Dando continuidade ao processo de internacionalização do Programa de Pós-graduação em Educação – PPGE do Centro de Educação, da Universidade Federal de Santa Maria – UFSM, ocorreu nesta quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026, a primeira banca de defesa de Doutorado cotutela. Trata-se de um trabalho orientado conjuntamente por duas universidades, uma brasileira, a UFSM, e a Universidade de Sevilla, na Espanha. Resultante desse processo de cotutela, os acadêmicos obtêm titulação de Doutorado nos dois países. O processo foi possível devido ao convênio acadêmico existente há dez anos entre as duas universidades, coordenado pela professora-orientadora da tese defendida nesta semana.
A primeira tese de Doutorado em cotutela denominou-se “Pedagogia subvalorizada: entre a ciência da Educação e a lógica da reprodução”, resultante da pesquisa elaborada pela acadêmica Luiza da Silva Braido, agora Doutora em Educação no Brasil e na Espanha, orientada pela Dra. Liliana Soares Ferreira (PPGE/UFSM), integrantes do Kairós – Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Trabalho, Educação e Políticas Públicas/UFSM. Participaram, ainda, da Comissão Avaliativa da tese, os professores: José Leonardo Rolim Severo (Universidade Federal da Paraíba), co-orientador, Ana Maria Montero Pedrera (Universidade de Sevilla/ES), orientadora na Espanha, Antônio Matas Terrón (Universidade de Málaga/ES), Encarnación Lissen (Universidade de Sevilla/ES), João Francisco Lopes de Lima (PPGE/UFSM).
A tese foi muito elogiada por abordar a Pedagogia em seus aspectos epistemológicos e científicos, com base em análise dos Projetos Pedagógicos dos cursos de Pedagogia de instituições públicas federais brasileiras. A autora concluiu que a Pedagogia, como ciência da Educação, devido à ausência de um consenso sobre seu objeto, métodos e fundamentos teóricos reforça sua condição de subvalorização, o que compromete sua legitimidade no campo acadêmico e social. A defesa da Pedagogia como Ciência da Educação levar a uma leitura de que a Educação se encontra em muitas dimensões sociais para além da escola. Portanto, exige compreender, em acordo com o avanço tecnológico e das relações humanas, que os processos educativos se apresentam espraiados e sem o(a) profissional adequado para trabalhar com estas possibilidades. A autora finalizou sua defesa, afirmando: “Desejo que a Pedagogia não se acomode em certezas, mas permaneça inquieta, insurgente, curiosa, disposta a repensar-se sempre que necessário. Afinal, se nada será como antes, que seja porque se ousa transformar o mundo pelas palavras, pelos gestos, pelos afetos e pelas ideias que, no chão da escola e no corpo do texto, resistem e persistem”.