As produções, selecionadas para mesas coordenadas, refletem sobre discursos, métodos e práticas de jornalistas.
O 24.º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo, promovido pela SBPJor – Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo, aprovou dois trabalhos completos produzidos por pesquisadoras e pesquisadores do milpa – laboratório de jornalismo (CNPq/UFSM), ambos submetidos a sessões coordenadas. São eles: Tensionamentos entre jornalismo e ativismo nos discursos de repórteres de Sumaúma e Dromómanos, de Anna Júlia Carlos da Silva, que o irá compor a Coordenada Jornalismos entre ruínas e refúgios; e Rastros do insubmisso: cadernos, acervos e a materialidade do método de apuração de Lúcio Flávio Pinto, de Angela Zamin, Wellington Hack, Josué Gris e Isadora Piovesan, parte da coordenada Jornalismo narrativo, sujeitos e testemunhos, da Rede Renami. O evento ocorrerá de 4 a 6 de novembro de 2026, na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, Rio de Janeiro.
Sobre os trabalhos
Anna Júlia é doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Santa Maria (Poscom/UFSM). Em seu trabalho, resultado parcial de pesquisa de doutorado em andamento, a autora apresenta uma análise discursiva materialista dos discursos de repórteres das plataformas independentes Sumaúma, do Brasil, e Dromómanos, do México, sobre jornalismo e ativismo. Regularidades indicam uma insistência na reinscrição do jornalismo como prática comprometida com as condições concretas de existência, que independem de crenças pessoais, reafirmando um mundo comum e verificável em meio ao contexto de polarização, pós-verdade e fragmentação da realidade. O texto será debatido na coordenada Jornalismos entre ruínas e refúgios, proposta pelos professores Frederico de Mello Brandão Tavares, da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), e Fernando Antônio Resende, da UFF.
Angela Zamin é professora da UFSM; Wellington Hack, doutorando no Poscom/UFSM; Josué Gris, mestrando no Poscom/UFSM; e Isadora Piovesan, graduanda em Jornalismo pela UFSM. No trabalho, as autoras e os autores propõem uma reflexão sobre a materialidade do método de apuração jornalística, deslocando o olhar do produto para os documentos de processo. O ponto de partida são os relatos sobre o uso de cadernos de anotações e o manejo de acervos pessoais e de jornais como ferramentas de investigação e de salvaguarda legal. O foco está no trabalho do jornalista Lúcio Flávio Pinto, e seu acervo que inclui centenas de cadernos de anotações e milhares de documentos para realizar o que ele chama de “auditagem do povo”. O acervo, especialmente seus cadernos, além de comporem um procedimento técnico vital da identidade e do compromisso ético com a verdade social, possui função pedagógica e serve de escudo jurídico. O texto foi acolhido pela mesa organizada pelas professoras Ana Cláudia Peres, da Universidade Federal do Ceará (ICA/UFC), e Marta Regina Maia, da UFOP, sob o título Jornalismo narrativo, sujeitos e testemunhos, proposta pela rede de pesquisa Renami.
Segundo a SBPJor, as atividades de avaliação do 24.º Encontro de Pesquisadores em Jornalismo mobilizaram 666 pareceres, envolvendo 261 pessoas que pesquisam na área de Jornalismo. Ao todo, foram 301 trabalhos avaliados, sendo 135 submetidos às Comunicações Livres, 22 às Comunicações Coordenadas e 144 às Comunicações Coordenadas das Redes de Pesquisa, com 275 trabalhos aprovados.