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Campus de oração



Um espaço para formação de conhecimento e fé

Em várias universidades brasileiras, existem grupos de estudos e de oração que manifestam, dentro do ambiente acadêmico, aquilo que é garantido por lei: o livre exercício dos cultos religiosos, a liberdade de consciência e de crença. Na Universidade Federal de Santa Maria não é diferente. No campus, estudantes, docentes e funcionários, em seus diferentes espaços de atuação, expressam a sua religiosidade através destes círculos.

Pesquisador nas áreas da interação da religiosidade com a modernidade, Eduardo Maia destaca a importância de olhar para a religiosidade não com a perspectiva de um constrangimento, mas como transformadora e componente fundamental de muitas áreas da nossa vida. Segundo o professor da UFSM, desde que o pensamento universitário começou a se distinguir de um pensamento caracteristicamente pautado pela religiosidade medieval, criou-se uma ideia que a religiosidade é algo limitado e de que a ciência, por sua vez, deve ser algo independente. Entretanto, há cada vez mais uma interdependência que, segundo ele, é algo muito rico: “a religião é um tema central na sociologia, como construtora de moral, visão de mundo. Nossas atitudes são pautadas muitas vezes por essas visões mesmo que não nos demos conta disso.”

Mestre em Física pela UFSM e em fase de conclusão da licenciatura em física, João Paulo Gazola teve seu primeiro contato com o Grupo de Oração Universitário Católico, conhecido pela sigla GOU, em 2009. Convidado por uma amiga, ele confessa que o seu engajamento inicial se deu pelo interesse em tocar violão: “naquele tempo, havia a necessidade de alguém para tocar, fazendo com que eu me inserisse cada vez mais no meio. E, conforme foi passando o tempo, comecei a amadurecer”.

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Cada pessoa é abraçada pela fé de forma diferente e, ao olhar para trás, João Paulo analisa o amadurecimento de sua fé, da oração e aos poucos, com perseverança, percebeu que o grupo fazia diferença em sua vida. Questionado a respeito dessa “diferença” em sua vida, ele diz: “mais tranquilidade para encarar as situações da vida, mais esperança, porque a gente tira o foco do eu e vê mais o todo. Tu consegues ver além do teu umbigo…”. Ressalta também que aprendeu a respeitar as individualidades dos demais, o que  auxiliou no processo de amadurecimento espiritual e pessoal.

Além do amadurecimento, para muitos estudantes, grupos como esses são uma nova família. Para Joice Ceolin, que concluiu seu doutorado em Química no ano passado, o GOU foi como “um afago, um carinho de Deus” possibilitando-a viver por completo seu tempo na instituição, não apenas academicamente, mas espiritualmente. Ela também acredita que garantir que estudantes e frequentadores do ambiente universitário possam expressar sua espiritualidade, acarretaria em uma diminuição de dependências de medicação para ansiedade e tantas outras doenças atualmente comuns no ambiente universitário. Foi no grupo que ela encontrou uma “família”, que lhe sustentou na ausência de sua família biológica.

Para outros, sua espiritualidade e sua fé também se expressam nos estudos teóricos a respeito de temas que compõem as mesmas. Deste modo, o professor Eduardo Maia acentua que o pensamento científico e religioso não são antagônicos. Da mesma forma pensa Bruno Chaves, estudante de engenharia civil e participante do Farol. O grupo que tem como propósito básico mostrar para o ambiente universitário que a fé e a razão não são opostos, como muitos supõem. Para ele: “a fé não nos torna ignorantes, mas nos ajuda a entender melhor como funciona o universo e que deve existir uma razão para tudo, que cremos ser Deus.”

Em quase cinco anos de estudos na UFSM, Bruno diz que o Farol foi fundamental em sua vida universitária, pois considerava o grupo um refúgio para as correrias da semana. Ressalta ainda que aprendeu com o Farol a lidar com as pessoas, trabalhar em equipe com ideias divergentes às suas, valorizá-las pelo que cada pessoa é e não somente pelo que ela faz.

Mais que a reprodução da fé e do rito, o professor Eduardo Maia ressalta a possibilidade de construir conhecimento a partir do debate dos fundamentos religiosos. Importância já comprovada em áreas como a da saúde, onde houve a necessidade de levar fundamentos de espiritualidade para dentro da própria formação acadêmica.

Na forma de um curso de extensão complementar, Venice Grings, pedagoga formada pela UFSM e atualmente Coordenadora da Unidade de Apoio Pedagógico do Centro de Ciências Rurais (CCR), evidencia que a espiritualidade deve estar presente na formação de quem trabalha em contato com outras pessoas, seja na saúde, educação ou em outras áreas, para que se entenda melhor a si mesmo e ao próximo, seja cliente ou paciente.

Ciente da existência de muitas denominações religiosas dentro da universidade, a abordagem do curso não tem foco em uma única religião, contempla a espiritualidade de forma ampla sem se fixar em questões dogmáticas. Sobre a metodologia, o curso é de caráter vivencial, isto é, não voltado tanto para o lado teórico e expositivo. São realizadas diversas dinâmicas, como meditação, reiki, e dança circular.

A partir disso, Venice acredita que a espiritualidade deveria ser abordada com maior relevância dentro da universidade, pois a cada dia aumenta o número de estudantes com problemas emocionais, e nem sempre há a possibilidade de procurar um psicólogo ou um psiquiatra mediante as condições financeiras. Ela sugere a criação de espaços que trabalhem essa temática, para que se formem pessoas mais íntegras, equilibradas e que sejam capazes de enfrentar as dificuldades emocionais do dia a dia.

De diferentes maneiras, estudantes, ex-estudantes e até funcionários encontram na universidade um espaço para expressarem sua fé, aprenderem mais sobre ela e sobre a espiritualidade. Para cada um deles, o espaço para falar sobre estes assuntos é sinônimo de amadurecimento, de contato mais profundo com outras pessoas, diminuindo até mesmo estresses e outros problemas do tipo. Para outros, é sinônimo de encontrar uma família que os sustente longe de seus parentes ao longo deste tempo de formação, e até mesmo um espaço para se encontrar com Deus.

BASTIDORES

Após algum tempo sem tocar neste assunto, julgamos necessário retomar o tema nesta edição. Sabíamos da existência dos Grupos de orações dentro da UFSM e desta vez buscamos dar um enfoque maior à alguns dos integrantes.

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A proposta de abranger mais de um grupo de oração além de entrevistar um professor que pesquisa sobre religiosidade, foi um desafio estimulante para nós.

Além do cumprimento de prazos para a entrega, algumas dificuldades em apurar as pautas, contatos com novas pessoas e mais conhecimento neste assunto julgamos tudo isto ser um caminho de aprendizado e amadurecimento na profissão que estamos caminhando para exercer. Afora o crescimento profissional, o crescimento como pessoas.

Por fim, esperamos que você, caro leitor, curta essa matéria assim como nós curtimos fazê-la.

Reportagem: Jonas Freitas Faria e Jonatan Mombach

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