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Cuidar da mente… e do corpo



Arianne Teixeira de Lima – atllink@hotmail.com
Cibele Zardo – cibzardo@hotmail.com
Diossana da Costa – diossanacosta@gmail.com

Conversar. Ouvir. Acolher. Receber de braços abertos àquele que tem algo a dizer sobre os próprios sentimentos e necessita de uma orientação psicológica. Esse foi o modo encontrado pelas autorida­des da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) para dar início ao ano letivo de 2013. A instituição que congrega 32.598 pes­soas teve um espaço destinado especialmente para auxiliar acadêmicos, docentes e técnicos após o incêndio ocorrido na Boate Kiss. Com o intuito de trazer amparo aos integrantes da comunidade acadêmica no Campus Univer­sitário, o Espaço Multiuso deu vida ao Cen­tro de Acolhimento, que funcionou diaria­mente até 19 de abril.

Para a pró-reitora adjunta de Assuntos Estudantis da Prae e responsável pelo Centro de Acolhimento, Marian Noro, a ideia era criar um ambiente onde fosse possível tra­balhar com todos os psicólogos e assistentes sociais reunidos a fim de acolher as pessoas. “Foi um espaço aberto, em que as pessoas chegavam e a gente fazia uma roda para con­versar com elas. Nós não desenvolvíamos ati­vidade nenhuma em grupo na primeira fase, porque essa era a orientação. Era para que a gente conversasse e ouvisse as pessoas com o que elas tinham a dizer, para, então, fazer uma avaliação e saber o que estava acontecendo. Junto disso, começamos a fazer algumas ca­pacitações com o pessoal especialista no as­sunto”, relata Marian.

Voluntários

Além de assistentes sociais e psicólogos que a UFSM dispunha, um grande contin­gente de pessoal capacitado demonstrou interesse em ajudar. A solidariedade se fez presente, ao passo que, profissionais de diver­sas entidades públicas e instituições federais do Estado prestaram trabalho como volun­tários. Os Médicos sem Fronteiras e a Cruz Vermelha trabalharam no planejamento de apoio, somado às pessoas habilitadas de uni­versidades como a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, a Universidade Federal do Pampa e a Universidade Federal do Rio Grande. No total, cerca de 74 psicólogos e 16 assistentes sociais estiveram envolvidos no atendimento do Centro de Acolhimen­to. A instituição também recebeu apoio do psicólogo do Núcleo de Estudo e Pesquisa em Trauma e Estresse da PUC-RS, Chris­tian Kristensen, que orientou professores na montagem do esquema de recepção dos alunos.

Assistência prestada

Nas palavras da pró-reitora da Prae, os que chegavam ao local eram recebidos com carinho, pois as pessoas que nele trabalha­vam estavam dispostas a estarem ali. Estima, ainda, que foram realizados em torno de 400 atendimentos. Porém, ressalta que, o impor­tante não é o número de pessoas que procu­raram o Centro, mas sim o fato de elas sabe­rem que existia um local para ir e se sentir seguras. Marian aponta a estatística de que, em média, 80% das pessoas saem ilesas de uma situação como essa, no sentido de que conseguem processar as perdas sozinhas. Já outros 20% vão precisar de um atendimento a longo prazo, acompanhamento que pode durar até dez anos. E, desses 20%, apenas cer­ca de 5% vão precisar de medicação.

Nova fase

Aos poucos, a diminuição das demandas, e o fato de nenhuma procura ter sido realiza­da no dia 19 de abril, levou a coordenadoria a finalizar a fase de acolhimento (de escuta). Hoje, o Centro transferiu as atividades de as­sistência psicológica para outros dois setores: a Prae e o Serviço de Atenção Integral ao Es­tudante (Satie) setor vinculado à Pró-Reito­ria de Assuntos Estudantis. Dessa forma, alu­nos, técnicos e professores são orientados a procurar o Satie porque no local, psicólogos, assistentes sociais e uma odontóloga prestam serviços à comunidade acadêmica com o ob­jetivo de proporcionar qualidade de vida.

Agora, para serem atendidas, as pessoas precisam fazer agendamento através do nú­mero (55) 3220-9535. Porém, o Serviço de Atenção Integral ao Estudante, localizado no prédio da União também tem horários dispo­níveis nas terças e quintas-feiras no turno da tarde, a partir das 13h30 até as 16h30, para atender sem a realização do agendamento prévio. Conforme a ex-coordenadora do an­tigo Centro: “Ali o indivíduo tem um acom­panhamento, onde é feito uma avaliação para ver qual é o problema, se ele precisa apenas do amparo psicológico ou se ele precisa mais do que isso, de um atendimento mais profun­do, psiquiátrico ou de medicação. Caso pre­cise de medicação, ele é encaminhado para a Central de Crise, no Hospital Universitário (Husm)”.

De volta à rotina

Um dos principais objetivos do amparo psicológico era orientar os acadêmicos para conseguirem encarar a fase de luto e a reesta­belecerem a atenção nos estudos. “Preocupá­vamos com o fato de querer o quanto antes, que o pessoal voltasse a sua rotina, e por isso o nosso calendário ficou só uma semana sem aula. Em seguida, já retomamos para que as pessoas conseguissem voltar a se preocupar com os seus projetos e planejamento esco­lar”, afirma Marian.

A percepção dos resultados obtidos com o trabalho de acolhimento, a superação da etapa inicial, do luto, trouxe a sensação de de­ver cumprido aos voluntários e trabalhadores que estiveram diretamente envolvidos. A co­ordenadora da Prae acrescenta ao final: “Que bom que passou essa primeira fase e que con­seguimos concluir ela com êxito. Realmente os nossos objetivos foram alcançados”.

O atendimento hoje

É realizado através do agendamen­to no Satie, situado no segundo andar do prédio da União;

Os horários de atendimento são: terças e quintas-feiras, no turno da tar­de, a partir das 13h30 até as 16h30;

Para agendar consultas basta tele­fonar para (55) 3220-9535

No 5º andar do Hospital Universitário de Santa Maria, uma porta no final do corredor indica o Ambulatório de Doenças Inalatórias. Criado no mês de fevereiro pela necessidade de projetar um ambulatório para os sobrevi­ventes que estavam tendo alta do hospital e apresentavam sintomas respiratórios.

O ambulatório, que é aberto à população, teve atenção direcionada inicialmente para os pacientes decorrentes da tragédia. Antes da sua criação, pacientes com alguma doença res­piratória eram atendidos pelos ambulatórios dos serviços de pneumologia.

Segundo a pneumologista responsável pelo ambulatório, Alesandra Bertolazi, os pa­cientes que estiveram internados e recebiam alta do hospital não tinham nenhuma referên­cia. A partir daí, criou-se o Centro Integrado de Atenção às Vítimas de Acidentes, o Ciava.

Centro integrado

O Ciava começou a funcionar logo após o Ambulatório de Doenças Inalatórias iniciar seu serviço e atuar como um ambulatório central. Pacientes diagnosticados pelo Centro com doenças respiratórios são encaminhados ao Ambulatório de Doenças Inalatórias. Já os pacientes diagnosticados com sintomas de ou­tras doenças são encaminhados à área especí­fica de tratamento.

Diagnóstico

Para diagnosticar a doença do paciente, o ambulatório realiza primeiro uma avaliação de imagem, feita através do raio-x simples. Esse raio-x identifica algumas alterações. Durante o processo de avaliação, o ambulatório realiza exames de função pulmonar, que verificam o funcionamento do pulmão e das trocas gaso­sas. A partir da análise destes exames, pode ser realizada a espirometria simples, onde se mede a capacidade do pulmão.

 

O ambulatório utiliza-se ainda de exames mais completos, como o de pletismografia, re­alizado dentro de uma cabine, que serve para medir o volume do pulmão. Este exame, pro­cura obter valores específicos sobre a função pulmonar dos pacientes, e deve ser utilizado pelo médico para determinar a normalida­de ou alguma possível alteração nas funções pulmonares. O exame, além das doenças ina­latórias, pode ser usado para outros tipos de complicações pulmonares. O aparelho utiliza­do para este tipo de exame foi adquirido pelo Husm em janeiro deste ano.

Recentemente, o hospital adquiriu tam­bém o aparelho de oscilometria, utilizado para verificar a resistência periférica das vias aéreas e o aparelho de função pulmonar, que realiza a difusão dos gases e determina a medida dos volumes pulmonares.

Agendamento

Inicialmente, o agendamento era feito di­retamente no serviço ou no setor de marcação de consultas do hospital. Depois, quando foi criado o Ciava, para atendimento, continua-se essa marcação, mas a Secretaria de Saúde tam­bém está realizando o agendamento.

Os pacientes podem se cadastrar no site do Mistério da Saúde ou na ouvidoria, e então são agendados. Esse serviço também pode ser feito pela marcação de consultas do hospital. São agendados para o ambulatório da pneu­mologia ou para o Centro Integrado que faz a avaliação inicial geral.

Atendimento

Primeiramente, o atendimento do Ambu­latório foi restrito às vítimas da tragédia que apresentavam problemas respiratórios graves, estavam internados ou haviam recebido alta em um curto período de tempo.

Hoje, o atendimento é aberto a todos que tenham sido expostos, durante um lon­go período à fumaça e tenham dificuldades respiratórias. Após passarem por uma avalia­ção feita por médicos e residentes do setor de Pneumologia, cerca de 350 pacientes devem permanecer com acompanamento por aproxi­madamente cinco anos.

Os exames para o ambulatório podem ser feitos de segunda a sexta-feira, no turno da ma­nhã e da tarde. O horário de atendimento é às terças e quartas-feiras, das 14h30 até as 18h.

Projetos de pesquisa

Por prestar serviços assistenciais, o ambu­latório mantém seus dados organizados como um projeto de pesquisa clínico. O projeto vai ser mantido durante cinco anos e deve apre­sentar a evolução dos pacientes e as principais complicações que possam surgir durante o pe­ríodo de acompanhamento.

O objetivo dessa organização de dados é avaliar o tratamento, comportamento e as melhoras do paciente. Outras áreas específicas do Centro também realizam pesquisas basea­das no atendimento feito no ambulatório. Na Pneumologia, a pesquisa é mantida por um grupo formado por residentes e estudantes. Esse grupo é responsável pela coleta de dados e deve ser mantido até o fim do projeto.

Novos investimentos 

Devido ao longo prazo de atendimento do ambulatório deverão ser realizadas ampliações para comportar novos equipamentos e melho­rar o atendimento já prestado no hospital.

Independente da demanda de pacientes do ambulatório, uma ampliação será feita: a do Laboratório do Sono. O laboratório está mon­tado e deve iniciar seus serviços em breve. O que mantém esse espaço ainda inativo é a falta de técnicos para trabalharem no local.

O laboratório é um projeto antigo e deve beneficiar vários pacientes, entre eles, os pa­cientes da tragédia da Kiss. Vai ser possível ava­liar as condições de sono e os níveis de estresse pós-traumático desses pacientes.

Bastidores da .txt

Pesquisas. Ligação pós-ligação.  Tem início a incansável busca por contatos dos envolvidos diretamente com o Centro de Acolhimento, e com o setor de Pneumologia do Hospital Universitário de Santa Maria (Husm). Idas ao Husm. Visita na Prae. Tudo isso para, então, realizar as entrevistas com as fontes selecionadas. Em seguida, gravar, escutar e transcrever. Processo que culminou na concretização da matéria “cuidar da mente… e do corpo”.

Na apuração, fontes do âmbito da saúde e de cargos administrativos ligados à Ufsm contribuíram para as informações. A psicóloga Camila Pires, que atua, hoje, no Satie (Serviço de Atenção Integral ao Estudante), local destinado ao atendimento à comunidade acadêmica, colaborou com explicações acerca dos sintomas e da própria experiência no trabalho de amparo psicossocial.

Já no Husm, quem conversou conosco foi a pneumologista Alessandra Bertolazi, integrante do corpo de médicos que atuam no Ambulatório de doenças inalatórias (Pneumologia). Dra. Alessandra concedeu uma entrevista detalhada, e contemplou temas que vão desde o funcionamento do espaço, como a aparelhagem disponível, a realização de exames, e até mesmo, de que forma os estudantes de Medicina participam das atividades do setor.

No entanto, para dar início ao primeiro passo da apuração, no Ambulatório, foi necessário apresentar uma autorização na portaria do Hospital. Através dela é que se pôde circular no ambiente junto dos profissionais, além de se ter o privilégio (ou acesso) de assistir à efetivação de exames.  Logo em seguida, a recepção da Médica e a condução à sala da entrevista.

Com relação ao Centro de Acolhimento, a Coordenadora da Prae, Marian Noro foi quem relatou como funcionava o espaço, destinado ao amparo psicológico no Campus.  Na sala em que trabalha diariamente, Marian abordou aspectos que englobaram da decisão em fundar o Centro até a recepção da ajuda voluntária de profissionais no local.

Em ambos os locais de entrevista, chamou a atenção a forma de recepcionar dos entrevistados.  Atenciosos, contribuíram com o relato dos assuntos por completo. Fato que rendeu à matéria, conteúdo de sobra, e o que tornou possível explorar os temas com maior profundidade.

Curiosidades

A recepção na Prae não ficou apenas no aperto de mãos, mas teve direito à abraço apertado da entrevistada Marian Noro.

Já no Husm, apesar de ser um local que exige mais formalidade, a relação médico paciente se mostrou de forma descontraída e afetiva, como se pôde ver na realização de um exame de pletismografia. O exame funciona de modo que o paciente fica sentado dentro de uma cabine, com um prendedor sobre o nariz, enquanto sopra o ar através de um tubo conectado ao aparelho. Assim, é possível medir o volume do pulmão a partir da potencialidade do sopro. Enquanto isso, o médico enfrente ao computador, observa por meio de gráficos, os resultados obtidos.

Para marcar as entrevistas é sabido que o jornalista deve se submeter aos horários disponíveis do entrevistado. Todavia, no caso das entrevistadas para a .txt, houve preocupação mútua, pois tanto entrevistado como entrevistadores quiseram marcar a melhor hora para os dois.

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