocial, baseada na desinstitucionalização, e se distancia do modelo manicomial. Com os processos de desinstitucionalização, o cuidado passou a ser focado na liberdade do usuário e, a partir disso, foram fechados, progressivamente, os leitos em hospitais psiquiátricos. </p><p>A docente aposentada do curso de Psicologia da UFSM, Dorian Mônica Arpini, explica que o cuidado com a saúde mental era frágil e permeado pela violência. Em uma perspectiva histórica, levou muito tempo até que fosse firmado um investimento e compromisso com a ética do cuidado.</p><p>A Reforma Psiquiátrica Italiana inspirou a brasileira pois, quando esta passou a ser discutida, aquela já havia se consolidado. Franco Basaglia, psiquiatra e um dos principais nomes da reforma italiana, dizia que esse era um movimento interminável. Para a professora Mônica, esse movimento requer qualificar os serviços substitutivos estratégicos para a reforma, como é o caso dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). </p><p>“No início, o desafio maior foi capacitar e formar profissionais que entendessem a lógica da reforma e que pudessem consolidar a reforma com as suas práticas. As estruturas são importantes, mas quem faz a reforma se consolidar são os profissionais”, ressalta a psicóloga.</p><p>Mônica reforça que é o profissional que, cotidianamente, estabelece uma relação de cuidado, respeito e acolhimento com o usuário. De acompanhamento com a família, de criar estratégias de inserção desses usuários na rede de cuidados. Este foi o primeiro desafio: inserir dentro das universidades a perspectiva pró-reforma.</p><p>O segundo passo para qualificar os profissionais da rede foram as residências em saúde. O residente, por estar em formação, gera um confronto com o serviço já cronificado e é este pensamento crítico que gera movimento e relembra as conquistas da reforma. </p><p>Se, anteriormente, as instituições eram um local de exclusão da sociedade, para poupar do convívio com a “loucura”, hoje, se desvencilhar do estigma para atentar ao cuidado em rede aberta, ainda é um desafio. A docente destaca que tudo que existe hoje provém de uma grande conquista. “O fato de que nem tudo esteja ideal não anula aquilo que se construiu de bom, porque o que se tinha antes era quase nada em termos de cuidado e tratamento”, compara os cenários antes e depois da Reforma Psiquiátrica.</p><p>Mônica explica que, hoje, as pessoas são acolhidas e bem atendidas. Elas são poupadas de internações violentas, que anulavam e deterioravam essa população. “Precisa haver cotidianamente um investimento tanto na qualidade do que se oferece, quanto dos recursos para a saúde mental”, afirma.</p>		
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										<img width="773" height="1024" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-21-at-11.44.38-773x1024.jpeg" alt="Imagem em preto e branco sobre a luta antimanicomial" />											<figcaption>Arte do coletivo Corre Daz Arte em prol da luta antimanicomial</figcaption>
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		<h3>Fluxos de rede em Santa Maria</h3><p>A Política de Atenção Psicossocial de Santa Maria é responsável pela coordenação e gerenciamento dos serviços de saúde mental do município. O planejamento,  a fiscalização e a judicialização dos serviços de saúde mental são aspectos presentes na Política.</p><p>Conforme explica a terapeuta ocupacional e coordenadora da Política de Atenção Psicossocial de Santa Maria, Ligia Poll, Santa Maria tem quatro Centros de Atenção Psicossocial (CAPS):</p><p> </p><ul style="margin-top: 0;margin-bottom: 0;padding-inline-start: 48px"><li dir="ltr" style="list-style-type: disc;font-size: 11pt;font-family: Calibri,sans-serif;color: #000000;background-color: transparent;font-weight: 400;font-style: normal;font-variant: normal;text-decoration: none;vertical-align: baseline;white-space: pre">Dois CAPS AD (Álcool e outras drogas)</li><li dir="ltr" style="list-style-type: disc;font-size: 11pt;font-family: Calibri,sans-serif;color: #000000;background-color: transparent;font-weight: 400;font-style: normal;font-variant: normal;text-decoration: none;vertical-align: baseline;white-space: pre">Um CAPS Infanto-juvenil</li><li dir="ltr" style="list-style-type: disc;font-size: 11pt;font-family: Calibri,sans-serif;color: #000000;background-color: transparent;font-weight: 400;font-style: normal;font-variant: normal;text-decoration: none;vertical-align: baseline;white-space: pre">Um CAPS II Adulto</li></ul><p><b style="font-weight: normal"> </b></p><p>Esses quatro CAPS funcionam como serviços “porta aberta” do SUS e que não necessitam de encaminhamento ou agendamento prévio para que seja realizado o primeiro atendimento. Após realizado o acolhimento, é realizado o projeto terapêutico singular (PTS) para organizar o cuidado do sujeito no âmbito do território.</p><p>Além dos CAPS, o município dispõe de um serviço diferencial, o Santa Maria Acolhe. Criado em 2013, para amparar vítimas e familiares do incêndio da Boate Kiss, o Acolhe se tornou referência no cuidado em saúde mental. Ele foi ampliado e reestruturado a fim de continuar assistindo a esse público, mas, também, de prover cuidado àqueles em sofrimento ou crise subjetiva - como traumas, luto ou risco de suicídio.</p><p>O único serviço de saúde mental de Santa Maria que não se enquadra como “porta aberta” é a Policlínica de Saúde Mental. Trata-se de um serviço para casos leves a moderados, regulado pela Atenção Primária. </p><p>A coordenadora reforça que, a pessoa que chegar ao serviço tem que ser atendida. “Não necessariamente o usuário vai ter um atendimento psiquiátrico e sair com medicação. É uma primeira conversa, para entender a situação. Às vezes, não há demanda de CAPS e, nesses casos, é feito o reencaminhamento para o local correto”.</p><h3><strong>Fechamento dos manicômios, mas continuidade das internações</strong></h3><p>Principal eixo da Reforma Psiquiátrica Brasileira, a desinstitucionalização é o movimento que encaminha o fechamento dos hospitais psiquiátricos no país e, hoje, preconiza a existência de leitos de saúde mental em hospitais gerais. Contudo, as internações psiquiátricas no estado voltaram a crescer. Em 2025, conforme o DataSUS, mais de 45 mil pessoas foram internadas por transtornos mentais ou comportamentais no Rio Grande do Sul, número 2,73% superior ao ano anterior.</p><p>No processo de desinstitucionalização, a Reforma Psiquiátrica criou os Serviços Residenciais Terapêuticos (SRTs). Esses serviços atuam como moradias assistidas, para auxiliar o usuário a retomar sua independência após sair de uma instituição. Lígia explica que esses usuários foram privados de sua autonomia, “como é o processo de viver fora de uma instituição? A pessoa não sabe. Ela sai de uma instituição que ela tá há muito tempo e ela não sabe acender a luz, porque ela não tinha que fazer isso. Era proibido que ela fizesse isso”. Os SRTs surgem, então, para auxiliar na retomada da autonomia.</p><p>A terapeuta ocupacional explica que, hoje, o financiamento prevê que Serviço Residencial Terapêutico deve funcionar apenas para pessoas egressas de hospitais psiquiátricos, de internações de longa duração (dois anos ou mais) ou vindas do Instituto Psiquiátrico Forense (IPF). Em Santa Maria, existem 12 pessoas que se enquadram no requisito. Contudo, a cidade tem quase 100 pessoas institucionalizadas em SRTs, que não estão dentro dessa legislação.</p><p>“Então, a gente está vivendo um processo de institucionalização das pessoas. Porém, é um processo bem mais complicado, porque daí a gente entra numa narrativa de que famílias que precisam trabalhar não conseguem cuidar, uma narrativa de desigualdade social enorme em Santa Maria.</p><p>Então, às vezes o judiciário prefere colocar a pessoa no SRT do que essa pessoa ficar na rua”, relata Lígia.</p><p>A profissional reforça que esse processo de retomada da institucionalização pode gerar uma crise em toda rede de saúde mental, em um movimento contra tudo que a reforma trazia e propunha. </p><h3><b>Como são feitos as internações de saúde mental hoje?</b></h3><p>Segundo dados de 2020 do Ministério da Saúde, são ofertados 1622 leitos de saúde mental em 305 hospitais gerais no Brasil. A regulação está bem estabelecida: somente CAPS e serviços de urgência e emergência são autorizados a solicitar leitos de saúde mental. </p><p>“Por exemplo, a pessoa realiza acompanhamento no CAPS e foi compreendido que ela precisa de internação. A internação é o último recurso. A gente só pensa em internação quando extrapolaram todos os recursos no território. Somente, então, é feita a solicitação”, explica Lígia.</p><p>A solicitação é feita via sistema de Gerenciamento de internações hospitalares (Gerint), que regula as internações no SUS do Rio Grande do Sul. “Onde surgir vaga, essa pessoa é levada pela ambulância da Secretaria de Saúde”, explica</p><p>Existem três tipos de internação: voluntária, involuntária e a internação compulsória. A voluntária se dá com o consentimento do usuário. A involuntária acontece sem o consentimento do usuário e a pedido de terceiro. Já a compulsória é determinada via ordem judicial.</p><h3><b>Internações voluntária e compulsória</b></h3><p>Quando o médico que atende a pessoa e compreende que ela não tem subsídios, no momento, para decidir sobre sua própria vida e está colocando em risco a si ou outras pessoas pode ocorrer a internação involuntária. No entanto, como comenta Lígia: “isso é muito difícil de acontecer por não ter respaldo judicial”. Normalmente, como relata Lígia, a pessoa fica na urgência ou emergência, como no Pronto Atendimento Municipal (PAM) ou na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do município. Nessa internação, a pessoa também tem a liberdade de sair a qualquer momento. </p><p>Já na internação compulsória, a família, ou alguém que tenha alguma relação com o usuário, normalmente encaminha pela Defensoria Pública o processo para tutela de urgência da pessoa. Nesse caso, a família solicita a internação compulsória, direcionada à Política de Atenção Psicossocial. Posteriormente, o CAPS que assiste esse usuário faz uma visita domiciliar para compreender melhor a situação.</p><p>“Às vezes a pessoa adere voluntariamente ao serviço substitutivo. Vai lá, consulta e continua seu acompanhamento no CAPS. Claro que, às vezes, a pessoa realmente não consegue dar conta de si ou ela está em um uso abusivo de substância e precisa da internação”, elucida a coordenadora.</p><p>O CAPS produz, então, um relatório comprovando que o usuário precisa da internação. Esse relatório é assinado e encaminhado para a Defensoria. O despacho vai para a coordenação da Política, que autoriza a tutela de urgência da pessoa e indica avaliação/internação psiquiátrica. Ainda assim, a pessoa não é imediatamente internada.</p><p>“Essa pessoa é coercitivamente conduzida a fazer uma avaliação psiquiátrica. Então ela faz a avaliação e, se o médico concluir que não é demanda de internação, a Política encaminha o relatório para o judiciário e o usuário segue o tratamento no CAPS. Se for estabelecida a necessidade de internação, o médico insere a solicitação no Gerint e, quando o leito fica disponível, a gente busca a pessoa coercitivamente também e leva”. Lígia reforça que o serviço mantém contato com a família e contato entre um serviço e o outro. “É toda uma rede para conseguir fazer isso acontecer e fugir daquele modelo ‘pega e interna’”, conclui. </p>		
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										<img width="861" height="1024" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-21-at-11.46.05-861x1024.jpeg" alt="Reprodução de uma página inteira do Jornal A Razão com destaque para a notícia &quot;atividade alternativa para coentes mentais substituem casos de internação&quot;" />											<figcaption>Matéria do Jornal A Razão de 1995 tratava da mudança na assistência em saúde mental</figcaption>
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										<img width="804" height="1024" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-21-at-12.02.45-804x1024.jpeg" alt="Reprodução do jornal A Razão com artigo em defesa da Lei Municipal de Saúde Mental e notícia sobre o SAISM, com foto da coordenadora, uma mulher de cabelo curto e escuro, com óculos" />											<figcaption>Caderno A Razão Saúde, do extinto Jornal A Razão, trazia artigo em defesa da Lei Municipal de Saúde Mental e matéria sobre SAISM, serviço pioneiro na área</figcaption>
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		<h3><b>Santa Maria e a Reforma Psiquiátrica</b></h3><p>Santa Maria foi, também, um polo importante para o estado nos movimentos pró-reforma. A cidade reuniu diversos profissionais do Brasil e demais países da América Latina para discutir as novas formas de cuidado em 1988 e 1990, quando foram realizados o I e o II Simpósio Internacional de Saúde Mental Comunitária, organizados pelo Instituto de Psicologia da UFSM. </p><p>Em 1989 foi criado, numa parceria entre o Instituto de Psicologia da UFSM e a Divisão Estadual de Saúde Mental, o curso de Administração em Saúde Mental Coletiva - um marco regional na transição do modelo asilar para a Reforma Psiquiátrica, a fim de aprender a administrar o novo modelo.</p><h3><b>Serviço de Atenção Integral à Saúde Mental (SAISM)</b></h3><p>Em 1993, a psicóloga Ilka Pichin, hoje servidora aposentada da UFSM, idealizou e criou o Serviço de Atenção Integral à Saúde Mental (SAISM), o primeiro serviço alternativo ao Hospital Psiquiátrico, em Santa Maria. Mesmo com pouco apoio, o serviço marcou o compromisso do Instituto de Psicologia da UFSM com a mudança.</p><p>Natural do Rio de Janeiro, Ilka teve contato com os princípios da Reforma quando trabalhou no Manicômio Judiciário em Niterói e no antigo Hospital Psiquiátrico do Engenho de Dentro, com Nise da Silveira. “A partir daí eu comecei a pensar ‘por que não temos, aqui, esse espaço? A gente tem os professores, mas não tem curso de psicologia’. Aí surge a ideia do serviço, porque o pessoal só tinha contato com o hospital psiquiátrico”, conta a psicóloga.</p><p>“Eu fui ao hospital psiquiátrico e divulguei que ia abrir um serviço, não para concorrer com eles, porque a gente não tinha médico. Mas para fazer trabalhos manuais, teatro, sair com eles, fazer educação física”, relembra.</p><p>A equipe do SAISM era composta por Ilka, outras três psicólogas e um profissional da Educação Física, além de estudantes voluntários de diversas áreas. O serviço agiu, também, como um estímulo às potencialidades dos usuários, “eles tinham que ter uma atividade, ninguém chamava para trabalhar em lugar nenhum quem passou pelo hospital psiquiátrico”. Tais atividades tinham impacto na autoestima dos pacientes e abriram caminhos no cuidado em saúde mental em Santa Maria.</p><h3><b>Estigmas associados à saúde mental persistem</b></h3><p>O investimento atual nos serviços de saúde mental está destinado, majoritariamente, ao serviço especializado - custeio de Centros de Atenção Psicossocial, Residências Terapêuticas, leitos psiquiátricos em hospitais gerais e projetos voltados ao cuidado comunitário. Lígia defende que o maior investimento deveria estar na atenção primária. “Mais equipes de saúde mental dentro da atenção primária, dentro do território, dentro da vida dessas pessoas. Porque, às vezes, o problema central é o desemprego. Não é a depressão. A gente precisa pensar em políticas públicas quando pensa em investimento”.</p><p>O estigma da saúde mental segue muito presente, apesar dos 25 anos da reforma. Entre os usuários da rede e profissionais da saúde, o preconceito persiste e a discussão <i>normal x patológico </i>ganha força. A Luta Antimanicomial traz reflexões sobre o que é a loucura, “a gente compreende a loucura como algo ruim, algo à margem, mas a gente não entende muito bem o que que é a loucura e também não escapamos dela, porque estamos sempre transitando entre o normal e o não-normal”, diz Lígia.</p><p>O discurso de “quem procura o CAPS não é capaz” produz mais adoecimento, porque ele acaba inviabilizando pessoas que poderiam procurar o serviço em razão dos estigmas que se tem, justamente pelo CAPS ser um local referência para o cuidado em saúde mental. </p><p>Então, como destaca a professora Mônica, não se trata de criar novos serviços, mas sim fortalecer o que já existe. “ É nesse sentido que a gente tem que argumentar que não tá pronto, não terminou [a Reforma]. </p><p>A lógica manicomial ainda existe e persiste. Com a alta das internações psiquiátricas, o cuidado volta a ser permeado pela exclusão e as conquistas da luta antimanicomial são colocadas em risco. O cuidado em liberdade é um direito e a defesa da luta antimanicomial é, também, a defesa da democracia. Como disse Basaglia, “quando a instituição destrói e mata, não há solução de compromisso possível, pois seria um compromisso com a morte”. </p><p><b>Onde ficam os serviços em Santa Maria?</b></p><p>CAPSi O Equilibrista - R. Conrado Hoffmann, 100 <br />Contato: (55) <a href="https://www.google.com/search?q=capsi&amp;oq=capsi&amp;gs_lcrp=EgZjaHJvbWUyBggAEEUYOTIGCAEQRRg7MgYIAhBFGDsyBwgDEAAYjwIyBwgEEAAYjwLSAQc1MDdqMGo5qAIGsAIB8QVEQh05VR85Ig&amp;sourceid=chrome&amp;ie=UTF-8#">3174-1582</a> </p><p>CAPS II Prado Veppo - Av. Fernando Ferrari, 1684 </p><p>Contato: (55) <a href="https://www.google.com/search?q=caps+prado+veppo+santa+maria&amp;sca_esv=b05b86de3d8e65b9&amp;sxsrf=ANbL-n6yzVxzEvv42Mh3Oy2imejkbhN1pQ%3A1779299532072&amp;ei=zPQNatmFBJOk1sQPk6SygAc&amp;biw=1366&amp;bih=633&amp;oq=caps+prado&amp;gs_lp=Egxnd3Mtd2l6LXNlcnAiCmNhcHMgcHJhZG8qAggAMg0QIxjJAhiABBiKBRgnMg4QLhiABBjHARivARiOBTIFEAAYgAQyBRAAGIAEMgUQABiABDIGEAAYFhgeMgYQABgWGB4yBhAAGBYYHjIGEAAYFhgeMggQABgWGB4YCkiOElCJBVjPCnABeAGQAQCYAcYBoAHcCaoBAzAuN7gBA8gBAPgBAZgCCKACrArCAgoQABhHGNYEGLADwgINEAAYgAQYigUYQxiwA8ICDhAAGOQCGNYEGLAD2AEBwgIZEC4YgAQYigUYQxjHARivARjIAxiwA9gBAcICChAjGIAEGIoFGCfCAhAQIxjJAhjwBRiABBiKBRgnwgITEC4YgAQYigUYxwEYrwEYjgUYJ8ICDRAAGIAEGBQYhwIYsQPCAggQABiABBixA8ICChAAGIAEGIoFGEPCAhAQIxjwBRjJAhiABBiKBRgnwgIQEAAYgAQYigUYQxixAxiDAcICDRAAGIAEGIoFGEMYsQPCAgoQABiABBgUGIcCwgILEC4YrwEYxwEYgATCAg0QABiABBgUGIcCGMkDwgILEAAYgAQYigUYkgPCAgsQLhiABBjHARivAcICCRAAGIAEGAoYC5gDAIgGAZAGE7oGBggBEAEYCZIHBTEuNi4xoAeZT7IHBTAuNi4xuAeeCsIHBTItNS4zyAc8gAgB&amp;sclient=gws-wiz-serp#">99154-2464</a> </p><p>CAPS AD Caminhos do Sol - R. Euclídes da Cunha, 1695 </p><p>Contato: <a href="https://www.google.com/search?q=caps+ad+caminhos+do+sol+santa+maria&amp;sca_esv=b05b86de3d8e65b9&amp;biw=1366&amp;bih=633&amp;sxsrf=ANbL-n6rbGWbShTyBMrPuAUoR5DaZnSohw%3A1779299610553&amp;ei=GvUNapy-Iaq81sQPucj06Ag&amp;gs_ssp=eJwFwcsNgCAMANB41SWaGM8UFFBGcItC_ZCIGPHA-L7XduIQ8jurNunBxg1YF41j8HJi3nb2s3RYzWINjtJaj0qrDdc-0FOAGAKleJ-5AGco-YJC90eQ6I30A4OpG0o&amp;oq=caps+ad+caminhos+do+sol+&amp;gs_lp=Egxnd3Mtd2l6LXNlcnAiGGNhcHMgYWQgY2FtaW5ob3MgZG8gc29sICoCCAAyDhAuGIAEGMcBGK8BGI4FMgYQABgWGB4yBhAAGBYYHjIGEAAYFhgeMgYQABgWGB4yBhAAGBYYHjIGEAAYFhgeMgIQJjIFEAAY7wVI3AtQ7gRY7gRwAHgCkAEAmAH2AaAB9gGqAQMyLTG4AQHIAQD4AQGYAgKgAocCwgIEEAAYR5gDAIgGAZAGB5IHBTEuMC4xoAeQCbIHAzItMbgH_gHCBwMyLTLIBw2ACAE&amp;sclient=gws-wiz-serp#">(55) 3174-1582</a> </p><p>CAPS AD Companhia do Recomeço - R. Gen. Neto, 579 </p><p>Contato: (55) <a href="https://www.google.com/search?q=caps+ad+cia+do+recome%C3%A7o&amp;biw=1366&amp;bih=633&amp;sca_esv=b05b86de3d8e65b9&amp;sxsrf=ANbL-n4AHXbb1Np1rYkaXnT9rjE_zpnnrw%3A1779299613446&amp;ei=HfUNap39Gonm1sQP-5P_8AM&amp;gs_ssp=eJzj4tVP1zc0TEvPqCyoLM8wYLRSMaiwNDUwTk5KNkgxS7JMMUsxtjKoSE21sEhMNjFNSzU0STJP9ZJITiwoVkhMUUjOTFRIyVcoSk3Oz009vDwfAMTEGZQ&amp;oq=caps+ad+cia&amp;gs_lp=Egxnd3Mtd2l6LXNlcnAiC2NhcHMgYWQgY2lhKgIIADIOEC4YgAQYxwEYrwEYjgUyBhAAGBYYHjIGEAAYFhgeMgIQJjIIEAAYgAQYogQyBRAAGO8FMggQABiABBiiBEjeDFCsA1juBHABeAGQAQCYAcoBoAG7BKoBBTAuMi4xuAEDyAEA-AEBmAIEoALYBMICChAAGEcY1gQYsAPCAgoQIxiABBiKBRgnwgITEC4YrwEYxwEYgAQYigUYjgUYJ8ICExAuGIAEGBQYhwIYxwEYrwEYjgXCAgsQLhiABBjHARivAcICBRAAGIAEmAMAiAYBkAYIkgcFMS4xLjKgB8cjsgcFMC4xLjK4B9EEwgcDMi00yAcWgAgB&amp;sclient=gws-wiz-serp#">3174-1582</a> </p><p>Santa Maria Acolhe - <b> </b>R. Conrado Hoffmann, 277 </p><p>Contato: (55) <a href="https://www.google.com/search?q=acolhe+santa+maria&amp;biw=1366&amp;bih=633&amp;sca_esv=b05b86de3d8e65b9&amp;sxsrf=ANbL-n6emqJjxS7SZG23LQzQ5sEHdRi6LA%3A1779299644825&amp;ei=PPUNaumMMsPN1sQPxIKk6QU&amp;gs_ssp=eJzj4tVP1zc0zDIyLio0zMk1YLRSNaiwNDUwTk4yNjBIMUwyN0sytjKoMEqzsLBMSbZITk2yTDQyMPISSkzOz8lIVShOzCtJVMhNLMpMBAADdRX4&amp;oq=acolhe&amp;gs_lp=Egxnd3Mtd2l6LXNlcnAiBmFjb2xoZSoCCAAyExAuGIAEGIoFGEMYxwEYrwEYjgUyExAuGIAEGIoFGEMYxwEYrwEYjgUyBRAAGIAEMgUQLhiABDIFEAAYgAQyBRAAGIAEMgsQLhiABBjHARivATILEC4YgAQYxwEYrwEyBRAuGIAEMgUQABiABDIiEC4YgAQYigUYQxjHARivARiOBRiXBRjcBBjeBBjgBNgBAUiXHVCfBViYCXABeAGQAQCYAbQBoAGWCKoBAzAuNrgBA8gBAPgBAZgCCKAC8BXCAgoQABhHGNYEGLADwgIKECMY8AUYyQIYJ8ICChAjGIAEGIoFGCfCAgoQABiABBiKBRhDwgIREC4YgAQYsQMYgwEYxwEY0QPCAgsQLhiABBixAxiDAcICDhAuGIAEGLEDGMcBGNEDwgILEAAYgAQYsQMYgwHCAgQQIxgnwgIIEAAYgAQYsQPCAg4QLhiABBjHARivARiYBcICDRAAGIAEGIoFGEMYsQPCAgsQABiABBiKBRixA8ICChAuGIAEGIoFGEPCAhMQLhiABBgUGIcCGMcBGK8BGI4FwgIQEC4YgAQYigUYQxixAxiDAcICIhAuGIAEGBQYhwIYxwEYrwEYjgUYlwUY3AQY3gQY4ATYAQHCAgoQABiABBgUGIcCmAMAiAYBkAYIugYGCAEQARgUkgcHMS42LjctMaAH2liyBwMwLja4B84IwgcFMi01LjPIBzaACAE&amp;sclient=gws-wiz-serp#">99164-4154</a> </p><p> </p><p><b>Para Conhecer</b></p><p><i><b>Holocausto Brasileiro</b> - </i>O livro denúncia de Daniela Arbex traz um entendimento da lógica das instituições psiquiátricas entre os anos 1930 e 1980, em um relato sobre os crimes cometidos no Hospital Colônia, de Barbacena (MG), onde mais de 60 mil pessoas foram mortas.Segundo Daniela Arbex, cerca de 70% dos pacientes não tinham diagnóstico prévio. “Eram epiléticos, alcoolistas, homossexuais, prostitutas, gente que se rebelava, gente que se tornara incômoda para alguém com mais poder. Eram meninas grávidas, violentadas por seus patrões, eram esposas confinadas para que o marido pudesse morar com a amante, eram filhas de fazendeiros que perderam a virgindade antes do casamento. Eram homens e mulheres que haviam extraviado seus documentos. Alguns eram apenas tímidos. Pelo menos trinta e três eram crianças”. Em 2016, o livro foi transformado em documentário e está disponível na Netflix.</p><p><i><b>Nise, o coração da loucura</b> - </i>O filme de 2015 conta a história da psiquiatra que se tornou referência no cuidado em saúde mental ao se posicionar contrária aos tratamentos convencionais, ao banir práticas violentas e investir no tratamento humanizado, baseado na arte e livre expressão. O filme está disponível no <a href="https://www.youtube.com/watch?v=-m4F6HA1gyE">YouTube</a>.</p><p><i><b>Em nome da razão</b> - </i>Documentário de 1979, teve papel fundamental na luta pela reforma psiquiátrica. O filme revelou para a sociedade o que acontecia por trás dos muros do Hospital Colônia e ajudou a mudar sua história. O documentário questiona de forma vigorosa a instituição psiquiátrica e o papel que ela cumpre em nossa sociedade. Como diz Helvécio Ratton, “incapazes de suportarmos as diferenças, demonstramos no hospício todo o nosso poder de opressão” e o documentário teve papel fundamental nessa denúncia. Também está disponível no <a href="https://www.youtube.com/watch?v=OPiPUUUbVoI">YouTube</a>.</p><p><i><b>Reportagem</b>: Júlia Zucchetto, estudante de Jornalismo e estagiária na Agência de Notícias</i></p>
<p><i><b>Imagens</b>: Reprodução de pa´ginas do Jornal A Razão e Corre Daz Arte</i></p>
<p><i><b>Edição</b>: Maurício Dias</i></p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Jardim Botânico da UFSM passa a integrar rede internacional</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2026/05/18/jardim-botanico-da-ufsm-passa-a-integrar-rede-internacional</link>
				<pubDate>Mon, 18 May 2026 16:01:56 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[jardim botânico]]></category>

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						<description><![CDATA[Com mais de 40 anos de atuação, o espaço agora faz parte da BGCI, organização que reúne jardins botânicos de mais de 100 países e fortalece ações de pesquisa e preservação da biodiversidade
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <img width="1024" height="576" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/Design-sem-nome-2-1024x576.jpg" alt="Foto colorida na horizontal que mostra, ao centro, uma moldura digital preta com o certificado oficial da Botanic Gardens Conservation International (BGCI), que reconhece o Jardim Botânico da UFSM como membro da organização. O certificado aparece em tom de verde claro, com escritos em branco e a logo da BGCI no topo, em inglês. Ao fundo da moldura, aparece uma árvore do jardim com folhas secas em tons alaranjados misturadas a folhas verdes." />													
		<p>O Jardim Botânico da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) passou a integrar a Botanic Gardens Conservation International (BGCI), organização internacional que reúne jardins botânicos de mais de 100 países. Localizado no prédio 13F do cam´pus sede e vinculado ao Centro de Ciências Naturais e Exatas (CCNE), o espaço divulgou a novidade em suas redes sociais no dia 7 de maio. A conquista representa um marco para o Jardim Botânico, que agora passa a fazer parte de uma rede global voltada à conservação da biodiversidade vegetal.</p><p>De acordo com a diretora do Jardim Botânico, Simone Messina Gomez, a integração à rede internacional é um objetivo de longa data da gestão e deve contribuir diretamente para o desenvolvimento das atividades de conservação e pesquisa realizadas na universidade. “A BGCI atua na conservação da biodiversidade em nível mundial e nos oferece referenciais e modelos a seguir. Ainda temos muito a aprender sobre práticas de conservação com eles”, destaca a diretora. </p><p>Fundada em 1987, no Reino Unido, a BGCI é uma organização independente voltada à preservação da diversidade vegetal. A entidade reúne jardins botânicos e centros de conservação de diferentes nações, promovendo ações de pesquisa, educação ambiental e proteção de espécies ameaçadas. Entre os principais objetivos da organização está o desenvolvimento de estratégias para reduzir os riscos de extinção de plantas e fortalecer iniciativas de conservação da biodiversidade em escala global. </p><p>Para a gestora do jardim da UFSM, esse suporte se torna ainda mais relevante diante dos impactos das mudanças climáticas. “Muitas plantas começam a diminuir ou até entrar em extinção por causa das mudanças climáticas. A BGCI cria metodologias para que os jardins botânicos possam atuar nessa conservação”, explica Simone.</p>		
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										<img width="1024" height="683" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/IC3A4355-1024x683.jpg" alt="Foto colorida na horizontal mostra, ao centro, uma placa retangular vermelha com a inscrição “Bem Vindos” em letras brancas. A placa está pendurada por cordas em um galho de árvore que atravessa a parte superior da foto. Ao fundo, aparece uma área arborizada com folhas em tons de verde, amarelo e alaranjado, iluminadas pela luz do sol. A mistura de cores nas árvores remete à transição entre o verão e o outono, criando um cenário natural e acolhedor." />											<figcaption> O Jardim Botânico integra o campus sede da UFSM há 45 anos</figcaption>
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		<h3><strong>Integração internacional amplia oportunidades de conservação e pesquisa </strong></h3><p>De acordo com Simone, a entrada do Jardim Botânico na BGCI deve ampliar as possibilidades de atuação em diferentes áreas. “Nós queremos adentrar a tudo que a rede pode nos oferecer, como por exemplo, acesso à base de dados, capacitações e maior visibilidade para os nossos projetos”, afirma.</p><p>Além da visibilidade internacional para pesquisas e projetos, integrar a organização também garante acesso a redes globais de cooperação, programas de conservação de espécies vegetais e ferramentas científicas utilizadas por jardins botânicos ao redor do mundo. Entre elas está o <i>PlantSearch</i>, plataforma internacional da BGCI voltada ao compartilhamento de informações sobre coleções vivas mantidas por jardins botânicos. A ferramenta reúne dados taxonômicos de mais de 1.100 coleções de plantas vivas, sementes, pólen e tecidos localizadas em diferentes países. “A gente tem, agora, acesso a cadastros de plantas do mundo inteiro e nós vamos poder inclusive agregar nessa plataforma”, expõe Simone. </p><p>Essa conexão também possibilita novas oportunidades de qualificação para a equipe e participação em iniciativas internacionais de conservação. “Temos muitas coisas para explorar dentro do BCGI, como cursos online de formação para nossa equipe. Então, essa filiação abre portas para a participação dos projetos de conservação vegetal”, afirma a diretora.</p><p>Além disso, fazer parte do BCGI ainda permite que o Jardim Botânico participe de editais internacionais de financiamento. “É a primeira vez que a gente vai poder participar de um edital de fomento internacional para conseguir mais recursos aqui para o Jardim Botânico”, destaca Simone. Alguns editais já estão disponíveis para instituições vinculadas à organização. “Agora tem um edital que está aberto que oferece 2.500 dólares para os jardins selecionados. Então, com esse recurso, podemos conseguir comprar materiais de consumo para os projetos e investir mais ainda no nosso local.”</p>		
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										<img width="1024" height="683" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/IC3A4416-1024x683.jpg" alt="Foto colorida na horizontal mostra o Telhado Verde da UFSM em um dia de céu azul. Próximo a câmera, há canteiros delimitados por pedras com diferentes espécies de plantas ornamentais e nativas, incluindo vegetação em tons de verde, vermelho e amarelo. Uma trilha curva de granito que atravessa o espaço e indica o caminho por onde os visitantes podem circular. Ao redor da trilha, aparecem áreas gramadas e pequenos jardins organizados em formatos circulares. Ao fundo da imagem, há uma cerca metálica que delimita a área do telhado, além de estátuas decorativas semelhantes a anjos posicionadas próximas à vegetação. Mais atrás, árvores altas e densas formam uma paisagem verde.Foto colorida na horizontal mostra o Telhado Verde da UFSM em um dia de céu azul. Próximo a câmera, há canteiros delimitados por pedras com diferentes espécies de plantas ornamentais e nativas, incluindo vegetação em tons de verde, vermelho e amarelo. Uma trilha curva de granito que atravessa o espaço e indica o caminho por onde os visitantes podem circular. Ao redor da trilha, aparecem áreas gramadas e pequenos jardins organizados em formatos circulares. Ao fundo da imagem, há uma cerca metálica que delimita a área do telhado, além de estátuas decorativas semelhantes a anjos posicionadas próximas à vegetação. Mais atrás, árvores altas e densas formam uma paisagem verde.Foto colorida na horizontal mostra o Telhado Verde da UFSM em um dia de céu azul. Próximo a câmera, há canteiros delimitados por pedras com diferentes espécies de plantas ornamentais e nativas, incluindo vegetação em tons de verde, vermelho e amarelo. Uma trilha curva de granito que atravessa o espaço e indica o caminho por onde os visitantes podem circular. Ao redor da trilha, aparecem áreas gramadas e pequenos jardins organizados em formatos circulares. Ao fundo da imagem, há uma cerca metálica que delimita a área do telhado, além de estátuas decorativas semelhantes a anjos posicionadas próximas à vegetação. Mais atrás, árvores altas e densas formam uma paisagem verde.Foto colorida na horizontal mostra o Telhado Verde da UFSM em um dia de céu azul. Próximo a câmera, há canteiros delimitados por pedras com diferentes espécies de plantas ornamentais e nativas, incluindo vegetação em tons de verde, vermelho e amarelo. Uma trilha curva de granito que atravessa o espaço e indica o caminho por onde os visitantes podem circular. Ao redor da trilha, aparecem áreas gramadas e pequenos jardins organizados em formatos circulares. Ao fundo da imagem, há uma cerca metálica que delimita a área do telhado, além de estátuas decorativas semelhantes a anjos posicionadas próximas à vegetação. Mais atrás, árvores altas e densas formam uma paisagem verde.Foto colorida na horizontal mostra o Telhado Verde da UFSM em um dia de céu azul. Próximo a câmera, há canteiros delimitados por pedras com diferentes espécies de plantas ornamentais e nativas, incluindo vegetação em tons de verde, vermelho e amarelo. Uma trilha curva de granito que atravessa o espaço e indica o caminho por onde os visitantes podem circular. Ao redor da trilha, aparecem áreas gramadas e pequenos jardins organizados em formatos circulares. Ao fundo da imagem, há uma cerca metálica que delimita a área do telhado, além de estátuas decorativas semelhantes a anjos posicionadas próximas à vegetação. Mais atrás, árvores altas e densas formam uma paisagem verde.Foto colorida na horizontal mostra o Telhado Verde da UFSM em um dia de céu azul. Próximo a câmera, há canteiros delimitados por pedras com diferentes espécies de plantas ornamentais e nativas, incluindo vegetação em tons de verde, vermelho e amarelo. Uma trilha curva de granito que atravessa o espaço e indica o caminho por onde os visitantes podem circular. Ao redor da trilha, aparecem áreas gramadas e pequenos jardins organizados em formatos circulares. Ao fundo da imagem, há uma cerca metálica que delimita a área do telhado, além de estátuas decorativas semelhantes a anjos posicionadas próximas à vegetação. Mais atrás, árvores altas e densas formam uma paisagem verde." />											<figcaption>O Telhado Verde da UFSM deverá ampliar a presença de espécies do bioma Pampa em sua composição vegetal.
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		<h3><strong>Com integração à BGCI, o Jardim Botânico projeta os próximos passos </strong></h3><p>Com a nova fase do jardim, a gestão evidencia a vontade de fortalecer ações voltadas à conservação do bioma Pampa. “Nós já temos alguns projetos em andamento, um deles é criar um jardim só com plantas do bioma Pampa para incentivar a conservação”, afirma a diretora Simone. </p><p>O espaço possui uma característica considerada única por estar localizado em uma área de transição entre Mata Atlântica e Pampa, o que amplia o potencial para projetos de conservação de espécies nativas. “Nós já identificamos que existem algumas espécies que estão em risco de extinção dentro do próprio jardim botânico e queremos então multiplicar essas espécies e outras do pampa no nosso telhado verde”, explica.</p><p>Utilizado como espaço de conservação e educação ambiental, o telhado verde do prédio 13F permite o crescimento de vegetação sobre a estrutura da construção e contribui para a absorção da água da chuva e preservação das plantas. Segundo a diretora, a proposta é reformular o paisagismo do local para priorizar espécies do bioma Pampa. “Queremos recriar o paisagismo do telhado com o bioma pampa, porque nós entendemos que ele é algo único aqui do sul. Então, é algo inovador e que tem bastante chance de ganhar o edital de fomento, nós estamos bem confiantes.”</p><p>Além disso, o espaço busca investir em iniciativas ligadas ao ecoturismo e à aproximação da comunidade com as atividades realizadas no jardim. </p>		
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										<img width="1024" height="683" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/IC3A4373-1024x683.jpg" alt="Foto colorida na horizontal mostra a fachada do prédio do Jardim Botânico da UFSM em um dia de céu limpo. O prédio branca ocupa grande parte da imagem. No centro da parede da frente, está o logotipo do Jardim Botânico UFSM, acompanhado do escrito “Prédio 13 F” em letras pretas à direita. Na parte superior do edifício há o telhado verde com plantas e grades metálicas de proteção. Em frente ao prédio, uma rampa de acesso de concreto em direção à entrada principal. Ao lado da rampa há canteiros com flores pequenas, além de vasos com plantas. À direita da imagem, próximo à entrada, há uma placa colorida indicando os horários de funcionamento do Jardim Botânico." />											<figcaption>O local tem funcionamento de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. Em eventos especiais, o espaço também abre aos domingos. </figcaption>
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		<h3><strong>Equipe multidisciplinar integra ações do Jardim Botânico</strong></h3><p>A diretora do Jardim Botânico da UFSM, Simone Messina Gomez, é doutora em Educação e especialista em Educação Ambiental pela universidade. A relação dela com o espaço começou ainda na graduação, quando atuou como uma das primeiras estagiárias do local. Hoje, à frente da gestão, Simone articulou o processo que levou o espaço à rede internacional Botanic Gardens Conservation International (BGCI). “Eu sou uma pessoa que gosta muito de aproveitar a oportunidade. Quando soube dessa possibilidade, entrei em contato com a Aliança Brasileira de Jardins Botânicos (ABJB) e ela me proporcionou todo o procedimento que era necessário”, relata.</p><p>Para a diretora, a conquista representa um momento importante na sua trajetória. “Eu sei que fazer parte do BCGI é o meu momento de fazer história como gestora também. Porque a gestão um dia passa e eu estou deixando essa herança para o local”, afirma.</p><p>O Jardim Botânico da UFSM conta com uma equipe formada por cerca de seis servidores, dez estagiários e três profissionais terceirizados responsáveis pela jardinagem. A diretora destaca ainda que o número de pessoas envolvidas nos projetos cresce constantemente.</p><p>Além das áreas tradicionalmente ligadas ao meio ambiente, o jardim também desenvolve atividades interdisciplinares com estudantes de diferentes cursos da instituição. “Temos alunos da Biologia, Engenharia Florestal, Desenho Industrial, até Ciência da Computação, que criaram um mapa do jardim”, afirma Simone.</p><p>O local é aberto à comunidade e oferece visitas guiadas para apresentar coleções e curiosidades do mundo vegetal. Entre os espaços disponíveis estão a coleção de plantas carnívoras, o telhado verde, o jardim sensorial, a exposição de animais taxidermizados, além de trilhas e coleções vivas, como o cactário e espécies nativas da região. O local tem entrada gratuita e funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, com aberturas ocasionais aos domingos durante eventos especiais, como o Viva o Campus UFSM. </p><p>Mais informações sobre visitas e atividades podem ser acompanhadas pelo Instagram do jardim, <a href="https://www.instagram.com/jardimbotanicodaufsm?utm_source=ig_web_button_share_sheet&amp;igsh=ZDNlZDc0MzIxNw==">@jardimbotanicodaufsm</a>.</p><p><em><strong>Texto</strong>: Giovanna Felkl, estudante de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias</em></p><p><em><strong>Fotos</strong>: Mathias Ilnicki, estudante de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias</em></p><p><em><strong>Edição</strong>: Maurício Dias </em></p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>A cultura redpill na vida escolar e digital de jovens brasileiros</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2026/05/18/cultura-redpill</link>
				<pubDate>Mon, 18 May 2026 13:17:43 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[cultura redpill]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[discurso de ódio]]></category>
		<category><![CDATA[feminicídio]]></category>
		<category><![CDATA[redpill]]></category>

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						<description><![CDATA[Pesquisa aponta crescimento de conteúdos misóginos na internet enquanto especialistas alertam para impactos entre adolescentes
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <img width="1024" height="683" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/Destaque-1024x683.jpg" alt="Ilustração com fundo azul-marinho escuro e várias cápsulas vermelhas espalhadas pela imagem, em referência à estética da cultura “redpill”. A composição é minimalista, com contraste entre o vermelho intenso das pílulas e o fundo escuro." />													
		<p>Era 1999 quando o termo <i>redpill </i>nasceu. Em português, significa “pílula vermelha”, e apareceu pela primeira vez no filme <i>Matrix</i>. No contexto do longa, o personagem Neo é indagado por Morpheus a escolher entre dois caminhos, a <i>redpill</i>, onde há uma realidade fora da matrix (universo artificial) e a <i>bluepill </i>(pílula azul), onde seguiria em uma vida ilusória e submissa àquela realidade falsa. Neo escolheu a <i>redpill</i>.</p><p>Fora do contexto cinematográfico, a palavra <i style="color: #000000;font-size: 1rem">redpill</i> ganhou um significado completamente diferente, mas ainda relacionado. Por volta de 2010, o termo passou a ser usado nos cantos da internet para representar uma cultura onde os homens são submissos às mulheres que, nas teorias deste grupo, acreditam viver em uma sociedade controlada por mulheres.</p><p>Assim como no filme, o efeito da <i>redpill</i>, que seria a libertação das amarras submissas, é associado à libertação dos homens na busca pela aceitação feminina. Hoje, o contexto é ainda mais preocupante. Isso porque, essa subcultura tem ganhado cada vez mais espaço na internet e, de certa forma, obtém “aprovação” para legitimar ideias misóginas, infelizmente permitidas pela pouca regulamentação no mundo digital e pela atuação pouco eficaz das plataformas. </p><p>A professora do Departamento de Direito da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e pesquisadora sobre criança e adolescente na sociedade informacional Rosane Leal da Silva explica que a chamada cultura <i>redpill</i> não é um fenômeno recente, mas que passou a ganhar maior visibilidade com a ampliação das redes sociais e do engajamento digital. Para ela, trata-se de uma reação às transformações nas relações de gênero. “Esse movimento representa uma certa agonia do patriarcado”, explica à Agência de Notícias. </p><p>Conforme a pesquisadora, esse cenário está relacionado ao empoderamento das mulheres nas últimas décadas. Rosane aponta que parte dos homens que aderem a esses discursos tende a deslocar frustrações pessoais para as mulheres. “É um movimento que reúne homens que passam a se sentir e atribuir a responsabilidade muitas vezes pelos seus fracassos”, contextualiza. Ela acrescenta que isso se conecta a uma nostalgia de relações hierárquicas. “É muito confortável ter mulheres que ficam em casa, que são submissas, que se mantêm à disposição do marido e são tratadas como objetos”, observa.</p><p>A pesquisadora destaca também que esses discursos se organizam em ambientes digitais, onde encontram maior alcance e reforço. “Esse movimento é como uma resposta a esse empoderamento das mulheres e vai reunindo esses homens que se sentem incomodados com esse perfil de atuação”, explica. Segundo Rosane, as redes sociais funcionam como espaço de encontro e amplificação dessas ideias, muitas vezes baseadas em ódio e violência simbólica.</p><p>Dados da SaferNet Brasil mostram que a Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos recebeu 87.689 denúncias únicas em 2025, um aumento de 28,4% em relação ao ano anterior. Entre as categorias monitoradas, a misoginia apresentou uma das maiores altas proporcionais, evidenciando o crescimento de conteúdos que promovem hostilidade, humilhação e violência contra mulheres no ambiente digital.  </p><p>O problema também foi identificado em pesquisa do NetLab da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em parceria com o Ministério das Mulheres. Em apenas 28 dias de monitoramento, o estudo analisou 1.565 anúncios considerados problemáticos, irregulares ou ilegais em plataformas como Facebook e Instagram, ambas mantidas pela Meta. Entre os anúncios, 44,3% continham reforço de estereótipos de gênero, machismo e objetificação da mulher. </p><p>A pesquisadora também chama a atenção para o papel dos algoritmos na propagação desses conteúdos. “As redes sociais têm potencializado esses discursos, porque o algoritmo percebe que temáticas que geram afeto, inclusive o ódio, mobilizam os espectadores”, constata. Para a professora Rosane, isso contribui para a formação de bolhas digitais. “As pessoas vão se colocando cada vez mais dentro de uma bolha, em um universo que dissemina violência”, observa.</p><p>Conforme a pesquisadora, essa dinâmica pode levar à naturalização de discursos misóginos. “Essa violência vai se naturalizando, assim como responsabilizar as mulheres pelas suas frustrações vai se naturalizando também”, pontua. Rosane acrescenta que há uma construção de identidade masculina baseada em poder e dominação: “eles recuperam essa visão de homem forte, um macho alfa que vai atuar e que é o detentor desse poder nas relações”.</p>		
													<img width="1024" height="683" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/Infografico-1-1-1024x683.jpg" alt="Infográfico com fundo azul-marinho e cápsulas vermelhas espalhadas pela imagem. O título “MISOGINIA NA INTERNET” aparece em letras maiúsculas. A arte destaca dados da SaferNet Brasil sobre o aumento de denúncias de misoginia online em 2025, incluindo o número de 87.689 denúncias únicas e crescimento de 28,4% em relação ao ano anterior." />													
		<h2><strong>Violência materializada: uma mulher é violentada a cada seis minutos no Brasil</strong></h2><p>No contexto da cultura <i>redpill</i>, a violência contra a mulher continua em alta no Brasil. De acordo com o 19º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em 2025 com dados referentes a 2024, o país registrou 1.492 feminicídios, o maior número desde que esse crime ganhou nome em 2015. A maioria das vítimas era negra (64%), tinha entre 18 e 44 anos (70%) e foi morta dentro de casa (64%), geralmente pelo companheiro ou ex-companheiro (80%). </p><p>No mesmo período, também foram contabilizados 87.545 casos de estupro e estupro de vulnerável, o maior número da série histórica, o que representa uma média de uma mulher ou menina violentada a cada seis minutos no país. Especialistas apontam que esses números refletem a persistência de uma cultura de misoginia e controle sobre o corpo e a autonomia feminina, frequentemente reforçada por discursos disseminados nas redes sociais e em comunidades masculinistas, como a chamada cultura<i style="color: #000000;font-size: 1rem"> redpill.</i>  </p><p>As raízes do problema não estão limitadas aos adultos. Hoje o problema tem começado cedo, além das redes e, inclusive, nas escolas. Embora não existam estatísticas oficiais que revelem diretamente a adesão de adolescentes à cultura <i style="color: #000000;font-size: 1rem">redpill</i>, os indicadores de violência escolar ajudam a dimensionar o terreno em que discursos misóginos encontram espaço para se disseminar. </p><p>Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)em 2026 com base em informações coletadas em 2024, mostram que 39,8% dos estudantes de 13 a 17 anos já sofreram bullying, 27,2% relataram humilhações recorrentes e 16,6% afirmaram ter sido agredidos fisicamente por colegas. Entre as meninas, o percentual de vítimas de bullying chega a 43,3%. </p><p>Em paralelo, uma pesquisa com professores apontou que sete em cada dez docentes já presenciaram episódios de assédio ou agressão contra alunas no ambiente escolar. O cenário é agravado pela dificuldade das instituições de ensino em enfrentar essas situações: levantamento da Fundação Carlos Chagas revelou que 71,7% dos gestores escolares relatam obstáculos para lidar com casos de violência, racismo e bullying. </p><p>Essa realidade faz com que Rosane destaque onde a cultura redpill têm chegado. “Esse conteúdo tem chegado até adolescentes e jovens nos mesmos grupos que eles frequentam e navegam”, explica. A docente ainda complementa que há sinais comportamentais dessa influência: “o menino passa a ter um comportamento mais rude, mais grosseiro, mais agressivo, resultado dessa radicalização”.</p><p>Para o psicólogo e mestrando em Psicologia pela UFSM Emanuel Chiamenti, a adolescência é um período particularmente vulnerável a esse tipo de discurso justamente porque envolve a construção da identidade e das referências de masculinidade e feminilidade. Segundo o pesquisador, os jovens atravessam mudanças corporais, sociais e emocionais enquanto tentam compreender “o que significa ser homem” e o que se espera deles dentro das relações sociais. “As redes sociais, a escola, a religião e a família acabam oferecendo respostas prontas para essas dúvidas. O adolescente tenta encontrar um lugar simbólico diante dessas normas”, esclarece o pesquisador.</p><p>Emanuel afirma que a adesão a discursos extremistas não pode ser entendida apenas individualmente, mas como resultado de atravessamentos sociais e subjetivos. “Quando existe uma fragilidade narcísica, marcada por sentimentos de fracasso, inadequação e desamparo, alguns sujeitos tendem a buscar discursos rígidos e extremistas para reafirmação identitária”, diz. Segundo ele, comunidades masculinistas oferecem sensação de pertencimento, inimigos declarados e uma ideia de recuperação de um suposto poder perdido.</p><p>A professora Rosane alerta para os impactos desse fenômeno nas relações sociais e de gênero. “Esse discurso silencia e amedronta mulheres”, descreve. Ela observa que isso afeta diretamente o desenvolvimento e a segurança emocional das vítimas, além de prejudicar relações de confiança. Já Emanuel considera que o ambiente digital ocupa hoje um papel central na formação subjetiva dos adolescentes. “O inconsciente se constitui nas relações com o outro, com imagens, discursos e identificações. As redes sociais atravessam significativamente nossos ideais de eu, aquilo que sentimos que deveríamos ser”, aponta.</p><p>O psicólogo explica que a cultura redpill radicaliza modelos tradicionais de masculinidade, associados ao domínio, poder financeiro, controle emocional e autoridade sobre as mulheres. “Há um ressentimento com as transformações sociais das últimas décadas e com a maior liberdade feminina. Alguns homens passam a interpretar essas mudanças como perda de poder”, analisa Emanuel no mesmo sentido que a professora Rosane.</p><p>Para o mestrando, embora exista um discurso sobre uma suposta “crise da masculinidade”, o fenômeno está profundamente ligado às transformações econômicas e sociais contemporâneas. “O capitalismo não está dando aos homens aquilo que prometeu: estabilidade financeira, capacidade de prover sozinho uma família e poder absoluto. Muitos acabam deslocando essa frustração para as mulheres e para o feminismo”, frisa.</p>		
													<img width="1024" height="683" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/Infografico-2png-1024x683.jpg" alt="Infográfico com fundo azul-marinho e detalhes em vermelho e branco. O título “VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS” aparece em destaque. A imagem apresenta dados da pesquisa PeNSE sobre bullying, humilhações e agressões entre estudantes de 13 a 17 anos, além do percentual de meninas vítimas de bullying. Cápsulas vermelhas aparecem na parte inferior da arte." />													
		<h2><b>Os papéis sociais e o debate nas escolas</b></h2><p>A professora Rosane Leal defende que a escola deve atuar diretamente na prevenção e no enfrentamento desses discursos. “É papel da escola trazer essa pauta, discutir, ver como estão as relações dentro da sala de aula e proporcionar rodas de conversa”, destaca. Ela também enfatiza a importância de mostrar os impactos: “especialmente mostrando os impactos que isso causa na vítima, no seu sofrimento, no seu adoecimento”.</p><p>Emanuel também defende que a escola precisa ser compreendida como um espaço de formação humana e não apenas de transmissão de conteúdo. De acordo com o psicólogo, discutir gênero e relações afetivas não significa “ensinar alguém a ser algo”, mas criar condições para que adolescentes reflitam criticamente sobre normas sociais naturalizadas. “A escola participa disso tanto ao abordar o tema explicitamente quanto ao silenciar”, compara. Para Emanuel, a educação tem um papel importante na construção de relações menos violentas, principalmente por oferecer experiências coletivas, diálogo e mediação crítica, algo que as redes sociais frequentemente não conseguem proporcionar.</p><p>No campo jurídico, a professora relaciona esses discursos a diferentes formas de violência previstas na legislação brasileira. “Não se trata de uma mera brincadeira e é papel também da escola e das famílias chamar atenção sobre isso”, alerta. Ela cita que essas condutas podem configurar crimes como feminicídio, lesão corporal, estupro, importunação sexual, assédio, perseguição e violência psicológica.</p><p>Rosane ressalta que essas violências frequentemente se interligam e podem se agravar. “É muito difícil ter uma situação de violência psicológica que depois não derive para uma violência física”, pondera. Para ela, esse conjunto de práticas evidencia a gravidade do fenômeno e sua relação com o aumento de casos de violência contra mulheres.</p><p>Apesar do crescimento desses discursos, Emanuel acredita que crenças misóginas podem ser desconstruídas, especialmente durante a adolescência. “A subjetividade nunca está completamente pronta. O sujeito continua sendo atravessado por novos afetos, experiências e formas de pertencimento”, explica.</p><p>De acordo com ele, espaços de escuta e acolhimento são fundamentais para enfrentar a radicalização masculina. “Não se trata de validar discursos violentos, mas de compreender a função psíquica que eles ocupam para aquele adolescente. É preciso criar possibilidades de elaboração emocional, responsabilização e construção de formas mais saudáveis de relação com o outro”.</p><p><b><i>Texto e artes gráficas:</i></b><i> Pedro Moro, estudante de jornalismo e bolsista da Agência de Notícias</i></p><p><b style="color: #000000;font-size: 1rem"><i>Edição: </i></b><i style="color: #000000;font-size: 1rem">Maurício Dias</i></p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Pré-Conferência de Saúde reúne estudantes e docentes no CCS para debater políticas públicas para a área</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2026/05/14/conferencia-saude</link>
				<pubDate>Thu, 14 May 2026 17:00:25 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[conferencia de saúde]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[saúde pública]]></category>
		<category><![CDATA[SUS]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/?p=72796</guid>
						<description><![CDATA[A atividade é parte das etapas que antecedem a Conferência Nacional de Saúde, que acontecerá em 2027.
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <figure>
										<img width="1024" height="683" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/IC3A4180-1024x683.jpg" alt="Foto colorida horizontal da pré-conferência de saúde. Em primeiro plano, cartaz fixado na porta com a indicação da conferência. Em segundo plano, o auditório lotado de participantes sentados nas cadeiras." />											<figcaption>Estudantes e professores da área da saúde participaram de pré-conferência que discute os rumos da saúde pública e do SUS</figcaption>
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		<p>O Centro de Ciências da Saúde (CCS) organizou, nesta quarta-feira (13), a Pré-Conferência de Saúde da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). O encontro, preparatório para a 18ª Conferência Nacional de Saúde, foi realizado no prédio 26A e reuniu estudantes e docentes dos cursos da área da saúde em um debate sobre políticas públicas de saúde.</p><p>A Pré-Conferência busca contribuir com reflexões locais e dialogar com as etapas estaduais e nacionais da Conferência. Para isso, constitui-se em um espaço de diálogo e construção coletiva para fortalecer a participação social do Sistema Único de Saúde (SUS).</p><p>A participação social no contexto da saúde é um princípio organizativo do SUS e ressalta a importância da inserção da população na formulação das políticas públicas em defesa do direito à saúde. </p><p>Professora do Departamento de Saúde Coletiva, Lisiane Bôer Possa, explica que, nesse momento, são discutidos em grupos os eixos temáticos, a partir dos quais são feitas propostas que serão encaminhadas para a Conferência Municipal.</p><p>A Pré-Conferência da UFSM discutiu os quatro eixos temáticos, debatidos em nível nacional:</p><p>- Eixo 1: democracia, saúde como direito e soberania nacional;</p><p>- Eixo 2: financiamento adequado e suficiente para o SUS, com base na justiça tributária e sustentabilidade fiscal e social;</p><p>- Eixo 3: os desafios para o SUS na agenda nacional da defesa da vida e da saúde, emergências climáticas e justiça socioambiental;</p><p>- Eixo 4: Modelos de atenção e gestão, territórios integrados e cuidado integral.</p><p>“Nós estamos aqui para dizer que SUS queremos, que saúde queremos para os brasileiros e que problemas achamos que precisam ser solucionados. Ou seja, estamos aqui para planejar o nosso futuro, olhar para o futuro da nossa saúde, do nosso Sistema Único de Saúde e dizer o que nós queremos deles”, disse a professora.</p><p>A docente reforça a importância desse debate como um exercício de aprendizagem para os alunos, pois a Universidade se compromete com a formação destes novos profissionais da saúde - que trabalharão neste SUS de 2028 a 2031. Por isso, a importância de um espaço que fortalece a democracia: “Não existe saúde sem democracia. Esse é um espaço para construirmos, juntos, propostas para melhorar a saúde e o cuidado de todos nós”, ressaltou Lisiane.</p><p>As estudantes do quarto semestre Enfermagem, Luiza Harden e Beatriz Noal, participaram da sua primeira Conferência. Elas optaram pelo Eixo 3 e destacaram a importância do debate constante sobre o SUS para que siga em constante aprimoramento. “Nós somos o futuro da saúde. A gente tem que estar sempre debatendo. Se a gente não falar sobre, ficará estagnada no tempo”, observou Luiza.</p><p>Beatriz reforçou que, enquanto ingressantes no curso e como futuros profissionais no SUS, os estudantes podem trazer visões diferentes para algo já estabelecido. “A nossa visão é mais como usuário, não como profissional em si. Apesar da gente ter o conhecimento teórico, a prática para nós ainda é muito nova e abstrata”, comentou. Para ela, a entrada de pessoas mais novas no SUS traz um olhar atualizado para as políticas públicas, para as práticas e para a diversidade.</p>		
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										<img width="1024" height="683" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/IC3A4187-1024x683.jpg" alt="Foto colorida horizontal de um grupo de pessoas sentadas em formato de círculo. Entre os participantes, está uma mulher com chapéu preto de tricô que segura um papel e faz a leitura. Ela é a professora Laís, a coordenadora da pré-conferência" />											<figcaption>Professora Lisiane Possa, do Departamento de Saúde Coletiva, considera a conferência importante para pensar o futuro do SUS</figcaption>
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										<img width="1024" height="683" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/IC3A3972-1024x683.jpg" alt="Foto colorida horizontal da mão de uma pessoa retirando uma senha. Atrás dela, um grupo de pessoas." />											<figcaption>Temas dos eixos temáticos foram entregues na entrada do encontro</figcaption>
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										<img width="1024" height="683" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/IC3A4091-1024x683.jpg" alt="Foto colorida horizontal de grupo de pessoas sentadas em uma sala. A imagem mostra ainda uma porta com cartaz da conferência" />											<figcaption>Estudantes do curso de Enfermagem estiveram entre as participantes da conferência</figcaption>
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		<h3><b>O que são as conferências de saúde?</b></h3>
<p>As conferências são reuniões com caráter deliberativo e que reúnem representantes do governo, profissionais da saúde e usuários do SUS. O objetivo dos encontros, realizados a cada quatro anos, é definir políticas públicas em saúde nos âmbitos municipais, estaduais e federal. A 18ª Conferência Nacional de Saúde será realizada em julho de 2027.</p>
<p>As Conferências geram um processo de organização dos municípios para fortalecer um dos princípios do SUS: a descentralização das ações. “A ideia é que as decisões e as ações de saúde sejam adaptadas ao contexto do estado, da região e do município. Então, nada mais justo que a Universidade discutir aquilo que é de necessidade dessa parte do território aqui de Santa Maria”, explica a professora Laís Corcini.</p>
<p>A docente salientou que esses processos valorizam a voz e a necessidade da população, baseado em suas vivências dentro do território: “o SUS abarca desde a questão da qualidade da água que a gente recebe até um transplante de órgãos e a gente discute por todas essas questões”.</p>
<p>As pré-conferências e conferências contam com pelo menos 50% de usuários do SUS, 25% de profissionais e 25% de gestores. A partir da união de diferentes atores da saúde pública pode-se discutir o que é prioritário para a saúde do município ou no território específico. Para a professora, é essencial que a universidade pública assuma um compromisso com o fortalecimento do SUS e com a efetivação das políticas a ele vinculadas, a partir de uma perspectiva de saúde planetária.</p>
<p>“Que a gente não considere a saúde em si como uma mera presença ou ausência de doenças, mas a saúde como relacionada à qualidade do ar, da água e à qualidade de vida, garantia de acesso ao transporte, à moradia, ao emprego, ao lazer e à cultura”, ponderou.</p>
<p>Com o tema&nbsp; "Saúde, Democracia, Soberania e SUS - cuidar do povo é cuidar do Brasil", a reunião tem como objetivo construir o plano de saúde para o próximo ciclo de quatro anos. A etapa municipal da Conferência será realizada em junho de 2026.</p>
<p><i><b>Texto</b>: Júlia Ciervo Zucchetto, estudante de Jornalismo e estagiária na Agência de Notícias</i></p>
<p><i><b>Fotos</b>: Mathias Ilnicki,&nbsp;estudante de Jornalismo e estagiário na Agência de Notícias</i></p>
<p><i><b>Edição</b>: Maurício Dias, jornalista</i></p>]]></content:encoded>
													</item>
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				<title>Capacitação na UFSM debate uso de bioinsumos pela agricultura familiar </title>
				<link>https://www.ufsm.br/2026/05/11/capacitacao-na-ufsm-debate-uso-de-bioinsumos-pela-agricultura-familiar</link>
				<pubDate>Mon, 11 May 2026 12:05:15 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[#bioinsumos]]></category>
		<category><![CDATA[Agricultura]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[Extensão Rural]]></category>

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						<description><![CDATA[Atividade promoveu troca de experiências sobre produção sustentável, controle biológico e diminuição da dependência de agrotóxicos 
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <figure>
										<img width="1024" height="683" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/IC3A3257-1-1024x683.jpg" alt="Foto colorida horizontal. Um homem fala ao microfone em um auditório durante palestra sobre bioinsumos. À esquerda há bandeiras e um púlpito com a identidade visual da Rede Bio. Ao centro e mais acima, um telão exibe um cartaz do evento com informações já apresentadas no texto. Na parte inferior, uma plateia sentada acompanha a atividade." />											<figcaption>Palestra sobre o papel dos bioinsumos na transição agroecológica reuniu participantes no auditório do Colégio Politécnico </figcaption>
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		<p>Cerca de 50 agricultores participaram, na tarde da última sexta-feira (8), da capacitação “O papel dos bioinsumos na transição agroecológica”, realizada no auditório do Colégio Politécnico da UFSM. O encontro reuniu produtores rurais, pesquisadores, estudantes e representantes de instituições ligadas ao setor para discutir alternativas sustentáveis de cultivo, com foco no uso de insumos biológicos e na multiplicação de microrganismos.</p><p>Promovida pela Rede Bioinsumos, em parceria com a Universidade Federal do Pampa (Unipampa), o programa de Pós-Graduação (PPG) em Extensão Rural da UFSM e o Colégio Politécnico, a atividade integrou uma série de ações voltadas ao fortalecimento da agroecologia e da autonomia dos agricultores na fabricação de seus próprios recursos biológicos.</p><p>Bioinsumos são produtos desenvolvidos a partir de organismos vivos ou de seus derivados. Entre eles estão microrganismos como bactérias e fungos, além de substâncias naturais como extratos vegetais. Esses insumos atuam diretamente no solo e nas plantas, ao contribuir para o desenvolvimento da lavoura e reduzir os impactos ambientais causados por defensivos químicos.</p><p>Para o organizador Marcos Botton Piccin, docente do PPG em Extensão Rural, a proposta da capacitação é incentivar que agricultores retomem o controle de processos produtivos que, ao longo das últimas décadas, passaram a depender somente da indústria. </p><p>Conforme o professor, a modernização do campo fez com que conhecimentos tradicionalmente dominados pelos produtores fossem substituídos pela compra de insumos externos. “A grande questão é que os agricultores passem a controlar um processo biológico dentro da unidade produtiva e não dependam do mercado para adquirir esses produtos”, afirmou. Além da redução de custos, Piccin destacou benefícios relacionados à saúde e ao ecossistema, visto que sistemas de base biológica reduzem a exposição a tóxicos e diminuem os riscos de contaminação do solo e da água.</p><p>A programação contou ainda com a participação do assessor técnico da Rede Bioinsumos, Maurício Piccin, responsável pela capacitação. Veterinário e integrante do Grupo Associado de Agricultura Sustentável (GAAS), Maurício explicou que o projeto prevê a implementação de unidades de fabricação em organizações da agricultura familiar. Segundo ele, a iniciativa busca estimular a migração de sistemas convencionais para modelos orgânicos. “Os bioinsumos são uma ferramenta para fazer essa transição”, destacou.. </p>		
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										<img width="1024" height="683" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/IC3A3247-1024x683.jpg" alt="Foto colorida vertical. Uma pessoa segura uma cartilha sobre produção de bioinsumos para agricultura familiar. À esquerda aparece parte do corredor do auditório. À direita há poltronas e materiais do evento encobertos pela cartilha." />											<figcaption>Cartilha sobre boas práticas para produção de bioinsumos foi distribuída aos participantes do encontro.</figcaption>
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		<h3><strong>Agricultores da região buscam capacitação</strong></h3><p> A busca por conhecimento levou a agricultora Fátima Leal da Silva ao campus da UFSM. Segundo ela, práticas sustentáveis já fazem parte da rotina em seu sítio, com o reaproveitamento de resíduos para a produção de adubo. A produtora afirma que pretende, futuramente, elaborar os próprios insumos biológicos em casa. </p><p>Fátima participou da capacitação acompanhada do colega da Biofeira de Itaara, o agricultor André Haddad, que procurou o evento para aprender formas alternativas de manejo e baratear os processos no estabelecimento rural. Atualmente, parte do que é utilizado na plantação ainda vem de fornecedores externos. “O que a gente busca aqui é produzir o próprio material, também para diminuir o custo”, disse. De acordo com o agricultor, o uso de químicos em suas terras já é reduzido.“Nós usamos praticamente zero químicos na produção,” revelou. </p>		
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										<img width="1024" height="683" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/IC3A3296-1024x683.jpg" alt="Foto colorida horizontal. Uma agricultora e um agricultor, que posam para a câmera durante evento da Rede Bio. À esquerda está um banner da Unipampa. À direita há um painel verde da Rede Bio. Ambos usam roupas casuais." />											<figcaption>Agricultores participaram das atividades da Rede Bio voltadas à troca de experiências e práticas sustentáveis na agricultura familiar.</figcaption>
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		<h3><strong>Parceria com Unipampa</strong></h3><p>O evento também contou com a parceria da Universidade Federal do Pampa, responsável pela coordenação da RedeBio na região Sul do país. De acordo com o diretor do campus Itaqui da instituição, José Carlos Severo, a proposta da rede é capacitar produtores, realizar análises técnicas e criar unidades produtivas desses insumos.</p><p>A formação é dividida em duas etapas. A primeira, realizada na UFSM, teve como foco a introdução do que são bioinsumos e como utilizá-los. Já a segunda etapa, prevista para junho, será voltada à capacitação prática de agricultores que irão atuar diretamente nas unidades de produção que serão instaladas no Estado.</p><p>Encontre mais informações sobre o evento no instagram <a href="https://www.instagram.com/bioinsumos_unipampa_mda?igsh=MXU3N3pvdG1kcWdhMA==">@bioinsumos_unipampa_mda </a></p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"><i><b>Texto</b>: João Victor Souza, estudante de jornalismo e estagiário na Agência de Notícias. </i></p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"><i><b>Fotos</b>: Mathias Ilnicki, estudante de jornalismo e bolsista na Agência de Notícias</i></p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"><i><b>Edição</b>: Maurício Dias, jornalista</i></p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Brasil avança em Liberdade de Imprensa, mas sofre com disparidade de gênero nas redações e ataques aos jornalistas</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2026/05/08/liberdade-de-imprensa</link>
				<pubDate>Fri, 08 May 2026 17:46:09 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[ejor]]></category>
		<category><![CDATA[imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[liberdade de imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[mídia]]></category>

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						<description><![CDATA[Estudo coordenado por professora da UFSM e publicado em ebook da WJS destaca momento atual da atividade jornalística no país
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph /--><p style="text-align: left">A Liberdade de Imprensa no Brasil avançou, segundo relatório recém divulgado pela organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF). Neste ano, o país figura na 52ª posição do ranking geral da RSF e, pela primeira vez, superou os Estados Unidos, que caiu para a 64ª colocação. Embora apresente melhorias, o país enfrenta problemas comuns aos de outras nações, como a judicialização do trabalho da imprensa. Além disso, no Brasil, existe disparidade de gênero nas redações e ocorre aumento dos casos de violência contra jornalistas. Os dados são de estudo inédito da World of Journalism Study (WJS), grupo internacional de pesquisadores do qual faz parte a professora Laura Storch, coordenadora do Grupo de Estudos em Jornalismo <a href="https://www.ufsm.br/grupos/ejor">(EJOR)</a> da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).  </p>
<p style="text-align: left"> </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">O jornalismo tem o compromisso de informar de maneira responsável os assuntos de interesse público. Ao acompanhar e cobrar o cumprimento do papel de quem atua nos três poderes - executivo, legislativo e judiciário -, a imprensa exerce o chamado “quarto poder”. A mídia acaba, assim, contribuindo com a garantia da democracia. Em função do ofício, que implica na exposição a riscos na apuração de informações, o jornalista está em posição de fragilidade e frequentemente sofre com violências, censura, perseguições e manifestações de ódio.</p>		
													<img width="1024" height="682" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/Info-posicao-do-Mundo-na-liberdade-de-imprensa-1.jpg" alt="Imagem colorida horizontal sobre liberdade de imprensa. Em primeiro lugar, Noruega. Em 52º Brasil. EUA. e, 64º" />													
		<h3><b>Liberdade de Imprensa no mundo atinge níveis mais baixos do século XXI</b></h3>
<p></p>
<p>A pontuação média geral dos 180 países monitorados pela&nbsp;<a href="https://rsf.org/pt-br/ranking-2026-liberdade-de-imprensa-no-n%C3%ADvel-mais-baixo-em-25-anos" target="_blank" rel="noopener">Repórteres Sem Fronteiras (RSF)</a>&nbsp;está no nível mais baixo deste século. Divulgado na antevéspera do Dia Internacional da Liberdade de Imprensa, celebrado no dia 3 de maio, o ranking de 2026 revela que 52% da população mundial vive em lugares em que o trabalho de jornalistas é considerado “difícil” ou “muito grave”. Entre os motivos para tal quadro estão: a ocorrência regular de conflitos armados, a existência de regimes ditatoriais, a polarização política, a criminalização da atividade jornalística e a falta de políticas públicas.</p>
<p>A liberdade de imprensa é monitorada a partir de indicadores econômicos, políticos, legislativos, sociais e de segurança pública. Um dos destaques negativos apontados pela RSF é o índice legislativo, que revela o abuso de mecanismos como lei de segurança para cercear o trabalho da imprensa tanto em regimes autoritários, como a Rússia (172°), quando em países que já foram exemplo de democracia, como Estados Unidos (64º).</p>
<p>“A gente está vivendo um momento muito particular da história em que estamos acompanhando no mundo inteiro um recrudescimento tanto de regimes políticos mais totalitários, quanto de lógicas de mercado mais totalitárias. Esses elementos geram uma pressão importante sobre o jornalismo, num momento em que o próprio jornalismo está fragilizado pelas mudanças internas que está passando”, analisa a professora Laura Storch sobre o ranking da RSF.</p>
<p>A crise a que a pesquisadora se refere tem dois eixos centrais: a sustentabilidade financeira da profissão e a credibilidade da imprensa. A sustentabilidade financeira se revela na dificuldade do “fazer jornalismo”, com a necessidade de atualização de equipamentos caros, as rotinas intensas de trabalho e a manutenção da segurança dos trabalhadores. Já a credibilidade é posta em xeque quando há questionamento da pertinência da profissão e dos profissionais diante do crescimento da figura do influenciador digital, do uso da inteligência artificial e da mudança da dieta informativa.</p>		
													<img width="1024" height="682" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/Info-posicao-do-Brasil-na-liberdade-de-imprensa.jpg" alt="Gráfico colorido horizontal mostra evolução do ranking de liberdade de imprensa no Brasil: que estava em 111 em 2011 e saltou para a posição 52 neste ano, ou seja, melhorou" />													
		<h3><b>Brasil na contracorrente da América Latina</b></h3>
<p> </p>
<p>Pela primeira vez, o Brasil está em posição superior à dos EUA, e está em 52º lugar no ranking da RSF, subindo cinco colocações em relação ao ano passado. O avanço na liberdade de imprensa no país é ainda mais notável se comparado com cinco anos atrás, quando estava em 111º lugar. O relatório da entidade identifica que a mudança do governo de Jair Bolsonaro, que tratava a imprensa de forma truculenta e desacreditava a mídia, para o de Luís Inácio Lula da Silva, que dialoga com jornalistas, foi considerada decisiva para a mudança do quadro. </p>
<p>“Existe um certo enrijecimento social em relação à política em diversos lugares do mundo, inclusive no Brasil”, pondera a professora Laura. A pesquisadora compara dados da pesquisa da RSF com os de estudo que realizou com o grupo de <i>World of Journalism Study </i>e revela<i>: </i>“temos claramente a percepção dos jornalistas brasileiros de que aquele momento do governo Bolsonaro foi muito desafiador e muito agressivo para o trabalho jornalístico. Tinha essa exposição produzida pelos próprios discursos do presidente naquele momento”.</p>
<p>O continente americano passa por uma situação semelhante à das regiões mais perigosas e mortais para o exercício do jornalismo, como Oriente Médio e Europa Oriental - atingidas por guerras e conflitos -, devido à atuação sistemática de governos (Estados Unidos, Argentina e El Salvador) e à violência dos cartéis (México, Equador e Peru). Ao avaliar os dados da região, a <a href="https://latamjournalismreview.org/pt-br/articles/a-liberdade-de-imprensa-nas-americas-cai-drasticamente-em-meio-a-repressao-global-aponta-relatorio-da-rsf/" target="_blank" rel="noopener">LatAm Journalism Review</a> pontua o caso do Brasil como “uma luz nas Américas”, pelo retorno da normalidade democrática, reforço da transparência, do acesso à informação e da independência institucional. Apesar da melhora, a liberdade de imprensa no país é abalada pelo aumento da judicialização e os casos de violência de todos os tipos, incluindo a praticada pelo crime organizado. </p><h3><b>Disparidade de gênero na redações</b></h3>
<p>A rede internacional de pesquisadores <a href="https://worldsofjournalism.org/" target="_blank" rel="noopener">World of Journalism Study</a><i> </i>publicou neste ano, <i>pelo</i> <i>Knight Center,</i> um e-book sobre o exercício da profissão na América Latina. O estudo trilíngue (português, espanhol e inglês) se baseia em entrevistas feitas com mais de 4 mil jornalistas de 11 países pela rede de pesquisadores WJS.</p>
<p><i>O</i> capítulo “Jornalismo brasileiro: Desafios de insegurança, autocensura e disparidades de gênero” é assinado pela professora Laura Storch, em parceria com os pesquisadores da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e Universidade de Siegen, na Alemanha. O texto destaca que o jornalismo no país é exercido em um contexto marcado por insegurança estrutural, precarização do trabalho e pressões constantes, que impactam diretamente na prática profissional. O Brasil tem altos índices de ataques a jornalistas, incluindo casos de assédio, perseguição, o que contribui para um ambiente hostil e de risco. Em função disso, muitos profissionais recorrem à autocensura como estratégia de autoproteção, evitando determinados temas ou abordagens para reduzir possíveis retaliações. O cenário é agravado pela instabilidade laboral proveniente de contratos frágeis, múltiplos empregos e baixa remuneração. Além do intenso desgaste emocional.</p>
<p>Além disso, o capítulo destaca barreiras estruturais da profissão, a exemplo das desigualdades de gênero na imprensa. De acordo com os pesquisadores, as mulheres têm menos estabilidade na carreira e enfrentam mais assédio e insegurança. A professora da UFSM enfatiza que a questão de gênero transparece na profissão por ser uma característica social.</p>
<p>“As nossas sociedades têm essa característica de que o trabalho da mulher é mais desvalorizado. Existe uma desigualdade estrutural. E isso se repete no jornalismo também. Nesse caso, tanto as pesquisas nacionais, quanto as internacionais vão demonstrar sistematicamente, que existem diferenças muito importantes, em relação ao trabalho da mulher e ao trabalho do homem jornalista, bem como em relação aos tipos de violência que eles sofrem também”, explica.</p>
<h3><b style="background-color: transparent;color: #000000;font-family: Arial, sans-serif;font-size: 11pt;white-space: pre-wrap;text-align: justify">A cada 1,7 minuto, um jornalista brasileiro é agredido virtualmente</b></h3>
<p>O relatório da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), divulgado em 2025, registrou 900 mil ataques virtuais a jornalistas. O número representa uma média de 2,5 mil agressões diárias ou cerca de 1,7 por minuto, indicando um crescimento de 35% em relação ao período anterior.</p>
<p>A Abert aponta que pelo menos nove jornalistas de veículos, como jornais, sites e emissoras de televisão, foram impedidos de realizar coberturas políticas, esportivas e regionais no ano passado, o que representa um aumento de 55% se comparado ao período anterior. A professora explica que normalmente, os casos de ataques contra jornalistas são muito particulares, e que a maioria dos profissionais depende do apoio oferecido pelas instituições. As empresas de mídia, por outro lado, nem sempre têm protocolos bem estabelecidos para lidar com as situações. A pesquisadora compara com a situação das enchentes, em que os jornalistas ficaram expostos a uma série de riscos, mas que os protocolos foram sendo estruturados com o tempo. </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">No Brasil, a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), é a responsável por defender os direitos trabalhistas dos jornalistas, e  a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), entidade sem fins lucrativos voltada ao jornalismo de interesse público, defende a liberdade de expressão e o aprimoramento das técnicas de investigação jornalística.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"> </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"><em>Reportagem: Ellen Scwade, estudante de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias</em></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"><em>Infografia: Daniel Michelon De Carli</em></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"><em>Edição: Maurício Dias</em></p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Paralelo 33 debate segurança pública a partir do filme “Carandiru”</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2026/05/06/paralelo-carandiru</link>
				<pubDate>Wed, 06 May 2026 13:02:12 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[carandiru]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[cinema nacional]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[Paralelo 33]]></category>
		<category><![CDATA[Relações Internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[segurança pública]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/?p=72702</guid>
						<description><![CDATA[Sessão de cinema no auditório do prédio 67 reuniu estudantes para refletir sobre direitos humanos e sistema prisional
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <figure>
										<img width="1024" height="683" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/IC3A1021-1024x683.jpg" alt="Foto colorida horizontal mostra uma sala escura de projeção com fileiras de cadeiras ocupadas por diversas pessoas sentadas, vistas de costas. Ao fundo, uma grande tela exibe uma cena do filme “Carandiru” com duas pessoas em destaque. O ambiente tem iluminação baixa, com luz principal vindo da projeção." />											<figcaption>Estudantes de diferentes cursos assistiram a exibição de “Carandiru”</figcaption>
										</figure>
		<p>Mais de 80 pessoas participaram, nesta segunda-feira (4), da exibição do filme “Carandiru” no auditório do prédio 67 do campus sede da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Aberto ao público e com entrada gratuita, o evento foi promovido pelo projeto de extensão “Paralelo 33”, vinculado ao curso de Relações Internacionais. O projeto é voltado ao debate acadêmico sobre países em desenvolvimento da América Latina, África, Ásia e Oceania, com base em abordagens teóricas relacionadas ao Sul Global. </p><p>A sessão de cinema também promoveu um debate sobre temas sociais abordados pelo filme exibido. A atividade integra a programação temática do projeto, dedicada ao eixo de segurança internacional na perspectiva do Sul Global. Além disso, os participantes presentes puderam obter quatro horas de Atividades Complementares de Graduação (ACG).</p><p>Dirigido por Hector Babenco e baseado no livro “Estação Carandiru”, escrito por Drauzio Varella, o longa retrata a realidade da Casa de Detenção de São Paulo e aborda questões como sistema penitenciário brasileiro, violência estatal, desigualdade social e direitos humanos. </p>		
										<figure>
										<img width="1024" height="683" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/IC3A0990-1024x683.jpg" alt="Foto colorida horizontal que mostra Guilherme, presidente do projeto. Ele é um homem jovem branco de óculos, com moletom escuro, que gesticula com a mão esquerda enquanto fala. Guilherme está em pé diante de uma tela de projeção com a imagem da capa do filme Carandiru, em que várias pessoas estão abaixadas." />											<figcaption>Guilherme Lopes Brandão, presidente do Paralelo 33, conduziu a sessão de cinema</figcaption>
										</figure>
		<h3><b>Cinema como espaço de debate universitário</b></h3><p>Por meio do audiovisual, iniciativas acadêmicas como o Paralelo 33 ampliam a discussão sobre temáticas sociais, políticas e culturais na universidade. Conforme o presidente do projeto e estudante de Relações Internacionais, Guilherme Lopes Brandão, a escolha de “Carandiru” permite refletir sobre pautas atuais a partir do cinema nacional. “Quando trazemos um filme desses, no sentido das Relações Internacionais, a gente consegue ter a abertura para explicar o conflito de visões políticas que está muito latente ultimamente”, afirmou. </p><p>O estudante também destacou o papel do cinema como instrumento de integração entre cursos e áreas do conhecimento distintas. “Muitas das vezes ficamos muito fechados no ciclo do nosso próprio curso. O cinema entra como um recurso intercultural dentro do próprio ambiente acadêmico para transformar isso”, destacou.</p><p>Sobre a escolha da obra, Guilherme ressaltou a relação entre o filme e o tema do mês escolhido pelo projeto: segurança. “Carandiru é um marco histórico no quesito de segurança pública no Brasil, justamente porque ele levou à fundação de movimentos muito maiores no país”, afirmou. O presidente do Paralelo 33 ainda ressaltou o interesse em ampliar a variedade de obras para as sessões, com a finalidade de tratar de diferentes contextos mundiais. “No ano passado nós focamos em obras nacionais. Neste ano, queremos expandir para filmes latino-americanos e do Sul Global, como a cinematografia iraniana que é muito grande e forte”, antecipou.</p><b> </b>		
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										<img width="1024" height="683" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/IC3A0961-1024x683.jpg" alt="Do livro ao audiovisual, a obra é baseada em um acontecimento real" />											<figcaption>Do livro ao cinema, a obra é baseada em um acontecimento real sobre o sistema prisional brasileiro</figcaption>
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		<h3><b>O massacre no Carandiru </b></h3><p>A Casa de Detenção de São Paulo, conhecida como Carandiru, foi local de uma operação da Polícia Militar em 2 de outubro de 1992, após uma rebelião iniciada no interior do presídio. Na época, a unidade tinha capacidade para cerca de 4 mil presos, mas abrigava mais de 7 mil detentos. A ação resultou na morte de 111 presos e marcou a história do sistema penitenciário brasileiro. A unidade prisional foi desativada em 2002 e, posteriormente, demolida para dar lugar ao Parque da Juventude.</p><p>O episódio provocou a discussão sobre violência estatal, direitos humanos e superlotação carcerária no país. No campo cultural, o massacre inspirou, por exemplo, a música “Diário de um detento”, dos Racionais MCs, considerado um dos marcos do rap nacional. O videoclipe de “Diário de um detento”, gravado no Carandiru, conquistou o prêmio de melhor vídeo de rap no MTV Video Awards Brasil e Escolha da Audiência de 1998.</p><p>Já o filme “Carandiru”, lançado em 2003, dirigido por Hector Babenco e inspirado no livro “Estação Carandiru”, do médico Drauzio Varella, reconstrói o cotidiano dos detentos antes do massacre por meio de histórias individuais e relações estabelecidas dentro da prisão. A narrativa também apresenta a atuação de um médico no presídio, contexto inspirado na experiência de Drauzio no local, onde realizou atendimentos de saúde e ações de prevenção, incluindo casos de HIV no sistema carcerário. No desfecho, a obra retrata a invasão policial e os acontecimentos de 1992, conectando a narrativa cinematográfica a um dos episódios mais marcantes da história recente do Brasil. </p>		
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										<img width="1024" height="683" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/IC3A1066-1024x683.jpg" alt="Foto colorida horizontal mostra uma sala ampla com várias fileiras de cadeiras verdes ocupadas por um público composto majoritariamente por jovens. As pessoas estão sentadas, assistindo a fala dos membros do projeto. O ambiente é bem iluminado." />											<figcaption>Estudantes de diferentes cursos participaram da sessão de exibição de “Carandiru”</figcaption>
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		<h3><b>Repercussão entre participantes da sessão</b></h3><p>Após a sessão do Paralelo 33, os universitários relataram diferentes percepções sobre o filme, e destacaram reflexões provocadas pela narrativa. Estudante de Engenharia Civil, Felipe Padilha afirmou que a obra provocou desconforto ao abordar questões estruturais do sistema prisional brasileiro. “Não esperava que fosse tão impactante, me trouxe muitas sensações ruins, mas eu entendo que é essa a ideia, incomodar pra fazer a gente pensar sobre as situações e trazer à tona tópicos como presídios e ressocialização”, disse.</p><p>O estudante Vinicius Pasa, do curso de História, apontou as manifestações religiosas como um elemento secundário presente ao longo da narrativa. “Em vários momentos, foi possível ver presidiários usando guias de religiões afro-brasileiras ou fazendo referência a crenças cristãs. Esses elementos mostram caminhos reais que essas pessoas buscam para tentar lidar com a perspectiva dos próximos anos ou décadas que passarão presas”, observou. </p>		
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										<img width="1024" height="683" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/IC3A1010-1-1024x683.jpg" alt="Foto colorida horizontal de Cauê Santos, vice-presidente do projeto. Ele é um homem e está em pé, com cabelos médios escuros e óculos, vestindo uma camiseta verde e jaqueta preta. Ele está próximo a uma caixa de som e bandeiras ao fundo." />											<figcaption>Cauê Santos, vice-presidente do Paralelo 33, durante a sessão desta semana
</figcaption>
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		<h3><strong>O projeto e a proposta extensionista</strong></h3><p>De acordo com Cauê Santos, vice-presidente do projeto, cada sessão tem um assunto específico e busca estimular reflexões a partir das obras apresentadas. “Cada filme que a gente apresenta é como se fosse um pequeno recorte de uma temática que a gente estuda”, reforçou. </p><p>O objetivo do Cine Paralelo, na perspetiva de Cauê, é utilizar o audiovisual como ponto de partida para debates mais amplos sobre sociedade e política. “A ideia dessas exibições é pegar o cinema como um ponto de partida. Os estudantes não estão aqui para resolver os problemas retratados, mas para ter vivo esse pensamento crítico”,pontuou. </p><p>O Paralelo 33 prevê a realização de novas atividades ao longo do semestre. A próxima programação será em breve, em parceria com o Diretório Acadêmico de Relações Internacionais (DARI), e contará com a exibição de uma obra ainda não divulgada pelos organizadores. Para ter mais informações sobre o Paralelo 33, acesse o Instagram do projeto: <a href="https://www.instagram.com/paralelotrintaetres?utm_source=ig_web_button_share_sheet&amp;igsh=ZDNlZDc0MzIxNw==">@paralelotrintaetres</a></p><p><i><b>Texto</b>: Giovanna Felkl, estudante de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias.</i></p><p><i><b>Fotos</b>: Gabriele Mendes, estudante de Jornalismo e estagiária da Agência de Notícias</i></p><p><i><b>Edição</b>: Maurício Dias, jornalista</i></p>]]></content:encoded>
													</item>
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				<title>“Estava feliz por não serem ‘problemas de matemática’, pois de matemática ela não gostava”: jogo indígena transforma aprendizagem</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2026/05/04/jogo-da-onca</link>
				<pubDate>Mon, 04 May 2026 16:49:05 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[divulga ciência]]></category>
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						<description><![CDATA[Proposta desenvolvida no PROFMAT com Jogo da Onça vence prêmio de melhor dissertação da Região Sul
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <figure>
										<img width="768" height="1024" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-04-21-at-15.49.41-768x1024.jpeg" alt="Foto colorida vertical de um tabuleiro amarelo com marcações em formato de quadradros cortados ao meio, que se transformam em triângulos isóceles. Posicionados em lugares do tabuleiro estão 14 peças com cabeças de cachorro e 1 peça com cabeça de onça. Ainda, acima do tabuleiro, na parte superior, três medalhas e um cocalho." />											<figcaption>Jogo da Onça foi desenvolvido pela etnia Bororo, do Mato Grosso</figcaption>
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		<p>O uso de jogos no ensino de matemática não é novidade na trajetória da professora Elenice de Carvalho Alves. Ao longo de sua atuação na educação básica, essa abordagem sempre esteve presente.</p>
<p>Essa experiência motivou a pesquisa desenvolvida no Programa de Mestrado Profissional em Matemática em Rede Nacional (PROFMAT), da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Para a professora Elenice, a proposta parte de uma convicção: “A matemática pode ser ensinada de forma criativa, significativa e conectada com a cultura e com o cotidiano dos estudantes”.</p>
<h3><b>Do Quênia aos povos originários</b></h3>
<p>O caminho até a escolha do tema não foi imediato. Inicialmente, a proposta era trabalhar com o Shisima, um jogo de estratégia originário do Quênia semelhante ao jogo da velha, no qual os dois oponentes tentam alinhar três peças em um tabuleiro octogonal, passando pelo centro. </p>
<p>No entanto, a pesquisa tomou outro rumo a partir de um desafio. “Ao apresentar o jogo ao orientador, ele solicitou que eu encontrasse uma estratégia vencedora. Mesmo depois de muita análise, nada foi encontrado”, relembra.</p>
<p>Então, ocorreu uma guinada na pesquisa. “Percebi que conhecia um jogo com estratégia vencedora, que aprendi com meu avô na infância e que jogava com minha família. A memória afetiva e essa estratégia foram decisivas para a escolha do Jogo da Onça”, conta.</p>
<h3><b>Estratégia, lógica e construção do conhecimento</b></h3>
<p>Idealizado pelos povos indígenas da etnia Bororo, da região do Mato Grosso, o Jogo da Onça é conhecido como “Adugo” e é composto por uma peça que representa a onça e outras 14 que representam cachorros. Cada lado possui um objetivo específico: enquanto a onça precisa capturar cinco peças, os cachorros devem imobilizá-la no tabuleiro, impedindo seus movimentos.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">Mais do que um jogo, trata-se de uma prática tradicional utilizada para ensinar estratégias de caça e valores como coletividade e paciência. “É um jogo que também ensina a importância de cuidarmos uns dos outros”, destaca a professora.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">Do ponto de vista pedagógico, o potencial é amplo. “O Jogo da Onça apresenta uma riqueza matemática ímpar, com grande potencial lúdico e educativo, estimulando o raciocínio lógico, a resolução de problemas e a construção de estratégias”, explica.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">A partir do jogo, foram desenvolvidos problemas matemáticos que exploram conteúdos como análise combinatória, probabilidade, simetria e geometria. Os próprios elementos do tabuleiro e as situações que surgem durante as partidas servem como base para a construção do conhecimento.</p>		
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										<img width="768" height="1024" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-04-21-at-15.47.52-1-768x1024.jpeg" alt="Foto colorida vertical de um tabuleiro rosa com marcações em formato de quadradros cortados ao meio, que se transformam em triângulos isóceles. Posicionados em lugares do tabuleiro estão peças pretas e brancas. De cada lado do tabuleiro, ua pessoa. Existe, ainda, do lado esquerdo, um chocalho, e do lado direito, um celular" />											<figcaption>Jogo indígena tem sido usado para o aprendizado de matemática</figcaption>
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		<h3><b>Protagonismo e engajamento em sala de aula</b></h3>
<p>A proposta do uso do Jogo da Onça foi aplicada com alunos do Ensino Médio em uma sequência de oficinas. O resultado foi um ambiente de aprendizagem mais dinâmico e participativo. “Foi gratificante perceber o envolvimento dos estudantes. Eles conversavam, pensavam, riam, reclamavam ao perder, trocavam de dupla, desafiavam colegas e pediam ajuda para escolher a melhor jogada”, relata Elenice.</p>
<p>A interação entre os alunos foi um dos pontos mais marcantes. Em alguns momentos, estudantes alertavam colegas sobre jogadas arriscadas e assim demonstravam leitura estratégica e compreensão do jogo. Um episódio específico chamou a atenção da professora: “Uma aluna comentou que o jogo era como uma terapia, porque conseguia esquecer seus problemas pessoais enquanto jogava”.</p>
<p>Outro aspecto relevante foi a mudança na percepção sobre a disciplina. Mesmo resolvendo problemas complexos, muitos estudantes não associavam a atividade à matemática. “Uma aluna disse que estava feliz por não serem ‘problemas de matemática’, pois de matemática ela não gostava”, conta. </p>
<p>Ou seja, o Jogo da Onça tornou-se um recurso didático capaz de minimizar as dificuldades frequentemente enfrentadas pelos alunos na aprendizagem da disciplina. “O aluno se torna mais ativo no processo de aprendizagem, participando, dialogando e construindo soluções coletivamente”, pontua.</p>
<h3><b>Matemática como prática social e cultural</b></h3>
<p>Além dos conteúdos matemáticos, a proposta também incorpora uma dimensão cultural fundamental. O Jogo da Onça foi trabalhado como um conhecimento tradicional indígena, e não apenas como um recurso didático. “A matemática também é uma produção humana ligada a práticas sociais”, sustenta.</p>
<p>A abordagem permite discutir com os estudantes quem são os povos que praticavam o jogo, em quais regiões ele era encontrado e como esse conhecimento foi transmitido ao longo do tempo, por meio da oralidade e da prática comunitária. Nesse sentido, o jogo deixa de ser apenas uma atividade lúdica e passa a ser compreendido como parte de um patrimônio cultural.</p>
<p>“Ao apresentar o jogo como um saber tradicional, rompemos com a ideia de que raciocínio lógico e estratégia são exclusivamente produções europeias ou modernas”, explica.</p>
<h3><b>Valorização da cultura indígena na escola</b></h3>
<p>Elenice reforça que a iniciativa também contribui diretamente para o cumprimento da <a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11645.htm">Lei 11.645/2008</a>, que estabelece a obrigatoriedade do ensino da história e da cultura dos povos indígenas e afro-brasileiros na educação básica. </p>
<p>Segundo a professora, o trabalho permite ampliar a forma como os estudantes compreendem esses povos. “O jogo possibilita discutir identidade e reconhecer os povos indígenas como produtores de conhecimento, e não apenas associados a modos de vida ligados à natureza, como muitas vezes aparece de forma estereotipada nos materiais escolares”.</p>
<p>Além disso, a iniciativa cria espaço para reflexões sobre respeito e diversidade. “O projeto contribui para uma escola mais inclusiva e comprometida com a valorização das identidades indígenas”, afirma.</p>
<h3><b>Conexões com a UFSM e valorização dos saberes indígenas</b></h3>
<p>A proposta dialoga com iniciativas desenvolvidas na própria UFSM, como os <a href="https://www.ufsm.br/2025/10/15/jogos-universitarios-indigenas-da-regiao-sul-celebram-esporte-cultura-e-permanencia-estudantil-na-ufsm">Jogos Universitários Indígenas da Região Sul (Juirs)</a>. Realizado no campus, o evento reúne centenas de estudantes indígenas de diferentes universidades e comunidades do Sul do país, promovendo práticas esportivas e tradicionais.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">Mais do que uma competição, os Jogos se consolidam como um espaço de afirmação cultural e valorização dos saberes originários na universidade. Modalidades como arco e flecha, corrida com tora e cabo de guerra coexistem com esportes contemporâneos, como futsal, o que evidencia a diversidade de práticas e conhecimentos presentes nas culturas indígenas.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">Nesse contexto, o Jogo da Onça se aproxima dessas iniciativas ao também carregar dimensões simbólicas e sociais. Assim como nas práticas apresentadas nos Juirs, o jogo tradicional vai além do entretenimento: envolve estratégia, tomada de decisão, convivência e transmissão de conhecimentos entre gerações.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">Ao levar esse jogo para a sala de aula, a proposta desenvolvida por Elenice amplia essa perspectiva para o campo do ensino formal. A iniciativa reforça que saberes indígenas podem, e devem, ocupar diferentes espaços, desde eventos universitários até práticas pedagógicas, contribuindo para uma formação mais plural e conectada à diversidade cultural brasileira.</p>		
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										<img width="1024" height="683" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/05/Elenice-Alves-recebeu-o-premio-PROFMAT-das-maos-da-professora-Carmen-Vieira-Mathias-vice-coordenadora-na-Comissao-Nacional-do-programa-de-mestrado-profissional-_-Foto_-Joao-Arenhart_SBM.jpg" alt="Foto colorida horizontal de duas mulheres à frente de uma bandeira do Rio Grande do Sul. A mulher da esquerda tem cabelo liso escuro e na altura do ombro. Ela usa uma blusa clara e segura uma placa preta e prateada. A mulher da direita tem o cabelo crespo, castanho e curto. Ela usa óculos, um casaco preto e um crachá no pescoço." />											<figcaption>Elenice Alves recebeu o prêmio PROFMAT das mãos da professora Carmen Vieira Mathias, vice-coordenadora na Comissão Nacional do programa de mestrado profissional | Foto: João Arenhart/SBM
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										</figure>
		<h3><b>Resultados, reconhecimento e continuidade</b></h3>
<p>A pesquisa rendeu à professora Elenice o prêmio de melhor dissertação da Região Sul no PROFMAT. Para ela, o reconhecimento reforça a importância de investir em metodologias diferenciadas, que valorizem o uso de jogos e a resolução de problemas.</p>
<p>Mesmo sem continuidade formal como projeto de extensão neste momento, o trabalho segue em prática. A professora continua aplicando o Jogo da Onça com alunos do Ensino Médio na Escola Municipal de Educação Básica Waldemar Borges, em Alegrete, e também em outras instituições.</p>
<p>“Tenho interesse em ampliar a proposta para outras escolas e redes de ensino, fortalecendo o trabalho com a valorização da cultura indígena”, afirma.</p>
<p>A expectativa é que a metodologia possa ser adaptada para diferentes contextos e níveis de ensino, além de inspirar outros professores. “A união entre matemática, ludicidade e cultura pode tornar o ensino mais significativo, dinâmico e conectado com a realidade dos estudantes”, conclui.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"><i><b>Texto</b>: Marina Brignol, estudante de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias</i></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"><i><b>Fotos</b>: Arquivo Pessoal e João Arenhart/SBM</i></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"><i><b>Edição</b>: Maurício Dias, jornalista</i></p>
<p> </p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Cursos da UFSM celebram o Dia Internacional da Dança</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2026/04/30/cursos-de-danca-da-ufsm-celebram-o-dia-internacional-da-danca</link>
				<pubDate>Thu, 30 Apr 2026 19:31:18 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[dança]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[dia internacional da dança]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/?p=72654</guid>
						<description><![CDATA[Entre performances e estreias, os estudantes trouxeram produções de sala de aula para o maior palco da Universidade
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <figure>
										<img width="1024" height="683" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/04/IC3A0052-1024x683.jpg" alt="Foto colorida horizontal de mulher em uma palco amplo dançando.Ela usa um vestido azulado e está com o corpo posicionado à direita." />											<figcaption>Curso de Bacharelado em Dança apresentou performance no Centro de Convenções</figcaption>
										</figure>
		<p>Os cursos de Dança da UFSM realizaram, nesta quarta-feira (29), uma apresentação no Centro de Convenções da Universidade, para celebrar o Dia Internacional da Dança. Organizado por docentes e estudantes do Bacharelado e da Licenciatura em Dança, o evento teve mais de 40 bailarinos, entre elenco e equipe, envolvidos na produção.</p>
<p>A coordenadora do Bacharelado, Tatiana Wonsik Recompenza Joseph, juntamente com o coordenador da Licenciatura, Bruno Blois Nunes, reforçaram a importância de ocupar o Centro de Convenções. O espaço, segundo eles, é referência no fazer artístico.</p>
<p>“Nós, dos cursos de Dança Bacharelado e Licenciatura, reconhecemos que isto se tornou possível pelo trabalho de pessoas que vieram antes de nós. Queremos manter vivos como uma tradição, para que a cada novo ano este dia tenha mais pessoas no palco e na plateia”, diz Tatiana.</p>
<p>Organizados em três coreografias, o curso de Dança Bacharelado trouxe uma apresentação protagonizada pelos calouros e organizada a partir de trabalhos da disciplina de Exercício Técnicos em Dança, ministrada pela professora Tatiana, com enfoque na Dança Moderna. Posteriormente, foram apresentadas duas performances derivadas dos processos criativos dos Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC) dos formandos.</p>
<p>Para Daniel Aires e Flávio Campos, docentes do Bacharelado, o apoio da UFSM ao ceder o espaço e apoiar o evento, propicia que a comunidade externa acesse esse lugar e conheça mais os cursos. Daniel explica que as produções acontecem ao longo de todo ano, “um processo que nunca acaba, a gente está sempre mostrando os nossos trabalhos, levando para outros contextos de apresentação e tornando público os nossos trabalhos”.</p>
<p>Já a Dança Licenciatura trouxe a estréia do espetáculo “FÉstividades”, do Programa de Extensão Cultura Popular Brasileira UFSM Extensão:&nbsp;<a href="https://www.ufsm.br/unidades-universitarias/cefd/2023/08/31/projeto-de-extensao-mojuba-dancas-populares-brasileiras" target="_blank" rel="noopener">MOJUBÁ - Danças Populares Brasileiras</a>. Coordenado pelo professor Jessé da Cruz, o projeto celebra a cultura nacional pela dança. Para Ana Rafaela Martins, licenciada em Dança e mestranda em Educação, este é o momento de reforçar a importância da arte e o quanto é grandioso fazer o Dia Internacional da Dança no maior palco da UFSM.&nbsp;</p>
<p>O Mojubá se reúne desde antes do início do semestre para construir o espetáculo e, agora, dá início às atividades do projeto de extensão, aberto à comunidade. Com encontros semanais às segundas-feiras, o grupo não tem idade mínima ou máxima para participar, não requer experiência prévia nem matrícula na Universidade.</p>
<h3><b>Vivências dos estudantes</b></h3>
<p>Yannis Leal fez sua primeira apresentação da vida no palco do Centro de Convenções, com colegas, calouros de Dança Bacharelado. Ao lado de Mavis Aparecida, elas contaram que a construção da coreografia se deu em sala de aula. Ao longo de quatro a cinco ensaios, os estudantes remontaram a performance “Mosaicos”, coordenada pela professora Tatiana, de acordo com suas realidades e possibilidades. “Querendo ou não a gente tem estilos diferentes, todo mundo vem de um lugar diferente”.</p>
<p>Natural de Palmeira da Missões, o calouro Wagner Gonçalves encontrou na UFSM um espaço seguro para expressar sua identidade. No Dia Internacional da Dança, ele teve a oportunidade de apresentar sua <i>drag</i>, Mona Lisa, ao mundo. “Quando veio essa ideia de eu fazer apresentação, eu já tive a ideia, de apresentar minha <i>drag </i>para o mundo, mostrar quem eu sou”.</p>
<h3>&nbsp;</h3>		
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										<img width="1024" height="683" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/04/IC3A0295-1024x683.jpg" alt="Foto colorida horizontal de cinco mulheres com vestidos rodados, coloridos com temáticas regionais. As bailarinas dançam no palco do Centro de Convenções e agitam seus festidos coloridos." />											<figcaption>Temática junina foi uma das escolhidas pelos estudantes da Licencitura em Dança</figcaption>
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										<img width="1024" height="683" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/04/IC3A0231-1024x683.jpg" alt="Foto colorida horizontal de homem com saia rodada vermelha, adereço na cabeça e na palco. A imagem capturou o instante em que ele dá um salto no palco do Centro de Convenções. Atrás dele, uma decoração em vermelho" />											<figcaption>Plateia pôde conferir movimentos e coreografias de estudantes dos dois cursos de Dança</figcaption>
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		<h3><b>Dia Internacional da Dança</b></h3><p>A escolha da data faz referência ao nascimento do bailarino francês Jean-Georges Noverre e foi implementada em 1982 pelo Comitê Internacional de Dança da Unesco. “Noverre pensava que a dança, para além do simples entretenimento, e quando inserida em um contexto maior, que fizesse parte da narrativa, poderia expressar os sentimentos mais profundos”, reflete o professor Bruno.</p><p>Para ele, aquilo que é limitado pela linguagem, manifesta-se no corpo. O professor Flávio explica que essa data tem um contexto maior, “em que fala de políticas, da forma de pensar o que é esse espaço e esse espaço de produção de conhecimento, que fala de corpos e movimento e de modos de existir dentro desse espaço da cena”.</p><h3><b>Lei da Dança</b></h3><p>No dia 28 de abril deste ano, a <a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2026/lei/l15396.htm" target="_blank" rel="noopener">Lei da Dança</a> foi sancionada. A lei 15396/2026 regulamenta a profissão de dançarinos, coreógrafos e profissionais da dança no país. A norma estabelece critérios para o exercício da profissão e garante direitos trabalhistas e autorais aos artistas.</p><p>O professor Flávio traz a importância dessa regulamentação para outras possibilidades que estão inseridas dentro dessa noção e contexto da dança. “É significativo e importante para a gente também falar sobre esse movimento, sobre essa situação que a gente celebra hoje”.</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"><b>Texto</b>: Júlia Zucchetto, estudante de Jornalismo e estagiária da Agência de Notícias</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"><b>Fotos</b>: Sofhia Krening, estudante de Produção Editorial e bolsista da Agência de Notícias</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"><b>Edição</b>: Maurício Dias, jornalista</p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>“Nós queremos trabalhar, mas a chuva não nos deixa”</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2026/04/29/nos-queremos-trabalhar-mas-a-chuva-nao-nos-deixa</link>
				<pubDate>Wed, 29 Apr 2026 18:08:00 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Agricultura familiar]]></category>
		<category><![CDATA[agroindústria familiar]]></category>
		<category><![CDATA[Arroio Grande]]></category>
		<category><![CDATA[catástrofe climática]]></category>
		<category><![CDATA[crise climática]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[enchentes]]></category>
		<category><![CDATA[polifeira do agricultor]]></category>
		<category><![CDATA[sucessão no campo]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/?p=72618</guid>
						<description><![CDATA[Eventos climáticos extremos, falta de infraestrutura e dificuldades de acesso a políticas públicas aprofundam a vulnerabilidade da agricultura familiar
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <figure>
										<img width="1024" height="683" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/04/IC3A9654-1024x683.jpg" alt="Foto vertical colorida de Jussane e o marido, Júlio, em frente ao galpão da propriedade em que moram, ao lado do cão da família, um border collie com pelagem preta e branca. O casal sorri e veste roupas informais e curtas. Atrás deles, do lado esquerdo, um carro branco, e do lado direito, uma porteira feita de tábuas de madeira." />											<figcaption>Jussane Turri e o marido, Júlio, enfrentam os desafios do trabalho no campo, agravados pelos impactos climáticos e pela precariedade no acesso à propriedade.
</figcaption>
										</figure>
		<p>Era madrugada de 30 de abril de 2024 quando a agricultora Jussane Turri, de 46 anos, percebeu que aquela não era uma chuva comum. O barulho da água, mais forte e contínuo do que o habitual, anunciava o que viria nas horas seguintes. O rio que passa próximo a sua propriedade, no Distrito de Arroio Grande, no interior de Santa Maria, começou a subir rapidamente. Entre a noite do dia 29 e a madrugada do dia 30, cerca de 600 milímetros de chuva caíram sobre a região, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).</p><p>Tamanha foi a força da água que destruiu a ponte que liga a propriedade de Jussane ao bairro Camobi, isolando completamente a família. Sem acesso por estrada, eles permaneceram por cinco dias ilhados. “Das cinco pontes aqui da estrada Arroio Lobato, quatro foram levadas. A gente ficou sem acesso. Não tinha ponte nem para sair para a direita, nem para a esquerda", relembra a agricultora.  </p><p>Todas as semanas, desde 2017, a família Turri sai, ainda de madrugada, da sua propriedade rumo ao campus sede da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). No carro, levam os produtos preparados na pequena agroindústria de Arroio Grande e vendidos na banca Boutique da Colônia, presença constante na PoliFeira do Agricultor, projeto de extensão da universidade, onde comercializam os alimentos produzidos na propriedade.</p><p>Com as <a style="font-size: 1rem" href="https://www.ufsm.br/2025/05/29/catastrofe-climatica">enchentes de 2024</a>, a rotina de trabalho da família foi interrompida. Segundo Jussane, no mês de maio daquele ano, a família conseguiu participar apenas de cinco feiras, quando o habitual seriam cerca de 20 ao longo do mês. O impacto financeiro foi imediato. “Dá para se dizer que deu R$ 80 mil a 100 mil [de prejuízo]”, afirma. </p><p>Durante o Natal de 2025, quando ainda tentava se recuperar das perdas financeiras do ano anterior, a família insistiu em se reunir para celebrar as festas de fim de ano. Da cozinha, o cheiro do frango assado já se espalhava pela casa quando a chuva começou. Naquela noite, caíram 130 milímetros, de acordo com dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). “A gente estava com visitas aqui em casa e de repente se armou [a tempestade]. Veio aquela chuvarada do nada e entrou água na nossa casa de novo”, relata Jussane. Sem condições de circulação, familiares que passavam a data com eles precisaram deixar os carros e sair a pé pela propriedade, atravessando áreas de mata até encontrar um ponto onde pudessem seguir viagem.</p><p>Segundo nota enviada pela Prefeitura de Santa Maria à Agência de No´tícias da UFSM, há diversos projetos em andamento no Distrito de Arroio Grande, que incluem construção de pontes, contenção de margens de arroios, serviços de desassoreamento de arroios e sangas, além da manutenção de vias de solo exposto. Na Estrada de Arroio Lobato, foram construídas recentemente quatro passagens molhadas, com investimento aproximado de R$ 500 mil, por meio de recursos da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec) e do município. </p><p>Os eventos climáticos extremos vividos pela família Turri, deixaram de ser casos isolados há um bom tempo. Conforme o professor do Programa de Pós-Graduação em Extensão Rural Gustavo Pinto, as mudanças climáticas vêm afetando diretamente a capacidade produtiva da agricultura familiar, tanto do ponto de vista material quanto social. “As secas têm representado uma ameaça periódica e atingem muito mais pessoas. Já a enchente assusta, porque é mais localizada, mas também causa perdas severas”, explica. </p><p>De acordo com o pesquisador, os eventos extremos comprometem não apenas a produção, mas toda a lógica de funcionamento dessas propriedades. “Há um efeito físico, que é a perda de produção, a impossibilidade de uso da terra. Mas também há um efeito mais subjetivo, que é uma desconfiança em relação ao futuro. O agricultor já começa um ciclo pensando que pode não dar certo”, contextualiza.</p><p>No Rio Grande do Sul, o histórico recente mostra a intensificação dos extremos climáticos. Entre os anos de 2020 e 2023, o estado enfrentou períodos prolongados de estiagem, associados ao fenômeno La Niña – caracterizado pelo resfriamento das águas do Oceano Pacífico –, que costuma reduzir as chuvas no Sul do Brasil, provocando prejuízos significativos. Na sequência, entre junho de 2023 e junho de 2024, o cenário se inverteu, 929 eventos de precipitação extrema foram registrados, sendo cerca de 70% concentrados em 2024, o que também comprometeu o cultivo e a colheita.</p><p>Os meses de abril e maio de 2024 consolidaram esse quadro ao registrarem os maiores volumes de chuva da história do estado, com acumulados muito acima das médias em grande parte dos municípios. O resultado foi a pior catástrofe meteorológica já registrada no Rio Grande do Sul e uma das mais severas do país. De acordo com o Sistema de Levantamento de Perdas (Sisperdas) da Emater/Ascar, 206.604 propriedades rurais foram atingidas, direta ou indiretamente pela catástrofe.</p><p>Esse cenário de extremos sucessivos impacta de forma desigual os diferentes modelos de produção agrícola. No caso da agricultura familiar, os efeitos tendem a ser mais imediatos e profundos. “Quando a gente fala de cadeias curtas, como é o caso de quem vende direto na feira, qualquer interrupção já significa perda de renda”, explica Gustavo Pinto. “Se uma ponte cai, por exemplo, esse agricultor não consegue sair para vender. E, diferente de grandes produtores, ele não tem margem de tempo nem escala para absorver esse impacto”, complementa. </p>		
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										<img width="1024" height="683" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/04/IC3A9688-2-1024x683.jpg" alt="Foto horizontal colorida horizontal de Jussane caminhando sobre passagem molhada construída após enchentes. A agricultura está de costas e andando em direção a propriedade em que mora. Atrás dela, o cachorro border collie. A estrutura retangular e cimentada tem como base uma rede de grandes dutos redondos. O arroio está com pouca água." />											<figcaption>A agricultora Jussane caminha sobre a ponte temporária construída pela prefeitura na estrada Arroio Lobato.</figcaption>
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													<img width="1024" height="576" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/04/Credito-rural-ignora-nova-realidade-climatica-1024x576.jpg" alt="Gráfico colorido horizontal da distribuição do recurso do Plano Safra. Ao centro, um gráfico pizza, com destaque para 47% em verde, que sinaliza o valor para criação de bovinos e para plantação de soja; em vermelho 13,9% valor da agricultura familiar. Do lado direito, a figura de um agricultura em uma hora. E do lado esquerdo, um boi. No canto direito inferior, as marcas da Coordenadoria de Comunicação e da Agência de Notícias" />													
		<h3><b>Crédito rural ignora nova realidade climática</b></h3>
<p>A especialista Melissa Volpato Curi, advogada e pesquisadora da área socioambiental, com atuação no Ministério dos Povos Indígenas, afirma que o país estruturou, ao longo de décadas, um modelo de desenvolvimento rural voltado prioritariamente à produtividade e à expansão do agronegócio, deixando os pequenos produtores à margem das políticas de incentivo. “O crédito rural foi historicamente concebido para estimular a produção, e não para lidar com os riscos climáticos crescentes”, explica.</p>
<p>No Brasil, os principais instrumentos de apoio financeiro à agricultura familiar estão concentrados no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), que reúne diferentes linhas de crédito voltadas ao custeio, investimento e comercialização da produção. Em 30 anos, a pecuária bovina e os campos de soja consumiram 47% dos recursos do programa, o equivalente a R$ 240,5 bilhões. O levantamento foi feito pelo site <a href="https://ojoioeotrigo.com.br/2026/04/30-anos-pronaf-boi-e-soja-consumiram-47-recursos/" target="_blank">O Joio e o Trigo</a>, a partir dos microdados disponíveis no site do Banco Central (Bacen) em fevereiro de 2026. Já a agricultura familiar recebeu, no mesmo período, o equivalente, a 13,9%. Com taxas de juros subsidiadas que variam entre 0,5% e 8% ao ano, o programa busca facilitar o acesso de pequenos produtores a recursos para manutenção e ampliação das atividades.</p>
<p>Porém, Jussane relata que, após os prejuízos causados pelas enchentes, tentou acessar linhas de financiamento, mas não conseguiu avançar por conta das exigências burocráticas. “Se tu tá com o nome negativado, tu não consegue. Só que, se tu tá pedindo crédito, é porque tu tá precisando”, conta. Sem o apoio do governo, a agricultora precisou recorrer a empréstimos pessoais para poder quitar suas dívidas. </p>		
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										<img width="1024" height="683" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/04/IC3A9479-1024x683.jpg" alt="Foto horizontal colorida horizontal de ovos iluminados pelo equipamento chamado ovoscópio, enquanto uma mão seleciona unidades durante a inspeção de qualidade na agroindústria familiar." />											<figcaption>Ovos produzidos na propriedade passam por inspeção no ovoscópio, equipamento utilizado para identificar alterações e garantir a qualidade antes da venda.</figcaption>
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										<img width="1024" height="683" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/04/IC3A9468-1024x683.jpg" alt="Foto horizontal colorida horizontal de trabalhador organizando bandejas de ovos em câmara refrigerada da propriedade, etapa de armazenamento e preparo para comercialização." />											<figcaption>Trabalhador da agroindústria no distrito de Arroio Grande seleciona unidades que já foram inspecionadas por equipamento</figcaption>
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		<h3><strong>Quem vai ficar no campo?</strong></h3><p>Visitamos a propriedade de Jussane numa atarefada tarde de 6 de abril. Nós a encontramos em um contêiner usado para limpeza e embalo dos ovos produzidos no sistema de <a href="https://www.ufsm.br/2023/02/01/projeto-de-criacao-de-galinhas-livres-de-gaiolas-conta-com-uma-nova-casa-do-ovo">galinhas livres de gaiolas</a>. Enquanto trabalhava, a agricultora explicou o processo: após a coleta, os ovos são limpos manualmente, com um pano, para retirar resíduos de sujeira, e depois passam pelo ovoscópio - equipamento que, por meio de uma luz amarelada intensa, permite identificar se há alterações, como ovos impróprios para consumo. Depois de nos mostrar a propriedade, cercada por morros com grandes árvores, a agricultora nos conduziu até a frente de um dos galpões da família, onde, entre uma tarefa e outra, começou a contar sua história. </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">Nascida em Rodeio Bonito, no noroeste gaúcho, Jussane é filha de pequenos produtores rurais e cresceu acompanhando de perto a rotina da produção familiar no campo. Anos depois, já em Santa Maria, para onde se mudou ainda jovem, construiu sua própria trajetória ao lado do marido, Júlio Turri. Juntos, os dois adquiriram a propriedade onde vivem até hoje. “Aqui a gente começou com um tambo de leite. Como lá os meus pais já tinham essa atividade, nós quisemos manter o que eles faziam”, lembra. </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">Aos poucos, a produção foi se estruturando e ganhando escala. “A gente chegou a tirar leite de 105 vacas aqui na propriedade. Foi uma época bem promissora”, conta. Com o passar dos anos, a família diversificou as atividades e investiu na agroindústria e na produção de ovos, agregando valor à produção. O leite e outros insumos começaram a ser transformados em queijos, iogurtes e uma variedade de alimentos vendidos diretamente ao consumidor. </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">Assim como seguiu os passos dos pais na agricultura, Jussane imaginava que o filho daria continuidade ao trabalho da família. Entretanto, essa não será a realidade. “Eu não vou ter sucessão aqui”, relata, ao revelar que o filho não pretende permanecer no campo. </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">Segundo o professor da UFSM, José Marcos Froehlich, a saída de jovens da agricultura familiar continua significativa e já compromete a produção social dessas propriedades. “Não é mais um problema somente de renda, é um fenômeno multidimensional”, afirma. </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">De acordo com o pesquisador, fatores como a dificuldade de acesso a políticas públicas, a precariedade da infraestrutura, como estradas e mobilidade influenciam diretamente essa decisão. Para compreender melhor esse cenário, Froehlich desenvolve um estudo em parceria com a Federação dos Trabalhadores da Agricultura (Fetag-RS) e a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), que busca investigar como jovens rurais do Rio Grande do Sul estão lidando com essas transformações. A pesquisa, inicialmente focada na região central do estado, pretende identificar se as políticas existentes atendem às demandas dessa população ou se há falhas no acesso, além de analisar de que forma as mudanças climáticas têm impactado a decisão de permanecer ou ficar no campo.</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">No dia seguinte à visita da reportagem à propriedade de Jussane, em 7 de abril, uma terça-feira, a agricultora ficou impossibilitada de participar da PoliFeira do Agricultor, realizada na Avenida Roraima, após o alagamento da ponte molhada que dá acesso à estrada. Naquele dia, Santa Maria registrou 88 milímetros de chuva provocados por um ciclone extratropical, segundo dados do Inmet. </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"><i>Texto: João Victor Souza, estudante de jornalismo e estagiário da Agência de Notícias</i></p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"><i>Fotos: Jessica Mocelin, estudante de jornalismo e bolsista da Agência de Notícias</i></p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"><i>Arte Gráfica: Daniel Michelon De Carli, designer </i></p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"><i>Edição: Maurício Dias, jornalista</i></p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>UFSM integra iniciativa para impulsionar a olivicultura no Rio Grande do Sul</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2026/04/17/ufsm-integra-iniciativa-para-impulsionar-a-olivicultura-no-rio-grande-do-sul</link>
				<pubDate>Fri, 17 Apr 2026 21:15:17 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[azeite de oliva]]></category>
		<category><![CDATA[departamento de solos]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[gepaces]]></category>
		<category><![CDATA[olivicultura]]></category>
		<category><![CDATA[solos]]></category>

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						<description><![CDATA[Centro de Referência reunirá setor produtivo, universidades e governo estadual
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
[caption id="attachment_72546" align="alignright" width="443"]<img class="wp-image-72546" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/04/IMG_9549-300x225.jpg" alt="Fotografia colorida de três pessoas em primeiro plano em um ambiente externo, sendo duas mulheres e um homem" width="443" height="332" /> Reitora da UFSCPA, Jenifer Saffi, reitora da UFPel, Úrsula Rosa da Silva, e vice-reitor da UFSM, Tiago Marchesan, assinaram o documento nesta sexta-feira (17) (Crédito: Julia Cervo/UFSM)[/caption]
<p><span style="font-weight: 400">A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) assinou nesta sexta-feira (17), junto à UFCSPA e à UFPel, um protocolo de intenções para a criação do </span><b>Centro de Referência em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Olivicultura do Rio Grande do Sul</b><span style="font-weight: 400">. A iniciativa é uma parceria entre o Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva), as três universidades federais e as Secretarias Estaduais de Inovação e Agricultura do RS, e tem como objetivo fortalecer a cadeia da olivicultura no Estado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">A assinatura pela UFSM ficou a cargo do vice-reitor, Tiago Marchesan, em cerimônia durante a programação da 14ª Abertura da Colheita de Oliva do Rio Grande do Sul e Feira de Negócios, realizada na sede da Azeite Milonga, na cidade de Triunfo (RS).</span></p>
<p><b>Produção e consumo no Brasil</b></p>
<p><span style="font-weight: 400">Atualmente, o país figura entre os maiores importadores de azeite de oliva do mundo. Em 2023, foram importadas cerca de 77 mil toneladas do produto, enquanto a produção nacional ficou abaixo de 7 mil toneladas. Nesse cenário, o Rio Grande do Sul se destaca como principal polo produtivo, concentrando aproximadamente 75% da produção de azeitonas no país.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Apesar da liderança, o setor ainda enfrenta limitações técnicas e científicas. Entre os principais desafios estão a baixa produtividade média dos olivais, a adaptação de variedades ao clima e ao solo locais e a necessidade de maior integração entre pesquisa, manejo agrícola e controle de qualidade do azeite.</span></p>
<p><b>Centro de Referência</b></p>
<p><span style="font-weight: 400">É nesse contexto que surge o Centro de Referência em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Olivicultura do Rio Grande do Sul, com a proposta de aproximar a produção científica das demandas do campo. A iniciativa busca transformar conhecimento gerado nas universidades em soluções práticas, com impacto direto na produtividade e na qualidade da produção.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">A estrutura do Centro está baseada na atuação complementar de instituições de ensino superior. A Universidade Federal de Pelotas (UFPel) atuará na área agronômica, com foco na identificação das melhores variedades e práticas de cultivo. A Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) será responsável pelas análises e pelo controle de qualidade do produto final. Já a UFSM contribuirá com pesquisas voltadas ao manejo e à qualidade do solo, buscando aumentar a produtividade sem comprometer as características específicas que influenciam o perfil do azeite. O trabalho será desenvolvido pelo Grupo de Estudos de Predição de Adubação e Potencial de Contaminação de Elementos em Solos (Gepaces), ligado ao Departamento de Solos do Centro de Ciências Rurais (CCR).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">A iniciativa também conta com a participação do setor produtivo, por meio de sua entidade representativa, a Ibraoliva, e com o apoio institucional do governo do Estado, configurando uma articulação entre academia, produtores e poder público.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Entre os objetivos do centro estão o desenvolvimento de pesquisas aplicadas, a formação de profissionais especializados e a promoção de práticas sustentáveis, tanto do ponto de vista ambiental quanto econômico. A proposta inclui ainda o fortalecimento da qualidade do azeite produzido no estado, com base científica para certificações e reconhecimento no mercado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">A expectativa é que a integração entre ciência e produção contribua para o aumento da produtividade, a melhoria da qualidade e a ampliação da competitividade do azeite gaúcho. Além disso, a iniciativa pode impulsionar a geração de novos negócios, a formação de mão de obra qualificada e o aproveitamento de subprodutos, promovendo inovação e sustentabilidade no setor.</span></p>
<p><em>Foto no destaque: Joel Vargas/GVG</em></p>
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													</item>
						<item>
				<title> “A leitura é um hábito que se constrói”: pesquisadoras refletem sobre importância do livro infantil</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2026/04/17/literatura-infantil</link>
				<pubDate>Fri, 17 Apr 2026 15:52:59 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[dia nacional livro infantil]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[literatura infantil]]></category>
		<category><![CDATA[livro infantil]]></category>

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						<description><![CDATA[Dia 18 de abril marca o aniversário de Monteiro Lobato e homenageia o autor e sua obra
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p>O dia 18 de abril marca o Dia Nacional do Livro Infantil. A data celebra o aniversário de Monteiro Lobato, figura de referência na literatura infantil, e reforça a importância dessa manifestação cultural. A leitura contribui para o desenvolvimento cognitivo da criança ao incentivar a imaginação, criatividade e o aumento do vocabulário. A conexão com as personagens gera identificação nos pequenos, o que proporciona sentimentos de valorização e compreensão. Por isso, é importante que haja incentivo à prática da leitura desde cedo, por meio da escola e dos familiares.</p>
<p>Existem diversas maneiras de inspirar esse hábito. Uma delas é a leitura compartilhada, por meio da mediação. Doutora em Educação e docente do curso de Psicologia da Universidade Federal de Satna Maria (UFSM), Taís Fim Alberti, defende, a partir da Psicologia Histórico-Cultural, que a leitura insere o sujeito na cultura social vigente. “A gente se humaniza na relação com os outros. Então, é nessa relação de mediação que a gente vai passar para essa nova pessoinha os instrumentos e os signos da nossa cultura”, reforça.&nbsp;</p>
<p>A mediação, descrita pela professora, envolve a leitura compartilhada, ou seja, com outras pessoas - um adulto, um professor ou até uma criança mais velha. Isso permite que a criança se expresse ao conversar sobre a história e falar sobre o que sente e observa. Taís explica que “a leitura é um componente essencial para o desenvolvimento dessas funções psíquicas superiores”.</p>
<p>Ao pensar no desenvolvimento intelectual, é importante refletir sobre o aspecto sócio-emocional presente no ensino. A Psicologia Histórico-Cultural destaca um papel da escolarização. “A escola e o ensino são condições para o desenvolvimento”, ressalta.&nbsp;A docente reflete sobre como a escola tem papel fundamental em sistematizar o conhecimento e, também, criar leitores, pois proporciona o acesso à leitura.</p>
<p>Assim, o livro se materializa em um objeto tátil com textura e ilustração que estímulos à inventividade do leitor e fazem com este se envolva com a história narrada. Na UFSM, o Programa de Pós-Graduação em Comunicação (Poscom) desenvolve pesquisas sobre o mercado editorial e hábitos de leitura na infância. A doutoranda Danielle Neugebauer Wille, que estuda o tema, ressalta como elementos visuais que fogem do texto são essenciais no livro infantil: “a criança fica muito mais interessada e interage muito mais com o livro a partir disso”.</p>
<p>Com um trabalho sobre livros para crianças de quatro a cinco anos, Danielle busca compreender como se dá a experiência estética a partir da materialidade gráfica dos livros infantis - precursores da inovação nesse aspecto. Permeada por sua experiência pessoal como mãe de Pedro, de seis anos, ela pesquisa como o contato da criança com o livro e a leitura compartilhada se dão na relação entre pais e filhos. “O livro infantil dá abertura e proximidade dentro da parentalidade. É um momento de convívio com a criança que possibilita a conversa sobre suas vivências”, comenta a pesquisadora orientada pela professor Sandra Depexe, do Poscom.</p>
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										<img width="912" height="1024" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/04/WhatsApp-Image-2026-04-17-at-12.24.03-912x1024.jpeg" alt="Foto colorida vertical de livro infantil com desenho de cobra azul sobre um fundo amarelo. A cabeça da cobra acompanha o formato da capa da obra, que tem dois olhos e um lingua." /><figcaption>Litetura infantil precisa ser lúdica</figcaption></figure>
<h3><strong>A escolha do livro</strong></h3>
</p>
<p>A professora Taís reforça a importância da escolha cuidadosa do livro, da mediação de alguém com conhecimento sobre a obra e o hábito da leitura alinhado à fase do desenvolvimento. “A literatura que a gente escolher pode transformar isso em algo exaustivo, cansativo”, pondera. Já Danielle argumenta que a leitura não é somente para que se converse com a criança sobre determinado assunto, mas também para que ela se sinta feliz naquele momento.</p>
<p>Outro elemento que chama atenção é o conteúdo da história. Atualmente, os livros fogem da ideia moralista, da “moral da história”, muito presente em livros infantis desatualizados. “Antigamente, o único objetivo do livro era esse. Hoje em dia, ele tem muito mais abertura para ter uma experiência de prazer”, pontua a pesquisadora.</p>
<p>É interessante que as famílias também se mobilizem ao procurar obras com temáticas relevantes para debate ainda na infância, inclusive aqueles de assuntos difíceis de abordar. “É possível permitir que a criança se expresse a partir de alguma vivência real, e a literatura vem como um suporte para aquilo que ela está vivenciando”, reflete Taís. </p>
</p>
<h3>A importância da ilustração</h3>
<p style="color: #000000;font-size: 16px">
<p style="color: #000000;font-size: 16px">A pesquisadora Ana Julia Rodrigues defendeu sua dissertação “‘Eu Gosto de Ler, Só Que Eu Não Leio Muito’: Consumo e Práticas de Leitura de Livros Infantis em uma Escola Pública de Santa Maria”, no Poscom, no dia 27 de março. O estudo trata do consumo de livros infantis e como se dá a relação das crianças com a literatura. Ana Julia percebeu que a ilustração sempre chamou muito a atenção das crianças.</p>
<p style="color: #000000;font-size: 16px">“Sempre que a gente perguntava: ‘por que que tu escolheu esse livro?’, eles sempre destacavam o valor da ilustração”. Ana Julia relata que muitas crianças atentavam para a capa, as cores e os aspectos editoriais, o que revelava sua afinidade com a ilustração. </p>
<p style="color: #000000;font-size: 16px">“É muito deles se identificarem. Muitas vezes é um personagem ou uma cor que chama a atenção. Eles se identificam não necessariamente com a história, mas com algum elemento”, constata.</p>
<figure>
										<img width="989" height="1024" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/04/WhatsApp-Image-2026-04-17-at-12.24.04-989x1024.jpeg" alt="Foto colorida vertical de livro infantil e formato quadrado do livro &quot;Quem abre o bocão&quot;. A obra tem na capa principal, em azul, tem dois olhinhos na parte de cima, e uma área vazada em formato de boca. Na página seguinte, visível atráves da área vazada, vários personagens, passarinhos e pintinhos, e uma superfície vermelha" />											</p>
<figcaption>Formas, cores, ilustrações e personagens ajudam no incentivo à leitura</figcaption>
</figure>
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										<img width="768" height="1024" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/04/WhatsApp-Image-2026-04-17-at-09.11.17-768x1024.jpeg" alt="Foto colorida vertical de mulher jovem em pé. Ela usa óculos, tem cabelos claro longo, usa blusa branca e calça escura. Atrás dela, a projeção de um slide com o nome da pesquisa “‘Eu Gosto de Ler, Só Que Eu Não Leio Muito’: Consumo e Práticas de Leitura de Livros Infantis em uma Escola Pública de Santa Maria”" />											</p>
<figcaption>Ana Júlia defendeu dissertação sobre consumo de livros infantis em escola pública</figcaption>
</figure>
<h3>Hábitos de leitura na infância</h3>
<p>A pesquisa de Ana Julia, também orientada pela professora Sandra Depexe, destaca a importância da mediação e o papel central das escolas no interesse que a criança possui ou desenvolve na leitura. Ao buscar compreender a relação criança-livro atualmente, ela observou que, em muitos contextos, “a escola é o único lugar que vai ofertar essa relação com o livro infantil”.</p>
<p>A dissertação aponta que as formas de consumo do livro carregam significados sociais. “A gente observa que, de fato, a escola é o principal local que oferece e oportuniza essa relação”, relata. O alto custo do livro infantil ainda é um fator de afastamento do universo da literatura. Danielle concorda com Ana e reforça que o livro não é um produto cultural barato e acessível. Por isso, ela lembra que, para muitas famílias, a escola é a possibilidade desse contato com a literatura.</p>
<h3><b>Lobato e o Sítio</b></h3>
<p>Monteiro Lobato foi o responsável por revolucionar a literatura infantil no Brasil com o livro “Reinações de Narizinho”, relançado posteriormente como parte da série "Sítio do Pica Pau Amarelo", a primeira escrita para crianças. Com uma linguagem fácil, o autor construiu um universo fantástico e ganhou o país com seus personagens criativos e curiosos. A obra foi traduzida para outros idiomas e recebeu adaptações para cinema, televisão e quadrinhos.</p>
<p>O dia 18 de abril celebra o Dia Nacional do Livro Infantil em homenagem ao autor considerado o “pai da literatura infantil” no Brasil.</p>
<h3><b>Literatura infantil x literatura juvenil</b></h3>
</p>
<p>O livro infantil é concebido para a criança, com formato, ilustrações, cores, quantidade de texto e linguagem específicas. Já a literatura infantil é todo o texto adequado à criança. Atualmente também se considera literatura infantil aquela obra que tem, não só o texto, mas também a ilustração de qualidade. A escritora Cecília Meireles defendia que a “Literatura Infantil é aquela que as crianças leem com agrado”.</p>
<p>Não existem regras expressas para definir o livro juvenil, mas o que se observa – em comparação com o infantil – é o predomínio de textos mais longos, com letras em corpo menor, poucas ilustrações, quase sempre em preto e branco. Com relação ao conteúdo, os juvenis apresentam uma divisão em gêneros de forma mais clara: aventura, suspense, romance, mistério e ficção científica. </p>
<p><em><strong>Texto</strong>: Júlia Ciervo Zucchetto, acadêmica de Jornalismo e estagiária da Agência de Notícias</em></p>
<p><em><strong>Fotos</strong>: Arquivo Pessoal/Ana Júlia Rodrigues</em></p>
<p><em><strong>Edição</strong>: Maurício Dias, jornalista</em></p>

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													</item>
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				<title>As marcas dos maus-tratos em animais domésticos</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2026/04/15/as-marcas-dos-maus-tratos-em-animais-domesticos</link>
				<pubDate>Wed, 15 Apr 2026 20:32:16 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[abandono de animais]]></category>
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						<description><![CDATA[Uma cuidadora relata os efeitos duradouros da violência na vida dos animais que resgatou
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							<content:encoded><![CDATA[  <figure>
										<img width="1024" height="667" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/04/Destaque.jpg" alt="Montagem horizontal e colorida composta por três fotografias lado a lado, separadas por cortes diagonais. À esquerda, em preto e branco, um cachorro de porte médio aparece de frente, com a boca aberta e expressão amigável, em um ambiente externo. No centro, em cores, um gato preto e branco está deitado sobre cobertores, com as patas enfaixadas em rosa e um tubo conectado, indicando atendimento veterinário; ele olha diretamente para a câmera com expressão alerta. À direita, também em preto e branco, um cachorro de pelagem clara está atrás de grades verticais, com a cabeça levemente baixa, em um espaço que sugere confinamento. A montagem cria contraste entre cuidado, abandono e restrição" />											<figcaption>Orelha, Meia-Noite e Maria Sol: retratos da violência contra animais</figcaption>
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		<p>Como de costume, a gata de rua Maria buscava comida no bairro onde vivia, em Uruguaiana, na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul. Em uma dessas incursões, encontrou um prato de frango sobre a pia de uma cozinha. Pulou a janela e foi direto ao alimento. O susto veio logo depois. A moradora percebeu a invasão do animal e, sem hesitar, pegou um pedaço de madeira e passou a golpeá-lo. Maria teve múltiplas fraturas e saiu desorientada.</p><p>Pouco tempo depois, a gatinha foi encontrada por uma vizinha, que a levou a uma clínica veterinária da cidade. Lá, os especialistas identificaram as lesões no corpo de Maria e, quase que de prontidão, fizeram um boletim de ocorrência contra a agressora. O processo tardou e não teve desfecho. Assim como em muitos casos, a vizinha que salvou a felina não tinha condições de adotá-la. Por isso, decidiu deixar a gata na clínica.</p><p>Os veterinários avaliaram que seria necessário amputar uma das patas. “Foi o membro direito, o bracinho direito”, lembra Alice de Figueiredo Rocha, auxiliar veterinária da clínica e estudante de Medicina Veterinária na Universidade Federal do Pampa (Unipampa), que socorreu a felina em 2024. Havia a possibilidade de reconstrução por cirurgia ortopédica, mas o custo inviabilizou o procedimento. “Naquela época, custaria quase R$ 5 mil, e a pessoa não tinha condições de arcar”, explica. A decisão também levou em conta o sofrimento do animal. “Para não deixá-la com dor, porque as fraturas já estavam expostas, a equipe decidiu pela amputação”, conta.</p><p>Sem tutor ou respaldo, Maria estava mais uma vez sozinha. Mas não por muito tempo. Alice, que acompanhou a recuperação da gata, resolveu adotá-la. “Levei ela para minha casa e fiquei com ela”, lembra. Apesar de ter sido acolhida, a recuperação e a adaptação da felina foram difíceis. “Quando ela chegou lá em casa, ela não tinha aquele bracinho. Mesmo assim, tentava fugir”, comenta. </p><p>Segundo Alice, Maria levou cerca de três meses para se sentir em casa. “Foi uma coisa bem delicada, porque ela ficou muito traumatizada, então ela se escondia dependendo de quem chegava”, recorda. “Ela ficou muito arisca naquele tempo”. Hoje, tutora e pet não estão mais juntas. Em 2025, quando já morava em Santa Maria, a gata morreu. “Ela teve um outro trauma, mas foi um acidente doméstico e aí eu perdi ela no ano passado”, conta.</p>		
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										<img width="590" height="450" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/04/WhatsApp-Image-2026-04-15-at-18.08.14-1.jpeg" alt="" />											<figcaption>A gata Maria foi resgatada após ter sofrido maus-tratos em Uruguaiana (RS)</figcaption>
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											<a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/04/Maria-Sol.jpeg" data-elementor-open-lightbox="yes" data-elementor-lightbox-title="Maria Sol" data-e-action-hash="#elementor-action%3Aaction%3Dlightbox%26settings%3DeyJpZCI6IjcyNDk4IiwidXJsIjoiaHR0cHM6XC9cL3d3dy51ZnNtLmJyXC9hcHBcL3VwbG9hZHNcLzIwMjZcLzA0XC9NYXJpYS1Tb2wuanBlZyJ9">
							<img width="1024" height="779" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/04/Maria-Sol-1024x779.jpeg" alt="Foto horizontal e colorida de um cachorro de porte médio, com pelagem marrom clara e branca, está dentro de um espaço cercado por grades verticais azuis. Ele aparece em pé, com o corpo levemente inclinado para frente e a cabeça baixa, olhando em direção ao chão. O ambiente parece um canil ou área externa cimentada, com paredes claras ao fundo. Há uma abertura escura à direita que pode ser uma porta ou abrigo. Na parte superior esquerda da imagem, vê-se um objeto vermelho fixado na parede, possivelmente um extintor ou recipiente. A cena transmite sensação de confinamento." />								</a>
											<figcaption>A caramelo Maria Sol foi abandonada na UFSM em 2018, com sinais de abuso sexual. Na foto acima, ela estava abrigada no antigo Centro de Eventos da Universidade (Foto: Fabiana Stecca/Projeto Zelo)</figcaption>
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		<h3><b>A outra Maria de Alice</b></h3><p>Em 2018, antes de se mudar para a Uruguaiana na intenção de cursar Medicina Veterinária, Alice de Figueiredo Rocha se matriculou em Zootecnia na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Na metade de 2018, ingressou  na Casa do Estudante, onde, pouco tempo depois, teve que aprender a conviver com a chegada da maior crise sanitária do século. “Eu cursei por sete semestres e fiquei na pandemia”, conta. Apesar de não ter finalizado a graduação na época, a aptidão no contato com animais fez com que a estudante se unisse ao projeto Zelo, iniciativa extensionista da UFSM que busca atender aos animais presentes no campus sede, em Santa Maria. “Eu entrei no Zelo como voluntária já em 2018, tudo por causa da [Maria] Sol”, afirma. </p><p>Era madrugada de agosto de 2018, época de frio intenso no Rio Grande do Sul, quando um carro não identificado transitava pelo campus sede da UFSM. O veículo parou nos fundos do Restaurante Universitário I e abandonou Maria Sol, uma vira-lata caramelo de porte médio para grande. “Ela foi jogada de dentro de um carro”, recorda Alice.</p><p>Depois de um tempo, quando tomou conhecimento sobre o caso, Alice se aproximou da história de Sol, e do projeto Zelo, que havia resgatado a vira-lata. Foi então que a estudante descobriu que a caramelo havia sido abandonada com sinais de abuso sexual, em função dos “sinais que ela apresentava”. Depois de uma cirurgia de emergência, Sol passou a viver livre no campus. “Só que dessa situação, ela passou a ter transtorno obsessivo compulsivo”, afirma Alice sobre o estado de saúde da vira-lata. “Ela atacava a si mesma e atacava, especialmente, homens na universidade”, rememora.</p><p>Alice, ao lado de voluntários e bolsistas do Zelo na época, montaram um pequeno lar para a cachorrinha atrás da Casa do Estudante. “A gente construiu um cercado, colocamos casinha, e a Sol ficava presa naquele cercado”, relembra. Com o lar provisório, os cuidados com a vira-lata viraram rotina. “Tirávamos ela para passear duas vezes por dia”, conta. </p><p>Depois de um tempo, o cercado foi desmanchado para dar lugar a uma nova obra da Universidade. Com isso, Sol voltou a ficar solta pela UFSM. Isso, segundo Alice, gerou uma nova confusão. “Por causa dos ataques, no caso”. O grupo, então, conseguiu abrigar Sol em uma pequena ala no antigo Centro de Eventos da UFSM, mas por pouco tempo. </p><p>Nessa mesma época, o transtorno decorrente do trauma se agravou. “Tinha piorado muito porque não conseguimos tratar ela com medicamentos que não fossem homeopáticos”, pondera. Conforme Alice, para seguir com um tratamento adequado, seria necessário que a vira-lata tivesse acompanhamento integral e, como ela era estudante na época, não pode assumir essa responsabilidade, nem os outros voluntários que acompanhavam o caso. “A condição era que ela fosse adotada e a gente nunca conseguiu adoção”,lamenta.</p><p>Certa vez, Sol entrou em uma grave crise devido ao transtorno. “Ela rodopiava e se atacava”. Foi levada ao Hospital Veterinário Universitário (HVU), onde ficou sedada por três dias. Naquele momento, os veterinários da instituição entenderam que Sol não poderia voltar a circular pela Universidade, tanto pela sua segurança, quanto pela de quem passa pelo campus. Em fevereiro de 2020, Maria Sol foi submetida à eutanásia.</p><h2><b>Depois do Sol, a Meia-Noite</b></h2><p>Com a ausência de suas Marias, a vida de Alice abriu espaço para outra visitante. Certa noite no início de 2025, uma felina circulava pelo centro de Santa Maria, era a Meia-Noite, uma pequena gata de olhos amarelos e pelos brancos e pretos. Na região, tinha até outro nome. Alguns moradores da região a chamavam de Furiosa, referindo-se ao quão arisca é. </p><p>Era habitualmente vista perto de uma farmácia, a poucos metros do Hospital de Caridade Astrogildo de Azevedo, localizado na avenida Presidente Vargas. Por ser uma avenida, o local possui intensa circulação de pessoas, carros e ônibus. Não demorou muito até que Meia-Noite viesse a sentir os efeitos dessa intensa vida urbana. Segundo boatos dos funcionários da farmácia, a gata foi atropelada e, no acidente, teve uma das patas arrancadas.</p><p>Assustada, Meia-Noite fugiu e não se deixou ser socorrida. Quase um ano depois, em março de 2026, Alice conheceu o curioso caso da gata. “Uma amiga me mandou mensagem e um vídeo da gata e me perguntou se eu ajudava ela a resgatar", conta. Moradora nas redondezas onde a Meia-Noite é comumente vista, Alice não hesitou em dar apoio no socorro. “Levamos três noites para pegar ela”, relembra.</p><p>Quando socorrida, Alice soube da história da felina. Apavorou-se ainda mais quando descobriu sobre a deficiência de Meia-Noite e o acidente que a deixou daquela forma. “Naquele tempo todo, a pata dela não sarou”. A gata foi prontamente levada a uma clínica particular da cidade, onde ficou sedada devido a sua brabeza. Não querendo que Meia-Noite passasse seus dias desacordada, Alice optou por transferi-la a um lugar mais adequado no tratamento de felinos agressivos. “Ela passou por três clínicas privadas antes de chegar na clínica de hoje”, diz.</p><p>Na época, uma outra surpresa: Meia-Noite estava gestante. Por conta disso, precisou passar por uma cesariana e atrasar o tratamento ideal para sua pata machucada. “Eram seis filhotes. A gente perdeu cinco”, ressalta Alice. Quando os filhotes nasceram, foram nomeados a caráter: “Os nomes eram Lua Nova, Eclipse, Amanhecer, Meio-Dia, Madrugada e, o único vivo foi o Crepúsculo”.</p><p>Hoje, Meia-Noite espera a cirurgia de amputação da pata e o tratamento adequado para a ferida. Sob os cuidados de Alice, a gata amamenta Crepúsculo e outros cinco filhotes adotivos. “Ela vai amputar a perna assim que desmamar as crianças”, afirma.</p>		
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										<img width="1024" height="788" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/04/Meia-Noite-1024x788.jpg" alt="Foto horizontal e colorida de um gato preto e branco está deitado sobre cobertores macios, um azul e outro com estampa clara. O gato tem expressão alerta, com olhos abertos e voltados para a câmera. Suas patas dianteiras e traseiras estão enfaixadas com bandagens rosa, e há um tubo transparente conectado a uma das patas, indicando atendimento veterinário. O ambiente sugere uma clínica ou local de cuidado, com tecidos organizados ao redor do animal. A imagem destaca o estado de recuperação e fragilidade do gato." />											<figcaption>A gata Meia-Noite, um dia após ser resgatada em março deste ano (Foto: Alice Figueiredo)</figcaption>
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		<h3><b>Uma violência crescente</b></h3><p>Dados do Conselho Nacional de Justiça mostram que casos como o de Maria, Sol e Meia-Noite não são singulares. Segundo o órgão, o Brasil registrou, só em 2025, 4.919 processos por maus-tratos a animais. Esse número representa um aumento de 21% em relação a 2024, quando 4.057 processos foram registrados. Em paralelo à estatística, casos recentes ganharam a atenção da imprensa nacional. Também no início deste ano, o cão comunitário Orelha foi alvo de um ataque violento, que provocou a morte do animal, na Praia Brava, ao norte de Florianópolis, em Santa Catarina. </p><p>O caso gerou forte comoção pública. Moradores da Praia Brava organizaram protestos e vigílias em memória do cachorro, enquanto ativistas da causa animal ampliaram a mobilização. Nas redes sociais, o caso também ganhou repercussão nacional, com milhares de compartilhamentos e pedidos por justiça. A comoção se transformou em pressão direta sobre as autoridades, com cobranças por investigação rigorosa e punição dos responsáveis.</p><p>Conforme Nina Trícia Disconzi Rodrigues Pigato, docente da UFSM, doutora em Direito pela USP e especialista em Direito Animal, sempre houve muito sofrimento animal, mas ele ficava invisível ou era tratado como normal. “As redes sociais, os protetores e os grupos ajudaram a dar voz a quem antes não denunciava por medo ou desconhecimento”, constata. </p><p>A entrada em vigor do <a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2026/Decreto/D12877.htm">Decreto nº 12.877/2026</a>, anunciado em 12 de março de 2026 e rapidamente apelidado de “Decreto Orelha”, marcou uma inflexão na forma como o poder público brasileiro responde aos crimes contra a fauna. A norma atualizou o regime de infrações ambientais, elevando significativamente o valor das multas e detalhando condutas enquadradas como maus-tratos, além de fortalecer a atuação de órgãos como o Ibama na aplicação imediata de penalidades. </p><p>Nina Disconzi recorda de outro caso recente: “em março de 2026, um caso brutal na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, serviu como o primeiro teste real para as novas leis de proteção animal”. Ela conta que um grupo de homens agrediu uma capivara com barras de ferro e pedaços de madeira com pregos. O animal sofreu traumatismo craniano e lesão ocular grave. “Este foi o primeiro caso em que o Decreto Orelha foi aplicado pelo Ibama. Cada agressor foi multado em R$ 20 mil, totalizando R$ 160 mil em multas”, conta a docente. Os envolvidos tiveram a prisão em flagrante convertida em prisão preventiva. “O Ministério Público denunciou os agressores não apenas por maus-tratos, mas também por caça ilegal, já que a intenção declarada era o abate para consumo”, complementa.</p><p>Embora episódios como o de Orelha chamem atenção pela violência explícita, outras formas de morte de animais seguem naturalizadas. Em rodovias do sul do país, o problema aparece de forma silenciosa e contínua. Um estudo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), realizado em um trecho de cerca de 100 quilômetros da BR-293, no pampa gaúcho, aponta que o atropelamento de fauna está entre os principais impactos humanos sobre animais silvestres naquela região. A pesquisa ainda aborda que muitas dessas ocorrências não entram em estatísticas oficiais ou sequer são registradas, o que amplia a subnotificação e dificulta dimensionar a real escala da violência.</p><p>Mesmo quando há legislação que prevê a obrigação de prestar socorro ou acionar autoridades, a aplicação é rara. A ausência de fiscalização contínua e de estruturas como passagens de fauna, cercamentos ou redutores de velocidade contribui para que o problema persista. Na prática, trata-se de uma violência dispersa, cotidiana e pouco visível, mas não menos letal.</p><p>Para a professora Nina, esse tipo de situação expõe um limite estrutural do próprio Direito. “O Direito ainda lida mal com violências difusas. O processo chamado estrutural tem sido utilizado para resolver alguns problemas complexos como resgate de animais em enchentes, mas ainda é incipiente em nosso país. Nosso sistema é essencialmente individualista. Ele precisa de autor identificado, de dano direto, de vítima com titularidade clara”, afirma. Segundo a pesquisadora, atropelamentos de animais acabam ficando nesse “limbo jurídico”, em que, embora possam ser enquadrados como crime ambiental, a fiscalização é pequena e a responsabilização, rara. “Às vezes se enquadra como crime ambiental, no artigo 32 da Lei 9.605/98, mas a fiscalização é pequena, embora esteja aumentando”, aponta.</p><p>A docente também diz que a legislação brasileira ainda apresenta uma lacuna importante quando se trata de animais que sobrevivem a maus-tratos. De acordo com Nina, não existe uma previsão legal geral e clara que assegure tratamento ou reabilitação às vítimas. “A legislação brasileira foca principalmente na punição do agressor, mas não garante tratamento ou reabilitação para o animal”, contextualiza. </p><p>Em alguns casos, o Judiciário tem determinado que o agressor arque com os custos ou que o animal seja encaminhado a um santuário, mas essas decisões ainda são exceção. Para a docente, seria fundamental a criação de uma lei federal que obrigue o Estado a oferecer reabilitação veterinária e acompanhamento comportamental sempre que possível.</p><p>Em relação ao papel do Estado, Nina Disconzi destaca que não há, na legislação federal, uma obrigação expressa de garantir tratamento e reabilitação para animais vítimas de violência. O que existe, conforme a professora, são iniciativas pontuais em alguns municípios e estados, leis estaduais e municipais, geralmente resultado da pressão de protetores independentes, advogados animalistas ou do Ministério Público. Ainda assim, a docente ressalta que a Constituição Federal, no artigo 225, impõe ao poder público o dever de proteger a fauna e vedar práticas cruéis. “Uma interpretação sistemática permite sustentar que a reabilitação do animal vítima de maus-tratos é uma forma de dar efetividade a esse dever”, reforça.</p><p>Ao analisar a atuação dos municípios, Nina descreve um cenário desigual. Embora existam exemplos positivos, com políticas estruturadas, como castração gratuita, centros de reabilitação e canais de denúncia, a maior parte das cidades brasileiras ainda carece de iniciativas consistentes. “A maioria dos municípios brasileiros simplesmente não tem política pública estruturante para proteção animal”. Entre as principais lacunas, ela cita a falta de fiscalização, educação nas escolas e canais efetivos de denúncia. Além disso, quando políticas existem, tendem a ser reativas, focadas no recolhimento de animais, sem ações preventivas ou educativas. </p><p>Em um contexto mais amplo, na avaliação de Nina, o Brasil tem avançado no enfrentamento à violência contra animais, mas ainda mantém traços de permissividade. Ela aponta que práticas como rodeios, vaquejadas e exploração industrial ainda são amplamente naturalizadas. </p><p>Para a docente, o Direito, por si só, não é capaz de transformar essa realidade enquanto a sociedade continuar a enxergar os animais como objetos ou mercadorias. Assim, apesar dos avanços legislativos e do aumento da visibilidade do tema, a mudança estrutural ainda depende de uma transformação cultural mais profunda. “A verdadeira transformação exige educação”, frisa Nina.</p>		
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										<img width="878" height="498" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/04/Orelha.jpeg" alt="Foto horizontal e colorida de um cachorro de porte médio, com pelagem marrom escura e patas mais claras, em pé sobre uma calçada. Ele está posicionado de frente para a câmera, com a boca aberta e a língua para fora, transmitindo uma expressão amigável. À esquerda da imagem, há uma casinha de madeira, parcialmente visível, que parece ser o abrigo do animal. O chão é de concreto, com uma rua ao fundo. A cauda do cachorro está levemente levantada, sugerindo um estado de alerta ou interação." />											<figcaption> Orelha foi encontrado gravemente ferido em área de mata após dias de desaparecimento na Praia Brava, em Florianópolis (Foto: Google Imagens)</figcaption>
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		<h3><b>Outro problema antigo, mas que anda junto</b></h3><p>Além da violência, outro problema que chama a atenção de cuidadores como Alice é o abandono, que muitas vezes acompanha os casos de maus-tratos. Estimativas da Organização Mundial da Saúde indicam que o Brasil tem cerca de 30 milhões de animais vivendo nas ruas. Dados mais recentes reforçam esse cenário: o relatório parcial de 2025 da iniciativa Medicina de Abrigos Brasil (Infodados de Abrigos de Animais) aponta um aumento expressivo no número de animais acolhidos. Entre janeiro e junho, as entradas de cães e gatos cresceram 91,7% em relação ao semestre anterior, somando 5.325 animais, sendo 2.929 cães e 2.396 gatos.</p><p>Ao olhar para o Rio Grande do Sul, o abandono aparece de forma difusa, mas persistente. Durante as enchentes que atingiram o estado em 2024, cerca de 20 mil cães e gatos foram resgatados e distribuídos em quase 500 abrigos temporários. Meses depois, milhares ainda aguardavam adoção, evidenciando um problema que vai além do resgate emergencial. “A gente vê que não é só resgatar. Tem muito animal que fica sem ter para onde ir depois”, enfatiza Alice. “Às vezes a pessoa ajuda no momento, mas não consegue ficar com o animal, e aí ele acaba voltando para a mesma situação”, alerta. </p><p>Na UFSM, a luta contra o abandono animal é emplacada pelo projeto Zelo. Segundo a coordenadora da iniciativa, Fabiana Stecca, a Universidade acaba se tornando um local propício para o abandono devido às diversas formas de acesso ao campus. “Temos vários pontos de acesso e áreas rurais. Apesar de termos um sistema de vigilância, os animais que são abandonados próximos a instituição, eles acabam chegando ao campus”, conta.</p><p>Em 2025, o projeto registrou e denunciou 35 abandonos no campus sede da UFSM. Apesar disso, Fabiana afirma que muitos casos “não dão em nada”. Bem como a história da vira-lata Maria Sol, outras pessoas que abandonaram animais na UFSM tiveram seus nomes identificados e foram denunciados. “Já comprovamos abandono proposital. Mas, infelizmente, em alguns casos não temos como comprovar”, explica.</p><p>Para Fabiana, um dos principais desafios ainda é a conscientização e sensibilização. “Nas publicações, pessoas dizem ‘aí, coitadinho, pobrezinho’, mas no final não dão um apoio”, desabafa. “Infelizmente, em Santa Maria, temos vários locais que são ‘preferidos para o abandono’, como o campus”.  Tendo isso em mente, a professora acredita que deveria haver uma mobilização do poder público mais intensa para lidar com essa realidade. “Isso é um trabalho que não deveria ser só da Universidade. Isso é um problema estrutural”, defende. </p><p>A coordenadora ainda destaca que a própria comunidade universitária infelizmente colabora para a estatística do abandono nas dependências da instituição. “Todo final de semestre, moradores da Casa do Estudante vão embora e abandonam os animais que cuidavam”, alerta. Fabiana afirma que o projeto tem elaborado iniciativas que buscam uma sensibilização popular. Nesse contexto difícil de se lidar, assim como Nina Disconzi, Fabiana reforça: “precisamos trabalhar a consciência”.</p><p>Em 2026, Alice Figueiredo de Rocha deu mais um passo nessa trajetória: ingressou no curso de Medicina Veterinária na UFSM. Em 2025, realizou o Vestibular da UFSM onde atingiu a nota para seguir com o sonho iniciado ainda em 2018, quando ingressou na Zootecnia. Depois de anos atuando em resgates, clínicas e projetos voluntários, a escolha formaliza um caminho que, na prática, já vinha sendo trilhado há muito tempo. E, além disso tudo, ela continua a contribuir no projeto Zelo. “Os filhos adotivos da Meia-Noite são gatinhos que o projeto precisou dar suporte”, conta.</p><p>Enquanto vive a rotina de cuidados que Meia-Noite e os filhotes precisam, Alice, que trabalha como Pet Sitter (Babá de Animais) mantém o coração aberto caso mais visitantes precisem de espaço. É nesse gesto repetido que algumas vidas ainda encontram a chance de continuar.</p><p>Conheça os serviços de Alice pelo <a href="https://www.instagram.com/amorpet.alice/">Instagram @amorpet.alice</a>.</p><h2><b>Saiba como apoiar o Zelo</b></h2><ul><li style="font-weight: 400"><b>Doações de itens:<br /></b>Ração, medicamentos veterinários, potes, coleiras, caixas de transporte, acessórios, roupas e calçados (o que não for usado é revendido).</li></ul><ul><li style="font-weight: 400"><b>Contribuição financeira:</b><br />PIX: fabiana@ufsm.br</li></ul><ul><li><b>Onde doar:<br /></b>Portaria do Colégio Politécnico (bloco F)<br />Sala C9 (bloco C)<br />CESPOL (bloco A)<br />(turnos manhã, tarde e noite)</li></ul><ul><li><b>Outras formas de ajudar:<br /></b>Participar como voluntário<br />Oferecer lar temporário<br />Organizar trotes solidários</li></ul><ul><li><b>Iniciativas do projeto:<br /></b>Brechó Grife do Zelo (Saiba mais no <a href="https://www.instagram.com/grifedozelo?igsh=MnNoNGl2OWJoeXox">Instagram</a>)</li></ul><p>Acompanhe outras novidades sobre o projeto Zelo pelo <a href="https://www.instagram.com/zeloufsm/">Instagram @zeloufsm</a>.</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Texto e montagem com fotos em destaque: Pedro Moro, estudante de jornalismo e bolsista da Agência de Notícias</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Fotos: Alice Figueiredo da Rocha, Fabiana Stecca e Google Imagens</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Edição: Maurício Dias, jornalista</p>]]></content:encoded>
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				<title>Habilidades culinárias são desenvolvidas em curso de extensão em Palmeira das Missões </title>
				<link>https://www.ufsm.br/2026/04/14/progredir_pm</link>
				<pubDate>Tue, 14 Apr 2026 20:36:16 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[cadúnico]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
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		<category><![CDATA[Nutrição]]></category>
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		<category><![CDATA[segurança alimentar]]></category>
		<category><![CDATA[UFSM PM]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/?p=72472</guid>
						<description><![CDATA[Proposta integrada ao Plano Progredir ofereceu orientações para empreender no ramo de alimentação
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <img width="1024" height="667" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/04/capa_progredir.jpg" alt="Ilustração colorida de um bolo de milho em um prato branco, sobre uma toalha xadres. À mesa, também estão os ingredientes, milho, ovos, óleo, açúcar e leite" />													
		<p>Quando a pandemia da Covid-19 se espalhou por todo o planeta, famílias tiveram de lidar com perdas, desemprego e incertezas. A insegurança quanto ao acesso à alimentação se agravou. Segundo a <a href="https://redepenssan.org.br/olheparaafome/">Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar</a>, a insegurança alimentar aumentou 19% nos domicílios onde algum morador havia perdido o emprego no período pandêmico, o que elevou para 14,9 milhões de pessoas. </p>
<p>A alimentação é um direito humano fundamental assegurado pelo Artigo 25 da <a href="https://www.unicef.org/brazil/declaracao-universal-dos-direitos-humanos">Declaração Universal dos Direitos Humanos</a>, de 1948, e pelo Artigo 6º da Constituição Federal do Brasil, de 1988. Entre as iniciativas do <a href="https://www.gov.br/mds/pt-br">Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome</a> para ampliar o acesso aos alimentos, está o Plano Progredir. A proposta é voltada às pessoas inscritas no <a href="https://www.gov.br/mds/pt-br/acoes-e-programas/cadastro-unico">Cadastro Único</a> (CadÚnico), que reúne dados de famílias de baixa renda que podem acessar programas sociais. Conforme a definição apresentada no site do Governo Federal, o Progredir “estimula a geração de emprego e renda, além de dar autonomia aos beneficiários de programas sociais. Também apoia o empreendedorismo e investir em qualificação profissional, disponibilizando centenas de cursos nas mais diversas áreas”. </p>
<p>Em Palmeira das Missões, no Noroeste do Rio Grande do Sul, o Progredir contou, a partir de parceria com a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e a Prefeitura de Palmeira das Missões, com a oferta do curso de extensão Habilidades Culinárias. A iniciativa foi idealizada e desenvolvida pelas professoras do Departamento de Alimentos e Nutrição da UFSM campus de Palmeira das Missões, Maritiele Naissinger da Silva e Bruna Lago Tagliapietra. O curso teve início em 6 de outubro de 2025 e se estendeu por cinco semanas, com 15 horas práticas e 5 horas teóricas. “Inicialmente, a gente identificou uma lacuna através dos dados de que realmente tem a necessidade de desenvolver mais o município, pensando nessa parte de produção de alimentos”, explicou Bruna. </p>
<p>O curso buscou “estimular a autonomia produtiva e o aperfeiçoamento de saberes culinários, favorecendo a atuação dos participantes em contextos diversos, como cozinhas domiciliares, comunitárias, feiras e empreendimentos familiares, ampliando suas possibilidades de inserção e qualificação no mercado de alimentos”. Assim, o principal intuito do curso foi possibilitar novas oportunidades de renda para participantes do CadÚnico. Ao todo, 21 pessoas frequentaram as aulas e 19 concluíram a capacitação. </p>		
													<img width="1024" height="667" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/04/progredir_interna_ilustra.jpg" alt="Ilustração colorida horizontal. No lado esquerdo, um bolo de milho acima de um prato branco, que, por sua vez, está disposto emuma mesa. Ao lado direito, em uma caderneta com mola, a lista dos ingredientes com suas figuras representativas: milho, açúcar, leite, óleo," />													
		<h3><b>Os encontros no campus UFSM-PM</b></h3>
<p>As aulas do curso de extensão em Habilidades Culinárias pelo Progredir Palmeira das Missões aconteceram no Laboratório de Técnica Dietética da UFSM-PM, das 13h30 às 18h. Cada aula abordou diferentes temas sobre os grupos alimentares. O primeiro encontro teve como tema as práticas adequadas e seguras na manipulação de alimentos, bem como o aproveitamento integral dos alimentos. Durante a aula, os alunos fizeram as seguintes receitas: bolo de abóbora com casca, bolo de casca de banana, bolinho de talos, folhas e cascas, hambúrguer de abobrinha, bolo salgado de legumes, flocos de mandioca, vitamina de banana e casquinha de laranja. No segundo encontro, os participantes produziram alimentos baseados em grãos e trabalharam com panificação. No terceiro, os estudantes aprenderam sobre lácteos e derivados. No quarto e último, as receitas incluíram cárneos, derivados e ovos. </p>
<p>Ao início de cada aula, os 24 alunos eram separados por grupos e módulos. O laboratório possui seis bancadas, o que possibilitou o trabalho em módulos com quatro pessoas. Durante cada tarde, os grupos produziram de duas a três preparações diferentes. Na aula representada pela primeira fotografia, por exemplo, os participantes fizeram pão de forma integral, pão doce com frutas cristalizadas, pão de ervas finas, pão de farinha de milho, pão italiano com linguiça calabresa, pão econômico, biscoito amanteigado, crostata com creme de baunilha, bolo de maçã com nozes, bolo tradicional (pão de ló), cupcake de chocolate, bolacha colonial e pão de queijo. </p>
<p>Ao fim das aulas, os alunos se reuniram e conversaram sobre os resultados obtidos, os aspectos técnicos relevantes, as possibilidades de substituição de ingredientes para formulações, as diferenças entre fermentos biológicos e químicos, e importância da qualidade e do tipo de farinha. </p>		
										<figure>
										<img width="337" height="438" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/04/Captura-de-tela-2026-04-14-160045.jpg" alt="Foto colorida vertical de um grupo de pessoas sentadas em bancos e atrás de bancadas. O grupo veste aventais brancos e azuis escuros com todas brancas. Todos estão sentados atrás de uma mesa com vários alimentos dispostos, como queijo, biscoitos e molhos" />											<figcaption>Um dos temas das aulas foi produtos lácteos e derivados</figcaption>
										</figure>
										<figure>
										<img width="301" height="401" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/04/Captura-de-tela-2026-04-14-155840.jpg" alt="Foto colorida vertical de grupo de pessoas uniformizadas com aventais brancos e azuis, bem como todas brancas. Todos estão atrás de uma mesa com alimentos dispostos, como pães, pães recheados salgados e bolos doces" />											<figcaption>Curso de habilidades culinárias teve aula sobre grãos e panificação</figcaption>
										</figure>
		<h3><b>Parceria com o Município </b></h3>
<p>De acordo com as professoras, a Prefeitura de Palmeira das Missões foi fundamental para que a capacitação fosse realizada. “A gente só conseguiu viabilizar o curso, pela dificuldade de aquisição de alimentos, porque o campus e a Prefeitura nos ajudaram. A Prefeitura também organizou o transporte para que eles viessem. A divulgação do curso também foi em parceria com a Prefeitura e ela também deu os uniformes para os participantes”, contou Maritiele. </p>
<p> </p>
<h3><b>Em busca de uma alimentação com mais qualidade </b></h3>
<p>Mais que incentivar a busca de uma renda extra, as professoras acreditam que o curso pode ajudar os participantes a se alimentarem melhor. “Ajuda a diminuir o consumo de processados. No curso, a gente não usa nada de conservante ou corante. Então, as pessoas entendem que aquilo ali é um alimento menos processado, mas que não quer dizer que é saudável”,  exemplificou Maritiele. </p>
<p>Além disso, as professoras mostraram como utilizar mais partes dos alimentos, para evitar o desperdício. “Fizemos preparações com aproveitamento integral dos alimentos. Então, o uso de casca, talo, semente”, lembrou Maritiele.</p>
<p>Ainda não há previsão para realizar o curso novamente, já que a iniciativa depende dos recursos do Programa Progredir. As professoras estão desenvolvendo outros projetos que envolvem alimentos e extensão. Mais do que apresentar novos meios de comércio, o Habilidades Culinárias é um modo de luta contra a insegurança alimentar. </p><h3><b>Viabilidade de mercado</b></h3>
<p>Antes de produzir um alimento para comercialização, é importante identificar  aspectos relacionados tanto à viabilidade de mercado quanto à segurança dos alimentos produzidos. A professora Maritiele Naissinger da Silva apresenta quatro perguntas associadas aos tópicos fundamentais para avaliar antes do início da produção. </p>
<ul>
<li style="font-weight: 400">Meu produto tem saída? </li>
<li style="font-weight: 400">O que está faltando no mercado? </li>
<li style="font-weight: 400">Quem é meu cliente? </li>
<li style="font-weight: 400">O que meu cliente procura?</li>
</ul>
<p>Os questionamentos acima são pontos importantes a se ponderar, já que é necessário escutar o consumidor antes de investir na produção de algo. Sem venda não há lucro. </p><h3><b>Boas Práticas de Manipulação de Alimentos</b></h3>
<p>Após avaliar se o seu produto terá venda, o produtor deve estar atento à segurança dos alimentos com as Boas Práticas de Manipulação. A professora Martiele recomenda a  leitura da <a style="font-size: 16px;color: #204c90" href="https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/alimentos/manuais-guias-e-orientacoes/cartilha-boas-praticas-para-servicos-de-alimentacao.pdf">Cartilha de Boas Práticas para Serviços de Alimentação</a>, do Governo Federal, e aponta os itens a seguir como prioritários: </p>
<ol>
<li><b>Higiene pessoal do manipulador</b></li>
</ol>
<ul>
<li style="font-weight: 400">Utilize touca durante toda a manipulação;</li>
<li style="font-weight: 400">Mantenha as unhas curtas, limpas e sem esmalte;</li>
<li style="font-weight: 400">Não use adornos: brincos, anéis, pulseiras, relógios e outros;</li>
<li style="font-weight: 400">Higienize frequentemente de forma adequada as mãos, especialmente ao iniciar ou retomar a produção;</li>
</ul>
<ol start="2">
<li><b> Higiene do ambiente, utensílios e equipamentos</b></li>
</ol>
<ul>
<li style="font-weight: 400">Mantenha as superfícies limpas e organizadas;</li>
<li style="font-weight: 400">Limpe utensílios, equipamentos e móveis de maneira adequada;</li>
<li style="font-weight: 400">Controle o fluxo de produção para evitar contaminações. Exemplo: não cruze lixo no momento da produção e não manuseie alimentos crus na mesma bancada enquanto manipula alimentos prontos);</li>
</ul>
<ol start="3">
<li><b> Controle de tempo e temperatura</b></li>
</ol>
<ul>
<li style="font-weight: 400">Armazene os alimentos refrigerados até 5°C;</li>
<li style="font-weight: 400">Armazene os alimentos congelados em -18°C ou menos;</li>
<li style="font-weight: 400">Garanta cocção adequada, com temperaturas mínimas de 70°C no interior dos alimentos;</li>
<li style="font-weight: 400">Monitore as condições de armazenamento ao longo de toda a produção;</li>
</ul>
<ol start="4">
<li><b> Prevenção da contaminação cruzada</b></li>
</ol>
<ul>
<li style="font-weight: 400">Separe alimentos crus dos alimentos prontos para consumo;</li>
<li style="font-weight: 400">Armazene as matérias-primas em recipientes limpos e fechados;</li>
<li style="font-weight: 400">Organize o fluxo de preparo, evitando contato entre diferentes etapas;</li>
</ul>
<ol start="5">
<li><b> Armazenamento e transporte</b></li>
</ol>
<ul>
<li style="font-weight: 400">Utilize embalagens adequadas, limpas e bem vedadas;</li>
<li style="font-weight: 400">Proteja dos alimentos contra contaminações externas;</li>
<li style="font-weight: 400">Garanta as condições adequadas de higiene e temperatura durante o transporte;</li>
</ul>
<ol start="6">
<li><b> Rotulagem dos produtos</b></li>
</ol>
<ul>
<li style="font-weight: 400">Inclua as informações mínimas: nome do produto, data de produção, lista de ingredientes e identificação da origem;</li>
<li style="font-weight: 400">Disponibilize o contato do produtor na embalagem. </li>
</ul>
<ol start="7">
<li><b> Prazo de validade</b></li>
</ol>
<ul>
<li style="font-weight: 400">Adote prazos reduzidos, considerando a ausência de análises laboratoriais;</li>
<li style="font-weight: 400">Recomenda-se, em muitos casos, consumo em até um dia, dependendo do tipo de alimento ;</li>
<li style="font-weight: 400">Produza em pequenas quantidades e com maior frequência, para garantir maior frescor e reduzir perdas;</li>
<li style="font-weight: 400">Exemplo de rotulagem<br />“Bolo de cenoura com cobertura de chocolate<br />Produzido em: 05/04/2026<br />Ingredientes: farinha de trigo, açúcar, cenoura, ovos, óleo e achocolatado<br />Produzido em Rua Centro nº 00, Palmeira das Missões/RS, contato (55) 9999999”;</li>
</ul>
<p><b><i>Texto</i></b><i>: Jessica Mocellin, bolsista da Agência de Notícias e acadêmica de Jornalismo </i></p>
<p><b><i>Ilustração</i></b><i>: Pyetra Kupke Dorneles, estagiária da Agência de Notícias e acadêmica de Desenho Industrial, sob a supervisão de Daniel Michelon De Carli </i></p>
<p><b><i>Fotos</i></b><i>: Laboratório de Técnica Dietética/UFSM-PM</i></p>
<p><b><i>Edição</i></b><i>: Maurício Dias, jornalista</i></p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Horta urbana auxilia no enfrentamento da insegurança alimentar</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2026/04/07/horta-urbana-auxilia-no-enfrentamento-da-inseguranca-alimentar</link>
				<pubDate>Tue, 07 Apr 2026 17:02:46 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[agroecologia]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[extensao]]></category>
		<category><![CDATA[horta comunitária]]></category>
		<category><![CDATA[horta urbana]]></category>
		<category><![CDATA[horte neide vaz]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/?p=72215</guid>
						<description><![CDATA[Moradores do residencial Dom Ivo Lorscheiter garantem alimentos e fonte de renda por meio da plantação de legumes, verduras e temperos sem agrotóxicos
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <figure>
										<img width="1024" height="683" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/03/IC3A9954-1024x683.jpg" alt="Foto horizontal colorida de uma área de cultivo em uma horta. No centro da imagem há um canteiro coberto por uma estrutura arqueada com tecido agrícola cinza, utilizado para proteger as plantas. Ao redor do canteiro, crescem diversas plantas, incluindo pés de milho com folhas verdes altas. Ao fundo, aparecem mais áreas de plantio, vegetação e algumas casas do bairro. O céu está nublado." />											<figcaption>Horta urbana em atividade desde 2018 já chegou a reunir 20 famílias na produção
</figcaption>
										</figure>
		<p>Com um sorriso no rosto e um jeito calmo de falar, Luiz Antônio Loreto, 52 anos, nos recebe entre os canteiros da horta agroecológica comunitária Neide Vaz,&nbsp; localizada no loteamento Dom Ivo Lorscheiter, no bairro João Luiz Pozzobon. Mestre Militar, como é conhecido, guia nossa reportagem entre os canteiros em fase de replantio, depois de um verão quente que prejudicou a produção. “Aqui era um depósito de lixo”, conta enquanto nos mostra quais tipos de alimentos são plantados ali.</p>
<p>Alface, milho, couve, temperos e ervas medicinais estão entre os itens produzidos sem o uso de agrotóxicos na horta. Desde 2018, o espaço tem sido uma alternativa para os moradores terem acesso a alimentos frescos e saudáveis. Além disso, a iniciativa contribui para a geração de renda, já que o excedente é vendido entre os vizinhos.&nbsp;</p>
<p>A horta quebra a paisagem da região, composta por 578 casas de porta e janela, de 39,8 metros quadrados cada. O loteamento tem poucas árvores em suas ruas principais. Construídas entre 2013 e 2015, com recursos do programa Minha Casa Minha Vida, do Governo Federal em parceria com a Prefeitura de Santa Maria, as moradias foram entregues por meio de sorteio para pessoas em vulnerabilidade social.&nbsp;</p>
<p>Já a área de plantio surgiu por iniciativa dos moradores da comunidade, ligada a um projeto social de capoeira existente no bairro. “Nós estávamos em uma reunião, logo depois de assumirmos a associação comunitária. Naquele dia estava presente a irmã Lourdes Dill - coordenadora, na época, do Projeto Esperança/Cooesperança - , que nos apresentou ao Juarez, que é da UFSM”, conta. Com isso, a horta começou a receber auxílio técnico do programa de extensão “Hortas Comunitárias em Santa Maria - Segurança alimentar e economia solidária”, coordenado pelo zootecnista Juarez Felisberto, da UFSM.&nbsp;</p>
<p>Militar nos apresenta Isabel Soares, empregada doméstica de 57 anos, nova integrante da Neide Vaz. Natural de Arroio do Sol, ela conta que está ansiosa para cultivar seu primeiro canteiro: “como a gente compra tudo no mercado, para nós vai ser uma vantagem muito boa. E outra coisa é que aqui não tem esses produtos com veneno. Direto daqui para casa, vai ser bem melhor”, afirma.&nbsp;</p>
<p>Ao todo, são 17 canteiros divididos entre as dez famílias que cultivam no local. Cada canteiro é cuidado por uma família ou morador. E quando alguém da comunidade tem interesse, pode solicitar um espaço para o plantio. Durante a pandemia de Covid-19, a horta chegou a ter cerca de 20 famílias cultivando.&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>		
										<figure>
										<img width="683" height="1024" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/03/IC3A9921-683x1024.jpg" alt="Foto vertical colorida de um homem negro, de meia-idade e sorrindo. A imagem o mostra do peito para cima e olhando para o lado direito. Ele tem cabelos curtos e grisalhos, usa uma camiseta branca com a inscrição “Capoeira Berimbau” e um emblema colorido no peito. No pescoço, utiliza um colar de contas escuras. Suas mãos aparecem à frente do corpo, como se estivesse gesticulando enquanto fala. Ao fundo, desfocado, há vegetação verde alta. O céu aparece nublado acima da paisagem." />											<figcaption>Luiz Antônio Loreto, conhecido como Mestre Militar, foi um dos fundadores da horta e atualmente é presidente da associação de moradores. 
</figcaption>
										</figure>
		<h3><b>Mudança que se percebe no prato </b></h3><p>Mais do que garantir alimentos frescos, a horta Neide Vaz ajuda a mudar hábitos da comunidade. Segundo o Mestre Militar, muitas crianças do bairro João Luiz Pozzobon tinham uma alimentação baseada em produtos industrializados. “No começo, era muito macarrão instantâneo e salsicha. Verdura quase não entrava no prato das crianças”, lembra da realidade que tem se modificado. </p><p>No local do empreendimento agroecológico, também funciona uma cozinha solidária semanal, que distribui refeições para moradores da comunidade e de bairros próximos, sempre utilizando alimentos que foram produzidos ali mesmo. </p><p>A experiência da horta Neide Vaz não é um caso isolado. Em Santa Maria, iniciativas semelhantes de agricultura urbana têm crescido como alternativa para ampliar o acesso da população a alimentos de qualidade. Atualmente são quatro hortas comunitárias em atividade na cidade e outras três em processo de implementação. </p><p>De acordo com o secretário municipal de Desenvolvimento Rural, Marcelo Dalla Corte, Santa Maria foi selecionada como um dos municípios prioritários para a implementação do projeto Horta Mais Comunitária, devido aos indicadores de vulnerabilidade socioeconômica. No município, o projeto prevê a criação de duas novas hortas urbanas, que serão construídas nos bairros Nova Santa Marta e Carolina.</p>		
													<img width="1024" height="628" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/04/mapa-v2-1024x628.jpg" alt="Mapa ilustrado da cidade de Santa Maria, em tons claros de bege e marrom, mostrando ruas e bairros da área urbana. No topo da imagem está o título “Hortas urbanas em atividade em Santa Maria”. Sobre o mapa são destacados quatro locais onde existem hortas urbanas. Cada horta aparece identificada por placas de madeira ilustradas com a palavra “horta”, acompanhadas de desenhos coloridos de alimentos como milho, cenoura, berinjela, tomate e alface. A primeira placa, em vermelho, está situada ao noroeste, e está identificada como sendo a Horta da Penitenciária Estadual de Santa Maria (PESM). No Oeste, uma placa verde indica a Horta Cipriano da Rocha, no bairro Pinheiro Machado. No Leste, duas placas situadas no bairro Diácono João Luíz Pozzobon. A primeira, em roxo, sinaliza a Horta Renova Vidas. A segunda, em laranja, aponta onde fica a Horta Neide Vaz." />													
		<h3><b>Do campo à cidade </b></h3><p>De acordo com o <a href="https://www.un.org/development/desa/en/news/population/2018-revision-of-world-urbanization-prospects.html">Relatório Mundial de Cidades de 2022</a>, da Organização das Nações Unidas (ONU), 68% da população mundial residirá em áreas urbanas até 2050. A projeção para o Brasil é de que a urbanização chegue a 92% para o mesmo período. Em 2022, <a href="https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/41901-censo-2022-87-da-populacao-brasileira-vive-em-areas-urbanas">esse percentual era de 87%</a>, segundo o Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).</p><p>“Há cerca de 50 anos, menos de 60% das pessoas viviam nas cidades no Brasil. Hoje já temos quase 90% da população vivendo em áreas urbanas", destaca a professora e pesquisadora Rita Pauli, coordenadora do Grupo de Trabalho em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (GT-SSAN) da UFSM, sobre o processo de urbanização brasileira. </p><p>A professora alerta que, com apenas 10% da população vivendo no campo, não é mais possível que a produção de alimentos fique concentrada em áreas rurais. “A agricultura urbana é essencial por diferentes fatores, principalmente pela preocupação com a segurança alimentar”, complementa. Conforme a prefeitura de Santa Maria, cerca de 11% da população da cidade sofre com algum nível de insegurança alimentar, seja ela leve, moderada ou grave, o que representa 29.835 pessoas, segundo levantamento de 2023.  </p><p>Rita defende que, além de combater a insegurança alimentar, é necessário pensar em segurança nutricional. “Não adianta ser qualquer tipo de alimento. É preciso que sejam saudáveis. Por isso a importância das hortas urbanas nesse contexto”, aponta. Segundo ela, a agricultura urbana também pode contribuir para a inclusão social e para melhorar a renda de famílias em vulnerabilidade. .</p>		
													<img width="1024" height="576" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/03/dados-infografico-populacao-urbana-1024x576.jpg" alt="A primeira está situada ao noroeste, e está identificada com uma placa vermelha como sendo a Horta da Penitenciária Estadual de Santa Maria (PESM). No Oeste, uma placa verde indica a Horta Cipriano da Rocha, no bairro Pinheiro Machado. Ao Sul, uma placa em roxo sinaliza a Horta Renova Vidas, no bairro Diácono João Luiz Pozzobon. E, ao Leste, uma placa em laranja aponta onde fica a Horta Neide Vaz, no bairro Dom Ivo Lorscheiter." />													
		<h3><b>Uma barreira contra os ultraprocessados </b></h3><p>No bairro João Luiz Pozzobon, a horta tem se tornado uma espécie de barreira contra o avanço do consumo de <a href="https://www.ufsm.br/2025/06/04/entenda-como-ler-rotulos-de-alimentos">ultraprocessados</a>, formulações industriais feitas de substâncias extraídas de alimentos, como óleos, gorduras, açúcar e proteínas. Os ultraprocessados contém pouco ou nenhum alimento inteiro. Em geral, são considerados prejudiciais à saúde por serem pobres nutrientes e ricos em gorduras saturadas e trans, açúcares, sódio e aditivos. Entre os exemplos estão os pratos prontos industrializados, os embutidos, os cereais matinais, as bolachas, os salgadinhos, os refrigerantes, os energéticos, os sucos de caixinha, os fast foods, os sorvetes, as barras de cereais e os molhos prontos. </p><p>De acordo com o professor e pesquisador da área de Geografia da Alimentação, Cleder Fontana, as pessoas que vivem nas cidades estão com uma rotina cada vez mais corrida e, por isso, acabam recorrendo a ultraprocessados por praticidade.     </p><p>Além disso, o professor acredita que a publicidade voltada aos ultraprocessados acaba influenciando as pessoas a ingerirem esse tipo de alimento. De acordo com <a href="https://www.thelancet.com/series-do/ultra-processed-food">dados publicados</a> por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) na revista inglesa Lancet, a participação de ultraprocessados na alimentação dos brasileiros mais que dobrou desde os anos 1980, passando de 10% para 23%. “As pessoas cada vez mais tem se tornado reféns daquilo que a mídia propaga e acabam consumindo alimentos prejudiciais para sua própria saúde”, salienta.  </p><p>No entanto, Cleder acredita que esse cenário pode se reverter. “As hortas têm um papel pedagógico, sobretudo para pessoas que já não têm mais uma convivência no dia a dia com a agricultura e não sabem como se produz um alimento. Produzir envolve muitos conhecimentos, desde a fertilidade do solo, as épocas do ano para plantio e o tempo entre plantar, o desenvolvimento da planta e a colheita”, elucida.</p><p>Para o pesquisador, as hortas comunitárias são uma barreira visível para o avanço dos ultraprocessados na alimentação dos brasileiros e um aliado na segurança alimentar. “Essas iniciativas podem auxiliar as pessoas a comerem menos alimentos ultraprocessados e a terem uma maior soberania alimentar, principalmente nas áreas periféricas, onde o poder aquisitivo é menor”, contextualiza o geógrafo. </p><p><i><b>Texto:</b> João Victor Souza, estudante de jornalismo e estagiário da Agência de Notícias</i></p><p><i><b>Fotos:</b> Jessica Mocelin, estudante de jornalismo e bolsista da Agência de Notícias</i></p><p><i><b>Artes gráficas:</b> Daniel Michelon De Carli, designer</i></p><p><i><b>Edição:</b> Maurício Dias, jornalista</i></p>		
										<figure>
										<img width="1024" height="683" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/03/IC3A9927-1024x683.jpg" alt="Foto horizontal colorida de um cacho de frutas verdes pendendo de um galho de árvore. As frutas têm formato arredondado, semelhantes a laranjas ou limões ainda verdes. Elas estão agrupadas no centro da imagem e cercadas por folhas alongadas de cor verde. O fundo aparece desfocado." />											<figcaption>Devido ao verão rigoroso, produção em 2025 gerou pouco itens, como frutos cítrícos
</figcaption>
										</figure>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Um quadrinho sobre… quadrinhos</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2026/04/01/um-quadrinho-sobre-quadrinhos</link>
				<pubDate>Wed, 01 Apr 2026 13:06:46 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[escrita criativa]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo em quadrinhos]]></category>
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		<category><![CDATA[oficina de quadrinhos]]></category>
		<category><![CDATA[quadrinhos]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/?p=72354</guid>
						<description><![CDATA[Professora da UFSM realiza oficinas de escrita e criação de quadrinhos ao longo do primeiro semestre deste ano
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <img width="1080" height="1771" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/04/HQ.jpg" alt="Imagem em preto com falas em preto destacadas com fundo amarelo de uma história em quadrinhos com nove quadros. Antes dos quadros, o seguinte título em vermelho: “Uma linguagem que ensina”. No primeiro, a imagem da biblioteca pública da cidade. No segundo, repórter e professora em uma sala. A professora fala “Às vezes a gente acha que não sabe, que isso não é para a gente”. No terceiro, a professora aparece trajada como Shakespeare e diz “Não é só para quem quer ser poeta. No quarto, com uma folha com um sol desenhado, ela continua “não é só para quem sabe desenhar”. No quinto, segura um lápis e acrescenta “é sobre democratizar a criação”. No sexto, ela aparece em primeiro plano e diz “a escrita também é imagem”. No sétimo, com a mão em um gibi, comenta “o quadrinho isso mais visível”. No oitavo, repórter e professora estão à frente da biblioteca com um cavalete montado com quadrinhos, e ela diz “você começa a perceber hierarquias e relações”. No novo e último quadrinho, a professora Maria Clara conclui: “a gente aprende a decodificar melhor as coisas. E isso também ensina”." />													
		<p>A criação democrática ganha um espaço concreto nas oficinas de escrita e quadrinhos promovidas pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) na Biblioteca Pública Municipal Henrique Bastide. Os encontros acontecem quinzenalmente, às terças-feiras, das 14h às 16h, com uma programação que se estende ao longo do primeiro semestre deste ano.</p><p>As aulas começaram no dia 17 de março, com a oficina de quadrinhos para quem não sabe desenhar, ministrada por Lielson Zeni, doutor em Ciência Literária pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com apoio de Ícaro Gonçalves, doutorando em Literatura pela UFSM. No dia 31 de março, as atividades seguiram com a oficina de escrita criativa potencial conduzida pela professora Maria Clara Carneiro, do Departamento de Letras da UFSM. A programação tem continuidade nos dias 14 e 28 de abril, 12 e 26 de maio, e 9 e 23 de junho, alternando entre oficinas de quadrinhos, escrita criativa e improvisação.</p><p>Aberta ao público, principalmente aos adultos, mas também aos adolescentes a partir de 13 anos, a proposta não exige inscrição prévia, o que reforça o caráter acessível da iniciativa. “Não precisa saber antes, não tem exigência acadêmica”, informa a professora à Agência de Notícias. Inspiradas em experiências de grupos franceses como Oulipo (Oficina de Literatura Potencial) e Oubapo (Oficina de Banda Desenhada - Quadrinhos - Potencial), as oficinas trabalham a criação a partir de restrições, incentivando novas formas de pensar e se expressar. “A gente propõe desafios difíceis, e é justamente isso que faz surgir coisas que a pessoa não faria normalmente”, explica. </p><p>Nesse processo, o próprio quadrinho aparece como ferramenta de leitura do mundo. “A escrita também é imagem, e o quadrinho deixa isso mais visível. Você começa a perceber relações, hierarquias. Aprender a ler quadrinhos é aprender a ler melhor o mundo”, argumenta. </p><p>Para mais informações, os interessados podem entrar em contato pelo e-mail <a href="mailto:gpoqt@ufsm.br">gpoqt@ufsm.br</a>. </p><p><b><i>Texto e quadrinho: </i></b><i>Pedro Moro, estudante de jornalismo e bolsista da Agência de Notícias</i></p><p><b><i>Edição: </i></b><i>Maurício Dias, jornalista</i></p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>62 anos do Golpe: As Marcas da Ditadura na "Cidade Partida”</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2026/03/31/golpe-santa-maria</link>
				<pubDate>Tue, 31 Mar 2026 15:52:25 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura civil-militar]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura em santa maria]]></category>
		<category><![CDATA[golpe 64]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Santa Maria]]></category>

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						<description><![CDATA[O aniversário do golpe civil-militar de 1964 resgata memórias da repressão e analisa o impacto do regime militar em Santa Maria
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <figure>
										<img width="1024" height="768" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/03/IMG_6607-1-1024x768.jpg" alt="Foto colorida horizontal da fachada do prédio da Antiga Reitoria. A imagem mostra o prédio a partir de uma vista de baixo para cima. No momento da foto, a céu está firme e azulado." />											<figcaption>Quinto andar do antigo prédio da Reitoria, no Centro de Santa Maria, abrigou Assessorias Especiais de Serviço de Informações (AES), que monitora estudantes e professores (Foto: Daniel Michelon De Carli)</figcaption>
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		<p>No dia trinta e um de março, o golpe que instaurou a Ditadura Civil-Militar no Brasil completa 62 anos. Em Santa Maria, uma cidade marcada pelo trem e pela farda, a data é marcada como um registro nos livros de história e uma cicatriz que ainda vive na memória de quem viveu a repressão.</p><p>Nos anos 1960, o dia de um grupo de jovens normalmente terminava em um pátio na Rua Pinheiro Machado. Ali, nos fundos da casa de um advogado local, estudantes jogavam futebol. Entre os rostos suados e a disputa pela bola, estava um futuro capitão do Exército que, ocasionalmente, juntava-se à "pelada". Para o jovem estudante secundarista do Maneco, Dartagnan Luiz Agostini, aquele era apenas o irmão de um colega. Ele não sabia, mas anos depois, o mesmo homem que dividia o gramado com ele seria o rosto do terror em um dos porões mais sombrios do país.</p><h3><b>Um ciclo de rupturas</b></h3><p>O professor de história do Colégio Politécnico da UFSM, Leonardo Botega, explica que 1964 não foi um evento isolado. "Foi o fechamento de um ciclo de tentativas de tomadas de poder que vinha desde o suicídio de Getúlio Vargas em 1954 e as crises de 55, 56, 59 e 61", contextualiza.<br />Segundo Botega, o discurso oficial da época, alimentado por setores da imprensa empresarial e das elites rurais, vendia a ideia de uma "Revolução Democrática" para salvar o país de uma suposta "República Sindicalista" liderada por João Goulart. "O real motivo foi a oposição ferrenha às Reformas de Base. Era a lógica da manutenção dos interesses empresariais e latifundiários acima de tudo", destaca o professor.</p><h3><b>Santa Maria, a “Cidade Partida”</b></h3><p>Enquanto a ditadura iniciava no país, Santa Maria ganhava contornos de "Cidade Partida", termo utilizado pelo professor e historiador da UFSM, Diorge Konrad, para descrever a divisão entre a forte tradição trabalhista dos ferroviários e o massivo contingente militar da região.</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">"Santa Maria já era o segundo maior contingente militar e tinha uma tradição trabalhista consolidada. A cidade se dividiu", explica Konrad. De acordo com o docente do Departamento de História e um dos coordenadores do <a style="text-decoration: none" href="https://www.ufsm.br/2026/03/30/grupo-calice-da-ufsm-discute-a-arte-como-resistencia-a-ditadura-civil-militar">Cálice</a> - Grupo de Estudos sobre a Ditadura Civil-Militar, a repressão no município foi imediata e estratégica. "Os ferroviários, que tentaram uma greve no primeiro dia de abril daquele ano, foram os primeiros alvos. <a style="text-decoration: none" href="https://memoriasdaditadura.org.br/personagens/onofre-ilha-dornelles/">Onofre Dornelles</a> foi preso, torturado no Regimento Mallet e morreu na Casa de Saúde em decorrência das sequelas. Foi o primeiro morto pela ditadura na cidade", revela.</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">Dentro da UFSM, Konrad aponta que, a partir de 1968, com o <a href="https://www.gov.br/memoriasreveladas/pt-br/centrais-de-conteudo/destaques/ai-5-nunca-mais#:~:text=Em%2013%20de%20dezembro%20de,aprofundando%20a%20repress%C3%A3o%20no%20Brasil.">AI-5</a>, a vigilância tornou-se cotidiana por meio das Assessorias Especiais de Serviço de Informações (AES), instaladas no quinto andar da reitoria. "Temos registros de mais de mil documentos do Serviço Nacional de Informações (SNI) vigiando estudantes e professores. A universidade era um laboratório da vigilância", pontua.</p><h3><b>“Boêmio, Carreteiro e Vanguarda”</b></h3><p>A luta pela resistência ocupava as mesas de bar da cidade. No livro “<i>Relatos de um militante</i>”, Dartagnan conta que, na Avenida Rio Branco, o Moby Dick, era o porto seguro da intelectualidade progressista da época. "Tínhamos poucos recursos, o consumo era mínimo, mas o proprietário, o Cláudio, nos oferecia um carreteiro gratuito a cada ano", conta Dartagnan. Esses encontros boêmios serviram de base para a criação do Grupo Vanguarda Cultural. Ali, entre intelectuais e estudantes, debatia-se a cultura como ferramenta fundamental para coesionar a sociedade brasileira contra o regime. Para Dartagnan e seus pares, fazer cultura era um ato político de formação da juventude para o fim da ditadura e a redemocratização do país.</p>		
													<img width="1024" height="828" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/03/mvimento-cultural-1024x828.jpeg" alt="Foto em tons de cinza. semelhante a um recorte de jornal, com dez homens, sendo oito sentados à mesa. Todos estão com camisas e têm cabelos curtos escuros ou claros. Alguns usam óculos. Os outros dois homens são o garçon e um home no balcão ao fundo." />													
		<h3><b>Do congresso clandestino para os porões do DOI-CODI</b></h3><p>Dartagnan viveu essa vigilância na pele. Em 1967, ele era um dos dois delegados escolhidos por Santa Maria para participar do Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), em Belo Horizonte, um evento que ocorria no porão de uma igreja. "O movimento estudantil era aberto antes de 1964. Depois, foi cerceado. Em Santa Maria, éramos poucos, cerca de 3 mil universitários, mas uma vanguarda organizada", recorda.</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">A aventura clandestina terminou em prisão. Segundo Dartagnan, o cárcere se deu após um acordo de "salvaguarda" que não foi cumprido pela polícia estadual. Ele e outros estudantes, incluindo o futuro político e estudante de direito na época, Tarso Genro, foram capturados pelo Departamento de Ordem Política e Social (DOPS).</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">"Ficamos dias incomunicáveis. Havia uma tortura psicológica forte: 'nós vamos te matar, sabemos quem é você', mas ainda não havia a agressão física sistemática. A repressão ainda não era 'científica’ ", conta.</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">A consciência da dor veio anos depois. Já formado em engenharia e trabalhando em uma obra da Petrobras na Serra do Mar, Dartagnan foi preso novamente em 1971. O destino foi o DOI-CODI, em São Paulo, o epicentro da Operação Bandeirante. Ali, o engenheiro reencontrou o "companheiro de futebol" de Santa Maria: o agora Major Carlos Brilhante Ustra, chefe do centro de tortura.</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">"Ele me perguntou: 'sabe quem eu sou?'. Eu disse: 'claro, te conheço do bairro Pinheiro Machado'. Ele ficou meio chateado com a resposta", relata Dartagnan.</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">O engenheiro passou dois meses em São Paulo e outros dois no DOPS, em Porto Alegre. Ele descreve um método de desestruturação psíquica: "Eles te chamavam na cela, faziam um carnaval, davam choque e te mandavam embora. Duas horas depois, te buscavam de novo. Tu nunca sabia quando tinha terminado. O objetivo era não te deixar raciocinar".</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">O jogo era pela sobrevivência. "Tu fica psicologicamente destroçado. Tem que ter muita força de vontade para não cair no desespero. Eu queria sobreviver, mas não queria contar nada que causasse a morte ou a prisão de mais ninguém. Era um jogo de medir o que falar", explica. </p>		
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										<img width="683" height="1024" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/03/Dartgnan-em-1982-683x1024.jpeg" alt="Foto em tons de cinza vertical de um homem adulto com cabelo escuro e curto, com bigode. Ele usa uma camisa social de manga longa com bolso de cor clara." />											<figcaption>Engenheiro Dartagnan Agostini em 1982 (Foto: Arquivo pessoal)</figcaption>
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										<img width="768" height="1024" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/03/Atestado-do-DOPS-Santa-Maria-768x1024.jpeg" alt="Página de reprodução de documento do DOPS com texto datilografado em preto." />											<figcaption>Ficha do DOPS - Santa Maria do engenheiro em 1966/ Imagem: Arquivo pessoal</figcaption>
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		<h3><b>O dever da memória e a herança do silêncio</b></h3><p>A saída dos militares, descrita por eles como "lenta, gradual e segura", deixou heranças que os historiadores apontam como entraves para a democracia atual. Para Leonardo Botega, a <a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6683.htm">Lei de Anistia de 1979</a> garantiu a não punição de torturadores e moldou uma estrutura frágil. "A transição criou um grande problema: a lógica da não punição aliada à autonomia militar. Isso gera uma perspectiva social aberta aos negacionismos", alerta o professor.</p><p>Diorge Konrad reforça que o autoritarismo ainda molda a formação social brasileira. "O Brasil possui uma sociedade fortemente autoritária. Estruturas como a autonomia das polícias militares estaduais são heranças vivas desse período. Temos a polícia que mais mata e que mais morre, atuando em guerra permanente contra a sociedade civil", enfatiza.</p><p>Dartagnan Agostini, que após o exílio interno e a redemocratização decidiu cursar História, transformou sua vivência em objeto de estudo. Sua motivação? A plena consciência de que a luta de sua geração era por um Brasil que diminuísse a disparidade entre ricos e pobres, um projeto que, segundo ele, foi abortado pelo golpe.</p><p>Hoje, aos 83 anos, o engenheiro e historiador guarda as marcas psicológicas e a compreensão de que o silêncio é a ferramenta predileta do autoritarismo. A história de Dartagnan serve como um lembrete: a democracia não é um estado permanente, mas uma construção que exige, acima de tudo, o fim do esquecimento.</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Texto: Isadora Bortolotto, estudante de Jornalismo e voluntária na Agência de Notícias</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Imagens: Reprodução do livro “Relatos de um militante”, de Dartagnan Agostini, e Arquivo Pessoal</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"><b>Foto</b>: Daniel Michelon De Carli, designer</p><p>Edição: Maurício Dias, jornalista</p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Do leite materno ao refrigerante: como os ultraprocessados avançam na alimentação de crianças na primeira infância</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2026/03/27/do-leite-materno-ao-refrigerante-como-os-ultraprocessados-avancam-na-alimentacao-de-criancas-na-primeira-infancia</link>
				<pubDate>Fri, 27 Mar 2026 14:51:29 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[divulga ciência]]></category>
		<category><![CDATA[alimentação infantil]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
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		<category><![CDATA[Nutrição]]></category>
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						<description><![CDATA[De acordo com o Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil, 80% das crianças abaixo de cinco anos costumam consumir esses tipos de produtos
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p><em>Para ouvir a reportagem, clique no player a seguir:</em></p>
<p>[audio mp3="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/03/audioultra.mp3"][/audio]</p>
</p>
<p><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/03/Ilustracao_crianca_ultraprocessados-1024x667.jpg" alt="Uma ilustração vertical em estilo cartoon com fundo rosa claro. No centro, há um menino branco, com cabelo loiro e cacheado. Ele está cercado por vários alimentos ultraprocessados ao seu redor. Linhas pretas conectam o menino a cada um dos lanches, os itens têm contornos pretos grossos e cores vibrantes." width="1024" height="667" /></p>
<p>Assim que entra no supermercado, o pequeno Vinícius Ferreira Fagan corre de um lado para o outro. Aos três anos de idade, ele para diante das prateleiras, observa as embalagens coloridas e logo aponta para aquilo que deseja levar para casa. Entre as opções, o menino escolhe uma bolacha recheada, cujo pacote mostra personagens costumeiros nos desenhos animados que assiste na televisão. “Dependendo do dia, eu deixo ele levar”, conta Laura Margarete Ferreira, 41 anos, mãe de Vinícius. No carrinho de compras, o pacote de biscoito divide espaço com leite, arroz e algumas frutas. A empregada doméstica tenta equilibrar as escolhas do filho com aquilo que considera mais saudável. “Às vezes ele acaba comendo uma ou outra porcaria”, comenta.</p>
<p>Essas “porcarias” que a mãe se refere têm nome: ultraprocessados. São formulações industriais produzidas principalmente a partir de substâncias como óleos, gorduras, açúcar e amido, além de aditivos como corantes, aromatizantes e emulsificantes. O termo ultraprocessado surgiu há 16 anos, em 2010, fruto de uma investigação realizada pelo Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde, vinculado à Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), coordenado pelo epidemiologista Carlos Augusto Monteiro. A chamada <a href="https://nupens.fsp.usp.br/a-classificacao-nova/">classificação Nova</a> – nome dado em alusão a explosão nuclear que acontece dentro de uma estrela – divide os alimentos em quatro categorias: <i>in natura</i>, ingredientes culinários processados, processados e, por último, ultraprocessados.  </p>
<p>Uma característica comum dessa última categoria de comidas e bebidas são as composições químicas presentes. Acidulantes, propionato de cálcio, ácido sórbico e outros nomes difíceis de pronunciar são apenas alguns aditivos usados pela indústria a fim de aumentar a durabilidade, diminuir o custo e intensificar o sabor, muitas vezes sem provocar grande sensação de saciedade. Além disso, os ultraprocessados utilizam pequena ou nenhuma quantidade de alimentos <i style="color: #000000;font-size: 1rem">in natura</i> na sua composição. Quando um refrigerante ou um suco traz a indicação de “sabor laranja” ou de qualquer outra fruta, isso revela que o percentual do ingrediente é baixo ou ausente. </p>
<p>O consumo de ultraprocessados cresceu de forma acelerada. Estimativas indicam que a participação desses produtos na dieta nacional mais do que dobrou, saltando de 10% em 1980 para 23% em 2023, do total consumido. Os dados fazem parte de uma série de estudos divulgados por mais de 40 pesquisadores, liderados por cientistas da USP. A <a style="text-align: justify" href="https://www.thelancet.com/series-do/ultra-processed-food">publicação</a>, veiculada na revista científica The Lancet, aponta que essa tendência não é exclusiva do Brasil. A análise reuniu informações de 93 países e mostrou que o consumo de ultraprocessados cresceu ao longo dos anos na maioria das nações. Entre os avaliados, o Reino Unido apresenta uma das maiores participações desses produtos na composição da dieta, com cerca de 50%, índice superado apenas pelos Estados Unidos, onde os ultraprocessados representam mais de 60% da alimentação. </p>
<p><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/03/Entenda_as_4-categorias_de_alimentos_e_como_identificar_ultraprocessados-1024x667.png" alt="Infográfico horizontal dividido em quatro colunas com tons degradê de rosa e marrom. Da esquerda para a direita: a primeira coluna mostra alimentos &quot;in natura&quot; (ovos, bananas, leite), a segunda, &quot;ingredientes processados&quot; (mel, manteiga, açúcar), a terceira, &quot;processados&quot; (queijo, bacon e pão francês), e a quarta, &quot;ultraprocessados&quot; (salgadinho de pacote, biscoito e refrigerante)." width="1024" height="667" /></p>
<h3><strong>O cardápio de Vinícius</strong></h3>
<p>Entre os dias 20 e 22 de março, a Agência de Notícias acompanhou a rotina alimentar de Vinícius. Nesse período, sua mãe, Laura, preencheu um diário alimentar criado pela reportagem sob orientação da nutricionista Larissa Barz. No almoço e no jantar, a criança costuma se alimentar com refeições caseiras preparadas pela mãe e pela irmã, de 14 anos. O arroz e o feijão estão entre seus alimentos favoritos. Entretanto, os ultraprocessados aparecem em refeições “mais rápidas” como o lanche da tarde. No diário, ao todo, foram cinco alimentos ultraprocessados consumidos durante o acompanhamento. Em 72 horas, Vinícius ingeriu 31 aditivos químicos diferentes que não existem em uma cozinha doméstica. Esse cenário não é restrito à casa da família Ferreira, pelo contrário, está presente na maioria dos lares brasileiros.</p>
<p>De acordo com a pesquisa do <a href="https://enani.nutricao.ufrj.br/enani-2019/">Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (Enani)</a>, que avaliou o perfil alimentar de crianças de até seis anos em 123 municípios do Brasil entre 2019 e 2020, 80% das crianças abaixo de cinco anos consumiram ultraprocessados. O estudo ainda destaca que 25% das calorias ingeridas pelas crianças provêm exclusivamente desses produtos. Segundo o <a href="https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_alimentar_populacao_brasileira_2ed.pdf">Guia Alimentar para a População Brasileira</a>, produzido pelo Ministério da Saúde em 2014, o consumo de ultraprocessados não é indicado. Aliás, o manual orienta a população a basear sua dieta em alimentos <i>in natura</i> e minimamente processados. </p>
<p>Se o Guia Alimentar é enfático ao desaconselhar esses produtos, a ciência explica o porquê. De acordo com a endocrinologista Maria Edna de Melo, chefe da Liga de Obesidade Infantil da USP, o perigo mora na combinação de formulações que tornam os ultraprocessados mais atrativos. “Para que um alimento seja muito agradável ao paladar, ele costuma ter uma combinação de açúcar, gordura e sal em proporções que atingem o chamado <i>bliss point</i>, o ponto da felicidade”, explica. Para ela, essa combinação faz com que alimentos como biscoitos, doces e salgadinhos estimulem o consumo repetitivo, o que aumenta a possibilidade de doenças futuras como diabetes, hipertensão, obesidade e até depressão.  </p>
<p>A endocrinologista alerta que os efeitos do consumo frequente de ultraprocessados podem aparecer ainda na infância. A partir de exames laboratoriais, já é possível observar alterações, como o aumento do colesterol LDL, conhecido como “colesterol ruim”, resultado da maior ingestão de gorduras saturadas presente nesses produtos. “Quando a criança se acostuma com alimentos muito saborosos, ela passa a preferi-los e pode ter menos interesse por alimentos <i>in natura</i>, como frutas e preparações caseiras”, explica Maria Edna. Esse processo contribui para a formação de um padrão alimentar que favorece o consumo de ultraprocessados e reduz escolhas mais saudáveis.</p>
<p>O paladar e o bolso caminham juntos na hora das compras. O estudo “<a href="https://www.unicef.org/brazil/relatorios/alimentacao-na-primeira-infancia">Alimentação na Primeira Infância: conhecimentos, atitudes e práticas de beneficiários do Bolsa Família</a>”, realizado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infâncias (Unicef) durante a pandemia e publicado em 2021, revela que o sabor é o principal motor de consumo de ultraprocessados (46%), seguido do preço (24%) e da praticidade (17%). A geografia do consumo também impõe barreiras. Enquanto mais da metade das famílias vivem cercadas por lojas de conveniência e lanchonetes, apenas 15% têm acesso a hortas ou feiras próximas de casa. </p>
<p>Na visão da nutricionista Vanessa Ramos Kirsten, professora da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e pesquisadora da área de políticas públicas de alimentação, a localização da residência é um fator determinante na dieta da população. “Dependendo do CEP [cidade, estado ou país] onde a pessoa mora, isso já influencia o tipo de alimentação que ela vai ter. Por isso, precisamos tomar cuidado para não responsabilizar algumas classes sociais pelas escolhas alimentares”, conscientiza. </p>
</p>

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<p><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/03/Como_identificar_um_ultraprocessado-1024x782.jpg" alt="Infográfico vertical, colorido com fundo rosa intitulado “Como identificar um ultraprocessado?”. O material apresenta quatro sinais que ajudam a reconhecer esses tipos de comidas e bebidas. O primeiro é a presença de ingredientes “estranhos”. O segundo é a vida útil longa, característica de produtos que podem permanecer meses na prateleira sem estragar. O terceiro ponto é o marketing atraente, com embalagens coloridas e personagens infantis, frequentemente associados a alimentos ultraprocessados. O quarto é a rotulagem frontal, indicada por um selo em formato de lupa que alerta para alto teor de açúcar adicionado, gordura saturada e sódio. Ao redor do texto aparecem ilustrações de alimentos industrializados. No canto inferior esquerdo há o desenho de um personagem com cabelo cacheado amarelo e olhos grandes observando a cena, enquanto no canto inferior direito aparece um exemplo de rótulo frontal com os alertas nutricionais." width="1024" height="782" /></p>
<h2><strong>As receitas do ontem e do hoje</strong></h2>
<p>Laura Margarete Ferreira é empregada doméstica e não teve a oportunidade de estudar quando criança por conta da distância da escola de sua casa. Nascida no município gaúcho de Dom Pedrito, ela concluiu o Ensino Médio de forma online já na fase adulta. “Quando eu estava na quarta série, meu pai me tirou do colégio, porque não tinha mais condições de me levar”, lembra. </p>
<p>Ao ser questionada sobre como era sua alimentação na infância, ela recorda com carinho. “Na minha infância, era tudo bem simples: pão, bolinho frito que a minha avó fazia. E, de doce, tinha doce de batata ou doce de abóbora”, conta. Todos os alimentos citados por Laura podem ser feitos em casa ao misturar ingredientes e seguir receitas.  </p>
<p>Ela ainda comenta que só foi experimentar refrigerante aos 17 anos, quando se mudou para Santa Maria. Com Vinícius, a experiência aconteceu bem mais cedo, ele experimentou a bebida antes de completar três anos de vida. Apesar disso, a mãe garante que tenta limitar o consumo no dia a dia. “Ele toma refrigerante. Eu tento não dar muito, mas às vezes não adianta. Quando ele vê os outros tomando e pede, eu acabo dando”, afirma. Mesmo com o acesso antecipado ao mundo dos refrigerantes, a alimentação da criança, nos primeiros seis meses de vida, foi constituída apenas por leite materno e fórmula – alimento que serve como substituição ou complemento ao leite materno. Laura afirma que o uso da fórmula foi necessário por ter pouco leite na sua segunda gestação. </p>
<figure><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/03/Grupo_de_profissionais_de_saude_do_SUS_sorrindo-1024x768.jpeg" alt="Foto selfie, horizontal, colorida com um grupo de 13 profissionais de saúde sorrindo. A maioria veste uniformes azuis ou jalecos brancos com o logotipo do SUS e Ministério da Saúde, em um ambiente de clínica." width="1024" height="768" />
<figcaption>Projeto Amamentar reúne integrantes de diferentes áreas da saúde (Foto: Arquivo pessoal)</figcaption>
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<h3><strong>Os primeiros mil dias da alimentação infantil </strong></h3>
<p>O contato inicial das crianças com a alimentação acontece por meio do leite materno. Garantir uma alimentação adequada desde o começo da vida significa, antes de tudo, assegurar o aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses, como explica a nutricionista e pesquisadora Larissa Barz, participante do projeto de extensão Amamentar, da UFSM. “O leite materno é inigualável. A composição dele vai variando de acordo com o tempo, desde o colostro até o leite maduro, trazendo nutrientes específicos e fatores de proteção para o bebê”, elucida a cientista, que também supervisionou a elaboração do diário alimentar de Vinícius. </p>
<p>Durante a amamentação, todo alimento consumido pela mãe passa para a criança por meio do leite. Assim, o sabor se modifica ao longo do tempo, o que favorece a construção do paladar da criança. “Esse bebê que é amamentado, quando chega na introdução alimentar, já está acostumado com vários sabores. Por isso, muitas vezes, aceita melhor diferentes alimentos”, complementa Larissa. </p>
<p>Nesse contexto, a alimentação tem impacto direto no desenvolvimento da criança nos seus primeiros anos de vida. Segundo a professora Geovana Bolzan, do Departamento de Fonoaudiologia e coordenadora do Amamentar, os hábitos alimentares formados nesse período influenciam a saúde ao longo de toda a vida. “A criança que se alimenta adequadamente desde o início da vida, começando pela amamentação e depois com uma introdução alimentar equilibrada, tende a se desenvolver melhor e a construir escolhas alimentares mais saudáveis no futuro”, explica. </p>
<p>O projeto desenvolve um trabalho voltado à orientação sobre dieta adequada na primeira infância e também acompanha o desenvolvimento das funções orofaciais dos bebês, como a sucção e a deglutição. A sucção é o movimento utilizado pelo bebê para retirar o leite durante a amamentação, enquanto a deglutição corresponde ao ato de engolir, permitindo que o alimento siga da boca para o sistema digestivo. </p>
<p>A equipe multidisciplinar, formada por professores e estudantes de diferentes cursos da UFSM, atua na maternidade do Hospital Universitário de Santa Maria (Husm). O grupo oferece apoio e informações às mães sobre o aleitamento materno logo após o nascimento do bebê. Além disso, o projeto também realiza acompanhamento nutricional das crianças durante a fase de introdução alimentar, que começa a partir dos seis meses de vida. </p>
<p>Com a finalidade de levar informação de qualidade às famílias, o grupo criou o livro <a href="https://repositorio.ufsm.br/handle/1/36151"><i>“Raíssa, Colorindo o Prato”</i></a>. De forma lúdica, a obra auxilia pais e responsáveis a oferecer uma dieta mais saudável às criança e, também, alerta para a busca por tratamento em casos de dificuldades alimentares na infância.</p>
<p>Durante o acompanhamento nutricional, são frequentes os casos de menores de dois anos que já consomem ultraprocessados de forma regular. “Muitas vezes chegam ao ambulatório crianças cujos pais relatam que elas já bebem sucos de caixinha, por exemplo. Esses produtos são considerados ultraprocessados, embora a embalagem traga imagens de frutas, como uma laranja, o que pode levar as famílias a acreditar que se trata de uma opção saudável”, afirma Larissa.</p>
<figure><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/03/alerta-rotulagem-frontal-anvisa-alimentos-ultraprocessados-1-1024x683.jpg" alt="Fotografia horizontal, colorida, em close de uma embalagem de suco industrializado de laranja com fundo branco. No centro há a ilustração de uma fatia de laranja estilizada com elementos gráficos coloridos. A embalagem traz mensagens promocionais como “fonte de vitamina A e zinco” e “contém 10% de fruta”, além da indicação de volume de 200 ml." width="1024" height="683" />
<figcaption>Rótulos de alimentos ultraprocessados destacam alertas nutricionais, como alto teor de açúcar e gordura saturada</figcaption>
</figure>
<figure><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/03/selo-rotulagem-nutricional-alto-em-acucar-ultraprocessado-1024x683.jpg" alt="otografia horizontal, colorida, em close de uma embalagem de suco industrializado de laranja com fundo branco. No centro há a ilustração de uma fatia de laranja estilizada com elementos gráficos coloridos. A embalagem traz mensagens promocionais como “fonte de vitamina A e zinco” e “contém 10% de fruta”, além da indicação de volume de 200 ml." width="1024" height="683" />
<figcaption>Embalagem também trazem alegações de benefícios à saúde, estratégia que pode gerar confusão na interpretação das informações pelos consumidores.</figcaption>
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<h3><strong>Quando a publicidade invade o prato</strong> </h3>
<p>Quantas vezes você já foi ao supermercado e encontrou produtos que destacam no rótulo frases como “rico em vitaminas” ou “contém ferro”? Segundo a nutricionista e pesquisadora da Universidade Federal de Minas Gerais, Juliana de Paula Matos, que realizou um monitoramento de marketing para ultraprocessados, as chamadas alegações nutricionais presentes nas embalagens também funcionam como uma estratégia para confundir o consumidor. “Muitos produtos ultraprocessados se destacam no rótulo que são ricos em vitaminas ou minerais, como ferro ou cálcio. Para quem é da área da nutrição, fica claro que isso não torna o alimento saudável, mas para muitas famílias essa informação pode passar a impressão de que se trata de uma boa escolha”, explica.</p>
<p>De acordo com a profissional, essas mensagens podem ser consideradas uma forma de publicidade enganosa. “É incoerente que um produto que recebe alerta por ser alto em açúcar, por exemplo, também traga na embalagem uma mensagem sugerindo benefícios à saúde. Isso acaba confundindo pais e cuidadores que querem oferecer o melhor para as crianças”, afirma. </p>
<p>Durante o acompanhamento do diário alimentar de Vinícius, a reportagem observou uma mudança no consumo de bebidas. O refrigerante de cola foi substituído por um suco de laranja industrializado, também classificado como ultraprocessado. “Agora ele está tomando mais desses sucos que a gente compra no mercado”, conta Laura.</p>
<p>Para muitas famílias, identificar esse tipo de produto nem sempre é simples. O tamanho das letras, os termos técnicos e a poluição visual das embalagens dificultam a compreensão das informações nutricionais. Segundo <a href="https://idec.org.br/idec-na-imprensa/populacao-nao-entende-rotulos-diz-pesquisa">dados</a> do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), apenas 25,1% da população consegue compreender totalmente o que dizem os <a href="https://www.ufsm.br/2025/06/04/entenda-como-ler-rotulos-de-alimentos">rótulos dos alimentos</a>. “Para a gente que não tem estudo é bem difícil”, desabafa a mãe de Vinícius.</p>
<p>Conforme resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), desde 2022 alimentos com alto teor de açúcar adicionado, gorduras saturadas e sódio precisam estar destacadas com o selo de uma lupa na parte superior frontal das embalagens. Juliana  ressalta que outros países da América Latina já adotaram regras mais rígidas sobre esse tipo de comunicação. “Em lugares como Chile e Argentina, produtos que recebem alertas nutricionais não podem usar estratégias de marketing que surgiram como benefícios à saúde”, diz.</p>
<p>De acordo com Vanessa Ramos Kirsten, a indústria de alimentos utiliza diferentes estratégias para tornar os produtos ultraprocessados mais atrativos ao consumidor e, muitas vezes, dificultar a compreensão sobre sua composição. Uma dessas estratégias é a mudança de nomenclaturas e formulações. “Antigamente era comum encontrar refrigerantes identificados como ‘<i style="text-align: start">diet</i>’ ou ‘<i style="text-align: start">light</i>’, termos associados principalmente a pessoas com diabetes ou que buscavam emagrecer. Com o tempo, surgiram novas denominações, como ‘zero’, que têm uma linguagem mais ampla e acabam atraindo diferentes públicos”, explica. </p>
<p>Outra prática apontada pela pesquisadora é a alteração na composição dos produtos para reduzir o valor calórico sem necessariamente torná-los mais saudáveis. “Em alguns casos, parte do açúcar é retirada e substituída por adoçantes. Assim, o produto passa a ter menos calorias e pode até evitar determinados alertas na rotulagem frontal, mas isso não significa que se tornou um alimento saudável”, esclarece.</p>
<p>O avanço dos ultraprocessados também passou a ser tratado como um tema de saúde pública. O problema tem impactos diretos sobre o Sistema Único de Saúde (SUS). Uma <a style="text-align: start" href="https://desiderata.org.br/wordpress/wp-content/uploads/2025/05/Estudo-Econometrico-25.04.pdf">pesquisa</a> recente, realizada pelo Instituto Desiderata e desenvolvida em parceria com a Fiocruz, estimou que a obesidade infantojuvenil já gera um custo de cerca de R$ 225 milhões ao sistema, considerando despesas com internações, procedimentos e medicamentos. </p>
<p>A endocrinologista Maria Edna de Melo ressalta que os ultraprocessados estão mais disponíveis para as populações mais carentes, grupo que depende majoritariamente do SUS.  “Os custos associados a doenças já são elevados e tendem a crescer nos próximos anos. A conta acaba chegando para toda a sociedade”, afirma.  </p>
<p>É nesse contexto que Vinícius cresce. Apesar do pessimismo da comunidade científica diante das estimativas alarmantes, Laura segue tentando equilibrar a rotina com hábitos alimentares mais saudáveis. Recentemente, iniciou a construção de uma pequena horta nos fundos de casa. A expectativa, segundo a mãe, é recuperar as tradições alimentares que tinha acesso quando ela mesma era criança. “Agora a gente plantou feijão e mandioca”, conta ela na ânsia por gerar bons frutos a poucos metros de casa.</p>
<p style="font-weight: 400"><b><i>Texto:</i></b><i> João Victor Souza, estudante de jornalismo e estagiário da Agência de Notícias</i></p>
<p style="font-weight: 400"><b><i>Artes gráficas:</i></b><i> Pedro Moro, estudante de jornalismo e bolsista da Agência de Notícias</i></p>
<p style="font-weight: 400"><b><i>Fotos:</i></b><i> Jessica Mocellin, estudante de jornalismo e bolsista da Agência de Notícias</i></p>
<p style="font-weight: 400"><b><i>Edição:</i></b><i> Maurício Dias, jornalista</i></p>
<p><b><i>Orientação:</i></b><i> Viviane Borelli, docente do Departamento de Ciências da Comunicação da UFSM</i></p>

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				<title>UFSM marcou presença na 26ª Expodireto Cotrijal</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2026/03/17/ufsm-marcou-presenca-na-26a-expodireto-cotrijal</link>
				<pubDate>Tue, 17 Mar 2026 10:40:36 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
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						<description><![CDATA[Universidade levou 19 projetos a uma das maiores feiras do agronegócio internacional]]></description>
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[caption id="attachment_72191" align="alignleft" width="500"]<img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/03/19080-300x200.jpg" alt="" width="500" height="333" /> Evento aconteceu na Região Noroeste do Estado e teve um estande com representantes da Universidade[/caption]
<p>Entre os dias 9 e 13 de março, a UFSM marcou presença na 26ª edição da Expodireto Cotrijal, uma das maiores feiras realizadas no que diz respeito ao agronegócio internacional. Com um estande próprio no evento, sediado em Não-Me-Toque, na Região Noroeste do Rio Grande do Sul, a Universidade expôs 19 projetos de ensino, pesquisa, extensão e inovação, de todos os campi - Santa Maria, Cachoeira do Sul, Frederico Westphalen e Palmeira das Missões.</p>
<p>O principal objetivo da iniciativa é fazer com que as tecnologias e o conhecimento desenvolvido em órgãos de pesquisa e empresas privadas cheguem aos produtores rurais, como também é um espaço de promoção do trabalho desenvolvido no setor pelas instituições. Levando o nome da UFSM, estiveram envolvidos professores e estudantes.</p>
<p>Na quinta-feira (12), os representantes da Universidade foram docentes do campus de Cachoeira do Sul e um grupo de alunos do Centro de Tecnologia que integram a Motora Empresa Júnior de Consultoria. A professora Zanandra Boff, por exemplo, marcou presença em nome do projeto “Difusão de conhecimentos e tecnologias para o aumento da produtividade da cultura da soja em Cachoeira do Sul”.</p>
<p>Na visão dela, é interessante para a UFSM participar da Expodireto Cotrijal uma vez que é um caminho para mostrar de que maneira a pesquisa realizada nos campi dialoga com as demandas da sociedade. “O ‘agro’ é um dos principais setores da economia e nós temos uma formação de profissionais de excelência nessa área. A universidade é muito bem posicionada no setor em termos de pesquisa, de tecnologia. É importante nós estarmos aqui.</p>
<p>Já o professor Eduardo Bottega, responsável pelo projeto “Desenvolvimento da cultura da soja em zonas de manejo delimitadas com base no mapeamento da condutividade elétrica aparente do solo” destaca que o avanço das tecnologias no campo tem permitido que o conhecimento produzido na universidade seja aplicado de forma mais prática.</p>
<p>“A parte tecnológica da feira tem evoluído. Nesse contexto, nós estamos hoje trazendo para os nossos participantes demonstração de alguns resultados de iniciativas onde nós estamos empregando essa tecnologia no campo. Isso porque o produtor vem à feira muitas vezes buscando algo que ele vai sentir como palpável, possível de se aplicar na sua propriedade.</p>
<p>Victória Moura e Eduardo Henrique Winckler, integrantes da Motora Júnior, foram à Expodireto Cotrijal com uma missão diferente. Uma empresa júnior é uma organização sem fins lucrativos formada por estudantes que presta serviços e desenvolve projetos para executar os conhecimentos da graduação. Dessa forma, além de buscarem expandir a marca do grupo que representam, a ideia foi de fazer contatos e buscar parcerias para o trabalho que promovem. </p>
<p>“É importante a gente já ter essa prática do mundo corporativo, do mundo empresarial, de como vender, como projetar, como fazer o marketing, já que todas essas áreas são muito importantes. É um evento muito grande, aqui temos muita visibilidade. Acredito que a gente mostrar os nossos projetos para o pessoal de fora, atrai tanto estudantes quanto investimento”, relatou Victória.</p>
<p>Winckler conta que, dada a relevância da Universidade, não é uma surpresa que o projeto tenha conseguido marcar presença em uma feira como a realizada em Não-Me-Toque. Contudo, pessoalmente falando, é uma honra representar a instituição. “Eu imaginava que isso poderia acontecer pelo tamanho que a UFSM tem, mas eu não conseguia imaginar que eu ia estar participando de um projeto desses. Fico muito feliz de estar aqui”.</p>
<p><i>Texto: Pedro Pereira, jornalista</i></p>
<p><em>Foto: Divulgação/Expodireto</em></p>
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				<title>01/2026 - Seleção de estudantes não bolsistas do Programa de Educação Tutorial (PET) Comunicação Social</title>
				<link>https://www.ufsm.br/pet/comunicacao-social/editais/001-2026</link>
				<pubDate>Mon, 02 Mar 2026 16:31:19 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[seleção petcom]]></category>

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				<title>AVISO - Novo horário de atendimento em período de férias</title>
				<link>https://www.ufsm.br/pro-reitorias/prograd/2025/12/09/aviso-novo-horario-de-atendimento-em-periodo-de-ferias</link>
				<pubDate>Tue, 09 Dec 2025 19:10:12 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Expediente externo]]></category>
		<category><![CDATA[Prograd]]></category>

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						<description><![CDATA[A Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) comunica horário especial de funcionamento para diversos setores durante o período de 12 de dezembro de 2025 a 27 de fevereiro de 2026. A alteração busca adequar o atendimento institucional à demanda típica dos meses de final e início de ano. Os seguintes setores [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
<p data-start="108" data-end="427">A Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) comunica horário especial de funcionamento para diversos setores durante o período de <strong>12 de dezembro de 2025 a 27 de fevereiro de 2026</strong>. A alteração busca adequar o atendimento institucional à demanda típica dos meses de final e início de ano.</p>
<p data-start="429" data-end="534">Os seguintes setores atenderão das <strong data-start="488" data-end="505">7h30 às 13h30</strong>, <strong data-start="507" data-end="533">sem fechar ao meio-dia</strong>:</p>
<ul data-start="536" data-end="770">
<li data-start="536" data-end="587">
<p data-start="538" data-end="587">COFRE – Coordenadoria de Oferta e Relacionamento</p>
</li>
<li data-start="588" data-end="639">
<p data-start="590" data-end="639">COREM – Coordenadoria de Registro e Matrícula</p>
</li>
<li data-start="640" data-end="690">
<p data-start="642" data-end="690">COPA – Coordenadoria de Planejamento Acadêmico</p>
</li>
<li data-start="691" data-end="746">
<p data-start="693" data-end="746">CODE – Coordenadoria de Desenvolvimento de Ensino</p>
</li>
<li data-start="747" data-end="770">
<p data-start="749" data-end="770">Biblioteca Setorial</p>
</li>
</ul>
<p data-start="772" data-end="1019" data-is-last-node="" data-is-only-node="">A PROGRAD reforça que o ajuste é temporário e orienta estudantes, servidores e comunidade externa a planejarem suas solicitações e serviços dentro do horário estipulado. Após 27 de fevereiro de 2026, o funcionamento deve retornar ao horário habitual. Clique <b><a href="https://www.ufsm.br/pro-reitorias/prograd/contato">AQUI</a></b> para consultar os contatos específicos de subunidades e setores da Prograd. </p>
<p data-start="772" data-end="1019" data-is-last-node="" data-is-only-node=""> </p>
<p data-start="772" data-end="1019" data-is-last-node="" data-is-only-node=""> </p>
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				<title>REVISTA CONVERGÊNCIA LUSÍADA – Edição v. 56</title>
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				<pubDate>Thu, 17 Jul 2025 15:58:57 +0000</pubDate>
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						<description><![CDATA[O volume 56 da Revista Convergência Lusíada traz o dossiê “Hibridismos na ficção contemporânea luso-brasileira”, organizado por Paulo Alberto Sales (IFGoiano/UFG) e Jorge Vicente Valetim (UFSCar). A edição propõe discutir as formas híbridas da narrativa contemporânea, como as relações entre ficção e autobiografia, autoficção, ensaio, história e outras artes, a partir de uma perspectiva pós-autônoma [&hellip;]]]></description>
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<p>O volume 56 da Revista Convergência Lusíada traz o dossiê “Hibridismos na ficção contemporânea luso-brasileira”, organizado por Paulo Alberto Sales (IFGoiano/UFG) e Jorge Vicente Valetim (UFSCar). A edição propõe discutir as formas híbridas da narrativa contemporânea, como as relações entre ficção e autobiografia, autoficção, ensaio, história e outras artes, a partir de uma perspectiva pós-autônoma e estética da iminência.</p>
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													<img width="1024" height="272" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/559/2025/07/chamada-edital-academico-1024x272.jpg" alt="" />													
		<p>Acesse a edição completa do volume 56, <a href="https://www.convergencialusiada.com.br/rcl/announcement/view/20">clique aqui.</a></p>]]></content:encoded>
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				<title>REVISTA LETRAS – Edição v. 34</title>
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				<pubDate>Mon, 07 Jul 2025 04:08:31 +0000</pubDate>
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						<description><![CDATA[O volume 34 da Letras, Revista do Programa de Pós-Graduação em Letras da UFSM, traz um dossiê especial de Linguística Aplicada, que reúne 13 artigos de autores de diversas regiões do Brasil e de Portugal, em torno do registro, da descrição e da avaliação de diferentes instrumentos de testagem e do papel social dessas ferramentas [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p>O volume 34 da Letras, Revista do Programa de Pós-Graduação em Letras da UFSM, traz um dossiê especial de Linguística Aplicada, que reúne 13 artigos de autores de diversas regiões do Brasil e de Portugal, em torno do registro, da descrição e da avaliação de diferentes instrumentos de testagem e do papel social dessas ferramentas em contextos de ensino que vão da educação básica à universitária e em contextos profissionais.</p>		
													<img width="682" height="1024" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/559/2025/07/WhatsApp-Image-2025-07-07-at-00.07.10-1-682x1024.jpeg" alt="" />													
		<p>Acesse a edição completa do volume 34, <a href="http://O vol. 34 da Letras, Revista do Programa de Pós-Graduação em Letras da UFSM, traz um dossiê especial  de Linguística Aplicada, que reúne treze pesquisadores de diversas regiões do Brasil e de Portugal em torno do registro, da descrição e da avaliação de diferentes instrumentos de testagem e do papel social dessas ferramentas em contextos de ensino que vão da educação básica à universitária e em contextos profissionais." data-wplink-url-error="true">clique aqui.</a></p>]]></content:encoded>
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