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OS GRANDES CLÁSSICOS DO CINEMA: 2ºCONCERTO DA TEMPORADA 2026



Os grandes compositores de música sinfônica europeus do passado sempre gozaram de muito prestígio entre os apreciadores. Numa época em que notícias se espalhavam apenas por escrito ou pelo “boca a ouvido”, suas famas alcançavam países longínquos, como o Brasil, por meio do comércio de partituras, jornais e revistas, o que contribuía para a difusão de suas obras. Naquele tempo, ouvir tais composições era um privilégio para poucos, fato que reforçava a aura de admiração que ainda hoje envolve certos artistas. A comunidade de músicos e entusiastas aguardava a próxima obra sinfônica com ansiedade, e sua estreia tornava-se um evento imperdível, comentado por muito tempo em seus mínimos detalhes.

Hoje a música sinfônica está mais viva e atuante do que nunca e ocupa um lugar central na apreciação artística dos espectadores. Não naqueles moldes de “música absoluta”, mas aliada a outra: a arte da cena. O cinema e os videogames utilizam elementos musicais para que uma história seja contada com um suporte musical de mesma qualidade que o drama em desenvolvimento. Existe uma sincronia entre visão e audição, levando o apreciador a uma viagem emocional que nem a música, nem a imagem, conseguiriam alcançar sozinhas. A bem da verdade, essa parceria entre artes já era conhecida há milênios, mas foi no século XIX que alcançou a sistematização que hoje vemos nas telas. Os elementos musicais agora são “motivos condutores” (leitmotivs) que conferem assinatura a estados de espírito, climas emocionais, tensões psicológicas, objetos ou personagens tudo para que você não se dê conta de estar imerso na narrativa. Essa experiência de imersão alcança com o cinema e os videogames uma quantidade de pessoas nunca antes possível, rompendo barreiras geográficas e geracionais. É a mágica do cinema e dos videogames se espalhando no espaço e no tempo.

Imagine-se agora como compositor(a). Após o trabalho árduo de entender as necessidades das cenas que um diretor explicou, escrever notas em uma pauta para cada um dos mais de 50 instrumentos, gravar e sincronizar tudo com as cenas, o filme fez sucesso e sua música contribuiu para isso. O que fazer com esse material musical de qualidade? Originalmente ele só poderia ser apreciado ao assistir à obra cinematográfica. Sabendo do valor de suas criações, esses compositores usam sua criatividade para adaptar o material para o formato sinfônico, permitindo a execução por orquestras em salas de concerto. Eles reescrevem as obras como sinfonias, suítes ou autorizam arranjos orquestrais. É o que ouviremos hoje: a música de cena que amamos, mas que, nesta noite, brilha por sua qualidade intrínseca.

A noite se inicia como num cinema, com as fanfarras de abertura de dois estúdios conhecidos, a Universal e a 20th Century Fox. Apesar da brevidade destas peças, elas são icônicas como anunciadoras dos bons momentos que estão por vir e foram pensadas para sentirmos um misto de expectativa e entusiasmo. Como um compositor consegue tudo isso em segundos após suas décadas de estudo? Um grande mestre sabe escolher o necessário e o suficiente. Menos é mais, como se diz, e é esse desafio nestas miniaturas sinfônicas. Após as fanfarras, teremos um vídeo parodiando a abertura da MGM com seu leão, no qual tomamos a liberdade de incluir um elemento local para nossa alegria.

John Williams tinha 45 anos quando colaborou com o jovem George Lucas na história “maluca” de rebeldes nas estrelas. O tema principal do filme Star Wars tornou-se seu trabalho mais célebre, e temos a sorte de que o próprio compositor o tenha estruturado para ser apreciado em concertos. Inspirador, motivador, impulsionador e energético são alguns adjetivos que podemos usar ao ouvir essa obra.

Steven Spielberg é um dos diretores com quem John Williams mais se relacionou. A Marcha dos Caçadores da Arca Perdida, num dos filmes da série Indiana Jones resgata a sensação das matinês de sábado clássicas: aventura e ação com suspense a cada trecho. É uma receita de sucesso que só essa dupla sabe executar.

Das obras cinematográficas de John Williams, Tubarão se destaca pela linguagem contemporânea. A orquestra é explorada pelos recursos de efeitos sonoros, os instrumentos fazem sons que não são comuns e a música agora cria climas de terror, suspense, alarme e pânico. A introdução, em seus poucos segundos, já assusta. É marcada pelo que chamo de “tema da barbatana”. O mar, aparentemente calmo, é representado na percussão. De repente uma barbatana rasga brevemente a superfície e depois desaparece. Você teve a impressão de ter visto algo, mas se despreocupa. Novamente acontece, e agora tem certeza de ter visto algo. Em seguida, a barbatana fica por mais tempo e, assim, o tubarão anuncia sua presença, causando medo. O resto da música também será descritiva. Depois de um minuto e meio você ouve a melodia alegre nas flautas, clarinetas e glockenspiel que representa os banhistas se divertindo, brincando com suas bolas coloridas transparentes ao sol, rindo. Ela é muito curta e tem um acompanhamento sinistro, pois há muita gente na água e ainda outros vão entrando sem saber que ele está lá. O que vem em seguida não nos deixa quietos na cadeira.

De Volta Para o Futuro foi uma trilogia de filmes dirigidos por Robert Zemeckis para os quais Alan Silvestri compôs. O próprio compositor escreveu esta Suíte com parte deste material. Começando com o tema principal, é seguido pelo clima de “velho oeste” e os sons do trem do terceiro filme. Em seguida o tema do DeLorean, o carro icônico do filme e o retorno do tema principal da aventura.

O Senhor dos Anéis marcou uma mudança no padrão cinematográfico e musical. De todos os filmes desta noite é o que faz uso mais extenso da ideia de “motivo condutor”. Da inocência da vida no Condado (Shire) às batalhas épicas contra os Uruk-hai, há uma vasta amplitude emocional. E tudo isso se utilizando do material original do primeiro filme: A Sociedade do Anel.

Os Estúdios Ghibli elevaram a animação ao status de obra de arte, estabelecendo outra era de ouro, que outrora pertenceu à Disney. Com suas temáticas humanitárias e existenciais de profunda sensibilidade e grande consideração, ocupa hoje um lugar especial no imaginário do espectador, num contraste que traz alívio frente à mitologia fantástica a que estamos acostumados. Ouviremos um medley, que no jargão musical quer dizer que o arranjador pode ter colocado os elementos em uma ordem especial formando uma nova narrativa. Foram selecionadas quatro partes do filme Princesa Mononoke: A lenda de Ashitaka, O Deus Demônio, Mononoke Hime e Ashitaka & San. A música se distancia do padrão tradicional ocidental. Características melódicas e estruturais diferentes formam passagens ternas com texturas sonoramente menos densas, criando um contraste com o resto do repertório. É o ponto de articulação ideal em nosso concerto, oferecendo instantes de contemplação antes da segunda metade.

Os filmes 007 marcam gerações e suas músicas têm se tornado clássicas, saindo das telas para as playlists dos aficionados. Do estilo jazzístico, passando pelo rock e pop, cada uma marcou o som de sua época.  O arranjo, 007: Através dos Anos, começa, como não poderia deixar de ser, com o tema clássico de James Bond, passando por Goldfinger, Nobody Does It Better, Skyfall e terminando com a entusiástica Live and Let Die.

E mantendo o clima detetivesco, seguimos com A Pantera Cor-de-Rosa de Henry Mancini. Parte da orquestra se comporta como um grupo de jazz com brilhos sonoros, melodias “swingadas” dando vitalidade a um dos temas mais conhecidos neste estilo. É um arranjo de qualidade que confere à obra do compositor a criatividade que merece.

Encaminhando para o final, teremos o tema de Os Vingadores que também foi composto por Alan Silvestri, o mesmo do De Volta Para o Futuro. Temos um arranjador que buscou ser mais fiel, buscando os mínimos detalhes usados no filme, alcançando um efeito grandioso e evocador da aventura que teremos.

A Marcha Imperial, que aparece pela primeira vez em O Império Contra-Ataca, adicionou mais uma obra cativante e de expressividade dramática ao universo de Star Wars. Como não há Star Wars sem Darth Vader é claro que sua música só poderia ser uma marcha que impõe um sentido de ordem rigorosa e seu caráter belicoso. Demonstra a habilidade do compositor em captar a essência do personagem.

Concluiremos nossa noite procurando lembrar todo o vocabulário náutico típico do Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra. O mar salgado, caravelas a todo pano, embarcações enormes com canhões, Rum e o misticismo do mar estarão presentes nessas sonoridades, pois fazem parte de toda a narrativa. Este outro medley navega por seis partes: Envolto Pela Névoa, O Chamado do Medalhão, Para a Caverna Pirata, O Pérola Negra, Uma Última Tentativa e Ele É Um Pirata. De tema de amor, passando por melodias hipnóticas a grandes guinadas musicais para elementos mais ritmicamente envolventes, aqui tem de tudo. Diversão garantida para encerrarmos a noite.

E o espetáculo será mais que musical. Temos preparado surpresas para que você possa viajar na imaginação. A arte da cena se juntará à execução da orquestra para uma experiência memorável.

Fiquei sabendo que John Williams está trabalhando com Steven Spielberg num novo filme de ficção científica. Como será a música?

Esperamos que esta noite traga o necessário e o suficiente para mover profundamente seu estado de alma através da memória sonora.

Ahoy! Até um concerto futuro e que a força continue conosco.

CAE

 

REPERTÓRIO

1.   Jerry Goldsmith  Fanfarra da Universal
Alfred Newman Fanfarra da 20th Century Fox

                                       Abertura da MGM

2.   John Williams Suíte Star Wars para Orquestra: Tema Principal

3.   John Williams Indiana Jones: Marcha dos Caçadores da Arca Perdida

4.   John Williams Suíte Tubarão: Tema do Tubarão

5.   Alan Silvestri Suíte De Volta Para o Futuro

6.   Howard Shore Suíte Sinfônica do Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel

7.   Joe Hisashi. Arr.: Joel Kim. Medley Princesa Mononoke

8.   Monty Norman, John Barry, Marvin Hamlisch, Adele & Paul Epworth, Paul & Linda McCartney, Arr.: Stephen Bulla 007: Através dos Anos

9.   Henry Mancini. Arr.: Robert Longfield A Pantera Cor-de-Rosa: Tema

10. Alan Silvestri. Arr.: Jean-Baptiste Peaucelle Tema de Os Vingadores

11. John Williams Star Wars: O Império Contra-Ataca – Marcha Imperial

12. Klaus Badelt e Hans Zimmer. Arr.: Ted Ricketts Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra

 

OS GRANDES CLÁSSICOS DO CINEMA

2º CONCERTO DA TEMPORADA 2026 DA OSSM

Data: 28/04/2026 (terça-feira)

Horário: 20h

Local: Centro de Convenções da UFSM

Ingressos Gratuitos: Unimed Santa Maria (Rua José Bonifácio, 2355 e Rua Gaspar Martins, 1482) e Portaria dos Fundos do Centro de Convenções da UFSM

 

Opcional: entregar na recepção do evento 1kg de alimento não perecível para o Banco de Alimentos

 

Para mais informações: Plano Comunicação e Eventos | Maristela Tomazetti (55) 992609669

Programa do Concerto
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