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Brasil avança na igualdade de gênero, mas ainda faltam mulheres na política

Dados do Sustainable Development Report 2026 mostram avanços brasileiros em educação, planejamento familiar e mercado de trabalho



O Brasil apresenta avanços em diferentes indicadores de igualdade de gênero, mas ainda
enfrenta obstáculos estruturais para garantir a participação plena das mulheres nos espaços de
poder. Segundo dados divulgados pela ONU Mulheres a partir do Sustainable Development
Report 2026, apenas 17,2% das cadeiras do Parlamento brasileiro são ocupadas por mulheres.
O indicador permanece estagnado, enquanto áreas como educação, planejamento familiar e
participação feminina na força de trabalho apresentam evolução.

Igualdade de gênero como objetivo de desenvolvimento sustentável

A igualdade entre homens e mulheres constitui uma das metas centrais da Agenda 2030
para o Desenvolvimento Sustentável, estabelecida pela Organização das Nações Unidas
(ONU). Entre os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), o ODS 5 tem como
finalidade alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas.
A discussão sobre igualdade de gênero ultrapassa a garantia formal de direitos. O ODS
5 envolve diferentes dimensões da vida social, incluindo o combate à discriminação e à
violência, a participação das mulheres em espaços de tomada de decisão, o acesso à
educação, a autonomia econômica e a divisão das responsabilidades domésticas e de cuidado.
Nesse contexto, os indicadores apresentados em 2026 permitem observar tanto
conquistas quanto limitações brasileiras no processo de construção de uma sociedade mais
igualitária.

Brasil apresenta avanços, mas participação política não acompanha o mesmo ritmo

De acordo com a ONU Mulheres (2026), o Brasil apresenta resultados positivos em três
indicadores centrais relacionados ao ODS 5. Um deles é o acesso ao planejamento familiar:
89,8% das mulheres em idade reprodutiva têm sua demanda por planejamento familiar atendida
por métodos modernos.
Na educação, o país também apresenta um resultado expressivo. A razão entre os anos
médios de estudo de mulheres e homens chega a 105,5%, o que significa que as mulheres
brasileiras apresentam, em média, maior escolaridade do que os homens.
Outro indicador em trajetória de melhora está relacionado à participação econômica. A
força de trabalho feminina corresponde a 72,8% da participação masculina. Apesar da

evolução, o dado evidencia que ainda existe uma diferença significativa entre homens e
mulheres no mercado de trabalho.
O principal ponto de estagnação, entretanto, está na esfera política. As mulheres
ocupam somente 17,2% das cadeiras do Parlamento brasileiro, percentual considerado
estagnado pelo relatório. Segundo a ONU Mulheres (2026), esse é o único indicador do ODS 5
analisado no qual o Brasil não apresenta avanço relevante.

A importância da participação feminina na política

A presença das mulheres na política constitui uma dimensão fundamental para o
cumprimento do ODS 5. A participação nos espaços de decisão possibilita que diferentes
experiências e demandas sociais sejam consideradas na elaboração de políticas públicas.
A baixa representação feminina, portanto, não é apenas uma questão quantitativa. Ela
também está relacionada à capacidade das instituições democráticas de representar a
diversidade da sociedade.
Nesse sentido, alcançar maior equilíbrio entre homens e mulheres na política significa
ampliar a participação feminina em espaços como parlamentos, governos, partidos políticos e
demais instituições responsáveis pela tomada de decisões.
O percentual de 17,2% apresentado pelo Brasil demonstra que existe uma distância
considerável entre a participação feminina na sociedade e sua presença nas estruturas formais
de poder. O desafio, portanto, não está apenas em garantir que as mulheres tenham acesso à
educação e ao mercado de trabalho, mas também em criar condições para que possam ocupar
posições de liderança e decisão.

Educação: avanço que ainda precisa se transformar em oportunidades

Os dados sobre educação representam um dos principais avanços observados no Brasil.
Com uma razão de 105,5% entre os anos médios de estudo de mulheres e homens, o país
demonstra que as mulheres brasileiras alcançaram, em média, níveis de escolaridade
superiores aos dos homens.
Esse resultado é significativo porque a educação é frequentemente apontada como um
dos instrumentos fundamentais para ampliar oportunidades sociais e econômicas.
Entretanto, maior escolaridade não significa automaticamente igualdade de
oportunidades. A permanência de desigualdades no mercado de trabalho e nos espaços de

poder demonstra que outros fatores estruturais continuam influenciando a trajetória profissional
e política das mulheres.
Dessa forma, o desafio relacionado ao ODS 5 passa pela transformação do acesso à
educação em condições efetivas de autonomia, participação e reconhecimento.

Trabalho e autonomia econômica

A participação das mulheres na força de trabalho também aparece como um indicador
em trajetória de melhora. Entretanto, a proporção de 72,8% em relação à participação
masculina evidencia que a inserção econômica ainda não ocorre de maneira equivalente.
A autonomia econômica é uma dimensão importante da igualdade de gênero porque
está relacionada à capacidade das mulheres de tomar decisões sobre suas próprias vidas,
ampliar sua independência e participar de forma mais efetiva da sociedade.
As desigualdades no mercado de trabalho também podem ser influenciadas pela
distribuição das responsabilidades domésticas e de cuidado. Quando essas atividades são
atribuídas predominantemente às mulheres, podem reduzir o tempo disponível para formação
profissional, trabalho remunerado e participação política.
Assim, o cumprimento do ODS 5 depende de políticas que não apenas ampliem o
acesso das mulheres ao mercado de trabalho, mas também enfrentem as condições que
dificultam sua permanência e ascensão profissional.

O Brasil no cenário internacional

O desempenho brasileiro no ODS 5 está inserido em um cenário internacional de
avanços lentos. Segundo a ONU Mulheres (2026), menos de 20% das metas dos Objetivos de
Desenvolvimento Sustentável estão em rota de cumprimento no mundo.
No conjunto dos ODS, o Brasil ocupa a 53a posição entre 169 países, com pontuação de
74,2. O país está acima da média da América Latina e do Caribe e acumulou crescimento de
4,3 pontos desde 2015.
Apesar desse resultado, a ONU Mulheres alerta para obstáculos que podem
comprometer o avanço da igualdade de gênero, como conflitos, cortes orçamentários e
retrocessos nos direitos das mulheres.
Outro problema destacado pelo relatório é a ausência de dados internacionais
comparáveis sobre a violência contra as mulheres. A falta de informações consistentes dificulta a identificação da dimensão do problema e, consequentemente, a formulação e avaliação de
políticas públicas.

O desafio de cumprir o ODS 5 até 2030

Os dados apresentados demonstram que o Brasil não parte de uma situação de
ausência de avanços. Pelo contrário, existem resultados positivos em áreas como educação,
planejamento familiar e participação econômica. Entretanto, os indicadores também mostram
que o progresso não acontece de maneira uniforme.
A permanência de uma baixa representação feminina na política evidencia uma das
principais barreiras para a consolidação da igualdade de gênero. Além disso, as diferenças na
participação no mercado de trabalho demonstram que a autonomia econômica ainda não foi
plenamente alcançada.
O ODS 5, portanto, deve ser compreendido como um objetivo transversal, relacionado a
diferentes dimensões do desenvolvimento sustentável. A igualdade de gênero influencia a
educação, o trabalho, a saúde, a democracia, a redução das desigualdades e a qualidade das
instituições.
Para que as metas da Agenda 2030 sejam alcançadas, será necessário transformar
avanços pontuais em mudanças estruturais. Isso envolve ampliar a participação das mulheres
nos espaços de decisão, combater diferentes formas de violência e discriminação, promover
autonomia econômica e garantir oportunidades iguais.
O cenário brasileiro apresentado em 2026 revela, assim, uma realidade de avanços e
contradições. As mulheres conquistaram maior escolaridade e apresentam evolução em
indicadores econômicos e de saúde, mas continuam sub-representadas nos espaços políticos.
O desafio para os próximos anos será fazer com que os avanços já conquistados se convertam
em maior igualdade efetiva.

Por Yasmim Della Mea Nilson – Bolsista do Projeto Agenda 2030.

Fonte consultada:
https://brasil.unwomen.org/pt-br/stories/noticia/2026/07/relatorio-ods-5-em-2026

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