
No dia 26 de março, estudantes do Curso Técnico em Agropecuária do Colégio Politécnico da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) participaram de uma visita técnica no município de Agudo (RS), consolidando, na prática, os fundamentos da Extensão Rural trabalhados em sala de aula.
A atividade ocorreu na propriedade da família Ilone e Silmar Wilhelm, uma unidade produtiva familiar com 19 hectares, caracterizada pela diversificação produtiva e pela forte inserção em mercados locais. No local, os estudantes acompanharam de forma direta o sistema de produção de morango e o cultivo convencional de arroz, além das estratégias de comercialização direta e participação em políticas públicas municipais.
Mais do que uma visita, a proposta foi uma imersão metodológica. Munidos de instrumentos construídos previamente em aula, os estudantes realizaram a leitura da realidade da propriedade, considerando dimensões como histórico da família, organização produtiva, gestão, acesso a mercados e desafios relacionados à sucessão familiar rural. Esse processo é central para a construção do diagnóstico rural, etapa inicial que orienta a atuação de extensionistas na proposição de soluções e no planejamento do desenvolvimento das unidades produtivas.
A experiência também evidenciou o papel estratégico das mulheres no campo. A atuação de Ilone Wilhelm reforça um dado relevante do Censo Agropecuário de 2017: 19% dos estabelecimentos rurais brasileiros são conduzidos por mulheres, indicando transformações importantes na estrutura produtiva e social do meio rural.
Participaram da atividade 28 estudantes, acompanhados pelo professor Ezequiel Redin, responsável pela disciplina de Extensão Rural, e pela professora Tatiana Tasquetto Fiorin, da área de Olericultura. A visita contou ainda com a presença da extensionista da Emater/RS-Ascar, Cláudia Bernardini, que destacou a importância da assistência técnica e da extensão rural no fortalecimento das famílias agricultoras.
Ao final da atividade, os estudantes realizaram um momento de agradecimento à família anfitriã e à extensionista, reconhecendo a relevância da troca de conhecimentos entre universidade, instituições de ATER e agricultores.
Para o professor Ezequiel Redin, a extensão rural vai além da transferência de tecnologia: “Trata-se de compreender as pessoas, suas histórias e seus projetos de vida. É essa conexão que permite promover transformações reais no meio rural.” Nas palavras da Extensionista Cláudia, “a aproximação dos alunos com os produtores e extensionistas rurais enriquece a formação e o desenvolvimento para a conexão que precisa haver entre o técnico e as famílias, no efetivo trabalho de melhoria da qualidade de vida dos agricultores familiares”. A iniciativa reforça o papel da formação técnica articulada à realidade do território, evidenciando que a integração entre ensino, extensão e agricultores familiares é decisiva para a formação de profissionais preparados para atuar nos desafios do desenvolvimento rural sustentável na região central do Rio Grande do Sul.



Texto e fotos: Ezequiel Redin