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Adaptação dos serviços psicológicos na pandemia



Diante da disseminação do coronavírus pelo mundo, medidas de isolamento e distanciamento social são apontadas por autoridades sanitárias como indispensáveis para o controle da contaminação. Com isso, foi necessário que diversos setores da sociedade se adaptassem à nova rotina: trabalhar e estudar em casa. A Portaria-97.935-1, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) suspendeu desde o dia 17 de março de 2020, as atividades acadêmicas e administrativas presenciais. 

Foram mantidas as atividades essenciais, como serviços da saúde, de segurança e de alimentação. Os atendimentos aos alunos e a comunidade na área da saúde mental também precisaram ser adaptados. Entrevistamos o psiquiatra Vitor Calegaro, as psicólogas Ana Júlia Vicentini e Amanda Schreiner Pereira, que explicam como passaram a acontecer as consultas neste período.

A Coordenadoria de Ações Educacionais (CAED), que desde as interrupções das atividades presenciais atua de forma remota, desenvolve ações de apoio ao público da UFSM. Sua estrutura parte do Observatório de Ações de Inclusão e de três núcleos: Núcleo de Acessibilidade, Núcleo de Ações Afirmativas Sociais, Étnico Raciais e Indígenas e Núcleo de Apoio à Aprendizagem. 

A CAED proporciona atendimentos nas áreas de Psicologia e Psiquiatria de forma gratuita para estudantes da UFSM. A prática de fazer esse acompanhamento psicológico de forma virtual é permitida pelo Conselho Federal de Psicologia desde 2018, no entanto, não era tão utilizado pelos profissionais. No dia 19 de março, o governador do Estado do Rio Grande do Sul decretou estado de calamidade pública devido ao coronavírus, assim, os profissionais acabaram por se articular e mudar a forma de atendimento. A psicóloga e chefe substituta do Núcleo de Apoio à Aprendizagem da CAED, Ana Júlia Vicentini, relata que a experiência é muito interessante para os profissionais da Psicologia e que é um atendimento que se mostra eficaz até o momento.

Além da adaptação dos profissionais, é necessária a adequação da população em geral com essa nova forma de viver, o que pode se tornar muito angustiante para diversas pessoas. Em abril, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que após a pandemia poderemos ter uma crise de saúde mental mundial. Com isso, o psiquiatra e pesquisador, Vitor Calegaro, alerta sobre a atenção na duração e intensidade dos sintomas que podem aparecer neste período.

O Programa de extensão, Clínica de Estudos e Intervenções em Psicologia (CEIP) também continuou de modo online com a escuta psicológica. A CEIP disponibiliza atendimentos psicológicos gratuitos à comunidade, nas diversas faixas etárias que a compõe: crianças, adolescentes, adultos e idosos. Os acompanhamentos são realizados por acadêmicos do Curso de Graduação em Psicologia da UFSM e pós-graduandos vinculados aos projetos de extensão, ambos supervisionados pelas psicólogas responsáveis. Contudo, as sessões durante a pandemia só são realizadas por psicólogos formados e que possuem cadastro no e-Psi, que é uma plataforma, a qual lista os profissionais que estão autorizados/as pelo Sistema Conselhos de Psicologia a prestarem serviços psicológicos online.

A coordenadora da Clínica, Amanda Schreiner Pereira, comenta que diante da necessidade de isolamento social, as psicólogas da CEIP realizaram uma primeira análise para averiguar as demandas pelos atendimentos psicológicos online. Dentre os dados referidos pela entrevistada, constata-se que nenhuma criança manteve as consultas nesta modalidade. Amanda destaca que neste primeiro contato as queixas relativas às crianças situavam-se em um primeiro momento nas dificuldades em se adaptarem ao trabalho escolar em casa, mas a princípio elas estão adequando-se a esse momento. 

O Setor de Atenção Integral ao Estudante (SATIE), vinculado à Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (PRAE) disponibiliza um suporte emocional via Skype para os moradores da Casa de Estudante (CEU). Ademais, oferta oficinas online para estudantes no geral, com o objetivo de ajudar na qualidade de vida e na saúde mental. Algumas atividades oferecidas são yoga, meditação, escrita e literatura. 

Além de proporcionar apoio psicológico para os discentes e para a comunidade, a UFSM dispõe também de suporte para os servidores. “Nós nunca podemos esquecer que somos sujeitos, os professores, técnicos e alunos da psicologia sofrem também os efeitos desta pandemia.”, relata Amanda Schreiner Pereira. A Coordenadoria de Saúde e Qualidade de Vida do Servidor (CQVS) e a Perícia Oficial em Saúde (PEOF), da Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas, da UFSM, desenvolvem atividades específicas de auxílio e de esclarecimentos aos servidores da Instituição.

Calouros e Formandos

Ingressar na graduação é algo novo para todo estudante que acabou de sair do Ensino Médio. Passar por esse processo durante a pandemia é ainda mais incerto. Uma série de expectativas e atividades barradas, além da falta de tempo para conhecer e se adaptar à nova rotina, as atividades e as companhias. 

Durante esse período de suspensão das atividades presenciais, a UFSM adotou o REDE, sistema de ensino que mantém as atividades acadêmicas e o vínculo entre docentes e discentes. Contudo, os estudantes relatam dificuldade com os deveres acadêmicos, muitos pela falta de acesso, mas principalmente pelo agravamento de estresse. Uma sugestão do psiquiatra Vitor é “manter essas atividades, estabelecendo uma rotina, mas também não se preocupar demasiadamente. Aproveitar o momento para ficar com a família, fazer atividades que gosta e se relacionar com os amigos virtualmente”. 

Em contrapartida, deixar a universidade e adentrar ao mercado de trabalho também não deixa de ser algo novo, ainda mais no momento que vivemos. As dúvidas naturais ao final da graduação somadas à crise financeira são motivos para que se fique ainda mais ansioso. Estudantes da área da saúde tiveram suas formaturas antecipadas para atuarem na linha de frente do combate ao Covid-19. Formandos tiveram suas cerimônias de formaturas realizadas de forma virtual, como o curso de Medicina.

Pensar em um mundo pós pandemia

O período de isolamento social necessita de adaptação para todos contudo, após a pandemia, a situação não será diferente. Ana Júlia e Vitor Calegaro ressaltam que saúde mental é um conjunto de vários fatores, internos e externos. Por isso, é necessário mantermos atenção aos sintomas e possíveis agravamentos, mesmo com a volta à normalidade. A psicóloga Ana Júlia completa: “Não sabemos como será a realidade pós-pandemia, mas podemos imaginar que exigirá alguns esforços de adaptação de todos. Porém, muitos cuidados que valiam antes e que foram reforçados durante a pandemia continuarão valendo”. 

Lidar com o luto

O sofrimento de perder alguém querido é doloroso. No momento que estamos, sem poder se despedir com os familiares pode ser ainda pior. É preciso vivenciar esse luto todo dia, para que esses sentimentos não fiquem reprimidos. Vitor Calegaro pondera que a morte é algo natural e é a única certeza que temos, faz parte do ciclo da vida, por isso deve-se viver esse luto. É importante também se sensibilizar com cada vida perdida. Com os números crescendo ainda mais, acabamos por banalizar a situação. Devemos pensar nas histórias de vida de cada pessoa e viver essas perdas. 

Nesse sentido, existem iniciativas que visam contar essas histórias de vida para humanizar esse processo. O site de notícias G1.globo, por exemplo, criou um memorial sobre os brasileiros que perderam a vida na pandemia do novo coronavírus. Outra página da internet dedicado às histórias das vítimas brasileiras da pandemia é o Inumeráveis. Essas ações também são realizadas por outros países, como nos Estados Unidos. O site do canal de televisão CNN produziu um memorial, no qual 105 famílias compartilham suas memórias daqueles que perderam a vida. A descrição do site Inumeráveis ressalta: “Não há quem goste de ser número, gente merece existir em prosa”.

Evitar negar a existência da pandemia

Enfrentar a realidade é o melhor a se fazer nesse momento. Às vezes, uma forma de manter a saúde mental equilibrada durante esse período é negar a existência do vírus e o caos que está o mundo. No entanto, evitar pode ser uma válvula de escape por um tempo, mas os problemas relacionados a pandemia não vão deixar de aparecer. Diante disso, o mais correto a se fazer é dosar as informações sobre o COVID-19 para não ficar sobrecarregado. Contudo não esquecer que o Brasil até o dia 07 de julho, havia registrado 1.254 mortes e com um total de 66.741 mortes decorrentes do vírus (covid.saude.gov.br). “Fechar os olhos” para o problema não fará ele desaparecer.

Como manter a saúde mental durante o isolamento social:

  • Evitar se sobrecarregar de informações que você já possui;
  • Faça o que você gosta, por exemplo, leia, assista séries e filmes;
  • Buscar por informações verdadeiras;
  • Manter uma rotina, mas sem se cobrar demais; 
  • Conversar com amigos por chamadas de vídeo;
  • Buscar apoio psicológico com profissionais, se necessário. 

Contatos para o suporte psicológico 

  •  CAED/NAE UFSM:

Telefone: 3220-9622

Email: suportepsicologicocaedufsm@gmail.com

  • SATIE:

Email: satieprae@gmail.com

  • DISQUE COVID #ACOLHEMULHERES: 

Telefone: 3220-2020 ou 99974-1090

  • COORDENADORIA DA SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA DO SERVIDOR E PERÍCIA OFICIAL EM SAÚDE:

Telefone Equipe Médica: (55) 3220.8134 e (55) 99165.8496

Telefone Equipe de assistentes sociais, psicólogos e médicos psiquiatras realizando ações de acolhimento: (55) 3220.8060 e (55) 99115.1216.

Reportagem: Eduarda Paz e Letícia Klusener


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