“Respeito ao meio ambiente”, “consciência social”, “responsabilidade”, “o necessário para viver”. Essas foram algumas das respostas apresentadas por estudantes e professores após serem questionados sobre o significado de “consumo sustentável”. A reflexão partiu da pesquisadora Arminda Maria Finisterra do Paço ao iniciar a palestra “Consumo (In) Sustentável”, ministrada na última quarta-feira (8).
Professora catedrática da Universidade da Beira Interior (UBI), em Portugal, Arminda também é docente visitante do Programa de Pós-Graduação em Administração e Ciências Contábeis (PPGACC/UFSM) desde o primeiro semestre de 2026. Com ampla produção científica nas áreas de Economia e Gestão, dedica suas pesquisas ao marketing ambiental, à sustentabilidade e ao empreendedorismo, temas que nortearam a palestra realizada na auditório do CCSH.
“O consumo sustentável é um conceito bastante amplo e tem muito a ver com a interpretação de cada consumidor. Mais do que um tema acadêmico, é um tema que diz respeito a todos nós, como cidadãos. Na verdade, o consumo sustentável é algo tão simples e, ao mesmo tempo, tão complexo que pode passar, por exemplo, por simplesmente não consumir. Ou então, evitar o excesso de consumo, reutilizar, procurar seguir os princípios da economia circular, consumir de uma forma mais amiga do ambiente ou de uma forma que permita preservar mais recursos. Ou seja, tudo começa pelo nosso padrão de consumo, e é isso que nós temos que rever. É sobre isso que vamos falar hoje”, explicou Arminda em entrevista à Subdivisão de Comunicação do CCSH.
Ao longo da palestra, a professora destacou que o consumo sustentável vai além da escolha por produtos ambientalmente corretos. “Uma coisa é nos preocuparmos com o meio ambiente, todos nós nos preocupamos com o meio ambiente. Se eu perguntar a qualquer consumidor, ele terá uma atitude, uma preocupação com o meio ambiente, por exemplo. Mas depois, quando se trata de passar à prática, o assunto muda de figura”, complementa.
Sobre o descompasso entre aquilo que desejamos fazer e aquilo que de fato fazemos pela sustentabilidade, Arminda menciona alguns fatores que podem impactar negativamente o consumo sustentável, como o elevado preço de “produtos amigos do meio ambiente” e a dificuldade de encontrá-los no comércio.
Para a pesquisadora, o caminho para o consumo sustentável está conectado a uma atitude coletiva de repensar hábitos e compreender os impactos econômicos, sociais e ambientais das decisões de consumo. Além disso, “o desafio passa muito pela educação. Se começarmos a educar as nossas crianças para este consumo sustentável, penso que vamos ter bons resultados. O grande desafio é mudar o mindset, que começa logo desde muito cedo”, conclui.
A atividade integrou as ações desenvolvidas pelo PPGACC durante a permanência da professora como docente visitante. Além de aproximar estudantes e pesquisadores de uma referência internacional na área, o encontro estimulou o debate sobre os desafios da sustentabilidade no contexto brasileiro e global.
Texto: Carolina Bonoto, jornalista da Subdivisão de Comunicação do CCSH.
Fotos: Luísa Soccal, estudante de jornalismo e bolsista da Subdivisão de Comunicação do CCSH.