Em 2025, 80 mulheres foram vítimas de feminicídio no Rio Grande do Sul, enquanto outras 264 sofreram tentativas do crime. Nesse mesmo ano, o Brasil registrou 1.518 feminicídios, possuindo uma média de aproximadamente quatro mulheres assassinadas por dia. Diante dessa realidade, iniciativas de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher ganham espaço em diferentes locais, entre eles a universidade.
Ocorreu no Hall do prédio principal da Universidade Federal de Santa Maria Campus Frederico Westphalen (UFSM/FW), no dia 17 de agosto de 2026, segunda-feira, a inauguração do Banco Vermelho. A iniciativa é promovida pelo Núcleo de Assistência Estudantil (NAE) e é voltada à conscientização e enfrentamento ao feminicídio e à violência contra a mulher. Com o objetivo de trazer esses debates à comunidade acadêmica, a ação contou com uma roda de conversa sobre a prevenção e a construção de caminhos para o combate à problemática.
O Banco Vermelho é um símbolo internacional de mobilização contra o assassinato de mulheres e as demais formas de violência de gênero. A ação está em conformidade com a Lei nº 14.942, de 31 de Julho de 2024, que prevê ações de conscientização em lugares públicos e premiação de projetos no âmbito do Agosto Lilás, mês destinado à conscientização para o fim da violência contra a mulher.
Instalado em locais públicos com mensagens de reflexão, o banco também contém contatos para emergência, suporte ou denúncia para as vítimas. A escolha da cor vermelha serve para que a campanha chame atenção para a brutalidade que as mulheres enfrentam diariamente. Na UFSM Campus Santa Maria, a ação é coordenada pela Casa Verônica e, no Campus de Frederico Westphalen, pelo Núcleo de Assistência Estudantil.
Na ocasião, a assistente social Gláucia da Rocha Tassinari trouxe questionamentos sobre a violência contra a mulher e suas diversas formas de manifestação. Ela deu início ao debate com a pergunta, “O que esse banco desperta em vocês?” . Ao longo da conversa o público presente pôde compartilhar suas experiências e pontos de vista sobre as formas de enfrentamento à opressão e sobre quais sinais devem ser observados em um relacionamento. “Nenhuma mulher consegue enfrentar a violência sozinha, é preciso uma rede de enfrentamento e acolhimento. É compromisso e responsabilidade do poder público e da sociedade como um todo”, afirma Gláucia.
A estilização do banco foi realizada por Pedro Lima, discente do curso de Jornalismo da UFSM/FW. Ao buscar referências em outros Bancos Vermelhos, percebeu que muitos seguiam um padrão semelhante e decidiu desenvolver uma proposta diferente, que pudesse chamar a atenção do público. A partir dessa ideia, ele utilizou flores para representar uma situação recorrente após episódios de violência, os pedidos de desculpas acompanhados de presentes, que podem parecer como uma tentativa de amenizar a culpa ou de manter a vítima dentro de um ciclo de agressões. Dessa reflexão surgiu a frase “Para onde vão todos os buquês de desculpa?”. Segundo Lima, os buquês podem simbolizar um recomeço ou uma tentativa de reparar aquilo que aconteceu, mas também levantam o questionamento para onde vão esses buquês depois que uma tragédia acontece.
Texto: Valentina dos Santos
Revisão: Cristina Guerini