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Parto domiciliar



 

O parto costuma ser um momento especial para mulheres ao redor do mundo. Após a Segunda Guerra Mundial, os partos domiciliares foram substituídos por maternidades institucionalizadas e os nascimentos passaram a acontecer cercados de rotinas rígidas, sem levar em conta a individualidade de cada mãe, o que resulta muitas vezes na desumanização da assistência às mulheres e, em casos extremos, leva a violência obstétrica.

 

Conforme a Fundação Oswaldo Cruz, 52% dos partos feitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) são cesáreas, sendo que na rede privada chega a 88% – índices superiores aos 15% recomendados pela Organização Mundial de Saúde. No entanto, há mulheres que buscam outras possibilidades. Na pesquisa de Rosimery Barão Kruno, mestra em Enfermagem pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), publicada na Revista Saúde da UFS em abril deste ano, foram entrevistadas oito mulheres que optaram pelo parto domiciliar planejado com o objetivo de conhecer as razões para essa escolha e saber mais detalhes sobre suas vivências de partos em casa.

 

O estudo analisou aspectos como as motivações para realizar o parto em casa, a vivência desse momento, empoderamento e transformação e a reação da família. As oito mulheres, que moram em Porto Alegre (RS), foram entrevistados em outubro de 2014, elas também participam de um grupo de incentivo ao parto humanizado, chamado “Saber Materno”.

 

Segundo Rosimery, o parto domiciliar planejado tem crescido no Brasil nos últimos anos devido à disseminação de informações na internet sobre o procedimento e ações de políticas públicas que prezam pela humanização do nascimento. Para as mães, o parto foi considerado um processo saudável e natural, que não requer nenhuma intervenção desnecessária. Entretanto isso não significa que desejem um parto desassistido, já que desde o pré-natal buscam profissionais que lhe transmitem segurança, respeito e o direito de protagonizarem o processo. As mulheres relatam a vivência de uma forma intensa, em que o ambiente propiciou mais segurança e intimidade do que um ambiente hospitalar.

 

A situação brasileira

Conforme a pesquisa “Nascer no Brasil: Inquérito Nacional sobre Parto e Nascimento”, publicada em 2014, as gestantes que têm parto normal nos hospitais brasileiros são submetidas a um modelo intervencionista baseado no uso excessivo de medicamentos. A maioria das mulheres fica restrita ao leito e em jejum, além de receberem remédios para acelerar as contrações, e dão à luz deitadas de costas. Estes procedimentos causam dor e sofrimento desnecessários, e não são recomendados pela OMS como rotina.

 

Também é estimado que quase um milhão de mulheres ao ano são submetidas a cesarianas desnecessárias no Brasil. Dessa forma, essas mães acabam expostas a maiores riscos de contrair doenças no ambiente hospitalar que podem levar em casos extremos a morte, o que aumenta os gastos com a saúde. Além disso, alguns estudos mostram que a forma como o parto é realizado afeta a saúde futura dos bebês, incluindo um aumento no risco para diabetes, asma, obesidade e outras doenças.

 

 

No Brasil, muitas entidades médicas são resistentes aos partos feitos em casa, alegando que o ato fora do ambiente hospitalar expõe a parturiente e a criança a riscos que podem ser evitados dentro de um centro obstétrico. Porém, pesquisas científicas divulgadas pela OMS têm confirmado que o parto domiciliar é seguro, desde que a gestação seja de risco habitual, além de ter um planejamento prévio e que profissionais qualificados para o procedimento sejam contratados.

 

Além disso, uma revisão sistemática de 22 estudos, publicada em 2012 no jornal Australian Health Review, constatou que não há diferença nos índices de mortalidade perinatal entre partos domiciliares e hospitalares, considerando as situações de gravidez normal assistidas por profissionais capacitados. Apesar de questões econômicas, políticas e corporativas atrapalharem sua efetivação, o modelo de assistência obstétrica apresentado pelos hospitais têm deixado gradativamente de ser hegemônico, assim dando espaço para um número crescente de partos domiciliares planejados no Brasil.

 

Repórter: Gabriela Pagel

Ilustração: Filipe Duarte
Gráfico: ENSP / Fiocruz


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