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Melhoramento genético no campo



Laboratório da UFSM estuda o Interferon-Tau, proteína responsável por avisar a fêmea do início de uma nova gestação

Com cerca de 220 milhões de cabeças de gado, o Brasil tem o segundo maior rebanho de gado bovino do mundo. Na economia, a pecuária representa cerca de 15% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional e é responsável por 18% das exportações do agronegócio. Devido à expressividade do setor, há 22 anos o Laboratório de Biotecnologia e Reprodução Animal da UFSM desenvolve pesquisas de melhoramento genético. 

O foco atual do grupo é o Interferon-Tau, uma proteína produzida e liberada por células embrionárias para avisar a fêmea bovina que está gestante e não deve diminuir o nível de progesterona. Devido a diversos motivos, que vão desde fatores genéticos até intoxicações causadas por alimentos, desnutrição, uso de medicamentos e clima, a proteína pode não ser produzida ou ser fornecida em pouca quantidade para o útero e o sistema sanguíneo da mãe. Quando isso acontece, a vaca para de liberar progesterona e reinicia o ciclo reprodutivo, deixando o ambiente uterino impróprio para o embrião. 

Neste sentido, o Laboratório, coordenado pelo professor Alfredo Antoniazzi, do Departamento de Clínica de Grandes Animais do Centro de Ciências Rurais da UFSM, estuda maneiras de controlar e, até mesmo, evitar os empecilhos que dificultam a produção do Interferon-Tau. Assim, é possível estabelecer as condições favoráveis para a fecundação e a gestação – importantes para a produtividade do rebanho.

Uma das pesquisas mais recentes realizadas em parceria com o Laboratório e com a orientação do professor Alfredo foi a dissertação de Carolina dos Santos Amaral, feita no programa de Pós-Graduação em Medicina Veterinária. A mestranda estudou a influência do estresse térmico na produção de Interferon-Tau e no estresse oxidativo de embriões bovinos produzidos in vitro, e concluiu que fatores como a hipertermia – elevação das temperaturas do corpo capaz de comprometer o metabolismo – podem reduzir a concepção do embrião entre 20 e 30%.

Assim como a pesquisa de Carolina, os demais estudos do Laboratório levam em consideração as características do sul do Brasil, onde está localizada a UFSM. A região tem clima subtropical, com estações bem definidas, invernos frios e verões quentes. Além disso, tem significativa produção agrícola, com culturas adaptadas a cada período do ano. 

Neste cenário, para os criadores de gado de corte, o ideal é que as fêmeas sejam fecundadas entre novembro e fevereiro. Assim, as crias nascem entre agosto e outubro, quando há abundância de alimentos devido à safra e ao clima. Depois de dar à luz, a vaca estará forte, bem nutrida e saudável, haverá possibilidade de passar por mais uma gestação. Para aqueles que trabalham com vacas leiteiras isso é ainda mais importante, pois, para haver leite, a vaca precisa estar com filhotes. Ou seja: sem gestação, não há produção de leite e, com isso os lucros caem. 

“O sucesso da produção depende do conhecimento gerado em laboratórios para o melhoramento da reprodução”, destaca o professor Alfredo. Além do estudo sobre o Interferon-tau, o BioRep trabalha com mais duas linhas: regulação da maturação de óvulos bovinos e desenvolvimento folicular e ovulação. Para isso, conta com uma equipe de quatro professores doutores, alunos de graduação e pós-graduação, e um técnico de laboratório. Além disso, tem colaborações com centros de pesquisa dos Estados Unidos e do Canadá.

Reportagem: Cristina Haas

Edição: Andressa Motter

Ilustração: Taynane Paim Senna

Fotos: Rafael Happke

Texto produzido em 2019 e publicado originalmente em inglês na edição internacional da revista Arco, lançada em 2020, com a tradução de Amy Lee

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